Petição
O Seminário “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS” decorre no dia 20 de Março, na Assembleia da República. A organização é da...

O evento tem como objetivo promover o debate sobre o contributo da Farmácia para o sistema de saúde e a coesão territorial. O programa inclui uma conferência sobre o tema, a cargo de Miguel Gouveia, professor da Universidade Católica Portuguesa. Prossegue com um painel de debate, com a participação de João Dias (deputado do PCP), António Sales (deputado do PS), Fátima Ramos (deputada do PSD), Jorge Falcato (deputado do BE) e representante dos grupo parlamentar do CDS-PP.

Na sessão de abertura vão estar presentes José Matos Rosa (presidente da Comissão de Saúde), Paulo Cleto Duarte (presidente da ANF), João Catarino (secretário de Estado da Valorização do Interior) e Francisco Ramos (secretário de Estado da Saúde). O encerramento está a cargo de Ana Paula Martins (bastonária da Ordem dos Farmacêuticos) e de Jorge Lacão (vice-presidente da Assembleia da República).

Este seminário constitui mais uma etapa na petição nacional “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS”, que arrancou a 11 de Fevereiro, Dia Mundial do Doente, e se prolonga até 30 de Março. À data de hoje, estima-se que mais de 100 mil cidadãos subscreveram a petição, onde se pode ler que «neste momento, 675 farmácias enfrentam processos de penhora e insolvência, o que corresponde a quase 25% da rede». Os subscritores pedem à Assembleia da República medidas para que o direito à Saúde continue a ser igual em qualquer ponto do território.

Formação
No dia 30 de março, das 10h às 12h, médicos de Medicina Geral e Familiar poderão participar no webinar “LUTS/HBP: Diagnóstico e...

Sob a forma de webinar, este curso interativo é dividido em três módulos: classificação dos sintomas do trato urinário inferior (LUTS - Lower Urinary Tract Symptoms), prevalência e diagnóstico; tratamento e critérios de referenciação e discussão de casos clínicos. A formação será transmitida em direto, via webinar, necessitando para tal de se registar no website do evento.

Esta formação tem como objetivo reforçar o conhecimento dos médicos de medicina geral e familiar (MGF) na abordagem e tratamento dos doentes com sintomas do trato urinário inferior (LUTS) e será orientada por Vanessa Vilas Boas - urologista e vogal do conselho diretivo da Associação Portuguesa de Urologia (APU) a desempenhar funções no Hospital de Vila Franca de Xira - e Paulo Príncipe – urologista no Serviço de Urologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto e responsável pela coordenação da Unidade de Cirurgia Reconstrutiva/Funcional em Urologia e membro da Unidade de Doença Renal/Transplantação de Rim.

Os estudos demonstram que a sintomatologia do foro urológico tem uma elevada prevalência e impacto na qualidade de vida dos doentes que recorrem à consulta de MGF. Por isso, esta formação tem uma agenda de formação centrada no doente e no médico de MGF e orientada para a prática clínica diária, de forma a proporcionar ferramentas úteis na abordagem deste tipo de patologia.

“A criação deste curso em parceria com a Associação Portuguesa de Urologia resulta do nosso compromisso de promover e apoiar a formação médica contínua, apostando nas novas tecnologias, de forma a facilitar o acesso à informação, proporcionando assim novas oportunidades de aprendizagem e de troca de experiência entre os médicos de medicina geral e familiar com o apoio especialistas de urologia”, destaca Maria João Marques, especialista em MGF e Medical Manager na Astellas Farma.

No final do curso será concedido um certificado de conclusão aos formandos que completem o webinar.

As inscrições são gratuitas e devem ser efetuadas aqui. Depois de realizada e validada a inscrição, os inscritos receberão um e-mail com o link para acederem ao webinar, que deverá ser visualizado num local em que o conteúdo não seja visível nem audível por pessoas que não sejam Profissionais de Saúde.

15 de março | Dia Mundial do Sono
46% dos portugueses com idade igual ou superior a 25 anos dormem menos de 6 horas por dia, 21% dizem que demoram mais de 30...

Estes são dados de um questionário realizado online pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho que abrangeu uma amostra de 643 portugueses com idade igual ou superior a 25 anos e que são agora divulgados no âmbito do Dia Mundial do Sono.

Perante estes resultados, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia divulgou um vídeo onde as médicas Susana Sousa e Sílvia Correia alertam para os riscos das noites mal dormidas e para os maus hábitos de sono repetidos ao longo da vida e deixam algumas recomendações para que os portugueses possam dormir melhor.

“Apesar da crescente divulgação sobre a importância do sono e das doenças relacionadas com o sono, a maioria dos portugueses mantem maus hábitos de higiene do sono e não lhe atribui a mesma importância do que a uma nutrição saudável ou a prática de exercício físico regular”, afirmam as médicas pneumologistas. “A má higiene do sono afeta negativamente a qualidade de vida em termos de perda de memória, sonolência acentuada, défice de concentração, irritabilidade e alteração do humor. A sonolência associada a esta má higiene do sono aumenta o risco de acidentes de viação e de acidentes de trabalho. Se o número de horas de sono for inferior ou igual a 5 horas, o risco cardiovascular também aumenta” 1 acrescentam Susana Sousa e Sílvia Correia.

10 recomendações para uma melhor noite de sono:

- Evite cafeína, álcool e nicotina 4 a 6 horas antes de dormir

- Mantenha a temperatura do quarto a 18/19 graus

- Mantenha o seu quarto escuro e livre de ruídos

- Tenha um colchão e uma almofada confortáveis

- Dê preferência à leitura e não utilize tablets, telemóveis ou outros dispositivos eletrónicos antes de dormir

- Tome um banho de imersão cerca de duas horas antes de ir para a cama

- Pratique exercício físico mas evite o final do dia (pelo menos 3 horas de intervalo antes de dormir)

- Mantenha horários regulares de sono evitando variações na hora de dormir e acordar

- Mantenha-se à luz solar de manhã mas evite a exposição à luz intensa durante a noite

- Evite refeições pesadas ou picantes ao jantar

Associação Portuguesa do Sono
A Associação Portuguesa do Sono volta a juntar-se às comemorações do Dia Mundial do Sono, uma organização da World Sleep...

Para assinalar esta data, e à semelhança do ano passado, em colaboração com o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), há um vasto conjunto de atividades, como sessões em escolas, unidades de saúde e autarquias, e ainda a divulgação de um pequeno vídeo de sensibilização.

A mensagem que se pretende transmitir é de que o bem estar físico, mental e social é maior se se dormir bem, não importa a idade. A qualidade do sono é um dos pilares fundamentais da saúde, a que se juntam a estabilidade emocional, alimentação adequada e a prática de exercício físico. A campanha pretende enfatizar que dormir mal causa várias doenças e terá consequências na qualidade de vida presente e futura.

