"I See You" do artista plástico Rui Nunes
O Sindicato dos Enfermeiros – SE assinala o Dia Internacional do Enfermeiro no próximo dia 12 de maio com a inauguração de uma...

A série de pinturas em acrílico do autor, patente na sede do Sindicato dos Enfermeiros até 11 de junho, espelha o aparato que nas nossas rotinas diárias transformou as relações sociais nas sociedades contemporâneas, sobretudo a ocidental, tanto ao nível físico como psicológico. As obras retratam, em muito grande plano, vários profissionais do Serviço Nacional de Saúde português de máscara e touca.

A pintura de Rui Nunes apresenta um realismo cru baseado na vertente visível da relação Homem-Sociedade e nos antagonismos criados por essa interação. A busca por uma representação da figura humana, quer na sua totalidade quer na utilização de momentos de ação localizada, inserida em ambientes contadores de histórias, assim como a utilização de elementos gráficos metafóricos, obrigam a uma análise além da obra e a uma atenta interpretação concetual.

 

 

Reflexão
As UCC prestam “cuidados de saúde e apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário

De acordo com o Despacho n.º 10143/2009, mais concretamente a nível das atividades da Carteira de Serviços das UCC (alínea c, ponto 4, artigo 9º - Carteira de Serviços) a contratualizar com o ACeS, deve incidir, também, prioritariamente, na seguinte área: “Projetos de intervenção com pessoas, famílias e grupos com maior vulnerabilidade e sujeitos a fatores de exclusão social ou cultural, pobreza económica, de valores ou de competências, violência ou negligência”, tais como:

  1. Acompanhar utentes e famílias de maior risco e vulnerabilidade;
  2. Cooperar com outras unidades funcionais, no tocante a ações dirigidas aos utentes, às suas famílias e à comunidade, nomeadamente na implementação de programas de intervenção especial, na criação de redes de apoio às famílias e no recurso a unidades móveis;
  3. Promover, organizar e participar na formação técnica externa, designadamente nas áreas de apoio domiciliário e familiar, bem como no voluntariado;
  4. Participar nas atividades inerentes à Rede Social, na vigilância de saúde e acompanhamento social das famílias com deficientes recursos socioeconómicos;
  5. Participar nas atividades do programa de intervenção precoce a crianças, nomeadamente na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

À Rede Social cabe impulsionar o trabalho de parceria baseada na planificação estratégica da intervenção social local, com diferentes atores sociais, contribuindo para erradicação da pobreza e exclusão social, que atingem os grupos populacionais mais vulneráveis, promovendo o desenvolvimento social local (Resolução do Conselho de Ministros n.º 197/97, 18 novembro), coadunando-se perfeitamente as intervenções.

A Rede Social permite a rentabilização dos recursos concelhios, constituindo parcerias, atuando de forma concertada, os seus órgãos são: Conselhos Locais de Ação Social (CLAS) e CSF (DL n.º 115/2006, 14 junho). As CSF desenvolvem trabalho de proximidade que não substitui, mas complementa o trabalho desenvolvido pelas instituições locais, funcionando como estrutura integradora.

A UCC Pombal integrou em 2014 o CLAS e CSF, integrando o seu Núcleo Executivo (NE), o que implica reuniões mensais, preparação/participação nos plenários, execução de procedimentos e documentos, atendimento psicossocial e intervenção comunitária. As funções desempenhadas no NE permitiram desenvolver muitas das competências do EEEC como o estabelecimento de programas e projetos de intervenção com vista à resolução de problemas identificados, liderando processos comunitários com vista à capacitação, integrando nestes processos conhecimentos de diferentes disciplinas.

Assim, as competências específicas do EEEC aliadas ao conhecimento concelhio (imprescindível ao desenvolvimento de funções na UCC) permitem uma intervenção ativa no desenvolvimento do Plano de Desenvolvimento Social, com trabalho de proximidade efetivo, orientando respostas às necessidades individuais e coletivas da população e instituições, através de projetos existentes, permitindo maior rentabilização de recursos e abrangência na intervenção.

Também a Especialidade de Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública tem como alvo de intervenção a comunidade e dirige-se aos projetos de saúde dos grupos a vivenciar processos de saúde/doença, processos comunitários e ambientais com vista à promoção da saúde, prevenção e tratamento da doença, readaptação funcional e reinserção social em todos os contextos de vida. O foco da sua atenção são as respostas humanas aos processos de vida e aos problemas de saúde de grupos, comunidade e população, designadamente através do desenvolvimento de programas de intervenção com vista à capacitação e empowerment das comunidades na consecução de projetos de saúde coletiva e ao exercício da cidadania. Assim, e de acordo com o Regulamento dos Padrões de Qualidade dos Cuidados Especializados em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública espera-se que o Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública:

  • Tenha um entendimento profundo sobre os determinantes dos problemas de saúde de grupos ou de uma comunidade na conceção do diagnóstico de saúde de uma comunidade;
  • Identifique as necessidades em saúde de grupos ou de uma comunidade;
  • Conceba, planeie, implemente projetos de intervenção com vista à consecução de projetos de saúde de grupos e/ou comunidades;
  • Intervenha em grupos e/ou comunidades com necessidades específicas assegurando o acesso a cuidados de saúde eficazes, integrados, continuados e ajustados;
  • Coordene e dinamize programas de intervenção no âmbito da prevenção, proteção e promoção da saúde em diferentes contextos;
  • Participe, em parceria com outras instituições da comunidade e com a rede social e de saúde, em projetos de intervenção comunitária dirigida a grupos com maior vulnerabilidade;
  • Mobilize os parceiros/grupos da comunidade para identificar e resolver os problemas de saúde;
  • Coopere na coordenação, otimize a operacionalização, e monitorização dos diferentes Programas de Saúde que integram o Plano Nacional de Saúde;
  • Monitorize a eficácia dos Programas e Projetos de intervenção para problemas de saúde com vista à quantificação de ganhos em saúde da comunidade.
  • Participa na gestão de sistemas de vigilância epidemiológica;
  • Utiliza a evidência científica para soluções inovadoras em problemas de saúde pública.

Importa referir que em 2014 foi construída a primeira CSF do concelho de Pombal, contando no seu NE com uma EEEC em representação da saúde. No quadriénio 2014-2017 foram acompanhadas pelo NE da mesma, uma média 160 famílias/ano, maioritariamente famílias multiproblemáticas: com carência económica e desemprego; menores em risco; baixas qualificações; consumo substâncias aditivas; idosos com multipatologia crónica sem apoio familiar; fragilidade habitacional; crianças e idosos negligenciados.

Reconhecendo a importância do trabalho desenvolvido pela CSF, entre 2018 e 2019 a resposta CSF foi alargada a todo o concelho, tendo sido criadas várias CSF e CSIF (Comissões Sociais Interfreguesias), de modo a dar resposta à população de Pombal, 51170 indivíduos (dados provisórios do INE referentes a 2021, disponível na web https://www.ine.pt/scripts/db_censos_2021.html). A UCC Pombal integrou o NE de todas as CSF e CSIF, à exceção de duas comissões cuja representação da saúde ficou a cargo de uma UCSP.

Atualmente, considerando os dados dos relatórios de atividades das diferentes CSF e CSIF, cujo o NE integra a UCC, acompanharam em 2021 cerca de 600 agregados familiares com problemáticas diversas sendo, as de maior incidência: precariedade económica, imigração ilegal, desemprego, fragilidade habitacional, saúde e envelhecimento.

Em todas as CSF e CSIF foram desenvolvidos projetos dirigidos às populações mais vulneráveis, de acordo, com os cinco eixos estratégicos do Plano de Desenvolvimento Social, definidos tendo por base o Diagnóstico Social do Concelho de Pombal, nomeadamente: Infância e Juventude, Envelhecimento, Intervenção social de Proximidade, Promoção da Saúde e Empregabilidade.

Contudo, ainda não existem indicadores relativos à Intervenção Comunitária, nomeadamente, a nível da Rede Social e Comissões Sociais de Freguesia, associados ao Desempenho Assistencial da Matriz dimensional com Impacto no Índice de Desempenho Global das UCC.

As CSF constituem uma oportunidade para uma efetiva Intervenção Comunitária, dada a sua proximidade das comunidades e porque comportam diferentes atores sociais, que atuam em complementaridade em prol do utente/família/comunidade.

