Farmácias e Parafarmácias
Os testes para o autodiagnóstico das infeções por vírus da SIDA e hepatites B e C vão poder ser vendidos nas farmácias e...

O decreto aprovado permite a "disponibilização direta ao público dos dispositivos de autodiagnóstico das infeções" por vírus da SIDA e hepatites B e C nas farmácias e parafarmácias, é referido no comunicado do Conselho de Ministros, distribuído no final da reunião.

De acordo com o comunicado, aquele tipo de dispositivos oferece hoje maiores garantias de fiabilidade relativas aos resultados quanto à sua “sensibilidade e especificidade”.

Quanto ao preço dos dispositivos, na conferência de imprensa realizada no final da reunião do Conselho de Ministros, a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, não adiantou o que está previsto.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do Ministério da Saúde respondeu que “ainda não está definida a questão do preço nem a data em que estará disponível para o público”.

O objetivo é “transformar Portugal num país sem infeção epidémica” do vírus da SIDA até 2030 através da promoção da “deteção precoce dos casos” e da diminuição da proporção dos diagnósticos tardios, quebrando o ciclo de transmissões, é sublinhado no comunicado do Conselho de Ministros.

A alteração baseia-se nas recomendações da ONU e da Organização Mundial de Saúde "indo ao encontro do que é já praticado" em Espanha, França, Bélgica e Itália, lê-se ainda na nota.

A medida entrará em vigor logo após a publicação do diploma em Diário da República, disse à Lusa fonte do governo.

Investimento
O ministro da Ciência e Tecnologia reconheceu hoje que as verbas nacionais canalizadas para a investigação e inovação ainda...

“Queremos duplicar a nossa posição no próximo quadro comunitário”, afirmou hoje Manuel Heitor durante a sessão de abertura das comemorações dos 25 anos de existência dos programas de doutoramento em Ciências da Vida do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), que decorreu hoje em Lisboa.

O ministro lembrou que Portugal recebeu quase 1,6% dos fundos comunitários do programa “Horizonte 2020”.

O país recebeu cerca de 555 milhões de euros entre 2014 e 2017 e agora tem como meta conseguir um financiamento de dois mil milhões de euros do programa “Horizonte Europa” (2021/2027).

Manuel Heitor lembrou o aumento de investimento nas últimas décadas, apesar de reconhecer que continua a ser residual a percentagem de PIB investido em investigação (1,35%): “Os números têm-se multiplicado ao longo dos anos, mas continuam a ser menos do que desejávamos”.

Também o número de doutorados tem aumentado, mas ainda existe um caminho a percorrer: “Na altura em que foi criado o programa, havia 400 novos doutores por ano. Esse número multiplicou-se por sete. Agora são 2.700 por ano”, lembrou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Em 25 anos, o programa de doutoramento do IGC criou 600 doutorados, que ajudaram a mudar a forma de fazer ciência em Portugal e no mundo.

O cientista António Coutinho foi o mentor do programa e hoje esteve na Gulbenkian, onde foi homenageado por Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, e Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud.

Para Leonor Beleza, António Coutinho é um dos responsáveis pelo reconhecimento internacional dos cientistas portugueses e por ter aberto uma porta que veio permitir competir na área das ciências da vida.

“Estou muito sensibilizado com as palavras de Isabel Mota e Leonor Beleza, mas eu preciso dizer uma coisa: Eu ainda estou vivo”, afirmou António Coutinho arrancando gargalhadas e aplausos de uma plateia de cientistas e investigadores.

O primeiro programa de doutoramento surgiu há 25 anos no Instituto Gulbenkian de Ciência e, até hoje, só no IGC, foram concebidos dez programas.

Dos 600 doutorados, cerca de 70% dedicam-se a investigação ou ensino superior, 13% desenvolveram ou integraram a indústria e 9% trabalham em áreas de apoio à ciência.

Atualmente há dezenas de investigadores a dirigir laboratórios em instituições científicas nacionais e internacionais, professores universitários, antigos alunos que lançaram ‘start-ups’ ou trabalham em áreas de apoio à ciência.

Entidade Reguladora da Saúde
O hospital Garcia de Orta e o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa falham no direito de acompanhamento dos utentes nas urgências,...

Segundo deliberações da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) hoje divulgadas, foram recebidas, em dois anos, mais de 90 reclamações sobre recusa do direito de acompanhar utentes nas urgências no Garcia de Orta, em Almada, e mais de 100 no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa.

A ERS diz que os hospitais têm de “adequar a sua conduta no que respeita à garantia do direito de acompanhamento dos utentes dos serviços de saúde”.

O regulador recorda que a regra disposta na lei manda que seja reconhecido a todos o direito de acompanhamento nos serviços de urgência por uma pessoa indicada pelo utente. A lei prevê que se limite o direito de acompanhamento por questões de “condições e requisitos técnicos”.

Contudo, a ERS avisa que limitar o direito de acompanhamento não pode ser usado como regras, nem ser aplicado para toda e quáquer situação.

Durante o processo aberto pelo regulador, o hospital Garcia de Orta admitiu que o serviço de urgência “apresenta constrangimentos físicos” que “frequentemente dificultam o exercício do direito de acompanhamento”.

O regulador avisa que as unidades do Serviço Nacional de Saúde com urgências devem “proceder às alterações necessárias nas instalações, organização e funcionamento” para permitir o acompanhamento do utente, “situação que não se verificou” no Garcia de Orta.

Durante o processo pela ERS, o hospital acaba por indicar que vai “diligenciar no sentido de assegurar a todo o cidadão admitido no serviço de urgência o direito ao acompanhamento” sempre que isso “não comprometa as condições e requisitos a que deve obedecer a prestação de cuidados”.

O regulador acaba por considerar que o hospital ainda “não apresenta prova”, nomeadamente documental de ter dado cumprimento a essas alterações.

A situação no Garcia de Orta teve origem numa reclamação de 2016 de um familiar de uma doente com as duas pernas amputada, portadora de deficiência e com incapacidade permanente de 96% a quem foi recusado direito de acompanhamento.

Além desta reclamação, a ERS detetou mais de 90 queixas relativas ao direito de acompanhamento no Hospital Garcia de Orta em 2016 e 2017.

Sobre as reclamações referentes ao Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, o regulador teve mais de 100 queixas desde 2017 com relatos de recusa do direito de acompanhamento dos utentes nas urgências.

A ERS diz que o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa restringe o direito de acompanhamento e que “não existe nenhum argumento que permita” que a unidade de saúde o faça.

Por isso, adverte o Centro Hospitalar para a necessidade de adequar a sua conduta” quanto ao direito de acompanhamento e “evitar a repetição futura” de situações que originaram as reclamações.

Este Centro Hospitalar alega, em reposta à ERS, que o direito de acompanhamento é sempre garantido no caso de menores de idade, de utentes com incapacidade física e com confusão mental.

Contudo, uma das reclamações enviadas ao regulador partiu da filha de um doente de Alzheimer que alega ter sido impedida de entrar para acompanhar o pai na urgência por “ordens do chefe de serviço”.

O doente acabou por morrer no hospital nesse mesmo dia, onde tinha dado entrada com febre e vómitos e depois de no dia anterior já ter sido observado na urgência, tendo tido alta.

Sobre este caso, o Centro Hospitalar, em resposta à ERS indicou que o doente, na primeira ida à urgência, foi medicado, tendo melhorado e tido alta. No dia seguinte, foi triado com a cor laranja “por agravamento clínico”, tendo sido verificado o óbito, situação que o hospital diz lamentar.

