Estudo
Um estudo do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), envolvendo 746 jovens do Norte dos 14 aos 24...

Os resultados deste estudo mostram igualmente que 17% dos jovens já usaram drogas pelo menos uma vez e que um em cada dez as consome regularmente, hábito que iniciaram, em média, aos 16 anos, informou hoje o centro de investigação.

Dirigido pelo investigador Paulo Santos e publicado agora na revista científica Journal of International Medical Research, o trabalho revela que aproximadamente 15% dos jovens bebem álcool mais de uma vez por semana, 58% já fumaram, 17% são fumadores regulares e mais de 10% admitem consumir substâncias ilícitas semanalmente.

O também médico de família frisou que existe, em Portugal, um "consumo de álcool muito superior ao que registado em tudo quanto está publicado", inclusive em termos internacionais.

Dentro dessas drogas ilícitas, os canabinóides ocupam o primeiro lugar, seguindo-se as drogas adquiridas nas "smartshops", que foram entretanto consideradas ilegais.

"Encontrámos uma elevada prevalência de consumo de substâncias aditivas, em particular de álcool, entre os jovens e adolescentes, existindo claramente uma atitude cultural que influencia esse consumo e que deve ser abordada", explicou o investigador e médico de família, referido na nota informativa.

Outra das conclusões indica que os jovens tinham em média 14 anos apenas quando beberam álcool e fumaram pela primeira vez, tendo a iniciação nas drogas acontecido aos 16 anos.

De acordo com o investigador, neste trabalho, o consumo de drogas aparece associado ao consumo prévio de álcool e de tabaco, "reforçando a ideia de que o consumo de substâncias legais pode levar ao consumo de substâncias ilegais".

"Tudo indica que existe uma progressão no uso de drogas, isto é, uma escada de adição em que o uso de uma droga se associa um maior risco de consumir outras drogas ao longo da vida", salientou.

É através do álcool, continuou Paulo Santos, "que se dá a entrada nas drogas, é por aí que se faz a escalada, porque é a substância que aparece mais precocemente na vida dos jovens, dos consumidores".

Segundo o CINTESIS, apesar de o consumo de álcool e de tabaco serem semelhantes entre os jovens que frequentam e os que não frequentam a escola, verificou-se que o uso de substâncias ilícitas é menos comum entre os que continuam a estudar e que ao desemprego associa-se com um maior consumo de drogas entre os mais novos.

A equipa de investigação observou também, através da perceção dos jovens sobre a sua própria saúde, que os sintomas psicológicos são mais frequentes entre os fumadores e os que consomem drogas.

Estes sintomas, que afetam 55% dos jovens, sobretudo do sexo feminino, incluem tristeza, problemas de sono, ansiedade, raiva e medo pelo menos uma vez por semana, faltando saber se os mesmos "são causa ou consequência do consumo".

O trabalho assinala ainda que as principais fontes de informação dos jovens sobre consumo de substâncias são os membros da família e os amigos, não aparecendo os médicos de família como uma escolha.

Embora sejam recomendadas consultas aos 10-13 anos, aos 15 anos e aos 18 anos, os resultados demonstra que "os jovens não olham para os profissionais de saúde como parceiros", o que se pode explicar, por exemplo, pela dificuldade em entender este tipo de consumo como um problema de saúde ou até como um comportamento de risco, notou Paulo Santos.

Como medidas para contornar os números apresentados, o investigador aponta a promoção da literacia, de forma a transmitir conhecimento e aptidões aos cidadãos, "capacitando-os para que percebam o que é bom e o que é mau".

Além disso, acredita que se deve apostar no "efeito educativo e persuasor" que a regulação pode ter, nomeadamente no que se refere à taxação fiscal, "que resultou muito bem com o tabaco", acrescentou.

Este estudo foi apoiado pela Câmara Municipal de Paredes, tendo contado com a colaboração dos investigadores Carlos Franclim Silva, do CINTESIS, e Paula Rocha, da Universidade de Aveiro.

 

 

Centro Materno Infantil do Norte
O Centro Materno Infantil do Norte realizou hoje, pela primeira vez em Portugal, uma cirurgia transvaginal de remoção de...

Através de um sistema ótico, com recurso a uma câmara endoscópica, a nova técnica, realizada na cidade do Porto, consiste "na visualização do interior do útero" por via transvaginal e permite uma maior precisão na identificação e remoção de lesões intrauterinas, explicou aquele especialista.

A visualização, designada de histeroscopia, permite identificar patologias e lesões como pólipos, miomas, aderências ou cicatrizes dentro do útero, e - simultaneamente - tratar ou removê-las.

Hélder Ferreira, coordenador da unidade de cirurgia minimamente invasiva do Centro Materno Infantil Norte, afirmou que o novo equipamento faz com que o procedimento seja "mais reprodutível, ao torná-lo também mais rápido e seguro", comparativamente a outras técnicas que têm sido utilizadas, como a raspagem uterina, a remoção do útero ou a histeroscopia com corrente elétrica.

"Se conseguimos encurtar esse tempo, automaticamente conseguimos reduzir a dor e podemos fazer mais procedimentos, desta forma, sem anestesia", frisou.

Segundo o ginecologista, o procedimento é também "mais fácil de realizar", pois não recorre à anestesia, nem à energia elétrica, que na maioria das vezes "provocam dor e lesões às doentes".

Uma das vantagens desta técnica é também "o regresso precoce a casa das doentes", o que, aliado à redução do tempo que passam no hospital, evita o "elevado risco de infeções".

Helena Leite, de 69 anos e natural do Porto, foi uma das sete pacientes que hoje foram submetidas a esta técnica.

A doente saiu pelo próprio pé do bloco operatório, depois de uma intervenção que durou cerca de cinco minutos, e admitiu que o tempo de espera a deixou nervosa. Mas que "não custou muito", acrescentou.

"Quando estava no bloco pensei que ia correr mal, porque fiquei assustada, uma vez que todas as intervenções que fiz foram com anestesia. Esta não foi, por isso, estava mais receosa. A princípio doeu um bocadinho, mas depois aguentei perfeitamente", referiu.

Quando teve conhecimento de que a técnica era pioneira em Portugal, Helena ficou amedrontada, mas "as explicações do médico" e a "equipa maravilhosa" que a acompanhou no bloco operatório deixaram a paciente mais confiante.

Segundo o ginecologista obstetra Hélder Ferreira, outra das vantagens da nova técnica é o "aumento da segurança do procedimento" e a facilidade para "a curva da aprendizagem".

No bloco operatório estavam presentes cerca de seis médicos e estudantes oriundos da Eslováquia, Polónia e Inglaterra.

"A evidência científica neste momento, em estudos comparativos, é clara relativamente às vantagens desta técnica. Vantagens para as doentes, para a instituição e para o próprio sistema de cuidados de saúde", acrescentou Hélder Ferreira.

Entrevista
Dormir mal ou em quantidade insuficiente é hoje considerado um problema de saúde pública.

Estima-se que cerca de um terço da população apresente queixas de insónia. De que forma esta condição pode afetar a qualidade de vida da pessoa?

A insónia é, efetivamente, a queixa clínica mais prevalente no contexto dos problemas sono. Pode manifestar-se como sintoma de várias perturbações do sono, ocorre em muitas doenças mentais, pode surgir em diversas condições médicas e pode também ser provocada pelo uso de substâncias e fármacos. Quando se torna frequente e persiste ao logo do tempo, a insónia pode tornar-se uma perturbação do sono independente e alterar profundamente a qualidade de vida da pessoa. Tem, habitualmente, um marcado impacto negativo, tanto ao nível da saúde física e mental, como ao nível ocupacional, social e familiar, implicando por isso custos substanciais para a sociedade, quer custos diretos com cuidados de saúde e tratamentos, quer custos indiretos associados ao absentismo e reformas antecipadas. É um dos principais problemas de saúde pública.

O que é a insónia crónica e qual a sua prevalência?

A insónia crónica é uma perturbação do sono caracterizada por uma insatisfação com a qualidade e/ou quantidade do sono, apesar de existirem oportunidades e circunstâncias adequadas para dormir, que ocorre pelo menos 3 noites por semana, durante pelo menos 3 meses, resultando numa significativa preocupação e stress e, ainda, em consequências diurnas no funcionamento da pessoa.

A prevalência da insónia é variável conforme o país e depende dos critérios de investigação utilizados nos diferentes estudos científicos. De uma forma geral, estima-se que cerca de um terço dos adultos têm queixas de insónia e que 10% apresenta insónia crónica. Nos cuidados primários de saúde, mais de 50% dos utentes refere queixas de insónia quando questionados concretamente sobre esse problema, contudo apenas cerca de 5 % recorre a uma consulta com o objetivo específico de fazer um tratamento para problemas de Insónia.

Como se manifesta e quais as principais complicações associadas à insónia crónica?

A insónia pode manifestar-se através de dificuldades em adormecer (insónia inicial), dificuldades em manter o sono, ou seja, acordar durante a noite sem conseguir readormecer (insónia intermédia), acordar precocemente antes da hora habitual (insónia terminal) ou através de um sono superficial e não reparador.

