Opinião
Março foi o mês escolhido para se falar de obesidade.

Esta doença metabólica é responsável por várias complicações, e está associada a inúmeras doenças como sejam a asma, a apneia do sono, a patologia degenerativa osteoarticular, algumas doenças de pele, a doença de refluxo gastroesofágico, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes e cancro.  As pessoas obesas ou com excesso de peso correm um maior risco de desenvolver cancro do intestino (cólon e reto), rim, esófago, pâncreas e vesícula, cancro da mama na mulher após a menopausa, cancro do útero (endométrio) e dos ovários.

Todas estas consequências resultam do excesso de tecido adiposo, e em particular da gordura visceral, e por isso definir a obesidade apenas pelo peso ou pelo índice de massa corporal é simplificar esta condição clínica.

Também definir como objetivo de tratamento da Obesidade atingir o peso perfeito ou ideal, é minimizar a doença. Reduzir o excesso e a acumulação de gordura, e com isso melhorar a saúde e a qualidade de vida do doente, deve ser o alvo a atingir.

As opções terapêuticas atualmente disponíveis, para além das modificações do estilo de vida, são cirúrgicas e farmacológicas. Nenhuma dá garantia de 100% de sucesso e a associação de diferentes tratamentos parece ser a melhor solução. Seja qual for a escolha, esta deve ser sempre individualizada e ajustada a cada doente.

Os medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade, pela redução de peso que causam e pela melhoria das patologias associadas, são fundamentais para o seu combate. Na prática clínica, nem todos os obesos têm acesso a essa terapêutica pelo seu preço elevado. O estigma que o doente obeso sofre na vida quotidiana continua quando tem de pagar o seu tratamento. Não ter os medicamentos comparticipados, dificulta o seu uso prolongado, necessário para a manutenção da perda de peso, que é um dos maiores desafios desta doença. O reganho ponderal é uma frustração para quem trata e para quem vive a doença, sendo por isso desejável a redução do custo destes medicamentos inovadores.

Novos tratamentos se perspetivam, e o que se deseja é que o seu efeito seja eficaz e duradouro.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
No próximo dia 3 de março, celebra-se o Dia Mundial da Audição, uma iniciativa da Organização Mundia

E, francamente, é preciso mesmo mudar mentalidades. Porque, sejamos sinceros, muita gente acha que "não ouvir bem" não é um problema grave.

"Ah, estás só a fazer-te de desentendido", dizem. "Isso é da idade", atiram. "É só um bocadinho de cera!", garantem com a confiança de um especialista de YouTube.

Vivemos num mundo onde as pessoas aceitam de bom grado usar óculos quando começam a ver mal, mas quando se trata de perder audição… “Ah, não, isso é diferente!”, dizem, enquanto continuam a fazer leitura labial como se fossem concorrentes do The Voice, versão silenciosa.

“Não preciso de aparelhos auditivos, só preciso que falem mais alto!”
“Não sou surdo, as pessoas é que murmuram muito!”
“Isso de próteses auditivas é para velhos.”

Pois, meu caro leitor, aqui está o problema da mentalidade. O resultado? Milhares de pessoas fingem que ouvem, fazem aquele sorriso de concordância universal e seguem a vida sem perceber metade do que lhes dizem.

E assim, milhões de pessoas ignoram o problema e seguem a vida a sorrir e acenar... principalmente porque não ouviram bem o que foi dito. Mas chega de negação! A perda auditiva não é um detalhe pitoresco da velhice, nem um charme exótico para apimentar as conversas. É uma barreira real que isola, confunde e, muitas vezes, faz com que as pessoas respondam “sim” a perguntas como:

“Quer mais piri-piri no prato?”

“Tem a certeza de que aceita os termos e condições sem ler?”

“Podemos contar consigo para liderar a reunião de amanhã?”

É por isso que precisamos de falar sobre reabilitação auditiva. Mas antes, deixem-me contar como é a jornada de quem decide que talvez esteja na hora de ouvir como deve ser. Vamos falar da dura realidade de quem, um dia, percebe que "se calhar, ouvir melhor não era má ideia".

Primeira Etapa: A Grande Negação – Ou Como a Nossa Família (ou Amigos) Nos Diagnostica

A história de quase toda a gente com perda auditiva começa da mesma maneira: não são eles que percebem, é a família que se passa dos nervos.

“Já te disse MIL VEZES!”

“O volume da televisão está a chamar baleias do Atlântico!”

“Tu ouves o que te convém, isso é que é!”

Mas a pessoa nega. Sempre. E encontra as desculpas mais criativas para explicar a sua dificuldade em ouvir:

“Este restaurante tem uma acústica péssima.”

“As pessoas hoje em dia falam para dentro.”

“Esse médico não percebe nada. Tenho audição seletiva!”

A negação dura até ao momento de humilhação social, quando alguém faz uma pergunta e a resposta sai completamente ao lado.

“O senhor quer fatura com contribuinte?”

“Sim, sim, com gelo e limão, por favor.”

Silêncio. Aquele silêncio em que o cérebro grita "FAZ DE CONTA QUE ESTÁS A GOZAR!", mas já é tarde.

Segunda Etapa: A Consulta e a Realidade Cruel dos Testes Auditivos

Finalmente, depois de muita pressão, lá se marca consulta com um Médico Otorrinolaringologista.

Primeiro, perguntas difíceis:

“Sente que ouve pior?”

“Tem dificuldades em perceber a fala?”

“Ouviu o que acabei de perguntar?”

Depois, o exame. Entramos numa cabine isolada, pomos uns auscultadores gigantes e dizem-nos:

“Carregue no botão sempre que ouvir um som.”

Os primeiros apitos são óbvios. Depois vêm aqueles quase impercetíveis, e o pânico instala-se. Carregamos no botão às cegas, com medo de falhar. O audiologista olha-nos com ar suspeito. Sabemos que ele sabe que estamos a inventar.

O resultado é um audiograma, um gráfico que parece o batimento cardíaco de um peixe morto.

A sentença? Perda auditiva moderada a severa.

E a resposta? "QUÊ?!"

 

Terceira Etapa: A Escolha da Tecnologia – Ou Como Se Tenta Fugir da Evidência

Agora vem a decisão: próteses auditivas ou implante coclear?

Se a perda auditiva ainda permite, começam a sugerir próteses auditivas. Mas ninguém quer aceitar logo. Primeiro, há a fase do choque financeiro:

“ESPERA LÁ, QUANTO?!”

“Mas isso é feito de ouro?”

“Não posso só usar legendas em tudo?”

Mas, eventualmente, a pessoa rende-se e escolhe as próteses. O momento de experimentação é… mágico. A pessoa OUVEEEE! Mas, em vez de celebrar, faz cara feia:

“Porque é que os meus passos são tão barulhentos?”

“Sempre respirei assim alto?”

“MAS ESTA CASA SEMPRE TEVE ESTE TANTO DE RUÍDO?!”

Se a perda auditiva já está noutro nível, a única solução pode ser um implante coclear.

Quarta Etapa: O Implante Coclear – De Surdo a Cyborg

A ideia de ter um dispositivo eletrónico dentro da cabeça pode parecer coisa de ficção científica, mas é uma dádiva moderna.

A cirurgia dura 2 a 3 horas, e saímos com um belo penso na cabeça, prontos para a transição de "ser humano" para "versão 2.0".

Mas eis a verdade: o implante não funciona na hora. No dia da ativação, estamos à espera de um "milagre auditivo", mas o que ouvimos é... ruído estranho e vozes robóticas.

“Doutor, isto é normal?”

“Sim, o cérebro precisa de tempo para reaprender a ouvir.”

“Ah... E agora vou viver num episódio de Star Wars?”

Segue-se a fase da adaptação, que é basicamente um treino auditivo para que o cérebro aprenda a interpretar os sons corretamente. Há semanas e meses de terapia auditivo-verbal, onde:

As primeiras palavras parecem vir de um robô asmático.

Sons básicos, como a água a correr, soam a explosões nucleares.

Pessoas queridas, como a mãe ou o cônjuge, soam... estranhas.

Mas, pouco a pouco, a audição melhora. Um dia, do nada, percebemos uma conversa de costas viradas, e a epifania acontece:

OUVIR É INCRÍVEL!

Conclusão: Então e Agora?

Passam-se semanas e meses. Aos poucos, o cérebro adapta-se. Ouvimos melhor. Voltamos a participar em conversas sem medo de responder a perguntas erradas. Descobrimos que as vozes das pessoas afinal não eram robóticas, apenas diferentes daquilo que nos lembrávamos.