Quando à recusa de acompanhamento, o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa refere que “quando há muita afluência de utentes e os casos são graves não é possível ter em permanência o acompanhante”.

“No entanto, disponibilizamos uma sala de informações onde podem saber do doente”, acrescenta o hospital.

Hospitais Privados
Os hospitais privados exigiram hoje o pagamento das faturas a 60 dias e alertam que as alterações às regras de faturação...

Os hospitais privados analisaram na quarta-feira, em assembleia-geral da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), todo o processo negocial com a ADSE e as “suas graves implicações”, tendo manifestado “grande preocupação” com “as recentes alterações às regras e procedimentos de faturação que a ADSE tem vindo a introduzir durante o Verão”.

“Independentemente da sua aceitabilidade, são impossíveis de concretizar em outubro, o que pode conduzir, assim, já, a uma significativa e muito grave rutura na prestação”, adverte em comunicado a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

Estando em causa “a transparência e o equilíbrio da relação e a necessidade de acautelar os superiores interesses dos Beneficiários da ADSE”, os operadores privados exigem o pagamento das faturas a 60 dias, em cumprimento da lei, e a aplicação da Tabela da Ordem dos Médicos no regime convencionado, em linha com o que já acontece no regime livre e de acordo com o compromisso assumido em fevereiro.

“A ADSE [sistema de assistência na doença dos funcionários e aposentados do Estado] tem nas suas regras o pagamento a 120 dias quando a lei obriga expressamente a que se cumpra um prazo de 60 dias”, afirma a APHP, adiantando que “esta situação é particularmente gravosa para os operadores”.

Salienta que a ADSE não contemplou na sua Tabela de Preços e Regras as diversas matérias que fazem parte dos cuidados de saúde prestados aos beneficiários da ADSE, como a chamada de especialistas a atendimento médico permanente e ao internamento, a sala de observações em urgência, as diárias de curta duração, os atos de medicina com consumos, a utilização do piso de sala dos blocos cirúrgicos, os serviços de preparação e administração de fármacos ou a eventualidade do beneficiário ter necessidade de diferentes episódios hospitalares num mesmo dia.

Os hospitais privados afirmam que “têm levado até ao limite a capacidade de acomodar as reduções da ADSE”, frisando que “a realidade é que a ADSE insiste em medidas que, no limite, penalizam os beneficiários”.

“Os operadores privados não podem aceitar reduções unilaterais nem que a remuneração dos médicos, já extremamente baixa na prestação de cuidados à ADSE, baixe ainda mais, quando devia ser atualizada”, defendem.

A associação lamenta que se tenha perdido a oportunidade de definir “um novo modelo de relação, de verdadeira parceria, que tivesse em conta a sustentabilidade de todas as partes envolvidas, com base em regras claras, estáveis, equitativas, equilibradas e que assegurassem a previsibilidade de gestão de todas as partes envolvidas”.

Infeção
Apesar de todos estarmos em posição de risco para contrair a doença, existem factores que contribuem
Mão com ligadura e tubo de soro

A sépsis define-se como disfunção orgânica com risco de vida, devido a uma resposta inflamatória desregulada do hospedeiro a uma infecção.

Qualquer infecção pode cursar num continuum de gravidade que vai desde o momento em que um microrganismo (um micróbio) invade uma parte do nosso organismo (Ex: bexiga, pulmão, etc.), passando pela chamada bacteriemia (presença de bactérias no sangue) até à sépsis propriamente dita que pode rapidamente evoluir para choque séptico e disfunção multiorgânica – quando vários sistemas de órgãos começam a não funcionar eficientemente. O nosso organismo é uma organização com muitas interdependências entre os vários órgãos, que começa a falir quando os seus membros entram em disfunção, logo esta põe sérios riscos à nossa vida.

Todos nos arriscamos a uma sépsis? Sim, mas na verdade há alguns factores de risco que contribuem para que tal possa acontecer. São exemplos: internamento recente, infecções adquiridas em hospitais, idade avançada, indivíduos debilitados ou imunossuprimidos.
Há uma constelação de dados clínicos, laboratoriais, radiológicos, fisiológicos e microbiológicos que são necessárias para fazer o diagnóstico definitivo de sépsis, porém há vários sinais clínicos que nos fazem pensar logo nesta entidade, levando a que o doente seja rapidamente orientado para tratamento antibiótico associadamente a outros cuidados em termos hospitalares, por exemplo admissão em Unidades de Cuidados Intensivos/intermédios mediante o grau de gravidade e evolução nas primeiras horas.

Estes doentes geralmente apresentam-se com tensão arterial baixa, frequência cardíaca elevada, febre e analiticamente com glóbulos brancos elevados (embora em situações de maior gravidade ocorre o oposto, glóbulos brancos diminuídos), pele fria e acinzentada, diminuição de débito urinário e estado mental alterado.

O tratamento da sépsis, tratando-se de um estado decorrente de infecção, passa obrigatoriamente por administração de antibióticos, sempre que possível (isto é, quando conseguimos isolar um microrganismo) dirigidos ao agente infecioso. Tal nem sempre acontece numa primeira abordagem já que, frequentemente, o doente já nos aparece em sépsis e, embora se deva colher para cultivo sangue, urina e outros líquidos orgânicos quando existentes (como secreções brônquicas, ou pus se existir uma ferida ou abcesso acessível), não podemos protelar o início do antibiótico nestes doentes até existir crescimento de microrganismos em cultura já que isso pode levar até vários dias e nem sempre se consegue uma amostra capaz de identificação do “criminoso”. Assim sendo utilizam-se os antibióticos que, face à suspeita de local de infecção, sejam os habitualmente mais eficazes, modificando-se a estratégia, se necessário, aquando da identificação de um dado microrganismo (isto se a escolha antibiótico inicial se mostrar como não sendo a mais adequada). Porém o tratamento da sépsis é mais do que apenas antibióticos já que esta é o resultado de um conjunto de respostas à infecção que necessitam de outros cuidados – o que medicamente se chamam cuidados de suporte. Estes doentes precisam quase sempre de muitos fluídos, mais popularmente conhecidos como soros (e outros tipos de substâncias) capazes de proceder à melhor e mais rápida hidratação do doente, oxigénio e por vezes ventilação mecânica ou até hemodiálise.

Na verdade, a sépsis requer sempre uma avaliação e tratamento médico e, dependendo da sua gravidade, são frequentes os internamentos mais ou menos longos, sendo sempre um motivo de preocupação para os profissionais de saúde pela gravidade em que pode incorrer, nomeadamente risco de morte. Quando abordada precocemente, porém, é muitas vezes reversível, podendo o doente sobreviver-lhe sem sequelas. 

*este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, por opção do autor

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
IPMA
Quinze distritos do continente e o arquipélago da Madeira estão hoje em risco muito elevado de exposição à radiação...

Em risco muito elevado estão os distritos de Braga, Vila Real, Bragança, Viseu, Porto, Aveiro, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora e Beja, no continente, e o arquipélago da Madeira.

Os distritos de Viana do Castelo, Leiria e Faro, no continente, e as ilhas Terceira, Flores, Faial e S. Miguel, nos Açores, estão com níveis elevados.

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda a utilização de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao Sol.

O índice ultravioleta varia entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade no litoral, em especial da região Centro e do sotavento algarvio, dissipando essa nebulosidade durante a manhã.

Durante a tarde, está previsto um aumento temporário de nebulosidade nas regiões do interior a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e no sotavento algarvio.

