Universidade de Coimbra
A Universidade de Coimbra inaugura hoje uma unidade pioneira de terapia celular, que vai facilitar o acesso da comunidade...

Trata-se de uma unidade piloto, a primeira a ser instalada na região Centro, que vai ser inaugurada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, na antiga Faculdade de Medicina do Polo I da Universidade de Coimbra (UC).

"Com a inauguração desta infraestrutura, a Universidade passa a dispor de duas unidades de produção no âmbito das terapias avançadas, como é o caso da terapia celular e dos radiofármacos (teranóstica), reforçando o seu posicionamento estratégico na área da saúde", sublinha Amílcar Falcão, vice-reitor da instituição, citado num comunicado da UC.

A abertura do laboratório, designado de UpCells, resulta de uma parceria entre a UC e a farmacêutica Tecnimede, que possibilita já o arranque de um primeiro projeto de investigação para o desenvolvimento de uma vacina de grau clínico direcionada para as células estaminais cancerígenas.

"A existência de uma infraestrutura deste tipo potencia a translação da investigação básica para a investigação clínica, alavancada numa parceria da UC com uma farmacêutica de referência como é o caso da Tecnimede", refere a investigadora Teresa Cruz, também citada no comunicado.

O projeto ImmunoDC@cancerstemcells "corresponde já à concretização daquilo que se espera possa ser o início de muitos outros projetos em terapia celular (medicina regenerativa e imunoterapia)", conclui o investigador Bruno Neves.

Após a inauguração do UpCells, às 15:00, realiza-se na Reitoria da Universidade de Coimbra o debate "As Novas Fronteiras da Saúde: Do Saber à Investigação", promovido pela Tecnimede e pelo jornal Expresso.

Neste evento, será discutida a importância para a saúde pública da relação entre a indústria farmacêutica e as universidades.

 

Direção-Geral da Saúde
A vacinação contra a gripe vai começar em 15 de outubro e o Serviço Nacional de Saúde terá 1,4 milhões de doses de vacinas para...

A vacinação vai começar cerca de duas semanas depois do que tem sido habitual, para garantir uma “melhor e maior proteção durante o período da epidemia de gripe”, que em Portugal tem início habitualmente na segunda quinzena de dezembro, explica a Direção-Geral da Saúde (DGS).

No Serviço Nacional de Saúde a vacina vai continuar gratuita para as pessoas a partir dos 65 anos, para residentes ou internados em instituições, para os bombeiros e para pessoas com algumas doenças específicas. Nestes casos, a vacina não necessita de receita médica e dispensa também pagamento de taxa moderadora.

Além das 1,4 milhões de doses adquiridas para o Serviço Nacional de Saúde, haverá também vacinas dispensadas nas farmácias através de prescrição médica, com uma comparticipação de 37%.

As receitas médicas específicas para a vacina da gripe passadas desde o dia 1 de julho terão validade até final do mês de dezembro.

A gripe é uma doença contagiosa e que geralmente se cura de forma espontânea. As complicações, quando surgem, ocorrem sobretudo em pessoas com doenças crónicas ou com mais de 65 anos.

A DGS considera a vacinação a melhor forma de prevenir as complicações graves e recomenda que as vacinas sejam administradas de preferência até final do ano.

Estudo
Um implante de um dispositivo elétrico na coluna vertebral em três pessoas paraplégicas há anos permitiu, em conjugação com...

Segundo a agência Associated Press (AP), o acontecimento divulgado por duas equipas de investigadores que trabalham separadamente, ainda não representa uma cura, uma vez que os pacientes apenas conseguem caminhar com assistência, seja de um andarilho ou outra qualquer ajuda que lhes permita manter o equilíbrio.

O avanço é que se se desligar o estímulo elétrico, os pacientes voltam a não conseguir mover as pernas de forma voluntária.

Numa sessão de fisioterapia, o paciente de 29 anos Jered Chinnock moveu-se para trás e para a frente numa distância equivalente a um campo de futebol.

“A parte de andar ainda não é algo que me permita simplesmente deixar a cadeira de rodas para trás e ir”, disse Chinnock à AP, acrescentando que “há, no entanto, esperança de que isso venha a ser possível”.

O trabalho insere-se no objetivo de ajudar pessoas com lesões na coluna vertebral a recuperar as funções do corpo, e os investigadores afirmam que apesar de o estímulo apenas ter sido testado num grupo pequeno de pessoas, é uma abordagem promissora que precisa de mais estudo.

Cristina Sadowsky, especialista em reabilitação do hospital universitário norte-americano Johns Hopkins, afirmou estar entusiasmada em relação ao avanço, mas alertou que nem todos os pacientes com lesões semelhantes vão responder da mesma forma.

Lesões graves na coluna vertebral ‘desligam’ a capacidade de o cérebro dar uma ordem de movimento aos nervos, que por sua vez a devem ativar nos músculos.

Outras abordagens para contornar a falta de mobilidade de pessoas paraplégicas já foram tentadas, como exoesqueletos ou implantar estímulos nos músculos, que ajudar a mover membros paralisados.

Com esta nova abordagem, os três pacientes estão a dar passos sob o seu próprio comando, com movimento intencional, referem os artigos ontem publicados nas revistas científicas Nature Medicine e New England Journal of Medicine.

A teoria em relação a esta abordagem é a de que os circuitos nervosos sob o local da lesão estão apenas adormecidos, não mortos, e que aplicar corrente elétrica pode acordar alguns desses circuitos que, conjugado com uma reabilitação rigorosa, pode restaurar as ‘ligações enferrujadas’ e, eventualmente, permitir que voltem a receber comandos simples.

“A recuperação pode acontecer se se verificarem as circunstâncias certas”, referiu a professora da Universidade de Louisville Susan Harkema, co-autora do estudo publicado pelo New England Journal.

“A coluna vertebral pode voltar a fazer coisas, não tão bem como fazia antes, mas pode voltar a funcionar”, acrescentou.

