26 de março | Purple Day
Entrevista com o Dr.

1. Considerando os dados sobre a prevalência da epilepsia em Portugal e o facto de que em muitos casos a causa permanece desconhecida, quais são as principais áreas de investigação em que a LPCE está a investir para melhor compreender a doença e, eventualmente, encontrar novas formas de prevenção ou tratamento?

Apesar de ainda estar a decorrer o estudo epidemiológico de epilepsia em Portugal, estima-se que a epilepsia afete cerca de 1% da população Portuguesa. Na maioria dos doentes, e após realização dos exames complementares apropriados, consegue-se identificar uma causa para a epilepsia. Nos casos onde tal não é claro, assume-se empiricamente um tratamento utilizando fármacos que sejam eficazes em todos os tipos de crises.

Uma melhor compreensão da doença, tal como novas formas de tratamento e prevenção tem sido um esforço efetuado por várias Instituições científicas a nível internacional,  nomeadamente a Liga Internacional Contra a Epilepsia, estando a LPCE a colaborar com as mesmas nesse sentido.

 

2. Como é que a epilepsia se manifesta e como é que o reconhecimento precoce de outros tipos de crises pode ser crucial para um diagnóstico e tratamento atempados?

A epilepsia caracteriza-se por uma predisposição cerebral intrínseca para gerar crises epiléticas de forma recorrente; as crises epiléticas podem ser de vários tipos, sendo as mais reconhecidas as crises convulsivas, com um componente motor aparatoso. Mas simples alterações visuais, auditivas, sensitivas ou olfativas podem ser manifestações de crises epiléticas, nestes casos podendo levar a um atraso diagnóstico e terapêutico. Para minimizar esse atraso, a observação numa consulta especializada de epilepsia é fundamental.

 

3. O texto menciona o estigma como um dos maiores obstáculos enfrentados pelas pessoas com epilepsia. Na sua experiência, quais são as manifestações mais comuns desse estigma em Portugal e que medidas concretas podem ser implementadas para o combater eficazmente, tanto a nível social como institucional?

O estigma da epilepsia está presente de várias formas, desde uma maior dificuldade em aceder a posições de trabalho, discriminação social ou incompreensão por parte dos outros. No entanto, cerca de 70% das pessoas com epilepsia têm as suas crises controladas com medicação, não apresentando qualquer restrição em efetuar a sua vida normal e com uma boa qualidade de vida.

O conhecimento destes factos é essencial para combater a estigma social e institucional que a doença provoca.

 

4. Apesar de a epilepsia poder ser controlada em muitos casos com medicação, o acesso a cuidados de saúde de qualidade continua a ser um desafio para alguns doentes em Portugal. Quais são as principais barreiras que impedem o acesso equitativo ao diagnóstico e tratamento da epilepsia no país, e o que pode ser feito para as superar?

Atualmente, em Portugal o acesso aos cuidados de saúde é garantido para a maioria dos doentes com epilepsia. O problema surge nos doentes nos quais as crises ainda não estão controladas e que deveriam ter uma referenciação precoce aos centros de epilepsia refractária, o que por vezes é um processo difícil e moroso. Para aumentar a capacidade de resposta a estes doentes deveria apostar-se numa maior profissionalização dos centros de referência.

 

5. Que tipo de plano nacional seria mais benéfico para as pessoas com epilepsia em Portugal, e quais seriam os seus principais componentes?

Um plano nacional para as pessoas com epilepsia deveria basear-se numa maior articulação e celeridade de resposta entre os diferentes níveis de cuidados de saúde, desde os cuidados de saúde primários, passando posteriormente para consultas especializadas em epilepsia existentes nos hospitais e, finalmente, os centros de referência em epilepsias refratárias.

 

6. Para além da medicação, que outras terapias ou abordagens complementares podem ser benéficas para as pessoas com epilepsia, e como podem ser integradas nos cuidados de saúde em Portugal?

Nos doentes nos quais as suas crises não estão controlados com a terapêutica médica, é necessário avaliar outras possibilidades de tratamento. Tal deverá ser efetuado nos 5 centros de referência em epilepsias refratárias existentes em Portugal, 2 no Porto, 1 em Coimbra, 2 em Lisboa. Nestes, e após uma cuidadosa avaliação multidisciplinar, os doentes poderão ser submetidos a cirurgia de epilepsia, técnicas de neuroestimulação, ou ser candidatos a novos fármacos anticrises epiléticas ou dietas específicas.

 

7. No caso de uma pessoa presenciar uma crise epilética, quais são os procedimentos de primeiros socorros mais importantes que deve seguir? Que informações cruciais devem ser transmitidas aos familiares da pessoa com epilepsia para que estes possam prestar o apoio adequado em casa e como podem ajudar a prevenir potenciais complicações durante e após uma crise?

A grande maioria das crises epiléticas tem uma duração limitada, pelo que o fundamental é saber como proceder durante esse período. Tal vai depender muito do tipo de crise epilética que o doente apresenta. Nas crises convulsivas, é fundamental afastar o doentes de objetos nos quais se possa magoar durante a crise e, após a crise, colocar o doente em posição lateral de segurança. Nada de tentar colocar objetos na boca para não morder a língua. Se a crise for prolongada, mais de 5 minutos, há fármacos que podem ser administrados para a parar. A ida a um serviço de urgência poderá ser justificada se o doente tiver alguma lesão no decorrer da crise, se a crise for muito prolongada ou se ocorrerem várias crises no mesmo dia (mais informações no site epilepsia.pt).

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Unidade Local de Saúde da Cova da Beira
A Unidade Local de Saúde da Cova da Beira associa-se ao Mês da Sensibilização para o Cancro Colorretal, uma iniciativa que...

Para além do compromisso com a sensibilização da comunidade e o incentivo à adesão aos programas de rastreio, o Serviço de Cirurgia Geral da ULS da Cova da Beira tem desempenhado um papel central no tratamento desta patologia. Em colaboração com especialidades como Gastroenterologia, Oncologia, Radiologia e Enfermagem, assegura aos doentes um acompanhamento célere, integrado e personalizado.

Entre as principais intervenções cirúrgicas realizadas, destaca-se a remoção de tumores colorretais através de abordagens laparoscópicas ou convencionais, consoante a complexidade do caso. A laparoscopia, sendo uma técnica minimamente invasiva, tem ajudado a reduzir consideravelmente o tempo de recuperação e a melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Para além da assistência clínica, o Serviço de Cirurgia Geral tem um forte envolvimento na investigação científica, fruto da parceria com a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI). Estudos recentes têm avaliado diferentes abordagens cirúrgicas, consolidando a instituição como um centro de excelência nesta área.

No âmbito do cancro colorretal, destacam-se as seguintes teses de mestrado integrado em Medicina, disponíveis no repositório da UBI:

- “Abordagem laparoscópica versus laparotómica no tratamento cirúrgico do cancro colorretal: A realidade do Centro Hospitalar e Universitário da Cova da Beira, num estudo comparativo entre 2016 e 2022”, de Carolina Silva Ferreira (Maio de 2024).

- “Anastomose intracorpórea versus extracorpórea na hemicolectomia direita laparoscópica: a realidade da Unidade Local de Saúde da Cova da Beira”, de Ângela Soares de Sousa (Janeiro de 2025).

Estas investigações refletem a evolução da prática cirúrgica na região e o compromisso da ULS da Cova da Beira com a inovação e a melhoria dos cuidados prestados aos doentes oncológicos.

No Mês da Sensibilização para o Cancro Colorretal, a #ULSBCBEIRA reforça o seu compromisso com a prevenção, rastreio e tratamento multidisciplinar, garantindo aos doentes cuidados de proximidade, qualidade e inovação.

 

Início da primavera
O início da primavera, estação na qual a concentração de pólen atmosférico atinge valores elevados, marca o regresso da...

Elaborado pela Rede Portuguesa de Aerobiologia (RPA) - um serviço da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) para a comunidade - “o Boletim Polínico pode ajudar os doentes alérgicos a estarem mais atentos e alerta sobre as épocas de polinização das plantas a que são alérgicos e, como tal, tomarem as devidas precauções e seguirem os conselhos dos imunoalergologistas que os acompanham na gestão da doença”, refere Cláudia Penedos, da SPAIC.

