600 mil portugueses têm uma doença sem tratamento
Sete associações de doenças raras vão juntar-se numa organização que represente todas as associações de doentes, o que...

Em declarações à agência Lusa, um representante da comissão instaladora esclareceu que o objetivo é fazer a unificação da representação nacional das associações de doenças raras.

“É uma associação de associações e a razão é muito simples: é como se tivéssemos um pai e uma mãe, ambos a puxarem a educação de um lado para o outro. A resposta que passa para os filhos não é consistente”, começou por explicar Diogo Lopes, da Associação Portuguesa de Charcot-Marie-Tooth.

Acrescentou que as várias associações querem, por isso, constituir-se numa única associação que consiga passar uma “mensagem forte, sólida e que seja de facto representativa de toda a gente e que não seja incoerente”.

Diogo Lopes frisou que essa ausência de consistência e de união tem feito com que “o discurso seja muito pouco representativo a nível europeu” e que a presença de Portugal no seio das várias associações de doenças raras seja “muito fraca”.

“Com as associações todas do mesmo lado, a força de facto está nos números e conseguimos ter os nossos privilégios muito mais bem assegurados”, frisou.

A constituição desta associação está ainda na fase inicial e junta para já sete associações - a Associação Portuguesa de Charcot-Marie-Tooth, a Associação Portuguesa de Neuromusculares, a Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal, a Associação Portuguesa de Neurofibromatose, a Associação Pseudoxantoma Elástico, a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla e a Associação Nacional de Pais e Amigos de Rept - além da Aliança Portuguesa de Associações das Doenças Raras e da Fedra – Federação das Doenças Raras de Portugal.

De acordo com Diogo Lopes, esta é, para já, apenas uma lista provisória das associações que decidiram juntar-se nesta intenção e que fazem parte da comissão instaladora, não sendo a lista final de associações.

A apresentação pública vai acontecer na quinta-feira, quando se assinala o Dia Mundial das Doenças Raras, no decorrer de uma conferência no Instituto de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge (INSA), em Lisboa, sendo expectável que a associação nacional esteja pronta e a funcionar em 2020.

O responsável admitiu que o objetivo é conseguir juntar todas as cerca de 50 associações portuguesas de doenças raras para falarem “numa única voz”.

“Para que possamos representar essa mesma voz a nível europeu”, sublinhou.

Estima-se que uma em cada duas mil pessoas tenha uma das seis mil doenças raras existentes, o que representa cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, 30 milhões dos quais na Europa.

Em Portugal, calcula-se que haja cerca de 600 mil doentes, para os quais não existe, normalmente, qualquer tratamento.

Diz estudo
Investigadores das universidades de Oxford e Southampton avaliaram cerca de 64 multivitamínicos e chegaram à conclusão que...

Para o Royal College of Paediatrics and Child Health, devemos todos ficar preocupados com estas conclusões, uma vez que uma grande percentagem de pais está a ser “enganada” ao confiar em determinados produtos. E apela para que se confirme sempre a dosagem nos rótulos

De acordo com os investigadores, de um modo geral os multivitamínicos apresentam doses mais baixas de vitamina D quando comparados com os suplementos desta vitamina. No entanto, referem que apesar de muitos produtos serem indicados para a boa manutenção da saúde dos ossos, alguns apresentam doses baixas deste nutriente.

Para obter a dose correta de vitamina D com estes produtos multivitamínicos, “as crianças teriam de ultrapassar as doses diárias recomendadas, o que poderia aumentar o risco de toxicidade de outros nutrientes, ou teriam de tomar uma combinação de vitamina D e multivitaminas, o que representaria um custo adicional”, dizem os investigadores.

“Estes produtos estão a levar os pais ao engano, uma vez que pensam que estão a proteger os seus filhos contra raquitismo, problemas de crescimento e músculos fracos”, afirma Benjamin Jacob reforçando a necessidade de confirmar a correta dosagem nos rótulos.

 

 

Embalagens devem ser recicláveis ou reutilizáveis
A Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares assinou um acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente para definir...

O compromisso assinado entre a Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estabelece que todas as empresas do ramo alimentar e das bebidas associadas façam um uso mais eficiente do plástico.

A parceria visa a cooperação e colaboração na promoção do uso responsável deste material e na definição de medidas concretas, tendo sido assinada à margem da conferência “Live(ing) with less plastic”, que se realizou na passada sexta-feira, em Lisboa. A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) já se tinha juntado a esta iniciativa de economia circular.

Até 2030, todas as embalagens de plástico no mercado europeu devem ser facilmente recicláveis ou reutilizáveis e, em Portugal, a ‘guerra’ contra este material vai ter implicações ainda mais cedo. A federação garante que “procurará assim promover a adesão a este acordo de empresas do setor da indústria alimentar e das bebidas, suas associadas, que se comprometam com a adoção de medidas necessárias para alcançar estes objetivos”.

O presidente da FIPA afirma que os seus associados estão “comprometidos com este objetivo”. “Há um caminho claro no sentido de assegurar que, até 2030, todas as embalagens de plástico colocadas no mercado da União Europeia sejam facilmente recicláveis ou reutilizáveis. Sabemos que há trabalho a fazer e queremos ter um papel ativo nesta mudança”, concluiu Jorge Tomás Henriques.

 

Três prémios Nobel confirmados entre os presentes
A 10.º edição do AIMS Meeting, o maior congresso de biomedicina, organizado por estudantes de Medicina está de regresso a...

Durante três dias, alunos e especialistas assistem a uma série de palestras, mesas redondas, workshops e competições, tendo em vista uma imersão profunda no mundo da biomedicina.

O primeiro dia será dedicado aos temas do sexo e reprodução e contará com a presença de Harald zur Hausen, médico alemão e Prémio Nobel da Medicina (2008) na sequência da descoberta do HPV como agente causador de cancro do cólo do útero. Recentemente, tem defendido a vacinação contra o HPV também para rapazes.

