Novo ensaio clínico
Os resultados de um ensaio clínico recente indicam que as células estaminais mesenquimais podem vir a ser um potencial...

A diabetes tipo 1 está a aumentar, tanto em adultos como em crianças.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, a doença é um dos problemas de saúde global do século XXI com crescimento mais rápido – dos atuais 537 milhões de diabéticos, devemos passar a 643 milhões, em 2030, e alcançar os 783 milhões, em 2045.

Os doentes com diabetes tipo 1 dependem da administração diária de insulina ao longo da sua vida, o que pode levar à progressiva resistência do organismo e à sua perda de eficácia, gerando a necessidade de investigação pela procura de novas abordagens terapêuticas.

“Pela capacidade de regularem a atividade do sistema imunitário e poderem preservar a função das células produtoras de insulina, as células estaminais mesenquimais têm vindo a ser testadas em contexto de diabetes tipo 1”, explica Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal. “Foi esta a base para a realização de um novo ensaio clínico, que procurou averiguar a eficácia da administração intravenosa de células estaminais mesenquimais a doentes com diabetes tipo 1”, acrescenta.

Neste ensaio, que teve duas fases, participaram 21 doentes recentemente diagnosticados com diabetes tipo 1, divididos em dois grupos. Inicialmente, o grupo A recebeu duas doses de células estaminais mesenquimais, e o grupo B recebeu solução salina (placebo). Após um ano, os participantes tratados com células estaminais receberam placebo, e vice-versa.

A segurança do tratamento experimental foi avaliada nos dois anos seguintes, não tendo sido registados efeitos adversos graves decorrentes da administração de células estaminais, e tendo o procedimento sido considerado seguro.

Comparando os resultados de ambos os grupos, verificou-se que o tratamento com células estaminais esteve associado a um melhor controlo dos níveis de glicémia, ao aumento dos níveis de moléculas anti-inflamatórias no sangue e, segundo os questionários respondidos pelos participantes, a melhorias na sua qualidade de vida. A análise comparativa dos resultados do grupo que recebeu células estaminais por altura do diagnóstico, com os do grupo tratado um ano depois, revelou que a administração destas células numa fase mais precoce parece ser mais vantajosa.

O exercício físico regular foi outro parâmetro avaliado. Os participantes que realizaram mais de três horas e meia de exercício físico por semana, adicionalmente à terapia com células estaminais, registaram uma diminuição significativa dos níveis de hemoglobina glicosilada (o que indica um melhor controlo da glicémia), e aumentaram a quantidade de insulina endógena, comparativamente com os que não praticaram exercício físico dentro dos níveis recomendados.

Os resultados deste ensaio clínico indicam que as células estaminais mesenquimais da medula óssea têm efeitos benéficos em crianças com diabetes tipo 1, sobretudo se forem administradas numa fase precoce. Trata-se de um tratamento em fase experimental, sendo necessário realizar mais estudos que permitam a sua otimização, de forma que este possa ser incorporado na prática clínica.

Para aceder aos estudos científicos mais recentes sobre os resultados promissores da aplicação de células estaminais, visite o Blogue de Células Estaminais.

Dia Mundial das Hepatites assinala-se a 28 de julho de 2022
A ARRISCA – Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores promove hoje, entre as 9h30 e as 12h30,...

A sessão de abertura vai contar com a presença de Clélio Meneses, Secretário Regional da Saúde e Desporto do Governo dos Açores, Pedro Nascimento Cabral, Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, e Gil Sousa, Presidente da Direção da Arrisca.

Na primeira parte do encontro decorre a apresentação “Estratégia para Erradicação Universal da Hepatite C”, que ficará a cargo de Maria Antónia Duarte, diretora do serviço de Gastroenterologia do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, seguindo-se a apresentação do projeto “HépaerradiCar”, por Suzete Frias, diretora-geral da ARRISCA.

Este evento, aberto ao público em geral, pretende informar e sensibilizar a comunidade local sobre as hepatites virais, encorajando a prevenção, diagnóstico através de rastreio precoce e tratamento, no sentido de se cumprir as respetivas metas para 2030, ou seja, a Erradicação da Hepatite Viral como ameaça global à Saúde Pública.

“Com esta sessão pretendemos dar a conhecer o projeto “HépaerradiCar”, que é um programa de eliminação de hepatite C a decorrer nesta região, e assenta essencialmente numa abordagem de rastreio à população mais vulnerável e numa fase posterior de rastreio à população em geral”, refere Suzete Frias, diretora-geral da ARRISCA, salientando que “queremos rastrear 60% da nossa população até dezembro, e além disso reencaminhar os doentes para tratamento acompanhando-os durante esse período de forma a levá-los a terminar o tratamento e erradicar a doença”.

A par desta iniciativa, está prevista para outubro, a realização de uma ação de formação, mais técnica e clínica, para os médicos de Medicina Geral e Familiar da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM), ligada ao tema da hepatite C e possivelmente da co-infeção.

Esta iniciativa conta com o apoio da AbbVie, Rotary Club de Ponta Delgada e Laboratórios Germano de Sousa e com a chancela do Governo dos Açores.

 

Inteligência Artificial para desenvolvimento de medicamentos personalizados
A iLoF anuncia uma nova ronda de US $5 milhões em financiamento para apoiar a sua visão de democratizar o acesso à medicina...

A nova ronda de financiamento foi liderada pela portuguesa Faber, contando com a participação dos fundos norte-americanos M12, o fundo de capital de risco da Microsoft, e Quiet Capital, e dos fundos europeus Lunar Ventures, Alter Venture Partners, re.Mind Capital e Fluxunit, o fundo de capital de risco da ams OSRAM. O angel investor Charlie Songhurst, ex-director geral da Microsoft, e a Berggruen Holdings, o family officer de Nicolas Berggruen, investidor e filantropo, também participaram na ronda.

Este financiamento será usado para acelerar compromissos atuais com algumas das principais empresas globais no espaço Farmacêutico, Biotecnológico e Clínico, tendo como objetivo acelerar pilotos correntes e futuros e agilizar o desenvolvimento da plataforma. No total, a empresa arrecadou mais de US $8 milhões em financiamento até o momento.

Até 2023, a equipa contratará mais de 20 pessoas, em perfis de física, ciência de dados, biologia e gestão de produto.

Luis Valente, cofundador e CEO da iLoF: “Durante anos, os tratamentos foram desenvolvidos com a suposição de que funcionam para todos. No entanto, cada pessoa é diferente e, para muitas doenças graves, como Alzheimer, vários fatores podem contribuir para a eficácia de um tratamento em um determinado paciente. Isto significa que milhões de pacientes vivem atualmente sem acesso a um tratamento eficaz e modificador da doença - o que instigou a missão por detrás da iLoF. Capturamos grandes quantidades de dados para criar cópias digitais de perfis biológicos e subtipos de doenças, que armazenamos na nossa biblioteca digital. Diferentes perfis de pacientes poderão assim ser selecionados e rastreados pela plataforma, acelerando o desenvolvimento de tratamentos eficazes e personalizados, e permitindo ensaios clínicos mais humanos e centrados no paciente.”

Luís Valente continua: “A visão de longo-prazo é crescer a nossa biblioteca digital de biomarcadores e colocá-la ao serviço dos pacientes, através de uma plataforma inovadora de triagem de doenças. Para além de apoiar investigadores e cientistas, colocar esta ferramenta ao serviço de pacientes em todo o mundo, aprofundando a nossa compreensão das doenças e ajudando os clínicos a detetar algumas das doenças mais graves e mortais do mundo, como cancro do ovário, ou a doença de Alzheimer”.

A plataforma da iLoF faz uso de uma ampla gama de sinais óticos, criando assim assinaturas ricas do conjunto de partículas em amostras biológicas, que são depois convertidas em réplicas biodigitais. Estas réplicas superam largamente os limites tradicionais da análise bioquímica, pelo facto de poderem ser reanalisadas ​​um número potencialmente infinito de vezes. Com isto, é possível acelerar exponencialmente a busca por novos padrões moleculares e clínicos, o que pode ser a chave para o desenvolvimento de novas terapêuticas eficazes, ou para um diagnóstico mais preciso de pacientes.

