Médico alerta
Delirium é um estado de confusão mental que corresponde à falência aguda do cérebro em consequência de uma condição médica,...

Na maior parte dos doentes idosos internados, a causa é multifatorial e complexa. Independentemente das causas subjacentes, o que carateriza o delirium é a perturbação da atenção (como a redução da capacidade de dirigir, focar, manter e mudar a atenção) e da consciência (diminuição da orientação em relação ao ambiente). Este distúrbio desenvolve-se num curto período de tempo, habitualmente horas a poucos dias, explica Joaquim Cerejeira.

O delirium está associado a um aumento da duração do internamento, da morbilidade e da mortalidade intra-hospitalar, e compromete as taxas de deterioração cognitiva e funcional e de mortalidade, escreve o Sapo.

"Esta síndrome aumenta significativamente a necessidade de cuidados de saúde à população, representando um acréscimo económico, comparável à diabetes mellitus e às quedas, calculado em mais de 50.000 euros/doente/ano", explica Joaquim Cerejeira.

"Infelizmente, a maioria dos casos de delirium, até 76%, não são identificados pelos profissionais de saúde. Vários fatores contribuem para este subdiagnóstico como o desconhecimento em relação aos benefícios do diagnóstico precoce; considerar erradamente que é uma complicação inevitável do internamento; e ignorar os sintomas de delirium atribuindo-os exclusivamente a uma demência", alerta o médico.

"As ações de formação dirigidas para todos os profissionais, como as que vamos desenvolver no Encontro Anual, devem focar-se na promoção do conhecimento sobre delirium e no treino de competências específicas para reconhecer esta síndroma e implementar as medidas terapêuticas necessárias", acrescenta.

A Cérebro & Mente - Associação para o Desenvolvimento em Investigação em Saúde Mental vai promover o 8º Encontro Internacional Psicogeriátrico, dirigido a profissionais de saúde nacionais e internacionais, de 2 a 4 de novembro, no Hotel Dom Pedro Golf, em Vilamoura.

Dia Mundial da Trissomia 21
Também conhecida como Trissomia 21, pode assumir diferentes formas.

O risco aumenta com a idade da mãe e é importante que os pais saibam mais sobre a Síndrome de Down para poderem tomar uma decisão informada. O pediatra Caldas Afonso, coordenador da Unidade de Pediatria do Hospital Lusíadas Porto, sublinha a importância do diagnóstico pré-natal e explica as caraterísticas da síndrome identificada em 1862 pelo médico inglês John Langon Down.

O que é

A Síndrome de Down é uma alteração genética que resulta de uma anomalia no processo de divisão celular do óvulo fecundado. Os portadores da Síndrome de Down desenvolvem uma cópia extra do cromossoma 21. O cariótipo humano é constituído por 23 pares de cromossomas e, nestes casos, verifica-se a presença de um cromossoma 21 adicional. Este terceiro cromossoma — por isso se utiliza também a designação Trissomia 21 — provoca um desequilíbrio genético que vai afetar o desenvolvimento corporal e cerebral do embrião. A trissomia do cromossoma 21 pode assumir diferentes formas:

Trissomia Livre

Verifica-se em 95% dos casos: todas as células revelam três cromossomas 21 inteiros;

Trissomia Parcial (por translocação)

As células têm apenas dois cromossomas 21, existindo um terceiro, constituído por parte do cromossoma 21 e parte de outro cromossoma, normalmente o 14. Acontece em 3 a 4% das trissomias;

Trissomia em Mosaico

Só algumas células possuem o terceiro cromossoma 21. É a situação mais rara que abrange apenas 1 a 2% dos casos.

Fatores de risco

O médico britânico John Langon Down foi o primeiro a descrever a síndrome, em 1862. Mas a causa genética da anomalia só viria a ser descoberta em 1952 pelo pediatra francês Jérôme Lejeune, professor de genética.

As razões que explicam a malformação cromossomática não são conhecidas. Apesar disso, sabe-se que “a hereditariedade, por si só, não significa um risco acrescido de Trissomia 21” e ainda que “existe uma forte correlação do risco de Síndrome de Down com a idade da mãe”, explica o pediatra.

Idade da mãe e risco de Síndrome de Down

                            20 anos –––––> 1 / 1530

                            30 anos –––––> 1 / 1900

                            35 anos –––––> 1 / 360

                            40 anos –––––> 1 / 100

                            45 anos –––––> 1 / 30

 Diagnóstico Pré-Natal

Para chegar a um diagnóstico definitivo é necessário analisar células do embrião, recolhidas através de exames minimamente invasivos como a amniocentese (recolha de líquido amniótico) ou a biópsia das vilosidades coriónicas (recolha de células da placenta), que implicam um risco de aborto de 0,5 a 1%.
A idade da mãe e os exames prévios, realizados durante o primeiro trimestre da gravidez, fornecem porém importantes indicadores. Permitem detetar a Trissomia 21 em 97% dos casos, tornando-se determinantes na decisão de avançar ou não para um exame mais invasivo:

Ecografia (entre a 11ª e a 13ª semana de gravidez)

Permite medir o espaço subcutâneo sob a nuca do feto (translucência da nuca), avaliar a presença do osso nasal, importantes indicadores de risco da Síndrome de Down.

Exame bioquímico (entre a 11ª e 13ª semana)

Deteta a presença no sangue materno de proteínas e hormonas que são também indicadores de risco de trissomia (Trissomia 21, Trissomia 18 e Trissomia 13

Testes de rastreio pré-natal como Harmony, Panorama e outros (a partir da 10ª semana)

Análise laboratorial de fragmentos do ADN do feto presentes no sangue da mãe. Apresenta 99% de eficácia no despiste da possibilidade de trissomias e tem a vantagem de poder ser feito mais cedo.

 

 

Caraterísticas

A existência de uma cópia extra do cromossoma 21 afeta o desenvolvimento físico e cerebral do embrião, em diferentes graus. A gravidade das malformações cardíacas, presentes em 40 a 50% dos casos, é decisivo, podendo determinar inviabilidade da gravidez ou impossibilidade de sobrevivência à nascença.

A lei portuguesa permite a interrupção da gravidez devido a malformações do feto até às 24 semanas. Os resultados dos exames permitem a avaliação clínica de cada situação individual, mas a decisão é sempre dos pais.

“Hoje em dia, ter um filho com Trissomia 21 sem conhecimento prévio é uma situação muito residual. Os pais estão por isso quase sempre bem informados sobre a Síndrome de Down”, explica Caldas Afonso.

