Infarmed
Entre 2007 e 2016 peritos do Infarmed iniciaram 1378 processos de avaliação de novas substâncias. Nos últimos sete anos...

Portugal é dos países que mais avalia medicamentos para o resto da Europa e há sete anos que está no Top 5 do ranking europeu. Entre 2007 e 2016 os peritos nacionais iniciaram 1378 processos de avaliação de medicamentos das mais variadas áreas, desde a cardiologia à dermatologia. Esta é uma área de aposta do Infarmed e um dos argumentos de Portugal na candidatura para ser a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA).

Portugal é um dos Estados membros de referência, ou seja, um dos países que faz a avaliação que permitirá a entrada de um medicamento em vários países europeus. Em 2007, o nosso país era 14º no ranking, com apenas 13 processos de avaliação. No ano passado já era 4.º, com 161 processos, só ficando atrás da Holanda, Alemanha e Reino Unido. "Portugal foi apostando na capacidade avaliativa, criando mais peritos no âmbito na comissão de avaliação de medicamentos. Aumentou a capacidade de resposta e a qualidade também", diz ao Diário de Notícias Hélder Mota Filipe, membro do conselho diretivo do Infarmed.

É o país escolhido como relator que faz o relatório que serve de base aos restantes países para a entrada de um novo medicamento. "O que é relevante é que é a indústria que propõe o país relator e o comité europeu confirma a escolha. Fá-lo porque temos capacidade técnico-científica avaliativa. Há um processo preparatório antes do relatório final em que os peritos do país avaliador analisam se o processo é robusto. Se houver falhas a meio da avaliação quer dizer que houve uma falha antes", explica, referindo que a escolha de Portugal reflete o reconhecimento das qualidades dos peritos nacionais.

Existem dois comités europeus de avaliação de medicamentos que se reúnem na EMA. Portugal faz parte de ambos, com dois peritos do Infarmed em cada um. Portugal está no top 5 no dos procedimentos de reconhecimento mútuo e descentralizados. O processo é semelhante: a indústria apresenta o processo, o país relator avalia e é tomada a decisão final, que por norma resulta na aprovação. Mas enquanto no reconhecimento mútuo o medicamento já tinha sido aprovado num país, no procedimento descentralizado não havia nenhuma autorização prévia. O leque de medicamentos é vasto, desde cardiovasculares, diabetes, do aparelho digestivo, dermatologia, etc.

E há ainda o comité dos procedimentos centralizados. Nestes casos, por se considerar que o medicamento é muito essencial, o dossiê é apresentado diretamente à EMA. Mas são os peritos dos países que avaliam. Neste caso são medicamentos das doenças infecciosas, antibióticos, oncologia, biológicos e neurologia. "Ainda não estamos nos primeiros lugares dos procedimentos centralizados, mas iremos estar. Estamos a aumentar a capacidade de avaliação nas três áreas."

Portugal compete pela EMA
Sempre que um país inicia o processo fica para sempre responsável e será ele a reavaliar o processo quando existirem alterações. O reino Unido é responsável por cerca de 20% de toda a avaliação descentralizada. Com o Brexit abre-se uma oportunidade para os países que querem reforçar o seu papel de avaliadores. Caso de Portugal. "Estamos a preparar o corpo de peritos para responder a essa necessidade", refere Hélder Mota Filipe.

Este é também um dos argumentos que Portugal irá utilizar na corrida para se tornar a nova sede da EMA. Os primeiros passos da demonstração de interesse foram dados em fevereiro, quando o ministro da Saúde foi a Londres e reuniu com a administração. A Agência tem um orçamento anual que ronda os 300 milhões de euros e mais de 400 pessoas a trabalhar nos quadros.

Estudo
Um estudo publicado pela revista especializada Science Advances sugere que o vírus Zika tem um forte impacto no sistema...

Cientistas da Universidade de Yale concluíram que o Zika diminui os níveis de testosterona e atrofia os testículos a partir de testes em animais de laboratório.

"Foi reportado que o vírus Zika pode ser detetado no sémen por períodos prolongados depois da infeção no ser humano. Portanto, pensámos na hipótese de que o vírus podia replicar-se nos testículos e comprovámo-la usando em ratos", explicou à agência Efe Ryuta Uraki, coordenador do estudo.

Os cientistas infetaram ratos e notaram que o vírus desaparecia do sangue dos animais após 21 dias, mas continuava presente nos testículos, que haviam encolhido "significativamente", escreve o Sapo.

Segundo Uraki, isso seria um indício de que as células morreram depois da infeção.

Tal como a dengue, o Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e costuma provocar febre leve, erupções na pele, conjuntivite e dores musculares, além de estar relacionado com malformações congénitas muito graves em fetos cujas mães são infetadas durante a gravidez, nomeadamente a microcefalia.

Uraki também afirmou que, embora se acredite que o vírus se espalha principalmente através da picada do mosquito infetado, é preciso ter em conta o risco de transmissão sexual.

"Como os seres humanos com um sistema imunológico totalmente funcional também demonstram uma infeção persistente do Zika nos testículos, estas descobertas têm grandes implicações para a fertilidade dos homens que foram expostos ao vírus", afirma o estudo. "Será importante controlar a fertilidade dos homens que foram infetados com o Zika para compreender melhor o impacto nos seres humanos".

Estudo
Uma equipa de cientistas demonstrou que o tratamento de sucesso para a insónia pode ser mais simples do que se pensava.

O estudo publicado na revista “Brain” põe por terra a ideia de que o treino por neurofeedback - um dos mais eficazes no tratamento das disfunções do sono e que consiste na exercitação direta das funções cerebrais - pode ser inútil quando comparado com os resultados de um placebo.

Uma equipa de investigadores liderada por Manuel Schabus, da Universidade de Salzburgo, na Áustria, demonstrou que os pacientes que acreditaram que tinham sido submetidos a um treino por neurofeedback tinham recebido os mesmos benefícios do que aqueles que tinham de facto feito o treino.

