No Porto
Projeto visa criar implantes em 3D, que, com a incorporação de nanopartículas inteligentes, conseguem reparar os defeitos de...

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, vai liderar um consórcio europeu que visa, com um financiamento de 5,5 milhões de euros, desenvolver “matrizes para reparar defeitos de cartilagem do joelho”, revelou esta segunda-feira a coordenadora.

“O nosso objetivo é promover uma regeneração adequada para a cartilagem. Este processo é muito complicado e extremamente difícil, daí recorrermos a tecnologias”, explicou Meriem Lamghari, investigadora do i3S e líder do projeto europeu.

O projeto, denominado RESTORE, visa criar matrizes [implantes] em três dimensões (3D), que, com a incorporação de nanopartículas inteligentes, conseguem reparar os defeitos de cartilagem do joelho e diminuir o aparecimento da osteoartrite, doença que afeta cerca de 242 milhões de pessoas em todo o mundo.

“Focamo-nos nos defeitos da cartilagem do joelho porque é uma das articulações mais afetadas. Com o tempo, os pequenos defeitos da cartilagem começam a crescer e temos uma degeneração do tecido, que com a idade e o tempo leva a uma osteoartrite”, esclareceu.

De acordo com a investigadora do i3S, escreve o Observador, uma vez que o tratamento para regenerar cartilagem é “muito difícil” e que o tecido tem uma capacidade de regeneração “limitada”, o projeto propõe a criação de dois diferentes implantes em 3D.

“Estamos a propor dois tipos de matrizes. Umas sintéticas, baseadas num polímero, e outras biológicas, ou seja, baseadas numa tecnologia de bioimpressão. Em ambos os casos, vamos desenvolver nanopartículas para dar a estas matrizes capacidade de evitar a inflamação, a infeção e promover a regeneração do tecido”, frisou.

Os investigadores pretendem ainda desenvolver um dispositivo equipado com sensores capaz de “ativar as nanopartículas à distância sem utilizar um método invasivo”. Segundo Meriem Lamghari, além da coordenação do projeto, o i3S vai desenvolver nanopartículas “capazes de libertar fármacos” e perceber se as funções e a segurança pretendidas são ou não asseguradas.

O consórcio europeu de investigação em regeneração de cartilagem, liderado pelo i3S e financiado pela Comissão Europeia em 5,5 milhões de euros, conta nos próximos três anos e meio com a colaboração de parceiros de Espanha, Itália, Alemanha, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia.

Indústria farmacêutica
A indústria farmacêutica está a preparar-se para uma nova lei norte-americana que, segundo os investigadores, trará mais...

A legislação, que exige que as empresas farmacêuticas testem potenciais medicamentos contra o cancro em crianças e adultos, entrará em vigor em 2020.

“Estamos a viver um momento emocionante”, disse Crystal Mackall, investigadora ligada à oncologia pediátrica da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. “Se antigamente tínhamos de pedir encarecidamente para falar com as farmacêuticas, neste momento são elas que estão a querer entrar em contato connosco.”

Durante anos, as empresas farmacêuticas recusaram-se a dar início a testes de medicamentos contra o cancro infantil, pois estes eram considerados arriscados e pouco lucrativos.

Ao contrário do que acontece com o cancro em adultos, o mercado do “cancro infantil” é relativamente pequeno: segundo a American Cancer Society, dos estimados 1,7 milhões de novos casos de cancro nos Estados Unidos em 2018, apenas 10 590 envolveram crianças com 14 anos ou menos.

Para Norman Lacayo, oncologista pediátrico do Hospital Infantil Lucile Packard, nos Estados Unidos, a Europa tem tido um papel muito mais duro do que os Estados Unidos em conseguir que fabricantes de medicamentos testem terapias em crianças.

“Estávamos com ciúmes da Europa, onde forçaram todas as empresas a ter planos de investigação pediátrica para todas os fármacos, algo que nós não tínhamos”, disse o oncologista.

Mas, felizmente, esse cenário está a mudar.

Em 2019, Norman Lacayo irá lançar um ensaio clínico de um fármaco para a leucemia em adultos, feito pela Roche, em crianças cuja leucemia recaiu. O ensaio pode ajudar alguns dos seus pequenos pacientes, como Avalynn Wallace, de 6 anos, que contraiu uma forma agressiva de leucemia há dois anos atrás.

Depois de muitas rondas de quimioterapia, Avalynn continuou a recair e desenvolveu infeções, tendo sido sujeira a um transplante de células estaminais em setembro de 2018.

“Eu não acho que haja muitas opções para nós”, disse a sua mãe, Nicole Wallace, “daí ser tão importante que as empresas farmacêuticas ofereçam testes para medicamentos que possam curar estas terríveis doenças pelas quais as crianças passam”.

Mais de 80% das crianças com cancro conseguem curar-se. No entanto, alguns tipos de cancro pediátrico resistem ao tratamento e os médicos têm poucos recursos.

“É um pesadelo para as famílias que não têm opções, mas espero que este novo ensaio clínico da Roche lhes possa dar esperança”, conta Norman.

Hubert Caron, que lidera a equipa de oncologia pediátrica da Roche, chama a esta nova legislação de uma “divisora de águas” que trará mais tratamentos para crianças com cancros incuráveis.

Segundo o médico, há algum tempo que esta farmacêutica se andava a focar nos casos de cancro infantil espalhados pelo mundo, mas esta legislação norte-americana está a “estimular a empresa, e outros, a fazer mais e melhor”.

“Tenho a certeza que veremos grandes mudanças nas terapias para crianças entre os próximos 5 ou 10 anos”, prevê o Hubert.

Em 2017, o Congresso norte-americano aprovou a Lei de Pesquisa para Acelerar a Cura e a Equidade para Crianças, exigindo que as empresas realizem testes clínicos sobre medicamentos contra o cancro direcionados para crianças.

Dados os poucos medicamentos contra o cancro para crianças, os oncologistas pediátricos disseram ter usado aqueles destinados a adultos em pacientes jovens.

“A maioria dos fármacos que usamos para tratar e curar o cancro infantil foi desenvolvida nos anos 50, 60 e 70”, disse Peter Adamson, oncologista pediátrico do Hospital Infantil da Filadélfia.

Enquanto outros esforços legislativos tentaram, mas falharam, em fazer com que as empresas farmacêuticas fizessem mais pesquisas em crianças, a lei RACE deverá mudar isso.

Mary Tankersley, de 17 anos, diagnosticada com osteossarcoma aos 11 anos, está otimista em relação a esta nova legislação.

A menina superou a doença e hoje faz parte da Rally Foundation for Childhood Cancer Research, um grupo que promove e financia pesquisas para o cancro infantil.

