Dia 9 de março
A ligação entre a doença renal e a obesidade foi o tema escolhido para o Dia Mundial do Rim, que se assinala na quinta-feira,...

Em declarações, o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, Aníbal Ferreira, sublinhou que existe hoje “uma associação muito clara entre a doença renal e a obesidade, no que diz respeito ao risco de desenvolvimento de algumas doenças que vão levar à insuficiência renal, como a diabetes e a hipertensão”.

O especialista alertou para o impacto da obesidade e excesso de peso nas idades mais jovens, os quais irão alterar, na idade adulta, os riscos de obesidade e insuficiência renal.

“A própria obesidade funciona, por si só, como um processo inflamatório crónico que vai agredir diversos órgãos e nomeadamente o rim”, acrescentou.

Por esta e outras razões, as organizações internacionais e nacionais decidiram aproveitar o Dia Mundial do Rim para chamarem a atenção para esta associação entre a obesidade e a doença renal.

Sobre a situação do transplante de rins em Portugal, Aníbal Ferreira reconheceu que faltam órgãos para as necessidades dos doentes, mas sublinhou que a taxa de transplantação renal foi, em 2015, a mais elevada de sempre e que em 2016 foi ainda melhor.

Segundo o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), dos 864 órgãos transplantados em 2016, o maior número ocorreu na transplantação renal (499), seguindo-se a hepática (272), a cardíaca (42), a pulmonar (26) e a pancreática (25).

“Apesar deste aumento de transplante, nos últimos anos tem-se verificado um aumento da procura e consequente diminuição da resposta”, disse.

Uma das razões que contribui para este aumento da procura é o facto de as populações viverem hoje mais e, por isso, existirem mais doentes a entrar em insuficiência renal, porque ficam tratados de outras doenças, pelas quais há décadas morreriam.

Em três anos
O número de vítimas de violência no namoro sinalizadas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses aumentou...

De acordo com os dados estatísticos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) sobre violência no namoro, a que a Lusa teve acesso, 2016 terminou com 767 pessoas vítimas de violência no namoro, o que representa um aumento de quase 10% em relação às 699 de 2015, mas significa um crescimento no número de casos de quase 60% quando comparando com as 484 vítimas de 2014.

Em declarações, o responsável pelo estudo confirmou que, ao longo dos últimos três anos, tem constatado uma evolução de aumento do número de casos reportados ao INMLCF em que as vítimas identificam como sendo uma relação de namoro.

Para César Santos, isso corresponde não necessariamente a um aumento real do número de casos, mas antes a uma maior consciencialização das vítimas para os seus direitos e para a necessidade de apresentarem queixa.

“Na violência doméstica em geral e na violência no namoro em particular assiste-se a uma maior consciencialização da sociedade sobre estes fenómenos para o que são os comportamentos abusivos e para que [a vítima] deve fazer valer os seus direitos”, apontou o responsável, coordenador do Gabinete Médico-Legal e Forense do Médio Tejo.

O INMLCF apurou que, no que diz respeito ao perfil da vítima, a maioria (657) são do sexo feminino, havendo 14,3% de homens, tendo havido uma evolução de 55% entre 2014 e 2016, passando de 424 mulheres no primeiro ano para 657 no segundo.

De registar, no entanto, que o número de vítimas homens tem vindo a aumentar exponencialmente, já que em 2014 foram 60 e em 2016 110, o que representa uma subida de 83,3%.

Ainda em relação ao perfil da vítima, os dados do INMLCF revelam que em 34,9% dos casos a pessoa tem entre 18 e 25 anos e em 22,8% entre 31 e 39 anos.

Já no que diz respeito aos agressores, há uma evolução nos últimos dois anos, já que em 2015 eram maioritariamente ex-namorados (52,9%), enquanto em 2016 foram sobretudo os namorados (51,8%).

As formas de agressão mais frequentemente reportadas são variadas e vão desde facadas (16), unhadas (56), puxão de cabelos (104), pontapés (142), empurrões (166), apertões (176) ou bofetadas (230), mas também murros (258) ou estrangulamento (59).

Apesar da tentativa de estrangulamento não ser a mais frequente, o responsável pelo estudo aproveita para salientar que muitas vezes as pessoas não tem real perceção das consequências e apertar o pescoço poderá despertar reflexos que, em última análise, pode provocar uma paragem cardíaca.

“Chamamos a atenção para o apertar do pescoço porque é subvalorizada a sua importância quando poderá ter, em algumas situações, um desfecho inesperadamente fatal”, alertou César Santos.

O INMLCF faz também a análise aos meses, dias e horas em que ocorrem mais agressões para concluir que acontecem sobretudo nos meses de julho (88) e outubro (86), aos fins de semana (246), entre as 15:00 e as 16:59 (99) e as 21:00 e as 22:59 (102)

Estes dados vão ser apresentados publicamente por ocasião do seminário “E se a escola do namoro formasse profissionais em violência”, que decorre no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra, e assinala o Dia Internacional da Mulher.

De acordo com César Santos, este seminário pretende trazer algum contributo na sensibilização para estes temas junto dos mais jovens, sobretudo os alunos do secundário, mas também universitários, dando-lhes as ferramentas necessárias a reconhecer um abuso, perceberem as consequências na saúde física e psíquica mas também ao nível legal.

“O namoro não é suposto ser uma tortura, mas sim um relacionamento de respeito entre duas partes”, concluiu, reforçando que comportamentos abusivos podem muitas vezes ter desfechos trágicos e levar à morte da vítima.

Hospital de Santa Marta
O primeiro coração artificial em Portugal foi segunda-feira implantado com sucesso a um doente de 64 anos que sofria de...

Este doente, que está consciente e hoje recebeu a visita da administradora do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), foi operado no Hospital de Santa Marta pela equipa do cirurgião José Fragata, pioneiro em várias intervenções na área cardiotorácica em Portugal.

Numa conferência de imprensa, José Fragata explicou que esta intervenção foi a resposta clínica possível para este doente que sofria de insuficiência cardíaca, mas que não respondia à medicação.

