A partir de abril
O Governo dos Açores nomeou a jurista Paula Brás para assumir as funções de Inspetora Regional da Saúde, a partir de 01 de...

A nova inspetora regional da Saúde substitui no cargo Paulo Gomes, que exerce funções de Inspetor Regional da Saúde desde 2011, data da operacionalização deste serviço, e que cessa funções a seu pedido.

Uma nota do executivo açoriano adianta que Paula Brás é licenciada, desde 1997, em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo exercido advocacia durante cinco anos na cidade de Ponta Delgada e foi ainda técnica superior na Câmara Municipal daquela cidade.

Desde 2004 que Paula Cristina da Conceição Portela Brás Soares de Albergaria desempenha funções na área do Direito na administração pública, em especial nas áreas do apoio jurídico, recursos humanos e formação profissional.

Entre 2009 e 2011, foi coordenadora do Núcleo de Formação Profissional do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, em regime de cedência de interesse público, acrescenta a nota.

A Inspeção Regional da Saúde fiscaliza o cumprimento das normas aplicáveis ao Serviço Regional de Saúde, visando o bom funcionamento e qualidade dos serviços prestados.

Caso de suicídio
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou Portugal a pagar 26.112,8 euros a uma mãe que apresentou queixa por considerar...

Aquele valor divide-se em 25.000 euros por danos não pecuniários, 703,8 euros por danos pecuniários e 409 euros por custos do processo, especifica uma informação divulgada hoje pela instituição europeia.

Maria da Glória Fernandes de Oliveira, uma portuguesa de Ceira, no distrito de Coimbra, apresentou queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, depois de processos semelhantes, no tribunal daquela cidade e no Supremo Tribunal de Justiça, que consideraram que o suicídio não era previsível e que o hospital não tinha falhado qualquer dever de assistência.

A queixa da cidadã portuguesa referia que "o seu filho se tinha suicidado devido a negligência de um hospital psiquiátrico em vigiá-lo", segundo o Tribunal Europeu.

"A senhora Fernandes de Oliveira queixou-se que as autoridades falharam na proteção da vida do seu filho e foram responsáveis pela sua morte, violando os seus direitos, segundo o artigo 2 (direito à vida)", especifica.

No relato do caso, é referido que o filho de Maria da Glória de Oliveira sofria de distúrbios mentais e deu entrada várias vezes no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, na unidade Sobral Cid.

Em abril de 2000, foi admitido naquela unidade depois de ter tentado o suicídio e, a 27 daquele mês, deixou os serviços sem avisar as autoridades hospitalares e saltou para a frente de um comboio, descreve o Tribunal Europeu.

Governo
A secretária de Estado da Inclusão afirmou que o Governo português está “estritamente comprometido” na execução da nova...

“O Governo português está estritamente comprometido com a implementação da agenda de 2030 e com estratégias, como esta que hoje aqui debatemos, em que o principal objetivo será sempre implementar políticas que torne uma sociedade cada vez mais inclusiva”, afirmou Ana Sofia Antunes na conferência “Direitos Humanos: Uma realidade para todos”.

A conferência, em Nicósia, marca o lançamento da nova estratégia, elaborada em 2016 pelos Estados membros, em cooperação com a sociedade civil e outras partes interessadas, e adotada pelo Comité de Ministros em dezembro.

A estratégia, segundo o Sapo, centra-se em cinco áreas prioritárias baseadas em direitos ancorados na Convenção Europeia dos Direitos do Homem: Igualdade e não discriminação, sensibilização, acessibilidade, igual reconhecimento perante a lei e proteção contra a exploração, violência e abuso.

Na sua intervenção na conferência, a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência afirmou que Portugal já dispõe de “medidas e serviços que contribuem para assegurar o acesso e exercício dos direitos das pessoas com deficiência, em pé de igualdade com outras pessoas, promovendo a possibilidade de viver de forma autónoma”.

Entre essas medidas, apontou os programas de formação e qualificação, “programas socioprofissionais apoiados”, medidas em matéria de emprego, educação inclusiva, quotas de acesso à educação e equipamentos de apoio educativo.

Modelo de Apoio à Vida Independente
A secretária de Estado lembrou ainda medidas que estão a ser criadas em Portugal, nomeadamente o Modelo de Apoio à Vida Independente, que visa que todas as pessoas com deficiência possam ter acesso ao sistema de assistência pessoal. “A assistência pessoal contribuirá para melhorar o acesso aos direitos políticos, económicos, sociais e culturais, para que as pessoas com deficiência possam efetivamente viver de forma independente”, defendeu.

Para a governante, a adoção, em 2015, da agenda de 2030 para o desenvolvimento sustentável foi “um passo histórico” para “superar os muitos desafios e que todas as sociedades enfrentam”. “É claro que a maior vantagem dos objetivos de desenvolvimento sustentável, em comparação com os objetivos anteriores e outros planos de ação, é a inclusão, em termos de colher e em termos de aplicabilidade a todos os Estados membros”, frisou.

Na Europa existem 80 milhões de pessoas com deficiência e muitas delas continuam a ser vítimas de discriminação ou abuso, sendo o objetivo da nova estratégia melhorar a qualidade de vida destas pessoas.

"O nosso objetivo não é apenas estabelecer padrões, mas também capacitar as pessoas com deficiência para derrubar barreiras e permitir, por exemplo, um melhor acesso ao estudos, ao trabalho e ao uso das suas capacidades e talentos para competir no desporto e fazer a diferença na vida dos outros", disse a diretora do Conselho da Europa responsável pela Dignidade Humana e Igualdade, Marja Ruotanen.

Estudo
Um novo estudo da Universidade da Califórnia concluiu que a inibição de uma enzima específica reduz os sintomas de depressão em...

O estudo conduzido por Abraham Palmer, da Escola de Medicina de San Diego da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que a inibição da enzima glioxalase-1 (GLO-1) influencia o estado de humor e o comportamento.

De acordo com o estudo publicado na revista médica "Molecular Psychiatry", os investigadores dividiram os ratinhos em três grupos. A um administraram o novo tratamento, o outro grupo foi tratado com Prozac e o terceiro não recebeu qualquer tratamento, escreve o Sapo.

Segundo os testes, os resultados demonstraram que a inibição da enzima GLO-1 tinha reduzido os sintomas de depressão nos ratinhos em apenas cinco dias, enquanto o grupo que recebeu o Prozac só começou a demonstrar melhorias 14 dias após o início do tratamento.

"Não existem neste momento nenhum antidepressivo com ação rápida, sendo que encontrar algo assim é pouco usual", comentou a coautora do estudo, Stephanie Dulawa, professora de psiquiatria na Escola de Medicina de San Diego.

Estima-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens possam ter crises de depressão em alguma fase da sua vida. As crianças também podem ser afetadas.

Não existem dados concretos em relação à sua frequência em Portugal, mas as estimativas referem valores de 2 a 3% para os homens e de 5 a 9% para as mulheres para as formas mais graves de depressão e valores superiores a 20% para formas mais ligeiras da doença.

Estudo
Os humanos provavelmente desenvolveram cérebros grandes e poderosos com a ajuda do consumo de frutas, concluíram cientistas num...

Comer frutas foi um passo-chave a partir dos alimentos mais básicos, como folhas, e forneceu a energia necessária para desenvolver cérebros mais volumosos, segundo os cientistas.  "Foi assim que conseguimos estes cérebros enormes", disse o autor do estudo Alex Decasien, cientista da Universidade de Nova Iorque.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution observou os alimentos básicos de mais de 140 espécies de primatas, e concluiu que as suas dietas não mudaram muito ao longo da evolução recente.

