Projeto da Associação Olhar pelo Mundo
Uma equipa de oftalmologistas portugueses voluntários terminou na quarta-feira uma curta missão em Timor-Leste durante a qual...

Foi o arranque de um projeto da Associação Olhar pelo Mundo que ao longo de duas semanas deu apoio em quase 850 consultas, num país onde há um oftalmologista por um milhão de habitantes: o equivalente a ter 10 oftalmologistas para Portugal.

Ana Vergamota, presidente, e Guilherme Neri, vice-presidente da associação, estiveram em Timor-Leste duas semanas e com dois colegas no terreno durante cerca de uma semana.

Nesse período os oftalmologistas portugueses realizaram 20 cirurgias de catarata traumáticas, quatro cirurgias de catarata senil e seis cirurgias de traumatismo do segmento anterior.

"Foi muito bom ver, no dia a seguir à cirurgia, um doente que esteve muito tempo sem ver, de repente conseguir voltar a ver a família e o mundo. O sorriso diz tudo. Os doentes acabam por ficar sempre muito gratos com a cirurgia que foi feita", explicou Ana Vergamota.

No final da missão - que querem repetir com ainda maior dimensão nos próximos anos - e em jeito de balanço, explicaram à Lusa o impacto sentido na felicidade e nos sorrisos dos pacientes que, depois de anos sem ver, recuperaram a vista.

Neri recordou em particular o caso de uma jovem de 15 anos que "tinha uma catarata traumática desde os 12 e que estava à espera que a chamassem para a cirurgia".

"Foi a primeira vez que um doente me abraçou quando me viu a chegar no corredor no dia seguinte", contou.

No meio também de casos mais complicados, como o de um paciente com um meningioma (um cancro intracraniano que estava a invadir o nervo ótico) que terá que ser agora seguido na Indonésia, ou a de uma criança de 3 anos, cega de ambos os olhos por leucoma (cicatriz) dos olhos.

"Falta a parte dos consumíveis, mas notamos também uma falta de informação. Muitos doentes que não moram em Díli e que deixam arrastar os casos e que poderiam ter vindo mais cedo", explicou Ana Vergamota.

"Casos de traumatismos que poderiam ter sido resolvidos mais cedo. Há uma falta de informação e muitos não vêm logo ao hospital", disse.

Um dos casos visto foi o de um rapaz de 26 anos que trabalhava numa plantação de café e que já tinha perdido um olho por um traumatismo e que, devido a um segundo traumatismo, há dois meses, desenvolveu um descolamento de retina e perdeu visão do olho que lhe restava.

"Este caso demonstra bem o trabalho que tem de ser feito: temos uma pessoa de 26 anos que ficou cega porque não tem condições de segurança no local de trabalho, não tem acesso a cuidados de saúde, ou os cuidados de saúde a que tem acesso não conseguem dar resposta a estes casos mais dramáticos", disse Neri.

Ana Vergamota notou que outra das tendências é o de inúmeros casos de cataratas entre gente mais jovem, especialmente devido a traumatismo, bem como casos "muito complicados de infeções ou inflamações, que não se veem tanto em Portugal".

"Nenhum de nos é fluente em tétum, por isso trabalhamos com os médicos que cá existem, dando apoio na consulta. O volume de pacientes é bastante alto. Mais de 100 doentes por dia, em média. E as cirurgias são feitas logo no próprio dia se o paciente e a família quiserem", explicou Neri.

Além do apoio em consulta e cirurgia, os oftalmologistas trouxeram consumíveis de um só uso, essenciais para a oftalmologia e que, em concreto, permitem realizar 150 cirurgias de cataratas.

O objetivo é ampliar o programa no futuro com visitas anuais a Timor-Leste.

Criada em agosto de 2017, a Olhar pelo Mundo quer ajudar a responder às carências em oftalmologia em Timor-Leste onde o trabalho mais destacado foi o da Fred Hollows Foundation que criou a clínica instalada atualmente no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli - onde os oftalmologistas portugueses trabalharam.

A organização recorda que nos países menos desenvolvidos e entre a população com cegueira, quatro em cada cinco pessoas sofre de cegueira por causas reversíveis.

No caso de Timor-Leste, dados do Rapid Assessment of Avoidable Blindness (RAAB) revelam uma prevalência de cegueira de 4,5% na população com mais de 50 anos, sendo a catarata senil a principal causa (79,4%), seguida de patologias do segmento posterior (6,2%) e glaucoma (5,2%).

Apenas 1,8% dos casos
A percentagem de novos casos de infeção por VIH em consumidores de drogas injetadas atingiu no ano passado um mínimo histórico,...

De acordo com o relatório anual sobre a situação do VIH/sida do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, dos 1.068 novos casos de infeção detetados em 2017 apenas 1,8% respeita a utilizadores de drogas injetadas, sendo “um mínimo histórico”.

A forma de transmissão predominante nos casos detetados no ano passado foi a sexual, com os casos de transmissão heterossexual a representarem quase 60%, enquanto os casos de homens que fazem sexo com homens representam 37%.

Em 2017, os casos de transmissão nos homens que fazem sexo com homens representaram mais de metade do total de novos diagnósticos em homens.

Em termos de tendência ao longo dos últimos dez anos, assiste-se a uma diminuição do número de casos de categoria heterossexual, bem como entre consumidores de drogas injetadas, enquanto se verifica uma tendência crescente nos homens que têm sexo com homens entre 2008 e 2012.

O contacto sexual representa 63% de todos os casos acumulados de infeção por VIH/sida existentes até final de 2017.

Desde 2008 que a forma de transmissão que anualmente regista mais casos de infeção é a transição heterossexual, que representa 45,8% de todos os casos cumulativos registados até ao fim de 2017.

“O consumo de drogas injetadas está associado à segunda maior fração desse total (33,0%), contudo, essa proporção reflete as características da epidemia nacional em décadas passadas e não as apresentadas na atualidade”, indica o documento a que a agência Lusa teve acesso e que é hoje divulgado.

Os casos de transmissão por sexo entre homens corresponderam a 17,7% do total acumulado até fim de 2017.

Em termos de tendência, o documento salienta uma “diminuição do número de casos na categoria heterossexual, em ambos os sexos, uma redução sustentada dos casos associados ao consumo de drogas e, até 2012, uma tendência crescente no número de casos em homens que têm sexo com homens”.

O documento assinala que entre 2007 e 2016 os casos de transmissão por contacto heterossexual reduziu 45%, entre utilizadores de drogas injetadas diminuiu 90%, enquanto se observou um aumento de 29% nos homens que têm sexo com homens.

Relatório
Portugal mantém uma elevada percentagem de diagnósticos tardios de infeção por VIH, com cerca de metade dos casos detetados no...

