Semana Santa
Com a chegada da Semana Santa, muitas famílias aproveitam este período para viajar, levando consigo os seus animais. Entre...

A falta de preparação é uma das principais causas de stress, acidentes ou problemas médicos em animais durante as férias. "A viagem deve ser uma experiência positiva tanto para o cuidador como para o animal. O planeamento antecipado é a chave para prevenir imprevistos e garantir que o bem-estar do seu animal é mantido ao longo de todo o percurso", sublinha a Dra. Sofia Ferreira, médica veterinária do AniCura +Ani+ Hospital Veterinário.

 

Planeamento antes da viagem

Antes de fazer as malas, é importante garantir que o animal se encontra em boas condições de saúde e que toda a documentação necessária está atualizada, tais como o boletim de vacinas, o microchip devidamente registado e, no caso de viagens internacionais, o passaporte e os certificados de saúde exigidos.

A deslocação também deve ser planeada com antecedência, escolhendo um meio de transporte seguro e adequado ao animal, tendo em conta a duração do trajeto. Sempre que possível, devem ser previstas pausas para descanso, acesso a água e momentos para que o animal possa movimentar-se.

 

Transporte seguro e confortável

Em deslocações de carro, os cães devem viajar com arnês de segurança ou numa transportadora adequada, enquanto os gatos devem permanecer em caixas de transporte próprias. Já em comboio ou avião, é importante consultar antecipadamente as regras da operadora quanto ao tamanho das transportadoras, taxas e requisitos específicos de saúde.

Em viagens mais longas, é aconselhável fazer pausas regulares para que o animal possa hidratar-se, esticar as patas e reduzir o stress associado ao transporte. Uma alimentação leve antes da partida é geralmente recomendada, mas para animais propensos a enjoos o

jejum alimentar pode ser indicado, podendo haver a necessidade de administrar um antiemético previamente para tornar a viagem mais confortável. O acesso frequente a água ajuda também a prevenir a desidratação durante a viagem.

Para animais menos habituados a deslocações, pequenas viagens de treino prévias podem ajudar a criar associações positivas com o transporte. Deve também ter em conta as variações de temperatura: nunca deixe o animal sozinho dentro do veículo, mesmo com a janela entreaberta, e garanta que o espaço de transporte está bem ventilado.

 

Adaptação ao novo ambiente

Chegar a um destino diferente pode representar um desafio para alguns animais de companhia, especialmente quando existe maior movimento, presença de pessoas desconhecidas ou mudanças significativas na rotina. Criar um espaço tranquilo e familiar pode facilitar a adaptação, levando objetos que o animal reconhece, como a cama, brinquedos ou mantas.

Alguns animais podem manifestar sinais de desconforto durante deslocações ou em novos ambientes. Convém estar atento a sinais de mal-estar, como apatia, perda de apetite ou respiração alterada, e procurar apoio veterinário caso surjam alterações no comportamento ou no estado de saúde.

Mais do que uma questão de logística, viajar com o seu animal é um ato de cuidado. O essencial é que este período seja tranquilo para todos, permitindo desfrutar das férias em família, garantindo que a saúde e bem-estar do animal nunca fica em segundo plano”, reforça a médica veterinária.

 

Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal
Iniciativa inédita, em homenagem ao fundador da APDP, visa combater a desinformação e reconhecer o jornalismo de excelência...

Estão oficialmente abertas as candidaturas à primeira edição do Prémio de Jornalismo Ernesto Roma e decorrem até dia 30 de setembro de 2026. A iniciativa, lançada pela Fundação Ernesto Roma, em colaboração com a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, com o apoio científico da Escola Nacional de Saúde Pública e o apoio da Sanofi, visa distinguir o melhor trabalho jornalístico sobre diabetes com um prémio de cinco mil euros.

Criado para homenagear a memória do Dr. Ernesto Roma, fundador da APDP, que assinala este ano o seu centenário, o prémio tem como objetivo incentivar uma cobertura mediática rigorosa e destacar o papel crucial dos jornalistas na sensibilização e no combate à desinformação sobre a diabetes em Portugal.

"Com este prémio, queremos incentivar uma cobertura mediática de excelência. Convidamos todos os jornalistas que ajudam a informar e a desmistificar a diabetes, tanto a diabetes 1, como a diabetes 2,  a apresentarem as suas candidaturas", afirma Luís Gardete Correia, presidente da Fundação Ernesto Roma e do júri, composto por sete especialistas de renome nas áreas da diabetes, saúde pública e comunicação, assegurando um processo de avaliação criterioso.

"Iniciativas como o Prémio de Jornalismo Ernesto Roma são fundamentais para valorizar e incentivar a cobertura mediática rigorosa sobre a diabetes," afirma João Filipe Raposo, Diretor Clínico da APDP. "Os jornalistas que investigam esta realidade complexa são aliados fundamentais da saúde pública. Têm o poder de traduzir a informação científica para a população, combater a desinformação e dar voz às histórias humanas por trás da doença, capacitando as pessoas para agir", remata.

A homenagem a Ernesto Roma (1887-1978) assinala o seu papel pioneiro na diabetologia. Depois de uma passagem por Boston, onde contactou de perto com os revolucionários tratamentos com insulina, este médico visionário introduziu a insulinoterapia em Portugal em 1925. Este marco histórico transformou a vida de milhares de pessoas e deu início a uma nova era no tratamento da diabetes no país. Um ano depois, em 1926, e motivado pela dificuldade de acesso ao tratamento por parte dos mais carenciados, funda a originalmente chamada de Associação Protectora dos Diabéticos Pobres (APDP), a mais antiga do mundo e que em 1973 viria a adaptar o seu nome para o atual.

Para se candidatarem, os jornalistas e profissionais de comunicação de nacionalidade portuguesa devem submeter trabalhos que abordem temas da diabetes e tenham sido publicados ou transmitidos em órgãos de comunicação social portugueses entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Os autores podem submeter mais do que um trabalho original e inédito, desde que publicado em meios de divulgação geral (não-científica ou médica), excluindo-se assim os meios de comunicação especializados. 

O período de candidaturas decorre até 30 de setembro de 2026. A submissão deve incluir a ficha de candidatura, a declaração de honra, o comprovativo de publicação e uma breve justificação (máximo 500 palavras) sobre a relevância do trabalho. A documentação completa deve ser enviada para o email [email protected] ou por via postal, para a sede da APDP.

O vencedor será anunciado em novembro de 2026. Além do prémio monetário, o júri poderá ainda atribuir menções honrosas aos trabalhos que se destaquem pela sua qualidade. Para mais informações, consulte: https://apdp.pt/premio-de-jornalismo-ernesto-roma.

 

Mieloma Múltiplo
É já este sábado, a partir das 9h00, que o Paredão de Cascais vai receber a 2.ª Caminhada pelo Mieloma Múltiplo organizada pela...

O sucesso da primeira edição, realizada em 2025, e que juntou mais de 150 participantes entre doentes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde ao longo dos 5 km da linha beira-mar do Paredão de Cascais, consolidou esta iniciativa como um verdadeiro movimento de união pela causa do Mieloma Múltiplo - a segunda neoplasia hematológica mais frequente em Portugal, representando cerca de 10% de todos os cancros do sangue, e que afeta anualmente mais de 800 novos doentes no nosso país.