As complicações da insónia crónica são múltiplas e caso haja uma diminuição objetiva e prolongada do sono, as consequências podem ser extremamente graves. As principais complicações são o prejuízo cognitivo (problemas de memória, atenção, concentração, raciocínio e tomada de decisão), alterações emocionais (irritabilidade, ansiedade, flutuações do humor, diminuição da tolerância à frustração), fadiga, dores musculares e problemas gastrointestinais. Entre as consequências mais graves, destacam-se, no plano da saúde física, o risco aumentado de doenças cardiovasculares, HTA, diabetes tipo 2 e obesidade e, ao nível mental, a depressão, a ansiedade, o risco aumentado de suicídio e a demência. Sabe-se, atualmente, que a insónia com sono de curta duração está também associada ao aumento do risco de mortalidade.

Quais as causas desta doença?

A insónia não tem uma única causa; tem uma etiologia multifactorial. Existem vários modelos explicativos desta perturbação do sono. O modelo dos 3 P’s propõe uma compreensão integradora de vários factores, ou seja, existem factores predisponentes para a insónia, como influências genéticas e traços de personalidade (neuroticismo, perfeccionsimo), factores precipitantes que são tipicamente acontecimentos de stress (laboral, familiar) e factores perpetuadores ou de manutenção, como, por exemplo, passar muito tempo na cama ou pensar que não vai conseguir adormecer. Podemos, deste modo, afirmar que existem pessoas com vulnerabilidade para desenvolver uma insónia, que num determinado momento sob stress, passam a desenvolver um estado de hiperarousal (activação) constante que perturba o sono e que as consequências da forma de lidar com a insónia, conduzem à sua manutenção.

Existem fatores de risco? O que pode potenciar o desenvolvimento das insónias?

Para além de traços de personalidade, existem outros factores de risco para a insónia, como pertencer ao sexo feminino, ter uma idade mais avançada, ter um padrão familiar de insónia, ter antecedentes de depressão e manter um ritmo do sono-vigilia com horários irregulares e hábitos incompatíveis com o sono. Ter uma preferência por horários mais tardios, ou seja, ser vespertino poderá constituir, também, um factor de risco para a insónia.

O desenvolvimento da insónia, ou melhor, a sua persistência ao longo do tempo, está relacionado com a manutenção do hiperarousal cognitivo e fisiológico e sobretudo com a presença de pensamentos disfuncionais e ruminativos sobre o próprio sono e sobre a insónia, comportamentos maladaptativos, como levantar-se mais tarde para compensar a falta de sono, usar o tablet na cama enquanto está acordado e com as própria consequências da insónia, como a fadiga, a ansiedade e as alterações do humor. O uso regular e prolongado de fármacos hipnóticos benzodiazepínicos poderá também potenciar o curso da insónia.

A insónia aguda deve ser diagnosticada e tratada atempadamente, por forma a evitar a sua cronificação.


Joana Serra é responsável pela Consulta de Psiquiatria do Sono, no Centro de Medicina do Sono, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Como é feito o diagnóstico da insónia crónica?

O diagnóstico da insónia é essencialmente clinico, sendo a entrevista clinica com uma detalhada história de sono, o pilar da avaliação. Habitualmente, não é necessário recorrer a exames específicos complementares de diagnóstico, contudo quando ocorrem outras perturbações primárias do sono, como as perturbações do ritmo circadiano (por exemplo, trabalho por turnos) deverá ser feita uma actigrafia com a duração de 2 semanas associada a um diário de sono. Caso se suspeite de outra perturbação do sono que cause sintomas de insónia (por exemplo, uma síndrome de apneia obstrutiva do sono ou uma perturbação dos movimentos periódicos dos membros), deverá realizar-se, em laboratório, uma polissonografia.

Nos casos em que a Perturbação de Insónia Crónica possa estar associada a um sono de curta duração e devido ao risco de morbilidade e mortalidade que tem, a polissonografia deverá ser, igualmente, recomendada.

Como se justifica que esta doença continue a ser subdiagnosticada, apesar de afetar milhões de pessoas em todo o mundo?  

Em primeiro lugar, porque todos problemas do sono foram, durante muitos anos, subvalorizados, quer pelos doentes e profissionais de saúde, quer pela sociedade, em geral. A insónia, pela sua evolução, habitualmente crónica, de anos, gera em muitos doentes uma atitude de conformismo com a condição, reforçada pelo desconhecimento da gravidade efectiva das suas consequências. Por outro lado, não é raro, os doentes sentirem que a sua queixa de insónia não é levada a sério, tal como perceberem que existe, ainda, uma dificuldade significativa em encontrar profissionais com competência para os ajudar. A facilidade no acesso a medicamentos para ajudar a dormir mantém, igualmente, o problema da insónia, dado que não é realizada uma cuidadosa avaliação diagnostica.

Qual o seu tratamento?

O tratamento da Perturbação de Insónia deve ser ajustado ao tipo de queixas de insónia, à duração, à gravidade e à presença ou não de comorbilidades.  

No caso de uma insónia aguda, poderão ser utilizados fármacos hipnóticos ou terapia cognitivo comportamental. A eficácia é idêntica, contudo, a gravidade da insónia poderá justificar um tratamento farmacológico de curta duração. Na insónia crónica, a terapia cognitivo comportamental deve ser a primeira linha de tratamento, atendendo ao seu grau de eficácia na modificação dos vários factores de manutenção da perturbação e porque os resultados positivos se mantêm ao longo do tempo.

Relativamente à terapia farmacológica, sabe-se, por exemplo, que só nos Estados Unidos cerca de 10 milhões de pessoas usam benzodiazepinas no tratamento da insónia. Quais os principais riscos da sua utilização?

Os fármacos benzodiazepinicos apenas estão indicados no tratamento da Perturbação de Insónia ou de sintomas de insónia quando assumem carácter grave e incapacitante, não devendo ser utilizados por rotina no tratamento da insónia ligeira a moderada. Devem ser prescritos por um período máximo de 4 semanas, incluindo o tempo de descontinuação, devido ao potencial risco de desenvolverem tolerância e dependência.

As reações adversas destes psicofármacos incluem sedação diurna, défice cognitivo, amnesia anterógrada, défice de atenção, atraso no tempo de reação, alterações no equilíbrio, estando associados nos idosos a um aumento do risco de quedas. Por todos estes problemas, a prescrição das benzodiazepinas para tratar a insónia, deve ser particularmente cuidadosa, transitória e vigiada pelo médico.

De que modo a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar quem sofre de insónia? Em que consiste este tratamento? Qual a sua importância?

A terapia cognitivo comportamental da insónia permite modificar os factores que mantêm a insónia e é por essa razão que se torna um tratamento eficaz. Ajudar uma pessoa que sofre de insónia, significa uma aprendizagem de novos comportamentos facilitadores do sono, reforçando os processos circadianos e homeostáticos que regulam o ritmo sono-vigília, modificar as atribuições disfuncionais sobre a insónia, promover estados de relaxamento antes de ir para a cama e evitar o esforço para dormir, reduzindo assim o estado de hiperarousal e reforçar a associação do sono ao ambiente de dormir. Esta intervenção desenvolve-se através da aplicação de técnicas específicas, ao longo de várias sessões psicoterapêuticas, sendo as mudanças consistentes e duráveis no padrão do sono do doente. Requer a sua participação activa na terapia e a auto-avaliação deste tipo de tratamento, por parte do doente, é geralmente muito positiva e percebida como mais benéfica comparativamente com o tratamento farmacológico.

É possível prevenir o aparecimento desta doença?

A criação de hábitos de sono regulares e uma boa higiene do sono, que consiste, por exemplo, no evitamento de substâncias e atividades estimulantes próximo da hora de deitar, realizar exercício físico com regularidade, são algumas das práticas desejáveis desde a infância. Sabe-se que uma criança com insónia tem grande probabilidade de se tornar num adulto com insónia. Cuidar do sono é uma tarefa que deve começar cedo e fazer parte de toda a família.

A educação para a saúde nas escolas deveria contemplar aspectos sobre o sono, pois trata-se de uma medida importante na prevenção desta perturbação do sono. Por outro lado, nos cuidados primários de saúde, poderão ser desenvolvidas acções de psicoeducação sobre o sono, pelos profissionais de saúde e evitar-se a medicalização a todo o custo da insónia aguda.  


A psicóloga Vanda Clemente integra a equipa do Centro de Medicina do Sono, CHUC, desde 2004 e tem publicado diversos artigos na área do sono e da insónia

Tendo em conta de que se trata de uma doença ainda pouco valorizada, quais as principais recomendações?

Em primeiro lugar, uma queixa de insónia deve ser sempre investigada em qualquer avaliação clinica de um doente. Os médicos de Medicina Geral e Familiar devem receber formação em Medicina do Sono, na medida em que uma intervenção atempada evita o desenvolvimento de uma Perturbação de Insónia Crónica. Quando a insónia é resistente ao tratamento inicial, deverá ser feito o encaminhamento para centros especializados com profissionais credenciados em Medicina do Sono.

Para concluir, o que pode melhorar em termos de diagnóstico e tratamento?

