Mulher tinha tuberculose
O Tribunal de Aveiro condenou hoje a um ano e quatro meses de prisão, com pena suspensa, uma mulher por ter circulado vários...

A arguida, que foi dispensada pelo Tribunal de comparecer à leitura do acórdão, estava acusada do crime de propagação de doença na forma consumada, mas acabou por ser condenada pelo mesmo crime na forma tentada.

À saída da sala de audiências, a advogada Andreia Ramos mostrou-se satisfeita com a decisão, adiantando que a sua cliente não tinha intenção de contaminar ninguém.

“Não há aqui sequer a noção de colocar em perigo outras pessoas. Ela própria é que não aceita o estado da doença em que está e age naturalmente como se nada tivesse”, disse a advogada, adiantando que a mulher, de 48 anos, está a ser acompanhada pelos serviços médicos, em regime de ambulatório.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a arguida foi então submetida em maio de 2017 a uma radiografia, que veio a revelar que também estava infetada com tuberculose pulmonar, tendo começado a receber tratamento médico em regime de ambulatório.

Nessa altura, foi-lhe explicado que não poderia ausentar-se da habitação e, na eventual necessidade de o fazer, teria de usar obrigatoriamente uma máscara facial, que lhe foi fornecida, a fim de impedir a possibilidade de contágio.

De acordo com a investigação, a arguida cumpriu o regime terapêutico até ao dia 24 de junho, altura em que se ausentou do domicílio onde se encontrava sem qualquer comunicação aos serviços de saúde do respetivo paradeiro, tendo passado a frequentar as ruas e espaços públicos sem qualquer toma da medicação e sem máscara de proteção.

Nessa altura, foi requerido judicialmente o internamento compulsivo da arguida, que veio a ser localizada sem máscara de proteção no dia 03 de julho, em Mogofores, e conduzida ao Hospital de Aveiro, onde se manteve até 31 de julho.

O MP diz que a arguida tinha a perfeita consciência de que se encontrava infetada com tuberculose e que se encontrava na fase mais contagiosa de tal enfermidade, sendo que podia transmitir tal doença a qualquer pessoa, com o simples tossir ou contacto de saliva com utensílios, sobretudo a crianças, idosos e doentes oncológicos.

 

 

Em comunicado
A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) alertou hoje para a necessidade do reforço urgente das equipas médicas...

Em comunicado enviado à agência Lusa, a SRCOM considerou que é urgente esse reforço "para assegurar a qualidade dos serviços prestados pela única unidade existente do Serviço Nacional de Saúde na região Centro".

"É indispensável possibilitar uma resposta adequada para todos os doentes e o CHUC não tem atualmente qualquer resposta durante a noite", afirma o presidente da Secção Regional, Carlos Cortes, citado no documento, salientando que "é grave, porque deixa dois milhões de habitantes desprotegidos na região".

Segundo o dirigente, há problemas graves e intoleráveis para cumprir a escala médica, a partir das 22:00, "uma vez que o único serviço de cirurgia plástica e queimados da região Centro encerra por não existir uma escala noturna autorizada pelo hospital".

"Quando surgem situações urgentes durante a noite, como por exemplo, vítimas de queimaduras graves, têm de ser transferidas para outros hospitais do país. Por outro lado, é necessária, também, uma unidade de cuidados intermédios que é atualmente inexistente", frisou.

Na opinião de Carlos Cortes, trata-se de "carências muito preocupantes, tendo em conta que também acorrem àquele serviço utentes oriundos de vários pontos do país e, muitas vezes, vítimas de catástrofes e acidentes de extrema gravidade".

"Este alerta é necessário para evitar uma calamidade", assume o presidente da SRCOM, Carlos Cortes.

"Face aos grandes incêndios que ocorreram o ano passado na região Centro, os profissionais de saúde do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra foram inexcedíveis", recordou Carlos Cortes.

O dirigente lembrou ainda que vários responsáveis políticos "conheceram as debilidades deste serviço perante a falta de recursos humanos e já elogiaram o trabalho extraordinário e de extrema complexidade ali realizado".

O Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do CHUC está vocacionado para responder ao tratamento de lesões traumáticas e suas sequelas, tumores ósseos, reconstrução mamária e integra também a Unidade de Reconstrução Génito-Urinária e Sexual.

DGS
O número de casos suspeitos de sarampo registados este mês na região de Lisboa e Vale do Tejo aumentou para 32, confirmando-se...

Entre os casos confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge há 20 adultos e duas crianças.

Num balanço de hoje, há um aumento de oito casos registados em relação a 23 de novembro.

Há "dois surtos distintos, ambos com origem em casos de doença importados de países europeus", mas dois dos casos não estão relacionados com estes surtos e estão a ser investigados.

Os sintomas do sarampo levam entre 10 e 12 dias para aparecer, quando há transmissão por contacto com gotículas ou propagação no ar através da tosse ou espirros da pessoa infetada.

O período de contágio inclui os quatro dias antes e os quatro dias depois de a doença se manifestar na pele.

Febre, erupção cutânea, tosse, conjuntivite e corrimento nasal são os sintomas.

A Direção-Geral de Saúde tem disponível a linha SNS 24 (808 24 24 24) para esclarecer dúvidas, recomendando a vacinação contra "uma das doenças infecciosas mais contagiosas".

Como combater os agentes infeciosos
A pele é um tecido altamente dinâmico cuja principal função é a proteção do organismo, impedindo a f

A infeção cutânea surge frequentemente devido a qualquer dano que altere a integridade da epiderme, ocorrendo de seguida a invasão da derme e do tecido celular subcutâneo por um agente patogénico. Nestas situações os mecanismos imunitários do nosso corpo são solicitados como resposta a esta invasão.

Caso a infeção atinja a derme profunda e o tecido subcutâneo, podem desencadear-se diversas condições patológicas, entre as quais a Celulite. Esta condição apresenta dificuldades na distinção entre o tecido infetado e o não infetado, que nem sempre é clara.

As infeções dos tecidos moles são caraterizadas por inflamações agudas, difusas, edematosas, supurativas e disseminadas, e estão frequentemente associadas a sintomas sistémicos como mal-estar, febre e arrepios. Caso a infeção atinja tecidos mais profundos, pode resultar em necrose dos tecidos, o que requer o desbridamento cirúrgico extensivo.

