Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
A legislação que há quatro anos veio proibir novas substâncias psicoativas teve como consequência o encerramento das lojas...

“É evidente que essas substâncias continuam a circular, em parte nos circuitos ilícitos a par das cocaínas ou heroínas, e também através do mercado se faz na internet, em ‘sites’ específicos”, admitiu, em entrevista, o diretor-geral do organismo responsável pelas dependências, João Goulão, sublinhando contudo que é um mercado relativamente residual em Portugal.

O efeito prático e imediato da legislação que em 2013 proibiu a venda destas novas substâncias psicoativas foi o encerramento das ‘smartshops’, mas houve outros impactos positivos, como uma diminuição dos casos que chegavam às urgências hospitalares decorrentes do consumo daquelas drogas.

João Goulão recorda que a comercialização daquelas substâncias em lojas de porta aberta transmitia uma certa sensação de segurança que estava a disseminar-se e a ter impactos “muito significativos”.

O encerramento dessas lojas trouxe assim uma redução do consumo das substâncias psicoativas, que em Portugal têm um mercado que “não é muito grande” mas que tem vindo a crescer noutros países europeus.

“Temos de continuar a acompanhar e monitorizar, estar atentos, porque de um momento para o outro [o fenómeno] pode explodir”, afirmou o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

No mercado destas drogas reina a confusão, sendo complicado perceber o que se está a vender ou a comprar, com muitas das substâncias a ser comercializadas como se fossem ecstasy ou anfetaminas.

“Eu diria que há uma espécie de indústria parafarmacêutica que todos os dias lança no mercado novas substâncias”, disse João Goulão.

As novas substâncias psicoativas são uns parentes próximos de outras substâncias que, mercê de uma alteração molecular, se tornam novas e não constas das listas de substâncias sujeitas a controlo.

“Isto acontece a um ritmo avassalador”, reconhece o diretor do SICAD.

Portugal está incluído num sistema de alerta rápido onde estão ligados todos os estados da União Europeia. Quando é detetada uma nova substância nalgum país, todos os outros ficam alerta.

“No nosso país, destas substâncias identificadas, têm aparecido relativamente poucas e os impactos têm diminuído”, segundo Goulão, referindo-se novamente ao decréscimo de casos de situações de urgência ou emergência, como surtos psicóticos ou ataques de pânico.

Segundo o responsável, não é do conhecimento das autoridades que haja produção destas novas substâncias psicoativas em Portugal.

Quando a lei surgiu, em 2013, passou a ser proibida a venda, produção e publicidade a mais de 150 substâncias psicoativas. Mas o ritmo de produção destas substâncias obrigou a acautelar atualizações periódicas à tabela das substâncias proibidas.

Assim, sempre que exista suspeita de grave risco para a saúde num produto que possa ser considerado nova substância psicoativa, as autoridades devem analisá-lo e proibir a sua venda até se concluir se é ou não incluída nesta lista de produtos proibidos.

Procriação medicamente assistida
Perto de 50 pessoas ofereceram-se desde janeiro para doar óvulos e espermatozoides nos três centros públicos que fazem estas...

Os gâmetas têm sido um recurso para alguns casais com problemas de infertilidade, mas desde o ano passado que os gâmetas podem também ser usados por mulheres solteiras ou casais de lésbicas, não exigindo a existência de doença.

Tendo em conta o previsível aumento da procura deste material genético que o alargamento do acesso às técnicas veio permitir, o Governo lançou uma campanha de promoção das dádivas e aumentou de um para três os centros de colheita em hospitais públicos.

Atualmente, os candidatos a dadores podem oferecer-se para doar gâmetas no Centro Hospitalar do Porto (que já o fazia), no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e no Centro Hospitalar Lisboa Central (Maternidade Alfredo da Costa).

Segundo Caldas Afonso, que dirige o Centro Materno Infantil do Norte, onde funciona o Banco Público de Gâmetas, desde janeiro disponibilizaram-se quatro homens e 10 mulheres para doarem gâmetas.

Este centro tinha realizado uma campanha de promoção de dádivas que arrancou em setembro do ano passado, mais dirigida à população estudantil da região.

Entre setembro e janeiro deste ano, ofereceram-se 44 homens e 20 mulheres.

Dos candidatos masculinos, 13 já se encontram em fase avançada de doação e quatro têm as colheitas em quarentena (processo que demora seis meses).

No caso das mulheres, metade estão em estudo para estimulação folicular, fase do processo que antecede a recolha dos óvulos.

Caldas Afonso reconheceu que o número de candidatos conseguidos desde janeiro deste ano, e no seguimento da campanha, ainda é insuficiente, tendo em conta as necessidades que são identificadas nas consultas de infertilidade.

“Entre 10 a 15% dos casos que chegam à consulta de infertilidade têm necessidade de gâmetas”, disse.

Contudo, este responsável reconheceu que ainda é cedo e que só no final do ano é que poderá ser avaliado o impacto do aumento de centros de colheita e também da campanha de promoção da dádiva.

Em Coimbra ofereceram-se para dadores oito homens e quatro mulheres.

Segundo Teresa Almeida Santos, que dirige o centro de colheitas do CHUC, um dos homens já efetuou a primeira colheita (das sete que tem de realizar).

Sobre a resposta ao apelo à doação, a especialista em medicina da reprodução disse estar a ser a esperada, prevendo-se que só ao final de cerca de nove meses é que o material genético deva estar disponível.

Em Lisboa, foram, até ao momento, selecionados 12 dadores: sete homens e cinco mulheres.

Graça Pinto, responsável pelo centro de colheita na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), sublinhou que o processo da dádiva tem várias etapas: contactos com potenciais dadores, avaliação (que inclui uma consulta médica, psicológica, análises de sangue, avaliação de qualidade espermática, no caso dos homens) e agendamento das dádivas.

No caso dos homens, a amostra de esperma tem de submeter-se a uma quarentena de seis meses. Os óvulos colhidos às mulheres são congelados de imediato após a recolha.

Além dos centros públicos, as clínicas privadas também disponibilizam gâmetas, provenientes de dádivas ou importadas, pelos quais é cobrado um preço no âmbito da técnica aplicada.

Procriação medicamente assistida
A filha de Inês foi concebida com sémen de dador, os de Francisca cresceram numa “barriga de aluguer” e Maria doou recentemente...

Estas três mulheres nunca se conheceram e, apesar de terem idades próximas, abaixo dos 40 anos, tiveram motivos diferentes para recorrer à ciência na altura de serem mães, ou de ajudar alguém a sê-lo.

Quando Inês decidiu ser mãe a lei que permite o acesso às técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres solteiras e sem problemas de infertilidade ainda não estava em vigor em Portugal, o que só aconteceu em junho de 2016.

A viver no estrangeiro por motivos profissionais, Inês sempre esperou que a maternidade, assim como o casamento, acontecesse naturalmente.

Para Inês, o desejo de um filho nasceu “de um dia para o outro” e várias relações amorosas falhadas contribuíram por optar por ser mãe sozinha.

Foi assim que partiu à procura de um filho através de inseminação com sémen de dador numa clínica de um país onde vive e que na altura já permitia a procriação medicamente assistida para mulheres solteiras.

Para Inês, “a escolha do dador é possivelmente o momento mais complicado de todo o processo para uma futura mãe”.

“É uma decisão extremamente pessoal e obriga-nos a pensar muito sobre todo o processo, sobre o que estamos a fazer e porquê. É intenso, emocionalmente”.

