RIPA
O projeto RIPA, Resposta Integrada para as Perturbações do Comportamento Alimentar, a primeira resposta nacional de Hospital de...

O projeto, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar de profissionais especializados da Clínica Psiquiátrica de S. José, em Lisboa, um dos 12 centros do Instituto das Irmãs Hospitaleiras, é uma resposta inovadora ao número crescente de casos relacionados com as perturbações do comportamento alimentar.

Criado como um projeto-piloto, o RIPA surge num contexto em que, em Portugal, as respostas para as pessoas com diagnóstico de perturbação do comportamento alimentar estavam quase restritas ao internamento hospitalar para os casos mais graves e a consultas de ambulatório. Ao longo de mais de um ano de atividade, este projeto procurou dar resposta ao desafio clínico que configuram estas doenças, através de uma abordagem mais integrativa, de acordo com um plano individual de intervenção, com base em ferramentas de várias áreas da saúde, como a psiquiatria, a psicologia, a nutrição, a terapia ocupacional, a psicomotricidade, entre outras.

A solução surgiu através da metodologia de hospital de dia, que permite que as pessoas frequentem as atividades terapêuticas que contribuem para a sua recuperação, num acompanhamento que não corta a ligação à sua vida familiar e social. Tal permite não só um resultado terapêutico eficaz, mas também a possibilidade de tratar mais pessoas e uma diminuição global dos custos financeiros com o tratamento.

A experiência revelou-se um sucesso e alavancou a necessidade de continuidade, através do desenvolvimento da segunda fase do projeto, desta vez com o apoio do programa Portugal Inovação Social e de dois parceiros sociais: a Servier e a NOS. “A quase ausência de respostas em ambulatório tornam este projeto de hospital de dia um marco no País, que poderá ser replicado, uma vez que foram atendidas pessoas oriundas de outras regiões de Portugal (Algarve, Alentejo, Madeira, Douro Litoral, Beira Alta) e até uma estudante de Timor”, refere Pedro Varandas, Diretor Clínico da Irmãs Hospitaleiras Lisboa.

O objetivo passa pelo crescimento do RIPA e do reconhecimento da sua metodologia e resultados como uma prática terapêutica diferenciadora. “Com este projeto, pretende-se criar um serviço, único a nível nacional, capaz de dar uma resposta de qualidade e clinicamente transformadora, promotora de saúde mental e que acrescente qualidade de vida às pessoas com perturbações do comportamento alimentar e as suas famílias”, explica Pedro Varandas. “E foi isso mesmo que se conseguiu, reduzindo ainda os custos com internamentos de longa duração e não interrompendo totalmente a atividade académica e/ou laboral das pessoas com perturbações de comportamento alimentar.”

A intervenção terapêutica do RIPA incidiu num acompanhamento intensivo por uma equipa especializada, constituída por diferentes especialidades - psiquiatria, psicologia, enfermagem, terapia ocupacional, psicomotricidade, expressão plástica, expressão dramática, yoga, grupos terapêuticos, nutrição e outras -, com o objetivo, como refere Claúdia Santos, enfermeira especialista do RIPA, “de uma mudança no sentir dos limites do corpo e das sensações vividas”.

Durante um ano e meio, foram atendidas 40 mulheres jovens, envolvidas em dinâmicas de reabilitação e de continuidade de cuidados, com permanência obrigatória de, pelo menos, duas semanas, registando-se uma utilização desta resposta que variou entre duas e doze  semanas.

Das pessoas atendidas no projeto RIPA, cerca de 70% tinham diagnóstico de anorexia, sendo a forma de doença com maior impacto na vida das pessoas. E, para a esmagadora maioria (90%), foi possível atingir o objetivo definido: prevenir o agravamento e/ou evitar a necessidade de internamento hospitalar. Destas, 13% tinham entre um e cinco anos de doença instalada, sendo que 87% tinham mais de cinco anos.

Foi ainda possível reduzir, em 80% dos casos, os comportamentos compensatórios (recurso a laxantes, diuréticos e vómito autoinduzido). A análise dos dados de acompanhamento após a alta clínica regista que 27 mulheres regressaram a uma atividade laboral e/ou académica.

As famílias também foram envolvidas no processo terapêutico, uma vez que as perturbações alimentares, e em especial a anorexia, são patologias com um impacto devastador na vida familiar. Por isso, o RIPA implementou, uma vez por semana, uma reunião online da equipa médica com as famílias, intervenção que visou a expressão emocional e o envolvimento das famílias na recuperação. No momento da alta, 100% das famílias das 40 utentes que usufruíram desta resposta manifestaram satisfação pelo acompanhamento prestado. 

Estação de Metro da Trindade
No âmbito do Mês Europeu de Luta Contra o Cancro Colorretal, a Europacolon Portugal – Associação de Apoio ao Doente com Cancro...

O cancro colorretal é a segunda causa de morte por cancro em Portugal, com cerca de 4.000 óbitos anuais. No entanto, quando detetado precocemente, a probabilidade de cura pode ser superior a 90%. Através desta iniciativa, a Europacolon Portugal pretende reforçar a necessidade de rastreios regulares, esclarecer dúvidas e incentivar a população a adotar hábitos preventivos.

“A Europacolon Portugal tem trabalhado incansavelmente para aumentar a literacia em saúde e facilitar o acesso a rastreios, que são fundamentais para reduzir a mortalidade do cancro colorretal. A realização desta ação na Estação da Trindade permite-nos chegar diretamente à população e reforçar a mensagem de que a prevenção pode salvar vidas. É importante realçar que todos os anos surgem mais de 10.500 novos casos e morrem 12 portugueses por dia com esta doença*”, explica Vítor Neves, Presidente da Europacolon Portugal.

A iniciativa decorre entre os dias 19, 20 e 21 de março, das 10h00 às 18h00 e conta com o apoio da Synlab Portugal, que disponibiliza os dispositivos de rastreio e realiza as análises; do Metro do Porto, que cede o espaço; da Câmara Municipal do Porto, que além da cedência de materiais de apoio a toda a ação, também promove a divulgação junto da população e da rede alargada de parceiros, e dos alunos de Enfermagem da Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa (ESS Norte CVP), que irão colaborar na realização dos rastreios e no apoio à população.

Para Fernanda Príncipe, Vice-Presidente da ESS Norte CVP: “A participação dos nossos alunos de Enfermagem nesta iniciativa não só reforça a sua formação prática, como também os torna agentes ativos na promoção da saúde pública. Estamos muito orgulhosos de contribuir para uma ação com tanto impacto social.”

“O Metro do Porto tem um compromisso com a comunidade e com iniciativas que promovam o bem-estar dos cidadãos. É com enorme satisfação que cedemos o espaço para esta ação, possibilitando que mais pessoas tenham acesso a rastreios gratuitos e a informação de qualidade sobre a prevenção do cancro colorretal.”, refere Jorge Afonso Morgado, Diretor de Comunicação e Clima Social na Metro do Porto.

"A promoção da saúde e da qualidade de vida dos cidadãos do Porto é uma prioridade para a Câmara Municipal. Acreditamos que iniciativas como esta são fundamentais para sensibilizar e capacitar a comunidade para a adoção de hábitos de vida saudáveis, reforçando a importância da prevenção como pilar essencial na luta contra esta doença", assegura Catarina Araújo, Vereadora do Pelouro da Saúde e Qualidade de Vida.

“A Synlab Portugal tem como missão garantir um acesso mais fácil a exames laboratoriais de qualidade. Apoiar esta campanha reforça o nosso compromisso com a saúde pública e com o diagnóstico precoce de doenças oncológicas graves como o cancro colorretal.”, declara Pedro Oliveira, CEO Synlab Portugal.

A ação de rastreio decorre nos dias 19, 20 e 21 de março, na Estação de Metro da Trindade, no Porto, e é de participação gratuita. A Europacolon Portugal convida toda a população a comparecer e a cuidar da sua saúde.

*Dados GLOBOCAN 2022

 

Programa de Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa
O Politécnico de Coimbra (IPC) implementou um Programa de Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE)...

O Programa incluiu a instalação de Desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE) em locais estratégicos do IPC e formou 47 Operacionais, capacitando-os para atuar de forma rápida e eficaz em situações de paragem cardiorrespiratória, onde cada segundo pode ser crucial.

