Artigo de opinião
A chegada do inverno afeta não só o clima, mas também o funcionamento do organismo.

A pele funciona como barreira protetora contra o ambiente externo, estando por isso mais exposta e sendo particularmente afetada pelo frio.

Ainda que, tal como o frio, a chuva e a humidade estejam associadas ao inverno, nesta época do ano a humidade relativa do ar costuma descer e o ambiente torna-se mais seco. Para além disto, o inverno é uma altura em que se consome menos líquidos. Estas condições favorecem a desidratação da epiderme, a chamada “pele seca”, bem como o aparecimento de alguns problemas em zonas mais desprotegidas, como as mãos e os pés.

Neste sentido durante o tempo frio e seco a pele encontra-se mais sensível e o aparecimento de lesões é comum, nomeadamente nos pés. Os pés são zonas do corpo menos protegidas e por estarem mais longe do coração, o frio vai dificultar a circulação do sangue e o fluxo dos pequenos vasos vai diminuir. Assim, os pés estão tendencialmente mais frios e por mais tempo durante o inverno.

Uma das complicações a que os pés estão sujeitos são as comuns frieiras. As frieiras são lesões na pele provocadas pela exposição dos vasos sanguíneos superficiais ao frio. Esses vasos sanguíneos contraem como reação ao frio e impedem o fluxo sanguíneo até às extremidades do corpo. Quando a temperatura é restabelecida, os vasos tendem a expandir-se rapidamente e é provocado um congestionamento da circulação e a inflamação dos tecidos. A contração dos vasos é uma reação fisiológica dos vasos e também depende da sensibilidade das pessoas.

Apesar de não serem consideradas graves, as frieiras trazem consigo sintomas desconfortáveis, como pele fria e vermelha, pele dormente, durante e branca, bolhas, inchaço, prurido, dor, fissuras. As frieiras são mais frequentes nas extremidades corporais, tais como os dedos das mãos e dos pés, nariz e orelhas; podendo aparecer noutras localizações, mas com muito menos frequência.

Assim, o que é possível fazer para minimizar as consequências do frio? Existem muitos conselhos práticos que podem proteger os pés das baixas temperaturas e impedir o aparecimento de frieiras, tais como não utilizar calçado que comprima os pés em excesso e dificulte a circulação, não expor os pés diretamente a fontes de calor pois alterações bruscas de calor favorecem o aparecimento de lesões, manter os pés sempre secos para não favorecer a sensação de frio, ingerir líquidos suficientes para manter a pele hidratada, utilizar meias de algodão em vez de nylon, massajar os pés para aumentar a temperatura dos mesmos, não fumar pois dificulta a circulação, não utilizar sapatos que favoreçam a transpiração e a sensação de frio.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Coimbra
Um grupo de investigadores desenvolveu um tubo-guia biodegradável para regeneração após lesões de nervos periféricos, sistema ...

O projeto inovador, que acaba de vencer um concurso europeu, foi desenvolvido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), com a colaboração da Faculdade de Engenharia do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, refere uma nota da FCTUC.

“Na Europa, registam-se anualmente 300 mil lesões de nervo periférico causadas, por exemplo, por acidentes rodoviários e laborais, danos tumorais ou infeções virais, representando um importante problema de saúde”, afirma a FCTUC, indicando que estas lesões estão “quase sempre associadas a lesões secundárias e, muitas vezes, provocam danos irreversíveis”, como a perda de locomoção.

O novo dispositivo, já protegido por patente provisória, distingue-se por ser “biodegradável de forma controlada, produzido integralmente com material aprovado pela FDA [Food and Drug Administration] e não tóxico e completamente seguro, que cria um microambiente propício à regeneração do nervo, isto é, promove a adesão e proliferação celular”, salienta o coordenador do estudo, Jorge Coelho.

“Outra característica importante é o facto de ser um tubo flexível, de dimensão adaptável ao tipo de lesão do nervo”, destaca ainda Jorge Coelho, citado pela FCTUC.

Depois de implantado no paciente, o tubo-guia de base polimérica “vai indicar o caminho correto para que as extremidades separadas pela lesão (corte) possam juntar-se novamente e retomar a sua função”, explicita o investigador e docente do Departamento de Engenharia Química da FCTUC.

Testada em modelos animais (ratinhos), a solução apresentou resultados muito promissores: “o tubo-guia foi implantado em modelos de neurotmese – lesão do nervo ciático, o grau mais severo de lesão de nervo periférico” – e “pós 20 semanas, verificou-se a recuperação total da função motora e sensorial dos animais”, sublinha Jorge Coelho.

O tempo estimado para a recuperação em humanos será entre 24 e 30 semanas.

Atualmente, as lesões de nervo periférico são tratadas frequentemente com recurso a autoenxertos, método que, afirma a FCTUC, “apresenta muitas desvantagens, como a resistência a sutura e sacrifício de um nervo saudável”.

Este projeto acaba de vencer a final do concurso europeu ‘PhD transition fellowships’, promovido programa EIT Health, através da tese de doutoramento realizada por Catarina Pinho.

Intitulado “Polymeric Nerve Guide Tubes for Peripheral Nerve Regeneration”, o trabalho derrotou as propostas apresentadas pelas universidades de Oxford (Inglaterra), Sorbonne e Grenobla Alpes (França), e pelo Instituto Karolinska, da Suécia, salienta a FCTUC.

“Validado o conceito e concluídos com sucesso os ensaios ‘in vivo’, os investigadores ponderam agora constituir uma ‘startup’ (empresa) da Universidade de Coimbra, tendo em vista a realização dos estudos necessários conducentes à comercialização do produto”, conclui a FCTUC.

Soluções rápidas e eficazes para esta altura do ano
Estamos (finalmente) no mês de dezembro.

“Com o aumento de eventos sociais na época natalícia, também aumenta o número de pequenas cirurgias para melhorar a aparência. Esta é uma altura muito boa para pequenos procedimentos, pois, ao não haver muita exposição solar, evita manchas na pele com equimoses”, explica o especialista mundial de cirurgia plástica e estética, com 14 livros editados.

Os pequenos procedimentos de rejuvenescimento da face podem fazer a diferença na imagem da mulher ou homem, e principalmente na sua autoestima. O botox e os preenchimentos de ácido hialurónico são rápidos, efetuados no gabinete do cirurgião plástico, sem necessidade de qualquer tipo de internamento, e com um tempo de recuperação muito reduzido. O objetivo é melhorar, por exemplo, a ruga que vai do nariz até ao canto da boca, as bochechas, o maxilar, e dar volume às bochechas e lábios. “As mudanças na aparência física não precisam de ser drásticas para que se note uma diferença bastante positiva. São procedimentos mais aconselhados a doentes acima dos 35 anos, e que não deixam cicatrizes, pois em vez de uma incisão, apenas se fazem injeções com agulhas bastante finas”, diz Luiz Toledo.

