FAO
A fome ameaça 37 países que dependem da ajuda alimentar externa devido aos conflitos e à seca, apesar de abundarem as colheitas...

O mais recente relatório da FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), subordinado às perspetivas de colheita e situação alimentar, realça que 28 desses 37 países dependentes do exterior estão no continente africano, onde a seca do ano passado associada ao fenómeno El Niño continuam a causar estragos.

Os conflitos prolongados aumentaram igualmente o número de pessoas deslocadas que passam fome, o que faz com aumente o número de emergências devido a insegurança alimentar.

O diretor-geral adjunto da FAO, Kostas Stamoulis, indicou em comunicado que o mundo está numa situação "sem precedentes", com quatro ameaças de fome [quando um país ou região não produz ou tem alimentos suficientes para alimentar a sua população] em vários países ao mesmo tempo.

Em certas zonas do Sudão do Sul foi declarada na semana passada a fome, que se calcula poder afetar 100 mil pessoas. Em todo o país, calcula-se que cerca de 4,9 milhões de sudaneses do sul precisam de assistência alimentar urgente.

No Iémen a guerra e a escassez alimentar fizeram com que 17 milhões de pessoas (dois terços da população) sofram fome, metade das quais precisa de ajuda de emergência. Por isso, indica a ONU, o risco de declarar a fome no país "é muito alto".

No norte da Nigéria há 8,1 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda, devido às ações do grupo ‘jihadista’ Boko Haram.

Na Somália são 2,9 milhões de pessoas afetados pelo terrorismo do Al Shabab e por uma dura seca que reduziu a produção de alimentos em 70% em parte do país. As reservas alimentares estão agora a esgotar-se.

O Afeganistão, o Burundi, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, o Iraque, a Birmânia e a Síria são outros dos países em que os combates e os distúrbios têm vindo a pôr em risco a alimentação de milhões de pessoas, o que tem repercussões nos Estados vizinhos que acabam por receber os seus refugiados.

O relatório da FAO indica, por outro lado, que a produção de cereais recuperou na América Central em 2016 e foi abundante na Ásia, Europa e América do Norte.

A produção mundial de trigo pode ascender este ano a 775 milhões de toneladas, cerca de 1,8% abaixo da produção no ano passado, que registou níveis históricos. Ainda assim, os excedentes acumulados auguram um a situação "cómoda" a nível global.

Para este ano prevê-se uma melhoria da produção agrícola no sul da África, reduzida anteriormente pelo impacto do El Niño, ainda que uma praga de lagartas e as inundações localizadas em Moçambique, Zâmbia e Zimbabué possam limitar o seu crescimento.

Estudo
Um estudo desenvolvido por investigadores da Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da...

Os autores concluíram que a exposição ambiental a uma maior diversidade de fungos pode ajudar a reduzir o risco de sensitização alérgica nas crianças. Em contrapartida, a exposição a concentrações elevadas de endotoxinas (produzidas por certo tipo de bactérias) poderá aumentar a severidade dos sintomas alérgicos e respiratórios em crianças atópicas.

As conclusões alcançadas suportam os resultados de estudos recentes que sugerem que a exposição a certos microrganismos, no ambiente do lar, nos primeiros anos de vida, pode ter uma influência protetora sobre a criança, reduzindo o risco de doenças respiratórias.

A investigação utilizou uma amostra de 20 escolas primárias localizadas na cidade do Porto e avaliou o nível de concentração de bactérias e de fungos em 71 salas de aulas. A recolha de amostras do ar das salas decorreu em dois períodos: janeiro a abril de 2014 e outubro de 2014 a março de 2015. Participaram no estudo 858 crianças com idades entre os 8 e os 10 anos, tendo sido submetidas a um questionário que avaliava o seu historial de asma ou de doença alérgica.

"Este estudo realça a importância da exposição a um ambiente biodiversificado nos primeiros anos de vida, algo que se tem vindo a perder com o aumento da urbanização e higienização do ambiente interior. No entanto, foi possível verificar que uma exposição a elevadas concentrações de certos agentes microbiológicos também pode estar associada a um aumento da sensitização alérgica e, portanto, é fundamental promover um ambiente biodiversificado e equilibrado dentro das salas de aula", refere João Cavaleiro Rufo, investigador do estudo.

Com base nestas evidências, futuras recomendações de saúde pública serão delineadas para ajudar a reduzir o risco de sensitização alérgica em crianças.

O artigo “Indoor fungal diversity in primary schools may differently influence allergic sensitization and asthma in children” foi publicado na “Pediatr. Allergy Immunol.” e encontra-se disponível, através do seguinte link

Investigação
A lei da gestação de substituição aprovada em 2016 reforça a discriminação contra casais LGBTQ, nomeadamente de homens gay,...

"A gestação de substituição foi aprovada recentemente, mas com fortíssimas restrições - apenas para casos em que há uma grave lesão ou ausência de útero. Isso introduz uma discriminação que já lá estava, mas que é apenas reforçada", disse à agência Lusa Ana Cristina Santos, coordenadora do projeto Intimate, que organiza em Coimbra a 2.ª Conferência Internacional "Queering Parenting", hoje e sexta-feira.

O projeto de investigação analisou as questões das parentalidades da comunidade LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Queer), nomeadamente sobre a procriação medicamente assistida e a gestação de substituição em Portugal, Espanha e Itália, com recurso a entrevistas de profundidade por pessoas LGBTQ que são ou querem ser pais e mães.

O estudo conclui que continua a haver "restrições aos direitos reprodutivos", o que leva a que a parentalidade não possa ser vista como "uma escolha", mas como um privilégio, sublinhou a investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

Apesar da remoção de muitos obstáculos, como é o caso da coadoção ou do alargamento da Procriação Medicamente Assistida (PMA), "a parentalidade continua a ser um privilégio", notou, sublinhando que seria "importante" alterar a lei da gestação de substituição.

"Mantém-se uma hierarquia entre as pessoas que podem aceder a técnicas de reprodução medicamente assistidas e outras banidas pela sua natureza, porque não encaixam num critério apertado, que é um critério clínico, e isso inclui, por exemplo, os casais de homens", realçou Ana Cristina Santos.

A atual lei da gestação de substituição está associada a "uma patologia" e transforma a "gestação num mal necessário. Não deve ser um mal necessário, mas mais uma forma de se aceder à parentalidade", defendeu a investigadora.

O projeto de investigação, que está previsto terminar em 2019, também conclui que a parentalidade na comunidade LGBTQ não é "um acidente" ou fruto do acaso.

