Doar o corpo à Ciência
As intenções de doação cadavérica na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) “cresceram significativamente” nos...

Os dados foram revelados no âmbito de uma homenagem aos que entregam o seu corpo à ciência.

A sessão realizada no cemitério de Agramonte, no Porto, teve como principal missão relembrar o papel fundamental que esse ato solidário representa não só na investigação científica, mas, também, no ensino de jovens médicos.

A coordenadora da Unidade de Anatomia da FMUP, Dulce Madeira, considerou que “este aumento do número de doações está diretamente relacionado com o acesso à informação sobre o processo e com uma maior abertura à temática por parte da população”.

“Somos todos parecidos, mas não somos todos iguais. Ensinar estudantes em pessoas reais e não em modelos é uma benesse enorme que só é possível graças ao ato de extremo altruísmo daqueles que optam por doar o seu corpo para investigação científica”, sublinhou.

Esta sessão pretende, “acima de tudo, prestar homenagem não só àqueles que doaram, mas também aos doadores que estão vivos e às suas famílias, que são uma peça fundamental de todo este processo”, acrescenta a catedrática da FMUP responsável pela implementação da iniciativa.

A cerimónia realizou-se no Cemitério de Agramonte, local onde repousam as cinzas dos doadores quando terminado o processo de investigação.

Ao contrário do que acontece com os órgãos, a intenção de entregar o corpo à ciência deve ser manifestada em vida, nos termos da legislação publicada em 1999.

A FMUP disponibiliza 'online' um formulário que as pessoas podem preencher e enviar, manifestando a sua vontade de doar.

DGS divulga
As duas crianças diagnosticadas com sarampo nos atuais surtos que já afetaram 18 pessoas não estavam vacinadas, disse hoje à...

“Uma das crianças destes surtos tinha 13 meses e ainda não tinha feito a primeira dose [recomendada aos 12 meses]. Se tivesse, provavelmente não contraía sarampo ou teria uma doença ligeira”, adiantou Graça Freitas, salientando que “não se deve atrasar a vacinação das crianças.

Às 19:00 de quinta-feira estavam notificados 18 casos de dois surtos de sarampo na Região de Lisboa e Vale do Tejo, dos quais 15 estão confirmados laboratorialmente.

Cinco casos estão ligados ao surto de Oeiras, “todos adultos e estão todos bem”, e os restantes 10, entre os quais duas crianças, ligados ao surto de Cascais, “também estão todos bem”.

As duas crianças não estavam vacinadas, “uma porque ainda não tinha idade e a outra porque estava a iniciar a idade para ser vacinada”, explicou Graça Freitas.

Em relação aos adultos, a diretora-geral da Saúde disse que os que iniciaram a transmissão da doença “vieram de outros países sem nenhuma vacinação e transmitiram a doença a dois tipos de pessoas em relação à vacinação: as que tiveram o sarampo habitual e não tinham vacinas e a algumas pessoas, sobretudo profissionais de saúde, que estavam vacinadas”.

Graça Freitas explicou que as pessoas que estão vacinadas têm um “sarampo modificado”, que “não é a doença exuberante e habitual”.

“É uma doença muito mais ligeira que tem uma grande vantagem, não contagia, à partida, outras pessoas e acaba ali uma cadeia de transmissão”, explicou.

A diretora-geral da Saúde disse que estes casos vêm provar que as pessoas que pretendem sair do país devem verificar antes de viajar se têm a sua vacinação em dia, porque muitos países na Europa estão com epidemias de sarampo.

“Mesmo as pessoas que não tencionam sair do país devem vacinar-se”, disse, advertindo: “o vírus não circula em Portugal, mas não há fronteiras para as pessoas nem para os vírus”.

Graça Freitas recomendou ainda a quem tiver sintomas de sarampo, que são a febre, a erupção cutânea, conjuntivite, tosse, rinite, para não ir imediatamente a uma unidade de saúde porque o sarampo é uma das doenças que mais se contagia.

Antes de o fazer, a pessoa deve ligar para o SNS 24 (808 242 424), para o médico assistente ou enfermeira de família para que o serviço de saúde esteja informado e a isole por precaução.

O mesmo se aplica a pessoas que, mesmo não tendo sintomas, tenham estado em contacto com o doente.

“Vacinar é a primeira medida de proteção contra o sarampo, uma doença que habitualmente evolui bem, mas que pode dar complicações como uma pneumonia, uma encefalite, pode ser uma doença grave, Às vezes até origina morte”, salientou.

Questionada pela Lusa sobre a possibilidade de aparecerem novos casos, Graça Freitas disse que sim, explicando que nestes surtos é preciso esperar pelo menos 25 dias desde que aparece a erupção cutânea no último doente para se considerar que o surto terminou.

Estes casos foram descobertos porque os médicos que fazem o diagnóstico notificaram a DGS. “A partir dessa notificação o doente é reencaminhado e tratado e depois os delegados de saúde procuram todos os contactos desse caso e atuam” para controlar o surto e mitigá-lo.

O vírus do sarampo é transmitido por contacto direto com as gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra.

‘iGestSaúde’ foi hoje distinguido com a Bolsa Celgene 2018
O CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, no Porto, está a desenvolver uma aplicação para “ajudar...

Em entrevista à Lusa, Célia Santos, investigadora do CINTESIS e professora na Escola Superior de Enfermagem do Porto, contou que o projeto, designado ‘iGestSaúde’, surgiu após a verificação de uma “grande lacuna” relacionada com a “falta de apoio e gestão” do dia a dia dos doentes oncológicos e crónicos.

“Este projeto não pretende substituir os médicos e enfermeiros, mas a verdade é que as pessoas em casa é que se defrontam com as dificuldades e com as dúvidas, o que as leva, muitas das vezes, a recorrer aos hospitais e aos médicos, por vezes, quase sem necessidade, porque são aspetos muito fáceis de contornar”, sublinhou a investigadora.

O projeto ‘iGestSaúde’, que é hoje distinguido com a Bolsa Celgene 2018 de Incentivo às Iniciativas Centradas na Pessoa com Doença, no valor de dez mil euros, pretende assim “complementar o trabalho dos profissionais de saúde” e capacitar os doentes de competências que lhes permita “gerir a sua doença e cuidar da sua saúde”.

