Opinião
Nos últimos 20 anos a saúde intestinal tem vindo a ocupar um lugar de destaque na esfera científica

Temos mais genes e células de origem microbiana do que de origem humana. Os genes humanos não mudam ao longo da vida, já os genes de origem microbiana mudam ao longo da nossa vida. A espécie humana evoluiu o que estes microorganismos nos permitiram evoluir como espécie.

A evolução deste conhecimento científico e médico, com aplicação clínica, vem colocar de parte a visão de patogenicidade associada às bactérias (noção de que todo o ‘bicho’ é mau).

O microbiota em 3 esferas: é responsável pela síntese de vitaminas, como vitamina K, folato, vitamina D, entre outras; exerce funções digestivas, resultando uma sintonia entre as funções das enzimas digestivas que são produzidas pelas células do aparelho digestivo, humanas, e as enzimas que são de origem bacteriana. Aqui fica já muito claro que alterações na composição deste ecossistema microbiano provavelmente terá impacto no processo digestivo, com falhas, o que pode levar a processos. E ainda exerce funções de regulação da expressão de genes, como por exemplo estimulam que células do intestino produzam GLP1 ou mesmo genes relacionados com a permeabilidade intestinal e ainda função do sistema imunitário. A imunotolerância que deve ser desenvolvida nos primeiros anos de vida desenvolve-se muito à custa de um microbiota intestinal competente: sistema imunológico, para a nossa defesa, deve saber reconhecer o que ‘é do próprio’, o que ‘não é do próprio’, e deste, o que é uma ameaça, e o que não é uma ameaça. Aliás, se há compromisso do desenvolvimento desta imunotolerância, podemos ter aqui uma relação com asma, dermatite atópica ou mesmo doenças autoimunes da vida adulta.

É particularmente fascinante o papel do microbiota intestinal na regulação do peso. Seja ao nível do controlo do apetite, atingir ou não a saciedade, como também se deve ao microbiota intestinal muitas das ‘decisões’ de prioridade metabólica, ou seja, se teremos mais ou menos estimulada a acumulação de gordura.

Desde o nosso nascimento, até à fase em que começamos a fazer diversificação alimentar, o microbiota vai passando por transições, muito dependentes da idade gestacional da nossa mãe, do tipo de parto (cesariana ou vaginal) e se alimentados com leite materno ou de fórmula. Nesta fase as diferenças interindividuais são grandes, mas aos 2-3 anos de vida, o microbiota atinge a sua composição de base, e as diferenças são menores. Ainda na infância, a vida urbana ou rural, com ou sem animais domésticos, com ou sem exposição a antibióticos e o tipo de alimentação praticada, têm impacto na forma como o microbiota é moldado. Outros fatores que se fazem sentir ao longo da vida, como o exercício físico (ou a falta dele), a alimentação, o stresse e alguma da medicação que tomamos, também têm impacto no nosso microbiota. Todo este conhecimento sublinha a importância do papel modulador que a dieta, e em particular os prebióticos (ingredientes ou alimentos que estimulam o crescimento e atividade das bactérias boas) e os probióticos (microrganismos que auxiliam na digestão e protegem o organismo contra as bactérias nocivas) podem exercer de benéfico neste contexto.

A disbiose é um desequilíbrio do microbiota intestinal em que existe alteração na quantidade e na distribuição de bactérias no intestino, que por sua vez pode provocar doenças como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares ou autismo.

Em suma, alterando a comunidade do nosso microbiota intestinal, através de prebióticos, probióticos, antibióticos ou, mesmo, o transplante de microbiota fecal, poderá vir a ser uma esperança no tratamento de diversas doenças.

Importa, assim, fazer o diagnóstico correto. Tudo se relaciona e nos faz refletir como muitas vezes o microbiota intestinal é negligenciado. Relacionar o microbioma com os mecanismos das doenças, numa visão mais holística, poderá ajudar na prevenção ou tratamento das principais causas de morte da atualidade.

 

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Sinais de alerta e cuidados a ter
A constipação é uma infeção aguda das vias respiratórias superiores muito comum nas crianças: crianç

As "constipações comuns" são causadas por vírus, sendo o rinovírus o mais comum; outros, como o coronavírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o vírus Influenza podem dar quadros semelhantes, embora com algumas particularidades, como a COVID19, a bronquiolite aguda e a Gripe, respetivamente.

As infeções respiratórias são mais frequentes no outono e inverno, resultado das características de circulação e sobrevivência dos vírus no meio ambiente "frio" típico destas épocas.

A transmissão ocorre diretamente por inalação de partículas infetadas transmitidas "pessoa-a-pessoa", ou por auto-inoculação dos vírus na mucosa respiratória após contacto com pessoas ou objetos contaminados. É importante lembrar que os vírus podem persistir vivos em superfícies até 2 horas, daí a importância de higienizar bem também objetos partilhados ou em contacto frequente entre pessoas!

Nas crianças, a proximidade e o contacto físico mais frequente entre os pares, a frequência em locais com maior circulação de vírus (ex. infantário), e a sua imaturidade imunológica aumentam a frequência da infeção.

Sintomas e evolução

Num quadro "típico", os sintomas têm início ~24-72h após a inoculação, são variados, e dependem da imunidade de cada criança.

Entre eles temos, mais frequentemente, a congestão nasal ("nariz entupido", "espirros" e "pingo/ranho no nariz") e ocular ("olhos vidrados/molhados"), a tosse, e a febre, que habitualmente cede bem ao antipirético e resolve em até 3 dias.

Assim, na maioria dos casos, o quadro é ligeiro - com "pico de gravidade" no 2º-3º dia -, e autolimitado - com melhoria gradual e espontânea (sem tratamento) até aos 10-14 dias. No entanto, a tosse pode persistir mais tempo, resolvendo habitualmente em 3-4 semanas.

 

Tratamento

Os aspetos mais importantes no tratamento das infeções respiratórias víricas são aliviar os sintomas - promovendo o bem-estar da criança - e não tratar o vírus em si.

Entre as medidas mais eficazes destacam-se:

  • a desobstrução nasal (ex. lavagem e aspiração nasal com soro fisiológico);

  • a elevação da cabeceira da cama a 30º;

  • a hidratação e nutrição adequadas;

  • o paracetamol, se tiver febre;

  • e, potencialmente, o ar frio humidificado e o mel (>24m).
     

Convém relembrar que nestas situações, dada a natureza vírica da infeção "base", os antibióticos não são indicados por rotina, ficando reservados para o tratamento de complicações associadas a sobreinfeção por bactérias (infeção bacteriana "por cima" da vírica inicial).

 

Sinais de alerta

Apesar da evolução habitualmente benigna, é importante vigiar sinais de gravidade ou complicação na presença dos quais a criança deverá ser observada em contexto urgente; são eles:

  • febre alta (>39ºC retal), com dificuldade em ceder ao antipirético, ou persistente (sem melhoria ao final de 72h);

  • sinais de dificuldade respiratória (respiração acelerada, "covinhas" nas costelas/pescoço, adejo nasal (abrir e fechar das narinas), pieira ("chiadeira" na respiração"));

  • recusa alimentar ou da hidratação importantes;

  • alteração no estado geral (irritabilidade ou prostração);

  • ou outros sinais que suscitem preocupação dos cuidadores.

 

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Prevenção

As medidas comprovadamente eficazes na prevenção da constipação e que podemos ensinar aos nossos pequenos são:

  • a lavagem frequente das mãos com água e sabão;

  • a desinfeção das mãos e superfícies com solução de álcool;

  • as regras de "etiqueta respiratória";

  • e limitar o contacto com pessoas doentes.
     

Não é recomendada a evicção escolar se o quadro for ligeiro e a criança estiver bem!

 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
10 anos de Hospitalização Domiciliária em Portugal
A Hospitalização domiciliária (HD) representa uma modalidade assistencial que combina a complexidade

A importância da literacia em saúde na HD

Ao longo destes dez anos de atividade em Hospitalização Domiciliária, temos testemunhado diariamente o impacto transformador da literacia em saúde.

Cuidar em casa implica uma participação mais ativa do doente e da sua rede de apoio — cuidadores e familiares — no processo terapêutico. Promover a literacia em saúde é, por isso, valorizar o papel da família e do cuidador, prevenindo a rejeição, o abandono e a institucionalização, e reforçando a autonomia e a dignidade de quem cuidamos.

