Estudo
A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) divulgou os resultados do estudo “Fadiga, Sonolência e Distúrbios do sono - Que impacto...

O estudo analisou os hábitos de condução e revelou que 58% dos condutores conduziram pelo menos uma vez no ano anterior quando estavam demasiado cansados e que 33% conduziram tão sonolentos que tinham dificuldades em manter os olhos abertos. O estudo destaca ainda que 9,4% dos condutores adormeceram ao volante enquanto conduziam.

Os condutores profissionais, trabalhadores por turnos e jovens estão particularmente vulneráveis à fadiga na condução, devido a horários irregulares e a estilos de vida que aumentam o risco de sonolência ao volante. Embora 86,9% dos condutores reconheçam que não se deve conduzir com sono e 91,4% admitam que essa condição aumenta o risco de acidente, 9,6% afirmam que continuariam a conduzir mesmo cansados e 18,4% acreditam que conseguem fazê-lo em segurança.

Os condutores demonstram reconhecer o elevado risco da condução sob fadiga: 80,5% consideram arriscado conduzir quando se está cansado e 90,6% quando se está sonolento. No entanto, 5,2% ainda consideram aceitável conduzir quando têm dificuldade em manter os olhos abertos.

O estudo destaca ainda que 8,4% dos condutores estiveram envolvidos em, pelo menos, um acidente rodoviário no último ano, sendo que destes, 29,7% apontam o cansaço ou a sonolência como a principal causa do último acidente. Quanto aos quase-acidentes, 44,9% dos condutores afirmam ter tido, pelo menos, um nos últimos 12 meses, com 20,9% desses casos associados à fadiga ou sonolência.

Os resultados revelam que 26% dos condutores apresentam níveis de sonolência excessiva. Já 1 em cada 5 condutores apresentam alto risco de sofrer de apneia do sono, sendo que 10,7% relataram já ter sido diagnosticados com algum distúrbio do sono. Destes, destacam-se a insónia (53%) e a apneia do sono (41%).

É essencial investir em campanhas de sensibilização e de prevenção relativamente aos perigos da fadiga e da sonolência na condução, com destaque para o impacto dos distúrbios do sono principalmente a Insónia e a Apneia Obstrutiva do Sono, assim como  a importância do seu tratamento adequado”, afirma Jorge Correia, Diretor-geral da VitalAire Portugal.

A fadiga é um fator de risco significativo, comparável à condução sob influência de álcool, excesso de velocidade e distração, contribuindo para uma percentagem considerável de acidentes rodoviários. Embora com menos notoriedade, o investimento no tratamento dos distúrbios do sono é fundamental para contribuir para a prevenção da sonolência diurna e, consequentemente, reduzir o risco de acidentes ao volante”, acrescenta.

Entre as estratégias mais comuns para combater a fadiga ao volante, destaca-se abrir as janelas ou ligar o ar condicionado (40,8%), parar para comer, fazer exercício ou relaxar sem dormir (34,6%), aumentar o volume do rádio (34,3%), beber cafeína ou tomar comprimidos de cafeína (28,9%) e conversar com os passageiros (25,2%). No entanto, as medidas, como parar para dormir uma sesta (11,2%) ou pedir a um passageiro para assumir a condução (13,0%), são das menos adotadas, apesar de serem consideradas altamente eficazes por 82,5% e 86,5% dos condutores, respetivamente.

Alain Areal, Diretor-geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) destaca, “este estudo revela que a fadiga na condução é um problema preocupante a nível nacional. Um em cada três condutores declararam ter conduzido com sonolência extrema. Muitos condutores subestimam os riscos e sobrestimam as suas capacidades para lidar com a fadiga, utilizando estratégias ineficazes que aumentam o risco de acidente. É essencial sensibilizar os condutores sobre as causas, efeitos e sintomas da fadiga, por meio de campanhas e programas de educação e formação. Além disso, são necessárias medidas complementares, como melhorias na infraestrutura (áreas de repouso, guias sonoras), fiscalização, incentivo ao uso de veículos com sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) e deteção de fadiga, e maior enfoque das empresas na gestão do risco associado à fadiga na condução. Uma abordagem integrada é crucial para reduzir os acidentes relacionados à fadiga.”.

Dia Mundial do Rim assinala-se a 13 de março
No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Rim, a Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) vai realizar diversas...

Da iniciativa faz parte o jogo educativo “À descoberta dos nossos rins”, criado pela Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR) com o apoio da ANADIAL. Este recurso educativo, oferecido gratuitamente a diversas escolas do país, já chegou a cerca de 3.000 alunos e tem como objetivo complementar os conteúdos curriculares sobre as funções vitais do corpo humano, com foco no sistema urinário.

Nas sessões, profissionais de saúde irão explicar como o jogo funciona e alertar os alunos sobre a importância da prevenção da doença renal crónica. O intuito é aumentar o conhecimento e a compreensão sobre a doença, incentivando a sua prevenção desde a infância.

A doença renal crónica é uma doença provocada pela deterioração lenta e irreversível da função renal. Como consequência da perda da função renal, existe retenção no sangue de substâncias que normalmente seriam excretadas pelo rim, levando à acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue (azotemia ou uremia). Doenças como a hipertensão arterial, diabetes e doenças hereditárias podem provocar lesões nos rins e causar insuficiência renal crónica. Nos estádios mais avançados, os portadores desta doença precisam de efetuar regularmente tratamentos de substituição da função renal , como a hemodiálise e a diálise peritoneal, ou o transplante renal.

O jogo “À descoberta dos nossos rins” inclui um dossiê completo com instruções, cartas de jogo, um póster educativo e fichas de atividades. Os materiais encontram-se disponíveis online, através do seguinte link: https://www.apir.org.pt/publicacoes/jogo-a-descoberta-dos-nossos-rins/

 

Reduzir risco de transmissão de infeções hospitalares
A Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver novas abordagens, focadas no ser humano, com o objetivo de melhorar o clima...

O projeto “Human - Centric Indoor Climate for Healthcare Facilities (HumanIC)”, liderado pela Universidade Técnica de Varsóvia, em que participam as faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC), é uma rede doutoral financiada no âmbito do Programa Marie Curie e visa a redução do risco de transmissão de infeções hospitalares em unidades de saúde.

Esta investigação engloba e financia os trabalhos de onze teses de doutoramento a ser realizadas em oito universidades europeias de referência. A abordagem proposta ultrapassa os métodos tradicionais, que se concentram exclusivamente nos edifícios e nos seus sistemas de ventilação e climatização, propondo soluções que integram as interações complexas entre fontes de contaminação, fluxos de ar e as necessidades clínicas e energéticas dos hospitais.

«Há evidências claras de que os escoamentos de ar controlam a dispersão e a exposição a agentes patogénicos transportados pelo próprio ar e depositados nas superfícies nos microambientes que rodeiam e estão nas proximidades do corpo humano. Desta forma, pretendemos desenvolver métodos inovadores que analisam as interações humanas com os microambientes de risco, como salas de cirurgia e enfermarias», explica Manuel Gameiro da Silva, docente do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da FCTUC e coordenador do projeto na UC.

«O objetivo é minimizar a propagação de agentes patogénicos transportados pelo ar, garantindo ao mesmo tempo conforto térmico e segurança. Ao gerar novos conhecimentos sobre a transmissão de contaminantes e a dinâmica dos fluxos de ar, pretendemos otimizar o design de soluções técnicas e implementar métodos eficazes de controlo do clima interior em hospitais», afirma o também investigador da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI).

Com um programa de investigação ambicioso e uma formação especializada, o consórcio HumanIC visa criar uma nova geração de cientistas e engenheiros que compreendam as implicações destas interfaces no futuro design hospitalar. «Este esforço é o resultado de uma colaboração entre equipas académicas europeias de topo e parceiros da indústria de AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e saúde», realça o especialista.  

De acordo com Manuel Gameiro da Silva, o conceito de clima interior centrado no ser humano refere-se ao microambiente que rodeia o corpo humano, privilegiando a segurança e o bem-estar dos doentes. «Este tipo de clima interno desempenha um papel crucial em locais como salas de operações, unidades de isolamento e laboratórios, onde a segurança depende de condições ambientais altamente controladas.

