Projecto europeu
Investigador português participa em projecto europeu para detectar doenças a partir de retinografias.

Os olhos são o melhor espelho dos vasos sanguíneos. Há muito que se sabe que a análise de imagens da retina permite o diagnóstico de várias doenças, mas esse conhecimento não está sistematizado para ser clinicamente útil. Um projecto europeu, no qual participa um jovem investigador de Santa Maria da Feira, está a desenvolver um sistema para detectar doenças a partir de imagens do olho.

Há diversas patologias em que se verificam alterações ao nível da rede vascular e o olho é o melhor órgão para as observar sem recurso a cortes, biopsias ou quaisquer métodos invasivos, explica Pedro Guimarães, estudante de doutoramento na Universidade de Pádua (Itália) que integra o projecto REVAMMAD (do inglês: Retinal Vascular Modelling, Measurement and Diagnosis).

Assim, a partir de uma fotografia do olho (retinografia), é possível observar a morfologia dos vasos e diagnosticar doenças como diabetes e hipertensão. Uma configuração tortuosa, por exemplo, indicia problemas do sistema circulatório.

OMS
A média de consumo de álcool em Portugal desceu de 14,4 para 12,9 litros per capita entre 2003 e 2010, mas continuava acima da...

Segundo os dados do documento, divulgado esta segunda-feira, Portugal mantém-se entre os 10 países da Europa com mais consumo de álcool médio por pessoa, numa lista com 44 países.

A Bielorrússia surge como o país com maior consumo, com uma média de 17,5 litros de álcool per capita, seguida pela Moldávia, com 16,8 litros e da Lituânia com 15,4.

Em Portugal, a média de consumo per capita passou de 14,4 litros no período 2003-2005 para os 12,9 litros entre 2008-2010, uma redução de 1,5 litros per capita.

Também a média europeia decresceu no mesmo período, passando de 11,9 litros para 10,9, mas a Europa continua a ser a região do globo onde o consumo é mais elevado.

Os homens portugueses consomem em média o dobro do que as mulheres, respectivamente com 18,7 litros per capita e 7,6 litros, segundo os dados do relatório, que reportam a 2010.

Números mais recentes, de 2012, são os relativos à influência do álcool nos acidentes rodoviários: 17,2 em cada 100 mil homens portugueses 4,8 em cada 100 mil mulheres morrem na estrada devido ao álcool.

No que respeita à prevalência de distúrbios ligados ao álcool e a situações de dependência, Portugal surge abaixo da média europeia.

Os dados de 2010 mostram que 5,8% da população portuguesa acima dos 15 anos manifestava distúrbios ligados ao álcool e que 3,1% tinha dependência.

Quanto ao tipo de bebida, em Portugal o vinho continua a representar 55% do álcool consumido, seguindo-se a cerveja com 31%, as bebidas espirituosas com 11% e outro tipo não especificado de bebidas com 3%.

Apesar de surgir, no conjunto dos países da Europa, com um elevado consumo per capita, Portugal tem também um grande número de abstémios, com 43% da população a não ter consumido álcool nos 12 meses anteriores.

Estudo
Um estudo científico comprova que alguns químicos presentes nos produtos domésticos, como pasta de dentes, brinquedos de...

Niels Skkakkebaek, do Hospital da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, publicou um estudo, citado pelo jornal “Independent”, que comprova a presença de químicos na pasta de dentes, no sabão e no protector solar que podem aumentar os riscos de infertilidade masculina.

Os resultados comprovam que o uso de um em cada três químicos “não-tóxicos” presentes nos produtos diários pode afectar directamente a potência dos espermatozoides, fazendo com que libertem, numa fase prematura, enzimas que são precisas para penetrar e fertilizar os óvulos.

O estudo pode ter encontrado uma razão para alguns casos de infertilidade masculina até inexplicáveis e desenvolveu uma nova forma de testar o impacto de novos produtos químicos na fertilidade masculina.

Foi descoberto também que o nível de concentração necessária destes químicos para provocar reacções adversas é semelhante aos níveis baixos que normalmente se encontram no corpo humano. Além disso, os resultados do estudo mostram que quando determinados químicos interagem podem amplificar os seus efeitos individuais.

Este estudo está inserido numa pesquisa sobre perturbações no sistema endócrino provocadas por químicos que possam estar ligados ao declínio da potência dos espermatozóides. Os cientistas referem que estes químicos podem ser feitos para imitar o estrogénio - a hormona sexual feminina - e para actuar como anti-androgénios, acabando por afectar o sistema reprodutor masculino.

“Na minha opinião, as nossas descobertas são claramente motivo de preocupação, uma vez que alguns químicos que provocam perturbações no sistema endócrino são provavelmente mais perigosos do que tínhamos pensado. No entanto, continua a ser preciso verificar, através de outros estudos clínicos, se os nossos resultados podem explicar a redução da fertilidade”, explica Niels Skkakkebaek.

Com base no estudo, as autoridades europeias podem decidir quais os produtos que devem ser banidos ou as restrições que devem impor, de forma a minimizar o impacto do problema.