Esta segunda edição, que o concelho de Cascais volta a acolher no dia 28 de março, pretende reforçar esta comunidade crescente e ativa, que se reúne com o objetivo de aumentar a literacia em saúde, nomeadamente para este tipo de cancro, mas também promover a solidariedade e incentivar um estilo de vida saudável, através da prática de atividade física.

"Ver a comunidade reunir-se com tanto entusiasmo na primeira edição para apoiar esta causa foi a prova de que iniciativas como esta fazem a diferença na vida de quem enfrenta o Mieloma Múltiplo. Na APCL, a nossa missão é apoiar os doentes e as suas famílias em todas as fases da doença, por isso a 2.ª Caminhada reforça esse compromisso, aliando o convívio e a solidariedade à consciencialização para esta doença, enquanto promove um estilo de vida ativo", afirma Lara Cunha, diretora executiva da APCL, deixando assim o repto para a participação dos cascaenses e de todos os que se queiram juntar a esta iniciativa.

O Mieloma Múltiplo é uma forma de cancro que atinge as células plasmáticas na medula óssea. Esta doença caracteriza-se por sintomas como fadiga extrema, dores ou fraturas ósseas, infeções frequentes e limitações físicas, que afetam significativamente a qualidade de vida dos doentes. No entanto, o exercício físico revela um impacto positivo no bem-estar geral dos doentes, promovendo o fortalecimento muscular e a sua saúde óssea.

A APCL, a Sanofi e a Câmara Municipal de Cascais, convidam todos a juntarem-se a esta crescente comunidade e a participarem nesta importante iniciativa, com o objetivo de aumentar a consciencialização e o apoio aos doentes com Mieloma Múltiplo. 

A inscrição no evento pode ser feita, de forma gratuita, através do preenchimento do formulário online. Todos os participantes inscritos irão receber um kit exclusivo a levantar no dia do evento.

 

MALO CLINIC alerta
Ao longo da vida da mulher, as variações hormonais podem ter um impacto significativo na saúde oral. Desde a puberdade até à...

Esta preocupação é reforçada pelos dados do Barómetro da Saúde Oral 2025, da Ordem dos Médicos Dentistas, que revelam uma realidade preocupante. Apenas 31,7% das mulheres portuguesas têm dentição completa, face a 36,8% dos homens. A falta de seis ou mais dentes, que pode comprometer a mastigação e a nutrição, afeta 31,4% das mulheres, enquanto entre os homens esse valor situa-se nos 23,4%. Estes números evidenciam uma realidade silenciosa que impacta a qualidade de vida, a autoestima e a saúde geral.

"A saúde oral é um espelho da saúde geral e, nas mulheres, esta relação torna-se ainda mais sensível devido às alterações hormonais", afirma Pedro Cosme, médico dentista na MALO CLINIC Lisboa.

 

As três fases críticas: puberdade, gravidez e menopausa

Durante a puberdade, o aumento das hormonas femininas pode tornar as gengivas mais sensíveis e reativas. Nesta fase, a resposta inflamatória à placa bacteriana é mais intensa, pelo que sem uma higiene oral rigorosa, essa sensibilidade por evoluir facilmente para gengivite.

Já durante a gravidez, as alterações hormonais podem favorecer o desenvolvimento de gengivite gravídica, enquanto as náuseas e vómitos frequentes podem contribuir para a erosão do esmalte dentário. Recomenda-se, por isso, não escovar os dentes imediatamente após vomitar, uma vez que o esmalte fica fragilizado pelo ácido. Manter a saúde gengival sob controlo é essencial nesta fase, pois problemas não controlados podem evoluir para doença periodontal, que tem sido associada a um maior risco de parto prematuro e de bebés com baixo peso à nascença.

Na menopausa, a diminuição dos níveis de estrogénio pode provocar alterações na cavidade oral, como sensação de boca seca, maior sensibilidade dentária e aumento do risco de cáries ou doenças gengivais. Sendo a saliva fundamental para proteger dentes e gengivas, a boca seca aumenta o risco de cáries e doenças gengivais. Recomenda-se, por isso, um reforço da hidratação e, quando necessário, a utilização de produtos específicos para alívio da secura oral.

 

O impacto da saúde oral no organismo

A saúde oral não afeta apenas a boca; infeções e inflamações orais podem permitir a passagem de bactérias para a corrente sanguínea, contribuindo para processos inflamatórios com impacto noutras áreas do organismo. Estas situações podem estar associadas ao agravamento de doenças cardiovasculares, com o aumento do risco de AVC, respiratórias, incluindo o risco de pneumonias, ou metabólicas, dificultando o controlo do açúcar no sangue em diabéticos, demonstrando que cuidar da saúde oral é também cuidar da saúde geral.

"Uma boca saudável não é apenas um sorriso bonito. É mastigar bem, falar com clareza, nutrir o corpo corretamente e viver sem constrangimentos. A prevenção continua a ser essencial, através de uma higiene oral diária adequada e de acompanhamento profissional regular”, sublinha Pedro Cosme.

Cuidar da saúde oral é uma parte essencial do cuidado com a saúde geral, especialmente no caso das mulheres, cujas necessidades podem variar ao longo das diferentes fases da vida. Um acompanhamento regular por profissionais de saúde oral permite identificar precocemente alterações nas gengivas e nos dentes, contribuindo para preservar não só o sorriso, mas também o bem-estar e a qualidade de vida.

 

SPP alerta
Assinala-se a 24 de março o Dia Mundial da Tuberculose, uma data que continua a ser essencial para alertar para uma doença que...

De acordo com dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose continua entre as principais doenças infeciosas, afetando cerca de 10,7 milhões de pessoas em todo o mundo. “A tuberculose continua presente e não pode ser ignorada. Sendo uma doença curável, exige reconhecimento precoce dos sintomas, diagnóstico atempado e tratamento adequado”, advertem as médicas pneumologistas.

Em Portugal, embora a incidência seja considerada baixa, a doença mantém-se relevante do ponto de vista da Saúde Pública. Em 2023, foram notificados cerca de 1.584 casos de tuberculose (1.461 novos casos e 123 retratamentos) correspondendo a uma taxa de notificação de 14,9 casos por 100 mil habitantes, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

No entanto, “embora Portugal seja considerado um país de baixa incidência, a estagnação recente e a concentração da doença em grupos vulneráveis indicam a necessidade de reforçar as estratégias de deteção precoce, prevenção e intervenção dirigida, de forma a retomar a tendência de diminuição desta doença e o cumprimento das metas internacionais de eliminação da doença”.

Para Joana Barbosa e Carina Rôlo Silvestre, existem algumas medidas de Saúde Pública que, “aliadas a uma abordagem centrada no doente e à colaboração entre os cuidados de saúde primários e hospitalares, permitem interromper a cadeia de transmissão e reduzir a incidência da doença”, entre elas incluem-se: os rastreios à população de migrantes de países de alta incidência, logo à chegada ao nosso país, assim como articulação com embaixadas e centros de apoio aos migrantes; a promoção da literacia em saúde, quer na população, quer nos profissionais de saúde; medidas socioeconómicas como melhoria das condições de vida da população com redução da sobrelotação habitacional, melhoria da ventilação nos locais fechados e medidas de combate à pobreza e exclusão social.