No âmbito da atividade desenvolvida é de validar que as UCC são unidades funcionais que melhor respondem às necessidades da Rede Social ao nível das CSF, afigurando-se o EEEC, como o profissional mais adequado à prossecução dos seus objetivos.

Referências Bibliográficas:

- INE (2022), CENSOS 2021, informação disponível na web em https://www.ine.pt/scripts/db_censos_2021.html.

- Portugal, Ordem dos Enfermeiros, Diário da República n.º 118 de 19 de junho, Regulamento n.º 348/2015 – Regulamento dos Padrões de Qualidade dos Cuidados Especializados em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, pp. 16481-16486. Disponível na web em https://dre.pt/application/file/a/67540465.

- Portugal, Ordem dos Enfermeiros, Diário da República n.º 135 de 16 de julho, Regulamento n.º 428/2018 – Regulamento de Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública e na área de Saúde Familiar, pp. 19354-19359. Disponível na web em https://dre.pt/application/file/a/115698536.

- Portugal, Presidência do Conselho de Ministros, Diário da República n.º 267/1997, Resolução do Conselho de Ministros n.º 197/97, de 18 de novembro, pp. 6253-6255. Disponível na web em https://dre.pt/application/file/a/685747.

- Portugal, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Diário da República, Decreto-Lei n.º 115/2006 de 14 junho, pp. 4276-4282. Disponível na web em https://dre.pt/application/file/a/345018.

- Portugal, Ministério da Saúde, Diário da República, Decreto-Lei n.º 28/2008, 22 de fevereiro, republicado pelo Decreto-Lei n. º137/2013, de 7 de outubro e Decreto-Lei n.º 253/2012, 27 de novembro, pp. 1182-1189. Disponível na web em https://dre.pt/application/file/a/247597.

- Portugal, Gabinete do Secretário de Estado da Saúde, Diário da República n.º 74 de 16 de abril, Despacho n.º 10143/2009, pp. 15438-15440. Disponível na web em https://dre.pt/application/file/a/2216123.

     

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Vigilância epidemiológica da infeção VIH e SIDA
Helena Cortes Martins, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Imunodeficiência Humana e Vírus das...

Esta estrutura tem como objetivo fornecer aconselhamento ao ECDC sobre matérias relacionadas com a infeção por VIH e SIDA.

A representação do INSA nesta rede de vigilância do ECDC justifica-se pelo papel histórico da instituição na vigilância epidemiológica da infeção VIH e SIDA, gerindo a base de dados nacional que agrega a informação proveniente das notificações de casos de infeção e de SIDA, em estreita colaboração com o Programa Prioritário para as Infeções Sexualmente Transmissíveis e Infeção VIH da Direção-Geral da Saúde (DGS).

 

Oncologia
Não sendo um dos tumores mais frequentes, o cancro do ovário está associado a uma taxa de mortalidad

Segundo dados do Globocan, em 2020 foram diagnosticados 561 novos casos em Portugal e registadas 408 mortes por este tumor. Para mudar este cenário há informação que importa não esquecer:

A idade é um fator de risco para o cancro do ovário.

Cristina Frutuoso explica que este tipo de tumor “surge sobretudo depois da menopausa”, o que não significa, no entanto, que as mulheres não devam estar atentas desde sempre.

Os sintomas associados ao cancro do ovário são, na sua maioria, inespecíficos.

Nas fases iniciais da doença, é mesmo comum a inexistência de sintomas, sendo este um fator responsável pelos atrasos no diagnóstico.

De entre os sintomas mais comuns, numa fase mais precoce, contam-se a sensação de peso, dor pélvica e alterações urinárias, e em fases mais avançadas - sensação de enfartamento e aumento do volume abdominal.

O cancro do ovário pode ser causado por mutações BRCA.

“Ter esta mutação significa risco muito acrescido de ter cancro do ovário e de outros órgãos, como da mama, do pâncreas e da próstata”, explica Cristina Frutuoso, que confirma que as doentes com cancro do ovário têm indicação para fazer estudo genético independentemente do seu histórico familiar. E que adicionalmente, existe um conjunto de fatores de risco definidos que orientam para o estudo genético na mulher saudável. “E se a mulher com cancro do ovário tiver mutação BRCA, tem indicação para o tratamento com fármacos alvo, os chamados inibidores da PARP, e consequentemente melhor resposta. Estas abordagens podem ser usadas em consolidação, logo na primeira fase do tratamento.” Ser portadora da mutação, refere ainda, “permite tomar medidas preventivas, ainda que mutilantes’’. Recomenda-se que a mulher saudável com probabilidade de ter mutação BRCA, faça consulta de aconselhamento genético.

São cada vez mais os tratamentos para o cancro do ovário.

De acordo com a especialista, “a sobrevivência tem vindo a aumentar. A especialização dos centros na cirurgia do cancro do ovário avançado, com concentração dos casos em poucos hospitais, permite melhor tratamento cirúrgico. Por outro lado, tem havido grande evolução no tratamento médico.”

Há formas de preservar a fertilidade das mulheres com o diagnóstico de cancro do ovário.

Cristina Frutuoso explica que “o cancro epitelial seroso de alto grau, que é o cancro do ovário mais prevalente, surge mais frequentemente depois da menopausa. Quando surge em idade fértil, são excecionais as situações em que a preservação da fertilidade é possível”. No entanto, outros tumores malignos do ovário, mais raros, que surgem em idades mais jovens, “permitem habitualmente cirurgias que preservam a fertilidade. Nos casos em que há indicação para quimioterapia, pode recorrer-se a técnicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação de ovócitos”.

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Estudo
Mais de 400 anos de vida foram perdidos por morte prematura ou incapacidade devido à Atrofia Muscular Espinhal (AME) em...

O “Estudo do Impacto Socioeconómico da AME em Portugal” foi desenvolvido pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

A análise conclui que dos 403 anos de vida perdidos, 86% se deveram a mortalidade prematura (mais de 340 anos) e 14% a incapacidade.

Em termos individuais, a carga da Atrofia Muscular Espinhal é muito significativa, o que se reflete igualmente nos anos de vida perdidos por cada doente. A título de exemplo, uma criança com AME tipo 1 vive, em média, o equivalente a 4,8 meses sem incapacidade num ano de vida.

O estudo concluiu que a prevalência da AME em Portugal foi estimada, segundo os dados de 2019, em 147 doentes: 18 com tipo 1, 46 com tipo 2 e 83 com tipo 3.

A AME é usualmente classificada em três tipos principais, baseados sobretudo na idade em que surgem os primeiros sintomas. O tipo 1 desenvolve-se em bebés com menos de seis meses; o tipo 2 manifesta-se em crianças dos seis aos 18 meses e o tipo 3 pode não ser evidente até à infância tardia ou adolescência.

O mesmo estudo, que vai ser apresentado na Conferência “Cuidar em Sociedade na Atrofia Muscular Espinhal”, demonstra ainda que o impacto económico da doença é significativo, apesar da sua reduzida prevalência.

Um doente com AME representa um custo total de 114 mil euros por ano. O custo global de tratar a doença em Portugal foi, em 2019, de 16,8 milhões de euros, sendo que 42% desse valor correspondeu à forma mais grave da doença (o tipo 1).

Do total de quase 17 milhões, há 1,6 milhões que correspondem a custos diretos não médicos, como dispositivos de apoio, adaptações ao domicílio, apoios sociais ou cuidadores informais.

Ainda assim, comparando com outros países, e excluindo o custo das terapêuticas modificadoras da história natural da doença, o custo anual médio por doente em Portugal é um terço do custo na Alemanha e 17% do custo em Espanha, por exemplo.

O estudo foi realizado em 2020/ 2021, mas reflete dados de 2019. Naturalmente, a realidade é dinâmica e os números atuais serão diferentes, tanto no número de doentes como no impacto do custo económico da doença. 

Estudo Etnográfico - Da Odisseia do Diagnóstico ao Desconhecimento Generalizado

Durante a Conferência “Cuidar em Sociedade na AME” que se realizou este sábado, dia 7 de maio,  foi apresentado outro estudo fruto do acompanhamento diário feito a várias famílias portuguesas que convivem com a Atrofia Muscular Espinhal.

