Aprovado por 22 deputados
O parlamento aprovou hoje, na generalidade, o projeto de lei de um grupo de cidadãos sobre a manutenção e abertura de farmácias...

Na prática, este diploma foi aprovado por apenas 22 dos 203 deputados presentes, pelo que foi a abstenção de PS, PSD, CDS-PP, PCP e PEV que viabilizou esta iniciativa dos cidadãos.

Na hora da votação, o PS dividiu-se, com 18 deputados a votarem a favor, juntando-se ao deputado único do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Silva, e a Paulo Trigo Pereira, deputado não inscrito, e a duas deputadas do PSD,Sandra Pereira e Regina Bastos.

Entre os deputados socialistas que votaram a favor estão, entre outros, Maria Antónia Almeida Santos, porta-voz do PS, Miranda Calha, Marcos Perestrelo, José Magalhães, Helena Roseta, Manuel Caldeira Cabral e Wanda Guimarães.

Apenas a bancada do BE votou contra.

Os dois projetos do PAN e BE sobre a mesma matéria, debatidos, por "arrastamento" na sessão de hoje, foram rejeitados pelo PS, PSD e CDS.

A Iniciativa Legislativa dos Cidadãos pedia a restauração do regime instaurado em 2009 que permitia a existência de farmácias comunitária nos hospitais públicos para permitir que a farmácia do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, continue a funcionar,

Na abertura do debate, André Silva, explicou que a iniciativa do PAN para repristinar o regime de 2009 teve em conta “o interesse público assente nas necessidades prementes dos doentes, conjugado com a inobservância de impactos negativos advindos da existência de farmácias em meio hospitalar”.

Moisés Ferreira, do BE, disse não concordar com este regime. “Não concordámos em 2009, quando o Governo socialista o estabeleceu, não concordamos agora, principalmente depois de já ter sido posto em prática”.

“O Serviço Nacional de Saúde é um espaço público, não deve ser visto como um espaço de instalação de vários espaços privados”, defendeu o deputado do BE, que apresentou um projeto de lei que defende a dispensa de medicamentos ao público pelas farmácias hospitalares do Serviço Nacional de Saúde.

A deputada do PSD Ana Oliveira lembrou, por seu turno, as “centenas de farmácias” que estão em “situação de pré-falência”, a questão dos medicamentos que não estão disponíveis porque as farmácias não podem assegurar reservas muito diversificadas.

“O PSD, como partido responsável, entende que não deve acrescentar problemas aos problemas, pelo contrário deve contribuir para a procura de soluções enquadradas, sustentáveis e que sirvam os verdadeiros interesses de todos os portugueses”, defendeu Ana Oliveira.

O PS, pela voz de Luís Graça, disse não estar disponível para “repristinar a lei de 2009, para não repetir uma experiência que não resultou”.

“Temos hoje uma rede de farmácias comunitárias de grande proximidade, uma malha próxima das pessoas, não necessitamos de voltar atrás, mas ouvimos os argumentos de Loures, percebemos o problema que estes cidadãos colocaram à Assembleia da República”, afirmou Luís Graça.

O deputado disse ainda que o PS está disponível para desenvolver “uma iniciativa que, respeitando o equilíbrio da rede de farmácias comunitárias, cumpra o essencial” pedido pelos 33.600 cidadãos de Loures e resolva o problema, não tratando “o justo por injusto”.

Também o CDS-PP manifestou disponibilidade para encontrar uma “solução bem equilibrada”.

“Será justo encerrar uma farmácia que se revelou um serviço à comunidade, um exemplo de boa gestão, e que não seguiu o exemplo das outras seis farmácias que tiveram um negócio ruinoso para o Estado”, questionou a deputada Isabel Galriça Neto.

Para a deputada centrista, o que faz sentido é que “se harmonize um conjunto de fatores sem prejudicar um grupo tão alargado de cidadãos e que haja a oportunidade de em sede de especialidade esta questão ser devidamente ponderada com uma solução que não prejudique os utentes, o Estado e que possa ser ética e legalmente correta e bem balizada”.