Alinhando-se com as melhores práticas e recomendações nacionais para a implementação de DAE em estabelecimentos de ensino (Resolução da Assembleia da República n.º 262/2021), o Politécnico de Coimbra apostou numa abordagem abrangente que combina a certificação dos Operacionais DAE pelo INEM, um sistema de ativação automática de socorristas, monitorização periódica dos equipamentos, um mini-curso online para atualização contínua e regular de conhecimentos e simulacros.

Os dispositivos já se encontram operacionais em diversos espaços do IPC, incluindo a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), a Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH), o Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC), o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), os Serviços Centrais do IPC, o Ginásio IPC e o Centro Cultural Penedo da Saudade, e abrangem também a área envolvente.

Para a vice-presidente do Politécnico de Coimbra, Ana Ferreira, esta iniciativa representa um marco essencial para a instituição: “Este programa é um investimento direto na segurança da nossa comunidade. Ao dotarmos o IPC de equipas treinadas e equipamentos de última geração, estamos a aumentar significativamente a capacidade de resposta a emergências, protegendo vidas e reforçando a cultura de prevenção e preparação dentro da Instituição.”

Com esta ação, o Politécnico de Coimbra reafirma o seu compromisso com a proteção da comunidade académica e a promoção de um ambiente mais seguro, prevendo, no futuro, a expansão da rede de operacionais DAE para garantir uma cobertura ainda mais abrangente.

Estudo
A maioria dos portugueses já ouviu falar da doença renal crónica (77,5%), mostram os dados preliminares do primeiro estudo...

Menos de um quarto (24,4%) sabe que a hipertensão arterial é uma das causas da doença e só 27,7% associam a obesidade à doença renal crónica, apesar de ser um dos seus principais fatores de risco. Os dados mostram ainda que 31,6% desconhecem que estamos a falar de uma doença que pode ser prevenida, 61,3% dizem não saber que Portugal é o país europeu com maior prevalência de doentes em terapia substitutiva da função renal, sendo a hemodiálise a terapia mais utilizada.

O inquérito, realizado no âmbito das comemorações do 40.º aniversário da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), procura aferir o grau de conhecimento dos portugueses sobre a doença renal crónica, bem como avaliar o grau de informação sobre a realidade da diálise em Portugal e respetivos fatores de valorização. As suas conclusões servirão de base para a definição de estratégias, públicas e privadas, para aumento da literacia sobre esta doença, capacitar os diferentes stakeholders de ferramentas mais eficazes no combate à doença e melhorar o acesso aos respetivos tratamentos.

“Este inédito estudo é um passo essencial para aumentar a literacia sobre a doença renal crónica e esperamos que as conclusões sirvam como base para a implementação de estratégias eficazes que capacitem profissionais de saúde e população a combater a doença de forma mais eficiente”, refere Sofia Correia de Barros, presidente da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL).

A doença renal crónica é uma doença silenciosa, que avança sem avisar - não apresenta sinais ou sintomas até atingir estádios avançados - e que, sem tratamento precoce, vai continuar a progredir até à insuficiência renal, quando os rins perdem completamente a sua capacidade de filtrar o sangue.

Segundo dados da Sociedade Internacional de Nefrologia, trata-se da 7.ª principal causa de morte entre as doenças não transmissíveis, a nível global, estimando-se que cerca de 850 milhões de pessoas vivam com esta enfermidade em todo o mundo.

Em Portugal, afeta cerca de 9,8% da população adulta, sendo elevada a taxa de incidência de doentes com doença renal crónica no estádio mais avançado que se encontram a realizar tratamento na modalidade de hemodiálise.

Cuidados de saúde
A Unidade Local de Saúde da Cova da Beira deu hoje um passo significativo na modernização e humanização dos cuidados de saúde...

A Hospitalização Domiciliária oferece inúmeras vantagens, com benefícios para os doentes e para a comunidade. Para os doentes, significa menor risco de infeções hospitalares, maior conforto e recuperação em ambiente familiar. Para o sistema de saúde, representa uma utilização mais eficiente dos recursos hospitalares, reservando as camas para os casos mais complexos.

A equipa de profissionais de saúde integrada nesta área, garante um acompanhamento rigoroso, com visitas regulares, monitorização contínua e assistência sempre que necessário, assegurando que os doentes mantêm a estabilidade clínica ao longo do tratamento.

Porém, nem todos os doentes podem integrar este serviço. Para serem admitidos, têm de cumprir critérios como:

✔ Aceitação voluntária do internamento em casa, ou seja, ser do superior interesse do doente;

✔ Autonomia ou presença de um cuidador disponível;

✔ Diagnóstico e plano terapêutico bem definidos;

✔ Exames complementares essenciais já realizados;

✔ Estabilidade clínica e comorbilidades controláveis no domicílio;

✔ Condições adequadas de habitabilidade.

Com a Hospitalização Domiciliária, a ULS da Cova da Beira reforça o seu compromisso com um serviço de saúde mais próximo, mais humano e mais eficiente, colocando o doente no centro dos cuidados, sem comprometer a qualidade e a segurança do tratamento.

Opinião
A incontinência urinária é uma entidade muito prevalente; estima-se que afete até 17% das mulheres c

Não obstante, apenas 25 a 61% procuram cuidados de saúde. Alguns estudos têm vindo a sugerir que a incontinência no homem poderá ter um impacto social e emocional e na qualidade de vida superior ao da mulher, sendo, contudo, objetivada uma procura ainda menor de cuidados de saúde (aproximadamente metade da procura nas mulheres).

A incontinência possui um impacto na saúde, que vai além da perda urinária em si, associando-se a complicações locais como infeções, úlceras cutâneas e até quedas e fraturas (sobretudo nos doentes com urgência miccional).

Outro dado importante é o seu impacto na qualidade de vida e participação em atividades profissionais, lúdicas e sociais, associando-se com frequência a depressão, ansiedade, isolamento social e diminuição da participação, levando a um maior risco de institucionalização.

É também causa de elevados custos em saúde, quer custos diretos, quer custos com assistência de cuidadores, quer por restrição da participação e absentismo laboral/reformas precoces.

Existem vários fatores de risco, como por exemplo: a idade (o principal), obesidade, gravidez, número e tipo de parto, história familiar, consumo de tabaco, álcool, alguns medicamentos, obstipação crónica, diabetes, algumas doenças neurológicas, menopausa, cirurgias pélvicas, radioterapia e reduzida mobilidade.

Existem três tipo de incontinência urinária: esforço, urgência e mista. Na incontinência de esforço a perda é precedida de um aumento da pressão abdominal durante atividades como tossir, espirrar, gargalhada, transporte e manipulação de cargas. Na de urgência, a perda é precedida por uma vontade urgente e imperiosa de urinar. Por fim, temos a incontinência mista, a mais frequente, que resulta da combinação das anteriores.  

O diagnóstico é realizado por um médico, não sendo habitualmente necessários exames complementares. Após o diagnóstico, o doente deve ser encaminhado para consulta de médico fisiatra, que irá avaliar e decidir o tratamento mais adequada a cada doente.

As principais associações científicas recomendam o tratamento conservador/reabilitação como primeira opção de tratamento e cada vez mais, a referenciação para Medicina Física e de Reabilitação (MFR) ou Fisiatria é mais frequente.

A reabilitação deve incluir equipas multiprofissionais coordenadas por médico especialista em MFR e com o doente no centro das decisões; esta equipa pode também incluir profissionais como fisioterapeuta, enfermeiro de reabilitação, psicólogo, nutricionista.

O tratamento da incontinência será sempre individualizado, de acordo com a avaliação médica prévia. Poderá incluir medidas de educação do doente, correção/redução de fatores de risco – recomendações dietéticas, redução ponderal, correção de obstipação, monitorização de líquidos, reduzir estimulantes (bebidas gaseificadas, café, chocolate); treino vesical; exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico (exercícios de kegel no domicílio), exercícios de fortalecimento e flexibilização lumbopélvica ou neuromodelação periférica.

A avaliação médica inicial é fundamental porque é com base nisso que vai ser estabelecido um plano de tratamento. Cerca de 1/3 das mulheres não sabe contrair voluntariamente o pavimento pélvico, pelo que esses doentes não conseguirão realizar os exercícios no domicílio e irão necessitar de realizar exercícios sob supervisão individual, em grupo ou com recurso a electroestimulação ou biofeedback.

Em alguns casos, poderá estar indicado tratamento farmacológico, sobretudo nos casos de urgência, mas também existe um fármaco aprovado para a incontinência de esforço.