Entre os oradores estarão também a norte-americana Marci Bowers, ginecologista pioneira em cirurgia de redesignação sexual, sendo a primeira transexual a efetuar este tipo de cirurgia, Neil Shah, especialista a desenhar, testar e implementar soluções de saúde pública na área materno-fetal; e Jeanne Conry, ginecologista e futura presidente da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia.

O segundo dia é dedicado ao tema da imunidade, contando com Gero Hütter, hematologista alemão responsável pelo tratamento de Timothy Ray Brown, o primeiro e único doente considerado curado de HIV/SIDA.

Também Peter Agre, Prémio Nobel da Química (2003) pela descoberta de aquaporinas, fará parte do painel de oradores, bem como Pankaj Chandak, vanguardista na utilização da tecnologia de impressão 3D em transplantação renal pediátrica; Faith Osier, imunologista e investigadora queniana a desenvolver novos mecanismos para vacinas contra a malária no Heidelberg University Hospital, Alemanha; e Martin Schuijs, imunologista belga e um dos primeiros investigadores a estabelecer o mecanismo molecular protetor por parte de ambientes rurais em doenças imunomediadas.

O terceiro e último dia será dedicado aos cinco sentidos e contará com a presenta do Prémio Nobel da Medicina (2004) Aaron Ciechanover, que descobriu a degradação de proteínas mediada pela ubiquitina e que irá falar sobre medicina de precisão.

A jornada conta, ainda, com a palestra do oftalmologista britânico Andrew Bastawrous, que desenvolveu a aplicação móvel Peek que permite, através do smartphone, fazer exames oftalmológicos de baixo custo e que revolucionou o tratamento oftalmológico em países em desenvolvimento.

O dia fica completo com as participações da neurocientista e musicoterapeuta Jessica Grahn e do otorrinolaringologista Oliver Kaschke.

Haverá, ainda, lugar a I&D Talks, com Nuno Figueiredo, diretor do centro cirúrgico do Centro Champalimaud e especialista em cirurgia colorretal, e Marta Moita, investigadora de neurociência do Centro Champalimaud.

“O AIMS Meeting é mais do que um encontro para estudantes de Medicina, é um espaço onde aspirantes e especialistas podem trocar experiências e a complementar a sua formação académica. O nosso objetivo principal é inspirar os nossos participantes e aproximá-los dos profissionais de saúde que querem ser. Em 2018, tivemos 750 participantes e este ano superaremos os mil. Estamos orgulhosos por poder trazer a Portugal alguns dos mais célebres e conceituados nomes da Medicina actual”, sublinha Diogo Ferreira, coordenador geral da AIMS Meeting.

O AIMS Meeting conta na sua comissão de honra, entre outros, com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, a ministra da Saúde, Marta Temido, o ministro do Ensino Superior, Tecnologia e Ciência, Manuel Heitor, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e com o reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra.

Quais os riscos?
Afeta crianças, jovens e até adultos.

Em Portugal estima-se que cerca de um quarto das crianças e jovens já não passa sem a internet. O estudo realizado pelo ISPA mostra que estes passam mais de seis horas diárias ligados ao mundo digital, privilegiando os contactos online aos presenciais. Um dado preocupante, no entender de Ivone Patrão, Psicóloga e Terapeuta Familiar, autora do manual “Geração Cordão: a geração que não desliga”.

De acordo com a especialista “a internet e a rede móvel são das invenções mais fabulosas da Humanidade, com potencialidades fascinantes”, no entanto, é bom saber que também apresenta riscos.

“Tenho estudos com crianças, jovens e pais e em todos se percebe que há uma percentagem das amostras que revelam dependência da tecnologia”, afirma adiantando que um dos riscos do uso abusivo e contínuo da tecnologia é a inibição social e relacional, “o que traz repercussões a longo prazo no planeamento do projeto de vida profissional e pessoal”.

Embora considere que é bom “estar ligado”, garante que não é saudável estar dependente de “um cordão para ser alimentado a todos os níveis”.

“Se olharmos para a história há ciclos que se definem pela intensidade de experimentação de alguma novidade. As tecnologias estão a desempenhar esse papel. Neste momento, ainda estamos num crescente de ligação à tecnologia e de maior afastamento do físico, do toque, do cheiro”, explica a especialista.

Assim, há crianças e jovens que podem estar em risco, sobretudo se o seu contexto estiver associado a situações de vulnerabilidade, como é o caso de depressão ou acontecimentos de vida negativos, “caso não tenham um suporte social e familiar ajustado às suas necessidades”. Um jovem que passe 10 horas diárias a jogar online, que apresente alterações no sono ou alimentares e que não interage socialmente é, de acordo com a psicóloga, um jovem em risco.

Neste sentido, ao longo do manual, Ivone Patrão deixa algumas orientações para pais, professores e para a comunidade em geral quanto ao uso saudável da tecnologia. “De uma forma geral, diria que devemos começar a casa pela base, por isso a primeira orientação de todas é: a necessidade de se falar sobre este tema em família, na escola, na comunidade”, começa por explicar, acrescentando a necessidade de se estabelecerem pontos de concordância entre todos de modo a que sejam implementadas as mesmas regras em casa e na escola.

“É necessário diálogo e negociação entre pais, filhos e escola desde tenra idade. Se este assunto não for discutido desde cedo, já perdemos uma parte do comboio. Neste diálogo é importante a adequação das regras ao nível de desenvolvimento e idade da criança ou jovem e ao contexto familiar”, assinala referindo que é essencial compartimentar o tempo de modo a abranger todas as atividade relevantes para o bem-estar de todos. “Deve existir, em família, a possibilidade de instituir, pelo menos, um dia sem tecnologia”, dá como exemplo.