Para melhorar o pescoço, pode usar-se liposucção ou lipoescultura por seringa. Quando a sucção não é necessária e o desejo é apenas de aumentar ou subir alguma estrutura, em vez de gordura, podem usar-se preenchimentos com ácido hialurónico, que podem ser temporários ou mais duradouros, consoante a decisão do doente. Quando é necessário elevar alguma estrutura, como por exemplo as bochechas, usam-se os conhecidos fios russos.

Para melhorar a qualidade da pele, podem usar-se diversos peelings químicos, que variam de intensidade consoante o tipo de pele do doente. Ao melhorar a qualidade da pele, a face ganha outro brilho, e aparência de rejuvenescimento é quase imediata.

“Normalmente estes procedimentos não demoram mais do que 30 a 40 minutos, e são efetuados com anestesia local e sem sedação”, confirma o cirurgião, reforçando assim que estas são soluções rápidas e eficazes para esta altura do ano.

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Universidade de Aveiro
Uma tecnologia sustentável e de maior eficácia na extração de anticorpos da gema de ovo para o combate a infeções bacterianas...

A ideia de negócios, PurAvTec, apresentada neste concurso nacional promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da Agência Nacional de Inovação, S. A. (ANI), e que ganhou na categoria Saúde, foi um dos vencedores conhecidos a 12 de dezembro, no PCI-Creative Science Park.

Esta fase final, escreve o Sapo, com 18 equipas representantes de várias instituições de ensino superior, foi o términus de um processo que envolveu a seleção das ideias e equipas de cada instituição e ainda formação de dois dias para preparação do pitch final.

A ideia de negócio PurAvTec resulta do trabalho desenvolvido no projeto IgYPurTech, cujo objetivo passa por desenvolver uma tecnologia sustentável para a purificação de anticorpos da gema do ovo e de desenvolver biofármacos baratos com origem natural e mais eficazes do que alguns dos atuais antibióticos.

Este projeto foi apoiado com uma bolsa do European Research Council, o Conselho Europeu de Investigação, das mais ambicionadas ao nível europeu.

Mara Freire, coordenadora do projeto IgYPurTech e da equipa proponente da ideia de negócio, calcula que, se tudo correr como previsto, será possível chegar a uma solução de mercado em 2028.

Em 2019
O governador de Nova Iorque defendeu ontem a legalização da canábis para efeitos recreativos no seu Estado, incluindo esta...

Num discurso sobre as prioridades legislativas para 2019, Andrew Cuomo, reeleito em novembro governador do Estado de Nova Iorque, defendeu a legalização da “marijuana para fins recreativos para os adultos”.

Este anúncio marca uma evolução na posição do governador democrata, que se pretende assumir como um modelo progressista contra a administração do Presidente Donald Trump.

Durante a campanha para a reeleição, Cuomo mostrou abertura para a possibilidade de legalizar a marijuana para fins recreativos, embora no passado se tenha oposto.

O governador sublinhou os argumentos a favor da descriminalização, lembrando que são as minorias étnicas as principais penalizadas pelo atual contexto legislativo.

"O facto é que temos dois sistemas de justiça penal: um para os ricos e outro para os outros”, afirmou o governador, indicando que durante muito tempo o alvo têm sido “os negros e as minorias”.

Desde que o Colorado legalizou a canábis em 2014, nove outros Estados dos Estados Unidos seguiram o exemplo, embora nalguns casos os decretos de aplicação se tenham arrastado no tempo, atrasando a abertura efetiva de um mercado que é acompanhado por regulamentação complexa.

Em novembro, o Massachusetts foi o primeiro Estado da costa leste dos Estados Unidos a abrir lojas de marijuana acessível a maiores de 21 anos.

No Porto
A administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto, vai receber o anteprojeto da nova ala pediátrica na quarta-feira,...

Com a conclusão do anteprojeto pelo gabinete de arquitetura e, posteriormente, dos planos de pormenores, segue-se a empreitada, explica na nota.

"O CA [Conselho de Administração] do CHUSJ [Centro Hospitalar Universitário São João] informa que a partir de março de 2019, e com a conclusão das obras em curso nos pisos 7 e 8 do edifício central, será possível a transferência de crianças da pediatria oncológica e da pediatria cirúrgica para espaços do edifício central do hospital", indica.

Acrescenta que “não existindo disponibilidade imediata de espaço para alojar todo o internamento da pediatria médica no edifício central do São João, as crianças deste serviço mantêm-se nas instalações provisórias, até ser encontrada uma solução alternativa adequada”.

Estas instalações serão, entretanto, alvo de obras de remodelação e expansão que permitam dar mais conforto às crianças e jovens internados e respetivos familiares, vincou a unidade hospitalar.

No passado dia 27 de novembro, o parlamento aprovou por unanimidade a proposta de alteração do PS ao Orçamento do Estado para 2019 (OE2019) que prevê a possibilidade de recurso ao ajuste direto para a construção do centro pediátrico.

Posteriormente, o diretor clínico do hospital mostrou-se “muito satisfeito” pela decisão, prevendo que as obras arranquem já em 2019 e estejam concluídas em 2021.

Na altura, o presidente da Associação O Joãozinho, que tem a titularidade da obra da ala pediátrica, mostrou “total disponibilidade” para a ceder caso o Governo consiga fazer a empreitada por ajuste direto.

“Não colocará [a associação] entrave, porque o que queremos é que a obra seja feita, quer pela associação, quer pelo Governo, quer pelos dois, por isso, não haverá nenhum entrave. Estou à espera de ser contactado pelo Governo ou pela administração do centro hospitalar para termos uma reunião de trabalho”, afirmou Pedro Arroja.

Entretanto, em carta datada de 05 de dezembro, a administração do Centro Hospitalar de São João pediu à Associação O Joãozinho para devolver a parcela de um imóvel que lhe cedeu em 2015 para a construção da ala pediátrica.

Na missiva, assinada pelo presidente do Conselho de Administração, António Oliveira e Silva, o centro hospitalar pede a devolução da parcela cedida através de um acordo de cooperação, dado já estar “esgotado o prazo de três anos pelo qual foi cedida a utilização da mesma”.

A Assembleia da República publicou ontem, no Diário da República, uma resolução na qual recomenda ao Governo que desbloqueie “com urgência” a construção da nova ala pediátrica do Hospital São João, no Porto.