A posição do PCP vai no mesmo sentido: “estaremos disponíveis para intervir na especialidade para, de forma excecional, acautelar o nosso princípio geral e salvaguardar a situação que subsiste e acautelar os postos de trabalho existentes, ficando claro que rejeitamos quaisquer perspetivas de abrir caminho para a abertura de novas farmácias privadas em hospitais públicos”, disse a deputada Carla Cruz.

Relatório
Portugal registou em 2017 um total de 110.187 mortes, menos 0,7% do que no ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de...

As doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por 32.366 mortes (menos 1,3% do que em 2016) e representaram 29,4% da mortalidade verificada no ano em apreço.

“Nas mortes por doenças relativas ao aparelho circulatório destacaram-se as doenças cerebrovasculares, também designadas por acidentes vasculares cerebrais (AVC), com 11.270 mortes no país, e as relacionadas com a doença isquémica do coração, com 7.314 mortes, em 2017”, lê-se no documento produzido pelo INE.

De acordo com o instituto, o número de anos potenciais de vida perdidos devido às doenças do aparelho circulatório foi de 49.864, mais 4,1% do que em 2016.

“A relação de masculinidade em 2017 foi 82,2 óbitos masculinos por cada 100 femininos, superior à do ano anterior (81,5)”, de acordo com o INE.

As idades médias atingidas foram 83,7 anos para as mulheres e 78 para os homens, idênticas às de 2016.

A segunda causa básica de morte foram os tumores malignos, com 27.503 óbitos em 2017, mais 0,5% face a 2016. Representaram um quarto da mortalidade.

“Em média, os tumores malignos atingiram fatalmente as mulheres ligeiramente mais cedo em 2017 (73,9 anos) do que em 2016 (74,2 anos), enquanto a idade média do óbito se manteve em 72,4 anos no caso dos homens”, refere o INE.

O número de anos potenciais de vida perdidos devido a estes tumores foi de 114.654, mais 3,2% do que em 2016.

Neste parâmetro, destacaram-se os tumores relacionados com a traqueia, brônquios e pulmão, com 4.240 óbitos, cólon, reto e ânus (3.852 óbitos) e estômago (2.311 óbitos).

As doenças do aparelho respiratório estão também entre as principais causas de morte 12.819 óbitos), mas com um resultado inferior ao de 2016 em 4,9% (13.474 óbitos).

No total de óbitos registados no país, 109.758 corresponderam a população residente em território nacional e 429 a residentes no estrangeiro

Morreram mais homens (55.398) do que mulheres (54.789).

Descoberta pode ter um grande potencial na medicina personalizada
O Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra integra um projeto internacional que conseguiu...

O projeto de investigação conjunta do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), com institutos dos EUA (Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai), da Suécia (Centro Wallenberg de Medicina Molecular) e da Rússia (Instituto de Ciência e Tecnologia Skolkovo) foi publicado recentemente na revista Cell Reports.

"A descoberta poderá ter um grande potencial na medicina personalizada (com produtos adaptados para o organismo de cada ser humano) para tratamento de doenças como a leucemia", garante o CNC-UC.

No artigo publicado na Cell Reports é demonstrada a reprogramação direta de células humanas da pele em células estaminais hematopoiéticas.

"Estas células estaminais são as principais precursoras dos componentes do sistema sanguíneo, formando-se num processo designado de hemogénese. Este processo foi alcançado em laboratório com a utilização de três proteínas (GATA2, FOS e GFI1B)", explica o Centro, em comunicado.

Filipe Pereira, investigador do CNC-UC e coordenador do projeto, refere que "o estudo é o primeiro a demonstrar a reprogramação direta em células hematopoiéticas humanas", que poderá ser um primeiro passo no caminho de conseguir gerar células estaminais sanguíneas perfeitamente funcionais no laboratório.

"No futuro, estas células reprogramadas poderão ser transplantadas em doentes com doenças no sangue", explica Filipe Pereira, adiantando que "é extremamente interessante que apenas três proteínas consigam causar uma mudança tão drástica e que sejam conservadas evolutivamente entre ratinhos e humanos".

Segundo o Centro, o estudo demonstrou que a GATA2 lidera esta combinação de três proteínas, uma vez que recruta as restantes duas para ativar o processo de hemogénese e "desligar" o programa normal das células da pele.