Atualmente, com o nosso país a ser atingido pela depressão Martinho, a primavera vai começar com chuva, situação que, de acordo com a bióloga, “diminui a carga polínica no ar, devido ao efeito de ‘lavagem da atmosfera’ que é provocado pela precipitação. Porém, estas chuvas têm sido intercaladas com algumas abertas com sol, que têm feito com que a polinização ocorra e que, em certos dias/momentos, a concentração de pólen no ar possa atingir níveis moderados a elevados”.

No site da RPA é disponibilizado um campo de recomendações ao doente alérgico e também um campo de previsão polínica para várias regiões e tipos de pólen, respondendo aos limiares de pólen como baixo/moderado/elevado, tonando esta uma ferramenta importante de consulta.

Além das concentrações polínicas, o Boletim Polínico tem incluído também alguns alertas sobre a presença, cada vez mais regular, de poeiras na atmosfera. Sobre este tema, Cláudia Penedos alerta para a influência que as poeiras podem ter no agravamento de doença alérgica: “estas poeiras são possíveis de ser detetadas nos nossos captadores polínicos e conseguimos confirmar que, de facto, a atmosfera fica bastante ‘suja’, vendo-se na nossa amostragem uma mistura de pólen, poeiras e outra poluição atmosférica, que muito provavelmente será ainda mais irritativa para os doentes que já tenham patologias respiratórias”.

 

“Hepatologia em Rede”
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) aceita candidaturas ao Programa “Hepatologia em Rede”. Esta iniciativa...

"O estímulo da investigação nacional em Hepatologia constitui tarefa prioritária e ajudar a desenvolver e difundir projetos de investigação competitivos é um objetivo no qual a APEF está empenhada. Com esta iniciativa pretendemos estimular e reforçar a posição científica da Hepatologia em Portugal, conferindo-lhe maior foco e visibilidade, através de estudos que fomentem a cooperação entre investigadores e a promoção de sinergias entre os diferentes domínios da investigação, o que permitirá atingirem maior dimensão e escala", explica Mariana Cardoso, membro da direção da APEF.

Este programa é restrito a sócios da APEF e destina-se a todos os investigadores e unidades de investigação em Hepatologia, que tenham interesse em submeter projetos inovadores e contribuir para a valorização da Hepatologia nacional.

A “Hepatologia em Rede” é um programa criado pela Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), em 2021, que tem como missão o estímulo e o desenvolvimento da investigação em Hepatologia. Para tal, promove atividades interdisciplinares de investigação, incentivando a produção e divulgação de conhecimento científico relevante na área da Hepatologia e reforçando a importância da investigação em rede nesta área.

Para mais informações sobre o programa “Hepatologia em Rede”, consulte o site: www.apef.com.pt/hepatologia-em-rede

 

Opinião
Vivemos numa sociedade onde a aparência, a aceitação e o julgamento alheio moldam muitas das nossas

Ao longo da minha vida, encontrei várias semelhanças entre a minha trajectória e a do protagonista, Jamie. Não porque tenha seguido o seu caminho, mas porque compreendo o que significa ser julgado, subestimado e injustiçado. Desde cedo, aprendi que as diferenças nem sempre são aceites e que, muitas vezes, o sucesso desperta inveja e críticas, ao invés de admiração. Esta série reavivou memórias da minha infância e adolescência, lembrando-me das dificuldades que enfrentei, mas também da força que desenvolvi para superar cada obstáculo.

 

O Reflexo de Jamie e a Identificação Pessoal

Jamie, a personagem principal de Adolescência, é retratado como um jovem inteligente, mas socialmente deslocado, alguém que não encontra o seu lugar nem consegue criar ligações genuínas. Durante a minha infância, senti algo semelhante. Não estudei em escolas violentas como Jamie, mas fui colega de alunos complicados, que me fizeram sentir uma vítima e um alvo fácil para críticas e gozo.

O que mais me marcou foram os insultos relacionados com a minha deficiência visual. Desde que nasci, tenho falta de visão central no olho esquerdo, o que me tornou estrábico. Os meus colegas não perdiam a oportunidade de me chamar “olhos tortos”, um rótulo que me perseguiu durante anos. Como qualquer criança, queria apenas ser aceite, mas em vez disso, regressava a casa muitas vezes em lágrimas, sentindo-me feio e inadequado.

As dificuldades não se limitaram à aparência. Academicamente, era inteligente, mas nem sempre regular. Destacava-me em Ciências e Matemática, mas tinha dificuldades em Línguas e Educação Física. O sistema escolar nem sempre valoriza os diferentes talentos, e isso contribuiu para que, em vários momentos, sentisse que não estava à altura das expectativas. Apesar disso, nunca deixei que as dificuldades me definissem.

 

Superação e o Peso da Inveja

Se há algo que sempre me acompanhou, foi a determinação de provar que sou mais do que qualquer limitação que me tentem impor. Contra todas as dificuldades, formei-me em Engenharia Electrotécnica de Controlo e Robótica numa das universidades mais exigentes de Portugal, o Instituto Superior Técnico de Lisboa. Além disso, investi ainda mais na minha formação, completando uma pós-graduação em gestão de energia e eficiência energética e outras especializações.

Mas o curioso é que, em vez de reconhecimento, muitas vezes encontrei inveja. Pessoas que, incapazes de alcançar o mesmo, tentam minimizar as minhas conquistas. Quando estou desempregado e recuso trabalhos fora da minha área, dizem que me falta humildade, que sou convencido. O que essas pessoas não compreendem é que não estudei tantos anos e superei tantos desafios para aceitar qualquer coisa apenas para “parecer humilde” aos olhos dos outros.

Este é um dos problemas da sociedade: quando uma pessoa com deficiência se destaca, há quem a tente reduzir ao seu ponto mais frágil. Como se todo o mérito desaparecesse perante uma limitação física. Mas eu nunca me senti inferior, nunca me considerei “um mongo”, como alguns tentaram insinuar. Se me invejam, que tentem fazer melhor.

 

Transformar a Raiva em Motivação

Não nego que, por vezes, a raiva me consome. Ser alvo de inveja, de insultos e de julgamentos injustos pode ser desgastante. Mas aprendi a transformar essa raiva em motivação. Se me tentam rebaixar, a minha resposta é crescer ainda mais, aprender mais, fazer melhor.

A série Adolescência explora esta temática de forma crua. Jamie, sentindo-se rejeitado e desprezado, direcciona a sua dor para um caminho destrutivo. Mas, na vida real, cada um de nós tem escolha. Podemos deixar que o ódio nos consuma ou podemos usá-lo como combustível para provarmos que somos mais do que aquilo que os outros dizem. Eu escolhi a segunda opção.

Além do meu percurso académico, dediquei-me também ao apoio de outras pessoas com desafios semelhantes. A OUVIR – Associação Portuguesa de Portadores de Próteses e Implantes Auditivos é um exemplo do meu compromisso com a inclusão e a igualdade de oportunidades. Sei que a minha história pode inspirar outros a nunca desistirem dos seus sonhos, independentemente das dificuldades que enfrentem.

 

Conexões e Inspiração

Recentemente, tive a oportunidade de contactar com Owen Cooper, o ator de Adolescência. Para muitos, pode parecer apenas um detalhe, mas para mim foi um momento significativo. Ter a chance de trocar palavras com alguém que representa, ainda que na ficção, tantas das minhas vivências, fez-me sentir compreendido. No passado, fiz o mesmo com Justin Bieber, que, apesar das críticas e dificuldades, construiu uma carreira brilhante.

Owen pode estar no início do seu percurso, mas talvez possa também encontrar inspiração na minha história, tal como eu encontrei inspiração noutras pessoas. No fundo, todos precisamos de alguém que acredite em nós, que nos oriente e que nos compreenda. Se essa conexão crescer, quem sabe um dia poderemos ser amigos e partilhar mais do que palavras.