“Esta é uma questão muito particular, porque durante a primeira consulta o enfermeiro explica os sintomas, mas o doente está a receber demasiada informação e quando chega a casa fica desorientado, e muitas das vezes, acaba por suportar os sintomas. Depois, quando vai a uma segunda consulta para fazer um novo tratamento, tem níveis sanguíneos e níveis de imunidade completamente descontrolados que não lhe permitem fazer o tratamento”, esclareceu Célia Santos.

Segundo a investigadora, foram estas as razões que levaram à criação do projeto, que tem vindo a trabalhar as questões de sintomatologia e as orientações terapêuticas.

A equipa responsável pelo projeto ‘iGestSaúde’, que se encontra em fase piloto no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, prevê, no próximo ano, ter já concluída a aplicação.

“Inicialmente vamos recolher dados sobre as características pessoais, de personalidade, auto eficácia e bem-estar. Depois, vamos acompanhar a pessoa entre os tratamentos e ver como reage, para depois darmos as orientações através da aplicação. Paralelamente a isso, vamos avaliar a medicação e criar um alerta para a pessoa tomar o medicamento”, explicou.

A aplicação vai estar dividida de acordo com “três níveis de gravidade”: verde, que corresponde a questões de cariz preventivo como a perda de cabelo, amarelo para orientações relacionadas com o tratamento e vermelho, no qual é criado “um alerta para que a pessoa tenha uma consulta no hospital ou com o seu médico o quanto antes”.

“Estes dados são importantes para a investigação, mas também tem um potencial em termos clínicos, na medida em que ajudam a pessoa a desenvolverem cuidados de saúde”, acrescentou Célia Santos.

A cerimónia de entrega da Bolsa Celgene 2018 de Incentivo às Iniciativas Centradas na Pessoa com Doença, decorre hoje, na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), durante o 7.º Congresso Internacional dos Hospitais.

Falta de competências clínicas
O bastonário da Ordem dos Médicos garante que a inclusão dos optometristas no Serviço Nacional de Saúde "sem uma...

A reação do bastonário surge num comunicado conjunto com o Colégio de Oftalmologia. De acordo com o presidente da direção deste colégio, Augusto Magalhães, "nas últimas semanas temos assistido a numerosas intervenções públicas de alguns grupos de óticos e de optometristas, nomeadamente através da publicação de artigos sobre temas de Medicina como se fossem médicos especialistas". Este dirigente alerta ainda para "a publicitação de reuniões para promover a prática de rastreios de doenças que, pela complexidade da sua abordagem, exigem cuidados altamente diferenciados".

No entender de Augusto Magalhães, "estes grupos e profissionais pretendem convencer a opinião pública e o poder político que possuem habilitações para exercer de forma autónoma atos, que sendo de saúde, são muitas vezes da competência exclusiva de médicos especialistas".

"É preocupante a forma como estes grupos e profissionais estão a agir e, sobretudo, a forma como estão a conseguir convencer os grupos parlamentares a intervir publicamente sobre esta temática", explica Miguel Guimarães. O bastonário refere que "desta pressão realizada sobre alguns partidos políticos resultaram propostas legislativas, em concreto do PAN e do PCP, bem como uma interpelação à tutela pelo grupo parlamentar Os Verdes, relativamente à sua incorporação nos cuidados de saúde primários do SNS". "São propostas e interpelações que revelam um profundo desconhecimento da responsabilidade e competências reais destes “profissionais” e que a Ordem dos Médicos e a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia lamentam profundamente", acrescenta Augusto Magalhães.

Perante esta situação, e sem prejuízo de outras iniciativas que possam vir a ser adotadas, o bastonário afiança que é dever público da Ordem dos Médicos esclarecer que "os médicos especialistas em oftalmologia têm uma formação de 11 anos, incluindo quatro anos de especialização em oftalmologia médica e cirúrgica, em serviço hospitalar certificado e creditado pela OM, como, aliás, está previsto na lei".

O bastonário recorda ainda que "é a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) que refere que os oftalmologistas constituem o pilar básico dos cuidados de saúde visual em qualquer sistema de saúde".

"O grupo dos optometristas é muito heterogéneo em termos curriculares, tendo, na melhor das hipóteses, três anos de formação no total", recorda Augusto Magalhães. "Em todo o caso nenhum desses vários planos curriculares tem qualquer formação em saúde, não existe qualquer entidade que possa certificar a qualidade da formação específica e não têm qualquer plano de estágio em entidades certificadas como idóneas", salienta.

O bastonário da Ordem dos Médicos não tem, por isso, dúvidas. "É a segurança dos doentes que fica em risco se os optometristas forem incluídos no Serviço Nacional de Saúde sem uma regulamentação jurídica de competências adequada e bem delimitada", sustenta Miguel Guimarães. O bastonário garante que "se compactuar com tal situação, o Ministério da Saúde será o responsável por qualquer consequência negativa que dai advenha para a saúde dos portugueses. A Ordem dos Médicos estará, como é seu dever e obrigação, ao lado de todos os potenciais doentes que possam ser prejudicados por uma decisão que consideramos um retrocesso na qualidade do serviço público".

Faltam exames de rotina, capazes de fazer diagnóstico precoce
Estima-se que 20% da população portuguesa sofra de anemia, um problema ao qual nem os atletas escapam. Mas ainda que para este...

No Dia da Anemia, que se assinala a 26 de novembro, a relação entre este problema de saúde e o desporto ganha protagonismo, sobretudo em forma de alerta, uma vez que muitos são os casos em que, sem sintomas, a anemia é apenas detetada em exames de rotina. Um problema que “pode afetar a prática de desporto, bem como qualquer atividade física na população geral. Em atletas de elevado nível competitivo, nos quais todos os pormenores contam, a anemia afeta significativamente o seu rendimento”, explica Hélder Dores. “Entre outras, manifestações típicas da anemia como o cansaço e taquicardia têm uma influência óbvia, precipitando estados de exaustão e dificultando a fase de recuperação. Por outro lado, a anemia e a deficiência de ferro afetam outros sistemas como o sistema imune e outras funções fisiológicas, com impacto na prática desportiva.”

É, por isso, reforça o especialista, “importante detetar precocemente estas alterações hematológicas e se necessário implementar estratégias preventivas e tratamentos adequados”. No entanto, para isso é preciso estar sensibilizado. E, de acordo com Hélder Dores, os atletas não estão, “até porque as causas mais comuns de lesões, inaptidão ou contraindicação para a prática desportiva são musculoesqueléticas ou cardiovasculares. Este desconhecimento relativo à anemia deve ser semelhante à população geral, em que mais de 80% das pessoas com anemia desconhecem a sua existência”.