Estes mecanismos foram testados em ratinhos. E, após um período de três meses, comprovou-se que as células convertidas contribuem para a formação de novo sangue humano nestas cobaias.

"Após o transplante das células hematopoiéticas estaminais em ratinhos ter sido bem-sucedido, o próximo passo será aumentar a eficiência e a qualidade das células enxertadas para que contribuam para a formação de sangue durante maiores períodos de tempo", acrescenta o coordenador do estudo.

Os investigadores pretendem "tornar este processo uma realidade na medicina personalizada, em doenças do sangue como a leucemia".

Além de Filipe Pereira, o artigo "Cooperative Transcription Factor Induction Mediates Hemogenic Reprogramming" conta igualmente com Andreia Gomes (CNC-UC) como autora principal. O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Portugal), pela Fundação Knut e Alice Wallenberg (Suécia), e pelo Instituto Nacional de Saúde (EUA).

E vão poder "competir"
Pela oitava edição consecutiva realiza-se, em Coimbra, de 21 a 24 de fevereiro, o Congresso Médico-Científico “In4Med”,...

“Esta edição representa uma grande transformação para o In4Med, que se realizará pela primeira vez no Convento São Francisco, permitindo assim a participação de mais de 500 estudantes nacionais e internacionais” explica Sofia Reimão, estudante do 4º ano do Mestrado Integrado de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e Coordenadora Geral deste projeto. “Este congresso tem como principal objetivo dar a oportunidade a estudantes de Medicina e de outras áreas Médico-Científicas de conhecer e contactar com áreas e temas menos abordados ao longo do percurso académico, apresentando-se como um complemento à educação médica e outras áreas científicas.”

Assente no lema “Defy the Norm, Dare to Transform”, a VIII edição do In4Med traz novidades: para além de uma nova localização, apresenta, pela primeira vez, um Debate, subordinado ao tema do impacto da evolução tecnológica na Medicina, e moderado pelo jornalista e pivô da SIC Bento Rodrigues.

O congresso conta com diversos painéis onde irão tomar parte oradores de renome internacional, como: Dr. Youri Yordanov, médico especialista em Emergência Médica e responsável pelo Serviço de Urgências na noite dos atentados terroristas em Paris em novembro de 2015, Dr. Paulo Beckert, Coordenador Clínico da Unidade de Saúde e Performance da Federação Portuguesa de Futebol, e Dr. Aleksander Wasniowski, médico e cocriador do programa das missões análogas a Marte e à Lua, que decorrem na Estação de Investigação LUNARES na Polónia, onde conduziu a primeira missão análoga a incluir um astronauta com deficiências. Esta edição será ainda marcada pela contribuição dos prémios Nobel Ada E. Yonath, e Leland Hartwell, vencedores do prémio Nobel da Química, em 2009 e do Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2001, respetivamente.

Adicionalmente, os estudantes poderão participar em várias competições, entre as quais “Scrub Up – National University Championship of Medical Simulation”, uma competição nacional a nível universitário de simulação médica única. Desta resulta a apuração da equipa que representará Portugal a nível Europeu na competição de simulação médica da SESAM Annual Meeting, como ocorreu no ano transato, em que a equipa Algarvia representou Portugal em Bilbao, sagrando-se como vencedora Europeia.

O “Post N’ Speak – Poster and Oral Competition” é outra das competições existentes e que, promovendo a investigação científica a nível estudantil, galardoará os alunos com o melhor poster em três áreas distintas com um prémio monetário. O Júri que escolherá os vencedores terá como presidente a Professora Doutora Isabel Marques Carreira, Presidente Eleita da Sociedade Portuguesa de Genética Humana.

Para além dos 56 workshops práticos à disposição dos participantes, está também associada ao In4Med a atividade “Ready. Set. Go!”, um conjunto de pré-cursos com grande aplicabilidade prática, representando uma oportunidade extracurricular para que os estudantes possam desenvolver a suas capacidades para além da teoria e com recurso à simulação, não sendo a sua frequência veiculada à participação da totalidade do congresso.

Consultas de especialidade
As listas de espera em várias especialidades médicas foram reduzidas no litoral alentejano, nos últimos três anos, graças à...

