Liga dos Bombeiros
A Liga dos Bombeiros Portugueses estimou em cerca de 30 milhões de euros as dívidas do Ministério da Saúde às corporações, que...

O Conselho das Federações (órgão consultivo) da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) realizou na noite de sexta-feira, em Coimbra, uma reunião, da qual resultou um documento que “é como uma matriz e um guião para que agora as federações de todo o país, na sua área de jurisdição, vão fazendo um levantamento do que se passa em cada distrito”.

Com este processo pretende-se que seja definida “uma estratégia global” que será apresentada para aprovação ao Conselho Nacional da LBP, em outubro, revelou o presidente da Liga, Jaime Marta Soares.

“Avaliamos uma estratégia que pode culminar com algumas atitudes que não desejamos em relação às dívidas do Ministério da Saúde aos bombeiros portugueses, que ultrapassam os 30 milhões de euros, e há associações de bombeiros que estão em crise financeira com grandes problemas para suprir os seus compromissos”, destacou, salientando que esta situação “pode dificultar a prestação de socorro” às populações.

A Liga pretende chegar a 2019 com um plano estratégico pensado já para cinco anos, “com uma perspetiva dinâmica”, para que se possa ter uma orientação estruturada longo dos tempos.

Assim, referiu Jaime Marta Soares, evitar-se-ia “andar todos anos aos repelões e a procurar inventar e a fazer muitas vezes em cima do joelho aquilo que tem de ser programado à distância entre o Governo as entidades ligadas ao setor e os bombeiros portugueses, que são o principal agente de proteção civil em Portugal”.

“Nós não desejamos entrar em confronto com ninguém, mas também não temos medo, se for necessário, se continuarmos a sentir que somos uns enjeitados do sistema. Não pode haver filhos e enteados e nós não vamos continuar garantidamente em 2019 sem termos bem concretizado tudo aquilo que são as reformas da direção nacional de bombeiros, o comando autónomo dos bombeiros, zonas operacionais, o cartão social do bombeiro - tudo propostas que temos vindo a fazer e que têm sido adiadas ano após ano”, acrescentou.

A Liga propôs ao Governo um investimento de cerca de nove milhões de euros para aquisição de equipamentos especiais dos bombeiros, pretendendo uma “resposta compatível com as necessidades”.

Na reunião foi ainda realizada “uma análise aprofundada dos incêndios deste ano em Portugal”, com mais de 8.550 ignições, com destaque para o incêndio de Monchique.

O Conselho das Federações é um órgão consultivo da LBP. Em outubro decorrerá uma reunião do órgão deliberativo entre Congressos, o Conselho Nacional, que deverá discutir e validar as propostas para negociações com os parceiros.

Grandes Opções do Plano
O Governo quer aumentar, em 2019, as medidas de prevenção de dependências, como o tabaco, a comida ou o álcool, e promover a...

A proposta do Governo sobre as Grandes Opções do Plano para 2019 (GOP), prevê que, no próximo ano, sejam desenvolvidas medidas de prevenção do tabagismo, de alimentação saudável, de promoção da atividade física e de prevenção do consumo de álcool e demais produtos geradores de dependência.

Segundo o documento enviado ao Conselho Económico e Social (CES), a Saúde Pública será valorizada enquanto área de intervenção, pelo que o objetivo passa também por um reforço da vigilância epidemiológica e pela revitalização do Programa de Controlo das Doenças Transmissíveis.

A Estratégia Integrada Para a Promoção da Alimentação Saudável, aprovada em 2017, mantém-se como uma prioridade, sendo garantido o fornecimento de uma “alimentação nutricionalmente adequada” em todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde e disponibilizando, em todos os agrupamentos de saúde, consultas de cessação tabágica e comparticipação de medicamentos para esse efeito.

A resposta dos cuidados de saúde primários deverá ser reforçada, nomeadamente em áreas como a psicologia, a nutrição, a saúde oral, a promoção de literacia em saúde e a prescrição e aconselhamento de atividade física. Será ainda promovido o recurso à telessaúde, sobretudo na área da dermatologia, para “aumentar a proximidade” e os diagnósticos precoces” e “diminuir os tempos de espera”.

O executivo quer ainda implementar integralmente quer os Planos Locais de Saúde, quer o novo Programa Nacional de Vacinação.

Além disso, o plano para 2019 abrange ainda uma ampliação da cobertura do Serviço Nacional de Saúde nas áreas da Saúde Oral e da Saúde Visual.

O envelhecimento ativo continua a ser uma meta do Governo para o próximo ano, pretendendo o executivo que seja feito um plano em colaboração com os municípios, sobretudo nas regiões do país mais desfavorecidas, através de iniciativas legislativas específicas.

Segundo a proposta de GOP, o Governo vai realizar um estudo, em 2019, para avaliar o custo de novos equipamentos de saúde nos hospitais a fim de reforçar “as redes hospitalares metropolitanas e regionais” e garantir “a adequação dos serviços a prestar às populações, de acordo com a sua distribuição pelo território e com as suas necessidades específicas”.

O Governo quer criar novas Unidades de Saúde Familiar em 2019 para garantir que todos os portugueses passem a ter médicos de família.

 

Liga Portuguesa Contra o Cancro
O presidente do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro defendeu que o Governo “pode fazer mais e melhor”...

“O Governo pode fazer mais e melhor, sobretudo em relação à prevenção primária”, afirmou Vítor Veloso, em declarações, a propósito de um encontro de colaboradores do Núcleo Regional do Norte da Liga, que terminou sábado em Viana do Castelo.

Segundo o responsável, na área da prevenção primária, o Governo “devia libertar as verbas orçamentadas e que neste momento não são desbloqueadas”, para dotar os hospitais, sobretudo os do interior do país, “com mais recursos e maquinaria”.

“Praticamente todos os hospitais especializados estão na periferia”, disse, referindo que não entende “que Vila Real tenha um único acelerador [linear], devia ter pelo menos dois [aparelhos para radioterapia] (…)”.

“Ainda há pouco tempo o aparelho avariou (…). Para nós, isso é inconcebível, é um mau planeamento, é um mau serviço que o Estado está a prestar à população e tem de dar mais para os hospitais do interior, e os munir dos recursos adequados”, acrescentou.