É necessário incluir na formação académica e profissional dos profissionais de saúde, nomeadamente, médicos de medicina geral e familiar, pediatras, psiquiatras e psicólogos clínicos, conhecimentos sobre como diagnosticar e tratar a insónia. Por outro lado, a formação de mais clínicos especializados na área das Perturbações do Sono e a constituição de mais Centros Multidisciplinares de Medicina do Sono poderá ser uma resposta relevante para colmatar essa lacuna, no domínio na Insónia.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
“Vidas congeladas”
A Associação Portuguesa de Fertilidade lançou hoje a campanha “Vidas congeladas” que apela à necessidade de legislar sobre a...

Segundo a associação, o acórdão do Tribunal Constitucional sobre a Lei da Gestação de Substituição criou “um vazio legal” na Procriação Medicamente Assistida ao chumbar algumas normas, nomeadamente acabar com o anonimato dos dadores de gâmetas, que “colocou milhares de embriões com projetos parentais em risco de destruição”.

“Estes são embriões viáveis, que faziam e ainda fazem parte do projeto de vida de centenas de famílias, que deste modo têm as suas vidas em suspenso, pois o Estado português, por um lado, não as deixa ter os filhos que já existem e, por outro, não lhes dá qualquer alternativa, nem mesmo a possibilidade de ter filhos através de um outro tratamento”, afirma a Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) em comunicado.

Para a APF, esta situação deve-se ao facto de o acórdão não ter sido acompanhado de esclarecimentos nem ter havido legislação a entrar em vigor. “Neste momento a questão dos gâmetas e embriões congelados é, para todos, uma incerteza, sendo que há um risco real de destruição dos mesmos (nos casos de não levantamento do anonimato)”, sublinha.

“Num país onde 300 mil casais são inférteis, manter este impasse legal significa adiar – e, em muitos casos, destruir – os sonhos e as vidas de várias famílias que buscam nos tratamentos de PMA a concretização dos seus sonhos”, defende.

A campanha Vidas Congeladas conta com o apoio de diversos parceiros, entre os quais a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida.

A APF e a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução lançaram em junho uma petição pública, que às 15:00 de hoje, contava com 1.702 assinaturas, que pretende obrigar o parlamento a discutir legislação sobre Procriação Medicamente Assistida.

Os peticionários exigem “a criação de medidas que preencham o vazio legal deixado pelo acórdão” do TC de 24 de abril, tendo como objetivos específicos definir um “período de transição” para concretizar as dádivas de embriões e de gâmetas criopreservados em regime de anonimato, mantendo a confidencialidade garantida pela lei vigente na altura da dádiva.

Este “período de transição”, no caso dos embriões, evitará a sua descongelação e eliminação, pela ausência de autorização da sua transferência num regime de não-anonimato, refere a petição que reclama também a criação de um regime de exceção”, que assegure a confidencialidade das dádivas de embriões e gâmetas, realizadas anteriormente à data do acórdão, evitando-se desta forma “uma incompreensível aplicação retroativa do regime de não-anonimato”.

Propõe ainda um “novo quadro legislativo” que permita enquadrar a gestação de substituição nos novos requisitos legais.

 

27 de junho - Dia Mundial de Cancro de Cabeça e Pescoço
Com a aproximação do Dia Mundial de Cancro de Cabeça e Pescoço, que se assinala no próximo dia 27 de julho, o Grupo de Estudos...

São 3 os portugueses que morrem todos os dias vítimas deste tipo de cancro, cujos sinais e sintomas são muitas vezes desvalorizados pelos doentes ou confundidos com os de outras doenças benignas. Uma dor de garanta, uma rouquidão persistente ou uma ferida na boca podem ser alguns dos sinais alerta para que, caso durem mais do que 3 semanas, seja consultado um médico.

Anualmente, surgem cerca de 3.000 novos casos de cancro de cabeça e pescoço, sendo que entre os principais sintomas se encontram o consumo excessivo de tabaco, álcool e, mais recentemente, a infeção pelo Vírus do Papiloma Humano, responsável pelo surgimento deste tipo de cancro em pessoas cada vez mais jovens.

No âmbito do Dia Mundial de Cabeça e Pescoço, com o apoio do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP) e da Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral (ASADOCORAL), o Hospital Militar Rei Dom Pedro V estará a desenvolver, ao longo de toda a semana, sessões de diagnóstico precoce.

Segundo a Ana Castro, médica oncologista e Presidente do GECCP, “O Dia Mundial de Cancro de Cabeça e Pescoço foi criado há quatro anos atrás pela Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço (IFHNOS) para sensibilizar a população mundial para as necessidades das pessoas que atravessaram o cancro de cabeça e pescoço. Em Portugal, é essencial diminuir o número de vítimas mortais deste tipo de cancro através de um esforço educativo para os fatores de risco e os sinais e sintomas que ajudam ao diagnóstico precoce.”

Pesticidas
A Plataforma Transgénicos Fora recebeu 55 inscrições, cinco das quais referentes a crianças, para a realização de análises com...

"Temos exatamente 55 inscritos, dos quais 50 são adultos e cinco [são] crianças", refere a Plataforma, em resposta à agência Lusa.

A maior parte das inscrições são do Grande Porto, com 19 casos, e da Grande Lisboa, com 14, seguindo-se os distritos de Santarém e de Castelo Branco, com três cada, segundo a organização.

Braga, Bragança e Setúbal contribuíram com duas inscrições cada.

A Plataforma Transgénicos Fora, tal como organizações ambientalistas, nomeadamente a Quercus, tem defendido a proibição da utilização do pesticida, usado na agricultura e nas localidades para acabar com as ervas daninhas. Promoveu a recolha de amostras de urina em Portugal para testar o nível de contaminação pelo glifosato, como já tinha feito numa outra ocasião.

No sábado, terminou o prazo para as candidaturas para a realização das análises, com um custo de 73,20 euros, a que acrescem cinco euros para o envio das amostras para um laboratório em Bremen, na Alemanha.

"Dos 50 adultos, há cinco que não pagam e fazem a análise de graça", refere a Plataforma, explicando que recebeu donativos que permitem esta oferta, que foi sorteada e para a qual havia 94 pessoas a manifestar interesse.

O objetivo é conseguir "uma espécie de mapa da contaminação em Portugal e, dessa forma, a comprovarem-se elevados valores de contaminação, exigir junto de autarquias e Governo que o uso de glifosato seja drasticamente reduzido e progressivamente substituído por alternativas que não prejudiquem a saúde e o ambiente", explica Margarida Silva, uma das coordenadoras do grupo.

Em 2016, a Plataforma Transgénicos Fora conseguiu reunir donativos e foram analisados 26 voluntários (22 da região do Porto e quatro de Tomar). Os resultados acusaram uma contaminação 20 vezes superior à média de outros países da União Europeia, mas não se encontraram explicações para os valores.

"Ninguém sabe porque estamos tão contaminados, pode ser dos alimentos, da água ou outra coisa. Mas também não parece haver pressa e interesse em saber", lamentou Margarida Silva.

Em abril, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para tornar mais transparentes os processos de avaliação científica em matéria da segurança alimentar, conforme o compromisso assumido na sequência da polémica em torno do uso de glifosato.

O compromisso de rever as regras de avaliação científica de uma substância foi assumido no mesmo dia em que a Comissão aprovou a renovação da licença do glifosato, após dois anos de disputa sobre o uso do herbicida.

Em 6 de outubro de 2017, foi apresentada à Comissão uma iniciativa de cidadania europeia intitulada "Proibição do glifosato e proteção das pessoas e do ambiente contra pesticidas tóxicos", com declarações de apoio de 1.070.865 cidadãos europeus.

Tecnologia
Uma parceria entre a Fundação PT e diversas associações está a desenvolver uma aplicação para telemóvel e 'tablet'...

Uma parceria entre a Fundação PT e a Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC) está a desenvolver uma aplicação para telemóvel e ‘tablet’ que visa melhorar a comunicabilidade das pessoas com paralisia cerebral.

Denominada de ‘Magic Contact’, escreve o Observador, a aplicação tem vindo a ser testada na Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) e baseia-se numa tecnologia que permite ao utilizador não só comunicar por mensagem escrita como aceder à internet.

Este conjunto de ferramentas, uma vez implementado o projeto “Vida Independente” da APPC, pode aumentar o grau de autonomia do utilizador, disse o presidente da FAPPC, Abílio Cunha.

O responsável pelo desenvolvimento da aplicação ‘Magic Contact’, Daniel Freitas, disse que a aplicação “desenvolvida de raiz a pensar nos utilizadores com paralisia cerebral” pretende “resolver o problema de como uma pessoa com graves limitações motoras pode interagir com um ecrã tátil”.

O recurso a um botão externo ligado por cabo ao ‘smartphone’ ou ao ‘tablet’ simplificou essa relação, abrindo aos utentes da APPC a faculdade de usarem as principais ferramentas do telemóvel, fazer uma chamada, enviar uma mensagem e navegar na internet, explicou Daniel Freitas,

“Há ainda ferramentas para ajudar a comunicar através de símbolos, de escrita”, acrescentou o responsável.

Enaltecendo as “mais-valias” que a proximidade com a APPC e com os seus utilizadores traz ao projeto, Daniel Freitas e Marta Samúdio, terapeuta ocupacional da equipa do Serviço de Tecnologias de Apoio da APPC, concordaram que as sugestões apresentadas pela associação vão no “sentido de uma personalização da aplicação”.