“Eu não tenho medo que o meu cancro regresse, mas sinto-me melhor ao saber que, se isso acontecer, graças a esta legislação terei acesso a melhores tratamentos”, disse a sobrevivente.

Apesar desta legislação receber apoio por parte de todos os investigadores ligados à oncologia pediátrica, alguns temem que se esteja a elevar demasiado as expetativas, nomeadamente às famílias que têm que passar por este sofrimento.

“O cancro é algo muito desafiante, e os avanços não são, nem podem ser, dados adquiridos. Temos que ir com cautela e dar pequenos passos”, disse o presidente do Children’s Oncology Group, um consórcio internacional de mais de 220 centros de cancro infantil.

Ministra da Saúde
A ministra da Saúde pediu ontem aos deputados que pensem no futuro quando debaterem na quarta-feira a proposta de Lei de Bases...

Marta Temido falava num colóquio na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, promovido pela Associação de Médicos pelo Direito à Saúde, quando disse que a lei “tem certamente aspetos que podem ser melhorados na Assembleia da República” e acrescentou depois que o tema é passível de “muitas sensibilidades” mas que a proteção dos cidadãos “exige intervenções que contemplem respostas para o futuro”.

A nova lei, disse a ministra, reflete as tendências internacionais de políticas de saúde e as “mudanças demográficas e epidemiológicas”, mas reflete também os novos modelos assistenciais e a evolução tecnológica.

Para Marta Temido, a nova lei também centra a política da saúde na pessoa, clarifica que são beneficiários do Serviço Nacional de Saúde (SNS) os requerentes de proteção internacional e os imigrantes, protege as pessoas face aos riscos financeiros da doença, e reforça o papel do Estado como “primeiro garante” na assistência, estabelecendo que “contratos com entidades terceiras só acontecem após avaliação da necessidade”.

Esta questão não é consensual e seis associações da saúde criticaram a proposta do Governo, considerando que se pretende impor “uma visão estatizante” e “monopolista do Serviço Nacional de Saúde”.

Marta Temido disse que a proposta de lei torna mais claro o papel do Estado e do SNS e que “não repudia a existência de outros atores”, mas assume que o recurso à contratação de terceiros só acontecerá em “situação de necessidade”.

“Para nós é uma boa lei porque é ideologicamente coerente com o defendido como funções sociais do Estado. Também é boa porque é concisa, robusta e politicamente sólida”, disse a ministra, considerando que é uma proposta que honra o legado de António Arnaut (que lançou o SNS, no segundo Governo constitucional, em 1979).

No colóquio a economista Ana Sofia Ferreira, uma das oradoras, traçou um quadro sobre quanto se gasta em saúde em Portugal, afirmando que a despesa pública com saúde é reduzida, comparando com a média europeia, mas que “há excelentes resultados em saúde apesar do pouco investimento do Estado”, comparando com outros países.

Isabel Loureiro, professora e vice-presidente do Conselho Nacional de Saúde, falou do papel do Estado na capacitação dos cidadãos e dos serviços de saúde, João Oliveira, presidente do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, falou do tema “o Hospital Público entre a complexidade e a pós-verdade”, e Teresa Gago, médica, falou da lei de bases da saúde.

A proposta e lei de bases da saúde foi aprovada pelo Governo em dezembro. Na quarta feira além da proposta do Governo estão em debate três projetos de lei, do PSD, do CDS/PP e do PCP.

Consultas e cirurgias
O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central vai assegurar consultas e cirurgias de Urologia aos doentes em lista de...

Os protocolos de “afiliação e de apoio na área de urologia” foram ontem divulgados pelo Centro Hospitalar do Oeste, que em comunicado explicou que os mesmos regulam os termos em que “o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) assegura a realização de consultas médicas e de cirurgias dos doentes inscritos nas respetivas listas de espera do Centro Hospitalar do Oeste (CHO)”.

A cooperação institucional entre os dois centros hospitalares resulta da convicção de que “há interesse recíproco em estreitar laços de colaboração e criar novos canais de comunicação, tendo em vista uma maior proficuidade e qualidade no desempenho das competências” dos respetivos hospitais.

A duas entidades irão colaborar nas áreas de investigação, do ensino e na prestação de serviços de saúde, informou o CHO.

A concretização da colaboração “será realizada mediante ações de cooperação técnica, partilha de informação e documentação, atividades de formação e especialização e parcerias em áreas específicas, para resposta às necessidades em cuidados de saúde dos utentes”, pode ler-se no comunicado.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, tendo uma área de influência constituída pelas populações dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita e São Martinho do Porto) e de Mafra (com exceção das freguesias de Malveira, Milharado, Santo Estêvão das Galés e Venda do Pinheiro).

O Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE , integra os Hospitais de S. José, de Santo António dos Capuchos, de Santa Marta, de D. Estefânia, de Curry Cabral e da Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

Desde agosto de 2018 foi oficialmente reconhecido como centro universitário.

Parlamento
O parlamento debate na quarta-feira quatro propostas para a nova Lei de Bases da Saúde, do Governo, do PCP, do PSD e do CDS-PP,...

A ideia de uma nova Lei de Bases da Saúde para substituir a atual, que é de 1990, surgiu no final de 2017, com o livro do histórico socialista António Arnaut e do bloquista João Semedo.

Na obra “Salvar o SNS”, António Arnaut e João Semedo, ambos falecidos em 2018, defendiam o regresso do Serviço Nacional de Saúde à sua matriz original, apostando nas carreiras médicas, sendo gratuito e com uma separação evidente entre público e privado.

Pouco tempo depois da apresentação deste livro, o então ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciava a criação de uma comissão para rever a Lei de Bases da Saúde, coordenada pela socialista e antiga ministra Maria de Belém Roseira.

Em junho do ano passado, Maria de Belém apresentou aos jornalistas a “pré-proposta” para a nova Lei de Bases.

A proposta chegou a ser apreciada em conselho de secretários de Estado, mas nunca chegou a ser apreciada em Conselho de Ministros.

Entretanto, em outubro, a remodelação governamental atingiu a saúde e Adalberto Campos Fernandes foi substituído por Marta Temido, que, desde logo, indicou que a nova equipa ministerial pretendia “aperfeiçoar” o documento e incorporar a sua visão na proposta final do Governo.

A meio de dezembro, o Governo aprovou em Conselho de Ministros a proposta de Lei de Bases, uma versão diferente daquela que o grupo coordenado por Maria de Belém apresentou.

A coordenadora da então comissão de revisão chegou publicamente a lamentar que a ministra tenha considerado inadequado todo o trabalho “transparente e participado” que foi feito para apresentar uma proposta de diploma, criticando mesmo a que foi apresentada pelo Governo.