Há quatro anos a equipa de Harkema fez manchetes quando alguns pacientes implantados com um estimulador da coluna vertebral – originalmente concebidos para tratar dor – foram capazes de mover os dedos dos pés, as pernas e pôr-se de pé por breves instantes. Mas não conseguiram andar.

Um dos estudos aponta ainda a necessidade de cautela em relação à segurança dos pacientes: um deles fraturou a anca num exercício de reabilitação numa passadeira, ainda que cuidadosamente apoiado.

A nova abordagem vai necessitar de estudos mais aprofundados não apenas para perceber se pode ajudar outros pacientes, mas também para definir riscos. E ainda não é claro quanto custa esta terapia, cuja tecnologia continua a ser desenvolvida pelos investigadores.

Estudo
Um terço dos trabalhadores que participaram no estudo da Deco estão em risco de esgotamento profissional e cerca de metade...

Segundo um estudo da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), que será publicado na edição de outubro da revista Teste Saúde, os profissionais em maior risco de desenvolver crises de ‘burnout’ (esgotamento) são os empregados de lojas e supermercados (43%), profissionais de saúde (não médicos, 39%) e quem trabalha em serviços administrativos (37%) ou em profissões ligadas ao ensino (28%).

No estudo da Deco, que envolveu 1.146 trabalhadores entre janeiro e fevereiro deste ano, cerca de metade dos inquiridos queixaram-se da falta de apoio por parte dos supervisores em situações de stress e um em cada quatro por parte dos colegas.

Três em cada dez trabalhadores afirmaram-se emocionalmente cansados do trabalho mais de uma vez por semana e 35% revelaram sentir-se exaustos com a mesma frequência.

“Em 11% dos casos, o cansaço surge todos os dias, logo de manhã, perante a perspetiva de mais uma jornada de trabalho. Diário é também o stress laboral para 14 %. Contudo, a maioria dos inquiridos considera que desempenha bem as suas funções profissionais”, refere o estudo.

“Quando a pressão se torna excessiva, difícil de gerir e se prolonga no tempo, pode transformar-se em stress crónico e afetar a vida pessoal e familiar, a saúde e, claro, o desempenho profissional”, recorda a Deco, sublinhando que “22% dos inquiridos que tomaram medicamentos para combater o stress indicaram um período mínimo de tratamento de três anos”.

De entre as explicações para o descontentamento com o trabalho, destacam-se o conteúdo das próprias funções, que os trabalhadores vislumbram como uma (im)possibilidade de progressão na carreira, e a (má) relação com os superiores hierárquicos.

Dos que sentem falta de apoio dos patrões ou supervisores em momentos de stress, 50% estão em risco de ‘burnout’. Apenas 19% dos que se dizem apoiados se encontram na mesma situação.

“De falta de auxílio, mas do departamento de recursos humanos, queixam-se 71% dos inquiridos. Destes, 47% apresentam sinais de stress crónico (quando há apoio, apenas 12% estão em risco)”, refere o estudo.

Em 77% dos casos, os inquiridos são trabalhadores ditos efetivos, isto é, com contrato a termo incerto, e três quartos trabalham total ou parcialmente na área em que se especializaram em termos profissionais ou académicos. Dos que têm formação superior, 81% exercem funções na sua área de especialização.

Contudo, recorda a Deco, “a diferença entre trabalhar ou não na área de especialização parece não se refletir nos números do ‘burnout’”: 30% dos que exercem funções na sua área estão em risco, contra 33% dos que não o fazem.

Cerca de um terço dos inquiridos revelou que a profissão afeta negativamente a sua qualidade de vida e 35% afirmaram o mesmo em relação à saúde.

No entanto, segundo o estudo, quem segue um estilo menos saudável, isto é, quem fuma, consome álcool, recorre a drogas ilícitas e/ou dorme menos de seis horas por dia parece em maior perigo de ‘burnout’ do que quem tem hábitos de vida mais saudáveis.

Cerca de um quinto dos inquiridos afirmou ter tomado medidas contra o stress nos últimos cinco anos. A maioria (78%) tomou medicamentos, 55% optaram pela prática de exercício físico e 26%, pela psicoterapia.

Na falta de uma evidência forte sobre a eficácia das intervenções para prevenir e tratar o 'burnout', o estudo refere:"Dos empregadores, espera-se que aliviem um pouco a válvula da pressão laboral, através de ambientes mais participativos, que deem ao trabalhador maior sensação de segurança, controlo e recompensa", e aos trabalhadores recomenda-se que identifiquem os fatores de stress e, se possível, discutam com os supervisores a possibilidade de os contornar ou tornar mais leves", além de tentarem desempenhar atividades de que gostem fora do meio laboral.

Estudo
Um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge anunciou a descoberta de uma nova estratégia de combate às partículas...

“É a primeira vez que se propõe um método sistemático para atacar os patógenos, a causa da doença de Alzheimer, que foram identificados recentemente como pequenos grupos de proteínas conhecidas como oligómeros", explicou o investigador principal, Michele Vendruscolo.

As proteínas são normalmente responsáveis por processos celulares importantes, mas, nos doentes de Alzheimer, estas proteínas tornam-se “rebeldes”, formam grupos e matam as células nervosas saudáveis, segundo o estudo.

Em regra, as proteínas precisam de ligar-se numa estrutura específica para funcionar corretamente e quando este processo falha, a célula apresenta “um grave problema de ligamento”, formando grupos anormais de células e depósitos perigosos de proteínas.

Segundo explicou Vendruscolo, o cérebro perde capacidade para se desfazer desses depósitos perigosos ao envelhecer, o que provoca doenças como a demência.

O diretor científico do Centro de Investigação de Alzheimer, no Reino Unido, David Reynolds, considerou que estudos como o este são vitais para aprimorar os progressos no descobrimento de fármacos e acelerar os novos tratamentos para estes doentes.

Outro dos autores principais, Christopher Dobson, da Universidade de Cambridge, sublinhou que este estudo mostra que é possível “não apenas encontrar compostos que se dirijam diretamente aos oligómeros tóxicos que causam transtornos degenerativos, como aumentar a sua potência de forma racional”.

