Câmara de Gaia
A Câmara de Vila Nova de Gaia vai alargar a distribuição de fruta e produtos hortícolas como complemento dos lanches às...

Atualmente, o programa está implementado nos estabelecimentos de 1.º Ciclo, mas somar-se-ão 3.000 alunos de pré-escolar, num total de 15.000 crianças.

No total, a medida custa 900 mil euros, sendo comparticipada em 50% pela União Europeia, ou seja, cabe à Câmara de Gaia, distrito do Porto, pagar 450 mil euros.

O fornecimento de fruta e outros produtos como o tomate ou a cenoura para acompanhamento dos lanches tem como objetivo, descreveu o presidente da câmara à agência Lusa, "promover uma intervenção pedagógica no sentido da valorização das boas práticas alimentares".

O autarca também frisou que estas "não são medidas isoladas", sendo "o culminar do trabalho realizado para aderir ao pacto de Milão, um consórcio de municípios que à escala europeia definem um conjunto de boas práticas na área da alimentação nas escolas".

"Esta medida, a da fruta, soma-se a outras como a uniformização dos lanches escolares ou a introdução de peixe fresco uma vez por semana nas escolas. São etapas que vamos cumprindo de um programa articulado para justificar a adesão ao pacto de Milão", disse o presidente da câmara.

Outra das propostas que será discutida segunda-feira prende-se com um protocolo a celebrar entre a câmara e a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) que na prática significa a adesão de Gaia ao projeto-piloto do Governo de colocar a saúde oral nos Cuidados de Saúde Primários.

"A medida faz muito sentido porque a área talvez mais inacessível, quer nos hospitais quer nos centros de saúde, é a da medicina dentária. O que o Ministério [da Saúde] faz é criar um protocolo de parceria com os municípios, cabendo-lhe fornecer os recursos humanos, enquanto as câmaras pagam a cadeira e os consumíveis", descreveu Eduardo Vítor Rodrigues.

O autarca avançou que Gaia vai solicitar a implementação do programa em dois centros de saúde a definir pela ARS-Norte, mas, garantiu Vítor Rodrigues, o acesso será generalizado a todos os cidadãos do concelho.

"É uma enorme mais valia para a comunidade", disse o presidente da câmara sobre um projeto que deverá custar, por sala (cadeira e consumíveis), cerca de 50 mil euros às autarquias.

Infarmed garante
A autoridade do medicamento garantiu na semana passada que não haverá faltas de medicação para a doença de Parkinson em...

O conselho diretivo do Infarmed esteve reunido na sexta-feira com laboratórios, sociedades científicas e representantes de doentes para avaliar alternativas terapêuticas ao medicamento Sinemet, que está em rutura de ‘stock’.

Em conferência de imprensa no final da reunião, a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, manifestou-se convicta de que não vai haver falhas no acesso à medicação, lembrando que se trata de um medicamento do qual depende muitas vezes a vida dos doentes.

O Infarmed apelou aos doentes para que não façam “uma corrida às farmácias”, para criarem “stocks individuais” deste medicamento, lançando também aos médicos um apelo para que não haja prescrição exagerada.

“Podemos comprometer-nos que não vai falhar o medicamento a nenhum dos doentes”, afirmou Maria do Céu Machado, indicando que o assunto está a ser tratado com “enorme preocupação” pela Autoridade do Medicamento.

A presidente do Infarmed lembrou que “a interrupção do tratamento pode ser ainda mais grave do que a própria doença”, garantindo assim que não haverá falhas de tratamento em Portugal.

A rutura por parte da empresa que produz o Sinemet está relacionada com um “problema de fabrico”, que a própria empresa não explicou ao Infarmed, e que afeta 45 países, incluindo Estados Unidos e Canadá.

Quanto à dimensão da rutura do medicamento, a presidente do Infarmed estimou que antes do final do primeiro trimestre do próximo ano “o problema poderá não estar resolvido”.

Na reuniãoestiveram quatro empresas farmacêuticas, incluindo um representante da empresa MSD em Portugal, que comercializa o medicamento Sinemet.

Há dois medicamentos atualmente comercializados em Portugal para o Parkinson, sendo que o Sinemet atingia até agora 80% da quota do mercado, o que corresponde a mais de 600 mil embalagens por ano.

De acordo com Maria do Céu Machado, um dos laboratórios que já comercializa um medicamento em Portugal, mas com uma pequena quota de mercado, irá fazer “um esforço para aumentar essa quota”, tentando pelo menos triplicá-la.

Duas outras empresas farmacêuticas têm um medicamento semelhante registado, mas não comercializado em Portugal, que é vendido noutros países europeus. Estes laboratórios comprometeram-se a “fazer um esforço” para comercializar em Portugal o medicamento.

“Até fim de outubro, se formos todos conscienciosos, prescritores e doentes, não vamos ter rutura nenhuma. E até ao fim do ano supomos que haja comercialização de outras moléculas. Gostaria de assumir que este processo que estamos a desencadear leva a que não haja uma rutura”, afirmou a presidente do Infarmed.

Maria do Céu Machado lembrou que a Autoridade do Medicamento, enquanto organismo regulador, tem instrumentos “para conseguir que não haja rutura”, nomeadamente obrigando a que empresas com medicamento registado, mas que não o comercializam em Portugal, passem a comercializá-lo “por questões de interesse de saúde pública”.

Dia do Serviço Nacional da Saúde assinala-se a 15 de setembro
Um estudo realizado pela Universidade Nova de Lisboa revela que dos mais de dois milhões de portugueses com algum tipo de...

“Em Portugal, muitas pessoas mais velhas vivem com perda de visão evitável, causadas por erro de refração e catarata. Ambas as condições podiam ser diagnosticadas atempadamente por um simples exame ocular, realizado pelo optometrista. No entanto, no nosso país, ainda não existem cuidados de saúde primários, ao nível do Serviço Nacional da Saúde, acessíveis a toda a população”, refere Raúl Sousa, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO).

De acordo com os dados recolhidos pelos investigadores da Universidade Nova, “as perdas associadas à cegueira variam entre 74 e 185 milhões de euros. Por sua vez, a redução de produtividade associada à perda moderada e grave da visão varia entre 130 e os 555 milhões de euros”.