“A identificação precoce é fundamental e essencial para proteger a comunidade, sobretudo nas populações de risco (como migrantes, em particular, os provenientes de países onde a tuberculose é altamente endémica, indivíduos com infeção VIH, situação de sem-abrigo, dependência e outras doenças crónicas)”. Para isso, é importante que a população conheça aqueles que são os sintomas mais comuns da doença, entre os quais se incluem tosse persistente, expetoração, febre, suores noturnos e perda de peso. “Perante estes sinais, é fundamental procurar cuidados de saúde. O tratamento é gratuito e acessível a todos, devendo o doente cumprir integralmente para evitar recaídas e resistência aos antibióticos”, acrescentam Joana Barbosa e Carina Rôlo Silvestre.

A nível internacional, a estratégia “End TB”, da OMS, que pretende a erradicação da doença, define metas ambiciosas, como reduzir em 90% a incidência e em 95% a mortalidade por tuberculose até 2035. Apesar dos progressos, a redução global da mortalidade entre 2015 e 2024 foi de 29%, ainda longe da meta de 75% definida para 2025. “Estes dados mostram que, apesar dos avanços, a tuberculose está longe de estar controlada. A ação local e coordenada é fundamental para alcançar um futuro sem tuberculose”.

As especialistas concluem alertando também para a necessidade de combater o estigma associado à doença: “o medo e a desinformação continuam a ser barreiras importantes ao diagnóstico e tratamento, tornando essencial investir em educação e sensibilização”.

 

Dia Nacional do Doente com AVC, 31 de março
Pessoas com afasia enfrentam descontinuidade de cuidados, estigma da sociedade e falta de apoio no regresso a casa. A...

A descontinuidade de cuidados após a alta hospitalar está a comprometer a recuperação de pessoas que desenvolvem afasia na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC). O alerta é do IPAFASIA – Instituto Português da Afasia, que defende a necessidade urgente de reforçar respostas estruturadas no pós-AVC e integrar a teleterapia como complemento regular de acompanhamento.  

No mês em que se assinala o Dia Nacional do Doente com AVC, a 31 de março, o IPAFASIA defende que a recuperação não pode ser entendida apenas como estabilização clínica. A afasia pode persistir para além dos primeiros meses e assumir carácter crónico, exigindo intervenção prolongada, apoio psicossocial e envolvimento das famílias. 

Em Portugal, estima-se que cerca de 40 mil pessoas vivam com afasia, condição que afeta a capacidade de comunicar, falar, compreender, ler ou escrever, frequentemente na sequência de um acidente vascular cerebral. Ainda assim, a resposta estruturada após a alta hospitalar permanece insuficiente. 

Para a IPAFASIA, “a recuperação não pode ser entendida apenas como estabilização clínica. A afasia pode persistir para além dos seis meses e assumir carácter crónico, exigindo acompanhamento prolongado, apoio psicossocial e capacitação das famílias”. É neste contexto que a teleterapia surge como complemento estratégico. A intervenção especializada à distância permite garantir continuidade de cuidados, sobretudo em zonas com menor oferta presencial ou em situações de mobilidade reduzida. Ao assegurar acompanhamento regular após a alta, a teleterapia pode reduzir assimetrias territoriais, evitar ruturas no processo de reabilitação e ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde. 

“A teleterapia representa hoje uma oportunidade concreta para melhorar o acesso à reabilitação da afasia em Portugal. Num contexto em que persistem desigualdades territoriais no acesso a terapeutas da fala e em que muitas pessoas vivem longe de centros especializados, a intervenção à distância pode permitir levar apoio especializado a quem, de outra forma, ficaria sem acompanhamento regular. A experiência do IPAFASIA ao longo dos últimos anos demonstra que a teleterapia pode assegurar continuidade terapêutica, promover prática intensiva e envolver as famílias no processo de reabilitação, mantendo a qualidade clínica quando realizada por profissionais qualificados. Uma abordagem que encontra também suporte nas recomendações internacionais da American Speech-Language-Hearing Association (ASHA)” explica a associação.  

 

E SE DEIXASSEMOS DE FALAR? 

SOCIEDADE CONFUNDE AFASIA COM INCAPACIDADE 

Um estudo desenvolvido pelo IPAFASIA, em parceria com o Hospital Pedro Hispano, evidencia que a fase aguda do AVC é globalmente bem avaliada, mas identifica o momento da alta hospitalar como um ponto crítico no percurso de recuperação. 

Foram sinalizadas lacunas no planeamento da continuidade terapêutica e ausência de recomendações estruturadas de reabilitação especializada em vários casos. Após o regresso a casa, muitas pessoas deixam de ter acompanhamento regular em terapia da fala e não dispõem de apoio psicológico, mesmo quando enfrentam impacto emocional significativo. 

O estudo identifica ainda descontinuidade terapêutica, acesso desigual aos cuidados, forte dependência do apoio informal das famílias e falta de informação clara, acessível e adaptada sobre a afasia, o processo de recuperação e as estratégias de comunicação. 

Persistem igualmente barreiras estruturais, comunicacionais e sociais, incluindo estigma e desconhecimento generalizado sobre a afasia, que limitam a inclusão destas pessoas na comunidade. 

Meses depois do AVC, muitas pessoas continuam a enfrentar limitações comunicativas com impacto direto na autonomia, na participação social e na qualidade de vida, confirmando que a recuperação não termina na alta hospitalar. 

Opinião
Nunca tivemos tanto acesso a informação sobre saúde como hoje e, ainda assim, nunca foi tão importan

Este cenário cria o chamado “cuidador informado”, mais curioso e mais envolvido no bem-estar do seu animal de companhia.  O acesso à informação pode ser positivo e contribuir para uma maior literacia em saúde animal, mas torna-se problemático quando conteúdos sem base científica começam a influenciar decisões. Na prática veterinária, vemos cada vez mais animais a chegarem tarde porque a informação online minimizava a situação e, noutros casos, encontramos cuidadores alarmados sem fundamento. O problema não é a procura de informação, mas a ausência de enquadramento clínico, sobretudo numa área em que o tempo é determinante e muitas doenças começam com sinais discretos que exigem observação profissional.

Mais recentemente, este fenómeno ganhou uma nova dimensão com o desenvolvimento de funcionalidades médicas em ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT. Plataformas que respondem com clareza criam a sensação de um diagnóstico rápido e personalizado, mesmo sem avaliação presencial. Sistemas cada vez mais especializados conseguem analisar sintomas e sugerir hipóteses em segundos. No entanto, por mais avançada que seja a ferramenta, há algo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir: a componente humana do cuidado.

Um algoritmo pode analisar dados, mas não observa o animal quando entra na sala, não percebe a ansiedade do tutor nem capta pequenas alterações de comportamento que muitas vezes orientam o diagnóstico. A internet e a inteligência artificial não conhecem o animal, o seu histórico clínico nem o contexto em que vive. Não sentem o medo, não avaliam a dor ao toque e não oferecem conforto.

Na medicina - humana ou veterinária - o diagnóstico não se constrói apenas a partir de dados, mas de observação, relação e experiência clínica. Nenhum algoritmo substitui o exame físico, o olhar atento ou a capacidade de interpretar sinais no seu contexto real. O nosso papel enquanto médicos veterinários é esclarecer, contextualizar e devolver sentido clínico à informação, garantindo que a tecnologia complementa a avaliação, não a substitui.

