OMS
O número de pessoas a morrer de tuberculose tem diminuído desde o ano 2000, divulgou hoje a Organização Mundial de Saúde num...

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de casos fatais baixou de 23% registados em 2000 para 16% em 2017.

Ainda assim, a OMS estima que cerca de 1,3 milhões de pessoas tenham morrido de tuberculose no ano passado, referindo que as mortes em pessoas sem diagnóstico de VIH se situaram entre 1,2 e 1,4 milhões. Quanto aos que têm VIH, um grupo especialmente vulnerável, estima-se que 300.000 pessoas tenham morrido por causa da infeção com tuberculose.

No entanto, está-se ainda longe da meta estabelecida para 2020, de reduzir anualmente o número de mortes provocadas pela doença em 4 a 5%.

Classificada como a décima causa de morte a nível mundial, a tuberculose está presente, de forma latente, em 1,7 mil milhões de pessoas, quase um quarto da população. Desde 2011 que é a principal causa de morte com um único agente infeccioso.

De acordo com “a melhor expectativa”, cerca de 10 milhões de pessoas passaram a sofrer de tuberculose em 2017, entre os quais um milhão de crianças, 5,8 milhões de homens e 3,2 milhões de mulheres.

Dois terços das novas infeções aconteceram em oito países: Índia, China, Indonésia, Filipinas, Paquistão, Nigéria, Bangladesh e África do Sul, que, juntamente com outros 22 países, são responsáveis por 87% dos casos no mundo.

Um dos problemas que acompanha a tuberculose é a evolução do bacilo para versões resistentes aos medicamentos, estimando-se que em mais de meio milhão dos novos casos, o medicamento mais usado, a rifampicina, não resulte.

Muitos novos casos de tuberculose devem-se a subnutrição, infeção pelo VIH, tabagismo, diabetes e alcoolismo.

A eliminação da pobreza extrema e a proteção social são duas das medidas que poderão reduzir em muito o número de novos casos, aponta-se no relatório.

O dinheiro aplicado mundialmente contra a tuberculose atinge 6,9 mil milhões de dólares em 2018, dentro dos valores que se verificam desde 2014, mais do dobro do que acontecia em 2006.

Diagnósticos corretos e tratamentos evitaram a morte de 54 milhões de pessoas entre 2000 e 2017.

Há ainda discrepâncias entre o número de novos casos e o número de facto comunicado às autoridades de saúde e à OMS, que são só 64% do número de casos reais estimado.

Para prevenir que as infeções latentes se desenvolvam, a OMS recomenda tratamento prioritário para pessoas com o HIV ou crianças de menos de 5 anos que estejam em contacto com um doente com tuberculose pulmonar confirmada.

 

Governo
O Governo pretende ter, em junho próximo, 30% dos concelhos do país abrangidos pela medida que prevê que haja pelo menos um...

“O objetivo é ter, a 30 de junho de 2019, cerca de 30% dos municípios abrangidos e até ao final do mesmo ano cerca de 60%”, afirmou Fernando Araújo no final da cerimónia “Saúde Oral Para Todos”, onde foram assinados protocolos de colaboração entre várias dezenas de municípios e as cinco Administrações Regionais de Saúde, no âmbito do alargamento do projeto dos médicos dentistas nos cuidados de saúde primários.

“Temos neste momento cerca de 63 consultórios em 53 municípios, mas queremos chegar a todos os concelhos, próximos das pessoas”, acrescentou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

A meta é ter, até junho de 2020, “os 278 municípios com pelo menos um consultório de médico dentista”, disse, sublinhando que o que se pretende é “proximidade nos centros de saúde, qualidade e sobretudo equidade no país”.

Segundo Fernando Araújo, “o projeto está aberto a todos os portugueses”, mas em termos de prioridade, do ponto de vista clínico, vai tentar-se abranger os doentes com mais patologias de saúde oral ou outras e a população mais vulnerável.

Sublinhando que ter um consultório de médico dentista nos centros de saúde de todos os municípios do país até 2020 é “uma medida histórica”, o ministro da Saúde considerou também tratar-se de um “sinal muito positivo da descentralização”.

“É uma medida histórica para o país, o SNS passa a ter nos centros de saúde médicos dentistas, higienistas orais e assistentes dentários”, afirmou aos jornalistas Adalberto Campos Fernandes.

O ministro salientou que o programa permite manter o programa cheque-dentista, iniciado em 2008, mas também chegar “a uma população diferente, que é uma população mais pobre, mais idosa, com menos recursos”.

Citando as palavras da presidente da Federação Mundial da Saúde Oral, Federation, Kathryn Kell, na cerimónia, o ministro afirmou que Portugal está “a dar o passo que faltava para entrar definitivamente no primeiro ‘ranking’ de países que cuidam da saúde global das pessoas e não apenas numa ótima estritamente curativa, mas também preventiva e cobrindo uma área tão importante como a da saúde oral”.

O ministro sublinhou ainda o trabalho feito pelas comunidades locais e pelos autarcas na construção desta medida, que, afirmou, permite ter “um programa de saúde oral mais ambicioso”.

“É também um sinal muito positivo da descentralização, é um casamento de oportunidades, é uma aliança virtuosa entre o poder central e o poder local, onde juntamos esforços”, disse, assumindo a vontade do Governo em aprofundar estas parcerias.

“Assumimos hoje aqui que a nossa vontade é aprofundar as parcerias público-público entre o poder local e o poder central, chamando à colaboração, sempre que necessário, outros setores, como o social ou privado, mas o SNS defende-se nesta linha, lutando todos os dias contra as dificuldades que são imensas”, frisou.

Na cerimónia, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, salientou a importância desta medida para melhorar a saúde oral dos portugueses, lembrando os dados do terceiro estudo de prevalência nacional de doenças orais desenvolvido pela DGS, que revelou “indicadores muito preocupantes”.

No grupo etário dos 25 aos 44 anos verificou-se que apenas 37,4% dos observados apresentavam gengivas saudáveis, 42,5% tinham um ou mais dentes cariados e 13,7% tinham menos de 20 dentes naturais na boca, resultados que foram “muitíssimo piores” no grupo etário dos 65 aos 74 anos.

“Temos de ter noção que de facto para determinados grupos especiais e sobretudo em idades mais precoces já se ganhou muito, mas ainda há aqui um potencial de ganhos que têm de ser explorado e pelos quais todos somos responsáveis”, disse Graça Freitas.

Também presente na cerimónia, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, saudou a medida, afirmando que o envolvimento dos municípios na questão da saúde oral é uma aspiração antiga da Ordem.

Urologistas
Uma equipa de urologistas, entre os quais Ricardo Leão, coordenador de Urologia do Hospital CUF Coimbra, descobriu que o uso de...

De acordo com Ricardo Leão, neste trabalho o enfoque esteve num grupo específico de doentes com cancro do testículo (não-seminomas): metastizado e já submetidos a quimioterapia. Após a realização de quimioterapia, alguns destes doentes ainda apresentavam lesões metastáticas. Dado que não existe possibilidade de diagnosticar a natureza destas lesões, estas são removidas cirurgicamente quando medem mais do que um centímetro. Esta cirurgia é muito agressiva e resulta em morbilidade significativa. Infelizmente, em cerca de 45%-50% dos casos, estes doentes não beneficiam da cirurgia (as lesões são apenas fibrose/necrose resultante da quimioterapia). Agora, estes biomarcadores (micro RNA) permitem predizer a histologia das lesões residuais pós-quimioterapia.