A descoberta, segundo os especialistas, abre a porta ao desenvolvimento de novos medicamentos para tratar a doença de Alzheimer, que afeta cerca de 44 milhões de pessoas em todo o mundo.

Os cientistas estimam que os medicamentos baseados nesta nova estratégia possam entrar em testes clínicos dentro de dois anos.

Dia Internacional do Idoso assinala-se a 1 de outubro
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular vai promover o primeiro encontro sobre estenose aórtica, no âmbito das...

"O primeiro estudo português sobre esta doença indicou-nos que cerca de 82 por cento das pessoas com mais de 70 anos nunca tinha ouvido falar de estenose aórtica, nem de como esta se manifesta. Desta forma, torna-se imprescindível promover um maior conhecimento sobre a doença junto da população, contribuindo para o reforço do reconhecimento dos seus sintomas (cansaço, dor no peito, desmaios) e importância do diagnóstico precoce”, refere Rui Campante Teles, Coordenador da Campanha “Corações de Amanhã”.

O médico cardiologista acrescenta: “Com este evento pretendemos, além de sensibilizar as pessoas para a doença, promover a partilha de testemunhos entre doentes, incentivando à interajuda”.

A campanha “Corações de Amanhã” conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República e tem como objetivos aumentar o conhecimento e compreensão sobre estenose aórtica, promovendo o seu diagnóstico e tratamento precoce. Para mais informações sobre a campanha e inscrições, gratuitas, na iniciativa envie email para [email protected] ou ligue 215862207.

A aorta é a principal artéria do nosso corpo que transporta sangue para fora do coração. Quando o sangue sai do coração flui da válvula aórtica para a artéria aorta. A válvula aórtica tem como função evitar que o sangue bombeado pelo coração não volte para trás. Na presença de estenose, a válvula aórtica não abre completamente, vai ficando cada vez mais estreita e isso diminui o fluxo sanguíneo do coração. Se não for detetada atempadamente esta doença pode limitar muito a qualidade de vida e até ter um desfecho letal.

Programa da iniciativa:

09:30 – Café de Boas Vindas

10:00 – O Coração Sénior – Reconhecer sinais de alerta

10:20 – Estenose aórtica, qual o diagnóstico e tratamento

11:00 – Espaço tertúlia: partilha de experiências, perguntas e respostas

12:00 – Encerramento

 

Congresso da Federação Internacional para a Cirurgia de Obesidade e Distúrbios Metabólicos
Das cirurgias robóticas, à embolização vascular, passando pelas cirurgias feitas através de endoscopia, têm sido muitos e...

“Nos últimos 10 anos, têm surgido vários tratamentos com resultados excelentes. A gama de opções de tratamento invasivo, seja ele minimamente invasivo, até às cirurgias modernas, é muito grande”, confirma Rodrigo Oliveira, coordenador do departamento de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Hospital da Cruz Vermelha e o primeiro português a realizar uma cirurgia ao vivo, com uma destas inovações cirúrgicas, no congresso da Federação Internacional para a Cirurgia de Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO), que se realiza no Dubai, de 26 a 29 de setembro.

O especialista, que tem dupla nacionalidade (portuguesa e brasileira), vai ainda ser protagonista de um debate sobre as reintervenções na obesidade, ou seja, quando os doentes já operados voltam a recuperar o peso perdido.

O congresso realiza-se numa altura em que, de acordo com Rodrigo Oliveira, “já se entendeu que a obesidade não é apenas um problema de peso”. Tanto que, hoje, a cirurgia destinada a tratar o problema deixa de ser conhecida como bariátrica, para passar a ser metabólica. “Fomos descobrindo, ao longo das últimas décadas e sobretudo dos últimos 10 anos, vários tratamentos, principalmente invasivos, tratamentos cirúrgicos com resultados excelentes para o tratamento da obesidade. Inovação que já estamos a usar no Hospital da Cruz Vermelha, onde as cirurgias são chamadas de metabólicas”, acrescenta.

Aqui, aos cirurgiões juntam-se especialistas de várias especialidades, desde a endocrinologia à nutrição. “Porque o facto só de operar não adianta. O doente tem que ser operado e depois ter um acompanhamento especializado. Mais ainda, se ele ficar gordo e tiver doenças metabólicas, pode vir a sofrer de cancro, pode perder a visão devido aos diabetes, pode ter que amputar uma perna, ter uma insuficiência renal e fazer diálise. Quer dizer, a perda dele é muito grande. E não é a operação que resolve tudo.”

Dia da Sensibilização para o Cancro da Tiroide
Hoje assinala-se o Dia da Sensibilização para o Cancro da Tiroide, uma doença silenciosa que conta, anualmente, com 500 novos...

A patologia da tiroide é muito frequente e, embora exista um grande desconhecimento das doenças associadas a esta glândula, bem como da forma como se manifestam, estima-se que uma em cada dez pessoas sofra de problemas de tiroide.

Aumento de peso, depressão, falta de concentração, falta de motivação, dificuldades para engravidar ou obstipação são sinais e sintomas de disfunções da tiroide, mas que facilmente são confundidos com outras doenças e mais de 30% dos portugueses desconhecem os seus sintomas.

Celeste Campinho, presidente da ADTI, refere que “existindo uma prevalência de nódulos da tiroide na população geral, é crucial a deteção precoce desta patologia e realizar campanhas para esclarecer e informar, sobretudo as mulheres que apresentam 4-7 vezes mais alterações na tiroide do que os homens”.

As mulheres são as mais atingidas, particularmente entre os 20 e os 40. Contudo, a partir dos 50 anos pode existir uma tendência para surgirem os problemas, existindo fases em que estão mais suscetíveis a esta doença, por exemplo, durante a gravidez.

“As doenças da tiroide têm tratamento. Contudo, quando não existe um diagnóstico precoce podem existir graves consequências, afetando o funcionamento dos outros órgãos e sistemas” refere Celeste Campinho, presidente da ADTI, alertando que “o cancro da tiroide tem habitualmente bom prognóstico, desde que diagnosticado atempadamente”.