Porque, no fim, o bem-estar de um animal constrói-se na relação de confiança entre quem cuida e quem tem o conhecimento para cuidar. Num tempo em que a informação chega cada vez mais depressa, o verdadeiro desafio talvez seja reaprender a distinguir entre saber mais e saber melhor. Porque, por mais avançada que seja a tecnologia, nenhuma máquina substituirá a presença, o cuidado e a relação que fazem parte do ato médico. Concluo dizendo que nenhum motor de busca pode substituir a observação dos nossos cinco sentidos, a análise do cérebro clínico e a empatia dos profissionais de carne e osso.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
Em Portugal, o acesso à urgência de Obstetrícia e Ginecologia passou recentemente a adotar um modelo
Este novo modelo de acesso tem como objetivo organizar a procura, encaminhando as utentes para os cuidados de saúde primários ou para consulta hospitalar quando não se trata de uma situação urgente, ou para uma urgência hospitalar com capacidade de resposta, quando a situação clínica o justifique.
 
A adoção deste modelo prende-se com o facto de as urgências de Obstetrícia e Ginecologia em Portugal serem frequentemente utilizadas para situações que não configuram verdadeiras urgências, o que contribuía para tempos de espera elevados e sobrecarga das equipas clínicas. De facto, estima-se que mais de 50% das utentes recorressem a estes serviços sem apresentar uma situação urgente.
 
Na preparação da implementação deste modelo, a formação dos profissionais envolvidos, a construção de fluxogramas claros, e a possibilidade de uma comunicação eficiente com as maternidades, foram asseguradas.
 
A triagem obrigatória via SNS 24 permite uma utilização mais racional dos recursos existentes e sobretudo, constitui uma medida protetora de utentes, nomeadamente grávidas, com situações clínicas urgentes ou emergentes, permitindo o seu encaminhamento para a unidade hospitalar mais adequada, e garantindo uma avaliação clínica mais célere.
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Investigação da Universidade de Aveiro
Ainda que a maioria dos portugueses reconheça a realidade das alterações climáticas e as suas origens na ação humana, a...

A crise climática constitui um dos desafios globais mais complexos e urgentes da atualidade, com impactos já reconhecidos ao nível ambiental, físico e mental. A ansiedade climática tem vindo a ser identificada como uma das consequências psicológicas associadas às alterações climáticas.

“A ansiedade climática é uma preocupação crónica com os impactos das alterações climáticas, com o futuro do planeta, de si próprio e das gerações futuras”, explica a autora do estudo, a investigadora Mariana Pinho, do Centro de Estudo do Ambiente e do Mar e do Departamento de Biologia da UA. “No estudo, que contou com a participação de 3300 pessoas, a ansiedade climática foi medida com uma escala validada, que avalia a frequência de sintomas como perturbações cognitivas (por exemplo, dificuldades de concentração ou sono) e dificuldades funcionais associadas a preocupações com o clima”.

De acordo com a investigadora, “no geral, a prevalência desse tipo de ansiedade entre adultos em Portugal é relativamente baixa, havendo evidência noutros estudos de diferenças entre faixas etárias, género, entre outros fatores”.

Mariana Pinho sublinha, contudo, que estes resultados devem ser interpretados com cautela: “Isso não significa que os portugueses não acreditem ou não se preocupem com as alterações climáticas, mas que no geral estas não têm um impacto ao nível do funcionamento cognitivo — como perda de sono ou dificuldades de concentração — nem interferem significativamente com a rotina diária”.

 

Preocupação existe, mesmo sem ansiedade clínica

“O facto da ansiedade climática se revelar baixa não implica desinteresse ou falta de consciência ambiental”, aponta a investigadora. “O que o estudo nos indica é que, embora a ansiedade climática seja relativamente baixa, a maioria das pessoas reconhece a realidade das alterações climáticas, as suas origens antropogénicas e os seus impactos. Têm, inclusive, uma forte ligação psicológica à natureza, mesmo que isso não se traduza necessariamente em ansiedade clínica ou psicológica intensa”, diz.

Os resultados mostram ainda que idade, nível de escolaridade e rendimento estão negativamente associados à ansiedade climática — ou seja, pessoas mais velhas, com maior nível de educação e rendimentos mais elevados tendem a apresentar níveis mais baixos de ansiedade. Por outro lado, experiências mais diretas com os impactos das alterações climáticas estão relacionadas com níveis mais elevados de ansiedade.

 

Mais preocupação, mais ação

O estudo demonstra também que a forma como as pessoas percecionam as alterações climáticas pode influenciar os seus comportamentos de conservação ambiental.

“De forma geral, níveis mais elecados de preocupação/ansiedade climática tendem a estar associados com a maior adoção de comportamentos pró-ambientais”, afirma Mariana Pinho. “O estudo encontrou que a forma como as pessoas percebem as alterações climáticas pode influenciar os seus comportamentos de conservação ambiental, com a ansiedade climática a atuar como um dos mecanismos que liga essa perceção às atitudes e ações pró-ambientais”.

Estes resultados ajudam a compreender os mecanismos psicológicos que podem impulsionar práticas mais sustentáveis e reforçam a importância de integrar dimensões emocionais e sociais na definição de políticas ambientais.

 

Impactos na saúde não devem ser ignorados

Para a investigadora, é essencial reconhecer que as alterações climáticas não afetam apenas o ambiente, mas também a saúde das populações.

“As alterações climáticas estão a afetar não só o ambiente, mas também a nossa saúde física e mental. A ansiedade e o stress associados a estes fenómenos são reais e não devem ser ignorados. Quem sente que esta preocupação está a afetar significativamente o seu bem-estar deve procurar ajuda”, diz.

Mariana Pinho acrescenta ainda que “é igualmente essencial que os profissionais de saúde — não só os psicólogos — saibam identificar e encaminhar situações de stress climático, promovendo a literacia e uma resposta proativa, especialmente em contextos de desastre”.

Compreender o papel das características sociodemográficas e sociopsicológicas na ansiedade climática revela-se, assim, fundamental para o desenvolvimento de políticas e programas ambientais mais inclusivos, capazes de promover mudança social e responder às desigualdades existentes.

ANAUDI
Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem divulga hoje os resultados do inquérito à atividade das unidades...

O inquérito permitiu recolher informação detalhada sobre a dimensão organizacional das unidades, a atividade assistencial desenvolvida, a estrutura de financiamento, os principais fatores condicionantes da atividade e as perspetivas para a sua evolução, revelando que, em 2025, foram realizados cerca de 8,5 milhões de atos de diagnóstico pelas unidades de imagiologia, abrangendo aproximadamente 5,2 milhões de utentes, e refletindo uma redução face ao ano anterior, no qual tinham sido registados cerca de 9,7 milhões de atos e 6,8 milhões de utentes atendidos.

Esta evolução é particularmente expressiva no âmbito do SNS, onde se registou uma redução de cerca de 894 mil atos, de 6,7 milhões em 2024 para 5,8 milhões em 2025, acompanhada por uma diminuição do número de utentes atendidos, que passou de cerca de 4,7 milhões em 2024, para 3,6 milhões em 2025.

Estes dados confirmam a importância da rede convencionada de imagiologia no funcionamento do SNS que, apesar da redução observada em termos absolutos, continua a representar cerca de 68% do total de atos realizados e de utentes atendidos pelas unidades de diagnóstico pela imagem.

Os resultados evidenciam, ainda, sinais de retração da rede convencionada em 2025, que se traduzem numa diminuição do número de atos realizados e de utentes atendidos, em particular no âmbito do SNS, evolução que se enquadra no contexto crítico que o setor atravessou, marcado pela desatualização prolongada das tabelas de atos e valores convencionados, fator que as unidades identificam, de forma unânime, como tendo impacto elevado na sua atividade.