Este estudo provou que estes biomarcadores, quando negativos, sugerem a inexistência de tumor ativo, o que permitirá poupar estes doentes a uma cirurgias muito agressiva. Ricardo Leão acredita que, “do ponto de vista da evolução da Medicina do século XXI, não faz sentido expor doentes a tratamentos invasivos sem certezas diagnósticas. Deste modo, estes biomarcadores poderão mudar o paradigma do tratamento de doentes com doença testicular metastática e auxiliar os urologistas a adequar a sua prática clínica proporcionando ao doente a terapêutica mais indicada – baseada numa medicina cada vez mais personalizada”.

A equipa de investigação está envolvida, atualmente, num consórcio internacional que inclui equipas de investigação dos EUA, Canadá, Holanda  Alemanha e cujo objectivo é reunir o maior número de doentes com cancro do testículo por forma a validar estes miRNA como biomarcadores com aplicação clínica. De acordo com Ricardo Leão, “a comunidade científica internacional que se dedica ao estudo e tratamento do cancro do testículo entende que estamos próximos de algo muito importante e este é provavelmente o próximo biomarcador a usar nas nossas clínicas ”.

Estudo
De acordo com um estudo internacional, a utilização de probióticos na alimentação demonstrou-se positiva durante a infância e...

Segundo o estudo produzido por um conjunto de investigadores internacionais, o uso diário de próbióticos pode ajudar reduzir a necessidade de prescrição de antibióticos a crianças e bebés. Os probióticos utilizados nos estudos foram os Lactobacillus e os Bifidobacterium. Neste estudo, publicado na ‘Revista Europeia de Saúde Pública’, os investigadores puderam concluir que a toma diária de probióticos  leva a menos de 29% de hipóteses de ser necessário recorrer ao uso de antibióticos em caso de doença.

Para Daniel Merenstein, investigador sénior deste estudo e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos da América, estes resultados são bastante intrigantes. «Dada esta descoberta, existe uma maneira de reduzir o uso de antibióticos através do uso de probióticos de uma forma regular», explica.

Os dados recolhidos pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) revelam que, anualmente nos EUA existem cerca de dois milhões de casos de infeções resistentes a antibióticos, o que acaba por resultar em 23 mil mortes. Reduzir  a utilização de antibióticos pode ser uma forma de combater esta resistência aos medicamentos. 

«Nós já temos as evidências de que consumir probióticos pode reduzir a incidência, duração e gravidade de algumas destas infeções. A questão é se esta redução está ligada ao declínio do uso de antibióticos», diz Merenstein, que acredita que ainda é necessário ver se existe uma associação entre o uso de probióticos e a redução da necessidade da prescrição de antibióticos para o tratamento de várias questões, algumas relacionadas com uma população mais idosa 

«Não conhecemos todos os mecanismos que os probióticas podem alavancar. Mas como a maior parte do sistema imunológico humano se encontra no trato gastrointestinal, a ingestão de bactérias saudáveis pode excluir competitivamente patógenos bacterianos ligados a infeções intestinais e pode estimular o sistema imunológico a combater outros », diz o investigador.  

Entre os vários benéficos, os probióticos podem ajudar a resolver infeções nos tratos respiratórios e digestivos, uma vez que estes microrganismos ajudam o sistema imunológico a combater bactérias que colocam em causa a saúde.

No entanto, «são necessários (mais estudos) em todas as idades, particularmente nos idosos, para ver se o uso dos probióticos está ligado a uma redução geral nas prescrições de antibióticos. Se isto for assim teríamos um grande impacto na medicina geral», explica outra das autoras deste estudo, Sarah King, da Universidade britânica de Cambridge.

 

Artigo de Opinião
«O Linfoma de Hodgkin manifesta-se, geralmente, pelo crescimento de gânglios que se identificam como

Os Linfomas (de Hodgkin ou de não Hodgkin) constituem um conjunto de doenças malignas do sangue e do tecido linfóide. As células que lhes dão origem fazem parte do nosso sistema imune, isto é, o sistema que nos protege dos agentes infecciosos, de células anormais que possam tornar-se malignas ou de qualquer substância exógena que invada o corpo. Apesar disso, e como em qualquer outro tecido, também estas células se podem tornar cancerosas e enganar as células imunes normais. Qualquer daqueles subgrupos é composto por múltiplas entidades que, no caso do LH, apresentam características clínicas e patológicas comuns e relativamente típicas.

Trata-se de uma doença rara (cerca de 1% dos cancros), mas que pode atingir qualquer idade. Ela é mais frequente nos adolescentes e adultos jovens e após os 55 anos, o que se traduz numa distribuição etária com dois picos de incidência (bi-modal).

A doença manifesta-se, geralmente, pelo crescimento de gânglios que se identificam como tumores cervicais, axilares ou inguinais. Mais raramente, o crescimento dos gânglios em locais não acessíveis ao exame direto ou pela invasão de órgãos internos pode resultar noutros sinais ou sintomas como tosse, falta de ar ou massa abdominal. Em fases mais avançadas a doença maligna induz manifestações gerais como febre, emagrecimento, suores, fadiga, prurido e raramente dor com a ingestão de álcool.

O diagnóstico consegue-se pela biópsia, isto é, retirando um fragmento ou a totalidade do gânglio. A citologia aspirativa (por vezes erradamente chamada biópsia aspirativa) não é útil para o diagnóstico do LH.

Mais raramente, quando apenas existe uma lesão tumoral nos tecidos (extra-ganglionar) ter-se-á que proceder a uma biópsia incisional, excisional ou com agulha dessa lesão (mas não uma citologia).

Após se conseguir o diagnóstico, é fundamental avaliar a extensão da doença (habitualmente chamado estadiamento) e os fatores de prognóstico. A doença localizada e com fatores de prognóstico favoráveis pode ser tratada durante menos tempo que a doença avançada.

Para avaliar os possíveis locais da doença, além do exame físico o doente terá de realizar a tomografia axial computorizada (TAC) ou um exame ainda mais sensível, a PET-CT (do inglês positron emission tomography – computed tomography). Nos doentes que não fazem PET-CT, é aconselhável a avaliação da eventual invasão da medula óssea (o órgão onde se produz o sangue e algumas células do sistema imune) com uma biópsia óssea, que se realiza nos ossos da bacia.

O tratamento do LH constitui um dos maiores sucessos da história da medicina. A taxa de sobrevivência a longo prazo (aos 5 anos) que, na maioria dos casos, significa a cura, mais que triplicou desde os anos 50, situando-se, atualmente, em mais de 80%. Nalguns subgrupos etários ela é mesmo superior a 90%.

O tratamento é realizado com recurso à quimioterapia citotóxica (QT), à radioterapia (RT) e, mais recentemente, com fármacos que ativam a imunidade, atacando diretamente as células malignas ou induzindo as nossas células normais do sistema imune a atacar aquelas.

Hoje ainda se mantém o tratamento inicial com QT e RT nas formas localizadas ou com QT mais prolongada nas formas avançadas (que também pode ser adjuvada com RT nos locais que mais resistentes à QT). A QT intensiva seguida de suporte com células mães do sangue (hematopoiéticas) previamente colhidas ao próprio doente (autólogas) tem sido utilizada há 30 anos para salvar doentes com formas recidivantes de LH. Finalmente, as modalidades de Imunoterapia estão também a ser usadas na doença recidivante. No entanto, estão a ser testadas mais precocemente na doença de mau prognóstico com resultados promissores para algumas delas.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Certificação Internacional
O Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) vai avançar em janeiro com um projeto de eficiência energética para tornar o hospital...

Atualmente o Hospital de Santa Maria (HSM), que tem uma área útil do edifício de 125.504 m2, atende por ano cerca de 1,2 milhões de utentes, possui mais de 6.000 colaboradores e gastou, em 2016, 23 GWh de energia elétrica e 1,8GWh de gás natural perfazendo, aproximadamente, 25 GWh.

