29 de outubro
No âmbito da sua estratégia de apoio à formação, a Alfasigma vai promover uma sessão científica denominada SOLV@ (SOLutions for...

O programa será preenchido por várias sessões, iniciando-se com as novidades na área da fisiopatologia vascular, o impacto das comorbilidades vasculares nas doenças venosas e no risco trombótico, ao nível das diferentes condições clínicas em ambiente ambulatório. Também serão abordados tópicos como a estratificação de risco dos doentes com doença arterial dos membros inferiores e a consequente decisão clínica, e as microangiopatias diabéticas.

Esta sessão de formação acreditada poderá ser acompanhada online, sendo que contará com a participação de inúmeros palestrantes internacionais, nomeadamente o Prof. A. Nicolaides (Chipre), o Prf. J.D. Raffetto (EUA), o Prof. J. Matuska (República Checa), entre muitos outros oradores convidados. 

O evento irá decorrer em inglês e todas as sessões serão gravadas, ficando, posteriormente, disponíveis para acesso, mediante registo prévio e obrigatório.

 

Miocardiopatia Amiloide por Transtirretina (ATTR-CM)
Rara, mas particularmente grave – uma vez diagnosticada, apresenta uma esperança média de vida de três anos e meio – a...

Pelo prognóstico e pelas estimativas de esperança média de vida, passar a viver com um diagnóstico de ATTR-CM será sempre um processo complicado. Para assinalar o Dia Mundial da Amiloidose, reforçamos a importância do diagnóstico precoce de doenças como a ATTR-CM (Miocardiopatia Amiloide por Transtirretina). Detetar e identificar a doença numa fase inicial permitir-nos-á fazer uma melhor gestão da doença, adotar a terapêutica mais adequada e assegurar a qualidade da sobrevida.  

Apesar de ser rara, a ATTR-CM é uma doença muito grave. A partir de determinada idade, devemos estar particularmente atentos a sinais e sintomas, e garantir que cumprimos escrupulosamente o calendário clínico e as consultas médicas.  Só assim poderemos detetar esta e outras doenças, e avançar imediatamente para a sua gestão.

Neste dia Mundial da Amiloidose lembramos, também, que é possível conviver com qualidade, com esta doença. O recurso ao apoio dos pares e dos profissionais de saúde pode revelar-se fundamental para a controlar. A partilha de conhecimento, de experiências e a relação com quem se especializou na área ou se encontra numa situação semelhante são, na esmagadora maioria dos casos, um importante pilar na gestão do quotidiano do doente. Não se isole.

O que é a ATTR-CM?

A Miocardiopatia Amiloide por Transtirretina (ATTR-CM) é considerada uma doença rara, mas potencialmente fatal: estima-se que depois de diagnosticada, o paciente possa ter uma sobrevida de apenas três anos e meio. No entanto, tudo dependerá do estadio da doença e das opções de tratamento.

A doença surge na sequência da acumulação de proteínas desnaturadas no coração e no organismo e divide-se em dois tipos: wild type (também conhecida como Amiloidose Cardíaca Senil) e hereditária. No caso da wild type, a doença é idiopática, ou seja, a sua causa é desconhecida. É especialmente incidente entre os homens caucasianos, sobretudo entre os que sofrem de insuficiência cardíaca ou de arritmias como a fibrilhação auricular, ou que apresentam um histórico de síndrome do túnel cárpico bilateral. Tendencialmente, começa a manifestar-se a partir dos 60 anos.

Já os sintomas da ATTR-CM hereditária, têm tendência a começar um pouco mais cedo, geralmente entre os 50 e os 60 anos. Tem a mesma incidência em pessoas do sexo masculino ou feminino e está associada a insuficiência cardíaca, sintomas neurológicos (periférico e autónomo) e/ou gastrointestinais, e a história clínica de síndrome do túnel cárpico bilateral.

Sinais de que pode sofrer de ATTR-CM

Porque afeta o coração, a ATTR-CM apresenta, na maioria dos casos, sintomas e sinais de insuficiência cardíaca. Cansaço extremo, dificuldade em respirar, taquicardia constante, inchaço nas pernas ou no abdómen, aumento da frequência e necessidade de urinar à noite, tonturas, desmaios ou aumento de peso, são bastante comuns neste quadro. Podem também surgir outros sintomas causados pelo depósito de fibras amiloides no corpo, como é o caso de problemas oculares (ex: Glaucoma), rotura do tendão bícipe sem que tenha havido trauma, problemas gastrointestinais (ex: diarreia, obstipação, náuseas ou saciedade precoce), necessidade de substituição da articulação da anca e/ou joelho, síndrome do canal cárpico bilateral (dormência, formigueiro e dor nos dedos), estenose da coluna lombar (dor ou dormência na parte inferior das costas e nas pernas devido a estreitamento do canal vertebral), neuropatia periférica (sensação diminuída ou de formigueiro ou dor nos pés ou dedos dos pés) ou arritmia.

Como se chega ao diagnóstico?

O diagnóstico de ATTR-CM pode ser suspeitado pela clínica (sintomas e sinais) e perante certos achados no electrocardiograma (ECG), ecocardiograma, ou ressonância magnética (RM) cardíaca; e pode ser confirmado pelo recurso a cintigrafia óssea [a qual pode confirmar a presença da proteína transtirretina (TTR) no coração]. O teste genético é fundamental para definir se a origem é hereditária ou não. Análises  de sangue e urina serão importantes durante a avaliação do doente pois permitirão também excluir outras causas de amiloidose. Por fim não podemos esquecer que pode ser necessária a realização de biópsia para confirmar a presença de substância amilóide no coração. A maioria destes exames (nomeadamente ECG, ecocardiograma, cintigrafia óssea DPD e análises ao sangue e urina para excluir outras formas de amiloidose, nomeadamente amiloidose a cadeias leves)  podem ser prescritos pelo médico de família e podem confirmar uma suspeita diagnóstica de ATTR-CM. No entanto, se os testes forem negativos e a suspeita clínica permanecer, o doente deve ser encaminhado para um Centro de Referência da doença, bem como em caso de se confirmar o diagnóstico.

27 de outubro
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e o Observador, com o apoio da Gilead, juntam-se para abordar o futuro da...

A primeira parte será marcada pela exibição de um documentário sobre as CAR-T em Portugal. O vídeo conta com o apoio institucional da Ordem dos Médicos (OM) e da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), reconhecendo o papel de todos os intervenientes ao longo dos últimos três anos na introdução da tecnologia CAR-T em Portugal e o contributo na consolidação da agenda estratégica da Medicina de Precisão.

A mesa redonda que se irá seguir terá como tópico central de discussão “O Futuro da Medicina de Precisão em Portugal”, contando com a moderação de Paulo Farinha e a intervenção de Manuel Abecasis, hematologista e presidente da APCL; Alexandre Lourenço, da Ordem dos Médicos; Catarina Baptista, coordenadora do Grupo de Trabalho de Investigação em Saúde da APAH; e Ana Paula Martins, diretora de assuntos governamentais da Gilead.

A sessão vai terminar com a atribuição da bolsa “Building Future Knowledge in mature B cell malignacies”, no valor de 15 mil euros. Esta bolsa de investigação consiste numa iniciativa lançada pela APCL, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH) e com o apoio da biofarmacêutica Gilead Sciences, com o intuito de promover a investigação científica e epidemiológica nas áreas das neoplasias de células B maduras.

 

Academia Mamãs Sem Dúvidas
A Academia Mamãs Sem Dúvidas vai realizar no dia 27 de outubro, entre as 18h00 e as 19h30, uma nova edição do “Especial Grávida...

A sessão do “Especial Grávida” terá a duração aproximada de uma hora e meia e vai dividir-se em três grandes temas. O primeiro, que vai ser conduzido pela Enfermeira Alice Araújo, especialista em saúde materna e obstetrícia e fundadora do projeto Momentos de Ternura, vai centrar-se nos cuidados de higiene do recém-nascido.