Estão atualmente bem identificadas as caraterísticas mais comuns desta anomalia genética:

Olhos amendoados;

Prega palmar transversal única;

Fissura da pálpebra oblíqua;

Base nasal achatada;

Língua protusa, devido a uma cavidade bocal reduzida;

Pescoço curto;

Espaço excessivo entre o primeiro e o segundo dedos do pé;

Pontuado branco na íris (presente em alguns casos);

Hiperlascidez das articulações;

Defeitos cardíacos congénitos;

Desenvolvimento cerebral deficiente (Q.I entre 35 e 70).

 Apoiar e estimular

A esperança média de vida de uma criança com Síndrome de Down aumentou consideravelmente nas últimas décadas. “Tudo depende da cardiopatia, mas no geral, se nos anos 50 era de 12 a 15 anos, hoje cada vez há mais casos de portadores da Síndrome de Down a viver até aos 60 a 70 anos, aproximando-se a sua esperança média de vida da população em geral”, explica o pediatra Caldas Afonso.

A severidade dos problemas físicos e do atraso mental determina o grau de autonomia possível de ser alcançado, mas o pediatra lembra que é importante que estas crianças sejam estimuladas desde cedo.

“O mais importante é que se crie uma estrutura social de apoio em redor da criança — pais, professores, médicos e terapeutas — que permita uma intervenção precoce”, acrescenta. Para o especialista, nunca é demais lembrar também que “acima de tudo são crianças” e por isso devem ser tratadas com “carinho, respeito e naturalidade”, recebendo uma educação variada, sem esquecer a música e o desporto. São raros os casos de portadores de Síndrome da Down a obter níveis de escolaridade avançados, mas isso não significa que não possam trabalhar e tornar-se adultos independentes.

 

*em parceria com Rota da Saúde - Lusíadas

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Segurança Alimentar
A Comissão Europeia garantiu hoje que está a acompanhar a investigação a fraudes envolvendo produtos animais de consumo e que...

“A Comissão está informada sobre a investigação que decorre no Brasil e pediu, na sexta-feira, clarificações às autoridades brasileiras”, disse o porta-voz do executivo comunitário para a saúde, Enrico Brívio, na conferência de imprensa diária.

Bruxelas, adiantou, “garantirá que todas as empresas envolvidas na fraude estão impedidas de exportar para a UE”, adiantando que a Comissão pediu aos Estados-membros para aumentarem os controlos sobre a carne vinda do Brasil.

Na sexta-feira a Polícia Federal brasileira começou a cumprir 309 mandados judiciais em seis Estados e no Distrito Federal, numa operação que investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e empresários do setor num esquema de facilitação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.

No domingo, o Presidente do Brasil, Michel Temer, garantiu que a carne brasileira é segura e que a organização que adulterava estes produtos já foi desmantelada e que se tratou de um caso “pontual”.

Temer recebeu hoje, numa reunião de emergência, cerca de 20 embaixadores de países que figuram entre os 150 importadores de carnes brasileiras, para responder a dúvidas suscitadas pelo caso que envolve uma organização criminosa que adulterava esses produtos, tanto para o mercado local, como externo.

Durante o encontro, que decorreu no palácio presidencial do Planalto, em Brasília, o Presidente brasileiro garantiu que as investigações permitiram desmantelar um “pequeno” grupo e sublinhou os rigorosos controlos aplicados a carnes brasileiras, “que foram reconhecidos por todos os importadores”.

Temer precisou que, de 4.837 empresas do setor da carne, apenas 21 estão sob suspeita e que cerca de 30 dos mais de 10 mil funcionários de fiscalização sanitária do país estão implicados no escândalo, conhecido na sexta-feira.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e o quarto no segmento de carne de porco, com as vendas externas destes três setores a representar no ano passado 7,2% desse comércio, na ordem dos 11,6 milhões de dólares (cerca de 3,5 milhões de euros).

De acordo com a polícia federal, funcionários públicos eram subornados por diretores de empresas para darem aval a carnes com prazos de validade já ultrapassados, mas adulteradas.

Entre as práticas, foi comprovado o uso de químicos para melhorar o aspeto das carnes, a falsificação de etiquetas com a data de validade ou a inclusão de alimentos não adequados para consumo na elaboração de enchidos.

Outros 21 estabelecimentos estão sob investigação e o Ministério da Agricultura afastou 33 funcionários por envolvimento no esquema.

Universidade de Coimbra
É sabido que a paixão pelo futebol desperta emoções, por vezes irracionais, que atravessam a fronteira entre o amor tribal e o...

Ao longo de três anos, os investigadores Catarina Duarte, Miguel Castelo-Branco (coordenador) e Ricardo Cayolla estudaram o cérebro de 56 adeptos, na sua maioria das claques oficiais da Académica e Futebol Clube do Porto, cujo nível de paixão foi avaliado através de scores de avaliação psicológica.

Os participantes na investigação, 54 homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre 21 e 60 anos, foram expostos a vídeos emocionalmente intensos, quer positivos (por exemplo o golo de Kelvin contra o Benfica no caso dos adeptos do FCP) quer negativos ou neutros.

No estudo, já publicado na SCAN, uma das revistas de neurociências das emoções mais prestigiadas a nível mundial, «foi observada a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico. Em particular, os circuitos de memória emocional são mais recrutados pelas experiências positivas do que pelas negativas», afirma Miguel Castelo-Branco.

Isto significa, esclarece o coordenador do estudo, «que a paixão tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos como, por exemplo, de derrota com o rival, que tendem a ser suprimidos da memória emocional. O estudo coloca por isso em relevo os aspetos positivos desta forma de amor tribal, e de que o cérebro dispõe de mecanismos para suprimir conteúdos negativos. O cérebro parece, por essa razão, ter mecanismos de proteção contra memórias suscetíveis de levar ao ódio tribal».

«Curiosamente, quanto maior o score de paixão clubística medida psicologicamente maior é a atividade em certas regiões do cérebro associadas a emoções e recompensa, algumas semelhantes às envolvidas no amor romântico», salienta o também docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Cuidados de Saúde Primários
O Ministério da Saúde espera que, até final do ano, existam mais de 50 centros de saúde com médicos

No Dia Mundial da Saúde Oral, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde encerrou a cerimónia de apresentação do alargamento do projeto-piloto de integração de médicos dentistas nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS), dizendo esperar que, até final deste primeiro semestre, existam médicos dentistas integrados em todo o país nesta área da saúde oral.

“Iniciámos no ano passado com 13 [médicos dentistas em centros de saúde], esperamos que até final do ano tenhamos mais de 50 integrados e o objetivo é crescer, crescer porque os portugueses precisam muito desta área”, disse aos jornalistas no final da cerimónia.

Fernando Araújo sublinhou a “enorme articulação” entre a equipa de medicina familiar e os médicos dentistas, que classificou de “uma mais-valia”.