"Estes pais e estas mães são pais e mães intencionais, que programaram e planearam as suas vidas em função do projeto da parentalidade", constatou a coordenadora do projeto, considerando "muito leviano" e desligado da realidade quando se diz que "a criança não está no centro das preocupações destes pais e destas mães".

O estudo nota ainda que, em termos de homofobia em contexto familiar, a gravidez acaba por ser o momento escolhido "para haver uma reconciliação com a família de origem", referiu.

De acordo com Ana Cristina Santos, o estudo em torno da parentalidade envolveu cinco entrevistas de profundidade para cada um dos dois temas (PMA e gestação de substituição) e em cada uma das cidades: Lisboa, Madrid e Roma.

Além das entrevistas a pais e mães LGBTQ, o projeto contou ainda com entrevistas semiestruturadas a peritos de diferentes áreas, como a saúde, direito ou política.

Entre hoje e sexta-feira, realiza-se em Coimbra a segunda conferência internacional do projeto, contando com a presença de académicos, políticos e profissionais das áreas da saúde e do direito de vários países da Europa, mas também do México, Nigéria, Colômbia e Brasil, entre outros.

O projeto Intimate - A Micropolítica da Intimidade na Europa do Sul arrancou em 2014 e termina em 2019, abordando a cidadania íntima LGBTQ em Portugal, Espanha e Itália, em torno de temas como a conjugalidade lésbica, poliamor, procriação medicamente assistida e redes de amizade, entre outros temas.

Direção-Geral da Saúde
A Direção-Geral da Saúde e o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, em colaboração com o Grupo de...

Esta ferramenta pedagógica, explica os vários conceitos ligados ao padrão alimentar mediterrânico tendo como base a Roda dos Alimentos Portuguesa. Ao longo da mesma, é também possível explorar os vários grupos de alimentos que compõem esta nova Roda, em conjunto com o número de porções diariamente recomendadas. São apresentados exemplos práticos e visualmente atrativos, salientando não só a componente alimentar, mas também os elementos inerentes estilo de vida mediterrânico.

Pretende-se que a nova Roda dos Alimentos interativa possa ser utilizada pelos profissionais da saúde e educação e disponibilizada em unidades de saúde, assim como no contexto de sala de aula como uma ferramenta para auxiliar os professores na abordagem ao tema.

A nova Roda dos Alimentos Mediterrânica é agora apresentada numa versão interativa. Ao longo desta ferramenta é possível explorar os vários grupos de alimentos característicos do padrão alimentar mediterrânico, juntamente com os princípios associados ao estilo de vida mediterrânico.

 

União Europeia
Um documento com 12 passos para reduzir o impacto das doenças crónicas na União Europeia, que leva em conta as “diferentes...

O documento foi anunciado na conferência final do JA-CHRODIS (Ação Conjunta Europeia nas Doenças Crónicas e na Promoção do Envelhecimento Saudável), realizada segunda e terça-feira passadas, em Bruxelas.

Para Rogério Ribeiro, investigador do Centro de Educação e Investigação da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), uma das organizações que representou Portugal na conferência do JA-CHRODIS, o diagnóstico está feito, mas era necessário encontrar uma forma de a Comissão Europeia conseguir ajudar os Estados-membros numa resposta às doenças crónicas.

A partilha dos melhores exemplos e a necessidade de levar em conta as particularidades de cada país, como o caso de Portugal, onde existe uma grande prevalência de idosos com mais do que uma doença, foram abordados neste encontro.

O documento dos 12 passos para reduzir o impacto das doenças crónicas foi apresentado pelo coordenador do JA-CHRODIS, Carlos Segovia, que o classificou como uma “ferramenta prática para inspirar e guiar profissionais de saúde e decisores políticos na promoção do envelhecimento saudável e na prevenção, gestão e tratamento das doenças crónicas”.

Os passos têm em consideração as diferentes conjunturas nacionais, realçando a conceção, monitorização e avaliação de projetos, o envolvimento dos cidadãos em risco e dos cidadãos com doença crónica, a educação e a formação, a colaboração intersectorial, a boa governança, a equidade, entre outras recomendações.

Para Rogério Ribeiro, esta conferência “mostrou que existe agora um caminho e uma metodologia de trabalho claros para avançarmos para a aplicação no terreno das lições aprendidas e soluções desenhadas em diálogo europeu nas áreas da promoção da saúde ao longo do ciclo de vida, da prevenção e gestão das doenças crónicas, principalmente da diabetes”.

As doenças crónicas representam 70% a 80% do orçamento para a saúde na União Europeia.

Segundo o Comissário Europeu para a Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, “mais de meio milhão de cidadãos europeus em idade ativa morre prematuramente por causa das doenças crónicas”.

“Isto representa um custo elevado, quer para a sociedade, quer para a economia – 115 biliões de Euros gastos na perda de produtividade e na despesa dos sistemas nacionais de saúde”, prosseguiu.

Administração Regional de Saúde
A região Centro tem as melhores taxas de saúde em relação à maior parte dos indicadores do país, foi sublinhado num encontro...

“Em quase todos os indicadores, temos taxas melhores que a média do continente” do país, disse João Pedro Pimentel, do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, adiantando exemplos como os da mortalidade prematura por cancro, as doenças cérebro-cardiovasculares e rastreios.

A região Centro é, “historicamente, pioneira no rastreio do cancro da mama e do colo do útero e, agora, do cólon e reto e da retinoterapia diabética”, salienta João Pedro Pimentel, que falava aos jornalistas, à margem da sessão, que está a decorrer no auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra.

Mas há alguns setores em relação aos quais esta zona não atinge uma performance tão satisfatória, registando valores ligeiramente piores que a média do país, como acontece com as doenças crónicas do fígado.

Mas mesmo nas áreas que observam os melhores indicadores, “é preciso consolidar” as suas prestações, sustenta João Pedro Pimentel, destacando que “há ainda muito por fazer”.

À semelhança do que sucede na generalidade do país, “os grandes problemas” desta região relacionam-se com as doenças crónicas e, entre estas, sobretudo com as doenças neoplásicas, a diabetes e as doenças cardio-cerebro-vasculares, adverte o médico, referindo que doenças como a sida se tornaram crónicas.

“As doenças infecciosas, as doenças transmissíveis estão, pode dizer-se, controladas e a região Centro tem taxas de vacinação excelentes”, embora o fenómeno também se deva a circunstâncias como a o desenvolvimento económico e social e com os cuidados de saúde em geral.