E um dia, quando alguém fala connosco de costas viradas e conseguimos perceber tudo sem precisar de ler os lábios, vem a verdadeira epifania: OUVIR É INCRÍVEL!

Agora? Agora não há desculpas.

Se tem dificuldade em ouvir, vá ao médico. Se precisa de um aparelho auditivo, use-o sem vergonha. Se precisa de um implante, não tenha medo.

A perda auditiva não deve ser um obstáculo para a vida. A tecnologia existe para mudar isso.

Então, se está desse lado, em silêncio forçado ou num estado de "hein?" constante, siga o conselho da OMS:

Capacite-se. Ou melhor, reabilite-se!!!

Porque ouvir não é só um detalhe. Ouvir é viver! E ninguém merece ficar preso no silêncio… a menos que esteja a evitar uma chamada do seu banco. Nesse caso, ignore tudo.

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Opinião
O inverno não afeta apenas a pele!

Descubra como os tratamentos avançados e cuidados diários adequados podem ajudar a combater os efeitos do inverno e cuidar da sua saúde capilar durante esta estação.

 

1. O impacto do frio no cabelo e no couro cabeludo:

Cabelo fragilizado: O ar seco, típico do inverno, tanto no ambiente externo quanto em locais aquecidos, pode afetar a humidade natural dos fios de cabelo, tornando-os mais propensos à quebra.

Couro cabeludo sensível: Baixas temperaturas podem afetar o couro cabeludo, causando descamação ou caspa.

Redução da circulação sanguínea: O frio pode reduzir a circulação sanguínea no couro cabeludo, afetando a saúde dos folículos capilares.

 

2. Cuidados específicos para o cabelo no inverno:

Hidratação intensiva: Utilizar máscaras capilares e produtos com ingredientes hidratantes como óleos naturais e pantenol.

Proteção térmica: Evitar a exposição do cabelo a ventos frios e apostar em chapéus ou gorros com tecidos que não causem atrito.

Evitar água demasiado quente: Lavar o cabelo com água morna para não ressecar os fios e o couro cabeludo.

 

3. Alimentação e suplementação no inverno:

Além dos tratamentos profissionais, a saúde do cabelo também depende de um estilo de vida equilibrado e de uma alimentação rica em nutrientes essenciais. Vitamina B7 (Biotina): essencial para o crescimento dos fios de

cabelo.

  • Vitaminas C e E: protegem contra os danos oxidativos e melhoram a circulação sanguínea no couro cabeludo. Consumir essas vitaminas por meio de alimentos específicos ou suplementos indicados por um especialista contribui para cabelos mais fortes e brilhantes.

Dicas práticas:

  • Vitamina A: regula a produção de sebo e previne que ressequem. Encontrada em cenouras, espinafre e peixes gordurosos.
  • Vitamina D: estimula a circulação e melhora a saúde dos folículos; sintetizada com exposição solar ou encontrada no salmão e sardinha.
  • Vitamina E: melhora a circulação e combate os radicais livres; presente em abacate e nozes.

O inverno pode ser desafiante para a saúde capilar mas, com os cuidados certos, é possível manter os fios de cabelo saudáveis e bonitos durante a estação mais fria do ano.

Cuidar do cabelo no inverno significa ir além da simples hidratação superficial.

Tratamentos como PRP e Mesoterapia agem diretamente nas causas da queda e nos folículos, fortalecendo o couro cabeludo de dentro para fora. O inverno é o momento ideal para começar esse processo, garantindo resultados a longo prazo.

 

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Opinião
O Dia Mundial das Doenças Raras é celebrado mundialmente no último dia do mês de fevereiro.

E qual o objectivo de existir este dia?

Neste dia destacam-se várias dificuldades atravessadas pelas pessoas com doença rara e pelos que as rodeiam.

  • Obtenção de um diagnóstico atempado e correcto

Enquanto médicos somos treinados a pensar primeiro no que é frequente. “Se ouves o barulho de cascos pensa em cavalos e não em zebras”. Em média, as pessoas com doença rara têm um atraso de 4 a 5 anos até ao diagnóstico da sua doença, sendo que não raramente este atraso no diagnóstico atinge décadas de vida. Em Portugal um quarto dos doentes espera 5 a 30 anos pelo diagnóstico após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. São décadas de sofrimento, isolamento, incompreensão e por vezes décadas de atraso na instituição de um tratamento adequado, com perda significativa de qualidade e anos de vida.

  • Dificuldade no acesso a profissionais com experiência na sua doença

Mesmo após o estabelecimento de um diagnóstico é muitas vezes difícil de encontrar um plano de seguimento e tratamento adequado. Continua a existir dificuldade de acesso a centros com experiência no seguimento e tratamento de uma imensidão de doenças raras. E enquanto comunidade médica, como é que podemos adquirir conhecimentos em doenças sobre as quais tão pouco está documentado? É essencial o incentivo à publicação científica de qualidade e à criação de registos nacionais e internacionais em doenças raras (e ao seu acesso).

  • Dificuldade no acesso a tratamentos adequados

Mesmo após a obtenção de um diagnóstico, a disponibilização de terapêutica farmacológica para as doenças raras é frequentemente morosa, difícil e dispendiosa (isto quando existe algum tipo de terapêutica farmacológica, uma vez que cerca de 95% das doenças raras não tem nenhuma terapêutica farmacológica comercializada). E o acesso a outros tipos de terapêutica (terapia ocupacional, terapia da fala, fisioterapia, psicoterapia, entre outras) continua a ser uma realidade longe do alcance de muitos doentes. As respostas sociais são frequentemente insuficientes com necessidade de recorrer a instituições e serviços privados, com custos elevados e inatingíveis para uma grande parte da população.

  • Perda de qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores

Muitas doenças raras são incapacitantes, conduzindo a perda de autonomia com prejuízo marcado da qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores.

Enquanto comunidade devemos neste dia exigir que as pessoas com doenças raras sejam tratadas de forma justa, de acordo com as suas necessidades, ou seja, equidade. Neste mês de fevereiro, e em particular no Dia Mundial das Doenças Raras, vamos divulgar estas doenças-zebra. Porque acreditamos que divulgá-las é o primeiro passo para a equidade no diagnóstico, tratamento, e oportunidades na saúde e sociais.

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BREATHE
O consórcio de investigação Blocking Respiratory Exacerbations: AI and data-driven Technology for Health Enhancement(BREATHE),...

Em concreto, a equipa de investigação está a testar a utilização de um dispositivo que permite medir a Fração Exalada de Óxido Nítrico (FeNO) em casa, um método não invasivo que permite avaliar a inflamação pulmonar de forma rápida. Atualmente, esta monitorização é feita principalmente em ambiente hospitalar ou clínico, através da utilização de dispositivos como o Evernoa, um sistema que foi criado por uma das entidades parceiras do consórcio, a empresa especializada em tecnologia médica everSens. 

A utilização móvel deste novo sistema inspirado no dispositivo Evernoa vai permitir “que os doentes monitorizem facilmente os seus níveis de FeNO no domicílio, garantindo intervenções atempadas e uma gestão mais eficaz da doença”, explica a equipa de investigação da UC. Para fazer esta monitorização, os doentes devem “utilizar o dispositivo para realizar medições diárias, seguindo um processo simples e intuitivo”, elucidam os investigadores. A medição é, então, registada automaticamente na aplicação móvel do sistema, que vai armazenar os dados e permitir a análise dos padrões ao longo do tempo. No futuro, “estes dados, conjugados com outras variáveis clínicas, poderão contribuir significativamente para a gestão atempada e prevenção das crises”, acrescentam.

Esta versão móvel do Evernoa, que depois da sua validação clínica será futuramente disponibilizada, está a ser feita com recurso a inteligência artificial. Estão a ser usados modelos preditivos que permitem “analisar os padrões das medições de FeNO, cruzando-os com outros dados clínicos e ambientais”, partilha a equipa de investigação. 

“Acreditamos que este dispositivo para utilização domiciliária pode impactar positivamente o dia a dia de pessoas diagnosticadas com asma e outras doenças obstrutivas pulmonares, podendo vir a reduzir até 55% as suas crises respiratórias, prevenindo, assim, mais de 1,2 milhões de hospitalizações anuais na Europa e libertando cerca de 8 milhões de dias de ocupação hospitalar”, avança a equipa do projeto BREATHE. Atualmente, as doenças respiratórias crónicas “afetam mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo e são uma das principais causas de incapacidade e morte”, recordam os investigadores.