As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) continuam a ser um desafio sério. Estima-se que, anualmente, mais de 4 milhões de doentes contraiam infeções nos hospitais da União Europeia, com cerca de 80 mil doentes afetados diariamente. Estas infeções, agravadas pela resistência antimicrobiana, representam não só um risco elevado de mortalidade, mas também custos significativos. Estudos recentes mostram que a melhoria do ambiente interior hospitalar pode reduzir os custos associados a doenças transmitidas pelo ar em 9% a 20%.

A pandemia de Covid-19 demonstrou a importância de um design hospitalar eficaz, à medida que muitos hospitais foram obrigados a operar além da sua capacidade normal. Este desafio é agravado pelas alterações climáticas, que aumentam a procura por cuidados de saúde devido a novas doenças e infeções relacionadas com o calor, bem como à necessidade de manter condições térmicas confortáveis nos hospitais, sem comprometer a eficiência energética.

O projeto HumanIC é financiado pela Comissão Europeia, através do programa Horizonte Europa, com o valor global de 2,7 milhões de euros, decorrerá até 2027 e conta com a participação de parceiros académicos e tecnológicos de uma dezena de países.    

Mais informações no site oficial do projeto.

Estudo
A propósito do Dia Internacional da Mulher, a TEAM LEWIS, agência global de marketing, lança uma nova investigação que concluiu...

O estudo, que apoia a iniciativa HeForShe – o movimento das Nações Unidas pela igualdade de género –, revela que a sensibilização do público para a desigualdade entre homens e mulheres aumentou, mas as questões geopolíticas têm ofuscado esta questão. Mais de 75% dos inquiridos acredita que as empresas ainda precisam de implementar políticas para as mulheres no local de trabalho.

Noutras conclusões relevantes:

  • Um terço das mulheres (32%) já reconsiderou o seu emprego devido à política interna da empresa. Entre elas, 45% diz que a razão para tal é a inflexibilidade no trabalho.
  • Apenas 17% das mulheres recebeu um aumento salarial no último ano, em comparação com 24% dos homens.
  • As mulheres continuam a estar sub-representadas em cargos de liderança. A percentagem de mulheres em cargos de gestão de topo diminuiu para 53% este ano, contra 56% em 2023 e 2024.

A investigação revela ainda que existe uma ansiedade crescente em relação aos preconceitos de género na IA. Para começar, apenas 28% dos inquiridos tinha conhecimento dos preconceitos de género que podem estar programados na IA. Depois de o saber, mais de metade (51%) manifestou preocupação. Para além disso, 66% acredita que os governos devem introduzir regulamentações para garantir que a IA não apresenta preconceitos de género.

A preocupação com a retórica sexista nas redes sociais também é elevada, sobretudo entre a Geração Z (80%) e os Millennials (76%). Mais de um terço acredita que a moderação de conteúdos deve ser reforçada no TikTok (38%), no Facebook (36%) e no Instagram (35%). Também quase um terço dos inquiridos (30%) acredita que os homens são mais bem tratados no espaço online – um sentimento que aumenta (40%) entre a Geração Z. A maior parte das mulheres diz bloquear ou silenciar (‘mute’) os utilizadores que partilham conteúdo retórico sexista (39%) ou mesmo reportá-los (38%); e o mesmo acontece com a maior parte dos homens (37%). Contudo, uma percentagem preocupante da população (35%) indica simplesmente ignorar esse tipo de partilhas e não fazer nada.

O estudo descreve ainda ações que podem ser tomadas para apoiar a igualdade de género. Relativamente ao local de trabalho, as mulheres querem que os homens defendam a igualdade de oportunidades de liderança (39%) e desafiem a discriminação baseada no género (39%). Felizmente, a investigação revelou também que os homens estão preparados para dar um passo em frente. Quando questionados, afirmaram sentir-se mais à vontade do que antes para defender a igualdade de remuneração (41%), denunciar a discriminação (37%) e partilhar as responsabilidades domésticas ou de cuidar dos filhos (35%).

“Os direitos, a igualdade e a capacitação das mulheres continuam a ser vitais para a prosperidade global. Não nos podemos dar ao luxo de ficar à margem. A igualdade é uma responsabilidade de todos, e 2025 é o ano em que os homens e os rapazes devem estar ao lado das mulheres e das raparigas para ajudar a concretizar a mudança,” afirmou Vesna Jaric, Global Head of HeForShe, UN Women.

O relatório completo pode ser consultado aqui.

 

Quando as Mulheres Dormem
Conjunto de 12 fotografias da autoria de Sandra Ventura e Tiago Batista em parceria com o projeto Um Sono de Mulher será...

Com o objetivo de sensibilizar a população sobre os distúrbios do sono nas mulheres e desmistificar alguns conceitos culturais relacionados com os mesmos, o projeto Um Sono de Mulher nasceu há quatro anos sob a liderança de Susana Sousa, médica pneumologista com competência em Medicina do Sono.

“Nas sociedades atuais e ao ritmo a que vivemos, é diário o malabarismo das mulheres para não deixar cair por terra nenhuma das suas responsabilidades: a profissão, a família, a casa e o cuidado com os outros. Numa gestão apertada onde não sobra tempo para nada, o sono é relegado para último plano”, explica. “Aliás, não são raras as famílias onde a mulher é a primeira a acordar, de manhã, e a última a deitar-se, à noite”, acrescenta a especialista. O resultado da normalização desta má rotina do sono é um cansaço acumulado, um estado de exaustão permanente e, em última instância, uma fragilização do estado geral de saúde física, cognitivo e emocional.

Apesar dos distúrbios do sono na mulher não estarem devidamente estudados, uma vez que a investigação incide, sobretudo, na população masculina, sabe-se que “fenómenos biológicos e variações hormonais de que a mulher é alvo ao longo da sua vida favorecem também a má qualidade do sono: a adolescência e as cólicas das primeiras menstruações, a gravidez, o pós-parto, a amamentação e a menopausa. Em cada uma destas fases, as alterações do sono cursam com sintomas de irritabilidade, ansiedade e, muitas vezes, depressão”.

No caso da apneia obstrutiva do sono, doença que se estima que possa afetar 1 bilião de pessoas, entre os 30 e 69 anos, com uma prevalência de cerca de 27,3% nos homens e 22,5% nas mulheres, sabe-se também que a apresentação clínica nas mulheres é diferente da dos homens, com menor sonolência e roncopatia, mas índices aumentados de insónia, fadiga e sintomas depressivos, o que justifica o subdiagnóstico. Além disso, as mulheres apresentam complicações como o desenvolvimento de doenças cardiovasculares superiores às observadas nos homens.

De acordo com Susana Sousa, “a doença é ainda encarada como tipicamente masculina, com questionários clínicos desenhados para a população masculina e com evidência científica proveniente, em sua maioria, de estudos compostos por homens. A reduzida suspeição diagnóstica por parte dos profissionais de saúde e a não perceção e normalização dos sintomas dificultam um diagnóstico precoce que permita o início do tratamento atempado de forma a prevenir complicações”.

Porque uma população bem informada estará sempre mais apta a proteger a sua saúde, o projeto Um Sono de Mulher tem vindo a recorrer à arte e à cultura como instrumentos de literacia em saúde.

“Desde 2021 que assinalamos o Dia Internacional da Mulher com iniciativas que promovem o debate sobre o tema. Acreditamos que, ao longo destes anos, temos conseguido transmitir uma mensagem importante para os profissionais da área clínica. Em 2024, decidimos alcançar a população de uma forma diferente para promover a literacia em saúde: um livro. O Sono Delas foi lançado no dia 8 de março e é uma coletânea de contos, cada um baseado em um caso clínico real, escrito por cinco reconhecidas autoras nacionais, que souberam dar voz às mulheres.

Mantendo o mesmo objetivo de chegar à população abordando a importância do sono na mulher, em 2025 decidimos usar outra manifestação de arte: a fotografia. 