A conclusão consta do relatório anual do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, que refere que a percentagem de diagnósticos tardios se mantém “superior à observada na União Europeia”, em especial nos casos entre heterossexuais.

O documento, a que a agência Lusa teve acesso e que é hoje divulgado, salienta que 51,5% dos novos casos de infeção diagnosticados no ano passados tiveram um diagnóstico tardio e que em mais de 30% dos casos a doença já se encontrava avançada.

A proporção é ainda maior quando se analisam os casos em transmissão heterossexual e há diferenças entre homens e mulheres: “Para os casos de transmissão heterossexual a proporção de diagnósticos tardios em homens (65,7%) é significativamente superior à observada para as mulheres (48,4%) e, tal como nos anos mais recentes, os casos em homens que têm sexo com homens são os que apresentam menor proporção de diagnósticos tardios, situação idêntica à reportada noutros países europeus”.

Nos casos de transmissão heterossexual em homens a proporção de diagnósticos tardios atingiu 67,8% nos casos com idades a partir dos 50 anos.

 

6 em cada 10
Mais de seis em cada dez casos de VIH diagnosticados em pessoas entre os 15 e os 29 anos, em Portugal, ocorre em homens que têm...

O relatório de 2017 das infeções por VIH/sida do Instituto Ricardo Jorge mostra que os casos de VIH em homens que têm sexo com homens corresponderam a 64,1% dos casos diagnosticados em pessoas entre os 15 e os 29 anos.

A idade mediana à data do diagnóstico dos novos casos foi de 32 anos para os homens que têm sexo com homens, sendo o valor mais baixo de todos os grupos.

Numa análise temporal mais lata, entre 2013 e 2017 verificou-se que quase 80% dos novos casos em homens até aos 29 anos referiam transmissão por sexo com homens.

Na última década analisada, entre 2008 e 2017, o documento aponta para uma diminuição do número de casos na categoria heterossexual (que continua a ser a mais prevalente) em ambos os sexos e também uma “redução sustentada” dos casos associados ao consumo de droga.

Já no caso dos homens que têm sexo com homens, houve uma tendência crescente no número de novos casos até 2012.

Aliás, a comparação entre 2007 e 2016 mostra um aumento de 29% dos casos de transmissão sexual entre homens que têm sexo com outros homens.

De acordo com o relatório, a que a agência Lusa teve acesso, a partir de 2015, no caso dos homens, o número e a proporção de novos casos em homens que têm sexo com homens superou o número de novos casos referindo transmissão heterossexual.

Quanto aos novos casos com diagnóstico apenas em 2017, mais de um terço (37%) foram em homens que têm sexo com homens, mas a transmissão heterossexual continua a mais significativa (quase 60%).

Quase metade dos casos diagnosticados são da região de Lisboa
Mais de mil novos casos de infeção por VIH surgiram em Portugal no ano passado, sendo o grupo etário entre os 25 e os 29 anos o...

Segundo o relatório “Infeção VIH e sida” relativo a 2017 que hoje vai ser divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no ano passado houve 1.068 novos diagnósticos de VIH, o que corresponde a uma taxa de 10,4 novos casos por 100 mil habitantes.

A idade mediana à data do diagnóstico dos novos casos foi de 39 anos, sendo que nos casos dos homens que têm sexo com homens a mediana registou o valor mais baixo de todos os grupos, com 32 anos.

No ano passado registaram-se ainda 261 mortes em pessoas com VIH, 134 delas em estádio sida, a fase mais avançada da infeção. A idade mediana à data da morte foi de 52 anos.

Em termos cumulativos, entre 1983 e final de 2017 foram diagnosticados quase 58 mil casos de infeção por VIH, dos quais mais de 22 mil atingiram o estádio de sida, tendo ocorrido mais de 14.500 mortes.

De acordo com o relatório a que a agência Lusa teve acesso, a área metropolitana de Lisboa acumulou 46% dos novos diagnósticos de infeção por VIH em 2017.

Aliás, concluiu-se que seis municípios da área metropolitana de Lisboa estão entre os 10 concelhos do país com taxas mais elevadas de diagnóstico da infeção nos últimos cinco anos, onde se inclui também o Porto e Portimão.

Nos últimos cinco anos, a cidade de Lisboa acumulou o maior número de casos, bem como a taxa mais elevada de diagnósticos a nível nacional.

Em termos de tendência nos últimos anos, o documento do Instituto Ricardo Jorge aponta para uma diminuição de cerca de 40% do número de novos diagnósticos da infeção entre 2007 e 2016.

O total anual de novos casos foi sendo crescente entre 1983 e 1999, ano com o maior valor acumulado, observando-se a partir daí uma tendência de diminuição anual.

Balanço
O primeiro-ministro, António Costa, assinalou ontem os ganhos de três anos de governação nos cuidados de saúde continuados,...

"Ao longo destes três anos, já foi possível abrir 922 novas camas de cuidados continuados integrados simples, às quais se acrescentam algumas unidades especializadas em saúde mental ou de outras de cuidados paliativos", afirmou.

Discursando na inauguração de uma unidade de cuidados continuados e de reabilitação de média duração, em Cabeceiras de Basto, no interior do distrito de Braga, com capacidade para 30 camas, o chefe do Governo acrescentou que recentemente foram celebrados acordos para a entrada em funcionamento de mais 220 camas, em vários pontos do país.

A unidade ontem inaugurada é gerida por uma cooperativa liderada pela Câmara de Cabeceiras de Basto, que detém 80% do capital. O restante foi subscrito pela sociedade civil, uma parceria que foi elogiada na cerimónia.

Além de António Costa, também os titulares das pastas da Segurança Social, Vieira da Silva, e da Saúde, Marta Temido, se associaram ao momento.

Para o primeiro-ministro, a transferência de novas competências para as autarquias, também na área da saúde, que o Governo está a ultimar, vai permitir acentuar o trabalho de defesa do Serviço Nacional de Saúde, tornando-o cada vez mais ajustado às necessidades das populações.

"Os municípios, estando mais próximos das pessoas, estando mais próximos dos problemas, podem desenvolver mais atividades, designadamente nesta área da saúde", afirmou, recordando que o esforço tem de prosseguir, porque o número de camas é ainda insuficiente para corresponder ao aumento da esperança de vida em Portugal.

"Temos de continuar a fazer este trabalho, a desenvolver esta rede para preencher muitas lacunas que ainda existem. Temos de continuar a corresponder àquilo que é a realidade demográfica do nosso país e às necessidades que a nossa população tem", reforçou.

A unidade de saúde inaugurada representou um investimento de dois milhões de euros e encontra-se em funcionamento há sete meses, recebendo doentes de vários concelhos da região norte.