Em alguns casos particulares ou quando os tratamentos anteriores não são eficazes, poderá estar indicada a realização de exames complementares de diagnóstico e referenciação para a consulta de outras especialidades, como Ginecologia e Urologia. 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ordem dos Médicos e CEOM
Expectativas frustradas, insatisfação com o tratamento, stress, doenças e dor agudas, longos tempos de espera ou má comunicação...
Uma realidade que a Ordem dos Médicos não pode tolerar, defendendo que a profissão seja considerada de risco e de desgaste rápido, tal como proposta entregue na Assembleia da República. A Ordem dos Médicos sugere ainda uma alteração legislativa estrutural com o objetivo de salvaguardar, proteger e dignificar os médicos.
“A violência no local de trabalho aumenta o absentismo e até, em casos extremos, pode levar ao abandono, além de desmotivar a opção pela profissão, o que agrava a falta de recursos humanos no sistema de saúde. Não podemos tolerar nenhum tipo de violência, muito menos no local de trabalho, onde os médicos dão o seu melhor para cuidar de quem os procura”, afirma Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos, a propósito do Dia Europeu da Sensibilização para a Violência Contra Médicos e Outros Profissionais de Saúde. A data assinala-se todos os anos, a 12 de março por iniciativa do Conselho Europeu das Ordens dos Médicos (CEOM).
José Santos, presidente do CEOM alerta que "a violência contra os médicos também ameaça a qualidade de todos os cuidados”. Dados sobre o fenómeno estão a ser recolhidos pelo Observatório Europeu.
O coordenador do Gabinete Nacional de Apoio ao Médico (GNAM), João Redondo, defende que “a par com a prevenção, é essencial apoiar os médicos e médicas que se encontram em situação de vulnerabilidade, investindo na promoção de respostas adequadas às necessidades que motivaram o pedido de apoio ao GNAM. Estamos empenhados em gerar as mudanças estruturais necessárias que permitam melhorar ainda mais essa resposta”.
A violência exercida sobre os médicos é um dos pontos que está em análise na reunião do Bastonário da Ordem dos Médicos portuguesa com o seu homólogo francês, François Arnault que decorre hoje, em Paris. Carlos Cortes irá partilhar a experiência adquirida com o novo Gabinete Nacional de Apoio ao Médico em Portugal.
Projeto inovador
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra projeto que utiliza tecnologias imersivas para...

O “WinWORK: "Criação de Ambientes de Trabalho Saudáveis para a Promoção de Qualidade de Vida e Bem-estar nos Locais de Trabalho” é um projeto transfronteiriço inovador, cofinanciado pela União Europeia através do Programa de Cooperação Interreg VI-A Espanha-Portugal.  

«Este projeto tem como objetivo melhorar a saúde e o bem-estar no ambiente laboral, recorrendo a intervenções multidisciplinares e tecnologias imersivas, como a realidade virtual, com enfoque na cocriação e participação ativa das partes interessadas. A Universidade de Coimbra (UC) desempenha um papel central no projeto», afirma Ana Luísa Pinto, professora do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) e líder do projeto na UC. 

A equipa da UC, liderada por Ana Pinto, conta com a colaboração de Paulo Menezes e Helder Araújo, professores do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores/ investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica, Carla Carvalho e Lisete Mónico, professoras da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, e os investigadores José Pinto Gouveia, Bárbara Monteiro, Telma Alves e Nuno Moita.

De acordo com a professora da FCTUC, «a abordagem utilizada foca-se nas tecnologias imersivas de realidade virtual para criar cenários interativos que promovam o mindfulness, ajudando os trabalhadores a gerir o stress e a desenvolver competências de natureza socio-emocional. Estas experiências são implementadas com óculos de realidade virtual, proporcionando um ambiente seguro e eficaz para a aprendizagem e a redução dos riscos psicossociais», explica

O WinWORK inclui intervenções piloto em seis organizações de Portugal e Espanha, abrangendo três setores: indústria, serviços e saúde. Estas ações envolvem a aplicação de metodologias participativas e sessões de capacitação para trabalhadores e gestores.

Além disso, o projeto realiza um levantamento inicial através de um questionário online da responsabilidade das redes da Associação Empresarial de Portugal, da Cámara de Comercio de Salamanca e da Cámara de Comercio de Badajoz. As organizações que preencherem este questionário poderão ser selecionadas para participar no projeto WinWORK, beneficiando diretamente da intervenção.

Este estudo avalia aspetos como cultura organizacional, liderança e condições de trabalho, preparando o caminho para o desenho das intervenções colaborativas. «O projeto pretende transformar os ambientes de trabalho, promovendo segurança, saúde e inclusão. A expectativa é que os resultados obtidos beneficiem não apenas as organizações diretamente envolvidas, mas também toda a comunidade interessada na temática», conclui Ana Pinto.

O consórcio é liderado pelo Instituto Politécnico do Porto e conta com parceiros como a Associação Empresarial de Portugal, Cámara Oficial de Comercio, Industria y Servicios de Badajoz, Fundación Centro de Cirugía de Mínima Invasión, Instituto Politécnico da Guarda

Universidade Coimbra, Universidad de Salamanca - Vicerrectorado de Investigacion y Transferencia.

Focado na inovação, colaboração e uso de tecnologia avançada, o WinWORK promete contribuir significativamente para a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida nos locais de trabalho, estabelecendo um novo paradigma para a saúde laboral em Portugal e Espanha.

“FintADor”
Programa de atividade física pretende reduzir as dores, melhorar a função articular e a saúde física e mental.

A USF União Penafidelis I ULS do Tâmega e Sousa e o Município de Penafiel, através do pelouro do desporto, lançaram o projeto “FintADor”, iniciativa direcionada para pessoas com dores osteoarticulares, e que tem como objetivo promover atividade física para ajudar a reduzir as dores, melhorar a função articular e a saúde física e mental dos utentes participantes.

Os destinatários são os utentes inscritos na USF União Penafidelis com dores osteoarticulares, incluindo aqueles diagnosticados com condições como osteoartrite e outras patologias músculo esqueléticas. Para se inscrever é obrigatória a consulta prévia junto do médico de família, que fará o devido acompanhamento. O objetivo deste projeto passa também por ser replicado noutras unidades de saúde da região.

As dores osteoarticulares que afetam articulações e ossos são frequentes na população adulta. São multifatoriais e necessitam de muitos recursos em saúde, com consultas, medicação e tratamento fisiátrico. Acarretam ainda sofrimento físico e mental na população afetada. A atividade física adequada, como é o caso do projeto “FintADor”, pode melhorar significativamente a qualidade de vida dessas pessoas, aliviando a dor, melhorando a mobilidade e fortalecendo os músculos ao redor das estruturas físicas afetadas.

O programa arrancou no dia 10 de março, no Pavilhão Desportivo Municipal de Recezinhos, com cerca de 40 utentes, de um total de 57 já inscritos (o número máximo nesta primeira fase é de 60) e inclui 3 sessões semanais monitorizadas por técnicos municipais de exercício físico, às 2.ªs, 4.ªs e 6.ªs feiras, entre as 09h00 e as 10h00. 

Opinião
A Diabetes é uma doença crónica que atinge milhares de pessoas.

A problemática da Diabetes não se resumo ao facto da pessoa com Diabetes ter uma alteração da glicemia mas sim das consequências desta alteração metabólica e de todas as lesões nos diferentes órgãos e sistemas que a hiperglicemia induz.

A hiperglicemia causa alterações nos vasos sanguíneos que conduzem a lesões micro e macrovasculares extensas que são responsáveis pelas principais complicações associadas à Diabetes tais como retinopatia, neuropatia, nefropatia e ainda pelo aumento da incidência de Enfarte Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral.

A propósito do Dia Mundial do Rim, a 13 de março, debruçamo-nos um pouco sobre a Doença Renal Crónica (DRC) associada à Diabetes ou Nefropatia Diabética.

A Diabetes é uma das principais causas de Doença Renal Crónica, sendo que 30 a 40% da população diabética tem DRC de acordo com dados da IDF. O que para Portugal representa cerca de 385 mil pessoas com Nefropatia Diabética. Segundo a IDF, entre 1990 e 2017 verificou-se um aumento de 74% nos novos casos de DRC associada à Diabetes tipo II.

A prevalência da Nefropatia Diabética aumenta com a idade, com o tempo de duração da Diabetes bem como com o inadequado controle metabólico.