Quando as Mulheres Dormem é o nome desta coleção de 12 fotografias que contrariam as imagens que, culturalmente, nos são incutidas desde a infância: a de mulheres bonitas e serenas, mergulhadas num sono profundo como Belas Adormecidas. Mas, sabemos que, longe da ficção, as mulheres dormem quando, onde e como podem. No autocarro, na biblioteca, num intervalo do trabalho. Este é lado não romantizado do sono das mulheres. Este é o retrato em que cada mulher se revê.

Com experiência prévia em projetos sobre o envelhecimento em Portugal, Sandra Ventura e Tiago Batista, fotógrafos especializados em retrato, aceitaram esta parceria ao primeiro convite: “Desta vez, aceitámos um novo desafio, explorando a importância do sono na vida da mulher. Este projeto expande o nosso olhar fotográfico, mantendo a profundidade e o respeito que sempre guiaram o nosso trabalho”, referem.

Segundo Sandra e Tiago, “a fotografia tem o poder de contar histórias sem palavras, capturando momentos que revelam mais do que o olhar alcança”.  Neste novo projeto, “mergulhamos num tema essencial: a importância do sono na vida da mulher”.

Com a mesma sensibilidade e respeito que sempre orientaram o seu trabalho, aceitaram este desafio para explorar o descanso como um reflexo da condição humana. “Cada imagem convida à reflexão sobre um gesto tão simples e ao mesmo tempo, tão essencial: dormir”.

A exposição, que se pretende itinerante, será apresentada, em primeira mão, no dia 7 de março, a um grupo restrito de profissionais de saúde que trabalham na área da Medicina do Sono, e seguirá depois viagem por todo o país, de forma a estar acessível ao maior número de pessoas. Hospitais, Câmaras Municipais, Casas de Cultura, Galerias e outros espaços públicos são alguns dos sítios onde a exposição poderá ser visitada.

 

Portugal dorme mal
No âmbito do Dia Mundial do Sono, que se assinala no próximo dia 14 de março, a Associação Portuguesa de Sono (APS) divulga os...

A análise decorreu ao longo de três meses e envolveu um questionário dirigido aos pais de crianças dos 0 aos 12 anos. Os dados revelaram que 24,2% das crianças partilham o quarto com os pais (room sharing), enquanto 18,5% dormem na mesma cama (bed sharing). Entre os principais motivos apontados pelos pais para essa prática, destacam-se: 24,5% referem que os filhos acordam frequentemente durante a noite; 26,2% afirmam sentir-se mais seguros ao tê-los por perto; e 23,2% mencionam dificuldades das crianças em adormecer. “Estes dados mostram que uma percentagem significativa de crianças dorme no quarto ou na cama dos pais, muitas vezes devido a dificuldades em adormecer ou despertares noturnos frequentes. Estes hábitos, embora compreensíveis, podem impactar a qualidade do sono infantil e até mesmo a dinâmica familiar”, refere a pediatra do Centro Materno-Infantil do Norte, da ULS Santo António. 

A qualidade do sono na infância é determinante para o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, mas os desafios observados nos hábitos infantis refletem uma tendência mais ampla na população portuguesa. Os padrões inadequados de sono na infância podem perpetuar-se ao longo da vida, contribuindo para um cenário preocupante a nível nacional. Mais de 50% da população tem um sono de má qualidade, uma realidade preocupante com impacto direto na saúde e qualidade de vida. Os números tornam-se ainda mais alarmantes quando analisamos grupos específicos: pelo menos 30% das crianças têm algum problema de sono, enquanto mais de 50% dos adultos dormem menos de seis horas por dia.

Adicionalmente, metade da população já experienciou episódios de insónia aguda em alguma fase da vida. “A má qualidade de sono afeta negativamente o dia das pessoas, com sensação de sono não reparador, dificuldade de concentração, falta de energia, distúrbios de humor (irritabilidade, agressividade), diminuição do rendimento escolar e laboral, com impacto no absentismo”, explica a Dr.ª Daniela Sá Ferreira, Presidente da Direção da APS.

O impacto reflete-se no quotidiano, afetando o desempenho profissional, a concentração e a saúde mental. A evidência científica demonstrou que a sonolência é uma das principais causas de acidentes de tráfego automóvel, que a falta de sono triplica as probabilidades de ter um acidente vascular cerebral (AVC) e que a obesidade e as doenças cardiovasculares estão diretamente relacionadas com a privação de sono. 

Para celebrar o Dia Mundial do Sono, a APS une esforços com o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) para apoiar a campanha mundial do World Sleep Day, este ano sob o mote “Faça do sono uma prioridade”, reforçando a importância do sono para a saúde e o bem-estar.

Entre as iniciativas programadas para este dia está o lançamento do livro “Uma Viagem Ilustrada ao Mundo do Sono – desenhos e quadras de jovens artistas sobre a importância do sono”, uma obra coletiva criada por 89 crianças e adolescentes, do 1.º Ciclo ao Ensino Secundário. Em Lisboa, o lançamento acontecerá no Auditório do CIUL (Centro de Informação Urbana de Lisboa), enquanto no Porto terá lugar na Casa do Infante. No dia 14 de março, será também apresentado um hino dedicado à importância de priorizar o sono, interpretado pelo músico João Leiria. A canção será divulgada nas redes sociais da APS, reforçando a mensagem sobre os benefícios de um sono de qualidade. Além disso, as redes sociais da APS irão também disponibilizar conteúdos informativos, incluindo dicas, infográficos e outras informações relevantes, com o objetivo de sensibilizar a população e promover uma maior literacia sobre a importância do sono.

Congresso Português de Hepatologia na Figueira da Foz
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) vai realizar o Congresso Português de Hepatologia, entre os dias 27 e 29...

“Esta reunião será uma excelente oportunidade para atualização científica e para apresentação de trabalhos de investigação, que divulgarão os resultados da investigação básica e clínica realizada em centros portugueses. Durante três dias, os participantes poderão contar, também, com um espaço de convívio e de partilha de experiências entre colegas que têm em comum o interesse pelas doenças do fígado”, explica Arsénio Santos, presidente da APEF.

E acrescenta: “Apostámos num programa científico completo e equilibrado, de maneira que possam ser abordados e revistos os temas mais importantes, com destaque para os avanços recentes, do ponto de vista do conhecimento científico e das inovações terapêuticas. Acreditamos que será um momento único de aprendizagem para os profissionais de saúde poderem adaptar as recomendações internacionais à nossa realidade nacional”.

O Congresso Português de Hepatologia assinala também a 28.ª Reunião Anual da APEF e contará com a participação de especialistas de renome, nacionais e internacionais, que  abordarão alguns dos assuntos mais importantes na área da Hepatologia.

Para mais informações e inscrições consulte: https://apef.com.pt/congresso-portugues-de-hepatologia-2025/

Portugal acolhe a 8.ª edição do ECBIP
O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, vai receber, entre 8 e 10 de maio, a 8.ª edição do ECBIP – European Congress for...

Organizado pela EABIP (European Association of Bronchology and Interventional Pulmonology), este Congresso vai decorrer sob o mote “Inovação na Pneumologia de Intervenção: novas oportunidades e desafios futuros na era da medicina de precisão”.  De acordo com o Comité Organizador Local, a escolha deste tema deve-se ao facto de a Pneumologia de Intervenção estar a atravessar “uma transformação notável, impulsionada pelas novas tecnologias - que melhoram a precisão do diagnóstico e as opções terapêuticas - e que estão a mudar a prática clínica. O tema do ECBIP 2025 pretende, precisamente, refletir esta evolução proporcionando um espaço para discutir as inovações, para avaliar o seu impacto no mundo real e para explorar desenvolvimentos futuros com especialistas de todo o mundo”.

Dada a pertinência dos temas e do painel, a expetativa da organização é que este seja “um evento importante no calendário da especialidade para 2025”, sendo esperada “uma forte presença internacional, não só de pneumologistas de intervenção, mas também de cirurgiões torácicos, oncologistas, radiologistas e outros profissionais, como investigadores”.

A realização em Portugal do ECBIP, que tem uma periodicidade bienal, “representa um momento importante para a Pneumologia de Intervenção a nível nacional, uma vez que é a primeira vez que um congresso nesta área e desta dimensão acontece no nosso país. Além disto, o evento destaca também o papel de Portugal no panorama científico europeu, reforçando o seu compromisso com a inovação e com a excelência nos cuidados de saúde.”, refere Fernando Guedes, pneumologista e um dos elementos do Comité Organizador Local.

