Conheça a relação

Disfunção Eréctil e Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono

No âmbito do Dia Europeu da Disfunção Sexual, a especialista em Psiquiatria e Saúde Mental, Carla Silva, fala-nos da relação entre a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono e a Disfunção Eréctil. Estima-se que mais de 60% dos doentes com Apneia do Sono sofram deste problema.

A Disfunção Eréctil (DE) é definida como uma incapacidade persistente em obter e/ou manter uma ereção do pénis que permita a concretização de uma relação sexual. Esta situação clínica tem um impacto negativo na autoestima, relações interpessoais e na qualidade de vida dos doentes.

A prevalência geral da DE em Portugal está estimada em cerca de 13%, aumentando com a idade e podendo constituir a primeira manifestação de uma outra doença (nomeadamente neurológica, cardíaca ou vascular).

Por sua vez, a síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma doença respiratória provocada por colapsos intermitentes e repetidos das vias aéreas superiores durante o sono e que condicionam pausas respiratórias, com duração superior a 10 segundos e que se podem repetir mais de 5 vezes por hora, originando uma redução do oxigénio e um aumento do dióxido de carbono no sangue. Estima-se que a apneia obstrutiva do sono afeta 5% da população portuguesa, principalmente homens com idades entre os 30 e os 60 anos, com excesso de peso ou obesidade.

Esta situação clínica é subdiagnosticada, manifestando-se nomeadamente por ressonar, pausas respiratórias, despertar em engasgamento ou sufocação noturna, sonolência diurna e fadiga.

Em 2012, um estudo português realizado no Hospital de São João, refere uma prevalência da DE em doentes com apneia obstrutiva do sono de 64,4%.

Segundo a literatura científica, esta associação entre apneia obstrutiva do sono e DE, relaciona-se em particular, com os efeitos negativos da baixa do oxigénio e da fragmentação do sono no tecido erétil.

A cada ciclo do sono mais profundo, denominado estágio REM e que corresponde a 20% do sono normal, o homem evidencia uma ereção funcional, a par da produção de testosterona que é fundamental para a manutenção da integridade do tecido eréctil. A apneia impede a ocorrência deste sono mais profundo e consequentemente gera redução da produção de testosterona o que, por sua vez, resulta numa diminuição da libido e da ereção.

Paralelamente existem modificações na regulação hormonal, vascular e nervosa que favorecem o aparecimento da DE, a par de fatores psicológicos como aumento do cansaço e alterações do humor como a depressão.

Outras doenças médicas como a hipertensão arterial e diabetes mellitus são conhecidos fatores de risco para a DE e estão associadas também à apneia do sono.

O tratamento da apneia obstrutiva do sono inclui o controlo dos fatores de risco como a abstinência tabágica e alcoólica e por outro lado o uso regular e continuado de ventilação durante o sono. Esta última constitui o tratamento de primeira linha na apneia (CPAP, ou seja, pressão de ar positiva contínua nas vias aéreas) e a par de outros tratamentos como o uso de próteses de avanço mandibular e do tratamento cirúrgico visando o alívio da obstrução, podem melhorar a performance sexual e a qualidade de sono.

Realça-se estudo em que cerca de 75% dos pacientes com apneia obstrutiva do sono e DE tratados com CPAP evidenciaram remissão, após 1 mês de tratamento.

Em conclusão existe uma significativa prevalência de DE em doentes com apneia obstrutiva do sono. O tratamento da apneia do sono pode resultar numa melhoria da performance sexual do sujeito.

Igualmente quando indicado, o uso de medicamentos específicos para DE e/ou terapia sexual, pode ajudar a resolver esta situação clínica, quando associado ao tratamento de fundo da apneia, nomeadamente com CPAP.

Como tal, mostra-se necessário um despiste desta problemática, visando melhorar a abordagem destes doentes, devendo estes ser observados no contexto de equipas multidisciplinares (que incluam um profissional com especialização na área da sexologia) e contribuindo em última instância, para uma melhoria da qualidade de vida destes pacientes. 

Dra. Carla Silva - Assistente Hospitalar de Psiquiatria do CRI Psiquiatria e Saúde Mental CHUC – EPE
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO NOME DO MEDICAMENTO: Microlax, 450 mg/5 ml + 45 mg/5 ml, Solução rectal e Microlax, 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml, Solução rectalCOMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Composição por microclister: Citrato de sódio: 450 mg ou 270 mg; Laurilsulfoacetato de sódio 45 mg ou 27 mg. Excipiente q.b.p.: 5 ml ou 3 ml. FORMA FARMACÊUTICA: Solução rectal (enema). A solução é viscosa, incolor e contém pequenas bolhas de ar incorporadas. INFORMAÇÕES CLÍNICAS – Indicações terapêuticas: Tratamento sintomático da obstipação rectal ou recto-sigmoideia; Encopresis; Obstipação durante a gravidez, obstipação associada ao parto e cirurgia (uso pré e pós­operatório); Preparação do recto e sigmóide para exames endoscópicos. Posologia e modo de administração: Adultos e crianças de idade superior a 3 anos: Administrar o conteúdo de uma bisnaga por dia. Na obstipação marcada pode vir a ser necessária a aplicação do conteúdo de duas bisnagas. Crianças até 3 anos: Na maioria dos casos é suficiente uma bisnaga de Microlax a 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml. Modo e via de administração: 1. Retirar a tampa da cânula (Microlax a 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml) ou quebrar o selo da cânula (Microlax a 450 mg/5 ml + 45 mg/5 ml). 2. Comprimir ligeiramente a bisnaga até aparecer uma gota na extremidade da cânula. 3.Introduzir a cânula no recto. 4.Comprimir completamente a bisnaga. 5.Retirar a cânula, mantendo a bisnaga comprimida. Contra-indicações:Hipersensibilidade às substâncias activas ou a qualquer dos excipientes. Advertências e precauções especiais de utilização: Recomenda-se evitar a utilização de Microlax no caso de pressão hemorroidária, fissuras anais ou rectais e colites hemorrágicas. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção: Não foram realizados estudos de interacção. Efeitos indesejáveis: Doenças gastrointestinais: Frequência desconhecida (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis): Como em relação a todos os medicamentos do género, um uso prolongado pode originar sensação de ardor na região anal e excepcionalmente rectites congestivas. DATA DA REVISÃO DO TEXTO: Janeiro de 2009. Para mais informações deverá contactar o titular de Autorização de Introdução no Mercado. Medicamento não Sujeito a Receita Médica.