“A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que realize com urgência todos os atos e procedimentos administrativos necessários para que a administração do Hospital São João, no Porto, inicie o processo de construção da nova ala pediátrica”, lê-se na recomendação.

Há dez anos que o hospital tem um projeto para construir uma ala pediátrica, mas desde então o serviço tem sido prestado em contentores.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica, anunciando um investimento de cerca de 20 milhões de euros.

O parlamento aprovou a 27 de novembro, por unanimidade, a proposta de alteração do PS ao Orçamento do Estado para 2019, de forma a prever o ajuste direto para a construção da Ala Pediátrica, cuja obra o diretor clínico do São João prevê arrancar em 2019 e concluir em 2021.

Após renúncia de Jorge Simões
Henrique Barros, ex-coordenador Nacional para a Infeção VIH/Sida, é o novo presidente do Conselho Nacional de Saúde,...

O antigo presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Jorge Simões, renunciou ao cargo em meados de outubro, poucos dias após a sua mulher Marta Temido ter tomado posse como ministra da Saúde.

Designado pelo Conselho de Ministros, este órgão consultivo do Governo passa a ter como presidente José Henrique Dias Pinto Barros.

Licenciado e Doutorado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), Henrique Barros é professor Catedrático daquela faculdade, sendo também diretor do Departamento de Ciências da Saúde Pública e Forenses, e Educação Médica da FMUP.

Henrique Barros exerce ainda o cargo de presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e coordena a Unidade de Investigação em Epidemiologia do ISPUP, lembra a resolução do Conselho de Ministros publicada hoje em Diário da República.

Entre 2005 e 2011 foi Coordenador Nacional para a Infeção VIH/Sida tendo recebido um Louvor Público do Ministério da Saúde pelo trabalho desempenhado como coordenador do programa nacional de prevenção e controlo da infeção VIH/SIDA.

Henrique Barros preside ainda várias instituições tais como a IEA - International Epidemiological Association ou o Comité Científico Consultivo Externo do CIBERESP, Centro de Investigación Biomédica en Red de Epidemiología y Salud Pública.

É também vice-presidente do Conselho Consultivo da Entidade Reguladora da Saúde, tendo desenvolvido trabalho em áreas como a epidemiologia clínica e perinatal, as doenças cardiovasculares, infecciosas e o cancro.

O trabalho que desenvolveu em torno da epidemiologia em Portugal também foi distinguido com o prémio Luís Cayolla da Motta da Associação Portuguesa de Epidemiologia como reconhecimento da sua dedicação.

Entre 2004 e 2012 foi membro do Conselho Científico para as Ciências da Saúde da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, tendo também pertencido à comissão executiva da Comissão de Ética para a Investigação Clínica (entre 2009 e 2016) e ao comité científico da Science Europe (MED) (entre 2012 e 2015).

Integrou ainda a Comissão Científica Independente de Controlo e Fiscalização Ambiental da Coincineração e a Comissão de peritos que acompanhou a situação de encerramento do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Foi agraciado com a Medalha de Serviços Distintos do Ministério da Saúde, grau ouro, lê-se ainda na resolução do Conselho de Ministros.

Especialista
É um diagnóstico duro. Informar um jovem saudável, sem sintomas ou sinais de doença, que a genética lhe atribui um lugar num...

Ana Fonseca, oftalmologista do Centro Hospitalar de Lisboa Norte e uma das palestrantes do simpósio sobre o tema, realizado no decorrer do 61º Congresso Português de Oftalmologia, confirma que “é muito pesado”. E chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce. “É fundamental começar a terapêutica o mais cedo possível, porque quanto mais cedo for iniciada, melhor o prognóstico. Quando só existe um olho envolvido, melhora o prognóstico deste e retarda o envolvimento do segundo; quando já estão os dois olhos envolvidos, pode vir a melhorar a acuidade visual destes doentes.”

De acordo com a especialista, esta é uma doença que afeta sobretudo os jovens, que se veem obrigados a “adaptar a vida inteira a uma nova forma de funcionar”. Ainda assim, refere que, de forma até certo ponto surpreendente, “são sempre pessoas que têm depois uma grande funcionalidade na vida do dia-a-dia. E quem as observa não acha que tenham grande dificuldade visual”.

A doença de LHON é uma doença genética mitocondrial, com transmissão de mãe para filhos. No entanto, os hábitos de vida podem ter aqui o seu impacto. “Existe uma teoria de que nos doentes que se apresentam muito precocemente, na adolescência, a doença é fundamentalmente genética. Ou seja, a carga genética é tão pesada que a doença se vai manifestar, havendo ou não fatores de risco de estilo de vida”, explica Ana Fonseca. “E que, nos doentes que se apresentam mais tarde na vida, é o componente tóxico que faz com que a doença genética se manifeste”.

Por isso, evitar hábitos como o tabaco ou a ingestão de bebidas alcoólicas, é sempre importante. “É importante nos jovens, porque a mitocôndria é a bateria energética da célula, portanto, tudo o que são tóxicos leva a uma degradação maior da função da mitocôndria e se a pouparmos, conseguimos garantir que há mais funcionalidade. Nas pessoas com mais idade, naqueles que sabemos que são portadores com alto risco de poderem vir a ter a doença, promovendo hábitos de vida saudáveis também garantimos que pelo menos esse é um fator que não vai contribuir para o despoletar da doença”.

Valerie Touitou, especialista em neuroftalmologia do Hôpital Pitié-Salpêtrière, outra das oradoras do simpósio, teve a seu cargo a apresentação das opções de tratamento para esta doença e o que o futuro reserva. “Já demos passos muito importantes, com a aprovação, em 2015, do único medicamento capaz de tratar LHON”, refere, salientando um passo que considera “fantástico”. Mas outros poderão vir em breve. “Apesar de esta ser a mais frequente doença mitocondrial, ainda assim é uma doença rara. O que não impede que esta seja uma das áreas mais dinâmicas em termos de tratamento e investigação.”

Estudo
Uma experiência de investigadores da Universidade de Lisboa comprovou que os morcegos são um controlo de pragas natural eficaz,...

Num estudo publicado na revista Agriculture, Ecosystems and Environment, analisa-se o papel de várias espécies de morcegos que se alimentam de "pragas de insetos nefastos" para a agricultura, especialmente a cultura do arroz, na ilha de Madagáscar.

As pragas destroem grandes quantidades de arroz e para arranjar mais campos de cultivo, 1% das florestas de Madagáscar desaparece todos os anos.