De acordo com a pesquisa, escreve o Sapo, os animais que se alimentam de frutas têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem principalmente folhas. Os resultados questionam a teoria que prevaleceu desde meados da década de 1990, segundo a qual os cérebros maiores se desenvolveram a partir da necessidade de sobreviver e se reproduzir em grupos sociais complexos.

Decasien disse que os desafios de viver em grupo podem ter contribuído para o desenvolvimento da inteligência, mas não encontrou nenhuma ligação entre a complexidade da vida social dos primatas e o tamanho dos cérebros. Comer frutas, por outro lado, estava fortemente correlacionado com o tamanho dos cérebros.

Alimentos como frutas contêm mais energia do que fontes básicas como folhas, criando assim o combustível adicional necessário para evoluir para um cérebro maior. Ao mesmo tempo, o exercício de lembrar que plantas produzem frutas, onde estão e como abri-las também poderia ajudar um primata a desenvolver um cérebro maior.

"Sinto-me confiante de que este estudo vai reorientar e revigorar a pesquisa à volta da complexidade cognitiva em primatas e outros mamíferos", escreveu Chris Venditti, cientista da Universidade de Reading, no Reino Unido, num comentário anexo sobre o estudo, também publicado na Nature Ecology & Evolution. "Mas muitas perguntas continuam por responder", acrescentou.

100 mil celíacos em Portugal
O que era antes considerada uma doença pediátrica é agora percebida como uma doença que atinge todas

A doença celíaca é uma doença auto-imune que ocorre em indivíduos com predisposição genética causada pela permanente sensibilidade ao glúten. Caracteriza-se pelo desenvolvimento de uma reacção imunológica do organismo contra o próprio intestino delgado, levando ao aparecimento de lesões na mucosa.

“O glúten é o fator primordial na indução da doença celíaca (DC) e é composto por prolaminas e glutaminas – principais constituintes do trigo, centeio e cevada. Esse glutén desencadeia, no intestino delgado, uma resposta inflamatória mediada pelo sistema imunitário, originando a progressiva destruição da mucosa, que se traduz na atrofia das vilosidades intestinais”, começa por explicar Rita Jorge, nutricionista da Associação Portuguesa de Celíacos, adiantando que, como consequência, este orgão perde a capacidade para absorver os nutrientes.

Apresentando uma grande variedade de sintomas e sinais, a doença celíaca pode afetar qualquer pessoa, em qualquer idade, “desde que o glúten já tenha sido introduzido na alimentação”, e atingir vários sistemas de órgãos.

“As manifestações da DC são habitualmente divididas em dois grupos: os doentes com sintomas clássicos (frequentes nas crianças) que apresentam casos de diarreia, flatulência, distensão abdominal, cólicas, emagrecimento, desnutrição ou atraso no crescimento; e os doentes com sintomas atípicos”, explica a especialista.

Neste último grupo, os doentes, geralmente adultos, apresentam sintomas extra-intestinais. Anemia, osteoporose, dermatite herpetiforme, estomatite aftosa recorrente, alterações hepáticas ou neurológicas ou aborto espontâneo são alguns dos sintomas referenciados.

Sem cura conhecida, o seu diagnóstico nem sempre é fácil. “Em Portugal, aponta-se que existam entre 10 a 15 mil pessoas diagnosticadas com doença celíaca. Estima-se, no entanto, que o número de celíacos efetivo, ao nível nacional, se situe entre os 70 e os 100 mil”, refere Rita Jorge admitindo que cerca de 85% dos doentes tem doença mas não sabe.

“A DC apresenta, como já referi, uma grande variedade de sintomas e sinais, podendo atingir o organismo afetando vários sistemas de órgãos ou, por vezes, manifestando-se com sintomas muito ligeiros. E é esse o maior entrave ao diagnóstico”, justifica.

De acordo com a nutricionista, o diagnóstico deve ser apoiado na história clínica (sinais e sintomas) do doente, em análises sanguíneas específicas (testes serologicos), endoscopia digestiva alta com biópsia do duodeno e teste genético. “Este último surje como teste de exclusão de doença”, explica Rita Jorge.

As neoplasias do tubo digestivo são a consequência mais grave da doença não tratada. “Enquanto um celíaco tratado – que cumpre uma dieta isenta de glúten – apresenta uma esperança média de vida igual à de um cidadão comum, aquele que não sabe que é portador da DC, além de muitas vezes sofrer de sintomatologia variada que afeta negativamente a sua qualidade de vida, reduz drasticamente esse indicador, estando muito mais exposto, por exemplo, a desenvolver algumas formas de cancro”, adianta a nutricionista da Associação Portuguesa de Celíacos advertindo, deste modo, para a importância do diagnóstico precoce.

“Quanto mais precoce for o diagnóstico, melhor é o prognóstico para o resto da vida e, por isso, é fundamental investirmos na divulgação da doença celíaca e dos sintomas que a ela estão associados e que, frequentemente, são subtis e transpõem largamente o âmbito gastrointestinal”, afirma.

Dieta Isenta de Glúten é o único tratamento conhecido

Atualmente, o único tratamento disponível consiste numa dieta isenta de glúten, praticada para o resto da vida. “Apenas a eliminação desta proteína da alimentação permite que o intestino regenere por completo da lesão e o organismo recupere”, afirma Rita jorge.

Trigo, centeio e cevada devem ser excluídos da dieta alimentar e substituídos por outros alimentos isentos de glutén. “Estamos a falar de todos os alimentos que na sua composição tenham um dos quatro cereais ou seus derivados, como o pão, produtos de confeitaria e pastelaria, bolachas e biscoitos, massas alimentícias, iogurtes com cereais, farinheira e alheira, sopas de pacote, cerveja, panados, salgados, delícias do mar e variantes, pizza, lasanha, canelones, raviolis, e ingredientes como o amido dos cereais proibidos, amido, amido modificado, proteína vegetal, fibras alimentares, aditivos do grupo dos E-14xx, malte e xarope de malte, extrato de malte, e cereais”,  específica a nutricionista.

Por outro lado, existem alimentos que podem conter glúten, “disfarçadamente, na sua composição através do processamento industrial”, pelo que é fundamental ler a sempre a informação presente nos rótulos.

Cuidados a ter

De acordo com Rita Jorge, existem alguns cuidados a ter, não só na escolha dos alimentos mas também na sua conservação e confeção.

“Os produtos sem glutén devem ser guardados em local específico e bem identificado, preferencialmente nas prateleiras superiores”, começa por especificar.

No caso das famílias que optam por preparar refeições com e sem glúten, os alimentos isentos de glutén devem ser preparados em primeiro lugar. “Nunca partilhe utensílios que estiveram em contato com alimentos com glúten”, acrescenta.

No caso das crianças celíacas, estas devem ser ensinadas, desde muito cedo a fazerem as escolhas adequadas e quais os cuidados a ter para evitar a contaminação cruzada.

“Para o celíaco a migalha conta. A ingestão de qualquer quantidade de glúten por mínima que seja é prejudicial para o celíaco (mesmo que não sejam visíveis e sentidos os sintomas de imediato), favorecendo o aparecimento de lesões na mucosa intestinal”, justifica a nutricionista.