Nos Estados Unidos
A agência de investigação tecnológica do departamento de Defesa dos Estados Unidos conseguiu que o uso de um braço biónico...

A revolucionária prótese, desenvolvida pela empresa Deka Arm e aprovada pela Administração Federal de Alimentos e Medicamentos (FDA), permite a amputados uma liberdade de movimentos nunca antes obtida com tecnologia semelhante.

O braço robótico pesa aproximadamente o mesmo que uma extremidade humana normal, mas, neste caso, músculos e tendões são emulados através de um complexo sistema de motores e sensores que permitem até 10 movimentos humanos.

Governo mostra “apoio” ao Porto - PSD
O PSD afirmou na segunda-feira à noite que “o que aconteceu de muito positivo no Porto tem a ver com o apoio que o Governo tem...

A afirmação é do deputado social-democrata Francisco Carrapatoso e teve lugar na Assembleia Municipal, numa intervenção sobre a actividade desenvolvida pelo executivo de Rui Moreira.

Carrapatoso referiu depois outro exemplo do apoio que, na sua opinião, este Governo tem dado ao Porto: o protocolo entre a Câmara e a Administração Interna para a instalação de uma esquadra da PSP na antiga sede da Junta de Freguesia de Cedofeita.

Em 2013
O número de interrupções da gravidez por opção da mulher foi, no ano passado, o mais baixo desde que a despenalização do aborto...

Em 2013 registaram-se 17.414 interrupções da gravidez (IG) por opção, menos 6,5% do que no ano anterior, quando já se verificava uma tendência decrescente.

“Em 2010 e 2011 registou-se uma estabilização dos números de IG realizadas. E nos dois últimos anos tem-se assistido à sua diminuição”, refere o documento divulgado no site da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Desde que a legislação que despenalizou o aborto entrou em vigor, assistiu-se a uma diminuição de 3,5% das interrupções da gravidez por todos os motivos e de 3,3% das feitas por opção da mulher.

A lei que despenaliza a interrupção da gravidez entrou em vigor em meados de 2007, tendo 2008 sido o primeiro ano com dados completos.

Segundo o documento, em 2013, tal como já aconteceu em anos anteriores, IG por opção da mulher nas primeiras 10 semanas constituem cerca de 97% do total das interrupções realizadas.

A classe etária dos 20-24 anos é a que tem maior percentagem de abortos por opção (23%9, seguindo-se as mulheres entre os 25-29 anos (20,6%) e depois as de 30-34 anos (20,3%). Mantém-se a tendência decrescente de interrupções em menores 20 anos (de 11,2% em 2012 para 10,8% no ano passado).

Quanto à ocupação, as desempregadas são a categoria predominante, com quase um quarto dos registos (23,6%), seguindo-se as trabalhadoras não qualificadas e as estudantes, que registaram ainda um aumento.

“No que diz respeito ao grau de instrução, 35,7% das mulheres têm o ensino secundário, 28,7% o 3º ciclo do Ensino Básico, 21% o ensino superior e 10,8% o 2º ciclo do ensino básico. Em 49 casos as mulheres referiram não saber ler nem escrever, o que corresponde a 0,3% do total”, refere o documento.

Mais de metade das mulheres que fez IG por opção tinha um a dois filhos e 40% indicaram não ter ainda descendência, dados semelhantes aos verificados nos anos anteriores.

O documento aponta ainda que 1,2% (203 mulheres) que optaram por parar a gravidez tinham já tido um parto nesse mesmo ano.

A grande maioria (72,2%) nunca tinha abortado, 21,5% das mulheres já tinham feito uma anterior interrupção, 4,9% tinham feito duas e 1,4% fizeram três ou mais.

“Entre as interrupções realizadas durante 2013, 301 (1,7%) ocorreram em mulheres que já tinham realizado uma IG nesse ano”, indica o relatório.

Para as mulheres que realizaram uma IG, os autores do documento recomendam que “o aconselhamento contraceptivo seja realizado ao longo de todas as consultas no quadro do processo de interrupção”, não sendo “remetido exclusivamente para uma consulta final quando a IG já está completa”.

“O método contraceptivo deve ser escolhido e iniciado durante o processo da IG”, defendem.

Quanto ao local da realização, 68,2% dos abortos foram feitos em hospitais públicos, havendo uma diminuição em relação a 2012.

Nas unidades provadas, quase um quinto dos abortos realizadas foram por mulheres que procuram directamente estas instituições, sem passar pelo Serviço Nacional de Saúde.

O método medicamentoso continua a ser o predominante nas unidades públicas, enquanto as privadas optam na esmagadora maioria das vezes pelo cirúrgico.

Em ilhas sem hospital
O secretário regional da Saúde dos Açores disse, na segunda-feira, que em áreas como a endocrinologia os especialistas não...

“É importante percebermos que os médicos de especialidades hospitalares devem vir às ilhas sem hospital para servir de consultores aos médicos de medicina geral e familiar. Não preciso de um médico endocrinologista aqui para seguir regularmente uma diabetes, uma hipertensão, um hipotiroidismo”, afirmou Luís Cabral, numa reunião do Conselho de Ilha de Santa Maria com o Governo dos Açores, em Vila do Porto, na segunda-feira à noite.