Para o estudo, segundo o Sapo, a equipa recrutou 30 pacientes com insónia primária. Os voluntários foram divididos em dois grupos e submetidos a doze sessões de neurofeedback ou a doze sessões com um treino placebo.

Antes e depois das sessões, os participantes foram sujeitos a eletroencefalogramas.

Os investigadores apuraram que tanto o neurofeedback como o placebo revelaram-se igualmente eficazes em medições subjetivas das queixas relacionadas com o sono, o que sugere que as melhorias observadas tiveram origem em fatores não específicos, como sentir confiança e receber cuidado e empatia por parte dos investigadores.

Estudo
Os pacientes com doença coronária são mais propensos a desenvolverem problemas de ansiedade e a terem uma atitude mais negativa...

A conclusão é de um estudo conduzido por investigadores liderados por Paula Mommersteeg, professora assistente de Psicologia Médica e Clínica da Universidade de Tilburg, Holanda.

A mesma investigação avança ainda que este tipo de problemas do foro psiquiátrico são também mais prevalecentes entre o sexo feminino, escreve o Sapo.

A equipa de cientistas contou com a participação de 500 pessoas com doença cardíaca ligeira e com 1.300 voluntários saudáveis com idades entre os 52 e os 70 anos. Ambos os grupos responderam a questionários sobre saúde física e mental.

Os participantes com problemas cardíacos declararam possuir um índice mais elevado de saúde debilitada, ansiedade e negativismo combinadas com uma inibição social em comparação com os participantes do grupo de controlo.

As pacientes do sexo feminino disseram possuir mais problemas de saúde e ansiedade do que os pacientes do sexo masculino. "Ficámos intrigados com estas diferenças entre sexos – não sabíamos que eram assim tão evidentes", comenta a autora principal do estudo, citada pela agência de notícias UPI.

O estudo sublinha ainda que a doença coronária leve provoca um bloqueio parcial do fluxo sanguíneo, o que aumenta o risco de problemas cardíacos graves e de morte precoce.

Estudo
Já se sabia que a facilidade em atingir o clímax variava de homens para mulheres, mas agora uma novo estudo indica que também...

As mulheres heterossexuais pertencem ao grupo demográfico de seres humanos que atinge menos vezes o orgasmo durante a relação sexual, a passo que os homens heterossexuais são os que conquistam o primeiro lugar do sexo oposto.

As conclusões são de um estudo da Universidade do Indiana, da Universidade Chapman e da Universidade de Claremont, todas nos Estados Unidos, que analisou mais de 52 mil adultos daquele país, escreve o Sapo.

Segundo cita a BBC, cerca de 95 por cento dos homens heterossexuais afirmaram atingir o orgasmo quase sempre durante as relações sexuais. Os homens homossexuais atingem o clímax 89% das vezes; já os homens bissexuais ficaram um ponto percentual atrás, como 88%.

No que toca às mulheres, tanto as heterossexuais como as homossexuais e as bissexuais revelaram ter menos orgasmos do que os homens. As lésbicas referiram atingir o orgasmo em 86% das vezes. No entanto, nota-se um decréscimo significativo quanto aos grupos femininos bissexuais e heterossexuais que disseram atingir o orgasmo 66 e 65 por cento das vezes, respetivamente.

Os investigadores concluem ainda que "poucas mulheres heterossexuais atingem o orgasmo apenas através da penetração" e que a frequência de orgasmos para as mulheres com esta orientação sexual só se aproximava da dos homens quando eram incluídos outros fatores durante a relação sexual.

Ainda de acordo com o estudo, houve uma associação clara entre a frequência do sexo oral e o número de orgasmos em mulheres heterossexuais, mulheres lésbicas, mulheres bissexuais, homens gays e homens bissexuais, escreve a referida televisão britânica.

Dia Mundial das Doenças Raras
Estima-se que cerca de 30 milhões de europeus sejam portadores de uma doença rara que, em 80% dos ca

As doenças denominadas “raras” são aquelas que, por definição, atingem apenas uma pequena percentagem da população. Esse desiderato resulta na existência de menor experiência, por parte do pessoal de saúde, em tratar ou até mesmo reconhecer os sinais e sintomas das mesmas.

Os doentes e suas famílias, sendo em pequeno número, têm também maior dificuldade em encontrar casos semelhantes com quem possam partilhar dúvidas e situações comuns, dificultando uma melhor adaptação, dos doentes e famílias, às dificuldades que tais doenças habitualmente comportam.

O número reduzido de doentes afectados com a mesma doença dificulta também a criação de centros especializados no tratamento das mesmas. Por todas estas razões, estas doenças são também chamadas “doenças órfãs”.

No Continente Europeu estima-se que haja mais de 30 milhões de cidadãos atingidos por diferentes formas destas doenças. Individualmente, cada doença pode afectar não mais de um em um milhão mas, no seu conjunto, podem representar cerca de 6-8% da população europeia.

A maioria das doenças raras é de origem genética (cerca de 80%). Estas estão presentes toda a vida dos doentes, ainda que, ocasionalmente, os sintomas possam ser inaparentes por algum tempo. Setenta e cinco por cento destas doenças manifestam-se na infância e cerca de 30% são fatais antes da idade dos cinco anos. As que não são genéticas têm origem infeciosa, alérgica ou na exposição a determinados ambientes.

As doenças raras são comumente crónicas, progressivas, com frequência denegerativas e muitas vezes fatais. Caracterizam-se, quase sempre, por uma importante diminuição na qualidade de vida dos doentes, frequentemente com limitação da sua autonomia e cursando, muitas vezes, com dor e elevado índice de sofrimento quer dos doentes quer das suas famílias, tantas vezes implicadas nos cuidados destes , quando estes têm a sua autonomia fortemente diminuída.