“Temos não só a população que utiliza esta tecnologia mas também temos testado os resultados para tentar melhorar a aplicação”, disse a responsável da APPC de um “trabalho que permite personalizar a aplicação às necessidades e às dificuldades do utilizador”.

E porque as “necessidades vão mudando, quer em termos do utilizador quer sobre aquilo que se faz com a tecnologia”, Marta Samúdio admite que “há sempre algo para melhorar”, ainda que testemunhando o sucesso da ferramenta.

“Temos clientes a utilizá-la diariamente e estão satisfeitos. É uma aplicação que é gratuita, com a possibilidade de se personalizar, facto que funciona como uma mais-valia”, disse.

A diretora da Cidadania Empresarial e Inclusão da Fundação PT, Graça Rebôcho, frisou que as “soluções desenvolvem-se, sobretudo, através da tecnologia” sendo adaptadas “a cada tipo de necessidade”.

Admitindo que a otimização das respostas no tempo, em relação às sugestões feitas, “pode ainda melhorar”, sublinhou as parcerias com as universidades, citando o exemplo da “Magic Contact”.

“A ideia foi de um colaborador da Fundação PT e nós pedimos ao Instituto Politécnico da Guarda que desenvolvesse tecnologicamente a solução”, relatou a diretora.

O presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral, Abílio Cunha, explicou que fruto da parceria “trabalham-se em conjunto as autonomias do indivíduo”.

Citando a Convenção dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, Abílio Cunha frisou a importância da tecnologia para “superar algumas limitações, sobretudo na paralisia cerebral, em que a comunicação é, para a maior parte, um entrave à autonomia e à inclusão”.

“As pessoas que estão a utilizar estas tecnologias usufruem de uma autonomia que lhes permite terem qualidade de vida e seguirem o seu percurso como outro cidadão”, disse.

Como exemplo disso falou do projeto “Vida Independente”, que “permitirá ter um assistente pessoal para colmatar as tarefas que não consegue executar”, mas que ao dispor da aplicação poderá “também adquirir outros serviços na comunidade sem estar dependente desse apoio humano”.

Especialista
O especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos diz ser difícil relacionar as temperaturas baixas e a nebulosidade...

"É difícil fazer a relação entre as condições atípicas do verão deste ano, com temperaturas mais baixas, nebulosidade e até chuva, e as alterações climáticas, já que a análise do clima se baseia em períodos de, pelo menos, 30 anos", disse Filipe Duarte Santos.

O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa explicou que, quando se analisam características como a temperatura ou a pluviosidade num período curto, os especialistas falam de variabilidade climática e não de alterações climáticas.

À pergunta se a situação de meses de junho e julho, sem longos períodos de calor, se deve às mudanças do clima, insiste: "É muito diferente do que temos tido nos últimos anos, mas isso não significa por si só que é uma mudança climática. O que podemos dizer que é muito provavelmente uma consequência da alteração climática foram as ondas de calor e a seca muito prolongada que afetou Portugal em 2016 e 2017".

A observação do que aconteceu nos últimos 50 anos "leva a concluir que a chuva dos anos entre secas não é suficiente para manter o equilíbrio", já que a média da precipitação anual de cada década "tem estado a decrescer e isso é muito significativo", salientou o também presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS).

Filipe Duarte Santos apontou que "as ondas de calor estão a tornar-se muito mais frequentes em todo o mundo" e, numa análise mais prolongada, a precipitação acumulada anual está a diminuir, mas ano a ano varia muito.

Assim, as condições meteorológicas deste verão "são positivas para a floresta portuguesa a curto prazo", e "praticamente" não houve incêndios, "mas ninguém pode garantir" que, em 2019, ou dentro de dois anos, não haja outra vez uma seca, ondas de calor, ignições frequentes e mais fogos, resumiu o investigador.

As alterações climáticas, com ondas de calor e pouca chuva, resultando em secas e criando condições para a ocorrência de incêndios florestais, têm levado os especialistas e organizações internacionais a chamar a atenção para a necessidade de mudar comportamentos de modo a reduzir as emissões de dióxido de carbono e limitar o aquecimento global.

A falta de chuva e as temperaturas elevadas criam condições propícias aos grandes incêndios, principalmente no sul da Europa, como no ano passado em Portugal e Espanha, por exemplo, mas este ano países do norte europeu, como a Suécia ou a Finlândia, enfrentam problemas mais associados ao Mediterrâneo, como os fogos florestais ou escassez de água.

Crise económica e insegurança
Em apenas meio ano, e só na região sul, já houve quase tantas inscrições na Ordem como em todo o ano de 2017 no total do país....

O número de médicos brasileiros a querer trabalhar em Portugal disparou nos últimos tempos e promete subir ainda mais nos próximos meses, porque todas as semanas chegam novos pedidos de inscrição à Ordem. E tanto são jovens a dar os primeiros passos na profissão como especialistas já com 60 anos e no topo da carreira, sem um padrão que os una a não ser, na maioria dos casos, a vontade de fugir à crise económica e à insegurança das maiores cidades do Brasil. Mesmo sabendo que vão ficar a ganhar menos com a mudança.

Se no ano passado já tivemos 57 novas inscrições na Ordem dos Médicos de profissionais vindos do Brasil - sensivelmente o mesmo número do ano anterior -, quando em 2013 esse número era de apenas sete, 2018 caminha já para bater largamente o recorde da última década, a fazer lembrar vagas de imigração anteriores, como a dos dentistas no final do século passado: em apenas meio ano, e só na região sul, já houve quase tantas inscrições como em todo o ano de 2017 no total do país. Com a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, e o início da crise política e económica, muitos médicos brasileiros tentaram certificar diplomas nas nossas faculdades, para terem uma rede de segurança. Um plano B que agora passou a ser A para dezenas deles.

O Brasil tem cerca de 450 mil médicos, "se o país desestabiliza e se se percebe que é fácil estabelecerem-se em Portugal, vamos ter a imigração destes profissionais a subir muito", reconhece o presidente da secção sul da Ordem dos Médicos, que todas as semanas recebe novos processos de inscrição. Alexandre Valentim Lourenço aponta um problema de "pressão no nosso sistema" que pode resultar desta vaga de entradas na saúde. "É que já não temos onde colocar os nossos próprios médicos."

Neste momento, há cerca de 600 médicos brasileiros a trabalhar em Portugal - contingente a aproximar-se do de espanhóis, que tem vindo a cair -, mas esse número vai "explodir ainda mais nos próximos tempo", garante ao Diário de Notícias um advogado que representa uma dúzia destes profissionais. Carteira de clientes que a curto prazo passará para vinte. "Há um grande interesse dos brasileiros, e não apenas médicos, em vir para Portugal para ter uma vida mais tranquila, mesmo abdicando de melhores salários."

Basta uma breve pesquisa na internet para perceber que essa é uma das questões que mais preocupam os profissionais de saúde brasileiros em relação à solução portuguesa. Essa e as dificuldades burocráticas para verem os seus cursos reconhecidos no nosso país, que implicam provas nas faculdades. E as diferenças nas remunerações podem mesmo ser gritantes. Um médico pode ganhar pelo menos 30 mil reais (cerca de 6700 euros) por mês no Brasil, acumulando funções no privado - que, através dos seguros de saúde, tem um grande peso no maior país da América do Sul -, mas um profissional altamente especializado pode ganhar mais de cem mil reais (acima de 22 mil euros). Em Portugal, um assistente graduado sénior que tenha um horário de 35 horas em dedicação exclusiva ganha cerca de 4300 euros brutos, enquanto um interno não chega aos dois mil. E essa é precisamente a situação de muitos médicos que imigraram para o nosso país: tiveram de começar praticamente do zero.

"Sem especialidade não é fácil"
Só a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo tem três internos brasileiros a trabalhar nos seus centros de saúde, que se juntaram a outros três clínicos já na carreira médica. Embora já esteja no país há quase dez anos, Alessandra Pinheiro é uma dessas internas. Médica de clínica geral no Rio Grande do Sul, veio para Portugal em 2009. Ao argumento da segurança juntou o do clima e a proximidade da mãe, que já tinha cá residência. Durante quatro anos trabalhou como tarefeira em centros de saúde da região de Lisboa, o que só reforçou a vontade de se tornar médica de família. "Percebi que precisava de especialização em saúde infantil, em saúde materna, e decidi fazer a prova de seriação." Feito o ano comum em Beja, em 2013, entrou no internato no Agrupamento de Centros de Saúde Arrábida, em Setúbal, e por lá quer ficar quando se tornar especialista em Medicina Geral e Familiar, em outubro.

No entanto, segundo Alexandre Valentim Lourenço, estes profissionais nem vêm preferencialmente para o Serviço Nacional de Saúde e são mais absorvidos por unidades privadas ou PPP. "São boa aposta, porque vêm sem família, sem amigos, dedicam-se em exclusivo ao trabalho", considera o presidente da Ordem do Sul, que afirma ainda que muitos olham para Portugal como uma porta de entrada para depois irem para outros países europeus. Só num dos principais hospitais em parceria público-privada do país há três médicos brasileiros em vias de reforçar os serviços, "o que prova que há de facto um mercado nesta área", reconhece fonte de um dos maiores grupos privados de saúde.