O médico referiu que “no litoral está tudo bem, mas a verdade é que nos hospitais do interior [a situação] é diferente” e os doentes oncológicos “têm de se deslocar inutilmente”.

Dotar as unidades hospitalares com os equipamentos necessários “custa dinheiro inicialmente”, mas permitiria ao Estado “economizar muito” a longo prazo, porque “tratar um cancro avançado é terrivelmente mais caro do que tratar um [em fase] inicial”, afirmou.

Esta é também uma questão de “diminuição da mortalidade”, disse, exemplificado que, no Norte, o rastreio ao cancro da mama permitiu diminuir a mortalidade em 25%.

Vítor Veloso defendeu também que o Governo deveria “interferir diretamente, publicar leis muito mais agressivas”, para travar ‘lobbies’ que diz existirem.

“As companhias de seguro, os bancos e os empregadores não podem só receber lucros, têm também de ter um papel social importante neste tipo de doente”, sublinhou.

Segundo o responsável, os “‘lobbies’ existentes” estão “todos os dias a ignorar e a calcar os direitos [dos doentes oncológicos] que estão preconizados em lei” e muitas vezes só através de apoio jurídico dado pela Liga esses direitos são alcançados.

Sobre o encontro de colaboradores em Viana do Castelo, Vítor Veloso afirmou que, além do debate sobre como será possível combater “as grandes barreiras” que existem para assim “ajudar mais os doentes e estar mais próximo dos doentes”, foi também abordada a necessidade de como “fazer com que a Liga continue a ser a organização não-governamental com maior notoriedade”.

“Não somos só Liga do Instituto Português de Oncologia (IPO), somos Liga para todos os doentes oncológicos do país. Queremos disseminar os princípios da prevenção primária e sabemos que os panfletos já não têm o peso que tinham”, referiu, acrescentando ser preciso outro tipo de marketing e entrar mais nas redes sociais, para assim chegar a todos e passar a mensagem da importância em “apostar na prevenção primária e nos diagnósticos precoces”.

Secretário de Estado da Saúde
Quase dois terços das cirurgias realizadas em Portugal já são feitas em ambulatório, um procedimento que quase triplicou nos...

“Portugal conseguiu uma pequena revolução na cirurgia ambulatória. Nós tínhamos os números mais baixos do ponto de vista europeu e num curto espaço de tempo conseguimos dar um enorme salto e o relatório da OCDE ‘Health at a Glance’, que vai sair dentro de pouco tempo, vai demonstrar isso”, disse o secretário de Estado e da Saúde, Fernando Araújo.

Dados do último Relatório de Acesso a Cuidados de Saúde referem que em 2010 a cirurgia ambulatória representava 49,4% do total das cirurgias programadas, número que subiu para 63,2% no final de 2017.

“A tendência de crescimento da atividade programada que se registou em 2017 (587.283 cirurgias) foi acompanhada por um movimento de transferência de cirurgias convencionais para cirurgias de ambulatório (mais 6%, o correspondente a mais de 370 mil intervenções cirúrgicas em ambulatório)”, sublinha o documento.

Há dez anos, apenas um em cada quatro doentes era operado em regime de ambulatório, números muito inferiores já na altura ao resto da Europa, observou Fernando Araújo, que falava a propósito dos 20 anos da Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória (APCA), que organizou sábado, no Porto, uma sessão comemorativa de homenagem aos que mais se destacaram nesta área nas últimas duas décadas em Portugal.

Agora, depois de ter passado para o grupo intermédio de resposta, ao lado da França e da Bélgica e da Espanha, com os últimos dados de 2017, Portugal está “seguramente a caminhar para o grupo de elevada resposta”, adiantou, salientando que foi ainda dos países que mais cresceu, por ano, na última década na Europa.

Segundo dados avançados pelo governante, a taxa de cirurgia ambulatória programada às cataratas subiu de 59,04% em 2005, para 99,05% em 2018, a das varizes de 17,83% para 88,97% e a das hérnias de 21,74% para 65,71%.

Já a taxa de cirurgia ambulatória programada da amigdalectomia cresceu de 20,49% em 2005 para 63,70% em 2018, e a taxa de cirurgia ambulatória à vesícula passou de 2,51% para 29,97%.

“São números que nos podem orgulhar, mas são números que ainda podemos melhorar mais, por isso foi nomeada uma nova comissão para avaliar questões que ainda possam ser alteradas, porque apesar de termos números muito bons, ainda há uma percentagem que podemos subir”, frisou.

O objetivo é que Portugal evolua 10 pontos percentuais e se junte aos países que têm as “metas mais elevadas”, cerca de 75%.

Para Fernando Araújo, esta “pequena revolução”, de quase triplicar o valor que existia há 15 anos, “foi fruto, seguramente, do grande envolvimento dos profissionais de saúde”.

A “grande vitória” é dos “médicos e enfermeiros” que, com o seu envolvimento e motivação, “conseguirem mostrar que era possível e conseguiram tranquilizar e trazer os doentes para o processo”.

Contactado, o presidente da APCA, Carlos Magalhães, saudou os resultados alcançados por Portugal, salientando o facto de todos os hospitais fazerem cirurgia em ambulatório e de todas as especialidades cirúrgicas terem este procedimento.

Para Carlos Magalhães, este procedimento “traz vantagens para todos”, para os pacientes, para os cuidadores, para os médicos e para o SNS.

Entre as vantagens, apontou a recuperação das listas de espera para cirurgia, a libertação de camas para internamento de doentes mais complexos, a diminuição da taxa de infeção hospitalar, além de ser economicamente “mais rentável” para o SNS.

Infarmed
A Autoridade do Medicamento quer que os hospitais e centros de saúde tenham uma linha direta para os doentes de Parkinson...

A presidente do Infarmed disse que vão ser contactadas as unidades do Serviço Nacional de Saúde para “poder haver uma linha direta”, para que os doentes possam contactar os seus médicos, com a finalidade de esclarecer sobre alternativas ao medicamento Sinemet, que está em rutura de ‘stock’.

No final de uma reunião com laboratórios, sociedades científicas e representantes dos doentes, Maria do Céu Machado disse aos jornalistas que o centro de contacto SNS 24 está também preparado para esclarecer dúvidas aos doentes.