O especialista não tem dúvidas de que esta “é uma oportunidade para os especialistas nacionais se envolverem com os mais recentes desenvolvimentos na área, para apresentarem as suas próprias investigações e para estabelecerem contacto com colegas internacionais”. O ECBIP 2025 vai oferecer “um programa equilibrado que combina atualizações científicas, formação prática e oportunidades de networking”, pelo que a organização reforça a importância de os profissionais da área responderem ao desafio e participarem neste evento.

Para mais informações sobre inscrições/programa completo aceda aqui.

Hospital de Santo António
O livro infantil ‘O Segredo de Leo’, projeto inédito do Centro Materno Infantil do Norte – Unidade Local de Saúde de Santo...

“Os cuidados de saúde respiratórios representam, muitas vezes, uma fonte de ansiedade e medo para as crianças e para as suas famílias, o que dificulta a aceitação e adaptação. Importa, por isso, eliminar estigmas, desmitificar os cuidados respiratórios domiciliários e, acima de tudo, explicar às crianças com doenças respiratórias que a sua condição de saúde não é um limite. ‘O Segredo de Leo’ foi criado para inspirar as crianças a verem o mundo com outros olhos”, afirma a pediatra Vanessa Costa.

O livro conta a história de Leo, um menino que vive com uma doença respiratória, mas que não vê isso como uma condicionante. Leo é um personagem corajoso e sonhador, que aborda a temática da ventilação e de outros dispositivos de apoio respiratório de forma simples e clara, inspirando outros meninos com realidades semelhantes a deixarem o medo de lado e a adaptarem-se ao tratamento.

“Este livro transmite uma mensagem de esperança para aqueles que vão lê-lo, reforçando que, se forem capazes de sonhar e tiverem o apoio que mais precisam e de quem mais gostam, são capazes de fazer tudo o que quiserem. No caminho podem existir dias mais difíceis, mas isso não deve condicionar os nossos sonhos. E, em particular, o sonho destes meninos e meninas que só querem brincar e fazer as mesmas atividades que os seus amigos”, acrescenta a especialista. 

Destinada a crianças de todas as idades e às suas famílias, esta obra literária vai ser distribuída pela Unidade de Pneumologia do Centro Materno-Infantil do Norte e pela Linde Saúde, empresa líder em cuidados respiratórios domiciliários, que apoiou a concretização deste projeto. A versão digital do livro ‘O Segredo de Leo’ está também disponível para download em: www.lindesaude.pt .

 

Dia Mundial do Rim | 13 de março
Para assinalar o Dia Mundial do Rim, celebrado a 13 de março, a Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) lança um...

No novo episódio, o especialista destaca a importância dos rins para o bom funcionamento do organismo e os desafios da doença renal crónica. “O rim é um órgão fascinante, um grande laboratório com várias secções que regulam funções vitais distintas”, afirma.

A conversa passa ainda pela transplantação renal e pela experiência do especialista tanto como médico como dador. Depois de uma carreira dedicada a acompanhar centenas de candidatos a dador, tornou-se a primeira pessoa em Portugal a doar um rim a um recetor anónimo (doação não dirigida).

Com 12 episódios, o podcast “À conversa sobre Diálise” comemora o 40.º aniversário da ANADIAL, tendo como objetivo abordar a evolução do tratamento da doença renal crónica ao longo das últimas quatro décadas. Apresentado pela jornalista Isabel Moiçó, convida mensalmente um especialista para debater temas relevantes para doentes renais, profissionais de saúde e o público em geral.

“Ao longo destes 40 anos, muitas transformações ocorreram na medicina, especialmente no tratamento da doença renal crónica. Este podcast oferece-nos a oportunidade de refletir sobre essas mudanças, com a colaboração de especialistas, figuras políticas e doentes renais, que celebram connosco este marco. O resultado é um produto informativo e acessível a todos os ouvintes”, afirma Sofia Correia de Barros, presidente da ANADIAL.

Em Portugal, cerca de 13 mil portugueses com doença renal crónica realizam hemodiálise. Este tratamento, com grande impacto na vida quotidiana dos doentes, é essencial à sua sobrevivência. Mais de 90% dos doentes em hemodiálise realizam os seus tratamentos numa extensa rede de prestadores privados ao abrigo das convenções com o Serviço Nacional de Saúde.

O novo episódio já está disponível no YouTube e Spotify.

 

Dados do Registo Nacional desta doença
Em 2023, oito em cada 10 novos doentes que atingiram o estádio V da doença renal crónica começaram a fazer hemodiálise (80,2%)...

Desde 1984 que se tem procurado traçar o cenário da doença em Portugal através do envio de inquéritos anuais para os centros de hemodiálise, unidades de diálise peritoneal e centros de transplante. Em 2023, à semelhança do que tem acontecido nos outros anos, foram recebidas respostas de todas as unidades nacionais: 139 centros de hemodiálise, 26 unidades de diálise peritoneal, oito centros de transplante renal para adultos e um centro pediátrico.

Uma fonte de dados importante, que confirma que a diabetes (31,3%) e a hipertensão (11,2%) são os principais responsáveis pelos novos casos, enquanto as doenças cardiovasculares (27,9%) e as infeções (26,5%) tornaram-se os principais motivos de mortalidade entre os doentes em hemodiálise, seguidos das neoplasias (10,2%), sobretudo nas pessoas com mais de 65 anos (83,7%).

O relatório atesta ainda uma tendência emergente: cresce a sensibilização dos médicos e doentes para o tratamento conservador, fazendo com que mais doentes optem por esta via (8,4% em 2023). No entanto, os números existentes ainda subvalorizam o registo deste grupo de doentes, devido a problemas de definição do âmbito desta designação. 

Os resultados mostram também que mais de 28% dos doentes que entraram em diálise em 2023, ou seja, mais de um em cada quatro, têm acima dos 80 anos e que apenas 1,2% conseguem realizar um transplante, em geral com um dador vivo, sem passar pela diálise (conhecido como 'preemptive transplantation'). De referir que a idade média dos doentes hemodialisados subiu para os 68,5 anos, com 13% a chegarem à hemodiálise.

Quanto à diálise domiciliária, assistiu-se a um crescimento sustentado da diálise peritoneal, realizada em casa pelos doentes ou cuidadores preparados para o efeito: em 2023, mais 9,3% iniciaram este tipo de diálise, tendo a média de idades diminuído para 56,1 anos e a mortalidade caído 5,3%.

Em relação aos transplantes, os dados confirmam que em Portugal, desde 1980, foram já efetuados 15.556 transplantes renais, um número que tem vindo sempre a aumentar (547 em 2023, mais 10% face ao ano anterior). A taxa de dador de cadáver continua também elevada (cerca de 89%), com um número crescente (11%) de doentes a receberem o órgão de um dador vivo.

Recorde-se que a doença renal crónica afeta cerca de um milhão de pessoas em Portugal, ainda que grande parte da população tenha pouco conhecimento sobre esta doença silenciosa, que pode progredir sem sintomas evidentes até as suas fases mais avançadas.

Especialistas em fertilidade alertam
No mês em que se assinala o Dia Internacional da Mulher, especialistas em fertilidade alertam para a importância da informação...

De acordo com a Dra. Nisa Félix, Médica Especialista em Ginecologia/Obstetrícia na Ferticentro, "o principal fator que impacta a fertilidade feminina é a idade. O pico da fertilidade ocorre por volta dos 20 anos e começa a diminuir após os 30. A partir dos 35-40 anos, a redução torna-se mais acentuada e, depois dos 45, a fertilidade é praticamente nula". 

Contudo, outros fatores também podem comprometer a fertilidade, como o tabagismo, o consumo de álcool, dietas restritivas, carências vitamínicas e prática excessiva e desequilibrada de exercício físico. "Todas estas condições podem comprometer o ciclo menstrual, dificultando a conceção", acrescenta a Dra. Giselda Carvalho, também Médica Especialista em Ginecologia/Obstetrícia na Ferticentro. 