Importa manter as taxas de cobertura de vacinação e os resultados alcançados em relação às doenças infecciosas e reforçar o combate às doenças crónicas, essencialmente através de medidas relacionadas com a alimentação (sobretudo através da redução do consumo de sal e a de açúcar), com o exercício físico e com o não consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas, sintetiza João Pedro Pimentel.

“Devemos apostar tudo na prevenção [da doença] e na promoção [da saúde]” e cada vez mais junto dos mais jovens, designadamente através dos planos locais de saúde, que “institucionalizam e articulam” diferentes entidades.

Na região Centro, já “há muita articulação com câmaras municipais, com escolas, com serviços de segurança social e outras instituições, mas falta melhorar” essa cooperação em termos de planos locais de saúde, conclui.

O encontro regional ‘Melhorar a saúde na região Centro’ pretende “discutir, de forma intersetorial, estratégias promotoras de ganhos em saúde” nesta zona do país e destina-se a dirigentes e profissionais dos setores de saúde e social, autarquias locais e associações de utentes e de doentes, entre outras entidades.

A ARS do Centro abrange mais de 1,7 milhões de pessoas (cerca de 17% da população do país), distribuídas por 78 concelhos dos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.

Tecnologia
Os óculos de realidade virtual podem ser usados para trabalhar problemas mentais e várias empresas estão a criar aplicações de...

Apresentada no congresso mundial de tecnologia móvel que termina hoje em Barcelona, a tecnologia usa os dispositivos criados principalmente para jogos e vira-os para o tratamento de fobias e outros problemas num ambiente seguro.

Uma das técnicas da psicoterapia cognitiva é confrontar quem sobre de fobias com aquilo que lhe provoca medo, mas num ambiente virtual, fácil de controlar. O que se consegue com óculos de realidade virtual é, por exemplo, colocar quem não consegue falar em público no ambiente de uma sala cheia de gente.

O diretor da empresa lituana Telesoftas disse à agência Efe que usar esta tecnologia põe estas terapias num novo patamar, conseguindo tornar visível o que até agora eram exercícios de imaginação sugeridos aos pacientes.

Outra empresa, a catalã Psious, lançou-se nas aplicações terapêuticas da realidade virtual porque um dos seus trabalhadores sofria de fobia de andar de avião.

As aplicações informáticas podem ser carregadas em vários modelos de capacetes de realidade virtual, num processo sempre acompanhado e controlado por psicoterapeutas, que frente a um computador definem o que se passa na simulação.

Administração Central do Sistema de Saúde
A Administração Central do Sistema de Saúde vai receber 60% dos lucros dos jogos da Santa Casa atribuídos ao Ministério da...

A portaria, que entra em vigor na sexta-feira, fixa as normas regulamentares necessárias à repartição das verbas de exploração dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa afetas ao Ministério da Saúde para este ano.

As verbas destinam-se a apoiar “a concretização dos objetivos estratégicos do Plano Nacional de Saúde nas áreas ligadas à prestação de cuidados continuados integrados e à prevenção e tratamento das dependências e dos comportamentos aditivos, e ainda aos programas de saúde considerados prioritários”.

Assim, um quarto das verbas será distribuído por entidades que atuam no “planeamento, prevenção e tratamento dos comportamentos aditivos e das dependências”, incluindo o programa de troca de seringas.

Já 15% são para a Direção-Geral da Saúde (DGS) para financiar programas em várias áreas, como do VIH/SIDA, hepatites virais e tuberculose (7%), saúde mental (3%), doenças oncológicas (0,8%) e prevenção do tabagismo (0,5%).

Destes 17%, 0,8% serão destinados à área da prevenção da diabetes, 0,5% para as doenças cerebrocardiovasculares, 0,5% para as doenças respiratórias, 0,5% para a promoção da atividade física, 0,8% para a área do controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde de resistência aos antimicrobianos e 0,6% para a área da promoção da alimentação saudável.

O decreto-lei que regula a forma de distribuição dos resultados líquidos dos jogos sociais explorados pela Santa Casa determina que as normas regulamentares necessárias à repartição anual das verbas dos jogos sociais sejam aprovadas por portaria do ministro responsável pela área setorial, para vigorar no ano seguinte.

A portaria, assinada pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, produz efeitos desde o dia 01 de janeiro.

Comissão Nacional de Cuidados Paliativos
O Instituto Politécnico de Castelo Branco assinou um protocolo com a Comissão Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito da...

Em comunicado, o presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), Carlos Maia, diz-se satisfeito com a assinatura deste protocolo e pelo facto de a escolha da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos (CNCP) ter recaído na Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (ESALD).

"Significa mais um reconhecimento público do trabalho que tem vindo a ser efetuado nesta escola [ESALD] do IPCB nesta área", sustenta.

No âmbito do protocolo, a ESALD e o Ministério da Saúde comprometem-se a colaborar e a manter um diálogo de interesse recíproco, na formação pré-graduada, na formação pós-graduada, na investigação em cuidados paliativos e em qualquer outra área que se considere relevante.

À CNCP compete coordenar a Rede Nacional de Cuidados Paliativos e estabelecer orientações estratégicas e técnicas no domínio da formação contínua e específica dos diversos grupos de profissionais e voluntários a envolver na prestação de cuidados paliativos.

Carlos Maia realçou ainda o "papel determinante" da atual diretora da ESALD, Paula Sapeta, que desde cedo definiu a área dos cuidados paliativos como a sua orientação científica e nela tendo desenvolvido as suas investigações e efetuado formação avançada.

"Isto levou a que a ESALD tivesse sido a primeira escola, a nível nacional, a incluir nos planos curriculares da licenciatura em enfermagem conteúdos de cuidados paliativos", frisou.

Recorde-se que a ESALD tem também, desde 2005, formação pós-graduada em cuidados paliativos, estando a decorrer no presente ano letivo a 6.ª edição do mestrado.

Segundo a diretora da ESALD, o curso de mestrado contribuiu até hoje para a formação de um total de 208 profissionais de saúde, dos quais 121 são da região de Castelo Branco, de todas as áreas profissionais, medicina, enfermagem, psicologia, serviço social, fisioterapia, entre outras.

Além de a ESALD continuar a formação pré e pós-graduada, Paula Sapeta sublinha que o compromisso futuro "passa por incrementar a investigação e a formação contínua de outros profissionais, e ainda a realização de projetos conjuntos com as instituições de saúde, na assessoria e pareceres técnicos, a realização de cursos, seminários, simpósios e conferências".

