Governo
A medicina geral e familiar, a medicina interna, anestesiologia ou ortopedia são as especialidades com mais vagas por preencher...

De acordo com um despacho conjunto dos ministérios da Saúde e das Finanças, a publicar hoje em Diário da República, o Governo determinou um limite até 150 postos de trabalho a preencher em estabelecimentos de saúde situados em zonas carenciadas de trabalhadores médicos.

Os profissionais que aceitem trabalhar para as instituições, identificadas no despacho, poderão receber um conjunto de incentivos que passam, entre outros, por um vencimento superior em 40%, mais férias e preferência na colocação do cônjuge.

O objetivo destes incentivos é “capacitar os serviços com a colocação efetiva de um maior número de profissionais, tendo em vista a melhoria do nível de acesso aos cuidados de saúde por parte da população”.

Segundo o despacho com a lista das unidades de saúde com falta de profissionais médicos, a medicina geral e familiar é a especialidade de que mais estabelecimentos de saúde referem falta (19), seguindo-se a medicina interna (16), a anestesiologia (15), a ortopedia (14), a radiologia e ginecologia (13), ou a cardiologia e a dermatologia (12).

Com falta de profissionais de saúde pública existem seis Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), cinco unidades de saúde precisam de especialistas em anatomia, nove necessitam de profissionais de cirurgia geral, dois de cirurgia plástica, três de angiologia/cirurgia vascular, três de endocrinologia/nutrição, 11 de gastrenterologia, dois de hematologia clínica, quatro de infeciologia, um de imunoalergologia, cinco de imuno-hemoterapia e oito de medicina física e reabilitação.

Um estabelecimento de saúde necessita de profissionais de medicina nuclear, um outro de nefrologistas, dez de neurologistas, um de neurorradiologistas, 11 de oftalmologistas, sete de profissionais de oncologia médica, 11 de otorrinolaringologia, quatro de patologia clínica, 11 de pediatria, 11 de pneumonia, oito de psiquiatria e saúde mental, seis de psiquiatria da infância e da adolescência, dois de reumatologia e 11 de urologia.

O despacho, assinado pelos ministros das Finanças e da Saúde, refere que “no setor da saúde ainda existe uma elevada concentração de médicos em estabelecimentos situados em determinadas zonas, em detrimento de outros que se encontram localizados fora dos grandes centros populacionais”.

“Esta situação tem efeitos negativos para os cidadãos que assim se veem, em alguns casos, forçados a deslocar-se a estabelecimentos de saúde distantes do seu domicílio, que lhes garantam os cuidados de que necessitam, com os consequentes incómodos que essa situação acarreta para os utentes”, lê-se no diploma.

Os médicos que aceitem trabalhar para os estabelecimentos de saúde agora conhecidos podem contar com um incentivo “fixado em 40% da remuneração base correspondente à primeira posição remuneratória da categoria de assistente, da carreira especial médica ou da carreira médica”.

Mais dois dias de férias enquanto permanecer no estabelecimento cujo posto de trabalho está identificado como carenciado e mais um dia de férias por cada cinco anos de serviço efetivamente prestado estão igualmente previstos.

Os incentivos preveem “a preferência pelo cônjuge ou pela pessoa com quem viva em união de facto na lista de ordenação final dos candidatos (…) para ocupação de posto de trabalho em serviço ou organismo da administração direta e indireta do Estado sito na localidade onde o trabalhador médico é colocado, desde que se trate de trabalhador com vínculo de emprego público constituído por tempo indeterminado”.

Os médicos podem “participar em atividades de investigação ou desenvolvimento das correspondentes competências e qualificações profissionais, mediante exercício de funções em serviços ou estabelecimento de saúde à sua escolha, situados em território nacional, pelo período máximo de 15 dias, por ano, seguido ou interpolado, com direito a ajudas de custo e transporte nos termos legais”.

O trabalhador que se candidate tem preferência no procedimento concursal de recrutamento para preenchimento de postos de trabalho na categoria de assistente graduado sénior, na lista de ordenação final dos candidatos, em caso de igualdade de classificação.

Estes incentivos, definidos em Decreto-Lei publicado no passado dia 27 de janeiro, são atribuídos pelo período de três anos, após a colocação no posto de trabalho.

No Porto
Uma associação de apoio ao doente com cancro digestivo do Porto tem desde 2009 em curso um Projeto de Prevenção Escolar...

Direcionado a alunos com idades entre os 11 e 13 anos, o Projeto de Prevenção Escolar Alimentar (PPEA) "envolve, por ano, três escolas e quatro turmas em cada uma delas" e destina-se "a mudar comportamentos e ambientes", explicou o presidente da Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, Europacolon Portugal, que lançou o PPEA em 2009.

"O trabalho começa com a medição antropométrica [as medidas e dimensões das diversas partes do corpo humano] dos alunos e, ao longo do ano letivo, há uma atividade contínua com a colaboração dos professores, concluindo-se este com nova medição para avaliar os progressos havidos", referiu o responsável, Vítor Neves.

Pelo meio, o projeto faz também uma "sensibilização ao nível dos produtos disponíveis nas máquinas de ‘vending’ e nas cantinas, disponibilizando uma nutricionista para fazer esse acompanhamento", acrescentou.

Criada em 2006, a associação "tem como função primordial a diminuição do número de mortes por cancro do intestino e apoiar doentes e familiares, melhorando a sua qualidade de vida, tendo em 2014 alargado o seu âmbito a todas as patologias oncológicas do foro digestivo", relatou Vítor Neves.

"Com 13 mil novos casos de cancro digestivo por ano em Portugal e 24 mortes por dia", o presidente da associação defendeu ser "a prevenção o melhor caminho, num processo em que todos, desde o cidadão ao Estado, ficarão a ganhar".

Apoiado pelo Ministério da Saúde, o PPEA intervém neste escalão etário por ser uma idade em que começam a estar sensibilizadas para a mudança, explicou o responsável segundo o qual o projeto chegou já a duas mil crianças, desde que foi lançado em 2009.

Inserido no projeto, a Europacolon promove ações nas escolas envolvidas duas a três vezes por ano “para, a troco de prémios, sensibilizar os jovens a provar certos alimentos, desafiando-os a comer dois de três: salada, sopa e fruta".

"Muitos deles até comem o que nunca tinham comido. Esta é a atitude cultural e educacional que queremos implementar numa sociedade em que, por vezes, é mais fácil colocar uma piza no micro-ondas ou beber um refrigerante em vez de um copo de água", frisou.

Num processo que, reiterou, "todos têm de ser sensibilizados, a começar pelos familiares dos alunos", Vítor Neves defendeu que "quem estiver disponível para ajudar nessa mudança tem de ter benefícios".

"Com estas atitudes lúdicas, estamos a conseguir transmitir às crianças ideias para novos comportamentos e hábitos como, por exemplo, consumir alimentos naturais", explicou.