Para este tipo de doentes, a solução passa por um coração transplantado, mas o facto de o doente sofrer de doença renal e por causa dos efeitos nos rins dos fármacos para a imunodepressão, esta hipótese foi posta de lado.

Este paciente juntou-se, assim, aos 1.200 que em todo o mundo receberam um coração artificial desta geração e que chegam a viver 11 a 12 anos.

Trata-se de “uma bomba muito diferenciada, que funciona por levitação magnética, aspira o sangue da ponta esquerda do coração e injeta na aorta e que está ligada por uma 'drive line' que sai pela parede abdominal do doente e que se liga a um conjunto de baterias”, explicou José Fragata.

Segundo o cirurgião, “é como um telemóvel que tem carga de 17 horas e que à noite é preciso ligar a um carregador”.

José Fragata revelou que “o doente nem sequer dá pelo dispositivo, uma vez que ela esta alojada profundamente no tórax, dentro do saco pericárdico, faz corpo com o coração do doente aspira sangue do ventrículo e injeta na aorta”.

Não se trata de uma substituição, mas sim de uma assistência ao ventríloquo esquerdo. O coração do doente permanece no mesmo sítio, mas apenas o seu lado funciona, pois o esquerdo praticamente só trabalha com o dispositivo, o qual pulsa 5.000 vezes por minuto.

Segundo José Fragata, “os doentes só não poderão fazer desportos náuticos de contacto”, podendo ter uma vida normal.

A cirurgia durou três horas e foi muito participada e, principalmente, assistida por profissionais curiosos que quiseram testemunhar a intervenção inédita em Portugal.

Antes desta cirurgia, a equipa liderada por José Fragata assistiu a vários implantes no estrangeiro e preparou a técnica.

“Isto não é um passo de mágica nem uma atitude aventureira de um conjunto de pessoas que decidiram implantar um coração”, esclareceu o médico.

Segundo José Fragata, existe já um doente internado no Hospital de Santa Marta que aguarda por uma cirurgia destas.

Das 20 a 30 pessoas que aguardam por um transplante de coração em Portugal, este coração artificial deverá ser uma resposta para “quatro, cinco ou seis”.

Cada dispositivo custou 100 mil euros, sendo obrigatória a aquisição de dois, num total de 200 mil euros. A este valor acrescem os 7.000 euros que, por norma, custam a produção por doente nesta unidade de saúde.

Irregularidades financeiras
A Polícia Judiciária está a realizar buscas nas instalações da Ordem dos Enfermeiros, para "recolha de prova"...

A notícia sobre as buscas foi avançada pela SIC que refere que estas diligências da Polícia Judiciária (PJ) resultam de uma denúncia da bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, sobre alegadas irregularidades financeiras no seio da instituição.

Em fevereiro, a imprensa noticiou que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, instaurou processos disciplinares contra a sua vice-presidente, Graça Machado, e contra José Lopes, diretor financeiro.

A Graça Machado são imputados factos como acumulação ilegal de ordenados (da Ordem dos Enfermeiros e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo), despesas sem justificação e uma "cunha", enquanto José Lopes é acusado de ter alterado o sistema informático que controla as horas de trabalho, de não ter pago o IMI de vários imóveis que são propriedade da Ordem e de ter metido uma "cunha", de acordo com o Diário de Notícias.

Posteriormente, segundo noticiou então a TVI, o diretor financeiro e a vice-presidente, ambos suspensos de funções, acusam a bastonária de várias irregularidades relacionadas com o preenchimento de despesas e com a reestruturação dos serviços jurídicos, alegadamente em interesse próprio.

Ministério da Saúde
O pagamento aos hospitais privados das cirurgias que as unidades públicas não conseguiram realizar, que estão em atraso, começa...

“A propósito do pagamento das cirurgias feitas ao abrigo do SIGIC (Sistema Integrados de Gestão de Inscritos para Cirurgia), por convencionados, a dívida das administrações regionais de saúde até 30 de abril de 2016 começa a ser paga esta semana e ficará praticamente liquidada na seguinte”, disse fonte oficial do Ministério.

Desde 30 de abril que são os hospitais as entidades financeiramente responsáveis pelo pagamento das cirurgias não realizadas no Serviço Nacional de Saúde e que são transferidas para os privados convencionados.

“Está a ser feito um esforço de aceleração da conferência de faturação no sentido de regularizar todo o processo de pagamento aos convencionados”, adianta ainda a mesma fonte oficial do Ministério da Saúde.

Segundo um despacho de fevereiro do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, foi efetuado por cada uma das Administrações Regionais de Saúde (ARS) o levantamento das dívidas dos hospitais de origem no âmbito do SIGIC com vales cirúrgicos emitidos até 30 de abril de 2016, cujos valores ainda não foram pagos pelas ARS às entidades convencionadas. Em causa está, neste caso, um montante superior a oito milhões de euros.

Ministro da Saúde
O Ministro da Saúde considerou hoje que 2016 foi “um ponto de viragem” no Serviço Nacional de Saúde e que o estudo hoje...

“O mais importante sinalizar é que 2016 foi um ponto de viragem. Mais uma vez se comprovou que as taxas moderadoras estavam a ser um agente de barreira e acesso ao SNS, sobretudo aos mais pobres”, disse Adalberto Campos Fernandes.

O governante sublinhou que as taxas moderadoras "são sobretudo impactantes em grupos de população muito desfavorecidos" e lembrou que, em relação a estes, já há "mais de seis milhões e 300 mil isentos".

“Estamos a atentos e, se for preciso intervir no próximo orçamento de forma mais diferenciada e qualificada, fá-lo-emos”, afirmou.

“Todos os anos monitorizamos as relações de procura e a relação entre procura/oferta e não nos podemos esquecer que o rendimento é uma combinação de vários fatores. Se melhorar-mos as pensões, aumentar-mos o emprego e criar-mos condições para pagar menos impostos, o rendimento disponível aumenta”, frisou.

O ministro, que falava à saída da apresentação do estudo sobre sustentabilidade na saúde desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa, sublinhou ainda que 2016 foi o ano em que mais portugueses procuraram o SNS.

Segundo o estudo, apresentado no Centro Cultural de Belém, o SNS está mais sustentável, em 2016 o financiamento aumentou e a despesa cresceu menos do que tinha acontecido em 2015.