Conclusão

“Adolescência” não é apenas uma mini-série sobre um crime. É um espelho da sociedade e das dificuldades que muitos jovens enfrentam—desde o «bullying» à rejeição, passando pela luta contra a auto-imagem e o desejo de aceitação. O que distingue cada um de nós não é o que sofremos, mas sim o que escolhemos fazer com essa dor.

Eu escolhi resistir. Escolhi crescer, aprender e mostrar que não sou definido pelas minhas limitações, mas sim pelas minhas conquistas. Se alguém me inveja, a minha resposta é simples: se achas que é fácil, tenta fazer melhor. Porque o verdadeiro sucesso não está em agradar aos outros, mas sim em sermos fiéis a nós próprios.

No fim, não é o passado que nos define, mas sim aquilo que fazemos com ele.

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Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) acaba de criar o Núcleo de Ligação ao Doente Valvular. Esta...

“A doença valvular cardíaca, como o nome indica, é uma doença que afeta as válvulas, que constituem o coração, responsáveis por regular o fluxo sanguíneo neste órgão. Este Núcleo surge, assim, como um espaço de escuta atenta e partilha de conhecimentos sobre a doença valvular cardíaca. Estava em falta uma linha de comunicação personalizada de proximidade aos doentes valvulares cardíacos. Neste sentido, e por acreditarmos que o conhecimento é uma ferramenta poderosa na promoção da saúde cardiovascular, a APIC avançou com a criação desta iniciativa com o objetivo de fornecer informação rigorosa e atualizada, num formato acessível e relevante para o dia a dia dos doentes valvulares cardíacos”, explica Rita Calé Theotónio, presidente da APIC.

E acrescenta: “Além de uma comunicação mais direta e específica, o Núcleo de Ligação ao Doente Valvular irá desenvolver ações de esclarecimento e webinares com profissionais de saúde especializados, promovendo encontros de doentes para partilha de experiências. Queremos que as pessoas estejam atentas às formas de prevenção desta doença e que compreendam que, com conhecimento e apoio, é possível construir um estilo de vida seguro, saudável e equilibrado”.

O Núcleo de Ligação ao Doente Valvular será coordenado por um cardiologista de intervenção e três representantes dos doentes valvulares cardíacos.

A adesão é exclusiva a doentes valvulares cardíacos, sendo necessário o preenchimento de um formulário que está disponível através do link: https://www.apic.pt/nucleo-de-ligacao-ao-doente-valvular/

Para mais informações sobre o Núcleo de Ligação ao Doente Valvular, da APIC, consulte o website: www.apic.pt

LPCC alerta
Ao longo dos anos, a incidência do cancro anal tem vindo a aumentar, particularmente em determinados grupos de risco, como...

“Entre 2018 e 2021, segundo os dados do Registo Nacional, o número de casos de cancro em Portugal tem vindo a aumentar e só o HPV é responsável por 5% dos cancros no geral e a 10% dos cancros na mulher. Além disto, é uma infeção sexualmente transmissível extremamente comum, com a qual 75 a 80% das pessoas têm contacto em alguma altura das suas vidas”, explica Vítor Veloso, presidente da LPCC, acrescentando: “É urgente garantir que a nossa população está protegida, nomeadamente através da vacinação contra o HPV, a forma de prevenção primária mais eficaz para atuar na raiz do problema. Em Portugal, apesar de termos vindo a percorrer um caminho de sucesso, podemos fazer mais e melhor neste sentido”.

O HPV é um vírus que se transmite muito facilmente durante o contacto sexual – genital, anal ou oral. Na maioria dos casos, o organismo consegue eliminar o vírus, mas, em algumas pessoas, o HPV não desaparece e pode levar ao desenvolvimento de doenças, como verrugas genitais e até mesmo cancros.1 Sabe-se que este vírus é responsável por 95% dos cancros do colo do útero, 91% dos cancros do ânus, 90% dos condilomas genitais, 75% dos cancros da vagina, 70% dos cancros da orofaringe, 69% dos cancros da vulva e 63% dos cancros do pénis. 2

Em Portugal, os dados mais recentes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontam que, em 2023, a cobertura vacinal contra o HPV até aos 15 anos atingiu os 91%. Ainda assim, “continua a ser imperativo informar a população sobre os riscos associados à infeção pelo HPV, uma vez que as doenças associadas a este vírus não descriminam género, nem escolhem idade, mas não só. É fundamental que a vacinação seja alargada a todos os jovens, rapazes e raparigas, mas também às franjas da população mais vulneráveis, com doenças associadas e outros grupos de risco, como homens que fazem sexo com outros homens”, frisa o presidente da LPCC.

A vacina contra o HPV faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV) desde 2008, sendo atualmente disponibilizada de forma gratuita a raparigas e a rapazes, aos 10 anos, num esquema de duas doses semestrais. Antes da inclusão da mesma no PNV, a LPCC foi pioneira na luta contra o HPV, garantindo desde então que mais pessoas tenham acesso a esta forma de proteção essencial.

O ânus é uma estrutura muscular que funciona com esfíncter e controla a eliminação das fezes. Os tumores do ânus são relativamente raros, mas a sua incidência tem vindo a aumentar, sendo mais frequentes em mulheres do que em homens, no geral, mas sendo o grupo de incidência mais elevada os homens que têm sexo com homens.

Os fatores de risco com maior impacto são a infeção por tipos de HPV de alto risco, em particular o 16 e 18, e a infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH). A prática de sexo anal, múltiplos parceiros sexuais, história prévia de doença por HPV no companheiro ou companheira, tabagismo e fístulas anais crónicas, são também fatores de risco a registar.

As lesões iniciais podem não provocar qualquer sintoma, pelo que a presença de sintomas, como prurido ou ardor, dor, hemorragia e, nas fases mais avançadas, impossibilidade de controlar a saída das fezes, deve ser sinal de alarme. O diagnóstico é realizado através da observação e toque retal, podendo ser indispensável uma anuscopia ou proctoscopia (exame endoscópico), que permitirá fazer uma biopsia a qualquer lesão. “A prevenção é, indiscutivelmente, a melhor estratégia. O uso de preservativo permite uma proteção considerável e é aconselhável, mas não é a única forma de prevenção. Por isso mesmo, é essencial que todos estejam cientes das formas de prevenir a infeção pelo HPV e do impacto que isto pode ter na saúde anal de cada um”, reforça Vítor Veloso. 

Referências:

  1. https://www.europeancancer.org/content/the-impact-of-hpv.html
  2. https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/infectious-agents/hpv-and-cancer

 

Dia Mundial da Saúde Oral
No Dia Mundial da Saúde Oral, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) desafia todos os candidatos às eleições legislativas de 18 de...

O repto surge num momento de renovação política nacional e local. Pretende destacar a responsabilidade de deputados e autarcas em garantirem que o direito à Saúde Oral é uma realidade em todo o País. A OMD realça que a Organização Mundial da Saúde estabeleceu metas globais para 2030, incluindo garantir que 80% da população tenha acesso a serviços essenciais de saúde oral e reduzir a prevalência das principais doenças orais em 10%.

Para que estas metas sejam cumpridas é fundamental o envolvimento de todos, com Estado e as autarquias a assumirem as responsabilidades pelo seu incumprimento.

"Investir na saúde oral é investir no bem-estar, na economia e na coesão social. A saúde oral não pode continuar a ser um tema secundário nas políticas públicas. Quem pretende liderar o País e as autarquias tem de assumir um compromisso e assumir as responsabilidades pelo falhanço das atuais políticas", afirma Miguel Pavão, bastonário da OMD

Por um lado, é importante que os futuros deputados e governantes não desperdicem o conhecimento e o trabalho já desenvolvidos para a concretização de um plano nacional robusto que integre a medicina dentária nos cuidados primários do Serviço Nacional de Saúde, que crie incentivos à fixação de médicos dentistas no País e que aproveite a capacidade instalada em todo o território nacional em parceria com uma rede única de consultórios.

No plano local, a OMD desafia as autarquias a incluir nas respetivas estratégias municipais de saúde medidas concretas para a saúde oral, assim como reforçar a prevenção e a literacia, através da reintrodução da escovagem dentária nas escolas, realização de rastreios e apoio a grupos vulneráveis. A Ordem sublinha a importância de um compromisso concreto nos programas eleitorais, tanto legislativos quanto autárquicos, para assegurar que a Saúde Oral deixa de ser um privilégio e passe a ser um direito efetivo para todos os portugueses.