Mais de dois milhões de portugueses são atingidos por dificuldades em ver, sendo as mulheres as mais afetadas (27,5%) que os homens. A percentagem de pessoas com dificuldades em ver aumenta com a idade: cerca de 9% até aos 34 anos, 14% entre 35 e 44 anos, 30 a 32% entre os 45 e 74 anos, e superior a 40% para idades mais avançadas. Estima-se que entre os adultos com mais de 50 anos, cerca de 42 mil sofram de cegueira e mais de 260 mil sofram de perda da visão moderada e grave na população.

As conclusões são do estudo Saúde da Visão – Impacto Socioeconómico, conduzido pela Universidade Nova de Lisboa.

 

 

 

 

 

Recomendações
As crianças pequenas não sabem avaliar o perigo.
Bebé perto de frascos de detergente

Objectos perigosos

As crianças pequenas não têm capacidade para avaliar o perigo, pelo que qualquer objecto que encontram em casa pode transformar-se num brinquedo muito interessante.

Botões, tampas e rolhas de garrafas, moedas, pregos pequenos, parafusos e até brinquedos com peças demasiado pequenas são uma atracção irresistível para crianças até aos 3 anos, que gostam de levar tudo à boca. Mas consistem um grande perigo, pois as crianças podem engasgar-se e até sufocar.

Causas dos acidentes domésticos

Sabia, por exemplo, que as quedas são a principal causa de acidentes domésticos com crianças? Seguem-se os cortes, as queimaduras e as intoxicações.

Atitudes que podem salvar

Não se limite a proibir as crianças de fazerem isto ou aquilo; deve procurar ensiná-las e alertá-las para os riscos que certos actos envolvem, para que elas possam desenvolver a noção do que é o perigo e do que são comportamentos perigosos. Mesmo quando as crianças são pequenas e a explicação requer muita paciência.

E, sobretudo, dê o exemplo: as crianças imitam os adultos.

Sempre que necessário, explique à criança porque é que as suas acções lhe são permitidas a si e a ela não, apontando razões de idade, capacidade, responsabilidade, segurança, etc.

Cuidados com medicamentos

  • Todos os medicamentos devem ser guardados fora do alcance das crianças, em lugares altos e, de preferência, em armários ou caixas bem fechadas;
  • Não tome, nem dê medicamentos sem prescrição ou orientação médica;
  • Não deixe os seus medicamentos ao alcance das crianças e, de preferência, não os tome à frente delas, pois estas tendem a imitá-lo;
  • Não use remédios cujo prazo de validade já expirou ou cujas embalagens estão deterioradas. Junte-os e entregue-os na farmácia mais próxima.

Cuidados com escadas

  • As escadas devem ter um corrimão de apoio e o piso não deve ser liso (escorregadio);
  • Se tem crianças pequenas, principalmente se estão na fase de gatinhar ou a começar a andar, coloque protecções e barreiras (portões) em todos os acessos da casa às escadas;
  • Não se esqueça de fechar as protecções e barreiras dos acessos às escadas depois de passar. Um portão mal fechado é como se não existisse.

Cuidados com janelas e varandas

Coloque grades ou redes de protecção em todas as janelas e varandas. São as únicas formas de evitar acidentes graves em apartamentos. Uma porta ou uma janela aberta representam um grande perigo. Há muitas quedas de crianças em consequência de janelas e portas abertas.

Cuidados com piscinas, lagos, lagoas e até na praia

  • Nunca deixe a criança sozinha perto de uma piscina, mesmo que esta seja própria para ela;
  • Nunca deixe uma criança sozinha na piscina, seja em que circunstância for. Muitos afogamentos de crianças até aos 4 anos ocorrem porque os adultos se ausentam por “um minuto”, para atender o telefone, ir buscar o lanche, etc.
  • Esteja atento às brincadeiras das crianças na água;
  • Coloque braçadeiras ou coletes às crianças que não sabem nadar, mesmo quando elas estão a brincar ao pé da piscina. Se escorregarem e caírem para dentro da água estarão mais protegidas;
  • Se tem piscina em casa, coloque uma vedação ou tela de protecção à volta, de forma a impedir que a criança tenha acesso à água.

Cuidados na cozinha 

  • Não deixe crianças sozinhas na cozinha;
  • Guarde facas e objectos cortantes em locais pouco acessíveis;
  • Não deixe tachos e panelas ao lume sem ninguém na cozinha e tenha especial cuidado com líquidos quentes, como sopa ou água a ferver, já que queimaduras com líquidos quentes são frequentes em crianças;
  • Não deixe os bicos do fogão ligados quando acaba de cozinhar;
  • Vire os cabos das frigideiras para o interior do fogão, para evitar que as crianças tentem pegar-lhes;
  • Pode remover os botões do fogão quando este não estiver em uso;
  • Guarde bem os fósforos, pois as crianças não têm medo do fogo e certas brincadeiras podem provocar incêndios;
  • Torradeiras, bules, garrafas térmicas e outros equipamentos devem ser mantidos fora do alcance das crianças;
  • Cuidado ao utilizar panelas de pressão. Cumpra sempre as indicações do fabricante;
  • Tenha cuidado na utilização do gás no fogão. Acenda o fósforo antes de abrir o gás. Se o seu fogão tiver acendedor eléctrico, acenda primeiro o gás, no mínimo, e só então accione o acendedor;
  • Quando acender o forno, coloque-se de lado e não em frente do fogão;
  • Use apenas toalhas, aventais e panos de tecidos naturais. Evite usar roupa de tecidos sintéticos e aventais de plástico quando está a cozinhar;
  • Na utilização do microondas não cubra alimentos com papéis metalizados nem coloque, no seu interior, louças com decoração prateada ou dourados (causam faíscas).