Durante a pandemia, a iLoF colaborou com o Hospital de São João e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto para perceber como a plataforma pode ajudar a gerir o fluxo de doentes COVID-19 e assim otimizar recursos críticos. Nesse âmbito, a empresa demonstrou ser capaz de distinguir com precisão os pacientes com maior probabilidade de admissão nos Cuidados Intensivos, o que pode permitir aos hospitais uma gestão radicalmente mais eficiente dos seus recursos.

Sobre o investimento na iLoF, Sofia Santos, Partner da Faber, comentou:

"A iLoF tem o poder de impactar positivamente milhões de pacientes em todo o mundo e  tornar-se uma peça fundamental no mercado da medicina personalizada, avaliado em US $500 mil milhões (2021). A solução que combina fotónica e inteligência artificial pode transformar o diagnóstico e a triagem de múltiplas doenças complexas, ao mover progressivamente os cuidados de saúde de uma abordagem centralizada em hospital para uma abordagem focada no paciente e a um custo muito inferior. “

A iLoF é liderada pelo CEO Luis Valente, empreendedor nomeado Forbes 30 under 30 for Science and Healthcare; COO Mehak Mumtaz, Bioquímica de Oxford Ph.D. e especialista em medicina personalizada; e CSO Paula Sampaio, cientista sénior e coordenadora da Plataforma Portuguesa de Bioimagem.

Inicialmente formada durante a participação no programa Wild Card da EIT Health e acelerada na Oxford Foundry, a equipa iLoF é composta por 20 cientistas, empreendedores e investigadores internacionais.

“CHAngeing - Connected Hubs in Ageing: Healthy Living to Protect Cerebrovascular Function”
O consórcio “CHAngeing - Connected Hubs in Ageing: Healthy Living to Protect Cerebrovascular Function”, coordenado pela...

Ao longo de quatro anos, o consórcio «vai contribuir para criar evidência científica para os benefícios de estilos de vida saudável associados à dieta mediterrânica para promover a saúde e prevenir doenças cerebrovasculares», adianta o coordenador do consórcio e investigador da Universidade de Coimbra, João Malva.

O objetivo central do consórcio europeu vai concretizar-se através do «forte investimento na investigação científica de qualidade, na formação de recursos humanos muito qualificados (ao nível do doutoramento), na transformação do conhecimento em inovação e com impacto no mercado, bem como na capacitação dos cidadãos para ajustar os seus estilos de vida, de modo a promover a saúde e evitar a doença, contribuindo para um envelhecimento ativo e saudável», destaca João Malva.

O consórcio é composto por dois polos, um português e outro grego. Em Portugal, vai ser coordenado pela Universidade de Coimbra e conta com a participação do Instituto Pedro Nunes, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, do Laboratório Colaborativo Colab4Ageing e da Glintt, empresa que atua na área da saúde. O polo grego é composto pela Universidade de Creta, pela Foundation for Research and Technology - Hellas e conta também com a participação do Hospital Universitário de Heraklion, em Creta.

O CHAngeing conquistou este financiamento em resultado da candidatura apresentada ao programa Horizonte Europa. O concurso “Excellence Hubs” tem por objetivo apoiar projetos focados na inovação, particularmente na promoção e na criação de sinergias entre ecossistemas de inovação e entidades como universidades, empresas, entidades governamentais e a sociedade, em países widening, para alargar a sua participação na investigação.

O trabalho do consórcio vai centrar-se em sete principais áreas de atuação: 1) na criação de sinergias entre e dentro dos dois polos; 2) na promoção de um projeto conjunto para identificar mecanismos celulares e moleculares, bem como alvos terapêuticos para a prevenção e tratamento de doenças cerebrovasculares; 3) na formação avançada, inovação e empreendedorismo de uma nova geração de cientistas e profissionais; 4) na aceleração da inovação e do desenvolvimento de produtos e serviços para o mercado associado à dieta mediterrânica e a estilos de vida saudáveis; 5) na implementação de um projeto piloto para disseminação de literacia em saúde e sensibilização de cidadãos em torno dos benefícios de estilos de vida saudáveis e da dieta mediterrânica na prevenção da doença cerebrovascular; 6) na implementação de um demonstrador de desenvolvimento e aplicação de tecnologias inovadoras para melhorar o tratamento das patologias cerebrovasculares e sua reabilitação; 7) na comunicação e disseminação de informação sobre o projeto para criar impacto na sociedade e nos decisores para promover a saúde ao longo de toda a vida.

Para o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, «a coordenação deste consórcio é mais um marco da importância que o tema do envelhecimento ativo e saudável tem tido, nos últimos anos, na estratégia para a investigação da Universidade de Coimbra, envolvendo iniciativas como o Ageing@Coimbra ou a criação do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal), sendo indiscutivelmente um tema absolutamente central para a sociedade: longevidade com qualidade de vida.» 

Este consórcio vem, portanto, juntar-se a outros projetos na área do envelhecimento que têm contado com a colaboração científica da Universidade de Coimbra, como o Centro Europeu de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável Ageing@Coimbra, o laboratório colaborativo CoLab4Ageing ou o Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal).

Católica e Amyris Inc lançam 2ª edição de Prémio Internacional em Biotecnologia
Distinguir projetos “fora da caixa” de base biotecnológica que podem ter um grande impacto na sociedade. Este é o grande...

Hugo Choupina, coorganizador do evento e vice-presidente da Associação ALUMNI da Escola Superior de Biotecnologia, destaca que “o principal objetivo é o de apoiar a transição de ideias e atividades de investigação inovadoras para o mercado e, ainda, realçar a importância de promover projetos biotecnológicos inovadores e ‘fora da caixa’, para que seja possível obter impactos positivos, sustentáveis e mensuráveis na Sociedade.” Tiago Gonçalves e Anabela Veiga, coorganizadores do evento e membros da ALUMNI, acrescentam ainda que “o facto de a Amyris se associar a esta iniciativa novamente, demonstra que o caminho que estamos a trilhar é de relevo nacional, mas também internacional.”

Ana Leite Oliveira, coorganizadora do evento e coordenadora do Mestrado em Engenharia Biomédica da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, refere que “gerar inovação a partir do conhecimento biotecnológico é um desafio, mas projetos de alto impacto, focados em objetivos concretos, irão certamente contribuir para importantes desenvolvimentos sociais e económicos."

“Estamos orgulhosos em apoiar empreendedores que se dedicam a criar um impacto positivo no nosso planeta, promovendo mudanças e inovações dentro da Economia Circular”, salienta John Melo, presidente e CEO da Amyris. “Os BIG Impact Awards deste ano reconhecerão empresas e indivíduos que se dedicam a ideias inovadoras, disruptivas e escaláveis que irão conduzir ter um impacto significativo num mundo por explorar,” conclui.

Os vencedores do Prémio Amyris Innovation BIG Impact Award, este ano subdividido em “Big Innovation Award” e “Rising Innovation Award”, serão anunciados na 4ª edição do Fórum de Inovação em Biotecnologia: “Think Big in Biotecnology”. Este ano o evento decorre a 12 de novembro e terá como tema “Accelerating bio-innovation, now!”.

Prémio Amyris Innovation BIG Impact Award é uma iniciativa da Associação de Antigos Alunos (ALUMNI) da Escola Superior de Biotecnologia, da Universidade Católica Portuguesa no Porto, em parceria com a Amyris. Este ano o prémio terá duas categorias de acordo com a maturidade dos projetos - “Big Innovation Award” e “Rising Innovation Award” que se irão traduzir na atribuição de 7.500€ e de 2.500€, respetivamente. As candidaturas decorrem até 20 de setembro de 2022. Para mais informações e consulta do regulamento do concurso, consultar: FIB 2022 | Universidade Católica Portuguesa no Porto (ucp.pt).

Opinião
A hepatite é uma inflamação do fígado causada por diversos vírus e agentes não infeciosos que origin

No dia 28 de julho celebra-se o Dia Mundial das Hepatites em homenagem ao cientista Prémio Nobel da Medicina, Dr. Baruch Blumberg, nascido neste dia, que descobriu o vírus da hepatite B e desenvolveu um teste diagnóstico e vacina contra ele. Simbolicamente nesta data unem-se esforços para sensibilizar a comunidade internacional para este problema e incentivar a tomada de medidas que envolvam os doentes e o público em geral. Estima-se que 354 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com hepatite B ou C, para a maioria das quais os testes e o tratamento permanecem ainda, e infelizmente, fora de alcance. De modo a uniformizar procedimentos e a normalizar as abordagens de saúde no combate a este flagelo a nível global, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emite regularmente orientações que visam a eliminação das hepatites víricas como problema de saúde pública até 2030, reconhecendo, no entanto, as especificidades de cada região na abordagem desta temática.

