Ministra da Saúde
Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde vão precisar, nos próximos três anos, de 500 milhões de euros de investimento em...

Em declarações, a ministra da Saúde, Marta Temido, explicou que a anterior equipa ministerial tinha feito um levantamento de necessidades de investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) que apontavam para mil milhões de euros, mas que continham diversos investimentos, incluindo o de novas unidades hospitalares que vão surgir, como os hospitais de Seixal, Sintra ou Lisboa Oriental.

“Esse levantamento foi depois analisado e priorizado. Dessa priorização resultou um conjunto de investimentos que anda na casa de 500 milhões de euros de investimentos. Não seria possível que se executassem todos ao mesmo tempo. O que se fez foi uma repartição desse investimento por três anos: 2018, 2019 e 2020”, afirmou Marta Temido, à margem da inauguração de equipamentos de imagiologia no hospital Santa Maria, em Lisboa.

A ministra ressalvou que esses 500 milhões de euros não terão o Orçamento do Estado como fonte única de financiamento, devendo também apoiar-se em fundos comunitários.

Marta Temido deu o exemplo do programa de apoio comunitário Lisboa 2020, que tem à sua gestão 800 milhões de euros e mais de 100 milhões são só para a área da Saúde, estando algum deste financiamento já executado, outro em curso e outro ainda com candidaturas a serem trabalhadas.

Para a governante, este plano de investimento de 500 milhões de euros a três anos está alinhado com a proposta do Governo para a Lei de Bases da Saúde, que advoga a criação de planos plurianuais de investimento.

Trata-se ainda, sublinhou a ministra, de “trabalhar com planeamento e com foco nas prioridades” e não em resposta a situações de pressão do momento.

As declarações da ministra da Saúde sobre o investimento em equipamentos decorreram à margem da inauguração hoje de dois angiógrafos e um mamógrafo digital no hospital Santa Maria, em Lisboa.

Este natal dê um presente ao seu coração
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular vai promover uma iniciativa de sensibilização para a prevenção da doença...

“A chegada da época natalícia é um bom pretexto para incentivar as pessoas a fazer algumas mudanças no seu estilo de vida, optando por escolhas mais saudáveis que permitam reforçar os cuidados com o coração. Praticar exercício físico, controlar a alimentação e evitar o stress são boas formas de prevenir a doença coronária”, explica João Brum Silveira, presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC).

A doença coronária carateriza-se pela acumulação de depósitos de gordura no interior das artérias que fornecem sangue ao coração. Esses depósitos causam um estreitamento ou obstrução das artérias o que provoca uma diminuição dos níveis de oxigénio e nutrientes que chegam às células do músculo cardíaco. As principais doenças coronárias são a angina de peito e o enfarte agudo do miocárdio.

“A hipertensão arterial, o colesterol elevado, a diabetes, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo contribuem significativamente para aumentar o risco de sofrer de doença coronária. A prevenção é o melhor caminho para evitar as co-morbilidades e mortalidade associadas a estas doenças,” conclui João Brum Silveira.

 

Patologia degenerativa osteoarticular tem vindo a aumentar
Representando um importante problema médico, social e económico, estima-se que cerca de metade da po

Estima-se que, em Portugal, mais de metade da população adulta sofra de doenças reumáticas. Que doenças são estas e quais as que mais atingem os portugueses?

As doenças reumáticas são um conjunto diverso de doenças que atingem as articulações, os ossos, os músculos, os tendões e os vasos. Existem mais de 100 subtipos diferentes que podem afetar homens e mulheres, ocorrem em qualquer faixa etária (desde a infância precoce até ao indivíduo idoso) e, nalguns casos, causam significativa incapacidade e perda de qualidade de vida. O estudo epidemiológico das doenças reumáticas em Portugal, EpiReumaPt, demonstrou que mais de metade da população portuguesa adulta sofre ou já sofreu de uma doença reumática. As mais frequentemente reportadas incluem a lombalgia, a osteoartrose, as tendinites e a osteoporose.

Qual a sua prevalência? E o que explica o crescente aumento do número de casos nos países desenvolvidos, sobretudo nas faixas etárias mais jovens?

A prevalência é muito variável, dependendo da doença reumática a que nos referimos. Por exemplo, uma patologia frequente é a peri-articular (como as tendinites, bursites ou síndromes neurocompressivos), que afecta 15.8% da população, ou a osteoartrose do joelho, que afecta 12.4%. Já outras doenças são menos frequentes, como a artrite reumatóide (0.7%) ou o lúpus eritematoso sistémico (0.1%), mas são potencialmente mais graves e incapacitantes. O crescente número de casos diagnosticados, não apenas nos mais jovens, está muito provavelmente relacionado com o maior conhecimento e melhores métodos usados para diagnosticar estas doenças, sobretudo em fases mais precoces. Por outro lado, tanto a população como os profissionais de saúde estão mais alerta para estas patologias, até então subvalorizadas e vistas como inevitáveis e não tratáveis. É também natural que, com o envelhecimento da população e o aumento dos estilos de vida sedentários, a patologia degenerativa osteoarticular aumente.

Os dados disponíveis mostram também que a artrite reumatóide, por exemplo, atinge três vezes mais mulheres do que homens. Como se caracteriza esta doença e quais os principais sintomas?

A artrite reumatóide é o paradigma da doença articular inflamatória onde o Reumatologista pode fazer toda a diferença. Trata-se de uma doença crónica, de causa ainda mal compreendida, em que o sistema imunitário desencadeia uma resposta contra a membrana sinovial, que reveste internamente as articulações e algumas bolsas e tendões. Em termos de sintomas, existe dor e inchaço das articulações das mãos e pés, assim como dos punhos, cotovelos, ombros e joelhos, que habitualmente são piores durante a manhã e com a imobilização, e melhoram ao longo do dia com o movimento. Fazem-se também acompanhar de rigidez articular matinal que pode durar várias horas. Mais raramente, a artrite reumatóide pode atingir outros órgãos, como a pele, o olho, o pulmão ou o sistema nervoso.

Quais as causas?

Como referi anteriormente, as causas da artrite reumatóide são ainda mal compreendidas. Sabemos que existem genes predisponentes, mas que a interação com fatores ambientais (tais como o tabagismo ou certas infeções virais) e hormonais é fundamental para desencadear a doença. O diagnóstico precoce é crucial pois, logo nos primeiros meses, muitos doentes desenvolvem destruição articular, que é irreversível e que se acumula ao longo do tempo, provocando incapacidade para as atividades laborais e de vida diária. Nos dias de hoje, dispomos de um vasto conjunto de alternativas terapêuticas que permite travar a evolução da artrite reumatóide, por isso, quanto mais cedo a diagnosticarmos, melhor será o prognóstico a médio e longo prazo.

Quais os tratamentos indicados para artrite reumatóide?