Esta análise resultou, por exemplo, de entrevistas a portadores de AME, conversas com familiares e cuidadores, entrevistas a médicos, cuidadores informais ou associações de doentes, com o objetivo de acompanhar o mais de perto possível a vivência das pessoas com AME.

Deste acompanhamento, resultaram várias conclusões, a primeira que há graves atrasos no diagnóstico. A falta de conhecimento sobre os sinais da doença resulta na dificuldade em chegar a um diagnóstico. A importância do diagnóstico precoce é salientada, sendo visto como a única forma de minimizar o impacto da doença.

A análise mostra ainda que cada caso é um caso. A informação e características usadas para definir atualmente os tipos da doença não são suficientes para ilustrar a diversidade de situações e necessidades dos doentes. Isto traz imensos problemas no momento do diagnóstico e tratamento, pela dificuldade em definir e atender às necessidades reais e específicas de cada doente.

Por outro lado, confirma que o cansaço é um fator determinante para gerir a doença e a vida. O cansaço afeta a forma como se tomam decisões e se gerem as atividades do dia a dia. Pode levar a que os doentes tenham de abdicar de atividades para que possam fazer outras.

De acordo com este estudo, os serviços não estão desenhados para resolver ativamente os problemas dos doentes e das famílias. Há um claro excesso de passividade, uma falta de acompanhamento e de intervenção ativa no ecossistema da AME. Os serviços existem, mas têm graves problemas de eficácia quando são requisitados. Há excesso de burocracia, tornando os processos lentos, uma lentidão que pode ter consequências desastrosas no contexto da doença, como por exemplo a dificuldade de aceder a uma cadeira de rodas;

Por outro lado, um dos grandes entraves ao desenvolvimento e estímulo dos portadores de AME é a postura limitadora da sociedade em geral, incluindo da própria comunidade de apoio. Um exemplo destas limitações é a atitude sexista e paternalista das famílias para com a sexualidade e a parentalidade destes doentes, principalmente relacionado às doentes mulheres. O desconhecimento geral acerca da doença, que existe na sociedade, faz com que muitas vezes se assuma que as capacidades intelectuais dos doentes também são limitadas.

A Conferência “Cuidar em Sociedade na AME” é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Neuromusculares e da Sociedade Portuguesa de Estudos das Doenças Neuromusculares, com o apoio da Roche.

Candidaturas até 14 de junho
Está a decorrer o processo de submissão de propostas a um Programa Competitivo de Bolsas promovido pela Pfizer, para apoiar...

Está prevista a atribuição de 3 bolsas com financiamento a projetos de educação médica dedicados às áreas especificadas abaixo. Apenas serão aceites as propostas que sejam submetidas até dia 14 de junho de 2022.

Posteriormente, os projetos serão analisados por um painel de revisores da Pfizer, que irá selecionar os projetos para financiamento. A Pfizer não tem influência sobre qualquer aspeto dos projetos e apenas solicita relatórios sobre os resultados e o seu impacto, para partilha pública.

Estas bolsas estão inseridas no programa Pfizer Global Medical Grants (GMG), criado para apoiar iniciativas independentes, com o objetivo de melhorar os resultados em saúde e responder a necessidades médicas não satisfeitas, alinhadas com a estratégia científica da Pfizer.

 

Investigação usa a mosca da fruta
Esta rede neural serve, de uma forma notável, para acompanhar a marcha em duas escalas de tempo diferentes simultaneamente.

Uma mosca da fruta caminha sobre uma pequena bola de esferovite numa passadeira 3D flutuante. Numa sala completamente escura, um elétrodo regista neurónios do sistema visual no cérebro da mosca, transmitindo um misterioso fluxo de atividade neural, subindo e descendo como uma onda senoidal.

Quando Eugenia Chiappe, neurocientista na Fundação Champalimaud em Portugal, viu pela primeira vez estes resultados, a sua intuição dizia-lhe que a equipa estava perante uma descoberta excecional. Estavam a gravar a atividade de neurónios do sistema visual, mas a sala onde se encontravam estava completamente escura, pelo que não havia qualquer estímulo visual que pudesse estar a desencadear aquela atividade neuronal.

“Isto só podia querer dizer que ou aquela atividade inesperada era algum tipo de “barulho de fundo”, o que nos parecia improvável, ou então era resultado de um estímulo não visual”, recorda Chiappe. “Depois de termos investigado a possibilidade de estarmos perante algum tipo de interferência, descartamos essa hipótese e tivemos a certeza: os neurónios estavam a acompanhar de forma fiel os passos que o animal dava.”

Alguns anos e muitos novos insights depois, Chiappe e sua equipa apresentam agora a sua descoberta na revista científica Neuron: a existência de uma rede neural bidirecional que liga as pernas e o sistema visual com a função de moldar o andar.

"Um dos aspetos mais notáveis da nossa descoberta é que esta rede suporta a caminhada em duas escalas de tempo diferentes simultaneamente", explica Chiappe. “Ao mesmo tempo que opera numa escala de tempo rápida, capaz de monitorar e corrigir cada etapa, também promove o objetivo comportamental do animal”.


Neurónios no cérebro da mosca da fruta acompanham o ciclo de marcha do animal.
Crédito: Terufumi Fujiwara & Eugenia Chiappe, Fundação Champalimaud.

Acompanhar o “humor” neural

“A visão e a ação podem parecer pouco relacionadas, mas na verdade estão intimamente associadas; basta escolher um ponto na parede e tentar colocar o dedo nele com os olhos fechados”, disse Chiappe. “Ainda assim, pouco se sabe sobre a base neural desta ligação.”

Neste estudo, o grupo centrou a sua atenção num tipo específico de neurónio visual que é conhecido por se ligar às áreas motoras do cérebro. “Queríamos identificar os sinais que este tipo de neurónios recebe e entender se, e como, participa no movimento”, explicou Terufumi Fujiwara, primeiro autor do estudo.

Para responder a estas perguntas, Fujiwara usou uma técnica poderosa chamada gravação de patch de célula inteira que lhe permitiu explorar o “humor” dos neurónios, que pode ser “positivo” ou “negativo”.

“Os neurónios comunicam entre si através de correntes elétricas que alteram a carga geral do neurónio recetor. Quando a carga do neurónio é mais positiva, é mais provável que este se torne ativo e depois transmita sinais para outros neurónios. Por outro lado, se a carga for mais negativa, o neurónio fica mais inibido”, explica Fujiwara.

No imediato: observando cada passo

A equipa seguiu a carga dos neurónios e revelou que esta estava sincronizada com os passos do animal de maneira a que cada movimento pudesse ser ajustado de forma ideal.

“Quando o pé estava no ar, o neurónio estava mais positivo, pronto para, se necessário, enviar instruções de ajuste para a região motora. Por outro lado, quando o pé estava no chão, impossibilitando ajustes, a carga era mais negativa, inibindo efetivamente o neurónio”, disse Chiappe.

A longo prazo: continuar a avançar

Quando a equipa analisou os resultados em maior detalhe, observou que a carga dos neurónios também estava a mudar numa escala temporal mais longa. Especificamente, quando a mosca andava rápido, a carga tornava-se cada vez mais positiva.

“Acreditamos que essa variação ajuda a manter o objetivo comportamental do animal”, disse Fujiwara. “Quanto mais tempo a mosca estiver a andar rápido, maior é a probabilidade de precisar de ajuda para manter esse plano de ação. Portanto, os neurónios ficam cada vez 'mais alerta' e prontos para serem recrutados para garantirem o controlo do movimento".

Nem sempre é o cérebro que manda

Seguiram-se muitas experiências, que permitiram criar uma descrição mais completa da rede neural e demonstrar o seu envolvimento direto na marcha. Mas de acordo com Chiappe, este estudo para além de revelar um novo circuito visuomotor, fornece também uma nova perspetiva sobre os mecanismos neurais de movimento.

"A atual visão de como o comportamento é gerado é muito 'top-down', isto é, o cérebro é que comanda o corpo. Mas os nossos resultados fornecem um exemplo claro de como os sinais provenientes do corpo contribuem para o controlo do movimento. Embora estas descobertas tenham sido feitas no modelo animal mosca da fruta, especulamos que mecanismos semelhantes possam existir noutros organismos. As representações relacionadas com a velocidade são críticas durante a exploração, navegação e perceção espacial, funções comuns a muitos animais, incluindo os humanos", conclui.

