No dia 6 de outubro
O Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro disse ontem esperar uma participação de mais de 10 mil pessoas...

Em 2017, as caminhadas "Pequenos Passos, Grandes Gestos" juntaram mais de nove mil pessoas numa iniciativa que procura sensibilizar a população para o cancro da mama e a sua prevenção, disse a coordenadora da Unidade de Voluntariado do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Sónia Silva, que falava durante a apresentação do evento, que decorreu em Coimbra.

Este ano, a iniciativa realiza-se a 06 de outubro nas cidades de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Guarda, Leiria e Viseu, sendo que a organização tem a expectativa de ultrapassar os dez mil participantes, referiu Sónia Silva.

As caminhadas, que vão para a nona edição, registaram ao longo dos anos um "aumento de pessoas" que se associa à iniciativa e compra o ‘kit’, sublinhou.

O ‘kit’ (com uma t-shirt do evento, uma garrafa de água, uma peça de fruta e folhetos informativos sobre o cancro da mama) custa cinco euros e está à venda na sede do Núcleo Regional da LPCC, bem como nas várias extensões da região do movimento Vencer e Viver da LPCC e em estabelecimentos comerciais, sendo que a própria organização vai desenvolver campanhas de divulgação em superfícies comerciais, informou.

No entanto, para participar nas caminhadas, a compra do ‘kit’ "não é obrigatória", frisou.

Segundo Sónia Silva, as caminhadas pretendem ser um momento de sensibilização regional para a problemática e de divulgação do próprio movimento Vencer e Viver - um grupo de entreajuda na região Centro constituído por mulheres sobreviventes do cancro da mama.

As caminhadas têm início às 15:00, com concentração às 14:30.

Organização Farmacêutica do Governo
Cerca de 100 quilogramas de canábis foram apreendidos ontem pela polícia na Tailândia e as autoridades vão convertê-los em...

Estima-se que 100 quilogramas se possam converter em 10 a 15 litros de extrato de canábis líquido.

A partir do princípio ativo da canábis, os investigadores da Organização Farmacêutica do Governo (GPO) podem produzir gotas, pomadas, supositórios, cremes e cápsulas, que serão submetidos a ensaios clínicos quando a lei o permitir.

O presidente da Organização Farmacêutica do Governo (GPO), Sophon Mekthon, afirmou já ter recebido a autorização da Oficina Antinarcóticos e da Agência de Alimentação e Fármacos.

“Queremos usar [a canábis] para objetivos medicinais e vamos controlar a sua aplicação” esclareceu Sophon. “Não se destina a uso recreativo”.

A proposta de lei que legaliza o uso terapêutico da canábis está a ser estudada no Parlamento e a equipa do Sophon investigou as diferentes qualidades terapêuticas dos vários tipos de marijuana para perceber quais são as características mais adequadas a cada objetivo medicinal.

O presidente da GPO ainda anunciou que irá apresentar um plano concreto sobre o uso futuro dos fármacos derivados de marijuana, em dezembro deste ano.

“A GPO quer o uso da marijuana para investigações médicas e para desenvolvê-la em produtos farmacêuticos de qualidade estandardizada” disse Sophon.

O responsável da GPO acrescentou que a organização espera fabricar um tipo de medicamento baseado em canábis à disposição do maior número de pessoas e que possa substituir outros tipos de fármacos com custos mais elevados.

É a primeira vez que a polícia tailandesa entrega drogas apreendidas a outra instituição governamental.

Habitualmente, as autoridades queimam os narcóticos ilegais apreendidos no dia 26 de junho de cada ano, para marcar o Dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e Tráfico Ilegal.

A Tailândia ilegalizou a marijuana em 1935 e atualmente pune a posse ou transporte de quantidades até 10 quilogramas com uma pena máxima de cinco anos.

A pena pode ir até aos 15 anos se as quantidades forem superiores.

O uso da canábis para efeitos medicinais é permitido em países como Canadá, Israel, Peru o Uruguai.

Balanço
O serviço “Sexualidade em Linha”, que comemora 20 anos, recebe, em média, 400 pedidos por mês. Ao longo das duas décadas, as...

A linha de ajuda foi criada em 1998, para dar resposta às necessidades dos jovens nas áreas da Sexualidade e do Planeamento Familiar, num contexto global de promoção da saúde e prevenção de comportamentos de risco, um projeto pioneiro que resultou de uma parceria entre a Associação para o Planeamento da Família e o Instituto Português do Desporto e Juventude.

Na véspera de se assinalar o Dia Mundial da Contraceção, a coordenadora da “Sexualidade em Linha”, Paula Pinto, fez um balanço dos 20 anos do serviço gratuito, que “informa, orienta, encaminha e esclarece dúvidas sobre saúde sexual e reprodutiva”, como relações de namoro, conjugalidade, contraceção, gravidez e gravidez não desejada, violência sexual, infeções sexualmente transmissíveis, orientação sexual, questões de género.

“O que temos verificado ao longo dos anos é que as próprias pessoas que ligam para a linha foram crescendo e acompanhando várias fases da sua vida e necessidades diferentes face às respostas que o serviço lhes dá neste âmbito”, disse Paula Pinto, adiantando que, atualmente, é a população em geral que liga cada vez mais.

A coordenadora do serviço, que funciona nos dias úteis das 11:00 às 19:00 e aos sábados das 10:00 às 17:00, através do número 808222003, explicou que o facto de a linha ser confidencial e anónima permite que as pessoas estejam “completamente à vontade” para colocar as suas questões.

“A Sexualidade em Linha é um serviço com características muito específicas que está aberto a todo o país e em que a resposta pode ser no imediato”, resolvendo “situações de informação e aconselhamento que dispensam uma procura mais exaustiva face a uma consulta ou qualquer recurso no âmbito do planeamento familiar e de informação sobre sexualidade em geral”, explicou.

Quando necessário é feito o encaminhamento das pessoas para consultas de planeamento familiar, de psicologia ou para gabinetes juvenis, de acordo com a área de residência.

Embora os novos métodos contracetivos, os implantes, o anel vaginal e o adesivo contracetivo – suscitem várias dúvidas, a “grande percentagem” de questões colocadas continua a ser sobre a toma da pílula, nomeadamente por esquecimento, interações com medicamentos e eficácia.

São também colocadas questões mais generalizadas, relacionadas com a vivência da sexualidade, que diferem das perguntas feitas nos primeiros anos do serviço, que eram suscitadas com a adolescência e ligadas às curiosidades que existem face a alguns conceitos, como “o que é o orgasmo” ou “a virgindade”.

Atualmente, as questões já não colocadas desta forma, embora continuem a surgir perguntas sobre o início das relações e determinadas práticas sexuais. “Há uma variação com as temáticas que estão a ser abordadas na sociedade em determinada fase”, disse, recordando a altura em que se “falava muito no sexo tântrico” e os jovens ligavam a perguntar o que era esta prática.

