Paralisação afeta milhares de cirurgias
A Associação dos Administradores Hospitalares apelou hoje para a necessidade de um acordo entre o Governo e os enfermeiros para...

Enfermeiros de blocos operatórios de cinco hospitais públicos iniciaram hoje uma greve às cirurgias programadas, que termina a 31 de dezembro, e que pode adiar ou cancelar milhares de operações.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, afirmou que a duração da greve, que termina no dia 31 de dezembro, coloca “um grave problema” aos hospitais e aos doentes.

“O impacto que essa duração pode ter sobre a saúde dos portugueses é bastante grave. Felizmente, os serviços mínimos foram garantidos para as áreas da oncologia, mas existem outras cirurgias que vão sofrer adiamentos”, disse Alexandre Lourenço.

A expectativa dos administradores hospitalares é que “os profissionais de saúde, nomeadamente os sindicatos, e o Governo cheguem a um acordo para que esta greve venha a ser cancelada”.

Alexandre Lourenço sublinhou que este acordo “estabilizaria os hospitais”, lembrando que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde já vivem, “há algum tempo, períodos de instabilidade laboral”.

“Este ano será talvez o ano com o maior número de greves no SNS e era muito importante, não só na área da enfermagem, mas também na área médica, dos técnicos de diagnóstico e terapêutica e dos farmacêuticos que existisse uma estabilização das relações laborais para que os hospitais e os profissionais se consigam concentrar naquilo que sabem fazer que é prestar cuidados de saúde à população, que tanto desses cuidados necessitam”, frisou.

Questionado pela Lusa sobre os mecanismos que os hospitais irão utilizar para minimizar o impacto do adiamento das operações, o presidente da APAH reconheceu que, numa paralisação “tão longa”, é “muito difícil” aplicar as soluções utilizadas noutras greves.

“Considerando que a greve tem esta duração, é muito difícil conseguirmos ter mecanismos automáticos como fazemos em outras greves” para minimizar os impactos sobre os doentes e as famílias.

Uma das estratégias utilizadas passa pela remarcação da cirurgia imediatamente após a greve, em “estreita colaboração com os profissionais de saúde e muitas vezes até sobrecarregando” a sua atividade, adiantou Alexandre Lourenço.

A greve foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), embora inicialmente o protesto tenha partido de um movimento de enfermeiros que lançou um fundo aberto ao público que recolheu mais de 360 mil euros para compensar os colegas que aderirem à paralisação.

Segundo o presidente do Sindepor, Carlos Ramalho, os blocos de cirurgias programadas dos cincos hospitais públicos estão todos parados, demonstrando “o grande descontentamento” dos profissionais.

Apenas estão a funcionar os serviços mínimos nos blocos operatórios para as cirurgias de urgência, que estão a ser asseguradas por enfermeiros em greve, disse à Lusa Carlos Ramalho.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira transversal a todos os tipos de contratos e uma remuneração adequada às suas funções.

A greve abrange os blocos operatório do Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), do Centro Hospitalar Universitário do Porto, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e do Centro Hospitalar de Setúbal.

Prevê ainda um investimento em reparações
O Hospital de São João, no Porto, admitiu hoje transferir o internamento de crianças em contentores para espaços do edifício...

Fonte oficial do centro hospitalar disse à Lusa que estão “em curso” várias “reparações” nos contentores provisórios desde 2011, mas podem ser equacionadas “outras soluções” até que avance e fique pronta a nova Ala Pediátrica aprovada pelo Governo.

“As obras de remodelação em curso [nos contentores do internamento pediátrico] são as possíveis no imediato. No entanto, outras soluções poderão ser encaradas, nomeadamente após o término da obra de construção em curso do serviço de hemoterapia [em março de 2019], que libertará espaços no edifício principal que poderão ser adaptados”, adiantou o hospital.

Aquela unidade indicou ainda prever um investimento de “cerca de 300 mil euros” em “reparações” nos contentores do internamento pediátrico.

De acordo com o hospital, este é o “custo total estimado” para as intervenções nos contentores durante “o tempo de duração de construção definitiva da Ala Pediátrica”.

As obras começaram no início do mês e pretendem “melhorar as condições assistenciais e de conforto para as crianças e para os familiares”, disse o centro hospitalar.

O hospital assegurou que “os contentores são alvo de reparações constantes de acordo com as necessidades”.

Em 2017, por exemplo, “foram efetuadas 1.400 intervenções”, segundo o centro hospitalar.

Em entrevista à Lusa em outubro, mães e pais de crianças recentemente internadas no São João classificaram as instalações do internamento pediátrico como “indignas” e “desumanas”.

Descreveram “quartos minúsculos sem janelas”, “cartão a tapar buracos na parede”, isolamentos “sem casa de banho” ou “uma sanita e duche para 40 ou 50 pais”.

Em 2016, cerca de um ano depois de ter começado, foi interrompida a obra da nova Ala Pediátrica, que decorria com fundos privados angariados pela Associação Joãozinho.

A administração hospitalar defendeu na ocasião que a empreitada só seria possível com investimento público, devido ao “desfasamento entre as verbas angariadas [pela associação] e o orçamento total da obra”.

A empreitada era de cerca de 25 milhões de euros e a associação “Um Lugar Pró Joãozinho” tinha então reunido cerca de um milhão de euros.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica.

Na ocasião, o presidente da administração do São João, António Oliveira e Silva, revelou que o centro hospitalar estava “em negociações com a Associação Joãozinho” para a reversão da titularidade da obra, que pertencia à associação.

Ainda em 2017, Oliveira e Silva descrevia que a empreitada permitiria criar, além de uma zona de internamento, “blocos, unidade de cuidados intensivos, uma unidade funcional de queimados”, entre outras valências, com o objetivo de ter um serviço de pediatria “muito direcionado para o doente agudo e grave”.

O Governo autorizou em 19 de setembro a administração do São João a lançar o concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

Na quinta-feira, o líder parlamentar do PS, Carlos César, anunciou a apresentação de uma proposta para acelerar as obras da nova ala pediátrica mediante recurso ao ajuste direto e dispensa de visto prévio do Tribunal de Contas.

Diagnóstico precoce é um dos grandes desafios na luta contra a doença
Diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces é o grande desafio dos especialistas. Uma tarefa difícil, uma vez...

No entanto, “quando o tumor é diagnosticado numa fase precoce a cirurgia com intenção curativa é a terapêutica de eleição. Para esses estadios iniciais, a sobrevivência aos 5 anos ultrapassa os 50%, versus o diagnóstico já em fase avançada, com sobrevivências aos 5 anos inferiores a 5%”.