Neuropsicologia
Antes de nos debruçarmos sobre a dinâmica do sono na população sénior, respondo à pergunta formulada

Portanto e tal como acima referimos, o “mito” segundo o qual os seniores dormem menos horas porque não necessitam de tantas como os mais jovens é uma inverdade. Na realidade e em situação normal, os seniores dormem em média seis horas e meia, cerca de menos 20 minutos do que os adultos entre os 40 e os 55 anos e menos 45 minutos do que os jovens adultos entre os 20 e os 30 anos.

Abordemos agora (de modo breve e acessível) a questão dos mecanismos neurofuncionais do sono nos seniores, não fazendo do que se segue Teoria Geral Imutável dado que todos nós temos diferentes dinâmicas de sono, sendo que cada pessoa está sujeita, face à variabilidade das suas condições de vida (num sentido lato do termo), a modificações temporais e estruturais do mesmo. Sabemos que após os 50/60 anos há uma tendência a ter um sono mais superficial em detrimento da regularidade das fases mais profundas e da fase paradoxal ou REM (devido à existência de movimentos rápidos dos olhos), sendo o sono mais fragmentado; por outro lado há, não raro, uma maior dificuldade em adormecer. Estas circunstâncias adversas poderão traduzir-se em alterações do sono de que destacamos, pela sua frequência e impacto nefasto quer ao nível da existência idiossincrática, quer no que respeita à vida de relação, a insónia que pode ser inicial, intermédia (dificuldade em manter o sono com despertares, mais ou menos frequentes) ou terminal (acordar cedo demais).

Essas mudanças estão relacionadas, principalmente, com alterações anatomo-fisiológicas dos recetores neuronais que se conectam com as substâncias químicas que sinalizam do sono (neurotransmissores) com destaque para a adenosina, a melatonina, o GABA, a galanina e a acetilcolina (na fase REM). Assim sendo e devido às referidas mudanças, podemos dizer que o encéfalo tem dificuldade para se aperceber do nosso grau de cansaço e, portanto, da necessidade para adormecer e ter um sono reparador. De referir, por outro lado, a existência mais ou menos frequente de outras duas alterações patológicas que ocorrem durante o sono dos seniores, sendo que a segunda é de elevada perigosidade; referimo-nos ao síndroma das pernas inquietas e à apneia obstrutiva do sono.

E como poderão compensar os seniores o seu sono, potencialmente, “atribulado” pelas alterações acima referidas e condicionam a qualidade? Bom, haverá sempre a sesta durante a tarde, que deverá durar, aproximadamente, entre 20 e 30 minutos, trazendo confirmados benefícios neuropsicofisiológicos à população sénior.

Enfim, muito mais haveria para dizer, mas a natureza destas linhas não apela a uma linguagem demasiadamente técnica, nomeadamente no que concerne à neurofisiologia e neuroquímica do sono. Já agora, tenham sonos reparadores independentemente da vossa idade.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Relatório
Entre 2015 e 2020 Portugal assistiu a um decréscimo na incidência das infeções em meio hospitalar. Os dados integram o...

A resistência a antimicrobianos também apresenta tendência decrescente em Portugal desde 2013, nomeadamente a resistência do Acinetobacter aos carbapenemes (que diminuiu de 70% para 15%) ou do Staphylococcus aureus à meticilina (de 48% para 30%).

No relatório, destaca-se a redução em 2020 do consumo de antibióticos em ambulatório. A utilização de quinolonas, um dos antibióticos mais associados à emergência de resistências, caiu 69% entre 2014 e 2020, igualando a média europeia. Também a utilização em meio hospitalar se manteve estável e abaixo da média. No entanto, tem aumentado a utilização de antibióticos de largo espectro face a espectro estreito, o que pode induzir maiores resistências a antibióticos.

O PPCIRA, em colaboração com vários parceiros nacionais e internacionais, tem em curso sete projetos para reduzir infeções hospitalares, promover o uso sensato de antibióticos, reduzir a emergência e transmissão de microrganismos resistentes e aumentar a literacia do cidadão nestas temáticas.

Salientam-se ainda os resultados relativos à Estratégia Multimodal de precauções básicas de controlo de infeção (PBCI) nas unidades de saúde, em que se releva o aumento progressivo da adesão ao cumprimento da higiene das mãos entre 2016 e 2020. É significativo o aumento ocorrido entre 2019 e 2020, tendo a taxa de cumprimento global e a taxa de cumprimento do primeiro momento de higiene das mãos aumentado de 75,7% para 82,7% e de 68,0% para 76,2%, respetivamente.

 

 

Universidade de Coimbra
Um estudo realizado por neurocientistas da Universidade de Coimbra (UC) revela capacidades cognitivas e comportamento social...

A deficiência intelectual resulta de alterações no neurodesenvolvimento e caracteriza-se por uma função intelectual comprometida, bem como por alterações na comunicação e nas capacidades sociais. Existem em Portugal várias instituições que desenvolvem a sua ação no âmbito da habilitação e integração da pessoa com deficiência intelectual, grande parte delas associadas à HUMANITAS – Federação Portuguesa para a Deficiência Mental.

Este distúrbio do neurodesenvolvimento pode ter várias causas, entre as quais genéticas e/ou ambientais, sendo pouco conhecidos os mecanismos biológicos que originam as alterações cognitivas, comportamentais e sociais destas pessoas. Desvendar estes mecanismos é essencial para desenhar estratégias terapêuticas e reabilitativas, sempre que estas surjam como necessárias.

Alterações genéticas associadas a distúrbios do neurodesenvolvimento, como a deficiência intelectual, são frequentemente encontradas em genes que codificam proteínas presentes na sinapse, a estrutura de comunicação entre os neurónios no cérebro. Uma dessas proteínas é a stargazina, que foi o objeto do estudo realizado no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC), com o objetivo de «perceber o impacto que uma alteração no gene que codifica a stargazina pode ter na comunicação e estrutura dos neurónios, assim como no comportamento animal», explica Ana Luísa Carvalho, líder do estudo e docente do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

O trabalho, já publicado na revista Molecular Psychiatry, teve como ponto de partida uma simulação computacional que permitiu prever o impacto da alteração genética associada a deficiência intelectual na estrutura e na dinâmica molecular da stargazina.

Utilizando neurónios de rato em cultura e murganhos geneticamente modificados, em que foi introduzida a alteração genética humana (animais knock-in), os autores do estudo verificaram que a variante genética que leva à produção de uma stargazina modificada compromete a transmissão de informação entre neurónios do hipocampo, uma região do cérebro que, tanto em roedores como em humanos, é responsável pela formação de memória e pela capacidade de aprendizagem. Os murganhos geneticamente modificados apresentaram também dificuldades de memória e de aprendizagem, assim como um comportamento social anormal.

«Estes resultados mostram que uma alteração no gene codificante da proteína stargazina é causadora de alterações nas funções cognitivas, semelhantes às que se observam em pessoas com deficiência intelectual, e causadora de alterações na transmissão de informação entre neurónios do hipocampo, assim como na plasticidade dessa transmissão», afirma Ana Luísa Carvalho.

Este estudo «permitiu-nos também perceber a função da proteína stargazina na comunicação neuronal numa sub-região específica do hipocampo. É um estudo com uma dupla contribuição para a compreensão do funcionamento da comunicação sináptica e para a identificação de mecanismos biológicos associados a deficiência intelectual», conclui.

Este trabalho, que foi conduzido pelas investigadoras do CNC Gladys Caldeira e Ângela Inácio, resulta de uma colaboração entre o grupo de investigação liderado por Ana Luísa Carvalho e os grupos liderados por Irina Moreira e João Peça, também investigadores do CNC e docentes do DCV da FCTUC. O estudo foi financiado pela Fundação Brain and Behavior Research (EUA), pela Fundação Jérôme Lejeune (França), pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal) e pela Fundação La Caixa. O artigo científico pode ser consultado em: https://www.nature.com/articles/s41380-022-01487-w

 

Mayo Clinic
As taxas de cancro colorretal em pessoas com menos de 50 anos estão a aumentar em todo o mundo.

Fatores de risco

Diversas escolhas pessoais podem aumentar o risco de desenvolver cancro do cólon ou reto. Tais fatores incluem o tabagismo, a ingestão excessiva de álcool, o consumo de uma dieta rica em gordura e com poucas fibras e a falta de exercício físico, revela o especialista.