A pandemia criou inúmeros constrangimentos à concretização do objetivo final de erradicação que urge ultrapassar. A prioridade neste momento é a recuperação do tempo perdido e para que isso seja possível é imprescindível o envolvimento e empenho dos decisores políticos. Torna-se imperativo o apoio a programas de erradicação que incluam medidas preventivas, o reforço do rastreio, realizando-o de forma sistemática e organizada, a despistagem pelo menos uma vez na vida das hepatites víricas na população não incluída em grupos de risco e a agilização da disponibilidade dos tratamentos a todos os casos identificados.

Todos os anos nesta data a comunicação social é inundada com inúmeros artigos de opinião sobre o tema das hepatites, que incluem, de forma reiterada, a identificação dos problemas e a proposta de soluções. E a ideia que transparece é que de ano para ano pouco progredimos apesar de sabermos o que temos de fazer. Falta pragmatismo nas nossas ideias e organização no método – penso serem estes os grandes desafios da atualidade. Deixava aqui um repto e mesmo um desejo: que a temática das hepatites não seja exclusiva do mês de julho, mas que a sua erradicação seja uma ambição que nos inquiete todos os meses do ano.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Implementação de políticas de epilepsia tem sido desigual
A European House – Ambrosetti, um Think Tank italiano, juntamente com a Angelini Pharma, empresa farmacêutica internacional que...

O relatório centra-se nos resultados da iniciativa Headway, que examinou várias experiências europeias na gestão da epilepsia, lançada no início de 2022. O seu objetivo é contribuir para reduzir o encargo da epilepsia não só no setor da saúde, mas também nos locais de trabalho, escolas e sociedade em geral, através da partilha de conhecimentos e experiências. O relatório descreve várias áreas prioritárias de intervenção para públicos-chave, incluindo prestadores de cuidados de saúde, investigadores, associações de doentes e decisores políticos nos estados membros europeus, que foram desenvolvidas em colaboração com um grupo multidisciplinar de peritos, incluindo clínicos, investigadores e grupos de apoio a doentes, para assegurar uma abordagem abrangente e integrada. O relatório segue a anterior iniciativa Headway que se centrava na Saúde Mental.

"A epilepsia é reconhecida como uma das doenças neurológicas mais comuns, no entanto, graças a esta investigação, sabemos agora que o impacto global das doenças neurológicas na saúde tem sido subestimado durante anos", afirma Pierluigi Antonelli, Diretor Executivo da Angelini Pharma. "Este relatório é um marco importante e evidencia que ainda existe uma clara falta de consciência sobre a epilepsia em toda a Europa".

Uma questão crítica enfrentada por pessoas com epilepsia identificada no relatório é a falta de acesso a cuidados de qualidade na Europa. Devido à grande variabilidade entre o nível de urbanização e fatores socioeconómicos, a diferença de tratamento entre países europeus é considerável, com até 90% dos doentes em falta de tratamento em algumas áreas, enquanto a média europeia se situa perto dos 40%, enfatizando a necessidade de programas de cuidados de epilepsia mais rentáveis em toda a Europa.

O funcionamento social das pessoas que vivem com epilepsia é descrito no relatório como fortemente impactado pela lacuna do tratamento. O relatório identifica o estigma associado à epilepsia como uma questão crítica enfrentada pelas pessoas que vivem com a doença, contribuindo para uma saúde física e mental precária, com 51% dos adultos inquiridos a sentirem-se estigmatizados, 18% dos quais altamente estigmatizados. Verificou-se que o estigma pode atrasar a procura de cuidados de saúde adequados por parte dos doentes, ter impacto no acesso aos cuidados, no financiamento dos cuidados de saúde e afetar a disponibilidade de opções de tratamento. Embora as causas do estigma variem, em geral a investigação revelou um baixo nível de conhecimento e má compreensão, bem como falta de sensibilização do público para a doença, resultando frequentemente numa baixa preparação institucional ou mesmo na discriminação.

"O relatório Headway sobre epilepsia destaca o impacto prejudicial que o estigma associado à epilepsia continua a ter em toda a Europa", disse Francesca Sofia, Presidente do Gabinete Internacional de Epilepsia. "Identificar o alcance e a natureza deste problema é um primeiro passo na mudança de atitudes e na abordagem da marginalização social encontrada por muitas pessoas que sofrem convulsões".

O relatório revela ainda que mais de uma em cada cinco pessoas com epilepsia se isolam da sociedade devido à ansiedade inerente a possíveis reações adversas a convulsões em público que possam conduzir a acidentes. Uma vez que a pandemia de covid-19 continua a estar presente nas nossas vidas, a magnitude das perturbações e tensões adicionais para a comunidade epilética são claramente percetíveis, como mostram as conclusões do relatório. A restrição dos cuidados clínicos teve um impacto significativo, com uma redução de 75% do número de eletroencefalografias (EEG) durante a pandemia em comparação com os tempos pré-covid, isto apenas em Itália. À medida que os doentes experienciaram níveis crescentes de stress durante a pandemia, o relatório demonstrou que 30% dos doentes suspenderam os tratamentos hospitalares e reduziram o apoio social, da mesma forma o isolamento social pode continuar a reduzir a adesão ao tratamento, bem como a piorar o controlo das convulsões.

O relatório aponta ainda as questões relativas aos atrasos no diagnóstico, devido a diagnósticos tardios ou incorretos. "O diagnóstico incorreto afeta 20-30% dos doentes com epilepsia e pode atrasar a gestão eficaz desta doença, com consequências a longo prazo para a saúde e bem-estar dos doentes e suas famílias", revela Philippe Ryvlin, Chefe do Departamento de Neurociências Clínicas do Hospital Universitário de Lausanne. "Isto enfatiza a importância crucial da colaboração pan-europeia na formação e investigação para o avanço do padrão de cuidados para as pessoas com epilepsia".

O relatório identifica uma série de barreiras para o sucesso da investigação sobre epilepsia, incluindo a falta de dados epidemiológicos consistentes, processos regulamentares complexos, financiamento insuficiente da investigação sobre epilepsia e estigma cultural. Salienta ainda a importância crucial das equipas multidisciplinares (MDTs), na gestão e apoio às pessoas que vivem com epilepsia, mas assinala também a ausência total destas equipas em alguns países europeus.

"A epilepsia é ainda muito mal compreendida em muitos países. Criar uma plataforma multidisciplinar e inter-europeia para estimular o diálogo e a partilha de conhecimentos em torno das questões mais proeminentes no sector dos cuidados de saúde, mas também nos locais de trabalho, escolas e sociedade em geral, com o objetivo de contribuir para reduzir o peso da doença na Europa, é um passo vital", disse Daniela Bianco, parceira e Chefe da Prática de Cuidados de Saúde da European House – Ambrosetti. "A nossa colaboração contínua com a Angelini Pharma nas iniciativas Headway é fundamental para fazer avançar os nossos conhecimentos e desenvolver um novo roteiro para a brain health na Europa. Tendo o Plano de Ação Global Intersectorial sobre Epilepsia e Outras Doenças Neurológicas (IGAP) sido aprovado no início deste ano, é agora o momento de agirmos!".

Os resultados do relatório sugerem uma oportunidade para os principais interessados dos estados membros europeus, incluindo prestadores de cuidados de saúde, investigadores, associações de doentes e decisores políticos, desenvolverem um roteiro e intervirem para promover a colaboração e uma abordagem mais holística para enfrentar a redução do fardo da epilepsia.

Para saber mais sobre o “Headway: A new roadmap for Brain Health – Focus Epilepsy” ou para descarregar o relatório completo, por favor visite: https://eventi.ambrosetti.eu/headway-epilepsy/

De 9 a 11 de setembro
O Festival de Bem-Estar (Feira Alternativa) está de regresso este verão, após dois anos de interregno por causa da pandemia. O...