O tratamento da artrite reumatóide passa obrigatoriamente pela utilização de fármacos que permitam controlar a inflamação e travar a progressão da destruição articular. Podem ser usados anti-reumáticos convencionais, como o metotrexato ou a leflunomida, anti-reumáticos biotecnológicos, como os bloqueadores do TNF-alfa, ou os anti-reumáticos mais recentes, os inibidores da JAK. Além do tratamento farmacológico, é recomendado aos doentes com artrite reumatóide que mantenham estilos de vida saudáveis (incluindo alimentares e exercício físico), que cessem eventuais hábitos tabágicos (pioram o prognóstico da doença e a resposta ao tratamento) e controlem fatores de risco vasculares, como a diabetes ou a hipertensão arterial. Para alívio dos sintomas, podem também ser recomendados períodos de fisioterapia.

Que fatores podem condicionar o agravamento da doença? Qual a importância da prática de exercício físico ou da alimentação, por exemplo, neste âmbito?
O principal fator que condiciona o agravamento da doença é o não cumprimento do tratamento. O exercício físico permite manter a mobilidade articular e deverão ser evitadas atividades com traumatismo articular excessivo. Uma alimentação saudável deverá evitar o excesso de peso e a obesidade, que sobrecarregam adicionalmente articulações que têm já uma predisposição para a lesão. Apesar de alguns doentes se sentirem melhor evitando certos alimentos (como carnes vermelhas, lacticínios ou alimentos com glúten), a maioria não sente qualquer alteração do seu estado e não existe evidência científica suficiente que permita recomendar ou evitar determinados alimentos.

Quanto às Espondilartrites, sabe-se que estas acometem sobretudo o sexo masculino. Há alguma justificação para que afetem maioritariamente os homens?
Ainda não é conhecido com certeza o motivo pelo qual as espondilartrites afectam mais os homens do que as mulheres, mas fatores genéticos e hormonais serão provavelmente responsáveis.

Neste caso, pode-se falar em fatores de risco?

Sim, ser homem é um fator de risco para espondilartrites, assim como ter o gene HLA-B27, ter familiares com espondilartrites ou ter determinado tipo de infeções.

Que doenças fazem parte do grupo das Espondilartrites? Quais as principais manifestações clínicas?

As espondilartrites são um conjunto de doenças reumáticas inflamatórias crónicas que incluem as espondilartrites axiais (como a espondilite anquilosante), a artrite psoriásica, a artrite reativa, a espondilartrite associada a doença inflamatória intestinal, a espondilartrite indiferenciada e espondilartrite juvenil (entesite relacionada com artrite). Apesar de serem distintas entre si, apresentam características genéticas, clínicas e imagiológicas comuns. As principais manifestações clínicas incluem dor e inflamação nas enteses (inserções dos tendões, ligamentos ou cápsulas) e nas articulações, dores na coluna e nos glúteos, e outras manifestações não relacionadas com o sistema osteoarticular como psoríase, doenças inflamatórias do intestino (colite ulcerosa ou doença de Crohn), uretrite, uveíte ou conjuntivite.

Em termos gerais, no que diz respeito às Doenças Reumáticas, quais as principais complicações associadas a estas patologias?

As complicações vão depender da doença reumática de que estamos a falar. Por exemplo, nas doenças reumáticas inflamatórias podemos ter complicações relacionadas com a própria doença (como o atingimento de vários órgãos) ou relacionadas com o tratamento (como infecções ou toxicidade). As principais causas de morte nas doenças reumáticas inflamatórias são os eventos cardio e cerebrovasculares (enfartes e AVCs), e esta é também uma preocupação durante o seu tratamento. No global, quer sejam inflamatórias, degenerativas, microcristalinas ou osteometabólicas, as doenças reumáticas podem ter um impacto muito significativo a nível pessoal, familiar, laboral e social. São causa de dor crónica e incapacidade, com perda de função e qualidade de vida, com períodos de absentismo laboral prolongado, perda de produtividade, baixas médicas e reformas antecipadas.

Qual o seu impacto na sociedade, sobretudo a nível económico?

Não existe muita informação sobre o real impacto económico das doenças reumáticas em Portugal, mas estima-se que atinja muitos milhões de euros anualmente. Os custos são diretos, relacionados com o consumo de recursos de saúde (consultas, internamentos, episódios de urgência, fisioterapia) e medicamentos; e indiretos relacionados com perda de produtividade, baixas médicas e reformas antecipadas.

Para terminar, que mensagem gostaria de deixar no âmbito desta temática? Sobretudo no que diz respeito à população mais idosa, há cuidados especiais a ter?

A mensagem que gostaria de transmitir é a de que as doenças reumáticas são mais comuns do que se julgava, e muitas delas têm tratamento que melhora os sintomas e o desempenho das atividades diárias. Se tiver dor nas articulações com interferência no quotidiano, e sobretudo se tiver inchaço ou rigidez articular, deve consultar o seu médico assistente pois pode justificar-se uma referenciação a um reumatologista. Numa perspectiva mais preventiva, recomendaria como cuidados a ter, seja com a população idosa seja com a população mais jovem, manter uma alimentação diversificada, um peso normal e atividade física regular. Apesar de parecerem lugares-comuns, estas atitudes evitam o desgaste articular precoce, mantêm a saúde muscular, combatem a perda de massa óssea e trazem inúmeros outros benefícios para a saúde vascular e metabólica.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Contestada devolução de 38M à ADSE
A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada diz desconhecer o parecer da Procuradoria-Geral da República favorável à...

A ADSE divulgou ontem um comunicado em que dizia que um parecer pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) lhe dava razão na questão dos 38 milhões de euros que considera que os hospitais e clínicas privadas lhe devem por excessos de faturação entre 2015 e 2016.

Em resposta, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) diz que o assunto está a ser dirimido nos tribunais e que desconhece o parecer da PGR, tendo mesmo um outro em seu poder, da autoria de Vital Moreira, que defende exatamente o contrário.

De acordo com os hospitais privados, o parecer de Vital Moreira diz que “as normas em análise são materialmente ilegais”, constituem “uma modificação dos termos contratuais das convenções vigentes” e “violam flagrantemente” os princípios "da proporcionalidade, do equilíbrio das prestações e da boa-fé e da proteção de confiança”.

Segundo a APHP, “o processo das regularizações decorre de normas que advêm de 2014 e que sempre foram contestadas pelos hospitais privados”.

“Não é razoável pretender fazer regularizações retroativas de faturas conferidas e pagas, com base em valores que ninguém sabe quais são e em que contexto foram praticados”, sublinham os hospitais privados.

Para a APHP, a ADSE “sempre afirmou que seria possível substituir o mecanismo das regularizações por regras adequadas de faturação dos diversos procedimentos, o que tem vindo a acontecer”.

“Recorde-se que há menos de dois meses houve um compromisso com o Ministério da Saúde que foi quebrado, sendo que o parecer da PGR em nada altera o trabalho que estava a ser feito”, insistem os hospitais privados.

A APHP desconhece “os termos do pedido à PGR e quais os argumentos utilizados”, mas diz inferir “que o objeto não foi a legalidade das normas, mas antes a legalidade do processo de aplicação das normas”.

Defende que a pretensão da ADSE é inaceitável, “não apenas pelo montante em causa e pela retroatividade, mas essencialmente pela rutura que tal significa em termos de confiança”.

