A partir de fevereiro
Os Serviços de Ação Social da Universidade do Minho vão passar a cozinhar com sal iodado, ao invés do sal comum, com o objetivo...

Em comunicado, os Serviços de Ação Social da Universidade do Minho (SASUM) referem que a mudança do tipo de sal entra em vigor "a 100%" em fevereiro.

"Os portugueses consomem o dobro do sal recomendado. Este excesso pode revelar-se fatal para a saúde, causando problemas de hipertensão e doenças cardiovasculares. Perante este facto, os SASUM tomaram a decisão de arrancar, no início do segundo semestre, com a adoção destas medidas que se revestem de enorme importância para as populações", explica o texto.

Além da alteração no tipo de sal usado para confecionar as refeições, os SASUM, dentro do Plano Estratégico de Sustentabilidade, desenvolveram um "processo de otimização do seu modelo de gestão de resíduos alimentares, com especial enfoque no que é praticado nas cantinas".

Por isso, aponta o texto, "todos os restos alimentares, resultantes da confeção de refeições nas cantinas dos SASUM, passam agora a ser encaminhados para quintas situadas na região, podendo servir de alimento para os animais".

O objetivo desta medida é tornar "possível dar-se um destino mais nobre a um resíduo que, até à data, não apresentava qualquer tipo de utilidade, promovendo uma maior sustentabilidade ambiental, mas também social e económica, na medida em que este contributo possibilita poupanças significativas aos proprietários destes espaços".

Segundo estimativa dos SASUM devem, no total, ser encaminhados por ano aproximadamente 15 toneladas de resíduos alimentares.

Estudo
Uma simples análise ao sangue permite detetar sinais de lesões no cérebro em pessoas com risco de doença de Alzheimer, mesmo...

O teste, afiançam os investigadores, consegue identificar no sangue uma proteína do 'esqueleto' dos neurónios (células cerebrais) que tem o nome de neurofilamento de cadeia leve, podendo ser também usado para detetar sinais de lesões cerebrais associadas a outras doenças neurodegenerativas, como a esclerose múltipla.

Quando há lesão ou morte de neurónios, o que acontece na doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência que não tem cura, esta proteína 'flui' para o líquido cefalorraquidiano - que 'banha' o cérebro e a medula espinal - e a partir dele entra na corrente sanguínea.

A deteção de elevados níveis da proteína no líquido cefalorraquidiano tem sido apontada como um sinal de que alguns neurónios sofreram lesões. Só que a obtenção de uma amostra de líquido cefalorraquidiano exige a sua recolha da medula espinal com uma agulha, um método ao qual as pessoas são relutantes.

Para realizar o trabalho publicado hoje na revista científica Nature Medicine, uma equipa de cientistas da universidade norte-americana de Washington e do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas partiu de um estudo de população que incluiu famílias com mutações genéticas raras que causam a doença de Alzheimer em idade precoce (aos 30, 40 e 50 anos).

Segundo um comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, que está a investigar as 'raízes' da doença, existe 50 por cento de probabilidade de um pai ou uma mãe com uma dessas mutações transmitir o erro genético a um filho e este, depois, ter sintomas de demência perto da idade em que o pai ou a mãe os teve.

Os cientistas avaliaram 409 pessoas, das quais 247 eram portadoras de uma mutação genética herdada dos pais e as restantes sem alterações nos genes. De todas as pessoas que acompanharam, metade das quais mais do que uma vez, obtiveram amostras de sangue, imagens do cérebro e testes cognitivos.

As pessoas que tinham um erro genético revelaram no sangue concentrações mais elevadas da proteína de origem cerebral - neurofilamento de cadeia leve - e essas concentrações aumentavam ao longo do tempo.

Ao contrário, as pessoas com um gene 'normal' tinham níveis baixos e estáveis da mesma proteína. Esta diferença foi identificada 16 anos antes do aparecimento expectável dos sintomas cognitivos associados à doença de Alzheimer, de acordo com o comunicado da Universidade de Washington.

Adicionalmente, os investigadores observaram imagens do cérebro das pessoas e verificaram que as concentrações da proteína aumentavam ao mesmo ritmo que uma parte do cérebro envolvida na memória encolhia e torna-se mais fina.

Para perceberem se os níveis de neurofilamento de cadeia leve no sangue poderiam ser usados ou não como marcadores da degradação cognitiva, os cientistas recolheram dados de 39 pessoas com mutações genéticas que causam a doença de Alzheimer.

Através de testes cognitivos e de imagens do cérebro, descobriram que as pessoas cujas amostras de sangue tinham revelado anteriormente um aumento rápido das concentrações da proteína eram mais suscetíveis de apresentar sinais de atrofia cerebral e diminuição das capacidades cognitivas (memória, raciocínio...).

Para um dos coordenadores do trabalho, Mathias Jucker, do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas, será importante, daqui em diante, confirmar se os resultados obtidos serão idênticos quando a doença de Alzheimer se manifesta mais tarde (a que surge nos idosos e a forma mais frequente) e determinar o período de tempo a partir do qual alterações na proteína devem ser avaliadas para se ter um bom diagnóstico clínico.

Universidade de Aveiro
Camisas, casacos, calças e, porque não, roupa interior com ecrãs tácteis. Na Universidade de Aveiro (UA) uma equipa de...

Atualmente, as roupas eletrónicas são fabricadas através da colagem de dispositivos nos próprios tecidos, tornando-os rígidos e suscetíveis de se estragarem com facilidade. Este trabalho, desenvolvido em parceria entre o CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro (uma das unidades de investigação das UA), o centro de investigação em têxteis CENTEXBEL (Bélgica) e a Universidade de Exeter (Inglaterra), integra os dispositivos eletrónicos no tecido, revestindo fibras eletrônicas com componentes leves e duráveis que permitirão que imagens e sinais luminosos sejam mostrados pelo próprio tecido.

Os investigadores garantem que a descoberta pode revolucionar a criação de dispositivos eletrónicos vestíveis para uso numa variedade de aplicações diárias, seja no simples acesso ao email através da roupa, seja na monitorização do estado de saúde através de sensores que permitem medir, por exemplo, a frequência cardíaca e a pressão arterial, e avisar quando algo está mal.

“É uma técnica que permite integrar dispositivos baseados em grafeno diretamente em fibras têxteis, mantendo o aspeto, flexibilidade e toque do tecido. Para já, criámos sensores de toque, tal como os usados nos écrans sensíveis ao toque, e dispositivos que emitem luz”, explica Helena Alves, investigadora do CICECO.