Surdez na Terceira idade
A surdez é umas das principais deficiências sensoriais do ser humano e a Organização Mundial da Saúd

Em Portugal, os dados do último Inquérito Nacional da Saúde e Exame Físico de 2015 (INSEF 2015), apontam para mais 1.6 milhões de portugueses com dificuldades auditivas entre os adultos dos 25 aos 75 anos de idade, aproximadamente 23% dessa população. A prevalência é ainda maior nos idosos entre os 65 e 75 anos, em que 4 de cada 10 idosos (40%) apresentam dificuldades para ouvir uma conversa normal, mesmo em ambientes silenciosos.

As dificuldades auditivas estão directamente relacionadas às dificuldades na comunicação, pois podem limitar a escuta de uma música da qual apreciamos, dos elogios que recebemos, como também dos sons de perigo ou da fala de um professor. O facto é que a perda auditiva não tratada é incapacitante, e em pessoas que não possuem outros meios de linguagem, nomeadamente a gestual, ou tratamento adequado apresentam dificuldades de aprendizagem na infância e maior risco de isolamento social e depressão em todas as idades.

O impacto social e emocional da perda auditiva é preocupante, e quando relacionada ao aumento da idade, geralmente evolui de maneira lenta e progressiva, dificultando o seu diagnóstico precoce. Toda gente conhece aquele vizinho reformado que escuta a televisão nas alturas ou aquela senhora que sempre pede para repetir aos gritos o que você acabou de dizer, e sabemos que muitos de nós apenas dizemos “Ah! É da idade.”. Mas são esses os sintomas que podem aumentar em até 5 vezes o risco de se desenvolver a demência, a depender do grau da surdez.

Sabemos que a esperança de vida à nascença em Portugal tem vindo a aumentar nas últimas décadas e espera-se com isso o aumento das perdas auditivas relacionadas ao aumento da idade. Mas, Portugal ainda é um dos países europeus que encontra-se abaixo da média em relação aos anos de vida saudável acima dos 65 anos, ou seja, vivemos muito anos mas com pouca qualidade de vida.

O que é muito importante saber é que a idade não é um factor limitante para o tratamento das dificuldades auditivas, nem nas crianças e nem nos idosos, mesmo em tratamentos mais invasivos como as cirurgias.

Existem diversas soluções para a grande maioria das perdas auditivas, como a realização de cirurgias, as terapias da fala, o uso de dispositivos externos e implantados, que evoluíram muito nas últimas décadas, e são cada vez mais realizados no mundo e em Portugal. Com a finalidade de melhorar a qualidade da saúde auditiva e de vida das pessoas, os tratamentos são cada vez mais frequentes nos idosos.

Fique atento à sua saúde auditiva e das pessoas próximas de si: ao apresentar ou identificar sintomas de dificuldades auditivas nas conversas normais em ambientes silenciosos ou notar a necessidade de aumentar o volume de diversos dispositivos para ouvir melhor, fale com um médico. Uma boa saúde auditiva é importante para toda gente!

*este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, por opção dos autores

Autores:
Dra. Tammy Messias Takara – Médica Interna de Saúde Publica
Dr. Guilherme Machado de Carvalho e Dr. Sousa Vieira -  especialistas em otorrinolaringologia Hospital Lusíadas Porto

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
SNS
É uma das medidas para financiar o SNS sugeridas por três investigadores da Universidade Nova de Lisboa, entre eles Francisco...

São propostas que representam mais 900 milhões de euros para SNS já no próximo Orçamento do Estado. Uma delas está diretamente relacionada com os laboratórios. O presidente do IPO de Lisboa sugere que se reduza entre 10 a 20% o preço dos medicamentos. Para isso, escreve a TSF, o Governo deve pedir um esforço de 300 milhões de euros à indústria farmacêutica.

"Há muito tempo que se denota pela prática é que medidas eficazes de redução do preço dos medicamentos são medidas administrativas, quase impostas à indústria", frisa Francisco Ramos, fazendo notar que "se os poderes públicos tiverem a vontade suficiente, é possível que a indústria concorde em suportar este sacrifício para que de facto seja possível garantir nos próximos anos a sustentação do financiamento da inovação terapêutica".

Quanto aos contribuintes, diz Francisco Ramos, devem ser aliviados nas despesas em saúde oral, próteses oculares e auditivas. Mas, em contrapartida, devem também poder deduzir menos despesas de saúde no IRS. Francisco Ramos propõe uma descida dos atuais 15% para 5%.

Há ainda uma outra proposta: recorrer ao superavit da ADSE. "Parece difícil aceitar que exista no ministério um sistema que até gera superavites, a ADSE, com o SNS que tem tradicionalmente déficit. A proposta - não isenta de críticas, reconheço - é uma clara opção por reforçar o financiamento do Serviço Nacional de Saúde em detrimento dos saldos acumulados da ADSE", explica o presidente do IPO Lisboa.

Seria uma "medida conjuntural, enquanto esses saldos existissem", refere o antigo secretário de Estado, professor da Escola Nacional de Saúde Pública e presidente do IPO Lisboa.

As medidas para financiar o Serviço Nacional de Saúde foram apresentadas numa conferência do Conselho Económico e Social.

Mais açúcar, mais imposto
O diretor do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável apoia a medida, uma vez que desde que a taxa foi criada em...

O Governo quer aumentar o imposto sobre o açúcar nos refrigerantes. O secretário de Estado Adjunto e da Saúde confirmou à TSF: as bebidas mais doces passam a pagar mais imposto.

A taxa máxima que é cobrada à indústria vai aumentar de 16 para 20 euros por cada cem litros. O imposto sobre os refrigerantes foi criado em 2016 apenas com 2 escalões de tributação. Agora passa a ter quatro, revela Fernando Araújo.

"Até agora existiam apenas dois escalões, um acima de oito gramas de açúcar por 100 mililitros de bebida e um abaixo. Significava que as bebidas que possuíam menos de oito gramas não tinham nenhum incentivo para continuar a reduzir esse açúcar ao longo do tempo. Nós iremos submeter isso ao Governo no âmbito do Orçamento de Estado a inclusão de mais dois patamares: as cinco gramas e as duas gramas e meia."