Nos dias úteis das 9:00 às 17:00, os doentes que ligarem para a linha Saúde 24 com dúvidas ligadas ao medicamento Sinemet serão encaminhados diretamente para um profissional do Infarmed. Nos outros horários, o próprio centro de contacto SNS 24 “tem informação de modo a tirar dúvidas aos doentes”.

Sobre a rutura de ‘stock’ do Sinemet, a presidente do Infarmed garantiu que não haverá falta de medicamentos para os doentes portugueses, estando a ser encontradas alternativas com outros laboratórios.

“Isto não é a mesma coisa que um antibiótico. Não pode haver falha. Para alguns doentes, a vida deles depende deste medicamento, afirmou.

Contudo, a Autoridade do Medicamento apela a que os doentes não iniciem corridas às farmácias para comprar mais medicação do que aquilo que necessitam.

A este propósito, o Infarmed vai contactar as associações de farmácias e os distribuidores para que monitorizem eventuais situações de pedidos de embalagens em grande quantidade, para que apenas sejam vendidas as necessárias.

Aliás, as associações de doentes vão também fazer um apelo junto dos seus associados para que não haja uma compra exagerada de embalagens do medicamento. Os representantes dos doentes vão ainda apelar junto das famílias para que dispensem embalagens excedentárias que possam ser utilizadas por doentes sem acesso a medicação.

Também as sociedades científicas ligadas a estes doentes e aos clínicos que os acompanham vão apelar aos médicos para que façam uma prescrição criteriosa, seja em termos de indicações terapêuticas, seja em número de embalagens, para garantir que são tratados todos os doentes.

A rutura por parte da empresa que produz o Sinemet está relacionada com um “problema de fabrico”, que a própria empresa não explicou ao Infarmed, e que afeta 45 países, incluindo Estados Unidos e Canadá.

A empresa não adiantou ao próprio Infarmed qual o problema concreto de fabrico. Um representante da empresa – MSD –,presente na reunião com a Autoridade do Medicamento, disse aos jornalistas que também não foi comunicado à empresa em Portugal qual o problema concreto ao nível de fabrico.

As quatro empresas que estiveram presentes na reunião comprometeram-se a encontrar soluções para o abastecimento do mercado. Uma das empresas, que já tem um medicamento em comercialização no mercado, comprometeu-se a aumentar a produção desta alternativa ao Sinemet. Outras duas empresas vão avaliar a possibilidade de importar embalagens de medicamentos de outros mercados.

Câmara de Gaia
A Câmara de Vila Nova de Gaia vai alargar a distribuição de fruta e produtos hortícolas como complemento dos lanches às...

Atualmente, o programa está implementado nos estabelecimentos de 1.º Ciclo, mas somar-se-ão 3.000 alunos de pré-escolar, num total de 15.000 crianças.

No total, a medida custa 900 mil euros, sendo comparticipada em 50% pela União Europeia, ou seja, cabe à Câmara de Gaia, distrito do Porto, pagar 450 mil euros.

O fornecimento de fruta e outros produtos como o tomate ou a cenoura para acompanhamento dos lanches tem como objetivo, descreveu o presidente da câmara à agência Lusa, "promover uma intervenção pedagógica no sentido da valorização das boas práticas alimentares".

O autarca também frisou que estas "não são medidas isoladas", sendo "o culminar do trabalho realizado para aderir ao pacto de Milão, um consórcio de municípios que à escala europeia definem um conjunto de boas práticas na área da alimentação nas escolas".

"Esta medida, a da fruta, soma-se a outras como a uniformização dos lanches escolares ou a introdução de peixe fresco uma vez por semana nas escolas. São etapas que vamos cumprindo de um programa articulado para justificar a adesão ao pacto de Milão", disse o presidente da câmara.

Outra das propostas que será discutida segunda-feira prende-se com um protocolo a celebrar entre a câmara e a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) que na prática significa a adesão de Gaia ao projeto-piloto do Governo de colocar a saúde oral nos Cuidados de Saúde Primários.

"A medida faz muito sentido porque a área talvez mais inacessível, quer nos hospitais quer nos centros de saúde, é a da medicina dentária. O que o Ministério [da Saúde] faz é criar um protocolo de parceria com os municípios, cabendo-lhe fornecer os recursos humanos, enquanto as câmaras pagam a cadeira e os consumíveis", descreveu Eduardo Vítor Rodrigues.

O autarca avançou que Gaia vai solicitar a implementação do programa em dois centros de saúde a definir pela ARS-Norte, mas, garantiu Vítor Rodrigues, o acesso será generalizado a todos os cidadãos do concelho.

"É uma enorme mais valia para a comunidade", disse o presidente da câmara sobre um projeto que deverá custar, por sala (cadeira e consumíveis), cerca de 50 mil euros às autarquias.

Infarmed garante
A autoridade do medicamento garantiu na semana passada que não haverá faltas de medicação para a doença de Parkinson em...

O conselho diretivo do Infarmed esteve reunido na sexta-feira com laboratórios, sociedades científicas e representantes de doentes para avaliar alternativas terapêuticas ao medicamento Sinemet, que está em rutura de ‘stock’.

Em conferência de imprensa no final da reunião, a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, manifestou-se convicta de que não vai haver falhas no acesso à medicação, lembrando que se trata de um medicamento do qual depende muitas vezes a vida dos doentes.

O Infarmed apelou aos doentes para que não façam “uma corrida às farmácias”, para criarem “stocks individuais” deste medicamento, lançando também aos médicos um apelo para que não haja prescrição exagerada.

“Podemos comprometer-nos que não vai falhar o medicamento a nenhum dos doentes”, afirmou Maria do Céu Machado, indicando que o assunto está a ser tratado com “enorme preocupação” pela Autoridade do Medicamento.

A presidente do Infarmed lembrou que “a interrupção do tratamento pode ser ainda mais grave do que a própria doença”, garantindo assim que não haverá falhas de tratamento em Portugal.

A rutura por parte da empresa que produz o Sinemet está relacionada com um “problema de fabrico”, que a própria empresa não explicou ao Infarmed, e que afeta 45 países, incluindo Estados Unidos e Canadá.