Mas os casos multiplicam-se no país. Luísa Medeiros também teve de fazer tábua rasa da sua especialidade para mudar de vida. À beira de fazer 36 anos, formada em 2007 no Rio de Janeiro, Luísa é agora interna do primeiro ano em Medicina Física e Reabilitação em Alcoitão. No Brasil era especialista em otorrino, com internato feito em São Paulo, mas cedo percebeu que não queria ficar por aí. Como o marido é francês, decidiu em 2015 vir para a Europa. Faz até questão de sublinhar que as razões que a trouxeram para Portugal não foram sociais ou políticas, embora saiba que essa é a motivação da maioria dos profissionais que deixam o Brasil. "Ao chegar percebi que vida de médico sem especialidade não é fácil, a oferta não é boa, e decidi submeter-me à prova nacional de seriação e ao muito temido Harrison."

Candidatou-se a Medicina Física e Reabilitação e entrou na primeira opção, no Centro de Alcoitão, onde é uma "muito feliz" interna de primeiro ano. Mesmo a ganhar muito menos do que no Brasil. "Se não estivesse com o meu marido, e só com o que ganho como interna, 1250 euros líquidos, apenas conseguia alugar um quarto em Lisboa." Os índices de preços ao consumidor apresentam os mesmos valores nos dois países (1,4%), mas a inflação é significativamente maior nas áreas da habitação (2,6%) e na alimentação (2,2%) no Brasil (dados de junho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em comparação com o nosso país (0,6% e 1,5%, respetivamente, segundo os dados da Pordata para o ano passado). "E Portugal está a crescer economicamente, acredito que as condições para os médicos também vão melhorar." Aos muitos colegas que todas as semanas lhe pedem conselhos sobre as condições em Portugal, Luísa deixa dois tipos de mensagens: incentiva a vir os que estão em início de carreira; mas desaconselha os que já estão no topo, porque a inscrição na especialidade é muito difícil.

Uma realidade reconhecida pelo presidente da secção sul da Ordem dos Médicos. "Os médicos no topo da carreira levantam-nos outros problemas quando querem inscrever-se numa especialidade, porque o sistema de especialização lá é diferente do nosso. Há áreas em que até há ótimos profissionais, como cirurgiões, mas outras em que não, e já tivemos processos que foram rejeitados e acabaram em tribunal, porque os candidatos nos processam." Alguns destes casos arrastam-se mais de dez anos em tribunal e o próprio processo de revalidação da especialidade não tem um prazo. Há relatos de esperas de três anos pela decisão da Ordem, explica um representante destes médicos, que ataca o "corporativismo da Ordem".

Do Rio até Beja
Lúcio Silva, 42 anos, foi daqueles que começaram praticamente do zero em Portugal. Mais de dez anos depois de ter acabado a formação em Psiquiatria no Brasil, resolveu cruzar fronteiras em 2016. Desde logo porque a mulher queria fazer doutoramento em Direito e depois porque "não estava satisfeito com a insegurança no Rio de Janeiro", que lhe ensombrava os planos de ter filhos.

Fez a certificação da licenciatura, inscreveu-se na Ordem e fez o pedido de autonomia. Submeteu-se à prova de seriação e está no primeiro ano de internato de Psiquiatria em Beja. "Gosto do Alentejo, já me tinham dito que era quente como a minha terra, Salvador. Mas as comidas são um pouco pesadas", ri. Só os salários dão menos vontade de sorrir: "São demasiado baixos tendo em conta as rendas que estão a praticar-se, e nós temos de manter uma casa em Lisboa e outra em Beja."

Processo pode demorar um ano
Um médico brasileiro que queira vir para Portugal pode contar gastar cerca de 800 euros e esperar um ano, entre a equivalência de diplomas numa universidade portuguesa e a inscrição na Ordem dos Médicos: seis meses para fazer a certificação e ter os resultados numa faculdade de Medicina (que pode custar pelo menos 600 euros); a Ordem dos Médicos tem depois três para deferir ou indeferir os pedidos de inscrição (210 euros de joia de inscrição); mais dois meses para decidir sobre a autorização de autonomia clínica. Já a revalidação da especialidade não tem um prazo. As faculdades têm tentado criar planos comuns para uniformizar as provas de revalidação de diplomas. Neste ano a janela para inscrição nestes exames deverá ser no último trimestre.

Segurança pública
O primeiro-ministro da China ordenou uma investigação à indústria de vacinas chinesa depois de violações cometidas por um...

Em comunicado, Li Keqiang referiu que a Changchun Changsheng Life Sciences Ltd, que é acusada de fabricar registos de produção e inspeção, "violou uma linha moral", num momento em que as autoridades lutam para restaurar a fé pública na regulamentação de segurança.

Na mesma nota, o governante prometeu "reprimir de forma resoluta" as violações que coloquem em perigo a segurança pública.

Não houve relatos de ferimentos causados pela vacina contra a raiva, mas a divulgação provocou um coro de protestos, sobretudo depois de vários escândalos relacionados com a venda de medicamentos e alimentos de baixa qualidade, cujo consumo causou vítimas mortais entre a população chinesa.

Os reguladores chineses anunciaram na semana passada que a Changsheng Life Sciences foi obrigada a suspender a produção e a recolher as vacinas contra a raiva.

A agência de notícias Xinhua disse que os investigadores estão a testar a eficácia da vacina e a ponderar avançar com acusações criminais.

A raiva é endémica em algumas áreas da China.

Em outubro, a mesma empresa foi condenada a interromper a produção de uma vacina combinada para a difteria, tosse convulsa e tétano, cujo lote foi posteriormente apontado como defeituoso.

Instituto do Mar e da Atmosfera
Todas as regiões de Portugal continental e do arquipélago da Madeira estão hoje em risco muito elevado de exposição à radiação...

Em risco elevado estão apenas as ilhas de S. Miguel e Terceira, na região Autónoma dos Açores, de acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda o uso de óculos de sol com filtro ultravioleta (UV), chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O IPMA prevê para hoje no continente uma pequena descida da temperatura máxima no litoral da região Norte e no interior Centro e Sul e nebulosidade matinal no litoral oeste, podendo persistir em alguns locais a norte do Cabo Raso.

A previsão aponta ainda para vento em geral fraco do quadrante oeste, soprando moderado (até 30 km/h) no litoral a sul do cabo Carvoeiro e nas terras altas a partir da tarde.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 13 graus Celsius (na Guarda) e os 18 (em Faro) e as máximas entre os 22 (em Viana do Castelo) e os 32 (em Beja).

Na Madeira, o IPMA prevê para hoje períodos de céu muito nublado, com a possibilidade de ocorrência de aguaceiros fracos nas vertentes norte e terras altas, e vento em geral fraco do quadrante norte.

No Funchal as temperaturas vão variar entre os 20 e os 25 graus Celsius.

No arquipélago dos Açores, o IPMA prevê períodos de céu muito nublado, com possibilidade de aguaceiros fracos, em especial a partir da tarde nas ilhas do grupo oriental (S. Miguel e Santa Maria).

As temperaturas vão variar entre os 20 graus Celsius de mínima previstos para Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Santa Cruz das Flores e os 26 graus de máxima previstos para Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta.

Assomeluve
A Associação de Médicos Luso-venezuelanos, Assomeluve, vai pôr em marcha, a partir de terça-feira, uma rede médica portuguesa...

O projeto, que conta com o apoio do Governo português, da Embaixada de Portugal na Venezuela e dos consulados locais, pretende ainda encontrar soluções para a crise, num país onde faltam frequentemente medicamentos e bens alimentares de primeira necessidade.

"A nossa missão é estabelecer as necessidades prioritárias dos portugueses na Venezuela, e prestar atenção médica geral e especializada", explicou a porta-voz da Assomeluve.

Clara Maria Dias de Oliveira, gastrenterologista, precisou que o projeto, que arranca hoje, foi o resultado de um "estudo muito minucioso" e que vai começar em cinco regiões da Venezuela, no Distrito Capital (Caracas, Miranda e Vargas) e nos estados de Lara, Bolívar, Carabobo e Anzoátegui.

"Temos conhecimento de que há muitos casos de portugueses em necessidade extrema e que o projeto vai ter um impacto muito importante na saúde deles", explicou, sublinhando que além dos consulados a própria comunidade lusa vai ser de ajuda no sentido de facilitar o acesso dos compatriotas à rede médica lusovenezuelana.

Por outro lado, o embaixador de Portugal em Caracas, Carlos de Sousa Amaro, explicou que está dado "o primeiro passo" para começar a atender, em breve, "a comunidade portuguesa mais carenciada em termos de apoio na área da saúde".

Segundo o diplomata essa atenção "é muito importante porque há pessoas que pura e simplesmente não se podem dirigir aos hospitais; que precisam de ser ajudadas, que padecem de várias doenças e que precisam de acompanhamento".

"Nesta fase inicial vamos ter cinco centros a que a embaixada está prestando todo o apoio possível a este projeto, mas devo dizer o grande mérito é de facto da Associação de Médicos Lusovenezuelanos, que aproveito para felicitar e para agradecer todo este grande trabalho", disse.