Para o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, esta integração de médicos dentistas em unidades do SNS deve ser feita “de uma forma equilibrada, sustentável, de forma consistente, de que não haja volta atrás”.

“A integração destes médicos é para ficar, é para o futuro. O SNS tem de dar uma resposta em termos de saúde oral e certamente que irá dá-la”, adiantou.

Presente na cerimónia, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro, disse que o que mais atrai estes profissionais para o SNS é “a perspetiva de poder trabalhar em equipa, integrados com outros profissionais de saúde, para poder dar um tratamento integrado aos utentes do SNS”.

“Isso é extremamente atrativo e as opiniões dos médicos dentistas nos centros de saúde vão nesse sentido: têm todas as condições de trabalho, têm apoio a vários níveis e contactam com outros profissionais de saúde, colocando a medicina dentária onde deve estar – no âmbito médico e dentro do SNS”, adiantou.

Para Orlando Monteiro, as condições que são dadas aos médicos dentistas para irem trabalhar no SNS são “muito aceitáveis”.

Desde julho, quando arrancou o projeto-piloto de médicos dentistas nos centros de saúde, quase 6.500 doentes foram tratados por estes profissionais.

De acordo com fonte do gabinete do ministro da Saúde, e apesar de grande parte dos 13 médicos dentistas não terem trabalhado a totalidade dos seis meses, devido a questões concursais, foram realizadas 8.844 consultas e tratados 6.420 doentes.

Em julho de 2016 começaram a ser introduzidas consultas de saúde oral nos centros de saúde, com experiências piloto que decorreram em algumas unidades da Grande Lisboa e do Alentejo.

Nesta primeira fase, tinham acesso a consultas de saúde oral doentes portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal e os transplantados inscritos nos agrupamentos de centros de saúde onde decorreram as experiências piloto.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, desde essa data, foram emitidas 4.862 referenciações para consulta de saúde oral.

As referenciações utilizadas e concluídas (com todos os tratamentos concluídos) atingiram as 930 e as referenciações em curso (com tratamentos em curso) 2.028.

Neste período foram efetuados 9.545 tratamentos básicos e 8.321 tratamentos complementares.

Segundo o Ministério da Saúde se prepara para anunciar hoje, vão passar a ter consultas de saúde oral mais Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), sendo objetivo da tutela atingir 80% deste objetivo – agendado para 2017 e 2018 – ainda este ano.

Na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte terão consultas de saúde oral o ACES Porto Oriental (dois centros de saúde), a Unidade Local de Saúde (ULS) Matosinhos (um centro de saúde), a ULS Nordeste (13 centros de saúde), o ACES Feira/Arouca (três centros de saúde), o ACES Douro Sul (três centros de saúde) e o ACES Baixo Tâmega (três centros de saúde).

Na ARS de Lisboa e Vale do Tejo estas consultas passarão a existir no ACES Estuário do Tejo (três centros de saúde), no ACES Lezíria (três centros de saúde), ACES Médio Tejo (um centro de saúde), ACES Almada/Seixal (um centro de saúde), ACES Oeste Sul (dois centros de saúde), ACES Arco Ribeirinho (um centro de saúde), ACES Amadora (um centro de saúde), ACES Lisboa Central (um centro de saúde), ACES Lisboa Ocidental e Oeiras (um centro de saúde), ACES Sintra (dois centros de saúde), ACES Lisboa Norte (um centro de saúde) e ACES Loures/Odivelas (cinco centros de saúde).

Na ARS Centro, serão contemplados os ACES Dão Lafões (quatro centros de saúde), a ULS Castelo Branco (um centro de saúde), ACES Baixo Vouga (um centro de saúde).

Na ARS Alentejo será o ACES Alentejo Central (três centros de saúde) e na ARS Algarve o ACES Algarve II Barlavento (um centro de saúde), o ACES Algarve I Central (um centro de saúde) e o ACES Algarve III Sotavento (um centro de saúde).

O alargamento do projeto-piloto de integração de médicos dentistas nos cuidados de saúde primários do SNS será hoje apresentado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, no Dia Mundial da Saúde Oral.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Saúde Oral
Alimentos e medicação estão entre os fatores que influenciam a nossa saúde oral.

A nossa saúde depende de múltiplos factores, entre eles, factores estruturais, químicos, psicológicos, genéticos, epigenéticos e ainda os nossos hábitos e estilo de vida.
O restabelecimento do equilíbrio energético global do paciente conduz a um estado de saúde física, mental e psíquica.

A saúde em geral e a saúde da nossa boca funciona como um puzzle que deve estar em perfeita harmonia. Além dos factores intrínsecos do nosso próprio organismo, a saúde mental, a alimentação, o meio ambiente onde estamos inseridos, bem como os nossos hábitos e rotinas são factores críticos que podem influenciar o equilíbrio deste puzzle.
Assim, a boca é um órgão extremamente importante, responsável por manter o equilíbrio para que funções vitais, como a mastigação, digestão, deglutição e respiração, se realizem de forma correta. Por isso, é muito importante que a boca esteja saudável e que tenha todos os dentes.

A boca é um reflexo da nossa saúde. Não é por acaso que segundo a filosofia chinesa a língua é a abertura para o coração, e esta teoria pode ser aplicada a toda a cavidade oral. O que comemos, algumas doenças que temos, a medicação que fazemos, tudo pode ter a sua manifestação oral. Mas o contrário também pode ser verificado, ou seja, determinados problemas orais podem reflectir-se na saúde em geral.

A ausência de uma peça dentária cria um desequilíbrio durante a mastigação e a deglutição, obtendo um resultado deficiente na formação do bolo alimentar e consequentemente na digestão do mesmo. Para uma correta mastigação é necessário uma actividade equilibrada dos músculos e dentes de ambos os lados. Esta simetria de forças que é necessária repercute-se na simetria e harmonia da face, do crânio e de todos os órgãos dos sentidos (nariz, ouvidos, olhos, língua). Esta actividade compenetrada de toda a musculatura corporal permite desenvolver uma postura correta e equilibrada.

A alteração das funções do aparelho estomatognático (mastigação, deglutição e respiração) podem ter repercussões sistémicas, pelo que a prevenção, o tratamento e a manutenção do correto funcionamento deste sistema é fundamental, sendo para nós um ponto-chave na forma holística e integrada como procuramos tratar e manter a nossa saúde.

Sabia que a cárie dentária é a infecção mais prevalente no mundo, afectando cerca de 90% da população e que as infecções dos dentes, gengivas e osso aumentam consideravelmente o risco da patologia cardíaca?

