Diabetes Mellitus
A Diabetes afeta cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 1 milhão de portugueses.

A diabetes mellitus é uma doença caracterizada pela subida dos níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia).

A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é considerada pela OMS a pandemia do século XXI. A pandemia da DM2 acompanha a pandemia da obesidade e designadamente a da obesidade infantil. Há por isso um número crescente de crianças com DM2 ao contrário do que era o usual. É reconhecida a natureza agressiva da doença, quando diagnosticada mais cedo associa-se a uma maior taxa de complicações crónicas mais precoce, que conduzem à morte prematura.

A obesidade na grande maioria dos casos é resultante do estilo de vida. A sedentarização da sociedade associada ao consumo calórico elevado têm como consequência o ganho progressivo de peso. A alimentação fraccionada com escolhas saudáveis como os legumes frescos, alimentos ricos em fibras e frutas devem ser promovidos e instituídos desde cedo. Devem ser evitados alimentos pré-confeccionados, ricos em gorduras ou em açúcares simples. A prática regular de exercício físico deve ser incentivado e a restrição do tempo dedicado a actividades mais sedentárias pode ser condicionado. Embora a história familiar de DM2 aumente o risco de vir a ter a doença, a mudança do estilo de vida pode atrasar ou impedir o seu aparecimento.

A estratégia de implementação do estilo de vida saudável é recomendada na abordagem inicial da DM2

Também a nível mundial se tem observado um aumento de cerca de 1-5% do número de novos casos de diabetes mellitus tipo 1 (DM1) diagnosticados por ano. A causa deste aumento tem sido objecto de inúmeras investigações.

A DM1 é uma doença auto-imune que se carateriza pela produção insuficiente de insulina desde o diagnóstico. Os mecanismos que conduzem ao seu aparecimento não estão totalmente esclarecidos. A sua origem é atribuída a factores genéticos e a factores ambientais. Foram identificados genes que se sabe que conferem susceptibilidade para a ocorrência da doença. Têm também sido apontados diversos factores do ambiente que funcionam como gatilhos do processo que conduz à destruição pancreática e consequente insuficiência de insulina. As infeções virais e a exposição precoce a alguns nutrientes, nomeadamente glúten, cereais e frutos vermelhos, são factores ambientais para que aponta a evidência científica. Tem sido reconhecido o papel protector do microbioma intestinal (microorganismos que colonizam o tracto intestinal) na génese da DM1. Nalguns estudos demonstrou-se que a utilização de antibióticos e consequente alteração do microbioma intestinal aumenta o número de novos casos de DM1. O conhecimento dos mecanismos que conduzem à doença permitirá desenvolver estratégias a sua prevenção.
Desde o início do século passado, observaram-se mudanças significativas na compreensão da diabetes mellitus e na forma de tratá-la.

A abordagem multidisciplinar da doença e a educação terapêutica, através de programas estruturados com envolvimento de técnicos de saúde, da pessoa com diabetes e da sua família são o cerne da prestação de cuidados nesta patologia. Têm como objectivo o empowerment, o envolvimento do doente na gestão da sua doença e a motivação, fundamentais à adesão e ao sucesso do tratamento.

O tratamento farmacológico desta condição evoluiu de forma significativa nos últimos 50 anos. Foram desenvolvidas moléculas de insulina que permitem tratar de forma mais fisiológica a doença e surgiram outras classes de medicamentos que permitem corrigir as alterações inerentes à patologia a vários níveis (no caso da DM2).

Relativamente ao tratamento com insulina, para além das características farmacológicas das moléculas desenvolvidas, verificou-se também um grande progresso na forma da sua administração, inicialmente feita por seringa, posteriormente por dispositivos de caneta de corpo fixo ou descartável e finalmente por dispositivos de perfusão sub-cutânea de insulina (bomba de insulina). A evolução das moléculas de insulina e da forma de administração do tratamento melhorou significativamente a qualidade de vida das pessoas, tornando os esquemas de tratamento mais flexíveis e adaptados a cada indivíduo. Nalguns países está disponível a insulina inalada, indicada em doentes com diagnóstico de DM2.

Estão ainda em investigação outras vias menos invasivas de administração da insulina como a oral, a transdérmica, a intraperitoneal e a nasal.

Os avanços no tratamento permitiram melhorar o controlo da diabetes mellitus e prevenir as complicações agudas e crónicas da doença com consequente aumento da qualidade de vida e da longevidade destes doentes.

As ferramentas que existem actualmente para avaliação da glicemia –glucómetros e sistemas de monitorização contínua da glucose- são extremamente precisas e de fácil utilização. As tiras de avaliação da concentração da glucose no sangue substituíram as tiras da concentração da glucose na urina. A avaliação da concentração dos corpos cetónicos no sangue é também possível com alguns medidores de glicemia, o que representa uma mais-valia para as pessoas com diagnóstico de DM1.

É actualmente possível monitorizar a glicemia no domicílio de forma extremamente fácil e fiável, e ao longo das 24 horas, o que permite o ajuste precoce e adequado do tratamento.

Os sistemas de monitorização contínua da glucose, permitem a avaliação dos níveis de glucose no tecido sub-cutâneo (liquido intersticial) através de um sensor que é introduzido na pele. O cateter deve ser susbtituído com fequência variável. Essa informação é transmitida cada 1 a 5 minutos para um monitor onde a informação pode ser consultada em tempo real ou retrospectivamente. Estes sistemas permitem detectar elevação ou descida de valores, bem como prever a tendência. Embora reduzam o número de avaliações por picada do dedo, actualmente, estes sistemas estão aprovados para utilização em associação com os medidores tradicionais, que permitem aferir resultados em situações em que há redução da exactidão dos sistemas, nomeadamente para valores excessivamente baixo ou variações rápidas da glicemia como as induzidas pelo exercício físico.

Outros sistemas de leitura da glicemia através de microelectrodos, radiofrequência, sensores de fibra óptica ou microchips em lentes de contacto poderão ser o futuro, encontrando-se actualmente apenas no campo da investigação.

Há dispositivos que têm incorporados para além do sistema de leitura de valores, algoritmos que permitem calcular a dose necessária de insulina a administrar, tendo em conta variáveis outras (factor de sensibilidade à insulina e quantidade de hidratos de carbono incluídos na refeição).

