Apenas 10% dos doentes recorrem ao médico por problemas de incontinência
Estima-se que, em todo o mundo, mais de 60 milhões de pessoas sofram de incontinência urinária.

O que é a incontinência urinária?

A incontinência urinária é uma situação patológica que resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina.

É caraterizada por perdas urinárias involuntárias que se apresentam de forma muito diversificada, desde fugas muito ligeiras e ocasionais, a perdas mais graves e regulares.

Atualmente, 33% das mulheres com mais de 40 anos têm sintomas da doença epenas 10% destes doentes recorrem ao médico. Os restantes recorrem à automedicação ou à autoprotecção.

Além de ser encarada como um tabu que diz respeito apenas à intimidade da mulher a incontinència urinária é também um problema cultural. Muitas vezes quer a mãe quer a avó sofreram da mesma doença pelo que a mulher assume a incontinència urinária com uma herança familiar e que faz parte do normal envelhecimento. Esta situação condiciona a vida da doente a todos os níveis; pessoal, sexual, familiar, social e laboral.

Existem múltiplos factores de risco como é o caso da raça, da predisposição familiar ou de anormalidades anatómicas e neurológicas, fatores obstétricos e ginecológicos, como por exemplo a gravidez, o parto e a paridade, os efeitos laterais da cirurgia pélvica e radioterapia ou o prolapso genital.

Ou podem ser fatores promotores, como a Idade, a obesidade, a obstipação, o tabaco, as atividades ocupacionais, as infecções urinárias, a menopausa ou a medicação.

Quando se fala de incontinência feminina referimo-nos fundamentalmente a três tipos:

Incontinência de esforço

Perdas de urina relacionada com o esforço e que acontecem quando o indivíduo se ri, tosse, espirra, faz exercício, se curva ou pega em algo pesado e decorre da fragilidade dos músculos pélvicos que suportam a bexiga e a uretra. Em alturas de maior esforço, a pressão abdominal aumenta e o esfíncter (válvula responsável pela retenção da urina na bexiga) perde a força e deixa escapar a urina.

Incontinência por urgência ou imperiosidade

Perda de urina acompanhada ou imediatamente precedida por uma vontade súbita ou urgente de urinar. A bexiga apresenta contrações súbitas, causando urgência em urinar.

Este tipo de incontinência pode estar relacionado com o envelhecimento e o avanço da idade, mas também surge em idades mais jovens, associado a doenças neurológicas ou muitas vezes sem causas identificáveis.

Incontinência mista

Combinação da incontinência de esforço com a incontinência de urgência.

Diagnóstico

O diagnóstico da incontinência urinária é muito simples e começa na história clínica e no exame físico. São também necessários uma ecografia pélvica, umas análises ao sangue e urina e por vezes um diário miccional. Em algumas situações pode ser necessário alguns exames mais específicos como é o caso do exame urodinâmico.

Tratamento

O tratamento da incontinência urinária da mulher é possível em todos os grupos etários e se no caso da IU por imperiosidade é o tratamento medicamentoso que permite com maior eficácia uma melhoría clínica, na IU de esforço o tratamento de eleição é o cirúrgico.

A cirurgia tem um papel muito importante não apenas pela sua elevada eficácia mas também pela sua simplicidade de execução com mínimos efeitos indesejáveis para o doente. Consiste na colocação de uma fita de material sintético sob a uretra, por meio de uma abordagem vaginal, com uma pequena incisão de um a dois centímetros. A intervenção dura poucos minutos e o internamento é geralmente de um dia. A recuperação é rápida, em poucos dias a doente pode voltar à actividade normal.

Tem uma alta taxa de sucesso, acima de 90% e a taxa de complicações é baixa.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo
Lisboa vai ter 14 novas unidades de saúde que, até 2020, irão substituir centros de saúde em prédios de habitação frequentados...

Em declarações, a presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Rosa Valente de Matos, afirmou que as novas unidades vão acolher utentes que até agora eram atendidos em centros de saúde construídos em prédios de habitação.

Os novos centros de saúde, construídos essencialmente em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa (CML), vão, numa primeira fase, substituir “os que estão mais degradados”.

Numa segunda fase, prosseguiu, serão transferidos para novas unidades os centros de saúde que “receberam algumas remodelações e não precisam já, já de uma substituição”.

Os novos centros de saúde a ser construídos serão as Unidades de Saúde (US) Alta Lisboa-Norte (freguesia de Santa Clara), a US Telheiras (Lumiar), US Alcântara (Alcântara), US Ajuda (Ajuda), US Restelo (Belém), US Alto dos Moinhos (São Domingos de Benfica), US Fonte Nova (Benfica), US Marvila (Marvila), US Campo de Ourique (Campo de Ourique), US Areeiro (Areeiro), US Arroios (Arroios), US Beato (Beato), US Sapadores-Graça (Penha de França) e US Parque das Nações (Parque das Nações).

A US Alta de Lisboa-Norte irá receber os utentes das Unidades de Cuidados de Saúde primários (UCSP) da Charneca e parte dos da UCSP do Lumiar, a US Parque das Nações os da UCSP dos Olivais, a US Telheiras acolherá parte dos utentes da UCSP do Lumiar e a US do Alto dos Moinhos os da Unidade de Saúde Familiar (USF) das Tílias.