Desde 2005 é um momento de encontro holístico e de união entre todos os que escolhem viver melhor em consciência e equilíbrio. Exposição, palestras, workshops e aulas práticas darão nova vida ao conceito original que acolhe anualmente milhares de visitantes e centenas de expositores.

Este ano está prevista a presença de cerca de 200 expositores, a grande maioria profissionais das várias terapias complementares. É o caso do Reiki, Acupunctura, Reflexologia, Feng Shui, Massagens, Terapia de Som, Cromoterapia, Florais, Mesa Quântica, Numerologia e Cristaloterapia, entre várias outras.

As restantes áreas da cosmética natural, nutrição, alimentação saudável, artesanato e esoterismo estarão igualmente bem representadas. A restauração contará com uma vasta oferta de alimentação saudável, incidindo na vegetariana, vegan e produtos biológicos.

As inúmeras palestras, workshops e showcooking compõem o programa de 2022, com mais de duas dezenas de oradores convidados, e as aulas práticas de Yoga, Chi Kung, Tai Chi, danças e meditação desenrolam-se ao longo dos três dias do evento.

“As áreas do bem-estar, desenvolvimento pessoal e espiritualidade evoluíram muito. Neste Festival criamos momentos de divulgação, promoção e desmistificação de todas as terapias alternativas e complementares, desde que sejam exercidas com responsabilidade”, afirma Jorge Coelho Lopes, responsável pela organização do evento.

E o promotor do Festival de Bem-Estar acrescenta: “Os cuidados que queremos ter com o corpo e a mente dependem do nível de consciência e das crenças de cada ser humano. Respeitando todos, dá-se a oportunidade para que cada um esteja confortável com o que quer e consegue pensar e fazer para se sentir saudável. Mais do que a experiência é a expansão da consciência que queremos promover.”

Num fim-de-semana pensado para desfrutar em família, destacam-se ainda três momentos especiais: a comemoração dos 100 anos do Reiki, pela Associação Portuguesa de Reiki (foi em 1922 que o mestre Mikao Usui desenvolveu o Reiki tal como é hoje praticado); uma mega-aula de Yoga, pela Federação Portuguesa de Yoga; e uma sessão de “Eye Gazing”, exercício tântrico que aumenta a intimidade, pela Escola do Amor.  

A entrada individual para o Festival custa 7,5 euros no primeiro dia (sexta-feira) e 10 euros em cada um dos dias seguintes. O passe para os três dias tem um custo de 15 euros.

Opções de tratamento
Estima-se que a Hiperhidrose afete cerca de 2% da população nacional e, apesar de ter solução, conti

Transpirar, sobretudo quando está mais calor, é normal. Este é, de resto, um dos mecanismos que o nosso organismo tem para arrefecer. Mas o que já não é normal é quando a transpiração obriga a vários banhos diários, trocas extra de roupas ou até motiva sentimentos de depressão e ansiedade. Um desconforto sentido, de acordo com os dados da Sociedade Internacional de Hiperhidrose, por quase 5% da população mundial, ou seja, qualquer coisa como 365 milhões de pessoas. São estas as vítimas da Hiperhidrose, um problema que, no entanto, tem solução, mas que, segundo Daniel Cabral, cirurgião torácico na Joaquim Chaves Saúde, “é muitas vezes desvalorizado e o seu tratamento desconhecido”.

Em Portugal, estima-se que cerca de 2% da população sofra desta doença, em que o excesso de transpiração pode ter um significativo impacto psicológico, pelo constrangimento nas relações interpessoais, podendo também interferir em muitas atividades profissionais.

A boa notícia é que há solução. “A cirurgia apresenta excelentes resultados na Hiperhidrose palmar e palmar/axilar, constituindo um tratamento definitivo”, refere o especialista. O procedimento denomina-se simpaticectomia torácica superior bilateral por videotoracoscopia, sendo efetuado através de duas incisões de 5mm em cada lado. É realizada no bloco operatório sob anestesia geral, tendo duração aproximada de 20 minutos e pode ser realizada em regime de ambulatório ou com internamento de uma noite.

Há outras opções de tratamento, como os antitranspirantes, a toxina botulínica ou a termólise com micro-ondas, sendo essencial para a definição do mesmo a consulta a um especialista.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Entrevista | Dr. Rui Dinis
Todos os anos são diagnosticados cerca de 3 mil novos casos de Cancro da Cabeça e Pescoço em Portuga

Apesar de ser um dos tipos de cancro mais frequentes, a sociedade ainda está pouco sensibilizada para o Cancro da Cabeça e Pescoço, tanto que o seu diagnóstico chega, quase sempre, em fases avançadas da doença. Assim, para ajudar a entender em que consiste, pergunto: de que estamos a falar quando falamos de Cancro da Cabeça e Pescoço?

O cancro da cabeça e pescoço compreende os cancros atingindo a cavidade oral (incluindo a mucosa do lábio), a faringe (que tem três regiões: nasofaringe, orofaringe e hipofaringe), a laringe e os seios paranasais.

Do conjunto de tumores que integram este grupo, quais os mais frequentes e aqueles que à partida podem apresentar um pior prognóstico, quer no que diz respeito à sua sobrevivência, que à qualidade de vida pós-tratamento?

Os tumores mais frequentes são, por ordem decrescente, os da cavidade oral, da laringe e da orofaringe.

O estádio avançado ao diagnóstico e a ausência de relação com o vírus HPV estão associados a pior prognóstico. No grupo maioritário de tumores causados pelo abuso de tabaco e álcool, é preciso estar atento à possibilidade de tumores síncronos (simultâneos) em outros locais na cabeça e pescoço, no esófago ou no pulmão.

Como tratamento, a cirurgia é geralmente preferida para a cavidade oral e seios paranasais, enquanto a radioterapia é reservada para todos os tumores da nasofaringe e a maioria da orofaringe relacionada com HPV. Nas restantes localizações, a escolha entre cirurgia e radioterapia (associada ou não a quimioterapia) depende do estadiamento, da preferência e possibilidade em conservar o órgão e a função (por exemplo, a radioterapia na laringe preserva as cordas vocais e, consequentemente, a capacidade da fala) e da experiência e disponibilidade terapêutica em cada centro.

Tanto a cirurgia como a radioterapia e os tratamentos sistémicos podem trazer muitas sequelas que comprometem a qualidade de vida, de que são exemplos o trismo (contratura dolorosa da mandíbula), a dor (por afetar nervos), o linfedema, o espasmo muscular do pescoço, a xerostomia (boca seca), a disfagia (dificuldade em engolir), a dificuldade na fala e deglutição, a perda de audição, a neuropatia ou a toxicidade renal.

De um modo geral, a que sinais devemos estar atentos? Quais as principais manifestações clínicas do Cancro da Cabeça e Pescoço?

As manifestações do cancro de cabeça e pescoço dependem sobretudo da localização e extensão do tumor. É comum apresentar-se inicialmente como uma massa assintomática no pescoço (sinal de disseminação ganglionar regional), uma úlcera dolorosa ou lesão visível na cavidade oral, disfonia ou rouquidão (quando atinge as cordas vocais) e dor ao engolir (em tumores da orofaringe). Dor nos ouvidos e dificuldade de audição podem significar atingimento da nasofaringe.

Na sua opinião, por que motivo este tipo de cancro é, muitas vezes, diagnosticado em fases já avançadas? Sabendo que grande parte a população só tem acesso aos cuidados de saúde primários, e ao Serviço Nacional de Saúde, qual a importância dos médicos de família para este diagnóstico? Considera que estes estão devidamente despertos para esta problemática?

Muitas vezes, ao início os sintomas são relativamente inespecíficos, confundindo-se com patologia benigna banal. Por outro lado, o cancro da cabeça e pescoço, por estar ainda muito associado ao abuso de álcool e tabaco, tende a atingir franjas da população mais vulneráveis e de menor literacia em saúde. A procura tardia de ajuda médica pode comprometer o prognóstico e mesmo a resposta aos tratamentos. Programas de rastreio dirigidos a populações específicas podem aumentar a deteção precoce da doença, mas qualquer sintoma de cabeça e pescoço (como odinofagia, rouquidão, otalgia) que perdure além de 2 a 3 semanas exige um exame físico da cavidade oral, que pode ser feito pelo médico de família ou médico dentista, ou um exame endoscópico da laringe e da faringe. Perante uma massa dura assintomática no pescoço em doente com o perfil referido, não se deve protelar a aspiração por agulha fina (preferível à biópsia aberta, por não afetar futuras opções de tratamento).