Existem já diversos estudos que comprovam o relacionamento entre as doenças cardiovasculares e a periodontite e gengivite. Isto porque nestas patologias orais, existem colónias bacterianas na gengiva, que entram facilmente na corrente sanguínea, podendo depositarem-se em gordura localizada nos vasos do coração levando a formação de coágulos e provocarem problemas cardíacos.

Sabia que o cancro oral é o oitavo mais comum e o mais dispendioso de se tratar e as infecções orais em grávidas estão associadas a nascimentos prematuros e a recém-nascidos de baixo peso?

Sabia que as restaurações a amálgama (vulgarmente conhecidas por “chumbo”), podem ser muito prejudiciais à sua saúde? Esses materiais contêm ligas de metais pesados e mercúrio que podem ser tóxicos para o seu organismo. Nem todas as pessoas toleram bem os metais pesados e as consequências da sua intoxicação são inúmeras. Dor de cabeça, cansaço e fadiga, por exemplo, são queixas frequentes.
Além disso, os dentes estão relacionados com todos os órgãos e sistemas, portanto uma doença num dente não deve ser considerada local, o paciente deve ser avaliado como um todo utilizando assim uma abordagem sistémica e integrativa.

Os medicamentos e a alimentação também influenciam a saúde oral.

A doença do séculos XXI é muito provavelmente a depressão. O consumo de antidepressivos aumentou na última década. O problema oral mais frequente nestes pacientes é a boca seca, também chamada de xerostomia. É um efeito secundário destes medicamentos, que leva à diminuição da produção de saliva.

A saliva tem um papel fundamental no início da digestão e na formação do bolo alimentar, protege toda a mucosa oral, mantém o pH do meio oral, e desta forma poderá ajudar a defender contra a cárie dentária. A nível de saúde geral, pode estar na causa de inflamações do esófago e aparecimento de úlceras.

Quando um paciente chega à consulta com queixas de sensibilidade dentária, e aparentemente não há justificação clínica para tal, é sempre importante questionar que tipo de alimentação o paciente faz.

Um consumo muito frequente de alguns refrigerantes com o pH muito baixo, vinagre, sumos de limão e laranja vai causando desmineralização ao esmalte dentário, podendo provocar sensibilidade dentária.

Em casos de distúrbios alimentares, como a anorexia e bulimia, também é frequente registar desmineralizações (e consequentemente sensibilidade dentária), associado à indução de vómito. Semelhante a estas situações, é também o caso de pacientes com reflexo gastroesofágico.

É sempre importante sinalizar estes pacientes, de modo a adoptar medidas preventivas para minimizar o desconforto provocado.

Todos estes problemas conseguem ser evitados e/ou detectados precocemente com consultas de check up e Higiene Oral regulares.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Saúde Oral
Quase 6.500 doentes foram tratados por médicos dentistas nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS),...

De acordo com fonte do gabinete do ministro da Saúde, e apesar de grande parte dos 13 médicos dentistas não terem trabalhado a totalidade dos seis meses, devido a questões concursais, foram realizadas 8.844 consultas e tratados 6.420 doentes.

Em julho de 2016 começaram a ser introduzidas consultas de saúde oral nos centros de saúde, com experiências piloto que decorreram em algumas unidades da Grande Lisboa e do Alentejo.

Nesta primeira fase, tinham acesso a consultas de saúde oral doentes portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal e os transplantados inscritos nos agrupamentos de centros de saúde onde decorreram as experiências piloto.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, desde essa data, foram emitidas 4.862 referenciações para consulta de saúde oral.

As referenciações utilizadas e concluídas (com todos os tratamentos concluídos) atingiram as 930 e as referenciações em curso (com tratamentos em curso) 2.028.

Neste período foram efetuados 9.545 tratamentos básicos e 8.321 tratamentos complementares.

Segundo o Ministério da Saúde se prepara para anunciar hoje, vão passar a ter consultas de saúde oral mais Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), sendo objetivo da tutela atingir 80% deste objetivo – agendado para 2017 e 2018 – ainda este ano.

Na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte terão consultas de saúde oral o ACES Porto Oriental (dois centros de saúde), a Unidade Local de Saúde (ULS) Matosinhos (um centro de saúde), a ULS Nordeste (13 centros de saúde), o ACES Feira/Arouca (três centros de saúde), o ACES Douro Sul (três centros de saúde) e o ACES Baixo Tâmega (três centros de saúde).

Na ARS de Lisboa e Vale do Tejo estas consultas passarão a existir no ACES Estuário do Tejo (três centros de saúde), no ACES Lezíria (três centros de saúde), ACES Médio Tejo (um centro de saúde), ACES Almada/Seixal (um centro de saúde), ACES Oeste Sul (dois centros de saúde), ACES Arco Ribeirinho (um centro de saúde), ACES Amadora (um centro de saúde), ACES Lisboa Central (um centro de saúde), ACES Lisboa Ocidental e Oeiras (um centro de saúde), ACES Sintra (dois centros de saúde), ACES Lisboa Norte (um centro de saúde) e ACES Loures/Odivelas (cinco centros de saúde).

Na ARS Centro, serão contemplados os ACES Dão Lafões (quatro centros de saúde), a ULS Castelo Branco (um centro de saúde), ACES Baixo Vouga (um centro de saúde).

Na ARS Alentejo será o ACES Alentejo Central (três centros de saúde) e na ARS Algarve o ACES Algarve II Barlavento (um centro de saúde), o ACES Algarve I Central (um centro de saúde) e o ACES Algarve III Sotavento (um centro de saúde).

O alargamento do projeto-piloto de integração de médicos dentistas nos cuidados de saúde primários do SNS será hoje apresentado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, no Dia Mundial da Saúde Oral.

Alerta
Os pólenes vão estar com níveis muito elevados, nos próximos dias, em todas as regiões de Portugal continental, de acordo com o...

Entre hoje e sexta-feira, os níveis de pólenes vão estar elevados em várias regiões do continente, adianta a SPAIC, que vai divulgar um Boletim Polínico todas as semanas e durante a primavera, estação propícia a alergias, que começa hoje.

De acordo com a SPAIC, os pólenes predominantes em Portugal continental serão das árvores pinheiro, plátano, cipreste e carvalhos e das ervas urtiga e parietária.

Em Lisboa (região de Lisboa e Setúbal), os pólenes encontram-se em níveis muito elevados, com predomínio dos pólenes das árvores plátano, pinheiro, cipreste e carvalhos e das ervas urtiga e parietária.

No Porto (região de Entre Douro e Minho), os pólenes encontram-se em níveis elevados, com predomínio dos pólenes das árvores cipreste e pinheiro e da erva urtiga.

A SPAIC adianta também que no Funchal (região autónoma da Madeira), os pólenes encontram-se em níveis baixos, com destaque para os pólenes de cipreste e erva parietária.