Até porque “a pesquisa de anemia não constitui uma rotina, exceto na presença de sintomatologia suspeita ou em determinados desportos de atleta de nível competitivo, em que a avaliação analítica é comum, incluindo sempre um hemograma”. Mas deveria ser, defende o especialista, que considera que, “no contexto competitivo atual, com início cada vez mais precoce da prática de exercício, exigências de treino superiores, volumes de exercício progressivamente maiores, número crescente de atletas femininas e o reconhecimento da importância do apoio nutricional e da suplementação dos atletas, a pesquisa de anemia faz todo o sentido”.

Anemia no trabalho: uma realidade

Para além dos atletas, a anemia em Medicina do Trabalho pode ser outra forma da doença, aqui resultante “da exposição a vários fatores de risco no local de trabalho, o tipo de local de trabalho, a suscetibilidade individual, tempo de exposição/duração e intensidade da exposição”, refere Manuel Oliveira, especialista em Medicina do Trabalho no SMS.

“Existem múltiplos fatores de risco que podem desenvolver um quadro de anemia com os seus sinais e sintomas”, explica. E um deles é a exposição às radiações ionizantes e a alguns químicos ou tóxicos. “A radiação ionizante é toda a radiação que, ao interagir com a matéria, produz ionização da mesma e origina partículas de carga elétrica (iões). A radiação ionizante, ao  atravessar as células vivas, vai produzir iões e radicais livres que rompem as ligações químicas e provocam alterações moleculares que afetam as células”, refere o especialista. E entre estas estão as células sanguíneas, “em particular as que originam os vários componentes do sangue e neste caso os glóbulos vermelhos, levando a anemia e posteriormente a quadros clínicos mais graves. A gravidade das situações depende se a exposição é aguda ou continuada ao longo do tempo”.

Segundo Manuel Oliveira, ainda que existam normas nacionais e internacionais de proteção no uso e contacto com estas partículas, a exposição existe e é, no mundo do trabalho, “um fator de risco de grande impacto na saúde de todos. As suas principais vias de absorção (respiratória, dérmica ou gastrointestinal) condicionam o seu modo de ação, levando a mecanismos hematotóxicos (sanguíneos), entre eles anemia aguda ou crónica, leucemias, linfomas e outras neoplasias, pela sua ação mielotóxica mesmo usados em baixas doses”.

Recorde-se que a deficiência de ferro é um problema de saúde generalizado, que afeta cerca de um terço da população mundial e um em cada três portugueses. Ainda assim, mantém-se pouco reconhecido, subdiagnosticado e negligenciado, apesar de ser um dos principais responsáveis pela anemia, doença que afeta um em cada cinco portugueses adultos (estudo EMPIRE).

Fadiga generalizada, unhas frágeis, perda de cabelo ou síndrome das pernas inquietas, falta de ar, maior suscetibilidade para infeções, aftas ou dores de cabeça são alguns dos sintomas, que as pessoas acabam por não valorizar. “É o que acontece, por exemplo, com o cansaço inexplicável, o sintoma mais comum a todos os quadros de anemia, que é sempre desvalorizado”, refere António Robalo Nunes.

Incêndios
As colónias de ratos têm vindo a aumentar nos municípios devastados pelos incêndios de 2017, como Arganil e Oliveira do...

A multiplicação anómala dos ratos e ratazanas nos territórios atingidos pelos fogos é uma consequência da “morte ou fuga dos seus predadores naturais”, disse hoje o biólogo Jorge Paiva à agência Lusa.

“Muitas das cobras morreram”, adiantou, confirmando que estes répteis, mas também as aves de rapina e alguns pequenos mamíferos, como raposas e ginetas, “é que controlam as populações” de ratos do campo e outros.

O professor jubilado da Universidade de Coimbra explicou que “os ratos conseguiram sobreviver porque foram para as luras”, escavando mesmo os buracos para níveis mais profundos, enquanto os seus habituais predadores morreram ou fugiram à medida que as frentes de fogo avançavam.

O concelho de Arganil está a ser afetado por uma praga de ratos, que, no entanto, “não representa uma ameaça à saúde pública”, de acordo com a Câmara Municipal.

“Estão a ser tomadas medidas no sentido de responder de forma pronta e conveniente às situações reportadas, nomeadamente através do reforço do sistema de recolha de lixo e da desratização na rede de saneamento de águas residuais”, informou a Câmara, em comunicado.

Citando a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, a autarquia presidida por Luís Paulo Costa afirmou que “a proliferação de ratos registada nas zonas afetadas pelos incêndios de outubro de 2017 não representa, contudo, uma situação alarmante” em termos de saúde pública.

Segundo a ARS, “não foram reportados casos de doença transmitida por roedores, nem houve até ao momento recurso aos serviços de saúde motivado por situações relacionadas com o aumento destes animais”.

A Câmara de Arganil, no distrito de Coimbra, “vai manter-se particularmente alerta para esta situação, de forma a garantir as condições de higiene e saúde pública no concelho, disponibilizando-se para apoiar os munícipes no esclarecimento de quaisquer dúvidas”, através do ‘e-mail’ [email protected] e do telefone 235200150.

No mesmo distrito, os fogos de 15 e 16 de outubro de 2017 “devastaram 97 por cento da área florestal do concelho” de Oliveira do Hospital, “destruindo também a sua fauna e flora”.

A proliferação de ratos “tem origem no desequilíbrio dos ecossistemas”, disse hoje uma fonte do gabinete do presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino.

Trata-se de “um problema transversal aos concelhos afetados pelos incêndios”, relacionado com o “desaparecimento dos predadores naturais, como cobras, raposas e aves de rapina”, entre outros.

Para combater a praga, aumentou “a vigilância e a monitorização” dos edifícios públicos, tendo sido igualmente redobrados os trabalhos de desratização, através das empresas especializadas que há vários anos asseguram esses serviços ao município.

Numa nota enviada à agência Lusa, o gabinete de José Carlos Alexandrino informa que foram reforçadas “as operações de manutenção e inspeção da rede de saneamento e águas pluviais”, com apoio de equipas no terreno.