Em alguns casos, como a especialidade de otorrinolaringologia, "em apenas três anos, deixou de existir lista de espera para consultas, foi reaberto o bloco operatório” no Hospital do Litoral Alentejano (HLA) e “todos os doentes propostos foram operados”, disse hoje à agência Lusa o presidente do conselho de administração do CHULN, Carlos Martins.

“A política de afiliações, que inclui acordos de colaboração, permite dar uma resposta de proximidade, evitar as deslocações dos utentes e dar rentabilidade ao investimento público nas unidades periféricas”, sublinhou o responsável, destacando “o sucesso” deste "programa inovador”.

A colaboração entre a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) e o CHULN começou em junho de 2015, altura em que foi celebrada uma parceria, na área de imuno-hemoterapia, para fazer face “à escassez de recursos humanos” na unidade de saúde, que abrange os concelhos de Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Odemira e Alcácer do Sal.

“Demos uma excelente cobertura nesta área, sobretudo nas consultas aos dadores de sangue, consultas externas e hospital de dia, reforçando o serviço de imuno-hemoterapia da ULSLA com os nossos profissionais”, acrescentou Carlos Martins.

Entre as parcerias estabelecidas estão também as especialidades de pneumologia, otorrinolaringologia, patologia clínica, anatomia patológica, em 2016, e a reumatologia (2017), após acordo de colaboração com o Hospital de Santa Maria, integrado no CHULN, que permite a realização de consultas mensais na ULSLA.

“Não existiam consultas de reumatologia do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em todo o Alentejo e, por isso, decidimos avançar com o protocolo de afiliação que garante a presença de dois médicos especialistas na região do litoral alentejano”, onde existem mais de 100 mil utentes, acentuou Carlos Martins.

Uma vez por mês, a equipa de reumatologia, constituída por um médico especialista e um interno, “observa e executa técnicas de diagnóstico e terapêutica” a uma média de 20 doentes por dia que são referenciados pelos centros de saúde da região.

“Os doentes, a grande maioria mulheres e idosos, são referenciados pelos centros de saúde e, desde que iniciámos estas consultas, conseguimos reduzir o tempo para marcação prioritária, que agora é inferior a 50 dias”, explicou à Lusa o médico e especialista em reumatologia do CHULN Luís Gaião.

Segundo o mesmo clínico, que lidera a única unidade de reumatologia do SNS em todo o Alentejo, a experiência “tem sido gratificante” e “enriquecedora”, tendo em conta algumas das características da região, como as distâncias e a “deficiente rede de transportes”.

“Os doentes têm de se deslocar de manhã e depois das consultas só têm transporte ao fim do dia, porque nesta faixa do Alentejo os problemas são as distâncias e a deficiente rede de transportes em que muitas vezes os horários nem são compatíveis”, realçou.

Para aliciar médicos para as regiões periféricas, o especialista defendeu “protocolos de colaboração” que “fixem médicos nestas unidades”, mesmo “antes de iniciarem os internatos de especialidade”.

Desde setembro do ano passado, a equipa de reumatologia já registou cerca de 350 consultas e, destas, “apenas 15 doentes tiveram de ir para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tendo os restantes tido resposta de proximidade”, exemplificou o presidente do CHULN.

Perante “o sucesso” deste "programa inovador”, Carlos Martins admitiu a possibilidade de “fixar um médico” nos quadros da ULSLA, em Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, até ao final deste ano, reforçando as respostas de proximidade.

“Esperamos ainda este ano poder fixar um médico, no âmbito deste programa, nos quadros da ULSLA para dar apoio diário e fazer o ‘interface’ com a nossa equipa, incluir novas áreas e reforçar a resposta de proximidade em Santiago do Cacém e até de outras zonas do Alentejo”, disse.

Criada em 2012, a ULSLA integra, além do HLA, em Santiago do Cacém, e da Unidade de Saúde Pública do Alentejo Litoral, o Agrupamento de Centros de Saúde do Alentejo Litoral, com cinco unidades nos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira e respetivas extensões, dando resposta a uma população de cerca de 100 mil habitantes.