A lesão renal resulta diretamente da hiperglicemia bem como de outras condições associadas à Diabetes como Hipertensão arterial, Dislipidemia ou Tabagismo que exacerbam o declínio da função renal. As pessoas com DRC tem maior risco de doenças cardiovasculares e morte.

Clinicamente a doença manifesta-se por um   cansaço de agravamento progressivo, falta de apetite, náuseas ou vómitos, aumento da frequência urinária, sangue na urina, edema periférico e peri-ocular, alteração da tensão arterial e hálito cetónico, já numa fase mais avançada. A primeira manifestação é a perda de albumina na urina.

O diagnóstico deve ser realizado o mais precocemente possível por forma a prevenir o avanço da doença e a reduzir a gravidade da mesma.  O diagnóstico é baseado no valor da creatinina sérica e da relação albumina/creatinina (RAC) na urina. A ecografia renal permite avaliar a estrutura do rim que também é afetada pela DRC pelo que também tem um papel diagnóstico.

A DRC divide-se em 5 estadios de gravidade sendo que o estádio terminal carece de substituição da função do rim por diálise ou por transplante de órgão, com custo económicos, sociais e familiares para os doentes e para a comunidade em geral, muito elevados.

Apenas 27 a 53% da população com DRC tem acesso a técnicas de substituição renal (diálise), sendo este acesso muito escasso   nos países de baixo desenvolvimento económico, onde a prevalência de DRC é mais elevada. Sendo uma causa de morte frequente nestes países.  

As alterações da tensão arterial são consequência e também causa de doença renal crónica pelo que é fundamental o seu controle.

Atualmente existem várias classes de fármacos para o tratamento da Diabetes que além de proporcionarem um bom controle da glicemia, têm por si só um efeito benéfico no declínio da função renal. No entanto, apesar de toda a melhoria na terapêutica disponível para a DRC, a melhor forma continua a ser a prevenção.

Assim a estratégia mais eficaz na redução da Doença Renal, além de hábitos de vida saudáveis, é prevenir e controlar, o mais precocemente possível, a diabetes e a tensão arterial. 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
O sono tem sido cada vez mais estudado pela ciência devido à sua importância para a saúde em geral,

O sistema endócrino, responsável pela produção das hormonas sexuais, é fortemente influenciado pelo ritmo circadiano e pelos padrões de sono. Hormonas como o LH e o FSH desempenham um papel crucial na regulação do ciclo menstrual feminino, assim como na espermatogénese masculina. Qualquer desregulação no padrão de sono pode levar a alterações hormonais que impactam negativamente a fertilidade.

No caso das mulheres, a qualidade do sono está diretamente relacionada à regularidade dos ciclos menstruais, à função ovárica e à reserva folicular. Um sono inadequado pode ainda elevar os níveis de cortisol, a hormona do stress, que interfere no equilíbrio hormonal e pode comprometer a ovulação. Além disso, a exposição crónica a níveis aumentados de cortisol está associada a stress oxidativo, inflamação e aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar. Nos homens, alterações no sono podem impactar a qualidade do sémen. Esses efeitos são frequentemente atribuídos a desequilíbrios hormonais, como a redução dos níveis de testosterona, essencial para a produção adequada de espermatozoides.

A relação entre ritmo circadiano e saúde reprodutiva é tão evidente que trabalhadores noturnos ou pessoas com horários rotativos, que comprometem a regularidade do sono, apresentam maior propensão a disfunções menstruais e redução da fertilidade.

No mundo moderno, dominado pela tecnologia, desligar-se dos dispositivos eletrónicos é um desafio, mas sabe-se que esses comportamentos interferem na produção de melatonina, essencial para o sono. No entanto, a melatonina não serve apenas para o sono, ela funciona como um antioxidante poderoso que protege o sistema reprodutor. Por isso, uma boa produção de melatonina deve ser garantida. A população deve ser consciencializada para a importância de uma boa higiene do sono, o que inclui manter horários regulares para dormir e acordar, criar um ambiente adequado para o descanso e reduzir a exposição a telas antes de dormir.

No campo da nutrição, há vários aspetos que podem contribuir para a melhoria do sono e, consequentemente, da fertilidade:

  • Evitar substâncias estimulantes: Reduzir o consumo de cafeína no final da tarde e noite, incluindo café, chá verde e preto, chocolate, refrigerantes com cafeína e bebidas energéticas.
  • Optar por refeições leves no jantar: Privilegiar alimentos de fácil digestão, evitando refeições pesadas, especialmente ricas em gorduras. Essa refeição deve ainda incluir proteínas e hidratos de carbono pouco refinados.
  • Apoiar a produção de melatonina: Para um sono reparador, é essencial garantir a produção adequada de melatonina. Nutrientes como magnésio, vitamina B6 e triptofano desempenham um papel fundamental nesse processo. Assim, deve-se incluir na dieta alimentos como banana, frutos oleaginosos, laticínios, ovos, sementes e aveia.

Garantir um sono de qualidade através de bons hábitos e de uma alimentação equilibrada pode ser um passo essencial para a saúde reprodutiva. Pequenas mudanças no estilo de vida podem fazer uma grande diferença na fertilidade e bem-estar geral.

 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
“Gestão do Doente Agudo” é o tema da 15.ª Conferência de Valor APAH
A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) vai realizar a 15.ª edição da Conferência de Valor APAH, que...

A 15.ª edição da Conferência de Valor APAH contará com a participação de especialistas de diversas áreas, que abordarão temas como  “Organização e gestão de operações num serviço de Urgência”; “Modelos de gestão inovadores na Europa”, “Tendências de procura dos serviços de Urgência: o que esperar para os próximos 10 anos?”, “Reduzir sobrelotação e espera nos serviços de saúde: Exemplos de excelência global”; “Otimização da resposta na Urgência: O Papel da tecnologia”, e “Concentração ou proximidade: Que rede de urgências para os próximos 30 anos?”.

De acordo com Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), “com esta iniciativa, procuramos fortalecer a colaboração entre os diferentes parceiros do setor, promovendo uma melhoria contínua na qualidade e excelência dos resultados da Saúde em Portugal. Esta 15.ª edição destaca-se por oferecer aos participantes uma oportunidade única de aprofundar conhecimentos e explorar abordagens inovadoras na gestão do doente agudo, através de um programa dinâmico e diferenciador, com painéis compostos por convidados de renome nacional e internacional. Acreditamos que este será um encontro único e essencial para os profissionais de saúde que tenham interesse pela excelência e transformação do setor”.

As Conferências de VALOR APAH surgem como uma aposta na organização de iniciativas que promovam a criação de valor para os gestores em saúde, através da análise dos tópicos atuais e determinantes para o futuro dos hospitais e dos sistemas de saúde. Direcionada a todos os profissionais ligados à gestão em saúde, esta iniciativa visa fomentar a partilha de boas práticas e a procura de novas abordagens que permitam enfrentar os desafios presentes e futuros.

Para mais informações sobre a 15.ª edição da Conferência de Valor APAH, consulte o site: https://www.admedic.pt/eventos/15-conferencia-de-valor-apah.html

14 de março | Dia Mundial do Sono
“Uma Viagem Ilustrada ao Mundo do Sono – desenhos e quadras de jovens artistas sobre a importância do sono” é uma obra criada...

Para assinalar o Dia Mundial do Sono, a Associação Portuguesa do Sono (APS), em conjunto com o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), lançam o livro “Uma Viagem Ilustrada ao Mundo do Sono – desenhos e quadras de jovens artistas sobre a importância do sono”, uma obra coletiva criada por 89 crianças e adolescentes, do 1.º Ciclo ao Ensino Secundário. O livro, que conta com o apoio da VitalAire, pretende sensibilizar para a importância de um sono adequado através da expressão artística dos mais jovens. 

O lançamento oficial do livro irá decorrer no dia 14 de março, em:

●      Lisboa: 15h00, Auditório do CIUL (Centro de Informação Urbana de Lisboa)

●      Porto: 14h30, Casa do Infante

De acordo com a Prof.ª Paula Pinto e a Doutora Laetitia Gaspar, membros da Direção e da Assembleia Geral da APS, respetivamente, que estarão presentes no lançamento em Lisboa, destacam que “este livro é um reflexo do talento e da criatividade dos jovens, que, por meio da arte, conseguem transmitir uma mensagem impactante sobre a importância do sono.”