S.aureus e estreptococos do grupo A são os agentes etiológicos mais comuns da Celulite, mas ocasionalmente bactérias como Haemophilus Influenzae, bacilos Gram-negativos e ainda fungos como Cryptococcus Neoformans, podem estar implicados na celulite. Por outro lado, os agentes patogénicos transportados pelo sangue que causam celulite são o Streptococcus Pneumoniae, o Vibrio Vulnificus e o Criptococcus Neoformans.

A entrada dos agentes patogénicos é favorecida pela presença de cortes na pele, pé de atleta, picadas de inseto, insuficiência venosa crónica, síndrome nefrótica, úlceras no membro inferior, úlceras de pressão, diabetes, obesidade, doença hepática, excesso de álcool, feridas cirúrgicas, queimaduras, uso de drogas por via endovenosa. Há casos em que a “porta de entrada” não é aparente, não sendo evidentes os focos da infeção.

Com o alojamento da infeção os pacientes têm maior risco de propagação por via sanguínea e através dos vasos linfáticos. Nestes casos, a evolução pode ocorrer de forma muito rápida, originando alterações como edema (acumulação de liquídos), eritema (rubor da pele), aumento da temperatura local e dor, associados a vários graus de sintomas sistémicos resultantes exatamente da disseminação da infeção.

Nestes casos, o primeiro passo deve ser realizar um diagnóstico diferencial, o que auxilia na exclusão de outras patologias como Dermatite Atópica, Urticária, Erisipela, reação inflamatória a picadas de insetos e Tromboflebite Superficial.

O tipo de tratamento é aplicado de acordo com o grau de Celulite presente. A nível local é recomendado o repouso, imobilização e elevação da área para reduzir o edema, bem como é fundamental o tratamento das “portas de entrada”. Se a infeção for ligeira ou moderada é utilizada antibioterapia oral, no caso de ser mais severa é utilizada antibioterapia endovenosa.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ministra da Saúde
A ministra da Saúde, Marta Temido, adiantou hoje que a avaliação custo-benefício da passagem do Centro de Reabilitação do Norte...

“Efetivamente essa análise custo-benefício foi feita antes desta transferência, provavelmente ela não acompanhava o expediente que terá chegado à Presidência [da República]” para promulgação, sustentou Marta Temido, depois de uma visita a este equipamento de saúde em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

A 19 de novembro, o Presidente da República promulgou o diploma que define a passagem do Centro de Reabilitação do Norte para o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, mas defendeu que deveria ter sido feita uma avaliação custo-benefício.

Reafirmando que esse estudo custo-benefício “consta do processo”, a governante explicou que essa transferência não poderia ser validada ao nível dos serviços, quer do Ministério da Saúde, quer do Ministério das Finanças, sem esse elemento documental.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa diz que "ao fim ao cabo" o diploma que foi aprovado a 08 de novembro, em Conselho de Ministros, diz respeito à transferência de gestão, mas nota que do seu ponto de vista "pareceria aconselhável ter-se evidenciado uma avaliação custo-benefício do modelo de gestão".

O chefe de Estado lembra mesmo que esta medida, a avaliação custo-benefício, está prevista na lei e defende que esta deveria ter sido feita "antes da decisão governamental".

Marta Temido explicou que a integração do centro de reabilitação, construído de raiz e que estava sob a gestão da Misericórdia do Porto desde o primeiro momento, no centro hospitalar implica, em termos financeiros, a “passagem do contrato-programa”, num valor superior a 100 milhões de euros.

“O que me parece relevante é que nós temos tido, no nosso sistema de saúde, uma cooperação de várias entidades públicas e, por vezes, do setor privado e social a operarem as necessidades assistenciais dos portugueses (…), mas em primeira linha devemos pedir que sejam os serviços públicos, através da gestão pública, a garantir a satisfação das necessidades da população”, considerou.

A ministra adiantou que o objetivo do Governo é “tornar mais ágil a gestão pública” e voltar a experiências “bem-sucedidas” do passado em termos de gestão empresarial dos equipamentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O Centro de Reabilitação do Norte - Dr. Ferreira Alves é a mais recente unidade hospitalar nacional, tendo sido inaugurado a 25 de fevereiro de 2014.

Em fevereiro de 2016, a propósito de um projeto de construção de residências para familiares de utentes nos terrenos do Centro de Reabilitação do Norte, foi descrito à Lusa que este equipamento integra quatro unidades funcionais - AVC, Lesões Medulares, traumatismo Cranioencefálico e Pediatria e Reabilitação geral e outras doenças neurológicas.

Em meados deste mês, em resposta à agência Lusa, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) revelou que prevê que o volume de utentes atendidos no Centro de Reabilitação do Norte seja alargado e que seja possível o tratamento "mais precoce" dos doentes.

Atualmente a média de utentes atendidos neste equipamento de saúde ronda os 3.500 por ano.

Associação Abraço
A associação Abraço afirmou hoje que o aumento do número de casos de VIH em homens que fazem sexo com homens não constitui uma...

Segundo o relatório “Infeção VIH e sida” relativo a 2017, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), observou-se um aumento de 29% no número de casos em casos de homens que fazem sexo com homens, que desde 2015 são em número mais elevado que os registados relativos a homens heterossexuais.

Em declarações à agência Lusa, a vice-presidente da Abraço, Cristina Sousa, afirmou que estes números não são “uma surpresa”, adiantando que “o investimento que está a ser feito nos últimos anos nesta população ainda precisa de ser mais analisado”.

Por conseguinte, defendeu, tem de se intervir neste grupo em específico, um trabalho que já está a ser feito pela Abraço e pela Direção-Geral da Saúde.

“Realmente tem-se verificado um número crescente de infeção VIH nesta população e tem-se intervindo junto delas através do rastreio, mas também com a introdução agora da PREP [profilaxia pré-exposição do VIH] que será visto mais como um método preventivo de forma a tentarmos controlar a doença nesta população”, salientou.