Neste momento, a Universidade de Coimbra e a Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS Coimbra) estão a implementar um estudo clínico multicêntrico, envolvendo Portugal e Espanha (Hospital Clínic de Barcelona), para avaliar a performance da versão domiciliar do dispositivo Evernoa em doentes com asma grave. Durante este estudo, os investigadores vão acompanhar os participantes ao longo de seis meses, recolhendo dados sobre a utilização do dispositivo e a evolução do seu estado clínico. Desta forma, o estudo vai permitir “analisar a adesão dos doentes à tecnologia, avaliar a viabilidade do uso regular do dispositivo e compreender de que forma esta metodologia inovadora pode impactar a gestão da asma na vida real”, contextualiza a equipa portuguesa. 

Além da UC, da ULS Coimbra, da everSens e do Hospital Clínic de Barcelona fazem parte deste consórcio de investigação a AstraZeneca Espanha, a GENESIS Biomed, consultora especializada em inovação biomédica, e a Fundação de Investigação Clínica de Barcelona - Instituto de Investigações Biomédicas August Pi i Sunyer. A investigação é financiada pela rede EIT Health com um milhão de euros até 2026.

A equipa da Universidade de Coimbra é liderada pelo docente da Faculdade de Medicina (FMUC) e investigador do Coimbra Institute for Clinical and Biomedical Research (iCBR), António Jorge Ferreira, fazendo também parte da equipa o investigador do iCBR, Ricardo Leitão. Já do lado da ULS Coimbra participam os clínicos Cláudia Loureiro e Diogo Canhoto, que são também docentes e investigadores da FMUC.

SPPCV
A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) anuncia que estão abertas as candidaturas para a Bolsa de...

Esta bolsa tem como propósito distinguir investigadores que apresentem um projeto original de investigação básica relacionado com a patologia da coluna vertebral, sendo a avaliação baseada na inovação da proposta e no seu potencial impacto na prática clínica ou na saúde pública.

“Acreditamos que esta iniciativa contribuirá para impulsionar a investigação no nosso país e será um excelente complemento ao trabalho científico já desenvolvido, que anualmente é apresentado no nosso congresso nacional”, destaca Nelson Carvalho, presidente da SPPCV.

No momento da candidatura, os projetos submetidos devem estar em andamento ou prestes a iniciar-se. Cada investigador ou equipa de investigação poderá apresentar apenas uma proposta por ano. Caso a candidatura não seja selecionada, o projeto poderá ser revisto e reapresentado no ano seguinte, desde que continue ativo e a investigação não esteja concluída.

Para mais informações, consultar o Regulamento disponível aqui.

Hospital de Santa Maria
O Hospital de Santa Maria - Porto, unidade de saúde privada localizada no centro da cidade do Porto, implementou um conjunto de...

Com essas mudanças, o hospital reduziu drasticamente a compra de garrafas plásticas e a sua deposição no lixo, diminuindo não apenas a quantidade de resíduos gerados, mas também a pegada de carbono, evitando a emissão de quase 11 toneladas de CO₂ associadas à produção e transporte das garrafas descartáveis.

Estas medidas permitiram uma redução de cerca de 63% na compra de garrafas plásticas em comparação com o ano anterior. A implementação do projeto foi gradual ao longo de 2024, com a conclusão nas unidades de internamento entre setembro e outubro. Os resultados já demonstram um impacto expressivo na sustentabilidade da instituição e prevê-se que em 2025 o impacto seja ainda mais significativo, dado que será o primeiro ano completo com todas as soluções em pleno funcionamento, ampliando os benefícios para a sustentabilidade da instituição.

"O setor da saúde gera uma grande quantidade de resíduos plásticos diariamente, em todas as suas áreas, e esta foi uma solução prática e eficaz para mitigar esse impacto. Estamos orgulhosos dos resultados alcançados e esperamos poder ser um exemplo a seguir por outras instituições", afirmou Lurdes Serra Campos, diretora geral do Hospital de Santa Maria - Porto.

Com esta iniciativa, o Hospital de Santa Maria – Porto reafirma o seu compromisso com práticas ambientalmente responsáveis, demonstrando como ações sustentáveis podem ser incorporadas na rotina hospitalar sem comprometer a qualidade do atendimento aos doentes ou dos serviços de saúde prestados.

 

Opinião
A creatina é um dos suplementos mais estudados e com eficácia comprovada em várias áreas da saúde, b

O seu principal benefício está na capacidade de regenerar rapidamente o ATP (trifosfato de adenosina), a principal fonte de energia celular, permitindo um melhor desempenho muscular, motivo pelo qual este suplemento é amplamente utilizado a nível mundial. 

Para além dos benefícios no desempenho físico, há evidências de que a creatina tem um papel importante na produção de energia no cérebro, podendo contribuir para a melhoria das funções cognitivas, como a memória, o tempo de reação e a capacidade mental. 

Contudo, o aumento da popularidade deste suplemento trouxe consigo algumas dúvidas, nomeadamente sobre uma possível relação entre a sua toma e a queda de cabelo, bem como os potenciais efeitos da suplementação na saúde capilar.

A relação entre a creatina e a calvície 

A possível relação entre a queda de cabelo e a creatina surgiu em 2009, após a publicação de um estudo de van der Merwe J, publicado no Clinical Journal of Sport Medicine. O estudo avaliou os possíveis efeitos secundários do consumo de creatina num grupo de jogadores de rugby. 

Os resultados deste estudo indicaram que o consumo recorrente de creatina levou a um aumento de mais de 50% na concentração de diidrotestosterona (DHT) nestes jogadores, uma hormona ligada à calvície androgenética. No entanto, não existem pesquisas conclusivas que atestem que a creatina, por si só, cause queda de cabelo. 

Mitos e verdades sobre a creatina e a saúde capilar

  • Mito: A creatina causa calvície. 
  • Verdade: Pode aumentar levemente os níveis de DHT, mas não há provas de que isso resulte, diretamente, em queda capilar. 
  • Mito: Mulheres devem evitar creatina pelo risco de queda de cabelo. 
  • Verdade: O impacto nos níveis hormonais femininos é pequeno. 

A creatina aumenta os níveis de DHT

O DHT é um subproduto da testosterona e pode acelerar a miniaturização dos folículos capilares em indivíduos geneticamente predispostos à calvície. Apesar de alguns estudos terem mostrado esta correlação entre a toma de creatina e o aumento de DHT, são necessárias mais pesquisas que comprovem uma ligação direta entre esta relação e a queda efetiva de cabelo. 

A creatina pode influenciar ligeiramente os níveis hormonais. Algumas mulheres relatam uma melhoria na qualidade dos fios de cabelo, possivelmente devido ao seu efeito na retenção de água, que pode contribuir para a hidratação do cabelo e da pele. 

As mulheres têm menores níveis de testosterona do que os homens, o que reduz a conversão para DHT, portanto, a preocupação com a queda de cabelo relacionada à creatina no público feminino é menor. Se houver, no entanto, histórico de alopecia androgenética, o acompanhamento médico especializado é recomendado. 

Suplementos que causam queda de cabelo

Alguns suplementos estão associados ao agravamento da queda de cabelo, como: 

  • Esteroides anabolizantes 
  • DHEA (desidroepiandrosterona) 
  • Proteína em excesso, sem equilíbrio nutricional 

Se percebeu um aumento na queda de cabelo após iniciar o uso de creatina, reveja outros fatores como o stress, deficiências nutricionais e histórico familiar de calvície. Caso a queda persista, consulte um especialista, que avaliará a sua situação de forma personalizada e individualizada e recomendará o melhor tratamento. 

Minoxidil e creatina

O minoxidil é um tratamento tópico que estimula o crescimento capilar e pode ser usado por quem percebeu um aumento da queda de cabelo. O seu uso combinado com creatina é considerado seguro. 

Como prevenir a queda de cabelo ao usar creatina

Hidratação e alimentação equilibradas e ricas em vitaminas essenciais 

  • Evitar exageros na suplementação 
  • Acompanhamento especializado, por profissionais médicos 
  • Redução do stress  
  • Promoção de um sono de qualidade 

Tratamentos capilares para quem usa creatina: 

  • PRP (Plasma Rico em Plaquetas): utiliza recursos naturais do próprio corpo, como fibrila, fibronectina, beta catenina, fatores de crescimento e antioxidantes, para estimular a regeneração capilar, fortalecendo e promovendo o crescimento saudável do cabelo. 
  • Mesoterapia capilar: tratamento não invasivo de bioestimulação que nutre e fortalece o cabelo através da aplicação de vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais com resultados visíveis ao longo do tempo. 