Com esta iniciativa, a APS reforça a sua missão de educar e sensibilizar a população sobre a importância do sono para a saúde e o bem-estar. O livro resulta de um projeto colaborativo que envolveu crianças e adolescentes, incentivando-os a expressar, por meio de ilustrações e quadras, a importância de um sono reparador na vida quotidiana. A Dr.ª Daniela Sá Ferreira, Presidente da Direção da APS, que estará presente no lançamento do Porto, expressa que “a missão da APS é educar e sensibilizar a sociedade sobre os benefícios de uma boa noite de sono”. “Este livro não só transmite essa mensagem de forma divertida e educativa, mas também faz com que todos, especialmente as crianças e os jovens, se envolvam ativamente neste importante tema”, acrescenta a Dr.ª Marta Rios, também membro da Direção da APS e que, igualmente, marcará presença no lançamento que decorre na Casa do Infante. Por fim, a Dr.ª Bárbara Santos e a aluna de mestrado Bárbara Ramalho, do CNC-UC, salientam “a dedicação do CNC-UC à comunicação de ciência, um dos pilares do centro, e a importância deste tipo de iniciativas, inovadoras e fora da caixa, para reforçar a importância do sono”.

A APS convida todos os interessados a, após o lançamento, descobrirem esta obra que pretende inspirar crianças, pais e educadores a priorizarem o sono.

 

22 a 25 de maio
Entre os dias 22 e 25 de maio, Coimbra será palco do 31.º Congresso Nacional de Medicina Interna (CNMI), que decorrerá no...

"Contamos com a presença de todos os Internistas em Coimbra para fazer do 31.º CNMI mais um marco na história dos congressos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), promovendo a partilha de conhecimento científico que visa essencialmente a melhor prestação de cuidados aos nossos doentes e a valorização do papel cada vez mais fundamental dos Internistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS)", afirma Lèlita Santos, presidente do congresso.

Durante os quatro dias do evento os participantes poderão assistir a conferências, debates e mesas-redondas sobre temas como: consentimento informado e limites da autonomia do idoso; transversalidade das doenças respiratórias; abordagem das citopenias; novos desafios da obesidade; síndromes de dor crónica; desafios na doença hepática; neuropatia periférica em doenças sistémicas, farmocogenética e medicina personalizada; manifestações cutâneas das doenças imunomediadas; hospitalização domiciliária; sarcopenia; multidisciplinariedade da doença renal; a grávida na urgência; desafios na gestão das comorbilidades no idoso com artrite reumatoide; atualidade da edição médica em Portugal; wearable tecnology na prática clínica; insuficiência cardíaca e turismo de saúde em Portugal.

O evento contará ainda com uma mesa-redonda dedicada aos jovens internistas, uma conferência sobre o ensino da medicina na Universidade de Coimbra, o papel da inteligência artificial na medicina e um debate sobre a atratividade da especialidade de Medicina Interna, com diferentes perspetivas dentro da área.

Para mais informações e inscrições, visite: https://cnmi.spmi.pt/inscricoes-2025/

Além-Fronteiras: Saúde Mental e Acesso a Cuidados de Saúde dos Imigrantes em Portugal
Apesar do bom estado de saúde geral apresentado pelos imigrantes em Portugal no momento da chegada, o chamado efeito imigrante...

A conclusão é revelada na mais recente Nota Informativa – Análises do Setor da Saúde – Além-Fronteiras: Saúde Mental e Acesso a Cuidados de Saúde dos Imigrantes em Portugal, da autoria dos investigadores Pedro Pita Barros, detentor da Cátedra BPI | Fundação ‘la Caixa’ em Economia da Saúde, e Carolina Santos, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação ‘la Caixa’, o BPI e a Nova SBE.

Em 2023 a migração para países da OCDE atingiu níveis recorde (aumento de 10% na migração permanente). Portugal, desde 1990, tornou-se um país de destino para imigrantes, e em 2023, registou um saldo migratório positivo pelo sétimo ano consecutivo (dados Instituto Nacional de Estatística, 2024), impulsionando o crescimento da população residente com brasileiros a representar a maior comunidade estrangeira no país (36,9), seguidos por angolanos (5,8%) e cabo-verdianos (5,0%) – dados Censos de 2021. Baseando-se nos dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2014 e 2019, a presente Nota Informativa analisa o impacto da origem e dos motivos de migração na saúde e no acesso a cuidados médicos dos imigrantes em Portugal.

A análise – que se debruça sobre os indivíduos com 20 ou mais anos (amostra de 29.573 indivíduos nascidos em Portugal, 509 nascidos noutros países da UE e 1.484 nascidos fora da EU) – revela que, em média, os imigrantes são mais jovens do que os nativos (46,1% dos nativos têm 60 anos ou mais enquanto 27,1% são imigrantes provenientes da UE e 16,6% são imigrantes de fora da EU). Esta diferença etária reflete-se também no nível médio de escolaridade e rendimento, com os nativos mais velhos a apresentarem menores índices de educação avançada (apenas 6,5% dos nativos com 60 anos ou mais têm educação superior, enquanto entre os imigrantes da UE a percentagem é de 29,0% e de 24,4% para os imigrantes de fora da EU). No que se refere ao rendimento as disparidades são pouco relevantes na população com idades entre os 20 e os 59 anos (21,1% no quintil de rendimento mais elevado na população nativa, 26,2% na população de imigrantes de outros países da UE e 24,4% na população de imigrantes de fora da EU) mas no grupo das pessoas com 60 ou mais anos as diferenças tornam-se mais evidentes (a percentagem de indivíduos no quintil de rendimento mais elevado é de 14,6% na população nativa, 44,2% na população de imigrantes de outros países da UE e 37,0% na população de imigrantes nascidos fora da EU).

No que toca aos motivos da imigração, a análise considerou um modelo de classes latentes, para distinguir imigrantes económicos (que vêm para Portugal com o intuito específico de melhorar as suas condições de vida, em busca de um rendimento superior ao que auferiam no país de origem) e não económicos (que se deslocam por motivos familiares ou de carreira internacional, bem como migrações despoletadas por instabilidade política e social nos seus países de origem). O modelo de classes latentes inclui fatores como o crescimento económico de Portugal nos anos anteriores à chegada dos migrantes, sexo, grupo etário e região de nascimento (UE ou fora da UE). Os imigrantes que chegam durante períodos de crescimento económico são mais propensos a ser movidos por fatores económicos (81,9%) sendo de destacar neste grupo os nascidos fora da UE (que representam 62,2%). Adicionalmente, são os imigrantes jovens que têm maior preponderância por motivos económicos.

Analisando a origem e o seu impacto na saúde mental, verifica-se que a prevalência de sintomas depressivos entre nativos é maior (14,8%), com os imigrantes nascidos fora da EU a atingir níveis de 9,1% e os imigrantes provenientes da UE de 7,1%. As características socioeconómicas (rendimento, sexo biológico e escolaridade) também influenciam a prevalência de sintomas depressivos, verificando-se que as mulheres têm uma probabilidade 11,3 pontos percentuais superior à dos homens.

O rendimento revela-se um indicador com pouca relevância e com efeito protetor fraco nos elementos de saúde mental, já que indivíduos do escalão mais abastado (quinto quintil) têm uma probabilidade de sintomas depressivos apenas 2,7 pontos percentuais inferior aos do primeiro quintil, contrariando a ideia de que a depressão afeta principalmente os mais afluentes. O fator com maior efeito protetor é o número de contactos próximos a quem recorrer em caso de problema grave (com os indivíduos com um ou dois contactos a apresentar uma probabilidade 8,8 pontos percentuais menor de sofrer sintomas depressivos). ‘Mesmo controlando por características socioeconómicas, os imigrantes têm uma menor probabilidade de reportar sintomas depressivos, o que suporta a hipótese do imigrante saudável’ referem os investigadores.

Quanto aos motivos para imigração, apenas se observa evidência em linha com a hipótese do imigrante saudável para imigrantes que se deslocam para Portugal por motivos não económicos.  ‘Com efeito, os indivíduos que imigram para Portugal por motivos não económicos têm uma probabilidade de reportar sintomas depressivos 2,6 pontos percentuais inferior à dos nativos.’ Porém, é de destacar que o efeito do imigrante saudável diminui com o tempo de permanência em Portugal, verificando-se que após 40 anos de residência, os homens imigrantes apresentam uma prevalência de sintomas depressivos semelhante à dos homens nativos. No entanto, as mulheres imigrantes continuam a relatar sintomas depressivos menos graves do que as mulheres nativas.