Reduz risco de hemorragia
Chegou ao mercado o primeiro anticoagulante oral de ação direta que combina a toma diária única com a eficácia na prevenção do...

Este medicamento está indicado para a prevenção do AVC e do embolismo sistémico em doentes com fibrilhação auricular não-valvular e para o tratamento da trombose venosa profunda e da embolia pulmonar, atuando através da inibição do fator Xa - um ativador da coagulação - e apresentando-se como um mecanismo de ação rápido, com um início de ação entre uma a duas horas após a administração.

De acordo com alguns estudos, sabe-se que, em Portugal, cerca de 2,5% da população com mais de 40 anos sofre de fibrilhação auricular, sendo a sua incidência mais elevada nas faixas etárias mais avançadas.

Estima-se, ainda,  que perto de 9% dos portugueses com mais de 65 anos sofra desta doença, sendo que mais de 35% não estão diagnosticados.

Para Miguel Viana Baptista, Neurologista do Hospital de Egas Moniz, “o aparecimento dos novos anticoagulantes orais permitiu que um maior número de doentes com fibrilhação auricular e risco tromboembólico passassem a fazer terapêutica anticoagulante. Só por si, esta realidade já representa uma grande vitória”. Para este especialista a chegada deste novo medicamento ao mercado português, “poderá contribuir para que esse número aumente ainda mais”, sobretudo junto de populações mais vulneráveis como os doentes idosos, “que comportam um grande risco hemorrágico, mas também um elevado risco tromboembólico e que não podemos deixar de tratar sob pena de não os estarmos a proteger contra eventos isquémicos”.

Para informação técnica sobre o medicamento consulte a notícia da nossa Área Profissional.

Daiichi Sankyo
O laboratório Daiichi Sankyo acaba de lançar edoxabano, o primeiro anticoagulante oral de ação direta que combina a toma diária...

Edoxabano já está disponível nas farmácias, com indicação para a prevenção do acidente vascular cerebral (AVC) e do embolismo sistémico (ES) em doentes com fibrilhação auricular não-valvular (FANV) e para o tratamento da trombose venosa profunda (TVP) e da embolia pulmonar (EP) e prevenção da TVP e da EP recorrentes em adultos. A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais comum e está associada a um risco acrescido de mortalidade, aumentando o risco de AVC entre três a cinco vezes.

Em Portugal, de acordo com os dados do estudo FAMA, 2,5% da população com mais de 40 anos sofre de fibrilhação auricular, sendo que a incidência é francamente mais elevada nas faixas etárias mais avançadas. Para além isso, segundo o mais recente Estudo SAFIRA (System of AF Evaluation In Real World Ambulatory Patients), perto de 9% dos portugueses com mais de 65 anos sofre desta doença, e, destes, mais de 35% não estarão diagnosticados.

Num estudo que envolveu mais de 21.000 doentes, publicado no New England Journal of Medicine, o edoxabano esteve associado a uma redução de 20% do risco de hemorragia major, em comparação com o tratamento standard com varfarina bem controlada. A hemorragia major é a mais temida complicação em doentes com FANV anticoagulados. Edoxabano reduziu também em 53% o risco de hemorragia intracraniana, em 49% o risco de hemorragia potencialmente fatal e em 45% o risco de hemorragia fatal.

Edoxabano atua através da inibição do fator Xa, que é um ativador da coagulação, e tem um mecanismo de ação rápido, com um início de ação entre uma a duas horas após a administração. Não necessita de controlo laboratorial regular do INR.

Para o Prof. Doutor Miguel Viana Baptista, Neurologista do Hospital de Egas Moniz, “o aparecimento dos novos anticoagulantes orais permitiu que um maior número de doentes com FA e risco tromboembólico passassem a fazer terapêutica anticoagulante. Só por si, esta realidade já representa uma grande vitória. Penso que a chegada de edoxabano poderá contribuir para que esse número aumente ainda mais, nomeadamente dentro de populações mais vulneráveis como os doentes idosos, que comportam um grande risco hemorrágico, mas também um elevado risco tromboembólico e que não podemos deixar de tratar sob pena de não os estarmos a proteger contra eventos isquémicos”.

Compatível com alimentos e outros medicamentos
Edoxabano é também mais cómodo para o doente, na medida em que, para além de não requerer o controlo laboratorial regular do INR, pode ser administrado como ou sem alimentos e tem baixo risco de interações com outros medicamentos. Pode, inclusivamente, ser administrado a doentes com intolerância à lactose. O aparecimento deste novo fármaco amplia as opções terapêuticas que os médicos podem oferecer aos seus doentes.

“Edoxabano tem uma grande vantagem: foi alvo de um programa de investigação muito rigoroso e muito completo. Por outro lado, permite um ajuste de dose que foi testado no âmbito dos ensaios clínicos, o que é muito relevante para os doentes reais que tratamos na nossa prática clínica. Os resultados demonstram que o edoxabano tem uma eficácia indiscutível e, sobretudo, que é um anticoagulante muito seguro, do ponto de vista hemorrágico”, adianta a Prof.ª Doutora Cristina Gavina, Cardiologista do Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos.

Edoxabano também está indicado para a trombose venosa profunda, uma complicação frequente com uma incidência que tem vindo a aumentar e que está associada a uma elevada morbilidade e mortalidade. A idade avançada, as viagens de longa duração, o cancro, a imobilidade e a administração de determinados medicamentos, nomeadamente alguns contracetivos, são alguns dos fatores que aumentam o risco de TEV, que pode ser fatal, ao provocar uma embolia pulmonar, ou causar sequelas para toda a vida, como a síndrome pós-trombótica, a insuficiência venosa e ulceras nas extremidades. Além disso, comporta um elevado risco de recorrência.

Por outro lado, outro problema que condiciona a terapêutica anticoagulante nestes doentes é a má adesão ao tratamento. Ao ser administrado numa única dose diária, o edoxabano favorece uma melhor adesão terapêutica por parte dos doentes.

Ordem dos Médicos Dentistas
Desde que foi criado, em 2008, até ao final de Dezembro do ano passado, o cheque-dentista já abrangeu 2.609.560 utentes em...

O cheque-dentista é disponibilizado a crianças e jovens, a grávidas, a idosos e a doentes com a infeção VIH/Sida. Desde Março de 2016, este programa abrange também jovens de 18 anos que tenham concluído o plano de tratamentos aos 16 anos.