A inseminação artificial correu bem e a gravidez surgiu à primeira tentativa. “O momento mais forte e intenso para mim foi quando entrei na clínica para a inseminação. Depois do procedimento, a gravidez era uma possibilidade na minha cabeça”, contou.

A viver num país onde estes procedimentos são há muito banais, Inês sentiu sempre a compreensão dos amigos que acharam a sua decisão perfeitamente normal.

No entanto, reconhece que em Portugal, o seu país, “ainda há muita gente com dificuldade em conceber este conceito”.

A filha de Inês irá conhecer as suas origens. “Tem esse direito”, diz.

“Nos países onde a pma para mães solteiras é praticada há mais tempo, há comunidades e grupos de apoio onde se discutem as melhores formas de explicar às crianças. Vou procurar ajuda, preparar-me para as perguntas dela e seguir o instinto”.

A filha de Inês, tal como milhares de outras crianças, só nasceram graças a material genético de dador. Estas doações ainda são pouco frequentes em Portugal, razão porque o Ministério da Saúde lançou, em janeiro, uma campanha de promoção da dádiva de óculos e espermatozoides.

Para Maria, doar óvulos sempre foi uma ideia muito presente e com um objetivo muito definido: “Ajudar uma mulher a ter um filho, ajudar uma família que o quisesse muito a ser mais feliz e completa”.

Curiosa por natureza, foi-se informando dos procedimentos e só foi surpreendida com a parte física.

“Sabia que teria de fazer injeções com hormonas, mas os seus efeitos foi o que mais me surpreendeu: inchaço na barriga, algum desconforto na zona abdominal, algumas tonturas num ou dois dias”.

Até doar os seus óvulos, Maria foi submetida a um batalhão de exames físicos e psicológicos e várias consultas. O procedimento foi realizado numa clínica privada, pelo qual recebeu uma compensação de 630 euros.

No final do processo, ficou satisfeita por sentir que tinha contribuído para algo “muito importante”.

Por esta razão, não entende como os críticos falam de “caprichos” das recetoras.

“Não me parece haver grande lugar a caprichos quando uma mulher se submete a tratamentos, muitas vezes falhados, com toda a tristeza e ansiedade que isso acarreta”, disse.

Para Maria, “estas crianças são muito desejadas, o que é logo um bom princípio para serem bem cuidadas e felizes. Não deixam de ser crianças como as outras. Oxalá todas tivessem uma família que as desejou tanto e que se esforçou tanto para recebê-las”.

O desejo de ser mãe de Francisca levou-a mais longe, até à Ucrânia, onde recorreu a uma barriga de aluguer – prática legal nesse país e pela qual pagou 50 mil euros.

Esta foi a única forma que encontrou para poder ter filhos com o seu material biológico, bem como o do seu marido.

O processo médico (exames e estimulação ovárica) foi realizado em Portugal, tendo depois o casal viajado até à Ucrânia, onde foram recolhidos os seus gâmetas (óvulos e espermatozoides), dos quais resultaram os embriões implantados na gestante de substituição.

O casal foi vendo as ecografias das crianças (um par de gémeos) por e-mail e Francisca pode assistir ao nascimento dos filhos biológicos. Foi essa a altura em que viu pela última vez a gestante de substituição.

Francisca lamenta que tenha tido de viajar para tão longe e de gastar tanto dinheiro para ser mãe, o que se deveu a razões clínicas.

Atualmente, a gestação de substituição por razões de saúde é legal em Portugal, embora a sua aplicação ainda não seja possível, por se aguardar a publicação da regulamentação da legislação. Estes casos não poderão em caso algum ser passíveis de qualquer tipo de pagamento.

Estudo
Cerca de 1,7 milhões de pessoas desenvolvem atualmente uma infeção fúngica em Portugal, concluiu um estudo do Departamento de...

Segundo o estudo, do total de pessoas afetadas em Portugal, 1,5 milhões desenvolvem uma infeção fúngica cutânea.

A segunda infeção fúngica mais frequente no país é a candidíase vaginal, afetando anualmente mais de 150 mil mulheres com idades entre os 15 e os 50 anos, adianta este trabalho do Instituto Ricardo Jorge, publicado no âmbito de um projeto internacional que tem como objetivo estimar a incidência das infeções fúngicas a nível mundial.

“Como não são doenças de declaração obrigatória, foram utilizados dados publicados e outros estimados. Muitos destes dados foram baseados em diferentes populações de risco de forma a conseguir estimar a incidência ou prevalência das infeções fúngicas em Portugal”, explicou Raquel Sabino, uma das autoras do estudo e representante portuguesa da rede Fundo Global de Ação para Infeções Fúngicas.

O Instituto Ricardo Jorge conclui também que, quando comparado com outros países europeus, Portugal apresenta “a mais elevada incidência anual de meningite criptococica, mas uma das mais baixas incidências de pneumonia por Pneumocystis”.

“Uma vez que a asma afeta cerca de 10 por cento da população adulta, estima-se que cerca de 17 mil pessoas sofram de asma severa por sensibilização fúngica e 13 mil sofram de aspergilose broncopulmonar alérgica”, refere ainda o trabalho do Instituto Ricardo Jorge.

Segundo a investigadora portuguesa, a metodologia usada neste estudo “tem vindo a ser aplicada em mais 65 países por todo o mundo, cobrindo cerca de 5,6 mil milhões de pessoas até agora”.

As estimativas globais mostram que mais de 300 milhões de pessoas são afetadas por infeções fúngicas, afetando entre 1,8 a três por cento da população de cada país, e que ocorram anualmente mais de 1 milhão e meio de mortes causadas por infeção fúngica grave.

A investigador considerou ainda que estes estudos são uma “forma de alerta e sensibilização de extrema importância, uma vez que as infeções fúngicas são ainda muito negligenciadas e são responsáveis, anualmente, por mais mortes que, por exemplo, a tuberculose”.

Hospital de Santa Marta
Um doente com insuficiência cardíaca recebeu quinta-feira no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, um dispositivo de assistência...

Miguel Abecassis, cirurgião cardiotorácico que dirigiu a intervenção no Hospital de Santa Cruz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental), disse que a operação “correu bem” e que o doente está a recuperar, apesar das dificuldades de um pós-operatório desta natureza.

O médico começou por esclarecer que este dispositivo, apesar de ser conhecido como tal, não é um verdadeiro coração artificial, pois estes são usados de forma definitiva.

No entanto, em situações como a deste doente, de 71 anos e com um quadro de insuficiência renal e hepática, o dispositivo acaba por funcionar como “de destino”, ou seja, dificilmente será substituído.

“Este é um dispositivo de assistência circulatória interno. Ao contrário dos que temos utilizado até hoje, que são dispositivos de assistência circulatória externos, estes têm a enorme vantagem de, por um lado dar mais liberdade ao doente e, por outro, não ter as complicações dos dispositivos externos”, explicou o cirurgião.

Tal como a equipa de José Fragata, que terça-feira anunciou a pioneira implantação em Portugal deste dispositivo, que tinha ocorrido na véspera, a equipa de Santa Cruz deslocou-se a Lausanne (Suíça) para tomar conhecimento da técnica.

O doente, que recebeu quinta-feira o dispositivo, “sofre de insuficiência cardíaca avançada, com vários internamentos no hospital por essa razão, o último dos quais sete dias antes da implantação, em que havia claramente um quadro de insuficiência renal e hepática em evolução”.