No que toca ao acesso aos cuidados de saúde – e apesar de o SNS português ser universal e em grande parte gratuito garantindo o acesso dos imigrantes a cuidados de saúde – existem várias formas de financiamento das despesas diretas em saúde (subsistemas ou seguros privados) que podem condicionar o acesso a cuidados de saúde necessários. Os dados analisados permitem aferir que os imigrantes nascidos fora da UE têm, em média, 4,3 pontos percentuais menos probabilidade de estar cobertos por subsistemas ou seguros privados em comparação com os nativos, não existindo, contudo, diferenças significativas entre imigrantes da UE e nativos. A disparidade na cobertura de saúde é mais acentuada entre os imigrantes económicos (que têm 6,1 pontos percentuais menos oportunidade de ter cobertura de saúde privada do que os nativos) não existindo diferenças significativas para imigrantes não económicos.

Para aferir a utilização de cuidados de saúde pelos imigrantes e nativos, foram analisados cinco tipos de serviços (internamento hospitalar, cuidados hospitalares ambulatórios, Medicina Geral e Familiar, outras especialidades médicas e cuidados de saúde mental) verificando-se que não existem diferenças significativas na probabilidade de recorrer a serviços de internamento, revelando apenas os imigrantes nascidos fora da UE uma maior probabilidade de utilizar serviços hospitalares ambulatórios (incluindo urgências). Já no que se refere à probabilidade de recorrer a consultas de Medicina Geral e Familiar, verifica-se que existe uma diferença negativa de 3,2 e 2,4 pontos percentuais (Imigrantes da UE e de fora da UE, respetivamente), em relação aos nativos o que indicia uma menor utilização de cuidados primários e preventivos pelos imigrantes.

Ao avaliar a utilização agregada de cuidados hospitalares e consultas de Medicina Geral e Familiar, verifica-se que não há diferenças significativas entre nativos e imigrantes nascidos fora da UE. Contudo, verifica-se que os imigrantes da UE recorrem, em média, menos do que os nativos, estando esta menor utilização provavelmente relacionada com a uma menor necessidade de cuidados, uma vez que as necessidades médicas não satisfeitas relatadas pelos imigrantes da UE não diferem das dos nativos. De salientar que, apesar de não terem sido encontradas diferenças significativas na utilização de outras especialidades médicas entre imigrantes e nativos, verifica-se que a probabilidade dos imigrantes recorrerem a consultas de Medicina Geral e Familiar e outras especialidades médicas aumenta com o tempo de residência em Portugal.

No que se refere à probabilidade de utilização de cuidados de saúde mental e necessidades de cuidados de saúde mental não satisfeitas a análise revela que não existem diferenças significativas entre imigrantes e nativos, o que ‘não significa que não existem barreiras de acesso’ uma vez que há uma proporção substancial de indivíduos com sintomas depressivos moderados a severos que não se encontra diagnosticada ou permanece sem tratamento (seja devido à escassez de profissionais especializados, à resistência à descentralização dos serviços ou à fraca coordenação entre os diferentes níveis de cuidados de saúde). De acordo com os dados analisados, 59,3% das pessoas em Portugal com sintomas depressivos clinicamente significativos não percebem que precisam de ajuda: o fenómeno afeta 69,3% dos nativos, 66,7% dos imigrantes da UE e 57,1% dos imigrantes de fora da UE.

Quando a análise recai sobre o perfil verifica-se que os imigrantes não económicos apresentam uma probabilidade de internamento 3 pontos percentuais superior à dos nativos e os imigrantes económicos recorrem 3,4 pontos percentuais menos a cuidados de Medicina Geral e Familiar. No que toca às necessidades de cuidados de saúde mental não satisfeitas não se verificam diferenças estatisticamente significativas entre nativos e imigrantes e na capacidade de reconhecer necessidades de apoio psicológico, identifica-se que é menos comum entre pessoas com sintomas depressivos moderados, que tendem a encarar a condição como temporária.

Além-Fronteiras: Saúde Mental e Acesso a Cuidados de Saúde dos Imigrantes em Portugal releva ainda que a deterioração do estado de saúde dos imigrantes ao longo do tempo pode estar associada não só a barreiras no acesso aos cuidados de saúde, mas também ao processo de aculturação e à adoção de comportamentos de risco, como o consumo de álcool, tabaco e a falta de exercício físico. Em Portugal, os imigrantes nascidos na UE praticam mais exercício físico, mas apresentam uma probabilidade 6,1 pontos percentuais superior de fumar diariamente ou consumir álcool com frequência em comparação com os nativos. Com o tempo de residência, o consumo de álcool entre os imigrantes diminui, mas a taxa de tabagismo diário aumenta, contrariando a ideia de que os imigrantes ajustam os seus hábitos aos dos nativos.

Em suma, os dados analisados na presente Nota Informativa permitem aferir que os imigrantes que optam por residir em Portugal por questões económicas enfrentam barreiras no acesso a cuidados de saúde superiores às registadas pelos indivíduos nascidos em Portugal; os imigrantes que vêm para Portugal por motivos não económicos têm uma menor probabilidade de reportar sintomas depressivos do que os nativos e têm uma cobertura para despesas em saúde equiparada à das pessoas nascidas em Portugal. ‘O desenho de políticas públicas capazes de mitigar as desigualdades no acesso a cuidados de saúde entre imigrantes (económicos) e nativos exige que se aprofunde o conhecimento sobre as origens e causas destas desigualdades’ concluem os investigadores.

 

Dia Mundial do Sono assinala-se a 14 de março
Este ano, o mote do Dia Mundial do Sono é a importância de tornar a saúde do sono uma prioridade, o que implica colocar o sono...

Os médicos pneumologistas destacam o papel essencial que o sono tem “na saúde física e mental, desempenhando funções importantes para a recuperação motora e crescimento, imunidade, controlo hormonal e metabólica, regulação do apetite, para a memória e função cognitiva, mas também para a regulação do humor”.

Em 2022, a SPP realizou um questionário online onde procurou avaliar o sono dos portugueses e, entre as mais de duas mil respostas, pode ser concluído que 52% dos inquiridos raramente dormia bem, 75% dormia menos de sete horas, 17% das pessoas assumiam ressonar e 51% referia sonolência diurna excessiva. “Apesar de haver uma tendência crescente na atenção prestada ao sono, estes resultados mostram que ainda é manifestamente insuficiente o cuidado que temos com o nosso sono”, salientam Vânia Caldeira e Pedro Americano. Ambos reforçam a ideia de que “o sono tem de ser um dos pilares de um estilo de vida saudável, a par com a dieta e o exercício físico. Pouco sono, ou um sono de má qualidade, acarretam risco cardiovascular (doença cardíaca), maior descontrolo da tensão arterial e da diabetes, risco de AVC e maior risco de depressão e ansiedade, tal como de problemas de memória”.

Para Pedro Americano, é também importante considerar que existem obstáculos a um bom sono: “principalmente sociais. Não havendo uma boa sensibilização para a relevância do sono e mesmo admitindo sentirem falta dele, a maior parte das pessoas prejudica o tempo total de sono para outras rotinas sejam laborais, familiares ou de lazer. Em adição acabam por condicionar a sua qualidade, ao não respeitar a tal boa higiene do sono na sua totalidade. Hoje é muito frequente a utilização de ecrãs na cama, em virtude do desenvolvimento de redes sociais e aplicações que estimulam o seu consumo desmedido. Dou particular destaque a estas situações por serem facilmente corrigíveis e assim impactar de forma relevante na saúde das pessoas. Mas existem outros cenários, nomeadamente trabalhadores por turnos, mais difícil de gerir, ou patologias do sono, das quais destacaria a apneia obstrutiva do sono, cujo conhecimento e tratamento precoce devem ser estimulados”. 

Vânia Caldeira destaca a existência deste outro lado - um sono não saudável, cujos sintomas podem ser disruptivos para o próprio e para o parceiro: “ressonar, parar de respirar durante o sono, sensação de asfixia noturna, múltiplos despertares noturnos para urinar e incapacidade de manter o sono são sinais importantes de que o sono não é saudável e de que se deve procurar ajuda médica em consulta de sono. Alguns sintomas acompanham o doente para o dia e são a consequência de um sono de má qualidade – a sonolência durante o dia, as dificuldades de atenção, concentração ou memória, a irritabilidade ou o choro fácil podem ser sinais de um mau sono e também devem motivar investigação”.