Os incêndios que eclodiram em Pedrógão Grande e na Lousã, distritos de Leiria e Coimbra, nos dias 17 de junho e 15 de outubro de 2017, respetivamente, devastaram extensas áreas de floresta e mataram milhares de animais domésticos e selvagens.

Entre a população, o fogo de junho originou 66 mortos e mais de 250 feridos, enquanto no de outubro perderam a vida 50 pessoas e cerca de 70 ficaram feridas.

Dados oficiais
Mais de 850 mil pessoas já se vacinaram contra a gripe gratuitamente, nas unidades de saúde ou em instituições como lares,...

Uma nota da DGS, assinada pela sua responsável, Graça Freitas, refere que a vacinação contra a gripe em Portugal está em curso desde o dia 15 de outubro e que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) adquiriu cerca de um milhão e 450 mil vacinas.

No documento enviado à agência Lusa, a DGS adianta que “estas vacinas são enviadas para Portugal em várias remessas e, neste momento, todas as doses destinadas ao Serviço Nacional de Saúde já estão distribuídas ou em distribuição pelas centenas de pontos de vacinação do SNS”.

“A vacinação mantém-se, de uma forma global, ininterruptamente desde o início e estima-se que já se tenham vacinado gratuitamente no SNS, mais de 850 mil pessoas nas unidades de saúde ou em instituições como os lares, as unidades de cuidados continuados ou as prisões”, sublinha.

A DGS explica que quem pertença a um dos grupos para os quais a vacina é gratuita, deverá agendar a vacinação na sua unidade de saúde, lembrando que “a gripe é uma doença contagiosa que, habitualmente, se cura espontaneamente”, mas que “podem ocorrer complicações, particularmente em pessoas com doenças crónicas ou com 65 ou mais anos”.

A Direção-Geral da Saúde recomenda: “Vacine-se contra a gripe, preferencialmente, até final do ano”.

De acordo com o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, do Instituto Ricardo Jorge, hoje divulgado, a taxa de incidência de síndroma gripal (SG) foi de 7,6 por 100.000 habitantes e atividade gripal é considerada “esporádica”.

Dados do “vacinómetro” divulgados na terça-feira indicam, por sua vez, que mais de metade dos idosos já se vacinaram contra a gripe na atual época gripal.

O “vacinómetro” é um projeto lançado em 2009 que permite monitorizar em tempo real a taxa de cobertura da vacinação contra a gripe em grupos prioritários recomendados pela DGS.

Entre os grupos recomendados pela DGS, a taxa de vacinação fica-se pelos 40%, segundo os dados do "vacinómetro".

O grupo das pessoas com mais de 65 anos é o que regista uma cobertura vacinal mais elevada, com 52,9% das pessoas vacinadas, seguindo-se os doentes crónicos, com 40,7%, enquanto os profissionais de saúde apresentam uma taxa de vacinação de 38%.

Apesar destes números, a Ordem dos Enfermeiros avisa que há centros de saúde, sobretudo na região norte, que continuam com falta de vacinas da gripe, lamentando que se tenha repetido este ano uma “péssima gestão dos ‘stocks’”.

“Os maiores problemas que identificámos dizem respeito à Administração Regional de Saúde (ARS) Norte. Há várias unidades que não estão a receber o número de vacinas que pediram ou estão mesmo em rutura de ‘stock’ até ao próximo dia 21 de novembro. Significa que as pessoas vão ao centro de saúde para se vacinar e não têm vacinas”, disse na terça-feira à Lusa a bastonária, Ana Rita Cavaco.

DGS
O número de casos confirmados de sarampo na região de Lisboa e Vale do Tejo subiu para 15, entre eles duas crianças, disse à...

Cinco casos confirmados são no concelho de Oeiras, todos adultos, os restantes dez confirmados, entre eles duas crianças, são no concelho de Cascais. Neste concelho há, ainda, três casos notificados.

"A situação evolui dentro do esperado nestas circunstâncias", afirmou Graça Freitas.

Entre os casos confirmados, um adulto encontra-se internado e clinicamente estável, segundo a mesma fonte, que não precisou onde.

Na quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou que estes casos têm origem em países europeus, não tendo referindo quais, mas adiantou não ser expectável surgirem novos focos da doença em Portugal.

A DGS explica que o vírus do sarampo é transmitido por contacto direto com as gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra, e os doentes são considerados contagiosos desde quatro dias antes até quatro dias depois do aparecimento da erupção cutânea.

“Os sintomas de sarampo aparecem geralmente entre 10 a 12 dias depois da pessoa ser infetada e começam habitualmente com febre, erupção cutânea (progride da cabeça para o tronco e para as extremidades inferiores), tosse, conjuntivite e corrimento nasal”, alertou a DGS.

 

Longe de vencer o combate
A Onusida pugnou por um “acesso universal” à despistagem para vencer a epidemia, no decurso da campanha lançada hoje em Abidjan...

“Precisamos de um acesso universal à despistagem do HIV, esta despistagem deve ser tão acessível como um teste de gravidez”, declarou o diretor-geral do Programa da ONU sobre o HIV/sida, Michel Sidibé, citado no último relatório da agência “Saber, é poder”.

Em 2017, à escala mundial, “75% das pessoas com o HIV” conheciam o seu estatuto, contra “66% em 2015”, uma melhoria sensível, segundo Sidibé.

“Mas estamos longe de vencer o combate: hoje reduzimos a vigilância, arriscando uma retoma da epidemia”, advertiu Sidibé em Abidjan, ao recordar que o objetivo da Onusida consiste em vencer a epidemia até 2030.

“A despistagem é um ponto de partida, mas o tratamento e a supressão da carga viral são indispensáveis para vencer a epidemia”, precisou, e lamentando que “a estigmatização e discriminação” das pessoas seropositivas “permaneçam ainda entre os principais obstáculos” na assistência aos doentes.

A África Ocidental e Central, e a zona África do Norte e Médio Oriente são as regiões onde a situação permanece mais inquietante. Cerca de metade (48%) dos seropositivos conhecem o seu estatuto serológico na África Ocidental e Central, e apenas 40% dos seropositivos beneficiam de um tratamento antirretroviral (respetivamente 50% e 29% para a África do Norte e Médio Oriente).

Desta forma, segundo Sidibé, na África Ocidental e Central, cerca de 10 milhões de pessoas não sabem que são seropositivas.