Além disso, determinadas condições médicas, como doenças oncológicas, patologias ginecológicas e doenças autoimunes, podem ter um impacto na capacidade reprodutiva. A reserva ovárica, que representa a quantidade de óvulos disponíveis nos ovários, vai diminuindo ao longo da vida e pode ser avaliada através de exames específicos. "É importante lembrar que ter uma reserva ovárica baixa não significa automaticamente dificuldades em engravidar, mas é um indicador útil para tomar decisões sobre a maternidade", explica a especialista. 

Consequentemente, uma das soluções que tem ganho destaque nos últimos anos é a criopreservação de óvulos, um procedimento que permite às mulheres preservar a sua fertilidade para o futuro. "A criopreservação de óvulos deve ser considerada por toda as mulheres que não têm intenção de ser mãe antes dos 35 anos, pelos mais diversos motivos, sejam estes profissionais, pessoais, condições médicas, ausência de parceiro/a de momento ou até mesmo o facto de não se sentirem ainda preparadas para a maternidade”, afirma a Dra. Nisa. O processo consiste na estimulação dos ovários, recolha dos óvulos e posterior congelamento para uso futuro. "Não é uma garantia absoluta de gravidez, mas aumenta significativamente a probabilidade de sucesso numa fase mais tardia da vida", acrescenta.

Apesar dos benefícios da criopreservação, ainda existem alguns mitos sobre o procedimento. A Dra. Giselda Carvalho esclarece algumas das principais dúvidas:

  • Congelar óvulos garante uma gravidez no futuro? "Não. O procedimento melhora as hipóteses de engravidar mais tarde, mas não há garantia absoluta."
  • O processo é doloroso e complicado? "A estimulação ovárica dura cerca de 12 dias e envolve medicação injetável. A recolha dos óvulos é feita sob sedação e dura entre 10 a 20 minutos. Pode causar algum desconforto, mas é um procedimento seguro."
  • Só se pode congelar óvulos uma vez? "Não. É possível realizar vários ciclos de criopreservação, dependendo da avaliação médica e dos desejos da mulher."
  • A criopreservação é apenas para quem tem problemas de fertilidade? "Não. Pode ser uma opção para quem deseja adiar a maternidade por razões pessoais ou profissionais."

 

Por fim, além da criopreservação, a adoção de um estilo de vida saudável desempenha também um papel fundamental na preservação da fertilidade. "Manter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico regular, reduzir o consumo de álcool e tabaco, gerir o stress e realizar consultas ginecológicas regulares são medidas essenciais para manter a saúde reprodutiva ao longo dos anos", aconselha a Dra. Nisa Félix.

Neste Dia Internacional da Mulher, a mensagem é clara: informação é poder. Com acesso às opções disponíveis e acompanhamento médico adequado, as mulheres podem tomar decisões informadas sobre a sua fertilidade e maternidade, garantindo maior liberdade e segurança para o futuro.

A multimorbilidade e a importância da gestão multidisciplinar
O primeiro consenso português sobre inflamação tipo 2, o INFLAT2-PT, foi publicado recentemente. Este documento, desenvolvido...

As doenças atópicas/alérgicas impõem um peso crescente à saúde pública, afetando milhões de doentes em todo o mundo. A Inflamação Tipo 2 pode estar na base de diferentes doenças, muitas delas classificadas como "atópicas", "alérgicas" ou "eosinofílicas".

Não havendo até à data nenhum outro consenso sobre as doenças inflamatórias tipo 2, este é um documento pioneiro, desenvolvido por peritos reconhecidos a nível nacional, com potencial de alcançar profissionais de saúde, sociedades científicas, associações de doentes, autoridades competentes e decisores políticos.

A Inflamação Tipo 2 tem o potencial de afetar as pessoas com estas doenças de várias formas, causando sintomas complexos e imprevisíveis, sabendo-se hoje que pessoas que vivem com uma doença Inflamatória Tipo 2 têm maior probabilidade de ter uma outra.

Para este trabalho, reuniu-se um painel de 13 peritos nacionais, entre médicos de diferentes especialidades (dermatologia, imunoalergologia, pneumologia, otorrinolaringologia, gastroenterologia), farmacêuticos e um psicólogo, que, juntamente com uma equipa de sete Investigadores, desenvolveram 30 afirmações através de consenso, obtido via revisão da literatura, recolha de feedback via metodologia Web-Delphi e, para decisão final, reunião por videoconferência.

O consenso final INFLAT2-PT apresenta as 30 afirmações, agrupadas em cinco domínios, com as principais conclusões:

  • A resposta inflamatória do tipo 2 é o mecanismo subjacente na Asma, alguns fenótipos de Rinite, Dermatite Atópica, Esofagite Eosinofílica e Rinossinusite Crónica com Pólipos Nasais.
  • Parece haver sobreposição entre as condições clínicas acima descritas, embora a extensão dessa sobreposição seja heterogénea (exceto Esofagite Eosinofílica, para a qual existe pouca evidência) - Multimorbilidade.
  • Os doentes com uma doença inflamatória tipo 2 devem despistar a hipótese de patologias relacionadas; o diagnóstico deve incluir uma avaliação abrangente e o tratamento com medicamento biológico pode ser considerado em alguns casos.
  • A gestão multidisciplinar entre especialidades, bem como a colaboração interprofissional, são relevantes para a prestação de cuidados eficientes a doentes com múltiplas condições relacionadas com a inflamação tipo 2.
  • Dada a forte relação entre doenças inflamatórias crónicas e saúde mental, há a necessidade de uma abordagem integrada nos cuidados de saúde a estes doentes, no que se refere a saúde mental, cuidados primários e cuidados especializados.

 

“Este é um importante documento, com dados muito relevantes para a imunologia em Portugal. Este painel de peritos concordou que a inflamação tipo 2 parece ser o mecanismo subjacente comum na Asma, Rinite, Dermatite Atópica, Esofagite Eosinofílica (EoE) e Rinossinusite Crónica com Pólipos Nasais, conclusão com base em estudos anteriores e que vem reforçar a relevância da gestão multidisciplinar na prestação dos melhores cuidados  a doentes com múltiplas condições relacionadas com a inflamação tipo 2.”

As doenças inflamatórias tipo 2 podem afetar tanto a saúde física como a saúde mental, sendo que a gravidade aumenta quando há mais do que uma doença associada. As pessoas com doenças IT2 moderadas a graves e inadequadamente controladas são frequentemente afetadas por distúrbios do sono e problemas de saúde mental. Este impacto significativo na qualidade de vida está relacionado com a falta de conhecimento e compreensão, o que dificulta o diagnóstico e tratamento.​

Com esta publicação, e através de recomendações baseadas na evidência, espera-se que o consenso nacional contribua para uma melhor compreensão do espetro das doenças associadas à inflamação tipo 2, para uma colaboração interprofissional mais profícua e cuidados multidisciplinares, para a implementação de cuidados integrados, para a identificação de prioridades estratégicas de investigação e para a tomada de decisões políticas.

Saiba mais sobre o consenso em: https://www.tandfonline.com/doi/10.1080/1744666X.2024.2448990 (Costa S, et al. Type 2 inflammation: a Portuguese consensus using Web-Delphi and decision conferencing (INFLAT2-PT). Expert Rev Clin Immunol. 2025 Jan 7:1-15.).

Vacinação e diagnóstico precoce salvam vidas
No mês em que se assinala o Dia Internacional de Consciencialização sobre o HPV (4 de março), a MOG - Movimento Oncológico...

Segundo os dados mais recentes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2023, a cobertura vacinal contra o HPV  até aos 15 anos atingiu os 91% em Portugal, sendo o país comunitário com maior percentagem de vacinação e acima da média de 64% da UE. Ainda assim, as associações frisam que a população não abrangida pelo Plano Nacional de Vacinação, em risco e que tem vantagem em ser vacinada, não pode ser esquecida.

