Causadas por fungos

Micoses superficiais da pele

Atualizado: 
17/05/2019 - 11:18
As micoses superficiais da pele são infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos.
Micose de pele

As micoses superficiais da pele, em alguns casos chamadas de "tineas", são infecções causadas por fungos que se apresentam de formas distintas e que afectam diferentes áreas corporais, como a pele, as unhas e os cabelos. “Tinea”, derivado do latim e que significa verme. A designação do tipo de micose fica completa com a região do corpo envolvida.

As micoses (infecções da pele causadas por fungos dermatófitos) encontram-se entre as doenças mais frequentes que afectam o ser humano. Pode-se mesmo afirmar que quase todas as pessoas irão sofrer de uma micose alguma vez na vida. De acordo com a profundidade da infecção, distinguem-se três tipos de micoses: superficiais, intermédias ou cutâneas. É das superficiais que falaremos, até porque são as mais habituais no nosso meio.

As micoses superficiais dividem-se em dermatofíticas e não dermatofíticas, conforme o microrganismo pertença ou não aos chamados fungos dermatófitos.

Esta é a denominação comum dos fungos dos géneros Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton, que se caracterizam por apresentar queratinofilia, ou seja, que crescem bem na presença de queratina, proteína que é um constituinte importante tanto da pele como de unhas e cabelos. Por isso, estes fungos geralmente só afectam a epiderme, a camada mais superficial da pele, as unhas e os pêlos. Provocam doenças muito variáveis, desde sintomas ligeiros até lesões com pus e inflamação, em geral, as que são conhecidas como dermatofitoses.

Existem factores locais que predispõem ao desenvolvimento destas micoses como os a humidade ou os cortes, frequentes nos pés ou na região inguinal. Por outro lado, os tratamentos com imunossupressores, a quimioterapia ou a diabetes também podem intervir no aparecimento das micoses superficiais.

Sintomas da micose de pele 

Existem várias formas de manifestação das micoses cutâneas superficiais, dependendo do local afectado e também do tipo de fungo causador da micose.

De acordo com o local do corpo onde se apresenta a infecção, podem-se distinguir:

Tinea capitis

Afecta o couro cabeludo, as sobrancelhas ou as pestanas, e provoca a perda do pêlo em pequenas zonas circunscritas, que vão crescendo com tendência a ficarem com vermelhidão e a apresentarem pequenas escamas de pele, com ou sem pus e inflamação aparente. Originam muito frequentemente comichão.

Tinea barbae

Lesões semelhantes, na zona da barba, de novo com ou sem sinais de inflamação ou comichão.

Tinea corporis

Localiza-se no tronco e nos membros, e também em zonas da cara sem pêlos. Pode manifestar-se como manchas circulares ou ovais com pequenas escamas ou vesículas nas bordas e com o centro de cor vermelha ou avermelhada; outras vezes têm a forma de anel com uma borda vermelha e o centro já curado.

Tinea cruris (cruris é o termo latino para pernas)

Localiza-se nas virilhas, períneo e região perianal podendo estender-se pela parte interna dos músculos, como placas nos dois lados, de cor avermelhada a acastanhada, com finas escamas e borda de progressão avermelhada. É importante recordar que a infecção se transmite por toalhas, roupas interiores e roupas de cama. Nos homens pode estar associada a Tinea pedis, pois a queda do fungo pelas calças é bastante frequente.

Tinea pedis

É a mais frequente, pois 15 por cento das pessoas já sofreram ou sofrem dela. Também é conhecida como "pé de atleta" e localiza-se entre os dedos e na planta do pé. Muitas vezes é adquirida com a prática de desporto com os pés descalços ou em duches de uso colectivo. Manifesta-se como pele esbranquiçada e macerada, por vezes com fissuras dolorosas, entre os dedos.

Onicomicose ou Tinea ungium

O parasitismo da unha pode manifestar-se como um espessamento ou descolamento da unha, por vezes com alterações de cor, em geral de tom esbranquiçado.

Tinea negra

Manifesta-se pela formação de manchas escuras na palma das mãos ou plantas dos pés. É assintomática.

Diagnóstico da micose da pele

Geralmente o diagnóstico pode realizar-se com base na avaliação clínica e no aspecto das lesões. Por vezes é necessário realizar um exame directo das escamas cutâneas ou pêlos para saber se o agente causal é um dermatófito ou uma levedura. Para determinar com exactidão o fungo responsável é necessário realizar uma cultura das lesões.

Prevenção da micose da pele

Hábitos higiénicos são importantes para evitar as micoses. Previna-se seguindo as dicas abaixo:

  • Seque-se sempre muito bem após o banho, principalmente as dobras de pele como as axilas, as virilhas e os dedos dos pés
  • Evite ficar com roupas molhadas durante muito tempo
  • Evite o contacto prolongado com água e sabão
  • Não use objectos pessoais (roupas, calçado, pentes, toalhas, bonés) de outras pessoas
  • Não ande descalço em pisos constantemente húmidos (vestiários, saunas, etc.)
  • Observe a pele e o pêlo dos seus animais de estimação. Qualquer alteração ao nível da descamação ou falhas no pêlo procure o veterinário.
  • Evite mexer na terra sem usar luvas
  • Use somente o seu material de manicura
  • Evite usar calçados fechados o máximo possível. Opte pelos mais largos e ventilados
  • Evite roupas quentes e justas.
  • Evite os tecidos sintéticos, principalmente na roupa interior. Prefira o algodão.

Tratamento da micose da pele

No tratamento das micoses cutâneas tem de se ter em consideração que é necessário ter paciência para se obter resultados positivos, pois são necessárias algumas semanas para eliminar a infecção. Para além disso, deve-se impedir o contágio de e a outras pessoas mantendo as zonas afectadas limpas e secas. É importante também referir que não deve usar medicamentos indicados por outras pessoas.

Normalmente estas infecções são tratadas mediante a aplicação nas zonas afectadas de antifúngicos, que são fármacos específicos para estes microrganismos. Em casos de micoses muito extensas ou refractárias ao tratamento, pode ser necessário administrar também, por via oral, um fármaco antifúngico. O uso de anti-histamínicos pode ser indispensável para o controlo e alívio da comichão, sobretudo nas tineas do couro cabeludo.

Pode acontecer que seja necessários diferentes períodos de tratamento, ou que a doença reapareça sob a forma de surto. Muitas vezes devido ao incumprimento das medidas de prevenção e do controlo epidemiológico, ou à falta de perseverança no tratamento.

O prognóstico em geral é bom, mas é importante recordar que enquanto se mantiverem as circunstâncias favorecedoras anteriormente descritas é provável uma nova infecção.

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Fonte: 
dermatologia.net
Bayer
Nota: 
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