Cristina Sousa adiantou que esta população sempre “ouviu falar muito mais” de sida, porque é uma doença que, desde o seu início, está associada à população homossexual.

Por esta razão, mais facilmente a assume como uma doença crónica e, “apesar de todos os receios que possa ter em relação a contrair a doença”, percebeu que há outras formas de a prevenir.

A PREP veio ajudar a que não haja novos casos de infeção nesta população que “rejeita muito o preservativo” e ao fazê-lo acaba por correr maior risco”.

Para Cristina Sousa, este medicamento foi um passo importante no combate à doença e os números do INSA vêm provar isso. “Não podemos fugir a esta realidade e temos que encontrar outros métodos preventivos para conseguir controlar e colmatar a situação presente”.

Advertiu, no entanto, que os homens que fazem sexo com homens não são diferentes do “resto da população que não usa preservativo”, considerando que a grande preocupação está na população em geral.

“O heterossexual continua a considerar que é uma infeção de grupos específicos, que é algo que não lhe acontece a ele, e estes dados do INSA podem dar a entender a um leigo mais uma vez isto, mas não é verdade”.

Em Portugal, “continuamos a não encontrar os diagnósticos tardios”. Os novos casos que aparecem na faixa etária dos 25/40 anos são “infeções recentes na população de homens que fazem sexo com homens que procuram o teste assim que sabem que têm um comportamento de risco”.

“O que nos continua a falhar em Portugal é detetar aqueles que não sabem que estão infetados” e, “na minha opinião, esses estão na população em geral, no grupo dos heterossexuais, que desconhecem o seu estado serológico há cinco, dez anos” e continuam a não se proteger e a infetar.

O relatório do INSA adianta que mais de mil novos casos de infeção por VIH surgiram em Portugal no ano passado, sendo o grupo etário entre os 25 e os 29 anos o que teve taxa mais elevada de novos diagnósticos.

No ano passado registaram-se 261 mortes em pessoas com VIH, 134 delas em estádio sida, a fase mais avançada da infeção. A idade mediana à data da morte foi de 52 anos.

Ministra
A ministra da Saúde, Marta Temido, disse hoje que o facto de o foco da infeção por VIH estar a passar de um determinado grupo...

O facto de “o foco [da doença] estar a passar de uma determinada população para outra tipologia populacional leva-nos a adaptar as respostas e a focar a atenção naquilo que está a ser a evolução e transmissão da doença [VIH] para outros grupos populacionais”, referiu a governante à margem de uma visita ao Centro de Reabilitação do Norte, em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

Mais de mil novos casos de infeção por VIH surgiram em Portugal no ano passado, sendo o grupo etário entre os 25 e os 29 anos o que teve taxa mais elevada de novos diagnósticos.

Segundo o relatório “Infeção VIH e sida” relativo a 2017, que hoje vai ser apresentado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no ano passado houve 1.068 novos diagnósticos de VIH, o que corresponde a uma taxa de 10,4 novos casos por 100 mil habitantes.

Já a percentagem de novos casos de infeção por VIH em consumidores de drogas injetadas atingiu, no ano passado, um mínimo histórico, com os casos de transmissão sexual em heterossexuais a serem os mais dominantes, sustenta.

Marta Temidos adiantou que a Direção-Geral da Saúde está a trabalhar “em permanência” nesta questão, frisando que o aumento de casos é um “sinal negativo” que é necessário inverter.

“À medida que a própria evolução da terapêutica da doença foi acontecendo levou a que algumas preocupações com a mesma pudessem abrandar e, portanto, pudemos também imaginar que nalgumas camadas populacionais esse menor cuidado pudesse acontecer, levando a um retardamento da sua identificação”, vincou.

Apesar do “sinal negativo” que é aparecimento de novos casos de infeção por VIH, a ministra salientou as “boas notícias”, nomeadamente a redução da doença em consumidores de injetáveis.

“Esta é uma boa notícia. E demonstra que quando acertamos o foco em determinada situação alcançamos resultados positivos, contudo, temos de estar atentos a sinais menos positivos”, ressalvou.

Excesso de afluência aos serviços de urgência
As sociedades de Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar vão pedir uma audiência conjunta à ministra da Saúde para propor...

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) assinaram “uma declaração de consenso que visa a introdução de melhorias significativas no tratamento da doença aguda em Portugal” e vão solicitar uma audiência à ministra Marta Temido para “propor um conjunto de recomendações” nesse sentido, referem num comunicado hoje divulgado.

As sociedades científicas consideram que existe “uma falta de informação que ajude a população a utilizar os recursos de saúde de uma forma mais racional”, bem como “um subfinanciamento e uma evidente falta de investimento nos centros de saúde e nos hospitais, o que induz graves disfunções no sistema”.

O presidente da SPMI, João Araújo Correia, afirma no comunicado que “Portugal é o país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde o recurso ao Serviço de Urgência hospitalar é mais frequente, representando o dobro da média dos países deste grupo”.

Segundo João Araújo Correia, cerca de 40 a 50% das admissões nestes serviços são por “situações não urgentes”.

O excesso de afluência aos serviços de urgência, adianta o internista, “provoca que, em muitas situações, sejam ultrapassados os tempos de espera recomendados pela triagem de Manchester, o que põe em risco a segurança dos doentes e dos profissionais”.

“Nos últimos anos, em cada inverno, a situação agrava-se e cria o caos nos serviços de urgência, hospitais e centros de saúde, o que gera uma incapacidade de resposta adequada aos utentes”, explica o presidente da SPMI.

As sociedades científicas recomendam, entre outras propostas, “um maior investimento” nos Cuidados de Saúde Primários promovendo a redução da população sem médico de família, a criação de mais Unidades de Saúde Familiar, o redimensionamento do número de utentes por médico de Família, maior rácio de profissionais de saúde não médicos e dotação das unidades funcionais destes cuidados com meios para uma resposta adequada à doença aguda.

“Mais investimento” nos Cuidados de Saúde Secundários, que garantam médicos com qualificação e em número suficiente, assim como outros profissionais de saúde como Enfermeiros e Assistentes Operacionais, é outra das recomendações.