A internet também veio alterar o tipo de informação solicitada: “nos primeiros anos, a Linha era uma forma de abordar determinados assuntos que, de outra forma, não seriam tão fáceis [de abordar]. Atualmente, temos a perceção de que os jovens facilmente acedem a conteúdos neste âmbito”, muitas vezes de “qualidade duvidosa” em termos de credibilidade científica, que lhes suscitam dúvidas e ligam para as esclarecer.

Paula Pinto deu como exemplo o preservativo. Os jovens sabem que a sua utilização é o único método eficaz na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, mas ainda são poucas as perguntas que chegam ao serviço no sentido da prevenção.

“Se o preservativo rompe, a preocupação imediata é a gravidez e mais dificilmente será uma preocupação com a possibilidade de contrair uma infeção por transmissão sexual”, frisou.

A linha faz uma média de 4.000 atendimentos por ano, um número que apesar de ser considerado bom pela responsável, “fica aquém” dos números previstos caso “existisse uma divulgação mais efetiva do serviço”.

“É um recurso que devia ser mais do conhecimento da população em geral porque trabalha a prevenção a nível da educação sexual e dos comportamentos de risco. É um cuidado de saúde primário”, defendeu.

Investigação
Um papel com tinta fotossensível inventado por cientistas na Austrália pode revelar a quantidade de raios ultravioleta a que...

Uma carência de vitamina D do responsável pelo projeto criado na universidade australiana RMIT, em Melbourne, Vipul Bansal, levou à criação de sensores que mudam de cor em seis níveis diferentes.

"Podemos imprimir qualquer superfície semelhante a papel e produzir sensores portáteis e baratos em pulseiras, fitas para a cabeça ou autocolantes", afirmou.

Isso pode garantir uma "medição fiável e simples" dos níveis diários de exposição aos raios ultravioleta na luz solar.

Conforme o tom da pele, as pessoas têm necessidades diferentes de exposição solar e de absorção de vitamina D e cada sensor pode ser personalizado para dizer a cada um quando já teve a sua conta de sol.

 

Novas substâncias
A Autoridade do Medicamento tem atualmente em avaliação 23 novas substâncias na área da oncologia, sendo que a despesa com...

Os dados foram hoje divulgados pelo vogal do Infarmed Rui Ivo durante o Simpósio “Oncologia em Portugal”, organizado pela comissão parlamentar de Saúde e que hoje decorreu na Assembleia da República, em Lisboa.

Só para a área oncológica há 23 novas substâncias ativas a ser avaliadas pelo Infarmed, que este ano aprovou já cinco novos fármacos para tratamentos de cancro: dois para tratamento de leucemia, um para cancro do pulmão, outro para melanoma e mais outro ainda para o cancro gástrico.

Em 2017, o Infarmed tinha aprovado 18 novos fármacos para utilização em oncologia: sete deles para melanoma, cinco para o pulmão, dois para melanoma múltiplo, outros dois para cancro colorretal, um para tumores de ovário e outro para linfoma não-hodgkin.

À medida que aumentam as incidências e prevalências de casos de cancro, bem como acesso a tratamentos, vão também crescendo os custos.

Segundo Rui Ivo, só entre janeiro e julho deste ano foram despendidos 200 milhões de euros em medicamentos oncológicos de consumo hospitalar, o que representa um acréscimo de 21% em relação ao período homólogo do ano anterior, ou seja, mais 35 milhões de euros.

Os medicamentos oncológicos representam 27,6% da despesa total com medicamentos nos hospitais.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, Paulo Cortes, participou também no Simpósio promovido pela comissão parlamentar de Saúde e deixou clara a ideia do aumento da incidência e prevalência da doença oncológica no mundo.

“É expectável que o cancro passe de segunda para principal causa de morte. Em cada dez anos, há um aumento de 30% da prevalência de cancro, o que põe uma pressão enorme nos sistemas de saúde”, afirmou o oncologista, considerando fundamental definir estratégias para prevenir o cancro.

Este aumento reflete-se na crescente necessidade de recurso a radioterapia, por exemplo. Maria de Lurdes Trigo, da Sociedade Portuguesa de Radioterapia, indicou hoje no Simpósio que para 2025 se espera que as necessidades de radioterapia tenham um crescimento de 16% em relação a 2012.

Se nada for feito para inverter a tendência de crescimento, em 2035 estima-se que 14,5 milhões de pessoas morram por ano em todo o mundo, sendo que a radioterapia poderá ajudar a prevenir ou a evitar cerca de um milhão dessas mortes.

“A indicação terapêutica da radioterapia tem crescido e é necessário aumentar a capacidade de resposta dos serviços de radio-oncologia”, defendeu Lurdes Trigo.

Em Portugal, por exemplo, a Sociedade de Radioterapia prevê que fossem necessários 60 aceleradores lineares, quando em 2015 esses equipamentos não ultrapassavam os 30 no país.

Alerta Oncologista
O oncologista José Dinis considera que Portugal “está na idade da pedra” em termos de ensaios clínicos, faltando sobretudo uma...

No Simpósio “Oncologia em Portugal”, organizado pela comissão parlamentar de Saúde, o especialista disse que o país está “com 15 anos de atraso” em termos de investigação clínica.

“Estamos com 15 anos de atraso, estamos na idade da pedra. É preciso arrepiar caminho se queremos tentar acompanhar o que já se faz lá fora”, considerou.

Após a sua intervenção no simpósio, que hoje decorreu no parlamento, o médico do IPO do Porto, que pertence à direção da Sociedade Portuguesa da Oncologia, explicou à agência Lusa que o país “não tem infraestrutura montada” para a investigação clínica.

“Temos profissionais de qualidade, temos doentes, temos quase tudo. Mas não temos infraestrutura. Em termos de organização para fazer os ensaios clínicos estamos na idade da pedra. Os hospitais têm de ser centros de investigação autónomos e estar integrados num plano nacional”, argumenta José Dinis.

O país deveria estar nos 500 a 600 ensaios clínicos por ano, quando atualmente ronda os 100 ou 120 num ano, disse.

“Estamos a anos-luz dos outros [países] em termos de infraestrutura para ensaios clínicos. Precisamos de ter um gabinete coordenador que seja o braço armado do Serviço Nacional de Saúde nesta matéria”, afirma o oncologista, defendendo que o Ministério da Economia seja também incluído.

Isto porque, para José Dinis, a investigação clínica tem “uma relevância económica que está a ser subestimada”.

“O dinheiro existe. Nós não estamos a pedir subsídios. É preciso é ter capacidade para que consigamos ir buscar o dinheiro. Se não temos estrutura, o dinheiro, em vez de vir para Portugal, vai para outro lado qualquer”, afirmou.