Num debate promovido pelo próprio PS, Maria de Belém frisou que a ministra decidiu alterar a proposta apresentada, passando de 59 pontos contidos na proposta para apenas 28 pontos.

“Podia ser absolutamente irrelevante, mas em direito e em política as coisas não são irrelevantes”, afirmou a antiga ministra socialista.

Para Marta Temido, a proposta do Governo é “ideologicamente coerente com o que é defendido pelo PS”, honra o legado de António Arnaut e determina que o Estado tem um papel muito importante a favor da redução das desigualdades sociais”.

Este é o documento que vai ser debatido no parlamento, a par de propostas do PCP, do PSD e do CDS, enquanto a proposta do Bloco de Esquerda, a primeira a ser apresentada, baixou diretamente à especialidade, não tendo sido votada na generalidade.

O papel do Estado e dos privados ou a cobrança de taxas moderadoras são pontos centrais nas várias propostas que vão a debate e que põem em divergência a esquerda e a direita.

Convocada pelo SEP
Os enfermeiros iniciam hoje uma greve de quatro dias convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses para exigir a &quot...

A greve geral decorrerá nos turnos da manhã e da tarde nas instituições de saúde do setor público até quinta-feira e será feita por regiões de saúde, disse o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins.

Hoje, a greve decorre nos hospitais e centros de saúde da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, na terça-feira na ARS do Centro, no dia seguinte na ARS do Norte e na quinta-feira nas regiões do Algarve, Alentejo e Açores.

“É uma greve de todos os enfermeiros para todos os enfermeiros”, cujos “objetivos centrais” se prendem com “duas grandes questões”: a correta contabilização dos pontos para efeitos de descongelamento das progressões e o encerramento da negociação da carreira por parte do Ministério da Saúde, explicou José Carlos Martins.

Apesar de estar marcada uma reunião de negociação suplementar para o dia 30 de janeiro, o SEP decidiu manter a greve por considerar que as propostas apresentadas pelo Ministério da Saúde “estão muito longe daquilo que são as justas reivindicações dos enfermeiros”, sublinhou.

“Nós continuamos a exigir, a pugnar e a lutar” para que seja contabilizado todo o percurso dos enfermeiros que foram reposicionados nos 1.200 euros, para que “não sejam penalizados duas vezes”, vincou.

Assim, os enfermeiros reclamam “a justa e correta contagem de pontos para todos os enfermeiros independentemente do vínculo contratual” e que “o Governo cumpra o que assumiu quando se propôs” negociar a carreira, “isto é, a sua valorização e dignificação”, refere o SEP.

Esta greve não está relacionada com a greve dos enfermeiros em blocos operatórios, convocada pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), que está suspensa até 30 de janeiro, dia em que haverá uma nova reunião negocial entre os sindicatos e o Governo.

Direção-Geral da Saúde
Mais de metade das mortes infantis que ocorreram no ano passado foram na fase neonatal, até aos 28 dias de vida do recém...

Apesar de ainda não ter todas as causas apuradas nem dados definitivos, os dados provisórios da Direção-Geral da Saúde (DGS) apontam para uma taxa de mortalidade infantil (até ao primeiro ano de vida) de 3,28 óbitos por cada mil nados-vivos, o que a diretora-geral considera dentro de valores de normalidade, apesar de estar acima do verificado em 2017.

Em declarações aos jornalistas, Graça Freitas adiantou que 194 dos 289 óbitos infantis registados em 2018 ocorreram na fase neonatal, ou seja, até aos 28 dias de vida.

Dessas 194 mortes neonatais, 100 tinham sido bebés prematuros de gestações com menos de 28 semanas, que são considerados os “grandes prematuros” e apresentam maior risco de mortalidade e de complicações associadas.

Os dados relativos à taxa da mortalidade infantil de 2018 são ainda provisórios, porque a autoridade de saúde aguarda o número de nascimentos apurado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Contudo, Graça Freitas indica que não se deve fazer uma comparação dos dados de 2018 apenas com o ano anterior, até porque 2017 foi um ano com mortalidade infantil “anormalmente baixa”.

“O número de mortes está dentro do que é expectável para o nosso país, de acordo com a nossa linha de base. [Em 2018] é uma taxa dentro da variação habitual da mortalidade infantil, estando dentro do que é esperado”, afirmou aos jornalistas.

Para ilustrar esta análise, a diretora-geral da Saúde comparou número brutos de mortalidade entre 2016 e 2018. Em 2016 morreram em Portugal 283 crianças até ao primeiro ano de vida e em 2018 morreram 289.

Assim, comparando o ano de 2016 com 2018, no ano passado terá havido um acréscimo de seis mortes em crianças até ao um ano, num universo estimado de 88 mil nascimentos.

DGS
A Direção-Geral da Saúde considera que a taxa provisória de mortalidade infantil em Portugal em 2018 está dentro da normalidade...

Em declarações aos jornalistas, a diretora-geral da Saúde indicou que os dados provisórios da mortalidade infantil apontam para 3,28 óbitos no primeiro ano de vida em cada mil nascimentos, valor muito semelhante ao de 2016.

Os dados de 2018 são ainda provisórios, porque a autoridade de saúde aguarda o número de nascimentos apurado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Contudo, Graça Freitas indica que não se deve fazer uma comparação dos dados de 2018 apenas com o ano anterior, até porque 2017 foi um ano com mortalidade infantil “anormalmente baixa”.

“O número de mortes está dentro do que é expectável para o nosso país, de acordo com a nossa linha de base. [Em 2018] é uma taxa dentro da variação habitual da mortalidade infantil, estando dentro do que é esperado”, afirmou aos jornalistas.

Para ilustrar esta análise, a diretora-geral da Saúde comparou número brutos de mortalidade entre 2016 e 2018. Em 2016 morreram em Portugal 283 crianças até ao primeiro ano de vida e em 2018 morreram 289.

Assim, comparando o ano de 2016 com 2018, no ano passado terá havido um acréscimo de seis mortes em crianças até ao um ano, num universo estimado de 88 mil nascimentos.

A Ordem dos Médicos pediu hoje um apuramento rápido das causas do aumento da mortalidade infantil, que segundo dados provisórios da Direção-geral da Saúde registou em 2018 o valor mais elevado desde 2013.

De acordo com os dados oficiais ainda provisórios, os valores da mortalidade infantil são apenas ligeiramente acima dos que foram verificados em 2016.

Segundo os dados provisórios, a taxa de mortalidade infantil foi no ano passado de 3,28 mortes por cada mil nados vivos, quando em 2017 tinha sido de 2,69 e em 2016 de 3,24.