Estas doenças, sendo raras individualmente, mas existindo em grande número, caraterizam-se por grande diversidade de sintomas que variam, não só de doença para doença, como também entre diferentes doentes com a mesma patologia. Por sua vez, sintomas comuns podem existir nestas doenças raras dificultando o diagnóstico ou conduzindo a diagnósticos incorrectos.

A pouca quantidade de informação disponível e de experiência com estes doentes, leva a um menor grau de conhecimento científico  com concomitantes atrasos no diagnóstico e, de alguma forma, conduzindo a iniquidade no acesso a cuidados de saúde especializados e apoio social às famílias implicadas.

É importante  a criação, não só de grupos de estudo dedicados a estas patologias, como também de fóruns e grupos de apoio mais destinados aos doentes e suas famílias, promovendo a partilha de problemas e conhecimentos. Este dia dedicado a estas doenças serve, sobretudo, para lembrar a sua importância individual, não obstante o seu número residual. Afinal, cada um de nós é também um indivíduo único e todos nós, mesmo os não doentes, padecemos das nossas idiossincrasias. 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Doenças raras
Projeto da associação Raríssimas procura apoio da sociedade para financiar tratamentos. Há milhares de doenças raras e poucas...

A porta da sala de terapias está aberta e os gritos de Lili ecoam por todo o edifício. Está furiosa, abana a cabeça com força, atira o corpo para trás e para a frente com violência. Descontrolada, começa a dar estalos na cara. A diretora interrompe com autoridade. Passou. Em poucos minutos, Lili está a sorrir e a dar beijos carinhosos à "madrinha", que veio acompanhar a sua evolução.

Liliana Carvalho ou Lili tem uma doença rara, escreve o Jornal de Notícias. Chama-se assim porque afeta, no máximo, uma pessoa em cada duas mil. Parece pouco, mas as doenças são muitas (há mais de seis mil identificadas). Hoje, a pretexto do Dia Mundial das Doenças Raras, pede-se mais atenção para estas patologias que afetarão cerca de 800 mil portugueses e carecem de respostas sociais e de saúde.

Lili nasceu há 14 anos com uma hidrocefalia congénita. O quadro clínico agravou-se com uma meningite por volta dos cinco meses. Aos nove anos, quando chegou ao centro da Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, na Maia, era "uma desgraça", nas palavras da mãe. Não falava, não andava, não sabia sequer que tinha pernas. Não comia sozinha, "berrava, ferrava e batia-se o dia inteiro". Aqueles cinco minutos de descontrolo que, às vezes, ainda tem, eram a toda a hora. Quatro anos depois e milhares de exercícios de reabilitação personalizados, Lili compreende o que lhe dizem, tem um discurso assertivo, come sozinha, deixou as fraldas e anda a pé com ajuda.

Uma evolução só possível graças aos "padrinhos" - a Fundação Manuel António da Mota (FMAM) e a empresa Sakthi - que acreditaram na causa e financiam os tratamentos, no âmbito do projeto "Olha por mim" da Raríssimas. No caso de Lili são cerca de 12 200 euros por ano, um custo incomportável para a família, oriunda da Madeira.

O investimento tem surtido efeito e Inês Mota, administradora da FMAM, bem como o presidente, Rui Pedroto, acompanham de perto as conquistas. Periodicamente recebem notícias sobre a evolução da afilhada e sempre que podem vão ver com os próprios olhos. "Sentimos que não dá para desligar, estamos cá para o que for preciso", assegura Inês, satisfeita por poder dar um rumo diferente a uma existência que à partida estaria condenada.

No "centro raríssimo" da Maia, são acompanhadas em ambulatório 70 crianças e jovens com doenças raras, dos quais 21 estão apadrinhados e 18 estão a aguardar um padrinho ou madrinha para poderem seguir o plano terapêutico individualizado de que necessitam. Fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, hidroterapia, hipoterapia e ozonoterapia são algumas das valências proporcionadas.

A angariação dos mecenas é feita pela associação, que anda de porta em porta à procura de padrinhos. Muitas vezes são as empresas onde o pai ou a mãe da criança trabalham que ajudam, conta Joaquina Teixeira, vice-presidente da Raríssimas e diretora do centro da Maia. Sempre que o ano está para acabar vem aquela "dor de barriga" só de pensar que os apoios podem terminar. Ao todo, nos seis centros de reabilitação da Raríssimas do país, são acompanhados 189 doentes, dos quais 44 têm "padrinhos" e 61 estão a aguardar a sua sorte.

Manel Silva-Leal é um desses casos. Chegou há menos de um mês ao centro da Maia. Tem 20 anos e carrega uma expressão de sofrimento que dói. Não fala, usa fraldas, anda agitado e chora sem parar. A mãe, professora na faculdade, traz o desgaste físico e emocional agarrado à pele. O casamento ruiu, a folga financeira que já teve transformou-se num aperto, as costas já não aguentam o peso do filho. Há duas décadas que procura um diagnóstico, um nome para a doença do filho: o último chama-se Síndrome de Pitt-Hopkins, mas ainda sem certezas.

Certo é que Manel precisa de muita reabilitação. Os custos são altos, mas Joaquina já convenceu o irmão a apadrinhar parte dos tratamentos. Não é uma estreia para José Teixeira. O empresário já foi "padrinho" de um menino que morreu, mas não quis deixar de apoiar o projeto que a irmã abraçou alguns anos após o nascimento do Gonçalo, um menino "raro" com Síndrome de Angelman. Os "sorrisos lindos" que recebe servem de recompensa. Padrinho, podes olhar por mim? "Não há como dizer não".

No Porto
Um projeto destinado a doentes com leucemia e linfoma presta apoio domiciliário a mais de 200 utentes, na maior parte idosos,...

Segundo a presidente da Associação de apoio aos Doentes com Leucemia e Linfoma (ADL), Fátima Ferreira, tratando-se de "uma doença controlada mas não curável, os doentes com estes problemas de sangue têm, regularmente, de fazer transfusões".