A previsão aponta também para vento fraco, soprando temporariamente moderado a partir do início da tarde, de noroeste, no litoral oeste a sul do Cabo Mondego e nas terras altas e, de sudoeste, na costa sul do Algarve.

Está ainda prevista neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais do litoral Norte e Centro e do sotavento algarvio.

As temperaturas mínimas no continente vão oscilar entre os 13 graus Celsius (em Braga) e os 24 (em Portalegre) e as máximas entre os 24 (em Aveiro) e os 36 (em Évora).

Na Madeira prevê-se períodos de céu muito nublado, aguaceiros fracos, em especial nas vertentes norte e terras altas e vento fraco a moderado de nordeste.

No Funchal as temperaturas vão variar entre os 21 e 26 graus Celsius.

Para as ilhas das Flores e Corvo (grupo ocidental dos Açores) prevê-se períodos de céu muito nublado com boas abertas, possibilidade de aguaceiros fracos e vento sueste bonançoso.

O IPMA prevê para as ilhas Graciosa, S. Jorge, Terceira, Faial e Pico (grupo central) períodos de céu muito nublado com abertas, aguaceiros e vento fraco a bonançoso de sueste.

Em S. Miguel e Santa Maria (grupo oriental) estão previstos períodos de céu muito nublado com boas abertas, aguaceiros, geralmente fracos, mais prováveis durante a tarde e vento sueste bonançoso.

Em Santa Cruz das Flores e na Horta as temperaturas vão oscilar entre os 21 e os 27 graus, em Angra do Heroísmo entre 21 e 26 graus e em Ponta Delgada entre os 20 e os 26.

Nova unidade
A Câmara Municipal de Sintra anunciou que aprovou o projeto de arquitetura do futuro hospital do concelho, um investimento de...

O documento foi aprovado na terça-feira, na reunião do executivo municipal, liderado por Basílio Horta (PS), seguindo-se agora a elaboração do projeto de especialidades, que contempla o caderno de encargos da obra, segundo explica o município do distrito de Lisboa.

A conclusão desta próxima fase está prevista para fevereiro de 2019, data em que poderá ser lançado o concurso para a construção do equipamento hospitalar, que ficará situado no bairro da Cavaleira, na freguesia de Algueirão-Mem Martins.

Esta nova unidade resulta de um acordo de colaboração entre o município e os ministérios das Finanças e da Saúde, assinado em junho de 2017, que prevê um investimento global de 51,2 milhões de euros.

O município disponibiliza o terreno e assume a conceção e construção da nova unidade hospitalar e seus acessos, no montante de 29,6 milhões de euros, enquanto o Ministério da Saúde investe na aquisição e instalação do equipamento e no funcionamento, no valor de 21,6 milhões de euros.

A unidade, em articulação com o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), “integrará serviços de urgência básica, consultas externas diferenciadas de alta resolução, unidade de cirurgia ambulatória, meios complementares de diagnóstico e terapêutica modernos”, anunciou a Administração Regional de Saúde (ARS).

Além de 60 camas de convalescença, estão previstas especialidades de anestesiologia, cardiologia, cirurgia geral e pediátrica, cirurgia plástica, gastrenterologia, medicina física e reabilitação, medicina interna, neurologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, patologia clínica, pediatria, pneumologia, psiquiatria (incluindo infantil e adolescente), radiologia e urologia.

 

Leilão
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Os esclarecimentos sobre os imóveis e a formalização da compra podem ser solicitados pelos interessados até à véspera do leilão.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central agrega os hospitais de S. José, Santo António dos Capuchos, Santa Marta e D. Estefânia.

 

À margem do congresso
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde garantiu hoje que o Governo "irá estar do lado da ciência" quando tomar a...

"Iremos analisar essa proposta e eu diria que seguramente iremos estar do lado da ciência e dos argumentos científicos que estão no terreno", assegurou Fernando Araújo, em declarações à Lusa, à margem do 4º Congresso dos Psicólogos, a decorrer em Braga.

Sobre o reconhecimento da profissão de psicoterapeuta, o bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, igualmente á margem daquele evento, defendeu ser "impensável" que o executivo o venha a fazer, observando que a psicoterapia "é uma atividade e não uma profissão".

O Ministério da Saúde fez um pedido de análise e parecer à Ordem dos Médicos e à Ordem dos Psicólogos sobre a possibilidade de ser reconhecida a profissão de psicoterapeuta, tendo ambas emitido uma opinião negativa.

"Estamos a avaliar de forma cuidada os argumentos aduzidos. Há uma argumentação técnica e científica muito relevante. A apreciação conjunta que foi feita está muito robusta e vamos analisar as licenciaturas e as profissões já existentes, no conjunto de conhecimentos que tem sido adquirido e será seguramente o mais adequado a poder promover este tipo de decisão", explicou o governante.

"Muito proximamente iremos ter uma decisão", disse.

O bastonário da Ordem dos Psicólogos argumentou que "a psicoterapia não é em si uma profissão, é uma atividade, um conjunto de técnicas que são utilizadas por, na maior parte dos casos, psicólogos e também por médicos".

Por isso, defendeu, "ao ser exercida por profissionais já reconhecidos, com uma profissão regulada, havendo um garante de formação base na área da saúde e depois formação complementar" não é necessária aquela nova profissão.

O 4º Congresso dos Psicólogos portugueses, que decorre até sexta no Altice Forum Braga, tem como tema "Psicologia na prevenção e promoção do desenvolvimento das pessoas, coesão social e crescimento económico".

O congresso conta com mais de 1.800 inscritos e 800 comunicações oriundas de 13 países.

Agência Internacional para a Investigação do Cancro
O número de novos casos de cancro em Portugal ultrapassará este ano os 58 mil, com as mortes por doença oncológica a ascenderem...

De acordo com os dados hoje divulgados por esta agência da Organização Mundial de Saúde (OMS), um quarto da população em Portugal está em risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% corre risco de morrer de doença oncológica.

O cancro colorretal será o tipo de cancro com mais novos casos em Portugal este ano, estimando-se a deteção de mais de 10 mil doentes.

Segue-se o cancro da mama, que deve afetar quase sete mil portuguesas e o da próstata, que será diagnosticado em mais de 6.600 pessoas.

O cancro do pulmão, que é o que mais doentes afeta em termos mundiais, surge em Portugal em quarto lugar de incidência, com a estimativa de mais de 5.200 casos este ano.

Numa análise por sexos, o cancro com maior incidência nos homens é o da próstata, seguido pelo colorretal. Nas mulheres, o cancro da mama aparece em primeiro lugar, sendo também o colorretal o que tem a segunda maior incidência.

Em termos de mortalidade, o cancro do pulmão é o mais mortal em Portugal, tal como acontece a nível mundial, seguido do cancro do cólon, do estômago e da próstata. O cancro da mama surge em quinto lugar, numa análise a 36 tipos de doença oncológica.

De acordo com a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC, na sigla inglesa), são mais de 155 mil as pessoas em Portugal que vivem com cancro diagnosticado há mais de cinco anos.

Em todo o mundo, mais de 18 milhões de novos casos de cancro e 9,6 milhões de mortes são estimados este ano, segundo a IARC.

Um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres em todo o mundo desenvolve cancro nalguma fase da sua vida.

Os números hoje divulgados estimam que um em cada oito homens e uma em cada 11 mulheres acabem por morrer devido a doença oncológica.