Fora de casa, e caso não esteja num estabelecimento de restauração certificado – apto a fornecer refeições sem glúten em total segurança – deve optar pelo consumo de alimentos cozidos, grelhados ou saladas sem adição de molhos.

“Deve ainda questionar o chef de cozinha quando tem alguma dúvida relativa a algum prato ou alergénio”, aconselha.

“O principal receio era comer fora de casa”

Vanessa Domingos tinha 18 anos quando, há cerca de 10, lhe foi diagnosticada a doença celíaca. “Os meus sintomas foram atípicos. Perdi peso e sentia-me cansada, com falta de forças. Também ficava sempre muito cheia quando acabava de comer, o que me levava a fazer intervalos longos entre refeições ou a comer menos, o que por sua vez agravou a perda de peso”, recorda.

Ao fim de alguns meses, consultou o médico que sugeriu a realização de uma endoscopia com biopsia para diagnosticar o problema. “Tive bastante sorte com a médica gastroenterologista que me fez a endoscopia pois, devido ao achatamento das vilosidades intestinais, suspeitou logo que eu fosse celíaca”, afirma a jovem.

Sem saber o que significava a doença, aquando o diagnóstico, Vanessa sentiu-se sobretudo frustrada perante a necessidade de ter de planear todas as refeições antes de sair de casa. “Senti que limitava a minha espontaneidade. No entanto, foi um alívio ter um nome para dar às coisas. Saber o que tinha foi a primeira ferramenta para melhorar”, afiança.

O seu principal receio prendia-se com as refeições feitas fora de casa. “Pouco depois do diagnóstico entrei para a faculdade e tive de me adaptar a levar comigo quase todas as refeições do dia”, recorda Vanessa que passou de ter de explicar às pessoas mais próximas em que consiste a doença celíaca. “É importante que as pessoas compreendam o que podemos e não comer”, afirma.

Depois de adaptar a sua alimentação, Vanessa demorou cerca de um ano a recuperar o seu peso habitual. “Penso que por os meus sintomas serem atípicos, os resultados também demoraram um pouco mais”, explica.

Apesar da sua principal dificuldade continuar a ser comer fora de casa, Vanessa conseguiu, com a ajuda da Associação Portuguesa de Celíacos (APC), dissipar as suas principais dúvidas e por isso aconselha outros doentes a pedir ajuda. “Não existe outra entidade no país que tenha tantos conhecimentos sobre a doença celíaca e que possa ajudar da mesma forma um recém-diagnosticado”, afiança.

“Fazer parte de uma associação de pares é comprovadamente um dos fatores primordiais na promoção da qualidade de vida e saúde mental de quem é confrontado com uma doença de longa duração e que obriga ao cumprimento continuado e rigoroso de uma terapêutica”, esclarece Rita Jorge.

Para além de disponibilizar informação de qualidade sobre a doença, a Associação Portuguesa da Celíacos fornece “dicas práticas sobre como os portadores de DC e seus familiares poderão atuar, em casa e no exterior, no sentido de garantir o cumprimento da dieta”.

Providencia ainda encontros, programas de formação ou workshops, entre outras iniciativas, com o objectivo de ensinar os doentes a conviver com a doença e partilhar experiências.

“Além disso, a APC também desenvolve parcerias com diversas empresas, quer no ramo alimentar, quer de outros serviços, no sentido de facilitar cada vez mais a vida dos portatores de doença celíaca”, acrescenta a nutricionista admitindo que foi pelo trabalho de sensibilização desta associação também junto do poder legislativo que “se conseguiu que os portadores de DC pudessem beneficiar de isenções fiscais na aquisição de produtos específicos isentos de glúten”.

“O celíaco pode deduzir no IRS as despesas com produtos isentos de glúten, desde que o IVA seja taxado a 6% e que tenha uma declaração médica comprovativa da doença celíaca”, refere Vanessa Domingos aplaudindo o esforço da associação.

“Nos últimos 10 anos, nota-se uma evolução enorme na sensibilização para a doença, na oferta de produtos, no número de estabelecimentos certificados para a confeção de produtos sem glúten, no interesse dos profissionais de saúde, mesmo na cobertura mediática, e nada disso seria possível sem o trabalho da APC”, conclui. 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
O bloqueio na produção de uma proteína que regula as conexões das células cerebrais, a Ephexin5, evitou perdas de memória em...

Uma investigação da Universidade de Medicina Johns Hopkins, de Baltimore, Estados Unidos, mostrou que a Ephexin5 parece ser elevada nas células cerebrais de doentes de Alzheimer e também em ratos com a doença.

Os investigadores da Universidade fizeram várias experiências com ratos e concluíram que a remoção da proteína evita que os animais desenvolvam perdas de memória, uma característica da doença.

Num relatório publicado no “The Journal Clinical Investigation”, os investigadores dizem que a descoberta poderá ser um avanço no desenvolvimento de medicamentos para a proteína e assim prevenir ou tratar os sintomas da doença.

“Ephexin5 é um alvo farmacêutico tentador, porque em adultos saudáveis a sua presença é mínima no cérebro”, disse Gabrielle Sell, da Universidade, acrescentando: “Isso significa que tirar a Ephexin5 pode ter poucos efeitos secundários”.

Em conjunto com Seth Margolis, da mesma instituição, o trabalho dos responsáveis partiu do princípio das características da doença, a formação de placas no cérebro compostas por uma proteína chamada beta amiloide, sendo a sua destruição o foco principal dos esforços para tratar a doença. No entanto, dizem os cientistas, não é a beta amiloide que leva à gravidade da doença mas sim a perda das chamadas sinapses excitatórias.

Embora não esteja claro como a beta amiloide e a perda das sinapses excitatórias estão ligadas, pesquisadores da Universidade da Califórnia mostraram há vários anos que os doentes de Alzheimer diminuíram os níveis cerebrais da uma proteína chamada EphB2. A Ephexin5 é regulada pela EphB2.

Os investigadores quiseram saber primeiro se a proteína poderia estar a ser mal regulada nos modelos animais e nos pacientes com Alzheimer. E descobriram que quando adicionavam beta amiloide às células de cérebros de ratos saudáveis essas células começaram a produzir Ephexin5 em excesso, o que parece indicar que a proteína que produz as placas características da doença também desencadeia um aumento da Ephexin5.

Em diversas experiências os investigadores concluíram que o excesso de Ephexin5 está associado à doença de Alzheimer e procuraram perceber se a redução de Ephexin5 iria impedir também os efeitos da doença.

Segundo o estudo, bloqueando a produção da proteína em ratos verificou-se que estes desenvolviam as placas mas não perdiam as sinapses excitatórias. E também não perdiam a memória, uma causa da doença.

Com esses resultados obtidos com os ratos os cientistas consideram que o aumento da Ephexin5 pode ser a razão pela qual os pacientes perdem as sinapses e por consequência a memória, e admitem que bloquear a proteína pode retardar ou interromper a doença.

Estudo
O diagnóstico da tuberculose poderá ser mais rápido e fiável com um novo teste sanguíneo para detetar a doença que só nos...

A investigação de académicos do Arizona, Texas e Washington usa a nanomedicina, com a qual pretende evitar diagnósticos errados baseados nos métodos atuais, assentes na análise da expetoração, culturas sanguíneas e biópsias invasivas aos pulmões e ao sistema linfático.

"Estes resultados podem ser falsos negativos e, além disso, podem demorar dias até haver confirmação" da doença, cujo tratamento deve começar o mais depressa possível. afirmou Tony Hu, da universidade do Arizona.