"Entre a necessária recolha de sangue para análise, a análise e a eventual transfusão, que dura no mínimo duas horas, por vezes os doentes têm de esperar no hospital durante três horas", explicou Fátima Ferreira.

Há dois anos, um conjunto de circunstâncias, "como a oferta de um carro por um antigo doente e a chegada de dois enfermeiros reformados, proporcionaram o início das visitas ao domicílio", observou.

"O nosso raio de ação são 100 quilómetros à volta do Porto, mas excecionalmente já fomos até Monção", disse a responsável de um trabalho voluntário "que permite aos idosos poupar dinheiro, viagens e ter melhor qualidade de vida".

O trabalho da dupla de enfermeiros consiste na "recolha de sangue na casa dos doentes", após o que "fazem o estudo das amostras, informando de seguida o hospital", a quem cabe a decisão sobre se o "doente tem de submeter-se à transfusão".

"Caso seja preciso, marca-se o dia, o paciente desloca-se ao hospital e, à hora marcada, e sem ter de esperar mais tempo, faz [a transfusão] e depois regressa a casa. No caso de não ser preciso, as colheitas ficam feitas, os resultados anotados e o idoso não se cansou com viagens", explicou.

Criada em 1997, a associação vai procurar alargar esse serviço a mais utentes "assim que conseguir outro enfermeiro voluntário", sublinhou a responsável.

Com 1.118 associados, mas em que apenas "um terço paga a quota anual de 10 euros", a ADL conta com 30 voluntários.

Nas instalações que possui no Hospital São João, a associação desenvolveu um apoio "que fosse de encontro ao que o paciente precisava", sendo essa a base que fez nascer, há três anos, "um grupo de terapeutas de Reiki" depois do Centro Hospitalar de São João (CHSJ) ter sido a primeira unidade de saúde do país a autorizá-lo.

"Desde então, doentes de ambulatório e internados com cancro de estômago têm recebido esse serviço voluntário, também ele em crescimento e que já superou a centena de utentes", disse a também médica no CHSJ.

Um protocolo celebrado com a Associação Portuguesa de Reiki Essencial, em Matosinhos, assegurou à ADL a continuidade das terapias "para os doentes que tiveram alta e aos que vêm esporadicamente ao hospital, da zona norte, e igualmente grátis, dado que detetámos dificuldades económicas numa parte deles", explicou Fátima Ferreira.

A ADL tem na indústria farmacêutica a sua "principal fonte de receita", numa parceria que passa, segundo Fátima Ferreira, "pela colaboração da associação na divulgação dos novos medicamentos, por exemplo, nas duas reuniões anuais que promove com os utentes".

No Porto
Investigadores do Porto desenvolveram um dispositivo para os ‘sticks’ utilizados pelos jogadores de hóquei que regista dados...

Este dispositivo, que dispõe de um conjunto de sensores, uma memória e um processador que comunicam sem fios com os 'smartphones', permite registar as principais ocorrências durante o treino.

A informação registada é de "grande utilidade para avaliar a progressão de cada atleta", sendo um contributo igualmente "importante" para o treino coletivo, ajudando a equipa técnica a coordenar de forma mais eficiente as competências dos seus atletas e a potenciar ações de grupo, explicou o engenheiro da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Nuno Viriato, um dos responsáveis pelo projeto.

Este projeto, que teve início há cerca de cinco anos com uma digressão pelos principais clubes profissionais portugueses e espanhóis, junto dos quais se procurou recolher a informação necessária sobre os equipamentos existentes, tem como objetivo principal desenvolver sistemas de monitorização do treino desportivo.

A recolha dos dados para a criação do dispositivo foi realizada no Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI), servindo estes para criar um base com informações acerca das opções dos atletas sobre o material desportivo e a influência destes no seu desempenho.

Numa segunda fase, foi construído um protótipo que pode ser inserido no cabo de um ‘stick’ para registar, em contínuo, os movimentos do hoquista, tendo sido testado e apresentado pela empresa Azemad durante o último Campeonato da Europa, em Oliveira de Azeméis, referiu o investigador da FEUP Mário Vaz, outro dos fundadores do projeto.

Dotando os treinadores e os atletas de ferramentas "que facilitam a aprendizagem e potenciam as características dos hoquistas, a engenharia nacional dá visibilidade à modalidade desportiva em que Portugal mais se tem distinguido a nível mundial, o hóquei em patins", indicou.

"A estagnação" em que esta modalidade se encontrava, "devido à ausência de estudos científicos", despertou o interesse dos investigadores do Laboratório de Óptica e Mecânica Experimental do INEGI, que decidiram "aplicar as metodologias próprias do projeto mecânico ao estudo dos vários equipamentos da modalidade", como os ‘sticks’, os patins, a bola, o capacete de guarda-redes, entre outros, acrescentou Nuno Viriato.

Segundo o responsável, que prevê a comercialização do produto em meados deste ano, existem no mercado sensores semelhantes aplicados a outras modalidades, como o ténis, o golfe e o hóquei no gelo, no entanto, "a especificidade do hóquei em patins obriga a que um dispositivo deste tipo seja projetado de raiz".

Este projeto contou com a colaboração de empresas que construíram os sistemas de avaliação dos ‘sticks’ e desenvolveram, distribuíram e comercializaram o software e o hardware, bem como de clubes e instituições espanholas.

Instituto Ricardo Jorge
A Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética do Instituto Ricardo Jorge anunciou que desenvolveu um novo método de...

A doença de Niemann-Pick tipo C (NPC) tem uma prevalência em Portugal de 2,2 casos em cada 100 mil recém-nascidos e caracteriza-se por defeitos no transporte intracelular do colesterol, conduzindo à sua acumulação excessiva em diferentes órgãos.