 

FDA preocupada
As autoridades de saúde norte-americanas consideraram que o uso por adolescentes de tabaco eletrónico atingiu níveis &quot...

O aviso da FDA (Food and Drug Administration), citado pela Associated Press, marca uma nova etapa no relacionamento daquela agência norte-americana com os fabricantes de tabaco consumidos pela juventude.

Desde 2017, os responsáveis da FDA têm vindo a discutir o consumo de cigarros eletrónicos pela população norte-americana.

O comissário da FDA Scott Gottlieb afirmou que a agência não previu a "epidemia de dependência" aos cigarros eletrónicos por parte dos jovens, sobretudo àqueles que apresentam sabores.

Gottlieb sublinhou que cinco dos maiores fabricantes de cigarros eletrónicos têm agora um prazo de 60 dias para reverter o consumo daquele tipo de produtos por adolescentes.

 

ONU
A ação do Fundo Global de Combate à Sida, Tuberculose e Malária permitiu salvar 27 milhões de vidas, refere esta agência das...

O relatório mostra que grandes progressos foram alcançados graças aos esforços feitos para pôr fim a epidemias, sobretudo em novos tratamentos.

De acordo com os resultados do relatório de 2018 do fundo, 17,5 milhões de pessoas receberam terapia antirretroviral contra os vírus da sida (VIH) e cinco milhões foram tratados contra a tuberculose.

Ainda segundo o mesmo documento, 197 milhões de pessoas receberam medicamentos de prevenção contra o mosquito vetor da malária.

"O progresso foi alcançado com o apoio de vários países e parceiros, incluindo da França, o fundador e segundo maior doador do Fundo Global", afirma a entidade em comunicado.

O relatório foi apresentado hoje num evento em Paris, presidido por Jean-Yves Le Drian, ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

A França será, aliás, o país que vai acolher a sexta conferência do fundo, a realizar a 10 de outubro de 2019, na cidade de Lyon.

Os números deste relatório demonstram que “juntos, é possível por um fim a estas epidemias”, mas para se alcançar este objetivo, é preciso “aumentar o investimento, acelerar a inovação, reforçar as parcerias e haver mais foco no impacto” destas doenças, disse Peter Sands, diretor executivo do fundo.

Conseguida a redução do pico epidémico da Sida, as taxas globais de infeção por VIH baixaram mais lentamente, mas mantêm-se extremamente elevadas em alguns grupos populacionais em determinados países.

A Tuberculose é agora a principal causa de morte por doença infeciosa, com 1,7 milhões de mortes por ano, e no mundo existem ainda 4,1 milhões de casos da doença por ano – por diagnosticar, sem tratamento e sem serem registados.

Quanto à malária, o número de casos está em crescimento. Em 2016, havia mais cinco milhões de casos de malária do que em 2015. Com o aumento da resistência a medicamentos para tratar a doença e a inseticidas contra o mosquito causador da doença dificultam o seu controlo, refere o fundo.

Infarmed pede reunião
O medicamento Sinemet, para o tratamento da doença de Parkinson, está em rutura de stock, informou hoje o Infarmed que diz...

Segundo a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), a falta deste medicamento foi detetada em 45 países, incluindo os Estados Unidos da América e o Canadá e deve-se a “um problema no local de fabrico”.

“O Infarmed (…) convocou as empresas com medicamentos destinados ao tratamento da Doença de Parkinson para uma reunião na sexta-feira. Neste encontro estarão ainda presentes associações de doentes e sociedades científicas”, refere o comunicado.

No final da reunião serão prestados esclarecimentos pelo conselho diretivo do Infarmed.

 

 

OMS preocupada
O cancro do pulmão é o tipo de cancro com maior número de novos casos em todo o mundo e é igualmente o responsável pelo maior...

Juntamente com o cancro do pulmão, o cancro da mama e o colorretal são os que têm maior incidência, estando também entre os cinco mais mortais.

Pulmão, mama e colorretal são, em conjunto, responsáveis por um terço dos novos casos e da mortalidade em todo o mundo, de acordo com a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC, na sigla inglesa), que pertence à Organização Mundial da Saúde.

O cancro do pulmão e o cancro da mama terão, cada um, mais de dois milhões de novos diagnósticos este ano, contribuindo em conjunto para quase 12% do total da incidência de cancro.

O cancro colorretal, o terceiro mais comum, terá 1,8 milhões de novos casos este ano, seguindo-se o cancro da próstata (com 1,3 milhões) e o cancro do estômago em quinto (cerca de um milhão de casos).

Em termos de mortalidade, o cancro do pulmão é o mais mortal, prevendo-se que cause 1,8 milhões de mortes este ano, sendo um tumor que mundialmente tem um mau prognóstico.

O colorretal surge como o segundo tipo de cancro que mais mortes provoca (estimam-se 880 mil mortes este ano), seguido do cancro do estômago e do cancro do fígado.

O cancro da mama surge em quinto lugar quanto à mortalidade por doença oncológica e as estimativas apontam para 627 mil mortes este ano. Apesar de ser o segundo tipo de cancro mais frequente, a mortalidade não é tão elevada porque “o prognóstico é relativamente favorável, pelo menos nos países desenvolvidos”.

Relativamente ao cancro do pulmão, o mais mortal, a Agência Internacional da OMS avisa que se têm registado elevadas incidências em mulheres sobretudo na América do Norte e na Europa do Norte e na Europa Ocidental, na China e na Nova Zelândia.

Para a OMS, o crescimento do cancro do pulmão nas mulheres é mesmo encarado como “preocupante”.

“As medidas de boas práticas incorporadas na Convenção Quadro para Controlo do Tabaco da OMS reduziram efetivamente o tabagismo ativo e impediram a exposição involuntária a fumo do tabaco em muitos países”, segundo Freddie Bray, responsável da IARC, alertando que é necessário, contudo, “continuar a implementar políticas direcionadas e eficazes de controlo do tabaco em todos os países do mundo".

 

Diz Agência Internacional para a Investigação do Cancro
Mais de 18 milhões de novos casos de cancro e 9,6 milhões de mortes são estimados este ano em todo o mundo, segundo a Agência...

Um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres em todo o mundo desenvolve cancro nalguma fase da sua vida, de acordo com os dados da Agência Internacional (IARC, na sigla inglesa).

Os números hoje divulgados estimam que um em cada oito homens e uma em cada 11 mulheres acabem por morrer devido a doença oncológica.

Para este ano, estima-se que o número de mortes por cancro ascenda a 9,6 milhões, quase a população total de Portugal.

Em todo o mundo, o número de pessoas que estão vivas após cinco anos do diagnóstico de cancro é estimado em 43,8 milhões.

“O aumento do peso do cancro deve-se a vários fatores, incluindo crescimento da população e envelhecimento, bem como na mudança de prevalência de alguns tipos de cancro ligados ao desenvolvimento social e económico”, refere a Agência da Organização Mundial da Saúde.

Os esforços de prevenção feitos por vários países conseguiram fazer decrescer a incidência de alguns cancros, como o cancro do pulmão (registando-se alguma redução em homens na Europa do Norte e na América do Norte) ou o cancro do colo do útero.

Cerca de metade dos novos casos de cancro em 2018 e mais de metade das mortes deverão ocorrer na Ásia, região onde se concentra 60% da população global.

A Europa terá 23,4% dos novos casos e 20% das mortes por cancro, apesar de contar com menos de 10% da população global. Na América estima-se que ocorram 21% dos novos casos e 14% da mortalidade e em África menos de 6%.