A ideia é incentivar a indústria a reduzir o açúcar nas bebidas para conseguir uma redução do imposto a pagar. Fernando Araújo revela que em termos fiscais esta medida até é amarga para os cofres do estado, porque a taxa mínima também é reduzida e assim regista-se menos receita fiscal. Ainda assim, a taxa vai permitir poupar dinheiro em despesas de saúde.

Estas mudanças no imposto sobre as bebidas açucaradas foram preparadas pelas secretarias de Estado da Saúde, Comércio e Assuntos Fiscais. O grupo de trabalho que analisou a aplicação da taxa criada de 2016 concluiu que o aumento dos escalões de imposto permitirá poupanças de 11 milhões de euros em saúde.

Fernando Araújo está otimista e acredita que a medida será aprovada em Assembleia da República: "Penso que será uma proposta que, à partida, terá todas as condições para ser aprovada, o que significaria que no próximo ano podíamos ter aqui um esforço conjunto de todas as partes nesta luta sem tréguas contra a diabetes, contra a obesidade e contra doenças cardiovasculares nas quais Portugal, infelizmente, ainda tem alguma liderança na Europa."

Contactado pela TSF, o diretor do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável Pedro Graça não estava disponível para gravar, mas revelou que apoia este aumento porque desde que a taxa foi criada em 2016, o consumo de açúcar foi reduzido de forma significativa em Portugal.

SPMI aposta na formação e educação médica
A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna vai promover a segunda edição do curso de “Diabetes – Terapêutica Farmacológica Não...

Este curso dirige-se a todos os internistas, médicos de medicina geral e familiar, farmacêuticos e outros profissionais de saúde, e conta com certificação Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Ordem dos Farmacêutico (2.55 CDP) e DGERT – SIGO (corresponde às exigências do Código de Trabalho e da União Europeia).

Com duração de 40 horas, e em português, o curso é constituído por aulas teóricas, que simulam a metodologia presencial, através de vídeos, slides e voz-off, destinados à transferência do conhecimento, e por aulas práticas com exercícios, casos e problemas, que têm a finalidade de desenvolver competências, bem como um e-Manual que organiza de forma global os conteúdos do curso.

A inscrição está disponível através da Plataforma de e-learning: https://elearning-spmi.dlc.pt

A diabetes é considerada, pela Organização Mundial da Saúde, como a epidemia do século XXI.  De acordo com os dados do Observatório da Diabetes, referentes a 2015, estima-se que mais de um milhão de portugueses entre os 20 e os 79 anos tenham a doença, aos quais se juntam 500 mil em que esta continua ainda por diagnosticar.

O curso “Diabetes – Terapêutica Farmacológica Não Insulínica” é uma organização do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

 

Mulheres são as mais atingidas
Atingindo sobretudo mulheres, o cancro da tiroide é uma doença muito prevalente em Portugal.

O cancro da tiroide é uma doença muito prevalente em Portugal e no mundo e a sua incidência tem vindo a aumentar, em parte devido a um diagnóstico mais precoce, nomeadamente de formas menos agressivas. A incidência de cancro da tiroide é cerca de 4 vezes maior na mulher do que no homem. Porém a mortalidade tem vindo a diminuir, nomeadamente na mulher devido a melhorias no diagnóstico e tratamento da doença. De facto trata-se de um dos cancros com maior sobrevivência.  

Apesar de a prevalência dos nódulos da tiroide palpáveis ser relativamente baixa (cerca de 5% na mulher e 1% no homem) o diagnóstico ecográfico de patologia nodular da tiroide poderá ser muito frequente, podendo atingir 19 a 68%. Esta prevalência é maior na mulher e no idoso e poderá atingir valores mais expressivos em regiões iodo-carentes como poderá ser o caso de Portugal.

O diagnóstico de nódulos da tiroide, seja pelo exame clínico ou por exame ecográfico acidental, obriga a uma investigação para exclusão do cancro da tiroide, que pode ocorrer em 7%-15% dos casos, dependendo de sexo, idade, exposição prévia a radiação, história familiar de cancro da tiroide e outras determinantes.

A ecografia tem um papel fundamental na seleção dos nódulos da tiroide com maior risco de cancro. Em função da dimensão e padrão ecográfico dos nódulos é possível estabelecer um gradiente de risco, que vai da suspeição muito elevada (risco superior a 70%) a suspeição muito baixa (risco inferior a 3%) ou benignidade (risco inferior a 1%). Recentemente tem vindo a ser usada um outro sistema de categorização ecográfica do risco dos nódulos denominado TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting And Data System).

A decisão de realizar uma citologia aspirativa do nódulo da tiroide (vulgar “biópsia” da tiroide) sob controlo ecográfico é tomada com base no risco de malignidade determinado por ecografia. Nos casos sem indicação para citologia, por apresentarem um risco muito baixo, estará indicado o seguimento periódico.

Os resultados citológicos são classificados de acordo com o sistema de Bethesda, que para além das categorias de benignidade e malignidade inclui ainda um conjunto de 3 categorias com risco crescente de malignidade denominadas no seu conjunto como indeterminadas e cujo risco começa em 5-15% e vai até 60-75%. Em alguns casos a citologia pode ser “não diagnóstica” e obrigar a repetição do exame.

A decisão para intervenção cirúrgica é tomada em função da história clínica, dados ecográficos e resultados citológicos. A cirurgia da tiroide deverá ser realizada por cirurgião experiente nesse tipo de intervenção e o seguimento e tratamento do cancro da tiroide, quando confirmado pela histologia, deverá ser feito em centros vocacionados para o tratamento deste tipo de patologia.

Para evitar o diagnóstico excessivo de nódulos da tiroide, recomenda-se que não seja feito o rastreio ecográfico desta patologia em indivíduos sem história clinica suspeita. Em geral, os nódulos da tiroide diagnosticados neste contexto são de pequenas dimensões e apresentam um baixo risco de malignidade.