Em Ponta Delgada (região autónoma dos Açores), os pólenes encontram-se em níveis moderados, com predomínio dos pólenes das árvores pinheiro, plátano e cipreste e da erva urtiga.

Pesquisa
Um novo medicamento para combater o colesterol e com resultados prometedores para pessoas com aterosclerose e alto risco de...

Dois estudos anteriores, em 2015, concluíram que o medicamento poderia provocar perda de memória e diminuição da concentração em alguns pacientes. Uma pequena parte de pessoas tratadas com o medicamento foi afetada, em comparação com o grupo tratado com um placebo.

Investigadores do “Brigham and Women´s Hospital”, em Boston, em colaboração com mais duas universidades, submeteram pacientes a uma série de testes cognitivos para avaliar, nomeadamente, a concentração e a memória após seis, 12 e 24 meses de tratamento.

“Depois de um tempo médio de tratamento de 19 meses, os nossos dados não revelaram mudanças notáveis na memória e nas funções cognitivas” entre o grupo tratado com o medicamento e o placebo, disse Robert Giugliano, um cardiologista do hospital de Boston e um dos autores do estudo, na conferência anual do Colégio Americano de Cardiologia, este fim de semana em Washington.

Estes resultados, acrescentou, devem tranquilizar médicos e pacientes. Os resultados completos e finais do estudo devem ser publicados nos próximos meses numa revista médica.

O novo medicamento apresenta bons resultados e foi aprovado pela Agência Americana do Medicamento mas é muito caro, com custos superiores a 13 mil euros por ano.

Isenção
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, comprometeu-se a analisar a possibilidade de a isenção de taxas moderadoras...

A sugestão desta medida foi deixada ao ministro, em Viseu, pela presidente da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, Rita Mendes Correia.

Durante o seminário internacional "Natalidade e famílias numerosas em Portugal", Rita Mendes Correia disse que "uma pessoa que ganhe 630 euros por mês tem isenção de taxa moderadora", mas "uma mãe de três filhos que ganhe 640 euros já não tem".

"Era importante que estas isenções abarcassem não só as pessoas em si, o ordenado de cada um, mas a nível familiar, integrando o número de pessoas que cada família tem", defendeu.

O ministro considerou que esta proposta "faz todo o sentido".

"Posso garantir-lhe que nós, em sede de preparação do Orçamento (de Estado) para 2018, iremos tê-la em conta, porque é uma medida de justiça social de baixo custo para o Estado", afirmou.

Adalberto Campos Fernandes lembrou que "fazia parte dos acordos de princípio dos partidos que apoiam o Governo uma redução sensível das taxas moderadoras, que foi feita em 2016".

"Recentemente foi publicado um estudo da Universidade Nova de Lisboa que confirmou aquilo que já sabíamos: 2016 foi o ano em que mais portugueses vieram ao SNS (Serviço Nacional de Saúde)", referiu.

O estudo dizia ainda que "a redução das taxas tinha sido importante na diminuição do efeito barreira económica que estava a existir até 2015", sublinhou.

O ministro considerou que "não se decreta o fim da baixa natalidade, nem o aumento das famílias, de modo normativista, administrativo ou legal".

"Criam-se condições", defendeu, não "numa ótica estritamente assistencialista", mas criando "movimentos que tornem natural essa tendência de as pessoas investirem na família, nos diferentes modos de organização familiar, e que encarem a decisão de ter filhos como um ato de desenvolvimento pessoal, familiar e até social".

Na sua opinião, "primeiro que tudo é preciso crescimento", porque "não há família sem uma luta forte, determinada, contra a pobreza e contra a falta de rendimento".

Estudo
Crianças com apneia do sono sofrem uma redução significativa de massa cinzenta (células cerebrais) envolvida no movimento,...

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, comparou crianças entre os sete e os 14 anos com apneia do sono obstrutiva moderada ou grave com crianças da mesma idade que dormiam normalmente e concluiu que as primeiras tinham redução de massa cinzenta em várias regiões do cérebro.

A descoberta aponta para uma forte ligação entre este distúrbio comum do sono, que afeta até 5% das crianças, e a perda de neurónios ou um atraso no crescimento neuronal do cérebro em desenvolvimento. E é uma razão para os pais de crianças com sintomas de apneia do sono considerarem uma deteção precoce e um tratamento.

“As imagens de mudanças na matéria cinzenta são impressionantes”, disse um dos autores do estudo, Leila Kheirandish-Gozal, da Universidade de Chicago, acrescentando que "ainda não há um guia preciso para relacionar a perda de matéria cinzenta com défices cognitivos precisos, mas há uma evidência clara de perda ou dano neuronal generalizado, comparando com a população em geral”.

Os investigadores analisaram 16 crianças com apneia obstrutiva do sono. Os padrões do sono foram avaliados no laboratório pediátrico do sono da Universidade de Chicago e cada criança também fez testes neuro-cognitivos e ressonâncias magnéticas.

Os resultados foram comparados com os obtidos em exames idênticos feitos a nove crianças da mesma idade, sexo, etnia e peso, que não tinham apneia do sono e com outros resultados guardados em base de dados.

Foram encontradas nas crianças com apneia reduções no volume de massa cinzenta em várias regiões do cérebro, incluindo córtex central, córtex pré-frontal, córtex parietal, lobo temporal e tronco encefálico.

Apesar de as reduções da massa cinzenta serem bastante extensas não é fácil medir as consequências diretas, disseram os autores.

David Gozal, outro dos autores do estudo, disse que os exames não explicam o que afetou os neurónios e em que momento, ou se as células cerebrais encolheram ou foram completamente perdidas.

Estudo
Índios da amazónia boliviana têm cinco vezes menos aterosclerose coronária (endurecimento das artérias) do que os norte...

De acordo com o trabalho publicado na revista científica sobre medicina The Lancet, o grupo indígena Tsimane tem as artérias mais saudáveis de todas as populações já estudadas e estima-se que um homem de 80 anos do grupo tenha a mesma idade vascular que um norte-americano de cerca de 50 anos.

No estudo os investigadores sugerem que o abandono das dietas de subsistência e a opção por estilos de vida da sociedade contemporânea podem ser um fator de risco para as doenças cardíacas associadas à idade, tabagismo, colesterol alto, hipertensão arterial, inatividade física, obesidade e diabetes.

O estudo mostrou que os Tsimane têm “a menor prevalência de aterosclerose coronária de qualquer população alguma vez estudada”, disse o antropólogo Hillard Kaplan, da Universidade do Novo México, Estados Unidos.

"O seu estilo de vida sugere que uma dieta pobre em gorduras saturadas e rica em hidratos de carbono ricos em fibras não processados, em conjunto com o consumo de peixe (selvagem), não fumar e prática de atividade física ao longo do dia pode ajudar a prevenir o endurecimento das artérias do coração. Acreditamos que componentes deste modo de vida podiam beneficiar as populações sedentárias contemporâneas", acrescentou.