O médico oncologista deu o exemplo de um só hospital na Bélgica, que tem 200 pessoas a trabalhar na área da investigação clínica.

José Dinis defendeu também a criação da figura de um provedor do doente em cada hospital, sendo uma figura que podia, por exemplo, orientar os doentes que entrem num ensaio clínico. O especialista adiantou que em muitos países nórdicos e nos Estados Unidos esta figura do provedor do doente nos hospitais é já rotina.

Segundo dados mostrados por vários especialistas durante o simpósio, a área oncológica é a que tem mais ensaios clínicos a decorrer, sendo responsável por 30% a 40% dos que decorrem em Portugal.

Campanha “Sabe que tipo de coração é o seu?”
Stress, antecedentes familiares de doença cardiovascular, tabagismo, sedentarismo e excesso de ocupam o lugar de topo na lista...

No âmbito do Dia Mundial do Coração, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia lança a campanha "Sabe que tipo de coração é o seu?” e convida os portugueses a medir o seu fator de risco para a Doença Cardiovascular. “Teste o seu risco cardiovascular e fique a saber que tipo de coração é o seu.” 

Esta é a mensagem que a Sociedade Portuguesa de Cardiologia está a disseminar, tentando com este teste virtual ajudar os portugueses a identificar o seu risco e propensão para o desenvolvimento de uma doença cardiovascular e promover assim uma atitude mais consciente e preventiva face àquela que ainda figura a primeira causa de morte em Portugal, a Doença Cardiovascular. 

Até ao momento foram recebidas 1009 respostas a um inquérito veiculado online, no decorrer desta semana, e cujos resultados permitem aferir que em média, os portugueses com idades entre os 35 e os 70 anos admite ter, pelo menos, três fatores de risco.  

Os resultados não são, assim, animadores. 53% dos portugueses admite sofrer de stress e de antecedentes familiares, 48% admite fumar ou já ter fumado, 47% afirma que é sedentário e 43% que tem excesso de peso. 

Em dez fatores de risco apresentados (antecedentes familiares de doença cardiovascular, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, má alimentação, excesso de peso, hipertensão arterial, colesterol elevado, stress e diabetes), o objetivo era perceber quais os que cada um dos participantes reconhecia saber ter e consciencializar, simultaneamente, para o impacto do risco cardiovascular para a saúde do coração.

Com estes resultados torna-se evidente o impacto do estilo de vida para a doença cardiovascular e o efeito que poderá ter no aumento da mortalidade e morbilidade por doença cardiovascular. 

O impacto que um estilo de vida pouco saudável tem na saúde cardiovascular é inegável e é por isso que se torna tão importante combatê-lo.

Se cuidarmos desde cedo do nosso coração, estamos a cuidar da forma como envelhecemos. A prevalência da Insuficiência Cardíaca, que afeta 13% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 70 e os 79 anos, é uma das prioridades da Cardiologia nacional e está a aumentar de dia para dia. Se nada for feito no sentido de contrariar esta tendência, em 2030 terá atingido mais 33% de pessoas no nosso país. 

 

Sociedade Portuguesa de Oftalmologia alerta para a retinopatia diabética
Estima-se que, em Portugal, cerca de um milhão de pessoas vivam com diabetes. Os dados que constam do Programa Nacional para a...

E isto apesar dos olhos serem um dos órgãos que podem ser gravemente afetados pela  doença, que se manifesta sob a forma de retinopatia diabética. No Dia Mundial da Retina, que se assinala a 29 de setembro, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para a necessidade dos rastreios, e envio em tempo útil para centros de diagnóstico e tratamento, capazes de impedir uma das consequências mais graves da doença, a cegueira.

“As pessoas com retinopatia diabética veem limitada a realização do seu potencial de vida além de se tornarem membros menos ativos na sociedade civil”, refere Carlos Marques Neves, Oftalmologista e Coordenador do Grupo Português de Retina e Vítreo da SPO. Esta situação pode ser evitada com um rastreio regular e tratamento oftalmológico eficaz, seguindo o exemplo de Inglaterra em que  a retinopatia diabética deixou de ser a principal causa de perda de visão dos 20 aos 64 anos.

Apesar de não existirem dados definitivos sobre a prevalência da retinopatia diabética em Portugal, e sobre a perda de visão que lhe está associada, dados de um estudo recente avançam para a existência de pelo menos 250 mil diabéticos tipo 2 com retinopatia diabética, em vários estádios da doença. No DR Barometer Study 25% dos diabéticos inquiridos têm dificuldade em tratar a sua própria diabetes, destes 83% com retinopatia diabética ou edema macular diabético, refere que tem dificuldades em conduzir ou fazer atividades domésticas e que 27% deles não discutem as complicações oculares com o seu médico.

Tratar a retinopatia diabética é possível, estando o sucesso do tratamento da mesma, que inclui a manutenção da visão, associado a diagnóstico precoce. É aqui que entram os rastreios. “Um doente com diabetes deve fazer regularmente um exame médico ocular para detetar as alterações iniciais da retinopatia diabética”, reforça Carlos Marques Neves. “Mas sem um esquema nacional implantado a maioria dos diabéticos não realiza rastreios e ou seguimento adequado da sua retinopatia”, alerta o oftalmologista.

Recentemente, a Direção-Geral da Saúde emitiu um conjunto de normas, 016/2018, dirigidas aos médicos do Serviço Nacional de Saúde, para a realização do rastreio da retinopatia diabética. Estas recomendações definem ainda o esquema de seguimento e orientação até ao tratamento, que implica a  criação de centros de diagnóstico e tratamento integrado (CDTI).

O rastreio deve ser feito com periodicidade dependente dos anos de diabetes e do tipo de retinopatia existente. Por isso o especialista apela a que “alerte o seu familiar diabético para o rastreio oftalmológico.”

Conceito está a dar os primeiros passos em Portugal
A definição de doença até pode ser só uma, mas o impacto que esta tem é diferente consoante os doentes. E é essa especificidade...

“Quando falamos, aqui, de medicina personalizada, falamos sobre o que de facto é uma determinada doença respiratória numa pessoa específica”, refere Alfredo Martins, coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Respiratórias (NEDResp) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. O que significa que a asma pode não ser apenas uma doença mas várias, “com sintomas clínicos semelhantes e com diferenças significativas ao nível molecular. Se assim for, estas diferentes asmas tratam-se da mesma forma?” Este tema, e as questões que suscita, vai ser alvo de um debate na 1ª Reunião do NEDResp, que escolheu o tema da Medicina Personalizada nas Doenças Respiratórias.

Um assunto que está na ordem do dia e que, explica Alfredo Martins, significa falar “de diagnósticos e tratamentos que pretendemos o mais personalizados possível. Para isso, podemos ter que pensar fora dos diagnósticos clássicos. Definir a doença num determinado doente pela sua expressão clínica, que pode não se limitar a sintomas respiratórios, pelas suas características moleculares, pela sua relação com outras doenças”.