A insuficiência de financiamentos nacionais, os deficientes sistemas de saúde e os cuidados médicos pagos explicam esta situação, para além da discriminação contra as pessoas mais atingidas pela doença (homens que tenham tido relações com outros homens, prostituição praticada pelos dois sexos, toxicodependentes).

Na Costa do Marfim registaram-se importantes progressos em três anos, designadamente devido à ajuda financeira dos Estados Unidos. O número de doentes sob tratamento “duplicou” e a taxa de cobertura da despistagem quadruplicou para atingir dois terços da população, segundo o relatório.

“O primeiro pilar da luta contra a sida é a despistagem, sobretudo para as populações chave” (em risco), mas o “acesso aos tratamentos” e a “estigmatização” permanecem “problemas chave”, declarou à agência noticiosa AFP o médico Camille Anoma, diretor do Espaço Confiança, uma clínica especializada em Abidjan para as populações LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero].

"Construção para a Saúde"
A Associação para o Desenvolvimento da Casa do Futuro “Inovadomus” vai lançar um projeto para uma construção mais saudável, que...

“Com a indústria da saúde a constituir-se um dos motores da economia e a hospitalização domiciliária a tornar-se uma realidade, este projeto irá procurar e partilhar informação e conhecimento para uma construção mais saudável, que promova o bem-estar dos cidadãos dentro dos edifícios”, explica António Oliveira, presidente daquela associação.

“A Inovadomus considera importante criar um movimento para uma construção e habitação saudável, como fator valorizador do produto, e que permita encontrar soluções com impacto positivo na saúde das pessoas dentro dos edifícios, sendo o projeto ‘Construção para a Saúde’ o primeiro passo para atingir este objetivo”, salientou.

Uma das primeiras tarefas a que se propõe é coligir as normas internacionais que parametrizam a construção saudável, com o contributo de um conjunto de especialistas alargado, entre engenheiros civis, engenheiros informáticos, médicos, psicólogos, e outros especialistas.

Obtida a validação da Organização Mundial da Saúde, haverá depois o trabalho de adaptação desses parâmetros à escala nacional e, eventualmente, europeia.

No final do projeto, as empresas do setor da construção e do imobiliário irão dispor de informação de como construir ou de como desenvolver soluções com um impacto positivo na saúde, “acrescentando valor ao setor e preparando-o para as exigências e oportunidades da indústria da saúde”.

O projeto “Construção para a Saúde” vai ser apresentado publicamente na quarta-feira, pelas 15 horas, na Ordem dos Arquitetos, Sede da Secção Regional do Norte, no Porto.

A Inovadomus - Associação para o Desenvolvimento da Casa do Futuro é uma rede que promove a cooperação universidade-indústria e incentiva as empresas a desenvolverem inovações para o setor do habitat.

Criada em 2002, agrega a Universidade de Aveiro, Efapel, Extrusal, Iberfibran, OLI, Rederia, Revigrés, Saint-Gobain Weber, TEKA e Umbelino Monteiro.

Opinião
A oniomania, também designada por Perturbação Compulsiva por Compras, é considerada uma doença psiqu

Os principais sintomas consistem em comportamentos repetitivos, pensamentos intrusivos e preocupações relacionadas com compras e impulsos para comprar, os quais são vivenciados como irresistíveis e de difícil controlo. Os doentes descrevem uma sensação de tensão e de ansiedade crescente, que só alivia quando a compra é realizada. Posteriormente geram-se habitualmente sentimentos de culpa, angústia e preocupação. É frequente serem adquiridos objetos supérfluos e de elevado valor, conduzindo a problemas financeiros graves.

A oniomania tem início no final da adolescência ou na segunda década de vida, o que poderá estar relacionado com a emancipação do núcleo familiar, acesso a contas bancárias e uso compulsivo do computador, particularmente a utilização de sites onde é possível fazer compras online.

Estes comportamentos provocam sofrimento no indivíduo, são consumidores de tempo e podem originar problemas ao nível pessoal, familiar, legal e financeiro. Sintomas de depressão, ansiedade, distúrbios alimentares e/ou uso de substâncias são comuns nos doentes que sofrem desta doença.

É importante distinguir estes comportamentos daqueles que decorrem dentro dos padrões considerados normais. Os gastos excessivos episódicos que ocorrem em ocasiões especiais (festas, aniversários, férias, etc.) não configuram necessariamente este diagnóstico, principalmente se não estiverem associados à preocupação ou angústia, e se não implicarem consequências adversas.

Ainda não estão esclarecidas as causas desta perturbação, mas sabe-se que estão envolvidos fatores neurobiológicos, psicológicos e sociais. Traços obsessivos e impulsividade são características da personalidade que estão frequentemente associadas à doença. Alguns fatores socioculturais são reforçadores deste tipo de comportamentos, particularmente a crença de que a aquisição de bens representa ascensão social, poder, prestígio e autonomia financeira.

Para além disso, o estímulo para o consumo e a disponibilidade de uma ampla gama de produtos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. As estratégias de marketing relacionados com promoções atrativas, como a época da “Black Friday”, podem conduzir a um aumento do risco para as compulsões por compras, agravando assim os sintomas.

O curso da doença é normalmente crónico e intermitente. O tratamento envolve acompanhamento psiquiátrico regular, psicoterapia e intervenção farmacológica. As intervenções em grupo são benéficas, dado que proporcionam um ambiente de apoio e encorajamento mútuos. A terapia de casal também pode ser necessária, caso se verifique problemática no relacionamento conjugal precipitada pela doença.

Para prevenir a compulsão por compras, os doentes são orientados no sentido de alterarem os seus comportamentos e hábitos de vida. Por exemplo, sugere-se para estes doentes: evitar épocas de promoções, evitar frequentar regularmente centros comerciais ou fazê-lo em companhia, não levar cartão de crédito ou usar crédito limitado, fazer listas previamente para adquirir apenas o que é necessário, e evitar a utilização sites de compras online.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Equipamento encontra-se obsoleto
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste abriu um concurso para contratar a entidades externas o equipamento e respetivos...

A TAC (Tomografia Axial Computadorizada) é um exame complementar de imagem indispensável em algumas situações de emergência como os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC).

O Hospital de Bragança tem o aparelho e radiologistas, mas há vários anos que os relatórios são contratados a serviços externos.

Segundo o presidente da ULS do Nordeste, Carlos Vaz, o equipamento está obsoleto e avaria “de vez em quando”, pelo que decidiu lançar um novo concurso para resolver a situação.