Por outro lado, a especialista alerta para a necessidade dos próprios pais saberem dar o exemplo. “O que os pais não têm consciência é que também são modelos virtuais. Ou seja: os filhos também acompanham e visualizam o comportamento online dos pais sobretudo nas redes sociais”, adverte.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Reunião traz experiências internacionais a Aveiro
A Sociedade Portuguesa de Doenças do Movimento (SPDMov) organiza o seu congresso nacional que, sob o mote “A Clínica nas...

“Vários diagnósticos nesta área são clínicos, daí a importância deste tema”, explica Alexandre Mendes, neurologista e presidente da SPDMov e do congresso da sociedade, acrescentando que “a clínica continua a ser muito importante também para delinearmos a investigação com exames auxiliares de diagnóstico”.

A reunião acontece a 15 e 16 de março, no Hotel Curia Palace, em Aveiro, e conta com a partilha de experiências de neurologistas portugueses que estão atualmente a trabalhar em centros no estrangeiro.

O congresso tem também uma forte vertente formativa, destinada a internos de neurologia, e integra três simpósios focados nos mais recentes desenvolvimentos farmacêuticos e no tratamento das doenças do movimento com estimulação cerebral profunda, uma opção de tratamento que, quando aplicável, pode devolver ao doente muita qualidade de vida uma vez que reduz significativamente os sintomas motores da doença.

Doença de Parkinson, distonia, tremor, ataxia e doenças do movimento na criança são alguns dos temas que estarão em destaque no congresso, onde serão também atribuídos prémios aos melhores trabalhos submetidos.

Campanha da APCL apela a doação de 0,5% do seu IRS
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) tem a decorrer uma nova campanha de angariação de fundos através da...

“Doar 0, 5% do IRS é efetivamente simples e não são retirados quaisquer benefícios ao contribuinte ao escolher uma associação para ajudar. Todos podem contribuir para permitir que cada vez mais doentes com leucemia recebam apoio numa fase tão difícil da sua vida”, explica Manuel Abecasis, médico hematologista e presidente da APCL.

“Os fundos angariados vão permitir que a APCL continue a organizar atividades de apoio aos doentes, como workshops, apoio com bolsas de investigação para aumentar o conhecimento científico destas doenças e apoio financeiro aos doentes e famílias com menos recursos”, acrescenta o presidente.

 

Novo medicamento surge como alternativa a terapêutica intravenosa
Medicamento inovador com a substância ativa eliglustato já está disponível para uso hospitalar no tratamento da Doença de...

A Doença de Gaucher é uma doença genética hereditária rara, causada pelo défice de uma enzima (beta-glucosidase ácida) responsável por digerir uma gordura, a glicosilceramida. Não assimilada pelo organismo, esta substância acumula-se no baço, no fígado e nos ossos, impedindo-os de funcionar como deviam.

Atuando como inibidor específico da glicosilceramida sintetase, o eliglustato é um medicamento usado no tratamento da Doença de Gaucher de tipo 1, diminuindo a produção da glicosilceramida e a sua acumulação, melhorando assim o funcionamento dos órgãos.

Cristina Fraga, Hematologista responsável pela consulta de Gaucher no serviço de Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo da Ponta Delgada, explica: “Nos últimos 8 anos, em Portugal 6 doentes com Doença de Gaucher tiveram a oportunidade de iniciar uma terapêutica oral para a sua doença. Neste momento, outros podem ter acesso a essa opção de tratamento. Falamos de uma terapêutica de primeira linha que, para alguns doentes, irá certamente melhorar a sua qualidade de vida.”

O eliglustato, na forma de cápsulas, é a única terapêutica oral de primeira linha para o tratamento a longo-prazo de doentes adultos com a Doença de Gaucher de tipo 1 (DG1) e vem complementar outra opção terapêutica intravenosa já disponível em Portugal.

“A aprovação da comparticipação deste fármaco reforça o nosso compromisso de proporcionar uma vida melhor à comunidade de doentes de Gaucher em Portugal. Há mais de vinte anos que a Genzyme lançou o primeiro tratamento no mundo para esta doença rara. É, por isso, um grande orgulho ver os resultados concretos da nossa contínua investigação nesta área.” afirma Francisco del Val, Diretor Geral da Sanofi Portugal e General Manager para a Sanofi Genzyme.

Sobre a Doença de Gaucher

A Doença de Gaucher é uma doença genética hereditária rara, causada pelo défice de uma enzima responsável por digerir uma gordura. Estima-se que existam no mundo cerca de 10.000 doentes. Em Portugal temos aproximadamente 140 doentes identificados. 

Segundo os especialistas, esta é uma doença subdiagnosticada, devido à raridade, mas também devido aos sintomas - cansaço, dores nos ossos, sangramentos, dores de barriga - que são comuns a outras patologias.

Os órgãos do corpo mais afetados são o baço e o fígado - os dois aumentam de tamanho, "comprometendo assim o espaço na cavidade abdominal, o que pode prejudicar ou até danificar outros órgãos e causar dores abdominais". A doença afeta ainda a densidade mineral óssea; a medula óssea também é afetada, ficando com dificuldade em produzir as células do sangue, o que pode causar anemia e falta de plaquetas. 

3000 participantes no 3.º maior congresso veterinário na Península Ibérica
O XV Congresso Hospital Veterinário Montenegro registou cerca de 3000 participantes nas sessões científicas e cerca de 1200 na...

“Fomos surpreendidos por uma adesão tão grande”, explica Luís Montenegro, diretor clínico do Hospital de Referência Veterinária Montenegro e um dos organizadores do congresso. “Talvez porque a causa seja tão nobre, porque as pessoas têm cada vez mais consciência para os problemas da causa animal”, salienta.