Luís Cabral disse que aos especialistas caberá ainda “definir os critérios” que determinem o reencaminhamento para um clínico de especialidade hospitalar.

100 anos de idade
O médico venezuelano Jacinto Convit Garcia, que descobriu as vacina contra a lepra e a leishmaniose, morreu ontem em Caracas...

“No dia de hoje, aos 100 de vida e dedicação à humanidade através da medicina, o Dr. Jacinto Convit Garcia faleceu”, lê-se num comunicado de imprensa divulgado ontem pela Fundação Jacinto Convit.

Nascido a 11 de Setembro de 1913 em La Pastora, Caracas, e doutorado em Ciências Médicas em 1938, Jacinto Convit Garcia foi distinguido em 1987 com o Prémio Príncipe de Astúrias de Investigação Científica e Técnica e candidato, em 1988, ao Prémio Nobel de Medicina.

Ministro anuncia
O ministro da Saúde revelou que a criação do enfermeiro de família é prioritária e que o diploma legal que o institui será...

Falando aos jornalistas no Dia Internacional dos Enfermeiros, à margem de uma cerimónia de homenagem à primeira bastonária da Ordem, Paulo Macedo disse que “a breve trecho” será publicado o diploma no sentido de criar o enfermeiro de família, uma medida há muito reclamada pela Ordem dos Enfermeiros.

Assumindo que essa é uma prioridade do Ministério da Saúde, adiantou que “um diploma nesse sentido” será publicado “nos próximos meses”.

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, corroborou o ministro afirmando que “a criação do enfermeiro de família já está numa fase final”.

“O diploma está já trabalhado pelo Ministério, pela Ordem dos Enfermeiros e pela ACSS (Administração Central de Sistemas de Saúde) e penso que será uma questão de algumas semanas até ser publicado”, disse.

Germano Couto reconheceu que teve que haver consensos entre os vários parceiros da saúde, o que tornou o processo legislativo longo, mas assegurou que brevemente o enfermeiro de família será o “gestor de saúde” do cidadão nos cuidados de saúde primários.

Se no que respeita ao enfermeiro de família o projecto está bem encaminhado, no que respeita ao enfermeiro obstetra o bastonário mostra-se “preocupado” com a posição do Ministério da Saúde.

Questionado sobre esta matéria, Paulo Macedo limitou-se a responder que “os enfermeiros obstetras exercem a sua profissão reconhecida por todos como fundamental”, adiantando que não há projecto para alterar a actual situação nem para haver prescrição por parte do enfermeiro.

Para Germano Couto, não se trata de “um projecto”, mas de aplicar o que a directiva europeia e lei que a transpôs, em 2009, dizem.

“Um enfermeiro pode e deve seguir grávidas com a sua gravidez normal, não patológica, do princípio ao fim e para isso tem que ter instrumentos, nomeadamente a comparticipação por pate do Estado. Ora isso não acontece. Estou preocupado com as palavras do ministro quando não tem isso como prioridade”, referiu.

Sobre a vaga de emigração de enfermeiros, o ministro considerou, por um lado, que se emigram é porque têm qualidade e são procurados, mas por outro assinalou que a enfermagem, como nas outras áreas da saúde, “é sem dúvida das profissões com menor nível de desemprego em Portugal”.

“Podemos ver os dois lados do problema”, sublinhou.

A Ordem dos Enfermeiros homenageou postumamente a enfermeira Mariana Diniz de Sousa, a primeira bastonária e a “maior referência da profissão em Portugal”.

Guarda, Covilhã e Castelo Branco
O Bloco de Esquerda anunciou ter questionado o ministério da Saúde, através da Assembleia da República, sobre o futuro das...

No documento, subscrito pelos deputados João Semedo e Helena Pinto, recorda-se que a portaria n.º 82/2014, de 10 de Abril, vem alterar a organização da rede hospitalar em Portugal, criando quatro grupos de unidades hospitalares, com características diferentes.

Tendo em conta essa norma, aponta o comunicado, as unidades hospitalares em causa ficarão afectas às instituições do Grupo I, que “segundo esta portaria, não dispõem das valências de neonatologia ou ginecologia/obstetrícia, que se encontram adstritas apenas ao Grupo II”.

No Brasil
O caso de ocorrência da proteína da doença das vacas loucas numa fazenda do Mato Grosso, no Brasil, foi considerado um caso...

O caso em questão foi descoberto em Abril deste ano pelo Laboratório Agropecuário em Pernambuco, instituição brasileira de referência para o diagnóstico de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis, nome científico para a doença das vacas loucas.

Na sequência, o tecido nervoso do animal, abatido em Março, foi enviado ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês), no Reino Unido.

Após os exames, o laboratório considerou o caso uma ocorrência “atípica” da proteína EEB, que ocorre de forma “esporádica e espontânea”, sem relação com a ingestão de alimentos contaminados.

A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) é uma doença degenerativa não-transmissível que afecta o sistema nervoso central dos animais a partir de uma proteína infectante conhecida como “príon”.