Por cá, o especialista não tem dúvidas que o tratamento dos doentes sempre foi personalizado. “Os diagnósticos e tratamentos são efetuados e planeados para o doente em causa. O médico trabalhava com um determinado doente, procurando critérios para fixar um diagnóstico (rótulo) a esse doente. Depois, planeava o tratamento de acordo com o diagnóstico”. No entanto, o conceito evoluiu “no sentido de dar prioridade à definição dum plano de tratamento mais específico, procurando em cada doente ‘características tratáveis’. Assim, trataremos mais ‘doentes’ e menos ‘doenças’ e, ajustando a intervenção terapêutica às necessidades clínicas do doente específico, melhoramos a eficácia e reduzimos os efeitos indesejáveis do tratamento”.

No caso das doenças respiratórias, o especialista considera que se estão “a dar os primeiros passos neste sentido, não só em Portugal mas no mundo em geral”.

Quanto ao papel do internista, sendo semelhante ao de qualquer outro especialista, tem uma particularidade. “O internista tem uma perspetiva que facilita a evolução no sentido da Medicina Personalizada, uma vez que o ‘objeto’ do internista foi sempre mais o doente que a doença”, esclarece Alfredo Martins. Porque os internistas tratam muitos doentes respiratórios, “têm, por isso, a obrigação de estar atualizados e capazes de atuar de acordo com o estado da arte, dando resposta às solicitações e sabendo procurar o apoio adequado, quando necessário. Tendo as doenças respiratórias um peso muito significativo na sua atividade clínica, os internistas têm obrigação de colaborar em trabalhos de investigação e assim contribuírem para a evolução no diagnóstico e tratamento nesta área. Para satisfação destas necessidades é necessária uma colaboração estreita com outras especialidades e áreas do conhecimento, sobretudo com a Pneumologia e a Medicina Geral e Familiar. Trabalhemos em conjunto com estas duas especialidades para melhorar o tratamento dos doentes respiratórios em Portugal”.

No âmbito do dia mundial do coração
Desde dos nossos primórdios que se fala da influência da saúde oral em todo o corpo humano, e se, em 1900, desconfiava-se que...

No que diz respeito à patologia cardíaca mais comum e que advêm da falta de saúde oral, o especialista não tem dúvidas em destacar a endocardite bacteriana, doença sistémica que afeta as válvulas cardíacas, causada por bacteriemia transitória, uma vez que, segundo explica: “Os pacientes que já sofrem determinada patologia cardíaca e que não cuidam da sua saúde oral apresentam elevado risco de desenvolver endocardites bacterianas, por contaminação de bactérias através do sangue. Ainda assim o que vem merecendo maior destaque ultimamente não é a situação aguda em si porque pode ser revertida, mas a influência que a perpetuação de infecções e inflamações crónicas na cavidade oral pode ter no desenvolvimento da doença inflamatória crónica, com a chamada ativação endotelial vascular.”

Contudo, existem também vários estudos que encontram uma forte associação entre a doença periodontal e doenças cardiovasculares no geral, por causa dos “níveis de marcadores pró-inflamatórios, reconhecidos indicadores de risco para as Doenças Cardiovasculares”, principalmente na doença coronária, “onde já se observou, em amostragem, um aumento de 25% no risco de doença coronária em pacientes com periodontite.”

O especialista da BQDC esclarece ainda que “é necessário estar atento às doenças cardiovasculares mas estas não são as únicas que estabelecem relação com problemas orais, podendo ainda ocorrer outros problemas tais como a Diabetes Mellitus, partos prematuros, bebés com baixo peso à nascença entre outras.” E conclui: “O corpo humano é um todo e a saúde deve ser entendida como a necessidade de cuidar esse todo, não somente os órgãos vitais. Devemos por isso, e no que à saúde oral diz respeito, consultar o médico dentista não com o objectivo único de tratar mas também de prevenir e evitar a necessidade de tratamento, porque se o fizermos evitamos seguramente males maiores, quer sejam cardiovasculares ou outros.”

29 de setembro - Dia Mundial do Coração
A Associação “Bate Bate Coração” e a Associação Portuguesa de Portadores de Pacemakers e CDI’s celebram o Dia Mundial do...

Esta campanha pretende alertar a população portuguesa para alguns dos sintomas da bradicardia (que se caracteriza por um ritmo cardíaco lento, normalmente com menos de 60 batimentos por minuto) e educar sobre o que são pacemakers – um dispositivo de que muitos portugueses já ouviram falar, mas sobre o qual ainda há muitas dúvidas.

A campanha “O meu coração sou eu” visa também desmistificar noções imprecisas sobre a complexidade dos procedimentos de implante de um pacemaker, explicar como é a vida dos doentes após a colocação deste dispositivo e exemplificar, com casos reais, como é que as novas tecnologias podem estar presentes na vida de todos: dos mais jovens aos mais idosos.

O tratamento com pacemaker é comum no contexto da bradicardia. Em Portugal já se implantam pacemakers desde a década de 60, mas só em 2017 é que o nosso país atingiu a média de implantes da Europa, alcançando o marco de 1.000 pacemakers implantados por milhão de habitantes.

Apesar de ser uma terapia com vários anos, ainda há na população em geral desconhecimento sobre o tratamento e também alguns mitos sobre a doença. Para desmistificar e esclarecer, esta campanha conta com quatro testemunhos reais de portadores de pacemakers:

  • Maria de Jesus Gomes da Silva que considera que o pacemaker lhe deu “uma segunda vida”;
  • Mário Gomes que é portador de pacemaker e corre maratonas;
  • Carla Rocha que afirma que o seu pacemaker lhe devolveu a juventude e permitiu que tivesse dois filhos;
  • Josué Marcelino que tem 63 anos e explica que a colocação foi fácil e rápida e que até se esquece que tem um pacemaker.

Carlos Morais, cardiologista e presidente da associação “Bate Bate Coração” explica que esta campanha “mostra como os problemas de ritmo cardíaco não escolhem género nem idade, mas, hoje em dia, podem ser facilmente tratados pela colocação de dispositivos como os pacemakers em intervenções que habitualmente são simples e de rápida recuperação para o doente”.

Já António da Silva Gomes, presidente da Associação Portuguesa de Portadores de Pacemakers e CDI’s (APPPCDI’s) realça que “a iniciativa «O Meu Coração sou Eu» pretende lembrar que os portadores de pacemakers podem ter uma vida perfeitamente normal, ter filhos, por exemplo, ou até fazer coisas extraordinárias como correr uma maratona”.

A campanha terá como suportes vídeos e folhetos informativos e mupis que estarão distribuídos em transportes públicos e por vários pontos da cidade de Lisboa e do Porto. A campanha “O meu coração sou eu” conta com apoio da Medtronic, da Câmara Municipal de Lisboa, da Câmara Municipal do Porto, da Carris, da Metro do Porto e da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).