O pâncreas artificial é um sistema de tratamento fechado, em que estão associados um mecanismo de perfusão contínua de insulina e outro de monitorização em tempo real dos níveis de glicemia, sendo o ajuste do ritmo de perfusão independente da intervenção do utilizador. A principal diferença entre este e o sistema de perfusão sub-cutânea de insulina (bomba de insulina) é o ajuste automático da dose de insulina de acordo com a monitorização da glicemia em tempo real, através de algoritmos que calculam a dose necessária tendo em conta a tendência dos valores. Permitem um melhor controlo dos níveis da glicemia, reduzem o risco de hipoglicemia e diminuem a frequência da vigilância da glicemia capilar através da picada do dedo, libertando o doente deste tipo de cuidado. Existem já pâncreas artificiais que associam à insulina outra hormona (glucagon) de forma a reproduzir os mecanismos fisiológicos de controlo da glicemia que existem antes da doença.

Embora estes sistemas tenham já sido testado por várias empresas desde há vários anos, não estão ainda disponíveis na prática clínica na Europa. 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Cancro do Pâncreas
Difícil de diagnosticar, o Cancro do Pâncreas constitui a 4ª causa de morte dentro das neoplasias.

O cancro do pâncreas (carcinoma) continua a ser um tumor difícil de diagnosticar e controlar. Constitui a 4ª causa de morte dentro das neoplasias.

O diagnóstico é frequentemente feito em fases avançadas. O pâncreas está profundamente localizado no espaço retroperitoneal, inacessível à palpação, é um órgão sólido, não passível de distender, sem “dor” denunciante e só tardiamente provoca sinais indirectos de doença   .

A capacidade de infiltrar os tecidos peripancreáticos, os gânglios locorregionais e as estruturas vasculares regionais dá-se em fases relativamente precoces do desenvolvimento do tumor pelo que na altura do diagnóstico só 20 a 25% dos casos são potencialmente ressecáveis.

As massas pancreáticas observadas (ecografia, TC abdómen) são em 95% dos casos adenocarcinomas, 4% outros tumores (linfoma, metástases de outros tumores – pulmão, mama, rim, melanoma) e cerca de 1% tumores endócrinos.

A localização é em 75% na cabeça do pâncreas; 15 a 20% no corpo e 5 a 10% na cauda.

Importante o diagnóstico diferencial correcto da lesão com exclusão de doença “benigna” e potencialmente não cirúrgica como nódulos de pancreatite autoimune, irregularidades de alterações de pancreatite crónica, nódulos / lesões dos ductos pancreáticos – IPMN.

É necessário o estadiamento exaustivo da lesão em relação com as estruturas adjacentes - vias biliares, vasos:

A ecografia abdominal é indispensável no diagnóstico inicial e nas características e exclusão de lesões hepáticas.

A TC abdominal define a extensão e invasão da lesão sendo por vezes necessário o uso da TC helicoidal e/ou a Ressonância Magnética para definir a relação com os vasos e em especial excluir ou afirmar a sua invasão.

Cada vez mais usamos o PET scan para perceber a extensão local e outras lesões à distância da inicial. Na evolução pós cirurgia ou terapêutica quimioterapia pode ser útil na exclusão de recidiva.

A Ecoendoscopia tem um papel muito importante quer na dimensão da lesão e a sua relação com as estruturas adjacentes – se limitada ao pâncreas, ou se evidência de invasão da papila/duodeno ou da parede gástrica ou do baço, quer para excluir ou afirmar a demarcação tumor/vaso, a invasão ou obstrução do vaso e a existência ou não de vasos colaterais (efeito doppler).

O efeito doppler pode ajudar a distinção entre massa tumoral ou inflamatória, mas é fundamental para caracterizar a invasão dos vasos.

Com o uso da punção guiada temos a possibilidade de estabelecer o diagnóstico, se há dúvidas de diagnóstico, ou de caracterizar o tipo de tumor pré quimioterapia, se não é possível cirurgia imediata.

A ecoendoscopia com elastografia pode ajudar no diagnóstico diferencial lesão maligna ou benigna e é um campo em estudo.

A CPRE está cada vez mais destinada a atitudes terapêuticas. É útil na exclusão e caracterização de eventuais lesões da papila de Vater ou na necessidade de fazer citologia e biopsias de estenoses da via biliar (caracterizar invasão?).

O uso de próteses pré cirurgia tem sido discutido pelo risco de infecção ou poder causar dificuldades na cirurgia. Mas será necessária na quimioterapia neoadjuvante e como terapêutica paliativa definitiva se progressão da doença, com icterícia e prurido intensos.

A estratégia terapêutica tem evoluído com alguns benefícios. O uso de quimioterapia e quimioradioterapia pré-operatória parecem melhorar a sobrevida com boa qualidade de vida. Aproveita a boa vascularização do tumor e parece reduzir o risco de disseminação operatória e a recidiva locorregional.

Alguns estudos foram feitos e decorrem baseados em terapêuticas biológicas dirigidas ao ciclo celular da cargcinogénese. Com alguma melhoria na sobrevida foi aprovado o uso da gemcitabina com erlotinib nos cancros avançados. Decorrem estudos de uso de gemcitabina com bevacizumab.

Apenas algum comentário sobre dois aspectos muito traumatizantes para os doentes com cancro do pâncreas:

A síndrome anorexia-caquexia. Sindrome metabólica complexa com anorexia marcada e perda de peso involuntária. Em cerca de 20% dos doentes com carcinoma do pâncreas é a principal causa de morte. As alterações metabólicas simulam as observadas na resposta inflamatória de fase aguda e impedem correcta utilização de nutrientes. A sua terapêutica deverá tentar modular esta resposta inflamatória com uso de nutrientes com acção anti-inflamatória, como sejam os ácidos gordos ómega 3

Os aspectos psicossociais destes doentes, em especial sabendo a limitação de sobrevida, passam por processos depressivos em cerca de 75% dos doentes e 15% de depressões major. São quadros que afectam cerca de 20% de familiares. Deve ser pensada uma abordagem com psicooncologista, assistente social, contacto com a família e uma terapêutica proactiva na abordagem da dor e da depressão.