É, por isso, determinante estar atento aos sintomas. Tosse, expetoração, falta de ar são alguns dos mais comuns, mas é a expetoração raiada de sangue o sintoma mais alarmante para os doentes e aquele que os costuma levar ao médico. Já a tosse, esclarece o especialista, muitas vezes atribuída ao tabaco ou a causas ambientais, não é valorizada, erradamente, como sinal de alarme. “Aqui, o que é importante é alertar para a persistência do sintoma. Se a tosse perdura ao longo do tempo, esta deve levar o doente ao seu médico de medicina geral e familiar.”

Não só a população em geral está mais informada sobre o tema, como se tem assistido também a um reforço da investigação sobre esta doença, sobretudo nas suas formas mais graves. “Os últimos anos foram de revolução em relação à investigação sobre o cancro do pulmão. A imunoterapia e a terapia-alvo foram passos importantíssimos. A quantidade de novos fármacos de elevada eficácia e baixa toxicidade constitui uma verdadeira revolução”, reforça o médico.

Ainda assim, é preciso mais. A implementação de um programa de rastreio para o cancro do pulmão, tal como já acontece com outros tumores, pode vir a ser uma forma de conseguir um diagnóstico e uma intervenção terapêutica mais precoce com consequente redução na mortalidade por este flagelo. Um caminho que Fernando Barata acredita que fará parte de um futuro não muito distante. “Nos próximos anos temos que definir quem rastrear, qual o melhor método de rastreio e criar a nível nacional toda uma estrutura para o implementar.” Por isso, e enquanto este não é uma realidade, o especialista aproveita este mês de sensibilização para a doença para reforçar a mensagem que considera mais importante: a aposta numa redução dos fatores de risco. “Aqui, refiro-me ao tabaco em todas as suas formas, em que se inclui o tabaco aquecido e o eletrónico. É importante que as pessoas que fumam deixem de o fazer e aqueles que nunca o fizeram se mantenham assim.”  

 

Sem qualidade de vida
Portugal está entre os países europeus com maior esperança de vida à nascença, mas as mulheres portuguesas são das que...

Os resultados constam do relatório anual sobre saúde na Europa da OCDE – "Health at a Glance", onde Portugal surge ligeiramente acima da média europeia quanto à esperança de vida à nascença, que, em 2016, se situava em 81,3 anos (mais três meses que a média).

Como na generalidade dos países, em Portugal as mulheres apresentam valores mais elevados de esperança de vida à nascença (84,3 anos). Contudo, quase um terço dos anos vividos pelas mulheres em Portugal são-no com limitações de saúde.

Aos 65 anos, as mulheres portuguesas têm uma esperança de vida ainda de 21,8 anos, mas 71% deles serão vividos com limitações.

É uma das percentagens mais altas de anos vividos com limitações físicas do conjunto de 28 países da União Europeia, cuja média é de 53% de anos de vida com menos saúde a partir dos 65 anos.

No caso dos homens, aos 65 anos os portugueses apresentam uma esperança média de vida de mais 18 anos, sendo que 57% serão vividos com limitações físicas ou de saúde, quando a média europeia é de 46%.

 

Relatório anual sobre a saúde
Mais de 1,2 milhões de mortes podiam ter sido evitadas nos países da União Europeia em 2015 através de melhores políticas...

A OCDE divulgou hoje o seu relatório anual sobre a saúde – "Health at a Glance" – no qual estima que 1,2 milhões de pessoas morreram em 2015 de doenças ou problemas que podiam ter sido evitados por “medidas públicas de saúde mais fortes” ou através de tratamentos mais efetivos e atempados.

O documento recorda que ressurgiram, em algumas zonas da Europa, doenças que são evitáveis através da vacinação, como o sarampo, o que veio alertar para a “importância de promover a efetiva vacinação de todas as crianças”.

Só em 2016, estima-se que nos países europeus tenham morrido prematuramente 790 mil pessoas devido a maus hábitos de vida: tabaco, consumo excessivo de álcool, alimentação pouco saudável e falta de atividade física.

Para a OCDE, as políticas do controlo de álcool têm alcançado progressos na redução do consumo geral em vários países, apontando para uma queda de 10% na última década, mas o consumo pesado de álcool continua a ser “um problema entre adolescentes e adultos”.

Segundo o relatório, quase dois em cada cinco adolescentes de todos os países da União Europeia relataram ter apanhado pelo menos uma “bebedeira” no mês anterior, um facto que também foi relatado por mais de dois em cada cinco jovens entre 20 e 29 anos.

O uso de drogas ilícitas também continua a ser “um importante problema de saúde” na Europa.

“Embora o uso de algumas drogas tenha diminuído, a canábis continua a ser usada com frequência entre os jovens e o uso de cocaína está a aumentar em vários países”, sublinha o documento.

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico destaca que foram realizados na Europa muitos progressos nos tratamentos de doenças cardiovasculares e do cancro, destacando nas doenças oncológicas que as taxas de sobrevivência nunca foram tão elevadas.

Acerca da pressão que os sistemas de saúde vão enfrentar, o relatório indica que o envelhecimento da população deve ser tido em conta e recorda que a despesa em saúde representava em 2017 9,6% do PIB na União Europeia no seu conjunto, quando e 2008 esse valor era de 8,8%.

Diz relatório
Portugal está entre os três países europeus em que a população tem uma pior perceção do seu estado de saúde, segundo dados de...

O documento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico mostra que quase dois terços da população com mais 16 anos considerava em 2016 que a sua saúde estava “bem ou muito bem”.

Em Portugal, não chegava a metade a população que tinha uma boa perceção do seu estado de saúde, ficando-se nos 48%, 20 pontos percentuais abaixo da média dos 28 países da União Europeia (UE).

Só na Lituânia e na Letónia há menor proporção da população a considerar "bom ou muito bom" o seu estado de saúde.

Irlanda, Chipre, Holanda e Suécia surgem como os países com níveis mais elevados de cidadãos com boa perceção da sua saúde, rondando os 80%.

Portugal figura ainda como um dos quatro países em que maior percentagem de população reporta uma doença crónica, com mais de 40%, acima dos 33% de média da UE.

O relatório anual da OCDE sobre saúde, “Health at a Glance”, analisa ainda a evolução da despesa em saúde “per capita” e por relação com a riqueza produzida (PIB) em cada país.

Enquanto na maioria dos países da União Europeia, houve um crescimento da despesa em saúde “per capita” entre 2013 e 2017, Portugal continuava em 2017 a registar valores inferiores aos registados em 2009, apesar de algum crescimento da despesa a partir de 2013.

O relatório traça ainda uma estimativa do crescimento dos gastos públicos em saúde por percentagem do PIB nos vários países.