Estes valores, em termos anuais, traduzem-se em três milhões de euros em gastos com energia.

O projeto “Green Hospital” foi apresentado em Lisboa numa conferência no hospital de Santa Maria, onde participou também o secretário de Estado do Ambiente que classificou a iniciativa como emblemática e “um incentivo” para outras entidades públicas.

Segundo o presidente do Conselho de Administração do CHLN, Carlos das Neves Martins, o “Green Hospital” é um projeto ambicioso com um investimento estimado de 25 milhões com possibilidade de ter 70 por cento de financiamento comunitário.

Numa primeira fase com um valor estimado de 15 milhões de euros, adiantou Carlos Martins, há a hipótese de financiamento a 95 por cento.

Carlos das Neves Martins adiantou que este é o maior edifício público nacional, um dos maiores hospitais do pais a dar o exemplo de um conjunto de políticas para melhor eficiência energética.

Em causa estão medidas como a eliminação do papel ou a substituição de janelas, de pavimentos e de paredes para atenuar o ruído ou ainda a colocação de painéis solares nas coberturas dos parques de estacionamento.

O projeto Santa Maria Green Hospital é constituído por 10 objetivos interligados que a administração gostaria de ver implementados nos próximos cinco anos, com o aproveitamento dos fundos do Portugal2020, bem como de outros instrumentos financeiros.

A transformação do HSM num hospital mais amigo do ambiente compreende projetos para a recuperação e alteração da tipologia técnica de equipamentos, visando a redução sustentável dos consumos de energia.

Estes projetos estão integrados na candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) já aprovada com um valor total de 15,87 milhões de euros.

No âmbito do cumprimento deste objetivo e nos termos da candidatura ao POSEUR, explicaram os responsáveis pelo projeto, encontram-se definidas sete ações (MM) a desenvolver, entre as quais a substituição das lâmpadas existentes por tecnologia LED para iluminação interior, de coletores solares térmicos para preaquecimento de água quente sanitária, de um sistema de módulos fotovoltaicos para autoconsumo, de um sistema centralizado de produção de fluido térmico, e substituição de caixilhos e estores exteriores.

O Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) quer ainda ter uma frota amiga do ambiente (híbrida ou elétrica), repensar a recolha e produção de resíduos hospitalares, colocar pavimentos e revestimentos antimicrobianos e fazer um aproveitamento paisagístico de toda a área exterior do Hospital criando um jardim terapêutico, uma pista de manutenção e um “fitness park”.

São necessárias parcerias
O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior defendeu que o orçamento da parceria europeia com os países em...

Em declarações à Lusa, à margem do 9.º Fórum da Parceria entre a Europa e os Países em Desenvolvimento para a Realização de Ensaios Clínicos (EDCTP), em Lisboa, Manuel Heitor frisou que a EDCTP acentua a necessidade de estabelecer parceiras intergovernamentais orientadas “para problemas críticos, não apenas de África, mas de todo o mundo, e da Europa em particular”.

A parceria visa acelerar o desenvolvimento de fármacos e vacinas para o VIH/SIDA, a tuberculose e a malária, “dramas particularmente críticos na África subsaariana”, segundo o ministro, com particular incidência em ensaios clínicos.

Por isso mesmo, defende um reforço orçamental, no âmbito do novo Horizonte Europa (programa europeu para o período 2021-2027) que está a ser discutido.

“É um programa muito pequeno e Portugal tem defendido o seu crescimento, mas tudo resulta de uma negociação complexa a nível europeu”, acrescentou.

Portugal, adiantou, “está a intervir em várias ações para criar redes público-público entre a Europa e os países da África subsaariana”, mas “todo o esforço é pouco porque o desafio é enorme”, destacou o governante.

Manuel Heitor deu como exemplos a parceria entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a fundação Aga Khan, para estimular a capacitação científica em África desenvolvendo redes entre instituições africanas em países como Guiné-Bissau, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, África do Sul, Cabo Verde, Moçambique e Angola, ou o Centro Internacional de Investigação para o Atlântico.

O ministro sublinhou que o objetivo é “ajudar a desenvolver e a fixar recursos humanos qualificado em África, a nível de capacitação científica” e “infraestruturas humanas”, apostando na educação e no desenvolvimento de redes, pois o contexto social e institucional em África “é particularmente fragmentado”.

Segundo o relatório mais recente da EDCTP, entre 2014 e o final de 2017 foram financiados 124 projetos, num valor total de 255,9 milhões de euros, incluindo 32 testes clínicos multicêntricos correspondentes a 195,24 milhões de euros. Estes ensaios envolveram investigadores de 35 países da África subsaariana e 16 europeus.

A EDCTP resulta de uma parceira público-público entre 14 países europeus e 16 africanos.

ONU
A situação da mortalidade infantil no mundo apresenta melhorias assinaláveis desde 1990, mas a situação permanece inaceitável,...

Em 2017 morreram 5,4 milhões de crianças com menos de cinco anos, menos de metade dos 12,6 milhões de óbitos registados em 1990, segundo o documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Organização Mundial da Saúde, Divisão da ONU para a População e Banco Mundial.

A maior quantidade de mortes (2,5 milhões) ocorreu no primeiro mês de vida, com mais 1,6 milhões a ocorrerem entre um e 11 meses e outros 1,3 milhões entre um e quatro anos. Entre 5 e 14 anos morreram mais 900 mil crianças no ano em causa.

No documento salientou-se que “estas mortes refletem o acesso limitado de crianças e comunidades a condições básicas de saúde, como vacinação, tratamento médico de doenças infecciosas, alimentação adequada, água limpa e saneamento”.

Os autores do texto salientaram que “é inaceitável que 15 mil crianças tenham morrido todos os dias em 2017, na sua maioria de causas evitáveis e doenças tratáveis”.

Metade das mortes ocorreu na África subsariana e 30% no sudeste asiático.

“As crianças estão a morrer por causa do que são e do ambiente em que nasceram, sejam famílias pobres ou comunidades marginalizadas”, apontou-se na análise.

Em particular, as crianças nascidas em famílias pobres têm o dobro da possibilidade de morrer do que se tiverem nascido em famílias abastadas, o risco de morte nas áreas rurais é 1,5 vezes superior ao das áreas urbanas e os filhos de mães sem educação têm uma probabilidade 2,6 vezes superior de morrer do que se fossem filhos de mães com o ensino secundário ou superior. A qualidade do ar também discrimina nestas mortes, em particular em algumas regiões da África subsariana.

Se a tendência atual se mantiver, os autores do documento estimam que entre 2018 e 2030 vão morrer mais 56 milhões de crianças, metade das quais recém-nascidas.

Entre os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), os números indicam uma tendência generalizada de melhoria, mas com situações diferentes.

Assim, em relação a crianças mortas com menos de cinco anos por mil nados vivos, Portugal passou de 15 em 1990 para quatro em 2017.

Entre os outros integrantes da CPLP a situação pior é a da Guiné-Bissau, que passou de 224 para 84, e a melhor a do Brasil, que reduziu de 63 para 15. No meio estão Angola (de 224 para 81), Moçambique (de 240 para 72), Timor-Leste (de 174 para 48) e Cabo Verde, que passou de 63 para 17.

Intervenção Pioneira
António Cruz, 46 anos, foi o primeiro doente português a receber um dispositivo médico para o tratamento da insuficiência...

O dispositivo foi aplicado há pouco mais de um mês no Hospital de Santa Cruz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental), numa intervenção pioneira na Península Ibérica, e o doente registou “uma evolução muito favorável em linha com os resultados recentemente publicados”, segundo o médico responsável pela intervenção, Pedro Adragão.