Na Ásia e em África, a proporção de mortes por cancro é maior do que a proporção de novos casos, sobretudo porque nestas regiões surgem casos com pior prognóstico, devido a um acesso limitado a diagnósticos e tratamentos em vários países.

80 por cento dos problemas da saúde da visão podem ser resolvidos nos centros de saúde
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) defende a implementação de consultas de saúde da visão, nos...

“Um mero rastreio apenas à ambliopia e só para crianças com 2 e 4 anos de idade, tal como o que está a ser implementado pela Direção-Geral da Saúde, só vai contribuir para o agravamento da lista de espera para primeiras consultas de Oftalmologia. Só em 2017 ficaram por realizar 233 228 consultas”, alerta Raúl Sousa, presidente da APLO. E acrescenta: “Esta Estratégia Nacional para a Saúde da Visão abdica da implementação das recomendações da OMS e das boas práticas no resto mundo, em troca pelo experimentalismo de rastreios avulsos sem vislumbre da implementação de soluções que resolvam os problemas dos utentes de forma simples e imediata.”

A APLO defende que a implementação de consultas de saúde da visão, nos centros de saúde, realizadas por um Optometrista, permitiria uma redução significativa do impacto das doenças visuais, melhorando a prevenção, deteção e correção de erros refrativos de forma atempada, resolvendo assim mais de 80 por cento dos problemas da saúde de visão de forma imediata.

 

 

Serviço apresenta carências
A Entidade Reguladora da Saúde detetou problemas nas escalas de anestesia no Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães, sendo...

O regulador analisou a situação no Hospital da Senhora da Oliveira a partir da reclamação de uma parturiente, em fevereiro de 2016, sobre a falta de administração de analgesia epidural durante o trabalho de parto. Em 2017, a Entidade Reguladora teve conhecimento de mais quatro reclamações que “evidenciam a existência de constrangimentos ao nível das escalas de anestesia” naquele hospital.

O próprio hospital, em resposta enviada ao regulador em março deste ano, refere que “o serviço de anestesiologia é um dos mais carenciados”, tendo, à data, “apenas 20 médicos especialistas, nem todos em horário completo, e seis prestadores de serviço”. Isto, apesar de o hospital ter submetido “vários pedidos de contratação” à tutela.

“Face às carências evidenciadas, o serviço de anestesiologia tem feito um esforço assinalável para cumprir com a distribuição de médicos em todas as áreas”, refere o hospital na resposta que dá ao regulador e que integra a deliberação da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), hoje divulgada.

Continua a unidade de saúde a explicar que “não existe margem para efetuar muitas substituições em caso de ausências não programadas”, como sucedeu com as reclamações analisadas pelo regulador, em que houve faltas de anestesistas por motivos de doença ou falecimento de familiares.

Além da reclamação da parturiente por falta de administração de epidural durante o trabalho de parto, a ERS teve conhecimento de mais quatro reclamações, que indicam cirurgias programadas desmarcadas por falta de anestesistas.

Num dos casos, um utente já tinha visto a sua cirurgia ser reagendada quatro vezes por falta de anestesistas. Outro utente queixa-se do facto de ser "a terceira vez que é chamada para cirurgia para oftalmologia", sendo a operação desmarcada por falta de anestesistas.

A Entidade Reguladora recomenda ao Hospital da Senhora da Oliveira que assegure que, quando “constata não possuir capacidade para a prestação de cuidados de saúde por falta de recursos especializados essenciais à sua realização, os utentes sejam encaminhados para unidade hospitalar que garanta a prestação dos cuidados de saúde necessários e em tempo útil”.

Estudo
Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) estão a desenvolver um projeto que usa a...

Intitulado “Together We Stand”, o projeto recebeu um financiamento superior a 210 mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia com o objetivo de desenhar e avaliar uma intervenção em autogestão da doença centrada na família para pacientes adultos em hemodiálise e seus familiares.

Daniela Figueiredo, do CINTESIS e docente da Universidade de Aveiro, é a investigadora principal deste estudo, que envolve outros investigadores, designadamente Óscar Ribeiro e Constança Paúl.

“A intervenção parte do pressuposto de que uma condição de saúde como a insuficiência renal crónica terminal não atinge apenas o paciente, mas cada membro da família e a família como sistema ou unidade. Neste sentido, será desenvolvido um programa psico-educativo com o objetivo de capacitar o doente e os seus familiares para uma melhor gestão da doença e adaptação funcional à mesma”, explica Daniela Figueiredo, em comunicado.

Composta por seis ou oito sessões, no formato de grupos de discussão multifamílias, esta intervenção deverá contribuir para aumentar a adesão dos pacientes aos tratamentos de hemodiálise.

Segundo os investigadores do CINTESIS, “a prevalência de não adesão é elevada. A não adesão à restrição de líquidos, por exemplo, pode ascender aos 60%, enquanto a frequência inadequada das sessões pode atingir os 35%”.

“A hemodiálise é muito exigente para a pessoa com insuficiência renal crónica terminal, mas também para os familiares mais próximos que representam a sua principal fonte de apoio. Os tratamentos exigem mudanças muito significativas no estilo de vida, pois os pacientes têm de aderir a um regime de tratamento complexo que implica frequentar sessões de hemodiálise três a quatro vezes por semana, entre quatro a cinco horas por sessão”, sublinha Daniela Figueiredo.

Com efeito, acrescenta, “a família presta frequentemente apoio emocional, isto é, ajuda a gerir as emoções que decorrem do impacto dos tratamentos hemodialíticos, ajuda na gestão medicamentosa, no cuidado do acesso vascular, a reestruturar toda a vida social, incluindo as viagens de férias, acompanha o paciente às consultas e sessões de diálise. Ou seja, toda a família tem de se reorganizar para se adaptar a esta nova condição e isso, por vezes, também pode levar à sobrecarga de quem está mais próximo”.

A investigadora refere que “existe uma associação entre a taxa de sobrevivência destes pacientes e o suporte familiar. Por exemplo, a perceção de elevado suporte familiar tem sido associada a uma maior taxa de utilização de serviços de saúde por parte de pessoas com esta condição. Neste sentido, também é importante apoiar os familiares de forma a evitar a disrupção do apoio que prestam à pessoa com insuficiência renal crónica terminal”.

Espera-se também que a intervenção centrada na família surta efeitos mais significativos, quando comparada com outros métodos, no ajustamento psicossocial de pacientes e familiares, ajudando a manter a mudança comportamental a médio prazo e a prevenir a rutura do suporte familiar.

“A depressão é, sem dúvida, um dos mais importantes sinais de desajustamento, com valores que de prevalência que podem variar entre os 12%-40%. Tem-se verificado que a depressão, por sua vez, se associa a uma má nutrição e desadequada adesão aos tratamentos hemodialíticos e regime medicamentoso. Existem até alguns estudos que observaram a depressão como fator preditor de desistência da hemodiálise”, afirma a investigadora.

A hemodiálise é uma terapêutica substitutiva da função renal usada em pessoas com insuficiência renal. Os outros são a diálise peritoneal e o transplante renal. Quando os rins falham, a hemodiálise permite eliminar os resíduos tóxicos do organismo. Uma vez iniciada, deve ser feita até ao final da vida, ou até que surja um rim para transplantar.

De acordo com os dados disponibilizados pelo CINTESIS, “em Portugal, há cerca de 12 mil doentes a fazer hemodiálise, dos quais 60% têm mais de 65 anos de idade”.

