Congresso Latino-Americano de Nutrição
Evidências mais recentes não revelam efeito adverso na sensibilidade à insulina ou na saúde geral dos adoçantes sem ou de...

Usados de forma segura há mais de um século pelos consumidores em todo o mundo para manter o sabor doce dos alimentos sem adição de energia a partir de açúcares, os adoçantes sem ou de baixas calorias “foram cuidadosamente revistos e aprovados periodicamente, com a consequente aprovação pelas agências de saúde reguladoras em todo o mundo, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a agência Food and Drug Administration dos Estados Unidos (FDA) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA)”, explica Susana Socolovsky, Presidente da Associação Argentina dos Profissionais de Tecnologia e Segurança Alimentar (AATA).

Por esta razão, “graças ao rigoroso quadro regulamentar e requisitos toxicológicos existentes no mundo inteiro, pode ser confirmado que os adoçantes sem ou de baixas calorias são aditivos alimentares seguros na população em geral”, conclui a especialista, com doutoramento em química pela Universidade de Buenos Aires, responsável por liderar o debate sobre a segurança destes aditivos, realizado no âmbito do XVIII Congresso Latino‑Americano de Nutrição (SLAN) 2018, que se realiza de 11 a 15 de novembro no México.

“A segurança dos adoçantes de baixas ou sem calorias é um assunto de interesse contínuo entre a população”, refere Aranceta‑Bartrina, presidente do Comité Científico da Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária (SENC), responsável pela organização da mesa temática centrada no “Interesse dos adoçantes sem ou de baixas calorias na redução do consumo de açúcar”, juntamente com o Grupo Latino-americano de Nutrição Comunitária (GLANC).

Adoçantes e microbiota

Ángel Gil Hernández, professor de Bioquímica e Biologia Molecular na Universidade de Granada e Presidente da Fundação Ibero-Americana de Nutrição (FINUT), participou na discussão mostrando os resultados de uma investigação recente sobre as evidências disponíveis, em que analisou a relação existente entre os adoçantes sem ou de baixas calorias e a microbiota.

Após a seleção de 133 artigos, Gil-Hernández observa que “os adoçantes sem ou de baixas calorias, nas quantidades usadas para adoçar alimentos e bebidas, não causariam mudanças significativas na microbiota”. Por outro lado, tendo em conta o tipo de adoçante analisado, “vale a pena destacar que os adoçantes do tipo poliol (como isomaltose, maltitol, lactitol ou xilitol) comportam-se como prebióticos, já que observamos um aumento no número de bifidobactérias em animais e em humanos”, conclui.

Consenso Ibero-Americano sobre adoçantes sem ou de baixas calorias

Os adoçantes sem ou de baixas calorias podem melhorar o controlo glicémico no lugar do açúcar e, em programas de controlo de peso, também podem favorecer a redução da ingestão total de energia e perda de peso, como comentou Lluis Serra-Majem, professor catedrático de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria e presidente da Fundação para a Investigação Nutricional (FIN).

É isso mesmo que conclui o “Consenso Ibero-Americano sobre adoçantes sem ou de baixas calorias”, que reuniu mais de 60 especialistas internacionais e que foi recentemente publicado na revista internacional Nutrients. O objetivo deste documento, que analisa as evidências em relação ao papel dos adoçantes sem ou de baixas calorias na alimentação, a sua segurança e inocuidade, a sua regulação e os aspetos nutricionais e dietéticos do seu uso em alimentos e bebidas, é “fornecer informações úteis com base em evidências científicas para contribuir para a redução do consumo de açúcares adicionados em alimentos e bebidas, em consonância com as recomendações propostas pelas autoridades internacionais de saúde pública”, diz Serra-Majem.

O XVIII Congresso Latino-Americano de Nutrição (SLAN) 2018, que decorre na cidade de Guadalajara, Jalisco, México, até 15 de novembro de 2018, sob o lema “Alimentação Saudável para um Planeta Sustentável”, foi organizado pela Sociedade Latino-Americana de Nutrição (SLAN). O Congresso contou com a colaboração de outras instituições como a UNICEF, o Instituto Nacional de Saúde Pública do México, o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CONACYT), a Universidade de Guadalajara, a Associação Jalisco de Nutricionistas, A.C. (AJANUT), a Universidade Jesuíta de Guadalajara, o Tecnológico de Monterrey e a União Internacional de Ciências da Nutrição (IUNS).

Opinião
Desde 1991 que a Federação Internacional da Diabetes (IDF) e a Organização mundial de Saúde (OMS) co

O número de pessoas afetadas em todo o mundo com DM reflete a magnitude do problema. Segundo os dados da IDF, existem atualmente cerca de 425 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo. Em Portugal, segundo a mesma fonte, estima-se que a prevalência de diabetes na população adulta seja de 13,9%. Isto significa que mais de um milhão de portugueses neste grupo etário tem DM.

A DM é uma doença caracterizada por uma hiperglicemia crónica resultante de deficiência na secreção e/ou ação da insulina. A DM tipo 1 ocorre em 5-10% dos doentes com DM e é devida a uma destruição autoimune das células beta pancreáticas. A DM tipo 2 (DM2) é responsável por cerca de 90 a 95% dos casos de DM, mas a sua etiologia não é completamente conhecida: sabe-se que não há destruição autoimune das células beta pancreáticas e que os doentes não têm outra causa conhecida de diabetes (doenças do pâncreas exócrino, destruição pancreática, fármacos…).

A DM2 pode permanecer não diagnosticada por muitos anos: a hiperglicemia desenvolve-se gradualmente e, em estados iniciais, não é suficientemente grave para o doente apresentar sintomas. Isto contribui para que, em todo o mundo, uma em duas pessoas com diabetes ainda não esteja diagnosticada. Desde o início da doença até ao desenvolvimento dos sintomas, estes doentes apresentam um elevado risco de desenvolverem complicações micro e macrovasculares. A deteção precoce, o diagnóstico e o tratamento podem salvar vidas e prevenir ou retardar significativamente as complicações devastadoras relacionadas com esta doença como a doença renal crónica, a retinopatia, a neuropatia, a doença cardíaca e a doença cerebrovascular, nomeadamente o acidente vascular cerebral (AVC).

Atualmente, há evidência de que, em muitos casos, a DM2 pode ser prevenida e tratada adotando-se um estilo de vida saudável: (1) uma alimentação saudável, focando-se na qualidade dos alimentos ingeridos – substituir hidratos de carbono (HC) refinados por HC complexos; preferir como fonte de proteínas o peixe, as aves e as leguminosas, evitando as carnes vermelhas; evitar gorduras saturadas e gorduras trans e aumentar o consumo de ácidos gordos ómega 3 e 6; (2) redução da ingestão de sal, principalmente em doentes com DM e HTA, (3) redução do consumo de álcool, (4) abstinência tabágica e (5) atividade física no mínimo de 150 minutos semana de exercício moderado a intenso. O principal objetivo destas alterações é diminuir a adiposidade visceral e, deste modo, diminuir a insulinorresistência, o que permite melhorar o perfil glicémico, lipídico e metabólico. Para a maioria dos doentes com DM, o grande desafio é, precisamente, esta mudança no estilo de vida, pelo que é fundamental o empoderamento do doente.