Por sua vez, Inês Pulquério, formadora do laboratório BebéVida vai explicar as mais valias da criopreservação e o potencial de cura das células estaminais e, para terminar a sessão, a Enfermeira Patrícia Soutinho, especialista em saúde materna e obstetrícia, vai deixar sugestões para aliviar os desconfortos sentidos durante a gravidez.

A participação nesta sessão é gratuita, sendo apenas necessária inscrição prévia no site da Mamãs Sem Dúvidas, aqui. Ao participar, os casais habilitam-se a receber um cabaz de produtos no valor de 385€, que inclui a oferta da abertura do processo na adesão ao serviço de criopreservação da BebéVida; um peluche Babiage; um estojo de higiene BebéConfort; e ainda um intercomunicador Alecto. A vencedora será anunciada no dia 28 de outubro, na página de Instagram da Mamãs Sem Dúvidas.

Para saber mais sobre a Academia Mamãs Sem Dúvidas, conteúdos informativos e os próximos eventos visite o website mamassemduvidas.pt.

 

10ª edição do Prémio de Jornalismo na área da Dor
A reportagem “Os Maestros das Emoções”, da jornalista Catarina Marques, da SIC, é o trabalho vencedor da edição de 2022 do...

Esta reportagem, com enfoque na forma como as emoções positivas têm um papel fundamental na resposta à dor e a doenças como o cancro, foi distinguida com o primeiro prémio, no valor de dois mil euros.

O segundo prémio, no valor de mil euros, foi entregue à jornalista do Notícias Magazine, Ana Tulha, com a peça “Dor Sexual: Não, Não é Normal. Nem Irreversível”. Foram ainda atribuídas duas Menções Honrosas, uma à jornalista Joana Ascensão, pela reportagem “O Cancro Não Tem Sexo”, publicada no Expresso, e outra à jornalista Mariana Nogueira, da Visão, pela reportagem “Viver com Dor”.

Na avaliação dos trabalhos a concurso foi tido em conta critérios como a criatividade, a investigação, a relevância e a qualidade das peças jornalísticas.

Os trabalhos foram submetidos à avaliação de um painel de jurados composto pela Dr.ª Beatriz Craveiro Lopes, representante da Fundação Grünenthal, pela Dr.ª Nádia Andrade e a Dr.ª Marta Isidoro, da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, e Leonor Ferreira e Susana Venceslau, do Sindicato dos Jornalistas.

O Prémio de Jornalismo na área da Dor é um prémio promovido anualmente pela Fundação Grünenthal, com o apoio da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), e tem como objetivo incentivar e reconhecer o interesse e qualidade dos trabalhos jornalísticos na área da Dor.

A cerimónia de entrega do Prémio decorre no dia 22 de outubro, no âmbito do 8º Encontro das Unidades de Dor Nacionais, no Centro de Congressos de Aveiro.

 

Universidade Lusófona
De 24 a 28 outubro 2022, irá decorrer a XVII Semana das Ciências Farmacêuticas, organizada pela Associação de Estudantes de...

O evento decorre numa Tenda no interior da Universidade e envolve a participação de alunos, professores, funcionários, profissionais de saúde, empresas do sector farmacêutico, assim como a população. 

Serão contempladas diversas atividades desde rastreios de Glicemia, Colesterol, Índice de Massa Corporal, Pressão Arterial, Visão, entre outros, assim como a divulgação e promoção de empresas e produtos.

As Farmácias Holon marcam presença através da promoção e realização de rastreios de Nutrição e de Dermofarmácia e como patrocinadora de um cabaz a ser sorteado com produtos Holon no decorrer do evento.

«Temos como premissa nas Farmácias Holon participar e dinamizar ações que promovam a literacia em saúde e os cuidados de saúde. Enquanto farmacêuticos comunitários temos um papel fundamental no aconselhamento, na prevenção e no bem-estar dos nossos utentes. Neste Evento todos os participantes irão receber um aconselhamento farmacêutico especializado e vão poder realizar diversas avaliações de saúde”, explicou a Dra. Marta Teles, farmacêutica, Responsabilidade Social, Intervenção Comunitária.

 

Universidade de Coimbra
Chama-se H2OforAll e o grande objetivo deste ambicioso projeto internacional, liderado pela Universidade de Coimbra (UC), é...

Para alcançar os objetivos propostos, o projeto, liderado por Rui Martins, do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), conta com quatro milhões de euros atribuídos pela União Europeia (UE) no âmbito do programa Horizon Europe. O H2OforAll arranca no dia 1 de novembro e tem a duração de três anos. Além de Portugal, envolve investigadores e empresas da Alemanha, Bélgica, Chipre, Espanha, Israel, Países Baixos, Polónia, Reino Unido e Suécia.

Genericamente, as várias equipas do projeto vão desenvolver tecnologias vanguardistas de monitorização da qualidade da água de consumo doméstico, de proteção das fontes de água potável e de redução da quantidade de produtos de desinfeção nestas águas.

Tendo em conta os fenómenos severos provocados pelas alterações climáticas, como a seca extrema, e a contaminação provocada pela ação humana, a deterioração das fontes onde é captada a água que posteriormente vai chegar às nossas torneiras tende a agravar, o que exige maiores quantidades de desinfetantes para garantir a qualidade da água de consumo.

Esta realidade, explica Rui Martins, torna urgente o desenvolvimento de novos métodos e tecnologias que garantam, no presente e no futuro, «a segurança máxima da água de consumo. Ao ser necessário utilizar cada vez mais cloro na desinfeção de água potável, essencial para impedir doenças, uma das consequências é a geração dos chamados subprodutos de desinfeção (DBPs, na sigla inglesa), produtos químicos produzidos em resultado da reação entre os desinfetantes e os compostos orgânicos presentes na água de origem».

Esses subprodutos de desinfeção, se não forem identificados e controlados, «podem ser nocivos para a saúde humana e para os ecossistemas», sublinha o cientista da FCTUC. Um dos objetivos do projeto, avança, é justamente «prevenir a formação desses DBPs, utilizando processos de pré-tratamento da água que consigam remover compostos que lá se encontrem e que são promotores desses subprodutos de desinfeção. Por outro lado, pretendemos desenvolver estratégias alternativas de desinfeção inovadoras que não contenham químicos, utilizando, por exemplo, a radiação ultravioleta, porque ao retirar o cloro ou diminuir a quantidade de cloro a introduzir nas águas, reduzimos a possibilidade de formação de DBPs».

Ao nível da monitorização, o H2OforAll propõe desenvolver soluções tecnológicas que permitam controlar e acompanhar todo o percurso da água – desde a captação até à distribuição. No fundo, explica o líder do consórcio, «propomos encontrar mecanismos para monitorizar o que se passa, a cada momento, na rede. Para tal, vamos desenvolver sensores adequados para a monitorização da qualidade da água ao longo de todo o circuito e, a partir dos dados recolhidos em vários países, criar modelos capazes de prever o comportamento da água e dos DBPs ao longo das cadeias de distribuição, para, caso seja necessário, aplicar medidas corretivas atempadamente». Além disso, o projeto inclui também estudos de toxicidade dos subprodutos de desinfeção, essenciais para avaliar o impacto dos DBPs, quer a nível da saúde humana quer no equilíbrio dos ecossistemas.

Todas as soluções tecnológicas desenvolvidas no âmbito do projeto vão ser testadas numa instalação piloto criada pela empresa Adventech. Posteriormente, será realizado um caso de estudo em ambiente real na empresa municipal Águas de Coimbra, que é parceira no projeto. A escolha justifica-se pela «reconhecida qualidade da água da Águas de Coimbra, o que nos coloca grandes desafios, sobretudo ao nível de validação, ou seja, as tecnologias que desenvolvermos terão de ser altamente sensíveis», assinala Rui Martins.

No final do projeto, o consórcio vai ainda redigir um conjunto de recomendações técnicas de prevenção, para evitar a contaminação das fontes da água de consumo, e orientações que possam contribuir para a alteração de legislação europeia nesta matéria e de comportamentos a adotar pela população. Os investigadores acreditam que o H2OforAll terá um grande impacto, permitindo «remediar os problemas ambientais atuais e futuros, que vão ser cada vez mais graves pela escassez de água potável e devido a fenómenos climáticos extremos».