Uso de champôs adequados: para suprir as necessidades específicas de cada tipo de cabelo.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
MovSaúde lança nova campanha
Iniciativa marca o arranque do Mês Europeu da Luta Contra o Cancro do Intestino a 01 de março e decorre até 30 de junho.

A MovSaúde – Associação Pela Prevenção da Doença Oncológica lança, pelo segundo ano consecutivo, a campanha nacional de Rastreio do Cancro Colorretal a 01 de março, dia em que se inicia o Mês Europeu de Luta Contra o Cancro do Intestino. Esta iniciativa visa sensibilizar a população para a importância da deteção precoce do cancro colorretal, incentivando à realização do rastreio de uma doença que ocupa o primeiro lugar da lista dos cancros mais incidentes em Portugal, com cerca de 10.575 novos casos registados anualmente. Equivale a, aproximadamente, 30 novos diagnósticos por dia.

A Campanha de Rastreio do Cancro Colorretal é destinada à população com idades compreendidas entre os 45 e os 74 anos, que não apresentem quaisquer sinais ou sintomas associados à doença e que aceitem fazer o teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF).

Com cobertura em Portugal Continental e Ilhas, este ano, a MovSaúde alargou a parceria a mais laboratórios, o que vai permitir aumentar a capacidade e o alcance do rastreio. A parceria com a Europacolon mantém-se, colaboração relevante e muito valorizada no acompanhamento prestado aos participantes no rastreio com resultado positivo da análise PSOF realizada. 

Os interessados em participar no rastreio devem fazer a inscrição, já disponível no  no site da MovSaúde (https://www.movsaude.pt), durante o período de vigência desta campanha, ou seja, até 30 de junho.

Segundo Patrícia Ramalho, presidente da Direção da MovSaúde, “Apesar de ser um dos cancros mais fatais, o cancro colorretal é também um dos mais curáveis se for detetado precocemente. Daí a importância da realização do rastreio e da sua regularidade. É a conjugação da evolução silenciosa da doença com a reduzida adesão ao rastreio que culmina numa elevada percentagem de diagnósticos em fase avançada. Por analogia, podemos dizer que, diariamente, ‘desaparece’ uma equipa de futebol. O diagnóstico tardio leva a cerca de 11 mortes por dia. 

 

A MovSaúde é um projeto colaborativo que envolve diversas entidades, que visam enfrentar os desafios sociais mais prementes na área da prevenção em saúde em Portugal e representa uma mudança de paradigma na forma como as empresas cooperam, demonstrando a necessidade de uma abordagem mais profunda e colaborativa.

Dia Mundial das Doenças Raras assinala-se a 28 de fevereiro
Assinala-se a 28 de fevereiro o Dia Mundial das Doenças Raras. Nesta data, que pretende sensibilizar a população para este tipo...

Teresa Martin, da SPP, começa por explicar que “a alfa-1 antitripsina é uma proteína produzida no fígado cuja função principal é proteger os pulmões da inflamação. No DAAT, esta proteína é defeituosa, acumulando-se no fígado e aumentando o risco de doença hepática, como cirrose e carcinoma hepático. A sua ausência, ou presença em níveis reduzidos no pulmão, torna o tecido pulmonar mais vulnerável a danos, resultando na sua destruição progressiva e levando ao desenvolvimento de enfisema, uma das componentes da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)”.

Tosse crónica, expetoração, falta de ar (progressivamente a esforços cada vez menores) são sintomas que podem surgir quando o DAAT leva ao desenvolvimento de doença respiratória. Além disso, o DAAT aumenta a suscetibilidade a infeções respiratórias . A doença não tem, atualmente, cura e o seu tratamento “baseia-se na abordagem standard da DPOC e, em alguns casos, pode estar indicada a terapia de reposição de alfa-1 antitripsina humana”, refere a médica pneumologista.

No âmbito desta efeméride, Teresa Martin, em representação da SPP, relembra que “o conhecimento sobre as doenças raras pode fazer uma diferença significativa na vida dos doentes, sendo muito importante que os profissionais de saúde se mantenham atentos e informados sobre as doenças raras de modo a conseguirem identificar sinais precoces e evitar atrasos no diagnóstico”.  O desconhecimento clínico, que resulta no subdiagnóstico ou num diagnóstico tardio, continua a ser a principal barreira nas doenças raras -  “muitos doentes passam anos sem um diagnóstico correto, o que afeta a sua qualidade de vida e pode comprometer o prognóstico. No caso do DAAT, o diagnóstico é realizado através de uma simples análise de sangue”.

Para a especialista, a formação dos profissionais de saúde, aliada à educação da população, ao desenvolvimento de campanhas de sensibilização e à criação de centros de referência, “são essenciais para garantir um diagnóstico precoce e uma abordagem adequada, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos doentes”. A criação de grupos de trabalho dentro das sociedades científicas nacionais e internacionais, como a Comissão de Trabalho de DAAT da SPP, “tem desempenhado um papel fundamental na melhoria do acesso ao conhecimento e à tentativa de disponibilização equitativa das terapias”, reforça a médica pneumologista. Acrescenta ainda que “temos assistido a um progresso significativo na divulgação das doenças raras, muito impulsionado pelas sociedades científicas, associações de doentes e uma maior aposta dos meios de comunicação social. No entanto, o desconhecimento generalizado ainda persiste, mesmo entre os profissionais de saúde, o que pode resultar em subdiagnóstico ou diagnósticos tardios, atrasando o início de um acompanhamento adequado”.

Além de deixar uma mensagem de esperança para os doentes e familiares, pois, no campo das doenças raras, “apesar dos desafios, temos assistido a avanços na investigação e no desenvolvimento de novas terapias”, Teresa Martin reforça que “medidas como a cessação tabágica, a reabilitação respiratória, a vacinação para prevenção de infeções respiratórias e o aconselhamento genético, são fundamentais nas pessoas com esta condição”.

É com o intuito de aumentar a consciencialização sobre esta doença rara junto dos profissionais de saúde e da população que a SPP vai desenvolver nos seus canais de comunicação, no âmbito do Dia Mundial das Doenças Raras, uma campanha de sensibilização para o défice de alfa-1 antitripsina. 

Desafios do diagnóstico, tratamento e apoio às pessoas afetadas
A Sociedade Americana de Encefalomielite Miálgica e Síndrome de Fadiga Crónica estima que cerca de 17 a 24 milhões de pessoas...

Encefalomielite Miálgica (EM), também conhecida como Síndrome da Fadiga Crónica (SFC), é um transtorno caracterizado por uma sensação de cansaço extremo e incapacitante, sem nenhuma causa aparente capaz de justificá-lo. Tal sintoma que pode persistir por mais de seis meses, piora com esforço físico ou tensão psicológica e não regride com repouso. É reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma condição neurológica incapacitante.

“Na Universidade Católica Portuguesa no Porto, estamos atentos a esta realidade premente, e por isso juntamos a nossa voz ao apelo por ações concretas e urgentes. É imperativo o reconhecimento oficial da EM/SFC como doença crónica incapacitante, em consonância com os critérios da OMS. Urge a criação de diretrizes nacionais para o diagnóstico e tratamento, a implementação de campanhas de sensibilização e formação para profissionais de saúde, a criação de centros de referência no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com equipas multidisciplinares capazes de oferecer cuidados integrados”, realça Paulo Alves, diretor adjunto da Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem e diretor da Escola de Enfermagem (Porto) da Universidade Católica Portuguesa.

De forma a perceber mais e melhor este tema um painel de especialistas multidisciplinar vai abordar os mecanismos multisistémicos da EM/SFC, as mais recentes estratégias de tratamento e a importância de uma abordagem multidisciplinar para a melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Este seminário é dirigido a profissionais de saúde, investigadores, estudantes e público geral.

Mais informações: 1º Seminário | Encefalomielite Miálgica /Síndrome da Fadiga Crónica | Escola de Enfermagem (Porto) - Católica

 

UC integra projeto internacional
Mais de dois milhões de novos casos de cancro colorretal são diagnosticados anualmente em todo o mundo. Um projeto...

De acordo com Gabriel Falcão, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e investigador do Instituto de Telecomunicações (IT) de Coimbra, «este tipo de cancro pode muitas vezes ser detetado precocemente graças à identificação de pólipos existentes no trato digestivo. Em muitos países, os rastreios começam por volta dos 45 ou 50 anos, sendo uma ferramenta essencial na prevenção e diagnóstico precoce».