Como final volto a referir que o Cancro do Pâncreas é uma doença de abordagem multidisciplinar e cada vez mais é necessário aprofundar a carcinogénese destes tumores, tentando permitir diagnósticos mais precoces e terapêuticas mais eficazes.

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Dia Mundial da Pneumonia
Portugal é o segundo país onde mais se morre de Pneumonia, estimando-se que, todos os dias, cerca de

A pneumonia é uma inflamação do pulmão, em que os alvéolos são preenchidos por líquido constituído por células inflamatórias, bactérias/vírus e restos celulares impossibilitando a adequada troca gasosa. Tem uma causa infecciosa e resulta da propagação de bactérias já existentes na orofaringe para o pulmão, que ultrapassam os mecanismos de defesa e desenvolvem a infecção ou da inalação de gotículas infectadas eliminadas por pessoas doentes. O agente mais frequentemente relacionado com as pneumonias bacterianas é o Streptococcus pneumoniae.

A pneumonia adquirida na comunidade é responsável por cerca de 4.2 milhões de mortes em todo o mundo. Em Portugal cerca de 81 portugueses são internados por dia e destes, 16 irão morrer.

Sendo considerada a terceira causa de morte por doença, no mundo, ela comporta um forte impacto económico, com cerca de 1 milhão de euros em custos directos por internamento, correspondendo a 80 milhões de euros por ano.

Na última década, o número de internamentos e de óbitos tem revelado uma tendência crescente, sobretudo nos grupos de risco. Estes grupos são as crianças ou idosos e, qualquer pessoa, independentemente da idade, com uma doença crónica que lhe diminua o sistema imunitário ou que possa agravar na presença de processos infecciosos como a pneumonia. Destas doenças destacam-se as neoplasias, a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), diabetes, doenças cardíacas/hepáticas, imunodeficiências.

Os sintomas são gerais e inespecíficos, sendo os mais comuns a febre, que pode ser alta, tosse com ou sem expectoração; esta quando existe pode ser esverdeada, amarelada ou até mesmo com sangue, falta de ar e dor torácica. Dores no corpo e cansaço também costumam estar presentes. Este quadro pode desenvolver-se rapidamente ou ter início como um síndrome gripal e evoluir ao longo dos dias. Dada a inespecificidade das queixas é necessária uma avaliação médica para excluir outras causas.

O diagnóstico é confirmado pela realização de uma radiografia do tórax em que se torna evidente a localização e extensão da doença, bem como eventuais complicações imediatas.

Apesar do número crescente de internamentos nem todas as pneumonias têm indicação para serem internadas. O mesmo vai depender das comorbilidades (doenças como diabetes, neoplasias, insuficiência cardíaca e/ou hepática,DPOC, entre outras), gravidade clínica da apresentação (extensão da doença revelada pela radiografia do tórax, presença de complicações como derrame pleural – liquido no pulmão; compromisso de outros orgãos nomeadamente função renal, déficit de oxigénio no sangue), incapacidade de cumprir a medicação seja por não ter via oral ou por problemas sociais. Outro factor a ter em consideração é a idade, pois a população idosa, precisamente por ter mais patologias é um grupo com maior mortalidade.

O tratamento passa por antibióticos, cuja escolha irá depender da provável etiologia, da existência de alergias e das patologias do doente. Em caso de internamento, é frequente o uso de antibióticos injectáveis. Devido ao aumento das resistências das bactérias aos antibióticos, estes devem ser prescritos apenas por médicos e após confirmação do diagnóstico. Entre quatro a seis semanas após o tratamento, todos os casos diagnosticados devem ser reavaliados com repetição da radiografia de modo a confirmar a resolução do problema.

A prevenção é a medida mais importante para reduzir o número de casos, e esta passa por medidas gerais como cessação tabágica, alimentação saudável, prática de exercício físico e uma boa higiene oral.

Estão também recomendadas medidas específicas, nomeadamente pela Direcção Geral de Saúde, que são as vacinas, quer a antigripal quer a pneumocócica. Estas estão recomendadas a todos os indivíduos com mais de 65anos, doentes crónicos com patologias como DPOC, diabetes, neoplasia, doenças cardíacas e/ou outras que comprometam a capacidade do organismo se defender de uma infeção.

A vacina antigripal deve ser realizada anualmente. São frequentes os casos de pneumonia pós-processos infecciosos virais, daí a sua recomendação. Existem duas vacinas pneumocócicas, a 23 valente e, a mais recente, com 13 serótipos. Esta última está incluída no plano nacional de vacinação desde 2015 e é gratuita para adultos que sejam portadores de doenças específicas (por exemplo HIV/SIDA, leucemia, linfoma). 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde vai criar mecanismos para travar o crescimento da despesa com os dispositivos médicos, depois de deixar...

No documento, que o Governo entregou no dia 14 de outubro, estava prevista uma contribuição extraordinária das empresas de dispositivos médicos, que deveriam render 35 milhões de euros.

Manuel Delgado confirmou que esta contribuição não se mantém no documento que vai ser debatido na próxima segunda-feira, pelos deputados das comissões parlamentares da Saúde e do Orçamento e Finanças.

Segundo o secretário de Estado, o objetivo do governo é criar limites ao crescimento da despesa, os quais deverão ser ainda debatidos com os representantes do setor.

O presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (Apormed), João Gonçalves, disse à Lusa que foi confrontado com a notícia da contribuição extraordinária prevista no relatório do Orçamento do Estado para 2017.

A Apormed não tinha sido ainda ouvida sobre esta matéria, da qual discorda completamente, e recebeu com algum descanso a notícia de que a taxa já não iria avançar.

O presidente da Apormed disse ainda que solicitou uma audiência com a tutela, para saber mais pormenores sobre as intenções do governo sobre as empresas deste setor.

“Esta indústria e este setor já têm sofrido a vários níveis e esta taxa seria decisiva para que algumas empresas não pudessem suportar o esforço e tivessem mesmo que fechar”, adiantou.

Manuel Delgado manifestou a intenção de chamar à discussão os representantes do setor.

Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde quer que os medicamentos sejam introduzidos mais rapidamente no mercado e que os laboratórios ofereçam os...