Segundo Carlos de Sousa Amaro "é um projeto único junto das comunidades portuguesas, uma nova etapa no apoio às comunidades".

"Mais uma vez a comunidade portuguesa na Venezuela continua a destacar-se pela solidariedade, a pesar das grandes dificuldades que atravessam atualmente", concluiu.

 

Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes
A prática desportiva é um auxiliar terapêutico no tratamento da diabetes, seja do tipo 1 ou 2, disse a presidente da Federação...

Segundo Emiliana Querido, não existe nenhuma restrição ao nível do desporto, que é útil "para a gestão dos níveis de glicose, tanto para quem tem diabetes tipo 1 como tipo 2".

"A prática desportiva é comum nos benefícios que tem para qualquer pessoa, mas para o diabético ainda mais, porque vai ajudar em toda a dinâmica fisiológica, e costumamos dizer entre diabéticos que o desporto é uma insulina para nós", sublinhou.

A presidente da Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes salienta que está "comprovado cientificamente que o desporto é um grande aliado na terapêutica da diabetes".

"Começa agora a ser implementada cada vez mais pelas equipas que orientam o tratamento da diabetes, a componente desportiva como auxiliar terapêutico", adiantou.

Esta organização apresentou sábado, em Penacova, no distrito de Coimbra, a equipa que vai representar Portugal no encontro desportivo em Itália "Corredores Diabéticos e Ciclistas para mais Desporto para Todos na Europa", de 29 de agosto a 03 de setembro.

Na apresentação foram conhecidos os nomes dos 20 atletas portugueses, federados e amadores, que vão acompanhar mais 16 países e 3.000 atletas com diabetes neste encontro.

O porta-voz da equipa é o atleta do Belenenses Fernando Santos, que na época 2017/2018 conquistou 14 medalhas regionais e nacionais.

Câmara de Lisboa
A Câmara de Lisboa multou o Hospital da Luz em 17 mil euros por uma alteração na obra de ampliação que começou sem...

Fonte oficial da autarquia explicou que a obra de ampliação estava licenciada, mas que o hospital deu “entrada com uma alteração para a parte de cima do projeto” e começou essa construção sem licenciamento.

Assim, o Hospital da Luz, em Lisboa, teve que pagar uma coima de 17 mil euros, “acrescida de custas no montante de 51 euros”, multa essa que foi liquidada em 08 de junho, de acordo com o documento.

“A obra relativa ao Lote 40 encontra-se embargada (embargo parcial), sendo que, nos termos do artigo 104.º do RJUE (Regime Jurídico de Urbanização e Edificação), a ordem de embargo caduca logo que seja proferida uma decisão que defina a situação jurídica da obra com caráter definitivo”, dá conta o texto.

O documento, que visa “aprovar o projeto de arquitetura para alteração, durante a execução da obra, do edifício do Hospital da Luz”, foi aprovado com os votos favoráveis do PS, PSD, abstenção do CDS, e votos contra do BE e do PCP, disseram  fontes oficiais do município.

Para o vereador do BE Ricardo Robles (que firmou um acordo de governação da cidade com PS após as últimas eleições autárquicas), “aquela obra já deu muitos sinais que tem vários abusos do ponto de vista urbanístico”.

“Começou muito mal com a alienação do terreno onde estava o quartel de bombeiros. Não podemos beneficiar um promotor que avançou com uma obra que não tinha autorização para fazer”, acrescentou.

Partilhando da mesma opinião, Ana Jara, do PCP, criticou que um quartel de bombeiros “sofisticado” tenha sido “demolido para dar lugar ao alargamento de uma unidade privada de saúde”.

Na reunião privada do executivo, que se realizou na manhã de sexta-feira, foi também aprovada uma proposta que visa a construção de um hotel e de uma galeria comercial no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

Segundo fontes municipais, o documento mereceu os votos a favor do PS e PSD, a abstenção do CDS e do BE e os votos contra do PCP.

Em declarações, o vereador bloquista, Ricardo Robles, afirmou que “apesar de estarem respeitadas as características urbanísticas na intervenção”, tem “algumas reservas, em particular na disponibilidade para usufruto público de algumas das zonas que vão ter agora intervenção, nomeadamente na zona do hotel”.

Já a vereadora comunista Ana Jara, argumentou que o partido não acha “interessante mais um hotel para a cidade em geral” e que era preferível “uma expansão do projeto cultural do CCB”, já que “não há carência” de hotéis na capital.

Em Óbidos
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária vai manter visitas de controlo ao aviário responsável pela praga de moscas em...

“Enquanto existirem evidências de infestação no local, são mantidas as visitas de controlo”, divulgou na semana passada a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), esclarecendo que aquele organismo tem feito “acompanhamento estreito” da Sociedade Avícola da Avarela, identificada como “agente causador” das pragas de moscas no concelho de Óbidos.

Num comunicado, a DGAV esclareceu que, em conjunto com a Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo (DRAPLVT) e a Câmara Municipal de Óbidos, têm sido tomadas “medidas em conjunto” no sentido de solucionar os surtos de moscas.

A exploração, um aviário de perus, “tem implementado um Plano de Controlo de Moscas (PCM), utilizando produtos de combate a pragas de moscas no interior e exterior dos pavilhões”, mas, segundo a DGAV, numa visita efetuada à empresa no dia 19 de junho, “verificou-se a não aplicação de medidas corretas em função do grau de infestação”.

Em consequência, as referidas entidades determinaram, entre outras medidas, “a retirada de camas dos pavilhões, sujeitas a tratamento prévio com larvicida e adulticida, com notificação à DRAPLVT com 48 horas de antecedência”.

Posteriormente, no dia 03 de julho, após nova deslocação ao local, foi determinada “a desinfestação eficaz” das camas de aves de todos os pavilhões no prazo de uma semana “e a suspensão do exercício do Plano de Gestão de Efluentes (PGEP) aprovado pela DRAPLVT, “com interdição imediata de encaminhamento de efluentes para valorização agrícola”.

Foi ainda determinado o condicionamento do encaminhamento de efluentes e camas de aves, bem como da movimentação de animais vivos, “a autorização expressa caso a caso pela DRAPLVT, em articulação com a DGAV”.

A empresa ficou ainda obrigada à “implementação de um sistema de controlo eficaz e credível no prazo de uma semana” e à implementação imediata de todas as ações de controlo do plano de pragas.

Além destas medidas, o aviário vai ser obrigado a encerrar cinco pavilhões ilegais e fica impedido de receber novas aves até exterminar as larvas existentes na exploração.

Estas últimas medidas foram determinadas numa reunião entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT), a DRAPLVT, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Secretaria de Estado do Ambiente e a Câmara de Óbidos, realizada no dia 17 de julho.

As mesmas entidades determinaram ainda a obrigatoriedade de, nos pavilhões licenciados, haver um vazio sanitário entre as mudanças de bandos de aves num período de quatro semanas e que os efluentes da exploração sejam encaminhados para central própria.

A praga de moscas, que se repete desde 2007, levou a secretaria de Estado do Ambiente a solicitar a DRAPLVT a “tomada de medidas imediatas” para resolver o problema, do qual considerou o aviário de perus da Sociedade Avícola da Avarela, Lda. “causador inequívoco”.

Investigadora
A prática de exercício físico ajuda a prevenir e a tratar a Síndrome de Fígado Gordo Não-Alcoólico, disse a investigadora...

O projeto interdisciplinar, financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Erasmus+, e pela União Europeia pelo fundo Marie Sklodowska-Curie do Horizonte, marca presença nos Jogos Europeus Universitários, que decorrem até 28 de julho, no Estádio Universitário de Coimbra, com várias atividades, de um ‘pedal bar’ passando por um inquérito sobre atividade física e uma banda desenhada sobre a doença de Fígado Gordo Não-Alcoólico (FiGNA).

O projeto foca-se sobretudo na “pesquisa biométrica sobre esta doença metabólica, um tópico quente pela incidência e prevalência, à volta de 25% da população europeia e mundial”, um número que poderá ser “um pouco mais alto” em Portugal.

A síndrome apresenta ainda uma ligação a obesidade, com “90% de incidência”, e a diabetes tipo 2, com “70% de prevalência”, e caracteriza-se por uma acumulação de gordura devido a hábitos alimentares e de vida mais sedentários.

“É muito preocupante. A gordura acumula-se no tecido adiposo e acaba depois por afetar os órgãos internos”, atirou.

Assim, um total de 13 investigadores trabalham na rede sobre a doença, que segundo as estimativas afeta uma em cada quatro pessoas, sendo que Mireia trabalha especificamente na área da comunicação das informações recolhidas.

“O que estou a tentar fazer é simplificar toda a informação para que chegue ao público, não daqui a 20 anos, quando já está tudo claro, mas já, para que as pessoas possam fazer o possível para o evitar, nomeadamente com exercício físico e hábitos alimentares”, explicou.

Vários fatores psicossociais contribuem para a prevalência de uma doença “difícil de diagnosticar” antes de começar a afetar o fígado, entre elas a condição económica, uma vez que “quem tem um ‘status’ económico mais baixo tem taxas mais altas de incidência”, mas também a cultura de pares e de cada país.