"(...) O aparecimento dos primeiros sintomas pode ocorrer tanto no período perinatal como apenas aos 50 anos de idade, sendo o prognóstico mais grave nos casos de envolvimento neurológico precoce, levando à morte prematura de grande parte dos doentes", indicou o Instituto Ricardo Jorge.

De acordo com o instituto de saúde, o diagnóstico tradicional desta doença tem sido feito com base na deteção da acumulação de colesterol.

"A partir de agora a suspeita clínica de NPC passa a poder ser confirmada através do doseamento bioquímico de oxiesteróis, método muito menos invasivo, rápido e sensível, sendo o estudo molecular também necessário para a confirmação do diagnóstico", refere um comunicado do instituto.

A nova metodologia, desenvolvida pelo Departamento de Genética Humana do Instituto Ricardo Jorge, é única em Portugal.

Este departamento - através da Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética (URN) e dos grupos da sua Unidade de Investigação - "tem-se dedicado ao diagnóstico e investigação de doenças raras".

Estima-se que na União Europeia entre 25 a 36 milhões de pessoas sofram de uma doença rara.

O dia Mundial das doenças raras assinala-se hoje.

União Europeia
A União Europeia vai passar a aplicar medidas de controlo a um canabinóide sintético potencialmente perigoso, o MDMB-CHMICA,...

"A UE reagiu hoje a sérias preocupações relacionadas com o uso do canabinóide sintético MDMB-CHMICA ao decidir submetê-lo a ‘medidas de controlo’ em toda a União", pois "a substância em questão tem vindo a levantar preocupações de saúde depois de os Estados-membros terem relatado os efeitos prejudiciais relacionados com o seu uso", indicou ontem, em comunicado, o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência, com sede em Lisboa.

A decisão do Conselho Europeu foi adotada na fase final de um procedimento legal de três níveis desenhado para responder a novas substâncias psicotrópicas potencialmente ameaçadoras no mercado.

O Comité Científico do OEDT fez uma análise formal dos riscos desta droga em julho de 2016 - com a participação de peritos dos Estados-membros, da Comissão Europeia, da Europol e da Agência Europeia do Medicamento, focando-se nos riscos de saúde e sociais, mas também riscos relacionados com o tráfico internacional e envolvimento do crime organizado.

"[O relatório] concluiu que a potência do MDMB-CHMICA e que as quantidades altamente variáveis do composto encontradas em produtos de ervanária constituem um risco sério de toxicidade aguda", realçou o observatório das drogas.

Em julho de 2016 a droga tinha sido detetada em 23 Estados-membros, bem como na Turquia e na Noruega. Também tinha sido identificada em amostras de 25 doentes intoxicados e 28 cadáveres. Em 12 destas mortes, o MDMB-CHMICA foi considerado a causa, ou contribuiu para, a morte, avisa o OEDT.

O MDMB-CHMICA foi identificado no Sistema de Alerta Avançado da UE em 2014. "Vende-se como um substituto 'legal' para o cannabis por empresas de químicos e lojas online numa variedade de formas (em pó ou em produtos comercializados com a designação 'pedra legal'".

Na UE, 16 Estados-membros (aos quais se juntou a Turquia) já reconheceram a ameaça que esta substância representa, pelo que já adotaram medidas para a controlar ao abrigo da sua legislação.

No entanto, a decisão implica o prazo de um ano para que todos os Estados-membros introduzam controlos ao MDMB-CHMICA na sua legislação.

Porto
O Centro Hospitalar de São João está a implementar um projeto que visa a criação de um arquivo clínico digital que permita...

O projeto, que ainda está na fase embrionária, será desenvolvido em parceria com a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB)/Arquivo Distrital do Porto (ADP), que será responsável pela “validação técnica” da iniciativa, disse a coordenadora do denominado Repositório Clínico Digital (RCD), Fernanda Gonçalves.

Como “o volume de informação é muito grande”, o CHSJ pretende iniciar o projeto com o arquivo clínico dos utentes da Pediatria, até aos 12 anos, alargando-se depois a todos os atuais doentes do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), referiu Fernanda Gonçalves.

“Pretendemos criar um repositório clínico digital que garanta a autenticidade e integridade dos documentos, promovendo a definição de procedimentos necessários à correta digitalização e classificação dos documentos, a digitalização da documentação atual e retrospetiva de processos clínicos de doentes atuais e o acesso em suporte eletrónico a toda a informação clínica do utente”, sublinhou a responsável.

A par da implementação do repositório clínico digital, o projeto prevê ainda "a adequação da gestão de informação clínica às necessidades dos doentes atuais e, em especial das novas gerações, a promoção da transferência de suporte priorizada de informação retrospetiva (processo clínico em papel) e racionalização da entrada/produção de informação atual em papel".

De acordo com o CHSJ, pretende-se também “a redução dos custos de custódia e de arquivos clínicos de papel, a definição de melhores práticas na implementação de repositórios clínicos digitais, a produção de recomendações relativas à evolução do enquadramento legal de transferência de suporte e desmaterialização”.

Questionada sobre os “timings” do projeto, Fernanda Gonçalves disse ser “ainda muito cedo para concretizar” na medida em que o processo “obriga à preparação de um concurso” e a “uma eventual alteração legislativa”.

Reino Unido
O Serviço nacional de saúde britânico referiu que está a investigar se os doentes foram colocados em risco após o desvio de...

O diário britânico The Guardian refere que resultados de análises ao sangue, diagnósticos de cancro e outros documentos partilhados entre o hospital e os médicos de família foram armazenados por engano num armazém pela Shared Business Services (SBS), uma empresa subcontratada.

O jornal indica que o erro se iniciou em 2011 e foi descoberto em março de 2016. O Departamento de Saúde informou que está a decorrer um inquérito, mas até ao momento não existem provas de que os doentes tenham sido prejudicados.

Diversos líderes da oposição já pediram explicações ao Governo, com o líder liberal democrata Tim Farron a considerar este episódio como “uma perturbante perda de informações pessoais e privadas”.