Quanto à dimensão da rutura do medicamento, a presidente do Infarmed estimou que antes do final do primeiro trimestre do próximo ano “o problema poderá não estar resolvido”.

Na reuniãoestiveram quatro empresas farmacêuticas, incluindo um representante da empresa MSD em Portugal, que comercializa o medicamento Sinemet.

Há dois medicamentos atualmente comercializados em Portugal para o Parkinson, sendo que o Sinemet atingia até agora 80% da quota do mercado, o que corresponde a mais de 600 mil embalagens por ano.

De acordo com Maria do Céu Machado, um dos laboratórios que já comercializa um medicamento em Portugal, mas com uma pequena quota de mercado, irá fazer “um esforço para aumentar essa quota”, tentando pelo menos triplicá-la.

Duas outras empresas farmacêuticas têm um medicamento semelhante registado, mas não comercializado em Portugal, que é vendido noutros países europeus. Estes laboratórios comprometeram-se a “fazer um esforço” para comercializar em Portugal o medicamento.

“Até fim de outubro, se formos todos conscienciosos, prescritores e doentes, não vamos ter rutura nenhuma. E até ao fim do ano supomos que haja comercialização de outras moléculas. Gostaria de assumir que este processo que estamos a desencadear leva a que não haja uma rutura”, afirmou a presidente do Infarmed.

Maria do Céu Machado lembrou que a Autoridade do Medicamento, enquanto organismo regulador, tem instrumentos “para conseguir que não haja rutura”, nomeadamente obrigando a que empresas com medicamento registado, mas que não o comercializam em Portugal, passem a comercializá-lo “por questões de interesse de saúde pública”.

Dia do Serviço Nacional da Saúde assinala-se a 15 de setembro
Um estudo realizado pela Universidade Nova de Lisboa revela que dos mais de dois milhões de portugueses com algum tipo de...

“Em Portugal, muitas pessoas mais velhas vivem com perda de visão evitável, causadas por erro de refração e catarata. Ambas as condições podiam ser diagnosticadas atempadamente por um simples exame ocular, realizado pelo optometrista. No entanto, no nosso país, ainda não existem cuidados de saúde primários, ao nível do Serviço Nacional da Saúde, acessíveis a toda a população”, refere Raúl Sousa, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO).

De acordo com os dados recolhidos pelos investigadores da Universidade Nova, “as perdas associadas à cegueira variam entre 74 e 185 milhões de euros. Por sua vez, a redução de produtividade associada à perda moderada e grave da visão varia entre 130 e os 555 milhões de euros”.

Mais de dois milhões de portugueses são atingidos por dificuldades em ver, sendo as mulheres as mais afetadas (27,5%) que os homens. A percentagem de pessoas com dificuldades em ver aumenta com a idade: cerca de 9% até aos 34 anos, 14% entre 35 e 44 anos, 30 a 32% entre os 45 e 74 anos, e superior a 40% para idades mais avançadas. Estima-se que entre os adultos com mais de 50 anos, cerca de 42 mil sofram de cegueira e mais de 260 mil sofram de perda da visão moderada e grave na população.

As conclusões são do estudo Saúde da Visão – Impacto Socioeconómico, conduzido pela Universidade Nova de Lisboa.

 

 

 

 

 

Recomendações
As crianças pequenas não sabem avaliar o perigo.
Bebé perto de frascos de detergente

Objectos perigosos

As crianças pequenas não têm capacidade para avaliar o perigo, pelo que qualquer objecto que encontram em casa pode transformar-se num brinquedo muito interessante.

Botões, tampas e rolhas de garrafas, moedas, pregos pequenos, parafusos e até brinquedos com peças demasiado pequenas são uma atracção irresistível para crianças até aos 3 anos, que gostam de levar tudo à boca. Mas consistem um grande perigo, pois as crianças podem engasgar-se e até sufocar.

Causas dos acidentes domésticos

Sabia, por exemplo, que as quedas são a principal causa de acidentes domésticos com crianças? Seguem-se os cortes, as queimaduras e as intoxicações.

Atitudes que podem salvar

Não se limite a proibir as crianças de fazerem isto ou aquilo; deve procurar ensiná-las e alertá-las para os riscos que certos actos envolvem, para que elas possam desenvolver a noção do que é o perigo e do que são comportamentos perigosos. Mesmo quando as crianças são pequenas e a explicação requer muita paciência.

E, sobretudo, dê o exemplo: as crianças imitam os adultos.

Sempre que necessário, explique à criança porque é que as suas acções lhe são permitidas a si e a ela não, apontando razões de idade, capacidade, responsabilidade, segurança, etc.

Cuidados com medicamentos

  • Todos os medicamentos devem ser guardados fora do alcance das crianças, em lugares altos e, de preferência, em armários ou caixas bem fechadas;
  • Não tome, nem dê medicamentos sem prescrição ou orientação médica;
  • Não deixe os seus medicamentos ao alcance das crianças e, de preferência, não os tome à frente delas, pois estas tendem a imitá-lo;
  • Não use remédios cujo prazo de validade já expirou ou cujas embalagens estão deterioradas. Junte-os e entregue-os na farmácia mais próxima.

Cuidados com escadas

  • As escadas devem ter um corrimão de apoio e o piso não deve ser liso (escorregadio);
  • Se tem crianças pequenas, principalmente se estão na fase de gatinhar ou a começar a andar, coloque protecções e barreiras (portões) em todos os acessos da casa às escadas;
  • Não se esqueça de fechar as protecções e barreiras dos acessos às escadas depois de passar. Um portão mal fechado é como se não existisse.

Cuidados com janelas e varandas

Coloque grades ou redes de protecção em todas as janelas e varandas. São as únicas formas de evitar acidentes graves em apartamentos. Uma porta ou uma janela aberta representam um grande perigo. Há muitas quedas de crianças em consequência de janelas e portas abertas.