Segundo a sua direção, o equipamento permitiu criar 40 postos de trabalho diretos e 15 indiretos.

Infarmed
A Autoridade Nacional do Medicamento - Infarmed determinou hoje a retirada do mercado de dois lotes do creme para a pele...

Em comunicado publicado na sua página da Internet, o Infarmed indica ter detetado nos lotes 146724 e 146800 do produto cosmético Basiderma pasta cutânea a mistura de conservantes “Methylchloroisothiazolinone” e “Methylisothiazolinone” na sua composição.

“A utilização desta mistura de conservantes em produtos cosméticos não enxaguados é proibida, por poder induzir alergia de contacto e colocar em risco a saúde”, esclarece o Infarmed.

Por isso, o Infarmed determinou a suspensão imediata da comercialização e a retirada destes lotes do mercado nacional.

A Autoridade do Medicamento salienta que as entidades que disponham de unidades dos lotes indicados não as podem disponibilizar, devendo proceder à sua devolução

Na nota, o Infarmed salienta ainda que os consumidores que possuam alguma unidade dos lotes indicados não a devem utilizar.

A Basiderma é uma pasta cutânea que acalma e protege a pele, estando indicada na prevenção de assaduras provocada pelo uso de fraldas.

Reação
O número de notificações de incidentes com dispositivos médicos é “extremamente baixo” em Portugal, disse à Lusa uma...

A vogal do Conselho Diretivo da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) Sofia Oliveira Martins comentava uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ na sigla em inglês), segundo a qual a regulação ineficiente e a falta de testes em dispositivos médicos estão a provocar mortes e complicações em doentes de todo o mundo.

A investigação conclui que lacunas no controlo de dispositivos médicos - como ‘pacemakers’, implantes mamários, contracetivos ou próteses de anca – provocam cada vez mais complicações, difíceis de quantificar e identificar.

Sofia Oliveira Martins afirmou que “os portugueses podem estar perfeitamente tranquilos”, adiantando que o número de “reportes de incidentes por parte de profissionais de saúde e de utentes, este ano, foram menos de 100”.

Como razões para estes números serem “tão baixos", apontou, por um lado, “alguma subnotificação” e, por outro lado, o facto de estes dispositivos, sobretudo os mais sofisticados, serem colocados em Portugal por “médicos muito especializados”.

“Também não temos tanto o hábito, como outros países, como França por exemplo, de utilizar próteses mamárias fora do uso médico”, sublinhou.

Sofia Oliveira Martins disse que o Infarmed está “perfeitamente tranquilo”, acompanha todos os fabricantes e não tem “nenhum conhecimento de algum dispositivo que tenha falhado e causado a morte”.

"Muitas vezes há incidentes associados aos procedimentos, mas as queixas dos utentes são muito baixas, 13 este ano, e não há nenhuma alteração desse perfil na Europa, pelo contrário”, adiantou.

Para a responsável, é “muito importante” os profissionais de saúde e os utentes notificarem os incidentes ao Infarmed para se conhecer o perfil dos produtos e poder comunicar-se aos fabricantes para que tomem as medidas corretivas necessárias.

Segundo Sofia Oliveira Martins, o Infarmed não foi contactado por jornalistas envolvidos na investigação do ICIJ e aponta como explicação o facto de, em Portugal, o sistema que regula os dispositivos médicos ser da competência do instituto.

Os dispositivos médicos são “um mundo que vai desde gazes e soros esterilizados a implantes mamários e ‘pacemakers’".

Na maioria dos países, devido “à diversidade deste universo”, o Ministério da Saúde delegou em alguns institutos, alguns até privados, o facto de autorizarem este tipo de produtos”, o que “cria um mundo de regulação diferente dos de medicamentos em que são sempre as autoridades” que os autorizam.

“No fundo, as perguntas da investigação colocam um bocadinho em causa o sistema de avaliação dos dispositivos médicos nessas instituições, que peritos têm para avaliar e como é que podem garantir que são seguros”, disse a responsável, considerando que, em Portugal, “a maior parte destas perguntas não fazia muito sentido”.

Na sua opinião, este tipo de investigações é importante para fazer “repensar os sistemas” sobre os quais estão assentes as avaliações das tecnologias de saúde, “mas também podem ser alarmistas face a tecnologias que salvaram muitas e muitas vidas”.

“Estas tecnologias têm vindo a ser cada vez mais seguras, salvam mais vidas e cada vez as autoridades tentam torná-las mais seguras”, vincou.

A investigação designada “Implant Files” foi conduzida por mais de 250 jornalistas de 36 países, que analisaram milhares de documentos.

Nos Estados Unidos, estima-se que complicações com este tipo dispositivos terão causado 82 mil mortes e 1,7 milhões de feridos, em dez anos, cinco vezes mais do que em 2008.

Diz Primeiro Ministro
O primeiro-ministro disse hoje que o "grande investimento" que o país tem que "continuadamente fazer" na...

Em Braga, numa sessão de perguntas e respostas na Universidade do Minho para assinalar os três anos de Governo, António Costa foi questionado sobre os sinais de esgotamento de médicos e enfermeiros.

O chefe do Governo referiu que o executivo tomou medidas para aliviar a "tensão" sentida por aqueles profissionais de saúde, dando como exemplo o aumento do número de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde e a instituição da semana de trabalho de 35 horas para todos os profissionais.

"Indiscutivelmente, o grande investimento que o país tem que continuadamente fazer é no programa de cuidados primários e continuados, de forma a não fazer cair no sistema hospitalar todas as pressões e todas as necessidades que podem, aliás, com mais eficiência, serem satisfeitas fora do sistema hospitalar e com melhor qualidade e resultados, isso é chave", salientou António Costa.

Segundo o primeiro-ministro, "o esforço grande que tem sido feito ao longo destes três anos é procurar recuperar muitos dos fatores que contribuíram para essa tensão".

António Costa deu exemplos daquele esforço: "[Se há] mais profissionais no SNS é porque temos consciência que havia enorme pressão sobre a carência de enfermeiros. Quando repusemos o horário nas 35 horas foi por termos consciência dessa pressão, quando alagarmos as 35 horas para quem foi contratado com 40 horas foi porque tivemos em conta essa situação", enumerou.

Ainda no momento do debate relativo à Saúde, o primeiro-ministro voltou a referir como objetivo do Governo a cobertura total da rede de médicos de família a todos os portugueses até ao fim da legislatura.

 

Em Pavilhão Gimnodesportivo
A bactéria 'legionella' foi detetada na água dos chuveiros do balneário do pavilhão gimnodesportivo da Escola Básica...