A comunicação entre os profissionais de saúde e o doente adquire uma dimensão ainda mais delicada e atenta. A linguagem técnica, frequentemente utilizada nas instituições de saúde, precisa ser adaptada para um discurso claro e culturalmente adaptado ao doente e aos familiares presentes. Assim, os profissionais devem estar capacitados para avaliar o nível de literacia dos doentes e cuidadores e ajustar as suas estratégias de comunicação, de forma personalizada.

Tecnologias de apoio à literacia

O recurso a tecnologias de informação e comunicação em saúde (eHealth), como o uso de aplicações móveis, plataformas de telemonitorização, vídeos e sistemas de mensagens instantâneas, podem apoiar a gestão da informação e facilitar o contacto entre a equipa de saúde e o doente.  Estas ferramentas digitais, quando bem aplicadas, reforçam a autonomia e a confiança do doente, além de promoverem uma comunicação mais eficaz e contínua entre os intervenientes.

O papel educativo da equipa de HD

A equipa da HD assume um papel educativo essencial. Nas visitas diárias são prestados não apenas cuidados clínicos, mas também momentos de aprendizagem, reforçando a autonomia do doente e a confiança da família.  A literacia em saúde é entendida como um processo contínuo e flexível, ajustado às necessidades e ao ritmo de aprendizagem de cada pessoa. A empatia e o respeito são tão importantes quanto a técnica.

A  literatura demonstra que a HD está associada a uma redução dos custos na ordem dos 26,5%, a uma diminuição das infeções hospitalares e da mortalidade em cerca de 38% em 6 meses. Mas mais do que números, são as histórias humanas que confirmam o valor deste modelo: famílias mais confiantes, cuidadores mais capacitados e doentes mais envolvidos no seu processo de recuperação.

Desafios e estratégias práticas

É indiscutível que o sucesso dessa modalidade de internamento depende fortemente do nível de literacia em saúde dos envolvidos, ou da recetividade para adquirir conhecimento,  já que o doente e os cuidadores tornam-se corresponsáveis pela execução de procedimentos, monitorização de sinais e comunicação com a equipa de saúde.

É frequente encontrarmos famílias com baixa literacia académica, mas com enorme disponibilidade afetiva para cuidar. Ensinar, reforçar e acompanhar são atos profundamente gratificantes. À data da alta, estas famílias estão quase sempre mais fortes, mais autónomas e mais seguras. Quando necessário, prolongamos o internamento para consolidar ensinos e garantir segurança. Estes ganhos são incalculáveis, tanto no plano individual, como no social.

Dimensões da literacia em saúde na HD

A literacia em saúde na HD assenta em quatro dimensões essenciais: a capacidade de aceder à informação, compreender as orientações clínicas, aplicar o conhecimento na prática quotidiana e manter a motivação para aprender. Esta última dimensão, embora menos formalmente descrita na literatura, é determinante, pois o envolvimento emocional e a vontade de aprender são motores essenciais da recuperação.

Os desafios variam com a idade, o contexto sociocultural, o nível educacional e as condições habitacionais. As equipas de médicos e enfermeiros procuram dar resposta a estas limitações de forma individualizada. Por vezes, é necessário simplificar esquemas terapêuticos com administrações únicas diárias, adaptando horários à disponibilidade da vizinha do lado, utilizar imagens representativas nos recipientes dos medicamentos, realizar ensinos de cuidados no leito ou propor adaptações nos quartos, para facilitar a prestação dos cuidados e reduzir o risco de quedas.

São muitas as histórias que refletem a criatividade e a proximidade da HD. Recordamos, por exemplo, um doente com necessidade crónica de broncodilatadores, cuja filha, cuidadora principal, era invisual. Os ensinos foram dirigidos ao neto de nove anos, que assumiu com orgulho e competência a administração do tratamento. Este caso mostra como a hospitalização domiciliária se molda à realidade de cada família e promove a literacia funcional desde cedo.

O papel dos cuidadores informais

A capacitação dos cuidadores informais é um pilar essencial. Cuidadores formados e apoiados contribuem para prevenir agudizações, reduzir internamentos e aliviar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde. A sua ação diária — gerir a medicação, apoiar na alimentação, higiene e cuidados básicos — é decisiva para a qualidade de vida do doente. Além do cuidado físico, prestam também apoio emocional e social, tornando-se parte integrante do processo terapêutico.

Promoção e políticas de literacia em saúde

Promover a literacia em saúde em contexto de HD exige uma abordagem global. É necessário que a educação em saúde seja reconhecida politicamente como componente essencial do plano terapêutico e da sustentabilidade do sistema de saúde. A formação dos profissionais deve incluir competências pedagógicas e de comunicação, e as Unidades de HD devem continuar a criar materiais educativos acessíveis, programas de capacitação de cuidadores e indicadores que permitam avaliar o impacto desta aposta.

A transição de um modelo centrado no hospital para um modelo centrado no doente, na família e na comunidade é um caminho de futuro. A literacia em saúde é o alicerce desse percurso — o que transforma cuidados em conhecimento, e conhecimento em autonomia.

Em suma, ao celebrar dez anos de Hospitalização Domiciliária, celebramos também uma década de confiança, proximidade e partilha de saberes. Investir na literacia em saúde no contexto da hospitalização domiciliária é investir na sustentabilidade do SNS, na dignidade dos doentes e na construção de uma sociedade mais informada, solidária e saudável.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
19 de novembro – Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)
Assinala-se a 19 de novembro o Dia Mundial da DPOC, uma doença prevenível, tratável, mas que representa uma das principais...

- O que é a DPOC?

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença respiratória crónica caracterizada pela obstrução persistente e progressiva das vias aéreas, que dificulta a passagem do ar. Associa-se normalmente a inflamação, produção excessiva de muco e a destruição dos alvéolos. É uma doença prevenível e tratável, ainda que subdiagnosticada.

 

- Como se manifesta?

Os sintomas são, muitas vezes, desvalorizados no início por se atribuírem a outras causas como o tabaco ou a idade, por exemplo. Normalmente, as pessoas com DPOC queixam-se de falta de ar, inicialmente para esforços, mas que se vai acentuando e até poder surgir em repouso. Referem também tosse crónica, com expetoração persistente, fadiga e, ocasionalmente, pieira. Com o evoluir da doença pode manifestar-se por agudizações frequentes (crises de falta de ar e tosse agravadas face o habitual), muitas vezes associadas a infeções respiratórias.

 

- Quais os principais fatores de risco?

O principal fator de risco é o tabagismo, mas está longe de ser o único. A exposição a poluição (lareiras e fogueiras a lenha, químicos inalados no trabalho) e mesmo poluição atmosféricas são também fatores de risco para DPOC. Pode também surgir DPOC por características próprias do indivíduo como suscetibilidade genética, infeções respiratórias na infância, prematuridade ou até mesmo desenvolvimento pulmonar anormal.

 

- É uma doença potencialmente fatal?

Sim. A DPOC é uma das principais causas de morte no mundo, sendo que a mortalidade aumenta quando não é diagnosticada nem adequadamente tratada, quando existem exacerbações frequentes e também quando estão presentes outras doenças graves concomitantes, como a doença cardíaca por exemplo. Contudo, com diagnóstico precoce, cessação tabágica e tratamento adequado, é possível viver muitos anos com boa qualidade de vida.

 

- De que forma tem impacto na qualidade de vida dos doentes?

A DPOC limita progressivamente a capacidade para atividades do dia a dia, essencialmente pela magnitude dos sintomas como a falta de ar e o cansaço.  Os doentes começam a ter dificuldade de realização de tarefas básicas como subir escadas, andar ou trabalhar. Esta limitação pode também associar-se a uma ansiedade e limitação de tal ordem que faça com que os doentes nem tenham vontade de sair de casa. Também as exacerbações repetidas, muitas delas com necessidade de hospitalização, não só interferem muito com a qualidade de vida dos doentes, mas também aceleram o declínio da função pulmonar.

 

- Em que consiste o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se na identificação de indivíduos com fatores de risco, presença dos sintomas respiratórias e/ou agudizações frequentes já mencionados e, finalmente, na realização de uma espirometria, que é o exame que permite estabelecer o diagnóstico.

 

- O que é uma espirometria?

A espirometria é um exame da função respiratória, não invasivo (não causa dor nem desconforto) e que pretende medir a quantidade de ar que a pessoa consegue inspirar e expirar, bem como a velocidade com que o ar sai dos pulmões. Na prática, o doente sopra o mais forte e rápido possível para um aparelho (espirómetro).  É essencial para o diagnóstico e permite também avaliar a gravidade e monitorizar a evolução.