O novo método consegue medir a gravidade das infeções detetando a presença no sangue de quantidades ínfimas de duas proteínas que as bactérias da tuberculose produzem durante infeções ativas.

Apesar de todos os anos se gastarem milhares de milhões de euros para cuidar dos doentes e evitar infeções, a tuberculose continua a ser um dos maiores riscos de saúde mundiais, estimando-se que possa estar latente em um terço da população mundial.

Todos os anos, 10 milhões de pessoas contraem a doença e quase dois milhões morrem, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Os responsáveis pela investigação querem agora testar se o seu método se adapta a outra doenças e candidatar-se a testes clínicos na luta contra a tuberculose.

Faculdade de Engenharia
A Administração Regional de Saúde do Norte divulgou que está em fase de investigação e tratamento um surto de parotidite...

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) aponta que, até esta data, estão confirmados quatro casos, estando sob investigação cerca de mais uma dezena e que o seu departamento de Saúde Pública teve conhecimento da ocorrência parotidite epidémica entre alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) na semana passada.

Contactada, a FEUP confirmou a ocorrência, mas remeteu todos os esclarecimentos para a ARS-Norte, apontando que o tratamento a esta situação está "completamente articulado" entre ambas as instituições.

Vulgarmente conhecida como papeira, a parotidite epidémica é uma doença infecciosa, provocada por um vírus, caraterizando-se pelo aparecimento de febre, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, seguindo-se o aumento de volume das glândulas parótidas (glândulas salivares).

A ARS-Norte explica que se trata de uma doença habitualmente benigna, que se transmite através das gotículas de saliva, durante a tosse, espirro ou a conversação, ou através da partilha de objetos e utensílios como copos, podendo a transmissão ocorrer ainda antes do aparecimento dos sintomas.

"Neste momento, a equipa responsável pela investigação do surto, sob a coordenação da ARS-Norte, está a trabalhar, em estreita colaboração, com os diferentes serviços de saúde e com a FEUP, de forma a conhecer a verdadeira dimensão do surto e a facilitar a implementação das medidas de prevenção e controlo", lê-se no comunicado.

O "afastamento social" dos doentes durante um período de nove dias a partir da data do aparecimento do aumento do volume das parótidas, a vigilância dos contactos próximos, a verificação do seu estado vacinal e a atualização da vacinação, sempre que tal se verifique necessário, são as medidas que estão a ser implementadas.

A FEUP também divulgou, internamente, informação da ARS-Norte com a indicação de que, perante a existência de sintomas sugestivos de parotidite epidémica, deverá ser contactada a Linha de Saúde 24 ou a equipa de saúde familiar e cumpridas todas as recomendações prescritas.

"A ARS-Norte e a FEUP continuarão atentas à evolução deste surto e a desenvolver as medidas consideradas necessárias ao controlo da situação", termina o comunicado.

O Programa Nacional de Vacinação contém a vacina contra a parotidite epidémica, associada à vacina contra o sarampo e a rubéola, designada como VASPR, sendo administrada em duas doses, uma aos 12 meses e outra aos cinco anos de idade.

De acordo com a ARS-Norte a vacinação contra a parotidite epidémica não evita todos os casos de doença, não sendo rara a ocorrência de surtos em populações com elevada proporção de vacinados, em ambientes em que o contacto interpessoal é próximo e frequente.

Também a Reitoria da Universidade do Porto, apontou estar a acompanhar a situação.

Fertilidade
A endometriose é uma doença tão dolorosa como desconhecida.

A procriação medicamente assistida pode ser a resposta adequada para os problemas de fertilidade destas mulheres. A vitrificação de ovócitos pode ser a solução para concretizar o projeto reprodutivo no futuro. Tanto para as mulheres que se submetem a uma cirurgia que possa comprometer a fertilidade, como para aquelas que simplesmente desejem adiar a maternidade. De facto, nos últimos 10 anos, mais de 300 mulheres procuraram o IVI com problemas de fertilidade derivados da endometriose.

Para João Calheiros Alves, ginecologista, especialista em medicina reprodutiva do IVI Faro, na atualidade o enfoque clínico em relação a esta doença está a mudar: “não houve nenhum avanço no tratamento sintomático da endometriose nos últimos nos, continua sem existir cura. A diferença é que agora o diagnóstico e início do tratamento são mais pragmáticos e isso ajuda a melhorar a qualidade de vida de quem padece endometriose.”

“Antes podia demorar até 6 anos até ser diagnosticada a endometriose a uma mulher e poucos médicos a tratavam”, explica o Dr. João Calheiros Alves. A idade média em que se deteta esta doença é aos 27 anos e calcula-se que cerca de 70% receberam anteriormente diagnóstico errado.

A falta de informação, junto com a ausência de consciencialização social sobre este problema, provoca que muitas destas mulheres se sintam sozinhas e incompreendidas em relação à dor.

“O nosso trabalho passa muito por consciencializar a sociedade de modo geral e os profissionais de saúde para a existência e consequências desta patologia na vida da mulher. Felizmente o nosso trabalho começa a surtir resultados, contudo começamos a deparar-nos com um outro problema, que é a falta de profissionais que compreendam verdadeiramente a doença e se dediquem a aprofundar os seus conhecimentos para acompanhar de forma adequada as portadoras desta patologia,” salienta Susana Fonseca, presidente da Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose.

A endometriose
Esta doença crónica ocorre quando o endométrio – a parte que reveste o interior do útero e se desprende em cada ciclo através da menstruação – se encontra noutros locais, mais frequentemente na pélvis. Uma vez na pélvis, e com os ciclos menstruais da mulher, produzem-se pequenos sangramentos, que se não forem corretamente eliminados pelo próprio organismo, serão responsáveis, em parte, pelo quadro de dor e infertilidade.

A importância de um bom diagnóstico
A endometriose é uma doença crónica, pelo qual é importante que se diagnostique o quanto antes e se trate de forma adequada. Uma vez que pode piorar, é importante que a mulher disponha de toda a informação possível desde o primeiro momento.

Apesar de depender da idade e do contexto clínico, calcula-se que nos casos de endometriose, sem importar que seja moderada ou severa, a taxa de gravidez espontânea por ciclo é inferior a 2% (e entre 2 e 4,5% nos casos mais leves), muito inferior aos 20% das mulheres que não padecem da doença.

Nos casos com maior sintomatologia recomendam-se medicamentos paliativos e, se necessário, pode efetuar-se uma cirurgia pélvica por via laparoscópica para eliminar as lesões, apesar de existirem casos em que é necessário retirar parte dos ovários ou inclusivamente os ovários por completo, prejudicado desta forma a fertilidade da paciente.

A presidente da MulherEndo reforça ainda que “apesar da fertilidade ser um fator de peso na vida da mulher, a Endometriose é muito mais do que uma doença que pode prejudicar a gravidez. A Endometriose é uma doença complexa que pode afetar vários órgãos e comprometer a qualidade de vida da paciente prejudicando a vida pessoal, familiar, profissional e social. A Endometriose é hoje um problema de saúde pública!”

7 Conselhos MulherEndo para melhorar a qualidade de vida das mulheres com endometriose

Uma vez diagnosticada a endometriose, a mulher deve considerar alguns aspetos que poderão melhorar a sua qualidade de vida. Nem sempre são fáceis de aplicar. Sobretudo deve investir algum tempo a interiorizá-los e depois ver como poderão ter aplicação prática na sua vida.