São muitos os lugares onde a Associação Portuguesa do Sono (APS) e o CNC vão estar a apelar aos portugueses para dormirem bem, com destaque para o evento que decorre no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra.

“Dormir bem, envelhecer melhor" em Coimbra
Na sessão de abertura do evento que decorrerá em Coimbra, marcada para as 14h30, vão ser entregues os prémios do concurso "Dormir bem, envelhecer melhor", que a Associação Portuguesa de Sono promoveu, numa parceria com o CNC, junto dos alunos das escolas de todo o país. Concorreram alunos, desde o 1.º ciclo até ao ensino secundário, com imagens a ser enviadas desde a Madeira até Vila Real de Santo António. Os vencedores de cada um dos ciclos de ensino recebem prémios e vão ver os seus desenhos transformados em postais. Segue-se  uma conversa entre as especialistas Maria Helena Estêvão, Ana Allen Gomes e Ana Rita Álvaro, que vão abordar os cuidados que se devem ter desde a infância até à idade sénior.

Numa perspetiva artística, às 16 horas, a companhia Marionet / Laboratório do Desconhecimento apresenta a performance teatral “A máquina dos sonhos”, inspirada na Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono.

A forma como os Livros das Grandes Religiões Proféticas (a Tora do Judaísmo, a Bíblia do Cristianismo e o Alcorão do Islamismo) sublinham a importância de dormir é o pretexto para a conversa sobre sono e religião que vai encerrar esta iniciativa. No Auditório do Conservatório de Música de Coimbra, vão estar o líder da comunidade muçulmana, Sheik David Munir, um crente e estudioso de teologia católica, Isaías Hipólito, um crente hebraico, José Levy Domingos, o presidente da Associação Portuguesa do Sono, Joaquim Moita, e uma cientista do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, Cláudia Cavadas.

A iniciativa é aberta ao público em geral, a entrada é livre e podem os interessados escolher a qual dos momentos assistir e/ou participar.

Saúde
Decorreu em Lisboa, a sessão pública “Contributos para a Implementação de um Business Intelligence no SNS”, promovida pela...

O encontro revelou as principais conclusões de um trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho para a Gestão da Informação em Saúde da APAH focado na tendência de aumento do volume de dados existentes nas organizações de saúde em Portugal, nos problemas que advêm da sua gestão ineficiente e nos contributos da implementação de um Business Intelligence no SNS.

O Business Intelligence (BI), que surge definido como o uso de informação e de ferramentas de análise especializada, é atualmente reconhecido pelos benefícios que traz para as organizações de saúde em diversas áreas. Além de aumentar a eficiência e ajudar no controlo de custos, contribui para uma melhor qualidade na prestação de cuidados e, consequentemente, melhores resultados em saúde.

De acordo com o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, “O setor da saúde está ainda muito atrasado em relação a outros setores da economia. Este trabalho é o primeiro passo para o longo caminho que temos diante de nós na criação de sistemas de informação que nos permitam trabalhar, colaborar e gerir melhor todas as nossas interações na área de saúde, para bem de todos.”

Durante a sessão foi ainda apresentado, por Afonso Pedrosa, o caso prático de um BI Hospitalar o “HVITAL” onde foram destacados os inúmeros benefícios deste sistema que se constitui como uma ferramenta de gestão hospitalar criada no Centro Hospitalar de São João (CHSJ) e que é reconhecida a nível nacional e internacional.

No dia-a-dia das organizações de saúde, os principais problemas estão relacionados com a má qualidade e cruzamento dos dados, a dificuldade de acesso aos mesmos e a incapacidade de realizar benchmarking entre as entidades. Todos estes fatores contribuem, segundo a APAH, para a necessidade de desenhar a estrutura de um BI para o SNS.

Estudo
Segundo o estudo, o dinheiro, problemas de saúde, preocupação com crianças e pais idosos e a utilização das redes sociais, são...

Amanhã, dia 15 de março, celebra-se o Dia Mundial do Sono. Novas pesquisas revelam que, a nível mundial, são as mulheres que têm mais problemas em dormir por causa dos seus parceiros, do aumento das responsabilidades familiares e do stress, enquanto os homens dormem pacificamente.

O estudo global feito pela Sanofi na Austrália, EUA, Japão, Polónia, Itália e França, revela que as múltiplas tarefas que as mulheres exercem diariamente podem afetar a sua capacidade de adormecer e de manter um sono contínuo.

A pesquisa aferiu que as mulheres da “sandwich generation” são quem tem mais dificuldade em dormir. Cerca de um quarto (23%) das mulheres, entre os 45-54 anos, confidenciou ter noites em branco devido à preocupação com a saúde dos progenitores, enquanto 2 em 5 mulheres (38%), aponta os filhos como a principal causa. Estes valores comparam-se respetivamente, com 13% e 18% pela população masculina.

O Professor Damien Leger, especialista mundial em sono, comenta o estudo divulgado hoje: “A luta que muitas mulheres enfrentam para terem um sono de qualidade e com o número de horas correto, é provavelmente resultado da combinação de fatores emocionais e do quotidiano. As mulheres que, depois de um longo dia de trabalho, ainda têm múltiplas tarefas domésticas a seu cargo, têm pouco tempo, ou mesmo nenhum, para desligarem o cérebro antes de irem para a cama. Não é surpresa que as mulheres têm mais propensão para andarem às voltas na cama e não terem uma noite descansada, dormindo o número de horas que precisam”.

Por sua vez, os homens adormecem com maior facilidade, tendo um sono contínuo, com 1 em cada 5 homens a confidenciarem que nada os consegue manter acordados durante a noite. Não só os homens disfrutam de mais horas de sono, como também afetam negativamente o descanso das suas parceiras, com ¼ das mulheres a apontarem o ressonar dos parceiros e as constantes voltas na cama como causas da perturbação da qualidade do seu sono.

Enquanto a maioria das mulheres não encara o problema de sono como uma questão de saúde que merece preocupação, estudos comprovam que uma noite bem dormida tem inúmeros benefícios para uma vida saudável.

O neurocientista Mathew Walker, autor do bestseller “Why We Sleep”, cita o sono como “um tratamento revolucionário que traz longevidade às pessoas… aumenta a memória, torna-nos mais atraentes… mantém-nos em forma e diminui os desejos incontrolados pela comida.” Infelizmente, parece que a maioria da população global não está a dormir o que precisa para beneficiar deste poder.