 

Opinião
A prática dos cuidados de enfermagem dirige-se a pessoas, famílias, grupos e à comunidade.

A Missão Estratégica das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC)

As UCC surgem no âmbito da reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e representam uma das unidades funcionais das Unidades Locais de Saúde (ULS). A sua atividade é desenvolvida com autonomia organizativa e técnica, em intercooperação com as demais unidades funcionais, exigindo também articulação interinstitucional e intersetorial para o cumprimento da sua missão.

A missão central da UCC é contribuir para a melhoria do estado de saúde da população da sua área geográfica de intervenção, visando a obtenção de ganhos em saúde, cumprindo, assim, de modo direto, a missão da ULS em que se integra.

As UCC são concebidas para assegurar respostas integradas, articuladas, diferenciadas e de grande proximidade às necessidades em cuidados de saúde da população onde estão inseridas.

As principais atribuições das UCC no contexto da comunidade são:

1. Prestar cuidados de saúde e apoio psicológico e social;

2.  Intervir no âmbito domiciliário e comunitário;

3. Focar a intervenção especialmente em pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que exija acompanhamento próximo;

4. Atuar na educação para a saúde;

5. Promover a integração em redes de apoio à família e a implementação de unidades móveis de intervenção.

O trabalho da UCC rege-se por princípios fundamentais, incluindo a Cooperação, exigida a todos os elementos da equipa para concretizar a acessibilidade, globalidade e continuidade dos cuidados; a Solidariedade e trabalho de equipa; a Autonomia; a Articulação com as outras unidades funcionais da ULS (como as USF, UCSP e USP); e a Parceria com estruturas da comunidade local (autarquias, segurança social, IPSS e associações).

A Carteira de Serviços das UCC deve ser definida considerando o diagnóstico de saúde da comunidade e as estratégias de intervenção definidas no Plano Nacional de Saúde (PNS), focando-se na coordenação efetiva entre os programas em desenvolvimento.

 

O Dever Deontológico do Enfermeiro para com a Comunidade (Artigo 80.º)

A prática de enfermagem na UCC está intrinsecamente ligada ao “Dever para com a Comunidade”, consagrado no Artigo 80.º do Código Deontológico do Enfermeiro. O enfermeiro assume a responsabilidade para com a comunidade na promoção da saúde e na resposta às necessidades em cuidados de enfermagem.

Este dever baseia-se na premissa de que a prática do enfermeiro se dirige a pessoas e grupos, sendo o grupo comunidade um foco de atenção. Por outro lado, os resultados dos cuidados prestados a indivíduos e famílias repercutem-se na comunidade.

Os deveres específicos para com a comunidade impõem que o enfermeiro:

1. Conheça as necessidades da população e da comunidade onde está inserido: Isto implica usar instrumentos adequados para a identificação do estado de saúde, baseando-se em dados existentes (idade, género, estatísticas) e na produção de novos dados (crenças, valores, recursos e capacidades);

2. Participe na orientação da comunidade e na busca de soluções para os problemas de saúde detetados: Esta participação é uma ação colaborativa, interagindo ativamente na busca de soluções, funcionando como parceiro na mudança e catalisador, respeitando a cultura local e capacitando a comunidade para o autocuidado e o controlo da sua saúde e ambiente;

3.  Colabore com outros profissionais em programas que respondam às necessidades da comunidade: Esta colaboração deve ser mais estreita com profissionais de disciplinas afins (multidisciplinar) para atuar sobre os fatores psicológicos, sociais, económicos e ambientais que influenciam a saúde. Esta perspetiva multidisciplinar ou transdisciplinar visa melhorar a qualidade de vida da população.

 

A Excelência do Exercício e a Responsabilidade Profissional

A concretização da missão da UCC e o cumprimento do dever para com a comunidade exigem a excelência do exercício profissional.

O enfermeiro adota o papel de “advogado do cliente”, defendendo a pessoa humana de práticas que contrariem a lei, a ética ou o bem comum. A prática na comunidade exige a capacidade de assumir responsabilidade e o compromisso para com as necessidades de saúde, focando-se na promoção da saúde, prevenção da doença e prestação de cuidados.

O enfermeiro, ao prestar cuidados, assume o dever de coresponsabilizar-se pelo atendimento do indivíduo em tempo útil, de forma a não haver atrasos no diagnóstico da doença e respetivo tratamento.

A UCC, ao intervir no âmbito comunitário e numa lógica de base populacional, assegura a defesa e proteção dos direitos das pessoas através dos cuidados de enfermagem, garantindo a sua qualidade.

Em suma, a UCC é uma unidade orgânica por excelência que permite aos enfermeiros operacionalizar o seu dever deontológico para com a comunidade, agindo de forma autónoma e complementar na identificação das necessidades de saúde da população e na implementação de soluções integradas, garantindo que os cuidados de enfermagem são prestados em proximidade, segurança e excelência.

 

Referências Bibliográficas

Cândido, A. F., Máximo, J., Cardoso, M., Cardoso, N., Gouveia, N., & Oliveira, N. (2012). Deveres para com a comunidade. Percursos, 23, 16–17.

Gabinete do Secretário de Estado da Saúde. (2009). Despacho n.º 10143/2009: Regulamento da Organização e Funcionamento da Unidade de Cuidados na Comunidade. Diário da República, 2.ª série — N.º 74 (16 de abril de 2009).

Ordem dos Enfermeiros – Conselho Jurisdicional. (2015). Deontologia Profissional de Enfermagem (Edição de 2015). Ordem dos Enfermeiros. (Originalmente elaborada no mandato 2008–2011 e adotada pelo Conselho Jurisdicional no mandato 2012–2015).

 

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SPPCV promove
A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) realiza, no próximo dia 29 de novembro de 2025, mais uma edição...

Esta iniciativa visa promover a atualização científica e o debate multidisciplinar sobre as lesões traumáticas da coluna vertebral, um dos temas mais desafiantes e complexos na prática clínica ortopédica e neurocirúrgica. O programa inclui apresentações de vários especialistas nacionais que abordarão situações clínicas de maior controvérsia, como as fraturas complexas da charneira occipitocervical, a fratura da odontóide no idoso, a fratura-luxação F3 das facetas cervicais, as estratégias cirúrgicas nas fraturas da transição cervicodorsal, as fraturas não contíguas da coluna e as fraturas burst com lesão neurológica incompleta. Serão ainda analisadas as opções terapêuticas em casos de fratura metastática instável com prognóstico limitado e os critérios de revisão cirúrgica em situações de falência precoce da instrumentação.

De acordo com Ricardo Rodrigues-Pinto, coorganizador do evento, “as lesões traumáticas da coluna continuam a levantar grandes desafios clínicos e éticos, tanto na decisão de operar como na escolha da técnica mais adequada. Este encontro pretende proporcionar um espaço de partilha e reflexão sobre estas decisões complexas, apoiado na evidência científica mais recente e na experiência prática dos profissionais portugueses.”

Por sua vez, Jorge Alves sublinha que “a SPPCV mantém o seu compromisso com a formação médica contínua e a promoção do conhecimento científico. Este tipo de programas é essencial para reforçar a qualidade e a segurança dos cuidados prestados aos doentes com patologia da coluna vertebral.”

O Programa de Educação e Atualização em Patologia da Coluna é uma iniciativa regular da SPPCV, destinada a médicos especialistas e internos de Ortopedia, Neurocirurgia e áreas afins, que procura fomentar o debate técnico e clínico sobre temas relevantes e emergentes da especialidade.

 

Dias 28 e 29 de novembro
"Um Rumo para a Saúde" será o tema central do 28º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos que decorrerá nos dias 28 e...

Dois dias de debate da comunidade médica nacional com sessões dedicadas à sustentabilidade do sistema de saúde, à valorização da profissão médica, à inovação científica e tecnológica e à defesa da qualidade e da equidade no acesso aos cuidados.

O congresso "traduz a ambição de encontrar caminhos claros e sustentáveis para um sistema de saúde que responda às necessidades dos cidadãos, valorize os profissionais e incorpore a inovação científica e tecnológica sem perder de vista a centralidade da pessoa", afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

Trata-se, de acordo com o Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Manuel Teixeira Veríssimo, e anfitrião do congresso de "uma oportunidade para reafirmarmos o papel da Medicina como pilar da sociedade, para fortalecer os laços profissionais e para construirmos juntos soluções que coloquem o doente no centro dos cuidados".

Mais informações: https://www.congressonacionalom.pt/

 

Dia Europeu do Antibiótico assinala-se a 18 de novembro
Interromper o tratamento porque “já nos sentimos melhor”, tomar antibióticos para constipações, recorrer a medicação que ficou...