A coordenadora do trabalho realizado na UA garante que “a combinação destes dispositivos permite, por exemplo, criar ‘touch-screens’ em tecidos ou objetos revestidos com têxteis, para visualizar informações”. E como os dois dispositivos foram fabricados usando métodos compatíveis com métodos e requisitos industriais, torna possível a respetiva produção industrial.

Confederação dos Agricultores de Portugal
O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal avisou hoje que a bactéria 'Xylella fastidiosa' é &quot...

A 'Xylella fastidiosa' "é perigosa, porque ataca um conjunto vastíssimo de culturas agrícolas permanentes muito importantes", como "oliveiras, videiras, amendoeiras e até o próprio sobreiro", disse Eduardo Oliveira e Sousa, em Beja, após uma reunião do Conselho Consultivo do Baixo Alentejo e Algarve da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

"Se não houver uma particular atenção no sentido de tentarmos conter o espalhar da bactéria, ela pode transformar-se num problema muito grave e, por isso, há que alertar as pessoas para a gravidade do assunto", afirmou, defendendo que "é fundamental que os agricultores assumam uma postura de completa transparência".

Ou seja, sublinhou, "é necessário que os agricultores, na desconfiança de qualquer sintoma que possa porventura estar relacionado com a bactéria 'Xylella fastidiosa', imediatamente lancem o alerta às entidades competentes", nomeadamente as respetivas associações de agricultores e direções regionais de Agricultura ou a Direção-geral de Alimentação e Veterinária.

"Há um plano que o Governo está a implementar para tentar que a 'Xylella fastidiosa' não se transforme num problema grave no país, mas, para isso, é preciso que todos tenhamos consciência de que ela não pode ser escondida", alertou.

Eduardo Oliveira e Sousa lembrou que o problema da 'Xylella fastidiosa' "agravou-se em Itália, porque os agricultores que a descobriram nas suas oliveiras a tentaram esconder".

"Em vez de irem imediatamente dizer que tinham o problema, tentaram passar despercebidos e isso deu origem a um espalhar da bactéria, que depois se tornou incontrolável", disse.

Em Portugal, a bactéria foi descoberta numa planta ornamental, a lavanda, que "já tinha vários anos", estava num canteiro e "foi imediatamente destruída, queimada", contou.

"Será esse o processo que virá a acontecer noutras situações que possam ocorrer, mas é preferível isso acontecer [de forma] pontual, localizada, do que corremos o risco de a 'Xylella fastidiosa' se alastrar", alertou.

Portugal informou oficialmente a Comissão Europeia da presença da bactéria em 41 plantas de lavanda no jardim do Zoo de Santo Inácio, no concelho de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, segundo disse à Lusa na sexta-feira fonte comunitária.

Já um ofício do Ministério da Agricultura, ao qual a Lusa teve acesso, refere que a presença da bactéria foi confirmada no dia 03 deste mês "numa sebe ornamental de Lavandula dentata" no jardim do zoo.

A bactéria foi detetada "num único canteiro" e o Ministério da Agricultura tirou amostras e "a planta foi destruída quando acusou positivo e imediatamente após a comunicação do ministério", disse na sexta-feira à Lusa fonte do zoo.

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, assegurou, no mesmo dia, que o Governo tem um plano de contingência para fazer face à bactéria 'Xylella fastidiosa' e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas.

Desde 2015, têm sido detetadas diferentes subespécies da bactéria 'Xylella fastidiosa' em França, Espanha e Itália em espécies ornamentais e também agrícolas.

Após dados da Direção-Geral da Saúde
A Ordem dos Médicos pediu hoje um "apuramento rápido" das causas do "aumento da mortalidade infantil", que,...

De acordo com os dados oficiais ainda provisórios, os valores da mortalidade infantil são apenas ligeiramente acima dos que foram verificados em 2016.

Segundo dados provisórios hoje divulgados no site da Direção-geral da Saúde (DGS), a taxa de mortalidade infantil foi no ano passado de 3,28 mortes por cada mil nados vivos, quando em 2017 tinha sido de 2,69 e em 2016 de 3,24.

A evolução da taxa de mortalidade infantil (até ao 1.º ano de vida), hoje noticiada pelo Correio da Manhã, levou a Ordem dos Médicos a apelar à DGS para que retire conclusões finais sobre as causas de cada morte.

Na nota, o bastonário Miguel Guimarães considera que os dados, ainda preliminares, são “preocupantes”.

A nota da Ordem aponta refere que os números brutos da mortalidade infantil mostram que em 2017 houve 229 óbitos e em 2018 se registaram 289, ou seja, um acréscimo de 60 mortes num ano.

“A mortalidade infantil é um dos indicadores com evolução mais positiva no nosso país, motivo de referência a nível internacional. Sabemos que o aumento da idade média da maternidade e o maior recurso a tratamentos de fertilidade podem ter algum impacto negativo na mortalidade infantil. Ainda assim, este aumento merece uma rápida análise por parte do Ministério da Saúde para evitar um clima de desconfiança dos utentes em relação ao sistema de saúde”, refere a Ordem dos Médicos.

Na nota hoje divulgada no site, a Direção-geral da Saúde considera que “o número de mortes infantis em 2018 (dados provisórios) não se reflete de forma relevante na taxa de mortalidade infantil, uma vez que também se verificaram mais nados-vivos”.

Aliás, a DGS destaca que o valor da taxa de mortalidade infantil em 2018 é “similar ao verificado em 2016”.

E já nesse ano, em 2016, a autoridade de saúde frisa que Portugal se situava entre os melhores países da União Europeia no que se refere à mortalidade infantil.

Estudo
A bronquiolite é responsável por dois em cada dez internamentos de crianças com menos de dois anos, revela um estudo, segundo o...

“A taxa de hospitalização por bronquiolite aguda cresceu 1,6% por ano nas crianças com menos de dois anos, tendo a subida sido mais acentuada nos bebés com menos de três meses, atingindo os 3,8%”, refere a investigação.

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) analisaram os registos de internamento das crianças menores de dois anos, tendo a informação sido recolhida em todos os hospitais públicos de Portugal continental, entre 2000 e 2015.

No total, foram registadas 80.491 admissões por bronquiolite aguda, neste período, numa média de 5.000 internamentos anuais. Os rapazes foram internados com maior frequência (59,7%) do que as raparigas (40,3%).

Segundo o estudo, os custos diretos totais referentes a esta patologia ascenderam a 72,4 milhões de euros, numa média anual de quatro milhões. Cada hospitalização custou, em média, 900 euros.