“Uma vez que este seria sempre um recetor marginal - se é que alguma vez seria um candidato a transplante, que não é - achámos que era um candidato a este tipo de dispositivos”, adiantou o cirurgião.

A cirurgia durou cerca de três horas e meia e, além da implantação do sistema de apoio circulatório, os cirurgiões tiveram de reconstruir a válvula do lado direito do coração do doente.

Para Miguel Abecassis, a maior dificuldade durante a cirurgia deu-se na correção das alterações de coagulação, devido ao quadro de insuficiência hepática do doente, já que do ponto de vista técnico “não existiu qualquer problema e a bomba funcionou sempre a 100 por cento”.

O doente, que tem “um prognóstico reservado, como todos estes doentes”, tem registado “uma evolução muito positiva nas últimas horas”.

Segundo Miguel Abecassis, existem já outros candidatos a este dispositivo.

Administração Regional de Saúde
O diagnóstico precoce e a monitorização da doença pulmonar obstrutiva crónica e da asma são os objetivos de um projeto-piloto,...

O “Projeto-Piloto das Espirometrias nos Cuidados de Saúde Primários” é da responsabilidade da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, através do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Alentejo Central.

A iniciativa, explicou hoje a ARS, consiste na realização de espirometrias (exame à função respiratória) para efeitos de diagnóstico e monitorização de utentes, principalmente aqueles que têm doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e asma brônquica.

A diretora executiva do ACES Alentejo Central, Laurência Gemito, destacou hoje à agência Lusa que “as doenças respiratórias crónicas são, atualmente, uma importante causa de morte em Portugal, sobretudo de mortalidade intra-hospitalar”.

“E a DPOC e a asma são as doenças crónicas mais relevantes. Daí, a nossa aposta, com este projeto, no diagnóstico precoce, através de rastreios, e na monitorização”, acrescentou.

O diagnóstico precoce destas patologias, nos cuidados de saúde primários, explicou a ARS, “permite melhorar a qualidade de vida dos utentes, reduzir a frequência e o impacto de exacerbações, bem como a mortalidade e morbilidade associadas a estas doenças”.

O projeto em curso, desde outubro, nos 14 concelhos do distrito de Évora, integrados no ACES Alentejo Central, pretende, precisamente, dar resposta às requisições dos médicos de família para a realização das espirometrias que permitam um diagnóstico atempado destas doenças.

“Este rastreio, no caso do ACES, era feito no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE)”, mas esta unidade “não tinha capacidade para dar resposta ao número de requisições dos médicos de família”, explicou Laurência Gemito.

Como já havia “à volta de 300 pedidos atrasados” e “atendendo à importância destas doenças crónicas na mortalidade e morbilidade da população”, o ACES avançou com o projeto-piloto, para “ir ao encontro dos utentes”, e equipou a unidade móvel que já possuía e contratou uma técnica cardiopneumologista.

“A unidade móvel vai a todos os centros e extensões de Saúde. Assim, os exames são realizados mais rapidamente e os utentes não têm de se deslocar”, o que, numa região como o Alentejo, “com uma área muito extensa e uma população envelhecida, muito dispersa e com poucos recursos económicos”, faz “toda a diferença”, frisou a diretora executiva do ACES.

O projeto, concebido “nestes moldes, com uma unidade móvel a deslocar-se até aos utentes, e com esta dimensão, é inovador a nível nacional”, sublinhou Laurência Gemito.

Até final de janeiro, foram efetuadas 221 espirometrias. “A maioria dos utentes (148) não tinha alterações do padrão ventilatório, mas foram verificadas alterações em 70 pessoas”, sendo ainda inconclusivos três dos exames, referiu a diretora.

“O médico de família recebe o resultado da espirometria e, então, decide se envia o utente para uma consulta de especialidade ou qual a terapêutica mais indicada”, explicou, revelando que o ACES, satisfeito pelos resultados do projeto, já está “a adquirir mais equipamentos” para o alargar.

Diabetes e saúde cardiovascular
De acordo com o Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes, estima-se que cerca de 1 milhã

Considerada uma epidemia do século XXI, a diabetes afeta um milhão de portugueses, estimando-se que este número aumente se se tiver em consideração os casos de pré-diabetes. De acordo, com Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, “cerca de 3,1 milhões de pessoas entre os 20 e os 79 anos têm diabetes ou pré-diabetes”.

Obesidade e sedentarismo são os principais fatores de risco de uma doença que, só em Portugal, tem registado um aumento anual de 3% .

“A diabetes tipo 2 e a obesidade são as duas epidemias gémeas do século XXI que têm aumentado ao longo dos anos de forma paralela. Em Portugal, mais de 50% da população tem obesidade ou pré-obesidade. No que diz respeito à diabetes mellitus, cerca de 90 a 95% dos casos são de diabetes mellitus tipo 2. Esta é a forma mais comum, mais prevalente, sendo que cerca de um em cada 10 portugueses tem este tipo de diabetes”, revela a médica endocrinologista do Centro Hospitalar de São João (CHSJ).

Com um impacto considerável junto da população, quando não é bem tratada ou controlada a doença pode dar origem a várias complicações tardias resultando na perda de qualidade de vida.

“A diabetes é a principal causa de cegueira, insuficiência renal, amputação de membros inferiores e das doença cardiovasculares”, refere a especialista.

Em termos financeiros, segundo o último Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes, a doença custa ao Estado mais de 200 milhões de euros. “No entanto, estima-se que os custos do tratamento de complicações e hospitalizações rondem os 1550 milhões de euros anuais, quase 1% do PIB, sendo que é um custo que tende a aumentar ao longo dos anos”, revela Paula Freitas que afirma que este custo é o único que pode ser controlável.

Entre as medidas para reduzir este impacto, a presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade destaca como primordial a prevenção da doença.

Por outro lado, o tratamento precoce “correto e eficaz da hiperglicemia e de todos os outros fatores de risco cardiovasculares associados”, contribuirá e muito para a redução de custos, uma vez que evitará o aparecimento de complicações tardias “quer micro e macrovasculares”cujos tratamentos são caros.

“O tratamento eficaz também garante uma melhor qualidade de vida dos doentes, o que se traduz em redução dos custos diretos e indiretos relacionados com a diabetes tipo 2”, afirma reforçando a necessidade de se apostar no controlo glicémico e “dar ferramentas aos doentes, nomeadamente, a nível de educação para a sua doença, bem como o acesso ao tratamento mais adequado para cada indivíduo”.

Acresce ainda a importância da inovação terapêutica, que nestes casos, gera poupanças a longo prazo, uma vez que para além de contribuirem para uma melhor qualidade de vida, evitam ainda “as complicações causadas pelas doenças cardiovasculares neste doentes”.

Diabetes e o risco de doença cardiovascular

A diabetes provoca um conjunto de alterações no organismo que torna mais frequentes e mais graves as doenças cardiovasculares. “A hiperglicemia, stress oxidativo, disfunção endotelial, alterações no processo inflamatório, alterações do fluxo sanguíneo e permeabilidade vascular, fenómenos vaso-oclusivos e isquémicos, alterações epigenéticas consequentes ao mau controlo glicémico com repercussão na memória metabólica, e múltiplas outras vias complexas aumentam a susceptibilidade da ocorrência de fenómenos de oclusão e que podem originar acidentes cardiovasculares”, enumera Paula Freitas.