De acordo com Luís Miguel Farias, coordenador da Licenciatura em Farmácia na ESSATLA, estes erros repetem-se de forma persistente na prática clínica. A interrupção precoce do tratamento, uso sem receita ou automedicação, a partilha de medicamentos, a utilização de antibióticos para infeções virais e a toma em doses ou durações incorretas são, segundo o especialista, fatores que fragilizam o tratamento e alimentam um ciclo de ineficácia crescente. “Estes comportamentos, que muitas vezes resultam de desinformação ou falsa sensação de segurança, têm impacto direto na resistência antimicrobiana e devem ser eliminados da prática quotidiana”, sublinha.

O alerta surge num contexto em que Portugal continua acima da média europeia no consumo de antibióticos. Entre 2019 e 2023, o país registou um aumento de 2%, o dobro do aumento médio na União Europeia, de acordo com dados do Infarmed e da DGS. Paralelamente, embora algumas resistências tenham diminuído nos últimos anos, outras continuam a crescer: casos como Klebsiella pneumoniae (bactéria que pode causar complicações como pneumonia, endocardite e meningite) resistente a carbapenémicos (grupo de antibióticos de largo espectro) evidenciam um cenário que exige vigilância constante e políticas de uso racional cada vez mais conscientes.

A automedicação, embora não massiva, permanece documentada em estudos nacionais que apontam para prevalências entre 4% e 19% na população adulta, consoante a região analisada. Também a prescrição inadequada, sobretudo no ambulatório e em alguns contextos pediátricos, continua a ser um problema reconhecido por entidades reguladoras e sociedades científicas, associando-se frequentemente ao tratamento de infeções virais, à escolha inadequada do antibiótico ou à duração ou dosagem incorretas.

Para o coordenador, os profissionais de farmácia têm um papel essencial na sensibilização e educação da população, atuando como primeira linha junto da comunidade, promovendo uma maior literacia em saúde. “A intervenção dos profissionais de farmácia é determinante. A formação técnica dos profissionais e o aconselhamento informado e personalizado são medidas que reduzem significativamente o risco de utilização indevida”, defende Luís Miguel Farias.

Ao assinalar o Dia Europeu do Antibiótico, a ESSATLA reforça a necessidade de promover a literacia em saúde e de práticas de prescrição responsáveis, lembrando que a resistência antimicrobiana permanece como uma das maiores ameaças globais identificadas pela Organização Mundial da Saúde.

Novo episódio de “Conversa sobre Diálise”
Edgar Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), é o convidado do mais recente episódio do podcast “À...

“O envelhecimento da população pode explicar parte destes números, mas o principal problema está no controlo insuficiente de fatores de risco, como a obesidade e a hipertensão arterial, sobretudo nos cuidados de saúde primários. Temos muitos fatores de risco identificados, mas não estamos a agir de forma eficaz na prevenção primária. A missão da SPN é também investigar estas causas e intervir”, afirma Edgar Almeida.

O presidente da SPN lamenta que o último Plano Nacional de Saúde não tenha qualquer referência à doença renal, apesar de esta afetar cerca de 1 em cada 10 portugueses. “Já manifestámos essa preocupação junto das entidades competentes”, acrescenta.

Durante o episódio, revela ainda que a SPN está a trabalhar em parceria com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar para definir uma estratégia nacional de rastreio precoce da doença renal crónica.

O podcast “À conversa sobre Diálise” comemora o 40.º aniversário da ANADIAL e tem como objetivo abordar a evolução do tratamento da doença renal crónica ao longo das últimas quatro décadas. Convida mensalmente um especialista para debater temas relevantes para doentes renais, profissionais de saúde e o público em geral.

O episódio já está disponível nas plataformas YouTube e Spotify.

 

Opinião
Há algo de misterioso em saber que não começamos do zero.

O corpo sabe de coisas que a mente desconhece. Será que algumas emoções que sentimos não são totalmente nossas? A ciência chama-lhe epigenética: o estudo de como as experiências de vida deixam marcas químicas no ADN, influenciando a forma como os genes se expressam, sem alterar a sequência genética. Em 2013, um estudo da Universidade de Emory mostrou que ratos expostos a um cheiro associado a um choque elétrico tiveram filhos e netos que também reagiam com medo ao mesmo odor, sem nunca o terem experienciado. Em humanos, a investigação de Rachel Yehuda (Mount Sinai, 2015) encontrou alterações epigenéticas em descendentes de sobreviventes do Holocausto, nos genes ligados ao stresse e ao cortisol. A vida parece escrever nas margens da biologia: herdamos não apenas genes, mas tonalidades emocionais, modos de reagir, silêncios aprendidos antes de nascermos. Há, em cada um de nós, a memória de uma sobrevivência antiga.

 

“Da minha infância não me lembro de nada.”

“O meu corpo reage antes de eu perceber porquê.”

“Tenho a sensação de já ter vivido isto noutro lugar.”

 

Talvez o corpo se recorde do que a mente não pode lembrar. Podem existir sintomas que são formas antigas de falar. A psicossomática reflete que o corpo é o palco onde o invisível se torna visível: nas dores sem causa médica, nas insónias que guardam medo, nas alergias ou sintomas que surgem quando a alma não tem voz. Estudos na neurobiologia do trauma (Bessel van der Kolk, 2014) revelam que experiências traumáticas alteram a forma como o corpo regula as emoções e armazena as memórias. O sintoma torna-se então uma linguagem: um pedido de legenda. O que nos dói sem razão aparente poderá ser uma história à espera de ser escutada e traduzida?

A ciência é prudente. Confirma a transmissão de marcas epigenéticas, mas não fala de memórias conscientes. Ainda assim, a psicanálise há muito reconhece essa herança invisível - os segredos, as culpas e os medos familiares que atravessam gerações. Como dizia Françoise Dolto, “o que não é simbolizado numa geração é vivido na seguinte.” Entre a epigenética e o inconsciente relacional parece existir uma mesma linguagem: a do indizível que procura forma. Quantas vezes o corpo fala quando as palavras não chegam?

Talvez o futuro da compreensão humana esteja em unir o que antes parecia separado: a biologia e a emoção, o gene e a história, o corpo e a consciência. A memória genética poderá revelar até que ponto o nosso comportamento é moldado não apenas pelas experiências que vivemos, mas também pelas marcas emocionais e biológicas herdadas. Mostra-nos que cada pessoa é um ponto de encontro entre o passado e o presente — entre o que o ADN escreve e o que a vida pessoal reescreve.

O corpo é a nossa primeira casa, e a infância (a nossa e a dos antepassados) — mesmo quando não nos lembramos dela — é a casa a que voltamos sempre. Perceber essa herança pode transformar a forma como entendemos as emoções, os traumas e os padrões que se repetem. Ao reconhecer as histórias que o corpo traz consigo, abrimos espaço para uma psicologia mais integrada: aquela que acolhe tanto o que é vivido como o que é herdado. Escutar a memória genética e afetiva é aprender a ler o corpo como se lê um diário antigo: com respeito, paciência e curiosidade. Porque só quando reconhecemos o passado que vive em nós é que podemos ter a liberdade de escolher um futuro verdadeiramente novo. No futuro, talvez compreender e curar o humano passe por escutar essa memória silenciosa e transformar o que herdámos em consciência, para que o que antes era repetição se torne, finalmente, escolha.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Associação Portuguesa do Cancro no Cérebro
A Associação Portuguesa do Cancro no Cérebro (APCCEREBRO), em parceria com a farmacêutica Servier, acaba de lançar o estudo ...

O estudo tem como objetivo caracterizar a experiência de vida, o impacto clínico, social e emocional da doença, bem como identificar as principais barreiras e necessidades não satisfeitas ao longo de todo o percurso assistencial. Para tal, está a ser conduzido um inquérito nacional dirigido a doentes, familiares e cuidadores, combinando análise quantitativa e qualitativa dos dados recolhidos.

Esta iniciativa reforça o compromisso da APCCEREBRO com a produção de evidência científica que apoie a formulação de políticas públicas mais eficazes e a melhoria contínua dos cuidados de saúde dirigidos às pessoas com tumores cerebrais.

 “É fundamental recolher dados concretos sobre a experiência das pessoas que vivem com glioma. Só conhecendo a sua realidade poderemos construir respostas informadas, humanas e sustentáveis, em estreita coordenação com os profissionais e entidades de saúde, para melhorar a qualidade de vida destes doentes e das suas famílias”, afirma Renato Daniel, Presidente da APCCEREBRO.