Luís Montenegro destaca que “os veterinários fazem parte da sociedade e é seu papel sensibilizá-la para que o bem-estar animal seja cada vez mais assegurado. É nosso papel, como veterinários, continuar a divulgar, incentivar esta proteção do bem-estar animal”.

Fazendo um balanço muito positivo de um congresso “onde foi possível debater os temas mais recentes do campo da dermatologia, ouvir alguns dos maiores especialistas nesta área da medicina veterinária”, disse acreditar “que foram dois dias de troca de experiências e que se constituiu como uma mais-valia para os profissionais do setor que participaram no congresso”, sustenta Luís Montenegro.

Um sucesso foi igualmente a Sala de Primeiros Socorros, que registou um número recorde de bombeiros participantes nesta formação. O diretor clínico do Hospital de Referência Veterinária Montenegro adianta que “tínhamos previsto 200 bombeiros na formação, mas durante o congresso apareceram mais algumas dezenas, o que revela, também aqui, uma crescente preocupação com uma área de socorro até aqui muito negligenciada”.

O congresso irá regressar em 2020, mas o tema ainda não está decidido. “Vamos reunir com os nossos parceiros, ouvir os especialistas, refletir e chegar a conclusões sobre o que fazer no próximo ano. Sem precipitações”, frisa.

 

Sulfitos proibidos e temperaturas elevadas
O alerta não é novo. Há seis anos que que a Deco alerta para a presença de sulfitos proibidos e temperaturas de conservação...

De acordo com os testes promovidos para Deco, a grande maioria das amostras (15 em 20) chumbou nos testes em laboratório. E as razões são as mesmas dos estudos anteriores: foram detetados sulfitos proibidos, temperaturas elevadas e elevado número de bactérias.

A carne picada dos talhos visitados pela associação, em outubro de 2018, “é um cocktail de bactérias e de sulfitos. E há uma combinação perfeita com o descuido no controlo das temperaturas das montras frigoríficas onde se encontra exposta.” A Deco lamenta que, apesar de todos os alertas e avisos, os resultados, seis anos desde o primeiro teste, continuem a ser maus. Em 20 amostras de carne picada de talhos visitados na Grande Lisboa e no Grande Porto, apenas quatro são razoáveis e uma boa.

“Quem vende carne picada tem responsabilidade na situação. E a fiscalização deve ser mais robusta. Os talhos e os organismos de controlo ainda têm muito trabalho a desenvolver”, afirma a Defesa do Consumidor.

Sulfitos proibidos e temperaturas elevadas

“A carne picada só pode conter sal, e em quantidades inferiores a 1 por cento. Os sulfitos não são permitidos”. No entanto, a Deco descobriu amostras com outros ingredientes. “O consumidor está a ser enganado ao comprar um produto que já não é só carne picada. Os resultados são piores do que em 2013 e não muito diferentes dos de 2017. Só não encontrámos sulfitos em cinco amostras”, refere a associação

Lei dispersa

A lei permite manter a carne já picada no expositor de venda. Contudo, nem sempre assim foi. Durante vários anos e até meados da década de 1990, só era permitida quando preparada a pedido e à vista do consumidor. Uma restrição, porém, abandonada nessa mesma década. Embora os requisitos sejam hoje mais rigorosos e os meios técnicos melhores, esse ponto de partida não se reflete nos resultados dos testes.

Falta de recursos humanos leva unidade a "bater no fundo"
A programação cirúrgica prevista para março do Hospital de Santo André (HSA), em Leiria, foi reduzida em 50% por falta de...

"O HSA está a bater no fundo. É um problema de gestão, pois o Conselho de Administração assumiu que pode fazer mais com menos, mas não dá condições de trabalho. A programação cirúrgica para março viu os tempos reduzidos em 50% por falta de recursos humanos", revelou José Carlos Almeida.

Segundo o secretário regional do Centro do SIM, a falta de médicos estende-se à área laranja do Serviço de Urgências. Esta zona "tem uma capacidade para 14 doentes" e no dia da visita do SIM, na semana passada, "estavam 46 e ainda era de manhã", denunciou, reforçando que "não há médicos diferenciados".

"Uma colega confessou-nos que estava ela e um médico do ano comum na área laranja. Todos os médicos mais diferenciados não conseguiram sair da emergência [intra-hospitalar]. Antes, o hospital tinha uma equipa de emergência, agora não. Estes médicos fazem dois a três turnos por semana e ainda asseguram a unidade hemodinâmica", acrescentou.

José Carlos Almeida afirmou ainda que os médicos "continuam a entregar as cartas de escusa", porque "seria uma irresponsabilidade assumirem que estão a trabalhar em condições de segurança para os utentes".

"Temos doentes que são reavaliados apenas 24 a 36 horas depois. Se falarmos de uma pessoa idosa, acamada, que durante esse tempo não está a tomar a medicação habitual que necessita, pode sofrer" outro tipo de problema clínico", como "uma pneumonia e ir para aos cuidados intensivos ou no pior cenário morrer".

Para o secretário regional do Centro do SIM, o argumento de falsas urgências "não pode ser usado, porque existe em todo o país".

"Se pegarmos nos hospitais de Loures ou de Vila Franca, de gestão privada, têm uma área de influência idêntica à de Leiria, ou até menor, e têm um número superior de médicos com capacidade de decisão no serviço de urgência, o que faz toda a diferença. É preciso ter mais elementos e mais diferenciados", insistiu.

"Não cabe ao sindicato decidir pela demissão ou não do CA, terá de ser a tutela a definir o que fazer do hospital de Leiria. Não se pode jurar amor eterno ao Serviço Nacional de Saúde [SNS] e dar facadas nas costas. O SNS está perante uma crise que nunca foi tão grave como agora. Nunca os médicos e todos os profissionais de saúde estiveram tão cansados como agora", sublinhou.