De acordo com a especialista, os doentes com diabetes mellitus tipo 2, para além da obesidade, também têm dislipidemia, hipertensão, hiperuricemia “e todos os outros múltiplos fatores constituintes ou associados ao síndrome metabólico” o que aumenta o risco de doença cardiovascular.

Os dados disponíveis sobre esta relação mostram que a diabetes de tipo 2 aumenta quatro vezes mais o risco de doença cardíaca e enfarte, estimando-se que cerca de 50% das mortes entre a população diabética esteja relacionada com problemas cardiovasculares.

“Para reduzir o risco cardiovascular é necessário fazer uma intervenção multifatorial com intervenção ao nível do estilo de vida, com promoção de uma alimentação saudável, prática regular de exercício físico, promoção da cessação tabágica e perda de peso”, começa por explicar a presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

Por outro lado, é essencial a aplicação de tratamento correto “e com os fármacos adequados” da hiperglicemia, hipertensão, dislipidemia e “fazer antiagregação plaquetária, quando indicado”.

“De facto, as complicações crónicas da diabetes, e nomeadamente as macrovasculares – a doença cardiovascular – podem ser prevenidas ou atrasada a sua progressão, ou controladas se já ocorreram, se o médico e a pessoa com diabetes gerirem de forma a adequada a sua doença desde o início”, reforça.

No que diz respeito ao seu tratamento, a especialista afirma que o médico deve escolher os fármacos que são eficazes mas seguros do ponto de vista cardiovascular, ou que, pelo menos, já tenham demonstrado a sua eficácia na redução dos eventos ou a mortalidade cardiovascular em doente de alto risco.

“Relativamente aos doentes diabéticos tipo 2, com elevado risco cardiovascular, é de destacar os resultados do estudo LEADER que mostrou uma redução significativa nos eventos cardiovasculares major, assim como uma redução na mortalidade por todas as causas e mortalidade cardiovascular”, acrescenta.

Segundo o estudo, houve uma redução de 22% de morte cardiovascular “e reduções de enfarte de miocardio não fatal e de AVC não fatal em doentes em tratamento com liraglutido”.

Deste modo, tal como adianta a especialista, estes resultados levam a uma nova perspectiva para o tratamento da diabetes tipo 2.  “De facto, os novos fármacos trazem um enorme avanço na qualidade de vida dos doentes com diabetes. Os resultados deste estudo são promissores e têm potencial para alterar a prática clínica na área da diabetes, uma vez que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nesta população, no mundo inteiro”, conclui.

Quanto aos sintomas, sabe-se que a doença cardiovascular pode ser silenciosa e permanecer assitomática durante vários anos. No entanto, Paula Freita alerta para aqueles que são os principais sinais de alerta: cansaço fácil, palpitações, taquicardia, tonturas, hipertensão arterial, dispneia, claudicação intermitente e disfunção sexual.

A Diabetes em Congresso                                           

O 13º Congresso Português da Diabetes, que contará com a presença de especialistas de várias áreas – desde a Endocrinologia, Medicina Interna ou Medicina Geral e Familiar – e investigadores nacionais e internacionais, levará à discussão estas e outras matérias.

Neste evento pode-se esperar a apresentação do relatório Factos e Números do Observatório Nacional da Diabetes, bem como de guidelines sobre as cirurgias metabólicas para o tratamento da diabetes ou algoritmos de tratamento da diabetes tipo 2, entre outros.

De acordo com Paula Freitas, “o Congresso Nacional da Diabetes é um dos eventos nacionais mais relevantes nesta área e que marca o panorama nacional de forma muito posivita”.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Campanha de sensibilização
Nos próximos dias 11 e 12 de março decorre, no Centro Colombo, a primeira campanha de sensibilização nacional “Na Bexiga Mando...

Estima-se que atualmente em Portugal existem cerca de 1 milhão e 700 mil portugueses com bexiga hiperativa, uma doença que afeta homens e mulheres, de todas as idades, e tem um grande impacto na qualidade de vida dos doentes.

Para a embaixadora da campanha Custódia Gallego “é uma grande honra estar associada a esta campanha que pretende mostrar que é possível controlar a bexiga, antes que a bexiga controle a vida dos doentes.” A atriz explica ainda que “a doença condiciona muito a vida social, sexual, familiar e mesmo laboral dos doentes. Existem muitas pessoas que não sabem que é possível controlar a doença e veem a sua vida ser afetada pela doença a nível psicológico e emocional. Muitos doentes auto estigmatizam-se, vivem com uma grande ansiedade e acabam por se isolar e mesmo desistir do trabalho. É importante que todos fiquem a saber que é possível controlar os sintomas e ter melhor qualidade de vida”.

Irá decorrer no Centro Colombo a 11 e 12 de Março a primeira campanha nacional de sensibilização, que para além da presença da embaixadora, conta ainda com a presença de profissionais de saúde que vão estar disponíveis durante os dois dias para esclarecer mitos e dúvidas de todos os visitantes bem como prestar aconselhamento sobre os sintomas da doença. 

Estudo
Medicamento inovador evita que muitos destes tumores terminem numa cirurgia. Estudo é apresentado neste sábado.

Chama-se histerectomia e ainda é a cirurgia mais comum na área da ginecologia. Traduz-se em retirar a totalidade do útero à mulher. No entanto, esta opção extrema é cada vez menos seguida em Portugal – devido à evolução na forma como as intervenções cirúrgicas são feitas e ao surgimento de medicamentos inovadores criados, por exemplo, para o tratamento dos miomas uterinos. Um estudo, que será apresentado neste sábado na 188.º Reunião Da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, na Figueira da Foz, estima que um novo fármaco para estes tumores benignos, e que agora está a ser mais utilizado no Serviço Nacional de Saúde, reduza os sintomas dos miomas em mais de 60% das mulheres, o que se traduz em menos cirurgias.

“Antes fazíamos histerectomias quando as mulheres tinham miomas uterinos com sintomas graves e neste momento este novo medicamento, o acetato de ulipristal, representa uma grande arma que nos permitirá reduzir muito o número de cirurgias”, explicou ao jornal Público Fernando Fernandes, diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Évora, e um dos responsáveis pela condução do estudo em Portugal, país em que se estima que dois milhões de mulheres tenham miomas.

A presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Fernanda Águas, lembra que um trabalho apresentado no final do ano passado já mostrava que as histerectomias são cada vez menos uma opção. De acordo com esse estudo que coordenou, entre 2000 e 2014 houve um total de 166.177 mulheres às quais foi retirado o útero. Em 2014 foram cerca de 9000, o que representou uma quebra de 20% no período estudado.

Evolução nas cirurgias
Fernanda Águas acredita que com a ajuda de medicamentos inovadores é possível reduzir ainda mais este número, mas lembra que na maioria dos casos nem é preciso fazer nada aos miomas. E destaca que a forma como as cirurgias são feitas também tem evoluído. Aliás, na Reunião da Sociedade Portuguesa de Ginecologia o foco também vai estar nas cirurgias feitas por laparoscopia (em que a incisão é feita através do abdómen da mulher) ou por endoscopia (em que a operação é feita através do colo do útero, o que permite uma recuperação menos dolorosa e mais rápida.