E continuou: "A experiência diz-nos, quer pelo registos quer pelas ações de formação, que a taxa de incidência oncológica é muito superior no interior do que no litoral de Portugal, dado o tipo de carnes processadas e enchidos que consomem".

Do leque de apoios que a associação disponibiliza, o teste RAS, que analisa o gene com o mesmo nome, destina-se aos doentes com cancro do intestino metastático "permitindo averiguar a eficácia de um determinado tratamento", numa ajuda que se estende à logística.

Pelo terceiro ano consecutivo, em parceria com as farmácias Holon, a Europacolon vai proceder até ao final de abril nas 176 farmácias espalhadas pelo país, "ao rastreio colorretal gratuito a pessoas com 50 ou mais anos", informou.

Em Coimbra
O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra realizou nos últimos 30 anos um milhar de implantes cocleares em surdos...

"Os resultados situam-se ao nível dos melhores centros internacionais, pois cerca de 87% dos doentes falam ao telefone e a maioria das crianças frequentam a escola regular", sublinhou o diretor da unidade, Luís Filipe Silva, em declarações a propósito do Dia Internacional dos Implantes Cocleares, que se assinalou no sábado.

O especialista em otorrinolaringologia salientou que o "acompanhamento adequado das crianças e dos adultos implantados permite monitorizar as suas necessidades e promover a resolução de problemas".

De acordo com Luís Filipe Silva, a Unidade Funcional de Implantes Cocleares (UFIC) do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) tem contribuído "para a integração dos surdos implantados no mercado do trabalho, preparando-os para uma vida ativa e autónoma, com um mínimo de limitações".

O trabalho desenvolvido vai desde a substituição de equipamentos, aconselhamento de programas de reabilitação, formação de profissionais do ambulatório (médicos de família, técnicos de saúde, professores) e apoio às famílias, até à supervisão clínica periódica e ajustes de processadores.

"Com uma capacidade de mais de 80 implantes por ano, são atualmente aplicados implantes cocleares bilaterais sequenciais em adultos e crianças, e desde 2016 implementado o programa de implantação bilateral em crianças de acordo com as Normas de Orientação Clínica da Direção-Geral da Saúde", refere.

A técnica de implantação coclear em surdos profundos foi trazida para Portugal em 1985 por uma equipa de otorrinolaringologistas de Coimbra, "que acompanharam sempre a evolução tecnológica mais avançada a nível mundial", acrescenta.

A Unidade Funcional de Implantes Cocleares do CHUC é constituída por uma equipa multidisciplinar que integra médicos otorrinolaringologistas, neurologistas, pediatras, neurorradiologistas, oftalmologistas, geneticistas, além técnicos de audiologistas, terapeutas da fala, enfermeiros, psicólogos, professores e educadores.

A capacidade para realizar o diagnóstico, tratamento e reabilitação de doentes com surdez profunda, bem como a construção de modelos de trabalho específicos, a implementação pioneira de procedimentos de reabilitação e de avaliação de resultados clínicos, assim como a constante investigação e produção de trabalhos científicos, "permitiu àquela unidade alcançar o reconhecimento nacional e internacional nesta área".

Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
Portugal tem um grave défice de cuidados continuados para portadores de doenças raras, não havendo uma única unidade estatal,...

O Núcleo de Estudos de Doenças Raras da Sociedade de Medicina Interna reconhece os avanços que se têm registado no tratamento destas patologias, nomeadamente o ritmo de introdução dos medicamentos, mas lamenta o “grave défice” de cuidados continuados na assistência a estes doentes.

“Não há nenhuma unidade de cuidados continuados estatal caraterizada para esta área da saúde. Há apenas uma da área privada, de uma associação de doentes, a Raríssimas”, disse o coordenador do Núcleo de Estudos, Luís Brito Avô, a propósito do Dia Mundial das Doenças Raras, que se assinala na terça-feira.

Com um modelo assistencial único, a Casa dos Marcos, da Raríssimas, é uma resposta às necessidades comunicadas por doentes portadores de patologia rara, respetivas famílias, cuidadores e amigos, disponibilizando um conjunto de serviços que incluem, por exemplo, unidade de lar residencial, centro de atividades ocupacionais, unidade clínica e de reabilitação e unidade de cuidados integrados.

Sobre o panorama em Portugal, sobretudo ao nível da oferta pública, Luís Brito Avô refere que os cuidados continuados estão muito dirigidos à terceira idade e a pessoas com múltiplas patologias ou défices sociais:

“Os cuidados continuados estão submersos pelos idosos e aqui estamos a falar de doenças que vão da pediatria até à medicina de adultos; e algumas técnicas são muito dirigidas e específicas para cada tipo de doente. E há uma intenção de reintegração o mais provável possível, o que é diferente dos cuidados continuados do doente idoso”.

Nem toda a população de doentes raros necessita ou necessitará de cuidados continuados, havendo aliás muitos portadores de doença rara com vidas perfeitamente normais.

Outra das necessidades do país, segundo o especialista, é aumentar a formação específica dos profissionais de saúde, sejam médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ou assistentes sociais.

Estima-se que haja cerca de 7.000 doenças raras e muitas delas são “profundamente desconhecidas” de muitos profissionais de saúde.

O coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Raras defende assim que a formação devia ser dada a dois níveis: nos cursos universitários e depois em pós-graduação.

Numa análise mais global, Luís Brito Avô reconhece que a certificação dos centros de referência na área da saúde foram um grande avanço, na equidade e encaminhamento correto do doente.

Não morriam tantas pessoas desde 1960
Este foi o oitavo ano consecutivo em que o número de mortes ultrapassou o total de nascimentos. Desde 2009, Portugal perdeu...

O número de mortes em Portugal tem-se mantido relativamente estável. Mas em 2016 morreram quase 111 mil pessoas e este é o valor absoluto mais elevado registado em Portugal desde 1960 (quando se registaram mais de 95 mil óbitos), uma consequência do progressivo envelhecimento da população e, eventualmente, da precocidade da epidemia de gripe sazonal, que neste Inverno atingiu o pico em Dezembro passado e atingiu sobretudo a população mais idosa.

Em 2016, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) contabilizou 110.927 óbitos, enquanto o Instituto Ricardo Jorge (Insa) registou 87.557 “testes do pezinho”, o rastreio que praticamente todos os bebés fazem à nascença. Ainda provisórios, estes dados estarão muito próximos dos valores finais e permitem concluir que o saldo natural (mortes versus nascimentos) voltou a ser negativo (menos 23.380), o que acontece já pelo oitavo ano consecutivo em Portugal. A boa notícia é a de que o número de nascimentos cresceu de novo.