Apoio Psicológico
Esta é uma doença que causa sentimentos de incapacidade, culpa, medo, angústia, incerteza. Portanto é importante ter alguém que nos ajude a lidar com todas estas fases. O objetivo é que não tornemos algo que já é grande e complicado, em algo muito difícil de lidar. Uma mente serena e organizada, lida melhor com a situação, tem menos ansiedade e menos stress. Deste modo encontra respostas mais rapidamente e de forma mais acertada quando surgem os problemas. Já para não falar que o estado de stress e ansiedade causa mais inflamação e consequentemente mais dor!

Alimentação equilibrada – apoio nutricional adequado
A alimentação pode ser a chave para uma vida com menos dor. Não conseguimos controlar a doença pela alimentação, mas conseguimos controlar a sintomatologia. Uma alimentação anti-inflamatória, sem produtos processados, açúcares e com pouco glúten pode ser a chave para reduzir inchaço, perder o peso ganho com a toma de medicação e para que a sintomatologia da doença seja atenuada.

Desporto adaptado
Nem todos os desportos são adequados. Mas existem alguns que certamente nos farão sentir melhor. Yoga, pilates, caminhadas e natação são alguns exemplos. O importante é perceber qual é mais eficaz para cada uma de nós e mexer o corpo. Por menos vontade que se tenha. Um corpo parado é um corpo mais doente!

Tempo para mim
Há estudos que ligam a Endometriose a mulheres que se preocupam primeiro com todo o universo e só depois consigo. Mulheres que em vez de lerem um livro que lhes apetece estão preocupadas em como resolver os problemas dos amigos/familiares. Mulheres que em vez de verem uma série preferem ir fazer voluntariado e resolver os problemas do mundo. Não que este tipo de personalidade/vivências não seja positivo. É! Mas há que encontrar um equilíbrio. Precisamos de cuidar de nós. Ter tempo para ler, se nos apetecer, para ver uma série, para tomar um banho mais relaxado, para ir ao cinema, para não fazer nada! Desligar do mundo é essencial!

Saber parar
Nos dias de mais dor é importante parar. Deitar, colocar um saco de água quente/ou de gelo na zona que nos está a doer com mais intensidade ou tomar um banho quente relaxante.

Dormir bem
Se o nosso corpo/mente não descansa no mínimo 7/8h por dia todo o quadro de dor piora.

Gostar de mim
Eu não tenho culpa de ter uma doença crónica, de não poder ter filhos, de não conseguir exercer a minha profissão. Eu não tenho culpa e não me posso culpar por isso! Mas posso aprender a virar a página e a transformar o mau em algo positivo. Consequentemente é possível viver bem e feliz com Endometriose!

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra organiza, nos dias 30 e 31 de março de 2017, o “Seminário EMC (Enfermagem Médico...

O seminário é uma iniciativa dos cursos de mestrado e de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica e da respetiva Unidade Científico-Pedagógica da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), que está aberto, gratuitamente, a toda a comunidade de Enfermagem.

A avaliação da via aérea em contexto pré-hospitalar, os dilemas éticos e a gestão da esperança em cuidados paliativos, ou as guidelines (recomendações) para a prática perioperatória nos domínios da assepsia cirúrgica, da segurança do doente e da equipa cirúrgica, da segurança de materiais e equipamento, assim como no domínio do “cuidar o doente”, são alguns temas em discussão nos dois dias de trabalhos.

O programa detalhado do seminário pode ser consultado em www.esenfc.pt/event/seminarioemc2017, o mesmo espaço reservado às inscrições.

Estudo
O projeto Menos TB Porto concluiu que relativamente às dinâmicas de transmissão da tuberculose, o Porto é “um reservatório...

A responsável Raquel Duarte salienta que, “embora a tuberculose tenha vindo a diminuir no país, concentra-se cada vez mais nos grandes centros urbanos em grupos vulneráveis. O Porto é a prova disso”.

“O Porto constitui-se assim como um importante modelo para a diminuição de incidência numa área endémica para tuberculose”, refere a investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e coordenadora do Centro de Referência Nacional para a Tuberculose Multirresistente.

O Projeto Menos TB Porto, que tem como objetivo principal estabelecer uma estratégia eficaz de diagnóstico e tratamento precoce de tuberculose, e identificar fatores de risco específicos para o desenvolvimento da doença nos grupos vulneráveis, nomeadamente junto dos sem-abrigo, encontra-se na sua fase final.

Resultou da colaboração entre o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, o Instituto de Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho, a ARS Norte, o ACeS Porto Ocidental e o ACeS Porto Oriental.

Os rastreios realizados pelas Unidades de Saúde Pública do Porto Oriental, do Porto Ocidental e do Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP), em parceria com as organizações de apoio aos sem-abrigo, permitiram rastrear 403 indivíduos e nestes identificar dois casos de tuberculose.

“A incidência de tuberculose na população em geral é de 20 casos por cada 100 mil habitantes, e só no Porto este projeto permitiu detetar dois casos em apenas 403 indivíduos, o que se traduz numa taxa de incidência de 496 por cada 100 mil sem-abrigo”, sublinha a responsável.

Raquel Duarte é a coordenadora deste projeto, diretora da Unidade de Gestão Integrada do Tórax e Circulação do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, coordenadora do Centro de Referência Nacional para a Tuberculose Multirresistente, assessora do diretor do Programa Nacional para a TB/VIH, para a área da tuberculose, e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Os resultados do projeto sugerem que as equipas de rua têm um papel muito importante na proximidade com os sem-abrigo e outras populações vulneráveis, cuja articulação com as unidades de saúde pública e CDP são fundamentais.

Assim, salienta a responsável pela investigação, o término do projeto não deve implicar a diminuição destas sinergias e, por isso, foi proposto “um cronograma de rastreios para 2017, que visa a articulação, sensibilização e acompanhamento de casos entre os ACES do Porto e as equipas de rua”.

Os autores do estudo referem que a caracterização genética, aliada à georreferenciação, em conjunto com a informação epidemiológica, permitiram a identificação das cadeias de transmissão da doença.

Instituto Português de Sangue e Transplantação
O presidente do Instituto Português de Sangue e Transplantação afirmou hoje que o envelhecimento da população pode diminuir as...

Almeida e Sousa falava durante a cerimónia do Dia Nacional do Dador de Sangue, que decorre em Lisboa, durante a qual alertou para o impacto do envelhecimento da população nas dádivas de sangue.

A este propósito, recordou que os menores de 25 anos representam 12% dos dadores e que entre os 25 e os 34 essa percentagem é de 18 por cento.

“Temos de trazer mais gente jovem para a dádiva”, disse Almeida e Sousa, aproveitando para agradecer o empenho com que um conjunto de jovens elaborou um vídeo apelando a este ato, tendo para o efeito oferecido os seus serviços ao Instituto Português de Sangue e Transplantação (IPST).

Numa cerimónia dirigida aos dadores, com muitas palavras de agradecimento, o presidente do IPST reiterou que o aproveitamento máximo e sem desperdício do sangue doado pelos portugueses é a melhor forma de homenagear o dador.

O secretário de Estado e Adjunto do ministro da Saúde, Fernando Araújo, também agradeceu o altruísmo dos dadores e garantiu que a reposição da isenção do pagamento das taxas moderadoras nos centros de saúde para os dadores é uma medida “para ficar”.

Universidade do Porto
O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, da Universidade do Porto, anunciou hoje a criação de uma parceria com uma...