O inquérito do estudo “Viver com Glioma 2025” está disponível para preenchimento nas redes sociais e canais digitais da APCCEREBRO até ao final de novembro.

A Associação apela à participação de todos os doentes, familiares e cuidadores, de forma a garantir uma amostra representativa e cientificamente robusta que permita compreender, com profundidade, a realidade de quem vive com esta doença em Portugal.

 

Orçamento do Estado para 2026
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) enviou a todos os grupos parlamentares uma carta, na qual alerta para a...

A APCP considera essencial que esta medida seja alargada a todas as famílias de crianças com doença crónica complexa e com necessidades paliativas. De acordo com a presidente da APCP, Catarina Pazes, “este apoio não deve ser condicionado pelo tipo de doença, já que as famílias destas crianças enfrentam os mesmos desafios emocionais, sociais e económicos que aquelas cujos filhos têm doença oncológica”. E acrescenta: “a limitação do apoio a apenas a um grupo de diagnóstico introduz, assim, uma injustiça inaceitável, contrariando o princípio de equidade no acesso aos apoios sociais e de saúde.”

A Associação apela, por isso, “a todas as bancadas parlamentares e ao Governo que garantam justiça e equidade na aplicação desta medida, assegurando que o aumento do subsídio para assistência a filhos abrange todas as situações de crianças e adolescentes com doença crónica complexa com necessidades paliativas”, reforça Catarina Pazes.

Em Portugal, estima-se que cerca de 8000 crianças e adolescentes vivam com doenças graves, progressivas e/ou incuráveis, com necessidade de apoio de equipas de cuidados paliativos durante a sua trajetória. Além da doença oncológica, muitos outros grupos inserem-se neste texto, nomeadamente doenças neurológicas, metabólicas, genéticas, cardíacas, entre outras. São, em grande parte, crianças e adolescentes que necessitam de cuidados permanentes, internamentos prolongados e uma presença constante dos cuidadores principais, durante vários anos, podendo, inclusivamente, alcançar a idade adulta.

A APCP saúda a recente proposta dos partidos PSD e CDS-PP de aumento para 100% do subsídio para assistência a filhos com doença oncológica, mas considera imprescindível que a medida inclua todas as situações de crianças e adolescentes com doença crónica complexa com necessidades paliativas. Está, por isso, totalmente disponível para colaborar tecnicamente com os grupos parlamentares e com o Governo, na definição clara e fundamentada dos critérios de elegibilidade e no desenho de políticas públicas mais justas e sustentáveis, que protejam todas as crianças e adolescentes com doença crónica complexa e as suas famílias.

Catarina Pazes conclui que “só assim será possível construir uma resposta verdadeiramente centrada na criança e na família, conforme os princípios que regem o Serviço Nacional de Saúde e a Convenção sobre os Direitos da Criança, que Portugal subscreveu”.

 

Opinião
A 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes, o lema lançado pela Federação Internacional

Falar em Diabetes e Bem Estar, sendo a Diabetes uma doença crónica, poderá até   parecer contraditório ou mesmo controverso, mas na realidade não poderá uma pessoa com Diabetes alcançar o Bem Estar? O equilíbrio e controle sobre a sua doença que lhe permitirá viver com Qualidade?

Quando abordamos a Diabetes enquanto doença o objetivo principal é tratá-la.  Alcançar um bom controle metabólico por forma a melhorar o estado de saúde da pessoa.  Reduzir todas as implicações nefastas que a Diabetes possa incutir no seu estado de saúde. Permitir que tenham um dia-a-dia semelhante a qualquer outra pessoa que não padeça de doença é a meta final desta abordagem.

Sendo que todos nós passamos a maioria do nosso dia no local de trabalho, este deverá, ter e ser, um ambiente promotor do nosso equilíbrio.   O local onde trabalhamos deve-se apresentar como um local seguro, que inspire confiança, que desafie e que permita evolução para todos.

Quando ao nosso lado, temos, como colega de trabalho, uma pessoa com uma doença crónica, como por exemplo a Diabetes, devemos ter alguns conhecimentos básicos sobre a mesma por forma a que possamos colaborar na obtenção de Saúde do nosso colega e eventualmente de toda a equipa de trabalho.

Não discriminar, mas sim incluir, fazendo escolhas que permitam a participação de todos nas mais diversas atividades, sejam laborais ou até mesmo de lazer em equipa.  

O próprio empregador ser um veículo promotor de literacia em saúde aos seus trabalhadores.

No caso da Diabetes, o conhecimento de noções básicas de atuação por exemplo numa hipoglicemia, pode prevenir acidentes e tornar o ambiente de trabalho mais seguro.

Ter em conta alguns fatores que podem contribuir para a obtenção de um adequado controle metabólico, como o trabalho por turnos que habitualmente está associado a um pior controle, o tipo de ementa que se disponibiliza no refeitório ou períodos de descanso para que possa fazer a terapêutica, devem ser considerados para estes trabalhadores, sendo que o benefício não se extingue neles.

As novas classes farmacológicas, bem como as insulinas mais recentes, que são mais estáveis e eficazes permitem um melhor controle metabólico com uma redução significativa do risco de efeitos secundários negativos nomeadamente de hipoglicemias que são habitualmente o efeito secundário mais temido em meio laboral por colocar em causa a segurança da pessoa. O desenvolvimento tecnológico de vários dispositivos para o controle da doença, nomeadamente o controle da glicemia, como os sistemas de monotorização continua de glicemia, que permitem um controle “ao momento” com alarmes vários e sistemas de predição introduziram um ambiente de segurança à pessoa com diabetes.

Tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo, mais abrangente, mais seguro e portanto, tranquilizador para toda a equipa, pessoas com diabetes e pessoas sem diabetes, permitirá alcançar um ambiente de Bem Estar para todos e certamente aumentar a Eficácia e a Efetividade de toda a Equipa de trabalho que é o objetivo no final do dia.

A realização laboral, e naturalmente pessoal, com o sentimento do dever cumprido será um dos motivos que contribuem para o Bem Estar da Pessoa com Diabetes. 

Para que a Pessoa com Diabetes obtenha este  Bem Estar, é fundamental encontrar  e manter o equilíbrio entre o Ser Físico, Social e Mental em todas as suas vertentes, individuais e coletivas, sendo que cada um de nós pode e deve contribuir para tal.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Diabetes & Bem-Estar
No dia 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes, uma data criada pela Federação Internac

A diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue, resultantes da deficiência na produção ou na ação da insulina. Embora existam diferentes tipos de diabetes, todos requerem uma gestão contínua que envolve monitorização da glicemia, alimentação equilibrada, prática de exercício físico e, muitas vezes, toma de medicação. Quando não controlada, pode causar complicações graves, como doenças cardiovasculares, renais, oculares e neuropatias. Em Portugal, estima-se que cerca de 13% da população adulta tem diabetes, sendo que muitos casos permanecem por diagnosticar.

Impacto da Diabetes no Local de Trabalho

O estigma pode manifestar-se de várias formas: comentários depreciativos, falta de compreensão sobre a doença, desconfiança em relação à capacidade profissional da pessoa com diabetes ou até mesmo a ausência de condições adequadas para gerir a sua saúde durante o horário laboral. Por exemplo, colaboradores com diabetes podem ser criticados por necessitarem de comer fora de horas, medir a glicemia ou administrar insulina. Outros podem sentir-se forçados a esconder a sua condição por receio de discriminação ou de serem vistos como “menos capazes”. Estas situações geram ansiedade, isolamento e menor adesão ao tratamento, comprometendo tanto o bem-estar individual como o ambiente organizacional.

O ambiente de trabalho é onde grande parte da vida adulta se desenvolve, e é um ponto estratégico para promover o bem-estar. O estigma, a falta de compreensão e a discriminação no ambiente de trabalho podem dificultar a gestão da doença e afetar o bem-estar físico e emocional. É vital que os locais de trabalho sejam ambientes inclusivos e informados, onde exista apoio para a monitorização da glicemia, pausas para alimentação adequada e compreensão em relação às necessidades específicas de quem vive com diabetes. Pequenas adaptações e atitudes empáticas podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida e produtividade dos colaboradores.

Medidas para reduzir o estigma e promover ambientes inclusivos

Educação e sensibilização:

  • Explicar causas, cuidados e formas de convivência;
  • Envolver profissionais de saúde;
  • Realizar sessões informativas ou campanhas internas.