No caso da EBB clássica, o gado adquire a proteína a partir de alimentos contaminados, o que deve ser combatido tendo em conta a facilidade da transmissão para outros animais.

Já no caso da EBB atípica, o “príon” é ligeiramente diferente e normalmente surge em animais mais velhos e não apresenta perigo de transmissão. O caso atípico é uma manifestação rara da doença, cujas causas ainda não foram totalmente esclarecidas.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, a corpo do animal com EBB atípico foi incinerado e “nenhum de seus produtos ingressaram na cadeia alimentar”.

As autoridades brasileiras garantem ainda que todas as propriedades por onde o animal havia circulado foram avaliadas sem qualquer constatação de outros casos entre os animais dessa fazenda.

As embaixadas brasileiras em países importadores de carne bovina do país foram colocadas à disposição para quaisquer esclarecimentos sobre o caso.

Associação de doentes lança campanha de sensibilização
No dia 15 de Maio, próxima quinta-feira, assinala-se o Dia Mundial de Consciencialização para a Esclerose Tuberosa, uma doença...

Para marcar a data, a Associação de Esclerose Tuberosa em Portugal (AETN) associa-se à campanha internacional “A Word of Thanks”, num movimento de agradecimento global para homenagear aqueles que ajudam os portadores da doença. A campanha decorre através da página de Facebook da AETN, onde a associação desafia os doentes a tirarem uma fotografia com a pessoa a quem querem agradecer. Ao longo do mês de Maio, as fotografias partilhadas na rede social serão publicadas no site TSC Global Awarness Day 2014, juntando-se à campanha internacional.

Micaela Rozenberg, presidente da associação, afirma: “Este ‘Obrigado’ é uma homenagem àqueles que fazem a diferença na vida dos doentes com Esclerose Tuberosa – médicos, familiares e outros cuidadores. Ao mesmo tempo, queremos alertar para a consciencialização da sociedade e para a necessidade de maior divulgação e informação sobre a doença”.

A Esclerose Tuberosa é uma doença rara para a qual ainda não se conhece cura, havendo no entanto tratamentos para os diferentes sintomas. Consiste num distúrbio genético que se traduz no desenvolvimento de tumores benignos em órgãos vitais como o coração, olhos, cérebro, rins, pulmões e pele. O desenvolvimento destes tumores nos vários órgãos pode provocar epilepsia, défice cognitivo, autismo, problemas renais, lesões na pele, entre outros sintomas.

As manifestações e prognóstico variam de caso para caso, em função dos órgãos envolvidos e da gravidade dos sintomas, sendo os mais comuns as alterações cutâneas e lesões na pele (verificadas em 95% das pessoas com Esclerose Tuberosa) e as convulsões (85%), que se desencadeiam à nascença e se vão agravando durante a infância na maioria dos casos. São também frequentes os tumores renais e problemas de desenvolvimento (presentes em cerca de 60% dos casos), os tumores cardíacos (em 50%), e autismo (50%).

De acordo com a AETN, a Esclerose Tuberosa afecta cerca de 1600 pessoas em Portugal, e muitos casos não têm diagnóstico correcto da doença. Dois terços dos diagnósticos são novos casos da doença sem antecedentes familiares, e um terço são casos hereditários.

Criada em 2011 com o objectivo de apoiar familiares e doentes de Esclerose Tuberosa, a AETN trabalha para a sensibilização da sociedade, ao mesmo tempo que promove o interesse da comunidade médica e científica na partilha de conhecimento sobre a doença. Um dos objectivos passa também por garantir o acesso dos doentes a terapêuticas de qualidade, contribuindo para o aumento da sua qualidade de vida.

APDP
Associação tem trabalhado no envolvimento transversal dos vários sectores da sociedade com a diabetes.

A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) comemora hoje, 13 de Maio, 88 anos. A associação de doentes mais antiga do mundo tem vindo a modernizar-se, mas a sua vocação mantém-se: defender os direitos das pessoas com diabetes e a sua integração. Educar para a diabetes é uma das suas missões e, a prevenção desta doença assustadoramente emergente junto da população, da sociedade civil e política é uma luta diária.

Fundada a 13 de Maio de 1926, por iniciativa de Dr. Ernesto Roma, a APDP surgiu como instituição de solidariedade social destinada a lutar contra a diabetes, nomeadamente junto de pessoas pobres. Viveram-se 88 anos e a associação mantém o compromisso de apoiar a pessoa com diabetes na promoção dos cuidados, do tratamento e da prevenção. Também por este empenho, a APDP é reconhecida não só a nível nacional como a nível internacional, tendo sido já referenciada como o primeiro centro de educação da Federação Internacional da Diabetes, em todo o mundo.

“Na APDP, preocupamo-nos em prestar cuidados de saúde que permitam aumentar a qualidade de vida das pessoas com diabetes que procuram o apoio da associação. Somos exemplo a nível mundial porque adoptamos um tratamento multidisciplinar da diabetes, apostando na educação terapêutica do doente, ou seja na sua formação e informação sobre a diabetes e as complicações associadas”, refere o presidente da APDP, Luís Gardete Correia.