Cuidados com produtos de limpeza e outros produtos tóxicos

  • Seja na cozinha, dispensa ou em qualquer outra divisão da casa ou no jardim, guarde estes produtos em locais inacessíveis a crianças e a animais;
  • Há fechos e protectores (inclusive cadeados) que impedem a abertura de armários e gavetas da cozinha ou de outros locais;
  • São produtos tóxicos, muitas vezes até inflamáveis e, a sua ingestão ou inalação pode ter consequências graves ou até fatais;
  • Nunca coloque detergentes, lixívia, insecticidas ou pesticidas em garrafas de água de plástico já usadas, porque as crianças podem ingerir o produto pensando ser água, resultando num acidente com grande gravidade.

Cuidados com electricidade e tomadas

  • Se possível, todas as tomadas devem ter ligação terra;
  • Instale protectores adequados em todas as tomadas da casa, para evitar choques eléctricos;
  • Esteja sempre alerta, pois uma tomada tem uma atracção especial para as crianças que estão na fase de gatinhar ou até um pouco mais crescidas, parecendo os locais ideais para tentarem enfiar os dedos e os mais variados objectos.

Cuidados com objectos pontiagudos ou cortantes

Facas, tesouras, chaves-de-fendas e outros objectos perfuradores nunca devem ser dados às crianças para elas brincarem. Mantenha esses objectos em locais fechados e a que a criança não tenha acesso.

Cuidados com a tábua e o ferro de engomar

  • Nunca deixe o ferro ligado com o fio desenrolado e ao alcance das crianças. Além da alta temperatura, é perigoso pelo seu peso e pela ligação à electricidade;
  • Evite o uso de tábuas de passar roupa que possam ser puxadas para baixo.

Cuidados com armas

  • Não tenha armas em casa. Se tiver, arrume-as ou guarde-as longe do alcance das crianças;
  • Nunca tenha as armas carregadas em casa;
  • Nunca deixe as munições junto à arma. Guarde-as em local seguro e inacessível às crianças.

Outros riscos

  • Nunca deixe bebidas alcoólicas ao alcance de crianças;
  • Procure ajuda médica, se o seu filho engolir uma substância não alimentar;
  • Anote os números dos telefones do seu pediatra, do hospital, dos centros de envenenamento e de outros centros de ajuda em local bem visível (por exemplo, ao pé do telefone);
  • Leia atentamente os rótulos das embalagens antes de usar qualquer produto;
  • Ensine as crianças a não aceitarem bebidas, comida, doces que lhes sejam oferecidos por adultos que não conhecem;
  • Não deixe que crianças com idade inferior a 10 anos andem sozinhas de elevador.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Entrevista
Prurido intenso, sensação de ardor, perturbação do sono e irritabilidade são os principais sintomas

O que é a Dermatite Atópica e qual o seu impacto na vida dos doentes?

A Dermatite Atópica, também conhecida como Eczema Atópico, é a doença inflamatória crónica cutânea mais comum e é caracterizada por uma pele muito seca que apresenta frequentemente inflamação e um intenso prurido. Quando persiste no adulto tende a ser mais grave.

Quais as causas desta doença inflamatória? E qual a faixa etária mais afetada?

A dermatite atópica parece resultar da interação de fatores genéticos (muitos doentes quando nascem já estão predispostos para ter uma pele mais frágil e sensível, com tendência a desenvolver reações exageradas contra compostos inócuos do meio ambiente- a alergia) e ambientais (exposição a poluição atmosférica, fumo de tabaco, menos exposição aos microrganismos protetores que existem no solo das áreas verdes e rurais).

Pode afetar todas as idades, mas o início da doença é mais frequente no grupo etário abaixo dos 5 anos de idade. A prevalência da Dermatite Atópica na população em geral estima-se que seja de 2-5%, e cerca de 15% nas crianças e adolescentes.

Existe justificação para o facto de esta doença atingir sobretudo crianças?

Pensa-se que poderá estar relacionada com maior imaturidade da pele nesta faixa etária, produzindo menos substâncias que a impermeabilizam, permitindo um contacto precoce com alérgenos e bactérias invasoras que promovem a inflamação

Qual a sua relação com outras patologias como a asma?

A DA é habitualmente a primeira manifestação de doença alérgica precedendo o aparecimento de rinite ou asma alérgicas.

Quais os principais sintomas e complicações da Dermatite Atópica?

Prurido intenso, sensação de ardor, perturbação do sono, irritabilidade, perturbação da imagem social, perturbação da qualidade de vida podendo nos casos mais graves condicionar sentimentos depressivos e de ansiedade.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clinico-manifestações cutâneas sugestivas em localizações típicas e que variam de acordo com a idade: no lactente as lesões cutâneas atingem a face, tronco e abdómen, na criança e adolescente as pregas cutâneas nos braços e atrás dos joelhos, atrás das orelhas e dobra do pescoço, no adulto as mãos, nuca, também as pregas podendo ser generalizadas. A comprovação de atopia ou alergia com a realização de testes cutâneos alergológicos e outras manifestações como rinite, asma ou alergia alimentar também apoiam o diagnóstico. É importante fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças de pele como a psoríase ou dermatite seborreica.

Qual o seu tratamento? Quais as opções terapêuticas disponíveis?

Em primeiro lugar fomentar a restauração da barreira cutânea com cremes específicos, em segundo lugar a utilização de cremes com corticoides e outros compostos semelhantes que têm por objetivo desinflamar a pele. Nos casos mais graves é necessária medicação mais abrangente (sistémica) sob a forma de comprimidos imunosupressores.

Recentemente têm surgido novos medicamentos de utilização apenas hospitalar que parecem ser promissores porque poderão atuar de forma mais específica na desregulação do sistema imunológico que caracteriza a dermatite atópica. 

A Dermatite Atópica pode ser prevenida?

Pensa-se que a aplicação de cremes protetores da barreira cutânea possa prevenir o desenvolvimento da dermatite atópica em crianças de risco (história familiar de doença alérgica significativa) mas é um conceito ainda em estudo. A menor exposição a poluição atmosférica, fumo de tabaco, e a maior exposição aos microrganismos protetores que existem no solo das áreas verdes e rurais parece se protetora para o desenvolvimento das doenças alérgicas em geral e também da dermatite atópica.

Por que motivo esta doença continua a ser subvalorizada?