A APHP diz ainda que, “face à gravidade da iniciativa da ADSE e à imprevisibilidade absoluta que está criada no regime convencionado”, vai convocar uma Assembleia Geral com caráter de urgência.

No comunicado emitido a quinta-feira, a ADSE explica que o parecer da PGR surgiu na sequência de um recurso à justiça por parte da APHP, que contesta as regularizações.

A ADSE começa por referir que a despesa total do instituto público subiu 6,2% entre 2014 e 2018, para um valor estimado de 562 milhões de euros, pelo que quer garantir que “não existe faturação excessiva”, recorrendo à comparação dos preços praticados pelos diferentes prestadores, sobretudo relativos a medicamentos, dispositivos médicos e cirurgias.

Sobre estes atos, os prestadores “podem faturar os valores que entenderem, sem estar estipulado um valor máximo, mas ficam sujeitos a uma regularização posterior”, tendo sido introduzido em 2009 o princípio da regularização, explica o instituto.

“A ADSE está a realizar reuniões com os diferentes prestadores envolvidos para lhes comunicar o início do processo de regularizações de 2015 e 2016”, avança o instituto público de gestão participada liderado por Sofia Portela.

Segundo o instituto, seguir-se-á um processo de contraditório em que os prestadores poderão analisar os valores apurados pela ADSE e solicitar os esclarecimentos necessários.

A ADSE adianta que “existe flexibilidade” para negociar o calendário de pagamento das regularizações.

Excessos de faturação
Os hospitais e clínicas privados terão de devolver 38 milhões de euros à ADSE, sistema de saúde da função pública, devido a...

De acordo com um comunicado da ADSE, em causa está um parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) que veio dar razão à ADSE, obrigando assim os prestadores convencionados a regularizar os pagamentos. O parecer da PGR surgiu na sequência de um recurso à justiça por parte da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) que contestava as regularizações.

A ADSE começa por referir que a despesa total do instituto público subiu 6,2% entre 2014 e 2018, para um valor estimado de 562 milhões de euros, pelo que quer garantir que “não existe faturação excessiva”, recorrendo à comparação dos preços praticados pelos diferentes prestadores, sobretudo relativos a medicamentos, dispositivos médicos e cirurgias.

Sobre estes atos, os prestadores “podem faturar os valores que entenderem, sem estar estipulado um valor máximo, mas ficam sujeitos a uma regularização posterior”, tendo sido introduzido em 2009 o princípio da regularização, explica o instituto.

“Quando existem desvios significativos o prestador tem que reembolsar a ADSE dos valores que cobrou a mais”, adianta a mesma fonte.

Segundo os cálculos da ADSE, as regularizações que corrigem os excessos de faturação dos prestadores convencionados efetuados em 2015 e 2016 “rondarão os 38 milhões de euros”.

A APHP recorreu à justiça, submetendo uma providência cautelar para que estas regularizações não fossem efetuadas, conta a ADSE. Porém, a providência cautelar e o recurso apresentados foram recusados pelo tribunal “por razões processuais”.

A ADSE solicitou então à tutela que a PGR se pronunciasse, tendo emitido um parecer favorável ao pagamento.

“O procedimento de regularização relativo aos anos de 2015 e 2016 é legal, não podendo ser afastado por eventuais vícios na elaboração e celebração da convenção e na atualização automática das tabelas de preços e regras em vigor”, segundo o parecer da PGR citado pela ADSE.

“A ADSE está a realizar reuniões com os diferentes prestadores envolvidos para lhes comunicar o início do processo de regularizações de 2015 e 2016”, avança o instituto público de gestão participada liderado por Sofia Portela.

Segundo o instituto, seguir-se-á um processo de contraditório em que os prestadores poderão analisar os valores apurados pela ADSE e solicitar os esclarecimentos necessários.

A ADSE adianta que “existe flexibilidade” para negociar o calendário de pagamento das regularizações.

Bastonária dos enfermeiros
A bastonária da Ordem dos Enfermeiros considerou que, apesar da "bondade da nova lei" de bases da Saúde, a legislação...

Ana Rita Cavaco reagia à proposta de nova Lei de Bases da Saúde ontem aprovada pelo Governo, que prevê a gestão preferencialmente pública das unidades de saúde do Serviço Nacional da Saúde (SNS) e um plano de investimento plurianual para o SNS, que inclua financiamento de edifícios e equipamentos, e abre a porta à exclusividade dos profissionais de saúde no SNS.

Para a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, há problemas, como as listas de espera e a falta de enfermeiros, que o novo diploma não vai resolver, atendendo a que o Serviço Nacional de Saúde "está há anos suborçamentado e subfinanciado".

"Não é pela publicação da lei que vou ter estes problemas resolvidos", afirmou, defendendo que o plano de investimento plurianual para o SNS "é mitigador em muito pouco".

Segundo Ana Rita Cavaco, o SNS precisa de "mais dinheiro" e de "um modelo de financiamento diferente" que não se baseie nas estatísticas das consultas e cirurgias feitas.

A proposta de lei ontem aprovada em Conselho de Ministros, e que segue para apreciação e votação no parlamento, resulta do projeto apresentado pela Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, que foi alvo de discussão pública envolvendo parceiros institucionais, agentes do setor e o público em geral, de acordo com o Governo.

 

Profissionais de saúde
O curso de pós-graduação sobre mutilação genital feminina para profissionais de saúde conta este ano com o apoio do Governo,...

Numa nota, o gabinete da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, adianta que o curso de pós-graduação em Saúde Sexual e Reprodutiva – Mutilação Genital Feminina, na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal, tem início hoje.

Segundo o Governo, a Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, que vai presidir ao início do curso, dinamizou o relançamento desta pós-graduação ao introduzir “melhorias relativamente a edições passadas” em linha com o projeto Práticas Saudáveis – Fim à Mutilação Genital Feminina, apresentado pelo Governo a 07 de novembro.

A parceria é agora alargada ao Alto Comissariado para as Migrações e à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que passam a aliar esforços nesta iniciativa com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, a Direção-Geral da Saúde e a Associação para o Planeamento da Família, refere a nota.

De acordo com o Governo, o plano curricular será ministrado por pessoas “com reconhecida competência teórica e prática sobre a matéria em Portugal”, dirigindo-se a pós-graduação preferencialmente a profissionais nas áreas com maior prevalência de mutilação genital feminina (MGF) e onde está a ser implementado o projeto Práticas Saudáveis – Fim à Mutilação Genital Feminina.

A pós-graduação vai decorrer até junho de 2019 e vai ser frequentada por sete médicas, 14 enfermeiras, uma psicóloga e quatro assistentes sociais, que vão ficar dotadas “com competências avançadas para o trabalho de prevenção da MGF, bem como de atendimento e apoio a mulheres que tenham sido sujeitas à prática”, indica a nota.

O gabinete de Rosa Monteiro refere ainda que “o apoio à abertura deste curso confirma o empenho do Governo em envolver todos os setores no combate à mutilação genital feminina, orientando recursos e competências para uma ação mais coordenada e eficaz na erradicação desta prática”.

A Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação – Portugal + Igual, aprovada em março, inscreveu a problemática da mutilação genital feminina no Plano de Ação para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e à Violência Doméstica 2018-2021 e alargou a intervenção a outras práticas tradicionais nefastas como os casamentos infantis, precoces e forçados.

Governo
A ministra da Saúde afirma que a proposta do Governo para a Lei de Bases da Saúde respeita o “espírito da proposta” da comissão...

Marta Temido apresentou ontem publicamente as linhas gerais da proposta do Governo para uma nova Lei de Bases da Saúde, mas na cerimónia de apresentação, que contou com dezenas de personalidades do setor, não esteve presente Maria de Belém, que presidiu à comissão de revisão da Lei de Bases, nomeada pelo anterior ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Questionada pelos jornalistas sobre a ausência de Maria de Belém, a ministra da Saúde optou por dar conta da sua “satisfação” com a presença de “vários elementos” que integraram a comissão de revisão da Lei de Bases.

Marta Temido louvou o trabalho da comissão, considerando que cumpriu o seu papel com “exemplar desempenho”.

A ministra da Saúde já tinha dito publicamente que a atual equipa ministerial, em funções há cerca de dois meses, pretendia incorporar a sua visão no documento da Lei de Bases e hoje reiterou esse propósito: “O espírito da proposta da comissão está perfeitamente respeitado, mas ninguém pensaria que não fosse o Governo a usar as teclas do seu computador para fazer a redação final da proposta”.

No seu discurso na cerimónia de apresentação, a ministra da Saúde considerou que a proposta de Lei de Bases da Saúde "é ideologicamente coerente” com o que o Governo defende.

Marta Temido defendeu que o documento traz um "reforço do papel do Estado" e da saúde pública.

A atual proposta prevê uma gestão preferencialmente pública dos estabelecimentos do SNS, pretende reduzir a mobilidade de profissionais entre o setor público e o privado, abrindo a porta à exclusividade no Serviço Nacional de Saúde, prevê um plano de investimento plurianual e introduz a referência ao cuidador informal.

Ministra da Saúde
A proposta do Governo para a Lei de Bases da Saúde dá uma “indicação muito clara” de que o país deve evoluir para “uma...

Segundo a ministra da Saúde, o que o Governo pretende é, “em condições voluntárias, específicas, de concreto interesse do SNS”, avançar para a dedicação exclusiva dos profissionais de saúde.

“A atual lei de bases ainda contém uma menção, que era própria da altura, a um apoio à mobilidade de profissionais entre setor público e privado. Os tempos são muito diferentes. [A proposta tem] uma indicação muito clara de que deveremos evoluir de uma forma progressiva para a dedicação plena dos profissionais de saúde ao Serviço Nacional de Saúde. Os profissionais são o maior investimento e o recurso mais importante do SNS”, afirmou Marta Temido aos jornalistas no final da apresentação pública das linhas gerais da proposta do Governo, ontem aprovada em Conselho de Ministros.

Mesmo depois de aprovada uma Lei de Bases no parlamento, a ministra lembra que serão necessárias medidas legislativas complementares sobre este tema, que terá regras mais específicas.

A proposta de Lei de Bases do Governo propõe ainda a criação de um plano de investimentos plurianual para o Serviço Nacional de Saúde, que inclua investimento em instalações e equipamentos.

O documento que o Governo submete agora ao parlamento cria ainda uma “delimitação mais rigorosa” entre o setor público, privado e social, “com critérios mais transparentes”.

A ministra Marta Temido lembrou que a Lei de Bases ainda em vigor “afirma que o Estado apoia o setor privado em concorrência com os serviços públicos” e que o Governo defende que tem de se ser mais rigoroso na delimitação entre setores.

Pontos essenciais
A nova Lei de Bases da Saúde, ontem aprovada pelo Governo, condiciona o recurso a privados à avaliação das necessidades e...

Do mesmo modo, a nova lei prevê o fim do apoio do Estado “à facilitação de mobilidade de profissionais entre o setor público e o setor privado” e “evolui progressivamente para a criação de mecanismos de dedicação plena ao exercício de funções públicas”.

As taxas moderadoras mantêm-se para evitar o “risco de um consumo desenfreado, excessivo e contrário aos interesses da sociedade”.

Embora o documento não tenha sido ainda tornado público, o Ministério da Saúde já apresentou as linhas gerais da nova legislação, que se segue ao anteprojeto da Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, presidido pela ex-ministra Maria de Belém Roseira.

A ministra da Saúde, Marta Temido, assumiu entretanto que a atual equipa do Ministério da Saúde queria incorporar a sua visão no documento.

Também o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) apresentaram projetos de revisão da Lei de Bases da Saúde, que está em vigor há 28 anos.

O documento ontem aprovado pelo Conselho de Ministros segue agora para o parlamento.

Princípios gerais
Ao atualizar a lei de bases em vigor desde 1990, o Governo diz que a legislação é “concisa e abrangente”, mas “sem prejuízo da matriz universal, geral e solidária do direito à proteção da saúde, primordialmente financiados por impostos e com gestão pública”.

O documento, diz ainda o executivo, pretende refletir as tendências internacionais (“saúde em todas as políticas”, saúde global e centrada no cidadão”), tendo ainda em conta as mudanças demográficas e epidemiológicas, cidadãos mais informados e exigentes a respeito dos seus direitos e deveres, e evolução tecnológica”.

A Comissão de Revisão previa no seu anteprojeto que “o Estado promove e garante o acesso de todas as pessoas às prestações de saúde” e a que a política de saúde deve “centrar-se na pessoa e na sua dignidade”.

O projeto do BE defende que cabe ao Estado o acesso e a prestação de cuidados de saúde a todos os cidadãos, através do SNS, e no mesmo sentido vai a proposta do PCP, salvaguardando que o serviço deve ser “universal, geral e gratuito”.

Financiamento
O Ministério da Saúde advogou ontem o financiamento público do SNS, referindo que a despesa no setor é de cerca de 12% a 13% da despesa global, ligeiramente abaixo da média internacional, que é de 15%.

A proposta da comissão defendia que o SNS deve ser financiado pelo Orçamento do Estado (OE), devendo aproximar-se da dotação da média da UE, pelo pagamento de cuidados por parte de terceiros responsáveis (subsistemas de saúde ou seguradoras), cuidados prestados a não beneficiários, serviços de investigação, uso de instalações ou equipamentos, alienação de bens, donativos, taxas e coimas.

Também o PCP e BE defendem um SNS financiado pelo OE e outras receitas, provenientes por exemplo de cuidados prestados a não beneficiários ou multas.

Taxas moderadoras
Segundo a ministra da Saúde, a nova Lei de Bases tem uma formulação muito próxima da proposta da Comissão de Revisão, mantendo-se as taxas moderadoras como “mecanismo de moderação da procura desnecessária” aos hospitais, com isenções agregadas “em função da condição de recursos, de doença ou outras situações de fragilidade que se entendam salvaguardar e com um teto máximo”.

Marta Temido refere que as taxas moderadoras representam 160 a 170 milhões de euros em receitas para o SNS e não são determinantes no financiamento, mas importa mantê-las para evitar o “risco de um consumo desenfreado, excessivo e contrário aos interesses da sociedade”.