E se no tempo do Dr. Ernesto Roma ficaram célebres as palestras que ministrava aos doentes na sala de espera da associação enquanto aguardavam pela consulta, não menos importante e vasta é hoje a oferta formativa de que a APDP dispõe para profissionais de saúde, pessoas com e sem diabetes, na sua Escola da Diabetes, como é o caso dos Cursos de Cozinha Saudável.

A gestão diária da diabetes e dos seus cerca de 150 mil inscritos vive-se na associação como uma preocupação constante, fruto do acompanhamento de proximidade ao doente. Assim, no ano passado, a APDP efectuou 58.335 consultas médicas das diversas especialidades, tendo observado um total de 18.595 doentes. No campo da Diabetologia foram observadas e orientadas 14.222 pessoas com diabetes, das quais 3.424 recorreram pela primeira vez à APDP. No total foram efectuadas 27.983 consultas de diabetologia na associação.

“Abrangendo as especialidades necessárias, com as estruturas eficazes para o efeito, tratamos e acompanhamos o doente como um todo. E são cada vez mais os inscritos na associação, pelo que se mantém ano após ano o nosso desejo de continuar a estabelecer parcerias que nos permitam evoluir em matéria de investigação e de infraestruturas modernas para a adequada assistência à pessoa com diabetes. De realçar ainda o papel que temos desenvolvido no sentido do envolvimento transversal e fundamental com os vários sectores da sociedade em busca de políticas integradas e melhoradas”, conclui Luis Gardete Correia.

Comemorações do 88.º Aniversário | 13 de maio | 15h00 | na APDP - R. Rodrigo da Fonseca, 1 – Lisboa

12 de Maio
Dias Internacionais, dias especiais?

Desde há algum tempo a esta parte que se tem verificado uma crescente criação de “dias internacionais”. O objetivo é assinalar efemérides, eventos ou ações específicas - são vários os exemplos que podemos encontrar: da criança, da mulher, da felicidade, dos direitos humanos, do jazz, do enfermeiro, entre muitos outros.

Terão estes “dias” sido instituídos por necessidade de afirmação dos seus comemorantes, ou terão sido os cidadãos a conferir-lhes importância merecedora de tal privilégio?

Oferecendo-lhe o “seu dia” será a forma de ambos se vincularem no que ambos esperam do outro? Será um ato recompensatório através da responsabilização positiva tão comummente usada na socialização do ser humano?

Nada nos move contra os “dias internacionais”, até porque a vida faz-se dia-a-dia. Contudo, sugerimos um certo cuidado para não deixarmos que a essência neles representada se restrinja apenas ao próprio, mas que se estenda, de igual modo, aos restantes 364 dias do ano.

Os “dia Internacionais” estão associados, com relativa frequência, a uma personalidade ou organização. Ao evocar determinada “entidade” recorda-se sobretudo a sua contribuição para a sociedade. Atrevemo-nos mesmo a dizer … humanidade. Tal obra que não foi concebida num só dia, mas antes numa vida, como é o caso de Florence Nightingale, enfermeira.

O dia 12 de Maio – Dia Internacional do Enfermeiro – coincide simbolicamente com a sua data de nascimento. É, provavelmente, a enfermeira mais conhecida do mundo e tida como a percursora da era moderna da profissão.

Florence Nightingale foi mulher inteligente e com excelente formação, visionária, dedicou todo seu esforço em atenção aos mais frágeis, vítimas e doentes. Volvidos 104 anos da sua morte, hoje, os enfermeiros perpetuam o seu legado de forma científica e com elevado rigor técnico e humano.

Atualmente a classe de enfermagem convive com a tecnologia de ponta, mas recorre, também, ao simples toque (que faz toda a diferença). São auxiliados por programas informáticos especialmente desenvolvidos para a sua prática, mas empregam os gestos e a palavra como mais nenhum profissional consegue. Integram e tripulam equipas altamente diferenciadas, mas é pelo olhar que estabelecem o primeiro contacto. Investem anos em formação, mas estão ao seu lado a todo o momento. 

Os enfermeiros existem em toda a amplitude do sistema de saúde - nos momentos de tristeza ou de alegria.

Exercem dentro de quatro paredes ou debaixo dos pirilampos azuis da emergência. Pode encontrá-los nos helicópteros, nos hospitais, centros de saúde, veículos de emergência, lares, maternidades, entre tantas outras instituições de saúde e ensino.

Pense nisto: um qualquer dia da sua vida, se estender a sua mão, provavelmente, encontrará a mão de um enfermeiro; ao abrir os seus olhos, provavelmente encarará com um enfermeiro; se dores ou a agonia se apoderarem de si, provavelmente, serão atenuadas por um enfermeiro.

Muito provavelmente, o caro leitor veio ao mundo pelas mãos de um enfermeiro. Os seus filhos também. O mesmo se aplica aos netos e futuras gerações.

Tudo isto acontece na certeza de que os enfermeiros cuidam de si, não apenas no dia 12 de Maio, mas em todas horas de todos os dias do ano.

O tempo corre e os enfermeiros permanecem. Sempre. Com competência e empenho.

Bem-hajam, senhores enfermeiros!