Na UC, o projeto envolve quatro centros de investigação: Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF), Centro de Química de Coimbra (CQC), Centre for Mechanical Engineering, Materials and Processes (CEMMPRE) e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra), numa plataforma de cooperação entre os investigadores Rui Martins, Luísa Durães, João Gomes, Igor Reva, Artur Valente, Paula Morais e Nuno Simões.

 

Grupo heterogéneo e raro de linfomas não Hodgkin
Podendo ter um impacto profundo na qualidade de vida de quem deles padece, os Linfomas Cutâneos são

Não se sabe ao certo o que está na sua origem, apenas de que se trata de um tipo de Linfoma raro, que se estima que afete 1 a 9 pessoas por 100.000 habitantes, sendo mais prevalente entre o sexo masculino. “De uma forma global, a incidência dos linfomas cutâneos aumenta com a idade. A idade média de apresentação é de aproximadamente 50 anos e, na maioria dos casos, o diagnóstico é feito entre os 40 e 60 anos. No entanto, a doença também pode afetar os mais jovens e os mais idosos”, explica Iolanda Fernandes, Dermatologista no Centro Hospitalar Universitário do Porto.

Estes tumores podem ser classificados, consoante a célula que lhe dá origem, em linfomas cutâneos primários de células T – o que acontece na maioria dos casos, em 75% de todos os diagnósticos -, ou em linfomas cutâneos primários de células B (25% dos casos).

De entre os tipos de Linfomas Cutâneos mais diagnosticados, encontram-se a Micose Fungoide e a Síndrome de Sezáry, ambos um subtipo de LCCT.

“Globalmente”, explica a dermatologista, os Linfomas cutâneos “apresentam grande variabilidade clínica, podendo observar-se eritrodermia, máculas, pápulas, placas, nódulos e/ou tumores, que podem ulcerar ao longo do tempo”. A Micose Fungoide, por exemplo, caracteriza-se pela presença de placas eritematosas que evoluem para lesões ulceradas, tumores em toda a pele ou ainda infiltração de medula óssea em estágios avançados. Inicialmente, estas lesões possuem um caráter genérico, similares às dermatoses inflamatórias, e acometem a pele em áreas não expostas ao sol, como cintura pélvica, nádegas, tronco inferior, virilhas, axilas e mamas. Mais tarde, tornam-se infiltrativas.

Já a Síndrome de Sezáry caracteriza-se pela forma eritrodérmica da Micose Fungoide e por afetar o sangue com células T neoplásicas. Esta, nos seus estágios iniciais pode apresentar lesões de pele indistinguíveis de outras doenças dermatológicas, como é o caso da psoríase, por exemplo, cuja eritrodermia tem uma origem inflamatória.

De acordo com a dermatologista do Centro Hospitalar Universitário do Porto, Iolanda Fernandes, “dada a grande variabilidade clínica, existem várias dermatoses com as quais os linfomas cutâneos primários poderão facilmente ser confundidos, incluindo eczemas, psoríase, toxidermias, lúpus, sarcoidose, outros tipos de tumores cutâneos, entre outras, é fundamental a observação por médicos que estejam devidamente familiarizados com estas doenças, nomeadamente por dermatologistas”, alerta, referindo que habitualmente o seu diagnóstico leva em média, entre quatro a seis anos.

Armando Magalhães, atualmente com 68 anos, recebeu o diagnóstico de Micose Fungoide em 2008, mas esteve anos a ser tratado para aquilo que pensava ser uma foliculite.

“Eu era enfermeiro na Força Aérea e estava, na altura em que começaram a aparecer os primeiros sintomas da doença, destacado nos Açores, onde fazia evacuações”, começa por contar recordando que lhe apareciam pequenos nódulos ou tumefações nas coxas e nas nádegas que julgou deverem-se a pelos encravados.

Armando diz que levou dois anos a procurar um médico para avaliar a situação. “Procurei um médico da Força Aérea que não ligou muito àquilo e que me disse que tinha de tomar antibiótico”, recorda adiantando que os tais nódulos acabavam por rebentar e surgir novamente em outro local.

Mais tarde, e já viver no norte do país, consultou uma médica que o aconselhou a ir a uma colega no Centro Hospitalar Universitário do Porto. Lá realizou análises “mais orientadas” e uma biópsia de pele que concluiu o diagnóstico: Micose Fungoide. Seguido, na altura, pela especialista em Imunoterapia e fundadora da Consulta Multidisciplinar de Linfomas Cutâneos e Mastocitoses (CMLC), Margarida Lima, deu início ao tratamento com radioterapia, que considera ter sido muito “soft” – “duas posições por dia, um minuto cada”, até que foi possível retardar o aparecimento de novos nódulos.

“A doença estagnou desde que dei início ao tratamento”, afirma confirmando que agora só faz medicação oral – “comecei com oito comprimidos diários, depois passei para seis. Agora só tomo quatro”.

Recorda que na altura, não reagiu muito bem ao diagnóstico, mas diz, “nunca estive preocupado com o prognóstico”.

“Já tinha ouvido falar em muitos tipos de linfoma, até porque trabalhei em oncologia, mas não em Linfomas Cutâneos”, admite.

“No geral, as pessoas, como eu, desconhecem esta doença. Quanto aos médicos, apesar de tudo e como lido com médicos de uma consulta especializada não sei se os restantes sabem que doença é esta”, diz admitindo, no entanto, que passou anos a fazer o tratamento errado.

Com o objetivo de manter a qualidade de vida, o tratamento é vigiado de perto pela consulta do Centro Hospitalar Universitário do Porto. “Sempre que vou ao hospital faço análises. Comecei a ir à consulta de três em três meses, agora vou de quatro em quatro”, conta adiantando que a medicação que toma “é sempre adaptada à evolução da doença”.

Pele vermelha, escamação e comichão: Síndrome de Sezáry  

José Meira, tinha 43 anos quando começou a reparar que tinha a pele muito vermelha. “Fui à minha médica de família que suspeitou de uma alergia. Acabou por me mandar fazer análises”, começa por contar o bancário. Seguiram-se duas consultas em dois dermatologistas diferentes, até que o último achou “estranho” e pediu uma biópsia à pele. Chegado o resultado, o médico falou-lhe de várias possibilidades de diagnóstico e encaminhou-o para a Consulta Multidisciplinar de Linfomas Cutâneos e Mastocitoses (CMLC) do CHUP.

“Eu já ia com uma ideia do que seria. Fiz uma pesquisa muito vaga, até porque há muito desinformação na internet. Optei por tirar todas as dúvidas com a médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto”, recorda revelando que em poucos dias foi encaminhado para o IPO do Porto para realizar o tratamento indicado para a Síndrome de Sezáry.  “Ou seja, desde abril do ano passado, que estou a ser tratado com o objetivo de melhorar a minha qualidade de vida, retardando a progressão da doença”, afirma adiantando que a sua doença é caracterizada por ciclos. “Atualmente, estou numa fase pior e faço tratamento todas as semanas”.

José conta que tem muita escamação e muita comichão. Embora, os sintomas sejam mais visíveis no rosto, a doença manifesta-se no corpo todo. “As pessoas costumavam perguntar se eu andava a fazer solário, mas isso nem me incomodava”, afiança.

Admite que embora “nunca seja bom receber um diagnóstico destes, até porque nós pensamos que não nos vai acontecer nada”, faz a sua vida normal. “Não deixo que esta patologia interfira no dia a dia”, afirma. “Sei que tenho de fazer os tratamentos certinhos para que a doença não evolua”, e fora isso, ter alguns cuidados, nomeadamente, não apanhar sol. “Adoro fazer praia e foi uma das coisas que tive de abdicar”, revela explicando que todos os dias usa um protetor solar mineral com fator 50. Por outro lado, como uma das complicações da doença é as lesões puderem ulcerar, faz a aplicação diária de creme hidratante “para a pele não secar”.

“Como não é um tumor muito usual”, pensa que há menos conhecimento geral sobre a patologia. “A palavra tumor ou linfoma assusta, mas o conselho que eu dou é que não se assustem com o diagnóstico”, diz. “Eu encarei a doença como algo passageiro. Se encarramos as coisas de mente aberta é mais fácil!”, aconselha.  