Especialista explica tudo o que precisa saber
A dor não é, só por si, uma doença, mas antes um sintoma que faz parte do quadro clínico de inúmeras

Conceitos Gerais

De uma forma ou de outra, todas as pessoas, ao longo das suas vidas, sofrem de dores. Esta premissa aplica-se a todas as idades e grupos étnicos, ao género masculino e ao feminino, às classes económicas mais altas e mais baixas, a todos os graus de escolaridade e a todas as populações, variando apenas a sua forma de apresentação e o modo como a dor é experienciada.

A dor não é, só por si, uma doença, mas antes um sintoma que faz parte do quadro clínico de inúmeras doenças naturais ou acidentais: feridas, fracturas, luxações, queimaduras, panarícios, apendicites, cólicas renais, hepatites, cancros, enxaquecas, nevrites, amigdalites, pneumonias, otites, abcessos dentários, enfartes agudos do miocárdio, artroses, hérnias discais, tendinites, torcicolos, gota, glaucoma, artrite reumatoide, fibromialgia e tantas outras.

A dor também pode ser iatrogénica, isto é, provocada por profissionais de saúde durante ou após algumas intervenções terapêuticas e diagnósticas mais ou menos “agressivas”, como intervenções cirúrgicas, anestesias raquidianas, punções lombares, biópsias, tratamentos dentários, algaliações, injecções, tratamento de feridas, massagens, manipulação de articulações, cateterismos, punções arteriais, colonoscopias e até para uma simples colheita de sangue para análises.

A dor surge naturalmente e faz parte de diversas situações fisiológicas, como sucede no decurso dos partos, quando a bexiga está muito cheia, quando há uma vontade imperiosa de defecar ou ao fazer alongamentos musculares.

A dor constitui muitas vezes um sinal do organismo para a presença de uma doença, funciona como um aviso para nos afastarmos de um perigo (fonte de calor que nos queima, animal que nos pica ou morde), pode alertar-nos para necessidades fisiológicas (urinar ou defecar) e informar-nos sobre a iminência de lesões musculares ou articulares, no decurso das actividades físicas, mas também pode existir sem uma base física reconhecida (dor psicogénica).

A dor pode ser provocada por muitos mecanismos diferentes, que vão dos traumatismos (picadas, contusões, entorses, distensões, incisões…) às queimaduras (provocadas por calor, frio, radiações ou agentes químicos), passando por processos inflamatórios e infecciosos (causam edema, levam à destruição de células e induzem a produção de moléculas agressivas), isquémia (falta de aporte de sangue aos tecidos por oclusão de vasos sanguíneos), anóxia (deficiente oxigenação dos tecidos), compressão de órgãos (por tumores, abcessos, hematomas, bridas, aderências) ou obstrução de órgãos tubulares (tubo digestivo, vias biliares, urinárias ou respiratórias).

A dor pode apresentar-se de muitas formas e ter diferentes graus de intensidade, tendo uma elevada componente emocional e uma grande variação interpessoal (é percebida e interpretada de forma diferente por cada pessoa) e intrapessoal (para o mesmo estímulo doloroso, uma determinada pessoa pode sentir a dor de forma diferente consoante as circunstâncias de cada momento).

A Associação Internacional para o Estudo da Dor considera a dor como uma experiência multidimensional desagradável, envolvendo componentes físico-sensoriais e emocionais, associada a uma lesão tecidular (concreta ou potencial) ou descrita em função dessa lesão.

Embora a dor seja quase sempre considerada como uma experiência desagradável, algumas pessoas sentem prazer em ter dor (masoquismo) e até a provocam deliberadamente ou a aceitam voluntariamente (autoflagelação em actos religiosos, expiação de pecados, praxes, rituais de iniciação da puberdade, demonstração de valentia, piercings, tatuagens, cirurgias plásticas, práticas sexuais masoquistas, auto-mutilação em contexto psiquiátrico, etc.).

Por outro lado, existem pessoas que sentem prazer em provocar dor a outras pessoas ou animais (sadismo).

Os custos da dor

Como a dor é muito frequente e incapacitante, não admira que este sintoma/doença seja hoje o principal motivo de consulta médica, representando cerca de 50% dos motivos de ida às consultas, quer para a identificação das suas causas, quer para o seu alívio, mesmo que não seja possível resolver a doença de base que a provoca.

Para além do impacto da dor na qualidade de vida dos doentes (limitação de actividades diárias, insónia, ansiedade, depressão, existe uma dimensão socio-económica muito importante que tem de ser considerada quando se aborda este tema.

A dor origina elevados custos directos em cuidados de saúde (consultas, internamentos em hospitais ou unidades de cuidados continuados, execução de exames complementares de diagnóstico, tratamentos medicamentosos e adjuvantes) e indirectos (faltas ao trabalho e à escola, diminuição da produtividade, reformas antecipadas, mobilização de cuidadores).

Estes custos são difíceis de calcular, mas estima-se que, em Portugal, atinjam mais de 3 mil milhões de euros por ano só para a dor crónica, cabendo 50% aos custos directos e 50% aos indirectos.

A título de exemplo, em 2010, só as dores nas costas e articulações provocaram perdas superiores a 700 milhões de euros em consequência de incapacidade laboral a curto e longo prazo, mais do triplo dos custos indirectos da obesidade em 2002, avaliados em 200 milhões de euros.

A duração da Dor

A dor pode classificar-se, segundo a sua duração, em aguda (tem quase sempre uma causa bem definida, dura menos de 3 meses e associa-se geralmente a traumatismos, doenças de curta duração ou cirurgias) e crónica (se durar mais de 3 a 6 meses no decurso de doenças crónicas ou mais de 1 mês após a resolução da doença ou lesão aguda que a provocou). Estes prazos são os mais utilizados, mas ainda não existe consenso sobre esta questão.

A dor aguda acompanha-se em geral de ansiedade, sudação, náuseas, vómitos aumento da frequência cardíaca e respiratória, alterações da tensão arterial e dilatação das pupilas, podendo ser de tal modo intensa que leva à perda da consciência e mesmo à morte. Quando a dor aguda não é devidamente tratada, pode ser causa de dor crónica.

A dor crónica acompanha-se em geral de depressão, insónias, fadiga, perturbações da esfera sexual, falta de apetite e perda de peso, o que pode causar grande incapacidade física e sofrimento psicológico, levando por vezes ao consumo excessivo de álcool ou drogas ilícitas, ao suicídio ou ao pedido de eutanásia.

A dor crónica é mais frequente no género feminino, nos asiáticos, nas pessoas com nível socio-económico e de escolaridade mais baixos, nos desempregados, nos obesos, nas pessoas com perturbações ansiosas e depressivas e no consumo excessivo de álcool, aumentando de frequência com a idade.

Na Europa, a dor crónica afecta 20% dos adultos em geral e 50% das pessoas com mais de 80 anos de idade, mas em Portugal estes valores são mais elevados, calculando-se que 37% dos adultos sofra de dor crónica.

Um subtipo específico de dor crónica é a dor crónica pós-operatória, que se define como a que surge após um acto cirúrgico, tem pelo menos 2 meses de duração, não se deve a outras doenças concomitantes ou pré-existentes e não pode ser imputada aos profissionais de saúde (não resulta de erro ou negligência).

A dor crónica pós-operatória é muito frequente, podendo ocorrer em elevada percentagem de doentes operados a hérnias inguinais, pulmão ou coração, nos amputados de membro Inferior (dor do membro fantasma), e nos que fizeram mastectomias ou artroplastias totais da anca, entre outros.