Estudo
As concentrações de resíduos farmacêuticos nas fontes de água doce aumentaram em todo o mundo nos últimos 20 anos,...

Especialistas em ambiente da universidade holandesa de Radboud dizem que os níveis do antibiótico ciprofloxacina na água chegaram a um ponto em que podem causar efeitos negativos na ecologia.

O estudo, hoje divulgado na revista científica “Environmental Research Letters”, é o primeiro que examina os efeitos de dois medicamentos, um antibiótico e um antiepilético, em fontes globais de água doce.

Rik Oldenkamp, principal autor do artigo publicado sobre o estudo, diz que é preciso mais dados e acrescenta que “obter uma imagem precisa dos riscos ambientais” derivados dos dois medicamentos depende da disponibilidade de dados e que essa disponibilidade “é limitada”.

Os investigadores usaram um modelo baseado num outro já existente e que permite prever a situação por regiões do mundo. E concluíram que os riscos ambientais eram 10 a 20 vezes maiores em 2015 em comparação com 1995.

O aumento do uso do antibiótico ciprofloxacina foi considerado como tendo um impacto significativo a nível mundial. “As concentrações deste antibiótico podem ser prejudiciais para as bactérias na água, bactérias que desempenham um papel importante em vários ciclos de nutrientes”, disse Oldenkamp, alertando que os antibióticos também podem ter um efeito negativo na eficácia das bactérias usadas no tratamento de águas residuais.

A questão da resistência aos antibióticos faz parte da agenda da Organização Mundial de Saúde (OMS) e é vista normalmente como um problema para a saúde, porque as bactérias resistentes podem disseminar-se dentro dos hospitais e através da pecuária, afirmou o responsável, acrescentando que, no entanto, há pouca consciência sobre os efeitos dos antibióticos no meio ambiente.

“O nosso modelo prevê um risco ambiental relativamente elevado para ecorregiões densamente povoadas e áreas mais secas, como o Médio Oriente, ainda que estas sejam precisamente as áreas onde há poucos dados sobre o uso farmacêutico e concentrações em águas de superfície”, disse OldenKamp.

 

Estudo
Uma proteína encontrada em dentes de lula pode ser uma alternativa ao plástico no fabrico de tecidos com aplicação em setores...

“As proteínas de lula podem ser usadas para produzir uma nova geração de materiais para uma série de campos, incluindo energia, biomedicina, segurança e e defesa”, afirmou o investigador Melik Derimel, da universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Este material, um biopolímero encontrado nos dentículos que rodeiam o interior das ventosas dos tentáculos de algumas espécies de lula, “tem propriedades físicas únicas que não se encontram em polímeros sintéticos como o plástico”, referiu.

Elasticidade, flexibilidade e força são propriedades dos materiais fabricados a partir de dentículos de lula, escreve o Sapo, que são também bons condutores térmicos e elétricos graças às várias combinações moleculares que podem adotar.

Os autores do estudo olham para as aplicações do material no setor têxtil, onde pode servir para revestimentos anti-abrasivos que evitam o desgaste das fibras nas máquinas de lavar.

O material pode também ser combinado com outros compostos e outro tipo de tecnologia para fabricar tecidos capazes de afastar poluentes ou medir indicadores de saúde.

Para fabricar o novo material em escala industrial não é preciso caçar lulas em massa, uma vez que a proteína pode ser produzida com bactérias geneticamente modificadas num processo de fermentação com água, açúcar e oxigénio.

OMS
A Organização Mundial de Saúde (OMS) deu “luz verde” à experimentação de uma vacina contra o vírus Ébola em mulheres grávidas...

“O Grupo Estratégico e de Consulta da OMS [Sage na sigla em inglês] aprova o uso da vacina rVSV-Zebov-GP com consentimento informado e conforme o padrão de qualidade ética e científica”, anunciou a organização.

A medida tomada na reunião dos especialistas “reverte uma decisão anterior que impedia que mulheres grávidas recebessem a vacina” “por não haver evidências suficientes sobre sua segurança”, explica ainda o comunicado da OMS, publicado no portal da agência.

A experimentação da vacina irá também abranger crianças com menos de um ano de idade, devido “ao surto em curso e ao risco enfrentado pela população”, acrescentou a OMS.