Os resultados apontam que cerca de 20% das admissões hospitalares de crianças com menos de dois anos têm como motivo uma bronquiolite aguda, “um resultado que evidencia a importância desta doença na população pediátrica”, explica o médico e investigador do CINTESIS Manuel Gonçalves-Pinho, num comunicado hoje divulgado.

O norte e o centro são as regiões do país onde se registam as taxas de hospitalização mais elevadas – 26 e 27 internamentos por 1.000 crianças menores de dois anos, respetivamente, enquanto nas zonas sul são bastante mais baixas (22/1.000 em Lisboa e no Alentejo, e 19/1.000 no Algarve).

Além do estatuto socioeconómico, as variações de temperatura podem explicar a discrepância entre as taxas de internamento por bronquiolite aguda registadas em diferentes latitudes, refere o estudo publicado na revista científica Pulmonology.

“São as regiões mais a norte que registam uma maior percentagem de casos. Isto pode estar associado a questões climatéricas, que ditam que essas regiões vivam invernos mais severos, com quedas mais abruptas de temperatura”, afirma Alexandre Silva, primeiro autor do trabalho.

O vírus sincicial respiratório, um dos principais causadores de doenças respiratórias nas crianças, foi identificado como sendo a causa de 40% dos casos analisados.

No entanto, os investigadores, também docentes da Faculdade de Medicina do Porto, assumem que esta percentagem poderá ser maior, uma vez que nem todas as crianças são submetidas a testes para identificação do vírus que está na origem da sua doença.

Os investigadores registaram, em anos recentes, uma melhoria na forma como a bronquiolite é tratada.

“Observámos uma diminuição do número de raios-X realizados, dos antibióticos prescritos e de injeções de corticoides administradas, de acordo com as recomendações nacionais implementadas pela Direção-Geral de Saúde”, explicam.

Contudo, existe ainda “uma prescrição excessiva de exames de diagnóstico e de tratamentos considerados ineficazes”, pelo que defendem que se devem procurar implementar políticas de saúde mais eficientes, que promovam a melhoria dos cuidados prestados e a redução das despesas.

Os sintomas iniciais de bronquiolite são corrimento, obstrução nasal e tosse seca, de agravamento progressivo. A respiração pode tornar-se ruidosa e sibilante (pieira) e alguns bebés desenvolvem esforço respiratório.

Na Europa
Pelo menos oito países da Região Europeia da Organização Mundial de Saúde não têm planos para refugiados e migrantes nos seus...

A Organização Mundial de Saúde divulgou hoje o seu primeiro relatório produzido pela Região Europeia, que agrega 53 estados, sobre a saúde dos refugiados e migrantes, sublinhando a falta de dados específicos e de planos de saúde para uma população que representa 10% do total destes países.

Embora não identifique os países sem planos para estas populações, o documento sublinha que a falta de capacidade para assegurar o acesso equitativo a cuidados de saúde para refugiados e migrantes pode ter repercussões negativas na saúde pública.

Os efeitos podem ter impacto tanto nesta população móvel como nos países que os recebem, e dificultar o cumprimento dos objetivos globais na área da saúde.

Dos poucos dados que se conseguem estudar, a OMS refere que as estimativas de mortalidade dos refugiados e migrantes causadas por condições físicas ou mentais, lesões ou problemas digestivos tendem a ser menores do que as da população que os recebe.

No entanto, causas como infeções, doenças do sangue e cardíacas tendem a causar mais mortes entre os migrantes e refugiados.

A OMS defende ser fundamental que os refugiados e migrantes recebam proteção contra doenças contagiosas como a tuberculose, o VIH ou a hepatite e sejam alvo de um programa de vacinação.

As doenças cuja prevenção é feita por vacinas são um risco para quem vive em condições degradadas, diz a OMS, sublinhando que o grupo de maior risco são as crianças, já que “o processo de migração pode interromper o calendário de vacinação”.

Tal como entre qualquer grupo populacional, os refugiados e migrantes sem vacinação completa “podem levar à ocorrência de epidemias”, alerta a organização.

“É frequente ver que as barreiras linguísticas, de informação, culturais e económicas, além de fatores como a legalização na região, podem influenciar a vulnerabilidade dos refugiados e migrantes às doenças prevenidas através de vacinas”.

“No entanto, só alguns estados-membros da Região Europeia da OMS têm programas de vacinação que incluem estas populações”.

As doenças não contagiosas são, no entanto, as que mais contribuem para o total de doenças na Região Europeia da OMS.

A falta de informação sobre estas doenças na população migrante impossibilita chegar a conclusões muito específicas, mas alguns dados apontam para uma prevalência menor de muitas doenças não contagiosas quando as pessoas chegam ao país de destino, que depois tende a nivelar. Isto acontece sobretudo com a obesidade e aumenta com o tempo de estada no país de destino.

Doenças como diabetes, cardiovasculares ou cancro têm igualmente informação incompleta e apenas se consegue considerar que a diabetes parece ser mais comum entre esta população móvel e surgir numa idade mais precoce. As doenças cardiovasculares dependem da etnia e contexto socioeconómico e o cancro é, normalmente, diagnosticado numa fase mais avançada.

No que concerne a saúde mental, a OMS considera parecer haver mais prevalência de stress pós-traumático, depressão e ansiedade na população refugiada e migrante do que na dos países que a acolhem; e na saúde maternal, o risco de problemas e até de mortalidade é maior na população móvel.

Relativamente à saúde sexual, os dados mostram conclusões contraditórias, mas a mutilação sexual feminina está a tornar-se um tópico cada vez mais importante para os profissionais de saúde, já que têm sido encontrados mais casos, tanto de mulheres cortadas nos seus países de origem como já na Região Europeia.

A OMS sublinha ainda que a maioria dos serviços de apoio se dirigem unicamente a vítimas femininas de violência sexual, habitualmente em clínicas de saúde reprodutiva e maternal, mas tanto adultos como crianças são, muitas vezes, vítimas de violência sexual grave durante a viagem ou na chegada à Europa.

A OMS recomenda aos vários países que são membros na Europa que tornem os serviços de saúde universais para acolherem também refugiados e migrantes mesmo indocumentados e que, a par do apoio médico, seja feito um apoio social, já que muitas destas pessoas desconhecem os sistemas de saúde do país onde estão.

Por outro lado, pede que a avaliação feita nas fronteiras não inclua apenas doenças contagiosas, e que essa avaliação seja acompanhada de um tratamento e acompanhamento com atenção às diferenças étnicas e à confidencialidade.

Ambiente
Manifestantes ambientalistas vão concentrar-se hoje junto das representações da Comissão Europeia em várias capitais europeias,...