O aumento do número de mortes não surpreende os especialistas, escreve o jornal Público. “É natural. Se a população está envelhecida, há cada vez mais pessoas nas idades de maior risco [de morrer]”, observa Maria João Valente Rosa, diretora da Pordata, a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

"Nunca fomos tão velhos"
“Nunca fomos tão velhos, esta evolução terá muito a ver com o envelhecimento”, corrobora Paulo Nogueira, o responsável pela Direção de Serviços de Informação e Análise da DGS. Também o facto de neste ano a epidemia de gripe sazonal ter atingido o pico em Dezembro passado, quando noutros anos isso costuma acontecer em Janeiro ou Fevereiro, poderá ter tido alguma influência neste acréscimo, especula Paulo Nogueira. Mas o problema, acentua, é que há dez anos ainda nasciam mais pessoas do que as que morriam.

É precisamente este fenómeno - o aumento do saldo natural negativo - que mais preocupa os especialistas em demografia e em epidemiologia. O ano de viragem foi 2007, quando pela primeira vez (excetuando o ano da gripe pneumónica, 1918, em que morreram quase 250 mil portugueses) houve mais mil óbitos do que nascimentos em Portugal. Em 2008, a tendência reverteu-se, mas no ano seguinte o saldo natural voltou a ser negativo e tem continuado assim desde então.

Portugal está, pois, a “encolher” e a perder população progressivamente. Entre 2009 e 2016, feitas as contas por alto, perdemos quase 126 mil pessoas e falta ainda somar a este número o resultado do saldo migratório (emigração versus imigração) que desde 2011 também se tem revelado sempre negativo.

Para a socióloga Ana Fernandes, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, o que merece destaque é justamente este fenómeno de “implosão” demográfica. “Estamos em perda [há anos] e, se não atrairmos jovens, corremos o risco de atingir o ano de 2060 com menos de sete milhões de pessoas, de acordo com projeções efetuadas pelo Instituto Nacional de Estatística. É uma perda muito grande”, enfatiza. “E o problema não é termos menos gente, é termos menos gente mais envelhecida”, acrescenta.

Relativamente ao aumento da natalidade que se voltou a observar em 2016, Ana Fernandes lembra que Portugal tinha “batido no fundo” – em 2013 nasceram menos de 83 mil crianças – e o que está a acontecer agora é “uma recuperação face à contenção” verificada nos anos da crise económica. Alguns casais não podiam todavia adiar mais o seus projetos de parentalidade e, depois da saída da troika, os nascimentos naturalmente aumentaram, diz.

As projeções divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2013 apontaram para uma redução drástica da população em 2060. Se Portugal não conseguir aumentar a natalidade e os saldos migratórios continuarem negativos como até agora tem acontecido, em 2060 a população nacional poderá ficar reduzida a 6,3 milhões de habitantes, no mais pessimista dos três cenários traçados então pelo INE. O cenário mais otimista prevê que a população se fique pelos 8,6 milhões de residentes em 2060, mas isso implicaria uma recuperação bem mais significativa da natalidade e o crescimento da imigração. 

O impacto da gripe e do frio
“Em saúde pública, isto [o aumento do número de óbitos] é considerado um fenómeno esperado e normal. 2016 foi um ano sereno, sem grandes problemas, apesar de ter havido uma concentração, um excedente de mortalidade [em Dezembro] . Todos os anos a mortalidade tem um comportamento irregular”, sintetiza o diretor-geral da Saúde, Francisco George. Esta variação está relacionada com "o aumento da população que se aproxima do fim de vida", diz também. 

Ana Fernandes e Maria João Valente Rosa sublinham, todavia, que o indicador que deve ser levado em conta quando se fala de mortalidade é o da esperança de vida – e esta não tem cessado de aumentar em Portugal, numa evolução sem paralelo. Quanto ao número de óbitos, esse é resultado da estrutura etária e não deve funcionar como indicador de mortalidade, frisa a diretora da Pordata. O que é certo, sublinha, é que "somos cada vez menos”, e, para que a população não diminua, "estamos cada vez mais dependentes da dinâmica migratória".

O número de óbitos verificado em 2016 também não surpreende Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública. “Quanto maior a proporção de idosos, maior será a mortalidade”, comenta o médico, que nota que, para se poder fazer comparações, seria necessário levar em conta as taxas de mortalidade padronizada.

Além disso, nota, a mortalidade está em parte associada a condições meteorológicas adversas, como os picos de frio e as ondas de calor. "Recorrentemente, nos períodos de Inverno, temos excessos de mortalidade", e, neste Inverno, o pico da epidemia de gripe sazonal associado a temperaturas baixas ocorreu em Dezembro passado. Acresce que a estirpe predominante do vírus foi a H3N2, que é habitualmente mais severa e atinge sobretudo os mais idosos e vulneráveis, que têm um risco maior de morrer, justifica. Os dados da mortalidade de 2016, lembra ainda, podem estar associados a “uma época de gripe e meia”, porque o pico da gripe sazonal do Inverno passado ocorreu já no princípio de 2016.

"O excesso de mortalidade deve ser motivo de preocupação", considera Ricardo Mexia, que lembra que há vários estudos que indicam que Portugal, apesar de ter uma amplitude térmica baixa, é um dos países em que a população é mais vulnerável aos efeitos do frio e do calor na saúde. Porquê? "A nossa construção não é a mais adequada, há pessoas que acabam por recorrer a expedientes para se aquecer, como as braseiras, e os acidentes acontecem". 

Estudo
Cada um dos nossos ouvidos tem cerca de 15.000 células ciliadas. Quando diminuem, começa a perder-se a audição. E se fosse...

Cinco por cento da população mundial sofre com perda de audição, o que corresponde a 360 milhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para resolver este problema, é preciso entrar no ouvido interno. É lá que estão os cílios, que se movem por vibrações sonoras. Quando se perdem células ciliadas, a audição diminui. Um grupo de cientistas percebeu (por agora em ratinhos) como poderá regenerá-las nos ouvidos, escreve o jornal Público.

Para percebermos a falta de audição, viajemos até ao ouvido. Vamos imaginar: quando alguém nos chama, esse som entra pela orelha, que por sua vez o encaminha para o canal auditivo. Depois, é no tímpano que esse som se transforma em vibrações. Mas é o martelo, a bigorna e o estribo que passam as vibrações para o ouvido interno, também conhecido como cóclea. E paremos: é aqui que estão os cílios, minúsculos pêlos, que se movem quando há vibrações sonoras. Cada ouvido humano tem cerca de 15.000 células ciliadas e, quando elas diminuem, há perda de audição. Ou seja, não ouvimos bem quando alguém nos chama.

E se conseguíssemos criar células ciliadas? Cientistas do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, partiram desta questão. Usando uma combinação de substâncias químicas e dos chamados “fatores de crescimento”, conseguiram criar mais de 11.500 células ciliadas. Fizeram-no a partir de uma única célula estaminal do ouvido de ratinho (um tipo de células que tem a capacidade de originar células ciliadas).

Mas este resultado já tem antecedentes. Em 2013, investigadores do Hospital dos Olhos e Ouvidos do Massachusetts tinham conseguido regenerar células ciliadas – cerca de 200 –, ao transformarem outras células do ouvido interno naquelas células. Assim, os ratinhos conseguiram recuperar parte da audição.