A proposta da comissão de revisão também prevê taxas de moderadoras e isenções, devendo a lei estabelecer “limites ao montante máximo ao montante total de taxas moderadoras a pagar por prestação e por ano”.

O PCP defende, por sua vez, a eliminação das taxas moderadoras, já o BE prevê que sejam praticamente extintas, exceto nos casos de prestações de saúde não solicitadas por médicos ou outros profissionais.

Setores privado e social
Segundo a proposta de lei do Governo, os setores público, privado e social atuam sob um princípio de cooperação e “pautam-se por regras de transparência e de prevenção de conflitos de interesse ao nível dos seus profissionais”.

A contratação de entidades do setor privado e social, tal como o recurso a entidades terceiras, “é condicionada à avaliação da necessidade”, prevalecendo “a primazia dos serviços próprios do Estado na prestação de cuidados”.

Na proposta do Governo, elimina-se o apoio do Estado ao “desenvolvimento do setor privado da saúde (…) em concorrência com o setor público”.

O Governo quer ainda reforçar a autonomia de gestão das unidades do SNS e o investimento em investigação e inovação, prevendo planos de investimento plurianuais.

O anteprojeto da Comissão de Revisão também já previa que os setores público, social e privado devem atuar entre si de acordo com o “princípio de cooperação e de separação”, pautado por regras de transparência e igualmente de acordo com as necessidades.

Para o PCP, “os serviços e estabelecimentos de saúde do SNS não podem ser geridos por entidades privadas ou do setor social”, enquanto o BE admite a celebração de acordos com entidades privadas, se isso for indispensável para garantir o acesso universal.

Profissionais de saúde
Na nova Lei de bases, elimina-se o apoio do Estado “à facilitação de mobilidade de profissionais entre o setor público e o setor privado”, evoluindo “progressivamente para a criação de mecanismos de dedicação plena ao exercício de funções públicas”.

Para a ministra da Saúde, “são linhas que, até face àquilo que hoje em dia é o poder do setor privado, importava contrariar”.

Na proposta da comissão de revisão, os profissionais de saúde do SNS têm de ter autorização do Ministério para exercerem funções privadas, não podendo ser autorizada se houver prejuízo para o SNS. Por outro lado, a lei pode criar incentivos que promovam a dedicação exclusiva dos profissionais ao SNS e à investigação.

Tanto o projeto do PCP como o do BE defendem a promoção da exclusividade dos profissionais de saúde no SNS, com os comunistas a quererem também diminuir “progressivamente, até à eliminação”, o recurso a profissionais sem vínculo ao SNS e os bloquistas a referirem a necessidade de assegurar cobertura adequada do território nacional.

Utentes
O Ministério da Saúde destaca que “o cidadão passa a ser claramente o centro de toda a política de saúde”, com foco na sua capacidade de tomar decisões, mas também novos deveres, como a autorresponsabilização.

A nova lei preconiza a participação as pessoas “na definição, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde e nas decisões que dizem respeito ao seu bem-estar, promovendo-se a literacia para a saúde”.

O documento prevê também novos modelos assistenciais, “salvaguardando que o modelo de prestação garantido pelo SNS está organizado e funciona de forma articulada e em rede”.

Por outro lado, alarga ainda o conceito de beneficiários do SNS a requerentes de proteção internacional, migrantes legais e ilegais, reclusos e crianças internadas em centros educativos.

A saúde pública, mental e ocupacional passa a ter bases próprias, e, segundo a ministra da Saúde, a nova lei passa a contemplar os cuidados paliativos e os cuidados continuados e ainda uma referência expressa ao cuidador informal.

A proposta da comissão de revisão defendia que cada pessoa possa recusar receber a prestação de cuidados proposta, com exceção dos casos previstos pela lei, e nomear um procurador de cuidados de saúde. Os utentes teriam também direito a ser informados da posição que ocupam na lista de inscrições para cuidados de saúde.

A mesma proposta refere serem igualmente beneficiários do SNS os turistas e cidadãos com residência permanente ou temporária em Portugal e o encargo público quando seja necessário referenciar beneficiários do SNS para o estrangeiro, quer por assistência mútua na UE, quer por falta de condições em Portugal.

O PCP defende programas especiais de proteção da saúde para grupos vulneráveis ou de risco e uma “eficiente cobertura nacional” dos cuidados primários, hospitalares, continuados e paliativos.

O BE também quer medidas especiais para as populações mais vulneráveis, tais como crianças, adolescentes, grávidas, idoso, deficientes, consumidores de drogas ilícitas e doentes crónicos, além de trabalhadores cuja profissão assim o justifique, imigrantes, cidadãos com baixos rendimentos e socialmente excluídos.

Ministra da Saúde
A ministra da Saúde considerou que a proposta de Lei de Bases da Saúde "é ideologicamente coerente com o que é definido...

Marta Temido falava na cerimónia em que apresentou as linhas gerais da proposta do Governo para a nova Lei de Bases da Saúde e defendeu que o documento traz um "reforço do papel do Estado" e da saúde pública.

A atual proposta prevê uma gestão preferencialmente pública dos estabelecimentos do SNS, pretende reduzir a mobilidade de profissionais entre o setor público e o privado, abrindo a porta à exclusividade no Serviço Nacional de Saúde, prevê um plano de investimento plurianual e introduz a referência ao cuidador informal.

A proposta do Governo foi ontem aprovada em Conselho de Ministros.

Região Centro
A resposta dos Cuidados Paliativos Pediátricos ainda é "claramente" insuficiente para as necessidades da Região...

"Ainda não existe nenhum estudo de prevalência publicado em Portugal, mas as previsões é que as necessidades rondem as 1.200 a 1.500 crianças com necessidades de cuidados paliativos", explicou aos jornalistas Cândida Cancelinha.

A médica, que falava à margem do IX Plenário Regional das Unidades Coordenadoras Funcionais, que decorreu hoje no Hospital Pediátrico de Coimbra, salienta que, apesar de não existir um levantamento nacional, "sabe-se que aquilo que se está a prestar ainda é muito aquém das necessidades".

A atual equipa, constituída por três médicas, duas enfermeiras, mais duas enfermeiras de reabilitação, uma assistente social e uma psicóloga, acompanha atualmente 46 crianças em ambiente hospitalar e cerca de 30 no domicílio.

"O nosso objetivo é ter uma equipa com dedicação exclusiva, que ainda não temos neste momento, visto que nenhum dos elementos tem alocação completa do seu horário para os cuidados paliativos, e conseguir que nos diferentes níveis de cuidados hospitalares e primários que também as equipas comecem a ter mais formação, quer teórica, quer prática, para começar a incrementar outro tipo de respostas", referiu.

Ainda sem data para uma equipa a tempo inteiro nesta área, Cândida Cancelinha refere que, nas recomendações de saúde, o que está previsto em Portugal "é que as equipas especializadas possam alocar idealmente o tempo completo".

Esta equipa a tempo inteiro, segundo a responsável, iria possibilitar assistir um maior número de crianças e aquelas que estão em fase de agravamento e deterioração clínica, acompanhamento e consultas mais regulares do que "atualmente se consegue".

