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Doença cardiovascular

Atualizado: 
13/05/2014 - 15:13
A OMS estima que ocorrerão 20 milhões de mortes por doença cardiovascular em 2015, o que representa um terço de todas as mortes mundiais, sendo a doença cardiovascular a principal causa de morte isolada, ultrapassando as doenças infecciosas.

Na Europa as doenças cardiovasculares causam 4.3 milhões de mortes por ano. A evolução das tendências de prevalência e incidência de doença cardiovascular está diretamente relacionada com a presença de factores de risco relacionados com estilos de vida tão diversos como a alimentação, o tabaco, a actividade física, o álcool ou factores psicossociais, ou a factores biológicos como a hipertensão arterial, a obesidade, a hipercolesterolemia ou a diabetes mellitus.

 

Doença cardiovascular em Portugal
As Doenças Cardiovasculares (DCV), com destaque para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), são a principal causa de morte no país, de internamento hospitalar, incapacidade e invalidez e de anos potenciais de vida precocemente perdidos. Um em cada quatro portugueses tem uma elevada probabilidade de morrer de causa cardiovascular nos próximos 10 anos, segundo informações preliminares do Estudo VIVA.

Portugal apresenta uma das taxas mais elevadas de AVC em todo o mundo, onde 30% dos doentes com AVC morrem no prazo máximo de um ano. Os AVCs levam a mais de 25 mil internamentos por ano e representa um custo anual absoluto de cerca de 2,5 mil milhões de euros (sendo Portugal o sexto país da Europa que mais gasta com esta doença). Estima-se que um em cada cinco portugueses morra na sequência de um AVC e que cerca de 50% dos AVCs causem algum tipo de incapacidade.

Sabendo-se que, depois dos acidentes cardiovasculares acontecerem, dificilmente podem ser revertidos, a solução passa pela prevenção.

É importante agir nos fatores de risco como a diabetes, a dislipidemia, o tabagismo e, muito em particular, a hipertensão arterial (HTA), que devem ser alvo de ações preventivas. Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, reduzir o consumo de sódio em 0,8g representaria, ao final de 5 anos, uma redução da taxa de AVC em 30 a 40%.

Uma pequena mudança poderia ter grandes resultados

Se cada pessoa ingerisse menos 2g de sal/ dia, em 5 anos, a taxa de AVC cairia 30 a 40%

  • Menos de 1g de sal/ dia = menos 2640 mortes/ ano
  • Menos de 4 g de sal/ dia = menos 7000 mortes/ ano

Prevenção da Doença Cardiovascular
A doença cardiovascular resulta da acumulação de vários factores de risco ao longo da vida. A prevenção pode levar à diminuição de casos de eventos cardiovasculares graves e com sequelas, além da redução de probabilidade de morrer por estas causas. A maioria dos factores de risco inicia-se na adolescência e incluem o tabaco, os comportamentos alimentares e o excesso de peso e obesidade, aos quais se junta, na idade adulta, a hipertensão arterial, a dislipidemia e a diabetes mellitus.

A OMS defende que a redução de risco pode ter benefícios imediatamente na década seguinte aos esforços iniciados.

A Hipertensão Arterial
A Hipertensão Arterial é uma doença crónica que atinge cerca de 42,2% dos portugueses (mais de 3,5 milhões), embora mais de metade dos casos não esteja controlado. Entre os diversos factores de risco, estão estilos de vida pouco saudáveis, nomeadamente o teor de sódio excessivo ingerido diariamente, ao longo do tempo. Em Portugal, os adultos consomem duas vezes mais e as crianças quatro vezes mais sal do que a recomendação diária da Organização Mundial de Saúde.

A tensão arterial elevada é o principal factor de risco de morte prematura. A hipertensão arterial contribui para 13,5% do total de mortes anuais e está implicada em 54% dos AVCs, 47% dos casos de cardiopatia isquémica e 25% de outras doenças cardiovasculares. A hipertensão arterial é uma doença grave e tão comum que atinge a nível mundial cerca de 25% da população adulta, o que corresponde a 1.56 biliões de pessoas e, segundo estimativas, a sua prevalência será de 60% da população mundial em 2025.

O consumo excessivo de sal, em particular de uma das suas moléculas constituintes, o sódio, numa concentração de 40%, é um dos principais factores de risco de HTA e de AVC e está associado a 2.3 milhões de mortes por ano em todo o mundo.

As abordagens terapêuticas não farmacológicas da hipertensão arterial têm vindo a assumir um papel incontornável e a sua aplicação como terapêutica única ou adicionada aos medicamentos antihipertensores deve ser considerada em todos os doentes.

Relação sal/sódio e doença cardiovascular
O consumo de sal parece ter uma relação linear com o aumento da pressão arterial e está claramente associado à ocorrência de AVC e hipertrofia ventricular esquerda. Mas, para sermos mais corretos, o verdadeiro problema está no sódio. O sódio é um dos principais constituintes do sal tradicional (constituindo 40% da sua composição) e é ele que efetivamente está relacionado com um maior efeito hipertensor.