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Modalidades presencial e à distância
Estão abertas as inscrições para os Cursos Pós-Graduados de 'Introdução à Epidemiologia', 'Introdução à...

Estes cursos realizam-se nas modalidades presencial e à distância (em tempo real), de acordo com a preferência do aluno, de modo a proporcionar uma maior flexibilidade aos participantes. As aulas à distância serão participadas por videoconferência e também vídeogravadas, sendo posteriormente acessíveis aos participantes.

Os Cursos Pós-Graduados que agora se divulgam têm como finalidade principal construir competências transversais e capacitar todos os profissionais de saúde e a investigadores que pretendam aprofundar conceitos-chave em Epidemiologia, Bioestatistica e Investigação, bem como desenvolver a capacidade crítica na análise de estudos de investigação clínica e epidemiológica.

Para mais informações consulte a página oficial da UEPID.

 

Balanço
– O Programa abem: chegou a novas regiões do país e apoiou mais 1.310 pessoas que, assim, passaram a poder aceder com a...

O Programa abem: é um projeto inovador, dinamizado pela Associação Dignitude, que apoia as pessoas mais carenciadas no acesso aos medicamentos prescritos e comparticipados pelo Estado Português. Esta ajuda só é possível devido à rede colaborativa abem:, que conta atualmente com 202 entidades parceiras locais, mais de 1.100 farmácias e dezenas de empresas doadoras e cidadãos solidários que, juntos, já ajudaram 30.242 pessoas vulneráveis.

Filipe Almeida, Presidente da Iniciativa Portugal Inovação Social, destaca “o Programa abem: é um belíssimo exemplo de inovação social porque veio dar resposta a um problema social para o qual ainda não existia uma solução consistente, justa e eficaz. E é demonstração de que a justiça distributiva não está só na mão do Estado, está igualmente na poderosíssima mão provocadora da sociedade civil organizada que, neste caso, encontrou uma solução na interseção da Saúde com a proteção e a inclusão social, um lugar frequentemente esquecido, mas de paragem obrigatória, onde se podem salvar muitas vidas. Além do impacto direto na vida dos beneficiários deste Programa, o abem: também alerta consciências, promove a cidadania participativa, reforça laços intracomunitários e desperta a humanidade que em cada um de nós pode ser a salvação de todos. Um exemplo de inovação e uma inspiração de humanidade. Aconteceu assim no resto do país. E acontece também assim no Algarve!”

As entidades parceiras locais (Autarquias, Cáritas, Misericórdias e IPSS) são responsáveis pela referenciação das famílias em situação de carência socioeconómica. Cada beneficiário referenciado recebe um cartão abem: e pode deslocar-se a qualquer farmácia abem: do país e aceder, sem qualquer custo e total descrição, aos medicamentos sujeitos a receita médica e comparticipados pelo Estado Português. Atualmente, o abem: já está presente em todos os distritos e regiões autónomas.

O Programa abem: é uma iniciativa que continua a ser apoiada pela Portugal Inovação Social, através de Fundos da União Europeia, através do Programa Operacional Regional de Lisboa (Lisboa 2020) e do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE).

 

 

 

XIX Jornadas de Senologia
Nos próximos dias 28 e 29 de outubro, a Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) realiza as XIX Jornadas de Senologia, no Centro...

De acordo com José Carlos Marques, Presidente da SPS, “trata-se de uma percentagem bastante representativa de novos casos diagnosticados de cancro da mama em Portugal, que coincide precisamente com os grupos de idades que, muitas vezes, estão fora do âmbito dos programas nacionais de rastreio”.

Estas Jornadas serão compostas por oito sessões multidisciplinares, três simpósios e três Meet the Expert, durante as quais serão debatidas várias questões na área da patologia mamária, nas faixas etárias abaixo dos 40 e acima dos 70 anos, desde o diagnóstico ao tratamento, passando pela investigação.

Evolução do cancro da mama em idades extremas; Mudar mentalidades para diminuir incidência; Cancro hereditário - a idade conta?; Desafios e oportunidades no diagnóstico precoce e Tratamento individualizado na jovem: o que pode ser diferente? são as sessões que marcam o primeiro dia das jornadas.

Já no segundo dia, estarão em foco temas como Tratamento de acordo com a avaliação geriátrica - discussão multidisciplinar baseada em casos clínicos; Suporte e (re)habilitação dos sobreviventes e Cancro da mama em Portugal, indicadores de qualidade.

Durante as Jornadas de Senologia serão apresentados trabalhos científicos originais e inovadores, culminando na distinção dos melhores, na cerimónia de encerramento.

O programa completo está disponível em www.jornadassenologia.pt.

 

 

Dia Nacional da Luta Contra a Dor – 21 outubro
Quando se pergunta a qualquer grupo de pessoas, independentemente da idade, sexo ou condição social,

Ironia do destino, a dor pode ser simultaneamente um dos mecanismos mais importantes na preservação do nosso organismo e, quando no contexto de uma doença crónica, um dos maiores fatores de sofrimento e consequente perda de qualidade de vida. De facto, frequentemente a dor ultrapassa a condição de sintoma e torna-se ela própria a doença, autónoma e dominadora.

É por tudo isto que se torna impossível abordar a dor como um fenómeno específico, suscetível de se definir de forma simples, de se enquadrar numa classificação linear.

Existem atualmente várias classes farmacológicas disponíveis para o controlo da dor. São dezenas de fármacos, cada um com a sua indicação ou peculiaridade e ainda assim a dor enquanto sintoma é frequentemente mal compreendida e até mal-aceite pelos próprios clínicos. Talvez porque seja um sintoma pelo qual mais tarde ou mais cedo todos passamos ou do qual temos memória em alguém próximo ou ainda porque não o podendo confirmar ou quantificar preferimos desvalorizar.

E os exemplos repetem-se todos os dias. Confesso que em quase 30 anos de atividade médica ainda me surpreende a leviandade com que frequentemente dizemos “esse tipo de lesão não pode doer tanto!” ou “essa dor é porque está deprimido!” como se a intensidade da dor dependesse daquilo que nós achamos adequado, como se na ausência de uma evidência anatómica a dor sentida fosse menos importante. E o que me parece ainda mais grave é que tendo consciência de tudo isto, também eu próprio me ouço a repetir este tipo de sentenças.

É verdade que temos agora consultas de dor com a capacidade de atuar a um nível muito mais elaborado, mas a consciencialização de que a dor tem um carácter social que vai muito além do sintoma ou doença médica ainda está longe de acontecer e mais distante ainda está a capacidade de promover mudanças significativas na prática clínica e na compreensão destes doentes.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Prémio de 20 mil euros
O projeto «Estudo do papel neuronal sobre a interação entre as células NK e o mieloma múltiplo (NeuriMM)», liderado pela...

O prémio, no valor de 20 mil euros, permitirá, durante um ano, desvendar, numa primeira fase, «a arquitetura e distribuição das fibras neuronais na medula óssea (MO) dos doentes com mieloma múltiplo (MM)» e, numa segunda fase, «determinar a proliferação de células MM e os resultados de sobrevivência após modulação de células com neurotransmissores e neuropeptídeos presentes no microambiente da MO, utilizando ensaios avançados in vitro».

«Em conjunto, estas abordagens trarão novos conhecimentos sobre como a inervação neuronal muda nos doentes com MM e como estes sinais controlam a progressão da doença, tanto direta como indiretamente através das células imunitárias, abrindo caminho para a conceção de novas estratégias terapêuticas para o MM», salienta Cristina João, responsável por uma equipa constituída por mais nove investigadores da Fundação Champalimaud.

«As evidências sugerem que as interações neurónio-MM e neurónio-NK controlam o desenvolvimento e a progressão do MM. No entanto, falta uma compreensão detalhada destes circuitos periféricos, o que dificulta o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Como tal, este estudo pode ser decisivo nessa compreensão e com futura aplicação no tratamento do MM. Parabéns aos vencedores, vamos ficar à espera dos seus preciosos contributos», realça Maria Gomes da Silva, vice-presidente da SPH.