A destruição das florestas leva ao fim do habitat natural dos orangotangos mas também de outros animais, especialmente na Malásia e Indonésia, dois grandes produtores de óleo de palma, escreve o Sapo.

O uso de óleo de palma nos veículos automóveis, dizem organizações ambientalistas, está a desflorestar e a drenar turfeiras no sudeste da Ásia, para a plantação do óleo, e na América do Sul as plantações de óleo de palma também está a levar a fortes pressões sobre a floresta amazónica.

Pior quem o gasóleo
Segundo a associação ambientalista portuguesa ZERO, que apoia a iniciativa de hoje, o biodiesel a partir do óleo de palma é “três vezes pior para o clima do que o gasóleo fóssil”, sendo que em 2018 mais de metade do óleo de palma usado na Europa acabou nos depósitos dos veículos.

Ainda segundo a organização, em Portugal foram usados 31 milhões de litros entre janeiro e setembro do ano passado, quatro vezes mais do que em todo o ano de 2017.

Hoje, em Lisboa, mas também em Roma, Bruxelas, Berlim, Paris ou Madrid, manifestantes, alguns disfarçados de orangotango, vão dizer “no meu depósito não”, apoiados por dezenas de organizações não governamentais.

No “dia europeu de ação contra o biodiesel de óleo de palma” o protesto “inclui” mais de 520 mil pessoas que subscreveram uma petição europeia contra o óleo de palma e que querem que a Comissão retire o apoio ao uso do óleo para a produção de biodiesel.

Doença é quase sempre assintomática
Tipicamente assintomática, a Esteatose Hepática atinge entre 15 a 20% da população adulta em Portuga

Vulgarmente conhecida por Fígado Gordo, a Esteatose Hepática é já considerada a doença do fígado mais frequente, embora pouco se oiça falar dela.  Atingindo mais de um milhão de portugueses, esta condição resulta da acumulação de “triglicéridos e ácidos gordos livres nas células do fígado” que, em casos mais graves e avançados, pode evoluir para cirrose.

“A esteatose hepática é uma doença que começa muitas vezes na vida intrauterina, em casos de diabetes gravídica. Calculando-se que a incidência da EH seja de cerca de 20% nos jovens com menos de 20 anos. O diagnóstico pode ser feito em qualquer idade”, começa por explicar Rui Ribeiro, coordenador do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Santo António.

Entre os grupos de risco estão assim os “doentes portadores de obesidade ou diabetes tipo 2 e aqueles com um estilo de vida desregrado, com dieta rica em gorduras ou açucarados ou bebidas alcoólicas”. De acordo com o especialista, o sedentarismo é também um grande fator de risco e “o consumo de tabaco precipita, de forma independente, o agravamento da doença”.

“Doentes com Síndrome do Ovário Poliquístico ou o Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono são igualmente grupos de risco”, acrescenta o cirurgião.

Embora tipicamente assintomática, a Esteatose Hepática pode provocar cansaço e dor ou desconforto no abdómen. O primeiro sinal de alerta pode ser mesmo e apenas a presença de “abdómen proeminente de forma desfasada com o restante corpo, associado – nunca é demais repetir – a uma dieta hipercalórica e um sedentarismo comprometedor”.

Na verdade, de acordo com o especialista “quem assume uma dieta rica em hidratos de carbono, gordura ou álcool, sem fibra, hipercalórica e não pratica qualquer tipo de exercício físico é um sério candidato a ter fígado gordo e fica exposto às consequências dessa doença silenciosa”.

Em casos mais avançados, com lesão ou inflamação do fígado, podem surgir outros sintomas como perda de apetite, náuseas e vómitos, icterícia, febre, abdómen dilatado, hemorragias nasais ou pernas inchadas.

Apesar do diagnóstico definitivo chegar apenas após uma biopsia do fígado, as análises laboratoriais, onde se detecta aumento das enzimas hepáticas em doentes obesos, diabéticos ou dislipidémicos, pode levantar a suspeita da doença. A ecografia abdominal revela o aumento do volume do fígado.

“O fígado gordo não tem tratamento farmacológico. A única forma de o controlar ou fazer regredir é emagrecendo e mantendo um estilo de vida saudável, com uma dieta rica em fibras e produtos naturais sem gordura ou açucarados a par de exercício regular”, afirma o coordenador do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica.

No entanto, explica que, embora algumas pessoas consigam baixar o peso, o perfil crónico das doenças de base – obesidade e diabetes – levam a que a grande maioria volte a recuperar o peso.

“O único tratamento eficaz e que consegue taxas muito elevadas de emagrecimento definitivo e redução marcada da quantidade de gordura no fígado é o tratamento com cirurgia da obesidade ou da diabetes”, acrescenta Rui Ribeiro.

Embora a maioria dos casos apresente uma evolução benigna, as principais complicações da Esteatose Hepática são a cirrose e o cancro do fígado, estimando-se que a neoplasia se desenvolva entre 2,5 a 12% dos casos.

“Calcula-se que o fígado gordo será, em breve, a principal causa de cancro do fígado em todo o mundo bem como a principal causa de transplante”, adverte o especialista reforçando a necessidade de se adotar uma atitude preventiva quanto a esta matéria, optando por um estilo de vida mais saudável.

Uma dieta pobre em gorduras saturadas, rica em fibras e com abstenção alcoólica é o primeiro passo para a manutenção de um peso saudável, melhorando a qualidade de vida. Rui Ribeiro recomenda ainda a prática de exercício físico “regular e superior a 150 minutos semanais” e acompanhamento médico.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Quando o telefone toca
Os idosos em situações de fragilidade são contactados todas as semanas pelo serviço "proximidade sénior" do SNS 24.

O serviço proximidade sénior do SNS 24 foi lançado no final do ano passado: uma iniciativa que apoia idosos em situações de maior fragilidade. Em tempos, houve uma linha sénior em que os utentes tinham de ligar e pedir para serem acompanhados, mas desta vez o primeiro passo é dado pelo próprio SNS 24.

"É um serviço pró-ativo do SNS para com a população idosa, de 75 ou mais anos, onde queremos contactar e acompanhar aqueles que mais precisam", explica à TSF a diretora Micaela Monteiro.

Micaela Monteiro explica, contudo, que muitas vezes as dificuldades encontradas na conversa com os idosos não podem ser resolvidas por chamada: "Por outro lado, nós sabemos também que durante esse acompanhamento são detetadas dificuldades ou problemas do idoso - a nível de saúde, a nível social ou de segurança - que são assinalados. Mas é fácil de perceber que as soluções, na maior parte das vezes, depois não são passíveis de ser feitas através de um telefone. Precisam de uma resposta local."