A comemoração do Dia Mundial da Diabetes surge como um alerta, porque muito pode ser feito para prevenir, melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbidade e mortalidade das pessoas que vivem com DM.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Até obras estarem concluídas
O presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, defendeu hoje a mudança da pediatria do hospital de S. João, no...

“Seria uma forma de minimizar o sofrimento de doentes e respetivas famílias", sublinhou.

Em comunicado, Rui Nunes, também professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, considera que, “independentemente do percurso histórico e das responsabilidades que venham a ser apuradas, importa agir de modo a resolver uma situação humana e socialmente insustentável".

Para o presidente da Associação Portuguesa de Bioética (APB), essa "seria a solução ideal”, tendo em conta que a construção da nova ala pediátrica implica “não apenas a existência de recursos, mas também o escrupuloso cumprimento das regras da contratação pública, podendo não ser de resolução imediata".

Perante tal cenário, Rui Nunes sublinha que "a solução lógica, no plano de uma moderna gestão pública, é otimizar a capacidade instalada enquanto se aguarda por uma solução de fundo que vá de encontro às expectativas dos doentes e das suas famílias".

Assim, em seu entender, a solução eficaz no curto prazo seria "realojar a pediatria noutro setor do hospital, nomeadamente em pisos recentemente construídos e que facilmente podem ser adaptados para o efeito”.

“Isto implicaria, naturalmente, que os serviços que agora aí se encontram fossem realojados em outros espaços existentes", acrescenta.

Rui Nunes refere que esta opção "não carece de recursos que não estejam à disposição do hospital e permitiria aliviar o sofrimento dos doentes, das suas famílias e dos próprios profissionais de saúde que, com tanto empenho, se dedicam a estas crianças".

"A única pergunta a colocar é quando é que esta solução será implementada", frisa.

O docente da FMUP critica ainda "o estado em que se encontra a pediatria, sobretudo tendo em conta que estamos a falar não apenas de um dos melhores hospitais do país, mas sobretudo do hospital de referência do Norte de Portugal".

Acrescenta que “importa investigar, retrospetivamente, as causas desta lamentável situação. Nomeadamente em relação ao planeamento estratégico da saúde da mulher e da criança ao longo das duas últimas décadas".

"Aquando da discussão pública em torno da criação do Centro Materno-Infantil do Norte, alguns, entre os quais me incluo, alertaram para o facto de que a construção da nova unidade iria centralizar este tipo de cuidados, dado que nem o país nem a região têm dimensão ou escala para comportar mais do que uma unidade hospitalar com estas características", recorda.

Na ocasião, frisa, "muitos pensavam que os recursos eram ilimitados e que o Estado, mesmo sobre-endividado, podia continuar a despender acima das suas posses. O resultado foi o que se viu, com a necessidade de intervenção externa, o que originou grandes sacrifícios para a população. E o ‘Joãozinho’ – o hospital pediátrico do São João – não foi construído".

Em 2016, cerca de um ano depois de ter começado, a obra que decorria em terrenos do Hospital de São João por iniciativa da Associação Joãozinho parou.

A administração do centro hospitalar defendeu na ocasião que a empreitada só seria possível com investimento público, devido ao “desfasamento entre as verbas angariadas [pela associação] e o orçamento total da obra”.

A empreitada de cerca de 25 milhões de euros era suportada por fundos privados angariados pela associação “Um Lugar Pró Joãozinho”, que até então tinha reunido cerca de um milhão de euros.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica, anunciando um investimento de cerca de 20 milhões de euros.

O Governo autorizou em 19 de setembro a administração do Centro Hospitalar Universitário de São João a lançar o concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

Diabetes atinge um milhão de portugueses
O Dia Mundial da Diabetes assinala-se hoje e pretende sensibilizar a população para o seu impacto na família, na gestão,...

“O aparecimento de diagnóstico de uma doença em qualquer família tem um grande impacto, mas esse impacto é muito maior quando a família é chamada a ser atuante no próprio tratamento, como é o caso da diabetes, principalmente nas crianças”, disse à Lusa o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que, juntamente com a Câmara de Lisboa, organiza hoje a conferência “Diabetes e Família”, o mote deste ano da efeméride.

No caso das crianças, é “uma situação muito dramática para a família, muitas vezes com sentimento de culpa, sem qualquer justificação, porque não há qualquer culpa”, disse José Manuel Boavida.

O aparecimento da doença “provoca modificações importantes” no dia-a-dia das famílias, algumas boas, como melhores hábitos de vida, e outras más, devido “ao ‘stress’ causado à vida das pessoas”.

“Nas crianças é todo o problema, desde o controlo e o medo permanente de qualquer ocorrência que possa acontecer, nomeadamente a hipoglicémia", mas também "a sensação horrível de ter que as picar com a insulina ou para determinar a glicemia”.

Nos adultos, “há uma preocupação permanente para saber se as pessoas estão bem” e se não sofrem as complicações mais graves da diabetes, como cegueira ou amputações, disse o endocrinologista.

É todo este quadro que "acaba por ser um peso enorme” para as famílias que têm de adaptar-se à nova realidade.

Para José Manuel Boavida, esta "adaptação” tem de ser apoiada, para "aliviar toda a carga quotidiana" do tratamento desta doença "muito especial", que implica atitudes diárias por parte das pessoas, como ajustar a medicação, a alimentação, a atividade física para evitar as complicações da doença.

Este apoio é "uma das grandes reivindicações" que a associação pretende que "venha ao de cima" neste dia mundial. "Os familiares das pessoas com diabetes são cuidadores informais”, apesar de “pouco reconhecidos”, e evitam “imensos internamentos”, devendo por isso ser apoiados, dando-lhes formação.

"O controlo rigoroso dos fatores de risco é essencial, assim como o maior envolvimento da família, o que significa abrir as consultas aos familiares e criar sessões a eles dirigidas, ajudando-os a compreender a complexidade da diabetes", defendeu.

A formação deve estender-se aos profissionais de saúde “no sentido de perceberem o papel da família e o impacto que a família tem quando aparecem pessoas com diabetes na família”, defendeu José Manuel Boavida.

Além do congresso, a APDP vai realizar uma marcha pelos miradouros de Lisboa e lançar a campanha "Seja mais rápido que o seu risco", que apela aos diabéticos para terem "mais atenção à relação perigosa entre a doença e outras comorbilidades, uma vez que têm maior risco de hipertensão arterial, doença vascular, enfarte, obesidade, entre outras".

A Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes também promove hoje o circuito de “Pré-Diabetes ou Diabetes”, na praça de Navegantes no Colombo, em Lisboa, para consciencializar a população para esta doença, que matou 12 pessoas por dia em 2015, segundo o último relatório do Observatório Nacional da Diabetes.

Estudo
Um estudo sobre a violência pelo parceiro íntimo durante a gravidez concluiu que mais de 40% das mulheres na região Centro de...

Envolvendo mais de um milhar de mulheres, a pesquisa, desenvolvida por Rosa Maria dos Santos Moreira, investigadora na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), revela também que 14% das grávidas são forçadas pelos companheiros a manterem práticas sexuais.

De acordo com uma nota da ESEnfC enviada à agência Lusa, os dados da pesquisa agora divulgados foram “recolhidos entre 2012 e 2013, por meio de questionário respondido por 1.219 puérperas (após o parto)”, no âmbito do doutoramento de Rosa Moreira, intitulado ‘Violência por parceiro íntimo na gravidez e consequências perinatais’.