Tomar medidas para evitar o cancro colorretal não significa evitar completamente a carne vermelha, por exemplo, acrescenta: “muitas destas medidas resumem-se a moderação. A moderação é muito importante na prevenção do cancro do cólon.”

Também existem fatores de risco que estão fora do controlo da pessoa. Há condições genéticas - doenças que são herdadas, como a Síndrome de Lynch e a Polipose Adenomatosa familiar - que podem levar ao cancro colorretal em pessoas mais jovens, revela o médico oncologista.

“Felizmente, estas condições são relativamente raras, embora possam criar um alto risco para o desenvolvimento do cancro do cólon”, acrescenta.

Identificar sinais de alerta

Exames preventivos regulares podem ajudar a prevenir o cancro do cólon ao identificar e remover os pólipos antes de se tornarem malignos, diz o especialista.

A diretrizes de exames preventivos variam ao redor do mundo, mas em geral, o exame preventivo é recomendado a partir dos 50 anos para pessoas com risco médio, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde. Nos Estados Unidos, devido ao aumento de cancro colorretal entre pessoas mais jovens, as diretrizes recomendam o exame preventivo a partir dos 45 anos para pessoas.

O exame preventivo – colonoscopia - em idades mais jovens é recomendado para pessoas com alto risco, como aquelas com histórico familiar de cancro colorretal.

Também é importante estar atento aos sinais de alerta, salienta Jones. Eles incluem desconforto abdominal persistente, como gases ou dores, diarreia ou obstipação persistentes, perda de peso sem explicação, fraqueza, fadiga e sangramento retal ou sangue nas fezes.

“Infelizmente, há uma conceção errada de que o cancro colorretal só acontece em pessoas mais velhas, e isso pode levar os médicos a especular que os sintomas sejam causados por causas mais comuns”, diz o oncologista. “Por exemplo, descartar um sangramento retal como provavelmente causado por hemorroidas sem considerar todas as causas possíveis”, dá como exemplo.

“Infelizmente, não há uma idade em que se possa dizer com segurança que se é muito jovem para ter cancro colorretal”, conclui.  

 

 

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‘Remote Proctoring’
Pela primeira vez, graças à realidade aumentada e à 5G, teve lugar, entre a Fundação Champalimaud, em Lisboa, e a Universidade...

Ontem (dia 5 de maio), pelas 15h (hora de Lisboa), o cirurgião Pedro Gouveia esteve no seu bloco operatório da Unidade da Mama da Fundação Champalimaud, em Lisboa, e iniciou, como tantas outras vezes, uma cirurgia de cancro da mama. Um outro cirurgião da mesma unidade, o jovem espanhol Rogelio Andrés-Luna, esteve, entretanto, a assistir à operação, intervindo, quando necessário, para fornecer a Pedro Gouveia informação complementar e ajudar a até orientar os gestos do cirurgião. Parecia ser uma ocasião como tantas outras, mas não foi.

Antes de mais, Pedro Gouveia estava equipado com óculos de realidade mista (Hololens 2, desenvolvidos pela Microsoft). Os óculos permitem que veja à transparência o mundo real à sua volta – nomeadamente a sua doente, deitada na maca – e, ao mesmo tempo, ter acesso a informações projetadas sobre as lentes especiais, tal e qual a viseira do capacete de um piloto militar.

Diga-se já agora que Pedro Gouveia é pioneiro na utilização das Hololens para realizar cirurgias de cancro da mama guiadas por modelos digitais e personalizados do tumor e do corpo das doentes. Desenvolveu, também na Fundação Champalimaud, uma metodologia digital não invasiva que permite localizar com grande precisão o tumor a extrair durante a cirurgia, quase como se a mama à sua volta se tivesse tornado transparente. (https://fchampalimaud.org/pt-pt/news/tecnologia-de-realidade-aumentada-e-modelos-3dpersonalizados-da-mama-utilizados-pela-primeira)

Voltando à experiência que foi realizada ontem, é de salientar que Rogelio Andrés-Luna não estava fisicamente no bloco operatório durante a cirurgia – nem em Lisboa, nem mesmo, aliás, em Portugal. Encontrava-se a mais de 900 km de lá, no palco do Congresso da Associação Espanhola de Cirurgiões da Mama (AECIMA), que decorre de 5 a 7 de maio na Faculdade de Medicina da Faculdade de Zaragoza, a demonstrar, juntamente com Pedro Gouveia, uma inédita forma de supervisão cirúrgica remota.

Rogelio Andrés-Luna teve, como único instrumento de trabalho, um laptop ligado às Hololens de Pedro Gouveia, via rede privada 5G da Altice Portugal, associada à Movistar em Espanha, através de um dos habituais browsers da Web, por um software dedicado, desenvolvido pela empresa remAID (sediada na Alemanha). E, apesar da distância física considerável entre os dois médicos, tudo se passou como se o “cirurgião-supervisor” estivesse mesmo ao pé do “cirurgião-executante”, a olhar por cima do seu ombro e a assisti-lo na sua delicada tarefa.

Mas como é que isso foi possível, visto o desfasamento temporal nas imagens introduzido pela transmissão de dados, e sobretudo de vídeos, pela internet/WiFi – a mais potente tecnologia de banda larga hoje geralmente disponível para a transmissão de dados nas redes de telecomunicações? Como é que os dois cirurgiões conseguiram sincronizar as suas delicadas ações, sem que existisse um desfasamento temporal (“latência” é o termo técnico) de vários segundos entre o que um estava a fazer e o que o outro estava a ver? A resposta é que a experiência que teve lugar na quinta-feira não recorreu à 4G nem ao WiFi, mas sim à forma mais recente e poderosa de transmissão de dados digitais: a 5G. “A 5G pulveriza a latência”, reduzindo-a a poucos milissegundos, diz Pedro Gouveia. “É por isso que é tão importante no contexto da nossa experiência”, acrescenta.

Ao longo da intervenção, não só Rogelio Andrés-Luna pôde ver (quase) exatamente o que Pedro Gouveia estava a fazer num preciso instante, mas Pedro Gouveia, pelo seu lado, pôde receber, quase instantaneamente através das Hololens, informações úteis e oportunas naquele instante, em particular pequenos vídeos de cirurgias semelhantes, já realizadas. E até conseguiu visualizar oportunamente, à frente dos seus olhos, sobreposto ao corpo da doente e desenhado em tempo real por Rogelio Andrés-Luna no seu laptop, um traço azul que lhe indicou o local escolhido para fazer a incisão inicial.

“Realizamos a primeira experiência no mundo de utilização, ao vivo e em direto, daquilo a que se dá o nome de ‘remote proctoring’, durante uma cirurgia de cancro da mama”, explica entusiasmado Pedro Gouveia.

O remote proctoring (em português algo como “supervisão remota"), já está a ser utilizado para monitorizar provas escritas à distância. O software, neste caso, permite supervisionar os estudantes por vídeo enquanto fazem o exame – e também detetar eventuais comportamentos suspeitos (como a utilização de telemóveis). Aqui, a latência das imagens transmitidas por 4G/WiFi não é crucial, porque as imagens dos alunos são gravadas durante a prova, podendo ser consultadas mais tarde.

Se Pedro Gouveia acredita que esta metodologia de supervisão à distância tem o potencial de se tornar uma das características-chave do bloco operatório do futuro que ele vislumbra, é precisamente porque a 5G leva o remote proctoring para um novo patamar em termos de simultaneidade.

No seu papel de tutor, diz Rogelio Andrés-Luna pelo seu lado, “dei indicações ao meu ‘aprendiz’”. “Assinalei (com o meu ‘lápis’ azul) os locais onde era preciso ter mais cuidado, mostrei imagens e vídeos. Estivemos em contacto audiovisual permanente.”

Para realizar este feito, os dois médicos contaram com a colaboração, como era de esperar, de operadoras de telecomunicações de ambos os lados da fronteira. Tratou-se da Altice Portugal em Portugal, que ficou encarregue de que tudo funcionasse bem do lado da Fundação Champalimaud (instituição que foi equipada com uma rede privada 5G Altice); e a Movistar espanhola, que assegurou, graças a um equipamento móvel colocado nas imediações da Universidade de Zaragoza, a cobertura 5G daquele local.