Atualmente, procedimentos como a cápsula gastrointestinal, que gera cerca de 10 horas de imagens, e a colonoscopia, que produz uma grande quantidade de dados em apenas 20 a 30 minutos, criam desafios significativos na análise de dados. «Num cenário ideal, se conseguíssemos fazer uma monitorização em massa de uma grande parte da população, o volume de dados gerado seria tão grande que nenhum computador clássico seria capaz de processar toda essa informação de forma eficiente», explica o responsável pelo projeto em Portugal.

É aqui que entra a computação quântica. Diferente dos computadores clássicos, esta tecnologia é capaz de processar um grande volume de dados em tempo real, algo crucial para a análise de imagens e deteção de anomalias. A FCTUC vai desenvolver novos algoritmos de IA adaptados às capacidades da computação quântica.

«O objetivo final é criar algoritmos de IA que possam diferenciar de forma precisa imagens normais de imagens com patologias. Embora a tecnologia atual já permita detetar algumas diferenças, acreditamos que a computação quântica pode ser decisiva para aumentar a eficiência e precisão dos diagnósticos», conclui o docente.

O projeto G-quAI iniciou em janeiro de 2025 e conta com o apoio do Open Quantum Institute (OQI), da Suíça, em parceria com o Geneva Science and Diplomacy Anticipator (GESDA), além da colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este projeto enquadra-se nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas: Saúde de Qualidade.

O OQI tem como objetivo principal explorar o potencial da computação quântica na aceleração de soluções que permitam atingir os ODS, unindo forças de investigadores, das Nações Unidas, de Organizações Não-Governamentais (ONGs), e de investidores espalhados pelo mundo.

Para mais informações, consultar o site do OQI.

27 de fevereiro | Dia Mundial da Esterilização Animal
A esterilização continua a ser um tema envolto em mitos e desinformação, levando muitos cuidadores a adiar ou até evitar o...

A esterilização é um procedimento com múltiplos benefícios para os animais de companhia e para a sociedade. Para além de prevenir a reprodução descontrolada, apresenta vantagens significativas ao nível da saúde, comportamento e bem-estar animal.

Saúde e longevidade – A esterilização é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves nos animais. No caso das fêmeas, reduz drasticamente o risco de infeções uterinas, como a piómetra, e de tumores mamários, cuja incidência pode ser significativamente menor quando a esterilização é realizada antes do primeiro cio. Nos machos, diminui a probabilidade de desenvolver problemas prostáticos e elimina completamente o risco de tumores testiculares, contribuindo para uma vida mais duradoura e saudável.

Comportamento equilibrado – Muitos problemas comportamentais associados aos instintos reprodutivos podem ser minimizados com a esterilização. Os machos tendem a apresentar menos comportamentos agressivos e reduzem a marcação territorial com urina. Além disso, a procura incessante por parceiros pode levar a tentativas de fuga, expondo os animais a perigos como atropelamentos ou confrontos com outros animais. Com a esterilização, estes impulsos naturais são significativamente atenuados, proporcionando uma convivência mais harmoniosa.

Redução do abandono e da sobrepopulação – A superpopulação de animais de companhia é uma das principais causas do abandono e do elevado número de animais em abrigos. Todos os anos, inúmeros cães e gatos são abandonados ou recolhidos por associações sobrelotadas. A esterilização é uma medida essencial para evitar ninhadas indesejadas e, consequentemente, reduzir o número de animais sem lar, promovendo um controlo populacional mais responsável.

Menos animais em sofrimento – Muitos dos animais resultantes de ninhadas indesejadas acabam por enfrentar condições de vida adversas, seja na rua, onde ficam expostos à fome, doenças e maus-tratos, seja em abrigos com poucos recursos para lhes proporcionar uma vida digna. A esterilização é uma forma direta e eficaz de evitar este sofrimento, assegurando que menos animais enfrentem situações de negligência e abandono.

“A decisão de esterilizar um animal de companhia deve ser tomada com base em informação correta e aconselhamento veterinário. A esterilização não é apenas um ato de responsabilidade, mas também um investimento na saúde e qualidade de vida dos nossos animais”, destaca Dra. Sofia Alves, diretora clínica do AniCura Vasco da Gama Hospital Veterinário.

Caso clínico: A luta da Pipoca contra a piómetra

A história da Pipoca, uma gata de cinco anos, ilustra a gravidade das complicações que podem ocorrer em fêmeas não esterilizadas. Encaminhada para o AniCura Vasco da Gama Hospital Veterinário em estado crítico, foi diagnosticada com uma piómetra fechada – uma infeção uterina severa que pode ser fatal. Apresentava febre elevada, desidratação acentuada e um abdómen severamente distendido. Os exames laboratoriais revelaram uma infeção grave, exigindo internamento imediato para estabilização com fluidoterapia e antibioterapia. Foi submetida a uma cirurgia de urgência para remoção do útero e ovários, que, devido à infeção, totalizavam 1,8 kg. No pós-operatório, a Pipoca permaneceu internada sob monitorização e tratamento intensivo, enfrentando desafios como anemia e hipoalbuminemia. Felizmente, evoluiu favoravelmente e, ao fim de dois dias, teve alta para recuperação em casa, sob medicação contínua. Casos como o da Pipoca reforçam a importância da esterilização como medida preventiva essencial para a saúde e bem-estar dos animais.

Mitos e verdades sobre a esterilização

  • “A esterilização deixa os animais obesos.” Mito! O ganho de peso está relacionado com a alimentação e o nível de atividade, não com a esterilização em si.
  • “As fêmeas devem ter pelo menos uma ninhada antes de serem esterilizadas.” Mito! Não há qualquer benefício comprovado em permitir que uma fêmea tenha uma ninhada antes da esterilização.
  • “A esterilização muda completamente a personalidade do animal.” Mito! O animal pode ter algumas mudanças comportamentais, mas continua com a sua personalidade própria.
  • “A cirurgia é perigosa.” Mito! Como qualquer procedimento cirúrgico, há riscos, mas é uma operação comum e segura quando realizada por um veterinário qualificado.
Opinião
Hoje, 25 de fevereiro, assinala-se o Dia Internacional do Implante Coclear, uma data que celebra um

Este ano, a efeméride ganha ainda mais significado em Portugal, pois assinala-se o 40.º aniversário da primeira cirurgia de implante coclear realizada no nosso país. Foi em 1985, na cidade de Coimbra, que uma equipa liderada pelos médicos otorrinolaringologistas e irmãos Dr. Manuel Filipe e Dr. Fernando Rodrigues efetuou com sucesso o primeiro procedimento, abrindo um novo caminho para a saúde auditiva em Portugal.

Mas, apesar dos avanços, ainda há muitos desafios a superar. O acesso ao implante coclear, os custos envolvidos, a manutenção do dispositivo e a acessibilidade para os utilizadores continuam a ser temas críticos que exigem atenção. Neste artigo, aprofundamos a importância do implante coclear, o processo de candidatura e adaptação, e a realidade atual da reabilitação auditiva no nosso país.

O Que é o Implante Coclear e Quem Deve Colocá-lo?

O implante coclear é um dispositivo médico eletrónico indicado para pessoas com perda auditiva neurossensorial severa a profunda (pode ser unilateral ou bilateral, consoante a patologia associada à surdez), para quem já não obtém benefícios significativos com próteses auditivas convencionais. Diferente dos aparelhos auditivos, que amplificam (e processam) o som, o implante coclear substitui a função do ouvido interno, transformando os sinais sonoros em impulsos elétricos que estimulam diretamente o nervo auditivo.

Os candidatos ao implante incluem:

Crianças nascidas com surdez profunda, idealmente implantadas antes dos 3 anos, para facilitar o desenvolvimento da linguagem.

Adultos e idosos que perderam a audição ao longo da vida e não conseguem obter benefícios das próteses auditivas.

O processo de seleção para um implante coclear passa por uma avaliação médica e audiológica rigorosa, conduzida por uma equipa multidisciplinar composta por otorrinolaringologistas, audiologistas, terapeutas da fala e psicólogos.

Como Funciona o Processo?

A cirurgia para colocação de um implante coclear é realizada em hospitais de referência e segue várias etapas:

1. Avaliação inicial – Exames auditivos, testes psicológicos e imagiologia (TAC ou RM) para verificar a viabilidade do implante.

2. Cirurgia – Realizada sob anestesia geral, dura cerca de 2 a 3 horas. O cirurgião introduz os elétrodos do implante no ouvido interno (cóclea) e posiciona a parte interna do dispositivo sob a pele.