Em relação ao novo trabalho agora publicado no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, Fernando Fernandes disse que contou com uma amostra de 1473 mulheres de mais de 70 centros europeus de países como Alemanha, França, Reino Unido, Roménia, Suécia, Polónia, Hungria, Eslovénia e Áustria. Portugal foi um dos países com mais participantes no estudo, num total de 60 mulheres. Todas as doentes tinham miomas uterinos que provocavam sintomas considerados moderados a graves e que se traduziam, sobretudo, em grandes hemorragias ou em dores abdominais. Com estes tumores, as mulheres podem também ter o abdómen inchado ou dores nas relações sexuais.

“Fomos um dos centros na Europa com um maior número de mulheres incluídas no estudo e que foram acompanhadas entre Dezembro de 2012 e Maio de 2014. Os resultados foram muito positivos. Cerca de 70% das mulheres referiram grandes melhorias nos sintomas após o tratamento e só uma pequena percentagem de 4% é que não revelaram esse tipo de melhorias”, acrescentou Fernando Fernandes, sublinhando que o fármaco também ajuda a reduzir o volume dos miomas.

O médico lembrou que os miomas afetam sobretudo mulheres em idade fértil, pelo que se torna fundamental não partir para uma decisão extrema, como retirar o útero. “No nosso estudo tivemos três senhoras em Portugal que engravidaram”, reforçou. Para Fernanda Águas, as novas terapêuticas são “especialmente importantes para as mulheres mais jovens, em que há a questão da fertilidade associada, ainda que seja sempre bom evitar uma cirurgia”. Em geral, uma mulher precisa de um mês a cinco semanas para recuperar de uma histerectomia.

Neste tratamento, é recomendado que a administração de acetato de ulipristal seja feita no máximo por quatro ciclos de três meses e com um intervalo de dois meses entre cada ciclo – o que significa que em alguns casos, depois disso, pode ser na mesma necessária uma cirurgia. Mesmo assim, o responsável do Hospital de Évora destaca algumas vantagens. “Se recebermos na urgência uma senhora com uma grande hemorragia por um mioma uterino podemos fazer o tratamento com o medicamento e programar a cirurgia com mais segurança.”

Para o diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Évora a principal desvantagem do novo tratamento para os miomas uterinos está no preço elevado do medicamento, até porque ainda não há concorrência. Mesmo com comparticipação, as doentes pagam 90 euros por cada caixa, pelo que se fizerem vários tratamentos a fatura sobe. “Mas há hospitais públicos que estão a dar gratuitamente o medicamento às senhoras, pelo que se poupa não fazendo histerectomia”, salienta Fernando Fernandes.

Estudo
Um maior risco de calvície prematura foi adicionado à lista de doenças e condições enfrentadas por homens baixos de ascendência...

"Parece que os homens com uma altura relativamente menor têm uma possibilidade mais elevada de perder o seu cabelo", disse à agência de notícias France Presse a autora Stefanie Heilmann-Heimbach, da Universidade de Bona, na Alemanha.

"Os nossos dados indicam que alguns dos genes envolvidos na calvície estão associados, em média, a uma menor estatura", acrescentou.

Outra pesquisas já tinham mostrado que os homens calvos também são estatisticamente mais propensos a sofrer de doença cardíaca e cancro da próstata, embora o risco adicional seja pequeno. Por outro lado, segundo o Sapo, um tamanho corporal reduzido e um início precoce da puberdade também estão ligados à perda de cabelo masculina.

Alguns dos mesmos genes que regulam a altura humana também parecem desempenhar um papel no surgimento dessas condições e doenças, indica o estudo.

63 variações genéticas
Publicado na revista Nature Communications, o estudo identificou 63 variações genéticas "que aumentam o risco de perda de cabelo prematura", disse Heilmann-Heimbach. Os investigadores não se propuseram a encontrar uma ligação com a altura, nem quantificaram o risco relativo de calvície associado às diferentes estaturas, acrescentou. "Estudos futuros que avaliem a perda de cabelo e a altura do corpo podem ser capazes de responder a essa pergunta", disse a cientistas por e-mail.

Mas a ligação estatística é clara: em homens de origem europeia, a calvície geralmente começa por volta dos 30 anos. Cerca de 80% dos homens europeus são afetados em alguma medida.

Estudo
Uma equipa de investigadores dos EUA concluiu que a descida do nível de glicose no cérebro estimula os sintomas do Alzheimer, e...

A relação entre os baixos níveis de glicose no cérebro e o Alzheimer já era conhecida dos médicos, mas uma equipa de investigadores da Temple University, nos Estados Unidos, descobriu recentemente que esta ligação pode ser ainda mais profunda.

Num estudo publicado na revista Translational Psychiatry, a equipa liderada pelo investigador Domenico Praticò descobriu que a descida dos níveis de glicose acontece muito antes dos primeiros sintomas (a perda de memória e as dificuldades cognitivas) e pode até motivar o aparecimento desses sintomas. Além disto, escreve o Observador, os investigadores apontam neste artigo um tratamento que pode impedir a queda dos níveis de glicose, o que, em última análise, poderá significar a prevenção do próprio Alzheimer.

Os especialistas identificaram novas provas que apontam para uma ideia que já era conhecida: o envolvimento da proteína p38 neste processo. Segundo Domenico Praticò, “há agora muitas provas de que a proteína p38 está envolvida no desenvolvimento da doença de Alzheimer“. Por isso, propõem a utilização desta proteína na produção de um medicamento para prevenir a doença.

O estudo foi feito com recurso a ratos de laboratório. Os investigadores reduziram o nível de glicose no cérebro dos animais e observaram o resultado. O que aconteceu foi que os ratos a quem foi diminuído o nível de glicose sofreram um declínio no funcionamento das células do cérebro, falharam muito mais em testes de memória e registaram uma aceleração da morte celular no cérebro – sintomas que indicam o início da doença de Alzheimer.

Estudo
Uma revisão de estudos concluiu a existência de um vínculo entre o excesso de peso e alguns tumores, principalmente do sistema...

O cancro mata todos os anos cerca de 7,6 milhões de pessoas e esse número pode aumentar nos últimos anos devido à expansão da chamada "epidemia de obesidade", alerta a Organização Mundial de Saúde há vários anos. O número de pessoas em todo o mundo que pesam mais do que o recomendado aumentou exponencialmente em 30 anos: passou de 857 milhões em 1980 para 2.100 milhões em 2013.

Uma revisão de estudos publicada pela revista médica "British Medical Journal", e que pretende acabar com preconceitos erróneos sobre os riscos do cancro, identifica vários tipos de tumores cuja origem pode ter a ver, muito provavelmente, com a obesidade ou o excesso de peso, escreve o Sapo.

No estudo, os autores liderados por Maria Kyrgiou, investigadora do Imperial College London, no Reino Unido, lembram por exemplo o caso da diabetes tipo 2: existe a ideia vincada de que a doença provoca vários tipos de tumores, embora cientificamente essa relação esteja apenas comprovada em 14% dos casos.

Nesta investigação agora publicada, os cientistas analisaram 204 estudos científicos que se debruçaram sobre a relação entre a obesidade, o aumento de peso, a gordura abdominal e 36 tipos de cancro. De acordo com os investigadores, há pelo menos 11 tipos de cancro que podem ser relacionados com máxima certeza com a obesidade. Entre eles estão alguns dos mais frequentes: mama, ovário, pâncreas, cólon, reto, médula e rins. Os outros são os tumores das vias biliares, do endometrio, o mieloma múltiplo e o cancro gástrico.