O sucesso desta experiência, que constituiu um primeiro passo – uma “prova de conceito”, considera Pedro Gouveia – poderá mudar a forma como se realizam as cirurgias no futuro, e em particular permitir não só um treino mais realista dos estudantes, mas também um maior apoio aos cirurgiões que estão em início de carreira e realizam as suas primeiras cirurgias. Estes poderão assim ter a ajuda/supervisão de cirurgiões mais experientes e sentir-se muito mais seguros.

Atualmente, uma vez acabada a sua formação, os jovens cirurgiões estreiam-se geralmente sem acompanhamento - sobretudo quando trabalham em locais ou países remotos onde são a única pessoa qualificada para realizar uma determinada cirurgia. As operações que realizam podem ser gravadas e avaliadas a posteriori, mas durante o ato cirúrgico, “eles estão sozinhos, a precisar de ajuda”, diz Pedro Gouveia. A nova abordagem que foi agora testada, poderá minimizar esse problema, fornecendo aos cirurgiões principiantes a tão necessária supervisão em tempo real, nomeadamente por parte dos seus professores e mentores.

Mais geralmente, Pedro Gouveia quer também utilizar a sua nova abordagem para permitir que os estudantes de cirurgia, quando não é possível deslocarem-se ao local onde decorre a operação, assistam remotamente a intervenções cirúrgicas, como parte da sua aprendizagem, como se lá estivessem.

E vai mais longe: “os avanços que as tecnologias imersivas irão trazer, através de mentorização/proctoring à distância, abrem uma nova era: a da utilização do chamado ‘metaverso’ na educação médica pós-graduada”, salienta. “O metaverso, ou seja, o acesso à internet via realidade aumentada, virtual, mista e/ou estendida, através de um dispositivo imersivo colocado na cabeça, já é considerado como sendo a plataforma de próxima geração da computação móvel!”, exclama.

Pedro Gouveia admite, todavia, estarem apenas no início da sua visão do bloco operatório do futuro – que será, segundo ele, “uma sala multimédia”. “Ainda temos de validar metodologias, fazer mais cirurgias, identificar obstáculos, otimizar os óculos de realidade aumentada …”, conclui.

Insuficiência cardíaca: conhecer, prevenir e tratar melhor
Hoje comemora-se o dia europeu da Insuficiência Cardíaca.

A insuficiência cardíaca (IC), mais do que uma doença, é uma condição (síndroma) que resulta da incapacidade do coração corresponder às necessidades acrescidas de fluxo sanguíneo do organismo, impossibilitando-o de realizar atividade física sem agravar os sintomas, que são predominantemente o cansaço, a falta de ar e o inchaço das pernas. Esta patologia é, muitas vezes, o estádio final de outras doenças crónicas comuns que afetam o coração como a aterosclerose (que leva à angina de peito e ao enfarte do miocárdio), a hipertensão arterial e a obesidade. No entanto, pode também resultar de alterações das válvulas do coração, de tóxicos (como o álcool ou a quimioterapia), de alterações genéticas ou de outras patologias mais raras.

Para assinalar este dia dedicado à IC e aos nossos doentes que com ela vivem diariamente, a quem não quero deixar de recordar, pelo caminho difícil que muitas vezes trilham e que acompanhamos o melhor que podemos, quero deixar duas mensagens de alerta e otimismo:

A primeira é que a IC é prevenível. Para tal, os hábitos de vida saudável (dieta equilibrada do tipo mediterrânico, exercício físico, abstinência tabágica e alcoólica) são fundamentais, mas também o são o controlo das doenças crónicas, como a hipertensão arterial, a diabetes, o colesterol elevado e a aterosclerose, a obesidade.

A segunda é que dispomos, cada vez mais, de armas para o tratamento desta doença e temos vindo a ganhar mais e melhores anos de vida para os nossos doentes. O tratamento para a IC é eficaz, assim o consigamos fazer chegar aos doentes.

Nesta luta contra a IC, precisamos do contributo de todos: da população em geral para o esforço da prevenção; dos doentes, seus familiares e dos profissionais de saúde, para a deteção precoce da doença (idealmente em fase de pré-IC) e para o seu tratamento célere e otimizado; dos decisores políticos, para uma maior e melhor atenção à organização dos cuidados a uma doença com um impacto tão significativo na nossa sociedade.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
1/5 doentes com agravamento da insuficiência cardíaca morre até 2 anos após evento
A insuficiência cardíaca (IC) é uma doença grave e crónica com uma elevada prevalência em Portugal – cerca de 340 mil...

No âmbito do Dia Europeu da Insuficiência Cardíaca, que se assinala hoje dia 6 de maio, Dulce Brito, cardiologista especializada no tratamento da IC alerta “para a importância de atuarmos cada vez mais na prevenção de episódios graves que levem à necessidade de hospitalização ou re-hospitalização de doentes com insuficiência cardíaca, em especial aqueles com fração de ejeção diminuída, após um evento de descompensação”.

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida acontece quando o coração não contrai adequadamente, o que faz com que o sangue não seja enviado (bombeado) para todos os órgãos também de forma adequada.

Em Portugal, a IC representa cerca de 53 mil episódios de atendimento na Emergência, dos quais 36 mil resultam em hospitalizações. Estima-se que anualmente os custos de hospitalização nos sistemas de saúde, devido à insuficiência cardíaca, rondem os 405 milhões de euros, sendo a grande “fatia” devida a custos dos internamentos.

“Este é um cenário que tem de ser rapidamente mudado não só pela dificuldade que traz na gestão da própria doença (quer para quem sofre de insuficiência cardíaca, quer para os seus cuidadores), como também pelos custos efetivos que estes episódios de urgência representam na despesa em saúde. Cerca de 24% das re-hospitalizações por insuficiência cardíaca ocorrem 30 dias após um evento de descompensação”, reforça a cardiologista Dulce Brito.

Após um diagnóstico de insuficiência cardíaca é importante que os doentes controlem alguns sintomas e estejam atentos a quaisquer alterações que possam surgir, tais como o aumento de peso; agravamento de falta de ar; maior inchaço nos pés e tornozelos; surgimento ou agravamento de tonturas; menor capacidade de realização de exercício físico; dor no peito persistente (angina); frequência cardíaca rápida (palpitações) e dificuldade em dormir.

 Para além de estar atento a estes sintomas, o acompanhamento por parte de um profissional de saúde é fundamental, bem como a adesão à terapêutica, para uma melhor gestão da doença. A alteração de alguns estilos de vida como a mudança na dieta, prática regular de exercício físico e cessação tabágica, também podem contribuir para evitar o agravamento desta patologia crónica que afeta mundialmente mais de 60 milhões de pessoas.

Cancro de mama
No dia 5 de maio fez-se história através da realização da primeira cirurgia de cancro da mama com utilização da tecnologia 5G,...

900 km distam entre Lisboa e Zaragoza. Esta foi a distância encurtada pelas valências da 5ª geração móvel da Altice Portugal – velocidade, menor latência, inteligência e fiabilidade – que fizeram com que o especialista Pedro Gouveia, reputado cirurgião da Unidade de Mama do Centro Clínico Champalimaud, estivesse em contacto direto audiovisual permanente e em tempo real com o cirurgião espanhol da mesma unidade, Rogelio Andrés-Luna. A cirurgia foi acompanhada no palco do Congresso da Associação Espanhola de Cirurgiões da Mama (AECIMA), que decorre até dia 7 de maio, na Faculdade de Medicina da Faculdade de Zaragoza.

Esta intervenção inédita, com supervisão remota por um segundo cirurgião, recorreu às vantagens da realidade aumentada e do 5G, asseguradas em Portugal pela tecnologia da Altice Labs (laboratório de inovação e I&D da Altice Portugal) e em Espanha pela Movistar.

O cirurgião Pedro Gouveia conduziu a cirurgia equipado com óculos de realidade mista (Hololens que conjugam realidade virtual e aumentada) que lhe permitiram acesso real à paciente e, em simultâneo, a informações adicionais projetadas sobre as lentes especiais e indicações vindas de Espanha. Por seu lado, Rogelio Andrés-Luna teve como instrumento de trabalho um laptop ligado aos óculos do cirurgião português. A grande novidade nesta interligação foi o recurso ao 5G neste use case internacional. Os óculos estiveram ligados por Eth/USB a um smartphone (como conetividade 5G), que funcionou como router 5G, tendo a Altice Labs configurado, na sala de operações, uma rede privada da quinta geração de redes móveis.