É com o intuito de aumentar a sensibilização da população portuguesa para a importância do sono enquanto um pilar fundamental para uma vida saudável que a SPP, no âmbito do Dia Mundial do Sono, vai realizar uma campanha com a colocação de anúncios por todo o país alertando as pessoas para que FAÇAM DO SONO UMA PRIORIDADE.

A par disso, será ainda disponibilizado um “Guia do Sono” que inclui uma série de recomendações para uma boa higiene do sono.

Recomendações para uma boa higiene do sono

Tal como lavamos os doentes diariamente, devemos cuidar da higiene do nosso sono assegurando as melhores condições para o mesmo:

- O ambiente do quarto é nuclear para um sono de qualidade – a ausência de luz e de ruído, uma temperatura e um ambiente seguro e confortável;

- A regularidade e a oportunidade para dormir devem estar asseguradas;

- As rotinas pré-sono são essenciais para uma melhor qualidade do sono: o jantar deve ser uma refeição ligeira, sem consumo de álcool, cafeína ou elevada quantidade de líquidos. Após o jantar deve privilegiar-se um ambiente calmo que facilite o relaxamento mais propício ao sono, evitando a utilização de dispositivos eletrónicos;

- O vestir do pijama e o escovar dos dentes são pistas importantes para o nosso sono, mas, na verdade, um sono de qualidade começa no nosso dia – a exposição matinal à luz, a prática regular de exercício físico e as refeições regulares contribuem para um sono de qualidade.

Ação de sensibilização
Centros recebem iniciativa de sensibilização, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, que pretende alertar para...

É no âmbito da Semana Mundial do Glaucoma que o Colombo, o CoimbraShopping e o NorteShopping vão receber uma ação de sensibilização nos dias 11, 12 e 13 de março, respetivamente. A iniciativa, realizada em parceria com a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, pretende alertar os visitantes para o Glaucoma, uma doença silenciosa e progressiva que se estima que impacte cerca de 250 mil pessoas em Portugal.

Nestes dias, os visitantes poderão obter informações sobre a doença e a importância do diagnóstico precoce. Os especialistas estarão disponíveis para explicar o que é o Glaucoma, os seus fatores de risco e alertar para a necessidade de consultas regulares com oftalmologistas.

No dia 11 de março, o Colombo terá esta iniciativa a decorrer no Piso 0, das 10h00 às 24h00. No dia seguinte, dia 12, é a vez do CoimbraShopping receber a ação de sensibilização que estará a decorrer no Piso 1, entre as 10h e as 21h. Já no dia 13, os visitantes do NorteShopping podem ter acesso a esta iniciativa no Piso 0, das 10h00 às 23h00.

Sendo a principal causa de cegueira irreversível a nível mundial, o Glaucoma é uma doença que não tem cura, mas cujo diagnóstico atempado pode evitar a progressão para a cegueira. Sob o lema “Olhe com atenção, o Glaucoma não avisa”, esta campanha da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia pretende reforçar a necessidade do rastreio a partir dos 40 anos, especialmente em indivíduos com fatores de risco adicionais, como hipertensão ocular, alta miopia ou uso prolongado de corticoides.

Ao receber esta ação de sensibilização, os centros geridos pela Sonae Sierra reforçam o seu compromisso com a saúde e o bem-estar dos visitantes, promovendo iniciativas que possibilitem o acesso a informação essencial e incentivem à adoção hábitos preventivos.

Opinião
A OUVIR – Associação Portuguesa de Portadores de Próteses e Implantes Auditivos comemora 14 anos de

Como Presidente e Sócio Fundador da OUVIR, olho para este percurso com orgulho, mas também com a consciência de que ainda há muito por fazer. Porque, apesar dos avanços tecnológicos e das conquistas na acessibilidade, demasiadas pessoas com deficiência auditiva continuam a enfrentar barreiras invisíveis, preconceitos e exclusões silenciosas.

É por elas que escrevo este artigo. Para aqueles que vivem num mundo onde os sons chegam com dificuldade, distorcidos ou simplesmente não chegam. Para aqueles que utilizam próteses auditivas ou implantes cocleares e sabem que ouvir vai além da tecnologia – é uma luta diária por acessibilidade e inclusão.

Hoje, a OUVIR não é apenas uma associação. É um espaço de pertença. Um ponto de encontro onde se partilham desafios e vitórias. Um movimento que dá voz a quem tantas vezes não é ouvido.

E neste aniversário, a mensagem mais bonita que posso deixar a todas as pessoas com deficiência auditiva é esta: vocês não estão sozinhos.

 

TECNOLOGIA: UMA PONTE PARA OUVIR O MUNDO

A tecnologia tem sido uma aliada preciosa na reabilitação auditiva. As próteses auditivas e os implantes cocleares permitem que muitas pessoas recuperem a perceção sonora, oferecendo-lhes novas possibilidades de comunicação.

Mas será que a sociedade compreende realmente o que significa viver com estas tecnologias?

Usar um aparelho auditivo ou um implante coclear não é apenas "voltar a ouvir". É um processo de adaptação que exige esforço, paciência e, muitas vezes, um acompanhamento especializado que nem sempre está acessível. O som pode parecer metálico, distante, sobreposto. A discriminação das palavras no meio do ruído pode ser desafiante. A fadiga auditiva torna-se uma realidade constante.

Além disso, nem todos beneficiam da tecnologia da mesma forma. Há aqueles para quem as soluções auditivas disponíveis ainda não são suficientes. E há quem continue a lutar para que estes dispositivos sejam mais acessíveis a todas as pessoas que deles precisam.

A tecnologia é uma ponte, mas não chega por si só. Para que a reabilitação auditiva seja efetiva, é essencial que venha acompanhada de um compromisso social com a acessibilidade e a inclusão.

 

ACESSIBILIDADE: MAIS DO QUE UMA OPÇÃO, UM DIREITO

Viver com deficiência auditiva num mundo projetado para ouvintes significa encontrar obstáculos diários que a maioria das pessoas nem imagina.

Significa tentar acompanhar uma conversa num ambiente barulhento e perceber que, apesar da prótese ou do implante, algumas palavras se perdem no meio da confusão sonora.

Significa assistir a um programa de televisão e não haver legendas.

Significa ir a uma conferência e não encontrar um sistema de indução magnética ou legendagem em tempo real.

Significa telefonar para um serviço público e perceber que não há opções acessíveis para quem tem dificuldade em ouvir.

A acessibilidade auditiva não pode ser vista como um favor ou uma medida opcional. Deve ser encarada como um direito inegociável. A sociedade precisa de compreender que tornar os espaços e a comunicação acessíveis não beneficia apenas as pessoas com deficiência auditiva – beneficia todos nós.

Legendação, intérpretes de língua gestual, amplificação sonora em espaços públicos, sistemas FM e de indução magnética, aplicativos de transcrição em tempo real – estas são algumas das soluções que podem fazer a diferença na vida de milhares de pessoas. Mas para que sejam efetivas, precisam de ser implementadas de forma consistente e sem exceções.

A acessibilidade é a chave para a inclusão. E a inclusão começa no reconhecimento de que todas as pessoas, independentemente da sua capacidade auditiva, têm o direito de comunicar sem barreiras.

 

INCLUSÃO: O PODER DE FAZER PARTE

Ser incluído não é apenas estar presente. É ser ouvido, compreendido, valorizado.

As pessoas com deficiência auditiva não querem apenas que se lhes "dê espaço" – querem pertencer verdadeiramente à sociedade, ao mercado de trabalho, à cultura, à educação.

E, para isso, é preciso mudar mentalidades.

É preciso que as empresas percebam que um colaborador com deficiência auditiva pode ser tão produtivo e competente como qualquer outro, desde que lhe sejam dadas as ferramentas certas.

É preciso que as escolas garantam que nenhum aluno é deixado para trás por falta de intérprete ou de tecnologias assistivas.

É preciso que os profissionais de saúde sejam sensibilizados para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo da deficiência auditiva.

É preciso que cada um de nós, na nossa vida diária, se lembre de que a comunicação é um direito universal e que todos temos um papel a desempenhar na construção de uma sociedade mais acessível.

A inclusão não acontece por acaso. Exige ação, compromisso e vontade de mudar.

 

O QUE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA QUEREM OUVIR?

Neste aniversário da OUVIR, pergunto-me: qual será a mensagem que todas as pessoas com deficiência auditiva gostariam de ouvir?