Segundo a Associação Bate Bate Coração, em Portugal existe falta de informação disponível sobre arritmias cardíacas:

  • 40% dos portugueses desconhecem os sintomas associados a arritmias cardíacas.
  • 89% dos portugueses não identifica as arritmias como causa de morte.
  • Menos de 5% dos portugueses associa arritmias como causa de morte súbita.
  • Só 9% dos portugueses considera que um portador de pacemaker pode fazer uma vida sem grandes limitações.
Dia Mundial do Coração assinala-se dia 29 de setembro
No Dia Mundial do Coração, e numa iniciativa que pretende promover uma maior literacia em saúde, a Sociedade Portuguesa de...

Foi publicado, na Revista Portuguesa de Cardiologia, uma publicação científica da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, o estudo “Conhecimento sobre a doença cardiovascular em Portugal” cujo objetivo era caracterizar o conhecimento específico sobre a doença cardiovascular (DCV), nomeadamente o acidente vascular cerebral (AVC) e o enfarte agudo do miocárdio (EAM), da população portuguesa, de acordo com fatores sociodemográficos, literacia em saúde e história clínica. Foram avaliados 1624 residentes em Portugal continental, com idades entre 16 e 79 anos, através de entrevistas presenciais com questionário estruturado.

Conclui-se neste estudo que:

- Cerca de 30% dos participantes não respondeu ou não soube responder a questões relacionadas com o Risco de AVC ou de Enfarte Agudo do Miocárdio;

- A proporção de respostas não dadas é, aproximadamente, duas vezes maior em participantes mais velhos;

- Cerca de 30% dos participantes não conseguiram estimar o risco de AVC e EAM;

- Em média, os que responderam estimaram que 34,2% e 35,6% dos portugueses sofrerão um AVC ou um EAM durante a sua vida, respetivamente;

- 36,8% afirma que não fumar e 32,8% que fazer uma dieta saudável é um dos principais comportamentos para a prevenção da Doença Cardiovascular. No entanto, atribuem menos importância ao controlo da pressão arterial, apesar da enorme prevalência da hipertensão em Portugal;

- Menos de metade dos participantes respondeu que «telefonar para o 112» seria uma opção correta, perante a presença de sinais ou sintomas de eventos;

- Como consequência de um Acidente Cerebral Vascular, 90,7% considera como sequelas, a dependência nas atividades diárias, 89,8% nomeia as perturbações da fala e 86,4% a insuficiência cardíaca;

- Já para o Enfarte Agudo do Miocárdio 85,3% considera a dependência nas atividades diárias como maior consequência;

- Em geral, participantes com literacia em saúde adequada revelaram um conhecimento em saúde cardiovascular mais apropriado.

Verificaram-se importantes lacunas no conhecimento específico sobre a doença cardiovascular da população portuguesa. As estratégias e práticas de educação em saúde devem ser sensíveis às diferenças descritas de acordo com o nível de literacia em saúde, de forma a melhorar o conhecimento em saúde cardiovascular da população portuguesa.

As mais recentes recomendações para a prevenção da Doença Cardiovascular na prática clínica, sugerem que o reconhecimento de comportamentos saudáveis pode ser decisivo para ajudar os doentes a adotar estilos de vida saudáveis, através da implementação de uma alimentação correta, exercício físico, treinos de relaxamento, controlo do peso e programas de cessação tabágica, o que obriga a uma maior e melhor comunicação entre os doentes e os profissionais de saúde.

O estudo em causa reforça a necessidade que existe em criar ferramentas de análise e de promoção da «literacia em saúde», uma vez que, só assim é possível percecionar onde é possível intervir por forma a que o acesso à saúde seja maior e mais eficiente.

No Dia Mundial do Coração, e numa iniciativa qeu pretende promover uma maior literacia em saúde, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia lança a campanha: Sabe que tipo de coração é o seu?

Cuidar, desde cedo, do nosso coração, é cuidar da forma como envelhecemos. Este é o mote da Sociedade Portuguesa de Cardiologia que, a 29 de setembro, no Dia Mundial do Coração, desafia os portugueses a responder a esta questão: “QUE TIPO DE CORAÇÃO É O SEU?” Teste o seu risco cardiovascular e fique a saber que tipo de coração é o seu. Esta é a mensagem que a Sociedade Portuguesa de Cardiologia está a disseminar, tentando com este teste virtual ajudar os portugueses a identificar o seu risco e propensão para o desenvolvimento de uma doença cardiovascular.

Se cuidarmos desde cedo do nosso coração, estamos a cuidar da forma como envelhecemos. A prevalência da Insuficiência Cardíaca, que afeta 13% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 70 e os 79 anos, é uma das prioridades da Cardiologia nacional e está a aumentar de dia para dia. Se nada for feito no sentido de contrariar esta tendência, em 2030 terá atingido mais 33% de pessoas no nosso país.

Se, depois do teste somar duas respostas afirmativas, faz parte, infelizmente, dos 55% dos portugueses que têm pelos menos dois fatores de risco e, por isso, o seu coração está em risco e pode não estar capaz para uma vida saudável.

Opinião
Nos últimos anos, temos assistido a avanços importantes no que respeita à investigação no campo da o

O problema é que nem tudo está a chegar ao doente ou chega com grandes dificuldades, pois existe uma lacuna entre a investigação básica do laboratório e a sua aplicação clínica. Mais e mais cientistas de ambos os lados estão conscientes da necessidade de colmatar esta falha, e puseram em cima da mesa o conceito de 'oncologia translacional' do qual uma nova metodologia de trabalho está a ser criada para promover essa abordagem.

Esta nova metodologia deve envolver equipas multidisciplinares de ambos os lados: médicos oncologistas, patologistas, investigadores básicos, cirurgiões, especialistas em radioterapia, etc. Grupos de trabalho capazes de participar em ensaios clínicos complexos, que vão além da avaliação de um medicamento numa série de doentes ou modelos animais. Certos recursos não devem faltar nesta linha, como as tecnologias mais avançadas para cada área e um extenso catálogo de dados. E, claro, o doente também deve estar lá, um elemento essencial para fechar o círculo.

A ideia é que essas equipas de trabalho contribuam com novas ideias para a investigação, de forma a que esta avance mais rápido e com uma melhor aplicação ao doente. Tudo para dar um tratamento mais eficaz e prevenir todas as doenças possíveis, incluindo cancro.

Esse novo conceito deve ser desenvolvido nos centros de investigação, que geralmente possuem um maior número de recursos científicos e tecnológicos. Mas acima de tudo, deve acontecer em (ou com) hospitais, onde estão os profissionais clínicos e os doentes que são necessários e em determinados momentos altamente vulneráveis.