Propõem também a criação de centros específicos para casos sociais difíceis e dotar cada serviço de urgência polivalente de um assistente social, com presença durante todo o horário de funcionamento do serviço e com meios efetivos para resolução dos casos sociais, com recursos fora do hospital, na ausência de qualquer problema clínico.

Defendem ainda que o atual modelo de financiamento dos hospitais deve ser discutido e reformulado, devendo ver aumentados os valores de pagamento atribuídos aos doentes graves e reduzidos os pagamentos aos menos graves, de forma “a incentivar uma eficiente gestão de recursos”.

Investigador
O investigador em gestão de saúde João Marques Gomes defendeu hoje ser urgente começar a avaliar a qualidade dos cuidados de...

Este tema vai estar em debate na quinta-feira, em Lisboa, na conferência ‘Portugal Value Meeting for Health and Care 2018’, promovida pela Nova School of Business & Economics (SBE), em parceria com a Nova Medical School e com o patrocínio da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

O financiamento dos hospitais tem sido baseado em números e produtividade e o que se pretende é que passe a haver critérios de avaliação da qualidade dos cuidados de saúde prestados e não apenas na quantidade, explicou o investigador em declarações à agência Lusa.

“Esta ideia de valor, esta ideia de conhecermos os resultados de saúde por condição e ao nível do doente é absolutamente essencial para se saber o está a acontecer. Neste momento estamos completamente no escuro”, disse.

Portugal tem indicadores globais, mas não tem indicadores ao nível dos doentes e dos médicos. “A pergunta é: como se faz para escolher um hospital, como se faz para escolher um médico, com base em quê”.

“Eu posso ter sorte e viver ao lado do melhor hospital ou posso ter muito azar e viver ao lado do pior”, afirmou o investigador da Nova SBE, comentando que esta escolha é mesmo “um ato de fé”.

Deu como exemplo uma pessoa ir a duas pastelarias conhecidas e pedir um chocolate quente ou um ‘cappuccino’ sabendo de antemão que não serão muito diferentes.

“Nós quando entramos num hospital achamos implicitamente (…) que vamos encontrar este tipo de equivalência entre hospitais, achamos que é mais ou menos a mesma coisa, o problema é que não é”, sublinhou.

E este “é o problema fundamental”, disse, fundamentando que “a variação dos resultados de saúde entre hospitais pode ser muito significativa”.

Segundo o dinamizador da conferência, observa-se uma grande variação dos resultados de saúde nos países onde existem estes dados.

Na Alemanha, por exemplo, existe uma clínica (Martini-Klinik) que se dedica exclusivamente ao tratamento do cancro da próstata. “Se olharmos para o indicador da sobrevida a cinco anos, vemos que globalmente, na Alemanha ou na Suécia, os doentes tratados têm uma sobrevida a cinco anos de 94%” e os doentes tratados nesta clínica 95%.

Nestes números não há grandes diferenças, mas “se olharmos para os indicadores que realmente importam ao doente (probabilidade de incontinência a um ano ou a impotência a um ano) tudo se altera radicalmente”.

Os dados mostram que, na Suécia, metade dos homens ficam incontinentes e 80% ficam impotentes um ano depois da cirurgia. Na clínica, 6,5% dos homens ficam incontinentes e menos de 35% ficam impotentes um ano após a cirurgia.

“Se há esta variação dos resultados de saúde isto significa que eu estou a financiar cuidados de saúde que não são tão bons como poderiam ser”.

“É urgente olharmos para isto por duas razões: Em primeiro lugar para o doente e para as famílias”, que poderiam ter cuidados de saúde melhores”, e em segundo lugar para o sistema de saúde que “vai incorrer em custos desnecessariamente”.

Para Marques Gomes, é preciso “fazer a gestão da saúde” como se defende que deve ser a gestão da floresta e dos incêndios.

“Quando vêm os incêndios nós queremos que sejam tão circunscritos quanto possível e que sejam apagados tão rapidamente quanto possível. Na saúde é a mesma coisa, quando chegam os doentes, porque haverá sempre doentes, nós queremos tratá-los tão bem quanto possível para que a doença não passe para estádios mais graves desnecessariamente”, justificou.

O país deve preparar-se para “prevenir a doença e promover a saúde”, mas, apesar de todos falarem nesta necessidade, os gastos nesta área são apenas de 1% a 2%, lamentou.

Investigadores norte-americanos
Cientistas criaram uma vacina injetável contra a poliomielite que não necessita de refrigeração e se revelou eficaz em ratos,...

A vacina, desenvolvida por uma equipa da universidade norte-americana do Sul da Califórnia, foi liofilizada (desidratada) num pó, mantida a temperatura ambiente durante um mês e depois reidratada.

Nestas condições, a vacina ofereceu proteção total contra o vírus da poliomielite quando testada em ratos, refere a universidade em comunicado.

Caso seja eficaz em humanos, a vacina pode ser particularmente útil nos países menos desenvolvidos, onde a sua refrigeração nem sempre é viável.

Apesar de a poliomielite ser uma doença praticamente erradicada no mundo, foram reportados casos recentes na Nigéria, na Papua-Nova Guiné, na Síria e no Paquistão.

Em Portugal, a vacina da poliomielite é administrada em quatro doses a crianças com 2, 4, 6 meses e 5-6 anos.

A poliomielite é uma doença infecciosa que incide nas crianças e pode levar à paralisia.

Os resultados da experiência feita nos Estados Unidos foram divulgados na publicação científica de acesso aberto mBio.

Os cientistas já tinham criado vacinas "estáveis", em termos de temperatura, contra o sarampo, a febre tifoide e a meningite.

Ideia valoriza subproduto regional atualmente desperdiçado
Projeto de investigação da Universidade de Coimbra aposta no potencial terapêutico da folha de mirtilo, um subproduto agrícola...

Este foi um dos 15 projetos contemplados com uma Bolsas de Ignição financiada pelo INOV C 2020, um projeto suportado por fundos do FEDER que pretende alavancar ideias de empreendedorismo e inovação na região centro.