As avarias obrigam a que os doentes a necessitarem deste exame tenham de ser transportados para as unidades de saúde mais próximas com o equipamento e também pertencentes à ULS do Nordeste, nomeadamente o Hospital de Macedo de Cavaleiros.

Um novo TAC custaria mais de um milhão de euros e, em vez de optar pela aquisição, a administração abriu um concurso à procura de entidades externas dispostas a instalar o equipamento e a fazerem os relatórios dos exames, que continuam a ser realizados pelos radiologistas do Hospital.

O valor base da adjudicação é de 345.600 euros pelo prazo de 12 meses, com a condição de o equipamento a instalar ser novo, como disse à Lusa o presidente da ULS do Nordeste.

Os interessados têm até ao final do mês de novembro para apresentar propostas.

“Temos um TAC antigo e de vez em quando tem avarias, nós resolvemos abrir um concurso para a aquisição, instalação e relatórios de um TAC novo”, explicou o responsável.

Segundo Carlos Vaz, trata-se de um procedimento usual em vários serviços e deu como exemplo a adjudicação recente de “um equipamento de radiologia novo para a urgência do hospital de Bragança e mais um para o bloco operatório”.

 

III Jornadas de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro
O presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, Carlos Vaz, divulgou ontem que o número de infeções foi reduzido para...

Os dados foram avançados nas III Jornadas de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, que, durante dois dias, ontem e hoje, reúnem em Bragança mais de 300 participantes de instituições de saúde e ensino dos distritos de Bragança e Vila Real.

As infeções são o tema destas jornadas em que a ULS do Nordeste, responsável pelos hospitais e centros de saúde do distrito de Bragança, deu conta dos resultados de um grupo de trabalho que, nos últimos quatro anos, conseguiu “uma redução de 50% das infeções”.

“É preciso continuar a desenvolver (este trabalho), porque até há bem pouco tempo as infeções multirresistentes eram hospitalares, mas hoje, infelizmente, já estão na comunidade: nos lares, nos cuidados continuados, em todas essas áreas e é fundamental que estes programas e estas equipas desçam também - e estão a fazê-lo - à sociedade civil na parte de esclarecimento e divulgação”, considerou Carlos Vaz.

As jornadas reservam um painel dedicado exclusivamente aos antibióticos e aberto à população “para que as pessoas entendam que só devem ser tomados quando estritamente necessário e não de modo próprio porque o nosso familiar tem, nós também tomamos”, alertou o presidente da ULS do Nordeste.

Para o resultado alcançado em Bragança contribuíram “medidas muitas vezes simples”, como os profissionais lavarem as mãos.

“É das piores maneiras de transmissão de vírus, é não levar as mãos e mudar de um doente para outro, por exemplo”, apontou.

A ULS do Nordeste implantou também programas específicos das áreas cirúrgicas, das pós-cirurgias, do acompanhamento dos próprios doentes e das medidas de contenção.

Nos últimos dois meses, foi substituído “tudo o que é material de recolha de materiais infetados”, uma indicação do grupo de trabalho e que consistiu na aquisição de novos contentores específico para este fim.

Esta problemática é “uma preocupação a nível nacional e também regional”, como indicou o presidente Administração Regional de Saúde (ARS) Norte, Pimenta Marinho, concretizando que este organismo tem também um grupo de trabalho que está a desenvolver iniciativas neste âmbito.

A presença do presidente da ARS Norte nas jornadas em Bragança serviu, como afirmou, “para sublinhar o apoio a estas regiões”.

“E mostrar que também temos confiança nestas instituições, que aqui se pratica boa medicina, boa partilha de cuidados e boa complementaridade com as diferentes instituições, mesmo longe dos grandes centros”, acrescentou.

Decisão
Os enfermeiros do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra vão estudar a possibilidade de abandonarem os grupos de...

Segundo o presidente da região Centro do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Paulo Anacleto, para a semana vão começar a ser analisadas juridicamente as nomeações de enfermeiros para grupos de trabalho.

"Temos de analisar as implicações no caso de deixarem de pertencer aos vários grupos", disse o sindicalista, dando conta da decisão tomada num plenário realizado em frente ao edifício do IPO Coimbra.

Esta é uma das medidas do SEP para pressionar a administração daquela unidade de saúde a descongelar as carreiras, de acordo com as progressões previstas no Orçamento do Estado deste ano.

O sindicato acusa a administração do IPO de não ter atribuído os pontos que a lei impõe por cada ano de trabalho entre 2004 e 2014, prejudicando os enfermeiros.

"No âmbito da nossa carreira na administração pública são atribuídos pontos, que, atingido 10, a lei obriga à passagem ao índice remuneratório seguinte. A nós devia ser atribuído 1,5 pontos por ano de 2004 a 2014", explicou.

No entanto, acrescentou, até 2010, o IPO de Coimbra atribuiu "apenas 1,5 pontos até 2010 aos enfermeiros com contrato em funções públicas e aos contratos individuais de trabalho não atribuiu ainda qualquer".

"Até aqui discriminaram negativamente", acusou Paulo Anacleto, acrescentando ainda que "há um lote significativo de enfermeiros, cerca de 40, que em janeiro de 2011, janeiro de 2012 e janeiro de 2013 passaram a uma nova grelha salarial, em que o conselho de administração não está a querer atribuir pontos antes dessas datas".

Para o dirigente sindical, "do ponto de vista técnico-jurídico isto não é nenhuma progressão", porque "não tendo pontos antes destas datas, os enfermeiros não conseguem obter os 10 pontos que a lei obriga para passar ao nível remuneratório seguinte".

"A isto chama-se um roubo de pontos, que são necessários para passar ao nível remuneratório seguinte", referiu o presidente da região Centro do SEP.

 

ARS Norte
O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, Pimenta Marinho, assegurou, em Bragança, que há vacinas da...

“Está tudo normalizado”, afirmou o responsável, comentando notícias que dão conta de alguns casos de falhas nos stocks.

Pimenta Marinho sublinhou que existem em toda a região Norte “cerca de 500 pontos de distribuição” de vacinas e atribuiu a uma maior procura este ano situações pontuais em que possam esgotar temporariamente.