«Os resultados deste estudo poderão ser uma importante peça do puzzle que falta para compreender melhor o comportamento do MM. Aguardamos com todo o interesse os seus resultados, sabendo desde já que a equipa da Fundação Champalimaud irá trabalhar com todo o profissionalismo e paixão neste projeto de investigação», sublinha Manuel Abecasis, presidente da APCL.

«Foi com enorme satisfação que recebemos a notícia do trabalho vencedor desta 4.ª Edição da Bolsa de Investigação em Mieloma Múltiplo. É para nós um orgulho fazer parte deste percurso, em conjunto com a APCL e com a SPH, no qual se procura o caminho para descobrir e desenhar novas abordagens terapêuticas», conclui Tiago Amieiro, diretor-geral da Amgen Biofarmacêutica.

O Mieloma Múltiplo é a segunda neoplasia hematológica mais frequente com cerca de 539 novos casos por ano. Esta patologia tem uma grande incidência a partir dos 50 anos e apresenta sintomas muito inespecíficos, que são desvalorizados ou confundidos com outras doenças mais comuns. A Bolsa de Investigação em Mieloma Múltiplo tem como objetivo promover e premiar projetos de investigação nacional que contribuam para o progresso do conhecimento científico e estado da arte numa doença hemato-oncológica rara, sem cura até ao momento.

“Contraceção sem Tabus”: Campanha nacional promove uso correto de métodos contracetivos
Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), intitulado “O Estado da População Mundial 2022”, cerca de 50% das...

“A maioria das mulheres e casais que tenciona evitar uma gravidez não utiliza os métodos contracetivos mais adequados e seguros. Isso deve-se, muitas vezes, à falta de informação, e é nesse sentido que nós, farmacêuticos, somos chamados a intervir. Enquanto profissionais de saúde, sensibilizamos os utentes, incluindo as camadas mais jovens, para esta problemática, educando e apresentando soluções.

Os farmacêuticos são agentes de saúde pública e os profissionais a quem as pessoas recorrem primeiramente quando têm um problema de saúde ou dúvidas com os seus medicamentos. Também na área da contraceção, as mulheres recorrem às farmácias em situações de sexo desprotegido, por isso assumimos um papel preponderante na área da educação sexual”, explica Ana Sofia Ramos, farmacêutica e responsável por esta campanha nas Farmácias Holon.

A Campanha “Contraceção sem Tabus” tem também uma forte componente educativa dirigida aos jovens adolescentes nas escolas secundárias, tendo em vista a melhoria da saúde sexual e reprodutiva dos jovens, contribuindo quer com a difusão de informação baseada em evidência, quer com o aconselhamento/monitorização da correta utilização dos métodos contracetivos.

“Os adolescentes, por não estarem informados, estão mais predispostos a apreender e disseminar informações inadequadas e preconceitos que, somados à negação do risco de engravidar devido a um pensamento “mágico” característico da adolescência e da sua imaturidade psicoemocional, contribuem para que as experiências sexuais possam vir a ter riscos acrescidos, tanto a nível pessoal, como de Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) e problemas na gravidez.

A precariedade dos conhecimentos sobre sexualidade, associada à precocidade do início da atividade sexual cada vez mais frequente, ao maior número de parceiros, à desresponsabilização e ao uso inadequado e negligência no uso de contraceção, ligada ainda à ausência de consultas de planeamento familiar, contribuem para um maior risco de gravidez na adolescência”, conclui a Ana Sofia Ramos.

Esta campanha tem como objetivo mostrar que a escolha do método contracetivo mais adequado para cada adolescente, mulher ou casal depende das suas preferências e estilo de vida, mas que é imperativo o aconselhamento e a recomendação médica, para que seja o mais adequado possível a cada condição clínica. O farmacêutico, enquanto profissional de proximidade, poderá esclarecer todas as dúvidas relacionadas com a utilização dos métodos no momento da dispensa, a nível de segurança, eficácia, efeitos secundários ou reversibilidade de cada um.

A Campanha é promovida pelas Farmácias Holon, em parceria com a Organon Portugal.

Consulte o calendário das ações da Campanha em: https://www.farmaciasholon.pt/

Fundação José Neves lança guia
A valorização da saúde mental e bem-estar dos trabalhadores é fundamental para a criação de um ambiente de trabalho saudável....

Carlos Oliveira, Presidente Executivo da Fundação José Neves, refere que “torna-se imperativo que as empresas não só apostem cada vez mais no bem-estar e saúde mental dos trabalhadores, mas que também percebam que o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional só traz benefícios: na produtividade, no ambiente de trabalho e nos índices de satisfação gerais dos trabalhadores. Metade das 16h disponíveis do dia são passadas no local de trabalho, pelo que é extremamente importante investir em saúde mental e em práticas que se traduzam numa melhoria das condições no local de trabalho. Este Guia contempla várias estratégias para sensibilizar gestores e decisores para fomentar um ambiente de trabalho mais saudável a todos os níveis.”

A falta de saúde mental no trabalho surge devido a várias fontes de risco como o stress, a falta de identificação com o papel que se executa ou na relação com os colegas. As empresas que investem na saúde mental dos seus trabalhadores poderão ter um retorno económico de 9x, através do aumento de produtividade ou menor rotatividade entre trabalhadores.

Dados do novo Guia revelam que 1,39 milhões de portugueses em idade ativa sofrem de doença mental e que Portugal é o 4º país europeu onde se trabalham mais horas por semana (cerca de 41,7 horas semanais em comparação com as 40,9 horas semanas da média europeia). Os trabalhadores apresentam cada vez mais dificuldade em encontrar o equilíbrio entre a vida profissional e outras esferas da sua vida, e ainda se estima que 298 horas de trabalho por ano – o equivalente a 12 dias - não apresentam os níveis de produtividade adequados.

Uma conclusão importante é a de que cerca de 70% das pessoas com problemas de saúde mental recuperam totalmente nas empresas que reconhecem os sinais da falta de saúde mental, valorizam-nos e tomam medidas para contribuir para a sua melhoria.

Na Europa, por ano, a falta de saúde mental corresponde ainda a gastos na ordem dos 240 mil milhões de euros, dos quais 136 milhões se devem a perdas de produtividade e 104 mil milhões a despesas associadas à falta de saúde mental.

Comparado com a média europeia, situada nos 34,6%, apenas 18,2% das empresas portuguesas têm planos de ação para combater o stress laboral, 42,8% das empresas portuguesas apresentam estratégias para lidar com possíveis casos de ameaças, insultos ou agressões (em comparação com 52,6% da média europeia) e 41,6% apresentam estratégias para lidar com possíveis casos de bullying ou assédio (em comparação com 46,3% da média europeia).

Segundo a OMS, existem quatro fatores que se traduzem num ambiente de trabalho mais saudável, nomeadamente o ambiente físico, psicossocial – que engloba atitudes, valores e práticas quotidianas empresariais -, recursos de saúde e o envolvimento da empresa na comunidade. Se não forem reconhecidos nas empresas, os problemas de saúde mental derivados da falta destes fatores poderão traduzir-se em perdas de cerca de meio milhão de euros por ano por trabalhador devido às taxas de absentismo/presentismo, custos de contratação para colmatar as falhas de produtividade e outras despesas relacionadas com cuidados de saúde.

Existem várias práticas que podem ajudar a mitigar os problemas de saúde mental e bem-estar no local de trabalho, nomeadamente:

  • Criar locais de descanso e lazer para os trabalhadores usufruírem durante as pausas;
  • Permitir intervalos de 5 a 15 minutos durante o dia de trabalho;
  • Oferecer 20 minutos de ginástica laboral;
  • Fomentar a escuta ativa;
  • Oferecer psicoterapia, meditação ou outras formas de promoção de saúde mental;
  • Realizar reuniões mais individualizadas e pontos de situação frequentes para a equipa ou trabalhadores específicos.