Cuidados com piscinas, lagos, lagoas e até na praia

  • Nunca deixe a criança sozinha perto de uma piscina, mesmo que esta seja própria para ela;
  • Nunca deixe uma criança sozinha na piscina, seja em que circunstância for. Muitos afogamentos de crianças até aos 4 anos ocorrem porque os adultos se ausentam por “um minuto”, para atender o telefone, ir buscar o lanche, etc.
  • Esteja atento às brincadeiras das crianças na água;
  • Coloque braçadeiras ou coletes às crianças que não sabem nadar, mesmo quando elas estão a brincar ao pé da piscina. Se escorregarem e caírem para dentro da água estarão mais protegidas;
  • Se tem piscina em casa, coloque uma vedação ou tela de protecção à volta, de forma a impedir que a criança tenha acesso à água.

Cuidados na cozinha 

  • Não deixe crianças sozinhas na cozinha;
  • Guarde facas e objectos cortantes em locais pouco acessíveis;
  • Não deixe tachos e panelas ao lume sem ninguém na cozinha e tenha especial cuidado com líquidos quentes, como sopa ou água a ferver, já que queimaduras com líquidos quentes são frequentes em crianças;
  • Não deixe os bicos do fogão ligados quando acaba de cozinhar;
  • Vire os cabos das frigideiras para o interior do fogão, para evitar que as crianças tentem pegar-lhes;
  • Pode remover os botões do fogão quando este não estiver em uso;
  • Guarde bem os fósforos, pois as crianças não têm medo do fogo e certas brincadeiras podem provocar incêndios;
  • Torradeiras, bules, garrafas térmicas e outros equipamentos devem ser mantidos fora do alcance das crianças;
  • Cuidado ao utilizar panelas de pressão. Cumpra sempre as indicações do fabricante;
  • Tenha cuidado na utilização do gás no fogão. Acenda o fósforo antes de abrir o gás. Se o seu fogão tiver acendedor eléctrico, acenda primeiro o gás, no mínimo, e só então accione o acendedor;
  • Quando acender o forno, coloque-se de lado e não em frente do fogão;
  • Use apenas toalhas, aventais e panos de tecidos naturais. Evite usar roupa de tecidos sintéticos e aventais de plástico quando está a cozinhar;
  • Na utilização do microondas não cubra alimentos com papéis metalizados nem coloque, no seu interior, louças com decoração prateada ou dourados (causam faíscas).

Cuidados com produtos de limpeza e outros produtos tóxicos

  • Seja na cozinha, dispensa ou em qualquer outra divisão da casa ou no jardim, guarde estes produtos em locais inacessíveis a crianças e a animais;
  • Há fechos e protectores (inclusive cadeados) que impedem a abertura de armários e gavetas da cozinha ou de outros locais;
  • São produtos tóxicos, muitas vezes até inflamáveis e, a sua ingestão ou inalação pode ter consequências graves ou até fatais;
  • Nunca coloque detergentes, lixívia, insecticidas ou pesticidas em garrafas de água de plástico já usadas, porque as crianças podem ingerir o produto pensando ser água, resultando num acidente com grande gravidade.

Cuidados com electricidade e tomadas

  • Se possível, todas as tomadas devem ter ligação terra;
  • Instale protectores adequados em todas as tomadas da casa, para evitar choques eléctricos;
  • Esteja sempre alerta, pois uma tomada tem uma atracção especial para as crianças que estão na fase de gatinhar ou até um pouco mais crescidas, parecendo os locais ideais para tentarem enfiar os dedos e os mais variados objectos.

Cuidados com objectos pontiagudos ou cortantes

Facas, tesouras, chaves-de-fendas e outros objectos perfuradores nunca devem ser dados às crianças para elas brincarem. Mantenha esses objectos em locais fechados e a que a criança não tenha acesso.

Cuidados com a tábua e o ferro de engomar

  • Nunca deixe o ferro ligado com o fio desenrolado e ao alcance das crianças. Além da alta temperatura, é perigoso pelo seu peso e pela ligação à electricidade;
  • Evite o uso de tábuas de passar roupa que possam ser puxadas para baixo.

Cuidados com armas

  • Não tenha armas em casa. Se tiver, arrume-as ou guarde-as longe do alcance das crianças;
  • Nunca tenha as armas carregadas em casa;
  • Nunca deixe as munições junto à arma. Guarde-as em local seguro e inacessível às crianças.

Outros riscos

  • Nunca deixe bebidas alcoólicas ao alcance de crianças;
  • Procure ajuda médica, se o seu filho engolir uma substância não alimentar;
  • Anote os números dos telefones do seu pediatra, do hospital, dos centros de envenenamento e de outros centros de ajuda em local bem visível (por exemplo, ao pé do telefone);
  • Leia atentamente os rótulos das embalagens antes de usar qualquer produto;
  • Ensine as crianças a não aceitarem bebidas, comida, doces que lhes sejam oferecidos por adultos que não conhecem;
  • Não deixe que crianças com idade inferior a 10 anos andem sozinhas de elevador.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Entrevista
Prurido intenso, sensação de ardor, perturbação do sono e irritabilidade são os principais sintomas

O que é a Dermatite Atópica e qual o seu impacto na vida dos doentes?

A Dermatite Atópica, também conhecida como Eczema Atópico, é a doença inflamatória crónica cutânea mais comum e é caracterizada por uma pele muito seca que apresenta frequentemente inflamação e um intenso prurido. Quando persiste no adulto tende a ser mais grave.

Quais as causas desta doença inflamatória? E qual a faixa etária mais afetada?

A dermatite atópica parece resultar da interação de fatores genéticos (muitos doentes quando nascem já estão predispostos para ter uma pele mais frágil e sensível, com tendência a desenvolver reações exageradas contra compostos inócuos do meio ambiente- a alergia) e ambientais (exposição a poluição atmosférica, fumo de tabaco, menos exposição aos microrganismos protetores que existem no solo das áreas verdes e rurais).

Pode afetar todas as idades, mas o início da doença é mais frequente no grupo etário abaixo dos 5 anos de idade. A prevalência da Dermatite Atópica na população em geral estima-se que seja de 2-5%, e cerca de 15% nas crianças e adolescentes.

Existe justificação para o facto de esta doença atingir sobretudo crianças?

Pensa-se que poderá estar relacionada com maior imaturidade da pele nesta faixa etária, produzindo menos substâncias que a impermeabilizam, permitindo um contacto precoce com alérgenos e bactérias invasoras que promovem a inflamação

Qual a sua relação com outras patologias como a asma?