"É de louvar a dedicação que os médicos de Leiria têm tido com os seus doentes", rematou.

Na semana passada, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) revelou que todos os chefes de equipa da Urgência de Medicina Interna do Hospital de Santo André se demitiram em janeiro.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, disse que o Serviço de Urgência do hospital de Leiria atingiu o "limite" e que "só não encerra por todo o esforço dos médicos que lá trabalham", mesmo "sem serem reconhecidos pelo Conselho de Administração [CA] do CHL".

"Todos os chefes de equipa de Urgência de Medicina Interna apresentaram já a demissão, no dia 25 de janeiro, alegando a inexistência de condições essenciais ao desempenho das funções", referiu, explicando que os médicos "não têm tempo para a chefia do serviço, nem recursos para cumprir a escala de urgência".

Desde o início do ano, a Ordem dos Médicos já recebeu 159 declarações de responsabilidade: "Recebemos mais cartas de declarações de responsabilidade do que de todos os hospitais do Centro juntos, o que mostra uma grande preocupação com o que está a acontecer em Leiria, sobretudo na Urgência de Medicina Interna", salientou Carlos Cortes.

Carlos Cortes já deu conhecimento ao Ministério da Saúde, pedindo a "intervenção" da ministra Marta Temido para "ajudar a solucionar este problema".

Entretanto, o PSD vai pedir a presença da ministra da Saúde, com caráter de urgência, no parlamento, para dar explicações sobre a "situação caótica" no Hospital de Santo André.

Doente com “patologia psiquiátrica”
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) manifestou na segunda-feira a sua solidariedade para com o cirurgião agredido no...

“A violência e a intimidação sobre médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão são inadmissíveis. Para o SMZS, as administrações devem ser responsabilizadas pela segurança dos profissionais nos locais de trabalho”, refere o sindicato em comunicado.

Um médico foi esfaqueado na segunda-feira por um doente dentro do Hospital de Peniche, no distrito de Leiria, e o agressor foi detido pela PSP.

A presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste, Elsa Banza, explicou na que o médico, de 60 anos, foi alvo de “três facadas na zona das nádegas” e foi transportado, “com ferimentos superficiais”, para a urgência de Caldas da Rainha, onde se encontrava internado, mas “estável” e sem risco de vida.

O Centro Hospitalar do Oeste comunicou o crime à PSP, que deteve o suspeito ainda nas instalações hospitalares.

De acordo com a administradora, trata-se de um doente com “patologia psiquiátrica” que recorre com frequência ao Hospital de Peniche, onde conhece os profissionais de saúde e as instalações.

No comunicado, o sindicato quer que seja garantida a segurança médicos.

“O SMZS exige a garantia da segurança dos médicos no exercício das suas funções e o investimento na prevenção destas situações, reivindicando o reconhecimento à profissão médica do estatuto de risco e penosidade acrescida”, acrescenta.

Noutro comunicado, a Ordem dos Médicos informou que o cirurgião do Centro Hospitalar do Oeste que estava a operar no Hospital de Peniche foi esfaqueado por um utente, que entrou na sala onde decorria a intervenção.

“Este caso é o espelho da grave situação de insegurança que se vive no SNS [Serviço Nacional de Saúde] e de um clima de conflitualidade institucional que infelizmente é alimentado pela própria tutela e que não dignifica nem beneficia ninguém”, afirma Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.

Clínico esfaqueado por utente
A Ordem dos Médicos lamentou a agressão, com uma arma branca, contra um cirurgião no hospital de Peniche, considerando que é um...

“Este caso é o espelho da grave situação de insegurança que se vive no SNS e de um clima de conflitualidade institucional que infelizmente é alimentado pela própria tutela e que não dignifica nem beneficia ninguém”, afirma Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.

Segundo informa a Ordem dos Médicos, o cirurgião do Centro Hospitalar do Oeste que estava a operar no Hospital de Peniche foi esfaqueado por um utente, que entrou na sala onde decorria a intervenção.

A presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste, Elsa Banza, explicou que o médico, de 60 anos, foi alvo de “três facadas na zona das nádegas” e foi transportado, “com ferimentos superficiais”, para a urgência de Caldas da Rainha, onde se encontra internado, mas está “estável e não está em risco de vida”.

O Centro Hospitalar do Oeste comunicou o crime à PSP, que deteve o suspeito ainda nas instalações hospitalares.

De acordo com a administradora, trata-se de um doente com “patologia psiquiátrica” que recorre com frequência ao hospital de Peniche, onde conhece os profissionais de saúde e as instalações.

O bastonário da Ordem dos Médicos acrescenta que o aumento de casos de agressão contra profissionais de saúde é o “espelho do desinvestimento do Governo no SNS” e da insistência numa política que “cria ambientes de tensão que prejudicam profissionais e utentes”.

“Os médicos estão a ser obrigados a cumprir horários desumanos e a dar resposta a um número de doentes que está muito para lá do aceitável e que os coloca em situações de sofrimento ético, com prejuízo para a qualidade e a segurança clínica”, frisa Miguel Guimarães.

O bastonário recorda que os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde, referentes a 2018, revelam que no ano passado foram notificados mais de 950 casos de incidentes de violência contra profissionais de saúde, com 2018 a ser ano com mais situações reportadas.

Crise política e humanitária
O Instituto Butantan, no Estado brasileiro de São Paulo, vai doar um milhão de vacinas contra a gripe e 1.700 frascos de soro...

De acordo com o governador de São Paulo, João Doria, o objetivo “é ajudar a população da Venezuela no momento em que o país enfrenta uma grave crise política e humanitária”.