Desta vez, e isso vem relatado na revista Cell Reports desta semana, o trabalho tem uma dimensão maior. Os ratinhos têm em cada ouvido cerca de 3000 células ciliadas. Como já vimos, agora os investigadores criaram mais de 11.500 células ciliadas.

Para tal, usaram células estaminais de ratinhos recém-nascidos (entre um a três anos de idade) e de adultos (com 30 a 60 dias), bem como de um primata adulto e, ainda, de um humano. No caso dos ratinhos, usaram-se tanto células como tecidos da cóclea.

Mas como fizeram esta regeneração? Em 2013, os cientistas já tinham visto que o ouvido interno tem células estaminais que podiam ser manipuladas num pratinho de laboratório. Elas têm uma proteína chamada “Lgr5”, que também existe em células estaminais intestinais dos adultos, células estas que, a cada oito dias, regeneram todo o revestimento dos intestinos, explica um comunicado do Hospital dos Olhos e Ouvidos do Massachusetts. Os cientistas decidiram explorar esta capacidade de regeneração e tentar criar células com cílios. Com substâncias químicas, transformaram então células de ratinhos que tinham a proteína Lgr5 em novas células ciliadas.

“Mostrámos que conseguimos aumentar a produção de células que expressam a Lgr5, para as diferenciar em células ciliadas, o que abre a porta para a descoberta de medicamentos para a audição”, diz, no comunicado, Albert Edge, da Universidade de Harvard e também um dos autores do artigo.

E no ser humano?
Nem só os resultados em células de ratinhos foram “surpreendentes” para a equipa. No estudo também se usou tecido nervoso do ouvido interno de um homem de 40 anos (retirado durante uma cirurgia a um tumor no cérebro). As células estaminais recolhidas neste tecido humano foram submetidas ao mesmo tratamento feito às células dos ratinhos. Em 12 dias, multiplicaram-se as células estaminais e geraram-se novas células ciliadas “de forma semelhante aos ratinhos”, diz-nos outro autor do trabalho, Jeffrey M. Karp, da Universidade de Harvard, sem adiantar quantas células ciliadas humanas se obtiveram.

“Demonstrámos que o cocktail de moléculas funciona no tecido humano. Mais importante do que isso, demonstrámos que as nossas moléculas têm capacidade para expandir as células estaminais da cóclea do ser humano e gerar novas células ciliadas”, explica Jeffrey Karp.

Voltemos aos ratinhos: se cada um deles tem 3000 células ciliadas em cada ouvido, obter 11.500 não será de mais? “Ao longo das nossas experiências, observámos que podemos duplicar o número de células ciliadas e ter uma cóclea saudável”, responde Jeffrey Karp. “Quando as células ciliadas do tecido intacto da cóclea morreram devido a antibióticos, vimos que os nossos compostos as regeneravam para os níveis do tecido saudável.”

O objetivo é um dia reparar os danos na audição. Para fazer ensaios clínicos (em pessoas), previstos para daqui a 18 meses, segundo um comunicado do MIT, alguns elementos da equipa criaram a empresa Frequency Therapeutics. A equipa espera que um tratamento destes seja fácil de aplicar, com medicamentos que se possam injetar no ouvido médio e difundam através da membrana para o ouvido interno. Este tipo de injeção é frequentemente usado para tratar infeções nos ouvidos. 

Instituto Nacional de Estatística
Num século, a esperança de vida à nascença mais do que duplicou em Portugal.

“Portugal assistiu a dois tipos de transições, a demográfica e a epidemiológica, como é típico das sociedades mais desenvolvidas”, assinala o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia.

Se antes se morria muito em Portugal por doenças transmissíveis e agudas, atualmente predominam as doenças crónicas e degenerativas, sobretudo as cardiovasculares, os tumores malignos e a diabetes, e o sistema de saúde ainda não foi “reorientado” para esta realidade, nota Ricardo Mexia. “O sistema de saúde ainda é muito hospitalocêntrico, ainda se gasta muito pouco em prevenção”, lamenta o médico.

De que se morre hoje em Portugal? Sobretudo ainda de doenças do aparelho circulatório (cérebro e cardiovasculares), apesar da acentuada redução da mortalidade por estas causas que se tem vindo a registar nas últimas décadas (ainda na década de 80 do século passado estas patologias eram responsáveis por 45% do total dos óbitos).

A segunda causa de morte, que se tem vindo a aproximar-se gradualmente da primeira, são os tumores malignos - em 1955, representavam apenas uma fração reduzida dos óbitos (7,6%). Em 2015, de acordo com os últimos dados que o Instituto Nacional de Estatística divulgou na semana passada, os tumores malignos foram o motivo de 24,5% do total de óbitos, enquanto as doenças respiratórias continuavam a ser a terceira causa de morte em Portugal (12,4%).

A diabetes tem igualmente relevância na mortalidade, escreve o jornal Público, sendo responsável por mais de 4% dos óbitos, uma proporção quase idêntica à das doenças do aparelho digestivo. Para combater este cenário, prescreve Ricardo Mexia, é preciso "apostar na actividade física, na melhoria da dieta, na visita regular aos médicos, na cessação tabágica". 

A boa notícia é a de que, ao longo de todo o século XX e na primeira década deste século, a esperança de vida à nascença mais do que duplicou em Portugal. Se, em 1920, a esperança de vida à nascença se ficava pelos 35,82 anos para os homens e 40,06 para as mulheres, em 2014, segundo os últimos dados disponíveis, estes valores passaram para 77,4 anos e 83, 2 anos, respectivamente. Em 2015, havia já mais de quatro mil portugueses com 100 ou mais anos.

Foi uma recuperação fenomenal, porque Portugal partiu de uma posição muito desfavorável e encontrava-se numa etapa de combate à mortalidade muito mais atrasada face a outros países da Europa Ocidental. A mortalidade infantil foi descendo ao longo dos anos de uma forma impressionante, sendo hoje uma das mais reduzidas do mundo.

É este aumento da esperança de vida que acaba por se reflectir também no progressivo envelhecimento da população. Em 2015, Portugal era o quinto país com o índice de envelhecimento (número de pessoas com 65 e mais anos por cada 100 pessoas menores de 15 anos) mais elevado da União Europeia, a seguir à Itália, Alemanha, Grécia e Bulgária. Um envelhecimento que não tem sido compensado pelo aumento das taxas de natalidade e de fecundidade, nem pela entrada de imigrantes, que poderiam ajudar ao rejuvenescimento da sociedade portuguesa.

Governo
O Ministério da Justiça vai contratar, este ano, 28 médicos e 56 enfermeiros para os serviços prisionais e investir na compra...

O anúncio foi feito hoje pela secretária de Estado adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro e pelo diretor dos serviços prisionais e de reinserção, Celso Manata, na cerimónia de inauguração da primeira unidade de cuidados de saúde continuados dos serviços prisionais em Portugal, no Hospital Prisional S. João de Deus, em Caxias.