Manuel Delgado falava no final do Fórum do Medicamento, organizado pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), durante o qual o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) anunciou que as autorizações de utilização excecional (AUE) de medicamentos vão acabar.

As AUE são um instrumento para fazer chegar aos utentes seguidos nos hospitais medicamentos inovadores ainda não comercializados e que têm de demonstrar o seu benefício clínico.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, confirmou a intenção destas AUE terminarem, embora mediante um “processo gradual” que representa também “um desafio para a indústria farmacêutica”.

O Infarmed deverá passar a autorizar mais rapidamente a introdução do medicamento no mercado de novos medicamentos.

Nos casos em que existam doentes que precisam, de uma forma excecional, de um medicamento, este deverá ser fornecido gratuitamente pelo laboratório, adiantou Manuel Delgado.

No Fórum, o secretário de Estado da Saúde anunciou ainda que, até ao final do ano, deverão ser aprovadas mais 148 novas moléculas.

 

Trata-se do “maior número de novas moléculas nos últimos anos em Portugal”, sublinhou.

Estudo
Um estudo realizado no início de 2016 em centros de saúde do Porto concluiu que 83,65% dos 316 utentes da amostra não...

O trabalho foi realizado por seis médicos, sob a chancela da Administração Regional da Saúde do Norte, entre fevereiro e abril em cinco centros de saúde - Arca D´Água (freguesia de Paranhos), Porto Centro (Bonfim), Novo Sentido (Campanhã), Valbom (Gondomar) e Porto Douro (Lordelo do Ouro e Massarelos).

O coordenador do estudo, Bruno Morrão, afirmou que o estudo é "o primeiro do género realizado em Portugal", mas assinalou que o trabalho "apresenta algumas limitações" que podem levar a uma distorção, "uma vez que se trata de uma amostra de conveniência, traduzida nos utentes frequentadores da consulta, o que limita a extrapolação para a população em geral".

O tamanho da amostra “também não foi adequado, tendo-se verificado uma taxa de desistência de 31%", sublinhando o clínico ter-se tratado de "uma medição em massa dos níveis de vitamina D na forma de 25 hidroxivitamina D (Calcidiol)".

Outra limitação encontrada "prende-se com o facto de se ter realizado uma colheita única de sangue, no final do inverno".

"Não havendo colheita de uma amostra para comparação no final do verão, não é possível estabelecer uma relação de causa-efeito entre os níveis de vitamina D encontrados e a exposição solar", lê-se ainda.

Dando conta que "atualmente, os níveis de referência estabelecidos não são ainda consensuais entre as várias sociedades internacionais", aquele que foi "o primeiro estudo realizado em território nacional com estas características", alerta "para o potencial risco de hipovitaminose na população adulta saudável".

"Este foi o primeiro estudo em Portugal do género pelo facto de ter sido selecionada uma população sem quaisquer fatores de risco patológicos para a hipovitaminose D. Por exemplo, as pessoas com Índice de Massa Corporal acima de 30 (definição de obesidade) têm níveis de vitamina D diminuídos não sendo incluídos no estudo por isso mesmo. A nossa população é teoricamente 'saudável'. Nenhum dos outros estudos conhecidos teve em consideração estes fatores", explicou à Lusa Bruno Morrão.

Questionado sobre se as conclusões do estudo apontavam para um problema de saúde pública, o clínico respondeu que os números alcançados levantam outras questões, admitindo que "estes níveis possam ser extrapolados para a população em geral".

"É preciso perceber se os níveis medidos numa só ocasião e no final do Inverno são suficientes para avaliar os níveis ao longo do ano inteiro e mesmo havendo um défice generalizado, será que na população adulta saudável irá provocar problemas de morbi-mortalidade? Serão as pessoas mais doentes por isso?", questionou.

Campanha "Olhe Pelas Suas Costas"
O medo da operação à coluna continua a distanciar os doentes do tratamento e a influenciar a sua qualidade de vida. O alerta é...

"Atualmente dispomos de técnicas cirúrgicas que acarretam um risco reduzido de complicações e que podem devolver aos doentes a sua qualidade de vida. O problema é que, muitas vezes, as pessoas evitam estas cirurgias porque desconhecem a realidade destes procedimentos", alerta Paulo Pereira, coordenador nacional da campanha "Olhe Pelas Suas Costas".

O médico explica que "as técnicas atualmente disponíveis, nomeadamente as minimamente invasivas, distanciam-se bastante do conceito convencional – e enraizado em grande parte da população – sobre cirurgia da coluna e apresentam diversos benefícios para o doente, nomeadamente, menos dor no pós-operatório, menor tempo de internamento e um regresso mais rápido à vida ativa".

Entre as patologias que mais frequentemente necessitam de intervenção cirúrgica estão as hérnias discais, mais comuns entre os 30 e os 50 anos de idade, e a estenose lombar, que afeta cerca de 20 por cento da população com mais de 65 anos, escreve o Sapo.

"É frequente encontrarmos doentes que recusam sistematicamente a cirurgia, agravando o seu estado de saúde e perdendo, à medida que o tempo passa, a capacidade para realizar tarefas anteriormente consideradas simples e é preciso esclarecer estes doentes. Importa que saibam que a cirurgia da coluna é hoje diferente do que era há décadas atrás, com menor risco de complicações e maior previsibilidade em termos de resultados favoráveis", reforça Paulo Pereira.

"Isto não significa, naturalmente, que seja uma solução para todos os doentes, nem sequer para a maioria. O que pretendo realçar é que, quando a cirurgia está indicada e é realizada por um cirurgião experiente, a probabilidade de melhorar de forma significativa a qualidade de vida do doente é, em regra, muito superior à de conduzir a um mau resultado", conclui o neurocirurgião.

As dores nas costas são uma das principais causas de consultas médicas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. As doenças que afetam a coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física. Um estudo, realizado no âmbito desta campanha, indica que 28,4 por cento dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida de alguma forma pelo facto de terem dores nas costas e mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho por ano por este motivo.

Estudo
A investigação de um grupo de cardiologistas noruegueses analisou os níveis de preocupação com a saúde e concluiu que o stress...