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Mantenha-se alerta
Por palavras ou acções o abuso sexual está bem presente na sociedade e é, na maior parte dos casos,
Abusos sexuais

 

Considera-se abuso sexual o sexo praticado por meios violentos, ameaçadores ou de chantagem. Os predadores sexuais são, na maioria dos casos, difíceis de identificar. Têm vidas consideradas normais e praticam os abusos a quem os rodeia de uma forma insuspeita.

 

 

 

Podemos definir os diferentes tipos de abuso sexual como:

· Violação

· Pedofilia

· Assédio sexual

· Exploração sexual

A violação ocorre quando o acto sexual não é desejado e é praticado por obrigação ou imposição de uma das partes. Pode acontecer entre familiares, conhecidos e desconhecidos. A vítima muitas das vezes, por vergonha, tenta esconder e não denuncia o agressor.

A pedofilia refere-se à prática sexual com menores. O agressor aproxima-se da criança de uma forma amigável e, aproveitando-se da sua inocência, acaba por convencê-la a consumar o acto. Por vezes a vítima pode tornar-se alvo de chantagem por parte do agressor de modo a que este consiga mais facilmente repetir o abuso.

O assédio sexual verifica-se quando há uma sedução excessiva que não é correspondida. Pode acontecer com qualquer indivíduo e em diversas situações, mas é uma prática mais comum em ambiente laboral e entre diferentes graus de hierarquia. O agressor sendo de um grau hierárquico mais elevado, aproveita-se disso para limitar as escolhas da vítima obrigando-a por vezes a ceder.

A exploração sexual dá-se quando o agressor beneficia financeiramente, através da prostituição ou promoção sexual não desejada da vítima. As redes de prostituição e pedofilia são exemplo disso.

Todos estes abusos são considerados crime, e ambas as partes envolvidas carecem de tratamento e acompanhamento por parte de especialistas. Os agressores pelas razões óbvias de perturbações mentais, e as vítimas, não só pelos traumas causados mas também porque podem vir a desenvolver, no futuro, o mesmo tipo de perturbações do agressor causadas pelos abusos a que foram sujeitas.
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Nota: 
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Em Portugal
A amamentação é uma prática milenar com reconhecidas vantagens nutricionais, imunológicas, cognitiva
Aleitamento materno

Em Portugal não existem estatísticas sobre a incidência e a prevalência do aleitamento materno. Os estudos efectuados no nosso país sugerem que a evolução do aleitamento materno se processou de maneira semelhante à de outros países europeus.

A industrialização, a II Grande Guerra Mundial, a massificação do trabalho feminino, os movimentos feministas, a perda da família alargada, a indiferença ou ignorância dos profissionais de saúde e a publicidade agressiva das indústrias produtoras de substitutos do leite materno tiveram como consequência uma baixa da incidência e da prevalência do aleitamento materno. Foram as mulheres com maior escolaridade que mais precocemente deixaram de amamentar os seus filhos, sendo rapidamente imitadas pelas mulheres com menor escolaridade.

Este fenómeno alastrou aos países em desenvolvimento com consequências gravíssimas, em termos de aumento da mortalidade infantil. A partir dos anos 70 verificou-se um retorno gradual à prática do aleitamento materno, sobretudo nas mulheres mais informadas.

Alguns estudos portugueses apontam para uma alta incidência do aleitamento materno, significando que mais de 90% das mães portuguesas iniciam o aleitamento materno, no entanto, esses mesmos estudos mostram que quase metade das mães desiste de dar de mamar durante o primeiro mês de vida do bebé, sugerindo que a maior parte das mães não conseguem cumprir o seu projecto de dar de mamar, desistindo muito precocemente da amamentação.

Por todas estas razões é essencial, que em Portugal se continuem a implementar medidas que promovam um maior sucesso do aleitamento materno.

A verdade é que a promoção do aleitamento materno, para que venha a ser entendido como norma, depende da implementação de políticas nacionais e de recomendações a todos os níveis dos serviços de saúde. Um apoio eficaz, requer empenho na aplicação de boas práticas em todas as maternidades, instituições hospitalares pediátricas e centros de saúde, pelo que o profissional de saúde deve possuir conhecimentos sobre amamentação para poder promover e assegurar o aleitamento materno.

Em Portugal foi formada em 2003 a Associação SOS Amamentação, sem fins lucrativos, com o objectivo de promover o aleitamento materno através de apoio às mães lactantes, de acções de formação, informação, divulgação e educação dirigidas a grávidas, mães e profissionais de saúde. Para isso existe uma linha de atendimento que esclarece as dúvidas e responde às questões, porque acreditam que o aleitamento materno é o melhor começo que se pode dar a um bebé e é a sequência natural da gravidez e do parto.

O atendimento telefónico é feito por voluntários, que tiveram formação em Aconselhamento em Aleitamento Materno, segundo as orientações da Organização Mundial de Saúde e da UNICEF.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Mais de 80%
Mais de 80 por cento dos enfermeiros portugueses a trabalhar no Reino Unido foram recrutados através de agências de emprego,...