“O Ministério da Justiça está a tentar resolver problemas estruturais, de longa data. Estão a ser feitas, pela primeira vez nos últimos 10/15 anos, grandes investimentos em carros celulares, câmaras de videovigilância e rádios”, disse Celso Manata.

O investimento global ronda os 5,5 milhões de euros, sendo que três milhões são para carros celulares, dois milhões para videovigilância, e meio milhão para rádios.

“Havia uma série de fragilidades que havia que era preciso colmatar. A vídeo vigilância não resolve tudo, mas é um auxiliar importante para termos maior eficiência, menor número de recurso humanos e uma melhor gestão do erário público”, disse Celso Manata adiantando que algumas câmaras serão colocadas no Estabelecimento prisional de Caxias, já que, “a maior parte das câmaras estão avariadas”.

No domingo fugiram do EP de Caxias três reclusos, detidos preventivamente, tendo dois deles, de nacionalidade chilena, sido já capturados em Espanha, encontrando-se o português ainda a monte.

Por sua vez, a secretária de Estado realçou o investimento na área da saúde em meio prisional com a inauguração das instalações da primeira unidade de cuidados de saúde continuados, que foram construídas por reclusos e tiveram um custo de cerca de 40 mil euros.

“Assegurar cuidados de saúde de qualidade à população reclusa é mais que uma responsabilidade puramente humanitária. A prestação de cuidados de saúde de qualidade em meio prisional constituiu um instrumento estratégico ao serviço da plena reintegração social e combate à reincidência”, disse Helena Mesquita Ribeiro.

Segundo o Ministério da Saúde, a unidade de cuidados de saúde continuados vem dar resposta ao aumento da média de idades dos reclusos, que passou de 36,6 anos em 2008 para 39,7 anos em 2015, e à prevalência de detidos com doenças crónicas incapacitantes e com dependência funcional.

A unidade garante a prestação de diversos cuidados como atividades de manutenção e de estimulação, apoio no desempenho das atividades básicas e instrumentais da vida diária, apoio psicossocial, controlo fisiátrico periódico, cuidados de enfermagem de reabilitação, cuidados de enfermagem permanente, cuidados de higiene, conforto e alimentação, cuidados médicos, exames complementares de diagnóstico, preparação da alta e respetivamente encaminhamento, prescrição e administração de fármacos.

Hoje também o hospital prisional recebeu uma nova ambulância doada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

EUA
A história da família Young está a comover não só os Estados Unidos como pessoas do mundo inteiro.

Keri Young estava grávida de 19 semanas quando descobriu, numa consulta normal de gravidez, que a bebé que carrega na barriga não tinha cérebro. Os médicos aconselharam-na a abortar.

Segundo o Sapo, a notícia chocou a família Young, mas trouxe uma decisão surpreendente: a progenitora decidiu levar a gravidez até ao fim para doar os órgãos para bebés que deles necessitem para sobreviver.

Foi o marido de Keri, o jornalista Royce Young, que deu a conhecer o caso numa mensagem dedicada à mulher, publicada no Facebook.

Royce descreveu o momento em que a família soube da notícia e elogiou a coragem de Keri. "Apesar de todo o seu corpo chorar profundamente, de alguma forma Keri conseguiu levantar-se e perguntar: 'se a tiver até ao fim, podemos doar os seus órgãos?'", recorda o pai.

"Todo o processo tem sido difícil, mas eu digo isto assistindo das bancadas, tal como vocês. A Keri tem estado no campo o tempo todo, a sentir cada pontapé, cada soluço. Ela é lembrada a cada momento, todos os dias, que carrega um bebé que vai morrer".

"Esta foi uma das experiências mais poderosas que já vivi. Em oito anos que estamos casados (15 em que estamos juntos), tive vários momentos em que pensei: 'caramba, que sorte tenho em estar casado com esta mulher. Mas desta vez foi diferente. Percebi que não só estou casado com a minha melhor amiga, mas também com um ser humano absolutamente notável e especial", acrescentou Royce Young.

O parto de Keri está previsto para 7 de maio.

Estudo
O alerta é de um novo estudo científico que garante que dormir mais de nove horas por noite pode simbolizar uma predisposição...

Cientistas norte-americanos, da Universidade de Boston, concluíram que quem dorme regularmente mais do que nove horas por noite tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver demência.

O estudo não estabelece uma razão de causa-efeito, é apenas uma conclusão com base em dados estatísticos, escreve o Sapo.

Em 2025 a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que os número de pessoas com 65 anos com algum tipo de demência, nomeadamente Alzheimer, superará os 10 milhões.

De acordo com os investigadores do referido estudo, a população com maior risco de demência dorme mais de nove horas por dia e não tem o ensino secundário: neste grupo de pessoas o risco aumenta seis vezes.

A investigação, que se baseou em dados de mais de dois milhares de pessoas, conclui ainda que o excesso de horas de sono está associada a uma redução do volume do cérebro.

Matthew Pase, professor do Centro Médico da Universidade de Boston e principal autor do estudo, diz que "ir medindo a duração do sono pode ser uma ferramenta útil para prever o risco de cada pessoa de vir a desenvolver demência num prazo de dez anos", cita o Telegraph.

ESEnfC
Mostra da ESEnfC estará patente, até 31 de março, no átrio principal dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, inaugurou, ao início da tarde de ontem, a exposição itinerante “135 anos de Ensino de Enfermagem em Coimbra”, que vai estar patente, até dia 31 de março, no átrio principal dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

Na sessão inaugural desta mostra da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) estiveram, também, Maria da Conceição Bento e José Martins Nunes, respetivamente presidentes da instituição de ensino superior e do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Esta exposição visa dar a conhecer a história e o desenvolvimento do ensino da Enfermagem, desde 1881 (ano da criação da Escola de Enfermeiros de Coimbra, fundada por Augusto da Costa Simões) até à atualidade, assim como o respetivo impacto na melhoria dos cuidados prestados nos serviços de saúde.

Nesta mostra retrospetiva, que conta com a curadoria de Cristina Nogueira (CulturAge), o visitante pode dar-se conta da evolução das instalações, dos meios ao dispor do ensino e da profissão, da articulação com os estabelecimentos de saúde, da atividade científica e de investigação, dos serviços de extensão à comunidade, das cerimónias académicas e estudantis, mas também das transformações políticas, sociais e legislativas que condicionaram o futuro da ESEnfC, ou das mudanças nos planos de estudos.

Painéis informativos com pequenos textos, objetos ligados à profissão, documentos e fotografias pretendem levar o público visitante a conhecer o passado e o presente da Enfermagem e da ESEnfC.

No período da manhã, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, integrou, ainda, a mesa de abertura do Congresso SPSim 2017 - “A simulação e a humanização dos cuidados de saúde”, que se realizou na ESEnfC, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da Saúde (SPSim).

Telemedicina
O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Martins Nunes, considerou que os...