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OMS
Mais de três milhões de pessoas no mundo morreram em 2016 devido ao consumo de álcool, sendo que os homens representam três...

De acordo com o relatório “A Situação Global sobre o Álcool e a Saúde 2018”, uma em cada 20 mortes no mundo deveu-se ao consumo nocivo de álcool, correspondendo a 5% do conjunto das doenças a nível mundial.

Este estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra um quadro global sobre o consumo nocivo de álcool em todo o mundo, o peso da doença em relação ao conjunto das doenças e indica o que os países estão a fazer para diminuírem este fardo.

“Muitas pessoas, suas famílias e as comunidades sofrem as consequências do consumo nocivo do álcool, através da violência, ferimentos, problemas de saúde mental e doenças, tais como o cancro e os acidentes vasculares cerebrais", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Para este responsável “é hora de intensificar as ações para evitar esta séria ameaça ao desenvolvimento de sociedades saudáveis".

Do total das mortes atribuídas ao consumo nocivo do álcool, 28% deveram-se, entre outras causas, a lesões resultantes de acidentes de trânsito ou a violência entre pessoas, 21% foram causados por problemas digestivos e 19% por doenças cardiovasculares, sendo que doenças infecciosas, o cancro, perturbações mentais e outras situações de saúde representam a restante parcela.

Apesar de se observarem algumas tendências globais positivas desde 2010, o relatório classifica como “inaceitavelmente elevado” o peso da doença causada pelo consumo abusivo de álcool no conjunto das doenças, bem como o número das lesões provocadas, em particular na região das Américas e na região da Europa.

Em termos globais, estima-se que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres sofram de problemas devido ao consumo de álcool, sendo que é maior a prevalência entre homens e as mulheres da região da Europa (14,8% e 3,5%, respetivamente) e da região das Américas (11,5% e 5,1%, pela mesma ordem).

O estudo refere ainda que os problemas com o consumo de álcool são mais comuns nos países com rendimentos mais elevados, prevê que o consumo global de álcool aumente nos próximos dez anos e diz que a Europa tem o maior consumo per capita do mundo, apesar deste ter diminuído em mais de 10% desde 2010.

A OMS estima que 2,3 mil milhões de pessoas consumam atualmente álcool no mundo, sendo que este é consumido por mais de metade da população de três regiões - Américas, Europa e Pacífico Ocidental.

Formações
A Comunidade Médica de Língua Portuguesa apelou ao poder executivo dos países lusófonos para que facilite a atribuição de...

"As pessoas que vão estagiar andam sempre com problemas com os vistos e depois têm de regressar. Queremos ver se os bastonários conseguem transmitir ao poder político a necessidade de pôr cobro a isso", disse José Pavão, secretário-permanente da Comunidade Médica de Língua Portuguesa (CMLP), à margem do decurso do IX Congresso do organismo, em Maputo.

"Não tem sentido para um jovem que sai da Guiné-Bissau para Coimbra que ao fim de dois meses tenha as autoridades a chateá-lo" por causa de um visto de permanência em Portugal, exemplificou.

Subordinado ao tema "Desafios Profissionais para a Medicina na era da globalização", o encontro que decorreu em Maputo discutiu questões ligadas à gestão de recursos humanos, bem como ao peso das doenças crónicas e das doenças negligenciadas na atividade do setor.

O financiamento e sustentabilidade dos sistemas de saúde, o papel da indústria farmacêutica e ainda o enquadramento da telemedicina e serviços de saúde à distância são outros dos temas no programa.

O encontro contou com a presença de representantes do Brasil, Portugal, Moçambique, Macau, Timor-Leste, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

 

Setor farmacêutico
A Autoridade da Concorrência e o Infarmed assinaram na sexta-feira um protocolo de cooperação que permitirá facilitar a deteção...

Trata-se de “um protocolo inédito de cooperação para a constituição de instrumentos de articulação e de intercâmbio de informação, capazes de incrementar a eficácia de atribuições e competências das duas entidades”, afirmou o Infarmed em comunicado.

A deteção atempada de falhas ou distorções concorrenciais é um dos objetivos partilhados pelas duas entidades, que, desde sexta-feira, passaram a trocar informações relativas à supervisão, monitorização e acompanhamento da comercialização e consumo de medicamentos de uso humano, dispositivos médicos e cosméticos.

“Ao permitir o acesso a elementos de informação corretos e fiáveis, o protocolo permitirá facilitar a deteção de indícios da existência de práticas anticoncorrenciais no setor farmacêutico”, adianta, sublinhando que este setor é de “importância crucial” para a saúde pública e para a economia, representando os medicamentos uma fatia expressiva das despesas das famílias e do Estado.

Para as duas entidades, “é imprescindível assegurar o funcionamento aberto e concorrencial dos mercados neste setor”, para garantir o acesso a medicamentos e produtos de saúde seguros e a preços comportáveis, quer se trate de produtos inovadores ou já bem estabelecidos no mercado.

Para tal, defendem, é importante acompanhar de perto a evolução dos preços, a vigência das patentes, a introdução de medicamentos genéricos, o desenvolvimento de medicamentos biossimilares, a falta e as ruturas de medicamentos no mercado, avaliando em que medida situações identificadas como anómalas podem estar relacionadas com a existência de práticas anticoncorrenciais.

A consolidação e intensificação da cooperação com as entidades reguladoras setoriais é outra das prioridades definidas para 2018 e que permitirá à Autoridade da Concorrência (AdC) otimizar a sua atuação através da partilha de experiências e conhecimento sobre os respetivos mercados e potenciais restrições à concorrência, adianta o comunicado.

O acesso a medicamentos e produtos de saúde com qualidade, segurança e custo-efetividade é um dos objetivos do Infarmed enquanto entidade reguladora.

“Este protocolo contribuirá para este desígnio e para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, através do uso racional dos produtos de saúde, da promoção da sua concorrência e da proteção do cidadão perante eventuais situações de rutura e problemas de acesso no mercado”, acrescenta o comunicado.