Os cientistas também mediram o aumento do risco por cada cinco quilos por metro quadrado a mais de massa corporal. O aumento do risco variava de 9% no caso do cancro do reto em homens para 56% no caso do cancro das vias biliares.

Já o risco de cancro do endometrio aumentava 21% por cada aumento de apenas 0,1% do índice de relação cintura-quadril. Segundo o estudo, a relação entre o excesso de peso e o cancro parece maior para os tumores relacionados com o aparelho digestivo e com a atividade hormonal feminina.

Estudo
A capacidade de alguns peixes restaurarem a retina e recuperarem a visão depois de grandes danos poderá ser replicada nos seres...

Na sua investigação, publicada na revista especializada Stem Cell Reports, os biólogos identificaram um sinal cerebral como o que desencadeia o processo de autorregeneração da retina no peixe-zebra.

Esse neurotransmissor, designado por GABA, costuma inibir a transmissão de impulsos nervosos, o que tem um efeito calmante no cérebro.

Os cientistas querem agora prosseguir os estudos e afirmam que a sua descoberta abre a possibilidade de se induzir nas retinas humanas a capacidade de se regenerarem, reparando danos causados por doenças degenerativas e traumas.

"A opinião que tem prevalecido é que o processo de regeneração na retina dos peixes é desencadeado por fatores de crescimento segregados pelo animal, mas os nossos resultados indicam que o neurotransmissor GABA pode ser o iniciador do processo", afirmou o biólogo James Patton, principal autor do estudo.

O académico acrescentou que o neurotransmissor consegue iniciar a reparação mesmo que não haja danos efetivos na retina.

A estrutura da retina dos peixes e dos mamíferos é essencialmente igual: numa espessura de 0,5 milímetros encontram-se células que detetam a luz, outras que assimilam a informação e outras que a enviam para o cérebro.

James Patton apontou que os níveis do neurotransmissor GABA são ainda centrais na regeneração de células do pâncreas e do hipocampo, o centro da memória do cérebro.

Quercus
A Quercus saudou um relatório da ONU que aponta os pesticidas como sendo responsáveis por 200.000 mortes por ano, e defendeu...

A relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o direito da alimentação, Hilal Elver, disse, na quarta-feira, que a utilização de pesticidas, principalmente na agricultura, é responsável por 200.000 mortes por ano, por envenenamento.

Na apresentação do relatório anual perante o Conselho de Direitos Humanos, a especialista salientou que a maioria da população mundial está exposta aos pesticidas, quer através dos alimentos, da água ou do ar, quer do contacto direto com estes químicos e os seus resíduos.

A exposição aos pesticidas tem consequências irreversíveis, como cancro, doenças de Alzheimer e de Parkinson, transtornos hormonais, anomalias no crescimento ou esterilidade.

A Quercus saúda a divulgação deste relatório numa altura em que tenta sensibilizar as empresas e entidades, sobretudo as autarquias, para a redução de uso dos pesticidas e para o abandono de herbicidas, nomeadamente com glifosato.

A associação ambientalista vai realizar um encontro nacional sobre este tema e pretende apontar práticas alternativas ao uso de herbicidas químicos.

"Ineficazes para garantir a segurança alimentar, tóxicos para a saúde humana e para o ambiente, os pesticidas fazem parte de um modelo de agricultura que está desatualizado", defendeu a associação Quercus, em comunicado.

Para os ambientalistas, a utilização de pesticidas "apenas beneficia as multinacionais e a indústria, enquanto os agricultores da União Europeia [UE] lutam para sobreviver".

Na vertente política, a Quercus refere a posição da Pesticide Action Network Europe, uma organização europeia da qual é membro, a defender que a indústria dos pesticidas "gasta milhões de euros a fazer 'lobby' para a manutenção dos seus produtos tóxicos no mercado".

"Muitas vezes, [a indústria de produção de pesticidas] apresenta informações falsas aos decisores políticos, assusta as pessoas com números alarmantes, como o de 85% de perdas se não usarem pesticidas e insiste em realçar o argumento do 'medo da fome'", acusam os ambientalistas.

A diferença de rendimento entre a agricultura convencional e a biológica, acrescentam, "é de 8% ou 9%, comparada com os mais de 30% do desperdício anual de alimentos" e o custo das "externalidades ultrapassa os benefícios que os pesticidas possam implicar".

Hilal Elver, que apresentou os resultados de um ano de investigações e visitas a várias regiões do mundo, precisou que 99% dos casos graves de contaminação acidental com pesticidas regista-se nos países em desenvolvimento.

As populações da UE e dos EUA não estão protegidas dos efeitos da utilização dos pesticidas, no entanto, a primeira aplica alguns princípios de precaução que não existem entre os norte-americanos.

"Embora nestes locais não haja grandes acidentes, o que está a passar-se é a modificação dos genes das plantas. Trata-se de um problema de ordem sistémica", explicou.

"Em todos os países há exposição crónica a pesticidas. Nenhum está imune", assegurou Hilal Elver.

13.º Congresso Português de Diabetes
Novas terapêuticas para a prevenção e tratamento de problemas cardiovasculares em doentes com diabetes é um dos temas em foco...

O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, Rui Duarte, disse que os avanços mais recentes no estudo da terapêutica da diabetes têm vindo a demonstrar “que pode haver fármacos que têm melhores resultados na prevenção e na evolução dos eventos cardiovasculares de pessoas com diabetes e com fatores de risco de doença cardíaca”.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia, os problemas cardiovasculares, que são uma das várias complicações que os diabéticos podem desenvolver, representam cerca de 50% das causas de morte de diabéticos, sendo que cerca de 20% das pessoas com diabetes tipo 2 apresentam insuficiência cardíaca.

Os “números apontam para aproximadamente entre os 1% e os 13%” de portugueses diagnosticados com diabetes, explicou o especialista Rui Duarte observando tratar-se de uma patologia muito prevalente na prática clínica diária.

O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia sublinhou que cerca de 30% das pessoas internadas nos serviços de medicina dos hospitais têm diabetes.

O número de diabéticos, a quantidade de medicamentos consumidos no tratamento da diabetes, o número de hospitalizações e os gastos associados são alguns dos dados atualizados que vão ser apresentados durante o congresso, que decorre até domingo num hotel em Albufeira, no Algarve.

As estimativas apontam para que a diabetes afete quase um milhão de portugueses, sendo que perto de 400 mil não sabem ainda que não foram diagnosticados.

Durante três dias, investigadores e profissionais de diferentes classes profissionais e especialidades vão reunir-se para debater várias abordagens sobre o tratamento da diabetes, assim como novos tratamentos e nova tecnologia associada e avanços científicos.

Um programa que Rui Duarte descreveu como “bastante abrangente relativamente à abordagem que se faz da diabetes e das suas complicações”.

A cirurgia metabólica da diabetes, até que ponto a nossa genética está a influenciar o aparecimento de complicações, a monitorização da glucose sem a comum picada no dedo, são alguns temas deste encontro.

Os grupos de trabalho vão debruçar-se sobre as complicações associadas à neuropatia diabética, à diabetes na adolescência, a nutrição, a diabetes gestacional, o pé diabético e questões relacionadas com a enfermagem.

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia comemora o seu 30.º aniversário neste congresso.

Universidade da Beira Interior
A Universidade da Beira Interior, Covilhã, anunciou hoje que conquistou um financiamento de 1,2 milhões de euros para...