Tendo em vista a criação de produtos nutracêuticos com propriedades neuroprotetoras e neuroregeneradoras para uso terapêutico na Esclerose Múltipla e em doenças do foro neurológico e psiquiátrico, a equipa de investigação encontra-se a desenvolver uma nova tecnologia de obtenção de compostos fenólicos (CF) capazes de atuar no Sistema Nervoso Central, que estão presentes em elevado teor nas folhas de mirtilo.

A Esclerose Múltipla é uma doença neurodegenerativa para a qual as atuais estratégias terapêuticas se têm revelado insuficientes, limitando-se a controlar os sintomas e/ou retardar a evolução. Em Portugal, existem cerca de 60 casos por cada 100 mil habitantes e uma incidência crescente, acompanhando a tendência mundial, o que torna importante a procura de novas soluções. «Utilizando as propriedades terapêuticas da folha de mirtilo, estaremos paralelamente a tirar partido dos recursos endógenos e a acrescentar valor a um subproduto atualmente desperdiçado» explicam Sofia Viana e Flávio Reis, investigadores responsáveis pelo projeto.

Com experiência nas áreas de farmacologia, neurologia e fitoquímica, o projeto conta com uma equipa de investigação multidisciplinar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em colaboração com a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, e o patrocínio da Cooperativa Agropecuária dos Agricultores de Mangualde CRL (COAPE), um parceiro essencial para valorizar a folha de mirtilo enquanto subproduto agrícola.

As Bolsas de Ignição do programa INOV C 2020 foram atribuídas em meados de 2018 a quinze projetos de investigação científica com aplicabilidade comercial. Os projetos representam um investimento total de 150.000 mil euros, com um financiamento FEDER máximo de 8.500€ por cada bolsa.

INOV C 2020 apoia projetos inovadores em Portugal

Do consórcio INOV C 2020, liderado pela Universidade de Coimbra, fazem parte dez parceiros nucleares: o Instituto Politécnico de Coimbra, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Pedro Nunes, o ITeCons, o SerQ, a ABAP, a Obitec e o TagusValley. 

O INOV C 2020 é um projeto estratégico cofinanciado pelo Centro 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), com um prazo de execução compreendido entre 18 de abril de 2017 e 17 de abril de 2019. Os parceiros executarão um investimento total de 1.627.614€, sendo o montante de 1.383.472€ financiado pelo FEDER.

O objetivo do projeto INOV C 2020 é consolidar a Região Centro enquanto referência nacional na criação de produtos e serviços resultantes de atividades de Investigação & Desenvolvimento. A consolidação do Ecossistema de Inovação, através da incorporação de uma oferta ampla de recursos, infraestruturas e respostas a desafios específicos, faz também parte da sua missão. O INOV C 2020 segue-se ao Programa Estratégico INOV C, executado entre 2010 e 2015.

78% da população portuguesa apresenta défice de vitamina D
Descubra o que esta vitamina pode fazer pela sua saúde.

Como vitamina lipossolúvel, a Vitamina D encontra-se presente principalmente em alimentos gordos como o salmão, o peixe-espada, os óleos de peixe, os ovos e os produtos lácteos, entre outros. Porém, o consumo de alimentos fortificados como cereais de pequeno-almoço e de alternativas vegetais ao leite e os suplementos alimentares também podem contribuir para a ingestão deste nutriente.

Para além das fontes alimentares, a vitamina D pode ainda ser produzida na pele após a exposição solar aos raios ultravioleta. Neste caso é necessário ter em conta que a estação do ano, a altura do dia, o número de horas úteis de sol, a nebulosidade, a poluição, a pigmentação da pele (melanina), a área da pele exposta ao sol são fatores que condicionam a quantidade de vitamina D produzida na pele.

Esta vitamina desempenha uma grande diversidade de funções no organismo sendo a mais conhecida, a regulação dos níveis de cálcio e de fósforo no organismo. Por este motivo, a vitamina D assume um papel fundamental na manutenção da saúde óssea, promovendo um crescimento saudável nas crianças e prevenindo a osteoporose nos adultos. Adicionalmente contribui para a prevenção de cáries dentárias, para o crescimento celular, para a função neuromuscular, para as defesas imunitárias e para reduzir os níveis de inflamação do organismo.

Porém, de acordo com estudos recentes, 78% da população portuguesa apresenta défice de vitamina D. Estes valores sofrem ainda flutuações ao longo do ano, sendo mais prevalente no Inverno (95%) do que no Verão (62%). Este problema poderá ser explicado em parte por uma ingestão insuficiente de alimentos ricos neste nutriente, como reflexo, por exemplo, de um consumo decrescente de peixe no quotidiano dos portugueses. Por outro lado, devido à preocupação com o cancro de pele, ou melanoma, muitas pessoas não atingem a exposição solar diária de 10 a 15 minutos para produzirem vitamina D suficiente. Na maioria das horas úteis de exposição solar, as pessoas passam ainda o tempo em espaços fechados, para além de utilizarem protetores solares ou produtos cosméticos que apresentam algum tipo de fator de proteção solar e que reduzem a quantidade de vitamina D produzida na pele.

O défice de vitamina D representa uma preocupação de saúde, não só pelo papel que desempenha no organismo tal como referido no início, mas também porque se encontra associado ao risco de desenvolvimento de algumas doenças. Nos últimos anos têm surgido vários estudos que relacionam o défice de vitamina D com a prevalência de vários tipos de cancro, como o do cólon, da mama, da próstata e o da pele. A ocorrência e progressão de outras doenças como a cardiovascular, doenças do foro imunitário, tal como a esclerose múltipla e a artrite reumatoide, encontram-se associadas aos níveis de vitamina D no organismo.

Ainda que seja importante ter uma atitude responsável e preventiva no que diz respeito à exposição solar, torna-se fundamental corrigir os défices nutricionais desta vitamina lipossolúvel. Os sintomas de défice são muito ténues, tais como fraqueza muscular e dores ósseas, sendo pouco específicos e passando despercebidos à maioria das pessoas. Por este motivo, o ideal será realizar um doseamento sérico dos níveis de vitamina D para melhor determinar a abordagem a adotar. Em caso de défice grave, será necessário recorrer à utilização de suplementação alimentar apropriada. Nos restantes casos, destaca-se a importância da inclusão de mais alimentos ricos em vitamina D e de alimentos fortificados no quotidiano. Juntamente com uma exposição solar apropriada, poder-se-á assim evitar o desenvolvimento ou o agravamento do défice desta vitamina tão importante para a saúde.