"A vacinação contra o HPV é uma ferramenta de prevenção primária incrivelmente eficaz e segura. E é fundamental que a vacinação seja alargada a todos os jovens, rapazes e raparigas, para garantir a máxima proteção contra os tipos de HPV mais associados ao cancro. Em Portugal, temos feito um caminho notável nesse sentido, mas é preciso mais!", afirma Cláudia Fraga, presidente da MOG, que sublinha ainda a importância do rastreio e do diagnóstico precoce: “O rastreio regular, através do teste de Papanicolau, é essencial para detetar lesões pré-cancerosas numa fase inicial, quando o tratamento é mais eficaz e menos invasivo. É crucial que as mulheres tenham acesso facilitado a estes exames e que sejam devidamente informadas sobre a sua importância."

A vacina contra o HPV faz parte do Programa Nacional de Vacinação, sendo disponibilizada de forma gratuita a raparigas e a rapazes, aos 10 anos, num esquema de duas doses semestrais. O GAT, que tem trabalhado ativamente na defesa dos direitos dos doentes e no acesso a cuidados de saúde de qualidade, sublinha a importância de proteger outras franjas da população mais vulneráveis, como pessoas com determinadas doenças (incluindo VIH) e outros grupos  em risco. Luís Mendão, Diretor Geral do GAT, enfatiza: "Precisamos de uma agenda de vacinação para as pessoas com VIH e aumentar o número de vacinas gratuitas e das comparticipações do Estado. A infeção pelo HPV é uma das que não tem um programa vacinal a pensar em quem já vive em risco acrescido, devido a outras patologias associadas”.

O HPV é uma infeção sexualmente transmissível extremamente comum, estimando-se que 85 a 90% das pessoas sexualmente ativas tenham contacto com o vírus em alguma altura das suas vidas. Na maior parte das vezes, sem saberem, uma vez que a infeção não apresenta sintomas. Existem mais de 200 tipos de HPV e, embora muitas infeções desapareçam espontaneamente, algumas podem persistir e levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e, eventualmente, cancro.1

O HPV é, assim, responsável por aproximadamente 95% dos cancros do colo do útero, 91% dos cancros do ânus, 90% dos condilomas genitais, 75% dos cancros da vagina, 70% dos cancros da orofaringe, 69% dos cancros da vulva e 63% dos cancros do pénis.2

O HPV transmite-se, sobretudo, através da atividade sexual, mas esta transmissão pode acontecer através de qualquer contacto íntimo pele a pele, seja ele sexo vaginal, anal ou oral. O preservativo é recomendado, diminuindo a probabilidade de transmissão, mas não é 100% efetivo, alertam as associações.

 

Referências:

  1. https://www.europeancancer.org/content/the-impact-of-hpv.html
  2. https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/infectious-agents/hpv-and-cancer

 

Quantum Challenge
A Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra (FCTUC) foi selecionada para integrar um grupo restrito de 15...

A equipa da FCTUC em competição é composta por Ana Morgado, Gabriel Falcão, Jorge Lobo, Óscar Ferraz (Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores), Sagar Pratapsi (Departamento de Física) e Nuno Batista (Departamento de Engenharia Informática).

O projeto da equipa da FCTUC centra-se no desenvolvimento de novos algoritmos de Inteligência Artificial (IA) que exploram o poder da computação quântica para resolver problemas complexos de imagiologia médica. O projeto foca-se no rastreio e prevenção de doenças do foro gastrointestinal, nomeadamente o cancro gastrointestinal, uma área em que a capacidade de processar grandes volumes de dados com rapidez e precisão pode fazer toda a diferença.

A Pasqal, uma empresa com origem em França, que desenvolve computadores quânticos com base em tecnologia de neutral atoms, promove regularmente este tipo de desafios, estimulando a inovação e o progresso da computação quântica. O acesso privilegiado aos recursos da Pasqal, garantido por esta distinção, permite à equipa portuguesa a experiência única de beneficiar de formação exclusiva em tecnologias emergentes, ainda pouco exploradas, oferecendo assim uma vantagem competitiva significativa a nível internacional.

«O facto de termos sido selecionados é extraordinário. Teremos acesso a um produto de nicho, que ainda não está amplamente divulgado, e isso coloca-nos numa posição privilegiada para propor soluções inovadoras para os problemas que pretendemos resolver», destacou Gabriel Falcão, professor do DEEC e líder do projeto.

Para além do impacto científico e tecnológico, este projeto está também alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, neste caso o ODS 3, que procura garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades, reforçando o compromisso da UC com a inovação responsável e a criação de soluções que beneficiam a sociedade global.

«Este reconhecimento internacional sublinha o papel de destaque que a UC está a assumir na vanguarda da computação quântica aplicada à saúde, mostrando que a investigação portuguesa tem potencial para competir e liderar a nível mundial», conclui a equipa.

Associação Nacional de Centros de Diálise
: A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), acaba de...

A equipa premiada é composta por Pedro Martins, Diogo Leal, Aníbal Ferreira, Kenneth Wilund e João Viana.

Segundo Pedro Martins, primeiro autor do estudo: “Esta investigação permitiu demonstrar pela primeira vez uma importante associação entre a participação num programa de exercício intradialítico implementado a nível nacional, que corresponde ao exercício físico realizado durante a hemodiálise, e o risco de mortalidade e hospitalização nesta população. Deixando ainda importantes pistas sobre a necessidade de continuar a desenvolver estratégias complementares para combater o complexo problema da inatividade física desta população.”

João Viana, coordenador da equipa de investigação, destaca que: “Este prémio é um importante reconhecimento do nosso trabalho, mas acima de tudo um incentivo para continuarmos a investigar sobre as melhores estratégias para aumentar a atividade física nesta população, bem com a sua translação para a prática clínica generalizada. Acreditamos que uma intervenção ainda mais personalizada, que considere as preferências e necessidades de cada doente, pode trazer ainda mais benefícios para a qualidade de vida dos doentes, sendo este o nosso grande objetivo.”

Este ano, o prémio de investigação “ANADIAL-SPN” atribuiu também três menções honrosas aos seguintes trabalhos: “Ingestão de potássio - (In)esperado não preditor de níveis séricos de potássio mais elevados em doentes em hemodiálise seguidores do padrão alimentar DASH” de Cristina Garagarza Antunes, nutricionista e diretora do departamento de nutrição da NephroCare; “Avaliação geriátrica para melhorar os cuidados centrados no doente com doença renal crónica” de Ana Farinha, nefrologista na Unidade de Saúde Local (ULS) da Arrábida; e “Análise de fatores genéticos de progressão de doença renal na população portuguesa” de Filipe dos Santos Mira, nefrologista na ULS de Coimbra.

O júri foi composto por Pedro Ponce, Fernando Macário, Ana Paiva e Eduardo Costa, indigitados pela ANADIAL, e Edgar Almeida e Luís Coentrão indigitados pela SPN.

O Prémio “ANADIAL-SPN”, de atribuição anual, visa promover a realização de estudos clínicos e avaliações epidemiológicas na área da Investigação em Insuficiência Renal Crónica, com particular relevância para a identificação de fatores de risco e intervenções preventivas da evolução da doença renal crónica. Informação adicional: www.anadial.pt

Opinião
A litíase (cálculo nas vias urinárias) é uma das patologias mais frequentes do foro da Urologia, est

Os significativos avanços tecnológicos, que passam pela robótica, lasers mais eficazes e a utilização de Inteligência Artificial, aliados a um conceito de seguimento com equipa multidisciplinar, motivaram a criação da Unidade de Litíase do Hospital Cruz Vermelha, coordenada pelo Prof. Dr. Tiago Rodrigues, permite oferecer um tratamento diferenciado e multidisciplinar.

 

Impacto das cólicas renais

A litíase renal pode, nas crises agudas, ser extremamente debilitante. As cólicas renais, que são uma manifestação comum dessa condição, caracterizam-se por uma dor súbita e intensa que pode variar de moderada a insuportável. São também sinais de alarme o registo de temperatura elevada (febre) ou vómitos incontroláveis.

Esta dor ocorre quando uma pedra bloqueia o fluxo de urina, causando pressão e inchaço nos rins. Estes episódios de dor podem durar horas e frequentemente exigem uma observação em contexto de urgência hospitalar para alívio efetivo da dor.