“O cheque-dentista tem sido de enorme importância, em especial para grávidas, crianças e adolescentes, e também na vertente do projeto de intervenção precoce do cancro oral”, reconhece o responsável pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), que ressalva que, mesmo assim, é urgente dar uma resposta integrada em termos de saúde pública, incluindo no grupo de beneficiários os mais carenciados, os diabéticos e criando mecanismos para garantir próteses aos desdentados totais.

Orlando Monteiro da Silva destaca ainda, segundo o jornal Público, a necessidade deste programa prever um cheque-dentista "urgência" para dar resposta às situações de dor e trauma dentário, e a premência do Estado “assegurar” o acesso aos cuidados básicos de saúde oral a todos os portugueses. O que a OMD pretende é uma espécie de fusão entre o que existe na Madeira e o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO) do continente. “São duas realidades que, não sendo comparáveis, podem ser complementares. No caso do continente deviam até coexistir”, considera o bastonário.

Dentistas nos centros de saúde
As ideias do bastonário coincidem muito com a realidade que já existe na Madeira. Primeiro, a ordem quer uma rede de serviços de medicina dentária nos centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a exemplo do que acontece no arquipélago.

A este nível, o que está a ser feito pela tutela é um processo gradual e lento. Em Outubro passado, o Ministério da Saúde pôs em prática projetos-piloto de integração de dentistas nos centros de saúde do continente, com a contratação de 15 profissionais para as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo e que vieram reforçar as duas dezenas de especialistas que já trabalhavam nos cuidados de saúde primários. Até 2019, de acordo com o calendário definido pela tutela, serão contratados 91 dentistas, ou seja, haverá profissionais em menos de um quarto dos centros de saúde do país.

É também fundamental, frisa Orlando Monteiro da Silva, garantir à generalidade da população um seguro de saúde público e uma convenção nos mesmos moldes da que existe na ADSE para funcionários públicos e familiares. Tudo para corrigir uma situação que já vem de longe. Quando o SNS foi criado, em 1979, a saúde oral ficou de fora. “Infelizmente, o Estado Português não criou até hoje condições para que este problema tivesse uma resposta integrada”, lamenta do bastonário.

Em Peniche
Investigadores europeus anunciaram que vão começar a estudar a partir de Peniche usos possíveis na indústria para algas...

"Está provado que muitas destas algas têm compostos bioativos, que têm aplicação na indústria da cosmética, na indústria alimentar ou na indústria farmacêutica pelas suas capacidades antioxidantes ou antitumorais. Já sabemos que muitas destas algas têm este potencial, mas precisamos estudar mais", disse Marco Lemos, coordenador do grupo de investigação da Escola Superior de Turismo e Tecnologias do Mar de Peniche, do Instituto Politécnico de Leiria, que lidera o projeto europeu. Para o investigador, dos 20 tipos diferentes de algas identificadas "oito têm elevado potencial".

No âmbito do projeto, escreve o Sapo, está a ser desenvolvida tecnologia inovadora, recorrendo a sensores e câmaras híper-espectrais, que dentro de dois anos vai ser colocada no mar, entre Peniche e a ilha das Berlengas, para monitorizar em permanência o meio subaquático.

Além de estudarem o potencial das algas, os investigadores vão conseguir recolher dados a partir do fundo do mar sobre as "condições em que as algas aparecem, onde aparecem e quando podem ser recolhidas".

Depois de Peniche, os investigadores querem alargar o estudo à costa portuguesa e galega. "O noroeste ibérico, entre a Galiza e Peniche, é muito rico destas algas especialmente em zonas mais rochosas", explicou.

O projeto, com duração de quatro anos, tem como objetivo criar novos produtos, como rações, medicamentos, e cosméticos, a partir das algas invasoras, que estão por explorar, para criar negócios ligados à extração das algas e à indústria.

Projeto internacional
Além do Politécnico de Leiria, o projeto envolve o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da Universidade do Porto, a Universidade de Coimbra, a Universidade de Vigo (Espanha) e ainda empresas portuguesas, austríacas e holandesas. Apelidado de AMALIA (Algae-to-MArket Lab IdeAs), o projeto foi um dos quatro recentemente financiados pela Comissão Europeia no âmbito do mecanismo Blue Labs.

Estudo
Um novo estudo fala sobre os benefícios da estimulação cerebral para a melhoria dos sintomas da anorexia e, inclusive, para a...

Depois da esquizofrenia e da perda de memória, o uso de choques elétricos revelou-se também positivo no tratamento da anorexia. Após vários estudos terem mostrado resultados positivos desta terapêutica, uma nova investigação realizada por uma equipa de cientistas chegou à conclusão que também funciona em casos do distúrbio alimentar, conta o El Español.

Os transtornos alimentares têm aumentado nos últimos anos, especialmente nos países desenvolvidos, mesmo depois de várias campanhas de prevenção, escreve o Observador. A anorexia nervosa é uma das mais comuns, afetando cerca de 0,5% da população mundial, especialmente jovens adolescentes. Se não for tratada a tempo, pode ter consequências como a desnutrição, debilidade nos ossos e músculos, convulsões, problemas cardíacos e até morte. O tratamento mais comum são sessões de terapia, quer individuais quer em grupo. Em casos mais complexos, são receitados antidepressivos e tratamento psiquiátrico. Mas há uma grande tendência para a reincidência da doença no período de um ano.

Este novo estudo analisou 16 mulheres com anorexia extrema, com idades entre os 21 e 57 anos, nas quais os tratamentos tradicionais já não estavam a fazer efeito. Todas as mulheres foram submetidas a uma intervenção cirúrgica onde foi implantado um sistema na área do cérebro responsável pelos sintomas da anorexia. Depois de colocado o implante, as pacientes receberam pequenas descargas elétricas (5 e 6.5 voltes) a cada 90 micro segundos, durante um ano.

Ainda que três das pacientes tenham tido alguns efeitos secundários, a intervenção cirúrgica funcionou. Em cerca de 3 meses, o índice da massa corporal das mulheres começou a aproximar-se do que é considerado saudável.

Os investigadores afirmam que sabem que o seu estudo teve uma amostra muito reduzida, mas que os seus resultados são já um grande avanço. A experiência mostrou que a cada descarga elétrica no cérebro das pacientes a sua atividade cerebral mudava notoriamente. Os investigadores ressalvam a ideia de que este estudo pode ser um ponto de partida para outros estudos de maiores dimensões.

Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
Um consórcio português está a desenvolver uma seringa de múltipla câmara de libertação sequencial, que vai “melhorar a prática...

O novo dispositivo tem “vantagens para a saúde pública”, reduzindo, designadamente, o risco de infeção (diminui o número de manipulações), aumentando o conforto e bem-estar dos pacientes (sujeitos a menor número de procedimentos de injeção) e baixando a possibilidade de erro humano na administração de agentes terapêuticos, afirma a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC).

A seringa, cuja ideia partiu de estudantes e docentes deste estabelecimento de ensino, vai ser desenvolvida pelo consórcio integrado pela empresa de indústria de plásticos Muroplás, do Porto, pela ESEnfC e pelo Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), da Universidade do Minho, com apoios comunitários da ordem de meio milhão de euros.

Denominado ‘seringa DUO’, o novo dispositivo médico “tem potencial para revolucionar a enfermagem hospitalar”, permitindo “o carregamento e a administração endovenosa sequencial de dois fluidos diferentes – fármaco e solução para limpeza do cateter – sem que haja necessidade de troca de seringas”, sublinha a ESEnfC.

“Entre as vantagens para a saúde pública resultantes do uso da ‘seringa DUO’ contam-se a redução do risco de infeção, através da diminuição do número de manipulações, o aumento do conforto e bem-estar dos pacientes (sujeitos a menor número de procedimentos de injeção) e a redução da possibilidade de erro humano na administração de agentes terapêuticos”, sustenta a Escola, na mesma nota.

Acrescem, além disso, “benefícios económicos para as instituições de saúde (menos seringas utilizadas e menor tempo disponibilizado pelos profissionais), com a consequente minimização dos custos associados ao tratamento dos doentes, além da redução do volume de resíduos hospitalares”, acrescenta.

O projeto é cofinanciado pelo programa COMPETE 2020, no âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, na vertente de copromoção, com um incentivo do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), no valor de cerca de 516 mil euros, para um investimento elegível de 718 mil euros.

Doença Psiquiátrica
Tratando-se de uma doença psiquiátrica caracterizada pela presença de obsessões ou compulsões, a Per

A Perturbação Obsessivo-Compulsiva é, de acordo com o especialista em Psiquiatria, António Ferreira de Macedo, uma doença psiquiátrica bastante frequente, caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões que interferem não só com o bem-estar e quotidiano do doente mas também de quem o rodeia.

Sendo de difícil tratamento, quer pela sua complexidade, quer pelo facto do seu diagnóstico ser, na maioria das vezes, tardio, esta doença afeta entre 2 a 5% da população podendo surgir ainda na infância.

“A Perturbação Obsessivo-Compulsiva é uma perturbação que, para além da perturbação objetiva que pode determinar o funcionamento do indivíduo nas suas diversas áreas de vida, pelo tempo dispendido com os rituais compulsivos (que podem atingir várias horas por dia), causa ainda um enorme mal-estar subjetivo que, se não abordado de forma consistente e atempada, poderá levar a quadros depressivos graves”, começa por explicar o coordenador do manual “Perturbação Obsessivo-Compulsiva – O Insustentável peso da Dúvida”, publicado pela editora LIDEL.

As principais características da doença são a existência de obsessões – pensamentos, imagens, medos ou impulsos de carácter recorrente e intrusivo que provocam elevados níveis de ansiedade – e compulsões. “As compulsões são comportamentos ou atos mentais, repetitivos e estereotipados, realizados com o objetivo de reduzir a ansiedade gerada por aqueles pensamentos obsessivos”, esclarece o psiquiatra.

“As obsessões mais frequentes são as de contaminação e as compulsões mais frequentes são os rituais de verificação”, revela.

Relativamente à expressão sintomática da doença, o especialista adianta que “existem algumas evidências relacionadas com o género”: enquanto nos homens são relatadas mais obsessões de tipo sexual, nas mulheres surgem mais rituais de lavagem e limpeza.

Não obstante os sintomas nucleares – obsessão e compulsão -, esta doença “caracteriza-se igualmente pela existência de outros sintomas como o evitamento, ou pela presença de diversas ideias obsessivas que, apesar de não terem um carácter patognomónico, têm sido implicadas na etiopatogenia desta doença”.

“Acresce que sendo a POC per se uma doença grave, muitas vezes é acompanhada de outras perturbações psiquiátricas comórbidas que mais agravam o prognóstico e dificultam o tratamento”, acrescenta o Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

No que diz respeito às suas causas, o especialista refere que a sua etiologia ainda é pouco compreendida. “De acordo com o modelo proposto pelo Yale Study Center, a etiologia POC seria produto da interação entre fatores genéticos e ambientais”, presumindo-se assim que genes vulneráveis poderiam ser responsáveis pela formação e/ou atividade de circuitos neuronais específicos quando em contacto com determinados fatores ambientais.

“Os fatores ambientais explicam cerca de 1/2 e 2/3 dos casos de POC crónica no sexo masculino e feminino, respetivamente, o que revela a sua importância na probabilidade de manter a sintomatologia”, avança o especialista.

Por outro lado, Ana Telma Pereira, investigadora auxiliar do serviço de Psicologia Médica da FMUC, refere que o papel da educação merece especial atenção no que diz respeito a esta entidade clínica. “É frequente que os doentes com POC tenham sido criados em meios onde a limpeza exagera, a religião, a moral, a ordem ou a culpa sobressaiam como valores importantes”, revela admitindo que as vivências precoces com este estilo educativo desempenham um papel decisivo na estruturação da personalidade, podendo promover o desenvolvimento de traços obsessivos ou de uma Perturbação Obsessivo-Compulsiva.

Primeiros sintomas na adolescência ou em início da idade adulta

Apesar de haver registo de casos de POC na infância, a sua grande maioria inicia-se antes da idade adulta.

“A idade de início da doença é um conceito complexo e pouco consensual entre os peritos. Para uns corresponde ao momento em que surgem os primeiros sintomas e para outros à idade de início da doença na sua forma «completa», altura em que se manifestam sintomas graves que causam prejuízo e incapacidade na vida do indivíduo”, refere António Ferreira de Macedo.

De acordo com alguns autores, cerca de 65% dos casos tem início antes dos 25 anos de idade, sendo apontada como idade média os 19.5 anos, “com um início mais precoce no sexo masculino”.