Enquanto a dificuldade em dormir prevalece, há pequenas mudanças que podem ser incluídas na rotina diária e que ajudam a um sono rápido e constante. Tenha uma noite bem dormida no Dia Mundial do Sono.

Veterinária
Nova legislação veterinária europeia traz atualizações com impactos positivos.

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários promove, no próximo dia 19 de março, o seminário “Mais-valia das regras de ‘compliance’ na indústria farmacêutica de medicamentos veterinários”. Jorge Moreira da Silva, Presidente da APIFVET, afirma que “sendo o medicamento veterinário usado em animais de companhia, cada vez mais presentes nas famílias portuguesas, e nos animais de produção, que entram na cadeia alimentar, é muito importante realçar boas práticas para dar garantias de segurança e eficácia aos utilizadores.”

Graça Mariano, Sub-Diretora Geral da DGAV e uma das oradoras deste seminário, explica que “a compliance é o conjunto de ferramentas que permitem cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para as atividades da instituição, bem como evitar, detetar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.” Em Portugal, a DGAV é a entidade responsável por fazer cumprir estas regras, através de um “conjunto de ações levadas a cabo para garantir a compliance, que implicam interações com os operadores do setor no ciclo de vida pré e pós autorização do medicamento veterinário, quer por inspeções, quer por supervisão do medicamento veterinário (qualidade, publicidade, dispensa).” Assim, os principais objetivos da compliance na saúde animal são, fundamentalmente, garantir a “conformidade com padrões legais e científicos estabelecidos e o tratamento de animais conforme exigido pelo público.”

Roxanne Feller, Secretária-Geral da AnimalhealthEurope, irá marcar presença também como oradora neste seminário, apresentando uma análise sobre as principais mudanças que a nova legislação veterinária europeia, recentemente aprovada, trará consigo e que foi influenciada pela visão ‘One Health’, “um triângulo composto pela saúde animal, saúde humana e ‘saúde’ do meio ambiente”, onde “cada ângulo é essencial e interdependente com o outro”, explica. Sobre o impacto desta nova legislação no medicamento veterinário, Roxanne Feller afirma que “um dos principais objetivos da nova legislação é garantir a disponibilidade de medicamentos para manter os animais saudáveis e abordar a resistência aos antibióticos e a sua ameaça à saúde humana, entre outros.” A Secretária-Geral da AnimalhealthEurope faz ainda referência a “outras atualizações, que incluem impactos positivos para a indústria de saúde animal em termos de inovação e disponibilidade de medicamentos.”

Neste sentido, o Presidente da APIFVET afirma que “a Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários  tem vindo, ano após ano, a consolidar as boas práticas, nomeadamente, no fabrico, no armazenamento e no transporte. Esta evolução é também consequência da evolução da legislação, em que o regulamento europeu recentemente aprovado é espelho disso.” Por isso mesmo, este seminário, que terá lugar no Anfiteatro B da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, será “uma excelente ocasião para falar sobre este tema aos nossos associados e parceiros do setor”. 

Figueira da Foz
A Figueira da Foz recebe, nos próximos dias, o Congresso da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, que apresenta um programa...

O evento, organizado pela Sociedade Portuguesa de Anestesiologia (SPA), tem como mote “Fazer a diferença” e pretende realçar o importante papel da Anestesiologia em conseguir marcar a diferença na humanização e progressão dos cuidados médicos centrados no doente nas várias áreas médicas onde a especialidade atua.

Rosário Órfão, Presidente da SPA, assinala que o Congresso tem como objetivo “proporcionar formação, atualização e reflexão a todos os participantes, através do  conhecimento, saber, experiência e Ciência”. “Procurámos preparar um programa de elevado nível, que julgamos que possa ser cientificamente atrativo, atual e rigoroso, para inspirar os Anestesiologias portugueses a fazer mais e melhor”, realça.

No decorrer dos três dias de evento, que conta com o patrocínio da MSD, haverá lugar para palestras magistrais, sessões pro cons, reuniões de consensos, apresentação de posters e comunicações livres.

Serão debatidas várias temáticas relacionadas com a especialidade, tais como a Cirurgia de Ambulatório, Medicina da Dor Aguda e Crónica no adulto e na população pediátrica, Sustentabilidade e Anestesiologia, Medicina Hiperbárica, Pensamento Lean e Briefing Clínico. Destaca-se também a partilha de alguns projetos inovadores implementados pela Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, nomeadamente o lançamento do primeiro canal de podcasts de uma Sociedade Científica portuguesa e, também, dos cartões de registo da via aérea difícil que se pretendem assumir como uma ferramenta de segurança para os doentes com esta característica.

Opinião
A incontinência urinária é uma das patologias mais comuns nas mulheres pós menopausa.

Cerca de 40 por cento das mulheres que tiveram filhos vão apresentar um quadro de incontinência urinária (IU), ao longo da vida. A incontinência urinária de esforço (perda de urina com tosse, espirro, riso, pegar em pesos) é a mais prevalente, no entanto, outras incontinências urinárias como a de urgência (vontade súbita e inadiável de urinar, que a doentes não consegue inibir) podem ser ainda mais incapacitantes e afetar o bem-estar da doente.  

Existem fatores promotores do aparecimento da IU, sendo que a gravidez e o parto normal são um deles. Outros existem como a menopausa, a história anterior de histerectomia, a obesidade e a tosse crónica, sendo que os principais são os defeitos do colagénio intrínsecos à doente e, muitas vezes, hereditários. Embora o parto seja um fator promotor de IU, não existe qualquer razão para contrariar o que é natural – o parto normal, indicando uma cirurgia agressiva – a cesariana, para tentarmos evitar uma hipótese – a IU, em tempo que não sabemos definir e que pode ser corrigida com uma cirurgia minimamente invasiva.

Durante a gravidez a mulher pode e deve ser ensinada e incentivada a fazer exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico. Estes exercícios são conhecidos como os exercícios de Kegel.

É também importante realçar que a cesariana está associada a outro tipo de incontinência urinária – a de urgência (a mulher sente uma vontade súbita e inadiável de urinar que não consegue inibir e perde ou pequenas gotas ou de forma catastrófica), e ao aparecimento de outros sintomas relacionados com alterações da inervação da bexiga que sofreu danos durante a cirurgia – noctúria (acordar com vontade de urinar várias vezes por noite), que tem efeitos muito prejudiciais na qualidade do sono destas mulheres e no descanso necessário para um dia de trabalho, aumento da frequência urinária (necessidade de ir mais do que oito vezes por dia à casa de banho).

Todos estes sintomas estão presentes num diagnóstico de bexiga hiperativa que parece ter uma prevalência de cerca de 17% das mulheres que sofrem de incontinência urinária. Sempre que a mulher manifesta sintomas de IU de esforço e de IU de urgência, estamos na presença daquilo que chamamos uma IU mista.