Que opções terapêuticas existem para tratar o Cancro da Cabeça e Pescoço?

Os meios de tratamentos ao dispor e comprovadamente eficazes são a cirurgia, a radioterapia e o tratamento sistémico - em combinação ou isoladamente, como a quimioterapia, a terapia biológica e, mais recentemente, a imunoterapia -, geralmente reservado para estádios mais avançados.

Sendo que têm surgido novas estratégias de tratamento, como é o caso da imunoterapia, em que consiste e quais os principais benefícios da sua aplicação? Qual o impacto ao nível das taxas de sobrevivência e qualidade de vida dos doentes?

A imunoterapia ativa o sistema imunitário e restaura as respostas anti-tumorais que foram, entretanto, bloqueadas pelas células cancerígenas. Ensaios comprovaram a eficácia dos inibidores de pontos de controlo imunológicos, nomeadamente o anticorpo anti-PD-1 Pembrolizumab, como primeira linha de tratamento para doença recidivada sensível a platina ou doença metastática, desde que expresse PDL1, um biomarcador de resposta a imunoterapia (definida pela pontuação positiva combinada (CPS) igual ou superior a 1). No estudo KN-048, em doentes com CPS entre 1 e 19, a associação de pembrolizumab a quimioterapia com cisplatina e fluoracilo reduziu em 29% o risco de morte, comparando com o tratamento padrão de terapia biológica e quimioterapia. Também a taxa e a profundidade de resposta foram superiores. No subgrupo com CPS igual ou superior a 20, a sobrevivência foi ainda superior, atingindo redução de risco de morte de 39%, que se traduz num aumento de 10,7 meses para 14,9 meses. Outro aspeto muito positivo foi a manutenção da qualidade de vida ao juntar-se imunoterapia, comparando com o braço de quimioterapia isolada. Em segunda linha ou em doentes resistentes a platino, os anti-PD1 pembrolizumab ou nivolumab podem ser usados em monoterapia comprovando benefício na sobrevivência, sem necessidade de avaliação da expressão de PDL1.

Para que tipos de tumores está aprovada a imunoterapia?

Os ensaios de imunoterapia na cabeça e pescoço incluíram doentes com tumores de histologia de carcinoma espinocelular (a mais comum) da orofaringe, cavidade oral, hipofaringe ou laringe, recidivados ou metastáticos e não curáveis por terapia local como cirurgia ou radioterapia.

O que se pode esperar, no futuro, quanto ao tratamento deste tipo de tumores?

No futuro breve, a definição da etiologia tumoral será importante para personalizar o tratamento, uma vez que vários ensaios procuram estudar nos tumores HPV positivos, de melhor prognóstico, a possibilidade de desintensificação do tratamento com redução de dose de radioterapia ou a omissão de quimioterapia. Nos tumores HPV negativos, a presença de DNA tumoral circulante por biopsia líquida poderá determinar quais os doentes que mais beneficiam ou podem dispensar tratamento adjuvante após cirurgia. A médio e longo prazo, torna-se inevitável a incorporação na prática clínica da medicina de precisão, que procura desesperadamente identificar biomarcadores genómicos de prognóstico e preditivos de resposta terapêutica.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
“A Verdade Sobre o Peso”
“A Verdade Sobre o Peso” é o novo podcast conduzido pela apresentadora Vanessa Oliveira e pela médica de medicina geral e...

Joana Menezes (endocrinologista), Ana Bacalhau (cantora) e Júlio Machado Vaz (psiquiatra) são alguns dos convidados do podcast “A Verdade Sobre o Peso” que acaba de ser lançado pelas mãos da Novo Nordisk, em parceria com a ADEXO - Associação Portuguesa de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal, SPEO (Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade) e SPEDM (Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo).

Através de conversas informais e intimistas, guiadas pela apresentadora Vanessa Oliveira e pela médica de Medicina Geral e Familiar Margarida Santos, o podcast irá abordar as diversas dimensões da Obesidade enquanto doença crónica, complexa e grave.

A Obesidade precisa de ser falada e desmitificada para se poder ajudar quem lida diariamente com uma patologia que é incapacitante em pequenos ‘nadas’ - como apertar os cordões dos sapatos ou subir umas escadas - e cujo controlo não depende apenas da pessoa que vive com Obesidade.

O primeiro episódio, já disponível aqui, terá à conversa a endocrinologista Joana Menezes para falar da doença, das suas causas, dos fatores externos que a influenciam, do impacto na vida e na saúde, e sobre a forma como pode ser prevenida e tratada. No segundo episódio, disponível no início de agosto, Vanessa Oliveira e Margarida Santos vão receber a cantora Ana Bacalhau, que partilhará o seu testemunho e aquilo que a inspirou a criar a música ‘Eu Vou’, que deu o mote à campanha ‘Mude o Ritmo da Sua Vida’ lançada no Dia Nacional da Obesidade pela Novo Nordisk em parceria com a ADEXO, a SPEO e a SPEDM. O terceiro episódio, que irá para o ar também em agosto, contará com a partilha de conhecimento e experiência do médico Psiquiatra e Sexólogo, Professor Júlio Machado Vaz, acerca do impacto que a Obesidade tem na saúde mental das pessoas que vivem com a doença.

“Todos temos um papel na promoção da literacia em saúde e na comunicação responsável sobre temas que constituem verdadeiros desafios de saúde pública, como é o caso da Obesidade. Este podcast pretende ser um momento de partilha de conhecimento, onde se abordará a verdade sobre o peso - o nosso objetivo é ajudar a melhor compreender a Obesidade e motivar a procura do apoio adequado para ultrapassar os desafios desta doença complexa e assim viver uma vida mais plena e saudável”, refere Paula Barriga, Diretora geral da Novo Nordisk Portugal.

Para a apresentadora Vanessa Oliveira, “integrar este projeto significa fazer parte da voz ativa que é preciso existir para ajudar a perceber que a Obesidade é uma doença, e que não pode ser origem de culpas e pressões sociais”.

Margarida Santos, médica de Medicina Geral e Familiar afirma, “estima-se que mais de 2 milhões de portugueses sofrem de Obesidade e apenas 2 em cada 10 procuram um médico para falar sobre o tema. Estes dados são preocupantes quando estamos a falar de uma doença crónica que impacta significativamente a morbilidade e a mortalidade, e que é um importante fator de risco para mais de 200 doenças, como a Diabetes Mellitus tipo 2, as doenças do foro cérebro-cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, oncológico, entre outras.”

O podcast regressará em setembro com mais convidados: nutricionistas, chefs, pessoas que vivem com obesidade e outros que partilharão diferentes olhares sobre esta doença, ajudando a conhecer “a Obesidade como ela é”.

Especialidade de Pneumologia e consultas sem marcação estão agora disponíveis
O Atrys Centro Médico Avançado, em Santa Maria da Feira, acaba de aumentar a oferta de serviços à população. Jorge Ferreira é o...

Sabendo que em Portugal as infeções respiratórias como a pneumonia, o cancro do pulmão e a doença pulmonar obstrutiva crónica fazem parte das dez principais causas de morte, e numa altura em que parte dos infetados por COVID-19 continua a ter sintomas meses após a infeção, foi um passo natural criar a especialidade que se dedica ao diagnóstico e tratamento de patologias pulmonares.

Os principais sinais de alerta, que devem levar um paciente a marcar consulta, são tosse, falta de ar, pieira, expetoração, ressonar e sintomas de alergia respiratória.

Já a modalidade Consulta Aberta foi criada para garantir que quem precise de tirar dúvidas não urgentes relacionadas com o seu estado de saúde possa ser atendido por um médico de clínica geral. De segunda a sexta, das 08h00 às 20h00, há uma equipa permanente no Atrys Centro Médico Avançado para responder à alta procura destas consultas. Neste âmbito, e também sem marcação, os pacientes (com mais de 16 anos) podem pedir um check-up adequado ao género, idade e estado geral de saúde, ou até uma avaliação após uma infeção por COVID-19.