300 mil pessoas sem dinheiro para Saúde Oral

Ainda no início do ano, a OMD apresentou as conclusões do 9º Barómetro da Saúde Oral 2024. Um retrato que envergonha os decisores políticos, quando existem mais de 300 mil pessoas a dizer que não têm dinheiro para realizar pelo menos uma consulta de medicina dentária.

Outro indicador a que os decisores políticos devem estar atentos diz respeito ao acesso à Saúde Oral através do Serviço Nacional de Saúde: 98,2% dos inquiridos consideram importante e/ou muito importante que isto aconteça.

Também a OCDE, no relatório ‘Health at a Glance: Europe 2024’, apresenta Portugal como o terceiro País da União Europeia com mais necessidades dentárias não satisfeitas por motivos financeiros. Piores só Letónia e Grécia. De acordo com o mesmo documento, o cenário agrava quando se analisa apenas a população com menores rendimentos – Portugal passa a segundo pior País atrás da Grécia.

Opinião
Vivemos numa era de conexão, mas nunca estivemos tão sós.

A névoa digital que retira a visibilidade perfeita da realidade, vai-se tornando num abraço apertado, que embora pareça reconfortante, pode ser sufocante. Cada like, cada comentário, cada partilha transforma-se num ato perigoso que corrói lentamente a autoestima, o autoconhecimento e a paz interior. O feed infinito de vidas aparentemente perfeitas constrói uma ilusão cruel: a de que a felicidade dos outros é real e constante, enquanto a nossa parece ser uma raridade ou até mesmo um erro ou um desajuste pessoal.

Este mundo em muito se assemelha a um iceberg, do qual só conseguimos visualizar um pequeno pedaço, a parte que cada pessoa escolhe para mostrar aos outros. Na verdade, por detrás de cada perfil perfeito, de cada foto retocada, de cada realidade convertida em história encantada, existe um aglomerado de experiências, emoções, desafios, lutas e inseguranças que permanecem ocultos. Se cada utilizador tem ou deve ter a obrigação de escancarar a sua vida, não, não tem! Mas quem está do outro lado a observar tem que ter a clara noção disso mesmo. Devido a questões culturais, sociais e até pessoais, habitualmente, é complexo para um ser humano expor as suas fragilidades. Mas o mais curioso é que na verdade, as redes sociais parecem funcionar como um livro de contos: ora um conto de fadas, onde todos são felizes e bem-sucedidos, ora se transformam num livro de terror, com conteúdos que promovem medo, insegurança e sofrimento.

O cérebro humano evoluiu ao longo de milhares de anos, tornando-se numa estrutura altamente adaptável e complexa, capaz de reagir e desenvolver competências racionais e emocionais. Especialmente na adolescência, o cérebro é extremamente sensível à comparação social. Nesta fase do desenvolvimento, os modelos sociais deixam de ser os pais/cuidadores/familiares e passam a ser os pares e outros sujeitos com os quais se identificam, de alguma forma ou por algum motivo em particular. As redes sociais são um espelho para a apresentação destes novos modelos, o que na maioria das vezes acontece, é a falta de perceção de que o conteúdo revelado neste contexto digital é distorcido, o que se vê pode estar camuflado de manipulação, de informação filtrada, editada e idealizada.

E será que a solução passa pelo abandono das redes sociais? Não, acredito que o mais correto será falar em moderação e não em eliminação ou proibição. Recentemente tem vindo a ser estudado um novo fenómeno designado por FOMO (Fear of Missing Out). Este conceito surge da necessidade de classificar o sentimento de medo de estar fora ou a perder algo, ou seja, é a ansiedade causada pela sensação de que os outros se atualizam, divertem e têm sucesso enquanto eu estou de fora. É o medo da rejeição, da não integração no grupo. As redes sociais amplificam este sentimento, mostrando apenas os melhores momentos da vida das pessoas, criando uma falsa ilusão de perfeição que só os outros conseguem alcançar. Para evitar o FOMO, é importante lembrar que o que vemos online não representa a realidade completa e que cada um tem seu próprio ritmo e estilo de vida.

Contudo, o uso excessivo das redes sociais é uma realidade e quando colocamos em cima da mesa esta problemática, a solução que se vê como mais eficaz é a proibição e não a educação. O que em primeira linha poderá não ser o mais adequado, afinal, sempre ouvimos dizer que o “fruto proibido é o mais apetecido”. Parece-me que a estratégia mais eficiente é a da literacia, da transmissão da mensagem direta sobre a dualidade risco-benefício, da utilização dos meios digitais.

Este processo de ensino-aprendizagem, deve focar fatos cientificamente comprovados. O uso excessivo de redes sociais promove uma maior libertação de dopamina no cérebro, criando um ciclo vicioso parecido com a adição de jogos ou drogas. Isso pode contribuir para a diminuição da concentração, pode causar ansiedade, desregulação emocional, problemas relacionados com o sono e diminuir o prazer em atividades simples. Além disso, a comparação com vidas "perfeitas" nas redes pode afetar a autoestima. Assim, é fácil perceber que esta situação pode impactar negativamente o desenvolvimento, especialmente em crianças e adolescentes.

Como temos vindo a referir ao longo deste texto, as redes sociais podem ter um impacto profundo na saúde mental dos jovens, influenciando emoções e comportamentos de forma preocupante. A exposição constante a vidas aparentemente perfeitas pode gerar sentimentos de inadequação, tristeza e baixa autoestima, levando alguns a pensamentos autodestrutivos. Além disso, a normalização da automutilação e do suicídio em certos conteúdos pode incentivar a imitação, especialmente entre os mais vulneráveis.

A automutilação, muitas vezes silenciosa e escondida, pode ser uma tentativa desesperada de transformar a dor emocional em algo visível, controlável. Um grito mudo esculpido na própria pele. A curto prazo, pode parecer uma válvula de escape, mas a longo prazo contribui apenas para aprofundar ainda mais a dor.

É também uma realidade que as redes sociais facilitam o acesso a conteúdos perigosos. Algoritmos, que deveriam mostrar entretenimento e informação, acabam a recomendar conteúdos nocivos sobre transtornos psicológicos, romantizando a dor e sugerindo que o sofrimento é uma identidade. A exposição frequente a esses conteúdos pode normalizar ideias suicidas, tornando-as opções plausíveis para lidar com a angústia.

Mas não tem que ser assim! Os meios digitais podem ter uma utilização válida, mas é necessário estar consciente dos riscos para conseguir percecionar o perigo a tempo de evitar acontecimentos autodestrutivos (físicos e/ou emocionais). A verdadeira conexão não está na tela, mas sim no contato humano real, na escuta sem julgamentos, no apoio de quem nos ama. Afinal, somos muito mais do que a soma dos nossos seguidores ou dos likes que recebemos em cada post ou story publicados. Somos sim, seres humanos complexos, maravilhosos e únicos.

Lembrem-se! Se as redes sociais sugam para um lugar escuro, o mundo real tem cores que nenhum filtro pode recriar. E, mais importante, se sentem algum tipo de dor ou sofrimentos, não procurem ajuda e solução atrás de uma tela… nem procurem resolvê-la sozinhos. Há profissionais, familiares e amigos dispostos a caminhar consigo até encontrarem o caminho certo.

Se a dor se tornou insuportável, peçam ajuda. Procurar apoio não é sinal de fraqueza, mas de coragem. A sua vida tem valor. E merece ser vivida por completo, sem cortes, sem pausas, sem filtros.

É essencial promover um uso saudável das redes sociais, incentivando o diálogo, a literacia, a procura de apoio e a valorização da própria realidade fora do mundo digital.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
20 de março | Dia Mundial da Saúde Oral
A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) assinala o Dia Mundial da Saúde Oral (20 de março) com um apelo face...