A redução do acesso à rede convencionada, decorrente da prolongada ausência de atualização das tabelas do SNS, deve ser enquadrada na compreensão das dificuldades atualmente sentidas por diversos setores do sistema de saúde na realização de exames de radiologia e de medicina nuclear, bem como, em paralelo, no aumento da procura destes atos no segmento privado não convencionado. Esta evolução evidencia a necessidade de assegurar a sustentabilidade e o adequado funcionamento da rede convencionada, enquanto componente essencial de uma resposta integrada aos utentes do SNS.

A Associação sublinha, contudo, que os resultados apresentados não incorporam ainda os efeitos da atualização das tabelas de atos convencionados na área da radiologia, introduzida pelo Despacho n.º 2312/2026, de 23 de fevereiro de 2026, e que se encontra em vigor desde 1 de março de 2026.

“A atualização das tabelas de atos convencionados representa um desenvolvimento muito relevante para o setor da imagiologia, na medida em que vem responder a um período prolongado de desatualização que condicionou a atividade das unidades. Os dados de 2025 devem ser interpretados neste enquadramento, sendo previsível que a revisão agora introduzida contribua para a recuperação gradual da atividade e para o reforço da sustentabilidade económica das unidades, ainda que possa não ser suficiente, por si só, para repor plenamente os níveis de acessibilidade”, afirma Eduardo Moniz, Presidente da ANAUDI.

Em termos económicos, o setor gerou, em 2025, um volume de negócios de cerca de 290,9 milhões de euros, refletindo a forte integração da rede convencionada no funcionamento do sistema de saúde. Acresce que as unidades de diagnóstico pela imagem empregam cerca de 10 mil profissionais, evidenciando a relevância económica e social desta atividade.

A ANAUDI sublinha, por fim, a importância de assegurar a continuidade do processo de revisão das tabelas convencionadas, com critérios de periodicidade, transparência e adequação técnica, de forma a garantir a sustentabilidade do setor e a preservar o contributo decisivo da imagiologia para o acesso dos utentes ao diagnóstico em tempo útil.

 

Medicamentos Biológicos
Audiência com a Comissão Parlamentar de Saúde, transmitida em direto no site da Assembleia da República, acontece no seguimento...

No próximo dia 25 de março, pelas 14h00, a Plataforma Saúde em Diálogo e a Associação de Asma Grave serão recebidas em audiência na Comissão Parlamentar de Saúde, transmitida em direto no site da Assembleia da República, com o objetivo de discutir o acesso equitativo a medicamentos biológicos em Portugal, uma realidade que permanece desigual no país.

Recorde-se que, no final do ano passado, estas entidades, às quais se juntaram também a Associação de Doentes com Lúpus e a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas, tornaram pública uma Carta Aberta dirigida à Ministra da Saúde, à Secretária de Estado da Saúde e aos Deputados da Assembleia da República, exigindo medidas urgentes para corrigir as desigualdades no acesso a estas terapêuticas inovadoras.

A Portaria n.º 261/2024/1, publicada em outubro de 2024, uniformizou as condições de prescrição e dispensa de medicamentos relativas ao tratamento de doentes com Artrite Reumatóide, Espondilite Anquilosante, Artrite Psoriática, Artrite Idiopática Juvenil Poliarticular, Psoríase em Placas, Doença de Crohn e Colite Ulcerosa, permitindo o acesso às terapêuticas biológicas no setor privado, através de um regime excecional de comparticipação. Contudo, excluiu doentes com Asma Grave, Lúpus e Dermatite Atópica, que permanecem dependentes exclusivamente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o acesso a estas terapêuticas, enfrentando listas de espera muito superiores às previstas nos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG).

As terapêuticas biológicas permitem reduzir gradualmente o uso de corticoterapia, bem como diminuir agudizações e internamentos, devolvendo maior qualidade de vida aos doentes e aliviando a pressão a que o SNS está sujeito.

Neste contexto, as associações de doentes defendem o alargamento do regime excecional de comparticipação aos doentes com Asma Grave, Lúpus e Dermatite Atópica e a uniformização nacional dos critérios de acesso, de modo a garantir justiça, celeridade e igualdade de tratamento para todos os doentes, independentemente da sua situação clínica, condição financeira ou local de residência.

Esta audiência, que conta ainda com a participação do clínico João Fonseca, imunoalergologista e Professor Catedrático, que irá explicar os benefícios destas terapêuticas, marca o seguimento desta carta aberta e uma oportunidade para impulsionar medidas que corrijam as desigualdades no acesso.

 

Associação de Cuidados Paliativos
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) entregou o Prémio Reportagem em cuidados paliativos.

Na categoria imprensa a distinção foi atribuída à reportagem “Há muitas histórias felizes nos paliativos, mesmo daqueles que partem” da autoria da jornalista Cristiana Moreira, do Jornal Público, na categoria televisão à reportagem “Nos paliativos de Leiria é possível viajar através da realidade virtual” da autoria dos jornalistas Ricardo Venâncio e Paulo Fajardo, da SIC, e na categoria rádio à reportagem “Paliativos não são a arte de dar a mãozinha, são ciência” da autoria da jornalista Isabel Pacheco, da Rádio Renascença. A cada um foi atribuído o valor de 500€.

Na categoria rádio foi ainda entregue uma menção honrosa à reportagem “Nós damos muitas altas – cuidados paliativos não se limitam a preparar a morte”, do jornalista André Rodrigues, também da Rádio Renascença.

Os prémios distinguiram também na categoria “estudante universitário” a reportagem “Estética nos cuidados paliativos: o voluntariado que aproxima mulheres” da autoria de Sara de Lima Sousa.

Além dos prémios atribuídos pelo júri foi ainda entregue um prémio votado pelos sócios e equipas de Cuidados Paliativos à reportagem “Paliativos não são a arte de dar a mãozinha, são ciência” da autoria da jornalista Isabel Pacheco, da Rádio Renascença, uma noite alojamento na Herdade da Malhadinha Nova (Baixo Alentejo), oferta da Herdade da Malhadinha.

O Prémio Reportagem em Cuidados Paliativos é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) com o objetivo de incentivar a produção de trabalhos jornalísticos dedicados a esta área, reconhecendo a importância dos meios de comunicação social na promoção da literacia em cuidados de saúde e, muito em particular, no esclarecimento e sensibilização da sociedade para o tema dos cuidados paliativos.

A Associação entende que o estímulo à profusão de peças jornalísticas que mostrem a realidade de pessoas com doença complexa, dos seus familiares e dos profissionais que atuam no âmbito dos Cuidados Paliativos, constitui um importante contributo para a desconstrução de alguns mitos que enevoam o entendimento sobre o que são estes cuidados e qual o seu lugar no SNS.

A avaliação do júri teve por base os seguintes critérios:

 - relevância do tema abordado (adequação e atualidade);

 - qualidade da peça jornalística e profundidade da abordagem (diversidade de fontes utilizadas, informação fidedigna, originalidade e inovação);

 - contributos para o conhecimento/ interesse do ponto vista da literacia em cuidados paliativos (linguagem acessível e clara contributos para a educação e sensibilização do público para o tema; princípios éticos como a não exploração sensacionalista do sofrimento humano).