A evolução da taxa de mortalidade infantil, hoje noticiada pelo Correio da Manha, levou a Ordem dos Médicos a apelar à DGS para que retire conclusões finais sobre as causas de cada morte.

Em resposta a este apelo, a diretora-geral da Saúde lembra à Ordem dos Médicos que as causas da mortalidade infantil e materna “são sempre estudadas e rapidamente esclarecidas”.

“Quando se trata de mortalidade infantil e materna há uma longa tradição na DGS de observar causa a causa. São sempre analisadas e investigadas, por rotina”, afirmou Graça Freitas.

A partir de fevereiro
Os Serviços de Ação Social da Universidade do Minho vão passar a cozinhar com sal iodado, ao invés do sal comum, com o objetivo...

Em comunicado, os Serviços de Ação Social da Universidade do Minho (SASUM) referem que a mudança do tipo de sal entra em vigor "a 100%" em fevereiro.

"Os portugueses consomem o dobro do sal recomendado. Este excesso pode revelar-se fatal para a saúde, causando problemas de hipertensão e doenças cardiovasculares. Perante este facto, os SASUM tomaram a decisão de arrancar, no início do segundo semestre, com a adoção destas medidas que se revestem de enorme importância para as populações", explica o texto.

Além da alteração no tipo de sal usado para confecionar as refeições, os SASUM, dentro do Plano Estratégico de Sustentabilidade, desenvolveram um "processo de otimização do seu modelo de gestão de resíduos alimentares, com especial enfoque no que é praticado nas cantinas".

Por isso, aponta o texto, "todos os restos alimentares, resultantes da confeção de refeições nas cantinas dos SASUM, passam agora a ser encaminhados para quintas situadas na região, podendo servir de alimento para os animais".

O objetivo desta medida é tornar "possível dar-se um destino mais nobre a um resíduo que, até à data, não apresentava qualquer tipo de utilidade, promovendo uma maior sustentabilidade ambiental, mas também social e económica, na medida em que este contributo possibilita poupanças significativas aos proprietários destes espaços".

Segundo estimativa dos SASUM devem, no total, ser encaminhados por ano aproximadamente 15 toneladas de resíduos alimentares.

Estudo
Uma simples análise ao sangue permite detetar sinais de lesões no cérebro em pessoas com risco de doença de Alzheimer, mesmo...

O teste, afiançam os investigadores, consegue identificar no sangue uma proteína do 'esqueleto' dos neurónios (células cerebrais) que tem o nome de neurofilamento de cadeia leve, podendo ser também usado para detetar sinais de lesões cerebrais associadas a outras doenças neurodegenerativas, como a esclerose múltipla.

Quando há lesão ou morte de neurónios, o que acontece na doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência que não tem cura, esta proteína 'flui' para o líquido cefalorraquidiano - que 'banha' o cérebro e a medula espinal - e a partir dele entra na corrente sanguínea.

A deteção de elevados níveis da proteína no líquido cefalorraquidiano tem sido apontada como um sinal de que alguns neurónios sofreram lesões. Só que a obtenção de uma amostra de líquido cefalorraquidiano exige a sua recolha da medula espinal com uma agulha, um método ao qual as pessoas são relutantes.

Para realizar o trabalho publicado hoje na revista científica Nature Medicine, uma equipa de cientistas da universidade norte-americana de Washington e do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas partiu de um estudo de população que incluiu famílias com mutações genéticas raras que causam a doença de Alzheimer em idade precoce (aos 30, 40 e 50 anos).

Segundo um comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, que está a investigar as 'raízes' da doença, existe 50 por cento de probabilidade de um pai ou uma mãe com uma dessas mutações transmitir o erro genético a um filho e este, depois, ter sintomas de demência perto da idade em que o pai ou a mãe os teve.

Os cientistas avaliaram 409 pessoas, das quais 247 eram portadoras de uma mutação genética herdada dos pais e as restantes sem alterações nos genes. De todas as pessoas que acompanharam, metade das quais mais do que uma vez, obtiveram amostras de sangue, imagens do cérebro e testes cognitivos.

As pessoas que tinham um erro genético revelaram no sangue concentrações mais elevadas da proteína de origem cerebral - neurofilamento de cadeia leve - e essas concentrações aumentavam ao longo do tempo.

Ao contrário, as pessoas com um gene 'normal' tinham níveis baixos e estáveis da mesma proteína. Esta diferença foi identificada 16 anos antes do aparecimento expectável dos sintomas cognitivos associados à doença de Alzheimer, de acordo com o comunicado da Universidade de Washington.

Adicionalmente, os investigadores observaram imagens do cérebro das pessoas e verificaram que as concentrações da proteína aumentavam ao mesmo ritmo que uma parte do cérebro envolvida na memória encolhia e torna-se mais fina.

Para perceberem se os níveis de neurofilamento de cadeia leve no sangue poderiam ser usados ou não como marcadores da degradação cognitiva, os cientistas recolheram dados de 39 pessoas com mutações genéticas que causam a doença de Alzheimer.

Através de testes cognitivos e de imagens do cérebro, descobriram que as pessoas cujas amostras de sangue tinham revelado anteriormente um aumento rápido das concentrações da proteína eram mais suscetíveis de apresentar sinais de atrofia cerebral e diminuição das capacidades cognitivas (memória, raciocínio...).

Para um dos coordenadores do trabalho, Mathias Jucker, do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas, será importante, daqui em diante, confirmar se os resultados obtidos serão idênticos quando a doença de Alzheimer se manifesta mais tarde (a que surge nos idosos e a forma mais frequente) e determinar o período de tempo a partir do qual alterações na proteína devem ser avaliadas para se ter um bom diagnóstico clínico.

Universidade de Aveiro
Camisas, casacos, calças e, porque não, roupa interior com ecrãs tácteis. Na Universidade de Aveiro (UA) uma equipa de...

Atualmente, as roupas eletrónicas são fabricadas através da colagem de dispositivos nos próprios tecidos, tornando-os rígidos e suscetíveis de se estragarem com facilidade. Este trabalho, desenvolvido em parceria entre o CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro (uma das unidades de investigação das UA), o centro de investigação em têxteis CENTEXBEL (Bélgica) e a Universidade de Exeter (Inglaterra), integra os dispositivos eletrónicos no tecido, revestindo fibras eletrônicas com componentes leves e duráveis que permitirão que imagens e sinais luminosos sejam mostrados pelo próprio tecido.

Os investigadores garantem que a descoberta pode revolucionar a criação de dispositivos eletrónicos vestíveis para uso numa variedade de aplicações diárias, seja no simples acesso ao email através da roupa, seja na monitorização do estado de saúde através de sensores que permitem medir, por exemplo, a frequência cardíaca e a pressão arterial, e avisar quando algo está mal.