Está provado que uma redução modesta de ingestão de sódio por um período de apenas quatro semanas tem um efeito estatisticamente significativo na redução da pressão arterial, evidente em indivíduos com e sem hipertensão, sugerindo que ligeiras diminuições de sódio na dieta poderão significar uma diminuição de AVC, enfartes do miocárdio e insuficiência cardíaca. Quanto maior for a redução de sódio, maior é a redução na pressão arterial.

Na Finlândia, têm sido realizadas várias intervenções para a redução de ingestão de sal/sódio nos últimos 30 anos que contribuíram para uma redução dos valores de pressão arterial médios e para uma impressionante diminuição de ¾ na mortalidade por AVC e por cardiopatia isquémica em indivíduos com menos de 65 anos. A redução de sal terá aumentado em mais de 5 a 6 anos a esperança média de vida naquele país. Dados da Sociedade Portuguesa de Hipertensão indicam que se cada português reduzir em 0,8g o consumo diário de sódio isso terá um impacto real de 30 a 40% menos acidentes vasculares cerebrais em 5 anos.

Relação sal/sódio e outras doenças
Embora demonstrem uma relação inequívoca com as doenças cardiovasculares, atualmente, as evidências científicas sobre o impacto do consumo excessivo de sal/sódio na saúde vão mais além. Cada vez mais tem-se evidenciado outro tipo de impacto, nomeadamente no que respeita ao cancro gástrico e a algumas doenças autoimunes.

De salientar ainda o contributo do sal/sódio nas doenças renais e hepáticas, indicando-se, na maioria das vezes, dietas muito restritivas no que respeita à quantidade de sal/sódio para estes doentes.

Dose Diária Recomendada
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão máxima de 5g de sal por dia, o que corresponde a 2g (40%) de sódio diários. A população portuguesa consome cerca de 10,7g de sal e 4,3g de sódio por dia, ou seja, o dobro do limite máximo preconizado pela OMS. Estima-se que as crianças portuguesas estejam a consumir quatro vezes mais sódio do que o recomendado pela OMS.

Factos

  • O consumo excessivo de sódio é um dos principais fatores de risco de HTA e de AVC e está associado a 2,3 milhões de mortes por ano em todo o mundo.
  • A prevenção primária e secundária da HTA passa pela redução do consumo de sal e, em particular, de sódio.  
  • Estima-se que 42% da população portuguesa sofre de hipertensão.
  • A OMS recomenda o consumo máximo de 5g de sal e 2g de sódio por dia mas os portugueses consomem o dobro (10,7g e 4,3g respetivamente).
  • Portugal está no topo dos países europeus em que é maior a relação entre a mortalidade por AVC e a ingestão média diária de sal e sódio.
  • Reduzir o consumo de sódio em 0,8g (2g de sal), representaria, ao final de 5 anos, uma redução da taxa de AVC em 30 a 40%.

Curiosidades
A maioria do sal que consumimos (75%) provém de alimentos processados. Por isso, é importante aprender a ler os rótulos dos produtos. É preciso evitar produtos que contenham mais de 100mg de sódio (ou seja, 5% da dose diária recomendada) por dose.

O sal pode aparecer nos rótulos sob diversos nomes: “sal”, “sódio”, “cloreto de sódio”. A saber: 1g de sódio corresponde a 2,5g de sal (a dose diária recomendada é de 5gr).

O sódio está naturalmente presente em vários alimentos, como o leite e os ovos (80mg/100g). Encontra-se em proporções bem maiores em alimentos processados como o pão (250mg/100g), bacon (1500mg/ 100g), snacks como pretzels e pipocas (1500mg/100g) e molhos como o de soja (7000mg/ 100g) e caldos de tempero (20000mg/100g) – in dados OMS

Reduzir o consumo de sal

  • Leia os rótulos. Antes de comprar qualquer produto, analise o seu rótulo e evite alimentos com altos teores de sódio (alimentos com 5% ou mais da dose diária recomendada).
  • Prefira refeições caseiras. Os pratos pré-cozinhados contêm muito sódio, de modo a potenciar o sabor. Cozinhar as suas refeições, permite-lhe ter controlo sobre a quantidade de sal colocada.
  • Evite alimentos ricos em sódio, como queijos gordos, enchidos, pão, sopas em pó, caldos de tempero, molhos asiáticos, azeitonas, batatas fritas e biscoitos aperitivos.
  • Use ervas aromáticas e especiarias, substituindo assim o sal. As ervas aromáticas e especiarias, além de inúmeras vantagens para a saúde, dão sabor aos seus cozinhados.
  • Aposte no melhor sal. Se não conseguir abdicar totalmente do sal, opte pela opção mais saudável. Existem no mercado algumas variedades de sal com quantidades reduzidas de sódio. Mas não descore na quantidade de potássio porque, em excesso, também é muito prejudicial.
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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