Por ordem decrescente de prevalência, a agressão psicológica foi a mais assinalada pelas inquiridas (41,6%), seguida da coerção sexual (13,7%) e do abuso físico sem e com sequelas (8,4% e 2,5%, respetivamente).

Quanto à repetição das formas de violência pelo parceiro íntimo, “os atos de coerção sexual foram os mais frequentes (9,16%)”, revela ainda o estudo, que foi desenvolvido com “o contributo voluntário de puérperas internadas em hospitais de apoio perinatal e apoio perinatal diferenciado”, em Coimbra, Aveiro, Covilhã, Castelo Branco, Guarda e Leiria.

“Tem sido difícil provar a associação direta da violência pelo parceiro íntimo com os maus desfechos perinatais”, mas, salienta a investigadora, citada pela ESEnfC, algumas investigações destacam, “a este nível e como principais problemas durante a gravidez, a hemorragia genital, a rotura prematura de membranas, a diminuição dos movimentos fetais” e, ainda, hipertensão arterial, diabetes gestacional, anemia e descolamento prematuro da placenta, entre outros.

Trabalhos recentes “continuam a mostrar evidência de resultados adversos, como baixo peso ao nascer, recém-nascido pequeno para a idade gestacional, parto e nascimento prematuros e incidência de morte fetal, perinatal e neonatal”, acrescenta a docente da ESEnfC e especialista em saúde materna e obstétrica.

“A maioria das mulheres que participou neste estudo” frequentou consultas pré-natais, “sendo que nos casos de agressão psicológica houve mais idas a estas consultas do que nas situações em que foram reportadas outras formas de violência”, destaca Rosa Moreira.

Registou-se, por outro lado, “maior probabilidade de ocorrência de agressão psicológica quando o início das consultas foi tardio, após o segundo mês de gestação, e maior probabilidade de abuso físico com e sem sequelas quando o início das consultas ocorreu antes do segundo mês de gestação”.

Rosa Moreira salienta igualmente, entre outros aspetos, a “associação entre a violência pelo parceiro íntimo e alguns comportamentos de risco comprometedores da saúde materna e fetal, como o hábito de fumar e o consumo de álcool durante a gravidez”.

Neste parâmetro, verificou-se “uma prevalência maior de comportamentos de violência pelo parceiro íntimo entre as mulheres que assumiram hábitos tabágicos e consumiram bebidas alcoólicas durante a gravidez, comparativamente com as que não tiveram esses hábitos de consumo, em todas as dimensões estudadas”.

Mas os estudos desenvolvidos em Portugal sobre este tema “ainda são insuficientes para que se compreenda a dimensão do problema”, sublinha Rosa Moreira, considerando que “o atraso na sistematização de recolha de dados tem condicionado o acesso a indicadores específicos relativos à violência pelo parceiro íntimo durante a gravidez e seus fatores associados”.

Efeitos secundários
A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) aconselha cuidados especiais no uso de medicamentos para as dores contendo...

Esta recomendação do Infarmed surge na sequência de um alerta da Autoridade para o Medicamento Espanhola para a utilização de medicamentos com metamizol, na sequência da morte de 10 britânicos que compraram o medicamento em Espanha.

Em outubro, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) atualizou a ficha técnica do metamizol para alertar para o risco de efeitos adversos como a agranulocitose (doença aguda do sangue caracterizada pela falta ou acentuada redução de glóbulos brancos).

Em comunicado disponível hoje, o Infarmed indica que o metamizol é um medicamento utilizado para o tratamento da dor e febre há cerca de 40 anos. Em Portugal, os medicamentos comercializados contendo metamizol são o Nolotil, Dolocalma e Meramizol Cinfa.

O Nolotil está indicado na dor aguda e intensa, incluindo dor espasmódica e dor tumoral, e na febre alta, que não responde a outras terapêuticas antipiréticas.

“A utilização de medicamentos contendo esta substância [metamizol] pode causar uma reação adversa – a agranulocitose – que, apesar de grave, é muito rara”, explica também o infarmed.

A Autoridade do Medicamento esclarece que em “Portugal foram notificados ao sistema de farmacologia, entre 2008 e 2018, um total de 11 casos de agranulocitose potencialmente associados à utilização de metamizol, com uma frequência de um a dois casos por ano (o que se encontra dentro da frequência expectável de uma reação rara)”.

Para minimizar os riscos de agranulocitose associado à utilização de metamizol, o Infarmed recomenda que o seu uso deve ser restrito a um período temporal (máximo de sete dias) e a monitorização através dos valores do hemograma se for por mais tempo.

“Estes medicamentos não devem ser utilizados em doentes com reações hematológicas prévias ao metamizol, em tratamento com imunossupressores ou outros medicamentos que possam causar agranulocitose. Deve ser tida particular atenção à prescrição destes medicamentos em doentes idosos”, destaca o Infarmed.

Os doentes a quem foi prescrito metamizol, salienta o Infarmed, não devem interromper o tratamento, mas sim consultar o médico caso surjam sintomas de discrasia sanguínea, tais como mal-estar geral, infeção, febre persistente, hematomas, hemorragias ou palidez.

Aos médicos prescritores e restantes profissionais de saúde, o Infarmed solicita especial atenção para a prevenção e/ou deteção precoce do aparecimento deste ou de outros efeitos indesejáveis.

“Estes medicamentos mantêm uma relação benefício-risco positiva, desde que, sejam cumpridas todas as condições, incluindo as indicações de uso do metamizol”, é referido.

O infarmed indica ainda que vai continuar a acompanhar e divulgar todas as informações pertinentes relativas a esta matéria.

Administradores
Os hospitais públicos tiveram nos últimos três anos mais 600 milhões de euros de despesa, enquanto a receita aumentou menos de...

As contas são expostas pelo presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, que recorda, em entrevista à Lusa, que o financiamento dos hospitais não compensou nos últimos três anos a pressão sobre a despesa, nomeadamente com recursos humanos, com a passagem às 35 horas semanais, a contratação de profissionais para suprir as horas repostas e a reposição salarial.

Em entrevista à Lusa a propósito do Fórum do Medicamento que a Associação dos Administradores Hospitalares promove na sexta-feira em Lisboa, o responsável assinala que os custos operacionais dos hospitais EPE (Entidades Públicas Empresariais) aumentaram perto de 600 milhões nos anos de 2015 a 2017, sendo que os proveitos operacionais aumentaram menos de 300 milhões de euros.

O resultado foi que em 2017 os hospitais EPE encerraram o ano “com o pior resultado económico de sempre”.

E ainda assim, refere Alexandre Lourenço, mesmo sem “uma compensação orçamental adequada”, os hospitais tiveram de acomodar o crescimento dos seus custos, como com a passagem às 35 horas ou com as reposições remuneratórias.

O responsável considera que a “forte restrição orçamental” tem condicionado a capacidade dos hospitais para melhorar o seu desempenho e eficiência.

Alexandre Lourenço nota ainda que as transferências do orçamento para o SNS em percentagem do PIB têm vindo em queda nos últimos dez anos, sendo este ano de 2018 “o mais baixo”, colocando Portugal abaixo da média dos países da OCDE.

