O que levou à demissão
Os responsáveis clínicos do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNGE), que apresentaram a sua demissão, falam...

Em conferência de imprensa, em que esteve presente o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, o diretor clínico demissionário explicou que a sua “grande angústia” é ter um hospital “parcialmente destruído”, com uma estrutura antiga, com mau funcionamento e com falta de instalações e espaços adequados para acolher e tratar os doentes.

A título de exemplo, José Pedro Moreira da Silva avançou que o serviço de urologia tem uma enfermaria com 16 camas onde a única casa de banho fica fora deste local, a ortopedia tem 22 camas para uma casa de banho e a cirurgia para homens tem 34 camas para apenas uma casa de banho.

Além desta questão, o diretor demissionário contou que o hospital anda “sempre atrapalhado” com pedidos de compras e materiais porque o financiamento é baixo.

A falta de pessoal, não só de médicos, mas de enfermagem e auxiliares é outro dos problemas apontados pelo profissional, dizendo que a medicina interna funciona com duas auxiliares para 20 camas, o que é “manifestamente pouco”.

“Assim, é impossível trabalhar, não dava mais”, vincou.

Assinalando também uma “carência e degradação” na sua unidade, o diretor de cirurgia geral, Jorge Maciel, considerou que é “hora de levantar a voz” porque “não dá mais” para trabalhar nas atuais condições.

O clínico revelou que existem buracos no chão, há humidade nas paredes e que a distância entre camas é insuficiente e não cumpre o estipulado.

Na sua opinião passaram o que era “tolerável e admissível”.

Com queixas idênticas, o diretor de serviço de Imagiologia, Pedro Portugal, assumiu sofrer diariamente com problemas de equipamentos, capital e recursos humanos.

Sendo uma área tecnológica, o profissional de saúde referiu que as máquinas são “importantíssimas”, estando o serviço à espera há imenso tempo de um angiógrafo, compra que nunca se concretizou.

Partilhando dos problemas dos colegas demissionários, o diretor de serviço de Cardiologia, Pedro Braga, denunciou a “sistemática” falta de vagas e capacidade financeira para realizar cirurgias e fazer face ao aumento do número de doentes e à complexidade das doenças.

“Temos uma lista de espera grave e que nos sistematicamente adiamos por falta de verbas e por falta de camas e a administração sabe disso”, concluiu.

Cólera
As autoridades sanitárias francesas levantaram a quarentena declarada num avião com 147 passageiros procedente de Orão (Argélia...

O passageiro, um rapaz, foi transportado para um hospital próximo para ser submetido a mais exames, enquanto os restantes passageiros puderam sair do isolamento, indicaram fontes aeroportuárias citadas pela agência noticiosa Efe.

O voo da companhia francesa ASL Airlines aterrou como estava previsto na cidade de Perpignan, no sudeste de França, próxima da fronteira com Espanha, mas os seus ocupantes não foram autorizados a abandonar o aparelho perante a ameaça de cólera.

Depois de analisar a situação, os bombeiros permitiram o desembarque dos passageiros, após procederem a uma desinfeção das suas mãos e tomarem nota das respetivas identidades, e levaram o menor ao hospital.

Uma epidemia de cólera declarou-se na Argélia em princípios de agosto, com 74 casos detetados e dois mortos até à data.

França introduziu medidas de vigilância nos aeroportos, ao mesmo tempo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros pediu prudência aos viajantes que se desloquem a esse país.

 

 

Hospital de Gaia
O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, adianta que demissões como as do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia...

“Hoje estão aqui com os médicos de Gaia, mas podiam estar aqui com os médicos de outro grande hospital do Norte do país. Se calhar vão estar dentro de pouco tempo, dentro de menos tempo do que estão a pensar. Pode ser Norte, Centro ou Sul”, referiu em conferência de imprensa, no Porto, aquando do anúncio da demissão do diretor clínico e dos 51 diretores e chefes de serviço do CHVNGE.

Dizendo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “não está a viver uma situação fácil”, o bastonário desafiou o primeiro-ministro, António Costa, e os deputados na Assembleia da República a “valorizarem mais a saúde”.

“Estamos na altura em que vai ser discutido o Orçamento de Estado para o próximo ano, por isso, é importante que quem lidera o nosso país comece a valorizar mais a saúde dos portugueses”, frisou.

Miguel Guimarães recordou que é de “saúde que se trata” e que é “imperativo” que os doentes tenham acesso a melhores cuidados de saúde e que os clínicos tenham condições adequadas para trabalhar com segurança.

“É importante os clínicos não estarem numa situação em que querem ajudar, mas não conseguem porque as listas de espera são demasiado elevadas, tal como já acontece na área de oncologia em Gaia, por exemplo”, vincou.

 

SPMI alerta
49% dos portugueses apresentam níveis limitados de literacia em saúde. Diagnóstico e terapêutica poderão estar em risco, alerta...

Segundo um estudo da Fundação Calouste Gulbenkien sobre Literacia em Saúde, 38% da população portuguesa apresenta um nível “problemático” e 11% “inadequado” no que respeita a este tema. Entre os grupos com menor conhecimento em saúde estão os idosos, indivíduos com baixos rendimentos e baixos níveis de escolaridade, doentes crónicos ou com doença prolongada e ainda grandes usuários dos serviços de saúde. Nestes grupos, os níveis de literacia considerados limitados chegam mesmo a ultrapassar os 60%. Para João Araújo Correia, Presidente da SPMI, “nada disto é surpreendente e apenas reforça a necessidade de haver um tratamento integrado do Doente Crónico Complexo, com uma grande entreajuda entre a Medicina Interna no Hospital e a Medicina Geral e Familiar no ambulatório. Estes doentes, são idosos, têm de ser vistos com frequência, muitas vezes no domicílio, onde estão sós e com grandes dificuldades de mobilidade.”