A US Fonte Nova receberá os utentes das USF Gerações e Rodrigues Migueis, a US Marvila os da UCSP de Marvila (duas unidades), a US Areeiro os da USF Fonte Luminosa e a US Beato os da USF Oriente.

A US Sapadores-Graça contará com os utentes da UCSP da Graça, a US Arroios os das UCSP Alameda e Penha de França, a US Campo de Ourique os das USF de Santo Condestável e Sofia Abecassis.

Para a US Alcântara irão os utentes da UCSP de Alcântara e a US da Ajuda os da USF da Ajuda.

Segundo Rosa Valente de Matos, a construção das novas unidades arranca este ano e deverá terminar em 2020.

“Temos de ter serviços de saúde diferentes, mais abertos à comunidade, em que as pessoas tenham espaços e que não tenham de subir escadarias que encontramos nos prédios de habitação, mas que sejam também edifícios amigos das pessoas”, disse.

Algumas das novas unidades terão novas competências, como médicos dentistas, exames complementares, raio x, recolha de sangue e outros meios complementares de diagnóstico.

O objetivo é “responder à maioria das necessidades das pessoas”, adiantou.

Com estas mudanças, a ARSLVT espera ainda atrair mais profissionais de saúde.

“Desenho do Futuro – Portugal sem VHC”
Um grupo de peritos em saúde defende o uso das verbas dos jogos sociais para financiar um plano nacional estratégico para...

Nas recomendações do projeto “Desenho do Futuro – Portugal sem VHC [Vírus da Hepatite C]”, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e da Universidade Nova de Lisboa, sugerem também o financiamento de medicamentos disponíveis e ainda não comparticipados e a criação de um fundo de financiamento para a inovação.

Nestas sugestões, que serão hoje apresentadas em Lisboa, os investigadores reconhecem que muito tem sido feito nesta área em Portugal, mas consideram importante a formação dos especialistas em medicina geral e familiar para que, com a ajuda destes, se possa chegar aos doentes ainda não diagnosticados.

“Estes medicamentos são de dispensa exclusivamente hospitalar. O médico do centro de saúde não pode prescrever estes medicamentos e quando falamos na formação é na preparação para lidar com estas populações, que normalmente são acompanhadas pelos hospitais e já numa fase mais adiantada”, explicou Rute Simões Ribeiro, investigadora da ENSP.

A investigadora irá apresentar as recomendações do estudo, elaborado em colaboração com um grupo de peritos nacionais e que aponta orientações, a nível nacional, para cumprir o objetivo da Organização Mundial da Saúde para 2030 de eliminar a infeção pelo vírus da hepatite C.

“Existem múltiplos dados e ações já definidas, que têm vindo a ser recolhidas e consensualizadas por vários grupos de trabalho na tentativa de elaboração de um plano nacional estratégico (…). Continua, porém, em falta a definição de objetivos específicos e indicadores que, dentro de um prazo determinado, possibilitem a monitorização”, consideram os autores.

Nas recomendações, os peritos apontam o rastreio populacional a todos os grupos de maior risco (toxicodependentes, população prisional e nascidos entre 1945 e 1975) e sublinham a importância de sensibilizar toda a população para a doença, com campanhas de informação e anúncios publicitários.

Na área do financiamento, defendem ainda um modelo integrado, com um contrato-programa com base na totalidade do tratamento com internamento e transplante, o que implica a classificação da hepatite C “como não crónica na ótica do financiamento”.

A utilização de parte das verbas dos jogos sociais para a criação de um fundo para a inovação é outra das recomendações: “O importante é salvaguardar que existe um fundo que permita acomodar a introdução da inovação (…) para que o sistema esteja preparado para isso porque os doentes não podem esperar”, sublinhou Rute Simões Ribeiro.

Os peritos defendem igualmente uma mais rápida atualização das normas de orientação clinica (NOC), para que estas acomodem a inovação, e a aplicação das NOC nos serviços de saúde acompanhada de um programa de formação, em cascata, na área da Hepatite C.

“É preciso que os médicos que prescrevem os medicamentos os conheçam e saibam como devem ser utilizados”, afirmou a investigadora.

Os especialistas sugerem também a abordagem do VHC na perspetiva de Saúde Pública, com interligação a outras áreas.

“Têm sido dados passos importantes, mas (….) um pensamento traduzido numa ação que integre todos os parceiros e atores do sistema, segurança social, prisões, não conseguimos dar conta disso. Apesar de notarmos algumas ações que se aproximam do que é importante, não conseguimos ver a interação de todos”, considerou.

Sublinhando a importância dos médicos de medicina geral a familiar em todo o processo, assim como dos cuidados primários, a investigadora lembra que é preciso continuar a seguir estes doentes, que estão curados, mas podem vir a ser reinfectados.

As recomendações deste estudo vão ser apresentadas hoje na conferência “Hepatite C, Pensar o Futuro”, que decorrerá na Escola Nacional de Saúde Pública.

Durante o encontro, que contará com diversos especialistas na área, entre os quais a diretora do programa nacional das hepatites víricas e o gastrenterologista Rui Tato Marinho, será igualmente abordado o projeto internacional Path to Zero, que tem como objetivo promover esforços globais e atribuir responsabilidades para a eliminação da infeção pelo vírus da hepatite C em todo o mundo.