"Se tivermos em mente que uma questão fundamental [no Serviço Nacional de Saúde (SNS)] é o acesso e a coesão territorial e nacional na saúde, nós estamos a ver quanto de bom trajeto o Ministério da Saúde e os hospitais estão a traçar nesta matéria", disse o responsável.

Martins Nunes falava aos jornalistas após uma visita ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) efetuada pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que assistiu à consulta de cardiologia por telemedicina entre o Serviço de Cardiologia B do polo Hospital Geral e a extensão de saúde de Granja do Ulmeiro, do Centro de Saúde de Soure, e à inauguração da consulta de hematologia clínica com o Centro Hospitalar Cova da Beira.

"Isto é um contributo enorme para a coesão territorial e para o acesso aos cuidados de saúde", sublinhou.

O presidente do conselho de administração dos CHUC anunciou que, até ao final do ano, existe a intenção de "praticamente todos os serviços" estarem conectados através de telemedicina com os hospitais e centros de saúde da região Centro.

Segundo Martins Nunes, neste momento o CHUC está num processo de consulta e "conta até ao final do ano ter a oftalmologia, a dermatologia, inclusive as biopsias, feitas à distância," entre outras, disponíveis em rede através da telemedicina.

"Isto não é custo. Trata-se de um investimento seguro que a curto prazo tem resultados palpáveis", disse o responsável, salientando que já existe por telemedicina o serviço da Via Verde AVC, que abrange todos os hospitais da região Centro, e a criação do programa TeleTrauma, apresentado na semana passada, que envolve uma parceria com o Centro de Trauma de Miami, nos Estados Unidos da América.

O projeto vai agregar também todos os hospitais da região Centro, permitindo que, através de telemedicina, especialistas em trauma possam interagir com o cenário de acidente e com outros centros de emergência médica no local de um acidente em massa ou situação de catástrofe, usando dispositivos móveis de Internet para determinar a gravidade das lesões.

"O teletrauma é outra das áreas importantíssimas, porque ter um trauma a 500 quilómetros de distância tem o mesmo acesso de tratamento que tem um doente que tenha um traumatismo numa cidade grande", frisou Martins Nunes.

Para o presidente do CHUC, a criação de uma rede de telemedicina é "a melhor solução para um país como Portugal, colocando as tecnologias ao serviço da saúde e do Serviço Nacional de Saúde".

Atualmente, os CHUC já estão em rede de telemedicina nas áreas de cardiologia pediátrica com todos os hospitais da região Centro, com alguns centros de saúde, Hospital de Vila Real, com Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil e agora com Miami.

Ao nível da cardiologia B, estão em rede com seis centros de saúde do Baixo Mondego, que vai ser alargada a "toda a zona de influência do polo dos Hospital Geral e depois do polo universitário".

Segundo Martins Nunes, fica a faltar a medicina interna, a infecciologia e a oncologia para "ter a grande mancha de utilidade desta tecnologia".

O secretário de Estado da Saúde visitou hoje as obras de requalificação do serviço de hematologia clínica, cujo investimento rondou os 160 mil euros, e do Hospital de Dia do serviço de neurologia, remodelado e ampliado ao abrigo do mecenato, ambas no polo do hospital universitário.

Manuel Delgado inaugurou ainda a exposição "135 anos de ensino de Enfermagem em Coimbra", promovida pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e que se encontra patente ao público no átrio principal do polo do hospital universitário.

Cascais
A Câmara de Cascais, o Grupo Luz Saúde, a Universidade Católica Portuguesa e a Universidade de Maastricht vão assinar hoje um...

O Campus de Cascais da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa será um “projeto internacional de Medicina, único em Portugal”, refere a autarquia.

Baseado no modelo de ensino (assente em Problem Based Learning) que a Universidade de Maastricht tem vindo a desenvolver há 50 anos o curso será totalmente lecionado em inglês.

“Com a instalação de mais um campus universitário no concelho, Cascais afirma-se, uma vez mais, como polo agregador de ensino, conhecimento e inovação”, lê-se numa nota divulgada pela Câmara de Cascais.

A cerimónia, marcada para as 11:00, no Centro Cultural de Cascais, conta com a presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, do presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, da reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, do diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Maastricht, Albert J. J. A. Scherpbier, e da CEO do Grupo Luz Saúde, Isabel Vaz.

Estudo
Quatro em cada dez mulheres com cancro na mama 'Her2' poderiam evitar a quimioterapia e realizar terapias biológicas...

O teste analisa 50 genes e determina se o perfil genético da paciente é mais adequado para um tratamento ou outro.

Esta é a conclusão do estudo “Pamela”, um ensaio clínico em que participaram 19 hospitais espanhóis e foi publicado hoje na revista “The Lancet Oncology”.

Segundo uma explicação técnica dada no sítio na Internet da Roche, farmacêutica suíça, o cancro na mama 'Her2' é a abreviatura de “Human Epidermal growth factor Receptor-type 2”, ou seja, “recetor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano”.

“Em quantidades normais, esta proteína tem um papel importante no crescimento e desenvolvimento de uma vasta categoria de células”, mas um erro aleatório no gene pode levar ao desenvolvimento de cancro.

No estudo, liderado pelo grupo internacional de investigação clínica de cancro na mama SOLTI – participaram 151 mulheres com cancro na mama de 19 hospitais espanhóis.

O cancro da mama divide-se em três importantes grupos clínicos: dois do tipo ER, que expressam recetores de hormonas, e um terceiro que expressa recetores de 'Her2'.

Os dois primeiros afetam 70% das mulheres e o terceiro (her2) cerca de 20% das doentes com cancro na mama.

O ensaio pretendia analisar se as pacientes com cancro da mama 'Her2', com um perfil genómico determinado (chamado Her2-enriquecido), respondiam bem ao tratamento biológico e poderiam evitar a quimioterapia.

O teste chamado PAM50 analisa simultaneamente a expressão de meia centena de genes do tumor, o que permite identificar “até quatro subgrupos de cancro da mama 'Her2': Luminal A, Luminal B, Basal-like e 'Her2'-enriquecido”, explicou Aleix Prat, chefe do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Clínico de Barcelona.

O estudo demonstra que o fenótipo 'Her2'-enriquecido, que representa 60% das pacientes, identifica as mulheres com mais possibilidade de êxito no tratamento sem quimioterapia.

Depois de serem submetidas ao teste, 151 doentes com cancro 'Her2' recém-diagnosticadas receberam tratamento biológico baseado em dois fármacos, o lapatinib e trastuzumab, e depois foram operadas.

Dezoito semanas depois, o tumor tinha desaparecido por completo em 40% dos casos com um perfil genético Her2-enriquecido, em relação a 6% das pacientes com outros perfis.

“No estudo era obrigatório realizar uma biópsia duas semanas depois do tratamento e vimos que em 54% das pacientes com o perfil Her2-enriquecido não havia tumor ou só restavam algumas células tumorais”, sublinhou Aleix Prat.

OMS
A depressão atingia 322 milhões de pessoas no mundo em 2015, um crescimento de 18,4% numa década segundo dados da Organização...