 

Lei entrou ontem em vigor
A lei que proíbe o abate de animais como medida de controlo da população entrou ontem em vigor no continente, mas os...

O Bastonário dos Médicos Veterinários, Jorge Cid, mostrou-se “preocupado e apreensivo” relativamente à falta de ação dos municípios para se adaptarem à proibição de abate de animais.

“Vejo com alguma preocupação, apreensão e alguma tristeza que não haja nenhuma evolução nesta matéria e não se esteja a querer estudar o assunto de base que é o que me parece que vai resolver o problema”, afirmou o bastonário.

O bastonário dos veterinários reforçou que só o combate ao abandono dos animais poderá ajudar a resolver o problema do número de animais nos canis e nas ruas, que as famílias portuguesas não têm capacidade de adotar.

“Parece-me que o caminho é precisamente o combate ao abandono e realmente criar condições para que as pessoas não abandonem os animais e estudar este problema a fundo, aí é que acho que devia incidir o esforço”, frisou.

Em vigor desde 23 de setembro de 2016, a lei que aprova medidas para a criação de uma rede de centros de recolha oficial de animais e estabelece a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população estabelecia um período transitório de dois anos para adaptação, que termina hoje.

Também Ricardo Lobo, membro da direção da Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios (ANVETEM), afirma que o problema dos animais errantes é um “problema de educação”.

“O problema dos animais errantes tem que se resolver com tempo, é um problema basicamente de educação das pessoas e o que temos de baixar é este número perfeitamente absurdo de animais que nos chegam aos Centros de Recolha Oficial (CRO). Baixando este número de animais que nos chega aos Centros de Recolha Oficial obviamente que deixamos de abater animais”, disse.

Desde ontem é proibido o “abate de animais em centros de recolha oficial de animais por motivos de sobrepopulação, de sobrelotação, de incapacidade económica ou outra que impeça a normal detenção pelo seu detentor”.

De acordo com a lei, os animais acolhidos pelos Centros de Recolha Oficial que não sejam reclamados pelos seus donos no prazo de 15 dias, a contar da data da sua recolha, são “considerados abandonados e são obrigatoriamente esterilizados e encaminhados para adoção”.

O diploma prevê também a “integração de preocupações com o bem-estar animal no âmbito da Educação Ambiental, desde o 1.º Ciclo do Ensino Básico” e a dinamização anual de “campanhas de sensibilização para o respeito e a proteção dos animais e contra o abandono”.

A Região Autónoma da Madeira deixou de abater animais nos canis municipais em 2016 depois de aprovar a proibição do abate de animais de companhia e errantes e definiu um programa de esterilização, em sessão plenária no parlamento insular em 04 de fevereiro de 2016, que entrou em vigor 30 dias depois.

Já os municípios da Região Autónoma dos Açores têm até 2022 para se prepararem para o fim do abate de animais nos canis municipais apesar de haver já alguns municípios a tentar antecipar o fim do abate.

Ministro da Saúde
A deslocalização do Infarmed para o Porto dependerá da comissão da Assembleia da República que vai acompanhar os processos de...

Adalberto Campos Fernandes disse hoje aos deputados na comissão parlamentar de Saúde que "o contexto político mudou significativamente" em relação há um ano, quando a decisão de mudar a Autoridade do Medicamento (Infarmed) para o Porto foi tomada pelo Governo.

O ministro considera que a discussão sobre a deslocalização do Infarmed de Lisboa para o Porto teve o mérito de "abrir um diálogo nacional sobre a descentralização dos serviços públicos".

Contudo, uma vez que o parlamento terá uma comissão para acompanhar processos de descentralização, o ministro disse que "não faria sentido extrair o Infarmed desse processo".

A 18 de julho, o ministro da Saúde disse, perante os deputados da mesma comissão parlamentar, que o Governo teria condições para decidir sobre a mudança do Infarmed para o Porto "a curto prazo".

“Alguns aspetos estão a ser aprofundados” na análise da eventual deslocalização do Infarmed para o Porto e “teremos condições para uma decisão a curto prazo”, referiu, na altura, Adalberto Campos Fernandes.

A mudança do Infarmed para o Porto foi avançada pelo ministro da Saúde em novembro de 2017, logo após a candidatura da cidade para acolher a Agência Europeia do Medicamento ter sido afastada.

A decisão suscitou várias críticas e a oposição dos trabalhadores, assim como da presidente da autoridade do medicamento, Maria do Céu Machado.

Na sequência controvérsia, foi pedido um relatório a um grupo de trabalho que entregou as suas conclusões no final de junho.

Também em julho, Maria do Céu Machado alertou que uma deslocalização da instituição pode representar uma perda de credibilidade do país, e deixou duras críticas ao relatório pedido pelo Governo, que considerou superficial e opinativo, salientando não entender os benefícios da mudança.

No mesmo sentido crítico vai a comissão de trabalhadores do Infarmed ao defender que o relatório sobre a transferência da instituição de Lisboa para o Porto é superficial, e está cheio de erros e omissões.

A Comissão Independente para a Descentralização, criada pela lei 58/2018, tem “a missão de proceder a uma profunda avaliação independente sobre a organização e funções do Estado” e “propor um programa de desconcentração da localização de entidades e serviços públicos”, segundo o presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues.

O antigo ministro socialista João Cravinho vai coordenar a Comissão Independente para a Descentralização, constituída para avaliar a organização e funções do Estado ao nível regional e intermunicipal, que integra ainda o social-democrata Alberto João Jardim.

Um despacho do presidente da Assembleia da República, a que a Lusa teve acesso na quarta-feira, designa como membros da comissão, ouvidos os grupos parlamentares, João Cravinho (que coordena), João Manuel Machado Ferrão, António Fontainhas Fernandes, Alberto João Jardim, Adriano Lopes Gomes Pimpão, Helena Pinto e António Carmona Rodrigues.