Por isso, o serviço conta com a colaboração dos agrupamentos de centros de saúde, que fornecem os contactos de quem poderá ser incluído no serviço. Na primeira chamada fazem uma avaliação, identificam limitações de saúde, mas também casos de isolamento ou de depressão.

Se o utente for sinalizado é incluído no programa e passa a receber uma chamada todas as semanas.

"Nesse contacto existem recomendações importantes que são dadas a estes cidadãos, a estas pessoas idosas. Nesta altura do ano, incidem, obviamente, sobre como se proteger do frio e o incentivo à vacinação contra a gripe", remata.

48% dos utentes já receberam a chamada do serviço de proximidade
Mariana Leitão Marques, médica neurologista e coordenadora do serviço, explica que a seleção das pessoas é feita através da Escala Tilburg, com recurso a várias perguntas de resposta simples.

"São feitas perguntas como: Como é que se sente em relação à sua saúde física? Tem tido recentemente mais dificuldades em andar? Ou em manter o equilíbrio? Ou na audição? Ou na visão? Tem sentido dificuldades com a sua memória? Tem-se sentido abatido ou em baixo no último mês? No fundo, tenta-se perceber se a pessoa está bem nestas três componentes - física, psicológica e social."

"Dos 1585 utentes nesta situação de fragilidade, 48%, ou seja 766, não só já foram incluídos, como já estão na fase de receberem chamadas de intervenção - aquelas em que se liga de volta para o idoso para perguntar se o problema foi resolvido, se já está vacinado contra a gripe, ou se tem braseiras em casa com as quais precise de ter cuidado."

Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo
O pico da gripe ainda não chegou, mas o número de pessoas que procuraram os centros de saúde nos últimos dias aumentou...

Luís Pisco revela que têm sido atendidas mais de mil pessoas por dia depois das oito da noite nos centros de saúde. "E ao sábado, são mais duas mil e quinhentas pessoas que vão aos centros de saúde. Não há dúvida que há uma procura muito maior do que o habitual."

Os dados foram avançados pelo presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, escreve a TSF, numa altura em que a epidemia da gripe ainda não atingiu o pico. Pelas previsões de Luís Pisco, que falava à margem da apresentação do plano regional da ARS, o pico da gripe deve ser atingido na próxima semana.

Apesar disso, já se verifica o aumento da procura de cuidados de saúde nos horários alargados do plano de contingência e também o aumento das chamadas para a linha SNS 24 - 808 24 24 24

Questionado sobre as conclusões do estudo do Instituto Nacional de Saúde , que mostram que a grande maioria dos portugueses não vai às urgências quando têm gripe, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo aplaude a atitude e explica que se assim não fosse seria uma tragédia para os hospitais.

"Quando há uma epidemia de gripe, temos provavelmente milhões de pessoas com gripe. Se essas pessoas caíssem todas nos hospitais seria uma tragédia", afirma Luís Pisco, que assegura que os Centros de Saúde têm mais capacidade para absorver os doentes.

"Os centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo fazem cerca de 40 mil consultas por dia, portanto se forem mais 800 ou mil pessoas não é uma tragédia para nós, mas se forem 800 ou mil pessoas a um hospital é uma situação difícil de gerir."

Diretora-geral da Saúde
Um dos vírus com maior circulação este ano é agressivo para os mais idosos, o que pode justificar alguma subida na mortalidade.

Primeiro as más notícias. Um dos vírus da gripe (o AH3) que está em maior circulação este ano é agressivo, especialmente para os idosos. Resultado disso, na segunda-feira, dia 14, morreram perto de 500 pessoas no país, um dos dias com mais mortes da última década, boa parte delas na sequência de problemas provocados pela doença. No nível moderado, Portugal está mesmo no grupo de países da Europa onde o surto de gripe é mais forte.

Agora, notícias melhores: o AH3 não é a única estirpe em circulação em Portugal, o que pode fazer com que a época gripal seja menos forte do que, por exemplo, a de 2017. Além disso, a epidemia manteve-se estável na segunda semana de janeiro e a nossa vacina cobre os dois vírus em maior circulação.

Quem o explica ao Diário de Notícias é a diretora-geral da Saúde, que admite que "um dos vírus em circulação, o AH3, é historicamente mais agressivo, provoca época gripais mais intensas, com especial gravidade nos idosos". Apesar de também afetar muitas crianças, "nessas idades é raro ser tão grave", acrescenta Graça Feitas, que destaca a "co-circulação com o vírus A(H1)pdm09, mais benigno", como uma das boas notícias que podem tornar o surto de gripe menos violento. Isso e o facto de a taxa de vacinação para a doença ter aumentado este ano.

Dados do vacinómetro do final de 2018 mostravam que desde 15 de outubro já tinham sido vacinados cerca de 1,3 milhões de idosos. Em termos percentuais, a vacina da gripe tinha sido administrada a 66% das pessoas com mais de 65 anos, mais 7% do que no mesmo período de 2017.

Ainda assim, as temperaturas muito baixas dos primeiros dias do ano levaram a um aumento do número de mortes: o último relatório do Instituto Ricardo Jorge (INSA) mostra que o valor médio da temperatura mínima do ar na segunda semana de janeiro foi de 1,04°C, menos 3,5°C em relação ao valor normal para o período 1971-2000. A persistência de noites frias com valores de temperatura mínima muito abaixo do normal terão contribuído para entupir urgências hospitalares e para uma subida da mortalidade, - embora ainda dentro do esperado, realça o INSA - principalmente entre os mais idosos, admite Graça Freitas, "que têm outros problemas de saúde e devido ao frio acabam por descompensar". Segunda-feira foi o dia com mais mortes desde o início do surto de gripe (482), segundo os dados do site de vigilância da mortalidade.

A gripe manteve-se em fase de epidemia, mas em situação estável na segunda semana do ano, com uma taxa de incidência de 48,8 por 100 mil habitantes. Segundo o último relatório publicado pelo INSA, Portugal era mesmo, juntamente com a Inglaterra, o país da Europa com o surto de gripe mais forte no início do ano. Dados entretanto atualizados pelo boletim Flu News Europe, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e da Organização Mundial de Saúde, que junta ao grupo de países com surtos moderados a Irlanda, a Holanda, a Croácia e a Bósnia-Herzegovina. Fora do espaço da União Europeia, Montenegro e Turquia estão no nível elevado.

Além da vacinação, a DGS aconselha a higiene das mãos, tossir ou espirrar para um lenço descartável ou para o antebraço e, no caso de estar infetado, o distanciamento social para evitar a propagação da doença.