O desporto tem, assim, um papel fundamental, por atrair “muita atenção e por toda a gente amar desporto”, e o facto de “mover muitas pessoas é muito interessante”.

“Criámos um plano em cooperação com os Jogos Europeus Universitários em que pudéssemos ter a maior abrangência possível. Não só chegar aos atletas, que já praticam exercício, mas também a pessoas da cidade e visitantes que não sejam tão ativas”, afirmou.

O trabalho, que decorre no CNC sob a supervisão do presidente, João Ramalho Santos, além de Anabela Marisa Azul, incide também na criação de bandas desenhadas sobre os temas, para facilitar o acesso a informação.

Além de uma BD e de um inquérito sobre atividade física e os benefícios para a saúde, a equipa criou “crónicas no Diário de Coimbra”, além de vários vídeos e um ‘flyer’ informativo.

O objetivo é que os atletas sejam “embaixadores” e possam “fazer refletir parte de Coimbra e quem vem desfrutar do desporto sobre a própria atividade física”.

A estudante, de 26 anos, formou-se em Ciências Biomédicas na Universidade de Barcelona, antes de concluir um mestrado em Neurociências na Universidade de Maastricht, na Holanda, antes de se mudar para o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) para um doutoramento em Comunicação de Ciência.

Segundo a investigadora, as parcerias multidisciplinares, como a que foi criada dentro da rede Foie Gras, são “sempre úteis, porque a academia, como o desporto, fica muito fechada em si”, e os dois meios podem juntar-se para reduzir “o fosso de conhecimento entre a academia e a sociedade”, com os agentes desportivos a agirem como intermediários.

“Também somos parte da herança que os Jogos Universitários vão trazer a Coimbra, e acho que é mutuamente benéfico”, completou.

A quarta edição dos Jogos Europeus Universitários decorre até 28 de julho e traz 13 desportos diferentes a Coimbra, com a participação de cerca de 4.500 atletas – a sua maioria campeões nacionais universitários nas 13 modalidades em competição, entre eles cerca de 450 portugueses -, de 295 universidades de 40 países.

O que são?
Algumas das zoonoses mais comuns são a Febre escaro-nodular, vulgarmente conhecida como Febre da Car
Criança e cão para ilustrar as zoonoses

O que são zoonoses?

São infeções adquiridas em contato com animais de estimação, como cão ou o gato, e ainda pela ingestão de carne contaminada de animais como a vaca ou o porco. Outras doenças podem ser contraídas através do contato não desejado com ratos, moscas e baratas, principalmente através da ingestão de água ou alimentos contaminados. Em suma, precisam sempre de um hospedeiro humano na sua cadeia de sobrevivência.

A Febre da carraça ou Febre escaro-nodular

A febre escaro-nodular é uma zoonose, benigna, com maior incidência nos meses mais quentes (abril a setembro). É uma doença infeciosa causada por uma bactéria – rickéttsia conorri que infeta o ser humano após picada de uma carraça. A doença caracteriza-se por febre moderada ou alta, dores nos músculos e de cabeça, náuseas, vómitos e perda de apetite.

Apesar de poder atingir todos os grupos etários, os grupos mais afetados são as crianças entre 1 e 14 anos, seguidos do grupo etário entre os 55 e os 64 anos, segundo as estatísticas, pois esta é uma doença de declaração obrigatória.1

A febre escaro-nodular tem um período de in­cubação média de 3 a 7 dias e necessita de tratamento com antibiótico, prescrito pelo médico. Na fase inicial da doença surgem sintomas como dores de cabeça, sensibilidade à luz, dores articulares, cansaço generalizado, vómitos e diarreia. Após 3 dias, surge febre elevada, acompanhada de manchas e pápulas/nódulos na pele (exantema maculo-papular), que não causa comichão (prurido) e que se pode disseminar por todo o corpo, sendo mais frequentes nas palmas das mãos e plantas dos pés. Segue-se o período de convalescença, caracterizado por ausência de febre e melhoria gradual do cansaço, com uma duração de 2 a 3 semanas.

A tríade clássica diagnóstica é caracterizada por febre, exantema e a ferida da picada que originou o contágio (escara de inoculação). O achado característico por excelência é o da escara de ino­culação mas é também o que mais frequentemente está ausente. Deve ser atentamente pesquisada, por se encontrar quase sempre em zonas escondidas da pele: virilhas (pregas inguinais), orelhas e nas pregas debaixo da mama (regiões inframamárias).

Como se previne a picada da carraça?

A doença é transmitida ao homem através da picada de uma carraça infetada com a bactéria – rickétsia.

Se tem cães ou outros animais domésticos, deve sempre inspecioná-los para verificar se têm carraças e também colocar-lhes coleiras com repelente, apropriadas para o efeito ou fazer a sua prevenção com a aplicação dos produtos adequados.

Outro cuidado importante a ter é com as zonas de vegetação de baixa ou média altura são as áreas de maior risco de ser picado por uma carraça. Assim, se for para o campo:
- Evite áreas infestadas de carraças;
- Use roupa de cores claras, cobrindo os braços e as pernas, colocando se possível, as calças dentro das botas ou meias;
- Inspecione o corpo e as roupas e retire com cuidado e sem esmagar qualquer carraça encontrada;
- Especial atenção deve ser dada à cabeça, pregas da pele, em especial junto dos genitais e pescoço das crianças.

Como reagir se for picado por uma carraça?

O verão é a época em que surgem mais casos pelo que, sempre que andar em áreas onde possa haver carraças, faça uma inspeção do corpo, para ver se não ficou com alguma agarrada.

Se encontrar alguma agarrada à pele, proteja as suas mãos com um papel ou com luvas para não entrar em contacto direto com a carraça e use uma pinça para retirá-la:
- Pegue na carraça com a pinça, bem perto da pele, com cuidado;
- Puxe devagar, até que todo o corpo da carraça saia, não o torcendo, para evitar que fique algum fragmento da carraça na pele;
- Lave as mãos com água e sabão;
- Limpe a picada da carraça com um líquido desinfetante ou com água e sabão;

Após a picada de uma carraça, se surgir febre, dores musculares e de cabeça, náuseas, vómitos e perda de apetite, entre 2 a 14 dias deve de imediato recorrer ao médico.

Leptospirose

Leptospirose também é uma zoonose, geralmente benigna, com maior incidência no período de verão ao outono. É uma doença infeciosa causada por uma bactéria – leptospira, transmitida por água ou alimentos infetados com urina de ratos ou outros roedores. A doença caracteriza-se por formas em que as manifestações clinicas não são muito evidentes, mais ligeiras, até formas graves, podendo mesmo levar à morte.

Tem maior incidência, segundo as estatísticas, no grupo etário entre os 45 e os 54 anos. Esta é, igualmente, uma doença de declaração obrigatória.

A Leptospirose tem um período de incubação que dura em média 10 dias, podendo no entanto variar entre 2 a 26 dias. Necessita de tratamento com antibiótico, prescrito pelo médico e, em casos mais graves da doença, de internamento hospitalar. Na fase inicial da doença surge febre elevada, dores de cabeça e musculares, vómitos, diarreia, manchas e pápulas na pele (exantema maculo-papular), tosse e dor no peito.

Como se previne a leptospirose?

Os principais reservatórios da leptospira são os roedores (ratos e ratazanas). No entanto, outras espécies de mamíferos podem ser infetados, como os cães, porcos, bovinos, ovinos. O animal infetado elimina as leptospiras pela urina ao longo da sua vida. O Homem é infetado através do contato direto com os animais (mordedura) ou indiretamente através do contato com a pele e mucosas com o solo, água ou vegetação contaminados com urina. Dificilmente existe transmissão de uma pessoa para outra.

Muitas vezes a leptospirose aparece associada a prática de atividades de lazer (pescadores ou banhistas) ou a certas profissões, como é o caso dos trabalhadores em minas, esgotos ou na agricultura.

A exposição também pode ocorrer por penetração das leptospiras através de pequenas feridas da pele. Tem-se verificado nos últimos anos uma tendência para o aumento da transmissão em contexto recreativo e não tanto laboral.

Assim, para evitar a transmissão da doença:
- Evite o contato com água ou lama que possam estar contaminados pela urina de rato. Pessoas que trabalham na limpeza de entulhos, desentupimento de esgotos ou mesmo na agricultura, devem usar botas e luvas de borracha.
- Use água tratada para beber, lavar alimentos e hortaliças.
- Mantenha alimentos fora do alcance dos animais.
- Além do rato, o cão, o gato e animais silvestres podem causar a doença, pelo que a vacinação dos animais domésticos é indicada, devendo ser feitos reforços periódicos.

Se tiver algum sintoma de leptospirose, ou alguma dúvida sobre o assunto, vá até a unidade de saúde mais próxima. A leptospirose tem cura. Basta ser tratada a tempo.

1As doenças infeciosas podem constituir um perigo para a comunidade. Por isso, o médico, quando tem conhecimento da ocorrência de uma dessas doenças, designadas por doenças de declaração obrigatória, deve preencher o Boletim de Declaração Obrigatória. O objetivo é diminuir o risco de contágio dessas doenças.