Para Portugal, estima-se que até 2070 os gastos públicos com saúde aumentem dois pontos percentuais, passando de menos de 6% em 2016 para mais de 8%.

O documento mostra ainda o crescimento dos seguros de saúde em Portugal. Em 2016, mais de um quarto (26%) da população tinha um seguro de saúde privado, quando em 2005 esse valor não chegava aos 20% da população.

Doenças respiratórias são 3ª causa de morte
Portugal é o país europeu com maior taxa de mortalidade por pneumonia, com valores de mortalidade superiores a 57 mortes por...

Segundo um relatório da OCDE hoje divulgado, Portugal era, em 2015, o país, entre os 28 da União Europeia, onde mais se morria por pneumonia, doença que matou cerca de 140 mil pessoas nesse ano na Europa.

“Portugal, a Eslováquia e o Reino Unidos têm as taxas mais elevadas de mortalidade por pneumonia, enquanto a Finlândia, a Grécia e a Áustria têm as taxas mais baixas”, resume o relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre saúde na Europa, denominado Health at a Glance.

O documento recorda que a idade avançada, o tabaco, o abuso de álcool e algumas condições respiratórias crónicas são os principais fatores de risco para a pneumonia, que na Europa representa 30% de todas as mortes por doenças respiratórias.

O relatório de 2017 do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da Direção-geral da Saúde assumia a elevada mortalidade por pneumonia em Portugal, mas destacava igualmente que a mortalidade e os internamentos antes dos 65 anos têm vindo a diminuir no país.

“Abaixo dos 65 anos é de destacar a evidência de uma redução na taxa de mortalidade padronizada por pneumonia, com uma redução de 23,5% [entre 2009 e 2015]”, refere o documento da autoridade de saúde portuguesa divulgado no ano passado.

Também a análise aos internamentos por pneumonia bacteriana veio mostrar um decréscimo consistente no período entre 2011 e 2016, numa redução de 4%.

No relatório hoje divulgado pela OCDE, a mortalidade por doenças respiratórias apresenta-se como a terceira principal causa de morte nos países europeus. Mais de 440 mil europeus morriam em 2015 de doenças respiratórias, o que representou um aumento de 15% relativamente ao ano anterior.

A patologia que mais peso tem nesta mortalidade é a doença pulmonar obstrutiva crónica, com 180 mil mortes na União Europeia no ano analisado neste relatório da OCDE.

Em Portugal, a taxa de mortalidade por doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) era, em 2015, de 27,6 mortes por cada 100 mil habitantes, surgindo quase no meio da tabela dos 28 países da União Europeia e abaixo da taxa média europeia de 36,3 mortes por 100 mil habitantes.

 

 

Cancro do colo-retal é o mais diagnosticado
O número de novos casos de cancro na União Europeia deve chegar este ano aos três milhões, com Portugal a ter uma das mais...

As estimativas constam do relatório anual da OCDE sobre saúde, hoje divulgado, que revela que, em 2015, morreram na União Europeia mais de 1,3 milhões de pessoas de doença oncológica, sendo a segunda causa de morte, depois das doenças cardiovasculares.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aponta para uma estimativa de novos casos de cancro este ano em Portugal de 492 por 100 mil habitantes, ultrapassando assim os 50 mil novos casos.

Esta previsão está alinhada com as estimativas divulgadas em setembro pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, que apontava que o número de novos casos de cancro em Portugal ultrapassará este ano os 58 mil, com as mortes por doença oncológica a ascenderem a quase 29 mil.

No relatório da OCDE hoje divulgado, em termos de taxa de incidência, estima-se que a média europeia se situe nos 569 novos casos por 100 mil habitantes.

Portugal surge com uma estimativa de incidência para este ano abaixo da média, com 492 casos por 100 mil pessoas, sendo um dos quatro países com incidência mais baixa na totalidade dos novos casos de doença oncológica, a par com Áustria, Bulgária e Roménia. No lado oposto, com mais incidência surgem a Hungria, a Irlanda, a Dinamarca e a Bélgica.

A incidência é estimada com base nos novos casos registados em cada ano, tendo em conta a população por país, mas para efeitos comparativos a OCDE diz que há que ter em conta a diferença nos sistemas de registo e na qualidade da vigilância da doença oncológica em cada país.

No panorama europeu, a OCDE indica que o cancro da mama é o que terá mais novos casos (mais de 400 mil), seguido do cancro da próstata, com 375 mil novos casos.

Quanto à mortalidade, analisando os dados de 2015, o cancro do pulmão destaca-se como o mais mortal entre os homens e o segundo mais mortal entre as mulheres, seguido do cancro da mama.

A taxa de mortalidade por cancro é mais elevada nos homens na generalidade dos países europeus, mas em Portugal a diferença acentua-se sendo quase duas vezes maior nos homens do que nas mulheres.

Nas estimativas de setembro da Agência para a Investigação do Cancro da Organização Mundial da Saúde, estimava-se que um quarto da população em Portugal está em risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% corre risco de morrer de doença oncológica.

O cancro colorretal será o tipo de cancro com mais novos casos em Portugal em 2018, estimando-se a deteção de mais de 10 mil doentes.

Segue-se o cancro da mama, que deve afetar quase sete mil portuguesas e o da próstata, que será diagnosticado em mais de 6.600 pessoas.

Análise OCDE
Portugal gastava, em 2015, cerca de 6,6 mil milhões de euros com problemas de saúde mental, o que representa 3,7% do Produto...

Os custos estimados mais elevados estão relacionados com o mercado de trabalho (menor emprego e menor produtividade), atingindo cerca de 2,9 mil milhões de euros, refere o relatório ‘Health at a Glance: Europe 2018 – State of health in the EU cycle’ hoje divulgado em Paris.

Já os custos estimados com o sistema de saúde em Portugal totalizam cerca de dois mil milhões de euros e com a Segurança Social cerca de 1,7 mil milhões de euros, adianta o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo o documento, Portugal é o quinto país da OCDE com mais pessoas com problemas de saúde mental (18,4%).

A Alemanha encontra-se entre os países que mais gasta nesta área, com 146,5 mil milhões de euros (4,8% do PIB), a par do Reino Unido, com custos na ordem dos 106 mil milhões de euros (4,17% do PIB), segundo as estimativas.

Em França, os problemas de saúde mental representam um custo de 81,3 mil milhões de euros (3,7% do PIB) e, em Espanha, cerca de 45 mil milhões (4,1% do PIB).

“Os custos totais dos problemas de saúde mental nas economias da União Europeia são enormes”, afirma o documento, salientando que estas doenças afetam 84 milhões de pessoas na UE.

Além dos custos nos sistemas de saúde, os problemas de saúde mental também resultam em “custos substanciais em termos de prestações de segurança social” e tem “impactos negativos no mercado de trabalho em termos de redução do emprego e da produtividade”, sublinha.