De acordo com o trabalho da Nova IMS, em 2015 o financiamento do SNS fixou-se em 8,65 mil milhões de euros (mais 0,4%) e no ano passado este valor subiu 3,1% para os 8,93 mil milhões de euros.

Já a despesa, que tinha crescido 1,7% para os 9,03 mil milhões de euros em 2015, no ano passado subiu menos, atingindo os 9,13 mil milhões de euros (mais 1,2%), o que contribuiu para aumentar o índice de sustentabilidade do SNS (passou de 100.2 para 102.2).

O trabalho indica ainda que os portugueses têm uma perceção errada dos custos das taxas moderadoras na saúde e estimam valores acima dos reais, mas consideram que apesar de tudo são adequados (38,1%).

O estudo aponta diferenças entre o que os portugueses julgam que custa (11,92 euros) e o que realmente custa (7,00 euros) a taxa moderadora para uma consulta externa/especialidade num hospital público.

Nos episódios de urgência, o valor que os portugueses julgam (16,88 euros) que custa a taxa moderadora também é maior do que o real no caso da urgência básica (14,00 euros) e polivalente (16,00 euros). O valor estimado apenas é inferior ao custo real no caso das urgências médico-cirúrgicas (18,00 euros).

Quando confrontado com a ideia desfasada da realidade que os portugueses têm das taxas moderadoras, pois estimam valores acima dos reais na maior parte dos casos, o ministro respondeu que tal ocorre devido ao grau de literacia em saúde, mas não é exclusivo deste setor.

Em relação aos efeitos dos custos reais dos cuidados de saúde no bolso dos portugueses, o estudo diz que 10,7% deixaram de ir às urgências por falta de dinheiro, que 3,9% não fizeram exames de diagnóstico, que 3,4% perderam uma consulta externa/especialidade num hospital público e que 2,4% não foram a uma consulta com o médico de clínica geral ou médico de família num centro de saúde.

Quanto aos que deixaram de comprar medicamentos prescritos pelos médico por causa do seu custo, o estudo indica que estes números têm vindo a cair desde 2014, mas ainda assim foram 11,8% os que o confessaram tal realidade (contra 14,2% em 2015).

Em declarações, Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS, sublinhou que estes valores estão "em queda muito acentuada".

"Este potencial de cuidados de saúde perdidos está em queda muito acentuada. Estimamos que cerca de 11% dos episódios urgência não se realizaram por esta razão [falta de dinheiro], mas eram quase 14,5%. Nas consultas externas são 3%, mas eram 8%.(...) Ainda é elevado, estimamos por exemplo que 12% não compraram medicamentos por causa do preço, mas em 2014 eram 16%. A tendência é para uma evolução positiva", considerou.

Médicos e enfermeiros
O ministro da Saúde manifestou hoje abertura para, em sede de negociação, “limar algumas questões” relativas ao pagamento do...

Adalberto Campos Fernandes, que falava aos jornalistas à saída de uma conferência sobre sustentabilidade na saúde, disse ainda que o secretário de Estado já tem agendada uma reunião para o início da próxima semana com os dois principais sindicatos dos médicos para tratar desta matéria.

“Os canais de diálogo estão abertos, as conversações com as estruturas sindicais estão abertas e nós estamos disponíveis para introduzir as medidas de melhoria do próprio modelo, mantendo este princípio de progressividade e faseamento, para que em 2018 este assunto esteja resolvido”, afirmou o responsável da pasta da Saúde.

Os médicos e enfermeiros ficaram descontentes com a publicação em decreto-lei na passada semana das regras de reposição do pagamento do trabalho extraordinário, pois consideram discriminatório o facto de estas apenas abrangerem profissionais que exercem funções nos serviços de urgência e nas unidades de cuidados intensivos.

Os sindicatos médicos e a Ordem dos Médicos reuniram-se na segunda-feira e convocaram para a próxima sexta-feira uma reunião alargada a todas as associações médicas para definir uma estratégia concertada de defesa do Serviço Nacional de Saúde.

O encontro, que se realizará na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, foi decidido após uma outra reunião que ocorreu depois de os sindicatos terem acusada no sábado o ministro da Saúde de faltar a compromissos assumidos para a reposição de parte do corte da remuneração do trabalho suplementar dos médicos.

Já o Sindicato dos Enfermeiros também disse que estava a analisar formas de luta contra a discriminação de profissionais no pagamento do trabalho extraordinário definido pelo Ministério da Saúde.

Segundo o Sindicato, no decreto-lei publicado na passada sexta-feira, o Ministério da Saúde define a alteração do pagamento do trabalho extraordinário aos profissionais de saúde que exercem funções nos serviços de urgência e nos cuidados intensivos, fazendo com que, a partir de 01 de abril, seja pago 75% e, a partir de 01 de julho, seja pago nos termos resultantes da negociação com os sindicatos.

Confrontando com o desagrado dos profissionais de saúde, o ministro afirmou: “O sentido de responsabilidade na governação faz com que nós não possamos dizer aquilo que é desejável e compreendemos que os próprios grupos profissionais entendam ser desejável, mas ao Governo cumpre fazer aquilo que é possível”.

Adalberto Campos Fernandes disse ainda acreditar que “em sede de negociação” seja possível “limar e resolver as questões que ainda existem”.

“Estamos a repor nas condições de progressividade e faseamento que o país permite”, acrescentou.

Estudo
O Serviço Nacional de Saúde está mais sustentável, de acordo com um estudo que é hoje apresentado em Lisboa e que indica que em...

Segundo o estudo, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa, o financiamento do SNS subiu 3,1% e a despesa cresceu 1,2%, menos do que tinha acontecido em 2015.

Se em 2015 o financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se tinha ficado nos 8,65 mil milhões de euros (mais 0,4%), no ano passado este valor subiu 3,1% para os 8,93 mil milhões de euros.

Já a despesa, que tinha crescido 1,7% para os 9,03 mil milhões de euros em 2015, no ano passado subiu menos, atingindo os 9,13 mil milhões de euros (mais 1,2%), o que contribuiu para aumentar o índice de sustentabilidade do SNS (passou de 100.2 para 102.2).