“Verificámos que algumas espécies estão a tirar partido da modificação do habitat para caçarem os insetos que se aglomeram sobre os arrozais do país. Várias destas espécies são aves e morcegos insetívoros que, através da supressão de pragas agrícolas, podem fornecer um valioso serviço às populações locais”, descreveu Adrià López-Baucells, coautor do artigo e estudante de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Na investigação, usaram-se gravadores ultrassónicos de última geração e técnicas moleculares para analisar a alimentação de morcegos insetívoros e analisaram-se geneticamente as suas fezes para descobrir o que comiam.

Em Madagáscar habitam 36 espécies de morcego únicas no mundo, mas entre a população são vistos como um incómodo que espalha doenças.

No entanto, além de pragas que afetam a agricultura também comem os mosquitos que espalham doenças como a malária ou a elefantíase.

PTSD dificulta o relacionamento interpessoal
A Perturbação de Stress Pós-Traumático, mais conhecida pela sua sigla em inglês PTSD (Post Traumatic

Segundos os estudos, mediante acontecimentos potencialmente traumáticos, é muito frequente encontrar na maioria das pessoas expostas sintomatologia significativa, mas em mais de 90 por cento esta acaba por ser atenuada ao longo das seis semanas seguintes.

Os sintomas da Perturbação de Stress Pós-Traumático agrupam-se em quatro tipos fundamentais: pensamentos intrusivos, evitações, mudanças negativas no conteúdo dos pensamentos e no humor, e mudanças nas reações físicas e emocionais. Estes podem variar com o tempo e de pessoa para pessoa.

Podem, desta forma, surgir pensamentos intrusivos, recorrentes, angustiantes e involuntários sobre o acontecimento traumático, sensação de estar a reviver o acontecimento, muitas vezes com verdadeiros flashbacks, sonhos perturbadores ou pesadelos relacionados com o trauma e sensação de angústia intensa ou reações físicas perante situações que recordem, de alguma forma, o acontecimento traumático.

Os sintomas de evitação podem passar por não falar do acontecimento e mesmo “evitar pensar”, evitar lugares, atividades ou pessoas que façam recordar o sucedido. Para além de toda esta sintomatologia, podem surgir pensamentos negativos acerca de si próprio, das outras pessoas e do mundo em geral, bem como desesperança face ao futuro.

A memória pode também ser afetada e muitas vezes as pessoas não recordam aspetos importantes sobre o acontecimento traumático.

Estas manifestações tendem a provocar problemas consideráveis na qualidade de vida dos doentes com PTSD, dos quais se destacam: as dificuldades que surgem em manter as relações interpessoais; a sensação de “distância” de familiares e amigos; a descrição de se sentirem “insensíveis emocionalmente”; a dificuldade muitas vezes relatada em sentir “emoções positivas”; ou a falta de interesse pelas atividades que anteriormente eram gratificantes.

Para além de tudo isto, o doente relata muitos sintomas que se relacionam com o estado de hipervigilância, tais como assustar-se facilmente, estar sempre alerta para uma eventual situação de perigo, queixas de dificuldade de concentração, perturbações do sono, irritabilidade, ataques de raiva ou manifestação de comportamentos agressivos e até mesmo conduta autodestrutiva como conduzir em excesso de velocidade e sem cuidado ou beber em excesso. Muitas vezes a todos os sintomas referidos ainda se juntam sentimentos de culpa ou de fraqueza, tornando o dia a dia destes doentes extremamente penoso.

Todos estes sintomas podem ainda variar de intensidade ao longo do tempo, podendo por exemplo ser mais intensos em fases da vida de maior stress e preocupação, ou quando se ouvem determinados barulhos, se assiste a condições meteorológicas adversas ou a notícias sobre a guerra, assaltos, violações e acidentes na televisão. Quadros intensos podem culminar mesmo em ideação suicida, sendo urgente obter ajuda para o doente.

Convém referir que nem todos os casos preenchem os critérios necessários para fazer o diagnóstico de PTSD, não significando por isso que o quadro clínico não afete de igual forma o doente, diminuindo-lhe a qualidade de vida e acarretando dor e sofrimento. Em suma, uma experiência traumática poderá trazer eventuais consequências positivas, tais como a reorganização da vida pessoal, dos seus valores e objetivos.

Para além do sofrimento e da diminuição da qualidade de vida, também o núcleo de familiares e amigos do doente acaba por ser atingido. Por isso, é essencial o reconhecimento e a orientação destes casos para os profissionais de saúde mental. A instituição de medicação psicofarmacológica por psiquiatras e o apoio psicoterapêutico instituídos precocemente poderão mudar o rumo de muitas vidas, melhorando a saúde global e devolvendo sorrisos.

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Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos orgulha-se de atribuir a dois dos seus associados, as enfermeiras Joana Rente e...

A Bolsa de Investigação, no valor de dez mil euros, é uma bolsa bienal com a finalidade de financiar e fomentar atividades de investigação na área dos cuidados paliativos em Portugal.

“A criação e atribuição destas bolsas revela-se da maior importância para a Associação e para os Cuidados Paliativos no país. Apenas com mais e melhor formação, investigação e conhecimento teremos novos líderes, preparados para assumir a missão de desenvolver os cuidados de fim de vida em Portugal.

Fazemos votos de que estas bolsas lhes permitam contribuir decisivamente para a melhoria de cuidados prestados aos nossos doentes, cuidadores e famílias”, sublinha Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP).

"Um grande obrigado à APCP e ao Dr. Samuel Levy por esta bolsa. Sinto-me uma sortuda por ter conseguido e prometo trabalhar para merecê-la em pleno. Para mim a investigação em cuidados paliativos é um forte investimento no valor da vida destas pessoas, na sua dignidade e na perspetiva de lhes proporcionar SEMPRE os melhores cuidados. Vale muito a pena! Muito Obrigada", declarou a Sra. Enfermeira Joana Rente.

“Usufruir de uma bolsa para realizar uma investigação sobre Cuidados Paliativos é uma oportunidade e um privilégio que se tornou possível com o apoio da APCP e do Dr. Samuel Levy. Acredito que desta forma conseguiremos dar resposta a um dos eixos centrais de pesquisa do Plano Estratégico dos Cuidados Paliativos Portugueses, que é o suporte aos profissionais de saúde”, concluiu a Sra. Enfermeira Sara Gomes.

Estudo
Os tratamentos atualmente utlizados na Diabetes têm como objetivo controlar a glicemia, o colesterol e a tensão arterial....