3. Ativação do implante – Cerca de 3 a 4 semanas após a cirurgia, o processador externo é ligado e começa-se a calibrar o som.

4. Reabilitação auditivo-verbal – O cérebro precisa de tempo para aprender a interpretar os novos estímulos sonoros. O acompanhamento audiológico complementado com terapia da fala, que é essencial para a adaptação e otimização da audição.

Quais os Custos e a Realidade do Acesso ao Implante Coclear em Portugal?

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) financia a cirurgia de implante coclear para crianças e adultos elegíveis, mas as listas de espera são longas, e nem sempre há cobertura total para manutenção e atualização do dispositivo.

Os custos para quem recorre ao setor privado podem variar:

Cirurgia de implante coclear: Entre €20.000 e €30.000, dependendo do hospital e do fabricante do dispositivo.

Processador externo (substituição necessária a cada 5-7 anos): €6.000 a €10.000.

Peças de manutenção (baterias, cabos, antenas, microfones): Entre €500 e €1.500 anuais.

A necessidade de substituição da parte interna do implante surge, em média, após 15 a 20 anos, especialmente quando há avanços tecnológicos que justificam uma nova cirurgia.

Apesar do apoio do SNS, muitos utilizadores enfrentam dificuldades financeiras para manter e atualizar o dispositivo. Esta realidade torna urgente a criação de um plano de financiamento para cobrir os custos da manutenção e atualização dos processadores externos.

Centros de Referência em Portugal para Implante Coclear

Atualmente, há hospitais de referência para colocação de implantes cocleares, incluindo:

Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC)

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (Hospital de Egas Moniz)

Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (Hospital de Santa Maria)

Centro Hospitalar Universitário do Porto (Hospital de Santo António)

Centro Hospitalar de São João (Porto)

Hospital de Braga 

Hospital Pediátrico de Coimbra (para crianças)

(Entre outros, começa a existir uma rede considerável em Portugal!)

Estes centros têm equipas especializadas e realizam cirurgias regularmente. Contudo, a disparidade geográfica e as listas de espera continuam a ser um desafio, especialmente para pacientes de regiões mais afastadas, ou interiores, no Sul do país, ou nos Açores (na Madeira, já existe!).

Acessibilidade para Pessoas com Implante Coclear: O Que Falta Fazer?

Embora a tecnologia tenha evoluído, os utilizadores de implantes cocleares ainda enfrentam desafios no dia a dia. Entre as principais barreiras encontram-se:

Falta de legendagem em conteúdos audiovisuais – Essencial para complementar a perceção auditiva.

Ausência de sistemas de indução magnética e Bluetooth Auracast em locais públicos (teatros, cinemas, aeroportos).

Dificuldade na integração profissional e no ambiente escolar – Muitos empregadores, professores, desconhecem as necessidades dos utilizadores de implantes cocleares.

Burocracia e falta de apoios financeiros para manutenção e atualização dos processadores externos.

Portugal precisa de uma estratégia nacional de acessibilidade auditiva, garantindo que as pessoas com implantes cocleares possam participar plenamente na sociedade sem limitações.

Conclusão: 40 Anos de Conquistas, Mas Ainda Muito a Fazer…

Desde a primeira cirurgia em Coimbra, há 40 anos, o implante coclear tem mudado vidas em Portugal. No entanto, o acesso ao dispositivo ainda é desigual, e muitos utilizadores enfrentam dificuldades económicas e estruturais para garantir uma audição plena e eficaz.

As autoridades de saúde precisam de reforçar o financiamento para a manutenção dos implantes, reduzir as listas de espera, e implementar medidas de acessibilidade para que os utilizadores possam integrar-se plenamente na sociedade.

O som é um direito fundamental, e ninguém deveria ficar preso no silêncio por falta de recursos. O Dia Internacional do Implante Coclear deve ser um momento não só de celebração, mas também de reflexão e compromisso para garantir que mais pessoas possam beneficiar desta tecnologia transformadora.

Porque ouvir é viver!

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
PREVENIR
A PREVENIR, entidade sem fins lucrativos dedicada à prevenção e promoção da saúde, alerta para a necessidade urgente de...

Para Margarida Barbosa, CEO da PREVENIR, "estes dados são preocupantes e refletem a urgência de uma abordagem nacional mais robusta na promoção da saúde mental. É fundamental continuar a debater este tema e implementar medidas eficazes para garantir que mais pessoas possam ter uma vida emocionalmente saudável e equilibrada."

E acrescenta: “Investir na saúde mental não pode ser apenas uma resposta a situações de crise, mas sim um compromisso contínuo com a prevenção, capacitando crianças, jovens e adultos a desenvolverem resiliência emocional e estratégias eficazes para lidar com o stress e a ansiedade. Mais do que tratar, é necessário reduzir fatores de risco que impactam negativamente a saúde mental da população."

Os dados do relatório final do Patient Reported Indicators Surveys (PARis), apresentados recentemente, e que, em Portugal envolveram mais de 12.000 pessoas e 91 centros de saúde, revelaram que apenas 67% dos utentes avaliaram positivamente a sua saúde mental. Este valor fica 26 pontos percentuais abaixo dos Estados Unidos, país melhor classificado entre os 19 analisados, com 93%.

Opinião
A empregabilidade das pessoas com deficiência tem sido, ao longo dos anos, uma questão de extrema re

A acessibilidade ao emprego para pessoas com deficiência continua a ser um desafio que Portugal ainda não conseguiu superar. Se, por um lado, o país regista um número recorde de contribuintes para a Segurança Social – atualmente, mais de 5 milhões –, por outro, as barreiras burocráticas, a falta de incentivos reais e a escassa informação sobre medidas de apoio continuam a perpetuar uma realidade de exclusão e desigualdade. As quotas de contratação de pessoas com deficiência, por exemplo, são obrigatórias apenas para médias e grandes empresas que ultrapassam um determinado número de colaboradores, deixando de fora uma grande fatia do tecido empresarial português, composto essencialmente por pequenas e médias empresas. Essa limitação compromete significativamente o impacto dessas políticas de inclusão, dado que a maioria das oportunidades de emprego no país advém de empresas de menor dimensão.

Além disso, os incentivos à contratação são ainda insuficientes e demasiado burocráticos. A exigência de inscrição no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) como requisito para aceder a estas medidas pode representar, por si só, um obstáculo para muitas pessoas com deficiência. O processo moroso, a escassez de benefícios tangíveis para as empresas e a falta de sensibilização para as potencialidades destes profissionais fazem com que muitas oportunidades de emprego nunca se concretizem. A adaptação dos postos de trabalho, frequentemente apontada como um custo extra pelas empresas, deveria ser totalmente assumida pelo Estado, eliminando assim qualquer desculpa que justifique a não contratação. Num cenário ideal, a criação de linhas de financiamento específicas para a adaptação dos espaços de trabalho e a introdução de apoios técnicos e tecnológicos melhoraria substancialmente a empregabilidade destas pessoas.

O problema não é a existência de apoios, mas sim a forma como são estruturados. A ideia de que o Estado deve suportar integralmente o custo salarial das pessoas com deficiência para que estas possam trabalhar não só é irrealista, como desvaloriza a competência e o contributo que estas pessoas podem efetivamente trazer para as empresas. O que se exige não é caridade, mas sim um compromisso sério e eficaz para integrar estes cidadãos no mercado de trabalho de forma justa e equitativa. As políticas públicas devem ser ajustadas para garantir que as pessoas com deficiência são vistas como profissionais qualificados e valorizados pelo seu mérito e capacidades, e não apenas como beneficiários de medidas compensatórias.

Nesta altura do ano, assinalam-se datas importantes para a comunidade com deficiência auditiva, nomeadamente o Dia Internacional do Implante Coclear a 25 de fevereiro e o Dia Mundial da Audição a 3 de março. Enquanto presidente e sócio fundador da Associação OUVIR, reforço a necessidade de promover uma maior consciência sobre as necessidades das pessoas com deficiência auditiva, especialmente daquelas que recorrem a tecnologias de reabilitação auditiva para ouvir. Infelizmente, existe ainda um grande desconhecimento sobre a importância destes dispositivos e sobre a forma como podem facilitar a comunicação e a integração no meio profissional. A tecnologia evoluiu significativamente nos últimos anos, permitindo que muitas pessoas que antes estavam excluídas de ambientes comunicativos possam agora participar ativamente na sociedade e no mundo do trabalho. Contudo, a acessibilidade a essas tecnologias ainda não é universal e muitas pessoas enfrentam dificuldades económicas para obter ou manter aparelhos auditivos e implantes cocleares em condições ideais de funcionamento.