A cerimónia de entrega da 2ª edição do Prémio teve lugar este fim de semana, no Palácio da Bolsa, no Porto.

A 3.ª edição do Prémio Reportagem em Cuidados Paliativos será lançada em breve e irá abranger peças publicadas entre 01 de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026.

 

Opinião
A trissomia 21, também conhecida como síndrome de Down, é uma doença genética, caracterizada pela ex

A causa desta alteração é desconhecida, mas existem fatores de risco, nomeadamente a idade materna, a existência de uma história familiar desta doença ou de outras anomalias genéticas.

Esta síndrome é caracterizada por características físicas próprias, por graus variáveis de perturbação do funcionamento intelectual e alterações comportamentais. Existe um risco aumentado de algumas complicações médicas ao longo da vida, nomeadamente problemas cardíacos, oftalmológicos, auditivos, ortopédicos e endocrinológicos, como o hipotiroidismo.

A maioria das crianças e adultos com trissomia 21 apresenta uma personalidade alegre e afetuosa, tornando muito fácil o relacionamento.

É fundamental uma intervenção precoce, multidisciplinar, especializada e adaptada às necessidades de cada família. O objetivo é promover o neurodesenvolvimento e a autonomia destes indivíduos e estimular que os mesmos possam desempenhar um papel social relevante na comunidade.

Existem ainda muitos desafios, mas todos nós temos que lutar para garantir um apoio adequado, cuidados de saúde e educação, oportunidades de integração social e profissional e um papel ativo na sociedade.

Atualmente, com todos os avanços no diagnóstico, na prevenção e tratamento de complicações, a esperança de vida na trissomia 21 aumentou muito. Cada pessoa é única e as suas capacidades e o seu percurso de vida não podem ser definidos apenas pela sua condição genética. Celebrar o Dia Mundial da Trissomia 21 é, acima de tudo, reconhecer o valor individual de cada pessoa.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em Lisboa
O Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC-NRS) inaugurou, na passada segunda-feira, o seu novo Centro...

Com a entrada em funcionamento deste centro, a Liga prevê rastrear mais de 10 mil mulheres adicionais por ano já a partir de 2026, aumentando a cobertura do programa, sobretudo junto da população do concelho de Lisboa.

A nova unidade permitirá rastrear cerca de 100 mulheres por dia, reforçando a capacidade de resposta do programa de rastreio na região.

Em 2025, o Programa de Rastreio do Cancro da Mama do Núcleo Regional do Sul rastreou 131.424 mulheres, através das suas 10 unidades móveis.

No âmbito da fase de aferição, que inclui exames complementares após o rastreio, foram realizadas 2.747 consultas, 2.747 mamografias e ecografias mamárias, 969 biópsias e 44 citologias. No total, 769 mulheres foram encaminhadas para centros hospitalares para diagnóstico e tratamento, assegurando a continuidade de cuidados médicos.

O novo espaço integra uma Unidade de Rastreio do Cancro da Mama e um Centro de Leitura e Aferição do Rastreio, permitindo concentrar num único local várias etapas do processo de rastreio, diagnóstico complementar e acompanhamento das utentes e das suas famílias. O espaço onde funciona o novo centro foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito da colaboração institucional com a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

No contexto do rastreio, o centro servirá todas as mulheres elegíveis da área de intervenção do Núcleo Regional do Sul, com especial enfoque nas utentes do concelho de Lisboa.

Para o Eng. Francisco Cavaleiro de Ferreira, Presidente do Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC-NRS), “a abertura deste centro representa um passo muito importante. Passamos agora a dispor de um espaço fixo que permite concentrar num único local várias valências, reforçando a nossa capacidade de resposta na prevenção, no rastreio e no apoio à população”.  Sublinhou ainda que “o rastreio do cancro da mama, operacionalizado pela Liga, “é um verdadeiro programa salva-vidas” e “aquele que melhor funciona em Portugal”.

Atualmente, a Liga Portuguesa Contra o Cancro dispõe de Grupos de Apoio em todas as capitais de distrito, que desenvolvem atividades de prevenção, sensibilização e apoio à comunidade.

“Não temos recursos para chegar a todos, mas temos as pessoas”, afirmou o Presidente da LPCC-NRS, destacando ainda o papel fundamental dos voluntários no trabalho desenvolvido pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Na cerimónia esteve também presente o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Eng. Carlos Moedas, que destacou a importância do trabalho desenvolvido pela LPCC na proximidade com os doentes e famílias. “A Liga Portuguesa Contra o Cancro não só salvou tantas vidas como deu esperança a tantas pessoas. Esta luta é de todos. Podemos mudar tudo no mundo com a inteligência artificial, mas aquilo que vai tornar o mundo verdadeiramente raro é o toque humano”, referiu no seu discurso.

As novas instalações acolhem também o Grupo de Apoio de Lisboa da Liga Portuguesa Contra o Cancro, criado em 2023 para reforçar a presença da instituição na capital e promover iniciativas de prevenção, sensibilização e apoio à comunidade.

Desde então, o grupo tem desenvolvido um trabalho de proximidade com as 24 Juntas de Freguesia de Lisboa, escolas e diversas entidades locais, promovendo ações de sensibilização, campanhas informativas, exposições em espaços públicos, caminhadas e eventos solidários, bem como rastreios de cancro da pele e da cavidade oral.

Numa nova fase, o Grupo de Apoio de Lisboa pretende reforçar o apoio direto ao doente oncológico e às suas famílias, através de acompanhamento social, psicológico e atividades de bem-estar.

 

ULSAS
A ULS Almada-Seixal (ULSAS) tem a funcionar, desde março de 2025, uma consulta de reconciliação terapêutica nos cuidados de...

Pioneira, em Portugal, esta consulta de revisão e reconciliação da medicação é orientada por farmacêuticos hospitalares em abordagem multidisciplinar. Começou a ser implementada na unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) Amora, tendo sido alargada, em novembro de 2025, à UCSP Almada. Distingue-se das demais existentes no País por se destinar a utentes sem médico de família, à partida, mais vulneráveis. Por outro lado, no modelo instituído na ULSAS, o utente vê a sua situação resolvida num único contacto, nesta consulta – a articulação com o médico, sempre que o farmacêutico identifica essa necessidade, é feita na hora e o utente não tem de ir a várias consultas.

A equipa é composta por farmacêuticos hospitalares, residentes farmacêuticas, médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) e um gestor hospitalar. A proposta de intervenção farmacêutica (ajustes de dose, suspensão de fármacos ou pedidos de meios complementares de diagnóstico e terapêutica) é discutida, durante a consulta, com o médico de MGF envolvido no projeto.

Além das funções já descritas, esta consulta visa, ainda, promover hábitos de vida saudáveis e encaminhar doentes prioritários para consulta médica, sempre que se justifique.

Este modelo de consulta tem demonstrado eficácia na otimização da terapêutica, com impacto económico, confirmando o valor de uma intervenção farmacêutica estruturada e direcionada aos utentes de maior risco, e reforçando a importância da integração de cuidados, da descentralização de consultas e do trabalho multidisciplinar.

Na avaliação económica realizada aos 6 meses de projeto na UCSP Amora, concluiu-se que a desprescrição decorrente das intervenções resultou numa poupança anual estimada de 14.628,93€, dos quais 7.808,96€ correspondem à comparticipação do Sistema Nacional de Saúde.