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Projeto da Associação Olhar pelo Mundo
Uma equipa de oftalmologistas portugueses voluntários terminou na quarta-feira uma curta missão em Timor-Leste durante a qual...

Foi o arranque de um projeto da Associação Olhar pelo Mundo que ao longo de duas semanas deu apoio em quase 850 consultas, num país onde há um oftalmologista por um milhão de habitantes: o equivalente a ter 10 oftalmologistas para Portugal.

Ana Vergamota, presidente, e Guilherme Neri, vice-presidente da associação, estiveram em Timor-Leste duas semanas e com dois colegas no terreno durante cerca de uma semana.

Nesse período os oftalmologistas portugueses realizaram 20 cirurgias de catarata traumáticas, quatro cirurgias de catarata senil e seis cirurgias de traumatismo do segmento anterior.

"Foi muito bom ver, no dia a seguir à cirurgia, um doente que esteve muito tempo sem ver, de repente conseguir voltar a ver a família e o mundo. O sorriso diz tudo. Os doentes acabam por ficar sempre muito gratos com a cirurgia que foi feita", explicou Ana Vergamota.

No final da missão - que querem repetir com ainda maior dimensão nos próximos anos - e em jeito de balanço, explicaram à Lusa o impacto sentido na felicidade e nos sorrisos dos pacientes que, depois de anos sem ver, recuperaram a vista.

Neri recordou em particular o caso de uma jovem de 15 anos que "tinha uma catarata traumática desde os 12 e que estava à espera que a chamassem para a cirurgia".

"Foi a primeira vez que um doente me abraçou quando me viu a chegar no corredor no dia seguinte", contou.

No meio também de casos mais complicados, como o de um paciente com um meningioma (um cancro intracraniano que estava a invadir o nervo ótico) que terá que ser agora seguido na Indonésia, ou a de uma criança de 3 anos, cega de ambos os olhos por leucoma (cicatriz) dos olhos.

"Falta a parte dos consumíveis, mas notamos também uma falta de informação. Muitos doentes que não moram em Díli e que deixam arrastar os casos e que poderiam ter vindo mais cedo", explicou Ana Vergamota.

"Casos de traumatismos que poderiam ter sido resolvidos mais cedo. Há uma falta de informação e muitos não vêm logo ao hospital", disse.

Um dos casos visto foi o de um rapaz de 26 anos que trabalhava numa plantação de café e que já tinha perdido um olho por um traumatismo e que, devido a um segundo traumatismo, há dois meses, desenvolveu um descolamento de retina e perdeu visão do olho que lhe restava.

"Este caso demonstra bem o trabalho que tem de ser feito: temos uma pessoa de 26 anos que ficou cega porque não tem condições de segurança no local de trabalho, não tem acesso a cuidados de saúde, ou os cuidados de saúde a que tem acesso não conseguem dar resposta a estes casos mais dramáticos", disse Neri.

Ana Vergamota notou que outra das tendências é o de inúmeros casos de cataratas entre gente mais jovem, especialmente devido a traumatismo, bem como casos "muito complicados de infeções ou inflamações, que não se veem tanto em Portugal".

"Nenhum de nos é fluente em tétum, por isso trabalhamos com os médicos que cá existem, dando apoio na consulta. O volume de pacientes é bastante alto. Mais de 100 doentes por dia, em média. E as cirurgias são feitas logo no próprio dia se o paciente e a família quiserem", explicou Neri.

Além do apoio em consulta e cirurgia, os oftalmologistas trouxeram consumíveis de um só uso, essenciais para a oftalmologia e que, em concreto, permitem realizar 150 cirurgias de cataratas.

O objetivo é ampliar o programa no futuro com visitas anuais a Timor-Leste.

Criada em agosto de 2017, a Olhar pelo Mundo quer ajudar a responder às carências em oftalmologia em Timor-Leste onde o trabalho mais destacado foi o da Fred Hollows Foundation que criou a clínica instalada atualmente no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli - onde os oftalmologistas portugueses trabalharam.

A organização recorda que nos países menos desenvolvidos e entre a população com cegueira, quatro em cada cinco pessoas sofre de cegueira por causas reversíveis.

No caso de Timor-Leste, dados do Rapid Assessment of Avoidable Blindness (RAAB) revelam uma prevalência de cegueira de 4,5% na população com mais de 50 anos, sendo a catarata senil a principal causa (79,4%), seguida de patologias do segmento posterior (6,2%) e glaucoma (5,2%).

Apenas 1,8% dos casos
A percentagem de novos casos de infeção por VIH em consumidores de drogas injetadas atingiu no ano passado um mínimo histórico,...

De acordo com o relatório anual sobre a situação do VIH/sida do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, dos 1.068 novos casos de infeção detetados em 2017 apenas 1,8% respeita a utilizadores de drogas injetadas, sendo “um mínimo histórico”.

A forma de transmissão predominante nos casos detetados no ano passado foi a sexual, com os casos de transmissão heterossexual a representarem quase 60%, enquanto os casos de homens que fazem sexo com homens representam 37%.

Em 2017, os casos de transmissão nos homens que fazem sexo com homens representaram mais de metade do total de novos diagnósticos em homens.

Em termos de tendência ao longo dos últimos dez anos, assiste-se a uma diminuição do número de casos de categoria heterossexual, bem como entre consumidores de drogas injetadas, enquanto se verifica uma tendência crescente nos homens que têm sexo com homens entre 2008 e 2012.

O contacto sexual representa 63% de todos os casos acumulados de infeção por VIH/sida existentes até final de 2017.

Desde 2008 que a forma de transmissão que anualmente regista mais casos de infeção é a transição heterossexual, que representa 45,8% de todos os casos cumulativos registados até ao fim de 2017.

“O consumo de drogas injetadas está associado à segunda maior fração desse total (33,0%), contudo, essa proporção reflete as características da epidemia nacional em décadas passadas e não as apresentadas na atualidade”, indica o documento a que a agência Lusa teve acesso e que é hoje divulgado.