Em 2015, estima-se que os custos gerais relacionados com a saúde mental tenham excedido 4% do PIB nos 28 países da União Europeia, o que equivale a mais de 600 mil milhões.

“Apesar de serem custos consideráveis, são ainda uma subestimativa significativa, uma vez que vários custos adicionais não foram tidos em conta”, como despesas sociais, maiores custos de tratamento de uma doença física, se o paciente também tem uma doença mental, ou horas de trabalho perdidas pelos cuidadores.

Os custos estimados relacionados a problemas de saúde mental variam entre 2% a 2,5% do PIB na Roménia, Bulgária e República Checa, até mais de 5% do PIB na Dinamarca, Finlândia, Países Baixos e Bélgica.

"Estas variações são impulsionadas principalmente pela percentagem de pessoas que relatam problemas de saúde mental", um valor que pode ser subestimado em países onde "há um forte estigma associado a problemas de saúde mental".

Segundo as últimas estimativas do Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação, mais de uma em cada seis pessoas nos países da UE (17,3%) tinha um problema de saúde mental em 2016.

O distúrbio mental mais comum é a ansiedade, que se estima afetar 25 milhões de pessoas (5,4% da população), seguido da depressão, que atinge mais de 21 milhões de pessoas (4,5%).

Os dados estimam ainda que 11 milhões de pessoas (2,4%) têm problemas de toxicodependência e álcool.

As doenças mentais graves, como transtornos bipolares, afetam quase 5 milhões de pessoas (1,0% da população), enquanto a esquizofrenia atinge 1,5 milhões de pessoas (0,3%).

A prevalência estimada destes problemas é mais alta na Finlândia, Países Baixos, França e Irlanda com taxas de 18,5% ou mais da população com pelo menos um distúrbio, e menor na Roménia, Bulgária e Polónia (com taxas inferiores a 15%).

Paralisação
Todas as salas cirúrgicas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) estão hoje a prestar apenas serviços mínimos...

À porta do polo principal do CHUC, onde se concentraram, na manhã de hoje, cerca de meia centena de enfermeiros, Ana Pais disse aos jornalistas que houve nove blocos que aderiram, com taxas de adesão à greve "acima dos 80%".

"Os blocos [operatórios] em Coimbra estão só a assegurar os serviços mínimos", sublinhou a enfermeira, que coordenou, em Coimbra, o movimento que esteve na origem da greve prolongada às cirurgias programadas em blocos operatórios.

Segundo Ana Pais, o protesto surge após "anos de negociações frustradas, sem resposta por parte do Governo, que nos levou a chegarmos a uma medida um bocadinho mais extrema, que só tomámos mesmo em último recurso".

Os enfermeiros "estão cansados, exaustos, há 15 anos que estão congelados, o que significa que enfermeiros que trabalham há 20 anos recebem o mesmo do que um que acaba agora a sua licenciatura e ingressa no mercado de trabalho".

"Reivindicamos uma reestruturação da nossa carreira, que nos valorizem, que contratem mais enfermeiros, que diminuam o tempo da reforma, que o processo de descongelamento seja efetivamente feito de acordo com o que é justo, atendendo a todo o tempo de profissão", explicou Ana Pais.

Segundo a enfermeira, o CHUC é o que "deve mais horas aos enfermeiros, com milhares de horas em dívida, o que advém da escassez de enfermeiros".

"Chegamos a fazer 60 horas semanais, o que leva à exaustão dos profissionais e a um aumento de absentismo por situações de ‘burnout'", sublinhou.

Outras das reivindicações prende-se com a necessidade de a tutela proceder à "homogenização" dos contratos de trabalho, uma vez que "há trabalhadores com contrato da função pública e outros com contrato individual de trabalho".

"É necessário uma homogenização, em que todos têm os mesmos direitos, independentemente do vínculo que têm", disse Ana Pais.

Nuno Couceiro, do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), uma das estruturas que emitiu o pré-aviso de greve, salientou que a adesão dos enfermeiros "está a ser maciça".

"Os enfermeiros do bloco costumam ser os mais prejudicados nas greves e, por isso mesmo, esta tem contornos diferentes e permite que o sucesso possa ser maior e sejamos ouvimos pela tutela", salientou o enfermeiro, referindo-se ao facto de ter existido um fundo aberto ao público que recolheu mais de 360 mil euros para compensar os profissionais que aderirem à paralisação.

De acordo com Nuno Couceiro, o bloco central do polo principal do CHUC "está apenas a cumprir as urgências e os oncológicos, de resto está parado para todas as cirurgias programadas".

Nos blocos periféricos, de oftalmologia, otorrino e ortopedia "as cirurgias também estão todas canceladas".

"Os enfermeiros estão sem carreira, são tratados como meros operativos e escalados a toda a hora e a todo o momento", queixou-se Celínia Antunes, da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).

A enfermeira considera que a "prestação de cuidados de saúde diferenciados não se compadece com este tipo de atitude" da tutela, que "não respeita o grau de diferenciação".

A greve cirúrgica, decretada pelo Sindepor e pela ASPE, abrange ainda o Centro Hospitalar Universitário de S. João e o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e o Centro Hospitalar de Setúbal.

Falta de visão súbita e forte dor de cabeça associam-se aos sintomas conhecidos
Em 2018 o acidente vascular cerebral (AVC) continua a ser a principal causa de morte e incapacidade

Sendo esta uma doença potencialmente prevenida, o controlo e reconhecimento dos fatores de risco por parte da população é essencial, são eles: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, obesidade e alterações do perfil lipídico (como aumento do colesterol LDL e redução do colesterol HDL).

A tensão arterial elevada é muitas vezes desvalorizada pela população por ser “silenciosa”, mas atualmente sabe-se que cerca de metade dos Acidentes Vasculares Cerebrais poderiam ser evitados simplesmente com o controlo da tensão arterial. Portugal tem uma das mais elevadas prevalências de hipertensão arterial na Europa, afetando cerca de 3 em cada 10 portugueses. Os fumadores apresentam mais do dobro do risco vir a ter um AVC, mas ao deixar de fumar o risco volta ao valor normal após 10 anos. Está também demonstrado que a obesidade é um fator de risco estabelecido para AVC isquémico e estudos epidemiológicos reportam que a partir do IMC de 20Kg/m2, por cada aumento de 1 unidade no IMC o risco de ter um AVC aumenta em 5%.

O AVC agudo é uma emergência médica, como tal, é fundamental que a sua identificação seja rápida para acionar os meios de urgência, pois no caso do AVC isquémico existem atualmente tratamentos que poderão ser aplicados na fase aguda, estando a sua aplicação dependente do tempo de evolução dos sintomas. É importante salientar que os doentes com AVC hemorrágico também beneficiam de tratamento médico precoce.