 

Governo
Seis associações da saúde criticam a proposta do Governo para a nova Lei de Bases do setor, considerando que pretende impor ...

“A nova proposta de Lei de Bases altera de forma estrutural a filosofia de funcionamento do setor da prestação de cuidados de saúde, visando impor a todos um regime de monopólio tendencial no contexto do SNS”, refere a posição conjunta de seis associações do setor, que é divulgada a dois dias do debate no parlamento.

O documento é partilhado pela Associação Nacional de Farmácias, Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Associação da Indústria Farmacêutica, Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos, Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde e Health Cluster Portugal – polo de competitividade de saúde.

As associações ligadas a prestadores privados entendem que a proposta do Governo é “uma rutura” em relação à Lei de Bases de 1990, ainda em vigor.

“É importante uma nova Lei de Bases, mas não para estabelecer imperativamente um Estado omnipresente e um setor social e empresarial residual, o que constituiria um retrocesso nos bons resultados obtidos nas últimas três décadas”, refere o documento.

No entender das seis associações, que representa cerca de 89 mil empresas, a proposta do Governo “coloca toda a ênfase, prioridade e prevalência numa visão isolada e monopolista do SNS”.

“A proposta do Governo sustenta a pura e simples eliminação das normas da atual lei que referem o apoio do desenvolvimento do setor privado de prestação de cuidados de saúde”, acrescenta a posição conjunta.

É também sublinhado que a proposta do Governo impõe “um monopólio legal de gestão pública, mesmo quando seja claro que num determinado caso ou projeto, a gestão social ou empresarial seria vantajosa, apenas podendo ser associadas entidades privadas de forma supletiva e temporária”.

As seis associações consideram que a proposta de nova Lei de Bases “não responde aos novos desafios que se colocam ao setor (…) nem garante a construção de um sistema de saúde num quadro de liberdade de escolha e de iniciativa pública, social e privada”.

A proposta aprovada pelo Governo em dezembro, e que será debatida quarta-feira no parlamento, condiciona o recurso a privados à avaliação das necessidades e elimina o apoio ao “desenvolvimento do setor privado da saúde em concorrência com o setor público”.

Do mesmo modo, a nova lei prevê o fim do apoio do Estado “à facilitação de mobilidade de profissionais entre o setor público e o setor privado” e “evolui progressivamente para a criação de mecanismos de dedicação plena ao exercício de funções públicas”.

As taxas moderadoras mantêm-se para evitar o “risco de um consumo desenfreado, excessivo e contrário aos interesses da sociedade”.

 

Grupo de Ativistas em Tratamento
Os antigos e atuais utilizadores de droga têm, a partir de hoje, uma consulta para tratamento da hepatite C fora dos hospitais,...

Trata-se da “primeira consulta comunitária descentralizada em Portugal de tratamento da hepatite C destinada a pessoas que usam ou usaram drogas”, que vão poder fazer o tratamento fora do ambiente hospitalar, “potenciando a cura da hepatite C”, segundo o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT).

A consulta comunitária, que hoje abre portas num novo espaço do centro de rastreio comunitário IN-Mouraria, em Lisboa, resulta de uma parceria com o Serviço de Gastroenterologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que engloba os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, e tem como objetivo tratar pessoas que “têm vidas difíceis” e “não se sentem bem nos hospitais”, disse à agência Lusa o presidente do GAT, Luís Mendão.

“As pessoas ali vão ter médico, fazer as colheitas para as análises”, fazer exames para avaliar o estado do fígado “sem necessidade de se deslocarem ao hospital”, disse Luís Mendão, considerando esta iniciativa uma “contribuição para uma boa saúde pública”.

“Pensamos que assim vamos conseguir tratar e curar a maior parte das pessoas desta população que vive com hepatite C”, afirmou o presidente do GAT, que tem esperança que sejam tratadas 200 pessoas no primeiro ano da consulta. "No entanto, já ficamos com um bom objetivo se chegarmos a 100 pessoas".

O diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHLC, Rui Tato Marinho, que faz parte da equipa interdisciplinar, salientou a importância desta iniciativa para os doentes, mas também para os profissionais de saúde.

“É aproximar o especialista da comunidade, ser útil à comunidade”, disse à Lusa o hepatologista, afirmando que o “hospital é muitas vezes um sítio inóspito”, sendo difícil para algumas pessoas lá irem.

Há algumas comunidades, como utilizadores de drogas ou imigrantes, que têm dificuldades até em pagar os transportes para se deslocar “quatro ou cinco vezes ao hospital", umas vezes para fazer análises, outras para realizar exames, ir à consulta e "esperar horas” e “queríamos simplificar isso”, disse Rui Tato Marinho.

Com a deslocação da equipa de profissionais de saúde ao terreno consegue-se “fazer muito e ajudar muita gente em pouco tempo”, afirmou o especialista.

Mas “também é bom” para os profissionais de saúde: “Aproximamo-nos mais do outro, tornamo-nos mais humanos porque conhecemos outras faces da sociedade”.

Por outro lado, “é muito gratificante curar estas pessoas que tiveram e têm vidas muito desfavorecidas, ajudar a restaurar a saúde delas e dar-lhes momentos felizes”.

O presidente do GAT avançou que irá ser desenvolvido um estudo observacional a partir desta consulta, com objetivo de determinar a taxa de sucesso do tratamento para a hepatite C entre pessoas que usam/usaram drogas em contexto comunitário.

A criação do novo espaço foi possível devido à contribuição da Câmara Municipal de Lisboa, Coaliton Plus e do Programa EDP Solidária Inclusão Social 2017, da Fundação EDP.

Sindicato
O Sindicato Nacional dos Profissionais da ASAE defendeu ontem a realização das consultas de medicina do trabalho a estes...

“Nos últimos quatro anos, não foram realizados os exames médicos obrigatórios aos trabalhadores”, lamenta em comunicado o Sindicato Nacional dos Profissionais da ASAE (SNP-ASAE), presidido por Pedro Vieitas Antunes.

Na quarta-feira, o ministro-adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, revelou que o Governo vai lançar concursos, “já no primeiro trimestre deste ano”, para a “resolução dos problemas de higiene, saúde e segurança no trabalho” dos trabalhadores da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

A direção daquele sindicato, com sede em Coimbra, reage “com um misto de satisfação e preocupação” às declarações do ministro da tutela proferidas no parlamento.

O SNP-ASAE recorda que, numa recente reunião com o secretário de Estado da Defesa do Consumidor, João Torres, já tinha alertado “para o reiterado incumprimento das normas de saúde, higiene e segurança no trabalho, sendo que entre os anos de 2015 e 2018 (…) não foram realizados os exames médicos obrigatórios”.