A DA é habitualmente a primeira manifestação de doença alérgica precedendo o aparecimento de rinite ou asma alérgicas.

Quais os principais sintomas e complicações da Dermatite Atópica?

Prurido intenso, sensação de ardor, perturbação do sono, irritabilidade, perturbação da imagem social, perturbação da qualidade de vida podendo nos casos mais graves condicionar sentimentos depressivos e de ansiedade.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clinico-manifestações cutâneas sugestivas em localizações típicas e que variam de acordo com a idade: no lactente as lesões cutâneas atingem a face, tronco e abdómen, na criança e adolescente as pregas cutâneas nos braços e atrás dos joelhos, atrás das orelhas e dobra do pescoço, no adulto as mãos, nuca, também as pregas podendo ser generalizadas. A comprovação de atopia ou alergia com a realização de testes cutâneos alergológicos e outras manifestações como rinite, asma ou alergia alimentar também apoiam o diagnóstico. É importante fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças de pele como a psoríase ou dermatite seborreica.

Qual o seu tratamento? Quais as opções terapêuticas disponíveis?

Em primeiro lugar fomentar a restauração da barreira cutânea com cremes específicos, em segundo lugar a utilização de cremes com corticoides e outros compostos semelhantes que têm por objetivo desinflamar a pele. Nos casos mais graves é necessária medicação mais abrangente (sistémica) sob a forma de comprimidos imunosupressores.

Recentemente têm surgido novos medicamentos de utilização apenas hospitalar que parecem ser promissores porque poderão atuar de forma mais específica na desregulação do sistema imunológico que caracteriza a dermatite atópica. 

A Dermatite Atópica pode ser prevenida?

Pensa-se que a aplicação de cremes protetores da barreira cutânea possa prevenir o desenvolvimento da dermatite atópica em crianças de risco (história familiar de doença alérgica significativa) mas é um conceito ainda em estudo. A menor exposição a poluição atmosférica, fumo de tabaco, e a maior exposição aos microrganismos protetores que existem no solo das áreas verdes e rurais parece se protetora para o desenvolvimento das doenças alérgicas em geral e também da dermatite atópica.

Por que motivo esta doença continua a ser subvalorizada?

Porque até há bem pouco a sua fisiopatologia era pouco conhecida, por outro lado era menos frequente e menos grave. Com o aumento significativo das doenças alérgicas nos países em vias de desenvolvimento a dermatite atópica passou a ser vista não apenas como uma doença cutânea, mas parte de uma processo mais abrangente conhecido como a marcha alérgica. 

Que mensagem importa reforçar quanto a esta matéria?

A Dermatite atópica pode ter um impacto significativo na qualidade dos doentes e suas famílias e por isso não deve ser subvalorizada. Devido à importância que a alergia pode desempenhar na Dermatite Atópica, é indispensável que seja feito um diagnóstico preciso e que haja seguimento por um médico especialista nesta área.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Debater e delinear estratégias
Lisboa vai debater questões relacionadas com a saúde mental, num evento que terá lugar no Fórum Lisboa, nos dias 26 e 27 de...

Segundo uma nota enviada à agência Lusa, o 1.º Fórum de Saúde Mental, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa, através do pelouro da Educação e dos Direitos Sociais, pretende “não só congregar o maior número de especialistas possível, com o máximo de multidisciplinaridade, como de decisores políticos e jornalistas, no sentido de fazer um exame crítico ao estado atual das políticas públicas de saúde na área da saúde mental e, com base nisso, ter sustentação para se desenharem possíveis planos de ação”.

Citado no comunicado, o vereador Manuel Grilo (BE), que substituiu Ricardo Robles no executivo da Câmara Municipal, afirma que o evento visa “dar visibilidade a este tema, que tem sido esquecido, convocando a comunidade para debater, delinear estratégias conjuntas com os vários parceiros, contribuindo ativamente para a implementação do Plano Nacional de Saúde Mental”.

O autarca acrescenta que “o município, dentro das suas competências locais, pretende dar o mote para o desenvolvimento e apoio de medidas na área da saúde mental na capital, a divulgar no encerramento do Fórum”.

A sala permite albergar um total de 700 pessoas, sendo que o evento já conta com 500 inscrições.

 

São precisos mais profissionais
O professor catedrático da Universidade do Porto Félix Carvalho é o primeiro português a presidir à federação EUROTOX de...

Em declarações à Lusa, o mais recente presidente da Federação dos Toxicologistas Europeus e das Sociedades Europeias de Toxicologia (EUROTOX) afirmou serem necessárias, tanto em Portugal como nos restantes países europeus, formações e cursos da área de toxicologia, isto porque “são muito bons, mas poucos” os peritos que atualmente existem no nosso país.

“Em Portugal existem faculdades que ensinam toxicologia, mas apenas como unidades curriculares, não há propriamente uma formação de toxicologistas. Não basta a frequência destas unidades curriculares é necessária a frequência em cursos especializados, em que no final o investigador esteja em condições de ser considerado perito. Faltam-nos muitos peritos nesta área em Portugal”, contou o professor da Faculdade de Farmácia.

Depois de ter exercido funções como Secretário Geral, entre 2012 e 2018, o professor catedrático foi eleito o primeiro português presidente da sociedade, durante o 54.º Congresso da EUROTOX, que decorreu em Bruxelas, de 02 a 05 de setembro.

Segundo Félix Carvalho, esta nomeação vai permitir “ter uma voz mais ativa junto das universidades” relativamente a questões “fundamentais” como a segurança dos alimentos, dos medicamentos e dos agentes químicos que diariamente são colocados no mercado.

“Precisamos de ter pessoas com conhecimento de causa, e para isso é necessário aumentarmos a educação em toxicologia”, frisou.

Para Félix Carvalho, “os constantes desafios” que se colocam aos especialistas com os novos compostos que são postos à venda no mercado, estão a tornar a toxicologia “cada vez mais necessária”.

“A toxicologia terá sempre um papel fundamental que é o de assegurar a promoção da segurança do homem, dos animais e do ambiente, isto é, da saúde global”, acrescentou o professor catedrático da Universidade do Porto.