O guia refere ainda vários casos de sucesso que podem inspirar e motivar o processo de mudança para um ambiente de trabalho mais saudável, nomeadamente da Accenture, BIAL, EDP, Farfetch, GALP e REN. Práticas como a disponibilização de serviços de medicina, psicologia, nutrição, aulas de yoga, sessões de meditação, ações de informação, adoção do modelo de trabalho híbrido ou linhas de apoio psicológico são disponibilizadas pelas várias empresas de forma a promover a saúde mental.

Destaque ainda para o programa de desenvolvimento pessoal da FJN, a App 29k FJN, que disponibiliza exercícios, meditações e grupos de partilha que promovem competências de desenvolvimento pessoal. A aplicação está disponível para iOS e Android e pode ser descarregada também no link https://joseneves.org/pt/29-k-fjn, onde consta informação sobre esta ferramenta.

Entrevista | Dr. Ciro Oliveira
Dados divulgados em 2021, revelam que, em Portugal, 48 mil pessoas sofrem de esquizofrenia, dos quai

Estima-se que a Esquizofrenia afete 1% da população mundial e, embora esta patologia não seja tão comum como outras perturbações mentais, os sintomas podem ser muito incapacitantes. Neste sentido, começo por lhe perguntar em que consiste e quais os principais sintomas?

A esquizofrenia é uma doença médica do foro da Psiquiatria que é crónica e que provoca alterações a nível cerebral que afetam múltiplas áreas: pensamento, perceção, afetos, cognição e comportamento global. Tem, por isso, um elevado impacto na pessoa que está doente, na sua família e na sociedade.

Caracteriza-se, entre outros sintomas, pela presença de sintomas positivos (também chamados, sintomas psicóticos), isto é, sintomas que não são reais, mas nos quais a pessoa acredita intensamente; e sintomas negativos, isto é, sintomas ligados aos afetos e à capacidade de interagir com os outros.

Os sintomas mais típicos são os delírios, que são ideias falsas nas quais a pessoa doente acredita com total convicção, mas que não são partilhadas pelos demais (por exemplo, achar que os vizinhos montaram um sistema de câmaras e microfones para o vigiar); e as alucinações, isto a sensação de estarem presentes vozes que só a pessoa doente consegue ouvir (por exemplo, achar que terceiras pessoas, não presentes, falam entre si, comentando o seu comportamento, ou que se dirigem a si diretamente). As alucinações, ainda que menos frequentes do que as auditivas, podem também ser olfativas, táteis e visuais.

Tipicamente, se estiverem presentes delírios e alucinações, tais alterações farão com que a pessoa doente passe a apresentar um pensamento desorganizado, nem sempre fácil de acompanhar, e também um comportamento desorganizado que, por regra, é globalmente congruente com aquilo em que a pessoa doente crê estar a acontecer.

Além dos sintomas positivos, mais exuberantes e visíveis para os outros, estão presentes sintomas negativos que são uma parte muito revelante da morbilidade desta doença. Os mais comuns são a diminuição da expressão emocional (menor reação às coisas; expressão facial e gestual empobrecidas; menor contacto olhos nos olhos) e a avolia, ou seja, a diminuição da iniciativa para se envolver em atividades.

Qual a sua prevalência e quais as faixas etárias mais acometidas por este transtorno? A partir de que idade pode ser diagnosticada?

Estima-se que a prevalência ao longo da vida da Esquizofrenia seja de aproximadamente 0,3-0,7%, variando de acordo com os estudos, sendo a prevalência semelhante a nível mundial. Pode estar aumentada em alguns grupos como, por exemplo, entre migrantes e refugiados, mas também depender do estatuto socioeconómico (mais comummente mais baixo) ou de viver em meio urbano. Afeta ambos os sexos, sendo a sua distribuição semelhantes entre os sexos, muito embora alguns estudos revelem rácios mais elevados no sexo masculino, sobretudo em apresentações com maior proeminência de sintomas negativos e maior duração da doença. O início da doença ocorre, habitualmente, de forma mais precoce no sexo masculino, entre o final da adolescência e o início da idade adulta (isto é, entre os 18 e os 25 anos); já no sexo feminino, o início é um pouco mais tardio (no final da segunda década de vida) e tem um outro pico de incidência pelos 40 anos de idade.

Sabendo que existem alguns sintomas precoces associados a esta perturbação, quais os sinais de alerta?

A apresentação da doença pode ser ou insidiosa ou mais súbita e, por ter uma apresentação bastante heterogénea, é difícil definir que sinais são mais reveladores da possibilidade de estar doente. Ainda assim, devemos ter atenção a alterações como a diminuição progressiva do envolvimento social nos jovens (muitas vezes as famílias pensam ser uma fase da vida, um período depressivo por uma qualquer razão circunstancial, um momento de dificuldades de integração académica), muitas vezes acompanhado de uma deterioração do desempenho escolar ou académico, assim como da qualidade dos relacionamentos interpessoais (maior dificuldade em manter amizades, ou afastamento; ausência de relações amorosas); a verbalização de ideias estranhas (como ideias persecutórias, ideias místicas) e a presença de comportamentos desadequados ou pouco compreensíveis (frequentemente com alguma ligação às ideias verbalizadas); alguns sintomas que aparentam quadros depressivos, como a diminuição do envolvimento em atividades ou diminuição do prazer em atividades de que anteriormente gostava, ou ainda a diminuição com os cuidados de higiene e de alimentação.

Sei que existem diferentes tipos de esquizofrenia. Que tipo são estes e como se caracterizam? Qual ou quais são as formas mais graves da doença?

Atualmente, os sistemas de classificação mais usados (DSM-5-TR e CID-11) já não distinguem diferentes subtipos de Esquizofrenia. Contudo, classicamente, a Esquizofrenia era dividida em vários subtipos. A saber: a esquizofrenia paranoide é, de longe, a mais comum e caracteriza-se pela presença de ideias persecutórias, por regra bem sistematizadas, e alucinações auditivas; a esquizofrenia hebefrénica ou desorganizada é caracterizada por um pensamento desorganizado que se acompanhada de um discurso incoerente e difícil de acompanhar, assim como por uma interação social desadequada; a Esquizofrenia catatónica é, nos dias de hoje, pouco frequente, predominando alterações da psicomotricidade como, por exemplo, agitação, mutismo, negativismo e estereotipias; a esquizofrenia indiferenciada é um subtipo que se atribui às pessoas que, cumprindo critérios para Esquizofrenia, não se enquadram em qualquer um dos subtipos anteriores; e, por fim, a Esquizofrenia residual é um subtipo que corresponde à fase crónica da doença, predominando os sintomas negativos e, consequentemente, uma disfuncionalidade global.

Quais os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento desta perturbação?

Não existe uma causa definida para o desenvolvimento de Esquizofrenia, conquanto se saiba que a sua manifestação depende de múltiplos fatores, nomeadamente contributos genéticos (não existindo, ainda assim, alterações específicas que determinem a sua manifestação), alterações do neurodesenvolvimento e diversos fatores do meio (por exemplo, gravidez ou parto complicado, traumatismo craniano e, muito importantemente, o uso de substância como a canábis e os alucinogénios).

Sem cura, para que está indicado o tratamento e em que consiste?

O tratamento farmacológico é absolutamente fundamental para todas as pessoas diagnosticadas com Esquizofrenia. Atualmente, os fármacos existentes atuam ao nível da Dopamina — um neurotransmissor cujo funcionamento está alterado —, permitindo a sua regulação e, assim, a diminuição dos sintomas positivos. É advogado que o tratamento seja instituído o mais precocemente possível e a sua utilização é, à partida, crónica. Podem usar-se fármacos de administração oral (isto é, comprimidos) ou, por terem muitos benefícios aos níveis da adesão ao tratamento, tolerabilidade, diminuição das recaídas, melhor qualidade de vida e menores custos associados à doença, fármacos de administração injetável que pode ser, dependendo da molécula usada, quinzenal, mensal, bimensal, trimestral ou até semestral.

Qual o papel da terapia no tratamento da esquizofrenia?