A IU, quando não tratada, pode ser fator de isolamento, de baixa autoestima que em último caso leva a síndromes depressivos. São mulheres que deixam de conviver até com a própria família, de executar as suas tarefas diárias, que deixam de participar nos eventos sociais ou familiares, por medo de perderem e mesmo com dispositivos de contenção (pensos) cheirarem mal. Muitas vivem em função de ter uma casa de banho por perto. Não podemos também ignorar o facto de este problema poder interferir com o relacionamento do casal. No caso particular da Bexiga Hiperativa a mulher pode por em causa o seu posto de trabalho, em determinados empregos, pelo aumento da necessidade de recorrer à casa de banho.

A IU é assim um problema de grande dimensão, que pode afetar os aspetos sociais, afetivos, laborais e económicos da mulher com este problema.

As mulheres precisam de ter conhecimento, de que a IU não é normal, nem a aceitar como uma consequência inevitável do envelhecimento. Existem tratamentos médicos, cirúrgicos, alterações de hábitos urinários e modificações da dieta que podem resolver este problema, muitas vezes conhecido como uma epidemia escondida. Para isso existem médicos que a podem aconselhar, nomeadamente os Ginecologistas especializados em Uroginecologia.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Saúde
Todos os anos surgem, em Portugal, cerca de 2 mil novos casos de insuficiência renal crónica.

Caracterizada por uma lesão renal que pode conduzir à perda irreversível da função dos rins, a Doença Renal afeta cerca de 8% da população portuguesa. E, ainda que a sua incidência seja maior nos adultos e idosos, esta patologia pode também afetar crianças, “podendo, inclusivamente, ser diagnosticada «in útero» durante a gestação, quando se documenta malformações da árvore urinária”. Nestes casos, as infeções associadas a estas anomalias da estrutura do aparelho urinário são a principal causa da doença na infância.

Na população adulta, a patologia está essencialmente associada à diabetes, obesidade e hipertensão. “No seu conjunto, estes três quadros cada vez mais prevalentes na população em geral (inclusive desde a infância/adolescência) representam cerca de 75% das causas da insuficiência renal crónica”, começa por explicar o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, Aníbal Ferreira.

Por outro lado, o especialista salienta ainda que o aumento significativo da insuficiência renal crónica espelha o aumento da esperança média de vida “nas sociedades com cuidados médicos mais desenvolvidos”. “Tal como vemos atualmente muito mais quadros de demência, porque a população tem muito maior longevidade – e importa salientar que Portugal foi o país europeu como maior aumento da esperança médica de vida nas últimas duas décadas -, pelo mesmo motivo se observa um incremento significativo da insuficiência renal crónica”, afirma.

Tratando-se de uma patologia que raramente apresenta sintomas nas suas fases iniciais, o seu diagnóstico chega quase sempre tarde demais.

“A insuficiência renal crónica é, efetivamente, uma doença muda e que passa totalmente despercebida nas suas fases iniciais, as quais se podem prolongar por décadas de vida”, refere o especialista. Sintomas como a eliminação de espuma na urina – “como se tivesse sabão no recipiente” -, urina com sangue, diminuição significativa do volume de urina e edema – “das pernas, face ou mesmo generalizados”, devem ser sinais de alerta e o melhor é mesmo procurar um Nefrologista.

“No entanto, estes sintomas são raros e o mais relevante é jogar em antecipação e fazer rastreios, pelo menos anuais, da função renal, através de análises ao sangue e à urina”, aconselha Aníbal Ferreira.  

Diabéticos e hipertenso devem reforçar os cuidados. “De um modo geral, todos os doentes hipertensos e/ou diabéticos devem fazer estes rastreios ainda com maior frequência, visto que nestes contextos se pode observar um agravamento mais rápido da função renal”, explica o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia.

O diagnóstico é simples e é obtido pela análise de valores de substâncias eliminadas pelos rins, como a ureia e a creatinina. “Também as análises à urina, como a quantificação de albumina e proteínas, podem ser de grande utilidade, sobretudo nos doentes diabéticos”, acrescenta ainda o especialista.

Já o tratamento depende do estadiamento da doença, no entanto, o médico destaca três opções terapêuticas, em caso de insuficiência renal crónica avançada, em que o doente já perdeu a função dos rins: “a transplantação renal que, no caso de existir um dador vivo disponível é muito rápida; a hemodiálise feita através da punção de uma veio do doente, habitualmente três vezes por semana durante quatro horas, cada sessão; e a diálise peritoneal feita pelo doente, no seu domicílio, através de um cateter implantado no abdómen”.

Sendo a obesidade, a hipertensão e a diabetes os principais fatores de risco para a doença renal crónica, Aníbal Ferreira reforça a necessidade de manter um regime alimentar saudável, com menos açúcar e menos gordura, e uma correta hidratação, ingerindo pelo menos 1,5 l de água por dia.

Em matéria de prevenção, para além dos já mencionados, e que incluem a realização de rastreios anuais, o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, acrescenta a importância de “controlar a glicemia e a tensão arterial”. “Conseguir ter um peso equilibrado, estável e próximo do ideal para a altura e género”, acrescentando que a prática de exercício físico e a eliminação do tabagismo são medidas essenciais para o combate à doença.

Aprender a prevenir a Doença Renal 

De acordo com o enfermeiro, Bruno Costa Pinto, “Portugal, no panorama internacional, no que toca à taxa de prevalência de pessoas com Doença Renal Crónica – que traduz o número de pessoas/por milhão de habitantes com esta doença tratadas no país -, não fica muito bem na fotografia”. É que, de acordo com a base de dados americana USRDS (United States Renal Data System), em 2015, Portugal apenas era ultrapassado por quatro países, “com uma estabilização do número de pessoas que anualmente inicia a diálise.

Mas, nem tudo é mau! Tal como refere o especialista, “o que fazemos, fazemos bem e podemos afirmar que Portugal tem uma taxa de mortalidade anual das pessoas em diálise das melhores ao nível mundial, assim como um dos melhores programas de transplante renal”.

Neste contexto, a prevenção assume-se como essencial. E para isso é necessário que as pessoas conheçam a patologia.

Com o objetivo de dar a conhecer os fatores de risco e como este podem ser evitados, a ANADIAL - Associação Nacional de Centros de Diálise desenvolveu uma campanha que pretende dotar o cidadão comum de conhecimentos que permitam, desde cedo, adotar comportamentos preventivos. Para tal, a campanha “A vitória contra a doença renal começa na prevenção” tem percorrido escolas e universidades sénior, de norte a sul do país, com o objetivo de “criar uma cultura pública de consciencialização sobre a problemática da Doença Renal Crónica (…) sendo o público-alvo não só as pessoas com 65 ou mais anos, mas sobretudo os jovens, sensibilizando-os a adotar esses comportamentos saudáveis e abandonar comportamentos de risco”.