Bibliografia
SPEIDEL, A., et al. Leptospirose: casuística do Serviço de Infecciologia do Centro Hospitalar de Coimbra 1990-2007. 2008.
LOURO, Emília, et al. Febre escaro-nodular: uma zoonose benigna?. 2006.
DIREÇÃO-GERAL DA SAÚDE. Doenças de Declaração Obrigatória 2009-2012. Vol.1 Lisboa. 2013.

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Estudo
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados exprimiu preocupação pelos elevados níveis de anemia e problemas de...

O comunicado daquela agência da ONU analisa os progressos feitos até ao momento e destaca algumas tendências, com base nos indicadores do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em relação à saúde pública, reprodutiva, nutricional, alimentar e também em matéria de água e higiene, num total de 37 operações.

Segundo os resultados do estudo, detetaram-se níveis críticos de anemia infantil em mais de 50% dos assentamentos em 2017, enquanto que apenas 3% cumpriam os padrões estabelecidos, com uma prevalência menor de 20%.

Em relação aos problemas de crescimento resultantes de malnutrição, o ACNUR descobriu que apenas 25% dos locais atingiram níveis aceitáveis de atraso de crescimento em menores de cinco anos, reportando que a importante presença de malnutrição se deve à redução de rações alimentares e serviços básico nas operações, resultado da falta de financiamento.

Cerca de 60% dos assentamentos estudados cumpriram os padrões internacionais de malnutrição aguda, uma pequena melhoria em relação a 2016.

O ACNUR também destacou que a taxa de mortalidade infantil, um importante indicador do impacto da saúde em situações de emergência, se manteve globalmente estável com uma média de 0,4 mortos em cada 1.000 crianças refugiadas, por mês, confirmando a tendência de descida observada desde 2011.

Em matéria de saúde reprodutiva, registaram-se melhorias, uma vez que nove em 10 partos, em mais de 83% das operações estudadas, foram realizados por um trabalhador médico especializado, uma melhoria de 26% em relação a 2016.

Além disso, cerca de 500.000 mulheres refugiadas grávidas receberam acompanhamento pré-natal em 135 assentamentos em 21 operações analisadas.

Em 2017 realizaram-se mais de oito milhões de consultas em centros médicos, um aumento de 10% em respeito ao ano passado, sendo que nove em 10 refugiados atendidos sofriam de doenças transmissíveis, o que segundo o ACNUR demonstra a importância do investimento em serviços de prevenção.

A agência destaca também que conseguiu manter o volume de água fornecido aos refugiados nos 21 litros por pessoa e dia, superando os padrões mínimos de 20 litros por dia, assumindo no entanto que o padrão máximo de 20 pessoas por cada sanita ainda não foi superado, apesar das melhorias.

O ACNUR concluiu que apesar de terem sido alcançados valores recorde em relação ao número de deslocados e refugiados, continuam bem encaminhados os serviços médicos destinados ao tratamento.

Direção-Geral da Saúde
A Direção-Geral da Saúde assinou hoje um protocolo com noves empresas de transportes públicos de Lisboa e do Porto, para...

“Estamos no caminho de perseguir aquilo que é o plano da saúde para 2020”, afirmou Diogo Cruz, durante a assinatura do acordo, que decorreu no Museu da Carris, em Lisboa, e contou com a presença dos secretários de Estado adjuntos da Saúde e do Ambiente.

O subdiretor-geral da Saúde vincou que “a prevenção é a forma mais eficaz” de combater doenças, considerando, por isso, que para “levar a bom porto esta mudança, a literacia de saúde é um ponto-chave”.

O protocolo prevê a divulgação de, pelo menos, duas campanhas por ano nas empresas de transporte Carris, Metropolitano de Lisboa, Transtejo, Transportes Sul do Tejo (TST), Fertagus, Rodoviária de Lisboa, Vimeca, SCTP e Metro do Porto, que, juntas, transportam mais de um milhão de pessoas diariamente, indicaram.

As campanhas vão incidir sobretudo “na promoção da alimentação saudável, exercício físico e controlo de tabagismo”, referiu Diogo Cruz.

“Temos de sair das nossas portas e chegar à população”, vincou, elencando que este protocolo vai ajudar a “tomar decisões na adoção e manutenção de um estilo de vida mais saudável”.

“Vamos dar um pequeno passo para que se possa ter um Portugal mais saudável”, rematou.

Em consonância com Diogo Cruz, o secretário de Estado adjunto da Saúde, Fernando Araújo, destacou, durante a cerimónia, a importância da “literacia da saúde”.

“Os portugueses fazem escolhas menos saudáveis por falta de informação robusta e credível”, vincou, referindo que as campanhas visam “combater desigualdades na saúde”.

Fernando Araújo acrescentou que a “grande batalha” é a “prevenção da doença e a promoção da saúde”, elencando que estas campanhas não têm “efeitos imediatos”, mas “vão ter daqui a cinco ou dez anos”.

O governante lembrou também os protocolos estabelecidos com quatro estações televisivas e com uma cadeia de cinemas, acrescentando que, no último caso, a sensibilização esteve disponível em “30 mil sessões” de cinema.

O secretário de Estado adjunto do Ambiente, José Mendes, disse que “quer a saúde, quer a mobilidade são bens de primeira necessidade” e que a prevenção “é um exercício no qual os protagonistas são os cidadãos”.

“Estamos todos no mesmo barco, no mesmo autocarro, no mesmo comboio”, finalizou.

Escola Superior de Biotecnologia
A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa no Porto está a participar num projeto europeu que visa...

"Todos os anos são detetados cerca de 23 milhões de novos casos de doenças relacionadas com infeções alimentares e registadas cerca de 500 mortes por alergia, contração de bactérias, parasitas ou toxinas", informou a Escola Superior de Biotecnologia (ESB).

Em Portugal, tal como nos outros países europeus, os agentes responsáveis pelo maior número de toxi-infeções alimentares são a 'Campylobacter' e a 'Salmonella', tendo sido registados, em 2016, 366 e 376 casos, respetivamente, de acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA).

"Apesar do menor número de casos de listeriose [infeção causada pela bactéria 'Listeria monocytogenes'] registados (31), a percentagem de hospitalizações para esta infeção foi de 100%, registando-se, ainda, sete mortes", disse à agência Lusa a investigadora da ESB Paula Teixeira.

Segundo a ESB, as mudanças e reformulações dos padrões de alimentação, a par das alterações das regras de segurança e higiene da indústria, "são cada vez mais rápidas, o que causa uma certa insegurança na população mundial, nomeadamente sobre o que será uma alimentação correta e segura".

Através do projeto SafeConsumE pretende-se desenvolver "estratégias eficazes, sustentáveis e cientificamente validadas", que permitam às autoridades alimentares, à indústria e à comunidade científica ajudar os consumidores na Europa.

Esta iniciativa recebeu, a nível nacional, um financiamento de cerca de 10 milhões de euros, por parte do Horizonte 2020 - programa de investigação e inovação da União Europeia -, que irá permitir à ESB criar ferramentas, tecnologias e produtos.

Dentro dessas tecnologias figuram termómetros de cozinha "mais fáceis de utilizar", equipamentos "mais fáceis de limpar", cozinhas projetadas de forma a minimizar os riscos de contaminação cruzada, produtos de higiene alternativos e materiais educativos, dependendo das necessidades identificadas.

Serão também criadas estratégias de comunicação, programas de educação e modelos políticos "mais dinâmicos, inclusivos e sustentáveis", com vista a garantir a segurança alimentar europeia.

O comportamento do consumidor, avançou Paula Teixeira, é definido como "as ações que afetam o risco de infeção veiculada por alimentos em todas as fases, tanto na escolha ou compra, como no armazenamento e na preparação dos alimentos".

Atualmente, continuou, as estratégias existentes para a mitigação de riscos através de alterações do comportamento do consumidor parecem não estar a ter a eficácia pretendida.

Segundo a especialista, muitos dos casos de toxi-infeção alimentar ocorrem em casa e na sequência de um pequeno número de práticas erradas, mas que, no entanto, essas práticas não decorrem, maioritariamente, da falta de conhecimento.

"Perceber quais são, realmente, as barreiras à adoção de comportamentos seguros permitirá definir as melhores estratégias de comunicação de risco, que irão traduzir-se em alterações de comportamentos e, consequentemente, na diminuição do impacto do problema de saúde pública grave que as toxi-infeções alimentares representam", salientou.

Paula Teixeira defende que a implementação de boas práticas na preparação e na conservação de alimentos contribuirá igualmente para a redução do desperdício alimentar em ambiente doméstico, que tem um efeito ambiental negativo, principalmente ao nível da energia, da água e das matérias-primas.

"As estimativas mais recentes revelam que 70% do desperdício de alimentos ocorre ao nível familiar e está, frequentemente, relacionado com considerações de segurança alimentar. Será seguro consumir determinado alimento? Em caso de dúvida, o consumidor opta por deitar o produto fora", contou.

No SafeConsumE, coordenado pelo NOFIMA (Noruega), participam parceiros de 14 países europeus, destacando-se, a nível nacional, a ESB, o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o Ministério da Educação e o Instituto de Ciências e Tecnologias Agrárias e Agroalimentares da Universidade do Porto (ICETA).

 

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