 

Os primeiros sintomas ocorrem habitualmente depois dos 65 anos
De acordo com dados da OMS estima-se que existam mais de 25 milhões de pessoas com a doença de Alzhe

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de neurónios em áreas cerebrais envolvidas no processamento cognitivo. De acordo com a descrição de Alois Alzheimer (1907) a degenerescência neuronal está associada à formação de depósitos de proteínas anormais: beta-amilóide e proteína tau.

Os primeiros sintomas da doença ocorrem habitualmente depois dos 65 anos, manifestando-se por perda de memórias (sobretudo as mais recentes) que se associam a alterações do raciocínio, dificuldades na orientação, capacidade de concentração ou alteração da linguagem. Podem ocorrer também alterações emocionais (ansiedade, depressão) e com o evoluir da doença são frequentes as alterações do comportamento (agitação, agressividade). Nos estádios mais avançados a doença gera uma ocorrem também alterações motoras e incontinência de esfincteres, gerando assim uma elevada dependência de terceiros. Após o aparecimento dos primeiros sinais, os doentes com DA sobrevivem em média 4 a 10 anos.

Os números da doença

A DA é a causa mais comum de demência. Aos 65 anos afeta cerca de 2-3% das pessoas, mas a sua aumenta exponencialmente com a idade, duplicando de 5 em 5 anos. Isto quer dizer que aos 90 anos mais de 50% das pessoas têm DA.

De acordo com dados da OMS estima-se que o número total de doentes a nível mundial ultrapasse os 25 milhões, prevendo-se que, com o envelhecimento demográfico, este número triplique até 2050. Em Portugal, o número de pessoas com demência ronda os 180 000, dos quais 50 a70% têm DA.  

O que causa a doença de Alzheimer?

As causas da DA são ainda mal conhecidas. Admite-se que esta resulte de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, mas o principal fator de risco é a idade. As formas verdadeiramente genéticas são raras; nestes casos a doença manifesta-se antes dos 65 anos, têm habitualmente uma evolução mais rápida e é possível identificar outros casos na família com as mesmas características.

Através de estudos populacionais que compararam as características das pessoas com e sem doença, foram identificados alguns fatores que se associam a um maior risco de desenvolver a doença.

Estes fatores de risco são classificados pela sua natureza em ‘não-modificáveis’ e ‘modificáveis’. Os fatores ‘não-modificáveis’ são: idade superior a 65 anos, género feminino, ter um parente em 1º grau com DA e ser portador de um fator genético (genótipo Apo E4). Os ‘modificáveis’, mais importantes pois a sua correção pode minimizar o risco da doença, incluem: alteração do sono (apneia obstrutiva do sono), depressão, baixo nível de escolaridade e condições ou doenças que causam doença vascular: hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes, a obesidade e o sedentarismo.

É possível prevenir a DA?

A forma mais imediata de minimizar o risco de desenvolver a doença é controlar os fatores de risco modificáveis. Por outro lado, algumas medidas simples podem melhorar a saúde cerebral. O desenvolvimento de atividades cognitivas e sociais (ex. leitura, dança, jogos de mesa) e a prática regular de exercício físico reduzem o risco de declínio cognitivo. Alguns estudos mostram que a ingestão de uma dieta do tipo mediterrânico, com consumo de peixe, também diminui o risco de DA.

Tratamento

Dos medicamentos atualmente disponíveis, alguns (donepezilo, galantamina, rivastigmina) promovem o aumento de acetilcolina, um neurotransmissor importante nos processos cognitivos. Um outro fármaco, a memantina, aprovada para o tratamento das fases moderada e grave da doença, atua por redução da toxicidade neuronal. Deve salientar-se que o benefício destes fármacos é limitado e não previne nem evita a progressão da doença.

Para além do tratamento farmacológico, o recurso a técnicas de reabilitação cognitiva permite estimular as capacidades cognitivas e pode ser de grande utilidade nos estádios ligeiros da doença.

Atualmente estão em investigação vários fármacos que poderão revolucionar o tratamento da doença de Alzheimer. Esses fármacos, ainda em fase de ensaio clínico, atuam de forma específica nos mecanismos envolvidos na neurodegeneração – promovem a remoção do amiloide. Aguardam-se com grande expectativa os resultados destes estudos e a confirmar-se a sua eficácia, teremos pela primeira vez a possibilidade de intervir na história natural da doença evitando ou reduzindo a progressão da incapacidade.

Autor: 
Dr. José Vale - Neurologista
Diretor do Serviço de Neurologia do Hospital Beatriz Ângelo
Diretor do Serviço de Neurologia do Hospital dos Lusíadas

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
World Cancer Day Spirit Award
A Liga Portuguesa Contra o Cancro integra o grupo de quatro finalistas a receber o prémio World Cancer Day Spirit Award, que...

Fonte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) disse hoje que além de Portugal, os outros três candidatos são Chipre, Nigéria e Myanmar (antiga Birmânia).

“O sucesso e impacto alcançado ano após ano” das iniciativas dinamizadas em todo o país pela Liga, em parceria com várias entidades e instituições de diversos setores, no Dia Mundial do Cancro, a 04 de fevereiro, “justifica que a LPCC seja, atualmente, uma das instituições escolhidas, entre centenas de candidaturas”.

Este prémio será atribuído pela primeira vez este ano, pela UICC, no âmbito do Congresso Mundial do Cancro, que se realizará em outubro, em Kuala Lumpur, na Malásia.

Por outro lado, acrescentou, “o trabalho efetuado em termos locais, regionais e nacionais é reconhecido pela comunidade científica e pelas instituições congéneres a nível europeu e internacional, razão pela qual elementos da LPCC ocupam atualmente cargos de responsabilidade”.

Para a LPCC, “este reconhecimento europeu e internacional é de extrema importância nomeadamente pela possibilidade que oferece de enquadrar todo o trabalho desenvolvido numa escala global, potencializando assim a mensagem a transmitir”.

A UICC reúne mais de mil organizações de apoio aos doentes oncológicos, entre ligas, institutos de investigação, centros de tratamento e hospitais, entre outras, de 162 países.

As organizações que integram a UICC funcionam como um movimento internacional que visa colocar a luta contra o cancro no topo da agenda global de saúde.

 

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