Criada em dezembro de 2016
A Força 3P - Associação de Pessoas com Dor quer promover o conhecimento e compreensão da problemática da dor crónica, que, em...

“Não havia nenhuma associação a nível continental direcionada para pessoas com dor crónica, sendo uma necessidade não só para os doentes, mas para os familiares, os cuidadores e os amigos que os rodeiam”, afirmou.

A associação, sem fins lucrativos, foi criada em dezembro de 2016, mas só ontem foi apresentada publicamente, no Porto, traçando a “paciência, persistência e positividade” como sentimentos fundamentais para lidar com a dor crónica.

Alexandra de Oliveira frisou que a “dor não se vê, a dor sente-se”, afetando os doentes no “seu todo”.

“A dor provoca alterações emocionais, físicas e profissionais, situação ainda não totalmente entendida pela sociedade”, referiu.

Por esse motivo, a Força 3P quer divulgar esta problemática através de campanhas e ações de sensibilização, contribuir no apoio social e na humanização da assistência às pessoas com dor e familiares, explicou.

Outros dos objetivos da associação é impulsionar estilos de vida saudáveis, incentivar à prática de exercício físico, participar em reuniões ministeriais e estabelecer parcerias com outras instituições.

“O que queremos é melhorar a qualidade de vida das pessoas com dor crónica porque ninguém tem dor porque quer, mas sim porque sente”, realçou.

A responsável falou ainda na necessidade de cada hospital do país ter uma unidade da dor e ter médicos especializados e sensibilizados para a dor crónica, assim como a importância de aumentar a comparticipação dos medicamentos.

O Plano Estratégico Nacional de Prevenção e Controlo da Dor diz que a “dor, em particular a dor crónica, tem impacto na pessoa muito para além do sofrimento que lhe causa, nomeadamente sequelas psicológicas, isolamento, incapacidade e perda de qualidade de vida. Este impacto pode ultrapassar a própria pessoa e envolver a família, cuidadores e amigos”.

Investigador na área da dor e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, José Castro Lopes salientou, citando um estudo, que a dor crónica atinge mais as mulheres do que os homens.

“É altura de acabar com o flagelo da dor cónica”, entendeu, sublinhando que as pessoas com esta dor têm complicações laborais, nos relacionamentos pessoais e redução das atividades de lazer.

Os custos diretos e indiretos anuais relacionados com a dor crónica em Portugal ascendem aos 4,5 milhões de euros, revelou.

Direção-Geral da Saúde
A Direção-Geral da Saúde revelou ontem que há um caso confirmado de "doença dos legionários" numa fábrica na Maia,...

O diretor-geral de saúde, Francisco George, disse que “o Instituto Ricardo Jorge identificou a relação causa-efeito entre as secreções pulmonares de um doente com pneumonia provocadas por uma bactéria que é a mesma detetada na água da torre de arrefecimento da respetiva empresa fabril”.

De acordo com Francisco George o caso ontem confirmado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) foi sinalizado na última semana de fevereiro.

“Todas as medidas foram tomadas para controlar o problema e prevenir novas ocorrências. Prosseguem os estudos em mais sete casos que foram diagnosticados nas últimas semanas”, disse Francisco George.

De acordo com o diretor-geral de saúde, as medidas tomadas em conjunto com a Inspeção-Geral do Ambiente vão no sentido de “controlar a situação de ‘cluster’ de doença dos legionários ocorrida numa empresa fabril da Maia”.

Francisco George não quis, para já, adiantar qual a fábrica afetada pelos casos de ‘legionella’, nem se a unidade foi encerrada.

A doença, provocada pela bactéria 'legionella pneumophila', contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

Investigação
O parasita responsável pela doença do sono, que interfere com o relógio biológico dos infetados, tem ele próprio um relógio...

A equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM) liderada por Luísa Figueiredo, que trabalhou em colaboração com o grupo de Joe Takahashi da Universidade Southwestern, de Dallas, nos Estados Unidos, publicou um artigo na revista ‘Nature Microbiology’ que “demonstrou pela primeira vez que o parasita responsável pela doença do sono, o ‘Trypanosoma brucei’, tem o seu próprio relógio interno”.

“Este relógio permite ao parasita antecipar as alterações diurnas do meio que o rodeia, tornando-se assim mais virulento”, explica um comunicado do IMM.

As características do parasita agora reveladas tornam possível que os futuros tratamentos tenham por base a cronoterapia, ou seja, a administração de fármacos a uma determinada hora do dia, considerada ideal para a obtenção de resultados.

“O artigo, publicado na revista Nature Microbiology, revela que os parasitas vão modificando ligeiramente a sua composição a as suas funções consoante a hora do dia. Estas alterações são altamente previsíveis e repetem-se todos os dias. Uma das consequências é que os parasitas são mais sensíveis ao tratamento com um certo fármaco durante a parte da tarde do que de manhã”, refere o comunicado do IMM.

A doença do sono deve o seu nome ao facto de os pacientes infetados sofrerem interferências no seu relógio interno, ou ciclo circadiano, por ação do parasita, que tem ele próprio um ritmo que varia ao longo do dia, de acordo com as variações detetadas pelos investigadores, que sincronizaram os parasitas para a mesma hora do dia e a partir daí detetou os padrões de variação que sustentam a descoberta.