A presença ambiental de colónias de bactérias do género ‘legionella'" no ponto de amostragem dos chuveiros do balneário do Pavilhão Gimnodesportivo da Escola Básica de Pias, concelho de Serpa, distrito de Beja, foi detetada no dia 19 deste mês, precisou à agência Lusa a médica Felicidade Ortega, da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA).

Segundo a médica da Unidade Local de Saúde Pública, a presença de bactérias foi detetada em análises regulares que a Câmara de Serpa faz para pesquisa de ‘legionella' em todas as localidades do concelho e "a utilização dos chuveiros foi imediatamente interditada".

Por outro lado, disse, "determinou-se a implementação de procedimentos convencionados para este tipo de situações", como a realização de purgas regulares e desinfeção térmica e/ou química da rede predial.

Os chuveiros foram interditados para a implementação dos procedimentos e assim vão ficar "até que os valores dos resultados analíticos demonstrem a regularização da situação", o que implica a "apresentação de dois resultados negativos consecutivos e espaçados entre si por duas semanas", explicou.

Até hoje, "não foram registados casos de doença" entre alunos, professores e funcionários da escola, frisou a médica, referindo que a Unidade de Saúde Pública da ULSBA está "a acompanhar a situação".

Segundo Felicidade Ortega, técnicos da unidade estiveram na escola na passada sexta-feira para "uma sessão de esclarecimento e informação junto da comunidade educativa (pais, encarregados de educação e auxiliares de ação educativa)".

A Lusa tentou por várias vezes e sem sucesso falar com a diretora do Agrupamento de Escolas N.º 1 de Serpa, do qual faz parte a Escola Básica de Pias.

 

Inovação na área científica e tecnológica
A empresa de Coimbra Abtrace garantiu um financiamento de dois milhões de euros para desenvolver na incubadora do Instituto...

"A Abtrace acaba de ser premiada com dois milhões de euros de financiamento e um programa de incubação no Instituto Pedro Nunes pelo program Wild Card 2018, da EIT Health, uma iniciativa do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT) que apoia ideias e projetos inovadores com potencial para transformar a saúde na Europa", anunciou hoje a empresa.

Este financiamento vai permitir à empresa desenvolver uma ferramenta para combater a resistência a antibióticos que combina Inteligência Artificial e Big Data (análise e a interpretação de grandes volumes de dados).

O objetivo é "transformar as práticas de prescrição de antibióticos", garante a Abtrace, que cita dados da Organização Mundial de Saúde que apontam para que "até 2050" a resistência antimicrobiana causará cerca de 10 milhões de mortes.

"Todos os antibióticos correm o risco de desenvolver resistência. Contudo, calcula-se que um terço das prescrições são desnecessárias ou inadequadas. A escolha correta de um antibiótico oferece um triplo benefício: melhor tratamento do paciente, menos gastos no consumo de antibióticos inadequados e, por fim, a redução da sua resistência ao ser selecionado o medicamento mais apropriado para a resolução do problema", garante a Abtrace.

Hélder Soares, co-fundador da Abtrace e doutorando em Química Médica pela Universidade de Coimbra, explica que o objetivo da empresa "é desenvolver novas ferramentas que diminuam o erro associado à prescrição de antibióticos, um dos fatores mais críticos para a crise da resistência antimicrobiana".

Este responsável acrescenta que, "estudando um conjunto alargado de registos clínicos, é possível encontrar novas formas de ajudar os médicos na altura de decidirem que antibiótico prescrever, selecionando o medicamento mais correto para uma infeção específica".

O CEO da EIT Health garante na página ‘online’ da comunidade de empreendedores que "a Abtrace identificou uma séria necessidade na saúde mundial", lembrando que "a resistência a antibióticos é uma grave ameaça" que afeta milhões de pessoas.

"Estamos muito satisfeitos e orgulhosos em apoiar o trabalho desta equipa e ansiosos por ver os resultados das suas ideias e o seu impacto na saúde", refere o gestor do programa de apoio a empreendedores, que tem como parceiros algumas das principais empresas europeias na área da saúde, entre as quais a Siemens Healthcare, IBM, Phillips, GE Healthcare, SAP, Medtronic, Abbott, Abbvie, Roche, Sanofi, Thermo Fischer Scientific, Astra Zeneca, Bayer Pharma, Merck e Air Liquide.

Criado em 1991, na sequência de uma iniciativa da Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes - Associação para a Inovação e Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia (IPN), é uma associação sem fins lucrativos que promove a inovação na área científica e tecnológica, assumindo-se como instituição de ligação entre a Universidade e o mundo empresarial.

Opinião
Novembro é o mês azul, o mês da diabetes!

Este mês, ao longo de todo o país muitas foram as comemorações nas associações e centros hospitalares para assinalar este dia. Muitas ações se fizeram para lembrar esta condição e despertar a população para a prevenção da diabetes tipo 2 que afeta grande parte da população portuguesa, já que a diabetes tipo 1 não pode ser evitada. No entanto, a diabetes existe todos os dias, e todos os dias é possível fazer ainda mais pela diabetes e pelas pessoas que vivem as 24h do dia com esta condição!

Nos últimos anos a tecnologia e o acesso a ela tem evoluído muito positivamente e contribuído assim para que cada vez mais pessoas possam viver com diabetes mais tempo e com mais qualidade de vida. Mas quando estamos no terreno, quando vivemos na pele esta mesma condição, muitas coisas ainda falham e é preciso continuar a trabalhar para que sejam resolvidas. É preciso de uma vez por todas dar voz a quem vive com esta condição todos os dias e olhar também para a vida social das pessoas com diabetes!

Tornar o acesso às consultas de especialidade mais ágil e fácil uma realidade, o acesso à tecnologia, o acesso à formação e informação por parte dos doentes e cuidadores mas também por parte dos profissionais de saúde…

Os direitos sociais das pessoas com diabetes estarão a ser satisfeitos? Serão estes suficientes para proteger e garantir a tranquilidade de vida que esta condição requer para garantir uma boa gestão da doença? Será que a pessoa com diabetes tem estabilidade, respeito, condições, no local de trabalho?

Será que os cuidadores informais são reconhecidos como deveriam ser e têm as ferramentas necessárias para auxiliar o cuidado a estas pessoas, muitas ainda crianças?

E a integração? E a Inclusão?

Toda a gente fala de diabetes. Pouca gente fala bem sobre diabetes. Muita gente desconhece o que realmente é a diabetes e de como condiciona (ainda) bastante a vida social de muitas das pessoas com esta condição.

Quantos de nós ouvem comentários descabidos, uns pela ignorância de quem infelizmente não teve ainda a oportunidade de aceder a informação válida, outros por pura maldade? Quantos de nós já viveram situações de más práticas sociais e profissionais que implicaram o nosso sofrimento? Sim, estas situações existem!