Como é lógico, não podemos deixar de lado o aspeto financeiro, muito importante para que este tipo de pesquisa translacional avance. Para que este esforço de investigação seja bem-sucedido, é necessário ter recursos financeiros suficientes, que podem ser públicos ou privados.

Desta forma, podemos acelerar e melhorar o processo de pesquisa e aumentar as esperanças e a qualidade de vida do doente oncológico. Vamos continuar a trabalhar nesta linha para que as novas descobertas cheguem o quanto antes à prática clínica diária.

Autor: 

Dr. Jesús García-Foncillas - coordenador do Comité Científico e Médico Internacional da OncoDNA em Espanha e em Portugal
Diretor do Instituto Oncológico "OncoHealth", Hospital Universitário Fundación Jiménez Díaz, Universidade Autónoma de Madrid.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
EUA
Investigadores do Hospital Infantil de Los Angeles, nos Estados Unidos, foram capazes de identificar o estágio exato de...

A descoberta pode abrir a porta para futuras intervenções no retinoblastoma, um tumor da retina que ocorre normalmente antes dos 4 anos de idade.

A investigação, publicada na revista PNAS, conseguiu identificar a fase do desenvolvimento da retina humana quando células específicas, conhecidas como cone, se podem tornar cancerígenas. 

"Entender esta fase de desenvolvimento e o acontece de errado pode-nos ajudar a encontrar novas maneiras de intervir e, eventualmente, evitar o retinoblastoma", disseram os especialistas. 

Embora raro, o retinoblastoma é o tumor ocular maligno mais em crianças e pode levar à perda de visão.

O Hospital Infantil de Los Angeles é considerado o líder mundial na pesquisa e tratamento da doença, que pode ser fatal se não diagnosticada precocemente.

Num estudo anterior, datado de 2014, os investigadores identificaram as células cone como as células de origem do retinoblastoma. Estas células, que se encontram na retina, são responsáveis pela visão a cores.

Na sequência desse estudo, a equipa de investigadores descobriu que, num ponto específico da sua maturação, as células cone podem entrar no ciclo celular, uma série de eventos que levam à sua divisão. As células começam a proliferar e a formar lesões pré-malignas que podem desenvolver-se em massas de rápido crescimento. 

As células cone em maturação entram no ciclo celular em resposta à inativação do gene supressor de tumor RB1 e à perda da proteína RB funcional, que regula o crescimento celular e impede a divisão destas células. 

"Nós suspeitamos que as células cone maturadas estão conectadas de uma forma que faz com que elas se tornem células cancerígenas em resposta à perda da proteína RB", explicaram os especialistas. 

Noutra fase da investigação, os investigadores compararam o processo de desenvolvimento do olho humano a um modelo tradicional de rato. Esta etapa descobriu que a proliferação específica do estágio de desenvolvimento e a formação de retinoblastoma ocorreram em células cone deficientes em RB, mas não nas células de ratos. 

Os modelos animais não conseguiram reproduzir as caraterísticas genéticas, celulares e de desenvolvimento das células retinianas humanas. Esta descoberta questiona a precisão de certos modelos de retinoblastoma animal.

O retinoblastoma foi um dos primeiros tumores a ter a sua causa genética identificada.

Em França
Hipnose foi a opção para não dar a Gérard Courtois medicamentos e químicos que pudessem ser prejudiciais à saúde.

Gérard Courtois, um homem de 88 anos, foi sujeito a uma cirurgia cardiovascular sem anestesia. No Hospital Universitário de Lille, em França, a solução utilizada para que Gérard se abstraísse da operação foi a hipnose, ao invés da morfina, dos ansiolíticos e de outros medicamentos que poderiam pôr em risco a sobrevivência do doente.

Explica a France Bleu que, esta segunda-feira, 48 horas após a intervenção, Gérard está a recuperar sem problemas da substituição da válvula aórtica. A intervenção costuma ser realizada com anestesia local ou geral, mas tal representa um perigo para pessoas de idade avançada, escreve o Diário de Notícias.

"Por vezes, pacientes mais velhos são mais sensíveis aos efeitos secundários dos medicamentos injetáveis e estes produtos podem causar problemas neurológicos. Com a hipnose, o paciente recupera imediatamente. Há um benefício real", explicou Arnaud Sudre. chefe de cirurgia na unidade hospitalar.

No dia antes da operação, Hélène Sergent, a enfermeira encarregue de administrar a "anestesia" a Gérard Courtois, passou algum tempo com ele para lhe explicar o procedimento e também para saber mais sobre as viagens do doente com a mulher "à Tailândia, Egito, Tunísia, Turquia e a paixão pela jardinagem". Foram estes os temas que usou para hipnotizar Courtouis e colocar num estado de abstração que permitiu ao idoso chegar a adormecer durante a cirurgia."Ao falar de tanta coisa, esquecemos o que está a acontecer e somos transferidos para outro lado", explicou a enfermeira.

Sergent foi a primeira enfermeira do departamento de cardiologia a ser treinada para aplicar hipnose. Quatro profissionais de enfermagem serão formadas em breve, já que estima-se que 80% dos pacientes estarão abertos à hipnose em substituição da anestesia, informa o hospital universitário de Lille. Uma nova cirurgia com o doente sob hipnose está marcada para a próxima semana.

Estudo
Investigador da Universidade do Algarve testou droga aprovada nos Estados Unidos para outra doença e descobriu que ela é...

Investigadores da Universidade do Algarve descobriram que um fármaco já aprovado nos Estados Unidos para combater alguns tipos de cancro - a cordicepina - consegue retardar a progressão da doença de Machado-Joseph, uma patologia neurodegenerativa e sem cura, que causa a perda progressiva do controlo dos músculos e da coordenação motora, acabando por ser fatal, e cuja maior prevalência a nível mundial ocorre nos Açores.

O estudo, realizado em colaboração com a Universidade de Coimbra, e cujos resultados acabam de ser publicados na revista científica Human Molecular Genetics , foi feito em modelos animais e mostra que a progressão da doença é substancialmente retardada com a administração continuada daquele fármaco, "tanto a nível neuronal como nos seu efeitos, em termos de sintomas", explicou ao Diário de Notícias Clévio Nóbrega, investigador do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da Universidade do Algarve e o coordenador do estudo.

"Administrámos o fármaco de forma continuada durante quatro e oito semanas em modelos animais e, em relação ao grupo que não teve qualquer tratamento, os animais que receberam o fármaco já mostravam menos sinais neuropatológicos e menos sintomas ao fim de quatro semanas, que se tornaram ainda mais evidentes após as oito semanas", afirma Clévio Nóbrega.

"Não se trata de uma cura", faz questão de sublinhar o investigador. Mas os efeitos são claros: após oito semanas, os animais que receberam o fármaco apresentavam "três vezes menos agregados da proteína que, ao acumular-se nos tecidos cerebrais, causa a doença, e três vezes menos sintomas ao nível do comportamento motor, em relação aos restantes animais", explica o investigador.