O Sage considera ainda que “deve ser considerada a possibilidade de avaliar uma ou mais” de três outras vacinas contra o ébola em áreas próximas e “esses ensaios podem incluir mulheres grávidas e que amamentam”.

Os especialistas anunciaram que têm avaliado os dados sobre o uso da vacina nessas populações e “fornecerão uma atualização assim que for possível”.

A campanha de imunização “deve ser limitada às áreas afetadas pelo surto e continuamente avaliada com base em informação sobre segurança e eficácia da vacina nesta população-alvo”, declara a nota.

Os especialistas aconselham também que seja feita uma “avaliação cuidadosa para que dados de segurança sirvam para oferecer dados sobre recomendações de vacinas para futuros surtos”, anunciou a OMS.

De acordo com o relatório de segunda-feira passada, o número de casos de contaminação, em todo o país, fixou-se em 840, dos quais 775 estão confirmados laboratorialmente e 65 são dados como prováveis. Além disso, desde 01 de agosto de 2018, data em que foi declarada a epidemia, já morreram 537 em consequência do Ébola.

Desde o início da epidemia, que afeta igualmente a província de Ituri, a norte de Kivu Norte, as organizações de assistência médica recuperaram já um total de 294 pessoas que tinham sido infetadas com o Ébola.

O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDCongo) salientou estar agora um dos focos da epidemia em Butembo, a sul de Beni, na mesma província de Kivu Norte.

A atual epidemia de Ébola é já a maior da história do país em número de mortos e contágios.

A RDCongo foi atingida nove vezes pelo Ébola, depois da primeira aparição do vírus naquele país africano, em 1976.

Em 1995, o Ébola provocou a morte a 250 pessoas na cidade de Kikwit, na província de Kwilu, no sudoeste da RDCongo.

Solução ecológica
O primeiro aparelho auditivo do mundo que não recorre a pilhas ou a baterias tradicionais chega a Portugal no verão. O Widex...

“Com a tecnologia Energy Cell elimina-se a necessidade de trocar de pilhas ou de ter que esperar várias horas de carregamento até poder voltar a utilizar os aparelhos auditivos. E isto sem comprometer a performance do equipamento, mantendo o som de qualidade superior, e com a grande vantagem de ser uma solução mais ecológica”, explica Rui Nunes, Diretor Geral da Widex Portugal.

E acrescenta: “Este é um passo muito importante para a Widex no que diz respeito à política ambiental da empresa. Atualmente, a Widex já utiliza 95 por cento de energia eólica na produção dos seus aparelhos auditivos. Este facto fez com que a Widex tenha sido a primeira empresa do mundo a obter a certificação WindMade (rótulo global de consumo que identifica empresas que utilizam energia eólica)”.

O Widex Evoke com tecnologia Energy Cell, patenteada pela Widex, já arrecadou dois importantes prémios mundiais na área da inovação tecnológica: Best of Innovation Awards 2019 da CES (Consumer Technology Association); e “Best of the Best” da prestigiada Red Dot, em 2018, tendo sido exibido no Museu Red Dot em Singapura.

 

Hipercolesterolemia continua subdiagnosticada em Portugal
Considerado o vilão no que diz respeito ao risco cardiovascular, o colesterol é, quando se mantém de
Mãos seguram coração

Considerado o vilão no que diz respeito ao risco cardiovascular, qual a importância (função) do colesterol no organismo e em que condições é considerado um fator de risco?

O colesterol é uma molécula orgânica produzida pelo nosso organismo, que se encontra em circulação no sangue e na constituição da membrana das nossas células. É essencial à vida, em quantidade adequada. Além do produzido pelo nosso corpo, também adquirimos colesterol através da alimentação. É assim fácil de compreender que os níveis de colesterol dependem não só de fatores ambientais mas também genéticos. Níveis elevados de colesterol aceleram o processo de aterosclerose que conduz à doença cardiovascular.

Que tipos de colesterol existem? Qual a diferença entre HDL e LDL?