Porque até há bem pouco a sua fisiopatologia era pouco conhecida, por outro lado era menos frequente e menos grave. Com o aumento significativo das doenças alérgicas nos países em vias de desenvolvimento a dermatite atópica passou a ser vista não apenas como uma doença cutânea, mas parte de uma processo mais abrangente conhecido como a marcha alérgica. 

Que mensagem importa reforçar quanto a esta matéria?

A Dermatite atópica pode ter um impacto significativo na qualidade dos doentes e suas famílias e por isso não deve ser subvalorizada. Devido à importância que a alergia pode desempenhar na Dermatite Atópica, é indispensável que seja feito um diagnóstico preciso e que haja seguimento por um médico especialista nesta área.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Debater e delinear estratégias
Lisboa vai debater questões relacionadas com a saúde mental, num evento que terá lugar no Fórum Lisboa, nos dias 26 e 27 de...

Segundo uma nota enviada à agência Lusa, o 1.º Fórum de Saúde Mental, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa, através do pelouro da Educação e dos Direitos Sociais, pretende “não só congregar o maior número de especialistas possível, com o máximo de multidisciplinaridade, como de decisores políticos e jornalistas, no sentido de fazer um exame crítico ao estado atual das políticas públicas de saúde na área da saúde mental e, com base nisso, ter sustentação para se desenharem possíveis planos de ação”.

Citado no comunicado, o vereador Manuel Grilo (BE), que substituiu Ricardo Robles no executivo da Câmara Municipal, afirma que o evento visa “dar visibilidade a este tema, que tem sido esquecido, convocando a comunidade para debater, delinear estratégias conjuntas com os vários parceiros, contribuindo ativamente para a implementação do Plano Nacional de Saúde Mental”.

O autarca acrescenta que “o município, dentro das suas competências locais, pretende dar o mote para o desenvolvimento e apoio de medidas na área da saúde mental na capital, a divulgar no encerramento do Fórum”.

A sala permite albergar um total de 700 pessoas, sendo que o evento já conta com 500 inscrições.

 

São precisos mais profissionais
O professor catedrático da Universidade do Porto Félix Carvalho é o primeiro português a presidir à federação EUROTOX de...

Em declarações à Lusa, o mais recente presidente da Federação dos Toxicologistas Europeus e das Sociedades Europeias de Toxicologia (EUROTOX) afirmou serem necessárias, tanto em Portugal como nos restantes países europeus, formações e cursos da área de toxicologia, isto porque “são muito bons, mas poucos” os peritos que atualmente existem no nosso país.

“Em Portugal existem faculdades que ensinam toxicologia, mas apenas como unidades curriculares, não há propriamente uma formação de toxicologistas. Não basta a frequência destas unidades curriculares é necessária a frequência em cursos especializados, em que no final o investigador esteja em condições de ser considerado perito. Faltam-nos muitos peritos nesta área em Portugal”, contou o professor da Faculdade de Farmácia.

Depois de ter exercido funções como Secretário Geral, entre 2012 e 2018, o professor catedrático foi eleito o primeiro português presidente da sociedade, durante o 54.º Congresso da EUROTOX, que decorreu em Bruxelas, de 02 a 05 de setembro.

Segundo Félix Carvalho, esta nomeação vai permitir “ter uma voz mais ativa junto das universidades” relativamente a questões “fundamentais” como a segurança dos alimentos, dos medicamentos e dos agentes químicos que diariamente são colocados no mercado.

“Precisamos de ter pessoas com conhecimento de causa, e para isso é necessário aumentarmos a educação em toxicologia”, frisou.

Para Félix Carvalho, “os constantes desafios” que se colocam aos especialistas com os novos compostos que são postos à venda no mercado, estão a tornar a toxicologia “cada vez mais necessária”.

“A toxicologia terá sempre um papel fundamental que é o de assegurar a promoção da segurança do homem, dos animais e do ambiente, isto é, da saúde global”, acrescentou o professor catedrático da Universidade do Porto.

 

Setor privado está a influenciar os consumidores
Os produtos saudáveis estão “a perder a guerra para serem apetecíveis”, em comparação com os produtos de má qualidade que...

O diretor executivo da Aliança Mundial para Melhorar a Nutrição (GAIN, na sigla em inglês) falava numa conferência em Roma.

Haddad considerou que o setor privado está a influenciar os consumidores com mensagens que pretendem criar aspirações e emoções a partir do consumo de produtos não saudáveis, enquanto o setor público não convence de igual forma sobre a necessidade de uma boa alimentação.

Comparou os mil milhões de dólares que investiram em publicidade, em 2016, as multinacionais norte-americanas Hershey (de chocolate) e General Mills (cereais, gelados e outros), com apenas 50 milhões destinados dois anos antes à ajuda global para fomentar dietas que previnam doenças não transmissíveis.

O perito recomendou aos governos para “criarem apelo para alimentos nutritivos” e procurarem sócios privados que colaborem na luta contra a má nutrição.

Estima-se que uma em cada três pessoas no mundo sofre de diferentes formas de má nutrição – fome aguda, carência de micronutrientes, excesso de peso e obesidade – e que, se nada for feito, poderá ser afetada uma em cada duas pessoas em 2030.

O facto de as “dietas pobres” contribuem para seis dos 10 principais fatores de doença na Índia e para cinco em Itália mostra que têm um impacto semelhante na maioria dos países.

Em todos esses casos, o denominador comum é “o consumo inadequado de alimentos”, apontou Haddad, sublinhando que as empresas “são parte do problema, mas também da solução”, pelo que há que dialogar com estas para alterarem o modelo de negócio e sejam mais responsáveis.

Segundo informação da fundação Acesso à Nutrição, dos mais de 20.000 produtos analisados nas 22 maiores companhias de alimentos e bebidas do mundo, 32% foram catalogados como “sãos”, apesar de apenas 14% cumprirem padrões internacionais para venda a menores.

“O ambiente dos sistemas alimentares não está a facilitar-nos na hora de tomar decisões inteligentes” em matéria de dieta, disse Haddad, reclamando uma alteração das normas sobre as etiquetas, impostos ou ementas escolares considerando “o que funciona”.