“É uma técnica que permite integrar dispositivos baseados em grafeno diretamente em fibras têxteis, mantendo o aspeto, flexibilidade e toque do tecido. Para já, criámos sensores de toque, tal como os usados nos écrans sensíveis ao toque, e dispositivos que emitem luz”, explica Helena Alves, investigadora do CICECO.

A coordenadora do trabalho realizado na UA garante que “a combinação destes dispositivos permite, por exemplo, criar ‘touch-screens’ em tecidos ou objetos revestidos com têxteis, para visualizar informações”. E como os dois dispositivos foram fabricados usando métodos compatíveis com métodos e requisitos industriais, torna possível a respetiva produção industrial.

Confederação dos Agricultores de Portugal
O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal avisou hoje que a bactéria 'Xylella fastidiosa' é &quot...

A 'Xylella fastidiosa' "é perigosa, porque ataca um conjunto vastíssimo de culturas agrícolas permanentes muito importantes", como "oliveiras, videiras, amendoeiras e até o próprio sobreiro", disse Eduardo Oliveira e Sousa, em Beja, após uma reunião do Conselho Consultivo do Baixo Alentejo e Algarve da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

"Se não houver uma particular atenção no sentido de tentarmos conter o espalhar da bactéria, ela pode transformar-se num problema muito grave e, por isso, há que alertar as pessoas para a gravidade do assunto", afirmou, defendendo que "é fundamental que os agricultores assumam uma postura de completa transparência".

Ou seja, sublinhou, "é necessário que os agricultores, na desconfiança de qualquer sintoma que possa porventura estar relacionado com a bactéria 'Xylella fastidiosa', imediatamente lancem o alerta às entidades competentes", nomeadamente as respetivas associações de agricultores e direções regionais de Agricultura ou a Direção-geral de Alimentação e Veterinária.

"Há um plano que o Governo está a implementar para tentar que a 'Xylella fastidiosa' não se transforme num problema grave no país, mas, para isso, é preciso que todos tenhamos consciência de que ela não pode ser escondida", alertou.

Eduardo Oliveira e Sousa lembrou que o problema da 'Xylella fastidiosa' "agravou-se em Itália, porque os agricultores que a descobriram nas suas oliveiras a tentaram esconder".

"Em vez de irem imediatamente dizer que tinham o problema, tentaram passar despercebidos e isso deu origem a um espalhar da bactéria, que depois se tornou incontrolável", disse.

Em Portugal, a bactéria foi descoberta numa planta ornamental, a lavanda, que "já tinha vários anos", estava num canteiro e "foi imediatamente destruída, queimada", contou.

"Será esse o processo que virá a acontecer noutras situações que possam ocorrer, mas é preferível isso acontecer [de forma] pontual, localizada, do que corremos o risco de a 'Xylella fastidiosa' se alastrar", alertou.

Portugal informou oficialmente a Comissão Europeia da presença da bactéria em 41 plantas de lavanda no jardim do Zoo de Santo Inácio, no concelho de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, segundo disse à Lusa na sexta-feira fonte comunitária.

Já um ofício do Ministério da Agricultura, ao qual a Lusa teve acesso, refere que a presença da bactéria foi confirmada no dia 03 deste mês "numa sebe ornamental de Lavandula dentata" no jardim do zoo.

A bactéria foi detetada "num único canteiro" e o Ministério da Agricultura tirou amostras e "a planta foi destruída quando acusou positivo e imediatamente após a comunicação do ministério", disse na sexta-feira à Lusa fonte do zoo.

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, assegurou, no mesmo dia, que o Governo tem um plano de contingência para fazer face à bactéria 'Xylella fastidiosa' e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas.

Desde 2015, têm sido detetadas diferentes subespécies da bactéria 'Xylella fastidiosa' em França, Espanha e Itália em espécies ornamentais e também agrícolas.

Após dados da Direção-Geral da Saúde
A Ordem dos Médicos pediu hoje um "apuramento rápido" das causas do "aumento da mortalidade infantil", que,...

De acordo com os dados oficiais ainda provisórios, os valores da mortalidade infantil são apenas ligeiramente acima dos que foram verificados em 2016.

Segundo dados provisórios hoje divulgados no site da Direção-geral da Saúde (DGS), a taxa de mortalidade infantil foi no ano passado de 3,28 mortes por cada mil nados vivos, quando em 2017 tinha sido de 2,69 e em 2016 de 3,24.

A evolução da taxa de mortalidade infantil (até ao 1.º ano de vida), hoje noticiada pelo Correio da Manhã, levou a Ordem dos Médicos a apelar à DGS para que retire conclusões finais sobre as causas de cada morte.

Na nota, o bastonário Miguel Guimarães considera que os dados, ainda preliminares, são “preocupantes”.

A nota da Ordem aponta refere que os números brutos da mortalidade infantil mostram que em 2017 houve 229 óbitos e em 2018 se registaram 289, ou seja, um acréscimo de 60 mortes num ano.

“A mortalidade infantil é um dos indicadores com evolução mais positiva no nosso país, motivo de referência a nível internacional. Sabemos que o aumento da idade média da maternidade e o maior recurso a tratamentos de fertilidade podem ter algum impacto negativo na mortalidade infantil. Ainda assim, este aumento merece uma rápida análise por parte do Ministério da Saúde para evitar um clima de desconfiança dos utentes em relação ao sistema de saúde”, refere a Ordem dos Médicos.

Na nota hoje divulgada no site, a Direção-geral da Saúde considera que “o número de mortes infantis em 2018 (dados provisórios) não se reflete de forma relevante na taxa de mortalidade infantil, uma vez que também se verificaram mais nados-vivos”.

Aliás, a DGS destaca que o valor da taxa de mortalidade infantil em 2018 é “similar ao verificado em 2016”.

E já nesse ano, em 2016, a autoridade de saúde frisa que Portugal se situava entre os melhores países da União Europeia no que se refere à mortalidade infantil.

Estudo
A bronquiolite é responsável por dois em cada dez internamentos de crianças com menos de dois anos, revela um estudo, segundo o...

“A taxa de hospitalização por bronquiolite aguda cresceu 1,6% por ano nas crianças com menos de dois anos, tendo a subida sido mais acentuada nos bebés com menos de três meses, atingindo os 3,8%”, refere a investigação.

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) analisaram os registos de internamento das crianças menores de dois anos, tendo a informação sido recolhida em todos os hospitais públicos de Portugal continental, entre 2000 e 2015.

No total, foram registadas 80.491 admissões por bronquiolite aguda, neste período, numa média de 5.000 internamentos anuais. Os rapazes foram internados com maior frequência (59,7%) do que as raparigas (40,3%).