Bruno Costa Pinto é um dos técnicos de saúde que tem levado informação sobre o tema a vários pontos do país e que tem constando o quão pouco os portugueses estão familiarizados com a doença

“No decurso desta campanha, parece-nos logo à partida que esta questão é pouco conhecida na sociedade, nomeadamente, o que é a Doença Renal crónica e o que é a Diálise. Ambas são temáticas pouco conhecidas”, afiança destacando que as principais dúvidas que surgem nestas ações prendem-se ou já “com cenários em que familiares já se encontram em diálise” ou sobre o que causa as pedras nos rins. Embora esta última não esteja diretamente dentro do âmbito desta campanha, o enfermeiro explica que uma vez que “ultima análise, aquilo que denominamos por lesão renal por hidronefrose – ou seja, uma obstrução da uretra ou dos uréteres por um cálculo renal – pode levar a lesão renal irreversível e consequente entrada em programa regular de diálise”, permite que se aborde a importância de ter em conta uma alimentação saudável e correta hidratação em matéria de prevenção.

Em Portugal, estima-se que existam cerca de 800 mil doentes renais. A maioria dos casos poderia ser prevenida.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
As células cancerígenas consomem açúcar a uma taxa mais elevada do que as células saudáveis, mas também necessitam de...

Agora, investigadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de explorar essa necessidade para bloquear seletivamente o crescimento das células de leucemia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Metabolism.

Os cientistas identificaram uma enzima transportadora, chamada ASCT2, que leva aminoácidos para as células, como um alvo para fármacos anticancerígenos.

A exclusão do gene que codifica esta enzima prolongou a sobrevida em ratos com uma forma agressiva de leucemia, a leucemia mieloide aguda, de 45 para mais de 300 dias.

“Até agora, pouco progresso foi feito para encontrar alvos terapêuticos nas vias metabólicas de aminoácidos que podem ser aproveitados para matar as células cancerígenas, mas poupam as células normais”, explicaram os cientistas.

“Este é um alvo terapêutico altamente promissor para a leucemia. O ASCT2 é dispensável para o desenvolvimento de células normais do sangue, mas é necessário para o desenvolvimento e progressão da leucemia”.

Nos últimos anos, houve um ressurgimento do interesse pelo efeito Warburg: o metabolismo distorcido das células cancerígenas, onde a ideia é privar as células tumorais, deixando as células saudáveis sozinhas.

O ASCT2 é responsável por absorver vários aminoácidos, como a glutamina, nas células. Nas células de leucemia, a perda de ASCT2 gera um efeito global no metabolismo celular, interrompe o influxo de leucina e a sinalização de mTOR e induz a apoptose.

A equipa ficou surpresa ao descobrir que o gene que codifica ASCT2 pôde ser excluído dos animais, sem interromper substancialmente o desenvolvimento das células sanguíneas. No entanto, os ratos demoram mais tempo para recuperar as contagens de glóbulos brancos após o stress a que são sujeitos, por parte dos fármacos quimioterápicos ou radiação.

“Embora as nossas descobertas gerais sugiram fortemente ASCT2 como um alvo terapêutico para o tratamento de leucemia, os investigadores terão de ter cautela na combinação de inibidores de ASCT2 com quimioterapia em ensaios clínicos”, disseram os cientistas.

A equipa de investigação testou a eficácia da inibição de ASCT2 em ratos com leucemia mieloide aguda e encontrou um efeito terapêutico significativo; ainda assim, o fármaco usado foi de baixa potência e não específico o suficiente para uso clínico.

Ciência
A MSD Portugal acaba de lançar o seu primeiro Prémio em Investigação Científica, que tem como objetivo reconhecer e apoiar...

As candidaturas à 1ª Edição do Prémio MSD Investigação em Saúde decorrem de 15 de março a 30 de abril. Todas as equipas de trabalho com atividade num estabelecimento de prestação de cuidados de saúde, de natureza pública ou privada, bem como instituições científicas sem fins lucrativos podem submeter os seus protocolos de investigação para apreciação do júri através do site www.premiomsdinvestigacaoemsaude.pt

O Prémio MSD Investigação em Saúde distinguirá o melhor protocolo de investigação científica a realizar em 2019, desenhado com o intuito de ter um impacto positivo na saúde, tendo por base, entre outros critérios, a inovação e a relevância do projeto para a população-alvo. A Comissão de Avaliação analisará também o objetivo e metodologia do protocolo e exequibilidade dos mesmos.

Neste processo, são selecionados 5 semifinalistas, que correspondem aos 5 melhores projetos que serão convidados a fazer uma apresentação oral da sua candidatura. Daqui, serão selecionados 3 finalistas e depois identificado o Projeto Vencedor, que receberá um prémio no valor de 10.000€, sendo que será entregue a todos os autores envolvidos uma Menção Honrosa.

A Comissão de Avaliação é constituída pelos seguintes elementos: Prof.ª Doutora Catarina Resende de Oliveira, Prof.ª Doutora Emília Monteiro, Prof. Doutor Henrique Luz Rodrigues, Prof. Doutor Jorge Torgal Garcia, Prof. Doutor Manuel Abecasis, Prof.ª Doutora Mariana Monteiro e Prof. Doutor Nuno Sousa.

O Prémio MSD Investigação em Saúde será atribuído numa Cerimónia Pública, a decorrer no dia 21 de setembro.

Para consultar o regulamento do Prémio e a ficha de candidatura, visite o site.

Oncologia
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia organiza a 26 de março mais um workshop de truques de maquilhagem para doentes hemato...

Neste encontro, com início marcado para a 16h na sede da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), em Lisboa, as doentes inscritas terão oportunidade de conhecer uma linha de produtos não agressivos para a sua pele, bem como alguns truques de maquilhagem para as ajudar no dia-a-dia.

“Com o objetivo de promover a autoestima e aumentar a confiança dos doentes, a realização deste workshop vai permitir mostrar aos participantes que uma doença hemato-oncológica não impede que os doentes se maquilhem e, em simultâneo, cuidem da sua pele”, afirma Carlos Horta e Costa, vice-presidente da APCL.

“Potenciar a autoestima das pessoas que sofrem com doenças hemato-oncológicas e fazê-las sentir-se mais positivas é um contributo importante para encararem com ânimo os tratamentos a que são sujeitas”, reforça o responsável.