Citou estudos de acordo com os quais o consumo diário de cinco peças de fruta e verdura custa até 52% das despesas da casa em alguns países, no meio de uma tendência de encarecimento desses alimentos e de embaratecimento dos que contêm alto teor de gordura e açucares.

Cirurgia inédita
O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) realizou o seu primeiro implante auditivo osteointegrado, que permite uma...

"Este tipo de implantes vem suprimir necessidades, sobretudo na área pediátrica, permitindo solucionar casos de surdez causada por malformações ou infeções crónicas do ouvido externo e médio", explicou o diretor do Serviço de Otorrinolaringologia, Luís Filipe Silva, citado num comunicado do CHUC enviado à agência Lusa.

A intervenção permite manter o ouvido interno e o nervo auditivo, sendo utilizada em doentes que não possuem surdez profunda causada por anomalias do ouvido interno.

O primeiro implante foi colocado hoje numa intervenção realizada no Hospital Pediátrico.

"O Serviço de Otorrinolaringologia do CHUC prossegue o objetivo estratégico de responder a todo o tipo de implantes auditivos, beneficiando da experiência de uma equipa com mais de 30 anos de prática no campo dos implantes cocleares", salienta o comunicado.

O CHUC já realizou mais de mil implantes cocleares para os casos de surdez profunda, que se fazem em Coimbra desde 1985.

 

Resistência antimicrobiana
O Parlamento Europeu (PE) apelou à redução do consumo de antibióticos na União Europeia, de modo a limitar o desenvolvimento de...

Com uma larga maioria de 589 votos a favor, e apenas 12 contra, os eurodeputados, reunidos em sessão plenária em Estrasburgo (França), aprovaram um texto não vinculativo que insta a Comissão Europeia e o Conselho Europeu (Estados-membros) a “limitar a venda de antibióticos por parte dos profissionais de saúde […], e a suprimir toda a incitação – financeira ou de outro tipo – à prescrição de antibióticos”.

O documento recomenda a difusão de mensagens de sensibilização para “promover uma mudança de atitude que conduza a uma utilização responsável dos antibióticos”, e para “encorajar os pacientes […] a respeitar as recomendações prescritas pelos profissionais médicos”.

O PE considera ainda que as instâncias comunitárias devem intensificar os esforços para melhor recolher e transmitir dados de casos de resistência aos antibióticos e que devem criar incentivos para a investigação de novas substâncias alternativas.

“Se nada for feito, a resistência antimicrobiana pode causar mais mortes do que o cancro, de agora a 2050”, preconiza a relatora do texto, a eurodeputada austríaca Karin Kadenbach, que pede uma abordagem “holística” da saúde humana e animal.

A resistência aos antibióticos, causada principalmente pelo uso excessivo em humanos e animais, é responsável por cerca de 25.000 mortes anuais na União Europeia, de acordo com o PE.

 

Estado do tempo
Quatro distritos do continente e a ilha da Madeira estão hoje em risco muito elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV),...

Em risco muito elevado estão os distritos de Vila Real, Setúbal, Beja e Faro, no continente, e a ilha da Madeira.

Os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Bragança, Coimbra, Guarda, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Évora, no continente, as ilhas do Porto Santo, Ponta Delgada, Terceira, Flores e Faial, nos Açores, estão com níveis elevados.

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda a utilização de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao Sol.

O índice ultravioleta varia entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

 

 

Comunicado
A Federação Portuguesa de Psicoterapia defendeu hoje a autonomização da profissão de psicoterapeuta, para “melhor defender” os...

A Ordem dos Médicos e a Ordem dos Psicólogos Portugueses pronunciaram-se contra a criação da profissão de psicoterapeuta, na sequência de um pedido de análise e emissão de parecer por parte do Ministério da Saúde.

Num parecer conjunto, as duas ordens afirmam que a sua posição tem por base “a evidência científica e a salvaguarda e proteção da saúde pública e dos interesses dos cidadãos que procuram os serviços de psicoterapia”.

Num comunicado hoje divulgado, a organização que representa 17 associações e sociedades com responsabilidade na atividade de formação na área da psicoterapia, congratula-se com “a relevância dada a esta temática” pelas duas ordens profissionais e afirma que partilha com estas “a preocupação com os critérios de formação de base e específica exigíveis para a qualificação dos profissionais que exercem ou venham a exercer esta prática”.

No entanto, para a Federação Portuguesa de Psicoterapia (FEPPSI), o parecer das ordens mostra um desconhecimento da “atual situação da psicoterapia em Portugal”.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da FEPPSI, Graça Góis, afirmou que, embora a federação reconheça “a importância das ordens”, entende que não devem ser estas a regular a profissão.

"Quem deve regular as questões da psicoterapia deve ser a federação e os seus membros", defendeu a presidente da FEPPSI.

Isto porque o psicoterapeuta, além da sua formação de base (psicólogo, médico ou outras áreas ligadas às ciências sociais), tem uma formação específica e extensa que incluiu três componentes: Processo Psicoterapêutico, Formação Teórico/Metodológica e a Supervisão Clínica da atividade, explicou Graça Góis, adiantando que, nos seus critérios mínimos de formação, a federação defende que o número total de horas não deve ser inferior a 1500 horas.

Nesse sentido, a defende a autonomização da profissão, linha com o que já foi feito noutros países da Europa, posição que tem vindo a defender junto de várias entidades, entre as quais o Ministério da Saúde, para que “esta realidade seja refletida na legislação portuguesa de forma a melhor defender os milhares de Psicoterapeutas que já exercem em todo o Pais e, sobretudo, defender os utentes que a eles recorrem, definindo um quadro claro a nível do enquadramento na área da saúde”.

Uma das maiores preocupações da federação nesta área é sobre “os cuidados a ter na saúde pública e a forma como outros profissionais no campo da Saúde, sem uma formação sólida em Psicoterapia, fazem o atendimento a pacientes neste âmbito sem uma formação específica”.

Por isso, defende que “o ato psicoterapêutico não é, e não pode ser, igual ao ato médico ou ato psicológico, devendo existir profissionais devidamente preparados para exercer estes processos e serviços junto do público”.