Estudos recentes demonstram que 90% das pessoas com diabetes podem apresentar complicações orais devido à falta de regularidade no seu acompanhamento. Estes problemas de saúde oral englobam a gengivite (inflamação das gengivas), a periodontite (doença que afeta os tecidos de suporte dos dentes), as cáries e infeções fúngicas. Por sua vez, uma má saúde oral pode dificultar o controlo da glicemia em pessoas com diabetes, criando um círculo vicioso prejudicial e aumentando o risco de complicações da diabetes. "A higiene oral diária, realizada de manhã e após as refeições, é fundamental para prevenir males maiores e a perda de dentes, especialmente em pessoas com diabetes", afirma José Manuel Boavida, presidente da APDP, realçando: "Portugal continua a ser um dos países mais carenciados neste aspeto, o que exige uma ação a nível governamental com a implementação de um programa nacional abrangente de higiene oral e diagnóstico precoce de cáries desde o início da dentição”.

João Silveira, médico dentista e vice-presidente da SPEMD, sublinha a importância da saúde oral e a sua relação com outras doenças e condições ao longo da vida: “A má saúde oral pode comprometer o bem-estar geral. Manter uma boca saudável não só melhora a autoestima e a confiança, como também contribui para uma vida mais equilibrada e feliz”.

A APDP recorda que a prevenção é a chave para uma boa saúde oral e para o controlo da diabetes.

 

ULS Alto Alentejo
A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares [APAH], em parceria com a Unidade Local de Saúde Alto Alentejo, promove...

Dedicada ao tema “Jornada rumo à maturidade da integração de cuidados", esta edição abordará temas cruciais para a evolução da gestão hospitalar e dará a conhecer diversos projetos na área dos cuidados de saúde de proximidade, inovação e integração de cuidados. A primeira parte do programa incidirá sobre “Saúde em Rede E + Próxima” e abordará projetos e áreas em destaque nesta vertente; a segunda parte do programa centrar-se-á na “Inovação nos Cuidados de Respostas Avançadas”, e destacará estratégias e desafios em curso nesta ULS.

Conheça o PROGRAMA. Mais informações sobre a iniciativa estão disponíveis aqui.

“Caminho dos Hospitais” é, desde julho de 2016, uma iniciativa da APAH que constitui uma aposta na proximidade à comunidade hospitalar para atenuar situações de periferia através de visitas e reuniões programáticas às unidades do SNS, de forma descentralizada, dando especial enfoque a temas da atualidade. A par da articulação com os Administradores Hospitalares locais, estão na sua génese a comunicação, a cooperação e a excelência no contacto com os Conselhos de Administração, para conhecimento da realidade e dos desafios de cada hospital e para a promoção da qualidade da gestão hospitalar. Em paralelo, a APAH convida todos os seus associados e, em geral, a comunidade hospitalar e da saúde a participarem nas conferências e debates sobre múltiplas temáticas que decorrem no âmbito da iniciativa.

GeneH: Excellence Hub for Advancing Innovation in Gene Therapy
A Universidade de Coimbra (UC) lidera um novo consórcio de investigação – o GeneH: Excellence Hub for Advancing Innovation in...

O novo financiamento, de cerca de 5 milhões de euros (mais precisamente 4 885 375,00 euros), vai permitir criar, até ao final de 2028, colaborações estreitas entre academia, indústria, entidades governamentais e sociedade, através de uma abordagem de hélice quádrupla – que é essencial para superar as atuais barreiras na translação da investigação para a clínica.

“Apesar dos avanços científicos na terapia génica, existem desafios significativos que precisamos de ultrapassar para garantir que estas inovações chegam efetivamente aos doentes. A realização de ensaios clínicos nesta área ainda é limitada devido à complexidade regulamentar, à falta de infraestruturas especializadas e ao reduzido financiamento disponível para o desenvolvimento clínico”, contextualiza o docente da Faculdade de Farmácia da UC, presidente do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC e coordenador do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, Luís Pereira de Almeida.

“Além disso, há um grande potencial na interação entre a academia e a indústria que podemos e devemos explorar melhor, para facilitar a transferência de tecnologia e permitir que as descobertas científicas se traduzam em terapias inovadoras e acessíveis. Outro grande desafio é o envolvimento das entidades reguladoras e dos decisores políticos, cuja participação ativa é fundamental para agilizar processos de aprovação e financiamento. Finalmente, a formação especializada nesta área ainda é insuficiente, tanto para investigadores como para profissionais de saúde, e é essencial que invistamos na capacitação para garantir a sustentabilidade e o crescimento deste setor”, acrescenta também o coordenador do GeneH.

A terapia génica é uma abordagem terapêutica inovadora, que é capaz de desenvolver novos tratamentos para diversas doenças, especialmente patologias raras, e que permite uma abordagem curativa em muitos casos apenas com uma única administração do tratamento. Tem vindo a revolucionar o tratamento e a progressão de, por exemplo, doenças neuromusculares ou oftalmológicas, como a Atrofia Muscular Espinhal ou a Amaurose Congénita de Leber. Atualmente, estão aprovados cerca de 20 produtos de terapia génica para o tratamento de doenças na Europa, embora existam no mundo cerca de 7 000 doenças raras, 95% das quais sem terapia eficaz.

Perante este contexto, o Gene H, através da sua rede de investigação e inovação multidisciplinar, pretende “acelerar a investigação e o desenvolvimento de novas terapias génicas, aproximar os avanços científicos dos ensaios clínicos, promover a colaboração entre diferentes setores para ultrapassar barreiras regulamentares e de financiamento, ao mesmo tempo que promove formação em terapia génica e fortalece o envolvimento da sociedade”, avança Luís Pereira de Almeida.

O consórcio GeneH vai trabalhar em estreita colaboração com o GeneT: Centro de Excelência em Terapia Génica em Portugal, o primeiro centro de investigação e inovação na área da terapia génica de Portugal. “O GeneH irá expandir a rede do GeneT, reforçando a colaboração internacional e promovendo sinergias adicionais entre investigação, indústria, governo e sociedade, para acelerar inovação e ensaios clínicos”, explica Luís Pereira de Almeida, que também lidera o GeneT. De relembrar que a UC coordena ainda a ERA Chair GCure - From Gene to Cure, projeto financiado com 2,5 milhões de euros para reforçar a capacidade e a visibilidade da UC na vanguarda da investigação e inovação em terapia génica.

O GeneH vai envolver entidades de dois países, Portugal e Eslovénia, e contar com a participação de 13 parceiros, nomeadamente instituições de ensino e investigação, autoridades de saúde, entidades governamentais, indústria e sociedade civil. Além da Universidade de Coimbra, fazem parte do consórcio em Portugal a Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias, o Biocant, a Bluepharma, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o Instituto Pedro Nunes e a Unidade Local de Saúde de Coimbra. Já na Eslovénia, integram o GeneH a Agência de Desenvolvimento Regional da Região Urbana de Liubliana, a Associação de Pessoas com Doenças Raras da Eslovénia, a BioSistemika (empresa de biotecnologia), o Hub de Inovação da Eslovénia, o Instituto Nacional de Química e a JAFRAL (empresa de biotecnologia).

“A nossa equipa quer garantir que as inovações chegam, de forma segura e eficaz, às pessoas com doenças genéticas passíveis de serem tratadas com terapia génica o mais rápido possível, como também assegurar que as necessidades dos doentes são ouvidas”, sublinha Luís Pereira de Almeida. “Este consórcio é também muito importante para reforçar o papel da Europa como líder global na área da terapia génica”, acrescenta.

O consórcio é financiado pela Comissão Europeia, no âmbito do Horizonte Europa e através do concurso Excellence Hubs, que tem por objetivo apoiar projetos focados na inovação, particularmente na promoção e na criação de sinergias entre ecossistemas de inovação e entidades como universidades, empresas, entidades governamentais e sociedade, para alargar a participação de determinados países na investigação. A chamada deste concurso em que o GeneH foi selecionado foi altamente competitiva, com 205 candidaturas submetidas e apenas 11 projetos selecionados para financiamento.