Resultados de diversos estudos com células estaminais mesenquimais (MSC, Mesenchymal Stem Cells) têm-se apresentado favoráveis no que respeita à atenuação de complicações associadas à Diabetes tipo 2. Os investigadores têm sugerido que parte dos efeitos terapêuticos se devam a vesículas libertadas pelas MSC. Estas vesículas são “bolsas” ou “bolhas” muito pequenas, designadas exossomas e que contêm moléculas bioativas no seu interior. Alguns estudos têm revelado que os exossomas libertados pelas MSC do tecido do cordão umbilical têm a capacidade de regenerar tecidos e reparar lesões. Além disso, uma vez que estas vesículas contêm várias proteínas relacionadas com o metabolismo da glucose, têm suscitado interesse no âmbito da Diabetes.

Um desses estudos mostrou que administração de exossomas, isolados a partir de MSC do tecido do cordão umbilical, a ratinhos diabéticos (Diabetes tipo 2) foi capaz de reverter a resistência à insulina e de melhorar os níveis de glicemia.

“O tratamento com exossomas de MSC do tecido do cordão umbilical conduziu à inibição da libertação de moléculas pró-inflamatórias, à diminuição da resistência à insulina e à regeneração das células beta do pâncreas”, refere Carla Cardoso, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

Sobre o estudo, acrescenta ainda que “consequentemente houve um aumento da produção e libertação de insulina, o que resultou numa maior captação da glucose pelas células e redução da glicemia”.

Face aos resultados obtidos, os autores afirmam que esta poderá ser uma potencial alternativa para o tratamento da Diabetes tipo 2. Os investigadores avaliaram ainda a segurança deste tratamento em várias espécies e não houve quaisquer evidências de tumorigenese nem de toxicidade. Este estudo mostra que os exossomas libertados pelas MSC do tecido do cordão umbilical são um dos fatores-chave associados aos efeitos terapêuticos deste tipo de células na regulação da glicemia.

A Diabetes Mellitus é uma doença metabólica caracterizada por níveis de glicemia (glucose no sangue) elevados. Nove em cada 10 diabéticos tem Diabetes tipo 2, sendo a forma mais comum da doença. A Diabetes tipo 2 afeta cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 1 milhão de pessoas em Portugal. Apesar de o pâncreas produzir insulina, esta não atua de modo eficaz devido, entre outros fatores, a hábitos alimentares e estilos de vida pouco saudáveis. O organismo torna-se resistente a esta hormona e a glucose acumula-se no sangue (hiperglicemia). Os vasos sanguíneos deterioram-se progressivamente, surgindo outras complicações nos olhos, sistema nervoso e rins, assim como doenças cardiovasculares associadas.

Referências:

Sun et al., Human Mesenchymal Stem Cell Derived Exosomes Alleviate Type 2 Diabetes Mellitus through Reversing Peripheral Insulin Resistance and Relieving β-Cell Destruction. ACS Nano. 2018 Jul 27; Epub ahead of print.
http://www.fpcardiologia.pt/saude-do-coracao/factores-de-risco/diabetes/
http://www.spd.pt/index.php/notcias-topmenu-19/223-estudo-da-prevalncia-...

Estudo
A garantia é dada pelos autores de um novo estudo internacional que a publicação especializada Sexual Medicine divulga na sua...

Sentem-se melhor, mais vivos e queixam-se menos de problemas de saúde. Os idosos que (ainda) têm uma vida sexual ativa têm mais qualidade de vida do que os outros. A garantia é dada pelos investigadores da Anglia Ruskin University e do University College London (UCL) que, em conjunto, levaram a cabo um novo estudo internacional que a publicação especializada Sexual Medicine acaba de divulgar na sua última edição.

Depois de analisar as respostas dos 6.879 adultos com idades entre os 65 e os 80 anos ao inquérito que promoveram, os cientistas ficaram surpreendidos com as respostas dos 40% que garantem que fazem sexo com regularidade, concluindo que os que têm uma vida sexual ativa são pessoas mais felizes, satisfeitas e realizadas, apresentando índices que permitem medir os níveis de qualidade de vida superiores à média.

No caso das mulheres, escreve o Sapo, as que são beijadas e/ou acariciadas mais vezes evidenciam, em média, indicadores próximos dos homens que fazem mais sexo. "Os resultados deste estudo indicam que o coito é mais importante para os homens mais velhos do que para as mulheres mais velhas", refere a publicação. "Os profissionais de saúde têm de perceber que os adultos mais velhos não são assexuados", sublinha Lee Smith.

Uma noção que, na opinião do investigador da Anglia Ruskin University, muitos não têm. "As pessoas mais velhas não são, por norma, encorajadas a experimentar novas posições [sexuais] nem a explorar diferentes tipos de atividades [sexuais]", critica o cientista. "As descobertas do nosso estudo sugerem que pode ser benéfico para os médicos questionar os pacientes mais velhos sobre a sua atividade sexual", realça Lee Smith.

"Os profissionais de saúde devem oferecer-lhes ajuda para [lidarem com possíveis] dificuldades sexuais, como problemas com ereções, já que a atividade sexual ajuda as pessoas mais velhas a viverem vidas mais gratificantes", afirma ainda o investigador, adepto de (novas) políticas de saúde que incentivem as pessoas mais idosas a ir mais longe no que se refere ao sexo, explorando posições sexuais como as que pode ver de seguida.

Diário da República
A Assembleia da República publicou hoje, no Diário da República, uma resolução na qual recomenda ao Governo que desbloqueie ...

“A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que realize com urgência todos os atos e procedimentos administrativos necessários para que a administração do Hospital São João, no Porto, inicie o processo de construção da nova ala pediátrica”, lê-se na recomendação.

Há dez anos que o hospital tem um projeto para construir uma ala pediátrica, mas desde então o serviço tem sido prestado em contentores.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica, anunciando um investimento de cerca de 20 milhões de euros.

O Governo autorizou a 19 de setembro a administração do Centro Hospitalar Universitário de São João a lançar o concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

O parlamento aprovou a 27 de novembro, por unanimidade, a proposta de alteração do PS ao Orçamento do Estado para 2019, de forma a prever o ajuste direto para a construção da Ala Pediátrica, cuja obra o diretor clínico do São João prevê arrancar em 2019 e concluir em 2021.

A ministra da Saúde afirmou no início de novembro, no Parlamento, que não dormirá tranquila enquanto o problema da nova ala pediátrica do hospital de São João não estiver resolvido, mas não se comprometeu com datas e rejeitou a possibilidade de um ajuste direto para a obra.

'SWEET-Football'
O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e a Federação Portuguesa de Futebol desenvolveram um projeto, o '...