 

 

 

 

Cancro do pulmão é o tumor com maior mortalidade
Assinala-se no dia 1 de agosto o Dia Mundial do Cancro do Pulmão. Este é o terceiro tipo de cancro mais frequente em ambos os...

A principal causa associada a esta doença é o consumo de tabaco, sendo responsável por 85% dos casos, existindo, no entanto, “outros fatores associados como o envelhecimento da população, exposições ocupacionais, poluição, nutrição, infeções e fatores genéticos”, como explicam Gabriela Fernandes e Margarida Dias da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP).

Além dos avanços no diagnóstico da doença, as médicas pneumologistas destacam também a evolução do tratamento deste tipo de tumor com o desenvolvimento de “terapêuticas dirigidas a alterações moleculares específicas que são responsáveis pelo desenvolvimento de certos tumores (cerca de 50% dos adenocarcinomas) e o que permitiu aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos doentes com doença metastática”. A par disto, salientam também a imunoterapia que é “outro pilar atual do tratamento, utilizando fármacos que estimulam o sistema imunitário para reconhecer e destruir as células tumorais  e com respostas muito sustentadas no tempo”.  Gabriela Fernandes e Margarida Dias evidenciam igualmente o contributo que a medicina personalizada aplicada ao cancro do pulmão tem, pois, os doentes “têm acesso a terapêuticas personalizadas,  baseadas no perfil genómico do tumor e nas características anatomopatológicas, que se associam a maior eficácia dos tratamentos, melhor tolerância, mais tempo sem progressão da doença, maior sobrevivência, com preservação e melhoria da qualidade de vida”.

Quanto à prevenção desta doença, a prevenção primária do consumo de tabaco continua a ser “a medida mais significativa conduzindo, as medidas antitabágicas mais restritivas, a uma redução do consumo e, por conseguinte, a uma redução da incidência e mortalidade por cancro do pulmão”, referem as especialistas que destacam ainda ser “necessária a implementação de um programa nacional de rastreio, pois estes programas, em populações de maior risco, ou seja, fumadores, demonstraram reduzir em cerca de 20% a mortalidade por cancro do pulmão”.

 

 

Protocolo de Cooperação
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) e o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) acabam de firmar um...

De acordo com o texto do protocolo, rubricado pelo presidente do Conselho de Administração do SUCH, Paulo Jorge Rendeiro Sousa, e pela Presidente da ESEnfC, Aida Maria de Oliveira Cruz Mendes, «o SUCH disponibilizará as refeições que não sejam diariamente consumidas nas suas instalações», enquanto «a ESEnfC disponibilizará os recursos humanos e meios, para a recolha dos alimentos, registo e quantidade de alimentos, acondicionamento em condições de segurança alimentar e registo e entrega dos bens alimentares aos estudantes».

Uma vez que este donativo incidirá apenas sobre as refeições que não sejam consumidas no refeitório da ESEnfC (instalações do Polo C), «não fica estabelecida qualquer quantidade mínima de doação de refeições ou componentes de refeição, nem a obrigatoriedade da sua disponibilização diária», lê-se também no documento ontem assinado.

De acordo com a professora Aida Cruz Mendes, «a ESEnfC acredita que é possível construir um mundo mais inclusivo e respeitador do ambiente» e que «educar para a responsabilidade social» deve ter por base «a realização de ações concretas, aplicadas no quotidiano».

Diminuir o desperdício alimentar e melhorar condições de aprendizagem

«A assinatura deste protocolo de colaboração com o SUCH materializa a preocupação destas duas instituições de diminuir o desperdício alimentar e, simultaneamente, apoiar os estudantes, criando-lhes as melhores condições de aprendizagem», sublinha a Presidente da ESEnfC, agradada pela «pronta disponibilidade do SUCH ao desafio que lhe foi lançado».

Com esta ação, a ESEnfC colabora no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com os quais se comprometeu publicamente, nomeadamente “Erradicar a Pobreza” (ODS1), “Erradicar a Fome” (ODS2), “Educação de Qualidade” (ODS4), “Reduzir as Desigualdades” (ODS10), “Produção e Consumo Sustentáveis” (ODS12) e “Parcerias para a Implementação dos Objetivos” (ODS17).

Pelo SUCH, o diretor regional do Centro, Pedro Dias, refere que «é com enorme prazer e orgulho» que a associação privada sem fins lucrativos que representa «se associa a esta causa, apoiando os alunos carenciados e contribuindo desta forma para a redução do desperdício alimentar e combate à fome».

«Um dos valores mais importantes do SUCH é a responsabilidade social, pelo que esta cooperação representa mais um passo nesse sentido, ajudando-se quem mais precisa. Numa sociedade em que o flagelo da fome é uma realidade bem presente e perto de nós, se todos contribuirmos, por muito pequeno que seja o gesto, terá sempre um grande impacto junto de quem recebe», defende este responsável da organização tutelada pelos ministérios da Saúde e das Finanças.

Quase 500 estudantes com bolsa de ação social

No âmbito do presente protocolo, que ontem mesmo entrou em vigor, pelo prazo de um ano, considera-se estudante com carência económica todo o estudante que solicitar integrar o programa de apoio alimentar, mediante avaliação das necessidades pela técnica superior de Serviço Social da ESEnfC.

O SUCH assegura o serviço de alimentação na ESEnfC, através da exploração do refeitório situado no Polo C e do bar do Polo A.

No ano letivo que agora termina, a ESEnfC contou com um total de 2062 estudantes inscritos, dos quais 1472 frequentaram a licenciatura, sendo que 489 beneficiaram de bolsa de ação social.

Iniciativa vai apoiar 200 cidadãos durante 1 ano, no acesso aos medicamentos prescritos
O Programa abem: Rede Solidária do Medicamento é um dos projetos vencedores do Prémio Caixa Social 2022, promovido pela Caixa...

O Programa abem: distinguiu-se na categoria “Recuperação e Resiliência do setor social” e foi apoiado com 18.507€, que serão aplicados no Fundo Solidário abem:, utilizado exclusivamente para comparticipar medicamentos a pessoas em situação de carência socioeconómica.

No âmbito do apoio da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da CGD refere: “A situação pandémica confrontou a Sociedade com desafios extremamente exigentes e elevados impactos sociais, económicos e financeiros. O setor social teve a capacidade e a coragem de se reorganizar e reinventar, desempenhando um papel determinante na resposta às inúmeras necessidades da população mais vulnerável. Enquadrando-se na missão e desígnio da Caixa, os Prémios Caixa Social têm vindo a contribuir para o crescimento sustentável e inclusivo através do apoio às organizações sociais, que diariamente trabalham junto de quem mais precisa.

O «Programa abem: Rede Solidária do Medicamento» encontra-se plenamente alinhado com este propósito, merecendo o nosso apoio de forma a garantir o acesso a medicação prescrita a mais 200 beneficiários em situação de carência socioeconómica e evitar o agravamento da situação de saúde. Mais do que nunca precisamos de organizações capazes de desenvolver soluções inovadoras para os problemas sociais que persistem na sociedade.”

 

 

Reforçar o investimento em inovação e garantir a introdução de tratamentos e vacinas de última geração no país
Helena Freitas acaba de ser nomeada como Country Lead da Sanofi Portugal, posição que acumula com a de General Manager da área...

Helena Freitas entrou para a Sanofi há quase 6 anos, como Diretora de acesso ao mercado e Public Affairs e desempenhava atualmente funções de General Manager da área de Vacinas. Assume agora a posição de Country Lead de uma das maiores companhias farmacêuticas a operar e investir no nosso país, sendo responsável por conduzir os caminhos da Sanofi, garantindo o alinhamento entre as unidades de negócio, e pelo sucesso da implementação da estratégia Play to Win, tanto a nível interno quanto externo.