No tratamento do AVC cada minuto conta e como tal, quanto mais cedo forem acionados os meios, maior é a probabilidade da aplicação atempada das terapêuticas existentes e, consequentemente, potenciar uma maior recuperação e limitar os défices incapacitantes.

Existe uma regra amplamente divulgada nas campanhas de prevenção, que é a regra dos “3 F’s”  – FACE, FORÇA, FALA, que tem sido alargada para a regra dos “5 F’s” com a adição de dois componentes:

Face: a face pode ficar assimétrica de uma forma súbita. Peça à pessoa para sorrir e verifique se algum lado está diferente.

Força: diminuição súbita de força de um ou mais membros. Peça à pessoa para levantar os braços e verifique se um deles descai.

Fala: a fala pode parecer estranha, incompreensível, “enrolada” e o discurso não fazer sentido. Com frequência, a pessoa parece não compreender o que se lhe diz.

Falta de visão súbita: perda súbita de visão, de um ou de ambos os olhos, ou visão dupla.

Forte dor de cabeça: dor de cabeça muito intensa, com características diferentes ao habitual e sem causa aparente.

Sempre que sejam identificadas pessoas com algum destes sintomas, é imperativo ligar para o 112.

A principal questão colocada pelos familiares e pelos doentes que sofrem um AVC é se os sintomas regridem. Depende de caso para caso. Poderá existir recuperação completa dos sintomas em menos de 24 horas (chamado Acidente Isquémico Transitório (AIT)); recuperação total dos sintomas após 24 horas; ou o doente poderá ficar com sequelas do AVC. Nos últimos casos, é fundamental a reabilitação, que deve começar precocemente, devendo ser adaptada a cada doente e ser mantida ao longo do tempo.

Bibliografia:  
Das RR, Seshadri S, Beiser AS, Kelly-Hayes M, Au R, Himali JJ, Kase CS, Benjamin EJ, Polak JF, O'Donnell CJ, Yoshita M, D'Agostino RB, DeCarli C, Wolf PA. Prevalance and correlates of silent cerebral infarcts in the Framingham Offspring Study. Stroke. 2008;39: In press. Epub ahead of print June 26, 2008. DOI: 10.1161/STROKEAHA.108.516575.
Vermeer SE, Longstreth WT Jr, Koudstaal PJ. Silent brain infarcts: a systematic review. Lancet Neurol. 2007; 6: 611–619.[CrossRef][Medline] [Order article via Infotrieve]

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Greve de enfermeiros
Os enfermeiros de cinco blocos operatórios de hospitais públicos iniciam hoje uma greve de mais de um mês às cirurgias...

A greve cirúrgica, decretada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), irá abranger o Centro Hospitalar Universitário de S. João, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e o Centro Hospitalar de Setúbal.

A paralisação visa “parar toda a cirurgia programada, mantendo, naturalmente, assegurados os cuidados mínimos decretados pelo tribunal”, referem os sindicatos em comunicado.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira transversal a todos os tipos de contratos e uma remuneração adequada às suas funções, tendo em conta “a penosidade inerente ao exercício da profissão”, segundo as estruturas sindicais.

A ideia da paralisação partiu inicialmente de um movimento de enfermeiros que recolheu já mais de 360 mil euros num fundo destinado a compensar os profissionais que ficarão sem salário.

O movimento de enfermeiros agendou para as 08:00 de hoje cinco manifestações junto aos centros hospitalares onde vai decorrer a paralisação, coincidindo com o arranque da greve.

Na terça-feira, os dois sindicatos que convocaram a paralisação decidiram manter o protesto nos cinco blocos operatórios, por falta de acordo com o Governo sobre a estrutura da carreira.

Numa nota à imprensa enviada antes do final da reunião negocial de terça-feira à tarde, o Ministério da Saúde invocou que na proposta apresentada aos sindicatos se destaca “a consolidação do enfermeiro especialista e o reconhecimento da importância da gestão operacional de equipas pelo enfermeiro coordenador".

A tutela assume que a proposta de revisão da carreira especial de enfermagem "constitui a aproximação possível às reivindicações apresentadas" pelos sindicatos, "num contexto de sustentabilidade das contas públicas e equidade social".

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse na quarta-feira que o governo fez “um esforço muito significativo” para ir ao encontro das reivindicações dos enfermeiros e entende que a manutenção da greve vai atrasar o processo negocial e um possível acordo.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Ramos, disse que a proposta apresentada aos sindicatos dos enfermeiros contempla as “principais reivindicações”, nomeadamente ao "consagrar a figura do enfermeiro especialista" e ao reconhecer as funções de gestão dos enfermeiros.

“O Governo fez um esforço muito significativo de ir ao encontro das principais reivindicações dos sindicatos de enfermagem, nomeadamente no que respeita à estrutura proposta de carreira e às regras de desenvolvimento profissional nela contempladas”, afirmou Francisco Ramos.

Os sindicatos continuam a reclamar que o Governo não consagrou a categoria de enfermeiro especialista, frisando que estabelecer a figura de especialista não é o mesmo que a consagrar na carreira.

O secretário de Estado diz que o Ministério da Saúde esperava, da parte dos sindicatos, “um sinal de que estão de facto interessados em chegar a um compromisso e a continuar sentados à mesa das negociações”:

“O Ministério da Saúde considera que a manutenção da greve é uma disrupção dessa vontade”, disse Francisco Ramos.

DGS
Catorze casos de sarampo foram detetados na região de Lisboa e Vale do Tejo desde o dia 08 até hoje, dez dos quais confirmados...

“Estes casos configuram a existência de dois surtos distintos, ambos com origem em casos de doença importados de países europeus”, esclarece a DGS, referindo que, “até à data, todos os casos confirmados são em adultos, um dos quais se encontra internado e clinicamente estável”, sem indicar onde.

Segundo a DGS, está em curso uma “investigação epidemiológica detalhada”, que inclui “a investigação laboratorial de todos os casos”, não adiantando as respetivas localizações dos surtos.

Por outro lado, a DGS não quis identificar os países europeus de onde o vírus é originário, referindo, porém, não ser expectável surgirem novos focos da doença em Portugal.

A DGS explica que o vírus do sarampo é transmitido por contacto direto com as gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra, e os doentes são considerados contagiosos desde quatro dias antes até quatro dias depois do aparecimento da erupção cutânea.

“Os sintomas de sarampo aparecem geralmente entre 10 a 12 dias depois da pessoa ser infetada e começam habitualmente com febre, erupção cutânea (progride da cabeça para o tronco e para as extremidades inferiores), tosse, conjuntivite e corrimento nasal”, alerta ainda a DGS.