 

Evento de Apresentação Pública do GeneH

O evento de lançamento do GeneH – em língua inglesa – vai decorrer na próxima sexta-feira, dia 21, entre as 14h00 e as 18h00, no Anfiteatro do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

Vai contar com as intervenções do coordenador do GeneH, Luís Pereira de Almeida, e da coordenadora do Centro de Tecnologias de Terapia Génica e Celular do Instituto Nacional de Química da Eslovénia, Mojca Bencina, para a apresentação do consórcio. O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, vai encerrar a sessão, pelas 17h30.

Vão também intervir a Embaixadora da Eslovénia em Portugal, Mojca Nemec van Gorp, a investigadora de terapia génica e cofundadora da empresa Vivet Therapeutics, Gloria González Aseguinolaza, e o Gestor de Programas Científicos da Infraestrutura Europeia para Medicina Translacional, David Morrow.

A sessão vai ter ainda um painel sobre a importância do modelo de hélice quádrupla para a investigação, desenvolvimento e translação clínica, com a presença de representantes da Health Cluster Portugal (Guy Villax), da IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação (Nuno Gonçalves), da Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Carlos Alves), da Portugal Ventures (Miguel Botto), e da União das Associações das Doenças Raras de Portugal (Raquel Marques).

Mais informações sobre o evento de lançamento do GeneH estão disponíveis em www.uc.pt/genet/eventos-genet/kick-off-meeting-geneh/.

Estudo
Estabelecer paralelos entre a migração humana e as invasões biológicas poderá ser enganador e potencialmente prejudicial,...

A conclusão é de um estudo publicado na respeitada revista “Biological Reviews”, que contou com investigadores das ciências naturais e sociais de 42 instituições de 23 países, incluindo o português Ronaldo Sousa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM).

Embora sejam fenómenos crescentes que envolvem movimento e adaptação a novos ambientes, as invasões biológicas referem-se à introdução de espécies não nativas e aos seus impactos ecológicos, enquanto a migração humana resulta de fatores sociais, políticos, ambientais e históricos. Ronaldo Sousa considera que o uso de terminologias da ciência da invasão – como “alienígena”, “exótico”, “invasor” ou “erradicação” – para descrever a migração humana “simplifica excessivamente a questão, reforça narrativas xenófobas e distorce a perceção pública sobre os migrantes”.

Esta investigação, intitulada “Paralelos e discrepâncias entre a introdução de espécies não nativas e a migração humana”, mostra inclusive a forma como estes temas têm sido retratados pelos políticos, que utilizam as invasões biológicas para apresentar “a migração como uma ameaça, desumanizando os migrantes e promovendo um discurso alarmista”, refere o biólogo da UMinho.

Ao analisar casos históricos e as influências sociopolíticas da linguagem utilizada, os investigadores destacam que, ao contrário das invasões biológicas, que podem causar impactos ecológicos e socioeconómicos severos, a migração humana sempre foi parte integrante da História da humanidade.

A solução poderá passar pela implementação de uma abordagem interdisciplinar que conecte as ciências naturais e sociais, garantindo que as políticas de migração e de gestão ambiental sejam contextualizadas, cientificamente rigorosas e eticamente fundamentadas, defende Ronaldo Sousa. O estudo pretende contribuir assim para a formulação de políticas que respeitem a dignidade humana e incentivem a cooperação global.

Dia Mundial da Saúde Oral | 20 de março
A saúde começa pela boca, e para os animais de companhia, que exploram o mundo com ela, a atenção deve ser redobrada.

Estudos indicam que as doenças orais afetam cerca de 80% de cães e gatos com mais de três anos.1 Esse problema pode originar condições mais sérias, pois as bactérias presentes na cavidade oral podem entrar na corrente sanguínea e afetar órgãos vitais, como rins, fígado e coração, causando lesões graves.2

A doença periodontal é uma das condições orais mais comuns, afetando cerca de 70% dos gatos e 80% dos cães com dois anos de idade3. Esta patologia é causada pela acumulação de bactérias na superfície do dente, formando placa bacteriana e, posteriormente, tártaro. Este processo provoca inflamação gengival, conduzindo a gengivite e periodontite. Os sintomas mais comuns incluem halitose (mau hálito), eritema gengival, sangramento espontâneo, alterações de cor nos dentes e mobilidade ou perda de dentes.4

A Dra. Rita von Bonhorst, médica veterinária no AniCura Arco do Cego Hospital Veterinário, alerta para a importância de realizar check-ups dentários regulares. “Numa primeira fase, realizamos uma avaliação completa da boca do animal, observando os dentes, mordida e gânglios linfáticos. Também fazemos uma avaliação geral da saúde e, como antes de qualquer anestesia, exames ao sangue para garantir que o animal pode ser submetido a procedimentos”.

Se houver necessidade de intervenção, a doutora explica que o processo envolve exames radiográficos, limpeza dentária completa e, se necessário, extração de dentes comprometidos. “Muitas vezes, um dente pode parecer saudável externamente, mas esconder problemas sob a gengiva”, acrescenta.

Um exemplo desta realidade é o caso do Diego, um cão de 10 anos que chegou à urgência veterinária com dor intensa e dificuldade em comer. Com sintomas como espirros reversos e sinais de rinite, foi diagnosticado com doença periodontal em estado avançado e uma fístula oro-nasal, causada pela infeção na raiz de um dente canino comprometido. Apesar de algumas dificuldades durante a intervenção, a extração do dente e o encerramento da fistula foram realizados com sucesso, permitindo uma recuperação satisfatória. Após nova avaliação, outras extrações foram necessárias, e o Diego voltou a alimentar-se normalmente, apresentando-se agora assintomático e com boa cicatrização gengival.

Para evitar casos semelhantes, a escovagem diária dos dentes, uma alimentação adequada e o uso de antissépticos orais são essenciais. Visitas regulares ao veterinário para check-ups dentários também desempenham um papel fundamental na manutenção da saúde oral dos animais de companhia.

 

Referências

 

Estudo
Em 2021, uma equipa de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) propôs-se a estudar o...

O projeto HUG: Os efeitos na saúde da gentrificação, da relocalização e da insegurança residencial nas cidades – liderado pela investigadora Ana Isabel Ribeiro, coordenadora do Laboratório Saúde e Território, da Unidade de Investigação em Epidemiologia do ISPUP e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) – surgiu com o objetivo de estudar de que forma a gentrificação urbana, a insegurança habitacional e o deslocamento forçado afetam a saúde física e mental da população.

Más condições habitacionais comprometem o envelhecimento saudável

 A gentrificação caminha lado a lado com a insegurança habitacional, um conceito que reflete a dificuldade em garantir uma habitação estável, acessível e com condições adequadas. Assim, através de um estudo quantitativo, coordenado por Cláudia Jardim Santos e que envolveu 600 participantes da coorte EPIPorto, procurou-se estabelecer uma relação entre fatores como as condições de habitação, a acessibilidade económica, a habitabilidade e segurança e a estabilidade residencial e os seus impactos em marcadores chave da saúde das pessoas mais velhas, tais como a solidão, a qualidade de vida, a função cognitiva, a perceção do envelhecimento saudável e a qualidade do sono.

O estudo revelou que condições habitacionais precárias, como a falta de aquecimento, infiltrações, humidade e iluminação insuficiente, são muito prevalentes e estão associadas a maiores níveis de solidão e a uma pior qualidade de vida entre adultos mais velhos. Viver em áreas com elevado nível de ruído, poluição e criminalidade também contribui para o aumento da solidão e reduz a perceção de um envelhecimento saudável. Além disso, a ausência de instalações sanitárias adequadas e o deslocamento forçado comprometem a função cognitiva. A insegurança habitacional, caracterizada por dificuldades financeiras, despejos e mudanças frequentes de residência, também deteriora a qualidade de vida, intensifica a solidão e está associada a uma pior função cognitiva.

Para uma criança até aos 10 anos, cada mudança de residência corresponde a uma redução significativa no desempenho cognitivo

Um outro estudo, que incluiu mais de 6000 crianças da coorte Geração XXI, desenvolvido no âmbito da tese de mestrado em Saúde Pública do estudante Obinna Ezedei, investigou de que forma as mudanças frequentes de residência até aos 10 anos de idade afetam a saúde e o bem-estar infantil.