“É uma honra para mim poder contribuir para uma companhia que é líder global em cuidados de saúde e poder liderar equipas que perseguem o poder da ciência para melhorar a vida das pessoas! Enquanto GM da área de Vacinas a minha missão é a de construir um mundo em que ninguém sofra ou morra de uma doença que possa ser prevenida através da imunização. Agora, enquanto Country Lead em Portugal, esta missão eleva-se! Vamos continuar a apostar no nosso país, trazendo inovação para os profissionais de saúde e os doentes, estabelecendo parcerias para encontrar soluções que promovam a equidade na saúde e a sua sustentabilidade. Para isso contamos com uma equipa diversificada e muito talentosa em Portugal a quem desde já agradeço todo o apoio.” afirma Helena Freitas.

Com mais de 20 anos de experiência, e sempre orientada para os resultados, Helena Freitas tem sido uma profissional inspiradora e um verdadeiro exemplo de uma liderança inclusiva e empática, com uma mentalidade inovadora, um forte background financeiro e uma sólida experiência profissional nas áreas comercias, assuntos governamentais e acesso ao medicamento. É licenciada em Economia pela Universidade do Porto e mestre em Administração de Empresas pela AESE Business School.

O seu conhecimento do ecossistema de saúde português e a sua vasta experiência no setor farmacêutico serão elementos fundamentais para o sucesso do seu trabalho nesta nova posição.

“A minha ambição é continuar a reforçar o investimento em inovação e garantir a introdução de tratamentos e vacinas de última geração no nosso país” refere a nova Country Lead.

 

Nutricionista Iara Rodrigues responde a dúvidas
Manter o peso desejado pode ser uma verdadeira odisseia para muitas pessoas.

O primeiro passo para atingir os seus objetivos é cair menos em tentação, ou seja, fazer escolhas mais saudáveis. Além disso, deve ter em atenção que o que come deve estar em linha com as suas necessidades: peso, altura, nível de atividade física, sexo e idade.  

O segundo passo é cuidar da sua microbiota (flora) intestinal. Quanto mais variada for a comunidade de microrganismos presentes no intestino, melhor será a sua saúde e bem-estar, até porque algumas bactérias que habitam o intestino têm um papel de relevo na prevenção e tratamento do excesso de peso e da obesidade. Por exemplo, a proteína ClpB é produzida pelas enterobactérias Hafnia alvei, que atuam no controlo do apetite ao comunicar com os neurónios responsáveis pela sensação de saciedade. 

Em terceiro lugar deve comer alimentos mais ricos em energia nos períodos de maior atividade, geralmente durante a manhã e ir reduzindo o aporte ao longo do dia. E, por outro lado, evitar comer fora dos horários estabelecidos para as refeições, para que o organismo utilize as reservas de gordura como energia. 

Mas, para que não restem quaisquer dúvidas sobre o que comer foi criada a parceria “Tem perguntas sobre Dieta Alimentar? A equipa Clínica Iara Rodrigues pode ajudar”, onde poderá encontrar respostas para as dúvidas relacionadas com a alimentação durante todo o verão. Entretanto, pode tomar nota de cinco dicas que vão fazer a diferença para o bom funcionamento do seu organismo: 

1. Mais alimentos ricos em fibra, menos alimentos processados. A fibra é um prebiótico, os prebióticos estimulam o crescimento e/ou atividade dos probióticos, como a Hafnia alvei, uma estirpe naturalmente presente na microbiota intestinal humana. Estes alimentos apresentam, em geral, um baixo valor calórico e conferem saciedade. Além disso, os alimentos de origem vegetal são ricos em fitoquímicos, muitos deles com importantes funções na regulação da microbiota, de forma benéfica, e ainda na regulação do metabolismo, facilitando a degradação de gordura. Acresce que a ingestão destes alimentos potencia a ingestão de vitaminas e minerais, fundamentais no combate ao stress oxidativo e à inflamação. Quanto aos alimentos processados, têm normalmente valores calóricos elevados, bem como emulsionantes ou adoçantes que podem alterar a microbiota intestinal com impacto metabólico não desejável, como inflamação crónica de baixo grau e consequentemente resistência à insulina. 

2. Escolha gorduras de boa qualidade. Privilegie o azeite como gordura de adição e reduza o consumo de alimentos ricos em gordura, como as carnes gordas, leite e derivados, enchidos, etc. Os frutos secos apesar de serem ricos em gordura, contém gordura de boa qualidade que nos confere saciedade, por isso são uma boa escolha para fazer uma pequena refeição a meio do dia. Dentro das gorduras polinsaturadas, privilegie as gorduras ómega-3, presentes sobretudo na gordura do peixe, uma vez que favorecem a perda de peso. 

3. Imponha limites ao açúcar. Eduque o paladar e reduza gradualmente a quantidade de açúcar. O consumo de açúcar leva à libertação da insulina e esta hormona está implicada não só na regulação do apetite como também em processos metabólicos que gerem a forma como armazenamos energia (gordura) no organismo. 

4. Atenção ao sal. O consumo de sal está associado ao aumento da pressão arterial e ao risco de acidente vascular cerebral, mas também à obesidade. Evite a adição de sal na confeção das refeições e opte por ervas aromáticas e especiarias para garantir refeições saborosas. 

5. Beba (muita) água. A água é essencial para o bom funcionamento do organismo: ajuda a regular a temperatura do nosso corpo, a eliminar as toxinas e a estimular o trânsito intestinal. Por isso, beba água e chás não açucarados e coma sopas. As reações químicas do organismo ocorrem em meio aquoso. Já as bebidas alcoólicas são de evitar, uma vez que têm muitas calorias. 

Fonte: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Causa mais frequente de cegueira irreversível acima dos 60 anos
A Degenerescência Macular da Idade ou DMI é a causa mais frequente de cegueira irreversível acima do

A doença afeta a visão central. A visão central permite-nos ler, conduzir, reconhecer faces, perceber as cores e, em geral, desempenhar todo o tipo de atividade que exija uma visão do detalhe. Acima dos 50 anos, 1 em cada 7 pessoas pode revelar os primeiros sinais da presença desta doença, sendo em geral assintomáticas. Com o decorrer do tempo podem surgir problemas de definição, distorção da imagem (metamorfopsia) ou perda da visão central (escotoma). Entretanto, deve realçar-se que esta doença não produz perda total de visão. De facto, a maioria das pessoas com doença avançada mantém uma visão da periferia, a visão navegacional.

A prevalência (número total de casos) aumenta com o grupo etário, sendo de 15% dos 65 aos 74 anos, 25% dos 75 aos 84 anos e de 30% acima dos 85 anos. Embora a taxa de incidência (número de novos casos/grupo etário) não esteja a aumentar, o número total de casos está a aumentar devido ao envelhecimento acentuado da população portuguesa. Aplicando as supramencionadas taxas de prevalência por grupo etário aos dados da PORDATA para a população portuguesa, estima-se que haja cerca de 400.000 pessoas sofrendo de DMI em Portugal.

A DMI assume 3 estadios evolutivos: a forma precoce, a intermédia e a tardia. A forma precoce é assinalada pela presença na retina de pequenas formações de cor amarelada, os drusen, em pessoas geralmente assintomáticas. A forma intermédia caracteriza-se pela presença de drusen com maiores dimensões (acima de 125 µm ou 1/10 de milímetro) e de alterações pigmentares na retina, podendo ser igualmente assintomática. Só o médico oftalmologista poderá efetuar o diagnóstico da presença destas duas formas de doença numa consulta de rotina. A forma tardia pode ser de dois tipos: em 80-90% dos casos, uma forma de atrofia progressiva da retina com perda relativamente lenta da visão, embora possa ser relativamente acentuada em alguns casos; em 10-20% dos casos, uma forma exsudativa, com presença de vasos anormais na retina ou imediatamente abaixo dela, que promovem a sua perda de transparência e a sua destruição estrutural, condicionando uma perda acentuada da visão que pode ser muito rápida.

A prevenção assenta numa dieta normal, com presença de fruta e peixe e abstenção de fumar. Existe evidência sugerindo que certos complexos vitamínicos poderão ser eficazes no atraso da progressão da doença, mas deverão ser prescritos apenas nos casos de DMI intermédia. Pessoas cujos pais tiveram DMI possuem um risco aumentado.