Em entrevista, Romeo Mendes, o investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) responsável pelo projeto, contou que o principal objetivo do 'SWEET-Football', iniciado em setembro, é "avaliar a aplicabilidade e a segurança" daquela que é uma variante de futebol recreativo - o 'walking football'.

"Tradicionalmente o tipo de atividades que estão ao dispor desta população e as soluções que a sociedade oferece não envolvem adequadamente as pessoas, que facilmente acabam por desistir da atividade. Quando queremos promover alterações de comportamentos na comunidade têm de existir motivações intrínsecas e extrínsecas que, de facto, alterem o estilo de vida das pessoas", adiantou.

O projeto 'SWEET-Football', desenvolvido com o apoio do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental da Administração Regional de Saúde do Norte, reúne cerca de 30 doentes com a diabetes tipo 2, com idades entre os 50 e 70 anos, das zonas de Paranhos e Arca d'Água, no Porto.

"Há uma maior prevalência da diabetes tipo 2 nos homens do que nas mulheres. Portanto, aproveitamos também o facto de no nosso país, o público masculino ter uma relação emocional e afetiva muito grande com o futebol, ou porque gostam do desporto, ou porque até já foram jogadores", esclareceu o investigador.

Segundo Romeu Mendes, os participantes praticam a "dose mínima de atividade" recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o tratamento desta doença, ao realizarem três treinos por semana que têm a duração de uma hora.

"A dose mínima semanal advogada pela OMS são os 150 minutos, mas o nosso projeto oferece cerca de 180 minutos por semana, usando a atividade física como se de um medicamento se tratasse. Os participantes são acompanhados por um treinador de futebol, por um fisiologista e um enfermeiro", salientou.

No entanto, apesar da atividade física ser considerada pela OMS um dos pilares de tratamento da diabetes tipo 2, que têm como fatores de risco a obesidade, o envelhecimento e a baixa aptidão física, os exercícios praticados neste projeto são "mais lentos", tendo em conta que "os riscos inerentes ao futebol poderiam colocar questões de segurança nos participantes".

"As únicas regras do 'walking football' é que ninguém corre e não há contacto físico. Quem está com a bola sabe que ninguém vai tirar-lhe e isso foi fundamental para que estas pessoas aceitassem jogar futebol, visto que sentem que estão a praticar com segurança", explicou Romeo Mendes.

Os investigadores, que estão agora a recolher os principais resultados do projeto, vão no início do próximo ano "implementar pequenos projetos a nível nacional".

"Precisamos de envolver os centros de saúde, hospitais, clubes de futebol e municípios. Este é projeto perfeitamente possível, sem haver mobilização de verba financeira entre os centros de saúde, os recursos que já existem nos municípios e nos pequenos e médios clubes de futebol. O nosso grande objetivo para a próxima época desportiva é fazer uma expansão do 'walking football' como medicamento", acrescentou.

Apesar da diabetes tipo 2 afetar sobretudo a população masculina, os investigadores estão também à procura de uma "solução para as mulheres", que poderá não passar pelo futebol, mas por outra modalidade mais "tradicional".

Cann10-Portugal
A farmacêutica internacional Cann10 vai investir 10 milhões de euros numa fábrica de produtos medicinais à base de canábis, a...

Em declarações, o presidente da Cann10-Portugal disse que o investimento a efetuar em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, vai permitir "executar os serviços de produção, importação, exportação e transformação de ‘medical cannabis sativa’ com vista ao fabrico de produtos fitofarmacêuticos".

Yair Sayag, que respondeu às questões a partir de Israel, onde a multinacional está sediada, disse que "o investimento a efetuar em Vila de Rei representará um investimento total na ordem dos 10 milhões de euros, com previsão de contratação de 100 trabalhadores no prazo de quatro anos, sendo a maioria qualificados" com título académico superior.

"Temos muitos anos de experiência no que respeita à agricultura e às instalações de produção ‘chave na mão', bem como tecnologia e pesquisa, e todos os produtos de canábis da Cann10 são fabricados por via de boas práticas de fabrico que atendem às especificações mais exigentes", disse o gestor, que elogiou a regulamentação para medicamentos à base de canábis aprovada na quinta-feira pelo Governo.

"O Infarmed [Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde] trabalha muito bem em Portugal, ao nível das melhores práticas mundiais, e a aprovação dessa regulamentação é muito boa para o país e para nós também, enquanto empresa que vai investir em Vila de Rei e em Portugal", disse Yair Sayag, que aguarda pela emissão da licença para produzir canábis medicinal em Portugal.

"O processo com o Infarmed está muito avançado e acreditamos que em breve poderemos ter a licença de produção", disse, tendo observado que "não será a primeira empresa licenciada" para estes fins, em Portugal.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, o Governo aprovou um decreto-lei que "estabelece o quadro legal para a utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base da planta da canábis para fins medicinais, nomeadamente a sua prescrição e a sua dispensa em farmácia".

A regulamentação, acrescenta, foi baseada numa "análise pormenorizada dos programas de canábis medicinal já existentes em outros Estados-membros da União Europeia, nomeadamente na Dinamarca, Holanda e Itália, bem como a avaliação da sua exequibilidade na realidade nacional".

Contactado, o vice-presidente do município de Vila de Rei, Paulo César, disse que "a decisão agora tomada [aprovação da regulamentação para medicamentos à base de canábis] é mais um passo na consolidação das bases para a implementação desta nova área da medicina em Portugal", tendo afirmado estar "expectante" que tal "abra as portas para um importante investimento em Vila de Rei".

Nesse sentido, o município de Vila de Rei e a empresa fitofarmacêutica Cann10-Portugal assinaram no final de novembro os contratos alusivos ao arrendamento com opção de compra do antigo edifício da fábrica Frutinatura e à aquisição do Lote 1 da Zona Industrial do Souto, com 4,5 hectares.

"Depois da aprovação deste projeto pelo executivo municipal, foi dado mais um importante passo naquela que é uma aposta numa indústria inovadora na região e que trará inúmeros benefícios para o nosso concelho", sublinhou, por sua vez, o presidente do município de Vila de Rei.

"De facto, o investimento que será realizado em Vila de Rei vai assumir uma elevada importância para o desenvolvimento económico, atração de mão-de-obra qualificada e fixação de população no interior do País", destacou.

Promover a saúde
Os centros de saúde e os municípios de cinco concelhos do norte do distrito de Lisboa estão a implementar academias para...

O programa, considerado inovador no país, procura “responder à necessidade de reabilitar e aumentar a mobilidade e autonomia das pessoas”, promovendo a saúde e prevenindo o risco de doenças, explicou António Martins, diretor do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Oeste Sul, ao qual pertencem os centros de saúde do Cadaval, Lourinhã, Mafra, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.