E ainda mais grave é saber que existem nas escolas, por parte dos colegas, dos funcionários e dos professores!

Todos temos obrigação de fazer a nossa parte. Os pais e as pessoas com diabetes devem falar, explicar, desmistificar a diabetes em todas as oportunidades, mas também precisam de apoio para o fazer de forma eficaz e de sentir recetividade da outra parte para ouvir, aprender e compreender.

A situação da integração/inclusão das crianças com diabetes nas escolas continua a ser um assunto que não é tratado da melhor forma. Vários esforços estão a ser feitos, a maioria pelas associações e grupos das redes sociais que ouvem na 1ª pessoa o desabafo dos pais que vêem o seu filho sofrer pela falta de compromisso da escola e da saúde escolar em envolver a criança e o jovem na comunidade escolar. Se há escolas que fazem um bom trabalho, e felizmente existem, a maioria desconhece esta urgência e não dá muitas vezes sequer a oportunidade aos pais de fornecerem ajuda e informação.

Estamos em novembro, o mês azul. O mês em que se fala muito sobre diabetes. Mas a escola começou em setembro. Ainda aguardamos diretivas superiores, complementos legais, orientação, trabalho em equipa para que o lema deste ano lançado pela IDF “a diabetes e a família” faça realmente sentido, pois a família (e a escola, os amigos as associações, a saúde escolar… são a nossa família alargada) é muito importante para a boa gestão desta condição.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Seis em cada dez cidadãos recorrem ao serviço de urgência hospitalar
Os médicos de medicina interna e medicina geral defendem soluções alternativas ao serviço de urgência, como hospitais de dia de...

Num comunicado conjunto, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) consideram que deveriam ainda ser criados centros específicos para casos sociais difíceis, assim como garantida a presença de um assistente social em cada serviço de urgência polivalente.

“Os SU [Serviços de Urgência] continuam a servir como centros de emergência para casos sociais e também para os doentes a aguardar vaga na Rede de Cuidados Continuados ou Paliativos. Nos últimos anos, em cada Inverno, a situação agrava-se e cria o caos nos SU, Hospitais e Centros de Saúde”, refere o comunicado.

Para resolver esta questão, a APMGF e a SPMI defendem que se deve dotar cada serviço de urgência “de um assistente social, com presença durante todo o horário de funcionamento do SU e com meios para resolução dos casos sociais, com recursos fora do hospital”.

As duas associações de médicos sublinham que, atualmente, “seis em cada dez cidadãos recorrem ao serviço de urgência hospitalar, sendo Portugal o país da OCDE onde este recurso é mais frequente (o dobro da média dos países da OCDE)”.

“Cerca de 40 a 50% das admissões nos SU são por situações não urgentes, que podiam ser resolvidas fora destes serviços. O excesso de afluência aos serviços de urgência provoca que, em muitas situações, sejam ultrapassados os tempos de espera recomendados pela triagem de Manchester, o que põe em risco a segurança dos doentes e dos profissionais”, frisam.

Por outro lado, insistem, nos Centros de Saúde “assiste-se a solicitações para consulta nos períodos de Consulta Aberta e Consulta Aberta em Sistema de Intersubstituição, que não correspondem a doença aguda, o que gera uma incapacidade de resposta adequada aos utentes”.

“Existe uma falta de informação que ajude a população a utilizar os recursos de saúde de uma forma mais racional” e, simultaneamente, “um subfinanciamento e uma evidente falta de investimento nos Centros de Saúde e nos hospitais”, o que “condiciona uma inadequada resposta à doença aguda, induzindo graves disfunções no sistema”, consideram.

Para a APMGF e a SPMI, o Governo deve investir na promoção de campanhas públicas educativas que promovam o uso racional dos recursos de saúde e deve ser reformulado o modelo de financiamento dos hospitais.

“O atual modelo de financiamento dos hospitais deve ser discutido e reformulado, (…) devendo ser aumentados os valores de pagamento atribuídos aos doentes graves (Vermelhos, Laranjas e Amarelos na triagem de Manchester) e reduzidos os pagamentos aos azuis e verdes [menos graves]”, sugerem.

As duas associações defendem igualmente o cumprimento, por parte dos agrupamentos de centros de saúde e unidades locais de saúde, da decisão do regulador de adotarem um procedimento interno “que garanta um encaminhamento assente em critérios clínicos e permita a diferenciação entre o motivo de doença aguda e não aguda para efeito de atendimento não programado do cidadão no próprio dia”.

 

 

Formação
Um grupo de 40 especialistas e técnicos de saúde pública da lusofonia participam a partir de hoje, em Maputo, num treino de...

“O treino acontece no âmbito do reforço da capacidade dos países para o alerta precoce, gestão de riscos nacionais e globais de saúde”, explica a organização que organiza o evento com duração de quatro dias.

Os especialistas são provenientes de Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e de Príncipe, além dos participantes moçambicanos.

A OMS nota que os especialistas de Angola já foram formados, em Luanda, em agosto.

Os monitores são profissionais dos ministérios da Saúde dos países lusófonos, da região e da sede da OMS, entre outros peritos.

A região africana da OMS regista um elevado número de emergências de saúde pública, realça a agência das Nações Unidas, destacando que mais de 80% são de origem infecciosa.

As experiências de resposta ao Ébola e outros surtos “enfatizaram o papel vital das equipas de resposta rápida”, acrescentou a OMS.

Incidentes duplicaram
Regulação ineficiente e falta de testes em dispositivos médicos estão a provocar mortes e complicações em doentes de todo o...

A investigação designada “Implant Files” foi conduzida por mais de 250 jornalistas de 36 países, que analisaram milhares de documentos, concluindo que lacunas no controlo de dispositivos médicos - como ‘pacemakers’, implantes mamários, contracetivos ou próteses de anca – provocam cada vez mais complicações, difíceis de quantificar e identificar.

Planos para endurecer as regras da União Europeia foram suavizados pelo lóbi da indústria, de acordo com documentos acedidos pela investigação, refere o jornal britânico The Guardian.

Nos Estados Unidos da América, país que tem uma base de dados na matéria, estima-se que complicações com este tipo dispositivos terão causado 82 mil mortes e 1,7 milhões de feridos, em dez anos, cinco vezes mais do que em 2008.

Em França, de acordo com dados da agência nacional do medicamento, o número de incidentes ligados a dispositivos médicos duplicou em dez anos, com mais de 158 mil complicações, 18 mil casos só em 2017.

No Reino Unido, os reguladores receberam 62 mil queixas de incidentes com dispositivos médicos, entre 2015 e 2018, um terço dos quais tiveram repercussões graves no doente, e 1.004 resultaram em morte.