“A doença do sono é uma doença infecciosa que, na maioria dos casos, é fatal. É transmitida pela mosca ‘tsetse’ e, por isso, existe apenas na África subsariana. Não há vacinas contra desta doença e as formas de tratamento apresentam vários problemas, como serem difíceis de administrar e serem tóxicas. Atualmente há cerca de 7.000 casos por ano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pretende eliminar a doença até 2020”, recorda o IMM.

Infarmed
Em Portugal, segundo dados do Registo Oncológico Nacional publicados em 2013, a taxa de incidência do melanoma, padronizada...

De acordo com Ana Raimundo, oncologista médica no IPO do Porto, "o tratamento do melanoma avançado é um desafio, sendo necessária a utilização das terapêuticas mais eficazes para o controlo desta doença e melhorar a sobrevivência dos doentes. O pembrolizumab, um anticorpo anti-PD-1 que estimula o sistema imune dos doentes, foi aprovado pela EMA (Agencia Europeia do Medicamento) em julho de 2015 para o tratamento dos doentes com melanoma avançado, em primeira linha ou previamente tratados".

"Antes da aprovação e utilização destes novos agentes, a sobrevivência mediana dos doentes com melanoma avançado situava-se entre os 6 e 9 meses. As taxas de sobrevivência ao ano e 2 anos eram cerca de 25% e 10%, respetivamente", adianta a médica especialista.

Os dados dos estudos que compararam o pembrolizumab com outros agentes aprovados com a mesma indicação (quimioterapia e ipilimumab) revelaram uma superioridade em termos de resposta e sobrevivência, e com menos toxicidade, tendo conduzido à sua aprovação, escreve o Sapo. "Esta medida "vai permitir a sua utilização com ganhos para o doente", frisa Ana Raimundo.

"Dados apresentados recentemente mostraram que cerca de 55% dos doentes estavam vivos aos 2 anos apos início do tratamento (2mg/kg a cada 3 semanas). Um outro estudo com um seguimento mais longo, mostrou uma sobrevivência mediana de 24.4 meses. Os dados de segurança, mostraram um perfil de toxicidade consistente e manejável. Deste modo, podemos concluir que os resultados dos vários estudos confirmaram a real eficácia do pembrolizumab, com respostas mantidas ao longo do tempo e com um benefício significativo na sobrevivência dos doentes, culminando com a sua aprovação para utilização pelos hospitais do SNS", comenta.

Sobre os ganhos desta aprovação quer no que respeita ao doente, quer no que se refere ao SNS, a médica indica que "vários estudos publicados revelam que a incidência do melanoma tem crescido exponencialmente nos últimos 30 anos. E este tumor afeta doentes mais jovens, com impacto numa faixa etária mais jovem, afetando significativamente a atividade laboral e vida familiar, resultando num impacto social mais marcado".

"A utilização de fármacos mais eficazes, como o pembrolizumab, com respostas superiores e mais duradouras, vai permitir diminuir o impacto familiar e social deste tumor tão agressivo. Esta aprovação vai permitir o acesso mais célere ao fármaco garantindo uma melhor eficácia, com ganhos em saúde para o doente e para a sociedade, salvaguardando a sustentabilidade do SNS", conclui Ana Raimundo.

Estudo
O resveratrol, um composto químico presente no vinho tinto, oferece o mesmo benefício neuroprotetor que uma dieta de poucas...

Um estudo conduzido pelo Instituto de Investigação Virginia Tech Carilion, nos Estados Unidos, demonstrou que o resveratrol preserva as fibras musculares à medida que o organismo envelhece, ajudando a preservar as ligações entre neurónios, denominadas sinapses, contra os efeitos negativos do processo de envelhecimento.

"Todos nós ficamos lentos à medida que envelhecemos", adianta Gregorio Valdez, professor assistente daquela instituição. "A marcha, problemas de equilíbrio e a coordenação motora limitada contribuem para problemas de saúde, acidentes, falta de mobilidade e uma menor qualidade de vida (…). Acredito que estamos perto de desvendar os mecanismos que fazem diminuir a degeneração dos circuitos neuronais causados pela idade", comenta o investigador numa nota daquela instituição de ensino.

No estudo, publicado na revista "The Journals of Gerontology", os cientistas injetaram durante um ano resveratrol em ratinhos de laboratório, concluindo que a substância exerce o mesmo efeito benéfico sobre as sinapses de junção neuromuscular que o exercício físico e uma dieta saudável, escreve o Sapo.

Adicionalmente, foi descoberto que a metformina, um fármaco usado no tratamento da diabetes de tipo 2, fez igualmente desacelerar o índice de envelhecimento da fibra muscular.

Apresentadas na 66th Annual Scientific Session do ACC
A Daiichi Sankyo anunciou hoje a apresentação de cinco abstracts na 66th Annual Scientific Session do American College of...

Quatro destes abstracts vão destacar os resultados das análises de subgrupos do estudo global de fase 3 ENGAGE AF-TIMI 48, obtidos com edoxabano uma vez ao dia.

Os estudos incluem a análise de doentes com fibrilhação auricular (FA) e doença maligna ativa, doentes submetidos a procedimentos de ablação, doentes que reúnem um score de risco genético com o peso da fibrilhação auricular, e a comparação dos efeitos do tratamento numa população asiática versus numa população não asiática.