 

Setor privado está a influenciar os consumidores
Os produtos saudáveis estão “a perder a guerra para serem apetecíveis”, em comparação com os produtos de má qualidade que...

O diretor executivo da Aliança Mundial para Melhorar a Nutrição (GAIN, na sigla em inglês) falava numa conferência em Roma.

Haddad considerou que o setor privado está a influenciar os consumidores com mensagens que pretendem criar aspirações e emoções a partir do consumo de produtos não saudáveis, enquanto o setor público não convence de igual forma sobre a necessidade de uma boa alimentação.

Comparou os mil milhões de dólares que investiram em publicidade, em 2016, as multinacionais norte-americanas Hershey (de chocolate) e General Mills (cereais, gelados e outros), com apenas 50 milhões destinados dois anos antes à ajuda global para fomentar dietas que previnam doenças não transmissíveis.

O perito recomendou aos governos para “criarem apelo para alimentos nutritivos” e procurarem sócios privados que colaborem na luta contra a má nutrição.

Estima-se que uma em cada três pessoas no mundo sofre de diferentes formas de má nutrição – fome aguda, carência de micronutrientes, excesso de peso e obesidade – e que, se nada for feito, poderá ser afetada uma em cada duas pessoas em 2030.

O facto de as “dietas pobres” contribuem para seis dos 10 principais fatores de doença na Índia e para cinco em Itália mostra que têm um impacto semelhante na maioria dos países.

Em todos esses casos, o denominador comum é “o consumo inadequado de alimentos”, apontou Haddad, sublinhando que as empresas “são parte do problema, mas também da solução”, pelo que há que dialogar com estas para alterarem o modelo de negócio e sejam mais responsáveis.

Segundo informação da fundação Acesso à Nutrição, dos mais de 20.000 produtos analisados nas 22 maiores companhias de alimentos e bebidas do mundo, 32% foram catalogados como “sãos”, apesar de apenas 14% cumprirem padrões internacionais para venda a menores.

“O ambiente dos sistemas alimentares não está a facilitar-nos na hora de tomar decisões inteligentes” em matéria de dieta, disse Haddad, reclamando uma alteração das normas sobre as etiquetas, impostos ou ementas escolares considerando “o que funciona”.

Citou estudos de acordo com os quais o consumo diário de cinco peças de fruta e verdura custa até 52% das despesas da casa em alguns países, no meio de uma tendência de encarecimento desses alimentos e de embaratecimento dos que contêm alto teor de gordura e açucares.

Cirurgia inédita
O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) realizou o seu primeiro implante auditivo osteointegrado, que permite uma...

"Este tipo de implantes vem suprimir necessidades, sobretudo na área pediátrica, permitindo solucionar casos de surdez causada por malformações ou infeções crónicas do ouvido externo e médio", explicou o diretor do Serviço de Otorrinolaringologia, Luís Filipe Silva, citado num comunicado do CHUC enviado à agência Lusa.

A intervenção permite manter o ouvido interno e o nervo auditivo, sendo utilizada em doentes que não possuem surdez profunda causada por anomalias do ouvido interno.

O primeiro implante foi colocado hoje numa intervenção realizada no Hospital Pediátrico.

"O Serviço de Otorrinolaringologia do CHUC prossegue o objetivo estratégico de responder a todo o tipo de implantes auditivos, beneficiando da experiência de uma equipa com mais de 30 anos de prática no campo dos implantes cocleares", salienta o comunicado.

O CHUC já realizou mais de mil implantes cocleares para os casos de surdez profunda, que se fazem em Coimbra desde 1985.

 

Resistência antimicrobiana
O Parlamento Europeu (PE) apelou à redução do consumo de antibióticos na União Europeia, de modo a limitar o desenvolvimento de...

Com uma larga maioria de 589 votos a favor, e apenas 12 contra, os eurodeputados, reunidos em sessão plenária em Estrasburgo (França), aprovaram um texto não vinculativo que insta a Comissão Europeia e o Conselho Europeu (Estados-membros) a “limitar a venda de antibióticos por parte dos profissionais de saúde […], e a suprimir toda a incitação – financeira ou de outro tipo – à prescrição de antibióticos”.

O documento recomenda a difusão de mensagens de sensibilização para “promover uma mudança de atitude que conduza a uma utilização responsável dos antibióticos”, e para “encorajar os pacientes […] a respeitar as recomendações prescritas pelos profissionais médicos”.

O PE considera ainda que as instâncias comunitárias devem intensificar os esforços para melhor recolher e transmitir dados de casos de resistência aos antibióticos e que devem criar incentivos para a investigação de novas substâncias alternativas.

“Se nada for feito, a resistência antimicrobiana pode causar mais mortes do que o cancro, de agora a 2050”, preconiza a relatora do texto, a eurodeputada austríaca Karin Kadenbach, que pede uma abordagem “holística” da saúde humana e animal.

A resistência aos antibióticos, causada principalmente pelo uso excessivo em humanos e animais, é responsável por cerca de 25.000 mortes anuais na União Europeia, de acordo com o PE.

 

Estado do tempo
Quatro distritos do continente e a ilha da Madeira estão hoje em risco muito elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV),...

Em risco muito elevado estão os distritos de Vila Real, Setúbal, Beja e Faro, no continente, e a ilha da Madeira.

Os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Bragança, Coimbra, Guarda, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Évora, no continente, as ilhas do Porto Santo, Ponta Delgada, Terceira, Flores e Faial, nos Açores, estão com níveis elevados.

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda a utilização de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao Sol.

O índice ultravioleta varia entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

 

 

Comunicado
A Federação Portuguesa de Psicoterapia defendeu hoje a autonomização da profissão de psicoterapeuta, para “melhor defender” os...

A Ordem dos Médicos e a Ordem dos Psicólogos Portugueses pronunciaram-se contra a criação da profissão de psicoterapeuta, na sequência de um pedido de análise e emissão de parecer por parte do Ministério da Saúde.

Num parecer conjunto, as duas ordens afirmam que a sua posição tem por base “a evidência científica e a salvaguarda e proteção da saúde pública e dos interesses dos cidadãos que procuram os serviços de psicoterapia”.