Por se tratar de um lípido, o colesterol circula no sangue associado a proteínas, constituindo partículas de diferentes dimensões e densidades, designadas lipoproteínas. Estas incluem as quilomicra, VLDL, IDL, LDL e HDL – cada classe com o seu papel no metabolismo do colesterol. O C-HDL é habitualmente considerado “bom colesterol” e o C-LDL, “mau colesterol”. Esta reputação advém do seu papel no transporte do colesterol – enquanto o C-HDL transporta o colesterol para o fígado para ser metabolizado, o C-LDL fá-lo para a periferia, sendo estas partículas que contribuem para a deposição nas placas de ateroma.

Neste sentido, qual a importância de conhecermos o nosso perfil lipídico? E que perfil é este?

Quando se fala de perfil lipídico, fala-se do doseamento das partículas que circulam no sangue que contêm gorduras. Através de análises sanguíneas, podemos obter os níveis de colesterol total, C-HDL, C-LDL e triglicéridos, além do doseamento de outras moléculas que permitem auxiliar na avaliação de risco cardiovascular, sobretudo no âmbito de consultas especializadas. O conhecimento do nosso perfil lipídico permite alertar para a necessidade de intensificar as medidas não farmacológicas assim como a instituição de terapêutica de acordo com o seu risco cardiovascular.

De um modo geral quais os valores de colesterol recomendados? E que fatores afetam ou podem afetar os níveis de colesterol?

Em geral, advoga-se que os níveis de colesterol total sejam inferiores a 190 mg/dL e de triglicéridos, de 150 mg/dL. No entanto, o significado dos níveis de colesterol é muito variável em função do indivíduo a que se referem. A idade, as doenças concomitantes, e a própria causa dos elevados níveis de colesterol conjugam-se para avaliar o risco cardiovascular do indivíduo. Quanto mais elevado, mais exigentes são os alvos a atingir.

Quais as principais complicações do “colesterol alto”? Que eventos cardiovasculares lhe estão associados?

É habitual a associação do colesterol com consequências negativas a nível da saúde, na sequência de um processo designado aterosclerose. Com o passar do tempo, factores como o tabagismo, pressão arterial alta, diabetes mellitus e excesso de colesterol aceleram a degradação do sistema circulatório. As paredes das artérias são lesadas, com formação de placas de ateroma com colesterol na sua constituição, que dificultam a passagem do sangue e a sua chegada aos órgãos. À medida que a obstrução se torna mais significativa, a insuficiência na irrigação dos tecidos manifesta-se: a nível cardíaco, angina e enfarte do miocárdio; a demência e acidente vascular cerebral (AVC) quando o sistema nervoso é afectado; a doença arterial periférica, com dor muscular, sobretudo nos gémeos, quando a pessoa caminha realizando esforço incompatível com a irrigação sanguínea dos músculos.

Que outros (maus) hábitos contribuem para aumentar o risco cardiovascular?

Embora a dislipidemia sejam um pesado fator de risco cardiovascular, comportamentos como o tabagismo, o sedentarismo, a tolerância ao excesso de peso e a prática de uma dieta hipercalórica com predomínio de gorduras e hidratos de carbono, sobretudo açúcares simples, contribuem para o aumento do risco cardiovascular.

Depois de identificado, como se trata o colesterol elevado? Quais os medicamentos disponíveis?

Pelo seu perfil de eficácia e segurança, sem dúvida que as estatinas são primeira opção para o tratamento da dislipidémia. As estatinas intervêm no processo de síntese de colesterol no fígado, reduzindo os seus níveis. Apesar dos efeitos adversos hepáticos e musculares serem mencionados com frequência, na realidade restringem-se a menos de 1% dos doentes medicados, sem gravidade na maioria dos casos. Estão disponíveis diversas estatinas, de várias intensidades e em várias dosagens, que se podem adequar a cada situação. A ezetimiba é um inibidor da absorção do colesterol a nível intestinal que pode ser utilizada isoladamente ou em associação às estatinas; não sendo tão potentes como algumas delas, é ainda assim um contributo importante para o controlo do colesterol. Os suplementos de ómega 3 e nutracêuticos são medidas adicionais possíveis, acabando na maioria das vezes por constituir alternativas reservadas a casos de intolerância comprovada às estatinas, dado que são pouco eficazes. Outras terapêuticas farmacológicas habitualmente não são utilizadas em função do perfil de efeitos adversos.