Para além disso, uma análise do estudo ENSURE-AF, que incluiu doentes submetidos a cardioversão, será apresentada numa sessão de posters, destacando o grau de satisfação em relação ao tratamento e o recurso aos cuidados de saúde durante o estudo.

Estudo
Um estudo europeu multicêntrico, apresentado na Figueira da Foz na 188ª Reunião da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG),...

Os dados publicados agora pela European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, revelam ainda que os sintomas moderados e severos dos miomas uterinos referidos pelas doentes, como é o caso de hemorragias, anemia, dores abdominais e sintomas de pressão, diminuíram significativamente com a administração do acetato de ulipristal, único tratamento médico não invasivo, que igualmente melhorou a sua qualidade de vida.

“Este estudo comprova que o novo tratamento de acetato de ulipristal pode permitir uma terapêutica conservadora e evitar a remoção do útero. Esta mudança no tratamento dos miomas uterinos representa uma evolução importante em termos médicos com um impacto positivo na vida da mulher. Esta abordagem conservadora no tratamento dos miomas tem um potencial impacto positivo em termos de gastos para o Serviço Nacional de Saúde na medida em que se evitam os custos diretos com as cirurgias, assim como os custos indiretos atribuíveis, ao período de recuperação pós-operatória” avança Margarida Martinho, presidente da Secção Portuguesa de Endoscopia Ginecológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia.

Os miomas uterinos são a principal causa de histerectomias (remoção total do útero) em Portugal e são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino afetando entre 30 a 70% da população feminina em geral e 20 a 40% das mulheres em idade reprodutiva. Em Portugal, estima-se que acete cerca de 2 milhões de mulheres.

Os países envolvidos neste estudo foram Portugal, Alemanha, França, Reino Unido, Roménia, Suécia, Polónia, Hungria, Eslovénia e Áustria. 

Liga Portuguesa Contra o Cancro
A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) anuncia a abertura das candidaturas ao Prémio Nacional de Oncologia da LPCC, Manuel...

Anunciado durante a sessão comemorativa dos 75 anos da LPCC, o Prémio Manuel Sobrinho Simões tem como propósito reconhecer pessoas, cujo contributo no campo da medicina, investigação ou ação social tenha tido um impacto significativo na área de oncologia.

Até dia 17 de março, todos os proponentes podem submeter a candidatura através do formulário no site da LPCC. As propostas serão avaliadas por um júri presidido pelo Presidente da LPCC e composto por sete elementos com experiência comprovada na área oncológica. O vencedor do Prémio Manuel Sobrinho Simões será divulgado no dia 4 de abril de 2017, data da cerimónia de encerramento do 75º aniversário da LPCC.

O prémio terá o nome do seu patrono, o Prof. Manuel Sobrinho Simões, patologista mundialmente reconhecido. É professor Catedrático de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e Chefe de Serviço no Hospital de S. João. Criou e desenvolveu o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), tornando-o uma instituição de grande prestígio nacional e internacional. Sobrinho Simões tem-se destacado, desde sempre, não só na investigação do cancro do estômago e da tiroide, mas igualmente como impulsionador da investigação a nível nacional e internacional.

Para mais informações, consulte: www.ligacontracancro.pt

Estudo
Um grupo internacional de investigadores conseguiu sequenciar pela primeira vez o ADN do veneno produzido por vermes marinhos...

O estudo centrou-se na família de anelídeos poliquetas 'glyceridae', vermes cilíndricos com o corpo macio, sem esqueleto, e dividido em anéis, que podem medir até meio metro.

Os cientistas, entre os quais investigadores do Museu Nacional de Ciências Naturais espanhol, já sabiam que estes animais são venenosos porque os pescadores, que os utilizam como isco, são por vezes mordidos e relatam os efeitos dolorosos.

Estes vermes geram um veneno complexo baseado numa "neurotoxina potente" que até agora não tinha sido sequenciada, explicou Christoph Bleindorn, um dos cientistas que participou no trabalho.

Os investigadores disseram que este veneno atua de uma forma única pois afeta canais específicos da união neuromuscular.

Trata-se de um composto muito forte e específico que atua em "doses dependentes e reversíveis", ou seja, se a dose aumentar, o efeito aumenta, e se deixar de ser ministrado, deixa de atuar, características que apontam para um potencial farmacológico elevado, segundo os investigadores.

Durante a investigação, os cientistas chegaram à localização exata do veneno nos vermes, que têm quatro mandíbulas ligadas a estruturas similares a glândulas. As mandíbulas são usadas para paralisar as suas presas e para defesa.

No entanto, as glândulas não segregam veneno, e a neurotoxina situa-se em tecidos ligados entre si, demonstrando que "o sistema venenoso destes vermes é muito mais complexo do que se supunha", afirma o primeiro autor do estudo, Sandy Richter, do Museu de História Natural de Londres.

As toxinas produzidas por muitos animais, como escorpiões, serpentes ou aranhas, são estudadas para o desenvolvimento de novos medicamentos, mas o sistema de veneno destes vermes ainda não tinha chamado a atenção dos investigadores.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde disse que, “em breve, o Governo estará em condições de cumprir o que prometeu” relativamente à capacidade...

“Foi criado um grupo de trabalho e o presidente do Instituto Português do Sangue e Transplantação [IPST] tem um mandato para executar um conjunto de políticas e de alterações instrumentais que visem corrigir a situação que levou ao desperdício do plasma português”, disse o ministro Adalberto Campos Fernandes.