As equipas da Altice Portugal estiveram, durante toda a semana, nas instalações da Av. de Brasília em montagens e testes da ligação ibérica em estreita colaboração com a Fundação Champalimaud e a operadora espanhola Movistar. Um exemplo real de saúde conectada por via da tecnologia.

“A Altice Portugal orgulha-se de participar na primeira intervenção cirúrgica de cariz internacional com recurso a 5G. A evidência do mais nobre propósito da sua capacidade tecnológica e de inovação ao serviço do bem maior que é a saúde. Este é mais um pilar na história da nossa marca de I&D, a Altice Labs, que exporta a tecnologia e o talento portugueses para todo o mundo” afirma Ana Figueiredo, Presidente Executiva da Altice Portugal.

“Realizámos a primeira experiência no mundo de utilização, ao vivo e em direto, daquilo a que se dá o nome de ‘remote proctoring’ (supervisão remota), durante uma cirurgia de cancro da mama”, explica com entusiasmo Pedro Gouveia.

Para a Altice Portugal a tecnologia faz sentido ao serviço das pessoas e da sociedade, melhorando a sua vida e trazendo facilidade e comodidade ao seu dia a dia. Esta cirurgia é um exemplo máximo deste objetivo e das vantagens que o 5G pode aportar, como tecnologia disruptiva, fundamental para a transição digital do País em vários setores como a saúde, a educação, as cidades, a indústria ou a agricultura.

Encontro Portugal AVC realiza-se no dia 28 de maio, no Algarve
A Portugal AVC – União de Sobreviventes, Familiares e Amigos promove o “Encontro Portugal AVC – Juntos Para Superar!”, no dia...

“Não é por acaso que, logo no título, chamamos a este encontra ‘Juntos para Superar!’ Apesar de não haver dois AVC’s iguais, assim como dois processos de reabilitação iguais, queremos envolver todas as pessoas neste esforço: ultrapassar o AVC, mesmo que seja ‘contornando’ eventuais limitações, porque a vida continua para todos! Claro que os sobreviventes de AVC e as famílias podem-se deparar com sequelas “visíveis” e outras menos, até mesmo no âmbito da saúde mental e outras complicações de saúde específica. Com este encontro pretendemos criar um espaço para o debate de temas e a partilha de experiências de testemunhos, que possam ser mais uma importante ajuda para os participantes”, explica António Conceição, presidente da Portugal AVC – União de Sobreviventes, Familiares e Amigos.

Em contínua interação, além da partilha de testemunhos, a iniciativa vai contar também com a participação de profissionais de saúde, e vai abordar temas relevantes como “Reabilitar para integrar”, “O AVC na família e a importância do cuidador”, “A intervenção da Medicina Geral e Familiar na fase crónica”, “A depressão pós-AVC: estratégias para a evitar e/ou combater e recuperar a autoestima” e “A fadiga crónica no sobrevivente de AVC: como viver com ela?”.

A participação nesta iniciativa é gratuita, mediante inscrição no site www.portugalavc.pt, no qual também pode encontrar o programa completo.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), com cerca de 25 mil episódios de internamento por ano, é a maior causa de incapacidade em Portugal, atingindo todas as idades e géneros. Pode ocorrer como resultado de uma oclusão ou de uma rotura de um vaso sanguíneo cerebral, levando a que uma parte do cérebro sofra lesões, por não lhe chegar o sangue com oxigénio e glicose necessários. Dependendo da zona afetada, a pessoa poderá ficar subitamente com limitações, como por exemplo, movimentar uma parte do corpo, ter dificuldade na comunicação, entre outras a nível cognitivo ou emocional.

 

Consultas de reumatologia e médico de família
A A.N.D.A.R - Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide, apoia refugiados ucranianos no acompanhamento em...

A Artrite Reumatóide é uma doença inflamatória crónica, mais comum entre os 30 e os 50 anos, com maior prevalência no sexo feminino. O principal sintoma é a inflamação das articulações que com o tempo pode levar a deformidades. Quando não tratada precocemente, traz graves consequências para os doentes.

Para Arsisete Saraiva, Presidente da A.N.D.A.R, “é fundamental pessoas com artrite reumatoide manterem o tratamento. Por isso, enquanto associação queremos apoiar e ajudar pessoas que tiveram que fugir do seu país, deixando tudo para trás e que se encontram completamente desprotegidas”. 

 

No âmbito do Dia Mundial do Cancro do Ovário
Para assinalar o Dia Mundial do Cancro do Ovário, que se comemora a 8 de maio, a GSK, em parceria com o grupo Impresa (SIC e...

A conferência conta com a participação de um painel de oradores nacionais e internacionais. Maurizio Borgatta, Diretor Geral da GSK Portugal, vai fazer a abertura do evento, abordando o “Compromisso da GSK em não deixar nenhuma mulher com cancro do ovário para trás”. “Esta tem sido uma das batalhas que nós, enquanto empresa, temos sido mais ativos, para procurar dar resposta às dificuldades que algumas mulheres com cancro do ovário enfrentam para conseguir ter no acesso aos tratamentos”, salienta.

Em seguida, tem início o primeiro painel sobre “Desafios clínicos: a visão dos especialistas europeus” e que conta com a intervenção de vários especialistas em oncologia e a moderação do Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, Miguel Abreu.

O segundo grande tema é dedicado a “Viver com Cancro do Ovário: as fronteiras da doença” e conta com o testemunho de representantes de diferentes associações de doentes (nacionais e internacionais) e a moderação de Natália Amaral, Membro da Direção Nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro e Oncologista Ginecológica.

A última sessão do encontro leva à reflexão sobre “Nenhuma mulher com cancro do ovário deixada para trás: uma prioridade política europeia e nacional?”, contando com a participação de eurodeputados portugueses e especialistas nacionais em política de saúde.

O encerramento da conferência fica a cargo do Presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, em representação do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, que não pode comparecer por motivos de agenda.

Dia Mundial do Silêncio assinala-se a 7 de maio
No dia 07 de maio comemora-se o Dia Mundial do Silêncio. Um estudo com teor filosófico liderado pelo professor neurocientista e...

“Não se pode mais falar em silêncio. A expressão mais abrangente seria ‘os sentidos do silêncio’. Os silêncios de submissão e/ou opressão não são benéficos, colocando indivíduos na posição de quem não pode desejar”, diz excerto do artigo.

O estudo referiu que é preciso pensar na expressão "os sentidos do silêncio", e não apenas nele em si, de modo a tornar a análise mais abrangente.

De acordo com o estudo, certos tipos de silêncio devem ser ouvidos pelo terapeuta, analista ou observador de forma atenta. “Pela via da redução da rede de modo padrão (regiões do cérebro), parece que se encontra uma via de acesso para um silêncio realmente capaz de propiciar saúde mental, física e espiritual”, disse.

O artigo trouxe análises sobre o “não-dito embasado pela psicanálise, Gestalt e Antropologia”, “o silêncio nas suas estruturas e funções neurobiológicas”, onde abordam as perspetivas de vários autores sobre como os seres humanos usam o silêncio.

Conforme a conclusão dos autores, não podemos deixar-nos enganar pelos devaneios e divagações da mente, pois ela nem sempre é leal, ela pode mentir. E, quando não mente, carrega um inconsciente, com danos.

Outro excerto do artigo deixa claro o poder da meditação, da respiração profunda, de um mantra ou uma técnica usada para mantermos a atenção focada.

“Degenere-se ou desvende-se, só depende de você. Aquiete, preste atenção na inspiração e na expiração. Pare. Descanse. Durma. Acredite no seu potencial e que você merece o melhor. Pois, caso contrário, continuará a paralisar, divagar sem rumo, a se auto sabotar. Procurando, em vão, por respostas que nunca virão pela via de acesso mais comum: a linguagem”, finalizou.

O estudo foi aprovado pelo comitê da revista Multidisciplinar Ciências Latina do grupo Redilat, rede de investigadores latino-americanos.