Flexibilidade e compreensão:

  • Permitir pausas para medir a glicemia, administrar insulina e fazer refeições;
  • Adaptar horários ou tarefas em momentos de descompensação;
  • Promover bem-estar e produtividade.

Promoção de estilos de vida saudáveis:

  • Disponibilizar opções alimentares equilibradas;
  • Incentivar pausas ativas e prática de exercício físico;
  • Beneficiar todos os colaboradores.

Ambiente de empatia:

  • Estimular a partilha de necessidades sem medo de julgamento;
  • Valorizar o respeito e a compreensão;
  • Reduzir isolamento e estigma.

Políticas laborais inclusivas:

  • Reconhecer as necessidades das pessoas com doenças crónicas;
  • Garantir igualdade de oportunidades;
  • Assegurar condições de trabalho seguras.
     

Importância da prevenção e do acompanhamento

Nos Cuidados de Saúde Primários e na Comunidade, o papel dos profissionais de saúde é essencial na educação para a saúde, na vigilância e no acompanhamento contínuo das pessoas com diabetes. A adoção de estilos de vida saudáveis, com uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e monitorização periódica da glicemia, são pilares fundamentais na prevenção e controlo da doença.  Através de ações de promoção da saúde, rastreios e acompanhamento individualizado, é possível não apenas controlar a doença, mas também reduzir o preconceito e aumentar a literacia em saúde.

A abordagem comunitária permite levar o conhecimento até às pessoas, criando pontes entre os serviços de saúde, as famílias e as empresas. Uma comunidade informada é uma comunidade mais justa e mais saudável! Neste Dia Mundial da Diabetes, deixamos o convite a toda a população: informe-se, participe e apoie quem vive com esta condição. A mudança começa com o conhecimento e cada gesto de compreensão e apoio é um passo em direção a uma vida melhor.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
A diabetes é uma condição crónica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, quando mal con

Em indivíduos saudáveis, o fígado ajuda a regular os níveis de glicose no sangue, armazenando glicose em excesso sob a forma de glicogénio e libertando-a quando os níveis de açúcar no sangue caem. No entanto, na diabetes tipo 2, o corpo não utiliza a insulina de forma eficaz (resistência à insulina), o que impede que a glicose seja absorvida adequadamente pelas células. Como resultado, o fígado pode produzir mais glicose do que o necessário, exacerbando os níveis elevados de açúcar no sangue, um dos principais problemas da diabetes.

Além disso, a resistência à insulina tem um impacto direto no fígado, favorecendo o acúmulo de gordura hepática. A esteatose hepática não alcoólica ou fígado gordo, é uma condição comum em pessoas com diabetes tipo 2. Nessa condição, as células do fígado acumulam gordura, o que pode levar à inflamação e originar danos progressivos ao fígado, eventualmente evoluindo para doenças mais graves, como a cirrose e até o cancro do fígado. A resistência à insulina também pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de doenças hepáticas graves, já que o fígado desempenha um papel central na regulação do metabolismo e na gestão da glicose.

A relação entre diabetes e fígado é complexa e bidirecional. Por um lado, o fígado pode agravar o controlo glicémico em pessoas com diabetes, mas por outro, a presença de doenças hepáticas pode dificultar o controlo da glicose. Em pessoas com cirrose hepática, por exemplo, pode ocorrer uma desregulação dos níveis de glicose no sangue, o que pode levar a flutuações perigosas, com episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia.

A prevenção e o tratamento eficazes da diabetes são fundamentais para evitar complicações hepáticas. O controlo rigoroso da glicose no sangue, através de uma dieta equilibrada, exercício físico regular e, quando necessário, medicamentos, pode reduzir o risco de desenvolvimento de doenças hepáticas. A perda de peso em pessoas com sobrepeso ou obesidade, que são comuns entre os diabéticos, também é uma medida eficaz na prevenção da esteatose hepática e de outras complicações associadas.

Além disso, a consciencialização para a importância da monitorização regular da função hepática em pessoas com diabetes é fundamental. Exames de sangue, como a avaliação das enzimas hepáticas, podem ajudar a detetar precocemente sinais de dano hepático. Em alguns casos, a realização de uma ecografia hepática ou outros exames de imagem pode ser necessária para avaliar o grau de gordura acumulada no fígado.

A relação entre a diabetes e o fígado é fundamental para a saúde metabólica geral. Assim, o controle rigoroso da glicose, aliado a um estilo de vida saudável, pode não só ajudar a controlar a diabetes, como também a proteger a saúde do fígado e a evitar complicações a longo prazo.

Neste Dia Mundial da Diabetes, assinalado no dia 14 de novembro, a Associação para o Estudo do Fígado reforça a importância da prevenção da diabetes e das suas complicações. Lembre-se de que uma alimentação saudável, o controle do peso, a prática regular de exercício e a adesão ao tratamento recomendado pelos profissionais de saúde são as chaves para controlar a diabetes e proteger a saúde do fígado. Para aqueles que já convivem com a diabetes, é essencial monitorizar a saúde hepática regularmente para evitar danos maiores e promover um envelhecimento saudável.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em Portugal e no mundo
Médicos e Associação de Doentes apelam ao diagnóstico precoce e à prevenção dos cancros do fígado e das vias biliares.

Os cancros do fígado e das vias biliares continuam a ser das doenças oncológicas com maior taxa de mortalidade em Portugal e no mundo1,2, em grande parte devido ao diagnóstico tardio e à ausência de programas de rastreio populacionais3,4. Especialistas e a Europacolon refletem sobre estas questões e reforçam o apelo à prevenção e ao aumento da literacia em saúde.

O Dr. José Presa, Hepatologista, Diretor do Serviço de Medicina Interna da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro – Vila Real, alerta que o número de casos de carcinoma hepatocelular (CHC) em Portugal “tem vindo a aumentar a cada ano, sem que haja ainda um reflexo direto no número de óbitos”. Entre os principais fatores de risco, destaca “o consumo excessivo e abusivo de álcool e o número crescente de casos de doença metabólica hepática associada à obesidade, que constituem um grande motivo de preocupação.”5,6

Segundo o especialista, a doença frequentemente evolui sem sintomas relevantes: “quando surgem, são inespecíficos, como perda de peso e apetite, aumento do volume abdominal ou então os doentes ficam com uma tonalidade amarelada, designada icterícia”.7

A assinalar os avanços no diagnóstico por imagem, com recurso a Tomografia Computorizada (TAC) e Ressonância Magnética (RMN) de alta resolução. O especialista reforçou também a evolução no tratamento, com a “introdução da imunoterapia nos esquemas terapêuticos disponíveis”.8

O médico sublinha que os principais desafios residem na “consciencialização para a doença entre profissionais de saúde, para reconhecerem em primeiro lugar a cirrose hepática e incluírem posteriormente os doentes em programas de rastreio semestral. Outro grande desafio consiste na adesão dos doentes e na capacidade do sistema hospitalar para garantir o rastreio atempado”.

O especialista recorda ainda que, apesar da dificuldade no rastreio, nos últimos anos registaram-se avanços importantes: “a adição da imunoterapia à combinação de quimioterapia melhorou a sobrevida em doentes com colangiocarcinoma avançado e a medicina personalizada, com terapias alvo dirigidas a mutações genéticas como a Isocitrato Desidrogenase 1 (IDH1) e o Recetor do Fator de Crescimento de Fibroblastos tipo 2 (FGFR2), trouxe novas perspetivas de esperança.”9,10

O Dr. Nuno Bonito, Diretor do Serviço de Oncologia Médica do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, chama a atenção para o aumento dos tumores das vias biliares (colangiocarcinoma e carcinoma da vesícula biliar), “uma entidade clínica rara, mas agressiva.”11,12 Em Portugal, segundo dados do Registo Oncológico Nacional (RON) e estimativas do GLOBOCAN, o cancro das vias biliares “mantém uma incidência baixa, mas com tendência crescente, refletindo o envelhecimento populacional e o aumento da capacidade diagnóstica.”2,13

Estima-se que o colangiocarcinoma represente cerca de 3% dos tumores gastrointestinais. E que a maioria dos casos ocorre entre os 50 e os 70 anos.12,14

Relativamente a sintomas, o Dr. Nuno Bonito explica que “a ausência de sinais específicos nas fases iniciais constitui um dos principais obstáculos ao diagnóstico precoce. Icterícia progressiva, prurido cutâneo, dor abdominal, cansaço extremo, perda acentuada do apetite, perda de peso inexplicada ou urina escura devem motivar uma avaliação médica célere.”15,16

Nos últimos anos, registaram-se avanços significativos na abordagem a esta patologia. Estes avanços incluem tanto o diagnóstico, como o tratamento desta doença: “a adição da imunoterapia à combinação de quimioterapia melhorou a sobrevida em doentes com colangiocarcinoma avançado. A identificação de alterações genéticas específicas tem permitido o acesso a terapias alvo, com impacto positivo na sobrevida e qualidade de vida.”10,17,18

Apesar da “natureza não prevenível da maioria dos casos”14, o especialista refere a importância de “manter um estilo de vida saudável, evitando álcool e tabaco, o controlo de doenças crónicas do fígado e a vigilância médica regular em grupos de maior risco”.