O índice de sustentabilidade é calculado tendo em conta não só a qualidade dos cuidados de saúde na ótica dos cidadãos, como também os indicadores disponíveis sobre a qualidade técnica do SNS, a atividade registada e a despesa.

Em declarações, Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS, explicou que o índice de sustentabilidade, que tinha sido estabelecido em 2014 com base 100, teve pela primeira vez um crescimento significativo.

"O índice tinha tido uma evolução marginal e este ano, pela primeira vez, teve uma evolução positiva (…), o que resulta, por um lado, de um crescimento da atividade, que estimamos em 1,6%, e simultaneamente do crescimento da qualidade, não da qualidade percecionada [pelos utentes] – essa estabilizou nos últimos três anos –, mas sobretudo da qualidade técnica, que evoluiu mais de seis pontos entre 2015 e 2016", afirmou.

Este movimento, sublinhou, foi conseguido "com um crescimento da despesa a uma taxa inferior à da atividade".

"É um SNS mais produtivo do que era, a atividade cresceu mais do que a despesa, é um sistema que com a mesma despesa consegue ter nível de qualidade significativamente superior", sublinhou o investigador.

Sob o ponto de vista da atividade, o estudo indica que aumentou o número de doentes atendidos tanto nos hospitais como nos serviços de saúde primários, mas esta subida foi mais significativa nos cuidados primários (2,1%).

A qualidade do SNS na ótica dos utentes baixou ligeiramente para os 68.3 pontos (- 1,2), mas a qualidade técnica – que usou 13 indicadores validados e ponderados por um grupo de peritos – subiu para os 68,5 pontos (+3,4).

A qualidade técnica é calculada usando, entre outros, indicadores como a sépsis pós-operatória, a mortalidade pós AVC (hemorrágico ou isquémico), o reinternamento a 30 dias e as cirurgias em ambulatório, entre outros.

Para os autores do estudo, a eficácia do SNS, que tinha baixado entre 2014 e 2015, aumentou no ano passado, subindo para 71.1 pontos (+0,9).

"Significa que está a 71% do que seria um sistema perfeito. É um sistema eficaz no seu contributo para qualidade de vida e de saúde da população, mas também é um sistema que tem tido um impacto significativo quer no estado de saúde da população quer na redução de comportamentos que têm impacto económico [absentismo laboral]", explicou

Para medir a eficácia foram usados indicadores como a produtividade, o absentismo dos cidadãos com problemas de saúde, a qualidade de vida dos cidadãos e o seu estado de saúde para perceber como é que o recurso aos serviços de saúde teve influência na melhoria destes valores. Como novos indicadores este ano aparecem a ansiedade e depressão, os cuidados pessoais, a dor/mau estar, a mobilidade e a realização das tarefas diárias.

O estudo demonstra que o investimento em saúde tem impacto no absentismo, produtividade, na qualidade de vida e que dá origem a um retorno económico e social.

Quanto ao impacto no absentismo, os autores indicam que diminuiu em 2016 o número de pessoas que não faltaram um único dia ao trabalho por questões de saúde (suas ou de familiares), assim como as que faltaram por períodos mais prolongados - mais do que 11 e mais do que 20 dias.

No sentido inverso, aumentou a percentagem de população que faltou ao trabalho entre um a dois dias (passou de 10,5 para 13%), entre três a cinco dias (de 16,1 para 16.9%) e entre 6 a 10 dias (de 6 para 9,3%).

Ao avaliar o impacto laboral/absentismo, o estudo concluiu que se não tivessem recorrido aos serviços de saúde os portugueses faltariam mais 1,6 dias ao trabalho, o que se traduz num impacto de 2,2 mil milhões de euros (em salários).

Com um universo de cidadãos acima dos oito milhões (pessoas com 18 ou mais anos), o estudo abrangeu a realização de 500 entrevistas, em fevereiro, cujos resultados foram “extrapolados para o universo segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária”.

O estudo é hoje apresentado na 6.ª Conferência "Sustentabilidade na saúde 4.0 – Investimento em saúde e impacto na vida laboral", que vai decorrer no CCB, em Lisboa.

Hospital de Santa Marta
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou hoje que foi realizado em Portugal o primeiro implante de coração...

O ministro considerou esta cirurgia como um facto inédito e remeteu mais informações para uma conferência de imprensa com a equipa médica no hospital de Santa Marta, em Lisboa, ao início da tarde.

O ministro fez o anúncio durante a 6.ª Conferência "Sustentabilidade na saúde 4.0 – Investimento em saúde e impacto na vida laboral", que decorre em Lisboa.

Estudo
Os portugueses têm uma perceção errada dos custos das taxas moderadoras na saúde e estimam valores acima dos reais, mas...

Segundo o trabalho da Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa, que vai ser apresentado em Lisboa, mais de um em cada três (38,1%) portugueses considera adequadas as taxas moderadoras praticadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O trabalho da Nova IMS tem vindo a ser feito desde 2014 e todos os anos complementa o anterior com indicadores novos.

De acordo com o estudo, mais de metade dos inquiridos (50,1%) considera adequados ou muito adequados os valores pagos pelos medicamentos que lhes foram prescritos nos últimos 12 meses, pouco mais do que aqueles que consideram adequada a comparticipação do Estado para a medicação prescrita (49,1%)

Mas a perceção que os portugueses têm da realidade dos valores das taxas moderadoras é na maior parte dos casos errada.

O estudo indica que há uma diferença entre o que os portugueses julgam que custa (11,92 euros) e o que realmente custa (7,00 euros) a taxa moderadora para uma consulta externa/especialidade num hospital público.

Nos episódios de urgência, o valor que os portugueses julgam (16,88 euros) que custa a taxa moderadora também é maior do que o real no caso da urgência básica (14,00 euros) e polivalente (16,00 euros). O valor estimado apenas é inferior ao custo real no caso das urgências médico-cirúrgicas (18,00 euros).

"No caso das urgências a perceção está mais alinhada com a realidade, assim como nos cuidados primários. Onde se verifica maior diferença é nas taxas nas consultas externas dos hospitais", explicou Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS.