Os exemplos de falhas no mercado dos dispositivos médicos apontados pelo Guardian incluem casos de próteses da anca e contracetivos vendidos a hospitais sem testes clínicos, doentes com ‘pacemakers’ com problemas detetados pelos fabricantes ou complicações numa malha de hérnia que afastou de competição durante anos um dos melhores atletas britânicos (que não nomeiam).

O presidente do Real Colégio de Cirurgiões, professor Derek Alderson, afirmou ao Guardian que já aconteceram incidentes suficientes para “sublinhar a necessidade drástica de mudanças na regulação”, incluindo a introdução de um registo obrigatório em todos os dispositivos médicos.

“Ao contrário dos medicamentos, muitas inovações cirúrgicas são introduzidas sem ensaios clínicos ou evidência científica centralizada”, afirmou, considerando que constitui “um risco para a segurança do doente e para a confiança pública”.

Entre as preocupações levantadas pelos “Implant Files”, encontram-se casos de fabricantes encarregados de testar os seus próprios produtos, que procuram aprovação pelos diversos mercados sem terem de declarar as recusas de comercialização.

 

"Manicómio"
O projeto Manicómio, dedicado a artistas com doenças mentais, vai ter um espaço próprio em Lisboa, fora de muros hospitalares,...

O projeto é da responsabilidade de Sandro Resende e José Azevedo, fundadores da Associação de Desenvolvimento Criativo e Artístico P28, que dão aulas de artes plásticas a doentes do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa há cerca de 20 anos.

“Para nós é muito importante que as pessoas que têm experiência nesta doença possam ter um espaço condigno e que não tenha estigmas associados. Por isso mesmo, o nascimento deste projeto, num espaço novo, fora dos muros hospitalares”, afirmou Sandro Resende, em declarações à Lusa, sublinhando que o Manicómio “não tem nada que ver com o hospital, tem que ver com as pessoas”.

O Manicómio irá ser um “espaço completamente aberto, que qualquer pessoa pode frequentar, pode ir, pode experimentar, pode ir à loja, falar com um artista”, que irá abrir portas “até ao final do ano na zona do Beato”.

“Interessa-nos bastante que este espaço esteja na zona criativa, com as pessoas criativas”, referiu Sandro Resende, explicando que se trata de “um espaço criativo, uma espécie de um 'cluster' criativo, onde, além dos ateliês, de pintura, escultura, cerâmica, desenho, fotografia, vídeo, etc., haverá também a conferências sobre área social, todas elas, não só a área da saúde mental”.

A criação deste espaço “é um passo muito importante”, que poderá ajudar a acabar com alguns estigmas.

“Toda a gente sabe que o Júlio de Matos é estigmatizante, apesar de todo o trabalho que fazemos lá há mais de 20 anos”, referiu Sandro Resende, lembrando as várias exposições que estiveram patentes ao longo destas duas décadas no pavilhão 31 do hospital, dedicado às Artes Plásticas, nas quais obras de doentes foram expostas lado-a-lado com as de artistas consagrados.

Ainda assim, Sandro Resende sente que, “por vezes, o visitante possa estigmatizar”, apesar de numa se identificar “quem é o consagrado ou quem é o artista residente”.

“O estigma está na nossa cabeça e é importante que isso acabe e é importante que isso mude”, defendeu.

Apesar da criação do projeto Manicómio, Sandro Resende e José Azevedo não vão “abandonar 20 anos de trabalho dedicados ao Júlio de Matos”. O pavilhão 31 tem “programação fechada até 2022” e o Manicómio será “um projeto paralelo”.

Em todos os anos de trabalho no Júlio de Matos, Sandro Resende “nunca quis saber”, porque “nunca foi importante para o trabalho, que doença é que as pessoas têm”.

“Eu trabalho da mesma maneira qualquer pessoa e o nível de exigência é praticamente igual. Estas pessoas que vão connosco [para o Manicómio], dez artistas identificados em Portugal inteiro, não sei quais são as doenças deles e não me interessa muito isso. Interessa-me a pessoa em si, o conteúdo artístico e a dedicação que essa pessoa tem pelo seu trabalho”, referiu.

A ideia dos responsáveis pelo Manicómio é que estes artistas “se possam contagiar uns aos outros, com toda esta informação que todos têm”.

“E, para mim, é muito importante que isso aconteça. Que seja um processo criativo aberto a todos”, acrescentou.

Entre esses dez artistas está Anabela, cujo trabalho está em destaque no primeiro volume de uma coleção de livros, editada pela Manicómio, em parceria com a Stolen Books e a Fnac, e que será apresentado no sábado na Fnac do Alegro de Alfragide, na Amadora.

Sandro Resende define Anabela Soares, de 49 anos, como uma “uma super artista que muito tarde se revelou e que consegue pôr no trabalho uma carga emocional muito grande, e isso é muito difícil de se fazer na Arte, mas quando se faz com esta autenticidade que ela tem, e com esta honestidade, o resultado é sempre muito brilhante”.

A artista começou “há cerca de dois anos a trabalhar em arte”, com a P28 no Júlio de Matos. Nessa altura, “começou a fazer uns peluches, porque ela nunca tinha tido um peluche até então”.

“E esses peluches eram esteticamente um objeto fantástico em termos artísticos, apesar de anatomicamente não serem perfeitos. E começámos a trabalhar por aí. Começámos a trabalhar com escala e com técnica e ela sai com umas esculturas fantásticas, que expusemos juntamente com o [Emir] Kusturica e teve uma grande repercussão”, recordou Sandro Resende.

Anabela, que cria peças de cerâmica e escultura, “trabalha com as emoções que tem, com uma carga emocional muito forte” e a produção artística é para ela “quase uma descarga”.

“Ela produz bastante, trabalha todos os dias, cerca de cinco horas por dia”, partilhou.

A coleção de livros é dedicada à Arte Bruta, expressão usada pela primeira vez pelo artista francês Jean Dubuffet, na década de 1940, para designar o trabalho artístico produzido fora do sistema tradicional, englobando, na altura, as criações de crianças, doentes mentais e criminosos.

Juramento
O Presidente da República apelou hoje aos médicos recém-formados para que não abandonem o país nem o Serviço Nacional de Saúde ...

A cerimónia decorreu em Lisboa, na Aula Magna, um auditório cheio de novos médicos – e de familiares – que, depois de uma primeira tentativa frustrada, vítima da timidez de alguns, acabaram por fazer o juramento de Hipócrates, em simultâneo, seguindo a leitura feita pelo Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa, que presidiu ao evento.

Na intervenção que encerrou a cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa deixou um apelo aos médicos para que não deixem o país.

“Andais por onde andais, regressai sempre a Portugal. […] Sois precisos aqui”, disse o PR, num discurso marcado pela boa disposição, que arrancou risos e aplausos ao auditório.