Os casos de transmissão por sexo entre homens corresponderam a 17,7% do total acumulado até fim de 2017.

Em termos de tendência, o documento salienta uma “diminuição do número de casos na categoria heterossexual, em ambos os sexos, uma redução sustentada dos casos associados ao consumo de drogas e, até 2012, uma tendência crescente no número de casos em homens que têm sexo com homens”.

O documento assinala que entre 2007 e 2016 os casos de transmissão por contacto heterossexual reduziu 45%, entre utilizadores de drogas injetadas diminuiu 90%, enquanto se observou um aumento de 29% nos homens que têm sexo com homens.

Relatório
Portugal mantém uma elevada percentagem de diagnósticos tardios de infeção por VIH, com cerca de metade dos casos detetados no...

A conclusão consta do relatório anual do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, que refere que a percentagem de diagnósticos tardios se mantém “superior à observada na União Europeia”, em especial nos casos entre heterossexuais.

O documento, a que a agência Lusa teve acesso e que é hoje divulgado, salienta que 51,5% dos novos casos de infeção diagnosticados no ano passados tiveram um diagnóstico tardio e que em mais de 30% dos casos a doença já se encontrava avançada.

A proporção é ainda maior quando se analisam os casos em transmissão heterossexual e há diferenças entre homens e mulheres: “Para os casos de transmissão heterossexual a proporção de diagnósticos tardios em homens (65,7%) é significativamente superior à observada para as mulheres (48,4%) e, tal como nos anos mais recentes, os casos em homens que têm sexo com homens são os que apresentam menor proporção de diagnósticos tardios, situação idêntica à reportada noutros países europeus”.

Nos casos de transmissão heterossexual em homens a proporção de diagnósticos tardios atingiu 67,8% nos casos com idades a partir dos 50 anos.

 

6 em cada 10
Mais de seis em cada dez casos de VIH diagnosticados em pessoas entre os 15 e os 29 anos, em Portugal, ocorre em homens que têm...

O relatório de 2017 das infeções por VIH/sida do Instituto Ricardo Jorge mostra que os casos de VIH em homens que têm sexo com homens corresponderam a 64,1% dos casos diagnosticados em pessoas entre os 15 e os 29 anos.

A idade mediana à data do diagnóstico dos novos casos foi de 32 anos para os homens que têm sexo com homens, sendo o valor mais baixo de todos os grupos.

Numa análise temporal mais lata, entre 2013 e 2017 verificou-se que quase 80% dos novos casos em homens até aos 29 anos referiam transmissão por sexo com homens.

Na última década analisada, entre 2008 e 2017, o documento aponta para uma diminuição do número de casos na categoria heterossexual (que continua a ser a mais prevalente) em ambos os sexos e também uma “redução sustentada” dos casos associados ao consumo de droga.

Já no caso dos homens que têm sexo com homens, houve uma tendência crescente no número de novos casos até 2012.

Aliás, a comparação entre 2007 e 2016 mostra um aumento de 29% dos casos de transmissão sexual entre homens que têm sexo com outros homens.

De acordo com o relatório, a que a agência Lusa teve acesso, a partir de 2015, no caso dos homens, o número e a proporção de novos casos em homens que têm sexo com homens superou o número de novos casos referindo transmissão heterossexual.

Quanto aos novos casos com diagnóstico apenas em 2017, mais de um terço (37%) foram em homens que têm sexo com homens, mas a transmissão heterossexual continua a mais significativa (quase 60%).

Quase metade dos casos diagnosticados são da região de Lisboa
Mais de mil novos casos de infeção por VIH surgiram em Portugal no ano passado, sendo o grupo etário entre os 25 e os 29 anos o...

Segundo o relatório “Infeção VIH e sida” relativo a 2017 que hoje vai ser divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no ano passado houve 1.068 novos diagnósticos de VIH, o que corresponde a uma taxa de 10,4 novos casos por 100 mil habitantes.

A idade mediana à data do diagnóstico dos novos casos foi de 39 anos, sendo que nos casos dos homens que têm sexo com homens a mediana registou o valor mais baixo de todos os grupos, com 32 anos.

No ano passado registaram-se ainda 261 mortes em pessoas com VIH, 134 delas em estádio sida, a fase mais avançada da infeção. A idade mediana à data da morte foi de 52 anos.

Em termos cumulativos, entre 1983 e final de 2017 foram diagnosticados quase 58 mil casos de infeção por VIH, dos quais mais de 22 mil atingiram o estádio de sida, tendo ocorrido mais de 14.500 mortes.

De acordo com o relatório a que a agência Lusa teve acesso, a área metropolitana de Lisboa acumulou 46% dos novos diagnósticos de infeção por VIH em 2017.

Aliás, concluiu-se que seis municípios da área metropolitana de Lisboa estão entre os 10 concelhos do país com taxas mais elevadas de diagnóstico da infeção nos últimos cinco anos, onde se inclui também o Porto e Portimão.

Nos últimos cinco anos, a cidade de Lisboa acumulou o maior número de casos, bem como a taxa mais elevada de diagnósticos a nível nacional.

Em termos de tendência nos últimos anos, o documento do Instituto Ricardo Jorge aponta para uma diminuição de cerca de 40% do número de novos diagnósticos da infeção entre 2007 e 2016.

O total anual de novos casos foi sendo crescente entre 1983 e 1999, ano com o maior valor acumulado, observando-se a partir daí uma tendência de diminuição anual.

Balanço
O primeiro-ministro, António Costa, assinalou ontem os ganhos de três anos de governação nos cuidados de saúde continuados,...

"Ao longo destes três anos, já foi possível abrir 922 novas camas de cuidados continuados integrados simples, às quais se acrescentam algumas unidades especializadas em saúde mental ou de outras de cuidados paliativos", afirmou.

Discursando na inauguração de uma unidade de cuidados continuados e de reabilitação de média duração, em Cabeceiras de Basto, no interior do distrito de Braga, com capacidade para 30 camas, o chefe do Governo acrescentou que recentemente foram celebrados acordos para a entrada em funcionamento de mais 220 camas, em vários pontos do país.