Idealmente, o tratamento da Esquizofrenia implica uma equipa multidisciplinar que integre, entre outros profissionais, médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Os psicólogos são fundamentais, por exemplo, para trabalhar a crítica para a doença, a adesão ao tratamento, diminuir o estigma da doença e fazer psicoeducação quer junto da pessoa doente, quer da sua família. Também os terapeutas ocupacionais são essenciais para a promoção da autonomia dos doentes em múltiplas áreas do quotidiano.

De que modo a doença condiciona o dia-a-dia do doente? É possível manter uma rotina profissional?

A Esquizofrenia é uma doença crónica, pelo que não tem cura, mas tem tratamento. Deve, por isso, ser tratada o mais precocemente possível, por forma a tentar garantir que a pessoa mantém a melhor funcionalidade possível, uma vez que, dependendo do número de episódios e do tempo de doença não tratada, pode condicionar diversas limitações com impacto na cognição e nas capacidades ocupacionais e sociais, como, por exemplo, a manutenção de um trabalho ou de relações sociais e familiares satisfatórias. A forma como a doença vai impactar na pessoa depende depois de vários fatores como a resposta ao tratamento, a adesão ao plano de tratamento, a ausência de consumo de substâncias e os meios a que a pessoa tenha acesso que possam permitir mitigar eventuais défices que a doença possa condicionar. Felizmente, a existência de fármacos eficazes e bem tolerados permite, nos dias de hoje, que a pessoa tenha um melhor desempenho e uma importantíssima redução do impacto que a doença por si só condiciona, pelo que é hoje muito comum vermos estas pessoas a ter uma vida plena e pouco, ou relativamente pouco limitada, pela doença.

Em termos sociais, quais as principais dificuldades / barreiras que se apresentam a estes doentes? Estes podem ter uma vida ativa e “funcional”?

Socialmente, a principal barreira que estas pessoas enfrentam é o estigma associado à doença, uma vez que a sociedade ainda perpetua muitos preconceitos relativamente à doença. Evidentemente, a doença, nomeadamente em períodos de descompensação ou de maior cronicidade, pode gerar na pessoa doente um discurso mais difícil de compreender ou mesmo a verbalização de ideias estranhas que causam perplexidade nos outros, o que contribuiu para um certo afastamento dos outros, uma vez que a nossa tendência geral é para não tolerar o que foge daquilo que consideramos ser normal. Da mesma forma, a doença pode condicionar na pessoa uma maior dificuldade na expressão de emoções e de sentimentos, o que também pode diminuir a sua capacidade de interagir com os outros e de ter iniciativa. Tudo isto pode condicionar disfuncionalidade laboral e períodos de inatividade. Contudo, quando devidamente tratadas, estas pessoas podem manter uma vida ativa e funcional quer aos níveis pessoal, familiar e social, quer ao nível laboral.

Qual o seu peso para as famílias? E para a sociedade?

A doença tem um peso elevado no microcosmo das famílias que têm maior dificuldade em lidar com o estigma associado à doença ou uma menor compreensão da doença, daí que a psicoeducação e a integração das famílias seja essencial ao sucesso terapêutico e a um melhor desempenho da pessoa doente. A família é, inquestionavelmente, essencial a um bom funcionamento da pessoa doente, podendo contribuir de forma decisiva para a adesão aos diversos aspetos do plano terapêutico e para a integração familiar e social. Já na sociedade, ou seja, no macrocosmo, o estigma associado à Esquizofrenia é muito elevado, sobretudo por desconhecimento ou ignorância. Assim, devem existir campanhas de sensibilização e de informação sobre o que é a Esquizofrenia, o que creio que permitirá diminuir o estigma, identificar e tratar casos mais precocemente (diminuindo a morbilidade) e ajudar a promover alterações sociais e/ou legislativas que ajudem a uma melhor integração social destas pessoas. Tal permitirá, igualmente, reduzir o impacto social direto da doença, desde logo a nível económico, com uma clara redução de custos.

Por que motivo esta é uma doença tão estigmatizante? Que mitos existem associados? E o que pode ser feito para mudar esta realidade?

A doença é muito estigmatizante porque, desde logo, não havia qualquer tratamento eficaz até aos anos 50 do século XX. Isso fazia com que a doença evoluísse de forma crónica, o que se traduzia numa muito marcada incapacidade de funcionamento das pessoas acometidas pela doença. Tal ajudou a criar as ideias erradas de que estas pessoas são perigosas, agressivas e incapazes, pelo que havia (e ainda há!) a ideia de que o diagnóstico era uma sentença de incapacidade permanente, o que levava à exclusão dessas pessoas. Os asilos psiquiátricos eram, assim, «depósitos» destas pessoas em cuja doença ia evoluindo até fases muito incapacitantes. Dada a ausência de tratamento, estas ideias populares foram perpetuadas durante séculos, pelo que nos cabe agora, com os avanços científicos e com os psicofármacos, melhorar a qualidade de vida das pessoas doentes e assim, juntamente com campanhas informativas para a população geral e sensibilizando a classe política acerca das necessidades destas pessoas, contribuirmos todos para que se derrubem barreias e mitos e se olhe para esta doença como outra qualquer doença crónica grave.

No âmbito do dia Mundial da Saúde Mental, que se assinalou no início deste mês, que mensagem gostaria de deixar?

A saúde mental é essencial ao nosso bem-estar. Saúde mental consegue-se arranjando tempo para descansar, ter férias, fazer exercício, para nos alimentarmos corretamente e nos relacionarmos com os outros, para fazer atividades que nos deem prazer e, obviamente, também para trabalhar porque, desde logo, é a nossa forma de nos sustentarmos financeiramente e uma fonte de realização pessoal muito importante. Tudo isso irá ajudar-nos a evitar alguns fatores que nos podem levar a ficar doentes, preservando a saúde mental.

No caso de ficarmos doentes e de a doença ser mental, devemos saber que a doença mental é uma doença também do corpo, porque não há mente sem corpo. Somos um só organismo. Por isso, quem tem doença mental, não é fraco, não tem falta de caráter, não é preguiçoso ou esquisito, nem tem falta de vontade, não é defeituoso. O que tem é uma doença. E quem tem uma doença, o que procura? Ajuda e, quando necessário, tratamento. Logo, ter uma doença mental é como ter uma diabetes, uma doença da pele ou um pé partido. Assim, se acharmos que não estamos bem do ponto de vista mental, não descuremos o problema ou achemos que conseguimos dar a volta sozinhos. Procuremos ajuda profissional junto do médico de família, do enfermeiro do centro de saúde, do psicólogo, do psiquiatra, ou junto de um qualquer profissional de saúde.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Dia Mundial de Combate ao Bullying
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) lança, a propósito do Dia Mundial de Combate ao Bullying, que se assinala a 20 outubro...

O documento começa por explicar que bullying é “qualquer comportamento, exercido por um indivíduo ou grupo, com intenção de controlar, prejudicar ou magoar alguém, física ou psicologicamente” e que se distingue de outras discussões, desentendimentos, actos isolados de agressão/desrespeito/intimidação ou outros conflitos entre pares pela intencionalidade, pela repetição e pelo desequilíbrio de poder ou de força.

Os vários tipos de bullying incluem:

  • Bullying físico: bater, arranhar, cuspir, roubar, empurrar, partir objectos; bullying de cariz sexual (por exemplo, acariciar, tocar contra a vontade do próprio).
  • Bullying verbal: insultar, ameaçar, ofender, provocar, gozar, chamar nomes, usar alcunhas depreciativas, etc.
  • Bullying socio-emocional: espalhar boatos ou difamar alguém, isolar socialmente alguém (às vezes referido como “cancelamento”), excluir alguém de um grupo, fazer com que alguém se sinta rejeitado, etc.
  • Cyberbullying: Utilizar a Internet (por exemplo, as redes sociais) para enviar mensagens ameaçadoras ou insultuosas, partilhar informação sobre alguém, divulgar fotos de alguém contra a sua vontade, etc.

Qual é a frequência do Bullying?

O bullying entre crianças e adolescentes é um fenómeno muito comum, que ocorre, maioritariamente, em ambiente escolar.