Dirigindo-se aos novos médicos, declarou-se também ele emocionado com o momento, não só por estar no local onde estudou e ensinou – a Universidade de Lisboa – a 20 dias do término da sua atividade académica, mas também pela iniciativa da Ordem dos Médicos, que entregou a Marcelo Rebelo de Sousa a ficha de inscrição do seu pai, Baltasar Rebelo de Sousa, nesta ordem, há 68 anos, quando ele tinha pouco mais de um ano, para de seguida arrancar a primeira gargalhada da plateia.

“Não tendo sido possível ser médico, fiquei o mais próximo que era possível: hipocondríaco”, disse o PR, explicando ainda ser daqueles que não encontram doenças a cada passo, mas “dos que teorizam, mas não podem prescrever”, até porque isso seria crime e “um PR não pode dar maus exemplos” aos concidadãos, “enveredando por atividades criminosas”.

Referindo as dificuldades que o SNS atravessou – “que tenha atravessado crises sucessivas tenha sobrevivido, esteja para durar e deva durar” – lembrou outra dificuldade específica – a do exame de acesso à especialidade, o Harrison, que estes diplomados foram os últimos a fazer, como lembrou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, uma vez que deixa de ser aplicado a partir de 2019.

“O Harrison é difícil. Conheço vários colegas de geração que ficaram como ficaram por causa do Harrison”, brincou Marcelo Rebelo de Sousa, seguindo-se novo aplauso.

Aos recém-diplomados, o PR pediu ainda uma “mobilização permanente”, alertando que os meios serão sempre insuficientes para as necessidades, haverá sempre falta de recursos, mas terão sempre a gratidão dos doentes, porque “se há uma realidade constante é a gratidão em relação ao médico”, algo que “nem sempre acontece com outros” profissionais.

“Consolem-se com isso”, pediu Marcelo Rebelo de Sousa, referindo ainda a gratidão devida às famílias, que “criaram condições para os filhos que eles próprios nunca tiveram”, e o reconhecimento devido aos mestres, que podem ter sido “dos mais entusiasmantes aos mais enfadonhos ou execráveis – a vida é assim”, mas “representam uma excelência que é preciso reconhecer”.

O PR dirigiu-se ainda ao bastonário da Ordem dos Médicos, lembrando que se assinalam os 80 anos deste organismo, marcados por “uma dialética” em que ora fizeram “a vida negra” aos ministros da saúde, ora “tiveram a vida feita negra” pelos ministros da saúde, para dizer que esta “não era ainda a ocasião” para condecorar a ordem pelo seu trabalho – hoje era “o tempo” dos novos médicos – “mas será devidamente condecorada”.

Também a ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou que a Ordem dos Médicos receberá do Ministério da Saúde no próximo dia Mundial da Saúde, a 07 de abril, “a medalha de ouro de serviços distintos”.

Dirigindo-se aos médicos na plateia, a ministra referiu-se a responsabilidades conjuntas na defesa do SNS, nomeadamente em desafios como o envelhecimento da população, o equilíbrio entre o potencial das novas tecnologias e o seu preço e o investimento em infraestruturas e equipamentos “que concorrem com outras prioridades setoriais”, assim como “expectativas de desenvolvimento profissional às quais é impossível responder ao ritmo dos desejos”.

“O SNS que vos recebe enfrenta dificuldades e pode fazer melhor. Conhecemos os desafios […] Enfrentar estes desafios é uma responsabilidade da ministra da Saúde, mas na qual só seremos bem-sucedidos se pudermos contar com cada um de vós”, disse Marta Temido, frisando ainda que a formação destes novos profissionais representa um investimento neles, mas também no país, e na melhoria da saúde e do SNS.

Num discurso com alguns recados ao Governo, o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães citou Michel Foucault para dizer que a primeira batalha que os médicos enfrentam é política, “contra as más políticas”, considerando ser dever dos médicos denunciá-las.

Considerou ainda a formação a “joia da coroa” do SNS, que leva a que outros países europeus procurem recrutar em Portugal, pedindo soluções de gestão que evitem saídas para o estrangeiro, mas também para o setor privado.

E não deixou de estabelecer um paralelismo com Marcelo Rebelo de Sousa – “Nós, como o PR, também temos que ser pessoas de afetos” – para lembrar os novos profissionais que na sua carreira vão atender muitos doentes que não estão doentes, que os procuram apenas para conversar ou procurar atenção.

Ministra da Saúde
A ministra da Saúde, Marta Temido, disse hoje que as cirurgias adiadas devido à greve dos enfermeiros serão reprogramadas “em...

A ministra comentava a greve dos enfermeiros à saída da cerimónia do juramento de Hipócrates dos médicos recém-formados, que hoje decorreu na Aula Magna, em Lisboa, escusando-se a fazer mais comentários por estar a aguardar um parecer jurídico pedido pelo Ministério da Saúde ao conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os termos da greve.

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS), e o Ministério da Saúde em primeira mão, o que procuraram foi obter e pediram já um pedido de parecer ao conselho consultivo da PGR sobre os termos desta greve. Não será correto referir-me a esse tema mais do que aquilo que acabei de referir na medida em que se aguarda esse parecer. Toda esta atividade assistencial que agora está a ser cancelada terá que ser reprogramada em primeira mão no contexto do SNS e o quanto antes”, disse Marta Temido, quando questionada se o recurso aos privados seria a solução a adotar para resolver o avolumar de cirurgias adiadas.

A ministra voltou a afirmar a preocupação do Ministério da Saúde “com a forma agressiva” como esta greve “resulta na prática”, ou seja, a atividade de cirurgias programadas em alguns dos maiores hospitais do país, defendendo ainda que o protesto em curso “é bastante lesivo da imagem do funcionamento do SNS”.

“Estamos preocupados com essa circunstância. Não deixamos de considerar que os fundamentos desta greve nos oferecem algumas reservas, na medida em que, como é sabido, o Governo fez uma proposta às estruturas sindicais representativas dos enfermeiros que consideramos uma boa proposta. Consideramos até uma muito boa proposta, na medida em que corresponde a alguns dos aspetos que os enfermeiros vinham reclamando desde há longos meses”, disse a ministra, referindo, por exemplo, a inclusão do grau de especialista na proposta de carreira do executivo.

Ainda que reconhecendo a justiça de algumas das reivindicações dos sindicatos de enfermeiros, Marta Temido manifestou a frustração por nem todas as estruturas sindicais “entenderem integralmente aquilo que é o esforço do Governo em responder às suas reivindicações”.