 

investigação
Pessoas com paralisia poderão usar 'tablets' e outros aparelhos usando apenas o pensamento, através de um implante do...

O implante foi experimentado em três voluntários tetraplégicos e regista a atividade cerebral a partir de um pequeno sensor instalado na parte do córtex responsável pelo movimento.

Com essa tecnologia, os voluntários conseguiram usar programas num 'tablet' para mandar correio eletrónico, trocar mensagens num 'chat', ouvir música e usar aplicações de partilha de vídeos.

Navegaram na Internet, fizeram compras 'online', contactaram família, amigos, trocaram mensagens entre si e com a equipa de investigadores de várias instituições norte-americanas, como as universidades de Stanford e Brown.

A tecnologia Braingate deteta sinais associados com movimento registados no córtex motor, descodifica-os e envia-os para dispositivos externos, o que já tinha sido experimentado para permitir a pessoas paralisadas mover braços robóticos.

Dois dos voluntários do teste sofrem de esclerose lateral amiotrófica, que afeta os nervos no cérebro e na espinal medula que controlam o movimento e o outro sofreu uma lesão na coluna que o paralisou.

Usando o implante, conseguiram mover o cursor e selecionar um ícone 22 vezes por minuto numa série de aplicações.

 

Apoio
A Câmara de Lisboa está a preparar o Programa Municipal para a Pessoa Sem-abrigo 2019-2021, que contará com “mais de cinco...

O vereador da Educação e Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Grilo (BE), visitou a Unidade de Atendimento a Pessoas Sem-Abrigo, na zona do Cais do Sodré e, no final, disse aos jornalistas que o novo programa municipal deverá conter um financiamento de “mais de cinco milhões de euros”.

“Queremos dar um reforço financeiro bastante grande a este programa”, afirmou, falando também numa “melhoria de toda a oferta” e na “integração no plano daquilo que se verificou que funcionava, como por exemplo o espaço Âncora e os quiosques solidários”.

De fora desta verba, ficam as obras previstas, entre as quais a beneficiação do centro de alojamento temporário do Beato, com capacidade para 271 pessoas.

Apesar de ainda não haver projeto, Manuel Grilo apontou que o objetivo do investimento será “dar condições àquele centro, criando situações diversas que permitam inserção social”.

O bloquista explicou que a capacidade do centro deverá diminuir e que serão construídos no espaço “apartamentos partilhados” para que casais possam permanecer “em situação de alguma privacidade e conforto”.

“Na noite em que fui visitar aquilo, não consegui dormir”, comentou o vereador, apontando que viu “20 pessoas a pernoitar na mesma camarata”.

“Por isso, não descansarei enquanto aquilo não melhorar”, salientou, referindo que a “obra é muito grande” e deverá custar “alguns milhões, certamente”, sem contudo precisar.

Na visita, o vereador adiantou que o número de pessoas a dormir na rua diminuiu para metade desde 2015 até hoje, passando de 700 para 350 as pessoas em situação de sem-abrigo na capital.

Além destas, existem mais 500 pessoas que já não dormem na rua, estão em centros de acolhimento e são ajudadas através das várias valências que o programa municipal e o NPISA (Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo) oferecem.

“Muitas delas estão hoje no programa ‘housing-first’ [casas de transição]”, declarou o vereador do Bloco, apontando que às atuais 80 casas disponíveis (50 para quem sofre de doenças metais e 30 para quem sofre de dependências) vão juntar-se mais 75 habitações municipais.

Destas, 25 reforçarão o acolhimento na área de saúde, outras 25 destinam-se a pessoas com problemas de dependências e as restantes não terão tipologia atribuída.

Já o programa atualmente em vigor (2016-2018) previa um reforço destas habitações, mas o vereador justificou o atraso com o aumento dos preços do arrendamento na cidade.

“Não há estagnação, pelo contrário, há o desenvolvimento normal de um programa municipal que decorre desde 2016”, vincou, falando apenas em “soluções pontuais”.

Na visita, foi também anunciado que, entre 03 e 07 de dezembro, vai decorrer uma “campanha sazonal de vacinação de todas as pessoas em situação de sem-abrigo” contra a gripe.

Segundo o vereador este é já “o terceiro ano consecutivo” em que esta campanha acontece, com o objetivo de “melhorar as condições de saúde desta população”.

A iniciativa vai permitir também realizar uma nova contagem dos sem-abrigo e atualizar os respetivos diagnósticos.

A vacinação vai ser feita nos centros de acolhimento e através equipas móveis e fixas durante o dia e noite.

Defesa do SNS
O secretário-geral comunista apresentou ontem a proposta de Lei de Bases da Saúde daquele partido como forma de combater as...

Jerónimo de Sousa sublinhou que "parte significativa dos problemas que afetam hoje o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não têm origem na lei atual, mas na política de direita que tem sido seguida nos últimos anos por sucessivos governos" e em questões como "o subfinanciamento ou as Parcerias Público-Privadas (PPP)", em conferência de apresentação da iniciativa comunista, num hotel lisboeta.

"Do que nos foi dado a conhecer até hoje, das propostas avançadas pelo PSD e do anteprojeto avançado pela comissão nomeada pelo Governo e presidida por Maria de Belém, os portugueses têm razões para ficar preocupados", alertou.

O líder comunista lamentou que "os diversos governos de PS, PSD e CDS" tenham aumentado "substancialmente o apoio e financiamento do Estado aos grandes prestadores privados, transferindo para eles doentes e serviços, procurando reduzir o SNS a um papel residual, dedicado à assistência das camadas mais pobres e desfavorecidas da população".

"Só no ano em curso, 3.726 milhões de euros, cerca de 40% do orçamento do SNS, sem contabilizar os medicamentos, serão canalizados para pagamentos a entidades privadas", afirmou Jerónimo de Sousa, citando em seguida um relatório do grupo financeiro internacional Goldman Sachs em que se questionava se curar doentes seria um negócio sustentável.

O secretário-geral do PCP condenou ainda o facto de 40% da população portuguesa ter passado a estar coberta também por um subsistema de saúde (público ou privado) ou por um seguro de saúde que abrange nesta altura cerca de 2,5 milhões de portugueses, com "os quatro maiores grupos privados" a dominarem "o mercado" e "80% do volume do negócio privado da medicina".

"Não podia ser mais claro. Para os privados, o que importa é a doença e não a saúde. O que dá lucro aos privados é a doença não a saúde. Duas lógicas de funcionamento diametralmente opostas: para o público, a lógica é a saúde, para os privados, a doença", frisou.