O Eng.º Vítor Neves, presidente da Europacolon, reforça que a consciencialização sobre o cancro do fígado continua a ser “muito limitada em Portugal”, apontando que a solução passa por “apostar numa comunicação clara, contínua e acessível, capaz de informar, sensibilizar e mobilizar a sociedade para a prevenção e o diagnóstico precoce.”

Aponta para a existência de fragilidades no percurso do doente com cancro do fígado em Portugal: “O diagnóstico tardio, a baixa literacia em saúde, a falta de planos para a sensibilização para a doença, o apoio psicossocial insuficiente e as desigualdades territoriais no acesso a equipas multidisciplinares e tratamentos inovadores são alguns exemplos das lacunas existentes”.

Sobre o papel da Europacolon, salienta que é “estar ao lado do doente e família em todas as fases da doença”, disponibilizando serviços tais como a Linha de Apoio ao Cidadão e a Linha de Apoio Psicológico para Cuidadores Informais, assim como consultas de psicologia e nutrição gratuitas aos Associados, formação específica para cuidadores ou ainda apoio jurídico e social”.

O presidente da Europacolon deixa alguns pedidos: “Às autoridades de saúde, para que priorizem os cancros digestivos dentro das estratégias nacionais, com reforço da prevenção, diagnóstico precoce e acesso rápido às terapêuticas; aos profissionais de saúde, em especial aos médicos de família, para que valorizem os sintomas e fatores de risco associados ao cancro do fígado e à sociedade, lembrando que a saúde do fígado também depende de escolhas individuais: hábitos saudáveis, vacinação contra hepatite B, rastreio nos grupos de risco.”

Na luta contra o cancro do fígado, é importante que “nenhum doente ou cuidador se sinta esquecido ou sozinho. O silêncio à volta destas doenças tem de ser quebrado, e a Europacolon Portugal está cá para dar voz a essa causa há quase 20 anos”, conclui.

 

Referências:

1. International Agency for Research on Cancer (IARC). Portugal – Fact Sheet 2022. GLOBOCAN. Disponível em: https://gco.iarc.who.int/media/globocan/factsheets/populations/620-portugal-fact-sheet.pdf, consultado em outubro de 2025.

2. International Agency for Research on Cancer (IARC). Portugal – Fact Sheet 2022. GLOBOCAN. Disponível em: 11-liver-and-intrahepatic-bile-ducts-fact-sheet.pdf, consultado em outubro de 2025

3. Tejada-Maldonado J, et al. Diagnosis and treatment of hepatocellular carcinoma: An update. World J Hepatol. 2015 Mar 27;7(3):362–376. 

4. Ahn JC, et al. Hepatocellular carcinoma surveillance: current practice and future directions. Hepatoma Res. 2022 Mar 11;8:10.

5. Llovet JM, et al. Hepatocellular carcinoma. Nat Rev Dis Primers. 2021;7(1):6.

6. Shah PA, et al. NAFLD-related hepatocellular carcinoma: The growing challenge. Hepatology. 2023 Jan1;77(1):323-338.

7. Amin N, et al. Hepatocellular Carcinoma: A Comprehensive Review. Diseases. 2025 Jul 2;13(7):207.

8. Amin N, et al. Hepatocellular Carcinoma: A Comprehensive Review. Diseases. 2025 Jul 2;13(7):207.

9. Pellino A, et al. Precision medicine in cholangiocarcinoma. Transl Gastroenterol Hepatol. 2018 Jul 12:3:40.

10. Zhao L-M, et al. Advances in molecular and cell therapy for immunotherapy of cholangiocarcinoma. Front Oncol. 2023 Mar 29;13:1140103.

11. Mirallas O, et al. Advances in the systemic treatment of therapeutic approaches in biliary tract cancer. ESMO Open. 2022 Jun;7(3):100503.

12. Ghidini M, et al. Biliary tract cancer: current challenges and future prospects. Cancer Manag Res. 2019; 11: 379–388.

13. Registo Oncológico Nacional 2021. Disponível em: https://ron.min-saude.pt/media/2229/ron-2021.pdf, consultado em outubro de 2025.

14. Menachem T-B, et al. Risk factors for cholangiocarcinoma. Eur J Gastroenterol Hepatol. 2007 Aug;19(8):615-7.

15. Liu XF, et al. Cholangiocarcinoma: Present Status and Molecular Aspects of Diagnosis. Oncol Res. 2015 Sep 15;22(4):177–183.

16. Shin D-W, et al. Diagnosis of Cholangiocarcinoma. Diagnostics (Basel). 2023 Jan 8;13(2):233.

17. Oh DY, et al. Durvalumab plus Gemcitabine and Cisplatin in Advanced Biliary Tract Cancer. NEJM Evid. 2022;1(8):EVIDoa2200015.

18.  Parisi A, et al. Pemigatinib for patients with previously treated, locally advanced or metastatic cholangiocarcinoma harboring FGFR2 fusions or rearrangements: A joint analysis of the French PEMI-BIL and Italian PEMI-REAL cohort studies. Eur J Cancer. 2024 Mar:200:113587

Condição tende a agravar-se no inverno
O frio e o mau tempo estão à porta e isso significa que muitos idosos passam a ficar mais tempo em casa, menos ativos e mais...

O inverno está a chegar e, com ele, uma realidade que se repete todos os anos: o isolamento crescente entre os mais velhos. As temperaturas baixas e o mau tempo levam muitos idosos a reduzir o contacto social e a permanecer mais tempo em casa, uma tendência que tem impacto direto na sua saúde física e emocional.

De acordo com dados recentes do Instituto Nacional de Estatística e dos Censos 2021, quase 40% dos idosos com mais de 80 anos vivem sozinhos. No total, mais de meio milhão de portugueses com 65 ou mais anos vivem sós, um número que continua a aumentar de ano para ano. Além disso, a população idosa em Portugal cresce cerca de 2% ao ano, o que coloca o nosso país entre os mais envelhecidos da União Europeia2.

O isolamento, a redução da atividade física e, muitas vezes, o menor apetite são fatores que, combinados, aumentam o risco de malnutrição, uma condição que muitas vezes passa despercebida. De acordo com especialistas em nutrição clínica, 1 em cada 3 idosos que vivem em casa pode estar em risco de malnutrição, valor que sobe ainda mais em contexto hospitalar ou institucional.1

Neste contexto, Fortimel, marca da Danone Nutricia dedicada à gestão nutricional da malnutrição associada a doença, desafiou a Dra. Margarida Graça Santos a explicar como reconhecer e combater esta condição: “Muitos familiares associam a perda de apetite, o cansaço ou a perda de peso simplesmente à idade, quando, na verdade, podem ser sinais precoces de malnutrição”, explica Margarida Graça Santos, Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar, acrescentando que “Mesmo pequenas perdas de peso em idosos podem ter um grande impacto na força e na recuperação de doenças. Por isso, é fundamental agir cedo”.

A malnutrição pode ter múltiplas causas, desde a falta de apetite e dificuldades em mastigar ou engolir, até à solidão e à redução dos rendimentos, que limitam a qualidade da alimentação. Esta condição aumenta o risco de internamentos prolongados, perda de autonomia, além de comprometer a recuperação de cirurgias e doenças sazonais, como as gripes e viroses típicas do inverno.

“Garantir uma boa nutrição é um dos pilares mais importantes para envelhecer com saúde”, esclarece a profissional de saúde. “Refeições pequenas, densas em energia e proteína, com cores e sabores apelativos, podem fazer toda a diferença. E, quando não são suficientes, o médico ou nutricionista pode recomendar a toma de suplementos nutricionais orais, alimentos para fins medicinais específicos para a gestão nutricional da malnutrição de forma a reforçar a ingestão de energia e nutrientes”.

Num país cada vez mais envelhecido, o desafio é coletivo: olhar com atenção para os sinais de malnutrição nos nossos pais, avós e vizinhos, sobretudo nesta época do ano. Estar atento é cuidar e pode fazer toda a diferença na qualidade de vida e na autonomia de quem mais gostamos.