Segundo o estudo, os custos diretos totais referentes a esta patologia ascenderam a 72,4 milhões de euros, numa média anual de quatro milhões. Cada hospitalização custou, em média, 900 euros.

Os resultados apontam que cerca de 20% das admissões hospitalares de crianças com menos de dois anos têm como motivo uma bronquiolite aguda, “um resultado que evidencia a importância desta doença na população pediátrica”, explica o médico e investigador do CINTESIS Manuel Gonçalves-Pinho, num comunicado hoje divulgado.

O norte e o centro são as regiões do país onde se registam as taxas de hospitalização mais elevadas – 26 e 27 internamentos por 1.000 crianças menores de dois anos, respetivamente, enquanto nas zonas sul são bastante mais baixas (22/1.000 em Lisboa e no Alentejo, e 19/1.000 no Algarve).

Além do estatuto socioeconómico, as variações de temperatura podem explicar a discrepância entre as taxas de internamento por bronquiolite aguda registadas em diferentes latitudes, refere o estudo publicado na revista científica Pulmonology.

“São as regiões mais a norte que registam uma maior percentagem de casos. Isto pode estar associado a questões climatéricas, que ditam que essas regiões vivam invernos mais severos, com quedas mais abruptas de temperatura”, afirma Alexandre Silva, primeiro autor do trabalho.

O vírus sincicial respiratório, um dos principais causadores de doenças respiratórias nas crianças, foi identificado como sendo a causa de 40% dos casos analisados.

No entanto, os investigadores, também docentes da Faculdade de Medicina do Porto, assumem que esta percentagem poderá ser maior, uma vez que nem todas as crianças são submetidas a testes para identificação do vírus que está na origem da sua doença.

Os investigadores registaram, em anos recentes, uma melhoria na forma como a bronquiolite é tratada.

“Observámos uma diminuição do número de raios-X realizados, dos antibióticos prescritos e de injeções de corticoides administradas, de acordo com as recomendações nacionais implementadas pela Direção-Geral de Saúde”, explicam.

Contudo, existe ainda “uma prescrição excessiva de exames de diagnóstico e de tratamentos considerados ineficazes”, pelo que defendem que se devem procurar implementar políticas de saúde mais eficientes, que promovam a melhoria dos cuidados prestados e a redução das despesas.

Os sintomas iniciais de bronquiolite são corrimento, obstrução nasal e tosse seca, de agravamento progressivo. A respiração pode tornar-se ruidosa e sibilante (pieira) e alguns bebés desenvolvem esforço respiratório.

Na Europa
Pelo menos oito países da Região Europeia da Organização Mundial de Saúde não têm planos para refugiados e migrantes nos seus...

A Organização Mundial de Saúde divulgou hoje o seu primeiro relatório produzido pela Região Europeia, que agrega 53 estados, sobre a saúde dos refugiados e migrantes, sublinhando a falta de dados específicos e de planos de saúde para uma população que representa 10% do total destes países.

Embora não identifique os países sem planos para estas populações, o documento sublinha que a falta de capacidade para assegurar o acesso equitativo a cuidados de saúde para refugiados e migrantes pode ter repercussões negativas na saúde pública.

Os efeitos podem ter impacto tanto nesta população móvel como nos países que os recebem, e dificultar o cumprimento dos objetivos globais na área da saúde.

Dos poucos dados que se conseguem estudar, a OMS refere que as estimativas de mortalidade dos refugiados e migrantes causadas por condições físicas ou mentais, lesões ou problemas digestivos tendem a ser menores do que as da população que os recebe.

No entanto, causas como infeções, doenças do sangue e cardíacas tendem a causar mais mortes entre os migrantes e refugiados.

A OMS defende ser fundamental que os refugiados e migrantes recebam proteção contra doenças contagiosas como a tuberculose, o VIH ou a hepatite e sejam alvo de um programa de vacinação.

As doenças cuja prevenção é feita por vacinas são um risco para quem vive em condições degradadas, diz a OMS, sublinhando que o grupo de maior risco são as crianças, já que “o processo de migração pode interromper o calendário de vacinação”.

Tal como entre qualquer grupo populacional, os refugiados e migrantes sem vacinação completa “podem levar à ocorrência de epidemias”, alerta a organização.

“É frequente ver que as barreiras linguísticas, de informação, culturais e económicas, além de fatores como a legalização na região, podem influenciar a vulnerabilidade dos refugiados e migrantes às doenças prevenidas através de vacinas”.

“No entanto, só alguns estados-membros da Região Europeia da OMS têm programas de vacinação que incluem estas populações”.

As doenças não contagiosas são, no entanto, as que mais contribuem para o total de doenças na Região Europeia da OMS.

A falta de informação sobre estas doenças na população migrante impossibilita chegar a conclusões muito específicas, mas alguns dados apontam para uma prevalência menor de muitas doenças não contagiosas quando as pessoas chegam ao país de destino, que depois tende a nivelar. Isto acontece sobretudo com a obesidade e aumenta com o tempo de estada no país de destino.

Doenças como diabetes, cardiovasculares ou cancro têm igualmente informação incompleta e apenas se consegue considerar que a diabetes parece ser mais comum entre esta população móvel e surgir numa idade mais precoce. As doenças cardiovasculares dependem da etnia e contexto socioeconómico e o cancro é, normalmente, diagnosticado numa fase mais avançada.

No que concerne a saúde mental, a OMS considera parecer haver mais prevalência de stress pós-traumático, depressão e ansiedade na população refugiada e migrante do que na dos países que a acolhem; e na saúde maternal, o risco de problemas e até de mortalidade é maior na população móvel.

Relativamente à saúde sexual, os dados mostram conclusões contraditórias, mas a mutilação sexual feminina está a tornar-se um tópico cada vez mais importante para os profissionais de saúde, já que têm sido encontrados mais casos, tanto de mulheres cortadas nos seus países de origem como já na Região Europeia.

A OMS sublinha ainda que a maioria dos serviços de apoio se dirigem unicamente a vítimas femininas de violência sexual, habitualmente em clínicas de saúde reprodutiva e maternal, mas tanto adultos como crianças são, muitas vezes, vítimas de violência sexual grave durante a viagem ou na chegada à Europa.

A OMS recomenda aos vários países que são membros na Europa que tornem os serviços de saúde universais para acolherem também refugiados e migrantes mesmo indocumentados e que, a par do apoio médico, seja feito um apoio social, já que muitas destas pessoas desconhecem os sistemas de saúde do país onde estão.

Por outro lado, pede que a avaliação feita nas fronteiras não inclua apenas doenças contagiosas, e que essa avaliação seja acompanhada de um tratamento e acompanhamento com atenção às diferenças étnicas e à confidencialidade.