Uma ideia com três anos
A ideia de testar este fármaco na doença de Machado-Joseph surgiu há três anos, quando Clévio Nóbrega, na altura investigador do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, no grupo liderado por Luís Pereira de Almeida, descobriu que um determinado mecanismo celular era um potencial alvo terapêutico nesta doença.

"O mecanismo é aquele que podemos designar como o carro do lixo das células, uma vez que é ele que se encarrega de degradar e eliminar da célula tudo o que já não interessa", conta o investigador. Sendo a cordicepina um composto que ativa este mecanismo celular, a escolha parecia óbvia, e os resultados acabam por confirmá-la como certa.

Fase seguinte: ensaios clínicos
Falta agora passar à fase seguinte: a dos ensaios clínicos. Para já, a equipa de Clévio Nóbrega ainda não foi contactada por nenhum grupo, nem deu nenhum passo nesse sentido. Mas a ideia é fazê-lo, até porque estando já este fármaco aprovado nos Estados Unidos para uso humano, embora noutras doenças, o processo acaba por ser menos complexo.

"Vamos disponibilizar toda a informação de que dispomos para poder fundamentar um futuro ensaio clínico com este fármaco em doentes", garante Clévio Nóbrega, que trabalha nesta área há 11 anos - entre 2007 e 2016 no grupo de Luís Pereira de Almeida, no Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, e desde 2016 na Universidade do Algarve, onde dirige um grupo de investigação, no Centro de Investigação em Biomedicina.

A doença de Machado-Joseph é uma patologia neurodegenerativa hereditária, incurável e fatal, que provoca rigidez muscular e descoordenação motora progressivas, levando a atrofia muscular, dificuldades na deglutição, na fala e na visão, decorrentes dos danos progressivos no cérebro.

Na sua origem está uma mutação num gene, bastando um dos progenitores ser afetado para que os filhos tenham uma probabilidade de 50% de nascer com a doença.

Embora rara a nível mundial, esta patologia afeta uma em cada quatro mil pessoas de ascendência portuguesa. A sua maior prevalência ocorre nos Açores, onde afeta uma em cada 140 pessoas.

Sociedade Portuguesa de Pneumologia
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia assinala na quarta-feira o Dia Europeu do Ex-Fumador com uma campanha junto dos...

Trata-se da campanha "#EUNÃOFUMO", especialmente dirigida aos adolescentes no Dia Europeu do Ex-Fumador, uma efeméride criada pela Comissão Europeia.

Numa nota sobre esta iniciativa, José Pedro Boléo-Tomé e Paula Rosa, coordenadores da Comissão de Trabalho de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), mostram-se preocupados com alguns dos dados relativos ao consumo de tabaco pelos adolescentes: “preocupam-nos, sobretudo, o aumento do consumo na população dos 15 aos 24 anos, muito em especial nas raparigas, que é onde ocorre o aumento maior".

Segundo os mesmos responsáveis, há ainda outros dados preocupantes, uma vez que aos 18 anos 62% dos jovens já experimentou tabaco, e 43% consumiu nos últimos 30 dias.

Perante esta realidade - e respondendo ao apelo de escolas e encarregados de educação - a SPP lançou a campanha "#EUNÃOFUMO" e enviou para várias escolas nacionais um vídeo sob a temática “o tabagismo na adolescência”.

Neste vídeo, produzido pela SPP, o médico pneumologista Bruno Von Amann aborda de uma forma clara as principais questões relativas ao consumo de tabaco nas camadas mais jovens.

Na quarta-feira, será ainda realizada uma sessão informativa na escola EB 2,3 de Marinhais onde, além da reprodução do vídeo, estará presente um médico pneumologista da SPP para esclarecer os alunos das suas principais dúvidas.

No entender dos coordenadores da Comissão de Trabalho de Tabagismo, este tipo de ação junto dos adolescentes assume uma grande importância porque “estes jovens vão ser os fumadores e doentes de amanhã", "são muito permeáveis às novas estratégias de marketing das tabaqueiras" e ainda pouco foi feito para "inverter esse processo e criar uma geração livre de tabaco”.

Os médicos pneumologistas consideram ainda essencial dar atenção à questão emergente dos cigarros eletrónicos ou tabaco aquecido: “a experiência de outros países mostra que são produtos apelativos aos mais novos, que a experimentação tem aumentado significativamente e que funcionam como porta aberta para experimentar outros produtos, como o cigarro convencional ou outras drogas recreativas".

A SPP, à semelhança da Entidade Reguladora da Saúde e da Organização Mundial de saúde, não recomenda a utilização de nenhum destes produtos, e manifesta "sérias preocupações em relação à sua evolução futura”.

José Pedro Boléo-Tomé e Paula Rosa reconhecem “haver muito trabalho a fazer, quer a nível da prevenção primária, como é o caso dos jovens, quer no tratamento dos fumadores, que devem ter mais fácil acesso a apoio especializado, a fármacos comparticipados e a consultas de cessação tabágica.

"O acesso ao tabaco também deve ser cada vez mais dificultado e desnormalizado. O Dia do Ex-Fumador deve ser um dia de esperança num mundo com ar mais puro, mais liberdade sobre a própria vida e mais saúde e bem-estar", concluem aqueles pneumologistas.

Administradores
O absentismo no setor da saúde tem registado valores “muito anómalos” para o próprio setor, afirma o presidente da Associação...

Outro problema que está a afetar o setor é a “grande conflitualidade profissional” que se está a viver nos hospitais, suscitada pelas greves, por “algum mal-estar” dos profissionais e por “alguma animosidade perante a ação governativa”, disse, em entrevista, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço.

Para Alexandre Lourenço, a desmotivação dos profissionais reflete-se no nível de absentismo que “está praticamente em 12%, o que é muito anómalo para o próprio setor”.

“Se tivéssemos trabalhadores motivados não teríamos um absentismo tão elevado”, defendeu.

Dados do Relatório Social do Ministério da Saúde indicam que as faltas ao trabalho dadas pelos profissionais de saúde totalizaram quase 3,8 milhões de dias em 2017, mais 2,4% do que no ano anterior, a maioria devido a doença (46,3%), mas também às greves no setor.

As ausências ao trabalho por motivos de greve totalizaram 120.886 dias, representando o maior aumento face ao ano anterior (76,6%), destaca o documento, que observa ainda um acréscimo de 26,3% das faltas injustificadas, que somaram 21.048 dias, mais 4.379 dias face a 2016.

O presidente da associação sublinhou que a “grande conflitualidade profissional, laboral” que se está a viver nos hospitais é “mais grave” do que as questões de atividade e do acesso aos serviços de saúde.