Contudo, o financiamento acaba por existir, mas não é colocado nos orçamentos dos hospitais em tempo devido e de modo a permitir uma gestão mais adequada.

Alexandre Lourenço recorda que o anterior ministro da Saúde anunciou no fim do ano passado uma dotação de 1,4 mil milhões de euros de verba adicional, mas esse dinheiro devia ter sido colocado nos hospitais no início de 2018, o que não aconteceu. Aliás, só agora começa a chegar às unidades a última tranche de 500 milhões de euros.

“A relação dos hospitais com os fornecedores seria diferente se o dinheiro estivesse colocado no início de um ano orçamental, porque lhes permitiria comprar bens e serviços a um preço mais baixo”, afirmou, estimando que os hospitais do SNS poderiam poupar mais de 100 milhões em redução de preço só por pagarem aos fornecedores a tempo e horas.

Tema em debate no Fórum do Medicamento
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, defende a criação de vias verdes na...

Este vai ser um dos temas em debate no Fórum do Medicamento, que decorre na sexta-feira em Lisboa, iniciativa da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, segundo disse à agência Lusa o presidente do organismo, Alexandre Lourenço.

“Vamos debater o acesso atempado a cuidados de saúde na oncologia através da criação de vias verdes. Entre o diagnóstico e o momento em que iniciamos um tratamento existe um longo período, um período demasiado grande”, afirmou.

Em entrevista à Lusa, Alexandre Lourenço explicou que um dos casos concretos em discussão será a criação de uma via verde para o cancro do pulmão, uma patologia em que é “completamente crucial” iniciar o tratamento o mais cedo possível.

“Na prática, trata-se de encontrar mecanismos no sistema de saúde e formas de referenciação imediata dos doentes quando existe alguma sintomatologia, encaminhando para o hospital o doente no mais curto espaço de tempo”, indicou.

Para Alexandre Lourenço, ainda é “demasiado alargado” o tempo de espera entre o médico de família e a consulta de especialidade hospitalar, mesmo nos casos oncológicos, porque há dificuldade de aceder a consultas de especialidade.

Os administradores hospitalares reconhecem que no caso da oncologia o acesso a consultas é menos dificultado do que noutras especialidades, mas os tempos de espera “continuam a ser exagerados”.

No caso do cancro do colo e do reto, por exemplo, Alexandre Lourenço afirmou que continuam a registar-se dificuldades no acesso aos exames, às colonoscopias.

“Dentro dos hospitais públicos, apesar da melhoria substantiva nos últimos anos, continua a existir uma restrição muito elevada ao acesso [às colonoscopias]. Por falta de anestesiologistas, por falta de especialistas em gastroenterologia, por falta de equipamentos ou equipamentos obsoletos”, indicou.

O presidente da associação dos administradores hospitalares defende que é necessário fazer a medição do tempo que separa o diagnóstico do início do tratamento, o que não acontece: “Nem sequer conseguimos medir esse tempo. Fazemos uma suposição desses tempos por sabermos o tempo [de espera] para consultas de especialidade e para tratamento”.

Muito se advoga sobre a deteção precoce dos cancros, que Alexandre Lourenço subscreve como sendo essencial, mas alerta, contudo, que isso não basta: “Importa encurtar os tempos entre o momento em que o diagnóstico é feito e se inicia o tratamento”.

No Fórum do Medicamento que começa na sexta-feira em Lisboa será ainda debatida a questão da equidade no acesso aos tratamentos oncológicos, uma área que continua a ter “grandes variações”.

“Continuamos com enorme variabilidade no acesso à melhor resposta possível. Continuamos com problemas quer no acesso à radioterapia, ao medicamento ou a consultas de especialidade, com grandes variações.

No Fórum deverá ainda ser explorado o projeto-piloto em curso no Instituto Português de Oncologia do Porto que visa desenvolver um modelo de financiamento centrado nos resultados obtidos e que vai ser focado no cancro do pulmão.

 

Situação "muito preocupante"
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, classifica como “muito preocupante”...

Dois sindicatos de enfermeiros convocaram uma greve a partir de dia 22 de novembro, e com duração superior a um mês, que deve incidir em pelo menos três blocos operatórios de grandes hospitais, uma ideia de paralisação que partiu inicialmente de um movimento de enfermeiros e que recolheu já mais de 350 mil euros num fundo destinado a compensar os profissionais que ficarão sem salário.

Alexandre Lourenço considera que esta greve “pode causar muitos constrangimentos” e “lesar os cidadãos que necessitem de cuidados de saúde”, apelando ao Governo e às organizações profissionais que travem esta paralisação pela via negocial, através de acordo entre as partes.

Em entrevista à Lusa a propósito do Fórum do Medicamento que a Associação dos Administradores Hospitalares promove na sexta-feira em Lisboa, o responsável considerou que “não é relevante” o meio encontrado para compensar os grevistas, através de uma recolha de fundos que já conseguiu mais de 350 mil euros.

“Só é relevante no sentido de perceber que, para se chegar a este ponto, é preciso que as coisas não estejam bem. É algo de muito atípico. Mas mais atípico é a previsão de termos uma greve por um tempo tão longo”, afirmou Alexandre Lourenço.

O representante dos administradores hospitalares lembra que “há fatores que desencadearam um descontentamento generalizado e que justifica a crispação existente”.

Apesar da recuperação das 35 horas semanais de trabalho ou da “melhoria de salários”, Alexandre Lourenço frisa que “o mal-estar sentido pelos profissionais é justificado pelas condições de trabalho atuais no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“Importa ter em consideração que existem menos recursos humanos do que existiam em 2010, particularmente na enfermagem, nos assistentes operacionais e nos assistentes técnicos há uma sobrecarga de trabalho e uma frustração em algumas profissões que não verificam a valorização na sua profissão”, disse.

No caso dos enfermeiros, Alexandre Lourenço deu ainda o exemplo da diferença de critérios aplicados pelos hospitais públicos quanto às progressões nas carreiras. Há hospitais que atribuem 1,5 pontos por ano de serviço para a progressão, enquanto outros atribuem um ponto.

“Temos comportamentos diferentes [por parte dos hospitais] sem que exista uma instrução clara por parte dos ministérios das Finanças e da Saúde. Uns enfermeiros progridem mais depressa e outros mais devagar. Isso também cria um desconforto grande, quer nos profissionais, quer nas administrações”, exemplificou.

O Ministério da Saúde já anunciou que está a fazer uma análise jurídica à greve prolongada dos enfermeiros em preparação em vários blocos operatórios.

Até hoje já foram angariados mais de 350 mil euros no fundo de recolha impulsionado por um movimento de enfermeiros independente dos sindicatos, sendo que a meta era conseguir 300 mil para cumprir greve em três blocos operatórios: Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, São João, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa.

O movimento de enfermeiros prolongou, entretanto, a recolha de fundos para alargar a paralisação a mais dois blocos operatórios: Setúbal e Centro Hospitalar do Porto, mas o dinheiro para estes dois blocos adicionais ainda não foi conseguido até hoje.

Os enfermeiros reclamam nomeadamente melhores remunerações e uma carreira digna, notando que não progridem há 13 anos.

A greve arranca no dia 22 de novembro e prolonga-se até final de dezembro.

Apoio
A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou hoje uma proposta do CDS-PP que pretende a criação de uma rede de cuidadores...