O estudo, publicado pela BJM Open, foi aplicado em sete mil pessoas ao longo de dez anos e sugere que, apesar de a ansiedade no geral poder contribuir para o aumento do risco de doenças cardíacas, a realidade é que se essa preocupação for focada na saúde pode contribuir para o aumento de risco cardíaco em 70%.

Segundo Line Iden Berge, responsável pelo grupo de trabalho, ser preocupado com a saúde "não é perigoso, é apenas ansiedade" por isso sugere que as pessoas "continuem a viver a sua vida", escreve o Sapo.

Em declarações à BBC, Emily Reeve, enfermeira cardíaca da British Heart Foundation, considerou que “é natural que as pessoas se preocupem se considerarem que podem estar doentes". No entanto o problema pode ser agravado uma vez que “a ansiedade e o stress podem desencadear hábitos não saudáveis, como fumar ou comer mal, o que coloca uma pessoa em maior risco de ter uma doença cardíaca”, acrescentou.

A especialista considera que "embora não saibamos se as pessoas preocupadas em excesso se estão a colocar na mira de um ataque cardíaco, é claro que a redução da ansiedade desnecessária pode trazer benefícios para a saúde".

A população do estudo liderado por Line Iden Berge nasceu entre 1953 e 1957. Os inquiridos responderam a um questionário sobre saúde, estilo de vida e educação, tendo sido submetidos a exames regulares, ao longo de uma década, até 2009.

Álcool, psicoses, esquizofrenia
Faz um ano que a C.M. de Lisboa e o Centro Hospitalar Psiquiátrico da capital assinaram um protocolo com o objetivo de darem...

As duas entidades uniram meios e recursos, juntando na mesma equipa psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras.

São eles que percorrem as ruas de Lisboa para consultar quem vive sem um teto ou que os acolhem na unidade hospitalar.

O álcool é o problema dominante nesta população, mas não o único, escreve a TSF. Há também muitos casos de psicoses, esquizofrenia e dependência de drogas ilícitas.

Segundo António Bento, diretor do serviço de Psiquiatria Geral do Centro Hospitalar Psiquiátrico, esta população, na cidade de Lisboa, rondará cerca de duas mil pessoas.

Após a assinatura deste protocolo já foram assistidos cerca de duas centenas de sem-abrigo.

António Bento explica que cada caso é um caso. O sucesso do tratamento não está garantido, porque a adesão às consultas é voluntária, ainda assim, as equipas que prestam apoio não desistem, apesar de não "haver respostas mágicas".

Um ano depois da assinatura do protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Centro Hospitalar Psiquiátrico (que alberga o Hospital Júlio de Matos e o Hospital Miguel Bombarda), António Bento refere que a parceria tem agora por objetivo garantir que nenhum sem-abrigo esteja na rua ou sem assistência por falta de recursos.

Descoberta iMM Lisboa na revista Nature Communications
O investigador Gonçalo Bernardes, e a sua equipa do Instituto de Medicina Molecular (iMM) e da Universidade de Cambridge, viram...

Por não conseguirem distinguir células cancerígenas de células saudáveis, as terapias anticancerígenas existentes sofrem de uma eficácia reduzida e possuem efeitos secundários recorrentes. O novo método, descoberto pela equipa liderado por Gonçalo Bernardes, apresenta uma nova classe de compostos que garantem que o fármaco não seja libertado prematuramente de um anticorpo específico para as células cancerígenas na circulação sanguínea.

“Este novo método de ligação de fármacos muito tóxicos a anticorpos específicos contra células cancerígenas poderá tornar-se no método de eleição para a produção deste tipo de novas terapias, pois elimina a instabilidade e toxicidade adversa dos conjugados anticorpos-fármacos usados na clínica”, explica Gonçalo Bernardes, responsável pela investigação.

Desta forma, o fármaco pode ser direcionado eficientemente para o tumor, permitindo assim aplicar esta promissora terapia com um maior nível de eficiência numa das patologias mais preocupantes da sociedade atual.

Estudo
Novo estudo vem sugerir que as mulheres, no início da meia idade, têm uma memória melhor do que os homens, mas que com a...

Certamente que se lembra dos estudos que têm vindo a concluir que a memória das mulheres é mais desenvolvida que a dos homens. Agora, um novo estudo publicado na revista Menopause, editado pela Sociedade norte-americana da Menopausa, vem afirmar que as mulheres, no início da meia idade, têm uma melhor capacidade de memória do que os homens da mesma idade, mas que essas diferenças são atenuadas com a entrada na menopausa, escreve o Observador.

O estudo, que envolveu 212 homens e mulheres, com idade entre os 45 e os 55 anos, e que pretendeu investigar as diferenças na memória em função do sexo, das hormonas e do estado reprodutivo, sugere que as mulheres têm um melhor desempenho em termos de memória, mas que essa diferença face aos homens diminui com a chegada da menopausa, devido à quebra na produção de estradiol.

 

O ABC escreve ainda que os estudos já feitos à memória mostram que cerca de 75% dos adultos revelam ter perda de memória à medida que a idade vai avançando e que são as mulheres que mais se queixam de episódios de esquecimento.

XXXII Congresso de Pneumologia
O XXXII Congresso de Pneumologia arrancou ontem com uma retrospetiva do último ano no que toca aos mais inovadores tratamentos,...

Apesar de Portugal apresentar, em termos comparativos internacionais, um dos melhores valores de taxa de mortalidade por asma e por Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e um dos piores a nível Europeu no que toca à mortalidade por pneumonias, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia defende ser necessário criar um sistema de "normalização classificativa".

Venceslau Hespanhol, Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), tomando como exemplo os números da DPOC em Portugal revela que “de facto os dados revelam que temos uma mortalidade baixa por asma e DPOC. No entanto há que colocar a hipótese de a morte de um doente com DPOC que sofre uma agudização grave e pneumonia associada, ser classificada como morte por pneumonia a não por DPOC. Perante este cenário poder-se-á dizer que há necessidade de criar normalização classificativa. Há que chamar as mesmas coisas aos mesmos eventos. Só assim conseguiremos fazer uma correta análise comparativa”.