“Em abril, faremos a doação de um milhão de doses da vacina contra a gripe para proteger a população na região da fronteira. Essas vacinas são destinadas tanto a comunidade brasileira como à venezuelana”, disse Doria à imprensa.

O material será entregue ao Governo brasileiro, que ficará responsável pelo seu envio para o país vizinho.

O Instituto Butantan é uma instituição pública estadual, ligada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo desde a sua fundação.

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ordenou o encerramento, na quinta-feira, da fronteira do país com o Brasil.

O autoproclamado Presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, apelou à comunidade internacional para que mantenha "abertas todas as opções para conseguir a libertação da pátria", o que está a ser entendido como um pedido de intervenção externa.

As autoridades venezuelanas têm impedido a entrada no país de ajuda humanitária, nomeadamente através das fronteiras da Colômbia e do Brasil, onde se têm registado confrontos, que já provocaram pelo menos quatro mortos.

Contaminação generalizada por glifosato em Portugal
O partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) apresentou três iniciativas legislativas que pretendem uma “redução drástica” da...

A posição do PAN surge na sequência da divulgação dos resultados de um estudo lançado em 2018 para testar a presença de glifosato em voluntários portugueses, tendo a Plataforma Transgénicos Fora apelado hoje ao Governo para que proíba a venda de herbicidas à base de glifosato, que apoie os agricultores e que torne obrigatória uma análise à água para consumo.

As análises que integram o estudo revelaram uma exposição recorrente ao herbicida e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal.

O PAN afirma, em comunicado divulgado, que as análises aos voluntários que participaram no estudo em 2018, dos quais fez parte o seu deputado André Silva, apresentaram uma exposição recorrente ao herbicida, quando comparadas com os resultados de 2016, e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato, o herbicida mais usado em Portugal.

De acordo com os dados avançados pela Plataforma Transgénicos Fora, responsável pela realização do estudo, os resultados, comparativamente a outros países europeus, mostram valores acima da média: em 18 países, verificou-se que 50% das amostras estão contaminadas.

A nível nacional, nos testes levados a cabo em duas rondas, esse valor foi sempre superior e em outubro de 2018 os valores de contaminação das amostras registaram valores de 100%, refere o PAN.

O partido recorda que a Plataforma “denunciou ainda os graves conflitos de interesses que envolvem a produtora Monsanto, espelhados na avaliação científica da Comissão Europeia que esteve na origem da tomada de decisão que autorizou o herbicida na Europa em 2017, mesmo estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano”.

O PAN afirma que as iniciativas legislativas hoje apresentadas pretendem uma análise obrigatória mensal da presença de glifosato em todas as captações de água de consumo, rede mineral para engarrafamento e a proibição de venda de herbicidas com glifosato para uso não profissional.

“Ou seja, pretende-se que sejam retirados das prateleiras dos supermercados e drogarias e que sejam acessíveis apenas a agricultores, a realização de um estudo abrangente da exposição dos portugueses ao glifosato, o fim do uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana (já existem alternativas não sintéticas bem como outras técnicas tipo monda mecânica e térmica), e o apoio aos agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato e o estímulo ao consumo de alimentos biológicos”, afirma o partido.

Entretanto, em resposta a perguntadas da agência Lusa e após a divulgação da posição da Plataforma, o Governo veio dizer que já tomou várias medidas nesse sentido e que nos últimos quatro anos a vendas de glifosato desceram 22,7 %.

Na resposta, o executivo afirma que já tomou medidas proibitivas relativamente a esta matéria, na sequência de um estudo da EFSA (European Food Safety Authority), que revelou propriedades carcinogénicas da taloamina, substância coadjuvante de herbicidas contendo glifosato.

“O Governo proibiu de imediato a comercialização de herbicidas contendo esta matéria”, adianta um comunicado do gabinete do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

O executivo afirma que “tem já em execução várias medidas de apoio aos agricultores, direcionadas para a redução e eliminação da utilização de pesticidas”.

“O Governo, através da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), recomendou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) – entidade responsável pela fiscalização da água para consumo público - que determine a inclusão da pesquisa de glifosato nos parâmetros de qualidade junto das entidades gestoras de abastecimento de água. Cabe à APA a implementação da medida relativamente à utilização de herbicidas na “limpeza urbana”, acrescenta a resposta.

A Plataforma sublinha que pela “primeira vez em Portugal foi possível calcular os valores de exposição efetiva ao glifosato (que levam também em consideração o AMPA - substância em que o glifosato se transforma quando começa a degradar-se) e os resultados, quando comparados com outros países europeus, mostram uma diferença preocupante”.

Em declarações à agência Lusa, a bióloga da plataforma Margarida Silva indicou que em julho de 2018 foram recolhidas amostras de urina a 62 voluntários, 56 adultos e seis crianças, tendo 65% acusado glifosato.

“Em outubro de 2018, a análise foi repetida, tendo participado 44 pessoas. O glifosato foi detetado em 100% das amostras”, referiu.

De acordo com os dados do estudo, enquanto na média de 18 países se verificou que 50% das amostras estavam contaminadas, as duas rondas de testes em Portugal estavam acima desse valor – e em outubro a contaminação foi detetada em 100% das amostras.

A Plataforma já tinha levado a cabo, em 2016, uma outra colheita a 26 pessoas que veio confirmar também a presença da substância em 100% dos casos.

Já em 2018, os participantes inscreveram-se por iniciativa própria e cerca de 80% dos inscritos identificaram-se como consumidores de alimentos biológicos.

“Estes resultados mostram que o problema não está resolvido, que as pessoas estão a ser contaminadas recorrentemente. Estamos expostos todos os dias e a alterar o nosso microbioma intestinal, que, as investigações apontam nesse sentido, é dos sistemas mais importantes do ponto de vista da preservação da nossa saúde e equilíbrio metabólico”, disse.