O workshop, destinado a doentes hemato-oncológicos, familiares, cuidadores e profissionais relacionados, é gratuito, mas tem vagas limitadas. As inscrições são obrigatórias e devem realizar-se até 23 de março, através do e-mail [email protected] ou do telefone 213 422 205.

Opinião
A saúde do seu coração e dos seus vasos está ligada à saúde dos seus rins. E vice-versa.

À medida que o coração envia sangue para todo o corpo, os rins filtram esse sangue, removendo as suas impurezas, de forma a assegurar que o sangue tenha as quantidades certas de nutrientes e minerais. Ajudam também a manter a pressão arterial em valores controlados e contribuem para a formação de hormonas e vitaminas. Na doença renal crónica estas funções vão-se degradando progressivamente, inicialmente sem sintomas, pelo que apenas com análises podemos aperceber-nos de algum problema. Nos países ocidentais aproximadamente um em cada dez adultos tem doença renal crónica.

As pessoas com doença renal crónica (DRC) têm maior risco de morte por doença cardiovascular do que por uma causa renal. Isto deve-se a vários fatores, nomeadamente:

  • Porque a DRC leva à acumulação de substâncias tóxicas que agridem os vasos e o coração e aumentam o risco de arritmias por vezes fatais;
  • Pelo aumento da pressão arterial (hipertensão) que ocorre na DRC e que é o maior fator de risco para acidente vascular cerebral e o segundo, logo atrás do colesterol, para o enfarte agudo do miocárdio.

A hipertensão leva também à lesão dos vasos nos rins e em conjunto com a diabetes constituem a maior causa de doença renal crónica entre nós. É importante assim o controlo da pressão arterial e da glicémia, de modo a reduzir as complicações renais. Fazer exercício, não fumar, cumprir a medicação para a hipertensão arterial ou para a diabetes, são fundamentais para manter os rins saudáveis. Escolha alimentos e bebidas com baixo teor de açúcar e sódio (sal).

A Medicina Interna dedica-se ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças com repercussão em diversos sistemas. É exatamente isso que acontece nestes doentes. Os fatores de risco para doença renal e cardiovascular são muitas vezes os mesmos (já aqui falámos da diabetes e da hipertensão arterial). A DRC conduz também a alterações a nível ósseo e à anemia, em grande parte pela menor produção de eritropoietina pelo rim. A eritropoietina tem como função principal estimular a produção de glóbulos vermelhos na medula óssea. A presença de anemia implica um maior esforço do coração para fazer com que a mesma quantidade de oxigénio, transportado pelos glóbulos vermelhos, chegue a todo o organismo.

A longo prazo a doença cardiovascular e renal levam a insuficiência cardíaca. Esta é a maior causa de internamento nas enfermarias de Medicina Interna e uma causa significativa de mortalidade nos doentes mais frágeis. Ocorre pela falência do coração, que não consegue como dantes enviar o sangue consoante as necessidades do nosso corpo. O cansaço, a falta de ar para esforços progressivamente menores, ou o edema (inchaço) das pernas são sinais e sintomas de uma potencial insuficiência cardíaca, mas podem ter muitas outras origens, pelo que a avaliação por um médico é necessária para chegar a uma conclusão correta.

O especialista em Medicina Interna tem um papel integrador de cuidados nestes doentes com doença cardíaca e renal, colaborando com especialidades como a Nefrologia, a Cardiologia e a Medicina Geral e Familiar, avaliando estas pessoas como um todo, de forma a prevenir a doença e a diagnosticá-la e tratá-la precocemente, evitando complicações irreversíveis.

Dr. Francisco Araújo - Internista e Membro do NEPRV

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Foram cerca de 8 milhões o número de mortes prematuras associadas à poluição do ar. Os dados são de 2015 mas um estudo...

Os cientistas envolvidos neste estudo estimam que, todos os anos, na Europa morrem prematuramente cerca de 800 mil pessoas devido à poluição do ar, e que esta é responável pela perda, em média, de mais de dois anos de vida. O estudo revela, ainda, que os danos para a saúde causados ​​pela poluição do ar na Europa são superiores aos registados no resto do mundo. 

A pesquisa, da co-autoria do professor Thomas Münzel, do Centro Médico da Universidade de Mainz, na Alemanha, indica que, embora a poluição do ar atinja os pulmões primeiro, o seu contributo para as doenças cardiovasculares e derrames cerebrais, através da sua infiltração na corrente sanguínea, é responsável por duas vezes mais mortes do que as doenças respiratórias.

No âmbito da investigação, foi possível concluir que ocorreram mais 790 mil mortes em toda Europa e 659 mil na União Europeia (UE) em 2015, correspondendo ao dobro dos números estimados em estudos anteriores.

Desses totais, entre 40% e 80% das mortes ocorreram devido a doenças cardiovasculares, como ataques ou falhas cardíacas, o que sugere que a poluição ambiental causou o dobro de mortes por DCV do que por doenças respiratórias.

“Por exemplo, isto significa que a poluição do ar causa mais mortes extras por ano do que o tabaco, o que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi responsável por 7,2 milhões de mortes adicionais em 2015. Fumar é evitável, mas a poluição do ar não é”, adverte o professor da Universidade de Mainz.

Em parceria com o Cyprus Institute Nicósia no Chipre, os investigadores recorreram a um modelo de dados que simula a maneira como certos processos químicos atmosféricos interagem com a terra e com o mar, assim como o impacto dos químicos procedentes de atividades humanas, como da indústria, do tráfego e da agricultura.

Descobriram, assim, que a poluição do ar foi responsável por 120 mortes extras/ano por cada 100 mil habitantes no mundo todo. Na Europa e na UE, essa relação subiu até a 133 e 129 por cada 100 mil moradores, respectivamente. 

Apesar de tudo, os cientistas reconhecem que há grandes incertezas nas suas estimativas de morte precoce na Europa. Algumas mortes podem ter sido erroneamente atribuídas à poluição do ar, mas é provável que o número real de mortes seja ainda maior, afirmam eles.

 

 

Em desenvolvimento por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a...

Com dimensão e aspeto de uma pequena pérola, o ineye®, é um dispositivo que promete substituir a aplicação diária de gotas para olhos, por exemplo, em doentes com glaucoma ou em recuperação de cirurgias às cataratas. Trata-se de uma solução que irá facilitar a adesão à terapêutica, uma vez que bastará colocar o pequeno inserto junto ao olho, na pálpebra inferior, para dosear o medicamento de forma controlada e por um longo período de tempo.