Quanto aos efeitos dos custos reais dos cuidados de saúde no bolso dos portugueses, o estudo diz que 10,7% deixaram de ir às urgências por falta de dinheiro, que 3,9% não fizeram exames de diagnóstico, que 3,4% perderam uma consulta externa/especialidade num hospital público e que 2,4% não foram a uma consulta com o médico de clínica geral ou médico de família num centro de saúde.

Quanto aos que deixaram de comprar medicamentos prescritos pelos médico por causa do seu custo, o estudo indica que estes números têm vindo a cair desde 2014, mas ainda assim foram 11,8% os que o confessaram tal realidade (contra 14,2% em 2015).

Contudo, Pedro Simões Coelho sublinha que estes valores estão "em queda muito acentuada".

"Este potencial de cuidados de saúde perdidos está em queda muito acentuada. Estimamos que cerca de 11% dos episódios urgência não se realizaram por esta razão [falta de dinheiro], mas eram quase 14,5%. Nas consultas externas são 3%, mas eram 8%.(...) Ainda é elevado, estimamos por exemplo que 12% não compraram medicamentos por causa do preço, mas em 2014 eram 16%. A tendência é para uma evolução positiva", considerou.

“Esta evolução positiva resulta de várias coisas em simultâneo: da redução efetiva nas taxas moderadoras, de um alargamento de segmentos de população isenta de taxas moderadora e a verdade é que, para certos segmentos da população utilizadores do SNS, observámos um aumento de rendimento disponível", afirmou o investigador.

Com um universo de cidadãos acima dos oito milhões (pessoas com 18 ou mais anos), o estudo abrangeu a realização de 500 entrevistas, em fevereiro, cujos resultados foram “extrapolados para o universo segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária”.

O trabalho vai ser hoje apresentado durante a conferência Sustentabilidade na Saúde, organizada pela TSF e pela farmacêutica AbbVie.

Estudo
Um novo teste sanguíneo capaz de apontar o local do corpo onde cresce um cancro, permitindo combatê-lo de forma precoce é o...

"Saber a localização do tumor é essencial para conseguir detetá-lo cedo", afirmou Kun Zhang, professor de bioengenharia na faculdade de engenharia da universidade da Califórnia e o principal autor do estudo hoje publicado na revista Nature Genetics.

O método aproveita-se do facto de os tumores, ao crescer, competirem com as células normais pelos nutrientes disponíveis, acabando por matá-las. Os cientistas seguiram o ADN dessas células mortas, que vai parar ao sangue, para identificar o tecido afetado pelas células cancerosas.

"Fizemos esta descoberta por acaso. No princípio, seguíamos a abordagem convencional, procurando células cancerosas e tentando identificar de onde vinham. Mas também detetámos sinais de outras células e percebemos que se juntarmos os dois tipos, podíamos determinar a presença de um tumor e saber onde está a crescer", afirmou Zhang.

Os cientistas responsáveis pelo estudo procurarão agora levar as suas conclusões para o plano clínico, trabalhando com oncologistas para apurar e refinar este método.

ENTRUST-AF PCI
A Daiichi Sankyo anunciou hoje que já foi incluído no estudo ENTRUST-AF PCI o primeiro doente.

O estudo de fase 3, multinacional, aleatorizado vai avaliar um regime terapêutico baseado no inibidor direto do fator Xa, de toma oral, em dose diária única (edoxabano – com a marca comercial LIXIANA®), produzido pela companhia, em comparação com um regime baseado num antagonista da vitamina K, em doentes com fibrilhação auricular submetidos a intervenção coronária percutânea (IPC) com stenting, com o objetivo de avaliar a incidência de hemorragia major ou não-major clinicamente relevante, de acordo com os critérios de hemorragia definidos pela ISTH 1. 1500 doentes, acompanhados em 200 centros da Europa, Coreia, Taiwan e Ucrânia 1, serão incluídos no ENTRUST-AF PCI.

“A estratégia antitrombótica ideal para os doentes com fibrilhação auricular submetidos a ICP é, até agora, desconhecida”, afirmou o Dr. Pascal Vranckx, Consultor Clínico em Cardiologia de Intervenção e Diretor Médico dos Serviços de Cuidados Intensivos Cardíacos no Hartcentrum Hasselt, na Bélgica. “O estudo ENTRUST-AF PCI vai avaliar o papel de edoxabano enquanto parte da estratégia terapêutica antitrombótica, em comparação com uma estratégia antitrombótica baseada num antagonista da vitamina K, tal como determinam as atuais guidelines”.

“A hipótese do estudo é que esta combinação seja pelo menos tão segura como a terapêutica tripla com varfarina e dois antiagregantes plaquetares, sendo possível que a terapêutica com edoxabano se revele mais segura para estes doentes com fibrilhação auricular e necessidade de PCI”, adiantou o Prof. Doutor Pedro Monteiro, cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e investigador principal do estudo em Portugal. “A confirmar-se a hipótese do estudo, o edoxabano poderá constituir uma alternativa segura e eficaz no tratamento destes doentes, prevenindo simultaneamente o AVC e os eventos coronários e hemorrágicos”. Além disso, “o facto de ser de toma única diária deve melhorar a compliance e fazer com que mais doentes possam beneficiar do elevado perfil de eficácia e segurança demonstrado pelo edoxabano nos ensaios clínicos”. 

“O ENTRUST-AF PCI é um estudo importante para os doentes com fibrilhação auricular submetidos a ICP que precisam de terapêutica antiplaquetária e edoxabano crónico para a prevenção do AVC”, afirmou o Dr. Andreas Goette, Diretor Clínico e do Departamento de Cardiologia e Medicina Intensiva do St. Vincenz-Hospital Paderborn, na Alemanha, e investigador principal do estudo.

“Neste estudo, edoxabano será utilizado na dose aprovada para a prevenção do AVC em doentes com fibrilhação auricular”.

“O ENTRUST-AF PCI é o único estudo nesta área com uma única estratégia de dose completa de anticoagulante de ação direta e com poder estatístico para tirar conclusões definitivas”, afirmou o Prof. Doutor Pedro Monteiro. 