O documento, dividido em cinco pontos, mereceu nos dois primeiros os votos contra do PCP e PEV, a abstenção do PS e BE, e os votos favoráveis do PSD, CDS-PP, PAN, MPT, PPM e de sete deputados independentes.

Já os últimos três pontos da proposta contaram com os votos contra do PCP e PEV e os votos a favor dos restantes partidos.

Os centristas querem que o município lisboeta, liderado pelo socialista Fernando Medina, “promova a criação de uma rede de cuidadores do concelho, a primeira no país, com o objetivo de combater o isolamento e apoiar as pessoas idosas, pessoas com deficiência ou dependentes de terceiros por outras razões”, dá conta a proposta.

Os eleitos do CDS-PP pretendem também “que esta rede de cuidadores formais e informais inclua e enquadre os cuidadores que, de modo informal e isolado, já prestam este serviço a muitos familiares, amigos e vizinhos e que seja um estímulo a que muitas outras pessoas assumam este papel”.

A rede de cuidadores deverá trabalhar “a capacitação e literacia dos seus membros para que a sua ação seja mais gratificante, legítima e eficaz”, pode ler-se na proposta, que solicita também “que a CML [Câmara Municipal de Lisboa] reforce o seu papel dinamizador na articulação entre todos os organismos, públicos e privados, que já atuam no apoio a estas pessoas, criando uma verdadeira rede com o objetivo de identificar as necessidades, a oferta já existente e a forma de a reforçar e alargar estas respostas”.

O grupo municipal do CDS-PP pede ainda que a autarquia “estimule os serviços municipais, juntas de freguesia e instituições sociais a realizarem em conjunto um levantamento detalhado da situação das pessoas com dependência, seja pela idade, seja por deficiência, do município de Lisboa”.

Intervindo na sessão, o deputado do PS Manuel Lage defendeu que os cuidadores informais devem ter formação: “Nós não podemos ter uma rede de cuidadores informais que, de repente, não tem qualquer tipo de formação e vai tratar dos nossos entes queridos”, reforçou.

No mesmo sentido, Isabel Pires, do BE, notou que parte do que é proposto pelo CDS-PP “já é hoje em dia feito” e destacou que “o cuidador informal precisa de uma rede de apoio, mas de cuidadores formais”.

A eleita do PCP Graciela Simões advogou que “deve ser dada uma resposta pública” aos cuidadores informais.

Por seu turno, várias forças políticas destacaram a importância da valorização destes cuidadores informais, manifestando concordância com a proposta dos centristas.

Na sessão plenária de hoje, foi também aprovada uma proposta do CDS-PP, que visa a disponibilização de manuais escolares gratuitos para o ensino profissional público, com os votos contra do PCP, PEV e um deputado independente, a abstenção do BE e os votos favoráveis das restantes forças políticas.

Neste sentido, o PSD apresentou uma proposta de alteração à apresentada pelos centristas, com o objetivo de alargar a “gratuitidade dos manuais escolares a todos os alunos residentes no município e que frequentem o ensino obrigatório na rede particular, cooperativa ou com contrato de associação e ensino profissional, bem como instituições de educação e formação, reconhecidas pelas entidades competentes”.

O documento foi rejeitado com os votos contra do BE, PEV, PCP, sete deputados independentes e PS e a abstenção do PAN.

Simulação de sinistros
O Ministério Público (MP) acusou 11 pessoas que alegadamente burlaram seguradoras em mais de dois milhões de euros, imputando...

Segundo informação disponibilizada na página na internet da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), os arguidos, “em data não concretamente apurada do ano de 2007, decidiram constituir-se num grupo organizado, de modo a celebrarem contratos de seguros de vida, ou de acidentes pessoais, em seu nome e em nome de identidades fictícias por eles criadas”.

A PGDL adianta que o objetivo dos arguidos era o “de participarem sinistros simulados e, com recurso a documentação falsa, acionarem as apólices de seguro e receberem as respetivas indemnizações”.

De acordo com a mesma informação, os suspeitos “forjaram documentos que permitissem a terceiros atestar acidentes simulados, visando que as companhias de seguros pagassem as indemnizações correspondentes, beneficiando de parte dela”.

O MP sustenta que “os arguidos obtinham, assim, rendimentos com o qual provinham à sua subsistência, ao seu sustento e aos proventos necessários para a sua vida, fazendo destas práticas modo de vida”.

“No âmbito da atividade desenvolvida, os arguidos participaram mais de 20 sinistros simulados a pelo menos 13 companhias de seguros, logrando obter pagamentos indevidos (indemnizações), subjacentes às apólices contratadas previamente com esse objetivo, em valor superior a 2.150.550,00 euros”, sustenta a acusação.

O MP requereu o julgamento por tribunal coletivo.

Segundo a nota da PGDL, um dos arguidos viu a medida de coação de prisão preventiva ser alterada para prisão domiciliária.

Em 05 de outubro, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou que, além do arguido sujeito a prisão domiciliária, outros dois estavam obrigados a apresentar-se periodicamente às autoridades.

Os três são considerados os “principais mentores e executantes do plano”, segundo a PJ.

O processo, declarado de excecional complexidade, foi dirigido pelo MP na 1.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Oeiras/Comarca de Lisboa Oeste com a coadjuvação da PJ.

 

Dia Mundial da Diabetes
O Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) vai desafiar amanhã as...

“O desafio passa por convidar as famílias a realizar uma experiência de um dia em que não consumam alimentos açucarados, tais como bolos, doces, cereais, refrigerantes, bebidas alcoólicas, entre muitos outros”, explica Estevão Pape, coordenador do NEDM.

Com esta iniciativa, acrescenta o internista, “esperamos conseguir, de uma forma interativa, sensibilizar a população a adotar um estilo de alimentação mais saudável, de modo a reduzir o risco de desenvolver diabetes, uma doença que afeta, em média, um a três portugueses adultos”.

Para João Araújo Correia, presidente da SPMI, “através destas ações de consciencialização da população, conseguimos não só contribuir para uma melhoria da saúde de todos nós, como inclusive destacamos o papel do especialista de Medicina Interna no contexto hospitalar e na promoção da discussão pública e científica ligada às diversas temáticas da saúde”.

A diabetes é uma doença crónica que se carateriza pelo aumento dos níveis de glicemia (açúcar no sangue), que provoca a deterioração dos vasos sanguíneos. As suas consequências são diversas, nomeadamente o maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como o enfarte agudo do miocárdio ou a angina de peito, insuficiência renal ou cegueira.

Segundo o Observatório da Diabetes em Portugal, há 1 milhão de pessoas com diabetes no país e 500 mil pessoas que não sabem que têm a doença. Já no panorama mundial, cerca de 500 milhões de pessoas estão diagnosticadas com diabetes, um número que se prevê aumentar exponencialmente nos próximos anos.

Falta de especialistas
O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos referiu hoje, em visita ao Hospital Garcia de Orta, em Almada,...

Nos últimos anos, a unidade hospitalar de Almada, no distrito de Setúbal, perdeu 40% dos especialistas em anestesia para o setor privado, no entanto, Alexandre Valentim Lourenço afirma, em declarações à Lusa, que este pode não ser caso único.