No entanto, segundo Pedro Antunes, que assina a nota, o sindicato “não pode deixar de estar preocupado, porque mais do que o lançamento de concursos para a prestação desses serviços na ASAE, queria sim, a realização das consultas de medicina do trabalho neste trimestre”.

Por exemplo, o concurso de aquisição de 28 viaturas para a ASAE, apresentado em agosto de 2016, acabou por ser “publicado somente em agosto de 2018, dois anos depois”, e os veículos ainda não estão ao serviço da ASAE.

“Podemos prever que os trabalhadores da ASAE estarão sem acesso às consultas de medicina do trabalho seis anos e isto é totalmente inaceitável” num organismo público, critica o SNP-ASAE, frisando que “o Estado que legisla, fiscaliza e sanciona não respeita os seus diplomas legais, pondo em causa a saúde dos seus trabalhadores”.

Na semana passada, o ministro Pedro Siza Veira anunciou também que o número de funcionários da ASAE deverá ser superior a 520 até ao final deste ano.

“Este número tem sido apresentado em todos os mapas de pessoal, desde 2015, e nunca foi atingido, sendo mais uma promessa do Governo para as calendas”, segundo a organização sindical.

Na sua ótica, “mais importante que o número total de trabalhadores é o número de inspetores, pois o 'core business' da ASAE é a inspeção e os números que se encontram previstos para o presente ano são os mais baixos desde 2015”.

O Governo anuncia um “aumento do número de trabalhadores” em 2019, “mas relativamente aos inspetores esse número diminui, o que, perante a enorme falta de recursos humanos e a abrangência das matérias que a ASAE fiscaliza, só poderá levar a uma diminuição das mesmas e a um aumento da insegurança dos consumidores portugueses”, alerta o sindicato.

Universidade de Coimbra
A criação de um mapa de risco para a exposição a radiações ionizantes em Portugal foi ontem defendida pelo Laboratório de...

Integrado no Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), o Laboratório de Radioatividade Natural (LRN) “é o primeiro laboratório da Península Ibérica a obter acreditação da norma ISO 17025 para avaliação de todos os parâmetros radiológicos que permitem responder à globalidade das exigências impostas pela União Europeia (UE) relativas à proteção contra os perigos da exposição a substâncias radioativas naturais”.

A ISO 17025 é a norma internacional para a padronização de ensaios e calibração.

“Este selo de qualidade de referência atribuído pelo Instituto Português de Acreditação, o organismo de acreditação em Portugal, resulta de um complexo e exigente processo que durou mais de dois anos”, afirma em comunicado a assessoria de imprensa da FCTUC, salientando que esta distinção posiciona o laboratório “na vanguarda da Península Ibérica”.

“Foi um percurso longo, com um grau de exigência muito elevado, mas esta certificação é o reconhecimento do LRN como centro de referência nacional e internacional que cumpre um rigoroso sistema de qualidade e de boas práticas”, refere o diretor do organismo, Alcides Pereira, citado na nota.

Tal significa “a chancela de confiança máxima” para as instituições que procurem os serviços do laboratório, sublinha.

“Com a acreditação agora obtida, Portugal deixa de ter de recorrer a laboratórios estrangeiros para a realização de alguns ensaios”, tendo em conta que o Laboratório de Radioatividade Natural “está agora habilitado a dar resposta a todos os parâmetros radiológicos que estão contemplados na legislação mais recente sobre a radioatividade natural”, designadamente as diretivas da UE.

O laboratório de Coimbra “é o primeiro na Península Ibérica a conseguir acreditação para a globalidade dos parâmetros impostos pela União Europeia”, segundo o também professor catedrático da FCTUC.

A acreditação permite igualmente “criar um polo de excelência na área da radioatividade natural (…) por forma a contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico de práticas sustentáveis que protejam a saúde das populações”.

Essa radioatividade está “presente no ambiente e tem origem em elementos naturais”, como a água, o ar e os materiais de construção, entre outros.

Alcides Pereira defende a elaboração de “um mapa de risco que identifique as zonas mais problemáticas do país no que respeita à exposição do ser humano a radiações ionizantes de origem natural”.

“Estamos continuamente expostos a diferentes fontes de radiação natural, sendo por isso necessário perceber quais os locais mais problemáticos no território português e propor medidas que protejam as populações e que permitam mitigar os impactos dessa exposição”, acrescenta.

Sendo a região Centro “a zona do país mais afetada pelos problemas associados à exposição de radiações ionizantes de origem natural, importa perceber e controlar o nível de exposição”, preconiza o especialista.

Por sua vez, o diretor da FCTUC, Luís Neves, realça que o facto de o LRN ser “o primeiro laboratório da instituição a obter acreditação, o que constitui incentivo a que outras áreas científicas possam evoluir no mesmo sentido”.

Fundado em 1999, o Laboratório de Radioatividade Natural da FCTUC está “envolvido num trabalho de remediação ambiental de minas de urânio pioneiro a nível mundial, centrado na recuperação das habitações dos antigos mineiros” da Urgeiriça, concelho de Nelas e distrito de Viseu, bem como na realização de um estudo da qualidade radiológica das águas de consumo em Portugal.

Em Paris
Milhares de pessoas manifestaram-se ontem, em Paris, contra o aborto, apelando a que os médicos aleguem “objeção de consciência...

De acordo com a agência AP, o grupo de manifestantes apelou a que os médicos deixem de realizar abortos, alegando para isso “objeção de consciência”.

Em França são realizados, anualmente, cerca de 200.000 abortos.

Na base do protesto está ainda a defesa do fim da procriação medicamente assistida, depois de uma recomendação do mais alto órgão de bioética do país, que defendeu que mulheres solteiras e casais de lésbicas deveriam ter acesso à reprodução medicamente assistida, um procedimento que, atualmente, é restrito a casais heterossexuais.

Adicionalmente, o grupo defendeu que a eutanásia deve continuar a ser proibida em França.

Comissão Europeia
Portugal informou oficialmente a Comissão Europeia da presença da bactéria ‘Xylella fastidiosa’ em plantas de lavanda no jardim...

A presença da bactéria que ataca espécies como oliveiras e amendoeiras e para a qual não há cura foi detetada “em 41 plantas de lavanda num jardim de um ‘zoo’ – ou seja, não numa zona agrícola – em Vila Nova de Gaia”.

Na sequência da identificação da presença da bactéria, salienta a mesma fonte, estão a decorrer ações para confirmar a origem da infeção, tendo sido também demarcada a área afetada conforme as regras da União Europeia, tendo sido estabelecida uma área demarcada que compreende 100 metros da zona infetada e uma zona tampão circundante de cinco quilómetros, ambas sob forte vigilância.