A literacia em saúde é fundamental para evitar alguns constrangimentos nos serviços de saúde, especialmente no que respeita às urgências.  Contudo, é preciso que os conhecimentos sejam dados como corretos apenas quando adquiridos nos locais adequados, devendo ser corrigidos pelo médico quando provêm da opinião pública ou de uma pesquisa na internet, que nunca têm em conta a especificidade individual. Caso contrário, o especialista alerta que "coloca-se em causa o diagnóstico e a terapêutica." 

No referido estudo, o recurso a familiares e amigos surge de forma destacada como meio de obtenção de informações de saúde. “Tomar o medicamento que fez bem ao vizinho e acreditar no diagnóstico do familiar conhecedor, foram sempre “travessuras” dos doentes, muitas vezes não confessadas aos médicos” explica João Araújo Correia. O “Dr. Google” é também um meio utilizado pelos doentes para obterem mais esclarecimentos. “A internet é como se fosse uma enorme vizinhança, cheia de opiniões e mitos, com pouca evidência científica” o que para o Presidente da SPMI, pode “constituir um risco, caso o doente se julgue autónomo e suficientemente sabedor, considerando o médico dispensável.”

Como podemos, então, reforçar a relação médico-doente, consolidando a posição dos profissionais de saúde como o meio privilegiado de obtenção de informação em saúde? Para João Araújo Correia, a solução está no tempo que o médico deverá conceder ao doente para que este exponha todas as suas dúvidas. “Cabe ao médico corrigir as anomalias, dando tempo ao doente para expor tudo o que aprendeu na internet e tem como certo, explicando, sem sobranceria, como é a leitura correta da informação obtida” até porque, acredita, “ambos são atores e têm de participar em todas as decisões diagnósticas e terapêuticas.” Mas adverte que “ cada vez é mais reduzido o tempo concedido pelos administradores para a realização das consultas e isso compromete a possibilidade do doente esclarecer todas as suas dúvidas”. O Presidente da SPMI conclui, dizendo que “saber ouvir é absolutamente essencial para a criação da empatia entre o médico e o doente, que gera a confiança e a abertura de espírito, para a obtenção dos melhores resultados em saúde.”

Comunicado
Os diretores e chefes de serviço do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) demitiram-se hoje, anunciou o...

Em março, numa visita à unidade hospitalar para se inteirar dos problemas existentes, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, disse que todos os diretores de serviço do Centro Hospitalar estavam dispostos a demitir-se se "a situação caótica” se mantivesse.

"[Existem] condições caóticas. O Serviço de Urgência parece um cenário de guerra com macas por todo o corredor. Quase é impossível circular (...). Este hospital está a definhar. As prioridades são a melhoria das infraestruturas e dotar o hospital com os recursos humanos necessários", afirmou, na altura, o bastonário, referindo que foi decidido enviar uma carta e solicitar uma reunião "urgente" ao ministro da Saúde.

Miguel Guimarães desafiou os ministros da Saúde e das Finanças a visitarem este hospital para perceberem, disse o responsável, que "doentes e profissionais vivem em condições que não lembram a ninguém".

"Os médicos e a Ordem dos Médicos estão indignados com o que está a acontecer e, na salvaguarda da segurança clínica e da qualidade da medicina que devem existir, todos os diretores de serviço e de departamento estão na disposição de apresentar a sua demissão, se nada for feito", salientou o bastonário.

O responsável descreveu vários cenários encontrados na visita de hoje e relatados pelos profissionais do CHVNG/E, como a existência de uma enfermaria com 36 doentes que tem apoio de "apenas duas casas de banho que não estão inteiramente funcionais", sintetizando: "Há muitos serviços que não estão a funcionar em condições adequadas".

"O Serviço de Urgência é prioritário. Vimos 22 doentes internados em macas quando neste hospital existem 19 camas de internamento que estão fechadas. As condições de trabalho não são dignas. Tem havido cirurgias adiadas. Não há radiologista a partir da meia-noite. Há equipamentos fora do prazo", observou Miguel Guimarães.

Já em resposta a estas críticas, o presidente do conselho de administração do CHVNG/E, António Dias Alves, que tomou posse em abril do ano passado, garantiu que neste hospital se "pratica boa medicina por pessoas que se esforçam" e avançou que vai "ouvir e dialogar com os profissionais".

"Vamos ouvi-los, dialogar e perceber as razões em consonância com a tutela porque pretendemos o melhor para o hospital", referiu António Dias Alves.

Perante a insistência dos jornalistas sobre se está preocupado com a ameaça de demissão dos diretores de serviço, o presidente do conselho de administração respondeu: "Nós estamos todos preocupados e queremos todos o melhor do hospital".

António Dias Alves explicou que o Serviço de Urgência tem um número de atendimentos "muito avultado correspondente a doentes não urgentes". Nessa circunstância, "não é possível fazer um trabalho excelente".

O responsável também descreveu os projetos em curso como a implementação de uma "ideia inovadora de atendimento na Urgência" e revelou que quinta-feira serão abertas as propostas para a fase B de obras de reabilitação e ampliação do hospital, a qual, ficará pronta em nove meses, assegurou.

"A nova urgência geral aumenta a área para o dobro. A urgência pediátrica aumenta para o triplo. Daqui a nove meses fica pronto. Também estão previstos sistemas de gestão e equipamentos ao nível do melhor que há (...). Os diretores de serviço foram envolvidos no desenho desta estratégia", disse o presidente, acrescentando ter expectativa de que o ministro da saúde visite brevemente o hospital para "dar muito boas notícias a Gaia".

Estudo
Vitaminas B reduzem para mais de metade os sintomas da Neuropatia. Doentes revelam alívio dos sintomas de dor lancinante, ardor...

Resultado de um novo estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina, Universitas Indonesia Cipto Mangunkusumo, em Jakarta, na Indonésia. O estudo publicado no Asian Journal of Medical Sciencesrevelou que a combinação de três vitaminas B neurotróficas aliviam os sintomas em doentes com Neuropatia Periférica (NP), distúrbio que afeta os nervos.