Um utente com produção de cálculos renais pode ter múltiplos episódios de cólica ao longo da vida, vivenciando várias interrupções significativas nas suas atividades diárias. O medo de um novo episódio de dor pode levar à ansiedade e ao stress, afetando o bem-estar emocional e social. A dor recorrente pode comprometer o desempenho profissional, a participação em atividades sociais e a capacidade de cuidar de si mesmo e da sua família.

A imprevisibilidade do aparecimento da dor e as idas frequentes e recorrentes ao hospital podem também originar uma sensação de desamparo e depressão.

Além do impacto imediato, as cólicas renais não tratadas ou indevidamente orientadas podem provocar complicações graves, como infeções do trato urinário e lesões renais permanentes, com perda do órgão.

 

Compreendendo a gravidade desta condição clínica, e reconhecendo as múltiplas carências associadas ao seu tratamento, a nossa equipa médica multidisciplinar constituída por especialistas de Urologia, Medicina Interna e Nefrologia está empenhada em disponibilizar um tratamento eficaz, individualizado e centrado em cada pessoa. O nosso objetivo passa por tratar estas situações em duas fazes distintas: na fase aguda de cólica, com alívio da dor e de controlo da situação; nos restantes momentos, pretendemos atuar na prevenção e diminuição do risco de cólica, de aparecimento de novos cálculos e na preservação da função renal. Assim, abordamos todas as fases da doença contribuído para a melhoria da qualidade de vida.

Além disso, oferecemos suporte educacional para que os nossos utentes possam compreender melhor a sua situação clínica e adotar medidas proativas para prevenir a formação de novas pedras.

 

Cirurgia para a Litíase Renal

Do ponto de vista cirúrgico, a equipa de Urologia atua em cada fase com uma abordagem cirúrgica direcionada. Na fase aguda, a fase de dor e mal-estar, pode ser necessária a realização de uma derivação urinária urgente, habitualmente com a colocação de um cateter ou stentureteral. Nesta fase, em casos devidamente selecionados, pode ainda proceder-se diretamente à destruição e remoção do cálculo com recurso a um laser de alta frequência.

Nas fases sem dor nem obstrução ativa, a utilização da Inteligência Artificial permite um aumento significativo da qualidade diagnóstica e tem um impacto importante no planeamento cirúrgico. Atualmente já é possível realizar esta cirurgia com recurso a um robô que aumenta de forma muito marcada a segurança para o utente e a eficácia do tratamento.

O grande objetivo desta equipa é, portanto, o tratamento dos cálculos renais, atuando de forma preventiva e impedindo o aparecimento das cólicas renais, com todo o desconforto e riscos a elas associados. A adoção desta tecnologia, associado ao know-how e à perícia dos urologistas, permite-nos oferecer hoje condições de excelência cirúrgica que anteriormente não existiam.

Quando procurar a ajuda de um nefrologista?

A litíase renal, conhecida como “pedras nos rins”, pode ser abordada por urologistas e nefrologistas. No entanto, há situações específicas em que a intervenção de um nefrologista é fundamental:

  1. Recorrência frequente de “pedras nos rins”

As pessoas que desenvolvem repetidamente “pedras”, podem ter uma predisposição subjacente que requer avaliação metabólica detalhada. O nefrologista investigará as causas metabólicas como, hiperparatiroidismo, distúrbios do metabolismo do cálcio, oxalato ou ácido úrico.

  1. Histórico de doenças renal crónica ou deterioração da função renal

Quando o doente apresenta uma história de doença renal crónica, alterações anatómicas ou evidência de deterioração da função renal associadas à formação de cálculos, a avaliação nefrológica é essencial. O nefrologista pode ajustar o tratamento para proteger a função renal ao longo do tempo.

  1. Complicações associadas à Litíase Renal

Em casos de nefrocalcinose (depósito de cálcio nos rins) ou infeções urinárias recorrentes relacionadas com as “pedras”, o nefrologista pode ajudar a gerir essas complicações, bem como a prevenir futuras ocorrências.

Tratamento da litíase renal

O tratamento consiste, na fase aguda, no controlo sintomático da crise de cólica (que pode implicar intervenção urológica), mas normalmente não trata a doença a longo prazo.

Se não forem corrigidas as condições metabólicas e se a pessoa não alterar os seus hábitos de vida, nomeadamente alimentares, sendo muitas vezes necessária terapêutica farmacológica coadjuvante, ao fim de um ou dois anos, pode repetir-se nova crise.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
4 de março | Dia Mundial da Obesidade
Federação Mundial de Obesidade estima que, em 2035, uma em cada quatro pessoas a nível global viverá com obesidade.

Viver com obesidade é um caminho para a vida toda e não se define pela perda de peso. É no âmbito do Dia Mundial da Obesidade, assinalado anualmente a 4 de março, que a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) apela às entidades de saúde em Portugal para a implementação de mudanças urgentes nas suas políticas, nomeadamente no que diz respeito à comparticipação do tratamento da obesidade, combate ao estigma associado a esta doença crónica,  e à mudança do ambiente obesogénico atual através de intervenções que envolvam a indústria alimentar, a publicidade e os media

"A obesidade é uma doença crónica que requer uma abordagem integrada e multidisciplinar, mas ainda há muito estigma associado. Durante muito tempo, as respostas à crise da obesidade centraram-se apenas nas pessoas. É altura de mudar o foco para os sistemas que estão a falhar. Quem tem obesidade tem o direito a ser tratado como qualquer outro doente crónico, beneficiando de novos fármacos que podem mudar o curso da doença evitando complicações futuras, e isso não invalida a necessidade de politicas mais eficazes na mudança ambiental e prevenção desta pandemia.", afirma Carolina Neves, endocrinologista da APDP. "É fundamental que continuemos a trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde para garantir que os doentes tenham acesso às melhores opções de tratamento disponíveis, incluindo terapias farmacológicas quando clinicamente indicadas."

A APDP defende que a comparticipação do tratamento da obesidade é uma medida essencial para garantir o acesso equitativo aos cuidados de saúde e reduzir o impacto da doença na saúde pública. Estudos recentes têm demonstrado que estes fármacos, além de promoverem a perda de peso, também têm benefícios significativos na prevenção e tratamento de outras doenças associadas à obesidade, como a doença hepática e a síndrome da apneia obstrutiva do sono. Dispomos de evidência robusta que demonstra que o tratamento farmacológico da obesidade reduz em 20% o risco de morte cardiovascular e eventos cardiovasculares em pessoas com excesso de peso ou obesidade sem diabetes e com histórico prévio de eventos cardiovasculares. Este dado e ainda  a demonstrada redução de 19% na mortalidade por todas as causas e de 18% na insuficiência cardíaca. 1 justificam a comparticipação destes fármacos já que impactam a mortalidade e o prognóstico deste grupo de pessoas.A obesidade é uma doença complexa e multifatorial que afeta milhões de portugueses e está associada a um elevado risco de desenvolvimento de outras patologias graves, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença hepática e apneia do sono. Existem atualmente cerca de 2 milhões de pessoas adultas com obesidade, um valor que aumenta para 67,6% da população portuguesa quando somadas as pessoas com excesso de peso. Apesar da sua gravidade, a obesidade continua a ser frequentemente desvalorizada e estigmatizada, o que dificulta o acesso equitativo a terapêuticas eficazes.

"É essencial que a obesidade seja encarada como a doença crónica que é, que requer tratamento e acompanhamento médico adequados", frisa José Manuel Boavida, presidente da APDP, rematando: "Acreditamos que, trabalhando em conjunto, podemos melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas que vivem com obesidade em Portugal e a APDP está disponível para contribuir ativamente para a resolução deste problema de saúde pública."

A APDP apela, assim, a todas as entidades de saúde que repensem as medidas para o tratamento da obesidade, tendo em conta a evidência científica disponível e o impacto da doença na saúde pública. Este é também um passo fundamental para reduzir o peso global de outras doenças crónicas, incluindo a diabetes, as doenças cardíacas e o cancro e construir um futuro mais saudável para as pessoas em todo o mundo.