Os Tsimane têm um estilo de vida que envolve a caça, a recoleção, a pesca e a agricultura, passando apenas 10% do seu dia em inatividade, ao contrário das populações dos países desenvolvidos, que são sedentárias mais de metade (54%) das horas de vigília.

A dieta deste povo consiste basicamente (72%) em hidratos de carbono não processados e ricos em fibras, como arroz, banana, mandioca, milho, nozes e frutas. A proteína constitui 14% da dieta e provém da carne animal e a gordura representa outros 14%. O tabagismo é raro.

O estudo de campo foi feito em 85 aldeias dos Tsimane entre 2014 e 2015. Foram feitos exames de tomografia computorizada em 705 adultos (entre os 40 e os 94 anos) e além de se verificar o endurecimento das artérias coronárias foram feitos outros exames que incluíram a frequência cardíaca, a pressão arterial, o colesterol ou a glicose.

Com os exames concluiu-se que 85% dos indígenas estudados não tinham risco de doenças cardíacas, incluindo os mais velhos (65% dos avaliados com mais de 75 anos). Os níveis de pressão arterial, colesterol e glicose também foram baixos.

Por comparação, um estudo com 6.814 americanos entre 45 e 84 anos indicou que apenas 14% não tinha risco de doença cardíaca.

Os investigadores sugerem (porque o estudo é de observação) que os resultados se devam essencialmente a um estilo de vida e não à genética, já que se registou um aumento gradual dos níveis de colesterol quando o estilo de vida teve uma mudança, provocada por maiores contactos dos Tsimane com cidades vizinhas.

Estudo
Cientistas norte-americanos trataram os sintomas depressivos em animais de laboratório com uma bactéria encontrada no iogurte,...

O estudo da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, demonstrou que a bactéria probiótica lactobacillus possui um mecanismo específico que afeta e regula o estado de humor.

Segundo os cientistas, há uma relação direta entre a saúde do microbioma intestinal e a saúde mental e a lactobacillus pode ajudar a ciência a perceber melhor a depressão e outras doenças do foro psíquico.

Para o estudo, segundo o Sapo, os investigadores analisaram o microbioma intestinal de ratinhos antes e depois de terem sido expostos a episódios de stress. "Quando se está stressado, aumenta-se a probabilidade de se ficar deprimido", começa por explicar o autor principal do estudo, o norte-americano Alban Gaultier.

Em laboratório a equipa observou que os episódios de stress induzido provocavam a perda em quantidade da bactéria lactobacillus nos intestinos dos ratinhos, aumentando os sintomas de depressão.

Uma análise mais profunda dos cientistas revelou que os níveis de lactobacillus nos intestinos fizeram aumentar os níveis de um metabolito do sangue conhecido como quinurenina, fortemente associado ao surgimento da depressão.

Para os investigadores da Universidade de Virginia, o próximo passo é replicar a experiência em humanos para perceber se os resultados obtidos em animais de laboratório se confirmam. "A grande esperança é que não precisemos de nos preocupar com fármacos complexos e efeitos secundários", explica o autor. "Basta manipular o microbioma", acrescentou Alban Gaultier.

Estudo
Cientistas criaram um novo método de análise de biomarcadores metabólicos que permite identificar se uma criança tem autismo,...

O método desenvolvido por investigadores do Instituto Politécnico de Rensselaer, nos Estados Unidos, tem por base concentrações de substâncias específicas numa amostra de sangue. As substâncias (metabolitos) são produzidas por processos metabólicos, um deles conhecido por transsulfuração, que estão alterados nas crianças com autismo. Os processos metabólicos são necessários à formação, ao desenvolvimento e à renovação das células, escreve o Observador.

Os cientistas usaram amostras de sangue de 83 crianças com autismo e de 76 crianças neurotípicas (sem qualquer distúrbio psíquico significativo) com idades entre os três e os 10 anos. Os dados recolhidos foram trabalhados com o auxílio de modelos matemáticos avançados e de ferramentas de análise estatística, permitindo identificar corretamente 97,6 por cento das crianças autistas e 96,1 por cento das neurotípicas (que têm processos metabólicos um pouco diferentes das autistas).

Os autores da investigação ressalvam que são necessários mais estudos e pretendem perceber se possíveis tratamentos que manipulem os processos metabólicos poderão interferir nos sintomas do autismo, um distúrbio neurológico que aparece na infância e se caracteriza por comportamentos repetitivos e restritivos e dificuldade de interação social e comunicação.

As causas exatas do autismo continuam desconhecidas e o seu diagnóstico exige uma equipa multidisciplinar de médicos.

Direção-Geral da Saúde
A Direção-Geral da Saúde confirmou hoje um quinto caso de doença dos legionários num trabalhador da fábrica Sakthi na Maia,...

Fonte oficial da Direção-Geral da Saúde (DGS) adiantou que está já confirmado o quinto caso de contaminação num trabalhador da fábrica onde foi detetada a bactéria.

Na segunda-feira, as autoridades avançaram o primeiro caso deste surto na Maia, estando na altura sete outros em estudo.

Segundo o comunicado de hoje da DGS, há até agora cinco doentes, “todos trabalhadores” da empresa Sakthi Portugal, “admitindo-se que os casos foram devidos a exposição ocupacional previamente identificada”.

“O nível de alerta para a população em geral mantém-se nos termos dos comunicados anteriores, uma vez que se trata de exposição, até ao momento, confinada a ambiente ocupacional”, acrescenta a autoridade de saúde.

Os trabalhos conduzidos pela Inspeção-Geral do Ambiente (IGAMAOT) confirmaram que a unidade fabril está em condições de continuar a laboração, visto que os trabalhos de desinfeção foram, entretanto, concluídos.

Desenvolvimento
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, realçou hoje a aposta do Governo na consolidação de uma “aliança estratégica”...

“A saúde traz valor, a economia aporta através da saúde muito emprego qualificado, muito desenvolvimento”, disse Adalberto Campos Fernandes, em Coimbra.

O ministro da Saúde falava aos jornalistas, durante uma visita à empresa farmacêutica Bluepharma, em São Martinho do Bispo, margem esquerda do rio Mondego, cujo programa incluiu a inauguração da ampliação do Centro de Investigação e Desenvolvimento da empresa, em que também participou o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

“Estou aqui a sinalizar aquilo que há muito tempo entendemos ser fundamental: o estabelecimento de uma aliança estratégica dentro do Governo entre a economia, a saúde e a ciência”, afirmou.