De acordo com Margarida Silva, podem estar aqui muitos dos problemas de saúde dos portugueses.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano.

Nova unidade hospitalar
A Secretaria Regional do Equipamento e Infraestruturas da Madeira anunciou hoje que recebeu oito candidaturas na primeira fase...

A primeira fase do concurso terminou às 17:00 de ontem, mas a tutela adiantou que só hoje terá acesso às candidaturas e aos consórcios que foram carregados na Acingov (plataforma eletrónica de compras públicas).

A secretaria realçou, em comunicado, que esta é a primeira fase do concurso: “resume-se à entrega das candidaturas, com toda a documentação económica e financeira, bem como a parte curricular das empresas concorrentes".

A informação será analisada por um júri composto por sete elementos.

Após esta análise, os qualificados serão convidados a apresentar uma proposta de preço para a empreitada efetiva.

A tutela espera ter concluída dentro de um mês e meio a qualificação dos candidatos.

O novo Hospital Central da Madeira, há muito reivindicado pela região, é um Projeto de Interesse Comum e será comparticipado pelo Estado e pela região, em percentagens de 50% cada.

 

Stress pós-traumático atinge 35% das crianças
Os Médicos Sem Fronteiras conseguiram desmobilizar quase mil crianças-soldado no Sudão do Sul, num projeto que já forneceu...

A informação foi divulgada hoje por aquela organização internacional, que deu conta ainda que o stress pós-traumático, por exemplo, atinge 35% das crianças tratadas pela equipa de mais de 100 profissionais dos Médicos Sem Fronteiras (MSF). A depressão também é comum entre as antigas crianças-soldado, muitas têm ‘flashbacks’ e são assoladas por imagens recorrentes de momentos de combate.

Algumas das crianças consideram o suicídio ou automutilação.

“Para ajudar os nossos pacientes usamos técnicas de relaxamento, para tratar sintomas como a ansiedade e o medo. Tentamos fortalecer os mecanismos de resistência e resiliência. Fazemos atividades de grupo e educação psicológica, discutimos assuntos específicos e organizamos atividades de lazer como jogos de futebol e pintura”, lê-se num documento dos MSF, hoje divulgado.

São já 983 as crianças desmobilizadas pelo projeto dos MSF, no terreno há um ano, desde fevereiro de 2018, centrando-se na região de Yambio, no sudoeste do Sudão do Sul. Segundo dados da Unicef, citados pelos MSF, estas quase mil crianças representam cerca de um terço das 3.100 já desmobilizadas em todo o país.

Têm entre 10 e 19 anos e a maioria foi raptada a caminho da escola ou dos campos agrícolas onde trabalhava antes de serem forçadas a serem soldados.

O objetivo é a sua reintegração na comunidade a que pertencem, e se é verdade que isso foi possível para a maioria, segundo os MSF, também há casos de crianças que não conseguiram voltar para as suas famílias, seja porque estas morreram no conflito, seja porque foram deslocadas e não conseguem encontrá-las. Há aquelas que já regressaram à escola, que estão a trabalhar na agricultura, e até as que já se casaram. Há também casos de rejeição.

“Algumas são vistas como um fardo. Nas comunidades em que o conflito teve um impacte significativo, algumas crianças foram rejeitadas e receiam nunca virem a ser aceites”, lê-se no documento dos MSF.

Aquelas que lidam com maiores dificuldades chegam a ponderar voltar a ser soldado e a juntar-se a um grupo armado, não pela pertença a esse grupo em si, mas por ser um meio de acesso a melhores recursos e serviços. Conseguir que regressem à escola é “muito gratificante” para os profissionais que participam no projeto, mas também para as crianças, que acabam por sentir que são parte ativa da sua comunidade.

“As pessoas perguntam se a recuperação é possível. Sim, de facto é. Vemos crianças e adolescentes que passaram por enormes dificuldades e traumas, mas que estão ansiosas por se tornarem membros produtivos das suas comunidades. [..] A maioria destas crianças quer casar, ter um trabalho e regressar para as suas famílias. O processo terapêutico permite-lhes atingir esses objetivos”, lê-se no documento.

Sobre negociações com os Enfermeiros
O Presidente da República defendeu ontem que o seu papel é "convidar a caminhos de entendimento", quando questionado...

"A função de um Presidente da República como entidade arbitral é convidar a caminhos de entendimento, na expectativa de que eles possam ir o mais longe possível", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta aos jornalistas, durante uma visita ao Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), em Lisboa.

Sem responder diretamente à questão sobre o seu eventual envolvimento nas negociações com professores e enfermeiros, o chefe de Estado lembrou a intervenção que fez na quinta-feira, em que apelou a "convergências para além daquilo que parecem ser as posições estanques", perante uma plateia com representantes de várias áreas da saúde.

"Eu estava a pensar na saúde em particular, mas em geral na sociedade portuguesa os caminhos do entendimento devem ser sempre aprofundados. Depois se verá qual a capacidade de entendimento, o grau de entendimento", acrescentou.

Especificamente sobre o caso da contagem do tempo de serviço dos professores, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a "comentar o otimismo ou pessimista pré-negocial" por parte do primeiro-ministro, António Costa, e disse que a sua posição "é muito simples: é esperar".

"Esperar o resultado das negociações. Esperar para ver se se traduz numa lei ou não e esperar para ver o conteúdo da lei. E, portanto, vamos esperar e depois, em função do que venha aparecer ou não, assim decidirei", completou.

O Presidente da República irá aguardar "aquilo que durarem as negociações e que durar depois a decisão do Governo quanto a haver diploma, não haver diploma" e, se for esse o caso, "qual o diploma que faz chegar" às suas mãos.