Dos 349 inquiridos, 11% de um universo oficial de 3.155 enfermeiros lusos inscritos no Nursing and Midwifery Council (NMC), entidade que regula a actividade no Reino Unido, 51% respondeu a um anúncio de emprego de uma agência empregadora britânica e 33% a uma agência portuguesa.

A média de idades é de 27 anos, predominando o intervalo entre os 22 e 27 anos, e 81 por cento dos inquiridos afirmaram ser solteiros, confirmando-se também que a esmagadora maioria desta vaga é composta por recém-licenciados.

O caso de Sabrina Ferreira, actualmente com 26 anos, é emblemático: terminou o curso em 2010 e no início de 2011 já estava a chegar ao Reino Unido, onde é actualmente enfermeira nas Urgências do St. Georges University Hospital.

O estrangeiro surgiu como uma opção que se confirmou ser inevitável após uma procura de trabalho infrutífera em Portugal, contou: “Enviei cento e tal currículos; só recebi duas respostas e convite para uma entrevista para uma posição com dois mil candidatos”.

O processo com a agência de recrutamento foi rápido, recordou, pois foi seleccionada à primeira, seguindo num grupo com mais 40 enfermeiros portugueses, inicialmente para Tunbridge Wells, 80 quilómetros a sul da capital britânica.

As principais dificuldades, admitiu, foram a adaptação à comunicação em língua inglesa, sobretudo devido aos diferentes sotaques e uso de expressões populares, e também à forma de trabalho dos britânicos.

Mas em poucos meses conseguiu a transferência para um serviço que desejava, as urgências, algo que estima que em Portugal demoraria pelo menos 10 anos e dependeria de factores nem sempre subjectivos.

“Eu não gosto de cá estar, não gosto da cultura. Estou cá para trabalhar, por causa da minha carreira. Mas não acho que conseguiria voltar já a Portugal porque não quero ser tratada como seria lá”, confessou.

Paulo Sousa, casado e com 39 anos, representa uma situação menos comum neste grupo, mas também representativo de um número de enfermeiros portugueses experientes que olham para o estrangeiro como uma forma de progredir na vida e na carreira.

“Queria uma vida melhor do que ter três empregos a trabalhar 70 horas por semana. Estava saturado porque tinha responsabilidades e não recebia por isso. E porque queria dar uma vida melhor ao meu filho”, justificou.

Saiu de Santa Maria da Feira em 2009 para o Reino Unido porque este era um país mais próximo de Portugal e menos complicado em termos de burocracias do que a Austrália, que chegou a ser a primeira opção.

Tanto para Paulo, especialista em cuidados intensivos, como para a esposa, igualmente enfermeira, a experiência tem sido positiva: alguém de emprego no Royal Brompton Hospital, encontraram um salário melhor, formação paga, promoções e ofertas de trabalho.

“Faço coisas que não existem em Portugal. É estimulante a possibilidade de fazer coisas diferentes. Não estamos minimamente arrependidos - só temos pena de não termos vindo mais cedo”, garantiu.

Paulo e Sabrina falam ambos da qualidade de vida que encontraram no Reino Unido, que lhes permite ter outras actividades ou viajar, pelo que o regresso a Portugal é encarado como uma possibilidade num futuro distante.

Esta é também a perspectiva da maioria dos inquiridos do inquérito: embora 43% admita voltar para exercer a profissão, 33% só pretende voltar ao país de origem depois da aposentação e 24% dos enfermeiros portugueses não quer nem voltar para trabalhar nem para gozar a reforma.

Esforço conjunto entre EUA e Austrália
Uma colaboração conjunta de grupos de pesquisa e entidades australianas e norte-americanas pode vir a gerar uma terapia...

A terapia anti-cancro pode começar a surtir efeitos já no próximo ano, graças a um programa conjunto que permitiu acelerar o desenvolvimento de um tratamento concebido especificamente para tratar o neuroblastoma, tendo como finalidade provocar o colapso da estrutura das células cancerígenas deste tumor, sem atingir as células do tecido saudável.

A comercialização do futuro composto, uma nova classe de medicamentos conhecidos como anti-tropomiosinas, ficará a cargo da biofarmacêutica australiana Novogen, que adquiriu a tecnologia anti-tropomiosina em 2013.

“Os anti-tropomiosinas que desenvolvemos têm o perfil de potência, selectividade e segurança para atender às necessidades especiais das crianças”, explica Graham Kelly, CEO da Novogen.

A investigação pré-clínica do tratamento está actualmente em curso e os ensaios clínicos poderão arrancar na Austrália e nos EUA já em 2015.

Estudo revela
Um tratamento experimental que ajuda a reprogramar o sistema imunológico do paciente para atacar tumores pode funcionar num...

Até agora, os maiores êxitos da técnica conhecida como terapia celular adoptiva (ACT) foram registados com o melanoma, mas os investigadores estão curiosos para ver se a abordagem pode funcionar em cancros do trato digestivo, de pulmão, pâncreas, mama ou bexiga.

A revista científica Science publicou um artigo que descreve como a técnica conseguiu reduzir tumores numa mulher de 43 anos que sofre de colangiocarcinoma, uma forma de cancro do trato digestivo que havia se propagado para os pulmões e o fígado.