Apenas um quarto dos indivíduos do sexo masculino tinha menos de 10 anos quando a doença surgiu. “Em contraste, os novos casos de POC nos indivíduos do sexo feminino surgiram maioritariamente depois dos 10 anos, com maior expressão durante a adolescência”, acrescenta Joana Andrade, assistente hospitalar de Psiquiatria do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra.

Considerada como uma doença crónica, a POC pode ser dividida em três categorias consoante a gravidade: crónico sem remissão, fásico com períodos de completa remissão e episódico com remissão parcial.

“Num estudo que efetuámos, na decada de 90, no Hospital de Dia da Clínica Psiquiátrica dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em que era analisada a evolução da POC, desde o seu início até à data do internamento, verificámos que em 87.1%  dos doentes o curso foi crónico, encontrando-se mais raramente um curso fásico com períodos de remissão completa (12.9%). Por outro lado, os estudos mostram que mesmo no caso de doentes adequadamente tratados, a taxa de recaída é superior a 50%”, revela António Ferreira de Macedo.

10% dos doentes desenvolve forma grave e incapacitante da doença

De acordo com a psiquiatra Joana Andrade, a Perturbação Obsessivo-Compulsiva é uma doença de difícil tratamento e para a qual existem várias modalidades terapêuticas com vista o controlo dos sintomas.

“Em psiquiatria, as terapias multimodais são mais a regra do que a excepção. No caso da POC as evidências mostram que as estratégias psicoterapêuticas não são uma alternativa aos fármacos, mas sim um complemento necessário às medicações, de modo que a combinação tenha um efeito sinérgico/multiplicativo e não apenas aditivo”, explica.

“A investigação a longo prazo sugere uma maior eficácia para a combinação da terapia cognitivo-comportamental e medicação, do que qualquer um deles isoladamente”, justifica.

Não obstante, sabe-se que cerca de 10% dos doentes desenvolve uma forma grave, incapacitante e refratária da doença. Casos esses, que podem necessitar de intervenções terapêuticas mais intensivas.

“Estas intervenções baseiam-se na interrupção das ligações recíprocas entre os lobos frontais e determinadas estruturas subcorticais”, com benefícios em 35 a 50% dos casos.

No entanto, outras técnicas menos invasivas, como a estimulação magnética transcraniana e a estimulação cerebral profunda, têm vindo a revelar-se como alternativas promissoras aos procedimentos psicocirúrgicos.

Sentimento de vergonha e falta de informação dificultam diagnóstico

“Frequentemente o doente com POC experiencia um sentimento de vergonha associado às suas obsessões e compulsões, precisamente por ter crítica para o seu exagero e irrazoabilidade”, afirma a também coordenadora do manual “Perturbação Obsessivo- Compulsiva – O Insustentável peso da Dúvida”.

Na realidade, este sentimento leva não só a que o doente não procure ajuda especializada, como faz com que viva, muitas vezes, durante anos, com as suas dificuldades em segredo. O receio de ser julgado leva o doente a esconder a sua condição.

A verdade é que, e de acordo com os especialistas, “pode existir um lapso de tempo entre o aparecimento dos sintomas obsessivo-compulsivo e a procura de ajuda médica por parte do doente”. Estimando-se, em média, que o diagnóstico chegue ao fim de 8.9 anos.

“É, efetivamente, uma doença mal conhecida o público e, neste campo, também existe todo um trabalho de divulgação e esclarecimento por fazer. É na generalidade um problema crónico, de muito difícil tratamento, com elevadas taxas de recaída e com grave incapacidade informal”, afirma o psiquiatra.

E foi pela necessidade de desmistificar esta doença psiquiátrica, que nasceu o manual da editora LIDEL, dedicado ao tema.

Dirigido a todos os profissionais de saúde que lidam diretamente com questões de saúde mental, este livro foi escrito com a colaboração de 20 especialistas nacionais e internacionais, com o objetivo de facilitar a compreensão e interpretação das discussões mais profundas sobre todas as nuances desta doença.

A Perturbação Obsessivo-Compulsiva “constitui uma perturbação que muitas vezes se coloca no mesmo patamar de gravidade e prejuízo funcional como as doenças psiquiátricas cujo prognóstico nefasto é mais conhecido, como por exemplo a esquizofrenia e outras perturbações psicóticas”. 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Organização Mundial da Saúde
A Organização Mundial da Saúde afirmou que foram observadas mutações do vírus da gripe das aves, que se estão a espalhar pela...

Numa conferência de imprensa, a agência de saúde da ONU referiu que em cerca de sete por cento das pessoas infetadas com a gripe aviária H7N9, os cientistas identificaram mudanças genéticas.

Estes vírus poderiam ser resistentes ao Tamiflu, o tratamento recomendado para a doença e a droga que está a ser armazenada em todo o mundo em preparação para uma eventual pandemia de gripe.

Wenqing Zhang, a chefe do departamento de gripe da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que a taxa de mutação é semelhante à identificada em anos anteriores.

"A mudança constante é a natureza de todos os vírus da gripe", disse a responsável da OMS.

Wenqing Zhang Zhang afirmou que os vírus resistentes foram detetados em pessoas que já haviam sido tratadas com Tamiflu, dissipando os receios de que estes possam estar a adquirir resistência espontaneamente na natureza.

A responsável da OMS disse que as mutações no vírus H7N9 também o tornaram mais mortal para as aves, mas não está claro o que isso pode significar para os seres humanos.

Também Wendy Barclay, a responsável pelo centro de gripe do Imperial College de Londres disse que, embora os casos de gripe aviária tenham aumentado este ano, não há indicação de que o vírus esteja a adaptar-se mais facilmente à transmissão humana.

Com base nas sequências genéticas dos vírus, não há mudanças suficientes para sugerir que estaria prestes a explodir numa pandemia", disse Wendy Barclay.

Entretanto, alguns cientistas têm levantado preocupações sobre se a China está a compartilhar informações suficientes.

No início deste ano, o país anunciou, de uma só vez, cerca de 100 casos, um atraso que poderia comprometer os esforços para rastrear quaisquer mudanças na propagação do vírus.

"Precisamos sempre de mais detalhes e de informações mais rápido", disse Michael Osterholm, da Universidade de Minnesota, acrescentando que a gripe das aves continua a preocupar, sublinhando a vulnerabilidade do mundo para a pandemia de gripe.

"Nós não estamos em melhor posição para responder do que estávamos durante a pandemia da gripe suína (2009)", afirmou Osterholm.

Estudo
Custos, nível de prestação de cuidados de saúde e inovação estão entre os principais desafios dos agentes do setor para este ano.