Na informação publicada na página oficial desta instituição, a Universidade da Beira Interior (UBI) explica que a investigação será desenvolvida no Centro de investigação em Ciências da Saúde (CICS-UBI) e que se centrará "na identificação de fatores de risco, deteção precoce, avaliação da progressão e desenvolvimento de tratamentos inovadores para doenças neurodegenerativas".

Designado de "ICON - Desafios interdisciplinares em neurodegeneração", o projeto prolonga-se por três anos e conta com fundos europeus do Portugal 2020.

"Espera-se que os resultados obtidos pelo ICON resultem num forte impacto socioeconómico, dada a elevada prevalência daquelas doenças", aponta a informação.

Segundo a informação, "os investigadores procurarão novos indicadores de risco metabólicos, imunológicos e genéticos das doenças neurodegenerativas e tentarão perceber a influência ambiental nestas doenças".

O trabalho vai abranger ainda as funções cerebrais, nomeadamente na regulação da função vascular, proteção e administração de nutrientes e medicamentos, sendo a descoberta de novos fármacos para tratamentos outro dos objetivos previstos.

"Uma das vantagens que poderá contribuir para o sucesso deste projeto é a atividade desenvolvida no CICS-UBI nesta área, que permitiu a descoberta da ação neuroprotetora de algumas moléculas, que poderão ser utilizadas para prevenir estas doenças. Também foram estabelecidos processos eficientes para purificar produtos que poderão ser usados no tratamento das mesmas", é referido na nota informativa.

O projeto é liderado pelo investigador do CICS e docente da Faculdade de Ciências da Saúde, Ignacio Verde, sendo ainda coordenado por sete investigadores também do CICS.

A UBI também destaca que esta investigação "representa ainda uma mais-valia na atração de jovens investigadores para a região, uma vez que uma grande fatia do orçamento se destina à contratação de recursos humanos qualificados".

Estudo
A ingestão de alimentos com glúten pode estar associada a um menor risco de desenvolvimento de diabetes do tipo 2, a mais comum...

O glúten, uma proteína que se encontra em cereais como o trigo, o centeio e a cevada, dá ao pão e a outros alimentos elasticidade durante o processo de cozedura e uma textura mastigável.

Uma pequena percentagem da população é intolerante ao glúten devido, nomeadamente, à doença celíaca. Contudo, as dietas sem glúten tornaram-se populares para pessoas sem qualquer intolerância, apesar da falta de evidências científicas de que a redução do seu consumo é benéfica para a saúde.

No estudo, divulgado pela American Heart Association, uma associação para o estudo e prevenção de doenças do coração, uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard observou que a maioria dos voluntários que nele participaram consumia menos de 12 gramas por dia de glúten e os que ingeriram mais quantidades da proteína apresentavam menor risco de ter diabetes do tipo 2.

Em contrapartida, os participantes que consumiam menos glúten (menos de quatro gramas por dia) tendiam a ingerir menos fibra de cereais, um protetor natural do organismo contra o desenvolvimento da diabetes do tipo 2.

Os investigadores avaliaram o consumo diário de glúten de 199.794 participantes de três estudos, através de questionários sobre hábitos alimentares feitos num período de dois a quatro anos.

A média diária de ingestão de glúten variava entre 5,8 e 7,1 gramas e a principal fonte da proteína estava em massas, cereais, pizza, bolos e pão.

Durante o trabalho realizado pelos investigadores de Harvard, que incluiu o acompanhamento de 4,24 milhões de pessoas nos períodos de 1984-1990 e de 2010-2013, um total 15.947 casos de diabetes do tipo 2 foram confirmados.

Apesar dos resultados obtidos, serão necessárias mais investigações. O estudo baseou-se em observações e não engloba dados de pessoas que se abstiveram de consumir glúten, já que a maioria dos voluntários participou no trabalho antes de as dietas sem glúten se tornarem populares.

A diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue e outras alterações do metabolismo provocadas por deficiência ou falta de insulina (hormona segregada pelo pâncreas).

A forma mais comum de diabetes é a do tipo 2, em que os doentes não estão dependentes de injeção de insulina, ao contrário dos que têm a diabetes do tipo 1.

Os diabéticos têm um risco acrescido de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e na retina.

Tudo o que deve saber sobre Contraceção de Emergência
Um estudo sobre práticas contracetivas da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portugu

Dados recentes mostram que a pílula continua a ser o método contracetivo mais utilizado. No entanto, cerca de 20% das mulheres admite que não a usa de modo correto, saltando uma toma ou outra em quase todos os ciclos, pondo em risco a sua eficácia.

De acordo com um estudo promovido por entidades portuguesas, a grande maioria das mulheres sexualmente ativas já ouviu falar da pílula do dia seguinte e uma pequena minoria admite já a ter utilizado. Ainda sim, muitas são as mulheres que não sabem quando deve ser tomada, se podem tomar mais do que uma pílula de emergência no mesmo ciclo, ou que acreditam que pode interferir com a fertilidade.

“O principal receio das mulheres, que diariamente surgem nas consultas, prende-se com o facto de acharem que a contraceção oral de emergência tem demasiadas hormonas e por isso vai desregular os seus ciclos. É necessário clarificar que as hormonas contidas na contraceção de emergência podem alterar a sua menstruação apenas no ciclo em que as toma, e não nos restantes”, começa por explicar Joaquim Neves, médico especialista em ginecologia e obstetrícia, acrescentando que “depois disso, a menstruação regressa ao seu padrão regular”.

Por outro lado, quanto à dúvida se podem ou não recorrer à contraceção oral de emergência mais do que uma vez no mesmo ciclo, o especialista garante que sim, advertindo, no entanto, que “é muito mais seguro pensar num método contracetivo regular” uma vez que estes são muito mais eficazes na prevenção da gravidez.

E quanto à fertilidade, podem ficar descansadas. “De acordo com a experiência acumulada e segundo a indicação da Organização Mundial de Saúde, a toma de contraceção de emergência não apresenta qualquer impacto na fertilidade”, afirma o ginecologista.

Qualquer mulher em idade em idade reprodutiva pode usar

Tratando-se de um método seguro e sem contra-indicações, pode ser utilizado por qualquer mulher em idade reprodutiva e com atividade sexual mas apenas em situações em que há risco de uma gravidez não planeada.

“A contraceção de emergência é um método contracetivo que só deverá ser usado em situações de risco de uma gravidez não planeada, por falha do método regular ou por relações não protegidas”, alerta Joaquim Neves.

De acordo com o especialista, os métodos contracetivos de emergência não devem ser utilizados de forma regular, mas sim em situações pontuais. “Sempre que exista um esquecimento da toma da pílula contracetiva, quando a mulher ou o casal estão inseguros quanto à eficácia do coito interrompido ou ao método do calendário, quando o método de contraceção habitual falhou, ou quanto tem tomado outra medicação que poderá ter diminuído a eficácia da pílula que toma regularmente e a mulher está preocupada com a possibilidade de estar grávida”, explica.

Sabe-se, no entanto, quanto à sua eficácia, que qualquer método contracetivo de emergência hormonal é menos eficaz do que a utilização regular de contraceção. “Um estudo clínico efetuado pela Organização Mundial de Saúde que envolveu mais de 5800 mulheres, a nível mundial, teve como resultado uma taxa de gravidez de 1,01% quanto utilizada a contraceção de emergência hormonal com a substância levonorgestrel”, adverte o clínico.