1https://cardio4all.pt/artigos/ensaio-clinico-select-semaglutido-reduz-o-risco-de-eventos-cardiovasculares-em-doentes-obesos-sem-diabetes-com-antecedentes-de-evento-cardiovascular

Programa de Cirurgia Robótica
A Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal (ULSAS) realizou, esta semana, as primeiras cirurgias robóticas, dando início ao...

Foram realizadas, ao longo da semana, quatro cirurgias – duas sigmoidectomias, a dois utentes oncológicos, de 73 e 51 anos, por uma das equipas do Serviço de Cirurgia Geral, integrada no Centro de Referência do Cancro do Reto, uma prostatectomia radical e uma nefrectomia parcial, ambas em doentes oncológicos, realizadas pelo Serviço de Urologia.

As equipas multidisciplinares da ULSAS foram acompanhadas nestes procedimentos por especialistas de referência, com reconhecimento e projeção internacional - Laura Mora (nas duas sigmoidectomias), Kris Maes (prostatectomia radical) e David Subirá (nefrectomia parcial), garantindo os mais elevados padrões de exigência e qualidade.

“O arranque do Programa de Cirurgia Robótica é um marco extraordinariamente importante para a ULSAS e, sobretudo, para os utentes que servimos, bem como para os profissionais. Graças a profissionais de excelência e a este programa, que reflete uma aposta clara na inovação, a ULSAS passa a prestar cuidados de saúde de última geração, em diversas especialidades”, destaca Pedro Correia Azevedo, Presidente do Conselho de Administração da ULSAS. “Importa, ainda, referir que a aposta na inovação nos torna mais competitivos e mais atrativos, o que é fundamental para reter e cativar novos profissionais”, remata.

O Programa de Cirurgia Robótica da ULSAS distingue-se de outros já implementados no país por abranger, desde o início, especialidades para além da Urologia, como sejam a Cirurgia Geral, a ORL e a Ginecologia.

Do ponto de vista do utente, comparativamente com as técnicas tradicionais, a cirurgia robótica permite maior precisão no ato cirúrgico, menor sangramento, menor risco de infeção, redução da dor pós-operatória, redução do tempo de internamento hospitalar, menor necessidade de transfusões, entre outras vantagens.

“A Medicina evolui e nós também. Com a implementação da cirurgia robótica conseguimos prestar cuidados ainda mais seguros", resume Miguel Carvalho, Diretor do Serviço de Urologia e coordenador da Comissão de Cirurgia Robótica da ULSAS.

O primeiro robot da ULSAS para realização de cirurgia robótica assistida (sistema robótico da Vinci Xi) foi instalado a 10 de outubro de 2024, em resultado de um investimento de 1,9 milhões de euros, financiado pela União Europeia – NextGenerationEU. Desde então, tem estado a ser realizada formação de profissionais, estando já formados 18 cirurgiões e 24 enfermeiros. A formação abrangeu, ainda, a anestesia, técnicos auxiliares de saúde, esterilização e serviço de instalações e equipamentos.

A utilização deste novo sistema de cirurgia robótica permite a estandardização de procedimentos, a realização de uma cirurgia de excelência e a redução de uma curva de aprendizagem em relação à laparoscopia tradicional.

4 de março | Dia Mundial da Obesidade
O tratamento da obesidade, um dos maiores desafios de saúde global, exige cada vez mais uma abordagem personalizada e deve ter...

Em vésperas de mais um Dia Mundial da Obesidade, a investigadora salienta que a obesidade não é uma condição única, mas um conjunto de desordens com diferentes causas e manifestações. “Embora tenha como fator comum a adiposidade, os mecanismos subjacentes variam: desde alterações na saciedade até inflamação crónica, resistência à insulina ou metabolismo dos lípidos. Para um tratamento eficaz, é essencial considerar a genética, o metabolismo e a microbiota de cada doente”, afirma.

De acordo com o estudo "O Custo e a Carga do Excesso de Peso e Obesidade em Portugal"*, mais de 67% da população adulta portuguesa apresenta excesso de peso ou obesidade, com uma prevalência de obesidade de 28,7%. Os custos diretos associados a estas condições rondam os 1,2 mil milhões de euros anuais, o que corresponde a cerca de 0,6% do PIB e 6% das despesas totais em saúde no país.

“A obesidade é uma doença complexa que implica rever e alterar, quando necessário, os estilos de vida. Contamos com a eficácia da cirurgia bariátrica e ainda com os recentes avanços da terapêutica farmacológica. No entanto, apesar de tudo, o maior desafio estará na falha da adesão, nas pessoas que não respondem ao tratamento e na manutenção da perda de peso ao longo do tempo. O desafio é perder peso à custa do tecido adiposo e não do músculo”, refere Conceição Calhau.

Neste contexto, a investigação tem destacado um fator determinante na regulação do peso: a microbiota intestinal. Segundo a investigadora, há estudos que mostram que a composição bacteriana do intestino difere entre pessoas com obesidade e aquelas com peso saudável, influenciando diretamente mecanismos essenciais como a regulação do apetite, o armazenamento de gordura e a absorção de nutrientes.

Uma das descobertas mais promissoras neste campo é o papel da bactéria Hafnia alvei na regulação do apetite. Esta bactéria produz ClpB, uma proteína que mimetiza a alfa-MSH, um neurotransmissor envolvido na saciedade. Investigações pré-clínicas revelaram que a suplementação com Hafnia alvei (HA4597) pode levar à perda de peso ao reduzir a ingestão alimentar e estimular a lipólise, processo pelo qual a gordura acumulada é mobilizada para ser utilizada como energia”, revela.

Estudos clínicos também reforçam este potencial. Um ensaio multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo, envolvendo 236 indivíduos com excesso de peso, demonstrou que a suplementação com HA4597 durante 12 semanas resultou na perda de peso e melhoria do controlo glicémico. Estes resultados corroboram a hipótese de que a modulação da microbiota intestinal pode ser uma ferramenta eficaz na abordagem da obesidade.

Dieta mediterrânica e microbiota: uma parceria essencial

Fatores como alimentação, exercício físico, sono, stresse e medicamentos são bem conhecidos como moduladores da microbiota. Para Conceição Calhau, a dieta mediterrânica é a que tem evidenciado mais impacto benéfico em termos de alimentação, devido, sobretudo, à presença de alimentos pré-bióticos, ricos em fibra, e de alimentos fermentados (probióticos). “Perdemos o hábito de ingerir com regularidade as leguminosas e hortícolas, bem como as oleaginosas e o peixe, 3-5 vezes por semana. Ou seja, sabemos que em Portugal a adesão à dieta mediterrânica é baixa e que os hábitos alimentares inadequados, associados à baixa prática de exercício físico, são condições que comprometem a saúde no topo da lista”, alerta.

A dieta mediterrânica, o exercício físico, dormir o suficiente e a gestão do stresse são condições muito importantes para manter a diversidade da microbiota. A investigadora frisa, no entanto, que o probiótico na forma de suplemento (e não de alimento, como será, por exemplo, o iogurte ou kefir), deve estar sustentado por estudos científicos. “Não basta ler ‘probiótico’ num rótulo e achar que faz bem. Os probióticos não são todos iguais, não são todos cientificamente testados e conhecidos e nem significa que o mesmo serve para todas as condições”, explica. Acrescenta ainda que, quando se toma um antibiótico deve ser associada a toma de probiótico adequado, para não existir (também) impacto nas bactérias benéficas.

A abordagem não cirúrgica para a obesidade ou mesmo estádios anteriores de excesso de peso, devem passar no mínimo pela correção da disbiose (desequilíbrio) intestinal, quando esta ocorre. Mesmo com os avanços nas ferramentas farmacológicas, a intervenção, para ser efetiva, passa necessariamente por abordagens que integram as várias dimensões. Temos já avanços, quer em correções específicas, como a Hafnia alvei, quer com casos mais difíceis com transplante de microbiota fecal, ainda em fase de investigação”, conclui. Seja qual for a solução, o intestino faz parte da equação.

*Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), Evigrade-IQVIA e Sociedade Portuguesa. Estudo da Obesidade (SPEO). Estudo “O Custo e a Carga do Excesso de Peso e Obesidade em Portugal”. Outubro de 2021.

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