A redução dos sintomas foi estatisticamente significativa durante e após o estudo, tendo-se registado um alívio total dos sintomas de 63%, o que representa uma melhoria significativa para a qualidade de vida dos doentes. Relativamente a sintomas específicos a melhoria média foi de 65% para dor lancinante (dor que se manifesta por pontadas agudas), 81% para ardor, 61% para perda de sensibilidade (parestesia) e 56% para dormência.

A neuropatia corresponde a um quadro de lesões nos nervos motores, sensoriais e/ou autónomos que afetam diferentes fibras nervosas. A neuropatia periférica, a mais comum, ocorre quando há lesão no sistema nervoso periférico, como nos nervos dos braços e das pernas. Os sintomas podem ser diversos e incluem sensação de picadas, formigueiro, dormência, perda de sensibilidade dolorosa ou térmica, ardor e alodinia (sensação dolorosa causada por estímulo normalmente não doloroso). As causas comuns de NP podem ser genéticas, doenças crónicas como a diabetes, deficiências nutricionais ou até efeitos secundários de determinados medicamentos, nomeadamente os utilizados em quimioterapia.

Quando os sintomas são graves ou irreversíveis, a NP pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Atualmente a taxa de prevalência desta patologia é de 8% na população geral, mas a frequência pode ultrapassar os 50% em idosos, diabéticos e alcoólicos. Segundo José Maria Pereira Monteiro, investigador clínico de Neurogenética do I3S da Universidade do Porto «sabe-se que 30% das pessoas podem estar em risco de desenvolver neuropatia com o passar dos anos e 1 em cada 3 pessoas poderá evoluir para um quadro debilitante. Quando diagnosticada precocemente, a neuropatia pode ser revertida ou, pelo menos, controlada. Ainda assim, na maior parte dos casos, a neuropatia é diagnosticada apenas num estado avançado e quando é difícil de tratar. Os danos nos nervos tornam-se irreversíveis quando a perda de fibras nervosas ultrapassa os 50%».

As vitaminas B neurotróficas (B1, B6 e B12) são frequentemente utilizadas na prática clínica no tratamento de NP. No entanto, o nível de evidência das publicações científicas não é elevado, e os estudos com associações fixas geralmente focam-se em doentes com neuropatia diabética. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia e segurança da associação fixa de vitaminas B1, B6, e B12 no tratamento de NP de diferentes etiologias, após 14 dias e ao fim de um período prolongado de tratamento.

O estudo prospetivo envolveu 411 doentes (297 do sexo feminino, 114 do sexo masculino) com NP ligeira a moderada de diferentes etiologias, em 8 centros de estudo na Indonésia.

Dia Internacional das Lesões na Coluna Vertebral assinala-se hoje
Todos os anos, em todo o mundo, mais de 500 mil pessoas sofrem uma lesão na coluna devido a causas e

As lesões na coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física em idade laboral e são uma das principais causas de ausência no trabalho.

Os principais sinais e sintomas de lesão na coluna dependem da gravidade da situação, mas podem incluir dor e rigidez no pescoço, ombros e costas, eventualmente irradiada para os membros, náuseas, cefaleias ou tonturas; alterações da sensibilidade como formigueiros, dormência, diminuição da força nos braços ou pernas; estado de consciência alterado, dificuldades respiratórias e de concentração; perda de controle da bexiga e intestinos.

As lesões da coluna vertebral podem constituir emergências médicas que requerem tratamento imediato para minimizar os danos. Entre as principais consequências de um acidente ou trauma na coluna vertebral encontram-se as deformidades secundárias ao traumatismo, potencialmente dolorosas e incapacitantes e a paralisia.

No âmbito das comemorações do Dia Internacional das Lesões na Coluna Vertebral, em todo o mundo, realizam-se iniciativas de consciencialização, dirigidas à sociedade, para alertar para as consequências negativas deste problema e apelar à sua prevenção, relembrando que algumas complicações das lesões na coluna podem ser evitadas ou minoradas com tratamento adequado. Para mais informações consulte: http://worldsciday.org/

A SPPCV foi fundada em 2003 com o objetivo de promoção, estudo, investigação e divulgação das questões inerentes à problemática da prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias da coluna vertebral. Para mais informações consulte http://sppcv.org/

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson
A farmacêutica portuguesa Bial anunciou hoje estar já disponível no mercado português um novo medicamento para doentes com...

Em declarações à Lusa, o presidente da Bial, António Portela, explicou que este novo medicamento, cujo princípio ativo é a opicapona, “reduz o estado off, que se caracteriza pela lentidão/limitação dos movimentos”.

“Os chamados tempos off são períodos em que o corpo fica rígido e os doentes não se conseguem mexer. O medicamento tem um efeito importante porque reduz em duas horas o tempo off”, sustentou, salientando “a vantagem de ser de toma única diária, o que aumenta a qualidade de vida dos doentes durante o dia, mas também durante o sono”.

O novo medicamento, comercializado com o nome de Ongentys, já está disponível desde 2016 na Alemanha, Inglaterra e Espanha.

Ainda este mês será comercializado em Itália, existindo já acordos com empresas do setor para a sua comercialização nos Estados Unidos da América, Japão, China e Coreia do sul.

“Ainda não submetemos o dossiê regulamentar em nenhum destes países, estamos a prepará-los, mas eu conto que, nos próximos seis a nove meses, os nossos parceiros, quer no Japão quer nos Estados Unidos, possam estar a submeter o dossiê nesses países”, afirmou António Portela.

O novo medicamento para a doença de Parkinson foi aprovado pela Comissão Europeia em junho de 2016, tendo sido introduzido em outubro desse ano na Alemanha e Inglaterra.