Para assegurar o exercício da ciência médica
O Governo aprovou hoje um decreto-lei para alargar às instituições de ensino superior, hospitais e centros de investigação...

O diploma atualiza a legislação que regula as comissões de ética para a saúde, passados 23 anos da sua entrada em vigor, face à “emergência das questões de ética clínica ou assistencial” e às “exigências da investigação científica”, é referido no comunicado do Conselho de Ministros.

O decreto-lei estabelece novas regras para a composição, constituição, competências e funcionamento e a “obrigatoriedade de existência destas comissões não apenas em instituições de saúde, mas também em instituições de ensino superior e centros de investigação biomédica que desenvolvam investigação clínica”.

Segundo o comunicado, distribuído no final da reunião do Conselho de Ministros, a regulação das comissões de ética para a saúde foi revista “de forma aprofundada” para “clarificar” os seus objetivos, direitos e deveres, visando "assegurar o exercício da ciência médica” no “estrito respeito pelo princípio da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais”.

O Conselho de Ministros aprovou ainda um decreto-lei que altera o regime legal que se aplica aos contratos celebrados à distância e fora dos estabelecimentos comerciais visando "completar" a transposição de uma diretiva europeia relativa às viagens organizadas e aos serviços de viagem.

De acordo com a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, o diploma visa facilitar "a clareza da informação ao consumidor", obrigando a que a "informação seja disponibilizada na língua do consumidor para garantir que percebeu quais são as condições contratuais".

 

 

Ordem dos Nutricionistas
Portugal devia ter, no mínimo, 500 nutricionistas para atingir o rácio de um por cada 20 mil habitantes, sendo que existem...

"Em termos globais, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), há, em números redondos, 400 nutricionistas, sendo que 100 estão nos cuidados de saúde primários e 300 nos cuidados hospitalares", explicou à agência Lusa a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento.

Esta responsável visitou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco, numa iniciativa inserida no "Ciclo de Visitas da Bastonária" que está a fazer pelas instituições do SNS da região Centro.

Segundo a bastonária, a "boa novidade" prende-se com a abertura de um concurso para 40 nutricionistas para os cuidados de saúde primários: "Podemos dizer que estes 40 representam 40% de acréscimo para os cuidados de saúde primários, o que é uma nota positiva".

"Porém, o número mínimo de nutricionistas que deveríamos ter neste momento deveria ser 500 para atingirmos o rácio de um nutricionista para cada 20 mil habitantes. E temos que continuar este caminho de aumentar o número de nutricionistas nos cuidados de saúde primários, que são locais de excelência para o trabalho dos nutricionistas", sublinhou.

Alexandra Bento explicou que os nutricionistas, enquanto profissionais de saúde, trabalham as questões da alimentação e da nutrição, questões estas que estão muito relacionadas com as grandes causas de mortalidade na atualidade.

"A alimentação é o determinante de saúde que tem mais impacto naquilo que são as grandes causas de mortalidade na atualidade e, portanto, precisamos de mais nutricionistas nos cuidados primários", defendeu.

Adiantou ainda que, em termos de cuidados hospitalares, o que se verifica efetivamente é que há um défice de nutricionistas, sendo que a situação se torna ainda mais preocupante na região Centro.

"O rácio que a Ordem propõe para os hospitais é de um [nutricionista] para cada 50 a 75 camas. Nesta região [Centro], o rácio está muito, muito desfavorecido. Temos hospitais na zona Centro em que temos um nutricionista para 200 camas", frisou.

Contudo, a bastonária mostra-se otimista e realçou mesmo que, atualmente e pela primeira vez, verifica-se uma preocupação por parte da tutela em dar dimensão à área do nutricionismo.

"Nunca, como na atualidade, se verificou uma grande preocupação em trabalhar a nutrição como uma grande área para haver ganhos em saúde. Mas é preciso ainda uma dinâmica muito maior, porque já começámos muito tarde", sustentou.

Alexandra Bento sublinhou ainda que apesar do "muito" que tem vindo a ser desencadeado na atualidade, a urgência da situação exige mais força e mais ímpeto nas medidas políticas na área da nutrição.

Farmácias e Parafarmácias
Os testes para o autodiagnóstico das infeções por vírus da SIDA e hepatites B e C vão poder ser vendidos nas farmácias e...

O decreto aprovado permite a "disponibilização direta ao público dos dispositivos de autodiagnóstico das infeções" por vírus da SIDA e hepatites B e C nas farmácias e parafarmácias, é referido no comunicado do Conselho de Ministros, distribuído no final da reunião.

De acordo com o comunicado, aquele tipo de dispositivos oferece hoje maiores garantias de fiabilidade relativas aos resultados quanto à sua “sensibilidade e especificidade”.

Quanto ao preço dos dispositivos, na conferência de imprensa realizada no final da reunião do Conselho de Ministros, a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, não adiantou o que está previsto.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do Ministério da Saúde respondeu que “ainda não está definida a questão do preço nem a data em que estará disponível para o público”.

O objetivo é “transformar Portugal num país sem infeção epidémica” do vírus da SIDA até 2030 através da promoção da “deteção precoce dos casos” e da diminuição da proporção dos diagnósticos tardios, quebrando o ciclo de transmissões, é sublinhado no comunicado do Conselho de Ministros.

A alteração baseia-se nas recomendações da ONU e da Organização Mundial de Saúde "indo ao encontro do que é já praticado" em Espanha, França, Bélgica e Itália, lê-se ainda na nota.

A medida entrará em vigor logo após a publicação do diploma em Diário da República, disse à Lusa fonte do governo.

Investimento
O ministro da Ciência e Tecnologia reconheceu hoje que as verbas nacionais canalizadas para a investigação e inovação ainda...

“Queremos duplicar a nossa posição no próximo quadro comunitário”, afirmou hoje Manuel Heitor durante a sessão de abertura das comemorações dos 25 anos de existência dos programas de doutoramento em Ciências da Vida do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), que decorreu hoje em Lisboa.

O ministro lembrou que Portugal recebeu quase 1,6% dos fundos comunitários do programa “Horizonte 2020”.