"Muito daquilo que são os cuidados paliativos são prestados pelos diferentes profissionais e quando a criança é seguida em várias consultas há sempre a abordagem multiprofissional e nas diferentes dimensões: no controlo de sintomas, no apoio emocional, psicológico e social", disse.

De acordo com a coordenadora da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte do Hospital Pediátrico de Coimbra, "há um conjunto de cuidados que tem vindo a ser prestado desde sempre, mas que nas situações mais complexas é, de facto, necessário que seja prestado de forma mais eficaz e mais sedimentada com pessoas que tenham formação específica na área".

Cândida Cancelinha adiantou ainda que já foi apresentada uma proposta para a criação de uma unidade de internamento em cuidados paliativos, que já recebeu autorização, e o "objetivo é que a curto prazo funcione de forma plena".

O internamento é importante porque a "alocação de recursos também é diferente e há uma maior disponibilidade, ao nível de recursos de enfermagem, para assistir e deve pensar-se que uma criança que pode estar em fim de vida pode ter um enfermeiro que assiste mais seis ou sete crianças".

"A intenção é rentabilizar os recursos que existem, humanizar a prestação de cuidados e permitir que se aumente a disponibilidade de internamento para outras unidades da região centro", explicou.

Em 2017, adiantou, foi também efetuada uma candidatura para um programa de internamento no domicílio, que não foi aprovada, mas que "avançará quando houver nova oportunidade e incentivo para isso, já que requer um aumento significativo dos recursos e disponibilidade de médico e enfermeiro 24 horas por dia".

Ministra da Saúde
A nova Lei de Bases da Saúde pretende reforçar a gestão pública dos estabelecimentos do Serviço nacional de Saúde, podendo...

“Os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde terão gestão pública”, mas “admitimos exceções”, afirmou Marta Temido num encontro com jornalistas antes da apresentação da nova Lei de Bases de Saúde, aprovada hoje em Conselho de Ministros e que terá de ser submetida à aprovação da Assembleia da República.

“Admitimos que, com um horizonte temporal definido por contrato, possa ver outras entidades a fazer a gestão de estabelecimentos públicos. Se São PPP [parceria público-privada], acordos de cooperação ou outro tipo de contrato que se venha a definir por intersecção com outras regras legislativas é algo que nos parece que não devemos estar a constranger”, sublinhou.

O Bloco de Esquerda e o PCP apresentaram propostas de lei de bases que defendem o fim das parcerias público-privadas, mas Marta Temido disse que é preciso ter em conta a realidade atual.

“Por muito que nos posicionemos do lado de uma gestão pública forte, tecnicamente preparada, responsável, autónoma, não nos parece que possamos, por lei, deitar uma espécie de manto sobre tudo aquilo que existe à nossa volta”, disse.

Neste momento, sustentou, “a realidade que temos conta com a gestão privada em alguns estabelecimentos públicos”, nas PPP e nos hospitais devolvidos às Misericórdias.

“Portanto, dizer uma coisa diferente, seria dizer que, para já, iríamos tomar uma atitude de alteração daquilo que é a realidade e isso não está no programa deste Governo e temos que ser pragmáticos em relação àquilo que queremos fazer”, concluiu.

A proposta da Lei de Bases da Saúde elimina o apoio do Estado ao “desenvolvimento do setor privado da saúde (…) em concorrência com o setor público”, condiciona a contratação de entidades terceiras à avaliação das necessidades e defende o princípio de cooperação entre os setores públicos, privado e social.

Questionada sobre como define a relação entre os três setores, Marta Temido afirmou que “é uma relação de transparência, de conflitos de interesse totalmente minimizados, enquadrados, regulados”.

“Os setores existem, respeitamo-los, primordialmente entendemos que é aos serviços públicos e ao Estado que incumbe a proteção da saúde mas obviamente que percebemos que a cooperação entre todos os agentes é fundamental”, disse a ministra.

Portugal conseguiu “viver até hoje com uma Lei de Bases da Saúde que continua a ter artigos onde se fala do apoio do Estado ao desenvolvimento do setor privado da saúde em concorrência com o setor público” e que facilitava a mobilidade de profissionais entre o setor público e privado.

“São linhas que face àquilo que hoje em dia é o poder do setor privado importava contrariar” na nova lei, explicou.

Sobre a contratação de entidades terceiras ser condicionada à avaliação de necessidades, Marta Temido disse que já existia na lei, mas o objetivo é reafirmar este princípio com “o alinhamento com o seu cumprimento”.

Sobre as taxas moderadoras, a ministra explicou que são “um instrumento de moderação da procura desnecessária” e, como tal, continuam a constar desta proposta "com um desenho que claramente reflete que não são uma fonte de financiamento”.

“São previstas com isenções agregadas em função da condição de recursos”, da condição de doença ou de outras situações de fragilidade das pessoas que se entendam salvaguardar e com um teto máximo, uma proposta “muito próxima” da formulada pela comissão e contra as propostas do BE e do PCP que defendiam o seu fim.

Segundo a ministra, as taxas moderadoras representam 160 a 170 milhões de euros de receita para o Serviço Nacional de Saúde.

“Não estamos a falar de algo que seja determinante no sistema como financiamento, não é esta receita que nos preocupa, o que nos preocupa é que se deixássemos cair as taxas moderadoras poderíamos correr o risco de um consumo desenfreado, excessivo e contrário aos interesses da sociedade”, vincou.

Ministra da Justiça
O novo regime jurídico do maior acompanhado, que entra em vigor em fevereiro de 2019, é um “sistema maleável e dúctil” que...

Portugal, segundo Francisca Van Dunem, “é o quarto país da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico com maior taxa de demências”, um dos fatores que justifica também a revisão daquele regime jurídico, em cujo processo legislativo estiveram envolvidos académicos de universidades portuguesas.

O novo regime jurídico do maior acompanhado está consagrado na Lei 49/2018, de 14 de agosto, que eliminou os institutos da interdição e da inabilitação.

“Temos um regime muito rígido”, declarou a ministra da Justiça aos jornalistas, após ter usado da palavra na abertura de um colóquio sobre o assunto, promovido pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDCU), através do professor catedrático António Pinto Monteiro, que participou no processo que levou à aprovação do futuro regime do maior acompanhado.

Francisca Van Dunem salientou a necessidade de ajustar às alterações da sociedade das últimas décadas o regime que visa “apoiar as pessoas com capacidade diminuída”, designadamente pelo envelhecimento, acidentes e diversos fatores de saúde, entre outras razões.

Ministra da Saúde
A nova Lei de Bases da Saúde quer reduzir a mobilidade de profissionais entre o setor público e o privado, abrindo a porta à...

A proposta da Lei de Bases da Saúde, aprovada hoje em Conselho de Ministros e que terá de ser submetida à aprovação da Assembleia da República, elimina o apoio à facilitação da “mobilidade de profissionais entre o setor público e o setor privado”.

“A nova lei de Bases fala na evolução progressiva para a criação de mecanismos de dedicação plena ao exercício de funções públicas”, uma proposta que está em linha com o programa do Governo, disse Marta Temido num encontro com jornalistas antes da apresentação da nova Lei de Bases de Saúde.