“Estes dois países têm processos mais rápidos, ou seja, após a aprovação técnica e científica da Comissão Europeia, o medicamento fica disponível, mesmo com os processos de negociação do preço a da comparticipação a decorrer”, explicou o presidente da Bial.

Referiu que em Portugal o medicamento só é disponibilizado após o processo de negociação estar concluído, o que justifica o atraso de mais de dois anos.

Segundo a Bial, o Ongentys, que resultou de um investimento de cerca de 300 milhões de euros, culmina 11 anos de investigação, “apoiado num vasto e exaustivo programa de desenvolvimento clínico que suportou a aprovação da Comissão Europeia, incluindo 28 estudos de farmacologia humana em mais de 900 pacientes de 30 países”.

Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson e são identificados todos os anos cerca de dois mil novos casos. Portugal é um dos países (a par com Espanha) com maior prevalência de uma mutação genética, considerada a causa mais frequente de doença de Parkinson.

Trata-se do segundo medicamento na área do sistema nervoso central desenvolvido pela Bial, mas a farmacêutica tem algumas moléculas em desenvolvimento. A que está mais avançada, segundo António Portela, é para o tratamento de “uma doença também rara e difícil, a hipertensão pulmonar arterial, mas nunca estará no mercado antes de 2020”.

E o 3º mais seco desde 2000
O mês de agosto em Portugal continental foi o segundo mais quente dos últimos 15 anos e teve o valor médio da temperatura...

O mês de agosto foi classificado como extremamente quente em relação à temperatura do ar e extremamente seco em relação à precipitação, de acordo com o resumo do Boletim Climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) disponível hoje.

“Este foi o segundo mês de agosto mais quente, depois de 2003. O valor médio da temperatura média foi de 24,50 graus Celsius, 2,35 graus acima do normal”, segundo o IPMA.

Já o valor médio da temperatura máxima do ar (32,41 graus Celsius) foi o mais alto desde 1931.

“De referir que os cinco maiores valores da média da temperatura máxima em agosto ocorreram depois de 2000: em 2018, 2003, 2016, 2010 e 2005”, segundo o relatório.

Também o valor da temperatura mínima (16,60 graus Celsius) foi 1,10 graus acima do normal.

Durante o mês de agosto, os valores da temperatura do ar estiveram quase sempre acima do normal exceto nos dias 08, 10, 28 e 29.

Os períodos mais quentes ocorreram entre 01 e 06 de agosto, 18 e 24 e 30 e 31.

O IPMA indica que o período entre 01 e 06 de agosto foi excecionalmente quente, destacando-se a persistência de valores muito altos da temperatura média do ar superiores a 30 graus e da temperatura máxima acima dos 40 (dias 02 a 04) e da mínima (acima dos 20 graus).

O dia 04 de agosto foi o dia mais quente do século XXI em Portugal continental e dos cinco dias mais quentes deste século.

No Boletim é também destacado que foram excedidos os extremos absolutos da temperatura máxima em mais de 40% das estações e em cerca de 30% destas foram ultrapassados os maiores valores da temperatura mínima.

Foi também nos primeiros dias de agosto que ocorreu uma onda de calor que abrangeu quase todo o território do continente, com exceção das regiões do litoral e parte do interior norte.

Os maiores valores da temperatura máxima foram registados em Alvega, no distrito de Santarém, (46,8 graus), Santarém (46,3), Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, (46,2) e Coruche (Santarém) e Alvalade (Beja), com 46,1 graus.

Quanto aos maiores valores da temperatura mínima, foram registados no distrito de Portalegre e Proença-a-Nova, em Castelo Branco, com 30,7 graus, Portalegre cidade, com 30,5 e Castelo Branco e Lisboa com 29,5 e 29,3, respetivamente.

No que diz respeito à precipitação, o IPMA salienta que o mês de agosto foi o 3.º mais seco desde 2000.

FAO
A Agência de Alimentos e Agricultura da Ásia (FAO, na sigla em inglês) reúne-se hoje de emergência em Banguecoque, Tailândia,...

"A região deve estar preparada para a alta probabilidade de que a peste suína africana cruze fronteiras", informou a FAO num comunicado em que se sublinha a necessidade de se adotar "uma resposta regional".

Especialistas de nove países vizinhos da China (Camboja, Japão, Laos, Mongólia, Myanmar, Filipinas, Coreia do Sul, Tailândia e Vietname), incluindo epidemiologistas veterinários, reúnem-se durante três dias para definir um protocolo regional.

"A peste suína africana, nova na Ásia, representa uma ameaça significativa", refere a agência da ONU, cuja sede regional fica em Banguecoque.

Mais de 40 mil porcos foram abatidos na China desde o início da epidemia, no início de agosto, segundo a FAO.

O gigante asiático, maior produtor de carne suína do mundo, está a tentar conter este surto de peste suína africana inédita no país.

Os focos de peste suína africana foram detetados em cinco províncias da China, na sequência de uma exploração em Liaoning (nordeste). Na Ásia, o primeiro surto detetado, em março de 2017, foi numa criação na Rússia, na Sibéria.

A peste suína africana, com casos registados em África, Rússia e em vários países da Europa do Leste, é muito difícil de controlar porque não existe uma vacina eficaz. No entanto, não representa qualquer perigo para a saúde humana.

A doença é transmitida por contacto direto entre porcos infetados, carraças ou animais selvagens e é fatal para os animais afetados, o que inflige perdas económicas significativas nas fazendas.

Cerca de metade da população mundial de suínos é criada na China, o país que mais consome esse tipo de carne per capita, segundo a FAO.

 

IPMA
Quatro distritos do continente e o arquipélago da Madeira apresentam hoje um risco muito elevado de exposição à radiação...

Em risco muito elevado estão os distritos de Setúbal, Évora, Beja e Faro, no continente e o arquipélago da Madeira.

Segundo o IPMA, em risco elevado de exposição à radiação UV estão os distritos Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Santarém, Portalegre e Lisboa, no continente, e as ilhas Terceira e Flores, nos Açores.