O resultado do estudo pode representar um avanço na luta contra o cancro epitelial, grupo que responde por 80% de todos os cancros e 90% das mortes por cancro nos Estados Unidos.

O processo consistiu em recolher as próprias células do sistema imunológico da paciente - um tipo chamado de linfócitos infiltradores de tumores (TILs) -, seleccionando aquelas com a melhor actividade antitumoral, e em desenvolvê-las em laboratório para reinfundi-las na paciente.

Depois que a paciente recebeu a primeira injecção destes TILs, os tumores metastáticos no pulmão e no fígado estabilizaram.

Cerca de 13 meses depois, a doença voltou a progredir. Com isso, os médicos submeteram a paciente novamente ao tratamento e ela “experimentou uma regressão tumoral que perdurou até ao último acompanhamento (seis meses após a segunda infusão de células T)”, destacou o estudo.

Embora o cientista que conduziu as pesquisas, Steven Rosenberg, chefe do Sector de Cirurgia do Centro de Pesquisas do Instituto Nacional do Cancro, tenha alertado que o estudo está ainda numa fase inicial, afirmou que poderia fornecer uma directriz para outros cancros.

“Estas estratégias indicadas aqui poderiam ser usadas para produzir uma terapia celular adoptiva com células T em pacientes com cancros comuns”, afirmou Rosenberg.

Os cientistas esperam que, um dia, uma variedade de tratamentos imunológicos personalizados venha a substituir a quimioterapia como a principal forma de combater o cancro.

Atinge especialmente as pessoas mais jovens
De repente, as pernas ficam quentes, inchadas, rígidas e doloridas, e a pessoa não consegue andar ou realizar as suas tarefas...

Com uma elevada taxa de mortalidade, o problema compromete significativamente a qualidade de vida, sendo que grande parte das pessoas que desenvolvem a doença é formada por jovens.

A Trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando se forma um coágulo sanguíneo (o trombo) no interior das artérias ou veias profundas, obstruindo a veia e impedindo a circulação de sangue no local. O episódio ocorre mais frequentemente na perna ou na coxa, mas também pode atingir outras partes do corpo.

“A trombose venosa profunda consiste na obstrução total de uma veia troncular pela formação de um coágulo. Pode afectar qualquer parte do corpo, porém a mais famosa é a que ocorre nos membros inferiores (pernas)”, explica o cirurgião vascular Nelson Wolosker, do Hospital Israelita Albert Einstein.

“Entre 50% a 60% dos casos atendidos no meu consultório são pacientes jovens, entre os 20 e 40 anos de idade. Essa é a faixa de idade que as pessoas estão mais expostas aos factores que desencadeiam o processo de trombose como gravidez, uso de anticoncepcional ou hormonas, tabagismo, acidentes, fracturas e traumas, cirurgias e viagens de avião, entre outros”, diz o cirurgião vascular Francisco Osse, director do Centro Endovascular de São Paulo.

A TVP compromete significativamente a qualidade de vida. A dor no local impede que a pessoa exerça as suas actividades diárias e requer longos períodos de repouso. Além disso, se não tratada adequadamente, pode desenvolver-se uma úlcera na perna.

“A presença de uma ulceração crónica na perna tem grande uma influencia negativa na qualidade de vida dessas pessoas. Além de causar dor e desconforto diários, há dificuldade na manutenção do emprego, na convivência do seu portador não só com os seus familiares como com os seus amigos, pois geralmente essas lesões eliminam secreção que muitas vezes exala odores próprios”, aponta Marilia Duarte Brandão Panico, professora de Angiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Na fase inicial da TVP, ocorre um processo inflamatório nas regiões próximas, o que causa dor, inchaço, mudança da coloração da pele, aumento da temperatura e endurecimento dos músculos próximos ao local da trombose. No entanto, em cerca de 50% dos casos, o trombo instala-se na veia sem provocar manifestações locais e pode passar desapercebido – o que é uma situação de grande risco.

O tratamento convencional é feito com repouso na cama, medicamentos anticoagulantes e meias elásticas para interromper o processo de formação de novos coágulos dentro das veias.

O tratamento mais recente para a doença é a revascularização endovascular, que reconstrói as veias trombosadas. Nessa técnica, são utilizados cateteres que injectam uma medicação que dissolve os coágulos, e assim as veias são recuperadas e o sangue volta a circular normalmente. Nos casos de tromboses mais antigas, onde os coágulos foram transformados em cicatrizes dentro das veias, pode existir a necessidade de abrir as veias com cateteres ou balões – as chamadas angioplastias – e às vezes até a colocação de próteses metálicas que manterão as veias abertas – os stents.

Para prevenir a doença é preciso em primeiro lugar melhorar o estilo de vida. E para isso a prática frequente de exercícios e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Além disso, é preciso manter o peso dentro dos limites saudáveis, não fumar e restringir o consumo de bebidas alcoólicas. Pessoas com predisposição a desenvolver TVP precisam de movimentar-se logo após longos períodos de imobilização (como viagens de avião, por exemplo), depois de cirurgias e quando tiverem necessidade de permanecer em repouso por muito tempo.

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