As formas exsudativas serão até 20% das formas tardias, sendo a sua prevalência de 1% no grupo dos 55-65 anos e até 4,4% no grupo acima dos 75 anos, o que dará um número estimado de prevalência acima de 7000 doentes necessitando de tratamento. Como os doentes não tratados desenvolvem atrofia da retina e perda irreversível da visão, não é de surpreender que muitos doentes com forma atrófica possam ter tido no

passado uma janela de tratamento que, entretanto, passou. Por isso mesmo, não é de surpreender que se aplicarmos os dados da prevalência da DMI exsudativa aos dados populacionais da PORDATA esse número final possa ser quatro vezes superior.

O tratamento das formas exsudativas consiste na administração de fármacos anti-angiogénicos por injeções no olho (intra-vítreas). O resultado do tratamento depende do número de injeções administradas, devendo ser de 8 injeções, em média no primeiro ano (alguns doentes poderão ter que fazer mais injeções; outros menos) e de 5-6 injeções, em média, no segundo ano, existindo variabilidade entre doentes e entre as formas da própria doença exsudativa. A doença exsudativa pode ser do tipo 1 (membrana neovascular abaixo da retina), do tipo 2 (membrana neovascular acima da retina com atrofia), do tipo 3 (alterações vasculares na retina média) e ainda a chamada vasculopatia polipoide da coroide. É de admitir que em muitos doentes, mas não em todos, o número de injeções vá diminuindo ao longo dos anos. Mais importante que tudo, importa sublinhar que é crucial evitar recaídas da doença, o que implica mais atrofia e um certo grau de perda de visão irreversível. Tudo deve ser feito para evitar essas recaídas. Os medicamentos anti-angiogénicos administrados agem dentro do olho impedindo o crescimento dessas membranas neovasculares anormais e a consequente destruição da retina central, a mácula.

Um ponto fundamental é o atraso no diagnóstico da doença e no respetivo tratamento. Cerca de metade dos casos já se apresentam ao médico oftalmologista com visão abaixo da visão de leitura e 20% já se apresentam com apenas 10% de acuidade visual (20/200, 35 letras ETDRS). De facto, estes doentes perdem 5 letras numa escala de leitura ETDRS por cada duas semanas de atraso. Cerca de 76% dos doentes têm visão de um décimo ao fim de 3 anos, quer devido ao atraso de diagnóstico quer ao tratamento insuficiente. Quando se possui um olho com uma forma exsudativa, o segundo olho tem um risco de 4 a 19% por ano de ser também envolvido. Por consequência, é muito importante, não só a consulta regular com o médico oftalmologista, que deve ser tanto mais frequente quanto maior for o escalão etário a que se pertença, mas também a auto-monitorização com uma grelha de Amsler, que é aproximadamente, uma folha de um caderno de exercícios de matemática. A distorção ou interrupção ou encurvamento das linhas deverá motivar uma consulta imediata com o médico oftalmologista. Muito importante também é não faltar aos tratamentos. Sempre que essa ausência seja inevitável, é necessário reagendar o tratamento mediante contacto imediato com o médico ou o hospital sede do tratamento.

A grande maioria dos doentes com DMI exsudativa, se tratada convenientemente por forma a evitar recidivas, progride muito mais lentamente e poderá conservar o seu nível de visão de apresentação durante bastante tempo. Existe mesmo a possibilidade que entre 30 a 40% dos doentes possam melhorar a visão que apresentavam quando acorreram ao médico oftalmologista pela primeira vez.

Ler mais:

https://spoftalmologia.pt/wp-content/uploads/2015/10/Degeneresc%C3%AAncia-Macular-Ligada-%C3%A0-Idade.pdf

https://www.ger-portugal.com/retrievedocumentos.aspx?id=77

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Mediante inscrição
A amamentação é um momento muito especial que pode, contudo, gerar muitas preocupações e ansiedade às mães. Para saber como ter...

Na mesma sessão, a terapeuta da fala, e instrutora de Baby Signs, Carina Pinto vai ensinar os pais a comunicar com os seus bebés, antes de começarem a dizer as primeiras palavras.

Para promover uma gestação tranquila e um parto mais preparado, no dia 30 de julho, pelas 10h00, a enfermeira Carmen Ferreira, especialista em saúde materna e obstétrica e autora do blog “Bebé Saudável” e dos livros – “Estamos Grávidos! E agora?” e “Nascemos! E agora?” –, estará presente para ensinar as futuras mães a manterem-se ativas durante a gravidez.

O sono dos bebés é outro assunto que preocupa os pais, e o excesso de informação sobre o tema contribui para o aumento da ansiedade e da confusão junto das famílias. Para abordar os principais mitos sobre este tema, estará presente a psicóloga pediátrica, da ForBabiesBrain, Clementina Almeida.

Nestas duas sessões, as famílias vão ter ainda a oportunidade de conhecer as potencialidades das células estaminais e a sua aplicação terapêutica. Um especialista da Crioestaminal – o laboratório português líder em Células Estaminais e o único com acreditação internacional pela Association for the Advancement of Blood & Biotherapies (AABB) - vai explicar tudo sobre a utilização destas células em Portugal e sobre a adesão ao serviço de criopreservação.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na plataforma dos eventos.

 

 

 

 

Estudo
No final de dezembro de 2020 iniciou-se a administração das primeiras vacinas contra a covid-19 em Portugal. Entre a crença...

O estudo, realizado entre 21 de abril e 10 de maio de 2021, incluiu um questionário online a 1062 professores (educação pré-escolar, ensinos básico, secundário e superior) e a 890 profissionais de saúde (médicos, farmacêuticos, enfermeiros e dentistas) e um questionário por entrevista telefónica assistida por computador a 602 idosos não institucionalizados.

O trabalho foi coordenado por Teresa Herdeiro, investigadora do Instituto de Biomedicina (iBiMED). A investigação foi também assinada por Tânia Silva e Marta Estrela, igualmente investigadoras daquela unidade de investigação da UA, e contou com a participação de Fátima Roque e de Vítor Roque do Instituto Politécnico da Guarda, de Eva Gomes, da Universidade do Porto, e de Adolfo Figueiras, da Universidade de Santiago de Compostela.

De uma forma geral, sublinha Teresa Herdeiro, “os resultados mostraram que quem tinha maior preocupação quanto à segurança e eficácia das vacinas, era também mais cético em relação à vacinação contra a covid-19”. Este dado foi transversal aos três grupos em estudo (profissionais de saúde, professores e população idosa).

“É igualmente importante salientar que os participantes no estudo que apresentavam maior confiança nas entidades e instituições de saúde, também apresentavam maior predisposição a aceitar a vacinação. Estes dados mostram a importância das instituições de saúde na transmissão da informação às populações”, alerta a investigadora.

Teresa Herdeiro revela que “embora a maioria dos participantes tivesse consciência dos benefícios da vacinação, uma pequena, mas significativa proporção dos inquiridos mostrou preocupação sobre a eficácia da vacina e seus efeitos indesejáveis, e alguns tencionavam recusar a vacinação”. De uma forma global, aponta, “os resultados obtidos neste estudo evidenciam uma elevada confiança da população na vacinação contra a covid-19”.

Tomar ou não tomar?

Cerca de 60 por cento dos profissionais de saúde e idosos e aproximadamente metade dos professores já tinham sido vacinados com a primeira dose, na altura da realização do estudo. Por outro lado, cerca de 10 por cento de todos os participantes referiram que não estavam dispostos a receber a vacina quando esta lhes fosse disponibilizada.

Embora os participantes estivessem conscientes do potencial da vacinação para pôr fim à pandemia da covid-19, principalmente através da prevenção da infeção e das complicações associadas, o estudo conclui que uma grande proporção dos inquiridos (superior a 30 por cento) se mostrou cética em relação a este resultado.

A hesitação na vacinação, aponta o trabalho, estava principalmente relacionada com a incerteza sobre a eficácia e possíveis efeitos indesejáveis da vacina, particularmente entre professores e profissionais de saúde (cerca de 50 por cento), e não com a origem do fabricante da vacina, salientando a necessidade de aumentar a confiança na vacina.

Mais de 75 por cento dos participantes consideraram as autoridades competentes como uma fonte de informação fiável relativamente à vacinação contra a covid-19.

O estudo conclui ainda que, enquanto cerca de 90 por cento dos professores e profissionais de saúde gostariam de ser testados quanto à resposta imunitária obtida após infeção por covid-19 ou vacinação, apenas cerca de dois terços dos idosos partilhavam o mesmo desejo.

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