A terapia de Modulação de Contratilidade Cardíaca, que atua por estimulação do músculo cardíaco durante o período refratário, “é uma esperança para doentes que, apesar da medicação otimizada, se mantêm com insuficiência cardíaca sintomática”, disse o coordenador da Unidade de Arritmologia de Intervenção do Hospital Santa Cruz.

Os problemas de António Cruz começaram em abril quando teve um “princípio de enfarte”. Foi operado de urgência, mas os problemas de insuficiência cardíaca continuaram. Em declarações aos jornalistas no hospital, onde foi a uma consulta de rotina, contou que antes do problema cardíaco fumava 30 cigarros por dia e tinha diabetes e colesterol elevado, problemas a que nunca ligou.

Quando lhe foi proposta a colocação do dispositivo, parecido com um ‘pacemaker', disse que teve receio. “Disseram-me que era um aparelho novo, que em Portugal não havia, e fiquei com um bocado de medo, não estava à espera”, recordou.

“Mas convenceram-me, tenho este aparelho há um mês e meio e estou feliz, uma pessoa nova. Deixei de fumar, já controlo tudo o que consigo controlar, já consigo caminhar, consigo sentir os meus dedos, o que antigamente não conseguia, porque o oxigénio não chegava a todo o lado”, disse, com entusiasmo.

Para António Cruz, o dispositivo foi “quase uma salvação”, porque lhe deu “uma vida nova”. Mas o melhor, como salientou, foi sentir “o coração de novo a bater, uma coisa formidável”.

“Neste momento, estou a sentir o coração quase a sair fora, porque são impulsos elétricos, e é fantástico. É o coração a reviver”, comentou, com um grande sorriso, desejando que esta técnica chegue a todos os doentes com insuficiência cardíaca.

Citando estudos recentes, Pedro Adragão disse que a utilização desta técnica diminui a mortalidade, o número de hospitalizações e os sintomas. “O doente pode viver melhor, fazer a sua vida normal sem recorrer tanto ao hospital”, frisou

“No caso deste doente, o risco era ter sintomas de insuficiência cardíaca, mesmo fazendo uma terapêutica médica otimizada”, razão pela qual lhe foi proposto fazer esta técnica, já estudada, disse, salientando que na Alemanha mais de 3.000 doentes já têm implantado este sistema com bons resultados.

Sobre os encargos da aplicação desta técnica para o Serviço Nacional de Saúde, Pedro Adragão afirmou que se forem avaliados os custos por dia de tratamento não é mais caro do que a medicação.

“Se pagarmos tudo no primeiro dia é obviamente mais caro, mas está adaptado, e os custos tendem a diminuir consoante a sua utilização vai sendo aumentada. Portanto, a expectativa é que venha a ficar dentro dos preços habituais destes sistemas para insuficiência cardíaca”, salientou.

Relativamente ao número de doentes que podem beneficiar desta terapia, o especialista disse que, inicialmente, serão na ordem das dezenas ou centenas. “Se os resultados forem os que esperamos poderá ser mais ampliada”, frisou.

Estima-se que a insuficiência cardíaca afete cerca de 2% da população adulta nos países desenvolvidos e mais de 10% das pessoas acima dos 70 anos de idade. Esta doença caracteriza-se pela incapacidade do músculo do coração em bombear sangue suficiente para todo o corpo e apresenta sintomas como a falta de ar, a fadiga e retenção de líquidos.

Sintomas que António Cruz deixou para trás. “Com o coração a bater desta forma sinto-me capaz de correr uma maratona”.

"Saúde Oral para Todos"
O projeto de colocação de dentistas nos cuidados de saúde primários vai ser alargado a “várias dezenas de municípios”, segundo...

Os acordos, entre várias dezenas de municípios e as cinco administrações regionais de saúde, vão ser assinados na cerimónia “Saúde Oral para Todos” e inserem-se no projeto de ter médicos dentistas nos centros de saúde.

A experiência piloto começou em 2016 em 13 centros de saúde e foi alargada até aos atuais 63 gabinetes de saúde oral nos cuidados de saúde primários, em todo o país.

Na cerimónia de hoje, com a presença do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, será anunciada a nova “ambição do Governo” na área da saúde oral, segundo um comunicado do Ministério da Saúde divulgado na segunda-feira.

A intenção do Governo é criar pelo menos um gabinete de saúde oral por agrupamento de centros de saúde até final da legislatura, diz-se no comunicado, no qual se acrescenta que “fruto do sucesso das experiências-piloto”, o Ministério “decidiu ir mais longe e renovou a sua ambição, tendo em vista a promoção da equidade e da proximidade e o aumento e a melhoria da cobertura dos cuidados de saúde oral ao nível dos cuidados de saúde primários”.

A decisão do Governo merece o aplauso da Ordem dos Médicos Dentistas. O bastonário, Orlando Monteiro da Silva, disse que o envolvimento dos municípios na questão da saúde oral é uma aspiração antiga da Ordem.

“Hoje as autarquias já veem este tipo de envolvimento como fundamental, hoje isso é valorizado pelas populações”, disse o bastonário a jornalistas no âmbito de uma visita a uma unidade de medicina dentária em Lisboa na segunda-feira.

Orlando Monteiro da Silva visitava o centro de saúde do Monte Pedral, em Lisboa, com a presidente da World Dental Federation (FDI), Kathryn Kell, que iniciou na segunda-feira uma visita de dois dias a Portugal para se inteirar da realidade nacional.

O bastonário salientou que há em Portugal um consenso quanto à necessidade da promoção dos cuidados se saúde oral, com vários partidos a terem “ideias semelhantes”, e acrescentou que espera ver esse consenso refletido no próximo orçamento do Estado.

Kathryn Kell também participa na cerimónia de hoje, com uma intervenção sob o tema “Portugal no caminho da vanguarda internacional”. Aos jornalistas, a responsável, norte-americana, já disse que a visita se destina a conhecer a realidade do país, e considerou que Portugal é um caso de sucesso que podia ser adotado por outros países no que respeita à integração dos cuidados de saúde.

Com sede em Genebra, a FDI representa mais de um milhão de dentistas de cerca de 130 países, com o objetivo de melhorar a saúde oral das populações, um grande desafio tendo em conta as diferenças entre os países, segundo a responsável.

A federação, disse também, pretende fazer um diagnóstico sobre a saúde oral em termos globais.

Além de Kathryn Kell na sessão de hoje falarão também o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, e a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, encerra a cerimónia.

IPMA
O arquipélago da Madeira e o distrito de Beja, no continente, apresentam hoje risco muito elevado de exposição à radiação...

Em risco elevado estão os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Coimbra, Guarda, Castelo Branco, Leiria, Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal, Évora e Faro, no continente, e as ilhas das Flores, Terceira, Faial e S. Miguel, nos Açores, estão hoje em risco elevado.

A exceção vai para o distrito de Aveiro que está hoje apenas com níveis moderados de exposição à radiação UV.

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda a utilização de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao Sol.

O índice ultravioleta varia entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

 

 

Estudo
Os alunos do Porto “continuam a desperdiçar” comida nos almoços escolares, conclui um estudo realizado pela Escola Superior de...

“Concluímos que durante o almoço, são desperdiçadas cerca de 47 gramas de sopa e 57 gramas do prato principal, por aluno”, assinalou Margarida Liz, docente da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto que apresentou hoje o estudo no Porto.

Segundo Margarida Liz, apesar de existir “um maior cuidado e preocupação dos docentes e não docentes” nas escolas da cidade do Porto, ainda se mantém dúvidas quanto ao equilíbrio das refeições.