Por outro lado, foram já destruídas todas as plantas infetadas com a subespécie e restringida a circulação a todos os operadores nas áreas demarcadas (que incluem duas plantações e sete centros de jardinagem) de modo a impedir a saída de plantas específicas.

A Comissão Europeia mantém-se em contacto com as autoridades portuguesas e a acompanhar a situação, sublinha a fonte comunitária.

Desde 2015, têm sido detetadas diferentes subespécies da bactéria ‘Xylella fastidiosa’ em França, Espanha e Itália em espécies ornamentais e também agrícolas.

A subespécie multíplex está associada a 58 espécies/géneros de plantas, entre eles, a amendoeira, a cerejeira, a ameixeira, a oliveira, o sobreiro, a figueira e muitas plantas ornamentais e da flora espontânea.

Ordem dos Médicos do Centro
Falhas frequentes nas aplicações informáticas utilizadas no Serviço Nacional de Saúde, sobretudo no programa Sclínico, estão a...

A denúncia assenta num inquérito às "funcionalidade e operacionalidade" das aplicações informáticas do SNS, promovido pela Ordem dos Médicos do Centro (SRCOM) na sequência de "inúmeras queixas e reclamações".

A recolha de dados, com mais de 500 respostas, foi realizada através de questionário ‘online’ anónimo voluntário destinado aos clínicos, no mês de dezembro de 2018, esclarece a Secção Regional, salientando que "todos os dias chegam à Ordem dos Médicos queixas, denúncias e alertas”.

"Dos médicos que responderam ao inquérito, 79,2% afirma que o programa SClínico não é rápido, 42,5% diz que não é fácil e 62,6% dos inquiridos conclui que não facilita o trabalho em ambiente de consulta", refere a Ordem em documento divulgado hoje.

Mais de 82% dos médicos que responderam ao questionário dizem ainda que o programa informático Sclínico provoca novos problemas que interferem na atividade clínica.

O estudo mostra ainda que este programa apresenta erros e bloqueios frequentes, situação reportada por 84,9% dos inquiridos. A percentagem de respondentes que afirma que o serviço de apoio informático - ServiceDesk é ineficaz atinge os 74,4%.

"Números que concretizam as inúmeras denúncias da SRCOM: a fraca e péssima qualidade deste serviço prestado pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE (SPMS), faz com que seja cada vez mais difícil, por exemplo, consultar o registo clínico, prescrever medicamentos e Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica", refere.

Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, garante que "os responsáveis dos Serviços Partilhados do Ministérios da Saúde (SPMS) desconhecem a dimensão e a gravidade do problema porque não se deslocam às unidades do Serviço Nacional de Saúde".

O médico garante que "a inércia da entidade responsável pela gestão do sistema informático do SNS está a causar graves problemas, com forte impacto na vida dos utentes", obrigando ao cancelamento ou adiamento de consultas.

"Há doentes que voltam repetidamente ao seu Centro de Saúde, apenas e só, devido aos problemas dos constantes bloqueios do sistema informático", garante Cortes.

O médico deixa um apelo aos SPMS: "Antes de se avançar com novos sistemas, é necessário resolver estes bloqueios desesperantes".

O SClínico Hospitalar é um sistema de informação desenvolvido pelos SPMS, comum a todos os prestadores de cuidados de saúde.

Em fevereiro
A Associação O Joãozinho vai interpor uma ação em tribunal em fevereiro para que o Hospital de São João, no Porto, liberte o...

“O que nós vamos fazer é avançar com uma ação comum para que o centro hospitalar cumpra a cláusula primeira do acordo de cooperação que estabeleceu connosco [associação] e com o consórcio construtor, e liberte o espaço para continuarmos com a obra de construção da ala pediátrica”, disse o presidente da associação, Pedro Arroja.

O objetivo é por a obra a andar o “mais rapidamente possível” porque as crianças estão em condições “miseráveis”, vincou, acrescentando que “se mais tarde” o Governo a quiser assumir estará disponível para negociar as condições de cedência de titularidade.

No início deste mês, a associação propôs ao centro hospitalar avançar com os trabalhos da ala pediátrica, a funcionar em contentores há cerca de dez anos, até o S. João “estar em condições” de os assumir.

Numa carta enviada ao presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar, e a que a Lusa teve acesso, o dirigente da associação sugeriu ao hospital “desimpedir” o espaço destinado à ala pediátrica, retirando de lá o Serviço de Sangue para avançar com a obra.

Contudo, na resposta, o hospital alertou a associação tem a “obrigação” de devolver o terreno da ala pediátrica até março, segundo o protocolo de 2017, cuja vigência já “esgotou”, revela uma carta a que a Lusa teve acesso.

“Nos termos do acordo [assinado em 2015 com a associação para construir a ala pediátrica com fundos privados], a associação está obrigada a devolver, no prazo de 90 dias, a pedido do centro hospitalar, a parcela cedida” para as novas instalações de pediatria, disse a administração daquele hospital, numa carta dirigida à Joãozinho em que considera “inaceitáveis” e “ilegais” as condições apresentadas pelo seu presidente para a devolução do terreno.

Pedro Arroja recordou que na reunião que teve com o presidente do conselho de administração, que, entretanto, renunciou ao cargo, comprometeu-se a apresentar uma proposta para a cedência da titularidade, o que cumpriu.

“Houve negociações, fiquei de fazer uma proposta e fiz, mas o hospital respondeu uma coisa sem nexo e, logo a seguir, o presidente renunciou, portanto, agora nem sequer há interlocutor”, contou.

Na sua opinião, o conselho de administração já mostrou que não quer voltar às negociações.

Pedro Arroja recordou que a obra está parada há quase três anos e que nem o hospital, nem o Governo apresentaram até agora uma “solução razoável e rápida” para se prosseguir com a empreitada.

“Esta ação em tribunal em nada atrasa a obra, mas é sim uma tentativa de antecipar o recomeço dos trabalhos”, comentou.

O internamento oncológico e geral de pediatria do São João funciona em contentores provisórios desde 2011 e o parlamento aprovou em novembro, por unanimidade, a proposta de alteração do PS ao Orçamento do Estado para 2019, de forma a prever o ajuste direto para a construção da Ala Pediátrica.

A 03 de janeiro, a administração do Hospital de São João indicou que a obra da ala pediátrica deve começar no início do segundo semestre, prevendo-se para abril a transferência provisória da pediatria oncológica para o edifício central.

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