“Numa relação clara entre o setor clínico privado, a investigação em biologia e a investigação aplicada em bioengenharia, pretende-se desenvolver investigação em células estaminais de folículos capilares com vista à resolução da calvície”, afirma o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S).

O instituto esclarece, em comunicado, que o projeto assenta numa abordagem científico-tecnológica que seguirá duas vias complementares essenciais: “a exploração do potencial das células estaminais dos folículos capilares e o desenvolvimento de ambientes artificiais tridimensionais capazes de mimetizar o nicho estaminal do folículo, proporcionando assim o ambiente ideal para a multiplicação dessas células”.

“São muitos os laboratórios que procuram resolver a limitação do número de folículos saudáveis, mas no i3S podemos contribuir para resolver este problema, usando uma abordagem multidisciplinar, dado cruzarem-se várias áreas do conhecimento no nosso instituto, desde a biologia molecular e celular fundamental, até à bioengenharia aplicada”, sublinha o investigador do i3S Pedro Granja.

De facto, acrescenta Elsa Logarinho, também investigadora do i3S, “irão criar-se sinergias entre biologia básica das células estaminais do folículo capilar e a bioengenharia de produção de ambientes tridimensionais que permitam a melhor manutenção dessas estruturas até ao momento do implante no paciente”.

A alopecia, ou perda de cabelo acentuada, constitui um problema que ultrapassa a barreira das questões estéticas, causando muitos estigmas sociais e autodesvalorização pessoal.

A forma corrente de mitigar este fenómeno baseia-se na via farmacológica. Porém, em fases adiantadas, “o transplante capilar revela-se a única alternativa para a recuperação do bem-estar psicossocial dos indivíduos vítimas dessa condição”, salientam os investigadores.

“Os avanços tecnológicos são notórios, nomeadamente na robotização do transplante, embora o número de folículos de boa qualidade disponíveis seja um dos fatores limitativos. Os recentes avanços na medicina regenerativa podem ser a chave para resolver a disponibilidade de folículos capilares em número e qualidade suficiente para responder às necessidades. É precisamente isso que se pretende com este projeto de parceria”, acrescentam.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50% da população masculina sofrerá de calvície até aos 50 anos. Existem também estudos que associam a queda de cabelo acentuada a complicações psicológicas, nomeadamente ansiedade e depressão.

Instituto Português do Sangue e Transplantação
"As reservas de sangue em Portugal são estáveis e estão dentro do necessário para satisfazer as necessidades",...

A propósito do Dia Nacional do Dador de Sangue - que se assinala hoje - aquele responsável não valoriza a diminuição de unidades de sangue colhidas no último ano: 302 877, menos 31 818 que em 2015. Segundo os dados disponibilizados ao Diário de Notícias pelo Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), a verdade é que os stocks aumentaram, ainda assim. Em 2016 contabilizaram-se 210 878 unidades, o que significa um aumento de 22 827 face ao ano anterior.

Os números mostram também que há menos jovens a dar sangue, já que o instituto contabiliza as unidades de sangue colhidas no grupo etário abaixo dos 25 anos. E por isso é possível perceber que houve menos cerca de cinco mil jovens a contribuir durante as recolhas. Para doar sangue basta ter mais de 18 anos (e menos de 65), bom estado de saúde, hábitos de vida saudáveis, peso igual ou superior a 50 quilos. As mulheres podem fazer doação de quatro em quatro meses, enquanto nos homens a recolha pode ser feita de três em três meses.

Sangue, suor e dádivas
Martine Gonçalves esperou até aos 32 anos para se tornar dadora. Aconteceu na sexta-feira passada, numa recolha organizada pelos Bombeiros Voluntários da Mealhada, com o duplo objetivo de angariar sangue e dadores de medula óssea, motivados pela necessidade de transplante numa criança da região. "Desde que fiz 18 anos que sempre quis dar sangue. Cheguei a estar na fila e tudo, nas recolhas organizadas na minha cidade (Pombal). Mas à última hora acabei por desistir sempre. Tinha medo que fosse doer muito", confessou a nova dadora, que em breve receberá um cartão identificativo. Afinal, "correu tudo bem. É como se estivesse a fazer análises".

Martine saiu do gimnodesportivo da Mealhada com a sensação de "ter ajudado alguém, e isso é muito bom". É essa a sensação que invade Filipa Gameiro, de 33 anos, dadora desde os 18. Duas vezes por ano cumpre a missão, e desde 2008 tornou-se dadora de medula. O jornalista Paulo Pereira soma mais de dez anos a doar parte do seu sangue O+, duas ou três vezes por ano. "Tornei-me dador porque considero que é um ato de ajuda a todos nós. Como diz o slogan, "dar sangue é dar vida" e quem salva uma vida salva a Humanidade", acredita, ele que não tem "posto fixo" para dar sangue: já o fez com recolha na empresa onde trabalha, em campanhas nacionais ou no Hospital da Amadora.

O dia de hoje vai ser dedicado a homenagear muitos dos que passam a vida a salvar a dos outros, doando sangue. O presidente do IPST considera que "o aproveitamento máximo e sem desperdício do sangue doado pelos portugueses é a melhor forma de homenagear o dador", tal como disse este fim de semana em declarações. "Devemos homenageá-los pela sua dádiva altruísta, benévola e solidária", frisou.

"Todos os dias há colheitas de sangue em Portugal e as reservas estão sempre a ser repostas", destacou Almeida e Sousa, sublinhando que um dos objetivos do Instituto é "evitar que haja desperdício de sangue, que seja maximizado o seu aproveitamento. Esta é a forma mais objetiva de fazer esse reconhecimento [ao dador], do respeito pela dádiva de sangue dos portugueses". O presidente do IPST pretende que a homenagem seja complementada "com a lembrança do próprio movimento associativo, ligado à dádiva generosa e anónima em Portugal".

Por isso muitos dos representantes das associações de dadores foram convidados a marcar presença numa cerimónia agendada para a manhã desta segunda-feira, com a presença do ministro da Saúde, Adalberto Campos Ferreira. "É um movimento forte em Portugal, há dezenas e dezenas de associações de dadores, outros tipos de associações, empresas, associações humanitárias, grupos mais diversos que promovem a dádiva de sangue", salientou aquele responsável, sem esquecer os hospitais "que são parceiros do IPST e que muitos deles têm uma recolha de sangue muito relevante". Em março de 2016 entrou em vigor a alteração legislativa que devolveu a isenção de taxas moderadoras aos dadores de sangue, o que, na ocasião, revelou uma tendência crescente das dádivas. Os dados disponibilizados pelo IPST estabelecem apenas comparação com a situação em 2015, em que os dadores tinham perdido essa benesse, entretanto recuperada. Todas as informações sobre onde e quando doar sangue estão disponíveis no site doar.pt ou no Portal do Serviço Nacional de Saúde.

Estudo
Inquérito diz que mulheres ainda associam este cancro a elevada mortalidade e a fatores hereditários. Mas a predisposição...

Mais do que os acidentes vasculares cerebrais ou do que doenças degenerativas como o Alzheimer, o cancro ainda é a doença que mais preocupa as portuguesas. Dentro das doenças oncológicas, as mulheres elegem o cancro da mama como aquele que mais temem, seguindo-se os tumores do cólon e do reto.

Os dados fazem parte de um novo estudo sobre a perceção que as mulheres têm do cancro da mama, que mostra que a hereditariedade e a mortalidade ainda são dois dos fatores que as inquiridas mais associam à doença.