Para a Sociedade Portuguesa de Pneumologia o correto registo da doença respiratória é uma prioridade, a qual se torna urgente para várias patologias, como seja a fibrose quística . Para Carlos Lopes, Pneumologista do Hospital de Santa Maria, “a fibrose quística é uma doença que afeta vários sistemas e, apesar da sua grande heterogeneidade, geralmente, condiciona um quadro clinico muito sintomático, com internamentos frequentes. A criação de registos vai permitir estimar o número de doentes, planear recursos e responder às necessidades, permitindo estimar o número de doentes, planear recursos e responder às necessidades”.

Toda a informação referente ao XXXII Congresso de Pneumologia que decorre até sábado no Centro de Congressos Sana Epic, na Praia da Falésia está disponível em www.sppneumologia.pt

Infarmed
Duas dezenas de países europeus, entre eles Portugal, estiveram envolvidos na publicação de um artigo que avalia a necessidade...

O artigo “Payers’views of the changes arising through the possible adoption of adaptative pathways”, publicado na revista Frontiers in Pharmacology, a 28 de Setembro de 2016, e em que participou Ricardo Ramos, da Direção de Avaliação de Tecnologias de Saúde, analisa um novo modelo de autorização de introdução no mercado a título condicional: Medicines Adaptive Pathways to patients (MAPPs).

Este mecanismo de aprovação, em estudo pela Agência Europeia do Medicamento, é o foco deste artigo, que envolve reguladores e financiadores do sector da saúde de vários países europeus. Entre as preocupações expressas estão a reduzida evidência e o risco acrescido de os doentes serem expostos a tratamentos para os quais existem menos dados de segurança e eficácia. O mesmo se passa em relação ao financiamento, porque se torna complexa a avaliação do seu valor e do seu custo, dada a limita evidência disponível.

Os autores alertam para a necessidade de garantir que os MAPPs sejam concedidos em casos excecionais, quando não há alternativa de tratamento e em que é expectável que o novo medicamento seja uma inequívoca mais-valia. No caso de o medicamento não cumprir as expectativas, deverá também haver um processo claro de saída ou uma eventual retirada do financiamento.

Este artigo pretendeu ser um ponto de partida para uma discussão mais pormenorizada sobre a aplicação dos MAPPs, não pretendendo criar barreiras de acesso, mas sim gerar equidade e segurança no acesso aos novos medicamentos por parte do doentes europeus.

Estudo
Quase metade das 5,9 milhões de mortes de crianças com menos de cinco anos registadas em 2015 ocorreram no primeiro mês de vida...

Publicado na revista científica The Lancet, o estudo, que apresenta os dados mais recentes sobre a mortalidade infantil em 194 países, conclui que 5,9 milhões de crianças morreram em 2015 antes dos cinco anos, 2,7 milhões das quais eram recém-nascidas.

Globalmente, em 2015 houve menos quatro milhões de mortes infantis do que em 2000, em grande parte devido à redução da mortalidade associada à pneumonia, à diarreia, à morte durante o parto, à malária e ao sarampo (todas caíram mais de 30% entre 2000 e 2015).

No entanto, embora o número de mortes de recém-nascidos tenha diminuído de 3,9 milhões em 2000 para 2,7 milhões em 2015, o progresso na redução da mortalidade neonatal (nos primeiros 28 dias de vida) foi mais lento do que nas crianças entre um mês e cinco anos.

Isto resultou num aumento da proporção de recém-nascidos entre a mortalidade infantil, de 39,3% em 2000 para 45,1% em 2015.

Se as mortes de recém-nascidos tivessem caído ao mesmo ritmo das mortes de crianças entre um mês e cinco anos, o mundo teria alcançado o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir a mortalidade infantil em dois terços entre 1990 e 2015, o que não aconteceu.

O estudo destaca também as desigualdades no progresso registado no mundo, com as taxas de mortalidade infantil a variarem entre 1,9 e 155,1 mortes por mil nascimentos, e 60,4% (3,6 milhões) de todas as mortes a ocorrerem em 10 países.

Apesar dos progressos, as principais causas de morte entre as crianças foram as complicações devido a parto prematuro, (17,8%, 1,1 milhões de mortes), pneumonia (15,5%, 0,9 milhões de mortes) e morte durante o parto (11,6%, 0,7 milhões de mortes).

Em 2015, os países com maiores taxas de mortalidade infantil (mais de cem mortes por cada mil nascimentos) foram Angola, a República Centro-Africana, o Chade, o Mali, a Nigéria, a Serra Leoa e a Somália.

Nestes países, as principais causas de morte foram a pneumonia, a malária e a diarreia, pelo que os investigadores recomendam investimentos para promover o aumento da amamentação, a disponibilização de vacinas e a melhoria da qualidade da água e saneamento.

Em comparação, nos países com menores taxas de mortalidade infantil (menos de dez mortes por cada mil nascimentos), incluindo a Rússia e os EUA, as principais causas de morte foram anomalias congénitas, complicações devido ao parto prematuro e lesões.

Os investigadores recomendam por isso a melhoria da deteção e tratamento das anomalias congénitas, dos cuidados de saúde durante a gravidez e o parto e mais investigação sobre a eficácia das intervenções em casos de lesão.

Citada num comunicado da The Lancet, a autora principal do estudo, Li Liu, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos EUA, reconheceu que a sobrevivência infantil "melhorou substancialmente desde que os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio foram definidos, embora a meta de reduzir em dois terços a mortalidade infantil não tenha sido alcançada".

"O problema é que este progresso foi desigual e a taxa de mortalidade infantil permanece elevada em muitos países. É necessário um progresso substancial nos países da África subsaariana e no sul da Ásia para se alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", disse.

Relatório revela
Quase 400 crianças morrem diariamente de sarampo no mundo, apesar de a vacinação ter permitido reduzir o número de mortes em 79...

"Fazer o sarampo passar à história não é missão impossível", disse Robin Nandy, responsável pela imunização na Unicef, citado num comunicado conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Unicef, da Aliança para a Vacinação (Gavi) e dos centros de prevenção e controlo de doenças dos EUA (CDCP).

"Temos os instrumentos e o conhecimento para fazê-lo; o que nos falta é a vontade política para alcançar cada criança, esteja ela onde estiver. Sem este compromisso, as crianças vão continuar a morrer de uma doença que é fácil e barato prevenir".