A consulta de reconciliação terapêutica nos cuidados de saúde primários da ULSAS mereceu o prémio de 2.º melhor póster na categoria inovação em farmácia hospitalar, na 5ª edição dos Revolution Poster Awards, e foi distinguida durante as XVIII Jornadas de Farmácia Hospitalar, como melhor projeto submetido às DIFH - Divulgar Iniciativas em Farmácia Hospitalar.

O objetivo passa por alargar este modelo de integração de cuidados a outras unidades de cuidados de saúde primários da ULSAS e implementar a consulta farmacêutica de reconciliação terapêutica na transição de cuidados como prática regular.

 

23 a 25 de março
De 23 a 25 de março, Lisboa recebe pela primeira vez o BIO-Europe Spring 2026, um dos mais prestigiados eventos de negócio na...

Este ano, o evento celebra a 20.ª edição e prevê-se que reúna aproximadamente 4.000 participantes representando mais de 1.500 empresas de mais de 50 países.

A sessão de abertura do evento, na segunda-feira, dia 23, pelas 10h45, conta com a participação de Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; João Rui Ferreira, Secretário de Estado da Economia e Claire Macht, Diretora do Portfolio Europeu do EBD Group - empresa organizadora evento.

Durante os três dias, haverá várias iniciativas, entre elas reuniões de parceria, conferências, palestras e oportunidades de networking que potenciam a criação de alianças estratégicas e o desenvolvimento de novos projetos inovadores. Vários oradores portugueses fazem parte do programa, entre eles António Portela (Bial), João Ribas (Novo Holdings), Nuno Prego Ramos (Valvian), Pedro Noronha Pissarra (Chrysea Labs), Raquel Fortunato (Genibet Biopharmaceuticals) e Ricardo Henriques (Biovance Capital Partners).

A realização do BIO-Europe Spring 2026 em Portugal é o resultado de um esforço conjunto entre a P-BIO, Associação Portuguesa de Bioindústria, que representa e promove o setor da biotecnologia nacional; o Biocant Park, único Parque de Ciência e Tecnologia especializado exclusivamente em Biotecnologia em Portugal; e o CoLAB AccelBio, Laboratório Colaborativo dedicado à aproximação entre a ciência biomédica e o mercado. Estas três entidades constituem a Comissão Organizadora Regional, responsável por trazer este evento internacional para Portugal e coordenar a participação nacional, demonstrando a capacidade e a inovação do ecossistema português de biotecnologia.

No âmbito deste compromisso, a Comissão Organizadora Regional está a coordenar o Stand Nacional de Portugal (National Pavilion Booth #55), um espaço dedicado à apresentação das capacidades e inovações do ecossistema português de Biotecnologia, Biofarmacêutica e Ciências da Vida. O Stand Nacional de Portugal conta com o apoio de um conjunto diversificado de organizações que representam a excelência e a pluralidade do setor nacional, incluindo empresas farmacêuticas e biotecnológicas, instituições de investigação, entidades governamentais e organizações de promoção territorial.

Além das três entidades que constituem a Comissão Organizadora Regional -  P-BIO, Biocant Park e CoLAB AccelBio - o Stand Nacional de Portugal conta com a presença das seguintes organizações: AICEP, AI2 / ANI, , Beat Therapeutics, Bial, Biocant ATT, Bluepharma, CoLAB Trials, LxBio, Rodon Biologics, Stemmatters, Vector B2B, TargTex, Valvian, Taguspark, Unicorn Factory e UP Cávado, além do apoio do Município de Cantanhede, do Município de Lisboa, do Município de Oeiras, do programa Norte 2030, do programa Visit Portugal e da Apifarma.

 

26 a 28 de março | Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel
Entre os dias 26 e 28 de março decorre, em Ílhavo, o 1.º Congresso Internacional de Reabilitação Respiratória. “Aprender uns...

A falta de acessibilidade aos programas é um problema global, não apenas português, daí a aposta na realização de um congresso de âmbito internacional e que reúna todas as disciplinas que trabalham na área da reabilitação respiratória. Pneumologistas, fisiatras, cardiologistas, médicos de Medicina Geral e Familiar, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, fisiologistas do exercício e técnicos cardiopneumologistas são alguns dos profissionais esperados.

Dar mais voz à reabilitação respiratória em Portugal e ajudar a sinalizar este tema junto dos vários stakeholders que têm capacidade para promover mudanças concretas, nomeadamente em termos do aumento da acessibilidade, são também objetivos para este congresso, uma vez que “os hospitais, por si só, não conseguem dar resposta a todas as necessidades. Mesmo em termos de financiamento e de recursos humanos, não é possível que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre os hospitais do Serviço Nacional de Saúde”.

Apesar da pouca acessibilidade, “a reabilitação respiratória é um tratamento não farmacológico fundamental na abordagem das doenças respiratórias”, referem os médicos pneumologistas. Bruno Cabrita e Carlos Figueiredo acrescentam que “atualmente, praticamente qualquer doente com patologia respiratória crónica, e também alguns com patologia aguda, já apresenta evidência de benefício com a reabilitação respiratória. Existem determinadas doenças que reúnem mais evidência e que têm sido muito discutidas ao longo dos últimos anos, nomeadamente a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica), no entanto, hoje em dia, também já existe evidência no cancro do pulmão, nas doenças do interstício pulmonar, nas bronquiectasias, na asma, nas doenças da pleura, entre outras”.

Com todas as vagas disponíveis já esgotadas, os organizadores esperam que o 1.º Congresso Internacional de Reabilitação Respiratória seja “o primeiro passo de um percurso longo. A nossa ambição é que esta se torne uma reunião anual, de excelência, que se mantenha multidisciplinar e com uma forte componente internacional”.

Quanto à escolha dos palestrantes, com uma vasta experiência na área da reabilitação respiratória, vai permitir a partilha de diferentes realidades e, ao mesmo tempo, ambiciona-se que este Congresso “possa também incentivar alguns participantes que ainda não têm programas de reabilitação respiratória a criar novas iniciativas, inspirados pelo que irão aprender e discutir durante o encontro”.

Há ainda uma particularidade deste evento: os eventuais lucros obtidos serão direcionados para a aquisição de equipamento e para o fortalecimento de Unidades de Reabilitação Respiratória. “Já temos identificados quais são os equipamentos necessários para que esses programas possam ser criados ou desenvolvidos e, dessa forma muito prática, aumentar a rede de reabilitação respiratória em Portugal. Acreditamos que é um contributo muito concreto e útil, que poderá deixar uma marca, ainda que pequena, mas que ajudará a ampliar a rede de reabilitação e a apoiar cada vez mais doentes”, concluem Bruno Cabrita e Carlos Figueiredo.

Para mais informação sobre o evento aceda AQUI.

 

Projeto europeu EDENT1FI
O projeto de investigação europeu EDENT1FI, que visa detetar, através de uma picada no dedo, diabetes tipo 1 (DT1) em crianças...

Em Portugal, a iniciativa está a ser implementada pela Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), através da campanha “O seu filho tem um dedo que adivinha”. Ao longo de um ano e meio, a campanha nacional já realizou o rastreio a 12.300 crianças e adolescentes – a meta definida inicialmente para os quatro anos de duração do projeto era de dez mil rastreios em Portugal –, contribuindo de forma significativa para o sucesso global do projeto. Os resultados revelaram que uma em cada 300 crianças rastreadas já está a desenvolver a doença de forma silenciosa.