A unidade ontem inaugurada é gerida por uma cooperativa liderada pela Câmara de Cabeceiras de Basto, que detém 80% do capital. O restante foi subscrito pela sociedade civil, uma parceria que foi elogiada na cerimónia.

Além de António Costa, também os titulares das pastas da Segurança Social, Vieira da Silva, e da Saúde, Marta Temido, se associaram ao momento.

Para o primeiro-ministro, a transferência de novas competências para as autarquias, também na área da saúde, que o Governo está a ultimar, vai permitir acentuar o trabalho de defesa do Serviço Nacional de Saúde, tornando-o cada vez mais ajustado às necessidades das populações.

"Os municípios, estando mais próximos das pessoas, estando mais próximos dos problemas, podem desenvolver mais atividades, designadamente nesta área da saúde", afirmou, recordando que o esforço tem de prosseguir, porque o número de camas é ainda insuficiente para corresponder ao aumento da esperança de vida em Portugal.

"Temos de continuar a fazer este trabalho, a desenvolver esta rede para preencher muitas lacunas que ainda existem. Temos de continuar a corresponder àquilo que é a realidade demográfica do nosso país e às necessidades que a nossa população tem", reforçou.

A unidade de saúde inaugurada representou um investimento de dois milhões de euros e encontra-se em funcionamento há sete meses, recebendo doentes de vários concelhos da região norte.

Segundo a sua direção, o equipamento permitiu criar 40 postos de trabalho diretos e 15 indiretos.

Infarmed
A Autoridade Nacional do Medicamento - Infarmed determinou hoje a retirada do mercado de dois lotes do creme para a pele...

Em comunicado publicado na sua página da Internet, o Infarmed indica ter detetado nos lotes 146724 e 146800 do produto cosmético Basiderma pasta cutânea a mistura de conservantes “Methylchloroisothiazolinone” e “Methylisothiazolinone” na sua composição.

“A utilização desta mistura de conservantes em produtos cosméticos não enxaguados é proibida, por poder induzir alergia de contacto e colocar em risco a saúde”, esclarece o Infarmed.

Por isso, o Infarmed determinou a suspensão imediata da comercialização e a retirada destes lotes do mercado nacional.

A Autoridade do Medicamento salienta que as entidades que disponham de unidades dos lotes indicados não as podem disponibilizar, devendo proceder à sua devolução

Na nota, o Infarmed salienta ainda que os consumidores que possuam alguma unidade dos lotes indicados não a devem utilizar.

A Basiderma é uma pasta cutânea que acalma e protege a pele, estando indicada na prevenção de assaduras provocada pelo uso de fraldas.

Reação
O número de notificações de incidentes com dispositivos médicos é “extremamente baixo” em Portugal, disse à Lusa uma...

A vogal do Conselho Diretivo da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) Sofia Oliveira Martins comentava uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ na sigla em inglês), segundo a qual a regulação ineficiente e a falta de testes em dispositivos médicos estão a provocar mortes e complicações em doentes de todo o mundo.

A investigação conclui que lacunas no controlo de dispositivos médicos - como ‘pacemakers’, implantes mamários, contracetivos ou próteses de anca – provocam cada vez mais complicações, difíceis de quantificar e identificar.

Sofia Oliveira Martins afirmou que “os portugueses podem estar perfeitamente tranquilos”, adiantando que o número de “reportes de incidentes por parte de profissionais de saúde e de utentes, este ano, foram menos de 100”.

Como razões para estes números serem “tão baixos", apontou, por um lado, “alguma subnotificação” e, por outro lado, o facto de estes dispositivos, sobretudo os mais sofisticados, serem colocados em Portugal por “médicos muito especializados”.

“Também não temos tanto o hábito, como outros países, como França por exemplo, de utilizar próteses mamárias fora do uso médico”, sublinhou.

Sofia Oliveira Martins disse que o Infarmed está “perfeitamente tranquilo”, acompanha todos os fabricantes e não tem “nenhum conhecimento de algum dispositivo que tenha falhado e causado a morte”.

"Muitas vezes há incidentes associados aos procedimentos, mas as queixas dos utentes são muito baixas, 13 este ano, e não há nenhuma alteração desse perfil na Europa, pelo contrário”, adiantou.

Para a responsável, é “muito importante” os profissionais de saúde e os utentes notificarem os incidentes ao Infarmed para se conhecer o perfil dos produtos e poder comunicar-se aos fabricantes para que tomem as medidas corretivas necessárias.

Segundo Sofia Oliveira Martins, o Infarmed não foi contactado por jornalistas envolvidos na investigação do ICIJ e aponta como explicação o facto de, em Portugal, o sistema que regula os dispositivos médicos ser da competência do instituto.

Os dispositivos médicos são “um mundo que vai desde gazes e soros esterilizados a implantes mamários e ‘pacemakers’".

Na maioria dos países, devido “à diversidade deste universo”, o Ministério da Saúde delegou em alguns institutos, alguns até privados, o facto de autorizarem este tipo de produtos”, o que “cria um mundo de regulação diferente dos de medicamentos em que são sempre as autoridades” que os autorizam.

“No fundo, as perguntas da investigação colocam um bocadinho em causa o sistema de avaliação dos dispositivos médicos nessas instituições, que peritos têm para avaliar e como é que podem garantir que são seguros”, disse a responsável, considerando que, em Portugal, “a maior parte destas perguntas não fazia muito sentido”.

Na sua opinião, este tipo de investigações é importante para fazer “repensar os sistemas” sobre os quais estão assentes as avaliações das tecnologias de saúde, “mas também podem ser alarmistas face a tecnologias que salvaram muitas e muitas vidas”.

“Estas tecnologias têm vindo a ser cada vez mais seguras, salvam mais vidas e cada vez as autoridades tentam torná-las mais seguras”, vincou.

A investigação designada “Implant Files” foi conduzida por mais de 250 jornalistas de 36 países, que analisaram milhares de documentos.

Nos Estados Unidos, estima-se que complicações com este tipo dispositivos terão causado 82 mil mortes e 1,7 milhões de feridos, em dez anos, cinco vezes mais do que em 2008.

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