As despesas globais com cuidados de saúde deverão atingir os 8,7 biliões de dólares até 2020, uma subida significativa face aos 7 biliões de 2015. Este crescimento deve-se ao envelhecimento da população e às doenças crónicas associadas, aos inovadores avanços clínicos, à evolução tecnológica e ao aumento dos custos laborais, de acordo com o estudo Global Health Care Outlook 2017: Making progress against persistent challenges, da Deloitte.

“Os atuais desafios da procura e do custo dos serviços de saúde deverão manter-se a curto e médio prazo. Para atingir significativas melhorias clínicas e operacionais, as empresas do setor devem responder a estes desafios”, afirma Duarte Galhardas, partner e líder da área de Life Sciences and Health Care da Deloitte. “Encontrar um caminho adequado para todos os stakeholders vai ser difícil, mas algo necessário para assegurar a prestação de serviços de saúde de elevada qualidade, garantir um acesso igualitário e resultados positivos a custo acessível para os pacientes”.

As entidades estabelecidas no mercado, as novas empresas e os governos estão a desenvolver novas soluções e abordagens para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde, bem como para controlar os custos. A inexistência de métricas consistentes dificulta a leitura dos atuais resultados. No entanto, de acordo com o estudo da Deloitte, as entidades ou empresas que se focarem nas seguintes cinco principais áreas em 2017 estarão preparadas para enfrentar os próximos desafios:

Custo: Espera-se um aumento da despesa com cuidados de saúde de 2,4% para 7,5%, entre 2015 e 2020, nas maiores regiões do mundo. Os prestadores de serviços de saúde que enfrentam o desafio deverão encontrar soluções mais eficientes, do ponto de vista do custo e operacional, deverão focar-se nas iniciativas mais transformadoras para inverter a curva da despesa.

Prestação de cuidados de saúde: A falta de acesso a serviços básicos de saúde e as variações da qualidade dos cuidados são problemas que persistem em muitas regiões do mundo. Os desafios atuais do setor da saúde são complexos e estão relacionados entre si, pelo que os modelos de prestação de cuidados de saúde que seguem uma abordagem multifacetada e colaborativa estão mais aptos a obter resultados positivos.

Inovação: A cirurgia robotizada, a impressão 3D, os dispositivos implantáveis e outras inovações tecnológicas focadas na prevenção, na monitorização e no tratamento estão a revelar potencial para melhorar os resultados e reduzir custos. Os líderes do mercado da saúde deverão considerar a construção de ecossistemas que envolvem entidades não convencionais e fontes de conhecimento fora da sua rede de relações.

Operações: Os sistemas de saúde públicos e privados vão, eventualmente, precisar de implementar novos modelos clínicos e de negócio para disponibilizar cuidados de saúde escaláveis, eficientes e de elevada qualidade, mas também para reduzir o desperdício, as redundâncias e os custos que ameaçam a sustentabilidade do sistema. Tal como acontece nas empresas comerciais, as entidades que prestam cuidados de saúde devem investir em ferramentas e processos que lhes permitam compreender o seu mercado alvo e os clientes, e deste modo envolverem-se mais diretamente com os consumidores dos serviços de saúde, atualmente mais ativos e informados.

Regulação do mercado: A saúde é uma das indústrias mais reguladas do mundo, com leis e políticas que verificam a qualidade e segurança clínica, a cibersegurança, a contrafação de medicamentos e a corrupção. Assim, adotar uma abordagem uniforme e consistente com as regras de planeamento, execução e monitorização faz sentido do ponto de vista clínico e de negócio no contexto atual do mercado.

Além de definir as considerações dos stakeholders, o estudo da Deloitte destaca o estado atual do setor da saúde e explora as tendências e questões que impactam as organizações do setor.

“Sem exceções, todos os sistemas de saúde no mundo devem continuar a procurar e a implementar estratégias que permitam melhorar os resultados e manter a linha da despesa inalterável”, destaca Duarte Galhardas, da Deloitte. “Embora não haja o ‘sistema de saúde perfeito’, existem exemplos de bons desempenhos em muitos países, que podem servir de referência para os agentes do setor”.

Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil
A lancheira solidária "Heróis da Fruta - Missão 1 Quilo de Ajuda" lançada pela APCOI - Associação Portuguesa Contra a...

Com a atribuição deste prémio, o projeto "Heróis da Fruta" afirma-se assim entre as marcas portuguesas que se destacam pela sua excelência na relação de confiança e no caráter inovador e solidário que tem junto das crianças e das respetivas famílias.

Mário Silva, Presidente da APCOI comentou que "receber o Prémio Cinco Estrelas representa a merecida consagração para esta parceria da APCOI com a Fruut que surgiu integrada no projeto escolar ‘Heróis da Fruta’, atualmente o maior programa gratuito de educação para a saúde em Portugal e foi criada com o objetivo de promover a inclusão social e o reforço nutricional dos alunos mais carenciados do país, uma vez que por cada lancheira vendida 5% do valor reverte para o fundo social ‘Missão 1 Quilo de Ajuda’ que beneficia alunos carenciados através da oferta gratuita semanal de cabazes de fruta em várias escolas de diferentes regiões".

No ano letivo 2015/2016 este projeto beneficiou semanalmente 207 crianças, principalmente alunos de escalão A e B de Ação Social Escolar que por razões financeiras não levaram lanche para a escola, tendo no entanto registado no total 2.263 candidatos a este apoio, entre os quais, casos urgentes de alunos que chegam à sala de aula de barriga vazia, ou seja, que também não tinham tomado o pequeno-almoço.

Universidade de Coimbra
Duarte Nuno Vieira, Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e Professor Catedrático de Medicina...

A Rede tem como objetivo dinamizar a medicina legal e as ciências forenses nos países árabes e do médio-oriente, visando, numa fase inicial, proporcionar um apoio prioritário a países como a Síria, Líbano, Palestina, Iraque, Sudão, Irão, etc.

Duarte Nuno Vieira tem uma larga experiência no âmbito da realidade forense destes países, nos quais tem concretizado múltiplas missões forenses, nomeadamente por solicitação das Nações Unidas.

O catedrático da FMUC é também Presidente de uma rede similar, a Rede Iberoamericana de Instituições de Medicina legal e Ciências Forenses, que integra os principais serviços médico-legais e forenses dos 22 países deste espaço geográfico de língua oficial espanhola e portuguesa, rede que tem vindo a desenvolver um trabalho assinalável e cujo secretariado permanente ficou localizado em Portugal.

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