A primeira Academia da Mobilidade arrancou em 2017 na Lourinhã, estendendo-se depois ao Sobral de Monte Agraço.

No Cadaval e Torres Vedras, os respetivos municípios e centros de saúde estabeleceram parcerias nesse sentido nas últimas semanas, juntando-se Mafra, onde o protocolo é assinado na segunda-feira. As três academias começam a funcionar em pleno em janeiro.

“A prática do exercício físico ou atividade física regular é fundamental para prevenir doenças que são fatais, como as doenças cardiovasculares, diabetes, o excesso de peso e até mesmo o sedentarismo”, frisou o ACES Oeste Sul.

Dados do Instituto Ricardo Jorge indicam que 38,9% da população tem excesso de peso e 28,7% é obesa. Portugal tem também um elevado consumo de antidepressivos.

Só em Torres Vedras, por exemplo, dos 91.694 utentes inscritos no centro de saúde, seis mil são diabéticos e mais de seis mil são hipertensos.

O programa destina-se a utentes destes centros de saúde que possuam grau de dependência ligeira a moderada ou patologias cardiovasculares, respiratórias, metabólicas, osteoarticulares, neurológicas, depressão ou excesso de peso e que sejam referenciados pelo médico de família.

Duas centenas e meia de pessoas já aderiram ao programa, que tem como objetivos incentivar o exercício físico, aumentar a mobilidade e combater o sedentarismo e as doenças.

“Na Lourinhã e no Sobral de Monte Agraço, é notória a diminuição dos valores tensionais e das glicemias” em resultado do aumento da mobilidade dos aderentes, adiantou António Martins.

“As academias não são propriamente ginásios”, advertiu, contudo, o responsável, esclarecendo que a frequência da academia decorre apenas durante seis meses, como primeiro incentivo para os cidadãos começarem a praticar desporto de forma autónoma.

Cada academia tem três sessões semanais, entre 30 e 60 minutos de duração, cada uma com capacidade para 15 a 20 participantes, acompanhados por técnicos.

Nos cinco concelhos, o programa envolve seis fisiologistas do desporto, sete enfermeiros de reabilitação e duas fisioterapeutas.

Além do exercício físico, as academias incentivam os participantes a adotarem a dieta mediterrânica, mais saudável.

As câmaras municipais e os centros de saúde destes concelhos dividem entre si as despesas de contratação dos técnicos e dos seguros de todos os participantes.

Em Torres Vedras, onde o programa vai chegar a mais de uma centena de pessoas por cada semestre, além da cidade, estão a ser implementadas academias nas freguesias de Runa, Ventosa e Ramalhal.

O ACES Oeste Sul pretende, no futuro, alargar o programa a crianças e jovens com problemas de excesso de peso, já que, apesar de estar a decrescer, a obesidade infantil afeta 11,7% das crianças em todo o país.

O ACES Oeste Sul possui 223.534 utentes, espalhados pelos cinco centros de saúde.

EUA
Um juiz federal norte-americano declarou na sexta-feira inconstitucional o sistema de cobertura médica universal designado &...

A decisão do magistrado do Texas Reed O'Connor foi tomada depois de o Congresso ter modificado, há alguns meses, a lei no âmbito da reforma tributária promovida pelo atual Presidente.

Donald Trump saudou a decisão do juiz com uma mensagem publicada na rede Twitter.

"Uau, mas não é nenhuma surpresa, o ‘Obamacare’ acaba de ser considerado inconstitucional por um juiz altamente respeitado do Texas. Uma boa notícia para a América!", escreveu.

"Como sempre previ, o ‘Obamacare’ foi demolido por ser um desastre inconstitucional", acrescentou.

A democrata Nancy Pelosi, que deverá assumir a presidência da Câmara dos Deputados em janeiro, e o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, já disseram que vão recorrer para o Supremo Tribunal deste "julgamento cruel" e "absurdo".

A decisão “evidencia o objetivo final da ofensiva geral dos republicanos" contra qualquer acesso dos norte-americanos a "um sistema de saúde acessível", afirmou Nancy Pelosi.

Para Chuck Schumer, a decisão do juiz "é baseada num raciocínio jurídico errado” e poderá “ser quebrada”.

No entanto, "se esse terrível julgamento for confirmado pelos tribunais superiores, será um desastre para dezenas de milhões de famílias norte-americanas", disse Chuck Schumer.

A lei de saúde ‘Obamacare’ foi promovida pelo ex-Presidente Barack Obama, sendo promulgada em 2010.

Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte
O hospital Santa Maria, em Lisboa, inaugurou na sexta-feira passada três equipamentos de imagiologia que são os primeiros na...

Trata-se de um mamógrafo digital com tomossíntese, que veio duplicar a capacidade de mamografias a realizar pelo Santa Maria, e de dois angiógrafos que permitem melhorar a resposta no tratamento de AVC, segundo explicou o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte.

“Reforçamos a nossa capacidade de resposta, a acessibilidade do cidadão a tecnologia diferenciada e aumentamos a segurança do próprio doente e temos equipamentos que são os primeiros a ser instalados na Península Ibérica”, afirmou Carlos Martins à margem da inauguração destes equipamentos, que contou com a presença da ministra da Saúde, Marta Temido.

Segundo a explicação técnica feita durante a inauguração, o novo mamógrafo permite diagnósticos mais precisos e mais precoces, além de aumentar a capacidade do hospital para fazer mais mamografias, uma vez que se junta ao equipamento já existente. Segundo Carlos Martins, será mesmo duplicada a capacidade do hospital nesta área.

Os dois novos angiógrafos permitem também reforçar a resposta do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte ao nível da resposta na Via Verde AVC, sendo “mais precisos e mais seguros”.

Os três novos equipamentos tiveram um custo de três milhões de euros, sendo que metade da verba foi financiada com fundos europeus.

Também na sexta-feira, o Centro Hospitalar Lisboa Norte inaugurou a primeira unidade do país de insuficiência cardíaca na área dos cuidados paliativos, situada no Pulido Valente.

“Vai tratar doentes com insuficiência cardíaca que estão numa fase avançada da sua doença. Hoje em dia somos capazes de tratar as várias patologias cardíacas de forma muito eficaz, mas a história natural da própria doença faz com que cada vez tenhamos mais deste tipo de doentes, que precisam de cuidados muito significativos”, explicou Fausto Pinto, diretor do serviço de cardiologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte e diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Sem adiantar dados concretos, Fausto Pinto disse que a unidade vai permitir “tratar, seguir ou monitorizar” um “conjunto muito significativo de doentes” e apoiar as suas famílias.