Os distritos de Viana do Castelo, no continente, e as ilhas de S. Miguel e Faial, nos Açores, estão com níveis moderados.

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda a utilização de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao Sol.

O índice ultravioleta varia entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O IPMA prevê para hoje nas regiões do Norte e Centro do continente períodos de céu muito nublado, apresentando-se geralmente muito nublado até final da manhã.

Estão também previstos aguaceiros, que poderão ser por vezes fortes e de granizo, em especial no interior e a partir da tarde e ainda condições favoráveis à ocorrência de trovoada, em especial nas regiões do interior.

A previsão aponta ainda vento fraco, soprando temporariamente moderado do quadrante oeste durante a tarde, neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais e pequena descida da temperatura máxima, em especial nas regiões do interior.

Na região Sul prevê-se céu geralmente muito nublado, diminuindo de nebulosidade a partir do meio da tarde, períodos de chuva fraca ou chuvisco até ao final da manhã, vento fraco a moderado do quadrante oeste e neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 12 graus (na Guarda e em Bragança) e os 19 (em Faro) e as máximas entre os 19 graus (na Guarda) e os 28 (Beja, Évora e Santarém).

Na Madeira prevê-se céu muito nublado, possibilidade de ocorrência de aguaceiros fracos nas vertentes norte e zonas montanhosas a partir do final da manhã e vento fraco a moderado do quadrante norte.

No Funchal as temperaturas vão variar entre os 21 e os 26 graus.

O IPMA prevê para as ilhas das Flores e Corvo céu muito nublado, tornando-se encoberto, períodos de chuva a partir do fim do dia e vento fraco, tornando-se bonançoso de sul.

As ilhas Terceira, Graciosa, S. Jorge, Faial e Pico prevê-se céu muito nublado com abertas, possibilidade de aguaceiros e vento sueste fraco a bonançoso.

Para as ilhas de S. Miguel e Santa Maria estão previstos céu muito nublado com abertas, Possibilidade de aguaceiros e vento fraco a bonançoso do quadrante leste.

Em Santa Cruz as temperaturas vão oscilar entre os 19 e os 25 graus, na Hirta e em ponta Delgada entre os 20 e os 26 e em Angra do Heroísmo entre os 20 e os 24 graus.

Dados OMS
Mais de um quarto da população mundial tem níveis insuficientes de atividade física, sendo que em Portugal são mais de 40% os...

Segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), ontem divulgado e que será publicado na revista The Lancet, 43,4% dos portugueses praticam atividade física considerada insuficiente.

Em todo o mundo são 1,4 mil milhões de pessoas que a OMS estima terem níveis insuficientes de prática de atividade física, o que as coloca em maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e alguns tipos de cancro.

O relatório indica ainda que entre 2001 e 2016 a evolução da prática de atividade física registou poucos progressos.

Os países com mais elevadas taxas de insuficiente atividade física em adultos são o Kuwait, a Arábia Saudita e o Iraque, com mais de 50% dos adultos com pouca atividade física.

Portugal atinge mais de 40% de pessoas com insuficiente atividade física, valores mais elevados que os Estados Unidos, o Reino Unido, França ou Espanha.

Em termos europeus, Portugal não surge bem posicionado, com vários países a registarem níveis de insuficiente atividade física abaixo dos portugueses. Espanha, França, Holanda ou Suécia não atingem sequer os 30% de atividade física insuficiente.

Também Itália, Grécia, Polónia, Áustria e Alemanha, por exemplo, exibem melhores indicadores que Portugal.

A percentagem de pessoas com atividade física insuficiente em Portugal é mais elevada nas mulheres, com 48,5%, enquanto nos homens atinge 37,5%.

Este estudo da Organização Mundial da Saúde baseou-se em níveis de atividade física reportados pelas próprias pessoas, num inquérito realizado a adultos em 168 países, englobando 1,9 milhões de participantes.

 

 

 

Doença mata cerca de 1300 pessoas por ano em Portugal
O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia considerou que o futuro centro de investigação e tratamento do cancro...

Luís Tomé reagia à Lusa ao anúncio feito pela presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, de um centro de investigação e tratamento direcionado para o cancro do pâncreas, com abertura prevista para outubro de 2020, num terreno ao lado do edifício da fundação, em Lisboa.

Para a construção da nova unidade, a Fundação Champalimaud recebeu 50 milhões de euros da família dos fundadores da multinacional alimentar Danone.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, o centro representa o "lançar de uma semente" para o "diagnóstico preciso" do cancro do pâncreas e para se "ensaiar novos medicamentos".

Segundo Luís Tomé, o cancro do pâncreas é uma doença que é diagnosticada tarde, porque "não causa sintomas, tem manifestações atípicas" e o tumor "cresce muito sem colidir com outros órgãos".

"É uma doença rebelde aos tratamentos cirúrgicos e médicos", adiantou, assinalando que o doente tem uma esperança de vida curta, morrendo em média ao fim de seis meses após o diagnóstico.

O cancro do pâncreas é responsável pela morte de cerca de 1.300 pessoas em Portugal e mais de 330 mil no mundo por ano.

A incidência da doença tem vindo a aumentar, surgindo todos os anos perto de 280 mil novos casos a nível mundial.

Atualmente, o cancro do pâncreas é a quinta causa mais frequente de morte por cancro, prevendo alguns especialistas que passe a ser a quarta causa dentro de cerca de uma década.

A Fundação Champalimaud já tem um centro clínico e de investigação (Centro Clínico Champalimaud) direcionado para os cancros com maior incidência, incluindo os digestivos como o pâncreas.

 

Valor de bilheteira reverterá a favor do IPO
Ajudar crianças com cancro foi a missão abraçada pelo realizador de cinema Paco Arango há 17 anos, quando entrou como...