O trabalho, feito pela empresa de estudos de mercado GFK, a pedido da farmacêutica Roche, indica que, para 70% das mulheres que participaram no estudo, o cancro é a doença que merece mais preocupação. Em segundo lugar, e apenas com 5% das respostas, surge o Alzheimer e os acidentes vasculares cerebrais.

Entre os vários tipos de tumores malignos, seis em cada dez mulheres elegem o da mama como o que gera mais receio, atribuindo este medo aos antecedentes familiares (referidos por 27% das pessoas) e à elevada mortalidade (22%). O estudo contou com um total de 600 mulheres com mais de 18 anos e que nunca tiveram nenhum diagnóstico de cancro da mama. As entrevistas foram feitas por telefone a uma amostra representativa da população nacional em Fevereiro deste ano.

O oncologista Paulo Cortes, em declarações ao jornal Público a propósito dos resultados, lembra que há agora “muito boas perspetivas de sobrevivência” após um diagnóstico de cancro da mama. “Evoluímos muito e conseguimos diagnosticar o cancro em fases mais precoces e temos um número maior de curas. O segredo é mesmo o diagnóstico precoce”, defende o especialista, que coordena a Unidade de Oncologia do Hospital Lusíadas. “A maioria dos casos são diagnosticados em fases precoces e potencialmente curáveis”, prossegue. Anualmente, surgem em Portugal 6000 novos casos de cancro da mama.

72% fizeram mamografia
Os dados da GFK indicam que 78% das mulheres realizam o auto-exame da mama. As participantes dizem estar bem informadas sobre a doença, recorrendo sobretudo aos médicos, mas também a fontes como a Internet. Quem não faz o auto-exame explica que não pensa no assunto, mas também há quem não ache necessário ou não o saiba fazer. A medida de eleição para as inquiridas é mesmo a mamografia, referida por 83% das mulheres, ainda que só 72% afirmem que já realizaram este exame.

Apesar de alguns trabalhos defenderem que nem sempre as mamografias ajudam ao diagnóstico, Paulo Cortes contrapõe que “há questões economicistas” por detrás destas recomendações. “A mamografia e a ecografia mamária ainda são os métodos de eleição para um diagnóstico precoce.” Mas sublinha que o exame, regra geral, só precisa de ser feito depois dos 40 anos e com uma periodicidade que deve ser avaliada caso a caso.

Quanto ao facto de as mulheres associarem o cancro da mama a fatores hereditários, o médico alerta que quase nunca é assim: “A predisposição genética não ultrapassa os 10% a 15% dos casos. A esmagadora maioria dos casos não são de origem hereditária e têm que ver com outros fatores, como a parte da alimentação e do sedentarismo.”

Uma parte do estudo fez perguntas mais concretas sobre os tratamentos. Os institutos portugueses de oncologia (IPO) surgem à cabeça como o local de eleição, seguidos pelos hospitais públicos em geral. Após um diagnóstico, as mulheres antevêem que o caminho em termos de tratamentos passe pela quimioterapia e a radioterapia, desconhecendo alguns dos fármacos inovadores que existem na área.

Paulo Cortes diz que é natural este desconhecimento, já que só após um diagnóstico concreto as pessoas procuram informação. “Os tratamentos clássicos ainda são os mais comuns, mas estamos cada vez mais a individualizar o tratamento”, assegura.

 “Hoje em dia, e cada vez mais, nós tratamos do cancro da mama como uma quantidade de doenças que têm comportamentos muito diferentes”, explica o médico, acrescentando que é a análise biológica ao tumor que traça o melhor tratamento. “Tomamos decisões de tratamento quase em tempo real com análises ao sangue. Isto vai ser muito o futuro. Mas isso não quer dizer que o tratamento inovador seja o melhor para todas”, sintetiza.

Problemas nos rastreios
O oncologista Paulo Cortes considera que o rastreio é fundamental para garantir que o diagnóstico dos novos casos de cancro da mama é precoce. Mas diz que questões burocráticas têm travado estas ações, tanto na zona de Lisboa como na de Setúbal. Há um ano, a Liga Portuguesa contra o Cancro fez chegar à Assembleia da República uma petição com 25.000 assinaturas, que pretendia precisamente alertar para as desigualdades no acesso ao rastreio, diagnóstico e tratamento do cancro da mama. Nas contas da Liga, na região centro todas as mulheres estavam rastreadas, no Norte a cobertura era superior a 80% e o grande problema mantinha-se a sul, com metade das mulheres de fora.

Cancro da próstata
Um novo tratamento com células estaminais pode ajudar a combater a disfunção erétil em homens que tiveram cancro da próstata.

Um novo tratamento com células estaminais pode ajudar a combater a disfunção erétil em homens que tiveram cancro da próstata, noticia a France-Press. Na primeira fase de testes, 8 em 15 homens conseguiram ter sexo seis meses depois de terem feito um único tratamento, sem recurso a medicamentos ou implantes. De acordo com a agência noticiosa, esta é a primeira vez que um estudo, efetuado há apenas um ano, é capaz de mostrar que um tratamento é duradouro e seguro.

Para realizarem o tratamento, segundo o Observador, os médicos retiram células do abdómen dos pacientes, que são depois alvo de um curto tratamento que lhes permitirá transformarem-se em quaisquer células especializadas do corpo. “Não criamos as células e não as alteramos”, explicou à France-Presse a investigadora dinamarquesa Martha Haahr, que liderou o estudo, cujos resultados serão anunciados durante uma conferência em Londres, no domingo.

As células são depois injetadas com uma seringa no pénis, onde começam espontaneamente a transformar-se noutro tipo de células (nervosas, musculares, entre outras). O processo é feito com uma anestesia geral, e os homens recebem alta no dia seguinte, como explica a agência de notícias francesa. Os resultados dos primeiros tratamentos têm sido tão bons que as autoridades de saúde dinamarquesas já autorizaram a chamada fase três do estudo, durante a qual um grupo de homens será injetado com células estaminais e outro com placebos.

De acordo com a France-Presse, o cancro da próstata é responsável por cerca de 13% dos casos de disfunção erétil.

Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Portugal vai ter um centro internacional para a água, com parceiros de todo o setor e de todo o mundo, para desenvolver...

"A ideia é criar, em Lisboa, em Portugal, um centro internacional dedicado às questões da água, o Lisbon International Centre for Water [Centro Internacional da Água de Lisboa], com o objetivo de desenvolver, numa rede internacional extensa, o melhor conhecimento existente no setor dos recursos hídricos e dos serviços de águas e passá-lo" para várias componentes da sociedade, avançou o coordenador do projeto.

Jaime Melo Baptista, investigador coordenador no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), realçou a importância de apoiar novas soluções técnicas, de produtos ou serviços, que contribuam para capacitar os responsáveis e profissionais e obter mais eficiência na utilização de um recurso decisivo para reduzir a pobreza, melhorar a saúde e o desenvolvimento.

O projeto, promovido pelo LNEC, obteve financiamento europeu, através do programa Teaming, que apoia a criação de centros de excelência e está integrado no Horizonte 2020, e "até final do ano vai estar pronto a funcionar", assegurou o especialista nesta área.

Com um investimento inicial de 400 mil euros, o centro tem previsto um orçamento de 15 milhões de euros, em sete anos, e 40 parceiros, número que Melo Baptista espera aumentar, mesmo em termos internacionais.