“ENTRUST-AF PCI vai trazer um novo corpo de evidência ao crescente Programa de Investigação Clínica de Edoxabano, e os resultados vão fornecer aos médicos uma maior compreensão do potencial de redução do risco hemorrágico em doentes com fibrilhação auricular submetidos a ICP”, adiantou o Dr. Hans Lanz, Director Executivo e Global Medical Affairs da Daiichi Sankyo. 

Organização Mundial de Saúde
Mais de 1,7 milhões de crianças com menos de cinco anos morrem, por ano, devido a doenças relacionadas com problemas ambientais...

Aquele número representa cerca de um quarto do total de mortes de crianças até aos cinco anos em todo o mundo, segundo informação da Organização Mundial de Saúde (OMS) hoje divulgada.

A agência da ONU publicou os estudos "Herdando um mundo sustentável: Atlas sobre a saúde das crianças e o ambiente" e "Não contamines o meu futuro" que analisam a relação entre a saúde dos mais novos e o que os rodeia.

Entre os riscos ambientais listados está a poluição do ar interior e exterior, exposição a fumo de tabaco, insalubridade da água ou a falta de saneamento e de higiene.

Do total das 1,7 milhões de mortes, cerca de 570 mil devem-se a infeções respiratórias, como pneumonia, que podem atribuir-se à poluição do ar interior e exterior assim como à exposição ao fumo de tabaco, enquanto 361 mil crianças são vítimas de diarreias devido à falta de acesso a água potável e ao insuficiente saneamento e falta de condições de higiene.

"Um ambiente poluído é mortal, particularmente para as crianças mais novas", referiu a diretora geral da OMS, Margaret Chan, citada num comunicado da entidade.

As crianças são mais vulneráveis à poluição do ar e da água já que "os seus organismos e sistemas imunitários estão ainda a desenvolver-se" e, por exemplo, o seu aparelho respiratório é frágil, explicou.

Segundo a OMS, grande parte das doenças que são as principais causas de morte de crianças entre um mês e cinco anos poderiam ser evitadas com intervenções que se sabe reduzem os riscos ambientais, como o acesso a água potável e a utilização de combustíveis adequados à preparação das refeições.

A maior parte das mortes relacionadas com fatores ambientais registam-se nos países em vias de desenvolvimento onde, por exemplo, a poluição causa mais de metade das infeções respiratórias nos mais novos.

Os especialistas apontam novos perigos ambientais que ameaçam a saúde das crianças, como os resíduos elétricos e eletrónicos, como os telemóveis em final de vida, que não são corretamente reciclados, expondo os mais novos a toxinas que podem levar à redução das aptidões cognitivas, ao défice de atenção, a lesões pulmonares ou mesmo cancro.

As alterações climáticas fazem aumentar as temperaturas e os níveis de dióxido de carbono, o que favorece a produção de pólen, associada ao aumento dos casos de asma entre as crianças.

Atualmente, segundo o estudo da OMS, 44% dos casos de asma entre crianças com mais de cinco anos é uma consequência direta da poluição atmosférica.

A OMS referiu ainda que, em cada ano, cerca de 200 mil crianças até aos cinco anos morrem devido a quedas, acidentes rodoviários, envenenamentos, incêndios ou afogamento.

8 de março - Dia Internacional da Mulher
As doenças cardiovasculares são responsáveis pela morte de mais de 20 000 mulheres anualmente sendo, também, a principal causa...

Esta discrepância na taxa de mortalidade, por doenças cardiovasculares (DCVs), entre homens e mulheres pode dever-se a:

Sintomatologia inespecífica - Existe uma diferença significativa entre os sintomas, desencadeados pela doença coronária, em homens e mulheres, que pode ser subestimada pelas mulheres e pelos profissionais de Saúde, ou até confundida com outras causas.

Assim, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) alerta para a importância das mulheres serem sensibilizadas para este aspeto tão importante. Por exemplo, os sintomas mais frequentes na população feminina, despoletados por um ataque cardíaco podem incluir, apenas, um desconforto geral, semelhante a uma indigestão, sensação de ansiedade inesperada, náuseas, tonturas, palpitações, e/ou suores frios. Já na população masculina um ataque cardíaco revela-se habitualmente por sintomas típicos, como dor ou desconforto no peito, irradiando para o braço esquerdo ou maxilar inferior (mandíbula).

Uma vez que os sintomas nas mulheres são menos percetíveis e mais difíceis de valorizar, o diagnóstico acaba por acontecer em fases mais avançadas da doença, conduzindo a uma maior mortalidade das DCVs, nas mulheres;

Menor acesso a exames diagnósticos;

Idade mais avançada das mulheres;

Pressão Social Hoje em dia as mulheres são pressionadas por padrões de beleza que implicam um peso corporal baixo, facilitado pelo recurso ao hábito de fumar, com consequências nefastas para a sua saúde cardiovascular. A nicotina, componente químico responsável pela dependência do consumidor ao tabaco, influencia o sistema de regulação metabólico localizado no hipotálamo, uma região do cérebro, conduzindo à redução do apetite e potencial perda de peso. Porém, esta realidade tem uma fatura muito pesada, que se resume numa maior incidência e gravidade das DCVs.

O tabagismo é o responsável por cerca de 30% da mortalidade cardiovascular, encurtando a vida dos fumadores em 10 anos, em média. Apenas 10 anos após a cessação tabágica se verifica a atenuação dos seus efeitos nocivos. Já a equalização dos riscos de ex-fumadores, aos riscos e não fumadores, apenas ocorre decorridos 15 anos da cessação tabágica.

Face a esta realidade, a SPC adverte todas as mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável, marcado por uma dieta equilibrada, rica em alimentos antioxidantes (como frutas e legumes), e pela prática de atividade física moderada e regular, idealmente com uma baixa exposição ao stress.

Para além da prevenção, que também deve passar pela avaliação do risco cardiovascular, em colaboração com o seu médico de família e/ou cardiologista, é particularmente importante estarem sensibilizadas para os sinais de alarme das DCVs. Esta é a melhor forma para diagnosticar atempadamente e garantir um acompanhamento apropriado.