“Não sendo a exclusividade algo que tenha de ter um caráter obrigatório ou universal, no sentido de todos os profissionais estarem abrangidos por uma opção desse tipo, não só sob o ponto de vista da sua voluntariedade que a aceita, mas do interesse dos serviços, esse é um caminho que temos que percorrer”, sublinhou.

Marta Temido disse não saber se irá acontecer nesta ou numa próxima legislatura, mas, afirmou que, “claramente o Serviço Nacional de Saúde”, que é quem forma maioritariamente os médicos internos, “terá que ter uma outra garantia de que os retém após a sua formação”.

“Mas há outra questão que é percebermos que esta circunstância com que todos vamos vivendo mais ou menos pacificamente, que é ter as pessoas a circular entre o setor público e o setor privado, traz constrangimentos muito fortes”, adiantou.

Por esta razão, “provavelmente, faz sentido que alguns profissionais tenham essa exclusividade no Serviço Nacional de Saúde, como os privados hoje em dia já vão exigindo aos seus profissionais”.

A proposta aprovada teve por base o projeto da Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, presidida por Maria de Belém Roseira, e a experiência das últimas décadas e procura "responder aos desafios do futuro", 28 anos depois da anterior Lei de Bases da Saúde.

Marta Temido salientou que o Governo só conseguiu produzir esta proposta num “curto espaço de tempo” porque teve o “apoio de base da comissão”.

“Esta é uma lei que pretende servir o século XXI e o sistema de saúde no século XXI”, refletindo “as tendências internacionais em termos de grandes linhas de política de saúde, a questão da centralidade do cidadão, mas também a questão da saúde global”, adiantou.

A nova lei procura também refletir “as mudanças demográficas epidemiológicas”, disse, exemplificando que a anterior Lei de Bases da Saúde não falava em cuidados paliativos e em cuidados continuados.

“A atual tem essa preocupação”, garantindo a proteção da saúde ao longo de todo o ciclo de vida, integrando novas respostas ao nível destes cuidados", disse a ministra.

A referência ao cuidador informal surge pela primeira vez nesta lei, a saúde pública, a saúde mental e saúde ocupacional têm bases próprias e os requerentes de proteção internacional, migrantes, com ou sem a sua situação regularizada, reclusos e menores internados em centros educativos são incluídos no conceito de beneficiários do SNS.

“Esta lei traz um catálogo de direitos e deveres das pessoas mais aprofundado do que aquilo que estava na lei de 90 e também um abrir de portas à participação das pessoas na construção do sistema de saúde, na definição de políticas, na gestão participada das organizações de saúde, o que lhes confere poder, mas também responsabilidade”, salientou Marta Temido.

Papa Francisco
O papa Francisco denunciou ontem o desperdício de alimentos defendendo que "é essencial educar as crianças e os jovens...

Esta foi uma das mensagens enviadas por Francisco aos participantes no Dia de Estudo "Água, alimentos e agricultura. Vamos construir o amanhã", um evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) na Universidade Politécnica de Madrid (Espanha).

O pontífice explicou que educar as crianças para que se alimentem corretamente "envolve saber o valor dos alimentos, deixar o consumismo frenético e compulsivo e fazer da mesa um lugar de encontro e fraternidade, não apenas espaço para ostentação, resíduos ou caprichos".

Francisco disse ainda na sua mensagem que "embora a terra tenha recursos para todos, tanto em quantidade como em qualidade, uma enorme multidão sofre com a fome e é cruelmente castigada pela pobreza".

"Para erradicar esses males, bastaria eliminar as injustiças e as desigualdades e colocar no seu lugar políticas futuras e de longo alcance, eficazes e coordenadas", acrescentou.

Na sua mensagem o papa lamentou também que, embora "a água seja essencial, infelizmente nem todos têm acesso a ela" e exortou "a que seja melhor distribuída e gerida de forma sustentável e racional".

Para o papa, é necessária "uma sociedade que coloca os seres humanos e os seus direitos fundamentais no centro, sem deixar arrastar-se por interesses questionáveis que só enriquecem alguns e, lamentavelmente, sempre os mesmos".

"Esse também será o caminho para garantir que as gerações futuras encontrem um mundo harmonioso sem brigas, com os recursos necessários para desfrutar de uma vida plena e digna", acrescentou Francisco.

 

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Sociedade Portuguesa de Cardiologia e o youtuber Sir Kazzio juntam-se para ensinar crianças a usar o 112 e capacitá-las a...

O Natal é das crianças e é por isso mesmo que a Sociedade Portuguesa de Cardiologia e o Youtuber Português Sir Kazzio lançam, este mês a campanha "Tu és Capaz": um vídeo que oferece aos mais novos um superpoder: Aprender a usar o 112 em caso de emergência e, assim, a salvar vidas.

Está provado que as crianças estão aptas a agir em situações de emergência, mas têm que ser ensinadas a fazê-lo corretamente. Portugal tem poucos recursos destinado ao ensino dos mais novos, pelo que a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, no âmbito da sua responsabilidade educativa e social, quis elaborar um conteúdo que permite educar este grupo.

Segundo dados publicados pela União Europeia, apenas 51% dos portugueses sabe que o 112 é o número nacional de emergência. Ainda que se trate de um valor ligeiramente acima da média da União Europeia (48%), revela que metade da população nacional desconhece a existência de um contacto geral para onde deve ligar em caso de urgência, seja ela do âmbito médico, policial ou outro. Face a este cenário, a Comissão Europeia colocou em marcha ações de divulgação, sobretudo junto dos mais novos, e a SPC não hesitou em responder a esse apelo.

Dedicada ao público infantil, o objetivo da campanha “Tu és capaz” é ensinar as crianças a utilizar o número nacional de emergência médica (112) e a dar as informações solicitadas pelo operador do serviço de emergência. Está provado que as crianças estão aptas a agir em situações de perigo, mas têm que ser ensinadas a fazê-lo corretamente, até porque muitas das emergências mais frequentes, como os AVC e os enfartes do miocárdio, são eventos em que uma resposta rápida é essencial para evitar um desfecho potencialmente fatal ou com consequências incapacitantes.

Como a melhor forma de chegar às crianças é, cada vez mais, através das plataformas digitais, nada melhor do que recorrer a um dos youtubers de maior sucesso no nosso país para explicar algumas informações básicas, nomeadamente como saber explicar o local onde está a vítima, de que tipo de emergência se trata e, claro, alertar para os perigos das chamadas falsas para este número, que sobrecarregam o sistema e podem afetar a resposta a emergências reais, colocando em risco a vida daqueles que realmente precisam de ajuda imediata.

Este é mais um exemplo do trabalho desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia no sentido de contribuir para uma maior literacia em saúde, nomeadamente ao nível da prevenção das doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no nosso país. Outras campanhas promovidas pela SPC, como foi o caso de “Não perca tempo, salve uma vida”, dedicada à sensibilização para os sintomas do enfarte do miocárdio, foram tão bem recebidas que se tornaram um exemplo a nível internacional.