A falta de variedade, a pouca confeção de refeições de peixe, a utilização de ‘peixe gordo’ e a ausência de legumes e ovos foram alguns dos aspetos que a docente destacou, afirmando que “existiram melhorias” que “foram significativas”.

Durante seminário, que decorre hoje no Porto, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, afirmou à Lusa que o desperdício alimentar “é uma questão de grande relevo”, isto porque os alimentos mais desaproveitados são a sopa e a fruta.

Desta forma, Margarida Liz, considerou que, para além de “uma modificação do ambiente alimentar”, é também “necessária uma capacitação dos alunos e dos agentes educativos” para que “exista uma melhoria” relativamente à alimentação escolar.

 

Crianças e jovens
O técnico da Direção-Geral da Educação, Rui Matias Lima, alertou hoje para os maus hábitos alimentares das crianças e dos...

“Atualmente, as crianças e os jovens têm hábitos alimentares, ao longo do dia, que não podemos considerar os ideais”, frisou Rui Matias Lima, do Núcleo de Educação para a Saúde e Ação Social Escolar da Direção-Geral de Educação (DGE).

O membro da DGE destacou também a dificuldade em “pôr em prática alterações aos regimes alimentares escolares”, afirmando que "a maioria das famílias portuguesas não percebe a importância de uma boa alimentação”.

Num seminário onde se debateu o futuro do sistema alimentar escolar em Portugal, Rui Matias Lima abordou ainda as novas Orientações sobre as Ementas e os Refeitórios Escolares, estudo que resultou na introdução nas cantinas escolares de 40 ementas vegetarianas e 15 ementas mediterrânicas.

Questões como o desperdício alimentar, a falta de variedade das refeições e uma alimentação adequada foram também alguns dos temas destacados pelos oradores.

Helena Ávila, diretora de qualidade da empresa de restauração Uniself, alertou ainda para a necessidade de combater os “mitos urbanos” sobre as refeições escolares.

“É cada vez mais importante definirmos quem é que regula, assim como quem é que determina o processo escolar. Todos os mitos urbanos que existem sobre as refeições escolares tem de ser desmistificados”, frisou.

Helena Ávila afirmou também que não existe “consistência nos estudos realizados em Portugal” e que por isso, “ninguém sabe dizer, atualmente, qual é o impacto da alimentação escolar no país”.

“Não é útil nem valioso para a profissão sabermos que os colegas que trabalham na restauração escolar não são vistos como promotores de alimentação saudável”, acrescentou.

O ciclo de seminários sobre nutrição comunitária e saúde pública decorre hoje na Fundação Manuel António da Mota, no Porto, e conta com vários oradores como a chefe de gabinete da bastonária da Ordem dos Nutricionistas e docentes da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto.

Distribuição farmacêutica
A Alliance Healthcare e IBERFAR, empresas do mercado de distribuição farmacêutica, notificaram a Autoridade da Concorrência ...

A Logifarma - Logística Farmacêutica é uma empresa de prestação de serviços de logística de armazenamento e distribuição de produtos e equipamentos farmacêuticos, produtos sanitários e de higiene.

A operação de concentração concretiza-se pela transmissão da totalidade dos ativos da unidade de negócio da prestação de serviços de logística da Alloga Portugal, subsidiária da Alliance Healthcare, para a Logifarma, subsidiária da IBERFAR, adquirindo depois a Alliance Healthcare à IBERFAR uma participação de controlo na Logifarma, por meio de um acordo de 'joint venture'.

Após a operação, a Logifarma, que vai concentrar numa única empresa as suas atividades e as da Alloga, passa a ser detida em 51% pela Alliance Healthcare e Alloga e em 49% pela IBERFAR.

Mas nos termos do Acordo Parassocial celebrado, a Logifarma vai ser controlada conjuntamente pela Alliance Healthcare e pela IBERFAR.

A Alliance Healthcare dedica-se ao comércio, importação e exportação de produtos farmacêuticos, enquanto a IBERFARse dedica à produção de medicamentos.

Pediatra
A Equipa Local de Intervenção Santo Tirso/Trofa ajudou, desde 2013, 450 crianças com limitações ao nível psicológico, revelou...

A responsável explicou que em Portugal a intervenção, da responsabilidade do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI), é feita em crianças dos 0 aos 6 anos, num processo que "começa a despertar a curiosidade no estrangeiro”.

"Ela é feita por uma equipa multidisciplinar, mas que trabalha em modelo transdisciplinar, ou seja, ela é feita no domicílio e num contexto educativo, ao contrário do habitual, em que se leva as crianças para dentro de gabinetes para fazer terapias", disse Sara Figueiredo.

Explicando ser a aposta "trabalhar naquele que é o meio natural da criança, junto com as famílias e com os pares nas escolinhas, de forma a que a criança aprenda a brincar", Sara Figueiredo frisou a importância do acompanhamento de muito perto de todos os envolvidos.

"Outro detalhe muito importante no modelo do SNPI é que os pais, as famílias, os cuidadores e os educadores fazem parte do processo da criança. Os pais têm de estar sempre presentes e a nossa ideia é passar estratégias aos pais e empoderar a família, de forma a poder intervir na criança o dia todo", vincou a médica pediatra.

Enfatizando a importância de "intervir o mais cedo possível", uma vez que as "crianças têm uma neuroplasticidade que vai diminuindo com a idade", estando esta associada à "capacidade de a criança moldar em termos positivos ou negativos", esta é "tanto mais capaz quanto mais precoce for a idade em que se intervém".

"Este nosso sistema é exemplar e muitos países estão a ver-nos dessa forma, apesar de estar pouco divulgado", salientou Sara Figueiredo, indicando que "atualmente estão a intervir junto de mais de uma centena de crianças", numa soma que atinge "as 450 desde que iniciaram funções no final de 2013".

As II Jornadas da Equipa Local de Intervenção (ELI) Santo Tirso/Trofa, distrito do Porto, decorrem na quarta-feira no Fórum Trofa XXI.

A ELI Santo Tirso/ Trofa é constituída por profissionais nas áreas da Medicina (Pediatria), Enfermagem, Educação, Psicologia, Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Fisioterapia e Serviço Social.

Nas II Jornadas serão abordadas as "várias etapas no SNIPI (Referenciação, Avaliação, Intervenção e Transição", referiu Sara Figueiredo, dirigindo-se a ação a "todos os profissionais de Intervenção Precoce na Infância, médicos de Medicina Geral e Familiar, pediatras, pedopsiquiatras, neuropediatras, fisiatras, enfermeiros, docentes, psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e técnicos do serviço social.

“Projeto Radar”
O protocolo de colaboração do “Projeto Radar”, que pretende sinalizar idosos com mais de 65 anos em situação de isolamento em...

“Não há futuro da cidade de Lisboa se não tivermos uma sociedade coesa, que é capaz de gerar qualidade de vida e oportunidades para todos”, vincou Fernando Medina (PS), na cerimónia da assinatura do protocolo, que decorreu no Convento de São Pedro de Alcântara.

O protocolo foi assinado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo Instituto da Segurança Social, pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, pela Polícia de Segurança Pública, por Comissões Sociais de Freguesia e Juntas de Freguesia.

A iniciativa enquadra-se no programa “Lisboa, cidade de todas as idades”, que “trata da preparação, da construção e organização de uma cidade que se tem de adaptar para uma vida de pessoas que hoje vão viver muito mais tempo”, defendeu o autarca, lembrando que um terço da população lisboeta tem mais de 65 anos.

O trabalho de sinalização tem já vindo a ser feito no terreno.

O líder do executivo da Câmara de Lisboa, de maioria socialista, explicou aos jornalistas no final da sessão que o projeto assenta em “três ideias fundamentais”.