“Esta situação em termos de anestesia é transversal a toda a coroa metropolitana de Lisboa e por isso, se nós tentarmos resolver o problema pontual neste hospital [Garcia de Orta], vamos destapar o lençol noutro hospital qualquer. Temos que ser capazes de captar médicos anestesistas competentes que estejam fora deste sistema. Ir buscá-los ao Garcia de Orta para meter no Fernando da Fonseca e depois ir buscar para meter em Cascais o que estaria no hospital de Santa Maria não nos resolve o problema”, afirmou.

Para o responsável da Ordem dos Médicos, é preciso “quebrar este ciclo negativo” que faz com que haja menos profissionais nos hospitais públicos, até porque a falta de anestesistas “põe em risco a capacidade de assistência na urgência”.

Neste sentido, Alexandre Valentim Lourenço alertou para a necessidade de avaliar a “capacidade de formar especialistas”.

“Quanto menos médicos houver nos hospitais, nas suas funções de rotina, menos capacidade têm estes hospitais de fazer a formação. E por isso a Ordem dos Médicos está muito atenta aos níveis de formação e aos níveis de segurança mínimos definidos tecnicamente”, explicou.

O presidente do conselho da administração do Hospital Garcia de Orta, Daniel Ferro, também avançou à Lusa que “o ritmo de formação nos últimos dez anos foi muito insuficiente”.

Em comunicado, a unidade hospitalar de Almada realçou que nos últimos dez anos abriram mais de dez hospitais públicos e privados, mas “manteve-se basicamente o mesmo ritmo de formação”.

“No Hospital Garcia da Horta em dez anos poderiam ter-se formado o triplo dos anestesistas. Até 2015, formava-se um anestesista por ano, com um corpo clínico de 25 anestesistas. Mais de 50% dos anestesistas formados nos últimos dez anos ingressaram nos hospitais privados, deixando os hospitais públicos numa situação de carência”, refere o documento.

 

Portuguesa distinguida
A médica Ana Paiva Nunes recebeu o primeiro prémio de um registo internacional de tratamentos em AVC na terapêutica da...

A informação sobre o prémio consta do ‘site’ do SITS (na sigla inglesa), que é um sistema de registo independente baseado no Instituto Karolinska, na Suécia, uma iniciativa médica que pretende melhorar o tratamento do AVC, reduzindo a sua carga global e melhorando os tratamentos.

Em declarações à agência Lusa, a médica Ana Paiva Nunes explicou que em Portugal não existe obrigatoriedade de fazer o registo dos doentes submetidos a tratamentos de reperfusão. No seu caso, a médica do hospital São José começou a fazer o registo de todos os doentes submetidos a trombectomia, que é a remoção do vaso ou do trombo, que é o método geralmente indicado em coágulos grandes.

Sobre o prémio, entregue na segunda-feira na Suécia, a médica sublinhou que não se trata de uma comparação quanto ao tratamento dos doentes com AVC, mas antes é relativo à inclusão e registo de pessoas submetidas a um determinado tratamento.

Em concreto, o São José, hospital integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Central, foi distinguido como centro com o maior registo de doentes e com melhor qualidade de dados.

Para Ana Paiva Nunes, o registo dos doentes, que é obrigatório nalguns países, “é a única forma” de um hospital se comparar com outros centros, sobretudo em Portugal, onde não existe um registo nacional.

Só um registo nacional permitira saber, por exemplo, quantos doentes com AVC foram submetidos a trombólise ou a trombectomia.

 

 

Falta de recursos preocupa especialistas
O Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal, perdeu cerca de 40% dos anestesistas nos últimos anos para o...

“Existe uma necessidade extrema de anestesia. De facto, o hospital perdeu nos últimos anos cerca de 40% dos recursos de anestesia. Perdeu estes recursos naturalmente porque não tem capacidade de competir com o setor privado para onde eles têm transitado de forma contínua e o ritmo de formação não tem sido suficiente para fazer face a estas substituições”, avançou à agência Lusa Daniel Ferro.

Segundo o responsável, a falta de recursos humanos afeta a capacidade de realizar cirurgias e o segredo tem sido a “colaboração das pessoas, que se desdobram para fazer muitas vezes o trabalho de três ou quatro”.

O principal problema, de acordo com o responsável, é a falta de regulação para impedir que um hospital público-privado faça recrutamento de anestesistas dos hospitais públicos.

A unidade hospitalar avançou, neste sentido, que perdeu 13 anestesistas nos últimos anos, o “mesmo número recrutado por dois hospitais público-privados da margem norte”.

“É uma situação que conseguimos aguentar por um curto período de tempo, mas não num período dilatado e o apelo que nós temos feito é no sentido de esta situação ter resolução imediata”, frisou o presidente do conselho de administração.

Daniel Ferro deixou, no entanto, uma palavra de tranquilidade para a população, afirmando que “nenhuma cirurgia urgente tem sido adiada ou não feita”.

“Nenhuma situação de cirurgia programada prioritária tem deixado de ser feita, a única situação que tem sido percolada são situações de cirurgias menos urgentes e mesmo para essas estamos a procurar operar fora do hospital, com os nossos cirurgiões. Mas não é uma situação desejável para os doentes, tem incómodo para os doentes”, referiu.

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço visitou hoje esta unidade hospitalar da margem sul para “conhecer ‘in loco’ as queixas que têm surgido sobre o funcionamento da urgência e dos problemas de anestesia”.

Em declarações à Lusa, o responsável referiu que a falta de anestesistas nas equipas de urgência faz com que haja “repercussão nas cirurgias eletivas e em toda a produção cirúrgica de todas as especialidades que dependem da anestesia”.

“Isto significa que muitos dos médicos que são deslocados para fazer o seu trabalho de rotina têm que o fazer à base da urgência. A medicina baseada na urgência não é boa para a saúde dos portugueses”, afirmou.

Alexandre Valentim Lourenço revelou ainda que esta situação se tem agravado nos últimos quatro anos e que “é preciso quebrar com este ciclo negativo que faz com que haja menos profissionais nos hospitais públicos”.

Os próximos passos da Ordem dos Médicos serão, assim, continuar a reafirmar “a necessidade de se cumprir os níveis mínimos de segurança em cada especialidade” e “fazer pressão” junto das entidades competentes para que o problema seja resolvido.

Também o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Roque da Cunha, denunciou a “extrema carência de serviços humanos” no hospital de Almada.

“Não é admissível que um hospital que cobre umas centenas de milhares de cidadãos portugueses tenha períodos de espera de vários meses para as mais diversas consultas”, frisou.

Neste sentido, afirmou que “não é por acaso” que se demitiram dois dos diretores de serviço, “o da anestesia e o da pediatria”.

“Este é o nosso alerta, para que o Ministério da Saúde cumpra aquilo que foi eleito para fazer, resolver o problema da saúde dos portugueses”, referiu.

Não há rastreio do cancro do pâncreas
O presidente da Europacolon Portugal – Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, Vitor Neves, alertou hoje para a...

“Queremos que os médicos das unidades de cuidados de saúde primária e os médicos de família estejam mais sensibilizados para esta problemática, e que estejam também mais atentos a esta questão”, afirmou, em entrevista à Lusa, o presidente da Europacolon Portugal, associação localizada no Porto.

Segundo Vítor Neves, em Portugal, o cancro pancreático afeta cerca de 1.300 pessoas por ano e, apesar “dos números serem inferiores quando comparados com outras doenças”, a “mortalidade deste cancro é sobreponível à incidência”, com uma taxa de sobrevivência inferior a 10%.