O Departamento de Saúde britânico e a companhia francesa Sopra Steria são coproprietárias da SBS.

Estudo
Investigadores australianos concluíram que as dores nas colunas aumentam em 13% a propensão para uma morte prematura por...

Cientistas da Universidade de Sydney, Austrália, concluíram que as pessoas com dores crónicas na coluna vertebral apresentam uma possibilidade 13% superior de morrer prematuramente do que todas as outras pessoas.

O estudo foi publicado no “European Journal of Pain” e contou com a participação de 4.390 gémeos dinamarqueses com mais de 70 anos, escreve o Sapo.

Segundo o Paulo Ferreira, um dos responsáveis pela investigação e professor associado da Faculdade de Ciências da Saúde daquela universidade, a descoberta é "um achado significativo porque muitas pessoas consideravam que a dor na coluna não representava qualquer perigo de vida".

Os investigadores ressalvam que são necessários mais estudos para reforçar esta conclusão, até porque não foi estabelecida uma relação de causalidade entre a dor na coluna e o aumento da mortalidade por todas as causas.

Mathew Fernandez, autor principal do estudo, igualmente da Faculdade de Ciências da Saúde, comenta que "com a população a envelhecer rapidamente, a saúde da coluna vertebral torna-se crucial para manter a independência numa idade mais avançada, evidenciando a importância da dor na coluna como um sintoma a apresentar no âmbito dos cuidados de saúde primários".

Estudo
A médica e cientista Ester Coutinho foi premiada pela Academia de Ciências Médicas do Reino Unido, pela apresentação oral de um...

A informação foi dada pela instituição britânica, que atribuiu o prémio na quinta-feira.

No estudo, publicado na quinta-feira na revista médica britânica e de que a investigadora portuguesa é a primeira autora, a equipa de cientistas debruçou-se sobre o papel dos anticorpos das mães em perturbações no desenvolvimento intelectual e motor das crianças.

Os anticorpos são proteínas do sistema imunitário que normalmente protegem o organismo contra infeções, mas, por vezes, podem levar ao aparecimento de doenças autoimunes.

A investigação de Ester Coutinho procura encontrar anticorpos nas grávidas que afetam o desenvolvimento cerebral do feto, que, mais tarde, se pode revelar em distúrbios ou doenças do neurodesenvolvimento das crianças, como paralisia cerebral, surdez, cegueira, autismo, dislexia, hiperatividade com défice de atenção e deficiências cognitivas.

"O que encontrámos foi uma associação entre um anticorpo contra uma proteína cerebral chamada CASPR2 [envolvida no neurodesenvolvimento] em mães que, depois, tiveram crianças com atrasos mentais. Essa associação foi validada em ratinhos", assinalou a cientista, que realizou o estudo na Universidade de Oxford, no Reino Unido, para a sua tese de doutoramento, ao abrigo de um programa cofinanciado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, em Portugal.

A equipa de investigadores estudou a presença da proteína CASPR2 em amostras de soro do sangue de mães com psicose pós-parto e com crianças com atraso mental ou outras disfunções no desenvolvimento psicológico, comparando-as com grupos de controlo. As amostras foram recolhidas na década de 90 e armazenadas num biobanco na Dinamarca.

Posteriormente, os cientistas avaliaram, em fêmeas de ratinhos, os efeitos da exposição uterina aos anticorpos contra a CASPR2 e, em seguida, o comportamento das crias já crescidas e o seu cérebro (depois de mortas).

"Vimos que houve alterações de comportamento e neuropatologias do cérebro. Tinham défice de interação social, alterações nas camadas corticais do cérebro, excesso de ativação de outras células cerebrais, como a microglia, e uma perda de sinapses [ligações entre neurónios, células cerebrais]. Tudo isto sugerindo uma patologia que é comum às pessoas que têm atrasos intelectuais e motores", apontou Ester Coutinho.

O próximo passo da investigação é validar as conclusões em disfunções específicas do neurodesenvolvimento, como o autismo, e estudar o mecanismo de funcionamento dos anticorpos durante a gestação.

Organização Mundial da Saúde
A Organização Mundial da Saúde instou o mundo a criar novos medicamentos para combater 12 superbactérias que resistem aos...

Os agentes patogénicos “prioritários”, segundo a lista da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluem germes que causam infeções mortais na corrente sanguínea, nos pulmões, cérebro ou aparelho urinário, e que não respondem a uma cada vez maior lista de medicamentos.

“A resistência aos antibióticos está a crescer e estamos a ficar sem opções de tratamento”, afirmou Marie-Paule Kieny, diretora-geral-adjunta da OMS e que publicou a lista, no topo da qual aparecem as 'Acinetobacter baumannii', um grupo de bactérias que provoca patologias diversas, que vão desde a pneumonia até infeções em feridas.

A responsável alertou que se funcionar apenas a lei do mercado os novos antibióticos não serão desenvolvidos a tempo, pelo que é necessário que os governos criem políticas para aumentar o financiamento público e privado na investigação de novos medicamentos.

A OMS já tinha advertido que se nada for feito numa era pós-antibiótico as infeções comuns ou pequenos ferimentos podem transformar-se em assassinos, considerando, em comunicado, que as bactérias podem desenvolver resistência aos fármacos quando as pessoas tomam doses incorretas de antibióticos, e que estirpes resistentes podem ser contraídas diretamente de animais, da água, do ar ou de outras pessoas.

Os germes da lista da OMS, que é dividida em três categorias e que inclui entre as bactérias mais preocupantes a 'salmonella' e a 'Staphylococcus aureus', foram escolhidos com base na gravidade das infeções que causam, na facilidade com que se propagam, no número de fármacos em uso e nos novos antibióticos que estão a ser estudados.

Uma das prioridades são superbactérias resistentes a antibióticos que estão muitas vezes em hospitais, clínicas e entre pacientes que dependem de ventiladores e cateteres.