Ambiente
Manifestantes ambientalistas vão concentrar-se hoje junto das representações da Comissão Europeia em várias capitais europeias,...

A destruição das florestas leva ao fim do habitat natural dos orangotangos mas também de outros animais, especialmente na Malásia e Indonésia, dois grandes produtores de óleo de palma, escreve o Sapo.

O uso de óleo de palma nos veículos automóveis, dizem organizações ambientalistas, está a desflorestar e a drenar turfeiras no sudeste da Ásia, para a plantação do óleo, e na América do Sul as plantações de óleo de palma também está a levar a fortes pressões sobre a floresta amazónica.

Pior quem o gasóleo
Segundo a associação ambientalista portuguesa ZERO, que apoia a iniciativa de hoje, o biodiesel a partir do óleo de palma é “três vezes pior para o clima do que o gasóleo fóssil”, sendo que em 2018 mais de metade do óleo de palma usado na Europa acabou nos depósitos dos veículos.

Ainda segundo a organização, em Portugal foram usados 31 milhões de litros entre janeiro e setembro do ano passado, quatro vezes mais do que em todo o ano de 2017.

Hoje, em Lisboa, mas também em Roma, Bruxelas, Berlim, Paris ou Madrid, manifestantes, alguns disfarçados de orangotango, vão dizer “no meu depósito não”, apoiados por dezenas de organizações não governamentais.

No “dia europeu de ação contra o biodiesel de óleo de palma” o protesto “inclui” mais de 520 mil pessoas que subscreveram uma petição europeia contra o óleo de palma e que querem que a Comissão retire o apoio ao uso do óleo para a produção de biodiesel.

Doença é quase sempre assintomática
Tipicamente assintomática, a Esteatose Hepática atinge entre 15 a 20% da população adulta em Portuga

Vulgarmente conhecida por Fígado Gordo, a Esteatose Hepática é já considerada a doença do fígado mais frequente, embora pouco se oiça falar dela.  Atingindo mais de um milhão de portugueses, esta condição resulta da acumulação de “triglicéridos e ácidos gordos livres nas células do fígado” que, em casos mais graves e avançados, pode evoluir para cirrose.

“A esteatose hepática é uma doença que começa muitas vezes na vida intrauterina, em casos de diabetes gravídica. Calculando-se que a incidência da EH seja de cerca de 20% nos jovens com menos de 20 anos. O diagnóstico pode ser feito em qualquer idade”, começa por explicar Rui Ribeiro, coordenador do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Santo António.

Entre os grupos de risco estão assim os “doentes portadores de obesidade ou diabetes tipo 2 e aqueles com um estilo de vida desregrado, com dieta rica em gorduras ou açucarados ou bebidas alcoólicas”. De acordo com o especialista, o sedentarismo é também um grande fator de risco e “o consumo de tabaco precipita, de forma independente, o agravamento da doença”.

“Doentes com Síndrome do Ovário Poliquístico ou o Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono são igualmente grupos de risco”, acrescenta o cirurgião.

Embora tipicamente assintomática, a Esteatose Hepática pode provocar cansaço e dor ou desconforto no abdómen. O primeiro sinal de alerta pode ser mesmo e apenas a presença de “abdómen proeminente de forma desfasada com o restante corpo, associado – nunca é demais repetir – a uma dieta hipercalórica e um sedentarismo comprometedor”.

Na verdade, de acordo com o especialista “quem assume uma dieta rica em hidratos de carbono, gordura ou álcool, sem fibra, hipercalórica e não pratica qualquer tipo de exercício físico é um sério candidato a ter fígado gordo e fica exposto às consequências dessa doença silenciosa”.

Em casos mais avançados, com lesão ou inflamação do fígado, podem surgir outros sintomas como perda de apetite, náuseas e vómitos, icterícia, febre, abdómen dilatado, hemorragias nasais ou pernas inchadas.

Apesar do diagnóstico definitivo chegar apenas após uma biopsia do fígado, as análises laboratoriais, onde se detecta aumento das enzimas hepáticas em doentes obesos, diabéticos ou dislipidémicos, pode levantar a suspeita da doença. A ecografia abdominal revela o aumento do volume do fígado.

“O fígado gordo não tem tratamento farmacológico. A única forma de o controlar ou fazer regredir é emagrecendo e mantendo um estilo de vida saudável, com uma dieta rica em fibras e produtos naturais sem gordura ou açucarados a par de exercício regular”, afirma o coordenador do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica.

No entanto, explica que, embora algumas pessoas consigam baixar o peso, o perfil crónico das doenças de base – obesidade e diabetes – levam a que a grande maioria volte a recuperar o peso.

“O único tratamento eficaz e que consegue taxas muito elevadas de emagrecimento definitivo e redução marcada da quantidade de gordura no fígado é o tratamento com cirurgia da obesidade ou da diabetes”, acrescenta Rui Ribeiro.

Embora a maioria dos casos apresente uma evolução benigna, as principais complicações da Esteatose Hepática são a cirrose e o cancro do fígado, estimando-se que a neoplasia se desenvolva entre 2,5 a 12% dos casos.

“Calcula-se que o fígado gordo será, em breve, a principal causa de cancro do fígado em todo o mundo bem como a principal causa de transplante”, adverte o especialista reforçando a necessidade de se adotar uma atitude preventiva quanto a esta matéria, optando por um estilo de vida mais saudável.

Uma dieta pobre em gorduras saturadas, rica em fibras e com abstenção alcoólica é o primeiro passo para a manutenção de um peso saudável, melhorando a qualidade de vida. Rui Ribeiro recomenda ainda a prática de exercício físico “regular e superior a 150 minutos semanais” e acompanhamento médico.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Quando o telefone toca
Os idosos em situações de fragilidade são contactados todas as semanas pelo serviço "proximidade sénior" do SNS 24.

O serviço proximidade sénior do SNS 24 foi lançado no final do ano passado: uma iniciativa que apoia idosos em situações de maior fragilidade. Em tempos, houve uma linha sénior em que os utentes tinham de ligar e pedir para serem acompanhados, mas desta vez o primeiro passo é dado pelo próprio SNS 24.

"É um serviço pró-ativo do SNS para com a população idosa, de 75 ou mais anos, onde queremos contactar e acompanhar aqueles que mais precisam", explica à TSF a diretora Micaela Monteiro.

Micaela Monteiro explica, contudo, que muitas vezes as dificuldades encontradas na conversa com os idosos não podem ser resolvidas por chamada: "Por outro lado, nós sabemos também que durante esse acompanhamento são detetadas dificuldades ou problemas do idoso - a nível de saúde, a nível social ou de segurança - que são assinalados. Mas é fácil de perceber que as soluções, na maior parte das vezes, depois não são passíveis de ser feitas através de um telefone. Precisam de uma resposta local."