“Os sintomas são de certa forma silenciosos, em parte, pela localização do tumor e porque, normalmente, podem coincidir com más disposições e doenças que os médicos desvalorizam, adiando o seu diagnóstico. Ao serem desvalorizados os sintomas, a doença agrava-se, sendo apenas detetada nas urgências dos hospitais, quando o doente começa a ficar em estado agudo”, esclareceu.

Os doentes de risco do cancro pancreático são pessoas com mais de 50 anos, fumadores, consumidores de bebidas alcoólicas ou que tem um histórico na família de vários tipos de cancro, doenças inflamatórias intestinais e pancreatite.

Quanto aos principais sintomas desta doença, são, sobretudo, dores na coluna dorsal, náuseas, depressões ou o aparecimento de diabetes.

“Não há rastreio do cancro do pâncreas, portanto, devemos caminhar para a execução de um diagnóstico precoce e aumentar a sensibilização, para que os médicos consigam identificar os sintomas e fazer um exame complementar de despiste do cancro”, frisou.

Para Vítor Neves, é “fundamental motivar” a indústria farmacêutica, mas também os institutos de investigação pública, para a “pesquisa de marcadores que possam dar meios de haver um rastreio prévio a esta doença”.

“Até agora só 2% do dinheiro que se investe em investigação oncológica é dedicado ao cancro pancreático. Em 2018, a investigação está ao nível do que estava há 40 anos, isto porque não há casuística suficiente que justifique ou retorno”, sublinhou.

Para assinalar o Dia Mundial do Cancro Pancreático, que se celebra esta quinta-feira, vários profissionais de saúde, especialistas em oncologia e investigadores vão reunir-se na sessão de debate “A prevenção e diagnóstico precoce no cancro pancreático”, que decorre no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP).

“Isto não é um encontro científico, é um encontro para pessoas. É uma oportunidade que a população tem de ter à disposição profissionais da área”, disse, acrescentando que é momento para “partilhar instruções e ferramentas que lhes podem ser uteis, de modo a aumentarem a sua literacia relativamente a esta área”.

Segundo Vítor Neves, a Europacolon Portugal, em conjunto com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), prevê no início do próximo ano lançar um inquérito digital a 750 médicos para “perceber qual o grau de sensibilização” e promover ações de sensibilização em vários centros de saúde do país.

9 em cada 10 pessoas desconhecem esta condição
Em Portugal um quinto dos portugueses, entre os 25 e os 74 anos, apresenta níveis de glicose no sang

Estima-se que, em Portugal, mais de 2 milhões de pessoas sofrem de pré-diabetes. Como se caracteriza esta situação clínica e qual o seu impacto na sociedade (sobretudo a nível económico)?

A Diabetes foi considerada pela Organização Mundial de Saúde como a pandemia do século XXI, sendo Portugal considerado um dos países mais problemáticos a nível da Europa. A Diabetes é uma doença crónica e progressiva, cuja prevalência tende a aumentar com a idade e com o estilo de vida atual, e que graças às suas complicações, pode ter consequências graves quer a nível individual quer a nível de impacto socioeconómico.

A pré-diabetes é a condição clínica que antecede o diagnóstico de diabetes e que normalmente ao fim de algum tempo evolui para a diabetes, caso não sejam adotadas medidas que o evitem.

Quais as causas da pré-diabetes e quem apresenta maior risco de sofrer desta condição?

O risco de desenvolver pré-diabetes ou de progredir para a diabetes aumenta com a idade e com o excesso de peso; é mais prevalente nos indivíduos com antecedentes familiares de diabetes, hipertensão arterial e/ou dislipidemia. No caso das mulheres, têm maior risco as que têm ou tiveram história de diabetes gestacional, ou seja, durante a gravidez.

Tendo em conta estes aspetos, é de realçar a importância do controlo dos fatores de risco cardiovasculares na população geral como o sobrepeso ou a obesidade, a hipertensão e níveis elevados de colesterol, visto estarem associados a uma maior incidência de diabetes. Também as pessoas com história familiar conhecida de diabetes ou com diabetes durante a gravidez, devem ter um especial cuidado e fazer os rastreios necessários segundo aconselhamento do seu médico.

Uma vez que falamos de diagnóstico, quais os principais sinais ou sintomas desta situação clínica? Como podemos saber se somos pré-diabéticos?

Algumas pessoas com diabetes podem ter sintomas como sede, aumento da diurese, fome e perda de peso, que sobretudo acontece na diabetes tipo 1 e que é o tipo de diabetes mais frequente nas crianças e nos jovens. No entanto na maioria dos casos da população adulta, não existem sintomas, sendo a pré-diabetes e a diabetes diagnosticada nas análises de rotina, daí a importância de fazer exames médicos mesmo na ausência de sintomas sobretudo nas pessoas de maior risco.  

A pré-diabetes tem tratamento? Em que consiste?

Tratar a pré-diabetes diminui a evolução para a diabetes; passa maioritariamente por modificar o estilo de vida, nomeadamente alterando os cuidados ao nível da dieta e da atividade física; no entanto existem algumas situações em que pode estar indicado tratamento farmacológico.

No que diz respeito à sua prevenção, quais os principais cuidados a ter? Uma vez adquirida esta condição, quais as mudanças de vida mais importantes a fazer?

Podemos prevenir a diabetes prestando atenção ao estilo de vida, adotando hábitos de alimentação mais saudáveis, aumentando a prática do exercício físico regular e controlando os restantes fatores de risco como a obesidade, a hipertensão arterial e a dislipidemia. São modificações que devem ser feitas o mais precocemente possível na vida de qualquer individuo e hábitos que devem ser instituídos desde a infância, daí a relevância que este tema tem atualmente ao nível da saúde escolar.

Não obstante a sua importância, o que justifica o facto de 9 em cada 10 pessoas com pré-diabetes desconhecerem esta condição?

Só recentemente o conceito de diabetes entrou no léxico da população geral, como patologia que pode aparecer na idade adulta, que nem sempre está associada ao uso de insulina e que frequentemente conduz a complicações graves mas que podem ser evitadas. Neste contexto, a noção de pré-diabetes está ainda pouco divulgada. É fundamental o papel do médico como educador para, quer através dos meios de comunicação quer na própria consulta, dar a conhecer o que é a pré-diabetes junto da comunidade e o que pode ser feito para evitar a sua progressão.

Qual o papel do médico assistente no diagnóstico? Será que estamos todos – e quando digo todos, refiro-me não só ao cidadão comum, como também aos profissionais de saúde – devidamente sensibilizados para esta condição?

Tal como já referido, o papel do médico é fundamental, não apenas como profissional de saúde que pode ter um papel ativo para evitar o aparecimento da pré-diabetes como também como responsável de comunicar o seu diagnóstico, com a merecida sensibilização necessária de que em muitas destas situações é possível a regressão da doença caso se façam esforços nesse sentido.

Neste sentido, e uma vez que estamos a um dia de assinalar o Dia Mundial da Diabetes, que mensagem gostaria de deixar no âmbito desta temática?