Na quinta-feira, durante uma homenagem à farmacêutica Odette Ferreira, no Museu da Farmácia, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa deixou o seguinte apelo: "Vamos procurar as convergências para além daquilo que parecem ser as posições estanques, que são cruciais num determinado momento, e depois se chega à conclusão de que não têm importância nenhuma no fluir da história - nenhuma, rigorosamente nenhuma, a não ser momentaneamente o prazer do ego de um ou outro protagonista".

Nessa iniciativa também discursou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, e na assistência estava a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, que o chefe de Estado cumprimentou à chegada, dizendo: "Eu vejo esta senhora todos os dias, de manhã, à tarde, à noite".

Hoje, à margem da cimeira União Europeia-Liga Árabe, em Sharm el-Sheikh, no Egito, o primeiro-ministro, António Costa, assumiu "algum pessimismo" em relação ao reinício das negociações entre o Governo e os sindicatos de professores, tendo em conta as "declarações de total intransigência" do secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

Euro Health Consumer Index
O Serviço Nacional de Saúde português teve um “forte desempenho” em 2018, colocando Portugal no 13.º lugar do ‘ranking’ de...

O ‘ranking’ anual Euro Health Consumer Index classifica anualmente 35 serviços nacionais de saúde na Europa com base em indicadores como direitos e informação dos pacientes, acessibilidade, resultados, diversidade e abrangência dos serviços prestados, prevenção e produtos farmacêuticos. A lista é elaborada pela organização Health Consumer Powerhouse.

Em 2018, Portugal obteve 754 pontos, melhorando face aos 747 registados no ano anterior devido a um “forte desempenho” no Sistema Nacional de Saúde, o que lhe possibilitou passar de 14.º para 13.º lugar, segundo a informação hoje divulgada.

A liderar o ‘ranking’ está a Suíça (893 pontos), seguindo-se a Holanda (883), a Noruega (857), a Dinamarca (855) e a Bélgica (849).

Em sentido inverso, o pior classificado é a Albânia (544 pontos), seguida pela Roménia (549), Hungria (565), Polónia (585) e Bulgária (591).

Apesar da melhor classificação face ao ano anterior, Portugal continua de fora do 'clube dos 800', ou seja, dos países que obtiveram 800 pontos nos indicadores avaliados, para os quais o máximo é mil.

A pontuação de Portugal reparte-se em: 108 pontos para os direitos e informação dos pacientes (de um máximo de 125 atribuídos), 163 pontos na acessibilidade (de um máximo de 225), em 222 nos resultados (máximo de 278), 94 na diversidade e abrangência dos serviços prestados (máximo de 125), 89 na prevenção (máximo de 119) e 78 nos produtos farmacêuticos (máximo de 89).

Existem, porém, questões a melhorar.

No seu relatório, a Health Consumer Powerhouse aponta que “Portugal é o único país europeu a ter pior acesso a cuidados primários além da Suécia”, já que o prazo estimado para conseguir uma consulta, nomeadamente em centros de saúde, é até 15 dias.

Dos países analisados (com exceção de Montenegro, para os quais não são apontados dados), Portugal é, também, o quarto pior classificado no que toca a “infeções hospitalares adquiridas sendo resistentes”, atrás da Roménia, de Malta e da Sérvia.

Portugal fica ainda em sétimo lugar dos países com maior tempo de espera para tratamentos de cancro e é o segundo pior (sem contar com a Albânia) nas carências não satisfeitas em exames dentários.

Dados oficiais
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) atendeu cerca de 159 chamadas de emergência por hora em 2018, num total de...

As 1.393.594 chamadas recebidas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes, para situações de assistência a vítimas de acidente ou doença súbita, significam mais 25.453 chamadas atendidas do que em 2017, referem dados publicados hoje no Portal da Saúde.

Segundo o instituto, o atendimento destas chamadas deu origem à ativação de 1.323.554 meios de emergência, entre os diversos tipos de ambulância, motas de emergência, viaturas médicas de emergência e reanimação e helicópteros.

As chamadas efetuadas para o Número Europeu de Emergência – 112 - são atendidas em primeira linha nas Centrais de Emergência pela Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicana.

O 112 encaminha seguidamente para os centros de orientação de doentes urgentes (CODU) do INEM todas as situações que digam respeito a urgências ou emergências médicas.

Conforme a situação relatada no pedido de ajuda, os CODU prestam o aconselhamento necessário ou enviam os meios de emergência que sejam mais adequados para dar resposta à situação clínica da vítima.

O tipo de meio a enviar é selecionado de acordo com a situação clínica das vítimas, a proximidade do local da ocorrência e a acessibilidade ao local da ocorrência, refere o organismo.

Compete à Central Médica do INEM avaliar depois todos os pedidos de ajuda recebidos, com o objetivo de determinar os recursos necessários e adequados a cada situação.

O INEM apela para a “colaboração de todos os cidadãos”, aconselhando que em caso de acidente ou doença súbita liguem sempre para o 112 e informem, de “forma simples e clara” a localização exata, o número de telefone do qual estão a ligar, o tipo de situação (doença, acidente, parto, entre outros), número, sexo e idade aparente das vítimas, as queixas e as alterações que observam.

O funcionamento dos CODU é assegurado 24 horas por dia, por equipas de profissionais qualificados – médicos, técnicos de emergência pré-hospitalar e psicólogos – com formação específica para efetuar o atendimento, triagem, aconselhamento, seleção e envio de meios de socorro.

“As perguntas efetuadas pelos profissionais dos CODU são muito importantes para a atuação do INEM, pois visam determinar qual o tipo de emergência e o meio de socorro mais adequado para dar resposta à situação”, salienta o instituto.

No caso de não ser necessário enviar uma ambulância ou qualquer outro meio de emergência, as chamadas são encaminhadas para a Linha do Centro de Contacto do SNS24, que procederá ao aconselhamento adequado à situação.

Páginas