A Unicef, a OMS, o Gavi e o CDCP estimam que as campanhas de vacinação do sarampo e um aumento da cobertura da vacinação de rotina tenham permitido salvar 20,3 milhões de jovens vidas entre 2000 e 2015, mas o progresso não é equilibrado.

Em 2015, cerca de 20 milhões de crianças não foram vacinadas e estima-se que 134 mil tenham morrido da doença.

A República Democrática do Congo, a Etiópia, a Índia, a Indonésia, a Nigéria e o Paquistão representam metade das crianças por vacinar e 75% das mortes por sarampo.

"Não é aceitável que milhões de crianças fiquem por vacinar todos os anos. Temos uma vacina segura e muito eficaz para parar a transmissão do sarampo e salvar vidas", disse Jean-Marie Okwo-Bele, diretor do departamento de imunização da OMS.

O responsável lembrou que a região das Américas foi este ano declarada livre de sarampo, "o que prova que a eliminação é possível".

"Agora temos de acabar com o sarampo no resto do mundo. Começa com a vacinação", afirmou.

O presidente do Gavi, Seth Berkley, lembrou que o sarampo é um bom indicador da robustez dos sistemas de imunização dos países e "muitas vezes funciona como o canário na mina de carvão, com os surtos a servirem de alerta para problemas mais graves".

"Para abordar as doenças evitáveis através da vacinação mais mortíferas precisamos de compromissos fortes por parte dos países e dos parceiros para aumentar a cobertura vacinal e os sistemas de vigilância", afirmou.

O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa que se transmite por contacto direto e pelo ar, é uma das principais causas de morte entre as crianças pequenas a nível mundial, mas é evitável com duas doses de uma vacina segura e eficaz.

No entanto, surtos da doença em vários países, provocados por falhas na imunização de rotina e em campanhas de vacinação, continuam a ser um problema: só em 2015 registaram-se surtos no Egito, Etiópia, Alemanha, Quirguistão e na Mongólia.

Opinião
Estima-se que as doenças crónicas afetem cerca de 50% da população portuguesa.

Por este motivo, os farmacêuticos comunitários, enquanto profissionais de saúde que estão mais próximos da população, têm como principal missão promover e participar ativamente na promoção da saúde, na deteção precoce de fatores de risco, na prevenção e gestão da doença e no acompanhamento e monitorização das terapêuticas.

Através da nossa farmácia, a comunidade local usufrui de um atendimento personalizado, um aconselhamento diferenciado e da plena disponibilidade dos Serviços de Saúde, nomeadamente: Consulta farmacêutica; Preparação Individualizada da Medicação; Administração de vacinas; Check Saúde; Nutrição; Pé Diabético; Podologia; Dermofarmácia; Marcação de exames e Reabilitação auditiva.

A intervenção dos nossos profissionais vai muito além da dispensa do medicamento, pois promovemos o aumento da literacia em saúde e a educação para uma melhor qualidade de vida. Acima de tudo, acompanhamos as pessoas com doença crónica, ajudando a melhor gerir a sua condição.

Atualmente, a nossa intervenção tem uma função social muito marcada, somos parceiros e parte integrante nos níveis de saúde do utente e selamos o compromisso de contribuir para a diminuição dos indicadores de mortalidade e morbilidade das doenças na localidade.

Atuamos junto dos lares, organizando sessões sobre a diabetes e que contam com a participação dos nossos enfermeiros. As creches, escolas primárias e secundárias podem contar com o nosso apoio e formação sobre inúmeros temas como a nutrição, o tabagismo, a pediculose, a contraceção ou os cuidados a ter com o sol.

No dia 10 de novembro celebramos o nosso 8º aniversário.

É um orgulho fazer parte de um grupo de 400 farmácias que tem uma filosofia e um posicionamento centrado nas pessoas e no acompanhamento diário dos doentes crónicos, através da disponibilização de soluções integradas de saúde.

É com orgulho que dizemos que, na nossa Farmácia, “trocamos uma receita médica por mais qualidade de vida” e que juntos fazemos a diferença.

Venha celebrar connosco, temos um presente especial para si!

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
Uma equipa de investigadores da Fundação IVI apresentou um estudo, durante o Congresso anual da Sociedade Americana de Medicina...

Substâncias como a daidzeína e a genisteína, denominados fitoestrógenos presentes em produtos derivados da soja, como o leite, os iogurtes, o tofu e o miso, assim como o metilparabeno, que se encontra em muitos produtos cosméticos, empobrecem a qualidade espermática, e, portanto, a capacidade reprodutora.

Este estudo piloto, em que participaram 25 voluntários masculinos, pretendia analisar o efeito de poluentes ambientais – disruptores endócrinos – e outras substâncias como os fitoestrógenos sobre a frequência de aneuploidias ou alterações numéricas nos cromossomas dos espermatozoides, e por tanto na sua qualidade.

A Dra. Susana Alves, diretora do Laboratório de Andrologia do IVI Lisboa, explica “os disruptores endócrinos são agentes externos com os quais qualquer pessoa tem contacto, pela simples razão de viver em sociedade, e que afetam o nosso equilíbrio hormonal. Investigações como esta contribuem para esclarecer em que medida estamos expostos e como afetam a capacidade reprodutiva do homem, permitindo tomar medidas para aumentar as possibilidades de êxito dos tratamentos de procriação medicamente assistida.”

O estudo consistiu em determinar, mediante um questionário completo, a que contaminantes estão expostos habitualmente os dadores de sémen, para posteriormente, medir a presença destas substâncias no sangue, urina e esperma. A equipa de investigadores descobriu que um alto nível destes disruptores endócrinos no sémen pode dar origem a espermatozoides com um número inadequado de cromossomas.

Estas anomalias são responsáveis, por exemplo, por uma má mobilidade dos espermatozoides e de outras malformações, algo que influi negativamente na capacidade reprodutora destes dadores.

Numa fase futura da investigação, o objetivo será reproduzir o estudo em mulheres e avaliar se estes agentes também influem na sua capacidade para a reprodução.