Nas palavras do Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Dr. Miguel Mendes, “ao contrário do que é senso comum, as doenças cardiovasculares atingem mais as mulheres que os homens, pelo que devem ser tomadas todas as precauções, não só para prevenir a doença mas também para a diagnosticar atempadamente."

Estudo
Cientistas norte-americanos descobriram que muitas crianças diagnosticadas com autismo têm mais líquido cérebroespinal, que...

"O líquido é fácil de ver em ressonâncias magnéticas e aponta para um potencial biomarcador do autismo anos antes do aparecimento dos sintomas", afirmou o investigador Joseph Piven, da Universidade da Carolina do Norte.

Num estudo publicado hoje na revista Biological Psychiatry, os investigadores afirmam ter encontrado "um potencial alvo terapêutico para um dos grupos de pessoas com autismo".

O líquido cérebroespinal era encarado até há cerca de 10 anos como uma camada protetora entre o cérebro e o crânio, mas a ciência acabou por descobrir que é um sistema essencial de filtração para resíduos do metabolismo cerebral, podendo haver problemas quando não flui corretamente.

No estudo, os cientistas analisaram 343 crianças e em 221 delas havia um risco elevado de autismo, porque um dos irmãos já tinha sido diagnosticado.

Compararam-se ressonâncias magnéticas de crianças de seis meses a quem acabou por ser diagnosticado autismo aos 24 meses com outras da mesma idade sem autismo e verificou-se que os que têm autismo apresentavam mais 18% de líquido cérebroespinal.

"Normalmente, o autismo é diagnosticado aos dois ou três anos de idade, quando a criança começa a demonstrar sintomas no comportamento, porque atualmente não existem marcas biológicas" daquela perturbação de comportamento.

Em 70% dos casos analisados, o volume mais alto de líquido indiciou o aparecimento de autismo.

Joseph Piven afirmou que não se pode concluir com certeza que o fluxo irregular de líquido causa autismo mas apontou que pode ter efeitos no desenvolvimento do cérebro e "desempenhar um papel no aparecimento de sintomas de autismo".

Cancro da mama
Um projeto de tatuagem mamária reconstrutiva, nascido há um ano em Matosinhos, no distrito do Porto, envolveu já quase meia...

"Neste quase um ano de projeto já assisti praticamente 50 mulheres", afirmou o tatuador, que sublinhou o contributo dessas intervenções para que as mulheres em causa recuperassem a autoestima.

O tatuador, que conta com a colaboração neste projeto da enfermeira Ana Lopes, explicou que uma parte do seu trabalho consiste na pigmentação da aréola mamária.

“Nem sempre a aréola e mamilo são preservados na mastectomia. De forma geral, o mamilo é reconstruído com pele do próprio local e a aréola com enxerto de pele da região inguinal. A pigmentação da aréola é feita com ajuda da tatuagem. A tatuagem é entendida como a finalização do processo e melhoramento da autoestima, trazendo à mama a beleza original”, sustentou.

O tatuador referiu que a iniciativa arrancou depois da visita de uma médica do Instituto Português de Oncologia à sua loja para "verificar a qualidade do trabalho e a forma limpa como é feito".

Ao longo de uma carreira de mais 20 anos, Sérgio Carvalho fez "uma média de quatro tatuagens mamárias reconstrutivas por ano". A partir do momento em que houve o interesse dos médicos "a procura duplicou".

Cada tatuagem mamária reconstrutiva custa 100 euros. Sérgio Carvalho defende que esse custo deveria ser “assumido pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS)", na medida em que “vai beneficiar e muito a autoestima das mulheres".

Na sua loja em Matosinhos, a Wildbuddhatattoo, Sérgio Carvalho já atende mulheres para a tatuagem mamária de “várias partes do país”, referindo que aguarda "pela criação de um grupo de senhoras em Lisboa para, muito em breve, ir tatuá-las na capital".

Segundo o tatuador, grande parte das mulheres que chegam à sua loja para tatuagem areolo-mamilar, fazem-no "por indicação médica".

Sérgio Carvalho explicou que espera “sempre seis meses após a cirurgia para tatuar, evitando o risco de surgirem infeções, tal como aconselham os médicos".

O tatuador alertou para o facto de “não haver retorno” numa tatuagem, referindo ter sido, “pelo menos em duas ocasiões, confrontado por mulheres que chegaram tristes pela tatuagem de reconstrução feita noutro lado, em situações em que pouco já se podia fazer".

Segundo afirmou “há muitos casos de correções de tatuagem areolo-mamilar mal feita que põe por terra o objetivo deste tipo de ação, ajudar e apenas melhorar a autoestima. Neste momento, muitas mulheres enfrentam o retorno de insegurança devido estes trabalhos mal conseguidos, alguns casos sem possibilidade de correção”.

Por isso, apela a que as mulheres se informem e procurem locais qualificados para a realização deste trabalho.

Sérgio Carvalho conta que é gratificante ver o "sorriso da mulher”, quando se olha ao espelho após a tatuagem reconstrutiva.

"Ainda hoje tenho quem passe aqui só para me entregar um chocolate, um mimo, como forma de agradecimento. Contam-me que voltaram à normalidade com o marido”, disse.

Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil
A APCOI - Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil anunciou esta manhã as turmas escolhidas para beneficiar da “Missão...

Para garantir o acesso diário a este alimento essencial para a saúde das crianças, a iniciativa solidária “Missão 1 Quilo de Ajuda” integrada no projeto pedagógico “Heróis da Fruta - Lanche Escolar Saudável” vai chegar a partir de hoje a 20 turmas, de norte a sul do país, distribuindo cabazes gratuitos, somando mais de mil porções de fruta entregues a cada semana até ao final do ano letivo 2016/2017.

A fruta distribuída nestas escolas é “fresca, da época, adquirida localmente e cada aluno recebe no mínimo uma peça de fruta por dia, para comer no lanche da manhã ou da tarde” clarificou Mário Silva, Presidente da APCOI, acrescentando ainda que “no ano letivo anterior, através da ‘Missão 1 Quilo de Ajuda’ a APCOI conseguiu apoiar 10 turmas compostas marioritariamente por alunos carenciados e este ano conseguiu duplicar o número de turmas beneficiárias, graças ao apoio de algumas empresas solidárias como o Montepio, a Fábrica de Óculos do Cacém, a Aquafresh, a Fruut e a Vitacress. Mas esta missão só termina quando todas as crianças em Portugal que chegam à escola de barriga vazia e que não trazem lanche por dificuldades financeiras da família recebam este apoio.”