Paco Arango queria dedicar parte do seu tempo a um projeto de voluntariado para devolver a sorte que teve na vida e, por sugestão de um amigo, começou a fazer voluntariado com crianças com cancro num hospital pediátrico em Espanha em 2001. “Entrei pela porta e nunca mais saí”, contou hoje aos jornalistas durante uma visita ao serviço de pediatria do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Em 2005, criou a Fundação Aladina para melhorar as condições de crianças e adolescentes com cancro e apoiar suas famílias e, em 2001, estreou-se como realizador de cinema com o filme “Maktub” e destinou o primeiro meio milhão de euros das receitas para a melhoria do hospital pediátrico oncológico Menino Jesus em Espanha.

Desde então nunca mais parou. Hoje está em Portugal para apresentar o filme solidário “O que de verdade importa”, cujas receitas vão reverter na totalidade revertendo para o IPO de Lisboa para apoiar as obras já em curso da nova Unidade de Transplante de Medula, orçadas num milhão de euros.

Durante a visita ao IPO, Paco Arango falou com algumas crianças internadas a quem arrancou sorrisos com alguns truques de magia e a quem deu palavras de ânimo, coragem e alegria e falou do filme que já ajudou milhares de vítimas de cancro nos vários países onde foi exibido.

“O IPO Lisboa é um hospital onde se está muito bem e com o filme ‘O que de verdade importa’, que estreia no dia 13 de setembro em Portugal, nunca foi tão fácil ajudar”, disse o realizador, sublinhando que um hospital está “cheio de problemas”, mas também cheio de amor. “É um sítio incrivelmente feliz”.

O realizador, nascido no México, mas a viver há muitos anos em Espanha, explicou que “todo o dinheiro do filme vai para uma criança portuguesa com cancro” e que essa é a razão porque está em Portugal.

“A vida é um presente e há que retribuir. Todos temos a responsabilidade de tentar deixar este mundo um bocadinho melhor do que o encontrámos e é isso que eu faço com o meu filme”, que narra uma história que celebra a vida numa mistura de comédia, dramatismo e realismo mágico.

O filme já foi exibido na Costa Rica, Brasil, Espanha, México, Colômbia, El Salvador, Panamá, Guatemala, Peru e Chile, onde foi visto por mais de 3,5 milhões de pessoas, tendo angariado no total quatro milhões de euros que foram doados pelo realizador a centros de oncologia.

“Agora, graças ao grupo de comunicações e entretenimento NOS chega Portugal, porque as crianças portuguesas são tão importantes como qualquer outra. Não há nacionalidades quando se fala de crianças com cancro, frisou.

Paco Arango disse compreender que para muitos portugueses “ver uma criança com cancro é muito doloroso”, preferindo não ver. “Mas têm que ver, porque junto podemos fazer muito bem e eu venho explicar isto”.

Em declarações à agência Lusa o fundador e diretor da Unidade de Transplante de Medula, Manuel Abecasis, salientou a importância deste contributo para o novo centro de transplante de medula.

“Esta ajuda é muitíssimo bem-vinda, porque temos garantidas verbas para a construção física do espaço, mas não temos ainda garantidas verbas para todo o equipamento necessário para pôr o serviço a funcionar regularmente”, disse Manuel Abecasis.

Por isso, salientou o médico, “este contributo vai ser de enorme importância para conseguirmos atingir esse objetivo”.

Para Manuel Abecasis, exemplos como este de ajuda são como “a semente boa caída na terra que deve fortificar” e que devem ser seguidos por muita gente. “No nosso país seguramente que haverá outras fundações e mecenas que sensibilizados para esta causa podem vir a ajudar de uma forma significativa”, salientou.

Contratações
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, estima que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) possa ter um “número satisfatório...

“É um caminho que tem que ser reforçado e nós estamos a fazê-lo. Temos a expectativa (…) que podemos atingir um número de profissionais satisfatórios entre dois a três anos”, disse à agência Lusa o ministro da Saúde, que participou, em Lisboa, na sessão comemorativa do Dia Nacional do Psicólogo, que se assinalou pela primeira vez ontem.

Adalberto Campos Fernandes adiantou que as carências de psicológicos no SNS “não são hoje assim tão grandes que não possam ser superadas em dois ou três anos”.

O ministro destacou também o contributo e desempenho dos psicólogos no SNS, considerando que “são hoje determinantes na qualidade do sistema de saúde”.

“O sistema de saúde tem beneficiado muito do contributo destes profissionais”, disse.

Por sua vez, o bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, disse à Lusa que “é preciso um reforço considerável” destes profissionais nos centros de saúde.

“É preciso continuar este caminho que foi agora recomeçado com a abertura do concurso. É preciso acelerar o passo. É preciso contratar mais psicólogos” para os centros de saúde, sustentou Francisco Miranda Rodrigues.

Na semana passada, o Ministério da Saúde lançou concursos para a contratação de mais 40 psicólogos para os centros de saúde.

No entanto, o bastonário espera que o Orçamento do Estado para o próximo ano “volte a considerar a possibilidade da contratação de mais profissionais para o SNS, nomeadamente para os cuidados de saúde primários”, onde é feito o trabalho de prevenção.

Segundo Francisco Miranda Rodrigues, atualmente os utentes não esperam muito tempo pela primeira consulta nos centros de saúde, mas as segundas sessões podem “demorar um ano”.

Na área dos cuidados de saúde primários há atualmente menos de 250 psicólogos, quando a Ordem indica que seria necessário o dobro “para ter uma cobertura que permitisse o trabalho adequado nos diversos programas preventivos”.

Portugal tem cerca de 20 mil psicólogos, sendo que apenas cerca de dois mil se encontram nos serviços públicos: perto de 460 nos hospitais do SNS, mais de 200 nos centros de saúde, cerca de mil nas escolas, 30 nas prisões e mais de 240 noutros contextos do SNS, como nos comportamentos aditivos.

