Principais mitos

Contracepção de Longa Duração: maioria das mulheres acredita que afeta a fertilidade

Atualizado: 
11/04/2019 - 10:47
Em Portugal, as mulheres ainda estão pouco informadas a respeito dos métodos contraceptivos de longa duração julgando-os irreversíveis e, por isso, continuam a preferir a pílula. No entanto, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contracepção a sua eficácia ultrapassa, e muito, a dos anticoncepcionais orais combinados, estimando-se que 9 em cada 100 mulheres que tomam a pílula engravidam por uso incorreto ou inconsistente.

Entende-se por contracepção de longa duração todo o método contraceptivo com duração de ação igual ou superior a três meses e cuja administração pode ser vigiada e controlada por uma equipa de saúde.

Sendo mais eficazes que os anticoncepcionais orais, ainda existem, no entanto, alguns mitos que impedem que mais mulheres optem por eles.

“Os principais receios das mulheres são que estes métodos possam vir a diminuir a fertilidade”, começa por dizer a especialista em ginecologia e obstetrícia, do Hospital Lusíadas Porto, Paula Ramôa.

No entanto, tal como explica, assim que “o DIU/SIU são retirados ou o implante removido, a mulher pode engravidar de imediato”.

“Os métodos de longa duração estão entre os métodos mais eficazes que existem. Sempre que um método contém uma hormona, o ciclo óvarico natural é interrompido e o útero obedece unicamente à quantidade de hormona presente no organismo. Portanto, não menstruar não significa um efeito adverso do método ou doença, mas ó um efeito colateral que desaparece mal o método é suspenso”, justifica.

De acordo com Paula Ramôa, estes métodos podem ser utilizados por qualquer mulher, sobretudo, “por quem tenha contraindicação para outros métodos, quem tem dificuldade em tomar a pílula todos os dias e por portadoras de algum grau de deficiência mental ou cognitiva”.

Não obstante, a escolha do método contraceptivo deve ter em conta inúmeros fatores e é importante que as mulheres estejam devidamente informadas sobre cada um deles.

“O conhecimento sobre todos os meios contraceptivos permite ao médico aconselhar o método mais apropriado para uma determinada pessoa ou casal”, sendo o método ideal aquele que está de acordo com o estilo de vida e que respeita as crenças pessoais “de forma a ser usado com sucesso e com baixa taxa de abandono”.

Deste modo, importa ter em conta eficácia, conveniência, duração de ação, reversibilidade, efeito sobre período menstrual, tipo e frequência dos efeitos colaterais e eventos adversos, custo, acessibilidade, proteção contra doenças de transmissão sexual, benefícios não contraceptivos e contraindicações médicas absolutas e relativas.

Alternativa à pílula

“É considerada contracepção de longa duração o Dispositivo Intrauterino de cobre (DIU) ou o Sistema Intrauterino com uma hormona chamada levonorgestrel (SIU)”, começa por enumerar a ginecologista.

“Temos também o Implante com levonorgestrel que se coloca debaixo da pele. Uma outra opção é a ampola injetável de medroxiprogesterona com duração de três meses. Os três últimos têm uma eficácia superior à pílula”, refere.

De acordo com especialista, o Dispositivo Intrauterino de cobre tem uma eficácia de 99,2% na utilização corrente, garantindo a contracepção entre cinco a sete anos, “ou até mais, dependendo dos casos”.

O DIU trata-se de um dispositivo em forma de T ou S inserido pelo especialista diretamente no útero. “Contém uma pequena porção de cobre que desencadeia um processo inflamatório no endométrio impedindo a nidificação, ou seja, a implantação do embrião”, explica.

Uma vez que não se trata de um método hormonal, pode ser utilizado em qualquer idade. “Só perde eficácia se se deslocar. Os ciclos mantêm-se com os intervalos anteriores à sua colocação”, adianta.

Como efeitos colaterais estão descritos o aumento da dores menstruais e do fluxo sanguíneo. Por outro lado, obriga a exames regulares para verificar se se mantém na posição correta e está desaconselhado “no caso de existirem múltiplos parceiros sexuais pelo facto de facilitar o aparecimento de doença inflamatória pélvica”.

“Está contraindicado em mulheres com alergia ao cobre, com malformações uterinas ou doença inflamatória pélvica”, afirma Paula Ramôa.

Combinando um dispositivo intrauterino, semelhante ao DIU, com uma hormona– levonorgestrel - que é libertada ao longo do tempo, o SIU (Sistema Intrauterino) é um método mecânico e hormonal que apresenta uma eficácia de 99,9%.

“Pode ser utilizado por todas as mulheres, em qualquer faixa etária. Os períodos menstruais tornam-se mais curtos ou mesmo ausentes, o que traz qualidade de vida e não tem contraindicações”, refere a médica especialista.

No entanto, por vezes pode ocorrer alguma retenção hídrica, caso se trate de um SIU com maior dosagem.

“Tal como o DIU não deve ser utilizado em mulheres com malformações uterinas e com doença inflamatória pélvica”, adverte.

“O Implante é um dispositivo de plástico flexível, de quatro centímetros de comprimento e dois milímetro de espessura. É colocado pelo médico debaixo da pele, geralmente no braço não dominante, usando um anestésico local. Contém um progestativo que se vai libertando lentamente, mantendo-se ativo ao longo de três anos”, explica Paula Ramôa acrescentando que este deve ser substituído ao fim deste período.

O Implante tem uma eficácia de 99,9% “independentemente do perfil da utilizadora”. Não perde eficácia quando há problemas gastrointestinais e pode ser utilizado por mulheres com contraindicação à toma de estrogénios.

“As contraindicações são idênticas às dos contraceptivos por via oral só com progestativo, ou seja, em mulheres portadoras de doença hepática grave, doença cardíaca isquémica, acidentes vasculares cerebrais e episódio agudo de tromboembolismo”, explica.

Como reação adversa, a especialista refere a irregularidade na menstruação, a retenção de hídrica e acne. 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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