Os resultados sugerem que a instabilidade residencial está associada a um maior risco de vitimização por bullying e a comportamentos agressivos. Além disso, cada mudança de residência corresponde a uma redução significativa no desempenho cognitivo, especialmente no Índice de Velocidade de Processamento e no Quociente de Inteligência Verbal. No entanto, alguns destes efeitos variam de acordo com o destino da mudança: crianças que se mudam para áreas com pior qualidade ambiental tendem a apresentar desfechos de saúde mais negativos. Por outro lado, a mudança para regiões com melhor qualidade ambiental está associada a indicadores de saúde mais favoráveis. É, por isso, fundamental promover a estabilidade residencial para famílias com crianças pequenas e garantir que os ambientes onde vivem sejam verdadeiramente salutogénicos, ou seja, propícios à saúde e ao bem-estar.

Moradores forçados a deixar as suas casas revelam ansiedade, dificuldade em dormir e dizem sentir-se deprimidos

Uma das consequências mais severas da gentrificação é o deslocamento forçado da população, muitas vezes causado pelo aumento das rendas ou pela não renovação dos contratos de arrendamento. Neste contexto, foi levado a cabo um estudo sobre deslocamento direto – a remoção de um agregado familiar da sua casa, por motivos não controlados por ele e preenchendo as anteriores condições necessárias para ocupar o alojamento – no contexto da crise habitacional do Porto, recorrendo a uma amostra de 12 voluntários que, tendo vivido em casas arrendadas, se viram “obrigados” a sair.

O estudo, liderado por José Pedro Silva, revelou que a relocalização forçada tem impactos significativos na saúde física e mental, além de contribuir para a modificação de comportamentos de saúde.

A angústia e a incerteza causadas pela iminência do deslocamento afetam os indivíduos antes mesmo da relocalização, com sintomas de ansiedade e depressão a poderem manifestar-se desde o momento em que surge a ameaça de despejo, e mantêm-se ao longo de todo o processo. Numa fase posterior, em que já se verificou a deslocação para um novo alojamento, são frequentes os sentimentos de tristeza, impotência e ressentimento, por vezes também associados a sintomas como ansiedade, dificuldade em dormir e sentir-se deprimido. Além disso, a mudança de residência, geralmente para áreas menos centrais ou até para outras localidades, leva a uma reconfiguração do espaço onde se desenrola o quotidiano, implicando deslocações maiores e mais frequentes e mudança de hábitos relevantes para a saúde, por exemplo, a prática de atividade física. A mudança de residência tem também implicações no que diz respeito aos laços sociais e interações, porque provoca mudanças na vida social das pessoas deslocadas: as interações com algumas pessoas tornam-se menos espontâneas e mais raras, ou deixam mesmo de existir, levando à retração de redes sociais e de suporte. Além disso, as novas relações de vizinhança podem revelar-se mais conflituosas do que as anteriores. Finalmente, o ambiente residencial também muda frequentemente, podendo, por vezes, prejudicar a saúde, em casos em que a mudança é feita para uma casa sem conforto térmico, com problemas de humidade ou exposta ao ruído. Tudo isto acontece num contexto habitacional de elevada pressão – marcado pela falta de habitações disponíveis e pelos preços elevados – que diminui as opções para as pessoas que precisam de encontrar um novo sítio para morar.

Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
A Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), em parceria com a Fundação Grünenthal, anuncia a abertura das...

"Com esta iniciativa, a SPOT, em colaboração com a Fundação Grünenthal, reforça o seu compromisso em fomentar a investigação científica de excelência na gestão da dor em Ortotraumatologia. Para além do prestígio associado ao reconhecimento profissional, este prémio constitui uma oportunidade de apoio monetário, essencial para impulsionar novos avanços na área”, afirma Paulo Felicíssimo, presidente da SPOT.

Podem concorrer trabalhos cujo foco seja a gestão da dor em Ortotraumatologia, desde que o autor principal esteja afiliado a uma instituição de saúde portuguesa.

O prémio, no valor de 2 mil euros, será atribuído ao primeiro autor do trabalho vencedor durante o Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, que decorre de 5 a 8 de novembro, em Vilamoura.

As candidaturas estão abertas de 15 de março a 30 de abril de 2025.

Mais informações sobre o regulamento e inscrições aqui.

 

Consigne 0,5% do seu IRS sem qualquer custo
A Ânimas – Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social apela à solidariedade dos contribuintes para a...

Com a missão de formar e entregar cães de assistência, a Ânimas oferece um apoio essencial a pessoas com epilepsia, dificuldades motoras e perturbações do espectro do autismo. Através do seu trabalho, a associação promove a autonomia e inclusão dos beneficiários, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida.

Em 2024, a Ânimas continuou a expandir o seu impacto social através da formação e entrega de cães de assistência e da realização de serviços assistidos por animais em diversas instituições. Ao longo do ano, foram entregues 10 cães de assistência, enquanto 12 permanecem em treino e outros 12 em famílias de acolhimento temporário (FAT), garantindo um acompanhamento rigoroso e a preparação ideal para futuras missões de apoio.

Nos serviços assistidos por animais, a Ânimas alcançou um total impressionante de 66 704 contactos ao longo do ano, distribuídos por 2 012 sessões em hospitais, escolas, lares e outras instituições. Destacam-se os programas em hospitais de referência, como o Hospital de São João, com 900 contactos mensais e 10 800 anuais, e o Hospital Amadora Sintra, com 450 contactos mensais e 5 400 anuais. Nas escolas, os números são igualmente significativos, com projetos que envolveram 960 crianças no Porto (11 520 contactos anuais), 375 em Cantanhede (4 500 contactos anuais) e 136 na Chamusca (1 632 contactos anuais).

Além disso, a associação realizou 5 000 palestras, reforçando a sensibilização para a importância dos cães de assistência e dos benefícios da interação com animais em contextos educativos e terapêuticos. Com um total de 5 142 beneficiários diretos, a Ânimas continua a transformar vidas, promovendo autonomia, inclusão e bem-estar através da ajuda dos animais de assistência.

Como ajudar?

Ao preencher a sua declaração de IRS, basta indicar o NIF 506 119 718 no quadro 11, campo 1101 do Modelo 3 e escolher a opção "Instituições Particulares de Solidariedade Social". Este gesto, sem qualquer custo para os contribuintes, representa um impacto imenso para quem mais precisa.

Para mais informações, visite www.animasportugal.org

APPDA Coimbra
Trata-se de um projeto de inovação social da APPDA Coimbra, em parceria com a Universidade de Coimbra, que promove a inclusão...

O HUG Café já abriu portas. Um espaço inovador, situado no Instituto de Investigação Clínica e Biomédica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (iCBR-FMUC), no Polo III da UC, que se distingue pela sua missão social: promover a integração profissional de jovens autistas, num projeto pioneiro de inovação social desenvolvido pela APPDA Coimbra - Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo - e a Universidade de Coimbra. Nesta altura já são três os elementos com Perturbação do Espectro do Autismo que fazem parte do staff do HUG Café.

Este espaço foi pensado para acolher toda a comunidade local, incluindo investigadores, profissionais e estudantes, proporcionando um ambiente sereno e favorável ao convívio e à troca de ideias. Mais do que um café, este projeto representa um passo importante para a inclusão e empregabilidade de jovens com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), oferecendo-lhes oportunidades de trabalho adaptadas às suas competências e necessidades.

“O HUG Café reforça o compromisso da APPDA Coimbra com a criação de oportunidades concretas para jovens autistas, promovendo as parcerias para uma sociedade mais inclusiva e equitativa”, destaca Elsa Vieira, Presidente desta associação.

Para o Diretor do iCBR-FMUC, Henrique Girão, esta é uma oportunidade para nos pôr à prova, perante a diferença, com a qual tantas vezes temos dificuldade em lidar, pelo desconforto que nos causa. “O iCBR, desde o primeiro momento, abraçou esta iniciativa, pela nobreza e pelo impacto dos seus objetivos, nomeadamente para promover a inclusão e dar igualdade de oportunidades a jovens autistas, num ambiente social e profissional estimulante, responsável e interativo. De referir a importância do trabalho prévio, feito pelo Professor Miguel Castelo Branco, para que o HUG Café seja uma realidade, uma boa realidade!”, enfatiza.  