É difícil obter uma ideia exacta da frequência do bullying, já que, muitas vezes, as vítimas optam pelo silêncio. Todavia, desde há vários anos, que os dados disponíveis revelam motivos para preocupação:

  • [2017] Portugal é o 15.º país com mais relatos de bullying na Europa e na América do Norte, ficando à frente dos Estados Unidos. 31%-40% dos adolescentes portugueses com idades entre os 11 os 15 anos confirma ter sido intimidado na escola uma vez em menos de dois meses
  • [2018] Quase uma em cada quatro crianças (23%) é vítima de bullying (em 2014 a percentagem era de 10%). A percentagem de bullies (17%) duplica face a 2010
  • [2019] Na Europa, 30% dos rapazes e 28,2% das raparigas sofreram bullying e 33% dos rapazes/19,2% das raparigas fizeram bullying. O bullying psicológico é o mais frequente na Europa e o ciberbullying regista uma tendência crescente (UNESCO, 2019). A maioria das crianças e adolescentes considera que o bullying através de meios tecnológicos (cyberbullying) é a forma de bullying mais frequente. 23% considera ter-se sentido perturbados com a exposição a conteúdos negativos no último ano e 16% refere que “teve de fazer coisas que não queria fazer”.
  • [2020 e 2021] A PSP regista cerca de 1400 ocorrências de bullying nas escolas portuguesas
  • [2022] Jovens LGBTQ+ entre os 14 e os 19 anos são vítimas preferenciais de bullying em Portugal

Mais de 60% das vítimas de bullying não denuncia o agressor e quem o faz demora, em média, 13 meses a fazer a denúncia.

Quais são os impactos do Bullying?

TODOS os comportamentos de bullying provocam sofrimento e mal-estar e colocam em causa o desenvolvimento saudável. Trata-se de um problema que pode comprometer a aprendizagem, perturbar as relações interpessoais e o desenvolvimento socio-emocional das crianças e jovens, reduzindo a sua percepção de segurança e protecção.

As crianças e jovens vítimas de bullying podem sentir ou revelar:

  • Preocupação e medo constantes.
  • Agitação, raiva e irritabilidade.
  • Apatia, abatimento, tristeza e baixa autoestima.
  • Sentimentos de vergonha, humilhação e rejeição.
  • Isolamento dos outros.
  • Comportamentos autodepreciativos ou autodestrutivos.
  • Dificuldades de concentração na escola.
  • Dificuldades de aprendizagem.
  • Desconforto físico, dores (por exemplo, dores de cabeça ou de estômago) e outras queixas físicas (por exemplo, cansaço).
  • Perturbações do sono.
  • Dificuldades de relacionamento com os outros, a curto e a longo prazo (por exemplo, retracção social, dificuldade em manter um relacionamento amoroso, baixo sentido de auto-eficácia ou auto-confiança, dificuldade em tomar decisões, dificuldades laborais).
  • Maior vulnerabilidade a problemas de Saúde Psicológica, a curto e a longo prazo (por exemplo, ansiedade, depressão, perturbação de pânico, ideação suicida, stresse pós-traumático ou consumo de substâncias).

O documento tem ainda uma abordagem sobre os bullies e responde a questões como: Como saber se alguém está a ser vítima de Bullying”, como saber se alguém pratica comportamentos de Bullying, o que podemos fazer quando somos vítimas de bullyin, como podemos ajudar um/uma colega que é vítima de Bullying e o que podemos fazer enquanto Pais, Mães ou Cuidadores?

Estudo
O Dia Mundial da Osteoporose assinala-se com uma descoberta que poderá ajudar no tratamento desta doença. É possível melhorar a...

O processo de renovação dos ossos acontece ao longo da vida: o osso é uma estrutura dinâmica, com células responsáveis pela reabsorção óssea, e outras responsáveis pela formação de novo osso, o que permite que os tecidos fragilizados sejam removidos e substituídos por tecido novo.

Porém, quando velocidade de absorção do osso é superior à da formação de novo osso, ocorre uma diminuição da densidade óssea e o risco de fratura aumenta. Este desequilíbrio, conhecido por osteoporose, afeta centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo mulheres acima dos 60 anos.

Apesar das estratégias atualmente disponíveis para tratar a osteoporose, promovendo o aumento da massa óssea ou prevenindo a progressão da fragilidade óssea, estas revelam-se, muitas vezes, insuficientes.

Na procura por novas soluções que promovam o aumento da massa óssea ou previnam a progressão da fragilidade do osso, as células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical foram testadas neste contexto devido às suas propriedades anti-inflamatórias, imunorreguladoras e regenerativas.

Neste estudo, foi avaliada a administração intravenosa de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical a animais com osteoporose induzida por stress oxidativo – uma condição associada à diminuição da densidade óssea e que tem por base um desequilíbrio entre a geração de espécies reativas de oxigénio e a sua remoção, provocando danos em células e em tecidos.

Durante a investigação, observaram-se melhorias significativas na qualidade dos ossos no grupo tratado com células estaminais, comparativamente ao grupo não tratado, tendo os animais tratados apresentado uma qualidade óssea muito próxima da dos animais saudáveis. Este resultado sugere que as células estaminais mesenquimais têm um efeito preventivo, ainda que parcial, na progressão da osteoporose, no modelo animal testado.

Os autores realizaram, ainda, experiências in vitro, em que procuraram observar os efeitos das células estaminais do cordão umbilical sobre osteoblastos (células precursoras que se podem diferenciar em células do osso) previamente expostos a espécies reativas de oxigénio. Os resultados revelaram que as células estaminais tiveram um efeito benéfico, promovendo a capacidade de proliferação e de migração dos osteoblastos, o que reforça o seu potencial para o tratamento da osteoporose.

“Embora este seja ainda um estudo em modelo animal, os resultados mostram que as células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical têm capacidade de melhorar a densidade óssea, demonstrando o seu potencial para o tratamento da osteoporose, um problema grave que afeta centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, podendo no futuro constituir uma possibilidade terapêutica para esta condição”, explica Carla Cardoso, Diretora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

Para aceder aos estudos científicos mais recentes sobre os resultados promissores da aplicação de células estaminais, visite o Blogue de Células Estaminais.

Em formato híbrido
A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), dá hoje início à 11.ª Conferência de Valor APAH dedicada ao...

Os cuidados de saúde são responsáveis por cerca de 5 % das emissões de carbono, tendo por isso um impacto ambiental significativo. Por outro lado, o sector da saúde é fortemente condicionado pelas alterações climáticas e pelas mudanças que estas acarretam na procura de cuidados.

Na 11ª Conferência de Valor APAH, será discutida a forma como se pode desenvolver um sistema de saúde mais sustentável e mais eficiente nas várias dimensões operacionais, como sendo a dimensão energética, hídrica, gestão de resíduos, entre outras. Será por isso um momento importante, que pretende colocar a dimensão sustentabilidade ambiental como tema central para a organização de cuidados de saúde dos próximos anos.

Direcionada a todos os profissionais ligados à gestão em saúde, as Conferências de Valor APAH têm como desígnio fomentar a partilha de boas práticas e a procura de novas abordagens que permitam enfrentar os desafios presentes e futuros e que se traduzam na melhoria da qualidade e excelência dos resultados em saúde em Portugal.

A 11.ª Conferência de Valor APAH é presidida por Ana Escoval, Sócia de Mérito da APAH.

 

19 a 21 de outubro
Entre os dias 19 e 21 de outubro, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) acolhe o III Simpósio de Investigação...

O Enfermeiro Investigador é o mote para comemorar os 10 anos do Núcleo de Investigação em Enfermagem (NIE) do CHUC, um evento que conta no seu programa com a abordagem de várias temáticas que vão desde os desafios em investigação, ciência acessível, inteligência artificial e enfermeiro cientista, com um conjunto de reconhecidos oradores e comentadores nacionais e internacionais.

Neste evento será também apresentada a sinopse destes 10 anos de atividade do NIE com a apresentação da investigação realizada, os resultados e os projetos implementados no CHUC, sem perder de vista o futuro com abordagens centradas em temáticas ligados à enfermagem como ciência em Portugal e à valorização da enfermagem como profissão e ciência, entre outras.

 

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