Na lista estão também bactérias resistentes aos medicamentos e que causam doenças “mais comuns” como gonorreia ou intoxicação alimentar induzida por salmonela.

A lista será discutida com especialistas em saúde do grupo dos G20 (maiores economias mundiais), esta semana em Berlim.

Parlamento
Três projetos de lei do PAN, BE e PEV que defendem a inclusão de um menu vegetariano em todas as cantinas e refeitórios...

Assente em motivações de saúde, éticas, ambientais e pedagógicas, a iniciativa do PAN - Pessoas-Animais-Natureza, seguida por propostas do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Ecologista os Verdes (PEV), foi debatida em junho do ano passado em plenário e baixou sem votação à comissão de especialidade.

Durante o debate, a maioria parlamentar concordou com a “liberdade de escolha na alimentação” pelo que, “analisadas e asseguradas as questões de operacionalidade e aplicabilidade da lei, a proposta pode reunir uma maioria consensual no parlamento”, adianta o PAN, que pretende também combater discriminação contra quem segue a dieta vegetariana.

O texto final da lei será votado, na quarta-feira, na Comissão de Agricultura e Mar e a votação global final em plenário deverá ocorrer na sexta-feira, anunciou o partido em comunicado.

As propostas surgiram na sequência da “Petição pela inclusão de opções vegetarianas nas escolas, universidades e hospitais portugueses”, que recolheu cerca de 15.000 assinaturas e que foi discutida em plenário em junho de 2016.

“Esta mudança representa a vontade de muitos portugueses que, por opção ou necessidade, seguem regimes de alimentação que diferem da norma, nomeadamente uma alimentação vegetariana”, sublinha o PAN.

A lei aplica-se às cantinas e refeitórios que façam parte da Administração do Estado, que deverão passar a ter diariamente uma opção vegetariana.

Nos casos em que não haja procura, e para evitar o desperdício alimentar, pode ser instituído um regime de inscrição prévia para quem pretender prato vegetariano, sublinha a projeto de lei.

“As entidades que façam administração direta das cantinas dispõem de um prazo de seis meses para se adaptarem e as restantes podem aguardar até ao final da execução do contrato que esteja em vigor”, acrescenta.

Segundo o PAN, esta lei vem “travar a discriminação das pessoas que já seguem esta dieta mas que dificilmente conseguem fazer uma refeição fora das suas casas”.

Para o subscritor do projeto, André Silva, esta questão torna-se “especialmente relevante” quando se tratam de crianças e jovens, que se sentem muitas vezes “discriminados nas escolas, pelos colegas, professores, auxiliares, por comerem comida diferente, necessariamente trazida de casa”.

“Temos tido até agora um Estado que nos impõe uma dieta padronizada. Os indicadores são claros a vários níveis, para além dos vários benefícios que mudanças graduais nos hábitos alimentares nos podem trazer, a opção que propomos é técnica, económica e nutritivamente possível”, salienta.

Por outro lado, esta escolha possibilita “uma redução dos impactos ambientais”, contribuindo para padrões elevados de segurança alimentar e de saúde das gerações futuras.

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), as dietas vegetarianas têm benefícios importantes, como a redução da prevalência de doença oncológica, obesidade, doença cardiovascular, hiperlipidemias (gorduras no sangue), hipertensão, diabetes.

Estudo
Um estudo desenvolvido na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto indica que as mulheres atletas de alta competição têm...

Este é um dos resultados do projeto "Effects of physical exercise on the pelvic floor and its relevance for the urinary incontinence" ("Efeitos do exercício físico no pavimento pélvico e sua relevância para a incontinência urinária"), que tem como objetivo estudar a incontinência urinária e os distúrbios alimentares em atletas de elite.

Tendo como principal investigadora a fisioterapeuta da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), Alice Carvalhais, o projeto conta com profissionais das faculdades de Desporto e de Engenharia da Universidade do Porto (FADEUP e FEUP), do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI) e da Escola Norueguesa de Ciências do Desporto, de Oslo.

Para a realização do primeiro estudo, foram avaliadas atletas de 26 modalidades, individuais e coletivas, com representatividade em Portugal, tendo sido nos desportos com alto impacto que se verificou uma taxa mais elevada de prevalência de incontinência urinária, disse à Lusa Alice Carvalhais.

Segundo a fisioterapeuta, os dados para essa etapa foram recolhidos através de questionários feitos a 372 atletas de alta competição, tendo sido solicitada autorização aos responsáveis pelas diferentes seleções nacionais para contacto com as mesmas nos períodos de estágios e em algumas situações de provas e de campeonatos.

Para controlo, foram avaliadas, também nessa fase, 372 mulheres que não praticavam desporto (ou que praticavam, no máximo, duas vezes por semana), recrutadas em escolas secundárias, faculdades e espaços públicos, acrescentou.

O segundo estudo do projeto passa por perceber se existe inter-relação entre diferentes estruturas anatómicas que delimitam a cavidade abdomino-pélvica em mulheres continentes e naquelas que possuem algum grau de incontinência urinária, de forma a verificar o impacto que o nível de atividade física pode ter nesses parâmetros.

Nesta parte, a recolha dos dados está a ser realizada no Laboratório de Biomecânica do Porto (LABIOMEP), tendo sido avaliadas, até à data, 46 mulheres, número que se prevê aumentar brevemente.

O terceiro momento do projeto, segundo a investigadora, consiste no desenvolvimento de um dispositivo para monitorizar e treinar a força dos músculos do pavimento pélvico.

Alice Carvalhais é fisioterapeuta há 30 anos e passou os primeiros 20 a intervir, maioritariamente, na área das disfunções neuro-músculo-esqueléticas.

"Entretanto, comecei a interessar-me pela saúde na mulher, mais especificamente pelas disfunções do pavimento pélvico", área na qual efetuou uma formação específica.