De acordo com um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a depressão e outros distúrbios mentais, como a ansiedade, a depressão é o fator que mais contribui para o suicídio, que em 2015 foi a causa de morte de 788 mil pessoas em todo o mundo, representando 1,5% das mortes nesse ano a nível global, e colocando o suicídio entre as 20 principais causas de morte.

O suicídio foi, em 2015, a segunda principal causa de morte na faixa etária entre os 15 e os 29 anos.

De 2005 a 2015 a prevalência da doença em termos globais cresceu 18,4%, adiantou a OMS, explicando que o aumento reflete o crescimento da população e também o seu envelhecimento, uma vez que a depressão é mais comum entre as pessoas mais velhas.

A nível global, a depressão tem maior prevalência entre as mulheres (4,4%) do que entre os homens (3,6%), e é mais comum entre as mulheres mais velhas, afetando 7,5% das mulheres entre os 55 e os 74 anos.

Em termos geográficos, segundo a OMS metade dos casos de depressão registam-se nas regiões do sudeste asiático e oeste do Pacífico, refletindo a grande densidade populacional concentrada nessa região do globo, que inclui países como a China e a Índia.

No que diz respeito à ansiedade a prevalência a nível mundial é de 3,6% - 4,6% entre as mulheres e 2,6% entre os homens.

A maior taxa de incidência é entre as mulheres do continente americano, com um registo de 7,7%.

Os 264 milhões de pessoas afetados pela depressão em 2015 representam um crescimento de 14,9% face a 2015.

Segundo a OMS muitas pessoas sofrem de quadros de depressão e ansiedade em simultâneo, não sendo, por isso, possível chegar a um total de doentes apenas pelo somatório de ambos os casos.

Os distúrbios ligados à depressão são classificados a nível mundial como o maior responsável deterioração do estado de saúde para condições não letais, com um peso de 7,5%, refere o documento da OMS, que coloca a ansiedade em 6.º lugar nesta lista.

28 Fevereiro - Dia Mundial das Doenças Raras
Aliança Portuguesa de Associações das Doenças Raras pede aos portugueses para se juntarem a petição internacional #RAREvolution...

Maior investimento na investigação científica para reforçar o apoio aos doentes raros. Este é o mote para o Dia Mundial das Doenças Raras que tem na petição #RAREvolution, lançada a nível mundial pela da Fundação BLACKSWAN, um importante instrumento de divulgação e de captação de apoios. Em Portugal, o repto está a ser feito pela Aliança Portuguesa de Associações das Doenças Raras. A petição, na versão em português, está disponível aqui.

O objetivo desta petição é reunir assinaturas de todos os pontos do mundo e lembrar que cada doença rara afeta no máximo uma pessoa em cada 2000, mas há mais de 6 mil doenças raras identificadas. Estima-se que na União Europeia cerca de 30 milhões de pessoas tenham uma doença rara e, só em Portugal, mais de 600 mil pessoas com doenças raras.

O aumento dos recursos alocados, a promoção de uma abordagem multidisciplinar e coordenada, a adoção de políticas de incentivo específicas, a otimização de sistemas de classificação das doenças raras adequados e reconhecidos internacionalmente, o investimento em métodos de diagnóstico das doenças raras inovadores, para permitir uma intervenção precoce, são alguns dos pontos dispostos na petição como orientadores para o estabelecimento de políticas de apoio à investigação das doenças raras.

Os termos da petição incluem pontos estratégicos que necessitam do apoio de instituições e organizações internacionais e apresentam orientações para a implementação de políticas de investigação e desenvolvimento no âmbito das doenças raras. Os principais investigadores europeus que desenvolvem o seu trabalho no âmbito das doenças raras já assinaram a petição.

Após a recolha de assinaturas, a petição será entregue a entidades que regulam, apoiam e financiam a investigação e inovação científica, como o diretor-geral da OMS, a direção-geral dos Sistemas de Saúde e Inovação OMS, o secretário-geral e estados membros da ONU, o chefe da divisão de saúde da OCDE, direção-geral da Investigação e da Inovação da União Europeia e da Comissão Europeia, entre outros.

Para assinalar o Dia Internacional das Doenças Raras 2017, a Aliança Portuguesa de Associações das Doenças Raras está também a promover um vídeo de sensibilização que mostra a realidade de muitas pessoas com doenças raras, que muitas vezes vivem anos angustiadas, sem conhecer ou compreender a sua doença, devido à falta de conhecimento sobre estas patologias. A versão portuguesa conta com a voz do ator André Gago.

A Associação vai ainda promover o evento “Ser raro”, em parceria com o i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, da Universidade do Porto (R. Alfredo Allen 208, 4200-135 Porto), na sede desse Instituto, no dia 1 de março, a partir das 15 horas. Em discussão estará a investigação e a inovação, com relatos positivos de vidas mudadas pela investigação, tanto de doentes como dos próprios profissionais.

A Aliança Portuguesa de Associações de Doenças Raras, fundada em 2008, tem como objetivo defender as necessidades de quem vive com doença rara, sensibilizar a opinião pública e representar as associações e as doenças raras de forma transversal junto das entidades decisoras. 

Administração Regional de Saúde
As consultas na área dos cuidados de saúde primários na região Centro aumentaram 2,8% em 2016, atingindo um total de mais de 5...

O crescimento global das consultas realizadas pelas unidades de saúde da região Centro resulta dos aumentos registados a nível das consultas presenciais e não presenciais e dos domicílios médicos, com acréscimos de 1,2%, de 7,3% e de 9,4%, respetivamente, explica a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro.

Ainda a nível dos cuidados de saúde primários, a região Centro atingiu, o ano passado, as 63 unidades, com a entrada em funcionamento de seis novas unidades de saúde familiar, em Coimbra (Norton de Matos), Aveiro (Esgueira e Oliveirinha), Pombal (São Martinho), Viseu (Cidade Jardim) e Mangualde, salienta a ARS do Centro.

O número de profissionais envolvidos em unidades de saúde familiar da região era, no final de 2016, de 1.078 profissionais (385 médicos, 391 enfermeiros e 302 secretários clínicos).

“A nível de unidades de cuidados na comunidade a funcionar na área de influência” da ARS do Centro foi atingida em 2016 “uma cobertura populacional de 88,4%”, destaca ainda a mesma nota, adiantando que “70% dos concelhos da região Centro têm uma, ou mais”, unidades de cuidados na comunidade.

Os resultados relativos ao ano passado “confirmam uma melhoria significativa a nível de cuidados de saúde primários na região Centro”, sublinha a ARS, assegurando que em 2017 essa tendência “continuará a ser reforçada”, com “o aumento do número de profissionais e investimentos em instalações e equipamentos”.

A ARS do Centro abrange mais de 1,7 milhões de pessoas (cerca de 17% da população do país), distribuídas por 78 concelhos (dos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.

28 Fevereiro 2017 - Dia Mundial das Doenças Raras
No âmbito do Dia Mundial das Doenças Raras, que este ano se assinala a 28 de Fevereiro, a comunidade internacional da Colangite...