O país recebeu cerca de 555 milhões de euros entre 2014 e 2017 e agora tem como meta conseguir um financiamento de dois mil milhões de euros do programa “Horizonte Europa” (2021/2027).

Manuel Heitor lembrou o aumento de investimento nas últimas décadas, apesar de reconhecer que continua a ser residual a percentagem de PIB investido em investigação (1,35%): “Os números têm-se multiplicado ao longo dos anos, mas continuam a ser menos do que desejávamos”.

Também o número de doutorados tem aumentado, mas ainda existe um caminho a percorrer: “Na altura em que foi criado o programa, havia 400 novos doutores por ano. Esse número multiplicou-se por sete. Agora são 2.700 por ano”, lembrou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Em 25 anos, o programa de doutoramento do IGC criou 600 doutorados, que ajudaram a mudar a forma de fazer ciência em Portugal e no mundo.

O cientista António Coutinho foi o mentor do programa e hoje esteve na Gulbenkian, onde foi homenageado por Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, e Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud.

Para Leonor Beleza, António Coutinho é um dos responsáveis pelo reconhecimento internacional dos cientistas portugueses e por ter aberto uma porta que veio permitir competir na área das ciências da vida.

“Estou muito sensibilizado com as palavras de Isabel Mota e Leonor Beleza, mas eu preciso dizer uma coisa: Eu ainda estou vivo”, afirmou António Coutinho arrancando gargalhadas e aplausos de uma plateia de cientistas e investigadores.

O primeiro programa de doutoramento surgiu há 25 anos no Instituto Gulbenkian de Ciência e, até hoje, só no IGC, foram concebidos dez programas.

Dos 600 doutorados, cerca de 70% dedicam-se a investigação ou ensino superior, 13% desenvolveram ou integraram a indústria e 9% trabalham em áreas de apoio à ciência.

Atualmente há dezenas de investigadores a dirigir laboratórios em instituições científicas nacionais e internacionais, professores universitários, antigos alunos que lançaram ‘start-ups’ ou trabalham em áreas de apoio à ciência.

Entidade Reguladora da Saúde
O hospital Garcia de Orta e o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa falham no direito de acompanhamento dos utentes nas urgências,...

Segundo deliberações da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) hoje divulgadas, foram recebidas, em dois anos, mais de 90 reclamações sobre recusa do direito de acompanhar utentes nas urgências no Garcia de Orta, em Almada, e mais de 100 no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa.

A ERS diz que os hospitais têm de “adequar a sua conduta no que respeita à garantia do direito de acompanhamento dos utentes dos serviços de saúde”.

O regulador recorda que a regra disposta na lei manda que seja reconhecido a todos o direito de acompanhamento nos serviços de urgência por uma pessoa indicada pelo utente. A lei prevê que se limite o direito de acompanhamento por questões de “condições e requisitos técnicos”.

Contudo, a ERS avisa que limitar o direito de acompanhamento não pode ser usado como regras, nem ser aplicado para toda e quáquer situação.

Durante o processo aberto pelo regulador, o hospital Garcia de Orta admitiu que o serviço de urgência “apresenta constrangimentos físicos” que “frequentemente dificultam o exercício do direito de acompanhamento”.

O regulador avisa que as unidades do Serviço Nacional de Saúde com urgências devem “proceder às alterações necessárias nas instalações, organização e funcionamento” para permitir o acompanhamento do utente, “situação que não se verificou” no Garcia de Orta.

Durante o processo pela ERS, o hospital acaba por indicar que vai “diligenciar no sentido de assegurar a todo o cidadão admitido no serviço de urgência o direito ao acompanhamento” sempre que isso “não comprometa as condições e requisitos a que deve obedecer a prestação de cuidados”.

O regulador acaba por considerar que o hospital ainda “não apresenta prova”, nomeadamente documental de ter dado cumprimento a essas alterações.

A situação no Garcia de Orta teve origem numa reclamação de 2016 de um familiar de uma doente com as duas pernas amputada, portadora de deficiência e com incapacidade permanente de 96% a quem foi recusado direito de acompanhamento.

Além desta reclamação, a ERS detetou mais de 90 queixas relativas ao direito de acompanhamento no Hospital Garcia de Orta em 2016 e 2017.

Sobre as reclamações referentes ao Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, o regulador teve mais de 100 queixas desde 2017 com relatos de recusa do direito de acompanhamento dos utentes nas urgências.

A ERS diz que o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa restringe o direito de acompanhamento e que “não existe nenhum argumento que permita” que a unidade de saúde o faça.

Por isso, adverte o Centro Hospitalar para a necessidade de adequar a sua conduta” quanto ao direito de acompanhamento e “evitar a repetição futura” de situações que originaram as reclamações.

Este Centro Hospitalar alega, em reposta à ERS, que o direito de acompanhamento é sempre garantido no caso de menores de idade, de utentes com incapacidade física e com confusão mental.

Contudo, uma das reclamações enviadas ao regulador partiu da filha de um doente de Alzheimer que alega ter sido impedida de entrar para acompanhar o pai na urgência por “ordens do chefe de serviço”.

O doente acabou por morrer no hospital nesse mesmo dia, onde tinha dado entrada com febre e vómitos e depois de no dia anterior já ter sido observado na urgência, tendo tido alta.

Sobre este caso, o Centro Hospitalar, em resposta à ERS indicou que o doente, na primeira ida à urgência, foi medicado, tendo melhorado e tido alta. No dia seguinte, foi triado com a cor laranja “por agravamento clínico”, tendo sido verificado o óbito, situação que o hospital diz lamentar.

Quando à recusa de acompanhamento, o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa refere que “quando há muita afluência de utentes e os casos são graves não é possível ter em permanência o acompanhante”.

“No entanto, disponibilizamos uma sala de informações onde podem saber do doente”, acrescenta o hospital.

Hospitais Privados
Os hospitais privados exigiram hoje o pagamento das faturas a 60 dias e alertam que as alterações às regras de faturação...

Os hospitais privados analisaram na quarta-feira, em assembleia-geral da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), todo o processo negocial com a ADSE e as “suas graves implicações”, tendo manifestado “grande preocupação” com “as recentes alterações às regras e procedimentos de faturação que a ADSE tem vindo a introduzir durante o Verão”.