Questionado pelos jornalistas, à margem do Fórum Nacional Serviço Nacional de Saúde, a decorrer hoje em Santo Tirso, o presidente do IPST garantiu que, a partir de maio, os hospitais portugueses poderão comprar plasma ao instituto.

A partir desse mês, “os hospitais que necessitem de plasma para transfusão ou de medicamentos derivados do plasma terão de recorrer aos mecanismos que estão previstos e que estão contemplados na circular informativa onde estão explicados todos os procedimentos a fazer”, afirmou o responsável.

“Temos indicação concreta de que todo o plasma que temos com um dos métodos de inativação já está todo comprometido para os hospitais portugueses. E, portanto, o IPST já acautelou e está a desenvolver todos os procedimentos para que sejamos, a breve trecho, reabastecidos desse tipo de plasma que é, repito, português, exclusivamente português”, frisou.

Segundo explicou aos jornalistas, o “país é autossuficiente em plasma, mas não tem quantidade que permita o fracionamento de plasma que satisfaça todas as necessidades em medicamentos derivados. Em plasma para transfusão sim, o país é autossuficiente”.

“O que pretendemos com o plano estratégico operacional é que todo o plasma português seja aproveitado, que não haja qualquer desperdício. Hoje estamos a tomar todas as medidas, todas as cautelas e todos os mecanismos estão previstos para que isso aconteça”, frisou.

Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde vai disponibilizar 35 milhões de euros para um programa que pretende fomentar a articulação e integração...

O Programa de Incentivo à Integração de Cuidados e à Valorização dos Percursos dos Utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi aprovado pelo ministério e pretende “fomentar a articulação e a integração entre prestadores de cuidados de saúde, incentivando as entidades a apresentarem iniciativas conjuntas de mudança organizacional que assegurem elevados níveis de acesso, qualidade e eficiência”.

Segundo um comunicado da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), o programa terá um total de 35 milhões de euros e tem como objetivo central colocar os cidadãos e as famílias nos centros das intervenções de todos os profissionais e serviços do SNS.

Para serem elegíveis, os projetos devem estar enquadrados numa destas áreas: rastreios ou diagnóstico precoce; redução de internamentos, consultas e urgências evitáveis; programas de apoio domiciliário; valorização do percurso do utente no SNS; articulação para exames e meios de diagnóstico.

O programa destina-se a centros de saúde, hospitais ou centros hospitalares, a instituições públicas que integrem a rede de cuidados continuados ou às administrações regionais de saúde que apresentem candidaturas na área dos rastreios.

As candidaturas devem ser apresentadas até final de maio deste ano.

Organização Mundial de Saúde
Cerca de meio milhão de pessoas morre todos os anos devido ao consumo de drogas, segundo a diretora-geral da Organização...

“A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o consumo de drogas seja responsável por cerca de meio milhão de mortos a cada ano. Mas esta estimativa representa apenas uma pequena parte dos danos causados pelo problema mundial das drogas”, disse Margaret Chan na sua intervenção na Comissão de Narcóticos das Nações Unidas, que se reúne em Viena.

Estas estimativas da OMS são superiores às divulgadas pela secção das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, que o ano passado apontava para que as mortes pelo consumo de droga andariam pelas 200 mil por ano.

“Em alguns aspetos a situação está a piorar e não a melhorar. Muitos países estão a experimentar uma crise de emergência sanitária devido a mortes por ‘overdose’”, acrescentou a diretora-geral da OMS.

Margaret Chan não adiantou mais detalhes sobre as estimativas da OMS, mas um recente relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes indicava que nos Estados Unidos quase duplicaram as mortes por ‘overdose’ entre 2013 e 2014.

Em Portugal, 40 pessoas morreram por ‘overdose’ em Portugal em 2015, o segundo ano em que se deu um aumento consecutivo deste tipo de mortalidade, segundo o relatório anual sobre a situação em matéria de drogas e toxicodependência apresentado em fevereiro.

Dessas 181 mortes com presença de droga no organismo detetadas em Portugal em 2015, 40 foram consideradas 'overdoses', o que representa 22% do total desse tipo de mortalidade.

“Pelo segundo ano consecutivo que se constata um aumento no número de 'overdoses' (mais 21% face a 2014), apesar de os valores dos últimos cinco anos se manterem aquém dos registados entre 2008 e 2010”, refere o relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Durante a sua intervenção hoje na Comissão de Narcóticos das Nações Unidas, a diretora-geral da OMS pediu, perante os 53 países presentes, que se aborde a questão da droga como um problema de saúde pública e não com medidas penais.

Universidade de Coimbra
Uma equipa internacional de investigadores criou um dispositivo que replica a contração e distensão dos vasos sanguíneos,...

“Um novo dispositivo que replica a contração e distensão dos vasos sanguíneos”, que acelera “a descoberta de doenças e medicamentos” e “permite reduzir a utilização de modelos animais em experiência”, foi desenvolvido por uma equipa internacional de investigadores, anunciou a Universidade de Coimbra (UC).

Do grupo de especialistas faz parte o português João Ribas, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, sublinha a Universidade.

O novo dispositivo ou chip, concebido no âmbito de um estudo já publicado na revista científica Small, é feito de um material derivado do silicone, com recurso a técnicas de microfabricação.