Segundo Marcos Mariz, um dos responsáveis pelo projeto, as vantagens são inúmeras e não se esgotam na possibilidade de substituir a aplicação diária nos olhos. “Podemos imobilizar no ineye® até dois ou três fármacos diferentes em simultâneo. Em situações de pós-operatório, em que é complicado aos doentes seguir a terapêutica com gotas de vários medicamentos em simultâneo, ou em casos como os de glaucoma, que afetam pessoas de idade que revelam ter dificuldade em colocar as gotas ou em lembrar-se se já as colocaram. Nestes casos esta é uma solução que garante um tratamento contínuo, uma vez que é suficientemente flexível para ter libertações de fármacos ao longo de sete a 300 dias".

Os investigadores acreditam ainda que esta solução pode mesmo ser uma mais-valia para a indústria farmacêutica, em países com dificuldades de armazenamento, com acontece em África. "Muitas gotas exigem refrigeração e só têm validade de um mês depois de abertas. Com o ineye®, o doente tem garantida a estabilidade do produto, fica com o tratamento garantido por vários meses e não precisa de frigorífico", acrescenta.

Nos próximos meses decorrerá o primeiro ensaio in vivo desta tecnologia. Será avaliada a segurança e tolerabilidade do ineye® placebo (sem fármaco) em animais de companhia. O passo seguinte será a execução deste ensaio em voluntários saudáveis, num estudo que envolverá várias unidades hospitalares do país.

 

Foi aprovado em 2018 o primeiro fármaco que utiliza o ARN de interferência (ARNi) para inibir a produção danificada da proteína...

O ano de 2018 foi determinante na abordagem das doenças genéticas. A aprovação do primeiro fármaco que se baseia no silenciamento dos genes danificados ou indesejados, que dão lugar à produção anómala de proteínas, foi qualificada como um marco científico histórico pela prestigiada revista Science. 

Em 2018, tanto a agência americana do medicamento, FDA, como a agência europeia, EMA, aprovaram o fármaco para o tratamento da amiloidose hereditária por transtirretina (amiloidose ATTR). Trata-se de uma doença rara que afeta cerca de 50.000 doentes em todo o mundo e cerca de 1.500 em Portugal. É produzida pelo depósito e acumulação de proteínas amiloides em determinados sistemas, como o sistema nervoso, cardíaco ou digestivo, o que pode afetar o seu funcionamento.

A aprovação deste fármaco significa uma nova alternativa terapêutica para uma doença que, até à data, dispõe de escassas opções de tratamento.

Os resultados da molécula em fase de ensaios clínicos e os avanços no estudo de outros fármacos baseados neste mecanismo para o tratamento de outras patologias abriram um leque de possibilidades terapêuticas para as doenças genéticas raras, cerca de 80% destas doenças.

Atualmente, encontram-se em fase de estudo outros fármacos baseados no ARNi para o tratamento de patologias como a porfiria hepática aguda ou a hiperoxaluria primária de tipo 1.

O material genético (ADN) responsável pelos processos produzidos no organismo, transforma-se em ARN e, posteriormente, em proteínas. O ARN de interferência intervém para evitar que um gene danificado produza uma proteína de forma excessiva ou em menor quantidade do que a necessária. Desta forma, interfere desde a raiz em vez de tratar apenas os sintomas, tal como acontecia na abordagem atual a estas doenças.

A molécula de ARNi foi descoberta em 1998 pelos investigadores Andrew Z. Fire e Craig C. Mello, galardoados em 2006 pela descoberta. Dois anos depois, começou a ser usada com fins terapêuticos e, passados dez anos de desenvolvimento e investigação, foi aprovado o primeiro tratamento baseado nesta tecnologia. 

 

 

As reservas de sangue do tipo zero negativo (conhecido por O negativo) estão em baixa. A Diretora do Centro de Lisboa do...

“A nível nacional estamos numa situação equilibrada com reservas entre sete a 10 dias para os diferentes grupos sanguíneos, exceto para os 0 negativos em que temos uma reserva até quatro dias”, referiu Ana Paula Sousa.
Este tipo de sangue – zero negativo – é um dador universal. Esta responsável apela aos cidadãos para “continuarem a colaborar no processo de dádiva de sangue”.

Ainda assim, garante que Portugal continua a ser “autossuficiente” e “garante o suporte transfusional a todos os doentes»”

“Nós acabamos por transfundir diariamente 800 unidades. Colhemos aproximadamente por dia 900 unidades, mas para garantir tranquilidade às instituições e entidades de saúde uma reserva adequada de sangue estaria entre os cinco e os sete dias”, refere.

A Diretora do Centro de Lisboa do IPST referiu ainda que o número de dadores em Portugal tem vindo a diminuir. “Temos verificado em Portugal uma diminuição do número de dadores e de dádivas, igual também no contexto europeu e também a nível internacional”.

Quem pode doar sangue?

Para ser dador de sangue, terá de ter idade superior a 18 anos (até aos 60 anos se for a primeira dádiva), ter peso igual ou superior a 50kg e ter hábitos de vida saudáveis.

 

Focada no processo de transformação digital e em aliar a tecnologia à inovação, a 3ª edição do eHealth Summit, promovida pelo...

Durante quatro dias, em dois espaços distintos e com sessões paralelas a decorrer em seis salas, o eHealth Summit irá promover o debate de diferentes temáticas, através da partilha de conhecimento, projetos e experiências, não só entre oradores nacionais, mas também entre oradores de vários países da Europa, do Brasil, Japão, entre outros.

Esta edição conta com mais de 220 oradores (cerca de 40 internacionais), 90 expositores e 50 startups e recebe 110 mesas-redondas, 85 keynotes e mais de 130 slots, onde especialistas em matéria de saúde pública, cibersegurança, robótica, proteção de dados, marketing digital, inteligência artificial, tele-saúde ou eProcurement apresentam e discutem os temas mais importantes e novidades associados a estas áreas.

Nesta edição, estarão em destaque temas como Biotech and Life Sciences, Robotics and Domotics, Artificial Intelligence, Eprivacy and Security, Telehealth and Xborder eHealth, Eprocurement and eBilling, Digital Health e Thematic Workshops.

Instituições europeias e internacionais, como a Comissão Europeia, a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde Brasileiro, o Governo Regional da Andaluzia, a Universidade de Osaka do Japão, ou a Sociedade Internacional para a Telemedicina e Saúde Digital, participam nesta cimeira que acolhe, também, o 24º Congresso Internacional da Sociedade de Telemedicina e Saúde Digital (International Society for Telemedicine & eHealth).

A nível nacional, o Portugal eHealth Summit conta com entidades públicas e privadas, startups, sociedades científicas, universidades, autarquias, ordens profissionais, entre outras organizações de diversos setores, que participam em sessões temáticas ou na área de exposições do evento. Com grande utilidade pública, a 3ª edição é marcada por mais parcerias estratégicas e uma colaboração mais ativa dos outros ministérios.