“É muito atípico observar esta animosidade dentro das organizações, uma vez que os salários foram repostos, houve aumentos líquidos de salários, houve uma redução dos horários de trabalho”, mas quem está nos hospitais percebe o que se está a passar e quais os motivos.

“Não é estranho para quem está dentro das organizações, porque as condições de trabalho deterioram-se a partir do momento em que temos menos profissionais e que existe uma procura muito maior de cuidados de saúde e a expectativa dos doentes e das famílias são cada vez mais crescentes”, sustentou o presidente da APAH.

Na sua opinião, estes problemas deviam ser resolvidos localmente pelos hospitais, mas a falta de autonomia dificulta-lhes essa intervenção.

“Os hospitais hoje, pela falta de autonomia, têm alguma dificuldade em resolver estes problemas e dar respostas concretas aos seus profissionais”, sendo que estas “questões de recursos humanos se gerem, essencialmente, localmente”, sublinhou Alexandre Lourenço.

Para o presidente da associação, é necessária “uma estratégia de gestão de recursos humanos mais efetiva, mais ponderada, em que os profissionais também são responsabilizados pela gestão das organizações e pelos resultados alcançados”.

“Não podemos ter as organizações representativas dos profissionais de uma forma quase de treinadores de bancadas sem ser responsabilizados pelo que se passa nas organizações”, vincou.

Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares
Os hospitais portugueses vão receber gestores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) para estágios, troca de...

“Vamos abrir as portas dos hospitais portugueses para acolher gestores desses países e também dar apoio de consultoria para a gestão de serviços de saúde nesses países”, disse Alexandre Lourenço em entrevista, a propósito do 27.º congresso da Associação Europeia dos Administradores Hospitalares, que decorre entre quarta e sexta-feira, no Centro de Congresso do Estoril, em Cascais.

No primeiro dia do congresso vão ser discutidas formas de cooperação na gestão de serviços de saúde entre o Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe e Timor, no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com o patrocínio da Federação Internacional dos Hospitais.

“Para nós, o desenvolvimento dos sistemas de saúde depende muito da capacidade de liderança e da gestão das organizações e, particularmente, o Brasil e Portugal têm maior capacidade nestas áreas e estamos a organizar um ‘workshop’ que vai permitir fazer essa ponte e apoiar os outros países lusófonos nesta matéria”, adiantou o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).

O objetivo é encontrar “pontes e possibilidade de gestão”, que passam pela promoção de programas de estágio e de capacitação de gestores.

“Em Portugal e a nível europeu promovemos estágios” de curta duração (um mês), em que gestores portugueses vão a outros países e vice-versa, e “vamos propor isso a estes países africanos”, explicou o presidente da APAH.

Segundo Alexandre Lourenço, esses programas de estágio vão ser disponibilizado pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e pelo Colégio Brasileiro dos Executivos de Saúde.

“Também existe da nossa parte uma necessidade de aprender muito com os colegas africanos”, que vão dar a conhecer a realidade dos seus países no congresso, disse.

Por outro lado, a experiência adquirida em Portugal e na Europa para combater doenças infecciosas também “pode ser útil” para ajudar os países lusófonos.

“Em Portugal e na Europa estamos muito focados nas doenças crónicas e a reestruturação do sistema funciona muito nesta base”, mas estes países “continuam a viver grandes dificuldades no âmbito das doenças infecciosas.

Nesse sentido, a experiência adquirida “ao longo do tempo para combater essas doenças infecciosas pode ser útil a apoiar estes países.

Mas o se pretende mesmo “é uma cooperação conjunta para conseguir perceber os problemas e criar momentos de troca de experiências e de aprendizagem mútua”, frisou Alexandre Lourenço.

No congresso europeu são esperados mais de 600 participantes e 100 oradores de toda a Europa, incluindo membros da Comissão Europeia, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Administradores
A Associação dos Administradores Hospitalares quer que os doentes e os profissionais de saúde participem na gestão dos...

Em entrevista, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) afirma que é necessário “criar mecanismos de melhoria da experiência dos doentes nos hospitais”, levando-os para a gestão hospitalar, primeiro de modo consultivo, ouvindo as suas opiniões e a sua avaliação.

“Os serviços de saúde estão organizados de forma diferente dos restantes serviços que a população usa. Os hospitais e os centros de saúde mantêm uma organização que é, muitas vezes, avessa à experiência do doente. Temos de perceber com os doentes que mudanças estruturais têm de existir no sistema”, argumenta Alexandre Lourenço.

O responsável indica, a título de exemplo, que não se devem “chamar os doentes para irem todos os dias, em dias diferentes, fazer procedimentos aos hospitais”.

Para isso, defende que é necessário ouvir os doentes, com consultas que podem ser feitas através de inquérito, fazendo até depender a avaliação dos conselhos de administração e dos administradores da opinião dos utentes.

“Hoje em dia, de uma forma genérica, nos vários serviços públicos e privados que usamos somos inquiridos sobre a nossa satisfação. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) serve as pessoas, não é um serviço passivo em que as pessoas têm caridosamente acesso a cuidados de saúde”, indica Alexandre Lourenço.

O presidente da APAH considera que os hospitais estão atualmente “muito focados nos processos internos de prestação de cuidados”, mas “desfocados da experiência e do interesse do doente”: “Esta é uma grande mudança cultural que tem de existir no sistema”.

Os administradores pretendem ainda que os profissionais de saúde participem também na gestão dos hospitais, devendo igualmente contribuir para avaliar o desempenho das administrações.

Uma “avaliação permanente de todos os atores interessados no sistema de saúde” contribuirá para que haja gestores “preparados e qualificados”.

“A gestão [dos hospitais] é altamente complexa. São organizações com profissionais elevadamente diferenciados e estas pessoas também têm de estar envolvidas na gestão e na decisão da sua organização, principalmente na decisão estratégica do caminho a percorrer. [Os profissionais] têm de ser trazidos para a gestão de topo, não necessariamente na gestão operacional diária, mas na gestão estratégica”, argumenta Alexandre Lourenço.

A Associação dos Administradores Hospitalares tem defendido que os gestores dos hospitais sejam avaliados e responsabilizados pela sua gestão, promovendo os melhores e afastando os que tenham pior desempenho.

O presidente da associação insiste na necessidade de ser dada autonomia aos hospitais, mas com “orçamentos próximos dos custos reis”, responsabilizando depois a gestão.

Na semana passada, o ministro da Saúde anunciou a intenção de dar autonomia a um quarto dos hospitais portugueses, um processo que devem arrancar no próximo ano.

“Não sei se o número definido de um quarto dos hospitais será possível ou não. Mas penso que o importante é ter critérios muito transparentes para dizer que instituições estão preparadas para isso”, alerta Alexandre Loureço.

O responsável lembra que há muitos hospitais com custos de operação “muito superiores ao próprio financiamento”, o que tem de ser tido em conta na avaliação e na forma de dar autonomia às organizações.

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