 

1Suominen MH, et al. How well do nurses recognize malnutrition in elderly patients? Eur J Clin Nutr. 2009; 63(2):292-6. Kaiser MJ, et al. Frequency of malnutrition in older adults: a multinational perspective using the mini nutritional assessment. J Am Geriatr Soc. 2010; 58(9):1734-8. Lelovics Z, et al. Results of nutritional screening in institutionalized elderly in Hungary. Arch Gerontol Geriatr. 2009; 49(1):190-6.

2Instituto Nacional de Estatística. Estimativas de população residente em Portugal 2023 [Internet]. Lisboa: INE; 2024 [citado 11 de novembro de 2025]. Disponível em: https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=645507713&DESTAQUESmodo=2&xlang=pt

Dia Mundial da Diabetes | 14 de novembro
No âmbito do Dia Mundial da Diabetes, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) apela à ação urgente sobre o...

A Lei n.º 75/2021, que consagra o direito ao esquecimento, foi um marco histórico para as pessoas que, como as que vivem com diabetes, tenham “superado ou mitigado situações de risco agravados de saúde ou de deficiência”. Esta legislação proíbe a discriminação no acesso a crédito e seguros, um passo fundamental para a inclusão. No entanto, a APDP tem recebido queixas que indicam que a lei não está a ser totalmente implementada, com pessoas com diabetes a serem penalizadas neste acesso.

Paralelamente, apesar do processo de auscultação pública para a regulamentação da lei já ter terminado, a APDP “gostaria de contribuir ativamente, nomeadamente na sensibilização e defesa dos direitos das pessoas com diabetes, cuja situação clínica não deve constituir motivo de exclusão ou agravamento injustificado em contratos de crédito ou seguros. É fundamental que a regulamentação final desta lei salvaguarde os princípios de equidade, inclusão e não discriminação que estiveram na sua origem”, explica João Filipe Raposo, Diretor Clínico da APDP.

José Manuel Boavida, Presidente da APDP, acrescenta: "Uma pessoa com diabetes controlada não pode ser tratada como um cidadão de segunda classe. A sua condição não a define, e não pode ser um obstáculo para a concretização de projetos de vida, como a compra de uma casa."

A APDP realça ainda a importância do bem-estar no trabalho para a gestão eficaz da diabetes. As leis laborais que garantem a segurança e a saúde no trabalho são cruciais, mas é preciso ir mais além. A flexibilidade para consultas médicas, a possibilidade de fazer pausas para monitorizar a glicemia ou administrar insulina, e um ambiente de trabalho psicologicamente seguro são essenciais para que a pessoa com diabetes possa conciliar a sua condição com uma carreira profissional de sucesso. O apoio da família é igualmente um pilar fundamental para o controlo da diabetes e para o bem-estar geral do indivíduo.

Em última análise, a APDP defende o direito à felicidade e a uma vida normal para todas as pessoas com diabetes. Com acompanhamento médico adequado, educação terapêutica e o apoio da sociedade, a diabetes pode ser gerida de forma a permitir uma vida plena e ativa.

"Neste Dia Mundial da Diabetes, a nossa mensagem é clara: é tempo de passar da lei à prática. É tempo de garantir que o direito ao esquecimento seja uma realidade para todos e que as pessoas com diabetes tenham as mesmas oportunidades de serem felizes e realizadas", remata José Manuel Boavida.

A propósito da efeméride, a APDP irá também realizar rastreios gratuitos à diabetes tipo 1 em crianças e jovens, entre os 3 e os 17 anos, e à diabetes tipo 2 em adultos. A iniciativa de prevenção decorrerá na sede da associação, em Lisboa, dia 14 de novembro, das 9h30 às 16h00.

 

Opinião
A solidão é frequentemente associada a sentimentos de vazio, abandono ou tristeza.

Estar sozinho não tem, forçosamente, de ser um tempo angustiante. Quando cultivado com intenção, pode tornar-se um momento de encontro connosco próprios. Claro que o silêncio pode, por vezes, confrontar-nos com pensamentos e emoções difíceis. No entanto, é precisamente essa introspeção que nos permite crescer, processar vivências e tomar decisões mais conscientes.

Há quem evite estar sozinho com receio dos seus próprios pensamentos, ideias ou memórias. Mas fugir de si mesmo é apenas adiar um encontro inevitável. A psicologia ensina-nos que evitar o desconforto emocional perpetua o sofrimento. Já o enfrentamento consciente permite transformação e alívio.

Estar sozinho não deve ser apenas um recurso em momentos de crise. Pelo contrário, a solitude é um componente essencial do bem-estar psicológico. Permite-nos organizar a mente, processar emoções, reencontrar o equilíbrio e retomar o rumo da vida com maior clareza.

Este tempo é particularmente importante após mudanças ou perdas significativas,quando sentimos confusão ou exaustão mental, em momentos de tomada de decisão e sempre que sentimos necessidade de "recarregar" emocionalmente.

Aprender a usufruir do próprio tempo, seja a ler, caminhar, viajar ou simplesmente estar, é um sinal de maturidade emocional. A psicologia reconhece o desejo de estar só como uma necessidade legítima e, muitas vezes, saudável. Pessoas com maior autorregulação emocional, autonomia e consciência de si próprias tendem a valorizar este tempo. O estar só é, frequentemente, o espaço onde surge a criatividade, a cura emocional e o verdadeiro autoconhecimento. O tempo a sós é uma prática de autocuidado, e não um sinal de isolamento. É na solitude que nos reencontramos, que ganhamos força e que, nos tornamos mais disponíveis para nós mesmos, para os outros e para a vida.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
A dor nas costas é muitas vezes vista como algo banal, quase inevitável com a idade.

Estas fraturas ocorrem frequentemente após esforços mínimos — levantar um saco, tossir ou até espirrar. O que as torna perigosas é a sua natureza discreta: muitas passam despercebidas, confundidas com “mais uma dor nas costas”, até que o doente começa a perder altura, a postura se inclina para a frente e a autonomia se esvai pouco a pouco.

Quando uma vértebra colapsa, todo o corpo se ressente. Surge dor intensa, dificuldade em respirar profundamente, perda de apetite e de energia. A imobilidade instala-se — e com ela a sarcopenia, a perda de massa muscular — que aumenta ainda mais o risco de novas quedas e fraturas. É um círculo vicioso que pode ser travado apenas com diagnóstico precoce e uma abordagem ativa.

O diagnóstico começa com uma radiografia, mas a tomografia computorizada (TAC) e a ressonância magnética (RMN) são muitas vezes essenciais para melhor as caraterizar e para excluir causas mais graves, como tumores ou infeções. É um erro comum tratar apenas a dor e ignorar a causa subjacente — a osteoporose. Uma fratura vertebral é quase sempre um sinal de alerta de uma doença silenciosa que precisa de ser tratada.

Na maioria dos casos, o tratamento é conservador: controlo da dor, tratamento da osteoporose e regresso gradual à atividade. É importante sublinhar que existe muito pouca evidência científica de que os coletes sejam eficazes — e o seu uso prolongado pode até estar associado a atrofia muscular e a uma recuperação mais lenta. O essencial é não perder a mobilidade nem a autonomia, pois o repouso prolongado é um dos principais inimigos da recuperação.

Quando, apesar do tratamento conservador, a dor se mantém e impede o doente de retomar a sua vida normal, pode estar indicada uma pequena intervenção cirúrgica chamada cifoplastia. Este procedimento minimamente invasivo consiste em injetar cimento ósseo na vértebra fraturada, estabilizando-a e aliviando a dor quase de imediato. É uma cirurgia segura, realizada frequentemente em regime de ambulatório e apenas com anestesia local, que permite recuperar rapidamente o movimento e reduzir complicações associadas à imobilidade.

Mas o essencial vem depois: prevenir a próxima fratura. Isso implica tratar a osteoporose com a medicação adequada, garantir uma alimentação rica em proteínas e vitamina D, e sobretudo manter o corpo em movimento. O treino de força e de equilíbrio têm mostrado, em múltiplos estudos, reduzir o risco de quedas e fraturas, mesmo em pessoas com idade avançada. Envelhecer com força é possível — e deve ser um objetivo.

As fraturas osteoporóticas da coluna não são um destino inevitável. São um sinal de que precisamos de cuidar da nossa mobilidade, da nossa postura e da nossa saúde óssea.

Olhar pelas costas é olhar pela vida.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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