Por isso, o serviço conta com a colaboração dos agrupamentos de centros de saúde, que fornecem os contactos de quem poderá ser incluído no serviço. Na primeira chamada fazem uma avaliação, identificam limitações de saúde, mas também casos de isolamento ou de depressão.

Se o utente for sinalizado é incluído no programa e passa a receber uma chamada todas as semanas.

"Nesse contacto existem recomendações importantes que são dadas a estes cidadãos, a estas pessoas idosas. Nesta altura do ano, incidem, obviamente, sobre como se proteger do frio e o incentivo à vacinação contra a gripe", remata.

48% dos utentes já receberam a chamada do serviço de proximidade
Mariana Leitão Marques, médica neurologista e coordenadora do serviço, explica que a seleção das pessoas é feita através da Escala Tilburg, com recurso a várias perguntas de resposta simples.

"São feitas perguntas como: Como é que se sente em relação à sua saúde física? Tem tido recentemente mais dificuldades em andar? Ou em manter o equilíbrio? Ou na audição? Ou na visão? Tem sentido dificuldades com a sua memória? Tem-se sentido abatido ou em baixo no último mês? No fundo, tenta-se perceber se a pessoa está bem nestas três componentes - física, psicológica e social."

"Dos 1585 utentes nesta situação de fragilidade, 48%, ou seja 766, não só já foram incluídos, como já estão na fase de receberem chamadas de intervenção - aquelas em que se liga de volta para o idoso para perguntar se o problema foi resolvido, se já está vacinado contra a gripe, ou se tem braseiras em casa com as quais precise de ter cuidado."

Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo
O pico da gripe ainda não chegou, mas o número de pessoas que procuraram os centros de saúde nos últimos dias aumentou...

Luís Pisco revela que têm sido atendidas mais de mil pessoas por dia depois das oito da noite nos centros de saúde. "E ao sábado, são mais duas mil e quinhentas pessoas que vão aos centros de saúde. Não há dúvida que há uma procura muito maior do que o habitual."

Os dados foram avançados pelo presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, escreve a TSF, numa altura em que a epidemia da gripe ainda não atingiu o pico. Pelas previsões de Luís Pisco, que falava à margem da apresentação do plano regional da ARS, o pico da gripe deve ser atingido na próxima semana.

Apesar disso, já se verifica o aumento da procura de cuidados de saúde nos horários alargados do plano de contingência e também o aumento das chamadas para a linha SNS 24 - 808 24 24 24

Questionado sobre as conclusões do estudo do Instituto Nacional de Saúde , que mostram que a grande maioria dos portugueses não vai às urgências quando têm gripe, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo aplaude a atitude e explica que se assim não fosse seria uma tragédia para os hospitais.

"Quando há uma epidemia de gripe, temos provavelmente milhões de pessoas com gripe. Se essas pessoas caíssem todas nos hospitais seria uma tragédia", afirma Luís Pisco, que assegura que os Centros de Saúde têm mais capacidade para absorver os doentes.

"Os centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo fazem cerca de 40 mil consultas por dia, portanto se forem mais 800 ou mil pessoas não é uma tragédia para nós, mas se forem 800 ou mil pessoas a um hospital é uma situação difícil de gerir."

Diretora-geral da Saúde
Um dos vírus com maior circulação este ano é agressivo para os mais idosos, o que pode justificar alguma subida na mortalidade.

Primeiro as más notícias. Um dos vírus da gripe (o AH3) que está em maior circulação este ano é agressivo, especialmente para os idosos. Resultado disso, na segunda-feira, dia 14, morreram perto de 500 pessoas no país, um dos dias com mais mortes da última década, boa parte delas na sequência de problemas provocados pela doença. No nível moderado, Portugal está mesmo no grupo de países da Europa onde o surto de gripe é mais forte.

Agora, notícias melhores: o AH3 não é a única estirpe em circulação em Portugal, o que pode fazer com que a época gripal seja menos forte do que, por exemplo, a de 2017. Além disso, a epidemia manteve-se estável na segunda semana de janeiro e a nossa vacina cobre os dois vírus em maior circulação.

Quem o explica ao Diário de Notícias é a diretora-geral da Saúde, que admite que "um dos vírus em circulação, o AH3, é historicamente mais agressivo, provoca época gripais mais intensas, com especial gravidade nos idosos". Apesar de também afetar muitas crianças, "nessas idades é raro ser tão grave", acrescenta Graça Feitas, que destaca a "co-circulação com o vírus A(H1)pdm09, mais benigno", como uma das boas notícias que podem tornar o surto de gripe menos violento. Isso e o facto de a taxa de vacinação para a doença ter aumentado este ano.

Dados do vacinómetro do final de 2018 mostravam que desde 15 de outubro já tinham sido vacinados cerca de 1,3 milhões de idosos. Em termos percentuais, a vacina da gripe tinha sido administrada a 66% das pessoas com mais de 65 anos, mais 7% do que no mesmo período de 2017.

Ainda assim, as temperaturas muito baixas dos primeiros dias do ano levaram a um aumento do número de mortes: o último relatório do Instituto Ricardo Jorge (INSA) mostra que o valor médio da temperatura mínima do ar na segunda semana de janeiro foi de 1,04°C, menos 3,5°C em relação ao valor normal para o período 1971-2000. A persistência de noites frias com valores de temperatura mínima muito abaixo do normal terão contribuído para entupir urgências hospitalares e para uma subida da mortalidade, - embora ainda dentro do esperado, realça o INSA - principalmente entre os mais idosos, admite Graça Freitas, "que têm outros problemas de saúde e devido ao frio acabam por descompensar". Segunda-feira foi o dia com mais mortes desde o início do surto de gripe (482), segundo os dados do site de vigilância da mortalidade.

A gripe manteve-se em fase de epidemia, mas em situação estável na segunda semana do ano, com uma taxa de incidência de 48,8 por 100 mil habitantes. Segundo o último relatório publicado pelo INSA, Portugal era mesmo, juntamente com a Inglaterra, o país da Europa com o surto de gripe mais forte no início do ano. Dados entretanto atualizados pelo boletim Flu News Europe, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e da Organização Mundial de Saúde, que junta ao grupo de países com surtos moderados a Irlanda, a Holanda, a Croácia e a Bósnia-Herzegovina. Fora do espaço da União Europeia, Montenegro e Turquia estão no nível elevado.

Além da vacinação, a DGS aconselha a higiene das mãos, tossir ou espirrar para um lenço descartável ou para o antebraço e, no caso de estar infetado, o distanciamento social para evitar a propagação da doença.

 

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