O executivo do PS, liderado por António Costa, tem “uma leitura de que a saúde e a economia devem contribuir para o progresso do país, para a criação de valor e para a geração de emprego qualificado”, sublinhou Adalberto Campos Fernandes.

Na sua opinião, a Bluepharma, criada há 16 anos, nas antigas instalações da Bayer, “é apenas um dos excelentes exemplos de que o país dispõe” na área da investigação e produção de medicamentos.

“A região Centro, neste aspeto, põe Portugal na rota da competitividade internacional, com uma economia do conhecimento orientada para a investigação e para a ciência”, acrescentou.

O ministro da Economia, por sua vez, defendeu a importância de “estimular a transferência de tecnologia entre a investigação e as empresas”, o que, na região, tem sido feito pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a Universidade e o parque tecnológico Biocant, em Cantanhede, entre outros, “em colaboração com várias empresas”, incluindo a Bluepharma.

O grupo liderado por Paulo Barradas Rebelo “mostra bem o potencial que tem a ciência portuguesa para criar valor na área da investigação, da farmacêutica e da saúde em geral”, segundo Manuel Caldeira Cabral.

Em 2016, Portugal realizou exportações de produtos da área da saúde no valor de 1.400 milhões de euros, contra os 600 milhões registados há oito anos.

“É um crescimento notável”, enfatizou o ministro da Economia, salientando que os agentes económicos conseguiram “ser mais ousados nos investimentos”, o que justifica os bons resultados do setor.

O grupo Bluepharma emprega 450 pessoas.

Liga Portuguesa Contra o Cancro
O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Veloso, afirmou que Portugal aparece pela primeira vez “a verde” no...

“Finalmente, Portugal, embora na tangente, é representado já a verde, o que quer dizer que conseguimos fazer um trabalho aceitável, que modificou a posição do nosso país”, disse Vítor Veloso, que falava a propósito da “7.ª Conference of Tobacco or Health”, que começa quarta-feira, no Porto, e onde serão apresentados os dados relativamente a esta problemática.

Seguindo explicou, “há dois anos, quando o mesmo gráfico foi apresentado na 6.ª conferência, o nosso país estava representado a vermelho, porque ainda não tinha atingido os mínimos”.

“Agora, embora de forma tangencial, passamos para o verde, o que efetivamente significa que temos feitos avanços em relação ao tabaco, tendo diminuído o consumo, o que se fez não só através da legislação que é cada vez mais apertada, mas também pelas campanhas que têm sido feitas”, sublinhou.

Contudo, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) salientou que há ainda um “longo caminho a percorrer” em relação à resolução dos problemas ligados ao tabagismo. No encontro, irá discutir-se “como é que a União Europeia pode lutar em relação aos ‘inimigos’ que são, sem dúvida alguma, as tabaqueiras, que têm um poder político e económico superior ao dos países”, referiu.

“É uma ‘guerra’ entre a legislação e a fuga que as tabaqueiras tentam com as novas formas de fumo, para camufladamente fugir a essas leis e a essas exigências. Exemplo disso são os cigarros eletrónicos”, sustentou.

Defendeu, por isso, “a necessidade de alterar a legislação que atualmente só consagra determinados tipos de fumo”.

A contrafação, o contrabando de tabaco e os medicamentos de cessação tabágica, que são eficazes e vão ser contemplados pelo Serviço Nacional de Saúde com “uma redução drástica de preços”, são outros temas em análise no congresso.

Vítor Veloso lembrou que “o tabaco é responsável por 90% dos cancros de pulmão e é responsável também por 20 a 30% de todos os cancros nas diferentes localizações”.

Um novo estudo da Organização Mundial de Saúde alerta para o impacto “sem paralelo” do tabagismo na saúde pública e os investigadores avisam que as doenças associadas ao tabaco são responsáveis por quase 6% dos gastos mundiais em saúde, num total de 400 mil milhões de euros.

O objetivo desta conferência é mobilizar os cidadãos, tornando‐os mais conscientes e capazes de melhorar a sua saúde, promovendo e apoiando políticas de controlo do tabagismo na Europa e no Mundo.

“Como o impacto do tabaco na Europa e no mundo ainda é devastador, é de extrema importância que o controle do tabagismo seja atualmente uma prioridade de agenda”, considerou o presidente da LPCC.

Com este Congresso pretende-se “a partilha e desenvolvimento de conhecimentos, bem como a tomada de decisões que permita uma Europa e um mundo sem tabaco”, acrescentou.

A sessão de abertura do encontro, agendada para a próxima quinta-feira, pelas 12:00 conta com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, da rainha de Espanha Leticia Ortiz, do Comissário Europeu da Saúde e dos ministros da saúde de Portugal e Espanha.

24h® de Saúde
A cidade de Braga recebe em maio a primeira edição do 24h® de Saúde, evento que promove o desenvolvimento de competências...

Num período de 24 horas consecutivas, as equipas verão as suas capacidades de trabalho em equipa desafiadas, à medida que constroem um projeto e adquirem novas competências. O evento formativo decorre de 20 a 21 de maio, na Escola de Medicina da Universidade do Minho.

O 24h® de Saúde, através de inscrições de equipas de 3 a 5 elementos, destina-se a todos os profissionais e estudantes das áreas de saúde, pretendendo assim contribuir para a formação e desenvolvimento de equipas interprofissionais e multidisciplinares, desde a Enfermagem e Nutrição, passando pela Fisioterapia, Medicina e Ciências Farmacêuticas.

Os desafios assentes no quotidiano da saúde colocarão à prova a forma como os profissionais de saúde se relacionam entre si e gerem as suas atividades, com vista à melhoria do serviço ao doente, redução do erro médico e aumento da eficácia dos cuidados de saúde. O modelo de evento formativo promove atividades pedagógicas competitivas e colaborativas, além de testar e desenvolver vários aspetos comportamentais e técnicos.

Para mais informações e inscrições:

www.24hsaude.com | https://www.facebook.com/24hsaude

Ordem dos Médicos Americana
O American College of Physicians instrui os clínicos americanos para que privilegiem tratamentos não invasivos como acupuntura,...

O American College of Physicians acaba de revolucionar a sua estratégia de tratamento para as dores de costas. Num estudo publicado no Annals of Internal Medicine, o organismo americano que define as recomendações terapêuticas para os clínicos dos EUA aconselha que médicos e pacientes passem a optar pelo tratamento não-farmacológico com calor superficial, massagem ou acupuntura em todos os casos de dor aguda na região lombar inferior. O documento, que assina um conjunto de “fortes recomendações” para ortopedistas e clínicos gerais, baseia a sua nova estratégia num conjunto de estudos clínicos que “evidenciam cientificamente” que as técnicas utilizadas pela medicina tradicional chinesa promovem o mesmo tipo de melhorias que a terapêutica medicamentosa, pelo que a utilização de medicamentos pode ser, em muitos casos, substituída por tratamentos não invasivos.