O lema da IDF para o Dia Mundial da Diabetes deste ano é “a Diabetes e a Família” e isto reflete bem o papel da família na abordagem da pessoa com diabetes como também na prevenção da doença. Perante a importância desta mensagem, o Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna está a promover o “Dia Sem Açúcar” e estimular as famílias portuguesas a passar um dia sem consumir açúcar, como medida de chamada de atenção para a problemática da Diabetes. Esta educação deve ser feita desde a infância onde a obesidade tem vindo a adquirir grandes proporções, mas não deve ser descurada na idade adulta, sobretudo no adulto jovem e restante população ativa. Só se levarmos a cabo medidas de prevenção e estratégias de diagnóstico precoce, conseguimos parar o crescimento desta patologia na nossa população e evitar as complicações que dela advêm e o impacto socioeconómico consequente.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
"Escute o seu corpo" no Dia Mundial da Diabetes
“Escute o seu corpo” é o mote de uma campanha global que dá a conhecer os sintomas de uma doença que, apesar de...

Lançada com o apoio da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), a campanha apresenta-se com uma mensagem simples que aponta, de uma forma clara e direta, para as principais manifestações da neuropatia: a perda de sensibilidade, o formigueiro e o ardor, sintomas que afetam, sobretudo, o sistema nervoso periférico, ou seja os nervos dos braços e das pernas.

Como explica Jorge Brandão, médico de medicina geral e familiar e Vice-presidente da APMGF, «a Neuropatia corresponde a um quadro de lesões nos nervos motores, sensoriais e/ou autónomos que afetam diferentes fibras nervosas. Ocorre quando há lesão no sistema nervoso periférico, como nos nervos dos braços e das pernas, o que conduz a um quadro sintomático desconfortável e perturbador da qualidade de vida dos doentes».

A Neuropatia atinge cerca de 8% da população geral, mas a frequência pode ultrapassar os 50% em pessoas idosas, com diabéticos e alcoólicos.

A Neuropatia é uma doença cuja prevalência aponta para cerca de 8% da população em geral, mas a frequência pode ultrapassar os 50% em idosos, diabéticos e alcoólicos. «Sabe-se que 50% das pessoas podem estar em risco de desenvolver Neuropatia com o passar dos anos e 1 em cada 3 pessoas poderá evoluir para um quadro debilitante. É importante que as pessoas, em especial os grupos de risco, reconheçam os sintomas e procurem identifica-los junto do seu médico, de modo a travar ou controlar a doença», esclarece Jorge Brandão.

www.escuteoseucorpo.pt: uma plataforma de informação que dá a conhecer os sintomas, os grupos de risco e a importância da prevenção.

Com vista a promover um maior conhecimento da doença e a sensibilização da sociedade em geral, esta é uma campanha que tem como suporte a plataforma www.escuteoseucorpo.pt, um espaço que dá a conhecer os sintomas, os grupos de risco e as razões que suportam a necessidade de promover o diagnóstico precoce. Para a APMGF, a questão do diagnóstico precoce é importante para intervir mais atempadamente e contrariar a evolução das doenças subjacentes. «Sabe-se que, quando diagnosticadas precocemente, as doenças que originam neuropatia podem ser revertidas ou, pelo menos, controladas, pelo que é importante que as pessoas reconheçam os sintomas de modo a travar os possíveis danos que, a longo prazo, se verificam a nível do sistema nervoso periférico, tornando-se irreversíveis quando a perda de fibras nervosas ultrapassa os 50%».

 

Doença renal crónica afeta 8 a 10 por cento da população adulta
A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), com o apoio das Sociedades científicas e Associações de Doentes da área...

A campanha, com o nome “A Vitória Contra a Doença Renal começa na Prevenção”, será oficialmente lançada no dia 14 de novembro, dia mundial da diabetes, o principal fator de risco para a doença renal.  

“Com esta iniciativa pretendemos reforçar o alerta para o papel que a prevenção desempenha nesta doença e no seu prognóstico. Está demonstrado que a melhor forma de reduzir a incidência da doença renal crónica é através da promoção de programas de prevenção, onde se pode incluir esta campanha nacional. Para proteger os rins, as pessoas devem controlar os fatores de risco como a diabetes, a hipertensão, a obesidade e deixar de fumar” explica Jaime Tavares, presidente da ANADIAL.

A campanha “A Vitória Contra a Doença Renal começa na Prevenção” pretende aumentar o conhecimento e compreensão sobre a doença renal crónica, promovendo a sua prevenção. A iniciativa conta com o apoio da Associação de Doentes Renais de Portugal, da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e da Sociedade Portuguesa de Transplantação.

A doença renal crónica carateriza-se pela deterioração lenta e irreversível da função dos rins. Como consequência da perda desta função, existe retenção no sangue de substâncias que normalmente seriam excretadas pelo rim, resultando na acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue (azotemia ou uremia). Os doentes com diabetes, hipertensão arterial, obesidade e história familiar de doença renal podem estar em risco de desenvolver esta doença.

Para prevenir a doença renal crónica vigie o seu peso, tenha uma alimentação saudável (reduza o consumo de gorduras e de sal e esteja atento ao tamanho das porções), não fume (os fumadores têm uma probabilidade três vezes maior de apresentar uma função renal diminuída), faça exercício físico, controle a hipertensão e a diabetes, não beba álcool, não se automedique e faça rastreios regulares (esteja atento a indicadores como sangue na urina, por exemplo).

 

1/3 das pessoas que sofrem enfarte ou AVC tem diabetes
“Diabetes agrava o prognóstico de todas as doenças”, alerta José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos...

Maior risco de hipertensão arterial, maior risco de doença vascular, de enfarte, de obesidade e de várias outras doenças. Os números e dados dão conta de uma associação perigosa entre a diabetes e várias comorbilidades, "mas mais do que um risco duplo, a diabetes agrava o prognóstico de todas as doenças”, garante José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que acrescenta: “cerca de 1/3 das pessoas que sofrem enfarte ou AVC têm diabetes, que aumenta a mortalidade por doenças cardiovasculares, doenças oncológicas ou doenças infeciosas".

A associação entre a diabetes e estes problemas serve de mote para a campanha, lançada pela APDP com o apoio da AstraZeneca por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no próximo dia 14, e que deixa o apelo: ‘Seja mais rápido que o seu risco’. Uma rapidez que importa reforçar, tanto mais que, refere José Manuel Boavida, “tem havido na diabetes uma visão muito centrada na glicemia”. Por isso, o especialista considera que “a compreensão da importância do risco vascular é hoje uma prioridade, não só para os profissionais de saúde, mas também para as pessoas com diabetes. O controlo rigoroso dos fatores de risco é essencial: tabaco, inatividade, obesidade abdominal, hipertensão, dislipidemia, esteatose hepática..."

Neste controlo, o envolvimento da família é, garante, “um facto. Mas ela será tão mais efetiva e eficaz quanto mais apoiada”. O que significa, de acordo com o especialista, abrir “as consultas aos familiares”, assim como criar sessões dirigidas aos familiares, que “serão o meio de o conseguir e de conseguirmos a sua compreensão para a complexidade da diabetes". Até porque, acrescenta, “o dia-a-dia das pessoas com diabetes é um verdadeiro emprego, imposto pela doença. O controlo da glicemia, da alimentação, da atividade física, da hipertensão e de outros fatores de risco exige uma educação estruturada e uma acessibilidade inequívocas".

 

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