“A primeira é criar condições para a atividade das pessoas. As pessoas hoje com 65 anos e mais estão muitas delas na plena capacidade da sua vida, querem participar na sociedade, na vida ativa, querem poder ler, poder ter acesso à cultura, querem poder ter acesso a novas formações que não tiveram”, indicou.

Em segundo lugar, afirmou, pretende-se criar “condições para que as pessoas até mais tarde possível vivam nas suas casas, com conforto e segurança”.

“As pessoas, à medida que envelhecem, vão tendo necessidades, às vezes de pequenas obras de adaptação nas suas casas, nos seus espaços, que ajudam a que elas se possam manter lá e que não tenham de sair para lares ou para outros locais”, acrescentou Fernando Medina, exemplificando que a substituição de banheiras por polibãs ou a instalação de um pequeno corrimão podem fazer a diferença.

Além disso, o “Projeto Radar” visa dar “uma resposta para aqueles que têm necessidade de acompanhamento médico ou até de acompanhamento mais institucionalizado ao nível da residência”, adiantou o autarca.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, sublinhou que este é um programa com “imensa ambição”, que está “aberto a todas as idades” e que pretende “tornar a cidade de Lisboa ainda mais amiga das pessoas, sobretudo das pessoas mais velhas”.

Governo
O PAN Pessoas-Animais-Natureza vai recomendar ao Governo a realização de um estudo sobre a presença cada vez maior de gaivotas...

“Este é um problema não circunscrito à Área Metropolitana do Porto, não é um problema local mas sim nacional e internacional, e deve de ser resolvido de forma sistémica e concertada entre os vários concelhos onde se verifica este fenómeno”, defende o PAN, o partido das Pessoas-Animais-Natureza), anunciando hoje, em comunicado, que vai fazer uma “recomendação ao Governo para que se realize um estudo” sobre a grande presença de gaivotas em determinadas cidades portuguesas.

O PAN, que promoveu um debate sobre o problema das gaivotas urbanas na sexta-feira no Porto, afirma ainda que é “urgente atuar politicamente na produção e gestão dos resíduos urbanos”.

"A ineficiente produção e gestão dos resíduos urbanos é um foco de alimentação disponível para as gaivotas, levando a que as mesmas decidam instalar-se em grandes centros urbanos, pelo que é urgente atuar politicamente de modo eficaz na produção e gestão dos resíduos urbanos. Há ainda que perceber os impactos que tem para as gaivotas residirem nos centros urbanos, uma vez que nos seus ninhos são hoje em dia encontrados constantemente materiais como metais, plásticos e vidros"

O PAN lamenta, por outro lado, que o estudo realizado em 2010 e 2011 sobre Controlo da População de Gaivotas na Área Metropolitana do Porto pelo CIImar (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental), não tenha tido continuidade devido à “grande importância de dados constantemente atualizados e não apenas dados pontuais”.

O extermínio das gaivotas “não é solução” para o PAN, porque, segundo explica aquele partido, pode até ter o “efeito contrário”, ou seja, “o efeito de vácuo” e que venha a atrair novas gaivotas ou outras espécies para os locais onde habitavam anteriormente gaivotas.

Em declarações em agosto, o presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISUP), Henrique Barros, admitia que as gaivotas são um problema de saúde pública e sugeria mesmo à população que deixasse de dar alimento àquelas aves.

As “aves não são infelizes”, nem precisam que “se dê de comer à mão”, considerou Henrique Barros, presidente do ISUP, defendendo a necessidade de uma maior prevenção junto à população para que coloque o lixo urbano nos locais convenientes.

O partido político PAN defende uma atuação “ética”, bem como uma “eficiente gestão dos resíduos urbanos”, e acredita que a solução passa também por a população aprender “(con)viver em sociedade, sem deixar de parte qualquer elemento que dela faça parte.

Formas positivas de controlo ou afugentamento da população de gaivotas, como a “inviabilização dos ovos” ou “métodos contracetivos”, e um eficaz “tratamento dos resíduos urbanos” são algumas soluções defendidas pelo PAN.

Um estudo científico sobre gaivotas que está a ser feito no Porto por uma investigadora da Universidade de Coimbra, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Estudos das Aves (SPEA), revela, nas conclusões preliminares, que aquelas aves tanto se alimentam de queques e carne na Baixa da cidade do Porto, como comem peixe ao longo do rio Douro até Pinhão (Vila Real) e vão à lota de Matosinhos.

Segundo a SPEA, o aumento de ataques de gaivotas no Porto pode explicar-se com o crescente número de restaurantes perto do rio Douro, uma consequência da elevada procura turística naquela área.

O aumento da exploração pesqueira nas últimas décadas, a alimentação suplementar em áreas urbanas, com rejeições de pesca, as descargas de peixe em lotas, os resíduos urbanos, lixeiras a céu aberto e a alimentação suplementar por pessoas, bem como a expansão urbanística são as causas elencadas por pedro Rodrigues, da SPEA, para justificar o aumento do número de gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) na cidade do Porto, mas também noutras cidades portuguesas.

Estudo
A conclusão é de um estudo feito nos Estados Unidos e na Austrália que nota um aumento do risco de risco de hemorragias...

Um estudo agora publicado sugere que idosos em boas condições de saúde não devem tomar uma aspirina por dia, como sugerem investigações científicas prévias. Há benefícios comprovados na toma diária da aspirina em pessoas que sofreram um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC), porque a droga ajuda a diluir o sangue, evitando assim um novo episódio de doença. No entanto, algumas pessoas completamente saudáveis optam por tomar aspirina para diminuir as hipóteses de ataque cardíaco ou AVC e há investigações sobre o uso desse medicamento para reduzir o risco de cancro.

Agora, um novo estudo não encontrou benefícios da toma deste fármacos em pessoas saudáveis com mais de 70 anos; pelo contrário, o medicamento aumentou o risco de hemorragias eventualmente fatais.

A maioria dos estudos sobre os benefícios da aspirina é realizada em pessoas de meia-idade e há evidências crescentes de que os perigos da toma automedicada deste fármaco aumentam à medida que envelhecemos.

Perigosa para o estômago
O estudo foi feito com base em dados de 19.114 pessoas dos Estados Unidos e Austrália. Os entrevistados tinham mais de 70 anos, boas condições de saúde e não possuíam histórico de problemas cardíacos. Metade delas recebeu uma dose diária de aspirina em baixa dose durante cinco anos.

Três relatórios publicados na revista científica New England Journal of Medicine mostraram que estes comprimidos não reduziram o risco de problemas cardíacos ou proporcionaram algum outro benefício para quem as tomou. No entanto, a investigação adianta que a toma da aspirina aumentou o número de grandes hemorragias no aparelho digestivo, em concreto no estômago.

"Isso significa que milhões de idosos saudáveis em todo o mundo que tomam aspirina em doses baixas sem razão médica podem estar a fazê-lo isso desnecessariamente, porque o estudo não mostrou nenhum benefício que compense o risco de hemorragia", comenta o investigador John McNeil, da Universidade Monash, citado pela BBC.

"Estas descobertas vão ajudar a informar os médicos que prescrevem há muito tempo este fármaco", acrescentou.

Instituto Nacional de Estatística
Houve um ligeiro decréscimo em 2017 em relação ao encaixe conseguido no ano anterior, mas ainda assim este foi o segundo melhor...