Administração Regional de Saúde do Centro
A população do concelho de Coimbra passou a estar totalmente coberta por Unidades de Cuidados na Comunidade, depois da abertura...

Segundo a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), a maior Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) do concelho de Coimbra começou a sua atividade na quarta-feira.

“A UCC Coimbra Saúde abrange 13 freguesias, cobrindo a totalidade da população inscrita nos centros de saúde de Eiras, Fernão de Magalhães e Santa Clara, estimada em 66.203 utentes”, refere.

A ARSC sublinha que, “a partir de agora, a população do concelho de Coimbra está totalmente coberta por estes cuidados”.

Integrada no Agrupamento de Centros de Saúde Baixo Mondego (ACES BM), a UCC Coimbra Saúde é coordenada pela enfermeira Maria de Fátima Guerra e tem uma equipa multidisciplinar (nove enfermeiros, médico, fisioterapeuta, psicólogos, técnica superior de serviço social e dietista), funcionando diariamente das 08:00 às 20:00.

“Destinada a prestar cuidados de saúde e intervir no âmbito da prevenção da doença e na promoção da saúde junto da população da sua área de influência”, a UCC vai desenvolver projetos no âmbito da saúde escolar, saúde mental, de prevenção e controlo da diabetes, de intervenção em pessoas, famílias e grupos vulneráveis e assistência em cuidados continuados integrados.

De acordo com ARSC, no concelho de Coimbra já funcionam as UCC Norton de Matos, S. Martinho e Celas.

“Com a abertura da UCC Coimbra Saúde, eleva-se para 11 as unidades de cuidados na comunidade integradas no ACES BM”, acrescenta.

No âmbito dos seis ACES da área de influência da ARSC, existem 56 UCC em atividade, que permitem uma cobertura estimada de 1.500.000 habitantes.

Saúde oral
A Câmara Municipal de Lisboa apresentou o programa "Sorrir não custa", iniciativa que pretende melhorar a saúde oral...

O programa junta o município e a Plataforma Global, e pretende ser posto em prática "ainda este ano, mas sem data para terminar", afirmou o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso.

"O objetivo será identificar o problema, diagnosticar e começar a intervir passo a passo para melhorar as condições de vida destas pessoas", acrescentou.

João Afonso referiu, também, que "a Câmara vai ser um facilitador para implementar este programa", que "não terá custos para o município".

O autarca apontou, ainda, que "a Câmara vê com muito entusiasmo a implementação deste programa", uma vez que "existem dentistas que apoiam os sem-abrigo de forma pontual, mas não existia nada que permitisse fazê-lo de forma sistemática".

O projeto conta também com o apoio do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Lisboa, e será um trabalho articulado com as equipas técnicas de rua, mais próximas destas pessoas.

Segundo o diretor clínico, o projeto "Sorrir não custa" consistirá em "identificar as pessoas que precisam de ajuda, educá-las a nível da higiene oral e tratá-las através de implantes dentários, sempre que possível".

Paulo Varela observou que "muitas pessoas queixam-se que não vão a entrevistas de emprego por não terem os dentes em condições".

Por isso, "o processo é mais profundo" e passa também por "melhorar a autoestima" destas pessoas, observou o dentista.

Esta ideia foi partilhada por João Afonso, que acrescentou que "a degradação da imagem dificulta a integração" das mais de 800 pessoas que estão nestas condições, na cidade de Lisboa.

Estudo
A psicóloga forense Catarina Ribeiro realçou a necessidade de se reforçar a aproximação entre a magistratura e as ciências do...

Ao apresentar um estudo que realizou nesta área, a profissional do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) disse que se verifica, entre juízes e magistrados do Ministério Público, uma “forte adesão a práticas baseadas em crenças e não na evidência científica”.

Este é um dos fatores que “poderão favorecer a emergência de fenómenos de vitimação secundária das crianças envolvidas nestes processos”, segundo as conclusões da investigação de Catarina Ribeiro, que trabalha na Delegação do Norte do INMLCF.

A psicóloga forense intervinha no âmbito da III Conferência do INMLCF, que decorre no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra até sexta-feira, tendo apresentado a comunicação “Valorização das perícias psicológicas na decisão judicial em casos de abuso sexual – Perspetivas, experiências e processos psicológicos de magistrados”.

Para desenvolver o trabalho, Catarina Ribeiro entrevistou 52 magistrados portugueses dos dois sexos, sendo 27 procuradores e 25 juízes, adstritos a comarcas do Continente e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

“Este é um estudo de natureza qualitativa”, esclareceu, escusando-se a “fazer generalizações para o contexto nacional ou internacional”.

O trabalho evidencia uma “elevada heterogeneidade entre as crenças dos magistrados sobre as capacidades de testemunhar da criança e sobre os elementos a valorizar nas perícias”.

Esta conclusão, segundo a profissional do INMLCF, implica uma “harmonização de procedimentos”, com “padrão ético de excelência, competência científica dos peritos e harmonização de práticas”.

“Analisar a forma como os magistrados perspetivam e experienciam a sua atividade profissional em casos de abuso sexual de crianças no contexto intrafamiliar” era um dos objetivos gerais do estudo.

Catarina Ribeiro pretendeu também “identificar fatores que influenciam a decisão judicial” e “compreender o processo de construção das decisões judiciais, identificando processos psicológicos” que os magistrados adotam nestes casos.

Como objetivo específico, quis igualmente “compreender como são valorizadas a colaboração dos psicólogos e as perícias psicológicas na decisão judicial”, com base nas perspetivas e experiências dos magistrados.

Considerada “a mais importante reunião científica do setor” em Portugal, a conferência anual do INMLCF foi realizada pela primeira vez em 2014 e “tem vindo sempre a crescer”, segundo a organização.

Na edição deste ano, pela primeira vez, o encontro decorre durante três dias, em vez de apenas dois, a que se junta, no sábado, a realização de três cursos pós-conferência, subordinados aos temas “Violência doméstica: aprender a reconhecer” (curso teórico), “Sínfise púbica e idade à morte em antropologia forense” (curso teórico-prático) e “Técnica avançada de dissecação do pescoço” (curso prático).

Ainda no sábado, durante a tarde, decorre a II Reunião de Coordenadores de Gabinetes Médico-Legais e Forenses.

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