As pessoas com deficiência auditiva não precisam de ouvir ou falar com a mesma qualidade de um ouvinte para serem profissionais competentes e produtivos. A concentração, o rigor e a capacidade autodidata são apenas algumas das características que muitas dessas pessoas desenvolvem ao longo da vida e que podem ser altamente valorizadas no ambiente de trabalho. Com o avanço tecnológico, os meios de comunicação tornaram-se mais acessíveis do que nunca, permitindo uma participação plena e ativa de pessoas com deficiência auditiva na sociedade e no mercado de trabalho. Ferramentas como legendagem automática, aplicativos de transcrição em tempo real e sistemas de som adaptados são apenas alguns exemplos de como a tecnologia pode contribuir para uma comunicação mais eficaz. Contudo, sem políticas públicas e empresariais que incentivem a adoção destas soluções, muitas oportunidades continuam a ser desperdiçadas.

É fundamental desconstruir mitos e preconceitos que continuam a marginalizar as pessoas com deficiência. A sociedade não pode continuar a encarar a deficiência como um entrave absoluto ao desempenho profissional, mas sim como uma realidade que, com as adaptações e apoios certos, pode ser plenamente integrada no tecido laboral. Portugal tem agora uma oportunidade única para transformar a inclusão em ação concreta, utilizando o aumento das contribuições à Segurança Social como um motor para converter o desemprego entre as pessoas com deficiência em empregos dignos, justos e motivadores. É necessário um esforço conjunto entre o Estado, as empresas e a sociedade civil para criar condições reais de inclusão, garantindo que ninguém fica para trás por falta de oportunidades ou por barreiras evitáveis.

No final de contas, a inclusão laboral das pessoas com deficiência não é apenas uma questão de justiça social, mas também de desenvolvimento económico e inovação. A diversidade no local de trabalho traz benefícios a todos, fomentando um ambiente mais dinâmico, criativo e produtivo. Assim, apelo a todos – governantes, empresários, instituições e cidadãos – para que assumam um compromisso real com a inclusão, pois só assim conseguiremos construir uma sociedade mais justa, equitativa e preparada para responder aos desafios do futuro.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
O termalismo emerge, cada vez mais, como uma resposta contemporânea e natural às necessidades de saú

O crescimento global do setor do bem-estar tem sido evidente e encontra no termalismo um pilar estratégico para a saúde e para a melhoria da qualidade de vida. De acordo com os dados mais recentes do Global Wellness Institute (GWI), o mercado de bem-estar cresceu de 4,6 trilhões de dólares em 2020 para 5,8 trilhões em 2022, alcançando um recorde de 6,3 trilhões até ao final de 2023, com um crescimento anual de 9%. O bem-estar continua a expandir a sua representação na economia global, agora correspondendo a mais de 6% do PIB mundial, em comparação com 5,75% em 2019. Os relatórios do GWI evidenciam ainda que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a prevenção e com o autocuidado. Esta nova consciência está alinhada com as práticas termais, que oferecem tratamentos naturais, cientificamente comprovados, para diversas patologias relacionadas com problemas respiratórios, digestivos, reumatológicos, dermatológicos, entre outros, além de contribuírem, também, para a saúde mental e equilíbrio emocional dos cidadãos.

Neste contexto, Portugal tem uma longa tradição termal e perfila-se para este processo de transformação, adaptando-se às tendências globais e às exigências de uma população que procura envelhecer de forma saudável. Os recursos hidrogeológicos portugueses já são amplamente reconhecidos pela sua qualidade e diversidade e vários estudos têm vindo a sustentar essa veracidade. Segundo dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), Portugal conta com 44 estâncias termais ativas distribuídas de norte a sul, destacando-se pelas características únicas das suas águas.

Atualmente, algumas estâncias termais portuguesas são procuradas não apenas por motivos clínicos, mas também como espaços de lazer e bem-estar. Programas focados no relaxamento, na revitalização e na prevenção são especialmente atrativos para um público cada vez mais jovem, que começa a ver no termalismo uma nova forma de estar na vida, mais equilibrada e conectada com a natureza. Esta nova perceção do termalismo, aliando bem-estar e equilíbrio, ganha ainda mais relevância num contexto em que o envelhecimento da população é um dos grandes desafios contemporâneos.

Envelhecer não significa apenas somar anos, é também saber viver com qualidade. O termalismo desempenha aqui um papel essencial na promoção de um envelhecimento ativo e saudável. Os tratamentos termais são aliados na prevenção de doenças crónicas, no fortalecimento do sistema imunitário e no alívio de dores associadas ao envelhecimento, como problemas articulares e musculares. Contudo, para maximizar o impacto do termalismo na prevenção e no envelhecimento saudável, são necessárias medidas estruturais, incluindo:

  • Melhorar a Integração no Sistema Nacional de Saúde (SNS) – criar parcerias estratégicas que permitam aumentar a prescrição de tratamentos termais por profissionais de saúde, promovendo o acesso equitativo a estas terapias naturais;
  • Estabelecer Incentivos Fiscais e Subvenções – estabelecer incentivos fiscais para os cidadãos e estâncias termais, estimulando a procura por estes tratamentos;
  • Comunicação, Educação e Sensibilização – desenvolver campanhas de educação pública sobre os benefícios do termalismo, destacando o seu impacto na prevenção de doenças e na promoção de uma vida ativa e saudável;
  • Investir na Inovação Tecnológica – investir em soluções tecnológicas que melhorem a experiência termal, como aplicações digitais para monitorizar tratamentos e personalizar planos de saúde e bem-estar;
  • Promover o Desenvolvimento Sustentável – garantir que as estâncias termais respeitam os princípios de sustentabilidade, promovendo a conservação dos recursos naturais e a valorização da Água Mineral Natural;
  • Melhorar a Formação de Profissionais – implementar programas de formação especializados para todos os profissionais do setor, diretores clínicos, técnicos, fisioterapeutas, operacionais…  assegurando um elevado padrão de qualidade nos serviços oferecidos.

Além dos benefícios físicos, o termalismo é também um recurso essencial para a saúde mental. As práticas termais, combinadas com experiências de lazer, promovem momentos de relaxamento profundo, reduzem os níveis de stress e contribuem para o bem-estar emocional, elementos essenciais num mundo em que as doenças mentais, como a ansiedade e a depressão, atingem níveis alarmantes.

O termalismo alia a tradição à inovação, adota práticas sustentáveis, valoriza os seus recursos naturais e promove a economia local. Com um olhar voltado para o futuro, o termalismo é uma área que promete continuar a crescer, tanto no plano nacional como internacional. A integração de programas personalizados de saúde, que combinem tratamentos termais com práticas de mindfulness, exercício físico e nutrição equilibrada, coloca Portugal como um destino privilegiado para quem procura hábitos saudáveis.

O termalismo é, sem dúvida, uma nova forma de estar na vida. Mais do que um tratamento, é um estilo de vida que privilegia a prevenção, o equilíbrio e o bem-estar integral. Num mundo em que a qualidade de vida é a prioridade, o termalismo surge como um caminho natural para cuidar da saúde, da mente e do espírito. Uma nova perspetiva que devolve ao indivíduo o tempo e a serenidade necessários para viver de forma saudável.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Beira Interior
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um novo projeto de investigação que...

Este projeto é liderado pelo Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES) da FCTUC, em parceria com o Instituto Politécnico da Guarda (IPG) e o Instituto Politécnico de Viseu (IPV), contando ainda com o apoio de diversas entidades e empresas regionais, bem como com a colaboração da Universidade de Salamanca, Espanha.

Segundo Hermínio Sousa, coordenador do projeto e docente do Departamento de Engenharia Química da FCTUC, «o BI-WELLNESS aplica uma abordagem ‘Uma só saúde’, promovendo simultaneamente a saúde humana, animal e ambiental. Pretendemos criar produtos de valor acrescentado através da valorização de alguns recursos endógenos da Beira Interior, sob o conceito de Bioeconomia Circular e do desenvolvimento de tecnologias e de processos mais sustentáveis, nomeadamente de processos menos intensivos em termos de energia e de métodos de processamento "verdes", reduzindo o uso de solventes e de produtos químicos obtidos a partir de fontes não-renováveis».