A EURORDIS, aliança europeia não-governamental centrada nos doentes, constituída por associações de doentes e por indivíduos com atividade no campo das doenças raras, desenvolveu uma campanha internacional para marcar os 10 anos das doenças raras com o mote “Com a investigação, as possibilidades não têm limites” com a qual se pretende chamar a atenção para a importância da investigação nas doenças raras. Alinhadas com este tema, várias associações que fazem parte da EURORDIS e se juntam num movimento dirigido para a Colangite Biliar Primária (CBP), pretendem dar um especial enfoque à importância da investigação nesta doença ainda muito desconhecida por parte da população.

A Raríssimas é a associação nacional que representa esta comunidade e está a implementar um projeto pioneiro em Portugal, o (In)Forma Rara. “Na Raríssimas acreditamos que existe ainda um caminho a percorrer no sentido de aumentar o conhecimento das pessoas, mas também de alertar os profissionais de saúde para a necessidade de se encontrarem alternativas, através do conhecimento e da investigação, que despoletem melhorias significativas na qualidade de vida dos doentes com Colangite Biliar Primária”, refere Joana Neves, Psicóloga Clínica e da Saúde e Coordenadora da Linha Rara.

O objetivo do (In)Forma Rara, distinguido com o prémio internacional Practice to Policy, é aumentar o envolvimento da comunidade e o conhecimento sobre esta doença, sendo que um dos pilares será o envolvimento da Medicina Geral e Familiar, especialidade com um papel fundamental na identificação dos doentes e na referenciação para o diagnóstico da doença. 

A Colangite Biliar Primária é uma doença rara do fígado que é causada por uma reação autoimune que mantém uma inflamação constante nos pequenos canais biliares do fígado. Na CBP, os canais biliares de médio calibre, essenciais para o transporte dos ácidos biliares do fígado para o intestino, apresentam uma inflamação crónica e danos nas suas paredes. Os ácidos biliares ficam, assim, retidos no fígado, podendo tornar-se tóxicos quando estão em elevada concentração. A deterioração da função hepática começa antes de surgirem os sintomas, pelo que é essencial que o diagnóstico se faça o mais atempadamente possível. A CBP se não for diagnosticada e tratada precocemente, pode evoluir para fibrose hepática, cirrose, insuficiência hepática, cancro do fígado e, potencialmente, levar à morte do doente.

Estudo
Os portugueses pouco sabem sobre as instituições nacionais e estrangeiras e pouco confiam nelas, sobretudo em entidades como o...

Entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco de Portugal ou o Banco Mundial aparecem mesmo no fim da tabela de confiança dos portugueses, que mostram desconfiar da autonomia destas instituições “em relação a grupos económicos, governos e forças políticas”.

“Esta desconfiança é particularmente notória na forma como os portugueses olham para o Banco de Portugal e para o Banco Mundial. As duas entidades bancárias que estão nos últimos lugares do ranking da confiança causam descrença praticamente a todos os níveis: independência, competência para supervisionar o sistema ou capacidade de promover o crescimento económico”, refere o documento.

Segundo o estudo da Deco, que é hoje apresentado em Lisboa num encontro sobre “A qualidade da democracia e a confiança nas instituições”, no topo do ranking da confiança os inquiridos colocaram as forças armadas e a polícia, com uma apreciação que, numa escala de 0 a 10, não vai além dos 5,9.

Os inquiridos revelam também níveis mais elevados de confiança na escola pública, na igreja católica, na RTP e nas câmaras municipais.

Confiar pouco é um sentimento que se estende as todas as entidades avaliadas, mesmo as que se podem considerar “teoricamente insuspeitas”, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Metade dos inquiridos não acredita que esta agência das Nações Unidas seja imune a interesses de governos e da indústria farmacêutica”, sublinha o estudo.

A falta de conhecimento sobre as instituições é a outra marca destes resultados. Os participantes foram desafiados a classificar como “verdadeiro”, “falso” e “não sei” várias afirmações relativas às organizações analisadas.

A cruz no “não sei” foi frequente nas questões sobre o Parlamento Europeu, a OMS, a NATO, a Autoridade da Concorrência e, muito frequentemente, nas perguntas sobre o FMI e o Banco Mundial.

“Metade dos inquiridos não sabe se os bancos privados podem pedir dinheiro emprestado ao Banco Mundial e se uma das tarefas desta entidade é supervisionar as agências de rating. Perto de metade (47%) não sabe se a OMS é financiada pela indústria farmacêutica (não é) e 45% desconhecem se o FMI só inclui países do mundo ocidental (não, também inclui nações como a China e a Arábia Saudita)”, exemplificam os autores.

A grande maioria dos inquiridos diz-se pouco conhecedora da estrutura, da missão e das atividades das instituições analisadas. Apenas 23% estão informados dos seus direitos enquanto utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e perto de metade não saberia queixar-se de um erro médico.

O estudo teve como base um questionário enviado a uma amostra da população entre os 30 e os 74 anos, proporcional aos residentes de Portugal Continental no que diz respeito ao género, idade e região. Na ponderação dos dados, manteve-se a proporcionalidade para estas variáveis e para o nível educacional. Foram recebidas 1.598 respostas válidas.

Estudo
Um medicamento para moderar o apetite conseguiu evitar o aparecimento de diabetes tipo 2 em 80% dos pacientes testados num...

A substância, que aumenta a produção de hormonas supressoras do apetite no intestino, foi testada em pessoas com excesso de peso que estavam em situação pré-diabética, caracterizada por níveis altos de açúcar no sangue, que pode evoluir para diabete tipo 2, ou seja, uma doença do metabolismo marcada por excesso de açúcar no sangue.

A condição pré-diabética, que se cura com exercício e uma dieta saudável, é muito difícil de tratar quando evolui para diabetes, levando muitas vezes à cegueira, danos no sistema nervoso e à morte.

Especialistas em obesidade do Imperial College de Londres usaram a droga já conhecida e utilizada para combater a obesidade e a diabetes e conseguiram travar o avanço da doença, em conjunto com um regime de exercício.

A investigação envolveu 2.254 adultos obesos com pré-diabetes em 27 países, que foram divididos em dois grupos, um dos quais com injeções diárias de liraglutida. Ambos os grupos foram colocados numa dieta especial e a fazer exercício.

Após três anos da experiência, o resultado foi que as pessoas que tomaram liraglutida tinham menos 80% de probabilidade de evoluir para diabetes tipo 2.

O médico Carel Le Roux, co-autor do estudo, afirmou que "estes resultados revolucionários podem abrir caminho para um medicamento seguro e eficaz para reverter a pré-diabetes e evitar a diabetes em 80% das pessoas em situação de risco".

Acrescentou que o medicamento testado tem um efeito semelhante a uma hormona produzida naturalmente que reduz o apetite, e que existe menos em pessoas obesas, o que as leva a comer mais.

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