Assim, para que nenhuma criança em situação de carência alimentar fique por ajudar, os portugueses podem juntar-se a esta importante causa. Para isso, basta entrar no site www.heroisdafruta.com e participar na votação solidária que está a decorrer até às 23h59 do dia 10 de março de 2017. Cada voto em qualquer hino dos Heróis da Fruta criado pelas escolas reverte na totalidade como donativo para a compra de cabazes para a “Missão 1 Quilo de Ajuda”.

Em 2016
1411 milhões de euros foi quanto Portugal exportou em 2016, mais do dobro dos 627 milhões de euros atingidos em 2008.

As exportações do setor da saúde atingiram novo máximo em 2016: 1411 milhões de euros, mais do dobro do valor registado em 2008. Face a 2015, este valor representa um crescimento de 16%.

A maioria dessas exportações refere-se a medicamentos (75%), mas também incluem material médico-cirúrgico (19%) e matérias-primas (5,5%). Na lista dos maiores importadores dos produtos de saúde portugueses estão os Estados Unidos da América, a Alemanha, o Reino Unido, a Espanha e a França.

Joaquim Cunha, diretor executivo do Health Cluster Portugal (HCP), sublinha que “este aumento significativo face a 2015 é o reflexo do bom trabalho que o setor da saúde tem vindo a desenvolver, onde se destaca o papel das empresas da área dos medicamentos, das matérias-primas e dos dispositivos médicos, que têm vindo a posicionar-se de forma competitiva nos mercados externos”.

De acordo com o diretor do HCP, “os últimos nove anos evidenciam um crescimento persistente das exportações da saúde, tendo hoje um considerável peso na economia nacional.” Defende ainda que os principais desafios são “dar continuidade aos investimentos, criar condições de estabilidade e trabalhar as questões ligadas à reputação, para que o setor português da saúde passe a ser visto lá fora como uma referência.” 

Em 2016
O número de crimes por maus tratos a animais de companhia registado pela GNR no ano passado aumentou em relação a 2015,...

Em comunicado, a Guarda Nacional Republicana (GNR), através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), adianta que, em 2016, e na sequência de ações de fiscalização, foram registados 767 crimes, mais 112 do que em igual período de 2015, o que corresponde a uma média de dois por dia.

De acordo com os dados da GNR, no ano passado foram registadas 3.694 denúncias de maus tratos, menos 116 do que em igual período de 2015 (o que corresponde a uma média de 10 por dia).

O maior número de denúncias foi registado no mês de março (374), fevereiro (366), janeiro (361) e maio (351).

Segundo os dados do SEPNA, os distritos com maior número de denúncias no ano passado foram Lisboa (591), Setúbal (556), Porto (471), Aveiro (291) e Faro (240).

Na Madeira foram registadas 186 denúncias e nos Açores 195, segundo os dados.

A fiscalização aos maus tratos a animais de companhia é feita através do SEPNA, podendo as denúncias ser encaminhadas para a linha SOS Ambiente e Território (808200520) ou através do link http://goo.gl/1zRBfA.

A lei que criminaliza maus-tratos a animais entrou em vigor a 01 de outubro de 2014.

“Quem sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus tratos físicos a um animal de companhia é punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias”, segundo a lei.

As penas podem ser agravadas se o animal morrer ou ficar incapacitado.

Quem abandonar um animal é punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias.

Estudo
Um estudo do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de...

A investigação, que visou estudar a influência das experiências emocionais com os pais e o grupo de pares no desenvolvimento de processos adaptativos ou mal adaptativos de regulação emocional para a vulnerabilidade e manutenção dos comportamentos autolesivos na adolescência, envolveu 2863 adolescentes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos de idade, a frequentar entre o 7º e o 12º ano de escolaridade de várias escolas do distrito de Coimbra.

Os resultados do estudo, realizado ao longo de quatro anos pela investigadora Ana Xavier no âmbito do seu doutoramento, com orientação científica dos Professores José Pinto Gouveia (FPCEUC e Coordenador do CINEICC) e Marina Cunha (Instituto Superior Miguel Torga de Coimbra), evidenciam, também, que as raparigas reportam mais comportamentos autolesivos que os rapazes e a faixa etária mais vulnerável a esta psicopatologia situa-se entre os 15 e os 16 anos de idade.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), conclui “que os adolescentes que recordam sentimentos de ameaça, subordinação e desvalorização nas relações com a sua família tendem a apresentar sintomas depressivos, a ser mais autocríticos, a ter medo de sentimentos positivos e a manifestar comportamentos autolesivos. O mesmo se verificou quando os adolescentes recordam poucos (ou ausentes) sentimentos de afeto, calor e segurança nas relações com a família”, descreve Ana Xavier.

Os comportamentos autolesivos envolvem atos diretos e deliberados de destruição do tecido corporal do próprio, como, por exemplo, cortar-se, queimar-se, sem intenção de suicídio, mas com o objetivo de magoar e para regular as emoções difíceis e intensas. Estes comportamentos são complexos e sérios, estão associados a várias dificuldades psicológicas e muitas vezes necessitam de intervenção clínica para a sua resolução.

De acordo com a investigadora da UC, as conclusões deste estudo chamam a atenção para a “necessidade de implementação de programas de prevenção e de intervenção nas escolas para melhorar a saúde mental dos adolescentes e jovens. A adolescência é um período de desenvolvimento que apresenta elevados riscos para a psicopatologia”.

Estas intervenções, salienta Ana Xavier, “devem promover a aprendizagem de competências de regulação emocional adaptativas e eficazes (como, por exemplo, competências de compaixão, aceitação, tranquilização, mindfulness) para ajudar os adolescentes a aprenderem uma resposta saudável e alternativa às atitudes de autoataque e autocríticas, assim como a regular eficazmente os estados de emocionais negativos, e consequentemente a não se envolverem em comportamentos autolesivos”.

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