Para a fisioterapeuta, o que se retira desta análise não é que as mulheres devam abandonar a alta competição ou os desportos em que a prevalência desta condição é elevada, mas sim que algo deve ser feito no sentido de desenvolver estratégias para prevenir o aparecimento desta disfunção nas mulheres que não o apresentam e intervir naquelas em que já ocorre, mesmo sem a prática desportiva.

Prevê-se que todas as fases do projeto estejam concluídas até dezembro de 2017.

Presidente da ESEnfC
Maria da Conceição Bento, que falava na sessão de abertura do VI Fórum Politécnico, observou, no entanto, que há custos...

A Presidente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), Maria da Conceição Bento, defendeu, que “a grande meta para o ensino da saúde não podia ser outra senão a de dispormos, nas instituições de ensino politécnico da saúde, de laboratórios de simulação”, que incorporem “desde modelos de equipamento para treino de simples tarefas, como braços para administração de perfusões e medicação intravenosa, até simuladores de pessoa humana de alta-fidelidade, para a aprendizagem da tomada de decisão em cenários de elevada complexidade”.

A Presidente da ESEnfC, que intervinha no VI Fórum Politécnico, que teve por tema a “Simulação e Formação Interprofissional na Saúde”, e no qual esteve presente a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rollo, enumerou um conjunto de vantagens resultantes da aprendizagem por simulação, como o “aumento das oportunidades dadas aos estudantes para se familiarizarem com as competências clínicas antes de as consolidarem na prática clínica real”, o contacto com “experiências que farão parte da prática no mundo real dos cuidados de saúde”, ou a possibilidade de “o aluno pensar espontaneamente e de forma mais ativa do que passiva”.

Por outro lado, prosseguiu Maria da Conceição Bento, a simulação “fornece oportunidades aos estudantes de cometerem erros num cenário seguro”, transformando esses erros em “oportunidades de aprendizagem”, mas também “permite a demonstração dos conceitos fisiológicos de forma mais fácil do que lendo os manuais”, além de que “melhora a capacidade de visualizar as respostas fisiológicas às medicações e intervenções de Enfermagem”.

Apesar dos “benefícios evidentes”, a Presidente da ESEnfC notou que “a incorporação da simulação como estratégia na implementação dos currículos de Enfermagem tem custos associados à manutenção dos centros de simulação, o que pode constituir um grande desafio, dado tratar-se de um investimento muito elevado e para responder ao qual necessitamos de encontrar, eventualmente no quadro dos programas de financiamento europeu, os recursos necessários”.

A eventual criação de unidades móveis de simulação como forma de acesso de todas as escolas politécnicas de saúde ao ensino por simulação, ou a existência de redes e de parcerias que facilitem, igualmente, a formação contínua dos profissionais de saúde, foram algumas ideias partilhadas no VI Fórum Politécnico, realizado pela ESEnfC em articulação com a Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da Saúde (SPSim).

O Fórum Politécnico é uma iniciativa promovida pelo CCISP, em colaboração com o Programa de Modernização e Valorização dos Institutos Politécnicos, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Estudo
Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra descobriu como a produção...

As fêmeas de meia-idade apresentam uma redução de uma hormona sexual (o estrogénio) no cérebro que, com o envelhecimento, contribui para a neurodegeneração, disfunção cognitiva e sináptica, morte neuronal e Doença de Alzheimer (DA). A redução do estrogénio encontra-se associada à disfunção ovárica que se inicia com o período que antecede a menopausa (perimenopausa), a qual pode ser acelerada pelo impacto da diabetes.

A investigação, publicada na revista científica Molecular Neurobiology, sugere que a redução do estrogénio pode ser explicada pela incapacidade de ser transportado da circulação sanguínea para o cérebro, podendo ocorrer o mesmo com o transporte do colesterol, envolvido na produção do estrogénio.

A incapacidade de transporte ocorre apesar de as fêmeas de meia-idade diabéticas tipo 2 terem níveis de colesterol no sangue mais elevados que os machos com a mesma idade.

Ana Duarte, uma das autoras do estudo, explica que “o sexo feminino tem sido considerado como fator de risco para DA, particularmente após a menopausa. No entanto, pouco se sabe acerca dos eventos que precedem esta fase da vida. Os nossos resultados sugerem que, pelo menos durante a meia-idade, o facto de se ser do sexo feminino ou masculino afeta de forma diferente a comunicação entre células do cérebro, através das diferentes hormonas sexuais, podendo também elas ser parcialmente afetadas pela diabetes tipo 2”.

Apesar de as fêmeas de meia-idade apresentarem níveis de estrogénio no cérebro semelhantes ou menores que os dos machos, elas parecem ter desenvolvido mecanismos de adaptação de modo a manterem funcional a maquinaria que interage com esta hormona, combatendo a acumulação cerebral de elementos associados à doença de Alzheimer. Alguns elementos protetores, como a insulina, podem explicar como as fêmeas apresentam menos marcadores patológicos da DA que os machos.

A investigadora salienta ainda que “ao demonstrar que diferentes perfis e ações dos diferentes sexos poderão ter um papel crucial no cérebro na presença da diabetes tipo 2, o estudo reforça a necessidade de estabelecer abordagens preventivas e/ou terapêuticas dirigidas a diferentes fases da vida (como a meia-idade) para potenciar os tratamentos na diabetes tipo 2 e na DA”.

O estudo, que obedeceu a um longo e rigoroso processo de recolha, armazenamento e processamento de amostras, de acordo com a legislação portuguesa e europeia em vigor, contou com a colaboração do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC).

A investigação foi financiada por Fundos Europeus do FEDER através do Programa Operacional Fatores de Competitividade – COMPETE 2020, de verbas portuguesas através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do Programa de Estímulo à Investigação da Faculdade de Medicina da UC, bem como do Fundo Social Europeu através de Bolsas.

Link do artigo: http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12035-016-0155-1

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