"Pretende passar o conhecimento sobre o setor da água em Portugal, na Europa e no mundo, para os decisores políticos, técnicos e empresariais, para que tomem melhores decisões, mas também para os profissionais da área da água, portugueses e estrangeiros, através de mecanismos de capacitação não tradicionais", baseados em ligações à distância, especificou o especialista.

O novo centro, diferente de tudo o que existe no mundo nesta área, segundo Melo Baptista, conjuga investigação, em laboratórios já existentes, com a aplicação dos resultados obtidos, por exemplo novos produtos ou equipamentos, na atividade industrial, e incentiva o desenvolvimento de 'startups'.

O projeto é baseado no LNEC, que tem instalações experimentais e laboratórios.

O centro, que é multidisciplinar, é apoiado pelos ministérios do Ambiente, Economia, Infraestruturas e Ciência, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), além de operadores do setor, como a Águas de Portugal, municípios e entidades privadas.

Tem também o apoio de associações do setor, como a Parceria Portuguesa para a Água, a Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Água (APDA), a Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais (APEMETA), a Direção Geral do Consumidor, a Deco, a Direção Geral de Saúde e universidades portuguesas.

A estas entidades nacionais juntam-se a Associação Internacional da Água, a UNESCO e várias universidades estrangeiras, como do Reino Unido, França, Espanha, Alemanha e Brasil.

"Queremos ter aqui investigadores estrangeiros, dar formação a portugueses, mas também a profissionais de outros países", acrescentou.

Melo Baptista, que foi presidente da Entidade Reguladora dos Serviços da Água e Resíduos (ERSAR), explicou que, na base da iniciativa estão "os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, em que a água é uma das 17 prioridades e cruza com praticamente todas as outras, sendo decisiva para reduzir a pobreza, melhorar a saúde e o desenvolvimento", mas também documentos da OCDE ou da Associação Internacional da Água.

O centro está vocacionado para ajudar os países a atingir aqueles objetivos, combinando política, gestão, tecnologia, economia, com aspetos jurídicos e sociais.

Na melhoria do acesso à água e da sua utilização, "a eficiência dos serviços é um tema imenso, mas também temos as alterações climáticas, a gestão de recursos, a componente social ou o desenvolvimento de tecnologias inovadoras", explicou ainda o coordenador do projeto.

Instituto Português de Sangue e Transplantação
O aproveitamento máximo e sem desperdício do sangue doado pelos portugueses é a melhor forma de homenagear o dador, cujo dia...

Almeida e Sousa sublinhou que “as reservas de sangue em Portugal, designadamente do Instituto Português de Sangue e Transplantação (IPST), são estáveis e estão dentro do necessário para satisfazer as necessidades”.

“Todos os parâmetros de segurança, em tempos de reserva, estão dentro do que é mais que aceitável”, adiantou, recordando que “todos os dias há colheitas de sangue em Portugal e as reservas estão sempre a ser repostas”.

A propósito do Dia Nacional do Dador de Sangue, que hoje se assinala, Almeida e Sousa considerou que a melhor forma de assinalar esta data é “homenagear os dadores de sangue, pela sua dádiva altruísta, benévola e solidária”.

“Queremos evidenciar oficialmente este reconhecimento e respeito pela dádiva de sangue”, adiantou Almeida e Sousa, para quem “o respeito pela dádiva de sangue começa exatamente pelo aproveitamento máximo e sem desperdício do sangue que é doado pelos portugueses”.

Um dos objetivos do instituto é precisamente “evitar que haja desperdício de sangue, que seja maximizado o seu aproveitamento. Esta é a forma mais objetiva de fazer esse reconhecimento, do respeito pela dádiva de sangue dos portugueses”.

Almeida e Sousa pretende que esta homenagem seja “complementada com a lembrança do próprio movimento associativo ligação à dádiva generosa e anónima em Portugal”.

“É um movimento forte em Portugal, há dezenas e dezenas de associações de dador, outros tipos de associações, empresas, associações humanitárias, grupos mais diversos que promovem a dádiva de sangue”, afirmou.

Isto “sem esquecer os hospitais que são parceiros do IPST e que muitos deles têm uma recolha de sangue muito relevante”.

"Krokodil"
Investigadores do Porto coordenam um grupo de investigação internacional que criou métodos para auxiliar os médicos e as forças...

Para a criação destes métodos, que permitem detetar a droga, designada por "krokodil", no sangue, na urina e nos órgãos dos usuários, os investigadores analisaram os efeitos aditivos e tóxicos associados à desomorfina, um estupefaciente presente nessa substância, explicou o investigador da Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário (CESPU), Ricardo Dinis-Oliveira, coordenador do projeto.

Esta droga, utilizada como "uma alternativa barata à heroína", pode ser produzida em casa, "não necessitando de ser traficada", escapando assim "ao controlo das forças de segurança", referiu o coordenador desta investigação, que resulta de uma colaboração entre a CESPU e as faculdades de Farmácia e de Medicina da Universidade do Porto.

De acordo com o também presidente da Associação Portuguesa de Ciências Forenses, a base de produção desta droga são medicamentos que contêm codeína (utilizada para o tratamento da tosse ou em analgésicos), possíveis de adquirir nas farmácias (com receita médica) e na Internet, e produtos de limpeza à venda nos supermercados.

Para o coordenador, nenhuma substância se equipara a "krokodil", cujos efeitos são considerados "mais fortes e rápidos" do que os associados à heroína, classificando-a assim como a droga "mais destrutiva" que existe atualmente, podendo o seu consumo levar à amputação dos membros dos usuários.

Quanto às consequências imediatas desta droga, aponta o aparecimento de úlceras, necroses (degeneração de um tecido pela morte das suas células), flebites (inflamações nas paredes das veias) e gangrena, nas áreas do corpo onde a droga é injetada, bem como lesões ósseas - nas cartilagens e músculos - e alterações na pressão sanguínea e na funções cardíaca, renal e hepática.

O toxicologista alerta ainda para as possíveis lesões neurológicas causadas pela "krokodil" (como alucinações, perda das capacidades cognitivas e da memória), resultando a morte dos utilizadores de múltiplas patologias, sobretudo de natureza infeciosa (como pneumonia), ou de depressão respiratória.

A "krokodil" surgiu há cerca de 15 anos na Rússia, país onde o número de consumidores ascende a um milhão, tendo-se expandido para a Geórgia e a Ucrânia e, nos últimos anos, para a Bélgica, a França, a Suécia, a Espanha, a Alemanha e a Noruega.

Em Portugal, segundo o investigador, a informação sobre o uso de "krokodil" "é escassa" e a sinalização desses casos "complexa", não existindo dados oficiais quanto ao número de usuários, embora algumas situações tenham sido descritas por médicos portugueses em reuniões científicas.

O coordenador acredita que, por esta ser uma "droga nova", "desconhecida" para as classes médica e farmacêutica, é importante ter profissionais "melhor informados", o que pode tornar a venda de alguns medicamentos "mais criteriosa".

Além dos investigadores portugueses, a equipa é composta por cientistas da Universidade Federal Fluminense do Rio de Janeiro (Brasil), da Républica Checa, da Geórgia e da Holanda, inserindo-se este trabalho no âmbito de uma tese de doutoramento em Ciências Forenses.

A "krokodil" e os métodos desenvolvidos para a sua deteção são exemplos de temas que vão estar em debate nas Jornadas Científicas da CESPU e no II Congresso da Associação Portuguesa de Ciências Forenses, que decorrem a 30 e 31 de março, na Alfândega do Porto.

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