Conselho de Ministros
O Conselho de Ministros aprovou hoje a nova Lei de Bases da Saúde, que visa "assegurar aos portugueses a melhor promoção e...

A proposta de lei, que será submetida à aprovação da Assembleia da República, resulta do projeto apresentado pela Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde e que foi objeto de discussão pública, envolvendo parceiros institucionais, agentes do setor e o público em geral, adianta o comunicado do Conselho de Ministros.

Segundo o Governo, o diploma reafirma o papel do Estado enquanto garante do direito à proteção da saúde, através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de outras instituições públicas, assegurando um melhor acesso das pessoas aos cuidados de saúde.

A proposta hoje aprovada teve por base o projeto da Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde e a experiência das últimas décadas e procura "responder aos desafios do futuro", 28 anos depois da anterior Lei de Bases da Saúde.

Procede-se assim à atualização da Lei de Bases da Saúde, atendendo "à evolução da sociedade e da tecnologia e apostando numa maior clarificação das relações entre os setores público, privado e social, e no fortalecimento e modernização do SNS", salienta ainda a nota do Conselho de Ministros.

A nova Lei de Bases será apresentada hoje à tarde numa cerimónia dirigida pela ministra da Saúde, Marta Temido, no Centro de Saúde de Sete Rios, em, Lisboa.

De acordo com recentes declarações da ministra, a nova Lei de Bases da Saúde "centra a política nas pessoas" e pretende "um fortalecimento do SNS" e da gestão pública das unidades.

Também o primeiro-ministro, António Costa, referiu já que a nova Lei de Bases da Saúde permite a “adaptação ao século XXI, àquilo que são as inovações tecnológicas, àquilo que são as novas tendências demográficas, àquilo que são as novas formas de prestação de cuidados”.

“Em segundo lugar, a clarificação entre aquilo que deve ser considerado do setor público, do setor privado e do setor social”, e, em “terceiro lugar, a centralidade nas pessoas e nos resultados em saúde para cada uma das pessoas”, acrescentou António Costa.

Outro pilar da proposta - indicou - prende-se com “o reforço do investimento em inovação e investigação, que são essenciais à melhoria da qualidade de saúde futura”.

O anteprojeto da nova Lei de Bases da Saúde, apresentada em junho pela Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, presidida pela ex-ministra Maria de Belém Roseira, previa um limite ao valor máximo das taxas moderadoras a pagar por cada prestação de cuidados de saúde e por ano, para proteger os beneficiários de pagamentos excessivos.

O documento previa também o funcionamento das instituições em rede e que as carreiras dos profissionais de saúde assentem no mérito e na progressão através de provas públicas, com incentivos à produtividade.

Relativamente ao financiamento dos estabelecimentos e serviços de saúde, a proposta defendia que seja feito através da contratualização, com vista à obtenção de “ganhos em saúde e mais qualidade na prestação” de cuidados.

Quanto ao financiamento do SNS, a "pré-proposta" sustenta que deverá ser plurianual no planeamento dos recursos humanos, das infraestruturas e equipamentos e também deve visar uma aproximação relativamente ao financiamento médio per capita existente na União Europeia.

Mas a ministra da Saúde disse entretanto que o anteprojeto da comissão liderada por Maria de Belém Roseira ira ser ainda “aperfeiçoada”.

Também o Bloco de Esquerda apresentou uma proposta sobre a Lei de Bases da Saúde, “que proteja e salve o SNS” e “que acabe com o princípio de que o Estado tem de financiar os privados”, tal como o PCP, defendendo uma nova legislação contra "o subfinanciamento [do SNS] ou as Parcerias Público-Privadas".

No ano passado, o antigo ministro socialista António Arnaut, considerado o criador do SNS, e o ex-dirigente bloquista João Semedo (ambos já falecidos) publicaram um livro de proposta de revisão da Lei de Bases da Saúde, com o título "Salvar o Serviço Nacional de Saúde".

Governo
O quadro legal para utilização de canábis na preparação de medicamentos foi hoje aprovado em Conselho de Ministros, que explica...

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, o Governo aprovou um decreto-lei que “estabelece o quadro legal para a utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base da planta da canábis para fins medicinais, nomeadamente a sua prescrição e a sua dispensa em farmácia”.

A regulamentação, acrescenta, foi baseada numa “análise pormenorizada dos Programas de Canábis Medicinal já existentes em outros Estados-membros da União Europeia, nomeadamente na Dinamarca, Holanda e Itália, bem como a avaliação da sua exequibilidade na realidade nacional”.

A utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base de canábis foi aprovada pelo parlamento em 15 de junho, na sequência da apresentação de projetos de lei do Bloco de Esquerda e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

A lei foi depois promulgada pelo Presidente da República em 10 de julho.

Hoje, o Governo aprovou a proposta de regulamentação, depois de pedidos pareceres a instituições como as ordens dos Médicos e a dos Farmacêuticos, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e a Associação Nacional de Farmácias.

Como referiu a presidente do regulador do medicamento (Infarmed) na altura, os medicamentos à base de canábis deverão ser prescritos por médicos, caso as outras terapêuticas convencionais não tenham efeitos ou tenham efeitos adversos.

Governo
O Conselho de Ministros aprovou hoje um decreto-lei que altera o regime de proteção dos animais usados para fins científicos...

“As alterações têm em vista clarificar algumas das normas daquele regime, no sentido de reforçar a proteção de animais, e de modo a que a diretiva 2010/63/UE se encontre corretamente transposta para a ordem jurídica nacional”, lê-se no comunicado emitido no final da reunião do governo.

Em julho, Bruxelas deu a Portugal um prazo de dois meses para transpor corretamente para o direito nacional as regras comunitárias em matéria de proteção destes animais.

Findo o prazo, a agência Lusa contactou a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), segundo a qual a resposta estava pronta e a seguir os trâmites processuais, visando “ajustamentos” à legislação já adotada em 2013.

Entrevistado pela Lusa na ocasião, o presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências em Animais de Laboratório (SPCAL, afirmou que mais do que legislação falta capacidade de fiscalização no cumprimento das normas de utilização dos animais para estes fins.

De acordo com os dados disponíveis no portal da DGAV, em 2014 havia registo de 25.606 animais utilizados em experiências relacionadas com investigação na área da oncologia, sistema cardiovascular, sanguíneo e linfático, nos sistemas nervoso e respiratório e nos sistemas gastrointestinal (incluindo o fígado), e musculoesquelético.

Bruxelas apontou falhas na legislação nacional também ao nível das inspeções e da salvaguarda de que os procedimentos que impliquem um elevado nível de dor só possam ser provisórios.

Um dos quadros disponíveis no portal da DGAV relativos ao último ano com registos publicados (2014), que categoriza a severidade, revelava uma taxa de não recuperação de 40,09% e procedimentos severos em 2,90% dos casos, moderados em 24,75% e ligeiros em 32,26%.

“Por enquanto o animal não é substituível ainda. E digo ainda, infelizmente. Quando for não tenho a menor dúvida de que 90% dos investigadores vai imediatamente preferir o modelo alternativo”, estimou na altura o especialista.

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