 

Dia Nacional do Psicólogo
Oito jovens participaram na produção áudio do livro "Sabes o que fazem os psicólogos? - Descobre a psicologia com a ajuda...

Apresentado no âmbito do Dia Nacional do Psicólogo, o livro infantil da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), da autoria de Rute Agulhas e Joana Alexandre, com ilustração de Joana M. Gomes, inclui um suplemento em áudio cuja narração pertence a oito jovens.

Rute Agulhas disse à Lusa que as gravações do CD decorreram no Porto, sendo que seis das crianças convidadas interpretam na narração personagens do livro.

"A ideia surgiu quando projetámos o livro, optando por o produzir de um ponto de vista mais inclusivo", relatou a coautora da obra, com ela tentando chegar "não apenas a crianças cegas, pois o livro não tem versão em Braille, mas também aquelas com dificuldades na aprendizagem da leitura".

Destinado a crianças dos seis aos 10 anos, "esta versão torna-se muito mais apelativa para elas", enfatizou Rute Agulhas, argumentando que ao reproduzir a história do livro o áudio "pode permitir, por exemplo, à criança ouvir a história enquanto observa as ilustrações".

Apresentando o livro, também, como uma "necessidade de fazer chegar a psicologia às crianças mais novas, em idade pré-escolar" a também psicóloga e investigadora anunciou que o "projeto vai ter continuidade"

"Futuramente teremos de pensar em materiais adaptados a crianças mais novas e também a adolescentes", disse.

Para o presidente do Comité de Ética da Ordem dos Psicólogos, Miguel Ricou, estas obras são importantes "porque desmistificam aquilo que é a psicologia e o papel dos psicólogos para as crianças e também noutras idades".

"É um livro que ajuda a ultrapassar os falsos conceitos que por vezes existem e, sobretudo, na fantasia das próprias crianças sobre o que é um psicólogo, o que faz com que à partida possam estar mais à vontade quando têm de ir a uma consulta", disse à Lusa o também professor e investigador.

Admitindo que o "estigma em torno dos psicólogos", que é "transversal à própria sociedade" está, aos poucos, a "ser ultrapassado", defende que o livro "deve também ser lido pelos adultos, porque o imaginário das crianças é construído pelos mais velhos".

"Isto também ajuda os pais, cuidadores, professores e educadores a conseguirem saber como transmitir a ideia de ida ao psicólogo", observou, elogiando o esforço feito para que a linguagem da psicologia fosse adaptada à história que os mais jovens vão ler.

Considerando que "tudo o que é importante chega sempre tarde", ainda assim elogiou ter chegado "numa altura pertinente", no Dia Nacional do Psicólogo, "na primeira vez que acontece e que diz bem do desenvolvimento que a psicologia tem tido".

 

Situação foi ultrapassada
O sistema informático dos centros de saúde registou anomalias na segunda-feira, que o Ministério da Saúde atribuiu hoje à fase...

Os Serviços Partilhados do Ministério assumiram, em resposta escrita a pedido de esclarecimento da Lusa, que “é normal registarem-se alguns impactos”, como os que aconteceram na segunda-feira, “com alguma instabilidade verificada entre as 09:00 e as 16:00”.

De acordo com a mesma fonte, apesar da utilização por mais de 10.000 utilizadores médicos, enfermeiros e outros profissionais, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde receberam apenas 80 pedidos de apoio.

“A situação foi ultrapassada”, garantiu a fonte, acrescentando que, ao longo do dia, foram registadas centralmente cerca de 89.000 requisições, que corresponderam a mais de 250.000 exames, abrangendo cerca de 35.500 utentes.

“Os exames foram emitidos em mais de 1.300 locais distintos (apenas cuidados de saúde primários) por cerca de 4.800 médicos”, lê-se na resposta enviada à Lusa.

Os serviços indicam ainda que estes números representam um aumento significativo nas prescrições de exames sem papel, que cresceram “cerca de 400% em relação ao mesmo período da semana anterior”.

Este dado representa “mais de 14% do total diário de exames solicitados” nos centros de saúde. “Sublinha-se ainda que, ontem (segunda-feira), o uso dos sistemas de informação esteve praticamente inalterado”, refere ainda a entidade.

 

Abertura prevista para 2020
A Fundação Champalimaud recebeu 50 milhões de euros da família dos fundadores da Danone para a construção de um centro de...

O novo centro será construído no terreno situado ao lado do atual edifício da Champalimaud, em Lisboa, e a sua abertura está prevista para outubro de 2020, dez anos depois da inauguração do “Centro Champalimaud para o Desconhecido”.

Segundo a Fundação, “é a primeira vez que uma família estrangeira confia a uma instituição filantrópica portuguesa uma responsabilidade desta natureza”.

A doação de 50 milhões de euros foi feita por Mauricio Botton Carasso e a mulher, Charlotte Botton, familiares dos fundadores da empresa Danone, fundada em Espanha em 1919. Mauricio Botton Carasso é considerado um dos homens mais ricos de Espanha.

Mauricio Botton Carasso, nascido em França, é da terceira geração da família de judeus sefarditas, sendo neto de Isaac Carasso, fundador da Danone, de acordo com informação fornecida pela Fundação Champalimaud.

A família de origem grega foi para Barcelona durante a I Guerra Mundial, no entanto, vários elementos da família tiveram de fugir mais tarde ao antissemitismo nazi.

O futuro centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas deverá chamar-se centro “Botton-Champalimaud.

O cancro do pâncreas é atualmente responsável pela morte de cerca de 1.300 pessoas em Portugal e mais de 330 mil pessoas no mundo.

A incidência do cancro do pâncreas tem vindo a aumentar, surgindo todos os anos perto de 280 mil novos casos a nível mundial.

Atualmente, o cancro do pâncreas é a quinta causa mais frequente de morte por cancro, prevendo alguns especialistas que passe a ser a quarta causa dentro de cerca de uma década.