A par destas sessões, na Sala Tejo e no PT Meeting Center, nos quatro dias de evento, decorrerem em paralelo mais de 30 ações de formação certificada, dinamizadas pela Academia SPMS.

À semelhança da edição de 2018, espera-se alcançar um forte reconhecimento internacional, alavancando o posicionamento estratégico do país em projetos inovadores na área da tecnologia e da saúde e nas várias iniciativas em curso, como a ENESIS 2020 - Estratégia Nacional para o Ecossistema de Informação de Saúde 2020.

As inscrições são gratuitas e abertas a todos os cidadãos, devendo ser formalizadas no site: http://ehealthsummit.pt/.

A edição deste ano realiza-se entre os dias 19 e 22 de março no Altice Arena – Sala Tejo e no PT Meeting Center, em Lisboa. 

Entrevista
O tabaco é uma das principais causas evitáveis de doença e morte prematura, estimando-se que vitime

O tabagismo é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países desenvolvidos, estando associado às principais causas de morte a nível mundial. Neste sentido, começo por perguntar-lhe a que patologias está o tabaco diretamente relacionado?

Por ordem de patogénese direta, a doenças dos sistemas Respiratório (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), com o risco infecioso que lhe está associado, e agravamento de outras doenças já presentes, como Asma) e Cardiovascular (Doença Arterial Coronária (DAC), Vascular Periférica, as suas manifestações major como Enfarte Agudo do Miocárdico e Acidente Vascular Cerebral (AVC), e Hipertensão Arterial), a neoplasias de inúmeros órgãos e a doenças dos sistemas Endócrino (Diabetes mellitus tipo 2), Tegumentar (degradação cutânea precoce) e Neuropsiquiátrico (dependência), omitindo muitas outras em prol do laconismo.

Qual a prevalência das doenças respiratórias, incluindo o cancro no pulmão, em Portugal?

Os dados de prevalência, ao contrário dos de incidência, são escassos. Contudo, à data de cada estudo, a prevalência da DPOC em Lisboa foi estimada em 14,2%, da Asma em Portugal em 6,8%, e os “utentes saídos” de hospitais anualmente com diagnóstico de cancro da traqueia, brônquios e pulmão seriam de cerca de 5560.

Apesar do tabaco contribuir para uma morte a cada 50 minutos em Portugal e de alguns estudos indicarem que cerca de 80 por cento dos fumadores expressam vontade de deixar de fumar, a verdade é que apenas uma percentagem muito pequena de fumadores consegue ter êxito. Na sua opinião porque isto acontece?

Tentando aliar a medicina à metafísica e à filosofia, diria que está relacionado com o prazer, a ansiólise e a integração social (portanto, às dependências física e psicológica) que o tabagismo proporciona, que num mundo em que os seres humanos estão marcadamente expostos a factores agressores psicoemocionais, é um mecanismo de coping muito eficaz, não obstante muito prejudicial para a saúde.

Basta ter vontade própria ou é necessário ter acompanhamento médico?

A força de vontade é essencial, mas na grande maioria dos casos insuficiente. São raros, cerca de 5% dos fumadores que tentam a cessação tabágica, os casos de sucesso sem acompanhamento médico.

Um dos argumentos utilizados é que fumar é difícil por causa dos sintomas de privação do tabaco. Que sintomas são estes e de que modo pode condicionar o sucesso da cessação tabágica?

São predominantemente psicológicos, como ansiedade, angústia, frustração, insónia, irritabilidade, dificuldade de concentração, compulsão para consumo tabágico e aumento do apetite, que muito claramente aliciam o fumador em tentativa de cessação a retomar o consumo para combate dos mesmos.

Qual o papel do médico de família no âmbito da cessação tabágica? E porque é importante que cada vez mais clínicos prestem este apoio ao nível dos cuidados de saúde primários?

O papel do médico de Medicina Geral e Familiar (MGF) é identificar, informar, oferecer ajuda, tratar e acompanhar a cessação, e eventualmente referenciar para consulta especializada de cessação tabágica. A importância deve-se a que ele é, idealmente, o contacto mais acessível e frequente dos utentes com os cuidados de saúde, e detentor de conhecimentos de todas as áreas necessárias à cessação tabágica, sendo capaz de oferecer uma abordagem holística do problema, e tendo, portanto, muito potencial para o abordar e resolver.

Em que consiste a consulta de cessação tabágica e que elementos devem integrar este processo, uma vez que esta deve contar com uma equipa multidisciplinar?

É muito variável, dependendo do grau de formalização dessa valência, que será diferente em diferentes Unidades de Cuidados de Saúde Primários (CSP) e em diferentes Unidades Hospitalares, mas globalmente consiste numa avaliação pelo médico, com colheita de história clínica centrada no tabagismo, negociação de estratégias de cessação, delineação de um plano de seguimento, e provavelmente prescrição de terapêutica farmacológica. Idealmente deverá ser feita em equipa com apoio de Enfermagem, Psicologia, Psicossociologia e Nutrição.

Em que consiste o “tratamento”? Os fumadores fazem terapia? Tomam medicação?

A abordagem é multidisciplinar e segue o lema da medicina de ser o menos invasiva possível desde que não sabote eficácia do tratamento. Tem como base estratégias relacionadas com alterações de estilo de vida frequentemente associadas farmacoterapia, como a Terapêutica de Substituição Nicotínica ou psicofarmacológica com fármacos dirigidos à cessação tabágica.

Quais os principais benefícios da cessação tabágica para a saúde?

Atendendo aos inúmeros malefícios do tabagismo, os benefícios são a melhoria ou mesmo reversão dos mesmos, nomeadamente a melhoria de sintomas respiratórios ao final de 1 a 9 meses, a diminuição do risco cardiovascular para metade ao final de 1 ano, a reversão total do risco acrescido para AVC ao final de 5 anos, a diminuição do risco de neoplasia pulmonar para metade (e diminuição do risco de todas as outras neoplasia relacionadas com o tabagismo) ao final de 10 anos e a reversão total do risco de DAC ao final de 15 anos, tudo isto sem referir a melhoria na aparência cutânea, na saúde oral, entre outros aspectos.

No âmbito deste tema, quais os principais conselhos?

No caso de não fumadores, o principal conselho é não fumar, é uma ação extremamente prejudicial para a saúde do mesmo e dos que o rodeiam e não tem qualquer benefício que não se encontre noutras ações incomparavelmente menos nefastas. No caso de fumadores ativos, o conselho é procurar ajuda para a sua cessação, em cuidados de saúde. No caso de fumadores passivos, o conselho é sensibilizar os fumadores ativos a cessar o consumo.

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