Tipos de Dor

A dor pode classificar-se, segundo o seu tipo, em:

dor nociceptiva: é a mais frequente, resultando de uma estimulação dos receptores periféricos da dor (nociceptivos), que respondem através de nervos sensitivos específicos (fibras A delta e fibras C), enviando, sinais para o cérebro, que os interpreta e gera as respostas mais adequadas a cada situação;

A dor nociceptiva pode ainda ser subdividida em:

  • dor somática, originada na pele, ouvidos, nariz, olhos, amígdalas, músculos, ossos, articulações ou tendões; em geral, esta dor é bem localizada, sendo percebida como o resultado de uma agressão específica ou de uma causa concreta (traumatismo, queimadura, processo inflamatório, crescimento de um tumor, etc); pode ser constante ou intermitente e ser descrita como picada, facada, moinha, etc.
  • dor visceral, originada no estomago, fígado, pulmões, coração, rins, bexiga, útero, intestino, vesícula biliar ou próstata; em geral, esta dor é mais “profunda”, opressiva, difusa e mal localizada, podendo ser “referida”, isto é, percebida como uma dor localizada em outro local que não o órgão na qual tem origem; pode ser constante ou intermitente e ser descrita como cólica, aperto, opressão, etc.
  • dor neuropática: é muito frequente, tendo a sua origem em disfunção ou doença de estruturas do sistema nervoso central ou dos nervos periféricos, sendo exemplos a nevralgia do trigémio, as lombociatalgias, a neuropatia diabética, a nevralgia da zona, as nevrites e a enxaqueca; em geral, esta dor é intensa e prolongada, ocorrendo espontaneamente, sem um estímulo identificado ou como uma dor mais intensa do que o esperado para o estímulo doloroso identificado;

A dor neuropática pode ainda ser subdividida em:

  • dor disestésica: sensação de picadas, ardor, queimadura ou frio doloroso, acompanhados ou não por formigueiros, dormência, comichão; pode existir alodínia, o que significa que pequenos estímulos não dolorosos (como o roçar da roupa, o aperto de um elástico ou até um abraço ou um vulgar aperto de mão) podem ser sentidos como extremamente dolorosos;
  • dor lancinante: com episódios paroxísticos de tipo choque eléctrico;
  • dor psicossomática, psicogénica ou psicofisiológica: sem relação directa com lesões corporais ou neuropatias, é de origem emocional/psicológica, tem a sua origem no próprio cérebro, e muitas vezes é explicada pela “memória” de dores anteriores ou por uma forma disfuncional de reagir a problemas psicológicos, como sucede com a fibromialgia; esta dor é mais rara, mas pode ser muito incapacitante e difícil de tratar;
  • dor mista: multifactorial, é uma mistura em proporções variáveis dos outros três tipos, como sucede com as dores oncológicas e a dor lombar crónica.

Os ritmos da Dor

As dores das doenças reumáticas são muito frequentes e, dentro destas, a grande maioria refere-se às articulações, sendo de grande importância distinguir as doenças degenerativas das doenças inflamatórias, para o que se avalia aquilo que se designa por ritmo da dor:

a dor de ritmo mecânico caracteriza as doenças articulares degenerativas, como as artroses; esta dor agrava-se tipicamente com o uso da articulação doente (piora ao longo do dia ou após a actividade física) e melhora com o repouso (raramente surge durante a noite) e com algumas posições do corpo (sentado para aliviar lombalgias, de pé com apoio sobre um dos lados para alívio de dores numa anca, suspensão de um braço para a artrose do ombro desse lado); a dor de ritmo mecânico acompanha-se geralmente de rigidez articular de curta duração (menos de 10 minutos ao levantar e menos de 3 minutos após um período diurno de repouso da articulação doente);

  • a dor de ritmo inflamatório caracteriza as doenças articulares inflamatórias, como as artrites; esta dor agrava-se tipicamente com o repouso (piora de manhã, ao levantar) e melhora com o uso continuado da articulação doente (raramente surge durante a noite); a dor de ritmo inflamatório não tem posições de alívio e acompanha-se geralmente de rigidez articular de longa duração (mais de 30 minutos ao levantar e mais de 5 minutos após um período diurno de repouso da articulação doente):
  • quando os doentes têm ao mesmo tempo doenças articulares degenerativas e inflamatórias podem ter dores de ritmo misto, em que as dores de ritmo mecânico coexistem com dores de ritmo inflamatório.

Quando se trata as dores crónicas graves associadas a doenças oncológicas ou neurológicas é importante definir outro tipo de ritmo da dor e distinguir a dor basal da dor irruptiva:

  • a dor basal define-se como aquela que está presente durante mais de 12 horas por dia durante pelo menos uma semana ou que existiria nesse horário se o doente não tomasse analgésicos; quando se trata a dor basal e esta desaparece ou é classificada como ligeira, designa-se por adequadamente controlada, mas se persistir dor moderada ou intensa ela considera-se não controlada;
  • sempre que um doente apresenta agravamentos transitórios (exacerbações) da sua dor basal, esta passa a considerar-se como dor irruptiva e exige uma estratégia de tratamento diferente (aumentar a dose dos analgésicos ou mudar de medicamentos), que consiga controlar a dor de base e as exacerbações.

A cronificação da Dor

Em termos gerais, pode dizer-se que a dor aguda é “útil” para o nosso organismo, cumprindo funções de alerta e defesa e servindo para o diagnóstico de várias doenças, e que a dor crónica é “inútil”, tornando-se “autónoma” e passando a ser um fenómeno mais complexo, gerador de grande sofrimento e que pode ser considerada como uma doença independente, grave e incapacitante.

O que se passa é que, depois de desencadeado, o processo da dor pode sofrer a influência de mecanismos moduladores excitatórios (exacerbadores) ou inibidores (atenuadores), que dependem de factores hormonais (neuro-endócrinos), do estado de saúde geral do doente, do seu perfil psicológico, do seu nível de cansaço, das suas experiências dolorosas prévias (memórias da dor) e até do seu estilo de vida, profissão ou tipo de educação.

A modulação da dor pode ocorrer nas vias ascendentes/aferentes (que levam o sinal da dor da periferia para o cérebro, através da espinal medula), no próprio cérebro e nas vias descendentes/eferentes (que encaminham as respostas do cérebro para a periferia). Esta modulação é feita por diversos agentes químicos, como as endorfinas, a serotonina ou a noradrenalina que, adicionalmente, potenciam os efeitos de fármacos psico-activos utilizados no tratamento da dor crónica, como os opióides, os anti-depressivos, os anti-convulsivantes e os estabilizadores de membrana.

Quando a dor é muito intensa, prolongada ou mal tolerada e não é tratada devidamente, pode surgir um processo de potencialização ou hipersensibilidade do sistema nervoso: os nervos sensitivos que encaminham para o cérebro os sinais dos receptores da dor e até de outros estímulos sensoriais (táctil, térmico, sonoro, visual, olfactivo, gustativo) passam a responder intensamente a pequenos estímulos e o próprio cérebro sofre modificações (processo de remodelação) que o levam a interpretar qualquer estímulo como um estímulo doloroso e a manter exagerada a percepção da dor, que se torna assim muito difícil de tratar.

No caso das dores nociceptivas, os próprios tecidos lesionados libertam substâncias que provocam inflamação (neurocinina, substância P, prostaglandina E2, adrenalina, leucotrienos, bradiquinina…) que aumentam a sensibilidade dos receptores periféricos da dor, contribuindo para os fenómenos de potenciação da dor quando os seus efeitos são muito intensos, prolongados ou repetitivos.