Talvez fosse esta:

"O teu valor não está na tua audição, mas sim em quem és." A deficiência auditiva não define ninguém. O que define uma pessoa são as suas capacidades, os seus sonhos, a sua determinação.

"Tens direito a ser ouvido." A sociedade precisa de escutar as experiências, as dificuldades e as necessidades de quem vive com deficiência auditiva. Só assim poderemos construir um mundo verdadeiramente acessível.

"A tecnologia é uma aliada, mas a empatia é essencial." Não basta fornecer aparelhos auditivos e implantes. É preciso garantir que as pessoas com deficiência auditiva sejam compreendidas e respeitadas no seu dia a dia.

"Não estás sozinho." Há uma comunidade que te apoia, uma associação que luta pelos teus direitos, pessoas que compreendem os teus desafios e celebram as tuas conquistas.

 

14 ANOS DE COMPROMISSO, MUITOS MAIS PARA LUTAR

Ao longo destes 14 anos, a OUVIR tem sido uma voz ativa na defesa da acessibilidade auditiva e da inclusão. Mas o nosso trabalho está longe de terminar.

Continuaremos a lutar por uma sociedade onde todas as pessoas possam comunicar sem barreiras. Continuaremos a sensibilizar, a exigir mudanças, a apoiar quem precisa.

A cada pessoa com deficiência auditiva, a cada utilizador de próteses ou implantes, a cada família, a cada profissional que se dedica a tornar o mundo mais acessível, o meu profundo respeito e gratidão.

Juntos, podemos fazer a diferença. Juntos, podemos garantir que ninguém vive no silêncio contra a sua vontade.

 

Parabéns, OUVIR. Parabéns a todos nós!

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estima-se que em Portugal existam 40 mil casos de afasia
A afasia afeta cerca de 40% das pessoas que sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC), impactando a sua capacidade de falar,...

Este alerta visa chamar a atenção para os desafios enfrentados pelas pessoas com afasia e destacar a importância do diagnóstico precoce e do acesso a terapias especializadas. Com o apoio de especialistas na área da saúde e do impacto social da afasia, a iniciativa pretende ainda desmistificar conceitos errados e promover uma maior inclusão das pessoas com afasia na sociedade. 

"Na IPAFASIA temos vindo a desenvolver diversas iniciativas para apoiar as pessoas com afasia e os seus familiares, procurando criar um ambiente de maior compreensão e suporte para quem vive com afasia" explica Paula Valente, Diretora Executiva da IPAFASIA. Reforçando, “a divulgação deste alerta é essencial para dar voz a estas pessoas. Precisamos de um olhar mais atento para esta condição e de políticas públicas eficazes que garantam um melhor acompanhamento e reabilitação dos doentes." 

Nesse sentido, a IPAFASIA, em parceria com a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, vai desenvolver um estudo pioneiro para analisar a incidência e impacto da condição nos sobreviventes de AVC. O estudo, que conta com a colaboração da Unidade de AVC do Hospital Pedro Hispano, pretende caracterizar o impacto psicossocial da afasia em sobreviventes de primeiro AVC residentes nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, internados naquela Unidade em 2023. Após a recolha de todas as informações, será realizada uma análise estatística detalhada, cujos resultados serão divulgados em 2026, em formato de relatório e infografias. "Este estudo permitirá obter dados concretos sobre a realidade da afasia em Portugal e contribuir para o desenvolvimento de melhores estratégias de acompanhamento e reabilitação", conclui Paula Valente. 

Portugal tem uma das taxas de AVC mais elevadas da União Europeia 

Em Portugal, por hora, três portugueses sofrem um AVC, dos quais sobrevivem dois terços. Perto de metade dos sobreviventes de um AVC poderá ficar com afasia para toda a vida. Neste contexto, o IPAFASIA estima que surjam todos os anos cerca de 8.000 novos casos de afasia no país. 

Portugal tem uma das taxas de AVC mais elevadas da União Europeia, refletindo a gravidade do problema e a necessidade de medidas urgentes para prevenção e reabilitação. Através de extrapolações estatísticas, a IPAFASIA calcula que a prevalência de pessoas com afasia em Portugal ronde os 40.000 casos. Portugal é o sexto país da Europa que mais gasta com a doença vascular cerebral. Os custos, diretos e indiretos, atingem cerca de 2,5 milhões de euros anuais.

Estudo
A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) divulgou os resultados do estudo “Fadiga, Sonolência e Distúrbios do sono - Que impacto...

O estudo analisou os hábitos de condução e revelou que 58% dos condutores conduziram pelo menos uma vez no ano anterior quando estavam demasiado cansados e que 33% conduziram tão sonolentos que tinham dificuldades em manter os olhos abertos. O estudo destaca ainda que 9,4% dos condutores adormeceram ao volante enquanto conduziam.

Os condutores profissionais, trabalhadores por turnos e jovens estão particularmente vulneráveis à fadiga na condução, devido a horários irregulares e a estilos de vida que aumentam o risco de sonolência ao volante. Embora 86,9% dos condutores reconheçam que não se deve conduzir com sono e 91,4% admitam que essa condição aumenta o risco de acidente, 9,6% afirmam que continuariam a conduzir mesmo cansados e 18,4% acreditam que conseguem fazê-lo em segurança.

Os condutores demonstram reconhecer o elevado risco da condução sob fadiga: 80,5% consideram arriscado conduzir quando se está cansado e 90,6% quando se está sonolento. No entanto, 5,2% ainda consideram aceitável conduzir quando têm dificuldade em manter os olhos abertos.

O estudo destaca ainda que 8,4% dos condutores estiveram envolvidos em, pelo menos, um acidente rodoviário no último ano, sendo que destes, 29,7% apontam o cansaço ou a sonolência como a principal causa do último acidente. Quanto aos quase-acidentes, 44,9% dos condutores afirmam ter tido, pelo menos, um nos últimos 12 meses, com 20,9% desses casos associados à fadiga ou sonolência.

Os resultados revelam que 26% dos condutores apresentam níveis de sonolência excessiva. Já 1 em cada 5 condutores apresentam alto risco de sofrer de apneia do sono, sendo que 10,7% relataram já ter sido diagnosticados com algum distúrbio do sono. Destes, destacam-se a insónia (53%) e a apneia do sono (41%).

É essencial investir em campanhas de sensibilização e de prevenção relativamente aos perigos da fadiga e da sonolência na condução, com destaque para o impacto dos distúrbios do sono principalmente a Insónia e a Apneia Obstrutiva do Sono, assim como  a importância do seu tratamento adequado”, afirma Jorge Correia, Diretor-geral da VitalAire Portugal.

A fadiga é um fator de risco significativo, comparável à condução sob influência de álcool, excesso de velocidade e distração, contribuindo para uma percentagem considerável de acidentes rodoviários. Embora com menos notoriedade, o investimento no tratamento dos distúrbios do sono é fundamental para contribuir para a prevenção da sonolência diurna e, consequentemente, reduzir o risco de acidentes ao volante”, acrescenta.

Entre as estratégias mais comuns para combater a fadiga ao volante, destaca-se abrir as janelas ou ligar o ar condicionado (40,8%), parar para comer, fazer exercício ou relaxar sem dormir (34,6%), aumentar o volume do rádio (34,3%), beber cafeína ou tomar comprimidos de cafeína (28,9%) e conversar com os passageiros (25,2%). No entanto, as medidas, como parar para dormir uma sesta (11,2%) ou pedir a um passageiro para assumir a condução (13,0%), são das menos adotadas, apesar de serem consideradas altamente eficazes por 82,5% e 86,5% dos condutores, respetivamente.

Alain Areal, Diretor-geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) destaca, “este estudo revela que a fadiga na condução é um problema preocupante a nível nacional. Um em cada três condutores declararam ter conduzido com sonolência extrema. Muitos condutores subestimam os riscos e sobrestimam as suas capacidades para lidar com a fadiga, utilizando estratégias ineficazes que aumentam o risco de acidente. É essencial sensibilizar os condutores sobre as causas, efeitos e sintomas da fadiga, por meio de campanhas e programas de educação e formação. Além disso, são necessárias medidas complementares, como melhorias na infraestrutura (áreas de repouso, guias sonoras), fiscalização, incentivo ao uso de veículos com sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) e deteção de fadiga, e maior enfoque das empresas na gestão do risco associado à fadiga na condução. Uma abordagem integrada é crucial para reduzir os acidentes relacionados à fadiga.”.

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