Quando as células estão neste ambiente dinâmico, neste ‘órgão-num-chip’, “as respostas são completamente diferentes das obtidas pelos dispositivos tradicionais porque as suas características assemelham-se às das células in vivo”, afirma a UC.

Apesar dos elevados investimentos na pesquisa de novos fármacos na área cardiovascular, “poucos são os que chegam ao mercado”, refere a UC, considerando que a situação se deve, “em parte, à falta de modelos que reproduzam as condições do coração e vasos sanguíneos observadas no corpo humano, como o batimento cardíaco”.

Este estudo, salienta a UC, procurou desvendar as diferenças que existem entre modelos que simulam as condições do corpo humano e modelos estáticos de cultura celular utilizados atualmente.

“A solução criada resulta da combinação de várias técnicas de engenharia, biologia e medicina, e poderá ser utilizada por centenas de laboratórios em todo o mundo, respondendo a várias linhas de investigação associadas a doença e envelhecimento vascular”, explica João Ribas, aluno do Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do CNC, citado pela UC.

João Ribas salienta que “o dispositivo poderá ainda ser utilizado pela indústria farmacêutica na descoberta e teste de novos fármacos na área cardiovascular, acelerando o processo de descoberta e reduzindo a utilização de modelos animais”.

Estas plataformas miniaturizadas representam “uma solução acessível para testar condições de microgravidade no espaço e como estas afetam a saúde dos astronautas”, acrescenta o investigador.

No âmbito do estudo foi também utilizado um modelo celular de envelhecimento prematuro, com células provenientes de doentes, refere a UC, adiantando que “os resultados obtidos mostram que o dispositivo permite estirar exageradamente estas células, obtendo-se vários marcadores de inflamação e doença vascular elevados”.

Se as células “fossem manipuladas em culturas estáticas não se observariam estes marcadores. Contudo, sabe-se que esta inflamação acontece em doentes, sendo especialmente importante durante o processo de envelhecimento e necessitando de ser compreendida para que se possam descobrir fármacos adequados”, esclarece João Ribas.

A investigação testou ainda alguns medicamentos que provam que o sistema funciona, podendo ser “usado na descoberta e teste de novos fármacos para combater doenças e envelhecimento vascular”.

Além do CNC, a pesquisa envolveu o Instituto de Investigação Interdisciplinar da UC, as instituições norte-americanas Brigham and Women’s Hospital /Harvard Medical School e Harvard-MIT Division of Health Sciences and Technology, e holandesa MIRA/Institute for Biomedical Technology and Technical Medicine da Universidade de Twente.

A participação do investigador João Ribas foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Defense and Threat Reduction Agency, dos EUA.

Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
A troca de seringas nas prisões continua sem adesão, quase dez anos após o início do programa experimental que visou diminuir a...

Em entrevista, o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) explicou que um dos entraves que este programa teve desde o início foi o facto de implicar a autodelação dos consumidores.

“Desde o início que eu e outros técnicos fomos da opinião de que isso não ia ser eficaz. Tanto quanto sei não houve alteração a esse desenho”, adiantou João Goulão.

O programa experimental de troca de seringas para reclusos nas prisões portuguesas iniciou-se em setembro de 2007 “na vertente teórica” nas cadeias de Lisboa e Paços de Ferreira.

Apesar da falta de adesão a este programa, João Goulão congratulou-se com o facto de, segundo alguns inquéritos em meio prisional, “a tendência ser de um decréscimo muito significativo do consumo por via injetável, quer no período prévio à detenção quer dentro das prisões. Esse decréscimo continua a ocorrer".

Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
Cerca de 16.000 toxicodependentes tomam diariamente metadona nos centros de tratamento nacionais e mais 2.500 em outros locais,...

Em entrevista, o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, enalteceu o facto de o sistema português permitir o regresso a estes programas de dependentes que entretanto voltaram a consumir drogas.

“Temos a felicidade de ter um sistema de tratamento que tem um leque bastante vasto de opções, desde as terapêuticas de substituição, com metadona, até a possibilidade de uma desabituação física”, disse.

Segundo João Goulão, são duas as vias: “Ou paramos completamente o consumo do opiáceo e depois o trajeto é apenas o acompanhamento em ambulatório com psicoterapia, com ou sem algum suporte medicamentoso, ou então transferimos esta dependência de um opiáceo de rua [como a heroína], para um medicamento usado sob supervisão médica, com uma dose ajustada e que evita a síndrome da privação, ativa por via oral e que deixa as pessoas perfeitamente funcionais e a produzir e a ter uma vida perfeitamente integrada”.

“Há uma percentagem muito significativa de pessoas que fazem um trajeto bastante longo de substituição opiácea, seja com metadona ou buprenorfina [medicamentos opióides de síntese] e que de acordo com o seu terapeuta decidem libertar-se também desta dependência e fazem então uma desabituação física, da metadona, por exemplo. É frequente”, adiantou.

Para o diretor-geral do SICAD, “quando as pessoas sentem dentro de si a força para o fazer ensaiam-no muitas vezes, algumas são bem-sucedidas, outras voltam a sentir o tal ‘craving’ [um desejo intenso por uma substância] e voltam outra vez a ser admitidas”.