“É importante lembrar que a carreira de enfermagem que hoje temos e que agora está a ser revista é uma carreira que já teve a categoria de especialista e que deixou de o ter por acordo com os sindicatos”, acrescentou.

Também chamado a comentar a greve dos enfermeiros em curso, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que a saúde “é um problema de todos os cidadãos” e que “é muito importante que todos percebam que todos ganham naquilo que for feito para melhorar e valorizar a saúde em Portugal”.

Os enfermeiros dos blocos operatórios de cinco hospitais públicos iniciaram na quinta-feira uma greve de mais de um mês às cirurgias programadas, que no primeiro cancelou mais de 500 operações.

A greve cirúrgica, decretada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), abrange o Centro Hospitalar Universitário de S. João, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e o Centro Hospitalar de Setúbal.

A paralisação visa “parar toda a cirurgia programada, mantendo, naturalmente, assegurados os cuidados mínimos decretados pelo tribunal”, segundo um comunicado dos sindicatos.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira transversal a todos os tipos de contratos e uma remuneração adequada às suas funções, tendo em conta “a penosidade inerente ao exercício da profissão”, segundo as estruturas sindicais.

Na terça-feira, os dois sindicatos que convocaram a paralisação decidiram manter o protesto nos blocos operatórios, por falta de acordo com o Governo sobre a estrutura da carreira.

Numa nota à imprensa enviada antes do final da reunião negocial de terça-feira à tarde, o Ministério da Saúde invocou que na proposta apresentada aos sindicatos se destaca “a consolidação do enfermeiro especialista e o reconhecimento da importância da gestão operacional de equipas pelo enfermeiro coordenador".

A tutela assume que a proposta de revisão da carreira especial de enfermagem "constitui a aproximação possível às reivindicações apresentadas" pelos sindicatos, "num contexto de sustentabilidade das contas públicas e equidade social".

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse na quarta-feira que o Governo fez “um esforço muito significativo” para ir ao encontro das reivindicações dos enfermeiros e entende que a manutenção da greve vai atrasar o processo negocial e um possível acordo.

Situação identificada
A diretora-geral da Saúde confirmou um surto de sarna no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, mas desvalorizou o caso por...

Em declarações à agência Lusa, Graça Freitas disse que o sucedido "não põe em causa a saúde pública", explicando que "é um surto que acontece" e que diz respeito ao hospital resolver a situação, usando "o procedimento normal perante uma doença muito contagiosa que é de fácil resolução".

"É uma doença cutânea muito contagiosa e quando surge um caso obviamente outras pessoas podem ser infetadas. Enquanto a medicação faz efeito é natural que o hospital tenha optado por isolar algumas pessoas, mas isso é um procedimento perfeitamente normal", declarou à Lusa.

A diretora-geral de Saúde vincou que a situação "foi devidamente identificada" e "tomadas as medidas necessárias", não especificando, por esse motivo, o número de afetados.

O Sindicato dos Enfermeiros denunciou um surto de sarna no serviço de ortopedia do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, que já atinge uma dezena destes profissionais, comprometendo o funcionamento daquela unidade.

Segundo disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SE), José Azevedo, “o serviço está a funcionar com dificuldades”, até pela sua especificidade de trabalhar com doentes com pouca ou nenhuma mobilidade, afirmando ser necessário um reforço de pessoal.

Disse ainda que os cerca de 10 enfermeiros atingidos pelo surto de sarna “foram mandados para casa, com folgas por baixo da mesa, em vez de atestados ou baixas, para não ficar nada registado”.

Sem certezas sobre a extensão do surto, José Azevedo admitiu que possa haver também doentes afetados com sarna.

Contactado pela Lusa, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, a que pertence o Hospital São Francisco Xavier, respondeu ao fim da tarde num curto comunicado que a situação está controlada.

“De facto, foi admitido doente com escabiose [sarna], e que, tendo-se diagnosticado, foram tomadas as medidas necessárias e feitos tratamentos preventivos ou curativos em doentes ou profissionais, estando a situação completamente controlada”.

Sem se referir à situação dos enfermeiros, levantada pelo SE, nem ao número de profissionais ou utentes afetados, o comunicado acrescenta apenas que “os hospitais do SNS recebem doentes, qualquer que seja a sua proveniência, idade, capacidade financeira, doença que sejam portadores ou estado de higiene”.

O surto teve início em 20 de novembro, segundo o sindicato que entretanto questionou a administração do hospital sobre as medidas já tomadas, a informação prestada aos profissionais de saúde e se garante que os enfermeiros que agora estão em casa não terão que compensar os turnos que falharam devido ao problema.

O presidente do SE criticou ainda que aos enfermeiros afetados tenha apenas sido entregue uma loção de tratamento, com resultados mais lentos que os comprimidos que o sindicato entende que deveriam ter sido dados, por serem mais eficazes, apesar de mais caros.

 

 

Mais de 10 profissionais atingidos
O Sindicato dos Enfermeiros denunciou no sábado passado um surto de sarna no serviço de ortopedia do Hospital São Francisco...

Segundo disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SE), José Azevedo, “o serviço está a funcionar com dificuldades”, até pela sua especificidade de trabalhar com doentes com pouca ou nenhuma mobilidade, afirmando ser necessário um reforço de pessoal.

Disse ainda que os cerca de 10 enfermeiros atingidos pelo surto de sarna “foram mandados para casa, com folgas por baixo da mesa, em vez de atestados ou baixas, para não ficar nada registado”.

Sem certezas sobre a extensão do surto, José Azevedo admitiu que possa haver também doentes afetados com sarna.

Contactado pela Lusa, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, a que pertence o Hospital São Francisco Xavier, respondeu ao fim da tarde num curto comunicado que a situação está controlada.

“De facto, foi admitido doente com escabiose [sarna], e que, tendo-se diagnosticado, foram tomadas as medidas necessárias e feitos tratamentos preventivos ou curativos em doentes ou profissionais, estando a situação completamente controlada”.

Sem se referir à situação dos enfermeiros, levantada pelo SE, nem ao número de profissionais ou utentes afetados, o comunicado acrescenta apenas que “os hospitais do SNS recebem doentes, qualquer que seja a sua proveniência, idade, capacidade financeira, doença que sejam portadores ou estado de higiene”.

O surto teve início em 20 de novembro, segundo o sindicato que hoje questionou a administração do hospital sobre as medidas já tomadas, a informação prestada aos profissionais de saúde e se garante que os enfermeiros que agora estão em casa não terão que compensar os turnos que falharam devido ao problema.

O presidente do SE criticou ainda que aos enfermeiros afetados tenha apenas sido entregue uma loção de tratamento, com resultados mais lentos que os comprimidos que o sindicato entende que deveriam ter sido dados, por serem mais eficazes, apesar de mais caros.

 

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