Antes, a deputada comunista Carla Cruz apresentou a proposta do PCP de Lei de Bases da Saúde, declarando que "não há SNS sem profissionais", logo a iniciativa comunista "assenta numa política de recursos humanos que assegura a existência de um número adequado de profissionais que permita satisfazer as necessidades da população, através do correto dimensionamento das dotações de trabalhadores e sua distribuição pelo território nacional.

"A proposta de Lei de Bases do PCP não poderia esquecer questões específicas da política de saúde, nem os grupos vulneráveis e de risco. Nesse sentido, abordamos as questões da genética médica, saúde mental, saúde ocupacional, política do medicamento e dispositivos médicos", enumerou.

A parlamentar comunista resumiu que o projeto comunista "obriga ao cumprimento do imperativo constitucional que coloca como incumbência do Estado garantir o cumprimento do direito à proteção da saúde, individual e coletiva" (...) "uma proposta progressista e que fortalece o SNS e rompe com a política de direita".

Comité de peritos
A agência francesa do medicamento (ANSM) anunciou que vai reavaliar no início de 2019 a segurança dos implantes mamários usados...

Entre as 500 mil mulheres portadoras de implantes em França foram identificados 53 casos de linfoma anaplásico de células grandes (LACG na sigla em inglês), envolvendo principalmente implantes em envelope texturizado, segundo a ANSM.

Estes modelos representam 85% do mercado francês, contra 15% dos implantes de envelope liso.

A agência reunirá, entre 07 e 08 de fevereiro, um comité de peritos encarregados de auscultar os pacientes, os profissionais de saúde e outros intervenientes nesta matéria, para beneficiarem de um esclarecimento global sobre a utilização deste tipo de implantes, anunciou a ANSM em comunicado, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

Após a audição do comité de peritos, a agência do medicamento “tomará uma decisão sobre a utilização dos implantes, sobretudo de envelope texturizado, em cirurgias estéticas e reconstrutivas”.

Enquanto isso, a agência recomenda aos profissionais de saúde que utilizem preferencialmente os implantes mamários de envelope liso.

Os primeiros casos de LAGC em França foram sinalizados em 2011, o que levou à criação de um dispositivo de controlo nestas intervenções cirúrgicas.

Um comité científico provisório foi criado em 2015 e as decisões que forem tomadas no futuro terão também em conta as informações recolhidas por estes elementos.

Os implantes mamários são os dispositivos médicos destinados a restaurar ou aumentar o volume dos seios e, segundo um relatório das autoridades de saúde francesas, datado de 2015, cerca de 80% dos implantes em França são feitos por razões estéticas e 20 por cento após um cancro da mama.

Esta situação foi marcada por um forte escândalo de saúde pública que eclodiu em 2010 e que envolveu a empresa Poly Implantes Prothéses (PIP), que vendeu perto de um milhão de próteses mamárias alegadamente defeituosas, fora de qualquer padrão regulado de saúde, tendo afetado cerca de 400 mil mulheres em todo o mundo.

O linfoma anaplásico de grandes células é uma forma muito rara de cancro do sistema linfático e, segundo um estudo publicado em 2014, haverá 173 casos a nível mundial.

Peritos franceses propuseram à Organização Mundial da Saúde que criasse uma nova denominação para esta doença.

A doença afeta, segundo o documento, uma a duas mulheres por cada 10 mil portadoras de implantes mamários, uma prevalência baixa que dificulta a extrapolação estatística.

O escândalo ligado à marca PIP levou à retirada de próteses defeituosas do mercado e suscitou processos judiciais.

Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
Uma criança de 11 anos recebeu um “implante intramedular mecatrónico” para alongamento da perna esquerda, uma cirurgia...

O ortopedista pediátrico Delfin Tavares, que realizou a cirurgia, explicou à agência Lusa que se pretende com este aparelho alongar o osso da criança até ter “o tamanho ideal agora ou quando acabar de crescer”.

Delfin Tavares contou que a criança tinha uma sequela de uma infeção que teve nos primeiros dias de vida e que lhe danificou a cartilagem em crescimento e criou “uma situação em que a perna não cresce da mesma maneira que a outra, ficando com uma diferença muito grande”.

Este é o primeiro implante a ser colocado, em Portugal, numa criança de 11 anos, para alongamento do membro inferior esquerdo.

O cirurgião contou com a colaboração do médico Franck Accadbled, Coordenador do Departamento de Ortopedia Pediátrica do Hôpital des Efants em Toulouse, França, e da enfermeira Nathalie Poussou, do Departamento de Ortopedia Pediátrica do mesmo Hospital.

Esta tecnologia foi desenvolvida pela empresa alemã Wittenstein e permite proceder “ao alongamento dos membros mediante a colocação na cavidade medular de uma cavilha de alongamento através da realização de uma cirurgia minimamente invasiva, sendo este mecanismo, posteriormente, acionado externamente através de um dispositivo eletrónico de controlo”, refere o centro hospitalar.

O especialista adiantou que para alongamento ósseo o que se tem utilizado são fixadores externos.

Esta técnica apresenta “inúmeras vantagens” face aos fixadores externos, permitindo a correção de deformidades e alongamentos dos membros de forma mais rápida, eficaz e menos traumática para o doente.

Neste caso, a intervenção é no interior do osso, não envolve qualquer ferida para o doente, evitando “uma série de complicações que se criam quando se têm fixadores externos”, explicou.

Sobre o que vai acontecer com esta intervenção, Delfin Tavares disse que a perna vai “ficar um bocadinho mais comprida porque a criança ainda continua a crescer, tem 11 anos”.

“Neste momento tem uma diferença de quatro centímetros, mas vamos tentar alongar até seis centímetros porque ela vai continuar a crescer”, adiantou.

Segundo o médico, o “grande problema” é que neste momento com a diferença que tem nas pernas, a criança já está a ter “algumas complicações da postura, na maneira de andar” e na escola.

A cirurgia vai ter ganhos importantes para a criança que “vai ficar praticamente igual no que respeita a andar e a fazer a vida dela sem ter que andar com sapatos altos de compensação”, vincou.

Segundo Delfin Tavares, “há muitas crianças em que se pode fazer esta cirurgia”, mas o grande problema que se coloca é o valor do dispositivo que é “muito dispendioso”.

“Mas se formos fazer as contas, numa criança em que é realizada a cirurgia convencional com fixadores externos, o tempo de internamento, o reinternamento por infeções ou algumas complicações” e o tempo que os pais e a criança têm que parar, os custos finais ficarão praticamente iguais, concluiu.

Bastonário
O bastonário dos Médicos manifestou hoje preocupação com os efeitos da greve prolongada dos enfermeiros, mas entende que a...