Num comunicado hoje divulgado, a organização que representa 17 associações e sociedades com responsabilidade na atividade de formação na área da psicoterapia, congratula-se com “a relevância dada a esta temática” pelas duas ordens profissionais e afirma que partilha com estas “a preocupação com os critérios de formação de base e específica exigíveis para a qualificação dos profissionais que exercem ou venham a exercer esta prática”.

No entanto, para a Federação Portuguesa de Psicoterapia (FEPPSI), o parecer das ordens mostra um desconhecimento da “atual situação da psicoterapia em Portugal”.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da FEPPSI, Graça Góis, afirmou que, embora a federação reconheça “a importância das ordens”, entende que não devem ser estas a regular a profissão.

"Quem deve regular as questões da psicoterapia deve ser a federação e os seus membros", defendeu a presidente da FEPPSI.

Isto porque o psicoterapeuta, além da sua formação de base (psicólogo, médico ou outras áreas ligadas às ciências sociais), tem uma formação específica e extensa que incluiu três componentes: Processo Psicoterapêutico, Formação Teórico/Metodológica e a Supervisão Clínica da atividade, explicou Graça Góis, adiantando que, nos seus critérios mínimos de formação, a federação defende que o número total de horas não deve ser inferior a 1500 horas.

Nesse sentido, a defende a autonomização da profissão, linha com o que já foi feito noutros países da Europa, posição que tem vindo a defender junto de várias entidades, entre as quais o Ministério da Saúde, para que “esta realidade seja refletida na legislação portuguesa de forma a melhor defender os milhares de Psicoterapeutas que já exercem em todo o Pais e, sobretudo, defender os utentes que a eles recorrem, definindo um quadro claro a nível do enquadramento na área da saúde”.

Uma das maiores preocupações da federação nesta área é sobre “os cuidados a ter na saúde pública e a forma como outros profissionais no campo da Saúde, sem uma formação sólida em Psicoterapia, fazem o atendimento a pacientes neste âmbito sem uma formação específica”.

Por isso, defende que “o ato psicoterapêutico não é, e não pode ser, igual ao ato médico ou ato psicológico, devendo existir profissionais devidamente preparados para exercer estes processos e serviços junto do público”.

Para assegurar o exercício da ciência médica
O Governo aprovou hoje um decreto-lei para alargar às instituições de ensino superior, hospitais e centros de investigação...

O diploma atualiza a legislação que regula as comissões de ética para a saúde, passados 23 anos da sua entrada em vigor, face à “emergência das questões de ética clínica ou assistencial” e às “exigências da investigação científica”, é referido no comunicado do Conselho de Ministros.

O decreto-lei estabelece novas regras para a composição, constituição, competências e funcionamento e a “obrigatoriedade de existência destas comissões não apenas em instituições de saúde, mas também em instituições de ensino superior e centros de investigação biomédica que desenvolvam investigação clínica”.

Segundo o comunicado, distribuído no final da reunião do Conselho de Ministros, a regulação das comissões de ética para a saúde foi revista “de forma aprofundada” para “clarificar” os seus objetivos, direitos e deveres, visando "assegurar o exercício da ciência médica” no “estrito respeito pelo princípio da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais”.

O Conselho de Ministros aprovou ainda um decreto-lei que altera o regime legal que se aplica aos contratos celebrados à distância e fora dos estabelecimentos comerciais visando "completar" a transposição de uma diretiva europeia relativa às viagens organizadas e aos serviços de viagem.

De acordo com a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, o diploma visa facilitar "a clareza da informação ao consumidor", obrigando a que a "informação seja disponibilizada na língua do consumidor para garantir que percebeu quais são as condições contratuais".

 

 

Ordem dos Nutricionistas
Portugal devia ter, no mínimo, 500 nutricionistas para atingir o rácio de um por cada 20 mil habitantes, sendo que existem...

"Em termos globais, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), há, em números redondos, 400 nutricionistas, sendo que 100 estão nos cuidados de saúde primários e 300 nos cuidados hospitalares", explicou à agência Lusa a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento.

Esta responsável visitou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco, numa iniciativa inserida no "Ciclo de Visitas da Bastonária" que está a fazer pelas instituições do SNS da região Centro.

Segundo a bastonária, a "boa novidade" prende-se com a abertura de um concurso para 40 nutricionistas para os cuidados de saúde primários: "Podemos dizer que estes 40 representam 40% de acréscimo para os cuidados de saúde primários, o que é uma nota positiva".

"Porém, o número mínimo de nutricionistas que deveríamos ter neste momento deveria ser 500 para atingirmos o rácio de um nutricionista para cada 20 mil habitantes. E temos que continuar este caminho de aumentar o número de nutricionistas nos cuidados de saúde primários, que são locais de excelência para o trabalho dos nutricionistas", sublinhou.

Alexandra Bento explicou que os nutricionistas, enquanto profissionais de saúde, trabalham as questões da alimentação e da nutrição, questões estas que estão muito relacionadas com as grandes causas de mortalidade na atualidade.

"A alimentação é o determinante de saúde que tem mais impacto naquilo que são as grandes causas de mortalidade na atualidade e, portanto, precisamos de mais nutricionistas nos cuidados primários", defendeu.

Adiantou ainda que, em termos de cuidados hospitalares, o que se verifica efetivamente é que há um défice de nutricionistas, sendo que a situação se torna ainda mais preocupante na região Centro.

"O rácio que a Ordem propõe para os hospitais é de um [nutricionista] para cada 50 a 75 camas. Nesta região [Centro], o rácio está muito, muito desfavorecido. Temos hospitais na zona Centro em que temos um nutricionista para 200 camas", frisou.

Contudo, a bastonária mostra-se otimista e realçou mesmo que, atualmente e pela primeira vez, verifica-se uma preocupação por parte da tutela em dar dimensão à área do nutricionismo.

"Nunca, como na atualidade, se verificou uma grande preocupação em trabalhar a nutrição como uma grande área para haver ganhos em saúde. Mas é preciso ainda uma dinâmica muito maior, porque já começámos muito tarde", sustentou.

Alexandra Bento sublinhou ainda que apesar do "muito" que tem vindo a ser desencadeado na atualidade, a urgência da situação exige mais força e mais ímpeto nas medidas políticas na área da nutrição.

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