Todos os interessados estão convidados a conhecer este espaço e a apoiar esta iniciativa inovadora. O HUG Café está a funcionar diariamente entre as 8h30 e as 16h30.

 

Avanços na doença renal crónica
Grupo de 17 peritos em Nefrologia, Medicina Geral e Familiar e Patologia Clínica entregam às autoridades de saúde três...

Basta disponibilizar dois novos códigos informáticos aos médicos de família para acelerar o processo de diagnóstico da Doença Renal Crónica (DRC) em Portugal e, possivelmente, protelar o período sem recorrer à diálise, um tratamento realizado por cerca de 20 000 doentes no país. Esta é uma de três recomendações já apresentadas às autoridades de saúdepelo programa NEPHRODetect, uma iniciativa de um grupo de 17 especialistas em DRC, patologia que afeta 9,8 por cento da população adulta em Portugal.

Os novos códigos têm como objetivo facilitar e uniformizar a prescrição e emissão de resultados dos exames a dois parâmetros fundamentais para um diagnóstico mais preciso da DRC: a Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) e a albuminúria (RAC). O atual sistema informático nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não dispõe destes dois códigos específicos nas fórmulas recomendadas pelas orientações internacionais. Com a alteração proposta, o médico de Medicina Geral e Familiar passaria a ter à disposição estes códigos de requisição, permitindo também o Registo de Saúde Eletrónico (RSE) de forma linear e padronizada.

A TFGe e a RAC, isoladas ou em conjunto, são essenciais ao diagnóstico da Doença Renal Crónica. Um estudo em Portugal concluiu que a RAC não foi avaliada em mais de metade dos doentes com DRC, desconhecendo-se o risco real para a progressão da doença e comorbilidades associadas e privando, assim, os doentes não diagnosticados de medidas dirigidas no sentido de melhorar o seu prognóstico”, explica Edgar Almeida, ex-diretor do Serviço de Nefrologia do Hospital Beatriz Ângelo e presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, uma das sociedades científicas envolvidas no programa.

Além dos códigos de prescrição, os peritos recomendam a codificação da DRC no contexto da Classificação Internacional de Cuidados Primários (ICPC2) e a atualização das normas da Direção-Geral da Saúde. “Hoje não conseguimos saber com exatidão o número de pessoas que sofrem de DRC, porque não está identificada no sistema informático da saúde com um código próprio, à semelhança do que acontece com outras doenças como a diabetes ou a hipertensão. A nossa recomendação é que se atribua à DRC um código único, pois só assim conheceremos a real dimensão do problema e conseguiremos planear e executar a melhor estratégia para resolvê-lo”, acrescenta Edgar Almeida. Estas recomendações estão em linha com o Despacho n.º 12635/2023 da Comissão de Implementação e Monitorização da Estratégia Nacional para a Doença Renal Crónica (CIMEN-DRC).

Concretizados estes dois passos – código de prescrição e código de doença –, os especialistas consideram imperativo que a Direção-Geral da Saúde atualize as normas de boas práticas para a DRC. “Estas orientações, juntamente com uma maior sensibilização para o assunto entre a comunidade médica, permitirão que as medições da TFGe e da albuminúria sejam realizadas de forma consistente, independentemente da especialidade médica do médico assistente, do laboratório ou da localização geográfica. Atualmente existem medicamentos modificadores de prognóstico que, em fases precoces da doença, podem retardar significativamente a progressão para diálise e reduzir a mortalidade nestes doentes”, sublinha.

O NEPHRODetect integra três especialistas em Nefrologia, quatro em Medicina Geral e Familiar e dez em Patologia Clínica e representantes de laboratórios nacionais de análises clínicas. Foi criado para analisar as mais recentes orientações internacionais sobre a DRC, com o objetivo de criar um documento de consenso com recomendações de uniformização do diagnóstico e de reportagem em Portugal. Este documento foi já partilhado com as autoridades oficiais responsáveis e publicado na forma de artigo científico na revista Acta Médica Portuguesa de fevereiro de 2025, https://doi.org/10.20344/amp.22557.

Na origem deste trabalho estão dois pontos: as dificuldades de os médicos de família pedirem exames com o detalhe necessário e os relatórios dos laboratórios não serem uniformes. A solução foi juntar todos os intervenientes para definir critérios fáceis de aplicar, que melhoram todo o processo de diagnóstico da Doença Renal Crónica, com benefícios tangíveis para os doentes”, conclui Edgar Almeida.

Estima-se que a DRC afete 9,8% da população adulta em Portugal, com um impacto substancial na qualidade de vida dos doentes. A fraca consciencialização da sociedade resulta numa elevada taxa de subdiagnóstico, particularmente, nos grupos de alto risco. Mais de 98% dos doentes não sabem que têm a doença. Portugal apresenta o pior cenário de entre os países da União Europeia a 28 (dados recolhidos a 31 de dezembro de 2021), com cerca de 20 mil doentes em diálise, a fase terminal da DRC.

 

[1] Ministério da Saúde, Direção-Geral da Saúde, Administração Central do Sistema de Saúde, Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Direção Executiva do SNS, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, Comissão Parlamentar da Saúde, Comissão de Implementação e Monitorização da Estratégia Nacional para a Doença Renal Crónica, Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Ordem dos Médicos, Ordem dos Enfermeiros e Ordem dos Farmacêuticos.

 

Descoberta pode impactar a saúde e a robótica
O estudo “Evidence of universal conformal invariance in living biological matter”, que conta com a participação de Nuno Araújo,...

Como é que as unidades individuais interagem entre si sem a consciência de que fazem parte de um conjunto maior? A dúvida foi o ponto de partida para este estudo focado na matéria biológica e no comportamento das células, estudo este onde se cruzam duas grandes disciplinas, a Física e a Biologia. “Enquanto na Física somos capazes de encontrar sistematicamente padrões iguais em sistemas diferentes, na Biologia há sempre tendência a pensar que cada sistema é um sistema”, explica Nuno Araújo, professor e investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e um dos autores deste estudo.

Em concreto, é demonstrado que “o movimento coletivo de células – para sistemas tão variados como células do rim de um cão às células de cancro da mama humano ou de dois tipos diferentes de bactérias patogénicas – exibem uma robusta invariância.” A expressão pode parecer complexa mas Nuno Araújo recorre ao exemplo visual de um brócolo para simplificar a descoberta: “Tem um formato de uma árvore, mas se o cortarmos cada ramo também parece uma árvore. Se lhe desse uma fotografia de cada pedaço e perguntasse qual era o maior, não me saberia dizer. Isso é invariância de escala, foi o que descobrimos aqui. Todos estes sistemas têm a mesma invariância de escala.”

Quatro tipos de células foram o foco dos investigadores: duas procarióticas e duas eucarióticas. Apesar de muito diferentes a nível estrutural, concluiu-se que em grupo se comportam de forma semelhante. As portas que se abrem são para um maior e melhor entendimento sobre esta matéria fundamental que constitui a vida, por isso as possíveis aplicações também são várias: as conclusões poderão ajudar a compreender melhor as doenças oncológicas e a forma como evoluem (também no que às metástases diz respeito), mas também poderão ser importantes para a engenharia de tecidos, para entender o processo de criação de um órgão ou, ainda, para um maior entendimento sobre a propagação das infeções bacterianas (e, por consequência, conduzir a uma melhor preparação dos ambientes hospitalares).

Estes são apenas alguns dos exemplos: afinal, a descoberta pode também ter aplicação noutros sistemas, como na robótica, explica Nuno Araújo, para apoiar a orientação de robôs de uma forma mais precisa ou até para os videojogos e para sistemas de inteligência artificial.

O que significa? Que foi encontrada uma universalidade que não é propriamente expectável na biologia. “Abre portas para, por um lado, usarmos as técnicas da física para estudar sistemas de biologia, por outro, para que se possam usar os sistemas biológicos para estudar fenómenos físicos”, adianta Nuno Araújo. 

O estudo conta com a participação do Departamento de Física e do Centro de Física Teórica e Computacional da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa assim como de vários académicos de universidades da Dinamarca, Suíça e Reino Unido.

 

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