“A ministra da Saúde e o Governo devem ter atenção ao que está a acontecer na saúde em Portugal. Infelizmente o Governo não tem dado a atenção que devia à saúde, continua a desvalorizar, e é bem possível que situações semelhantes a esta venham a acontecer com outros profissionais de saúde. Porque as pessoas já atingiram o limite do aceitável. O limite já foi ultrapassado e o Governo continua impávido e sereno a sorrir”, afirmou Miguel Guimarães à agência Lusa, a propósito da greve dos enfermeiros que começa na quinta-feira e se prolonga até final do ano.

O bastonário da Ordem dos Médicos frisa que não se trata de uma ameaça, mas antes de uma constatação, porque os profissionais do Serviço Nacional de Saúde estão desesperados, revoltados e sentem-se enganados.

“Este tipo de situações como a dos enfermeiros, não desta forma, mas de outras formas, pode vir a acontecer envolvendo outros profissionais de saúde”, disse.

Miguel Guimarães escusou-se a classificar em concreto a greve dos enfermeiros que vai afetar cinco blocos de cirurgia em grandes hospitais públicos, mas diz entender “a revolta” dos profissionais de saúde.

“As pessoas que trabalham no SNS estão revoltadas com o sistema, estão fartas de ser enganadas por quem tem responsabilidade política e estão desesperadas. Só o desespero é que pode levar as pessoas a pensar fazer uma greve [de longa duração]”, declarou à agência Lusa.

O representante dos médicos manifesta-se preocupado com os efeitos da greve nos doentes, lembrando que, “quando as greves são demasiado prolongadas”, as situações podem tornar-se “complexas”, sobretudo para os doentes com “situações mais graves”.

“Pode ser complexo e isso, como a qualquer cidadão, deixa-me preocupado”, disse.

“A única coisa que é verdade, é que o SNS não está definitivamente bem. E quem tem responsabilidades diretas sobre o SNS, que é o Governo, está a avaliar mal a situação ou não está sequer a avaliar a situação”, lamentou o bastonário, indicando que a prioridade da nova ministra da Saúde “devia ter sido perceber o que se passa com os profissionais de saúde”.

A greve dos enfermeiros, que reclamam uma estrutura de carreira e o estabelecimento da categoria de especialista, começa na quinta-feira e vai afetar as cirurgias programadas de cinco centros hospitalares: Centro Hospitalar do Porto, Hospital de São João (Porto), Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte (Lisboa) e Centro Hospitalar de Setúbal até 31 de dezembro.

Gastos com a obesidade atingem os 59 mil milhões de euros na UE
A Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO) defendeu hoje que é preciso dar ferramentas às pessoas para combater a...

“Temos que dar ferramentas às pessoas para que o possam fazer e, no caso da obesidade, a ferramenta não depende só do médico, são precisos os nutricionistas e os psicólogos nos centros de saúde”, disse a presidente da SPEO, que falava à agência Lusa a propósito do 22.º Congresso Português da Obesidade, que decorre entre sexta-feira e domingo, em Lisboa.

Paula Freitas adiantou que há programas da Direção-Geral da Saúde para o combate à pré-obesidade e para o tratamento cirúrgico da obesidade, mas existe “um hiato” que “são aquelas pessoas que têm obesidade numa fase inicial” e que “podem evoluir para formas mais graves ou para a normalidade”.

“É preciso ir ao cerne da questão” e “fazer uma intervenção”, dando ferramentas aos doentes e formação aos médicos de família, que são os que contactam primeiro com os doentes.

O combate à doença requer um tratamento integrado, do qual faz parte a dieta, o plano alimentar, exercício físico e em “casos selecionados” os fármacos.

“Neste momento, temos fármacos que são seguros e eficazes. No entanto, são muito dispendiosos e a maior parte das pessoas, sobretudo as que têm mais obesidade e que são das classes sociais mais desfavorecidas”, não os podem pagar.

Mas, advertiu Paula Freitas, “os doentes têm que ter a noção de que os fármacos só por si não são a solução, eles têm que mudar comportamentos e estilo de vida”.

Para promover a visibilidade da obesidade enquanto doença, a SPEO elaborou com a Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade um documento denominado “Consenso ibérico”, que tem como lema “Declaramos guerra à obesidade”.

O objetivo é “promover a visibilidade da obesidade enquanto doença e tentar que os doentes tenham acessibilidade quer aos médicos, quer ao tratamento não médico, mas também aos tratamentos farmacológicos”, explicou.

Segundo Paula Freitas, um investimento inicial na doença traduz-se “a longo prazo em benefícios e em poupança”, porque está a poupar-se no tratamento de doenças que “o doente está a reduzir ou não vai desenvolver”.

As pessoas com obesidade têm maior risco de ter diabetes, hipertensão, doenças hepáticas, cardiovasculares, artroses, cancro, doenças pneumológicas, entre outras, sendo que os tratamentos destas doenças têm “custos elevados” que seriam diminuídos se a obesidade fosse tratada no início.

Há ainda os custos indiretos associados ao absentismo laboral, à diminuição da qualidade de vida, ao encurtamento da vida, disse Paula Freitas, anunciando que a SPEO vai realizar um estudo para avaliar o impacto económico da obesidade em Portugal.

Dados da União Europeia estimam que sejam gastos com a obesidade 59 mil milhões de euros e que os custos representam cerca de 8% do orçamento total da saúde na Europa.

Segundo os últimos dados do Inquérito Alimentar Nacional, em 2016, a prevalência da obesidade nos adultos rondava os 22,5%, sendo superior nas mulheres (24,3%) do que nos homens (20,1%), e a pré-obesidade 34,8%, sendo a prevalência 30,7% nas mulheres e 38,9% nos homens.

“Isto quer dizer que temos neste momento 60% da população portuguesa com obesidade ou pré-obesidade”, disse Paula Freitas.

Os dados indicam ainda que mais de 58% da população obesa em Portugal está desempregada, reformada ou inativa.

No congresso, a SPEO irá apresentar o primeiro livro de Recomendações para Tratamento Não Cirúrgico da Obesidade no Adulto, que visa a criação de normas consensuais para o diagnóstico da doença, tratamento e multidisciplinaridade da equipa no acompanhamento dos doentes.

As recomendações servem para que os profissionais de saúde tenham acesso a formação especializada em tratamentos eficazes, para que adotem um discurso não estigmatizante e para que todos os indivíduos com sobrepeso tenham acessibilidade plena ao tratamento integral da obesidade.

“Apesar de Portugal ter sido um dos primeiros países a considerar a obesidade uma doença, muitas vezes, o próprio doente não vê a obesidade como uma doença e, infelizmente, às vezes, os próprios profissionais de saúde também não”, disse Paula Freitas.

Páginas