 

Dar resposta a carências
A Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) quer que seja prevista a criação de comissões prévias de avaliação e...

"É indispensável que seja prevista, nas áreas da educação e da saúde, uma Comissão Prévia de Avaliação e Validação, individualizada e concreta, entre cada município e o Governo, antes da operacionalização da transferência de competências", defendeu hoje o presidente da ANMP, Manuel Machado, em conferência de imprensa realizada em Coimbra.

A comissão prévia, que os municípios defendem que deve ficar prevista nos diplomas setoriais destas duas áreas, terá como funções a análise dos dados e elementos, nomeadamente relativos às instalações, equipamentos, recursos humanos e recursos financeiros destinados a cada município, explicou.

Para a ANMP, a existência das comissões prévias nas áreas da educação e da saúde "é indispensável", defendendo que cada município deve dispor, de forma antecipada, "de informação fidedigna relativa às competências que lhe são transferidas, pois só assim se garantirá uma transferência de competências sólida e rigorosa", vincou.

Manuel Machado considerou que esta medida será essencial por forma a responder a situações e carências diversas em diferentes municípios portugueses.

Usando o caso de Coimbra, município que lidera, o presidente da ANMP explicou que há escolas com "excelentes infraestruturas e um excelente trabalho educativo", como é o caso da Escola Secundária Dona Maria, e outras com uma "carência enorme" na área das infraestruturas, como é o caso da Escola Secundária José Falcão.

"O que pretendemos é que, nos diplomas setoriais respetivos, seja criada uma comissão prévia que garanta que os objetivos de interesse nacional são alcançados, ao mesmo tempo que os interesses de cada município são respeitados", frisou.

Na educação, a ANMP aceita um montante transitório, no que diz respeito às verbas para intervenções de conservação e pequenas reparações, com o compromisso de, "no prazo de um ano, ser revista a fórmula do seu financiamento".

Já para os investimentos em novas infraestruturas e em grandes reparações, os municípios portugueses exigem ao Governo "que tal competência seja efetivada mediante assinatura de contrato-programa, a celebrar entre Ministério da Educação e respetivo município", afirmou Manuel Machado.

De acordo com o presidente da ANMP, dos 22 diplomas setoriais da descentralização de competências para as autarquias, 12 estão já consolidados.

 

Primeira terapia genética
O Prémio António Champalimaud de Visão, no valor de um milhão de euros, foi atribuído este ano a sete investigadores que...

O prémio foi atribuído ao investigador norte-americano Michael Redmond, que descobriu uma terapia genética para a amaurose congénita de Leber, uma forma de cegueira infantil, e à equipa que a desenvolveu, formada por Jean Bennett, Albert Maguire, Robin Ali, James Bainbridge, Samuel Jacobson e William Hauswirth.

Segundo a organização, a descoberta constitui a primeira terapia genética que consegue curar uma doença hereditária e abre caminho para o desenvolvimento de terapias genéticas para tratamento de doenças hereditárias.

O trabalho baseou-se na clonagem de um gene e pelo reconhecimento do seu papel no metabolismo da vitamina A para a visão. Essa clonagem permitiu a reposição do gene no olho, o que restaura a visão.

"Estamos a fazer uma coisa muito simples chamada terapia genética”, explicaram dois dos investigadores premiados em entrevista à agência Lusa.

Parceiros de laboratório e casados há muitos anos, os norte-americanos Jean Bennett e Albert Maguire referiram que a ideia é “muito simples”, mas “são precisos muitos passos para fazer com que funcione”.

A terapia consiste basicamente em “substituir um gene danificado por um gene normal”, afirmou Albert Maguire, adiantando que a equipa conseguiu “usar um vírus, que não causa nenhuma doença, para levar o gene normal às células nervosas”.

Com isto, pessoas que nasceram cegas “passam a conseguir andar de bicicleta, andar sozinhas, sair à rua à noite, coisas que anteriormente não conseguiam fazer”, sublinhou.

As doenças hereditárias da retina são uma das principais causas de cegueira em idade ativa e a segunda principal causa de cegueira em crianças na Europa, nos Estados Unidos e grande parte da Ásia.

“O que nós fizemos foi pegar numa cópia do gene e colocar no sítio onde estava o [gene] doente, permitindo que as células funcionassem normalmente”, avançou Jean Bennet.

“Isto é importante, não só porque vai ajudar as pessoas com esta doença em particular, mas também [porque] é um passo fundamental para tratar outros tipos de cegueira e outras doenças genéticas”, defendeu.

Comprovada a eficácia do tratamento, o tratamento está a ser implementado em seis centros de excelência nos Estados Unidos, segundo os dois investigadores, ambos docentes da Universidade de Medicina da Pensilvânia e médicos do Hospital de Crianças em Filadélfia, nos EUA.

“Acreditamos que [o tratamento] vai estar disponível na Europa em breve e no resto do mundo, assim que os organismos reguladores o aprovarem”, concluíram.

Lançado pela Fundação Champalimaud em 2006, o Prémio António Champalimaud de Visão é considerado o maior do mundo na área.

Nos anos ímpares, o prémio reconhece investigações inovadoras para combate à cegueira e doenças de visão, principalmente em países em vias de desenvolvimento.

Nos anos pares, como é o caso de 2018, o prémio é atribuído a pesquisas científicas de grande alcance na área da visão.

O júri integra cientistas e personalidades internacionais, tendo, este ano, sido composto pelo Nobel da Medicina em 1987, Susumu Tonegawa, pelo presidente da Academia Internacional de Oftalmologia, Gullapalli Rao, o diretor do Instituto norte-americano dos Olhos, Paul Sieving, os oftalmologistas Alfred Sommer e José Cunha-Vaz, os neurocientistas Carla Shatz e Mark Bear, o neurologista Joshua Sanes, o ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors, a ativista dos direitos humanos moçambicana Graça Machel e o economista Armatya Sem.

 

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