A dor lombar é uma das razões mais comuns para consultas médicas, e aproximadamente 25% dos adultos relataram ter dores lombares que duraram pelo menos um dia.

“A dor física afeta muitas vezes a vida das pessoas, o seu trabalho e até o lado pessoal, e ao menor sinal de dor a maioria de pessoas opta por tomar medicamentos. Porém, os medicamentos não resolvem o problema. A dor é um sinal que algo não está bem no nosso organismo e é a origem do problema que deve ser combatida. Com a acupuntura é possível perceber o problema e tratá-lo.”, comentou Hélder Flor, especialista em Medicina Tradicional Chinesa.

A dor lombar é uma das razões mais comuns para consultas médicas, e aproximadamente 25% dos adultos relataram ter dores lombares que duraram pelo menos um dia. O objetivo da orientação do American College of Physicians é precisamente fornecer a melhor orientação terapêutica com base na eficácia comparativa e segurança de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos não invasivos para pacientes que sofrem de dores lombares.

“A acupuntura deve cada vez mais ser vista como uma solução válida para qualquer tipo de dor ou inflamação, apresentando efeitos analgésicos, de relaxante muscular e anti-inflamatórios, auxiliando no tratamento de dores lombares. Os resultados de um estudo recente publicado no Clinical Journal of Pain demonstraram a eficácia da acupuntura no alívio das dores, e que foi também um procedimento seguro e eficaz. O alívio da dor e outros sintomas manteve-se por 6 meses após o fim das sessões. Os pacientes também não relataram efeitos adversos dos tratamentos, o que geralmente não ocorre com o uso crónico de medicamentos”, comentou Hélder Flor.

A expetativa de muitos especialistas é de que esta recomendação do American College of Physicians possa abrir um novo capítulo na história da medicina americana, e que técnicas como a aplicação superficial com calor, a massagem (com e sem ventosas) e a acupuntura deixem de ser “terapêuticas alternativas”, para passarem a ser consideradas como o tratamento de referência para vários tipos de dores lombares.

Dia Mundial do Sono – 17 de Março
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia, através da sua Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono, associa-se à...

Inserida no Dia Mundial do Sono, que se assinala um pouco por todo o mundo, a Comissão de Trabalho de Patologia do Sono da Sociedade Portuguesa de Pneumologia lança uma campanha de sensibilização, focada no impacto que os distúrbios do sono têm na vida conjugal.

Segundo Fátima Teixeira, Coordenadora da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono da SPP “os distúrbios do sono não atingem apenas o próprio, refletindo-se também na vida conjugal e familiar. São frequentes os doentes que dormem em quartos separados. A ansiedade e depressão nos parceiros, gerada por consecutivas noites sem qualidade de sono, pelo ruído causado pela roncopatia ou pelas pausas respiratórias durante a noite, acabam por desgastar as relações, conduzido muitas vezes o casal a uma situação de rutura”.

Estudos relacionados com distúrbios do sono, revelam existir evidências que apontam para uma associação entre a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) e disfunções sexuais. Dados recentes revelam que a prevalência da disfunção sexual feminina e a disfunção eréctil no homem varia entre a ⅔ dos doentes com AOS, sendo a relação conjugal prejudicada pela falta de desejo e satisfação sexual. Um outro estudo que envolveu doentes com AOS moderada a grave demonstrou que 63% dos doentes possuíam problemas conjugais e 69% manifestavam diminuição do desejo sexual.

“Não são raros os casos de disfunção erétil associados à Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono. Um sono sem qualidade traz também diminuição da tolerância e aumento da irritabilidade que podem levar a conflitos conjugais. Trata-se de algo que também tem influência na atividade social do casal e da própria família. É muito frequente o doente que na primeira consulta relata a necessidade de dormir em quartos separados pela presença de roncopatia, fator que acaba por interferir na intimidade do casal”, acrescenta a Susana Sousa, secretária da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono da SPP.

A suspeita de Apneia Obstrutiva do Sono é, frequentemente, o motivo de solicitação de consulta de sono. Na grande maioria dos casos as queixas surgem do companheiro cujo sono é também incomodado pelo ronco, pelo movimento associado aos microdespertares e pela preocupação com as apneias. Assim sendo, é habitual verificar-se a alteração de hábitos como seja a alteração da posição do ressonador, o uso de tampões auditivos, a toma de medicação e em última instancia a separação de espaços. Numa análise realizada pela National Sleep Foundation, ⅔ dos casais relataram que o companheiro ressonava, ⅓ referiam dormir em quartos separados ou usar tampões e mais de ½ dos roncopatas tinham noção que perturbavam o sono do companheiro.

Os companheiros de doentes portadores de AOS, com ronco intenso, mais frequentemente têm sintomas de insónia inicial, fragmentação do sono, noção de sono não reparador, fadiga e sonolência diurna. Quando o sono é de má qualidade a capacidade de regular as emoções está também alterada. Aqui temos duas pessoas cujo sono é afetado de forma negativa pela doença e provoca a sonolência diurna, ansiedade, irritabilidade e a depressão. Inevitavelmente haverá situações de conflito conjugal. No entanto o tratamento da AOS demonstrou melhoria na qualidade do sono do doente e do próprio companheiro, sendo fundamental a participação ativa deste último no tratamento para garantir uma boa adesão.

Apesar da maioria dos distúrbios do sono serem evitáveis ou tratáveis, menos de um terço dos doentes procura ajuda profissional.

A mensagem, que procura chamar a atenção para a importância de um sono de qualidade e reparador, surge como forma de contrariar os números que revelam que 45% da população mundial sofre de distúrbios do sono. A Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono da SPP salienta ainda que a maioria dos distúrbios do sono são tratáveis mas apenas um terço dos doentes procura ajuda pelo que é importante levar a população a adotar medidas preventivas:

  • Deitar e levantar sempre à mesma hora todas as noites
  • Evitar o tabaco, álcool e bebidas com cafeína (café, chá preto, coca cola entre outros) a partir do final da tarde
  • Praticar exercício físico regular preferindo os períodos da manhã ou almoço evitando a sua prática pelo menos 4 horas antes da hora de dormir
  • Criar no quarto boas condições para o repouso, temperatura adequada, pouca luz e sem ruído
  • Evite ler, ver televisão ou alimentar-se na cama
  • Faça refeições ligeiras à noite e não se alimente próximo da hora de dormir
  • Evitar sestas em caso de dificuldade em adormecer
  • Não leve as preocupações diárias para a cama, tente libertar-se delas antes de ir dormir. 

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