“Há sistemas, nomeadamente os nórdicos, em que as coisas são formatadas de uma forma muito rígida. Temos uma atitude de muito maior flexibilidade e de aceitação e de inclusão das pessoas nestes programas, se as coisas não correrem bem”, sublinhou.

Os centros de tratamento distribuem diariamente metadona a 15.000 ou 16.000 toxicodependentes. Além destes, entre 2.000 e 2.500 fazem esta terapia de substituição em outros locais.

Só em Lisboa, existem entre 1.200 e 1.400 pessoas que fazem diariamente a sua toma de metadona em carrinhas que param em pontos específicos - os chamados programas de baixo linear de exigência.

“Não os rotulamos de programas terapêuticos, são programas em que a exigência de abstinência não é total, diferentemente dos programas de tratamento, mas são programas de redução de danos”, especificou.

Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
As autoridades estão a analisar a integração nos cuidados continuados de toxicodependentes recuperados que recaíram nos...

“Estamos a falar de pessoas de 50 e 60 anos”, disse em entrevista o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), referindo-se a uma população de toxicodependentes envelhecidos e que vai precisar de cuidados continuados.

Houve recentemente um ressurgimento de uma realidade que os especialistas julgavam extinta, com a recaída por parte de antigos consumidores que, com o período de crise económica e o aumento do desemprego, viram as suas vidas a desmoronar.

Regressaram então aos consumos em contextos de desorganização, à semelhança dos tempos do Casal Ventoso nas décadas de 80 e 90 do século passado.

“A realidade do nosso imaginário do Casal Ventoso e de outros casais ventosos deste país está agora a deflagrar de novo, muito à custa desta população mais velha que não aceita a aproximação pelas equipas de rua, por acharem que já falharam uma vez”, tendo em conta que voltaram ao consumo, afirmou o diretor-geral do SICAD.

O especialista lembra que uma das caraterísticas da adição é a fraca resiliência perante a frustração, procurando o alívio do sofrimento com o uso de substâncias.

Foi o desemprego, sobretudo, com o consequente desmoronamento de vidas, o motor para as recaídas, numa população que tinha anteriormente conseguido sobreviver e ter empregos graças à intervenção dos serviços.

Para João Goulão, o grande desafio agora é acompanhar as pessoas que recaíram “prestando cuidados de saúde, ajudando-as a envelhecer”.

A resposta deve passar pela possibilidade de permitir o acesso destes toxicodependentes aos cuidados continuados, para que seja assegurada a prestação de cuidados de saúde, quer físicos, quer mentais.

Segundo João Goulão, no Ministério da Saúde há abertura para se discutir o assunto e encontrar formas de operacionalizar esta pretensão.

Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
Cerca de 10 mil pessoas em Portugal pediram num ano para ser impedidas de jogar nos jogos online, um número “surpreendentemente...

O jogo e apostas online estão regulados e legalizados em Portugal há menos de dois anos, o que trouxe vários benefícios, como a existência de empresas com rosto e a sua consequente fiscalização.

Em entrevista, João Goulão considera que o estabelecimento de regras para autorizar os operadores de jogo é outra das vantagens da legalização, possibilitando por exemplo que um utilizador peça a autoexclusão de um determinado site de jogos.

O diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) admite que nos 10 mil pedidos de barramento possa haver uma pequena percentagem de casos feitos de forma inadvertida, carregando sem querer no botão que permite essa opção. Mas a maioria será de pessoas que temem a dependência ou já tiveram problemas de adição.

Contudo, João Goulão confessa que o número é surpreendente, estando muitíssimo acima dos casos mais isolados de pessoas que pedem para que não as deixem entrar em casinos ou outros locais de jogo mais tradicionais.

Quanto a casos de dependência de jogo, o responsável refere que há poucos pedidos de ajuda especificamente ligados a essa adição, que se desvenda ou surge geralmente associada a outras dependências ou consumos.

“Como alguém que pede ajuda para um problema de alcoolismo, mas quando se começa a esgravatar um pouco as condicionantes e condições de vida percebe-se que ali também há um problema relacionado com o jogo, que normalmente é mantido escondido da família”, exemplificou.

Lembrando que a área do jogo foi a última a entrar na alçada do SICAD, João Goulão diz que é necessário estudar a realidade, ouvir os especialistas internacionais e os parceiros da área: “É um mundo novo para nós e temos participado e aprofundado quanto possível a parte do conhecimento, dos meandros deste mundo”.

Inicialmente o SICAD – então Instituto da Droga e da Toxicodependência - dedicava-se apenas às substâncias ilícitas, nas quais, do lado da oferta, não havia faces visíveis com os quais dialogar.

Depois, juntou-se o álcool às competências deste organismo público e passou a haver interlocutores – produtores e distribuidores de bebidas - com os quais construir um caminho para o consumo responsável.

No álcool, pode haver por vezes interesses divergentes, mas João Goulão frisa que se tem conseguido acordo quanto às mensagens a passar, o que permite reduzir danos.

“Em relação ao jogo estamos ainda numa fase incipiente, mas que nos remete para isso. O apelo ao jogo responsável é uma atitude que podemos comparar a um ‘beba com moderação’”, exemplificou.

O diretor do SICAD considera que é evidente que as empresas de jogos querem que as pessoas joguem, mas acredita que são também sensíveis à necessidade de desenvolver formas de jogo que não induzam adição e sofrimento à população.

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