"Chegar a metade do objetivo europeu é uma notícia fantástica, e em Portugal estamos muito orgulhosos da nossa contribuição através da campanha ‘O seu filho tem um dedo que adivinha’", afirma João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP. "O nome da nossa campanha reflete a simplicidade de um gesto — uma picada no dedo — que pode, literalmente, mudar o futuro da saúde de uma criança. Os 12.300 rastreios feitos em Portugal revelam a consciencialização crescente da população relativamente à diabetes tipo 1, o que nos tem permitido identificar crianças e jovens nos estádios muito iniciais da doença, muito antes de apresentarem sintomas, para que possam ser devidamente acompanhadas", remata.

As crianças identificadas com DT1 em estádio inicial são monitorizadas de perto pela APDP, através do programa de seguimento “EDENT1FI FOLLOW”, onde, ao lado da família, recebem todo o apoio, educação e informação sobre os passos seguintes, garantindo uma entrada segura e controlada na vida com DT1.

A DT 1 é uma doença crónica na qual o sistema imunitário ataca as células produtoras de insulina. O diagnóstico tardio pode levar a emergências médicas potencialmente fatais. Com um simples teste, que requer apenas umas gotas de sangue, é possível detetar os marcadores da doença e intervir atempadamente.

Para mais informações sobre a campanha visite: https://odedoqueadivinha.pt/

Ordem dos Médicos Dentistas
Por ocasião do Dia Mundial da Saúde Oral, no dia 20 de março, os municípios de Valença e Tui, a Ordem dos Médicos Dentistas e...

Sob o tema “Saúde oral ao longo da vida: impacto na saúde sistémica e na sustentabilidade dos sistemas de saúde”, o programa inclui atividades de proximidade dirigidas à comunidade, com o objetivo de promover a literacia e a prevenção em saúde oral.

Entre as iniciativas previstas destaca-se uma ação pedagógica envolvendo cerca de 1000 crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico, que participarão numa sessão de escovagem coletiva orientada por médicos dentistas, acompanhada por dinâmicas educativas destinadas a promover hábitos de higiene oral desde a infância. Em paralelo, decorrerão ações de capacitação de cuidadores em estruturas residenciais para pessoas idosas, conduzidas por médicos dentistas, reforçando competências de promoção e manutenção da saúde oral ao longo da vida.

No período da tarde terá lugar uma conferência dedicada à relação entre saúde oral e sustentabilidade dos sistemas de saúde, reunindo representantes institucionais, académicos e representantes das organizações profissionais do setor. Este momento de reflexão procurará discutir os desafios atuais no acesso aos cuidados de medicina dentária, bem como o papel da prevenção, da literacia e da integração da saúde oral nas políticas públicas como instrumentos fundamentais para garantir sistemas de saúde mais eficientes, equitativos e sustentáveis.

No decorrer da conferência terá lugar a assinatura da Declaração da Eurocidade Tui-Valença: Saúde Oral Sem Fronteiras, um documento que estabelece um conjunto de princípios orientadores que assumem cinco compromissos: integração política e sistémica; cooperação transfronteiriça ativa; prioridade à prevenção e literacia; equidade e acesso universal; e monitorização e sustentabilidade.

Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que as doenças orais afetam cerca de 3,7 mil milhões de pessoas em todo o mundo, um indicador que reforça a urgência de apostar em políticas públicas que promovam a literacia, a prevenção e uma visão integrada destes cuidados ao longo da vida.

Miguel Pavão, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, alerta que “Portugal enfrenta hoje um paradoxo difícil de justificar: milhões de euros investidos, gabinetes equipados mas fechados, profissionais disponíveis mas sem enquadramento no SNS e uma população que continua com dificuldades de acesso a cuidados básicos de saúde oral”.

“O poder local é um parceiro determinante para alavancar a saúde oral. As autarquias, pela sua proximidade às suas populações, podem desempenhar um papel importante na promoção e literacia, no mapeamento de necessidades e na cooperação com o poder central para implementar uma verdadeira política de saúde oral, focada na prevenção e em práticas sustentáveis”, acrescenta.

“A Eurocidade Tui-Valença é, por natureza, um território de cooperação e de proximidade. Este evento demonstra que, mesmo em áreas de elevada complexidade como a saúde, é possível construir respostas conjuntas a partir do território, colocando a prevenção, a literacia e as pessoas no centro das políticas públicas. Com a assinatura da Declaração "Saúde Oral Sem Fronteiras", damos um sinal claro de compromisso com uma comunidade mais saudável, coesa e sorridente.”, afirma José Manuel Carpinteira, Presidente da Câmara Municipal de Valença.

As comemorações do Dia Mundial da Saúde Oral na Eurocidade Tui-Valença procuram reforçar a consciencialização pública para a importância da saúde oral ao longo das diferentes fases de vida. E pretende, igualmente, afirmar este território transfronteiriço como um espaço de cooperação ativa na promoção da saúde e na construção de respostas conjuntas para desafios que ultrapassam fronteiras administrativas e exigem uma abordagem integrada e colaborativa.

 

Só um em cada dez tem diagnóstico médico
45% dos portugueses entre os 18 e os 65 anos sente desconforto intestinal persistente – com sintomas como prisão de ventre,...

Entre as pessoas com problemas intestinais persistentes, 63% lidam com sintomas pelo menos uma vez por semana e 38% já recorreram à urgência hospitalar devido a crises intestinais. A maioria convive com este problema desde muito cedo: em 45% dos casos os primeiros sintomas surgem antes dos 25 anos, e em 30% aparecem ainda na infância ou adolescência.

A pesquisa confirma que o problema não se esgota no desconforto físico. Nas situações de crise, 72% das pessoas sentem que perdem o controlo do corpo ou do estado emocional. Surgem com frequência sintomas de ansiedade, irritação, frustração e desânimo. Quando avaliam o impacto na vida diária, muitos referem efeitos negativos no humor, na autoestima, na relação com a comida, na motivação para fazer planos, no sono, na vida social, no trabalho e na vida amorosa. Para 37% dos Inquiridos, o problema intestinal surge associado a outras doenças, como ansiedade e depressão, doenças endócrinas, respiratórias, hipertensão ou obesidade.

Apesar da intensidade dos sintomas, a ida ao médico costuma acontecer tarde. Entre quem reconhece ter um problema intestinal e decide procurar ajuda, 31% espera mais de um ano antes da primeira consulta, e 12% adia essa decisão mais de cinco anos. As razões mais citadas são a sensação de que não existe risco grave associado ao desconforto e, por isso, acabam por se habituar. Mesmo entre quem procura ajuda especializada, quase metade continua sem resposta clara: dos doentes que entram no sistema de saúde, apenas 52% obtêm um diagnóstico e 44% dos que chegam a esse diagnóstico consideram o caminho difícil ou muito difícil, muitas vezes marcado por exames sucessivos e episódios de desvalorização das queixas.

 

Intestino e saúde mental: uma relação ainda pouco explorada 

A relação entre intestino e saúde mental surge com particular destaque. Quase metade dos inquiridos aponta stress ou ansiedade prolongados como possível origem do problema intestinal e muitos associam fases de maior instabilidade emocional a períodos de agravamento dos sintomas. A maioria reconhece que o estado psicológico influencia o intestino, mas ainda são poucos os que veem o intestino como fator que também pode influenciar o humor, a ansiedade ou a depressão. 

 

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