O presidente da administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte destaca que é “uma unidade pioneira a nível nacional”, mas que é o início de um caminho que pode ser replicado noutros hospitais do país.

Sobre a necessidade de investimento em equipamentos nos hospitais do SNS, a ministra Marta Temido disse hoje que serão necessários 500 milhões de euros nos próximos três anos.

Em declarações, Marta Temido, explicou que a anterior equipa ministerial tinha feito um levantamento de necessidades de investimento no SNS que apontavam para mil milhões de euros, mas que continham diversos investimentos, incluindo o de novas unidades hospitalares que vão surgir, como os hospitais de Seixal, Sintra ou Lisboa Oriental.

“Esse levantamento foi depois analisado e priorizado. Dessa priorização resultou um conjunto de investimentos que anda na casa de 500 milhões de euros de investimentos. Não seria possível que se executassem todos ao mesmo tempo. O que se fez foi uma repartição desse investimento por três anos: 2018, 2019 e 2020”, afirmou Marta Temido, à margem da inauguração dos equipamentos de imagiologia no hospital Santa Maria.

A ministra ressalvou que esses 500 milhões de euros não terão o Orçamento do Estado como fonte única de financiamento, devendo também apoiar-se em fundos comunitários.

2018
O plástico que durante décadas tornou a vida mais fácil começa a cobrar em termos ambientais, ameaçando tornar os oceanos uma ...

Desde que o uso do plástico se intensificou, a partir da década de 1950, foram produzidas mais de oito mil milhões de toneladas deste material, mas agora a fatura começa a chegar na forma de marés infestadas de partículas microscópicas e "ilhas" de garrafas e embalagens que podem destruir setores económicos como a pesca ou o turismo e fazer estragos na saúde de formas que ainda nem estão estudadas.

A noção do perigo levou este ano a medidas políticas concretas para enfrentar o problema, com a Comissão Europeia a dar logo em janeiro 12 anos aos estados-membros da União para acabarem com as embalagens de plástico descartáveis e o Governo português a dar um sinal, proibindo o uso de garrafas, sacos e pratos e talheres de plástico nos serviços da administração pública.

A Assembleia da República aprovou a cobrança de depósito sobre embalagens descartáveis de bebidas, aplicado a plástico, vidro e alumínio, que deverá avançar em regime de experiência piloto até ao fim de 2019 e ser obrigatório a partir de 2022.

No Parlamento Europeu, aprovou-se em outubro uma proposta para proibir a partir de 2021 a venda de produtos de plástico de utilização única, como pratos, talheres, cotonetes ou palhinhas e recipientes para alimentos e bebidas feitos de poliestireno expandido.

Os eurodeputados intimaram também os estados-membros a tomarem medidas para reduzir em um quarto a utilização de outros produtos de plástico de utilização única.

A estratégia da Comissão Europeia passa por promover a reutilização e a reciclagem e o fim de plásticos que não são reciclados, destacando que há muito dinheiro a fazer no setor da reciclagem, que movimenta 340 milhões de euros por ano e emprega 1,5 milhões de pessoas.

Pretende-se criar mais 200 mil empregos no setor até 2030 e as restrições ao uso do plástico deverão também chegar por via legislativa ao setor das pescas e à utilização de microplásticos, comuns em cosméticos.

Os números invocados são simples e alarmantes: os europeus deitam foram todos os anos 25 milhões de toneladas de plástico e menos de um terço é recolhido para reciclagem. Anualmente, produzem-se 320 milhões de toneladas de plástico no mundo e a tendência imposta pelo ritmo do consumo é para aumentar.

De todo o plástico já produzido, cerca de 80% continuam no meio ambiente, acumulados em aterros e na Natureza. Nas praias do mundo inteiro, 85% do lixo são plásticos.

Num estudo realizado este ano em 42 países, mais de dez mil voluntários apanharam lixo em zonas costeiras e em quase 200 mil pedaços de plástico que recolheram, 65% eram embalagens de produtos de marcas como a Coca-Cola, Pepsi, Nestlé, Danone ou Colgate-Palmolive.

Em julho passado, imagens divulgadas por uma organização não-governamental ambiental puseram nas notícias e nas redes sociais imagens desoladoras de uma praia da República Dominicana, um país procurado pela costa, completamente soterrada em lixo plástico, de que foram recolhidas trinta toneladas em três dias.

Foram a ilustração cabal de um problema para o qual os ambientalistas já vêm alertando desde há alguns anos, com o mote "qualquer dia haverá mais plástico do que peixe nos oceanos".

Os riscos para a saúde estão ainda por conhecer totalmente, mas a Organização Mundial de Saúde declarou este ano que vai prestar mais atenção à matéria, depois de um estudo ter dado a conhecer que cerca de 90% da água engarrafada vendida mundialmente tem vestígios de microplástico.

Outros estudos científicos comprovaram a presença de vestígios de plástico em peixes e outros animais marinhos que acabam por chegar ao organismo de seres humanos através da alimentação.

Quanto à responsabilidade no aquecimento global, além das emissões de gases poluentes decorrentes da própria atividade industrial, o plástico a decompor-se liberta para a atmosfera gases que contribuem para o efeito de estufa.

Com a dimensão gigantesca que o plástico assumiu na vida das sociedades, o problema não se resolve só de um lado.

Ambientalistas e decisores políticos pressionam as marcas para que se reduza a oferta e se procurem alternativas mais recicláveis, mas há setores nos quais o plástico é absolutamente essencial e não tem para já substituto em larga escala. Saúde, eletrónica e alimentar são exemplos dessas áreas.

O problema agudiza-se nos países em desenvolvimento: por um lado, e especialmente os que têm litoral, são dos que mais têm a perder com as "marés de plástico", por outro, a falta de infraestruturas e de consciência ambiental não dá grandes alternativas a milhões de pessoas que vivem sem condições básicas.

A consciência individual de cada cidadão tem também um longo caminho a fazer: o choque de ver uma baleia com o estômago cheio de plástico ou uma praia que podia ser paradisíaca transformada num atoleiro nem sempre se reflete em mudanças de comportamento.

Um gesto mundano como deitar um saco de plástico no caixote do lixo, um cotonete na sanita ou uma beata para o chão multiplicado por milhares de milhões de pessoas está longe de ser inócuo.

O plástico não só não desaparece como volta e voltará cada vez mais a contaminar a vida das sociedades, afetando setores como a economia, o lazer e a saúde. Este ano, houve sinais de que algo tem que ser feito, e depressa.

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