A escolha do melhor método deve basear-se na eficácia, no tempo que tenha decorrido desde a relação sexual desprotegida e na preferência da mulher, por isso, o especialista aconselha a que fale com o seu médico.

Os métodos contracetivos de emergência

Para além da contraceção de emergência hormonal, vulgarmente conhecida por “pílula do dia segunte”, existe ainda a contraceção de emergência com um dispositivo intrauterino de cobre (DIU).

“A contraceção de emergência é de toma única e, no caso de conter a substância levonorgestrel (exemplo da pílula Postinor®), deverá ser tomada até 72 horas (3 dias) após a relação sexual de risco”, explica Joaquim Neves.

“Existe outra alternativa hormonal que consiste numa pílula única de acetato de ulipristal (EllaOne®) que pode ser utilizada durante 5 dias após as relações sexuais não protegidas”, acrescenta.

Quanto ao DIU, o especialista refere que a sua colocação deve ser feita por um profissional de saúde “o mais cedo possível e até 120 horas (5 dias) após a relação sexual de risco”.

Para obter a contraceção de emergência hormonal e a contraceção com dispositivos intrauterinos, as mulheres podem recorrer às consultas de Planeamento Familiar dos Centros de Saúde e Serviços de Ginecologia e Obstetrícia do Serviço Nacional de Saúde, aos Centros de Atendimento Jovem e farmácias.

“Os métodos hormonais de contraceção de emergência são de venda livre e portanto podem ser utilizados por todas as mulheres saudáveis e não saudáveis. O uso de contraceção de emergência não provoca complicações, nomeadamente, dificuldades em engravidar no futuro”, acrescenta o médico especialista.

Sem efeitos adversos, é possível, no entanto, que algumas mulheres possam apresentar queixas como cefaleias, náuseas, vómitos, tonturas, aumento de sensibilidade mamária ou dores pélvicas. “Os efeitos são raros, ligeiros, transitórios e sem necessidade de terapêutica adicional”, esclarece. 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Governo
A proposta de lei do Governo para alterar a lei do tabaco arrisca-se a ser chumbada pelo parlamento, a avaliar pelas dúvidas...

O grupo terminou hoje a fase de audições e deverá concluir os trabalhos até 19 de abril, após o que o projeto de lei pode voltar ao plenário para ser votado, podendo nem ser discutido. A principal questão que tem suscitado dúvidas aos deputados prende-se com os novos produtos de tabaco e a possibilidade de minimizarem riscos, como a indústria apregoa.

Os deputados alertam para o que chamaram hoje “o princípio da precaução”, que consiste em não estar a eliminar já produtos que podem ser menos nocivos para a saúde e que podem ter um papel importante para as pessoas que não querem ou não conseguem deixar de fumar.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) contrapõe que é preciso regular esses novos produtos e que agora, por falta dessa regulação, “qualquer criança pode andar a fumar tabaco aquecido nas escolas”, disse Emília Martins Nunes, diretora do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo.

Em outubro passado o Governo submeteu à Assembleia uma proposta de uma nova lei do tabaco, que está a ser analisada num grupo de trabalho criado na Comissão de Saúde. No essencial a proposta proíbe que se fume a menos de cinco metros de hospitais, escolas e outros estabelecimentos, e equipara os dispositivos eletrónicos (como cigarros eletrónicos ou tabaco aquecido) aos cigarros tradicionais.

É esta última questão que levanta mais dúvidas aos diversos grupos parlamentares, ainda que Emília Nunes tenha dito que a proposta de lei “está razoável e tem base científica”.

Está a ser promovido pela indústria um novo produto de tabaco como sendo menos danoso mas há, “inclusivamente por parte do fabricante, grande desconhecimento dos efeitos a longo prazo”, disse a responsável da DGS, salientando a falta de “comprovação científica consolidada” sobre o risco reduzido dos novos cigarros.

A responsável salientou que a indústria do tabaco vem desde 1950 desenvolvendo a argumentação de redução de danos mas o que se provou foi que não diminuíram os malefícios dos cigarros, e disse aos deputados que a “composição química “ dos novos produtos não é muito clara e estes podem levar “à perceção da população de que o produto não tem risco nenhum”.

A estas questões de Emília Martins responderam os deputados com dúvidas sobre se não seria preferível então não mexer na lei para já, como disse a deputada social-democrata Fátima Ramos. E Alexandre Quintanilha, do PS, questionou mesmo até que ponto se está a construir uma sociedade em que o prazer (álcool ou tabaco) é controlado.

Pelo CDS/PP a deputada Teresa Caeiro questionou também se não será extemporânea uma nova lei do tabaco e o PCP (João Ramos) deixou dúvidas sobre os estudos (para todos os gostos) e sobre a equiparação entre produtos eletrónicos e cigarros tradicionais.

“Há necessidade absoluta de a lei [do tabaco] ser alterada? Se não há ainda argumentos científicos [sobre novos produtos] suficientes porque é que vamos desde já alterar e proibir?”, questionou a também socialista Maria Antónia Almeida Santos.

Respondeu a responsável da DGS que sem legislação qualquer criança pode fumar tabaco aquecido e que se for provado que esses cigarros são menos nocivos a própria DGS os aconselhará aos fumadores.

“Penso que é oportuno legislar agora”, disse Emília Nunes.

Cabo Verde
Duas investigadoras portuguesas estão em Cabo Verde para dar formação a estudantes universitários sobre o cancro e as doenças...

A intenção foi manifestada hoje por Mónica Bettencourt-Dias e Susana Godinho, duas investigadoras portuguesas que ministraram um seminário, na Universidade Pública de Cabo Verde (Uni-CV), sobre o cancro e doenças genéticas, organizado pelo Programa de pós-Graduação Ciência para o Desenvolvimento (PGCD).

"Vários dos processos que estudamos são importantes para a realidade de Cabo Verde e esperamos que através de programas de doutoramento como o PGCD se treinam pessoas para fazer investigação, o que é fundamental para a melhoria da qualidade de vida das pessoas", disse aos jornalistas Mónica Dias, doutorada em regeneração do músculo cardíaco.

A professora, que apresentou um estudo para perceber como o corpo funciona normalmente e como não funciona em caso de doença, espera inspirar os estudantes cabo-verdianos, para que depois possam estudar áreas que possam ser importantes para a realidade do país.

Mónica Dias destacou a importância da formação, mas salientou que durante os seminários podem ser abordados novos tratamentos que as pessoas poderão não ter ouvido, pelo que podem ficar alertas.

"A formação é muito importante porque pessoas formadas sabem que tipo de tratamento é que se pode fazer, percebem que perguntas que existem em Cabo Verde são diferentes do resto do mundo, mas têm que ser abordadas para a realidade do país", salientou.

Por sua vez, Susana Godinho, doutorada pelo Instituto Gulbenkian de Ciência na multiplicação das células, afirmou que Cabo Verde precisa de mais infraestruturas para permitir aos estudantes desenvolver o seu trabalho.

Susana Godinho, que se foca no desenvolvimento de novas terapias para o cancro, pretende utilizar a ciência como ferramenta de desenvolvimento dos países, tendo ensinado em quatro cursos do PGCD em Cabo Verde desde 2014.

Segundo os últimos dados, o cancro é segunda causa de morte em Cabo Verde, contando com mais de 700 mortes por ano.

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