Estudo publicado: https://ciencialatina.org/index.php/cienciala/article/view/2147

Doença grave e sem cura
“Os sintomas de hipertensão pulmonar não são específicos, estão relacionados com disfunção progressi

Segundo Nuno Lousada, cardiologista do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, a “Hipertensão pulmonar define-se como uma pressão média da artéria pulmonar superior ou igual a 20mmhg medida em repouso, durante o cateterismo direito; a pressão média normal é de cerca de 14mm hg”, estando a patologia, frequentemente, associada as doenças do coração esquerdo, às doenças pulmonares, doenças do tecido conjuntivo e ao tromboembolismo pulmonar crónico. “São causas menos comuns de hipertensão pulmonar a sarcoidose, doenças metabólicas como a doença de Gaucher, ou tumores do pulmão”, adianta o especialista sublinhando que existem ainda alguns fatores de risco que podem predispor ao seu desenvolvimento, como é o caso da utilização de “fármacos supressores do apetite, medicamentos como o dasatinib ou produtos como a cocaína”.

Entre os principais sintomas, quase sempre inespecíficos, o especialista destaca: “falta de ar ou dispneia, fadiga, cansaço fácil, lipotimia ou sincope, precordialgia, edemas dos membros inferiores ou aumento do volume abdominal”. “O aparecimento destes sintomas em repouso é um sinal de doença avançada. Estes sintomas, como a dispneia, o cansaço de novo, a lipotimia, são sinais de alerta para o médico procurar o diagnóstico causal”, reforça.

Mais comuns no sexo feminino, estes sintomas surgem, habitualmente, entre os 35 e os 40 anos de idade. “Nas crianças com cardiopatia congénita aparecem mais cedo e, hoje, é comum os sintomas terem início na sexta década de vida”, adianta.

Quanto ao diagnóstico, Nuno Lousada, explica que este “é feito através de um conjunto de análises e exames como o RX do tórax, eletrocardiograma, as provas de função respiratória, a cintigrafia ventilação - perfusão, o angiotac do tórax e o ecocardiograma que é o exame mais importante; este exame informa a pressão sistólica da artéria pulmonar, permitido avançar no diagnóstico”. O diagnóstico definitivo, revela, chega após a realização de um cateterismo direito.

No que diz respeito ao tratamento, o especialista explica que se deve considerar “em primeiro lugar, a implementação de medidas gerais como atividade física e reabilitação regular, prevenção da gravidez, cuidados adequados em procedimentos cirúrgicos, prevenção de infeção, terapias gerais com oxigénio, uso de diuréticos, suporte social e enquadramento do doente num centro habilitado a tratar estes doentes”.

Relativamente à terapêutica instituída, revela que os doentes são tratados com “fármacos de ação vasodilatadora e que se dividem em 3 grupos: antagonistas dos recetores da endotelina, inibidores da fosfodiasterase tipo 5 e estimuladores da guanilato ciclase, e análogos ou agonistas dos recetores da prostaciclina. Estes fármacos são, em geral, usados em associação e, só raramente, são usados de forma isolada”.

“Nos doentes com tromboembolismo pulmonar crónico a cirurgia de tromboendarterectomia é a terapêutica indicada”, no entanto, acrescenta que a “angioplastia pulmonar é uma terapêutica invasiva complementar ou associada”.

Com a terapêutica pretende-se que “os doentes atinjam um padrão de baixo risco, com boa qualidade de vida, boa capacidade ao exercício, boa função do ventrículo direito e reduzida mortalidade”.

“O transplante pulmonar está indicado para os doentes que estão em classe 3 ou 4 da New York Heart Association apesar de todas as outras medidas terapêuticas”, adianta ainda.

Não obstante, e apesar de todos os avanços na área, Nuno Lousada revela que o principal desafio continua a ser “melhorar os resultados para uma melhor sobrevida e qualidade de vida do doente”.  A verdade é que a mortalidade e a morbilidade dos doentes com hipertensão pulmonar continuam elevadas.

«O transplante pulmonar nunca foi uma hipótese para mim devido à minha condição cardíaca»

Catarina Morais nasceu com uma cardiopatia congénita e foi submetida a uma cirurgia com apenas 6 meses de idade. Foi diagnosticada com Hipertensão Pulmonar quando tinha apenas 10 anos e com este diagnóstico veio a primeira desilusão: proibida de fazer qualquer exercício físico, teve desistir do sonho de entrar para as danças de salão.

Aos 13 anos deixou de andar de bicicleta porque não tinha fôlego. Tal como saltar à corda ou jogar à apanhada. Aos poucos, deixou de ter infância e já adolescente descobriu que não poderia concretizar outro grande sonho: ser mãe.

Hoje, com 36 anos, recorda que nunca se deu bem conta quando começaram a surgir os primeiros sintomas da doença. “Como já nasci com doença cardíaca, com uma cardiopatia congénita complexa cianótica e desde muito nova com asma nunca me dei muito a conta de como surgiu a hipertensão pulmonar”, começa por contar.

“Lembro-me de estar sempre nos hospitais de tentar se perceber o que mais teria, surgiram outras opções como por exemplo ter a doença do sangue azul, mas foi por volta dos 13 anos com um cateterismo que se chegou ao diagnóstico definitivo da hipertensão pulmonar”, adianta.

Revela que o cansaço e a falta de ar sempre a acompanharam e, mais tarde, já sabendo da existência da Hipertensão Pulmonar, passou a sofrer de múltiplas infeções respiratórias, o que a levava “a mais internamentos”.

“Nunca tinha ouvido falar desta doença e no início nem me dei conta da quão rara é, demorei muitos anos até encontrar outras pessoas com a mesma doença”, comenta, adiantando que apesar de ser seguida por “uma equipa fantástica, a equipa de cardiologia do Hospital Garcia de Orta”, a doença precisa ser mais conhecida. “Os médicos têm que ter mais informação, tanto a nível de médicos de família, porque são os que estão em primeiro contacto, e também nas urgências onde já passei algumas situações em que eu é que tinha que explicar o que se deveria fazer e quais os procedimentos a seguir uma vez que a informação sobre a doença era quase nenhuma.  A minha sorte foi sempre chegar consciente e com capacidade para explicar”, comenta.


"Há vários tipos de hipertensão pulmonar e como os sintomas são parecidos com outras doenças o diagnóstico acaba por ser tardio e o tempo no nosso caso é crucial”, revela Catarina Morais

Apesar de ter iniciado o tratamento com medicação oral, em 2014 começou a fazer a terapêutica por via subcutânea. “Tenho uma máquina ligada a mim 24h que me fornece a medicação necessária para minha sobrevivência, não foi fácil a adaptação ainda hoje não o é, mas me permite estar viva e isso para mim é o suficiente”, conta.

“Durante anos tive recomendação para fazer oxigénio 24h, mas nunca o aceitei só o fazia de noite, mas chegou uma altura em que não tive escolha e desde final de 2018 que faço oxigénio 24h além de ter um ventilador não invasivo em casa também. Então neste momento o meu tratamento consiste em medicação oral, subcutânea e oxigénio”, explica adiantando que, dada a sua condição cardíaca, o transplante pulmonar nunca foi considerado sequer uma hipótese no seu tratamento.

No dia a dia, diz, tenta fazer a sua vida da forma mais normal possível. “Tenho é que fazer as coisas com mais calma, ir descansando se me sentir cansada”, revela admitindo que teve de “aprender a respeitar o meu corpo e o meu tempo”.  “Não tenho nenhuma atividade que deixei de fazer porque nunca fiz muita coisa a nível físico devido já aos problemas de nascença. Os cuidados que tenho que ter é basicamente tomar a medicação de forma correta, levar as vacinas necessárias, ter o meu tempo de descanso, mas de resto tento ter uma vida normal”, explica.

Apesar de se tratar de uma patologia que condiciona, e muito, a qualidade de vida de quem dela sofre, Catarina afirma que não é uma sentença final. “A doença não nos define. Somos muito mais que a doença, somos pessoas com sonhos que nem todos podemos realizar é verdade, mas não desistimos apenas mudamos de sonho, nós temos valor, somos importantes e ainda podemos fazer muita coisa basta acreditar e lutar”, afiança.

“Não vou dizer que é fácil viver com esta doença porque não o é, não só para nós como para aqueles que convivem connosco, mas somos pessoas de força e de luta e esta é a nossa batalha diária”, acrescenta admitindo que muito embora a Hipertensão Pulmonar lhe tenha tirado muito, “muitos sonhos, muitos planos, nunca vai me tirar a alegria de viver porque apesar de tudo a vida vale a pena ser vivida”.

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