Este mecanismo explica em parte porque é que, muitas vezes, os medicamentos anti-inflamatórios têm um efeito analgésico superior ao esperado e ajudam a prevenir a cronificação da dor.

A Dor como 5º sinal vital  

Pela sua elevada frequência e grande importância clínica, e apesar de ser um sintoma e não um sinal, a dor é actualmente considerada como o quinto “sinal” vital, sendo os primeiros quatro a temperatura corporal, a tensão arterial, a frequência cardíaca e a frequência respiratória.

Existe mesmo uma corrente de pensamento médico que defende que se considere o sofrimento como o sexto “sinal” vital, porque a sua dimensão ultrapassa em muito a dor, podendo existir dor sem sofrimento e sofrimento sem dor, como sucede em algumas doenças neurológicas incapacitantes, em algumas doenças psiquiátricas como a depressão e em certos processos de luto.

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) instituiu a dor como 5º sinal vital, através da Circular Normativa Nº 9/DGCG de 14/06/2003, considerando como norma de boa prática a avaliação e o registo sistemático da intensidade da dor dos doentes pelos profissionais de saúde.

No entanto, enquanto os outros sinais vitais têm critérios de classificação definidos e mecanismos de medição estandardizados que dispensam a colaboração do doente (termómetro, esfigmomanómetro, electrocardiógrafo, palpação de pulsos, relógio, auscultação), a dor não tem nenhum critério objectivo de medição, sendo avaliada apenas por escalas subjectivas, que obrigam à participação activa do doente.

A intensidade da Dor

As escalas de dor existentes classificam a dor segundo a sua intensidade e a sua repercussão no funcionamento do organismo. Aplicam-se apenas a doentes conscientes e colaborantes, com idades superiores a 3 anos), não se aplicando a crianças pequenas, a alguns doentes psiquiátricos, a pessoas com demência ou dificuldades de comunicação e a doentes sedados.

Uma “mesma dor” pode ser considerada por pessoas diferentes como leve, intensa ou horrível, tolerável ou intolerável, impeditiva ou não de algumas actividades e classificada de 0 a 10 com valores diferentes, mas mesmo assim é muito importante usar estas escalas para acompanhar a evolução da dor e o efeito dos tratamentos. Depois de se escolher a escala que melhor se adapta a cada doente, deve aplicar-se sempre a mesma escala para acompanhar a evolução desse doente.

A DG propõe quatro escalas de dor para classificar a intensidade da dor (consultar a Circular Normativa Nº 9/DGCG de 14/06/2003 para a sua descrição pormenorizada):

  • escala visual analógica;
  • escala numérica;
  • escala qualitativa;
  • escala de faces.

Para efeitos de registo nos processos clínicos dos doentes, os resultados obtidos pela aplicação destas escalas devem ser convertidos em graus de dor: sem dor (corresponde a zero pontos nas escalas numéricas de 0 a 10), dor ligeira (1 ou 2 pontos), dor moderada (de 3 a 5 pontos), dor intensa (de 6 a 8 pontos) e dor máxima (9 ou 10 pontos).

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS), para facilitar a escolha do regime de tratamento de cada doente com dor, propõe uma “Escada Analgésica” que apenas comtempla três graus de dor: dor ligeira (de 1 a 3 pontos), dor moderada (de 4 a 6 pontos) e dor intensa (de 7 a 10 pontos).

Quando se acompanha um doente com dor (aguda ou crónica), pode haver interesse em acompanhar a sua evolução ao longo do tempo e perceber a eficácia da medicação analgésica instituída. Para este efeito existe uma ferramenta importante, que é o diário da dor, no qual o doente regista, em cada dia, os momentos em qua a dor aparece e desaparece, a sua intensidade, o seu tipo, a medicação analgésica ou adjuvante (repouso, calor, massagem…) que fez e qual o seu efeito, os eventuais factores desencadeantes ou acompanhantes que possam ter interesse para a sua compreensão (vómitos, diarreia, prisão de ventre, tonturas, refeições, exercício físico, dormir, etc.) e todas as observações ou comentários que julgue pertinentes.

Quando se avalia doentes com dor crónica, deve caracterizar-se e medir melhor a dor e o seu impacto na vida dos doentes e dos seus cuidadores, para o que existem vários instrumentos de trabalho mais elaborados e completos do que as escalas e os diários da dor. Para este efeito, em 2007 a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) traduziu e validou sete questionários internacionais para a língua e cultura portuguesas, disponíveis para consulta no Volume 15, Nº 4/2007 da Revista “DOR”:

  • Inventário Resumido da Dor - Brief Pain Inventory (BPI);
  • Inventário Multidimensional da Dor de West Haven-Yale - West Haven-Yale Multidimensional Pain Inventory (WHY-MPI);
  • Índice de Incapacidade Relacionada com a Dor - Pain Disability  Index (PDI);
  • Inventário das Formas de Lidar com a Dor Crónica - Chronic Pain  Coping Inventory (CPCI), versão do doente e da pessoa significativa;
  • Inventário de Convicções e Percepções Relacionadas com a Dor - Pain Beliefs and Perceptions Inventory (PBPI);
  • Escala de Desânimo Associada à Dor - Pain Catastrophizing Scale (PCS);
  • Questionário de Dor Neuropática em 4 Questões - Douleur Neuropathique en 4 Questions (DN4).

O tratamento da Dor

A grande diversidade das situações dolorosas e dos mecanismos fisiopatológicos da dor pressupõe que o seu tratamento (analgesia) seja muito mais do que a administração de medicamentos analgésicos, cabendo um papel importantíssimo a várias terapêuticas adjuvantes, muitas delas não necessariamente medicamentosas.

Pela sua complexidade e extensão, o tratamento da dor será tratado posteriormente, numa 2ª parte deste trabalho.

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*este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, por opção do autor

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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“Acreditamos que este é um marco importante por ser a primeira vez que pessoas da comunidade de dermatite atópica se organizam para dar voz a esta doença que afeta de forma significativa a saúde e a qualidade de vida e tem um encargo socioeconómico importante para os doentes” celebra Joana Camilo, Presidente da ADERMAP.

A recém-criada associação, propõe-se a promover um aumento da visibilidade e do reconhecimento público da DA, como doença crónica inflamatória da pele, a nível nacional e internacional, nomeadamente junto das autoridades competentes. “É necessário promover a educação sobre a DA e sensibilizar para o impacto que esta tem na qualidade de vida e nas atividades do dia-a-dia, a nível pessoal, profissional social, económico e familiar. Só através da partilha de conhecimento e do estabelecimento de colaborações que, em grupo, podemos ajudar na resposta às necessidades que esta doença envolve, com aumento dos outcomes de saúde, nomeadamente no que respeita a qualidade de vida das pessoas afetadas por esta doença, e pelas suas comorbilidades” justifica Joana Camilo.

Promover o diagnóstico precoce, referenciação, registo, tratamento, controlo e prevenção multidisciplinares desta doença, bem como, motivar a investigação, a introdução e o acesso a novas opções terapêuticas e a condições necessárias para promover o controlo e a qualidade de vida, em particular para pessoas com meios e acesso mais limitados, são outros dos fins a que a ADERMAP se inculca.

Para mais informação sobre a ADERMAP pode, desde hoje, consultar o site (www.adermap.pt) e o Facebook da associação (https://www.facebook.com/adermap/).

 

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