“Independentemente da sua aceitabilidade, são impossíveis de concretizar em outubro, o que pode conduzir, assim, já, a uma significativa e muito grave rutura na prestação”, adverte em comunicado a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

Estando em causa “a transparência e o equilíbrio da relação e a necessidade de acautelar os superiores interesses dos Beneficiários da ADSE”, os operadores privados exigem o pagamento das faturas a 60 dias, em cumprimento da lei, e a aplicação da Tabela da Ordem dos Médicos no regime convencionado, em linha com o que já acontece no regime livre e de acordo com o compromisso assumido em fevereiro.

“A ADSE [sistema de assistência na doença dos funcionários e aposentados do Estado] tem nas suas regras o pagamento a 120 dias quando a lei obriga expressamente a que se cumpra um prazo de 60 dias”, afirma a APHP, adiantando que “esta situação é particularmente gravosa para os operadores”.

Salienta que a ADSE não contemplou na sua Tabela de Preços e Regras as diversas matérias que fazem parte dos cuidados de saúde prestados aos beneficiários da ADSE, como a chamada de especialistas a atendimento médico permanente e ao internamento, a sala de observações em urgência, as diárias de curta duração, os atos de medicina com consumos, a utilização do piso de sala dos blocos cirúrgicos, os serviços de preparação e administração de fármacos ou a eventualidade do beneficiário ter necessidade de diferentes episódios hospitalares num mesmo dia.

Os hospitais privados afirmam que “têm levado até ao limite a capacidade de acomodar as reduções da ADSE”, frisando que “a realidade é que a ADSE insiste em medidas que, no limite, penalizam os beneficiários”.

“Os operadores privados não podem aceitar reduções unilaterais nem que a remuneração dos médicos, já extremamente baixa na prestação de cuidados à ADSE, baixe ainda mais, quando devia ser atualizada”, defendem.

A associação lamenta que se tenha perdido a oportunidade de definir “um novo modelo de relação, de verdadeira parceria, que tivesse em conta a sustentabilidade de todas as partes envolvidas, com base em regras claras, estáveis, equitativas, equilibradas e que assegurassem a previsibilidade de gestão de todas as partes envolvidas”.

Infeção
Apesar de todos estarmos em posição de risco para contrair a doença, existem factores que contribuem
Mão com ligadura e tubo de soro

A sépsis define-se como disfunção orgânica com risco de vida, devido a uma resposta inflamatória desregulada do hospedeiro a uma infecção.

Qualquer infecção pode cursar num continuum de gravidade que vai desde o momento em que um microrganismo (um micróbio) invade uma parte do nosso organismo (Ex: bexiga, pulmão, etc.), passando pela chamada bacteriemia (presença de bactérias no sangue) até à sépsis propriamente dita que pode rapidamente evoluir para choque séptico e disfunção multiorgânica – quando vários sistemas de órgãos começam a não funcionar eficientemente. O nosso organismo é uma organização com muitas interdependências entre os vários órgãos, que começa a falir quando os seus membros entram em disfunção, logo esta põe sérios riscos à nossa vida.

Todos nos arriscamos a uma sépsis? Sim, mas na verdade há alguns factores de risco que contribuem para que tal possa acontecer. São exemplos: internamento recente, infecções adquiridas em hospitais, idade avançada, indivíduos debilitados ou imunossuprimidos.
Há uma constelação de dados clínicos, laboratoriais, radiológicos, fisiológicos e microbiológicos que são necessárias para fazer o diagnóstico definitivo de sépsis, porém há vários sinais clínicos que nos fazem pensar logo nesta entidade, levando a que o doente seja rapidamente orientado para tratamento antibiótico associadamente a outros cuidados em termos hospitalares, por exemplo admissão em Unidades de Cuidados Intensivos/intermédios mediante o grau de gravidade e evolução nas primeiras horas.

Estes doentes geralmente apresentam-se com tensão arterial baixa, frequência cardíaca elevada, febre e analiticamente com glóbulos brancos elevados (embora em situações de maior gravidade ocorre o oposto, glóbulos brancos diminuídos), pele fria e acinzentada, diminuição de débito urinário e estado mental alterado.

O tratamento da sépsis, tratando-se de um estado decorrente de infecção, passa obrigatoriamente por administração de antibióticos, sempre que possível (isto é, quando conseguimos isolar um microrganismo) dirigidos ao agente infecioso. Tal nem sempre acontece numa primeira abordagem já que, frequentemente, o doente já nos aparece em sépsis e, embora se deva colher para cultivo sangue, urina e outros líquidos orgânicos quando existentes (como secreções brônquicas, ou pus se existir uma ferida ou abcesso acessível), não podemos protelar o início do antibiótico nestes doentes até existir crescimento de microrganismos em cultura já que isso pode levar até vários dias e nem sempre se consegue uma amostra capaz de identificação do “criminoso”. Assim sendo utilizam-se os antibióticos que, face à suspeita de local de infecção, sejam os habitualmente mais eficazes, modificando-se a estratégia, se necessário, aquando da identificação de um dado microrganismo (isto se a escolha antibiótico inicial se mostrar como não sendo a mais adequada). Porém o tratamento da sépsis é mais do que apenas antibióticos já que esta é o resultado de um conjunto de respostas à infecção que necessitam de outros cuidados – o que medicamente se chamam cuidados de suporte. Estes doentes precisam quase sempre de muitos fluídos, mais popularmente conhecidos como soros (e outros tipos de substâncias) capazes de proceder à melhor e mais rápida hidratação do doente, oxigénio e por vezes ventilação mecânica ou até hemodiálise.

Na verdade, a sépsis requer sempre uma avaliação e tratamento médico e, dependendo da sua gravidade, são frequentes os internamentos mais ou menos longos, sendo sempre um motivo de preocupação para os profissionais de saúde pela gravidade em que pode incorrer, nomeadamente risco de morte. Quando abordada precocemente, porém, é muitas vezes reversível, podendo o doente sobreviver-lhe sem sequelas. 

*este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, por opção do autor

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