“Este ano, as pessoas têm tido uma enorme procura, mais do que no ano transato e isso pode levar que pontualmente num ou noutro local possa num dia ou outro possa faltar vacinas, mas na generalidade nós temos vacinas e foram já distribuídas todas para que não haja falta de vacinas para quem necessita e deva ser vacinado”, declarou.

O presidente da ARS Norte falava em Bragança à margem das III Jornadas de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde indicou também que não há ainda sinais de aumento dos casos de gripe.

“A nível regional ainda não temos nenhum aumento de incidência de gripe, mas temos estado atentos”, afirmou, realçando que neste momento o importante “é reforçar a necessidade de vacinação contra a gripe”.

O responsável regional reiterou que “os centros de saúde têm a vacina disponível”, apelando “muito especial” aos “grupos de risco, as pessoas mais vulneráveis e com mais debilidade”, para que façam a vacina para “estarem menos suscetíveis à gravidade das complicações da gripe”.

 

 

Paralisação afeta milhares de cirurgias
A Associação dos Administradores Hospitalares apelou hoje para a necessidade de um acordo entre o Governo e os enfermeiros para...

Enfermeiros de blocos operatórios de cinco hospitais públicos iniciaram hoje uma greve às cirurgias programadas, que termina a 31 de dezembro, e que pode adiar ou cancelar milhares de operações.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, afirmou que a duração da greve, que termina no dia 31 de dezembro, coloca “um grave problema” aos hospitais e aos doentes.

“O impacto que essa duração pode ter sobre a saúde dos portugueses é bastante grave. Felizmente, os serviços mínimos foram garantidos para as áreas da oncologia, mas existem outras cirurgias que vão sofrer adiamentos”, disse Alexandre Lourenço.

A expectativa dos administradores hospitalares é que “os profissionais de saúde, nomeadamente os sindicatos, e o Governo cheguem a um acordo para que esta greve venha a ser cancelada”.

Alexandre Lourenço sublinhou que este acordo “estabilizaria os hospitais”, lembrando que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde já vivem, “há algum tempo, períodos de instabilidade laboral”.

“Este ano será talvez o ano com o maior número de greves no SNS e era muito importante, não só na área da enfermagem, mas também na área médica, dos técnicos de diagnóstico e terapêutica e dos farmacêuticos que existisse uma estabilização das relações laborais para que os hospitais e os profissionais se consigam concentrar naquilo que sabem fazer que é prestar cuidados de saúde à população, que tanto desses cuidados necessitam”, frisou.

Questionado pela Lusa sobre os mecanismos que os hospitais irão utilizar para minimizar o impacto do adiamento das operações, o presidente da APAH reconheceu que, numa paralisação “tão longa”, é “muito difícil” aplicar as soluções utilizadas noutras greves.

“Considerando que a greve tem esta duração, é muito difícil conseguirmos ter mecanismos automáticos como fazemos em outras greves” para minimizar os impactos sobre os doentes e as famílias.

Uma das estratégias utilizadas passa pela remarcação da cirurgia imediatamente após a greve, em “estreita colaboração com os profissionais de saúde e muitas vezes até sobrecarregando” a sua atividade, adiantou Alexandre Lourenço.

A greve foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), embora inicialmente o protesto tenha partido de um movimento de enfermeiros que lançou um fundo aberto ao público que recolheu mais de 360 mil euros para compensar os colegas que aderirem à paralisação.

Segundo o presidente do Sindepor, Carlos Ramalho, os blocos de cirurgias programadas dos cincos hospitais públicos estão todos parados, demonstrando “o grande descontentamento” dos profissionais.

Apenas estão a funcionar os serviços mínimos nos blocos operatórios para as cirurgias de urgência, que estão a ser asseguradas por enfermeiros em greve, disse à Lusa Carlos Ramalho.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira transversal a todos os tipos de contratos e uma remuneração adequada às suas funções.

A greve abrange os blocos operatório do Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), do Centro Hospitalar Universitário do Porto, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e do Centro Hospitalar de Setúbal.

Prevê ainda um investimento em reparações
O Hospital de São João, no Porto, admitiu hoje transferir o internamento de crianças em contentores para espaços do edifício...

Fonte oficial do centro hospitalar disse à Lusa que estão “em curso” várias “reparações” nos contentores provisórios desde 2011, mas podem ser equacionadas “outras soluções” até que avance e fique pronta a nova Ala Pediátrica aprovada pelo Governo.

“As obras de remodelação em curso [nos contentores do internamento pediátrico] são as possíveis no imediato. No entanto, outras soluções poderão ser encaradas, nomeadamente após o término da obra de construção em curso do serviço de hemoterapia [em março de 2019], que libertará espaços no edifício principal que poderão ser adaptados”, adiantou o hospital.

Aquela unidade indicou ainda prever um investimento de “cerca de 300 mil euros” em “reparações” nos contentores do internamento pediátrico.

De acordo com o hospital, este é o “custo total estimado” para as intervenções nos contentores durante “o tempo de duração de construção definitiva da Ala Pediátrica”.

As obras começaram no início do mês e pretendem “melhorar as condições assistenciais e de conforto para as crianças e para os familiares”, disse o centro hospitalar.

O hospital assegurou que “os contentores são alvo de reparações constantes de acordo com as necessidades”.

Em 2017, por exemplo, “foram efetuadas 1.400 intervenções”, segundo o centro hospitalar.

Em entrevista à Lusa em outubro, mães e pais de crianças recentemente internadas no São João classificaram as instalações do internamento pediátrico como “indignas” e “desumanas”.

Descreveram “quartos minúsculos sem janelas”, “cartão a tapar buracos na parede”, isolamentos “sem casa de banho” ou “uma sanita e duche para 40 ou 50 pais”.

Em 2016, cerca de um ano depois de ter começado, foi interrompida a obra da nova Ala Pediátrica, que decorria com fundos privados angariados pela Associação Joãozinho.

A administração hospitalar defendeu na ocasião que a empreitada só seria possível com investimento público, devido ao “desfasamento entre as verbas angariadas [pela associação] e o orçamento total da obra”.

A empreitada era de cerca de 25 milhões de euros e a associação “Um Lugar Pró Joãozinho” tinha então reunido cerca de um milhão de euros.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica.

Na ocasião, o presidente da administração do São João, António Oliveira e Silva, revelou que o centro hospitalar estava “em negociações com a Associação Joãozinho” para a reversão da titularidade da obra, que pertencia à associação.