No ano passado Portugal vendeu medicamentos no valor de 959 milhões de euros. Um ligeiro decréscimo em relação ao encaixe conseguido no ano anterior, mas ainda assim o segundo melhor valor desde 2010 (444 milhões de euros). Sem grandes flutuações nos últimos anos no top dez dos principais países compradores, a lista é liderada pelos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

Os produtos exportados são variados, entre substâncias ativas, genéricos e medicamentos de marca. Há fármacos para doenças do sistema nervoso central, sistema cardíaco, epilepsia, doença de Parkinson, para níveis elevados de concentração de potássio no sangue, antibióticos, vacinas, entre outros.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, enviados ao jornal Público, desde 2010 o percurso foi sempre a subir e a venda deste tipo de produtos atingiu o seu melhor valor em 2016, quando as exportações valeram 1020 milhões de euros. Nesse ano, os Estados Unidos representaram perto de 25% do valor das exportações, seguidos da Alemanha (15,2%) e Reino Unido (12,2%).

Os dados provisórios de 2017 – ano em que vendemos para mais de 140 países – mostram uma ligeira quebra de 6% em relação a 2016. O top três dos países compradores manteve-se inalterado, mas o peso do mercado norte-americano diminuiu. Tendência que se manteve nos primeiros sete meses deste ano, em que as exportações para os EUA se cifraram em cerca de 55 milhões de euros – menos 57,5% quando comparado com o período homólogo.

Os dados preliminares dos primeiros meses deste ano mostram um decréscimo no total das exportações em comparação com o mesmo período do ano passado: passaram de 617 milhões para 493 milhões de euros. Além dos Estados Unidos, também as vendas para o mercado angolano sofreram uma contração significativa (menos 22,8%).

Produzir mais
Para a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), esta “ligeira flutuação” nas vendas no ano passado e aparente continuidade este ano “não permite assinalar uma tendência de redução do valor das exportações”. “De qualquer forma, a conjuntura observada em países como Angola, Brasil e Venezuela podem justificar alguma da perturbação registada”, admite a associação.

Paulo Lilaia, presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (Apogen), também não aponta razões concretas, mas salienta que “é preciso avaliar as exportações de medicamentos produzidos em Portugal e os que são exportados mas que não são produzidos no país”. “A minha percepção é que a quantidade e o valor de medicamentos produzidos cá e exportados continua a aumentar, o que poderá ter diminuído são os medicamentos importados e depois exportados em que Portugal serve de plataforma. O que traz valor e emprego é o que é produzido em Portugal”, diz, salientando que são várias as empresas que estão a produzir mais.

Já Joaquim Cunha, diretor executivo da Health Cluster Portugal – plataforma que tem associadas diversas empresas do sector da saúde e instituições académicas –, refere que o comportamento das vendas não foi igual ao longo destes sete meses, com sinais de recuperação no segundo trimestre. Por isso, acredita que este ano possa fechar em linha com 2017.

Os valores das importações não têm sofrido grandes oscilações nos últimos anos. Em 2017 Portugal importou medicamentos no valor de 1879 milhões de euros. Alemanha, Espanha e Reino Unido foram os países a quem mais comprámos.

Trabalho de “formiguinha”
Os medicamentos são a maior fatia das exportações, mas não a única. Os dispositivos médicos e material consumível, como batas, campos cirúrgicos ou compressas, também têm uma expressão importante. “As exportações estarão na casa dos 300 milhões de euros. Tem crescido sempre, em 2010 eram 150 milhões”, salienta Joaquim Cunha, que refere que ao todo, em 2017, a saúde terá significado um encaixe perto dos 1,4 mil milhões de euros e um peso a rondar os 3% do total das exportações de bens.

Chegar aqui, acrescenta, representou um trabalho longo. “Em primeiro lugar das empresas. Um trabalho de formiguinha, de persistência e resiliência e os resultados estão a ter efeito. Em segundo lugar, começou a ser possível passar a mensagem da saúde como um forte motor do desenvolvimento económico e social e dar visibilidade ao sector.”

Paulo Lilaia fala do apoio do AICEP “para que as empresas internacionais possam fazer cá o seu investimento” e do apoio às empresas nacionais para que estas entrem no mercado estrangeiro. A Apifarma destaca a participação, pela primeira vez, de empresas portuguesas no evento CPhl North America 2018, que se realizou em Abril. Em Outubro estarão presentes na versão europeia que se realiza em Espanha.

“Este trabalho reforça o compromisso das empresas portuguesas com os projetos de internacionalização, com o investimento em I&D [investigação e desenvolvimento] e com a competência tecnológica de Portugal”, acrescenta a Apifarma, que lembra que “a indústria farmacêutica portuguesa enfrentou vários desafios legislativos e económicos que obrigaram a desafios acrescidos e a uma reorientação estratégica para os mercados internacionais”.

Captar o interesse estrangeiro
A inovação tem sido a aposta da BIAL, empresa portuguesa que no ano passado registou uma faturação de 272 milhões de euros. A propósito do lançamento do seu medicamento da doença de Parkinson em Portugal – já estava à venda na Alemanha, Reino Unido e Espanha –, a farmacêutica recordou que os mercados internacionais têm um peso de 70% na faturação, quando em 2010 era de 30%. O medicamento para a epilepsia que lançaram em 2009 é comercializado em 44 países.

Em Junho deste ano, a OM Pharma, do Grupo Vifor Pharma, inaugurou a sua nova fábrica em Portugal, um investimento de 10 milhões de euros. Localizada em Alfragide, as instalações vão produzir um medicamento para o tratamento dos níveis elevados de concentração de potássio no sangue que será exportado para países de todo o mundo, incluindo Estados Unidos. Em 2000 a empresa já tinha deslocalizado parte da produção para Lisboa.

Dentro de três anos a Generis terá uma fábrica a funcionar em Rio Maior. Um investimento de 15 milhões de euros, com a criação direta de 100 postos de trabalho. Mas também indiretos com a criação de um curso de análises laboratoriais pela Escola Profissional de Rio Maior. Trata-se de uma unidade de recepção e embalamento de medicamentos a granel produzidos em Venda Nova (Amadora) e na Índia. Prevê-se a produção anual de 100 milhões de embalagens, o que significa um reforço da exportação. Angola, Moçambique e Cabo Verde,  Irão, Líbano e Líbia são alguns dos países compradores.

Desafios do futuro
As três associações são unânimes em dizer que Portugal tem potencial para continuar a crescer nesta área. O presidente da Apogen salienta o facto de sermos vistos como um “país com estabilidade política, o prestígio que a indústria portuguesa já conquistou, com um nível de qualificação elevado nesta área, uma relação positiva da qualidade-custo dos recursos humanos”.

“É essencial promover a importância do valor social e económico da saúde e o seu impacto transversal a toda a sociedade, dada a sua capacidade de gerar emprego, exportações e investimento em inovação”, reforça a Apifarma, que diz que há trabalho que deve ser aprofundado com vista à internacionalização. “Devemos reforçar medidas concretas como a redução de custos de contexto, apoios para promover a competitividade e fomentar a penetração das empresas que produzem em Portugal em novos mercados, ao mesmo tempo que investimos na criação de linhas de crédito para consolidar mercados ou ultrapassar desafios conjunturais.”

Joaquim Cunha afirma que Portugal “deve ambicionar duplicar a exportação”, mas reconhece os desafios: “Temos um tecido nacional capaz de crescer, mas se queremos dar o salto temos de ser capazes de atrair investimento estrangeiro. É muito importante a estabilidade fiscal e baixar a burocracia.”

Presidente da ADERMAP fala sobre a doença e sua missão
No dia em que se assinalou pela primeira vez o Dia Mundial da Dermatite Atópica, estivemos à convers

Para quem desconhece o impacto que a Dermatite Atópica pode ter na vida de um doente, o que nos pode dizer sobre o tema? Quais as principais complicações da doença e de que modo pode condicionar a vida de quem dela padece?

A Dermatite Atópica (DA), ou eczema atópico, é uma doença crónica, imunomediada, atualmente incurável, e multifatorial, pois é determinada pela interação de fatores genéticos e ambientais que ainda estão por elucidar.