Entre os produtos a serem desenvolvidos nesta fase do projeto encontram-se cosméticos, produtos de higiene pessoal e repelentes de insetos para animais de companhia e animais de produção. «Pretende-se desenvolver produtos exclusivos, baseados numa identidade regional “Beira Interior”, uma vez que estes serão coformulados com águas termais e com produtos naturais obtidos a partir de recursos biológicos endógenos da região, conferindo-lhes características diferenciadoras no mercado», acrescenta Hermínio Sousa.

Uma das vertentes inovadoras do projeto, conforme destaca Luís Silva, investigador e coordenador da equipa do IPG, é a aplicação de técnicas de deteção remota e processamento digital de imagem para mapear e georreferenciar plantas aromáticas autóctones ainda pouco exploradas, presentes nos parques naturais e reservas ecológicas da região.

A Beira Interior é um território de baixa densidade populacional que, nos últimos dez anos perdeu, em média, cerca de 3 mil habitantes por ano, com maior incidência nos concelhos de perfil mais rural. Os valores do PIB per capita da região continuam baixos, com níveis mais elevados de desemprego do que os de outras regiões NUTS III do país e da Europa. «Torna-se imperativo combater este panorama, nomeadamente através de medidas capazes de estimular e desenvolver atividades económicas mais sustentáveis e de âmbito local, fomentar a criação regional de riqueza multissetorial e dinamizar o turismo termal e de montanha, bem como combater a desertificação demográfica e promover o conhecimento e a criação de emprego qualificado», salienta Luís Silva.

Numa fase posterior, o projeto pretende alargar o desenvolvimento de produtos repelentes para animais companhia e de produção, contribuindo para o controlo de parasitas que, muitas vezes, são vetores de agentes patogénicos, alguns deles zoonóticos. De acordo com Catarina Coelho, docente da equipa do IPV, «isto contribuirá não só para a economia regional, dada a importância da produção animal e de produtos de origem animal na região, mas também para a saúde pública, ao mitigar o risco de transmissão de doenças entre animais e humanos».

Nesta fase de arranque do projeto, a equipa de investigação procura a colaboração de empresas regionais que tenham interesse no desenvolvimento conjunto para posterior comercialização deste tipo de produtos. «A colaboração efetiva de empresas, de preferência regionais, de áreas como cosmética, higiene pessoal e saúde animal, será crucial para o sucesso do projeto uma vez que, sem elas, os objetivos estabelecidos a médio e longo prazo nunca poderão ser alcançados. Acreditamos que, juntos, conseguiremos desenvolver, viabilizar e levar para outras zonas do país os aromas, os benefícios e a qualidade dos produtos da Beira Interior», conclui Hermínio Sousa.

Universidade de Coimbra
Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) está a estudar o cérebro de recém-nascidos para compreender de que...

Intitulado BarriersReveal – Desvendar o papel do sexo nas barreiras cerebrais durante o período neonatal, o projeto de investigação vai decorrer durante um ano e meio, sendo coordenado pela investigadora do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC, Vanessa Coelho-Santos, que se tem dedicado ao estudo do cérebro no período neonatal, que corresponde aos primeiros 28 dias de vida do bebé.

Vanessa Coelho-Santos explica que “os estudos científicos têm mostrado que bebés e crianças do sexo masculino têm maior risco de desenvolver transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e hiperatividade, frequentemente associados a infeções neonatais e neuroinflamação”. No entanto, “continuamos a não saber fisiologicamente como é que o sexo biológico influencia a maturação dos vasos e barreiras cerebrais, assim como a composição neuroimunológica, e como é que molda a suscetibilidade do sexo masculino a determinados transtornos ou o porquê de o sexo feminino ser mais resiliente; e é isso que procuramos revelar com esta investigação”, sublinha.

Sobre a importância de estudar o cérebro no período imediatamente após o nascimento, a cientista explica que “o cérebro neonatal está particularmente desprotegido devido ao intenso crescimento vascular e ao amadurecimento da barreira hematoencefálica, mas também ao sistema imunitário imaturo que protege o nosso cérebro, e, face a estas vulnerabilidades, é essencial conhecermos a fundo os impactos destes processos fisiológicos de crescimento para que seja possível desenvolver, futuramente, intervenções que impeçam a propagação de problemas que possam ter origem neste momento de vulnerabilidade do cérebro humano”.

Neste contexto, a equipa do projeto está a estudar barreiras cerebrais que controlam a comunicação com o sistema periférico. Entre elas estão as meninges, que envolvem e protegem o cérebro e contêm células imunes; a barreira hematoencefálica, que regula a passagem de substâncias e células do sangue para o cérebro, garantindo a sua proteção; e o plexo coroide, que, além de produzir o líquido que envolve o cérebro, também ajuda a controlar a resposta imunitária. Estas estruturas desempenham um papel essencial na defesa do cérebro, influenciando a forma como reage a infeções, toxinas e inflamações nos primeiros dias de vida.

Este projeto pré-clínico com murganhos pretende analisar a composição imunológica e a maturação nas diversas barreiras entre os sexos masculino e feminino durante o período neonatal. “Como ainda não existem dados moleculares disponíveis em seres humanos, o estudo começa em modelos pré-clínicos, com o intuito de, posteriormente, comparar os resultados com tecidos humanos”, partilha Vanessa Coelho-Santos.

As informações cerebrais vão ser obtidas com recurso a imagens do cérebro em tempo real, registadas a partir de microscopia de dois fotões, uma metodologia de imagem de ponta que permite captar imagens de alta resolução ao longo do tempo. Vai ser também utilizada uma técnica laboratorial chamada citometria de fluxo, que permite examinar várias propriedades das células. “Estas interfaces vão ser estudadas de forma comparativa entre murganhos recém-nascidos de ambos os sexos para que seja possível perceber que diferenças existem entre o sexo feminino e o sexo masculino, e como é que esses aspetos diferenciadores explicam e conduzem à já provada maior suscetibilidade do sexo masculino a infeções e doenças do neurodesenvolvimento”, elucida a investigadora da UC.

Esta investigação é financiada com cerca de 50 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e conta com a colaboração da médica e investigadora do Instituto de Investigação Infantil de Seattle, Juliane Gust.

Pequenos hábitos que fazem a diferença
O silêncio, por vezes, pode ser interrompido por um som fantasma: o zumbido. Descrito como um apito, assobio, ou até mesmo um...

A sua origem pode ser variada, desde a exposição a ruídos intensos, ao stress e ansiedade do quotidiano, ou até mesmo à acumulação de cera. Independentemente da causa, é importante encarar o zumbido não como um inimigo, mas como um sinal do corpo que pede atenção.

Para quem procura um maior bem-estar auditivo, os audiologistas recomendam pequenas mudanças de hábitos que podem fazer toda a diferença:

 

  • Proteja os ouvidos: Num mundo repleto de estímulos sonoros, proteger a audição é essencial. Optar por tampões auditivos em ambientes ruidosos, como concertos ou obras, e moderar o volume dos auscultadores são gestos simples que contribuem para uma boa saúde auditiva a longo prazo.
  • Reduza o stress e a ansiedade: O zumbido pode ser amplificado por elevados níveis de stress. Práticas como yoga, meditação ou caminhadas ao ar livre ajudam a acalmar a mente e minimizar o impacto do zumbido.
  • Priorize o descanso: Uma boa noite de sono é fundamental para o bem-estar geral e para uma melhor gestão do zumbido. Criar uma rotina de sono regular, com 7 a 8 horas de descanso, contribui para um equilíbrio físico e mental, permitindo lidar melhor com os desafios do dia a dia, incluindo o zumbido.
  • Modere os estimulantes: O café, o álcool, o chá (verde ou preto), as bebidas gaseificadas e o tabaco podem intensificar a perceção do zumbido, pelo que, moderar o consumo destas substâncias pode ser um passo importante para um maior conforto auditivo.
  • Preencha o silêncio com harmonia: Em ambientes silenciosos, o zumbido tende a ser mais notório. Criar uma atmosfera sonora suave, com música relaxante ou sons da natureza, pode ajudar a disfarçar o zumbido e a promover uma sensação de tranquilidade.

Mari Rosberg, Audiologista na Widex – Especialistas em Audição, explica ainda que “O zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma. Compreender a sua origem e adotar estratégias de gestão personalizadas é essencial para reduzir o impacto na qualidade de vida”.

Viver com zumbido pode ser um desafio, mas com as estratégias certas, é possível alcançar um equilíbrio sonoro e viver uma vida plena sem limitações. É importante ter em conta que cuidar da saúde auditiva é um investimento no seu bem-estar geral.

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