Ainda em 2017, Oliveira e Silva descrevia que a empreitada permitiria criar, além de uma zona de internamento, “blocos, unidade de cuidados intensivos, uma unidade funcional de queimados”, entre outras valências, com o objetivo de ter um serviço de pediatria “muito direcionado para o doente agudo e grave”.

O Governo autorizou em 19 de setembro a administração do São João a lançar o concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

Na quinta-feira, o líder parlamentar do PS, Carlos César, anunciou a apresentação de uma proposta para acelerar as obras da nova ala pediátrica mediante recurso ao ajuste direto e dispensa de visto prévio do Tribunal de Contas.

Diagnóstico precoce é um dos grandes desafios na luta contra a doença
Diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces é o grande desafio dos especialistas. Uma tarefa difícil, uma vez...

No entanto, “quando o tumor é diagnosticado numa fase precoce a cirurgia com intenção curativa é a terapêutica de eleição. Para esses estadios iniciais, a sobrevivência aos 5 anos ultrapassa os 50%, versus o diagnóstico já em fase avançada, com sobrevivências aos 5 anos inferiores a 5%”.

É, por isso, determinante estar atento aos sintomas. Tosse, expetoração, falta de ar são alguns dos mais comuns, mas é a expetoração raiada de sangue o sintoma mais alarmante para os doentes e aquele que os costuma levar ao médico. Já a tosse, esclarece o especialista, muitas vezes atribuída ao tabaco ou a causas ambientais, não é valorizada, erradamente, como sinal de alarme. “Aqui, o que é importante é alertar para a persistência do sintoma. Se a tosse perdura ao longo do tempo, esta deve levar o doente ao seu médico de medicina geral e familiar.”

Não só a população em geral está mais informada sobre o tema, como se tem assistido também a um reforço da investigação sobre esta doença, sobretudo nas suas formas mais graves. “Os últimos anos foram de revolução em relação à investigação sobre o cancro do pulmão. A imunoterapia e a terapia-alvo foram passos importantíssimos. A quantidade de novos fármacos de elevada eficácia e baixa toxicidade constitui uma verdadeira revolução”, reforça o médico.

Ainda assim, é preciso mais. A implementação de um programa de rastreio para o cancro do pulmão, tal como já acontece com outros tumores, pode vir a ser uma forma de conseguir um diagnóstico e uma intervenção terapêutica mais precoce com consequente redução na mortalidade por este flagelo. Um caminho que Fernando Barata acredita que fará parte de um futuro não muito distante. “Nos próximos anos temos que definir quem rastrear, qual o melhor método de rastreio e criar a nível nacional toda uma estrutura para o implementar.” Por isso, e enquanto este não é uma realidade, o especialista aproveita este mês de sensibilização para a doença para reforçar a mensagem que considera mais importante: a aposta numa redução dos fatores de risco. “Aqui, refiro-me ao tabaco em todas as suas formas, em que se inclui o tabaco aquecido e o eletrónico. É importante que as pessoas que fumam deixem de o fazer e aqueles que nunca o fizeram se mantenham assim.”  

 

Sem qualidade de vida
Portugal está entre os países europeus com maior esperança de vida à nascença, mas as mulheres portuguesas são das que...

Os resultados constam do relatório anual sobre saúde na Europa da OCDE – "Health at a Glance", onde Portugal surge ligeiramente acima da média europeia quanto à esperança de vida à nascença, que, em 2016, se situava em 81,3 anos (mais três meses que a média).

Como na generalidade dos países, em Portugal as mulheres apresentam valores mais elevados de esperança de vida à nascença (84,3 anos). Contudo, quase um terço dos anos vividos pelas mulheres em Portugal são-no com limitações de saúde.

Aos 65 anos, as mulheres portuguesas têm uma esperança de vida ainda de 21,8 anos, mas 71% deles serão vividos com limitações.

É uma das percentagens mais altas de anos vividos com limitações físicas do conjunto de 28 países da União Europeia, cuja média é de 53% de anos de vida com menos saúde a partir dos 65 anos.

No caso dos homens, aos 65 anos os portugueses apresentam uma esperança média de vida de mais 18 anos, sendo que 57% serão vividos com limitações físicas ou de saúde, quando a média europeia é de 46%.

 

Relatório anual sobre a saúde
Mais de 1,2 milhões de mortes podiam ter sido evitadas nos países da União Europeia em 2015 através de melhores políticas...

A OCDE divulgou hoje o seu relatório anual sobre a saúde – "Health at a Glance" – no qual estima que 1,2 milhões de pessoas morreram em 2015 de doenças ou problemas que podiam ter sido evitados por “medidas públicas de saúde mais fortes” ou através de tratamentos mais efetivos e atempados.

O documento recorda que ressurgiram, em algumas zonas da Europa, doenças que são evitáveis através da vacinação, como o sarampo, o que veio alertar para a “importância de promover a efetiva vacinação de todas as crianças”.

Só em 2016, estima-se que nos países europeus tenham morrido prematuramente 790 mil pessoas devido a maus hábitos de vida: tabaco, consumo excessivo de álcool, alimentação pouco saudável e falta de atividade física.

Para a OCDE, as políticas do controlo de álcool têm alcançado progressos na redução do consumo geral em vários países, apontando para uma queda de 10% na última década, mas o consumo pesado de álcool continua a ser “um problema entre adolescentes e adultos”.

Segundo o relatório, quase dois em cada cinco adolescentes de todos os países da União Europeia relataram ter apanhado pelo menos uma “bebedeira” no mês anterior, um facto que também foi relatado por mais de dois em cada cinco jovens entre 20 e 29 anos.

O uso de drogas ilícitas também continua a ser “um importante problema de saúde” na Europa.

“Embora o uso de algumas drogas tenha diminuído, a canábis continua a ser usada com frequência entre os jovens e o uso de cocaína está a aumentar em vários países”, sublinha o documento.

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico destaca que foram realizados na Europa muitos progressos nos tratamentos de doenças cardiovasculares e do cancro, destacando nas doenças oncológicas que as taxas de sobrevivência nunca foram tão elevadas.

Acerca da pressão que os sistemas de saúde vão enfrentar, o relatório indica que o envelhecimento da população deve ser tido em conta e recorda que a despesa em saúde representava em 2017 9,6% do PIB na União Europeia no seu conjunto, quando e 2008 esse valor era de 8,8%.

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