A DA é tradicionalmente caracterizada por manifestações físicas na pele. As pessoas que sofrem de DA vêem e sentem os seus efeitos na pele – vermelhidão, edema (inchaço), prurido (comichão), xerose (secura cutânea), fissuras, lesões descamativas, crostas e exsudação.

Esta doença tem também vários efeitos a nível emocional, como impotência e frustração, ansiedade e depressão quando não é possível controlar a doença.

Além dos sintomas físicos característicos da doença, as pessoas que sofrem de DA verificam uma diminuição significativa da sua qualidade de vida.

Durante as crises, esta doença condiciona as nossas atividades no dia-a-dia e mesmo à noite por não conseguirmos dormir devido à intensa comichão e dor nas lesões. Por ter manifestações físicas visíveis e muitas vezes em zonas muito extensas, pode comprometer a interação com as pessoas. Esta doença limita ainda a realização de exercício físico pois a transpiração agrava as lesões devido ao intenso prurido que causam.

Quando a DA assume uma forma moderada a grave, os médicos têm de prescrever tratamentos sistémicos em conjunto com a aplicação de tratamentos tópicos (cremes) mas que não podem ser usados durante muito tempo pois começam a ser tóxicos para outros órgãos como os rins. A DA é uma doença crónica inflamatória que não tem cura e em muitos casos difícil de controlar, estando associada a outras doenças (comorbilidades) como a asma e a rinite alérgica, ou polipose nasal, e pode vir acompanhada de complicações cardiovasculares.

Que idade tinha quando foi diagnosticada com Dermatite atópica?

A Dermatite Atópica foi-me diagnosticada juntamente com a asma por volta dos 7 anos de idade e foram alternando na gravidade ao longo da minha vida.

Tenho atualmente 40 anos e, entre os 7 e os 31 anos, tive episódios relativamente controlados de DA, limitados na duração com lesões circunscritas às zonas mais comuns (ex. dobras dos cotovelos e joelhos, pescoço e pálpebras) e sobretudo no verão por causa do calor e da transpiração. Há 7 anos e meio, depois do meu primeiro filho nascer, a DA reapareceu e alastrou pelo corpo todo.

Quais foram as principais manifestações da doença e quais as regiões do corpo mais atingidas?

As principais manifestações são uma grande sensibilidade da pele, facilmente inflamada e com vermelhidão, edema (inchaço), muita secura e facilmente descamativa sobretudo entre hidratações. Um dos piores sintomas é a comichão (prurido). Quando sentimos comichão, temos uma tendência natural para coçar. Quando não conseguimos controlar, o ato de coçar resulta no surgimento de feridas e fissuras na pele (chego a ver a pele a rasgar em determinadas zonas dos braços). Nas crises mais complicadas, as lesões chegam a estar disseminadas por 80% do meu corpo, atingindo nas situações mais graves o couro cabeludo, é difícil encontrar uma zona da pele completamente “limpa”.

Após o diagnóstico que mudou no seu dia-a-dia? Que cuidados passou a ter?

O diagnóstico da DA foi feito logo aos 7 anos e assumiu uma forma “ligeira” e menos impactante. Desde logo aprendi que tinha de aplicar creme hidratante depois de cada duche, e pelo menos 2 vezes por dia para manter a pele mais hidratada. Tomo duches diários muito rápidos e sempre com água morna, e seco o corpo com muito cuidado (apenas aproximo levemente a toalha da pele pois o simples ato de secar “normalmente” causa danos). Sempre que possível, tento usar apenas roupa de algodão ou outras fibras naturais, e evito alimentos que comprovadamente me pioram as manifestações da doença. Felizmente, no meu caso, a exposição ao sol, de forma cuidada e responsável, faz-me muito bem sobretudo com banhos no mar. Naturalmente, que tento seguir à risca as indicações médicas e beber muita água pois também tem um efeito notório em mim.

Relativamente à ADERMAP, acredito que nasça com o objectivo preencher alguma lacuna, alguma carência no que toca ao apoio aos doentes de Dermatite Atópica… Neste sentido, o que levou à criação desta associação e quais as suas propostas? 

A ADERMAP foi criada por um grupo de pessoas com DA, e familiares, que sentiram a necessidade de agir e de ajudar a dar voz às preocupações, necessidades e impacto no dia-a-dia desta patologia.

A DA é muitas vezes considerada uma “simples doença de pele” e é muitas vezes negligenciada. Quando se fala em DA há uma tendência para associar apenas ao eczema de bebé, mas esta doença atinge qualquer idade e quando surge apenas na idade adulta, pode assumir formas mais disseminadas e graves, afetando o desempenho profissional nos picos das crises.

A ADERMAP visa ajudar a aproximar e capacitar a comunidade de DA em Portugal, bem como a promover a troca de experiências, a investigação e a partilha de informação e educação sobre esta doença, e sobre as formas de tratamento e controlo, esperando assim ajudar a aumentar os «outcomes» de saúde, nomeadamente no que toca à qualidade de vida das pessoas afetadas por esta doença, e pelas suas comorbilidades.

Na sua opinião, enquanto “doente” e presidente da Associação Dermatite Atópica de Portugal, qual a importância de se falar nesta patologia?

Apesar de a DA ser uma doença da pele comum, que pode surgir em qualquer idade, chegando a atingir níveis de gravidade muito elevados, a maioria das pessoas desconhece o grande impacto negativo na saúde e na qualidade de vida das pessoas que têm ou vivem com esta doença (familiares). Para além dos efeitos físicos e de sintomas muitas vezes difíceis de suportar, esta doença tem um impacto muito importante a nível psicológico, social, profissional. Por outro lado, este impacto é também coletivo, a DA tem um grande impacto financeiro nas pessoas e famílias com DA pois o tratamento inclui a aplicação constante de cremes emolientes e hidratantes que são muito dispendiosos e não têm qualquer comparticipação financeira ou possibilidade de dedução tributária.

Também tem um grande impacto nos sistemas de saúde e na economia. É urgente que esta doença seja tratada como um problema de saúde pública, são necessários estudos socioeconómicos sobre o seu impacto. Felizmente, esta doença está a ser alvo de uma maior visibilidade, atenção e investigação a nível global.

Celebramos a 14 de setembro o 1º Dia Internacional da Dermatite Atópica, como prova do reconhecimento do impacto que esta doença tem nas pessoas que (com)vivem com esta doença, e na sociedade mas muito há a fazer.

Neste sentido que mensagem ou que recomendações gostaria de deixar aqueles que convivem com a doença?

Algumas das mensagens que gostaria de partilhar, é que não estamos sozinhos, há muitas pessoas que sabem o que é viver e conviver com esta doença no dia-a-dia, e que sabem o que é sentir na pele a DA. Que, em qualquer caso, devem procurar médicos das especialidades que diagnosticam e tratem adequadamente esta doença, que há diferentes profissionais (médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros) que podem ajudar a controlar os sintomas da doença e a recuperar a qualidade de vida, e que a ADERMAP foi criada precisamente para promover a visibilidade desta doença, e ajudar a disseminar o seu impacto, e defender as necessidades e direitos das pessoas e famílias com DA, sempre sob uma lógica de sinergias e parcerias para que tenha um valor acrescentado e impacto reais, sobretudo para os casos mais graves e socioeconomicamente vulneráveis em que as necessidades são maiores. Temos de ter esperança pois apesar das horas mais sombrias, esta doença começa a ter a atenção que merece mas muito há a fazer.

Contactem a ADERMAP pois todos juntos vamos ajudar a viver a DA com maior qualidade de vida e se possível com um maior apoio.  

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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