Em matéria de prevenção, que cuidados devemos ter para manter os níveis de colesterol dentro dos parâmetros considerados adequados?

Em primeiro lugar, os hábitos alimentares devem ser escrutinados e aperfeiçoados. O verdadeiro desafio é fazer perdurar estes hábitos no tempo. Devem ser evitados os excessos calóricos, o sal, os açúcares simples e as gorduras saturadas. Deve privilegiar-se a ingestão de vegetais, frutas, grãos integrais, legumes, fontes saudáveis de proteínas (lacticínios com baixo teor de gordura, aves sem pele, peixe e mariscos e frutos secos), com a utilização de azeite ou de óleos vegetais não tropicais e com limitação das gorduras saturadas trans, dos doces, das bebidas açucaradas e, de uma forma geral, das carnes vermelhas.

Além da alimentação, também uma vida ativa é essencial para evitar o excesso de peso e obesidade. Se não for adepto de alguma modalidade desportiva, deve pelo menos realizar uma caminhada rápida, sem interrupções, durante 30 minutos na maior parte dos dias da semana.

Em relação às bebidas alcoólicas, estas devem ser consumidas com moderação (2 bebidas por dia para os homens e 1 para as mulheres); o tabaco deve ser completamente abolido dos nossos hábitos.

Estas recomendações são válidas para todas as idades, estando sujeitas ao contexto de cada indivíduo, nomeadamente no que diz respeito aos antecedentes de doença de cada um. São princípios que devem ser incutidos em idade jovem.

Por forma a alertar para o impacto do colesterol na saúde em geral, que recomendações gostaria de fazer?

A elevação do colesterol é apenas uma das vertentes negativas do estilo de vida da população ocidental, cuja maior causa de mortalidade é a doença cardiovascular. A reversão destes comportamentos nocivos contribui não só para o controlo deste factor de risco mas também do risco de progressão para diabetes e hipertensão arterial.

Que conselhos deixa a quem já se encontra “em risco”?

A consciencialização da presença dos fatores de risco cardiovasculares é o primeiro passo para melhorar gradualmente o seu estilo de vida. Consulte o seu médico, transmita-lhe os seus receios e dificuldades em tornar os seus hábitos mais saudáveis. O acompanhamento médico regular e o cumprimento da terapêutica prescrita é essencial. A perspectiva de uma vida longa e com qualidade deve ser a nossa motivação diária para melhorar.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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Organizado por estudantes do Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra, a iniciativa, no Convento São Francisco, reúne cerca de 500 estudantes de medicina, muitos deles estrangeiros, dividindo-se em três painéis: traumatologia, transição e medicina do desporto e reabilitação.

"Este congresso tem como principal objetivo dar a oportunidade a estudantes de medicina e de outras áreas médico-científicas de conhecer e contactar com áreas e temas menos abordados ao longo do percurso académico, apresentando-se como um complemento à formação", disse hoje à agência Lusa a coordenadora Sofia Reimão.

A estudante do 4.º ano do Mestrado Integrado de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra salientou o aumento da dimensão do congresso, que, nas edições anteriores, "esgotavam as vagas em oito minutos", deixando centenas de estudantes de fora.

"O tema deste congresso tem a ver com o que queremos demonstrar este ano: a mudança - com o grande salto que demos", sublinhou Sofia Reimão, acrescentando que o lema é "desafiar a norma, ousar transformar".

Esta edição será marcada pela presença pela contribuição de Ada E. Yonath e Leland Hartwell, vencedores dos prémios Nobel da Química, em 2009, e de Fisiologia ou Medicina, em 2001.

Participam também Nick Littlehales, treinador de hábitos do sono de atletas de elite como Cristiano Ronaldo, Aubrey de Grey, especialista no envelhecimento, e Youri Yordanov, médico especialista em Emergência Médica.

Os especialistas portugueses Luís Cabral, Susana Renca, Helena Ganhão e Paulo Beckert vão ser também oradores no congresso "In4Med", que nesta edição introduz, pela primeira vez, um debate subordinado ao tema do impacto da evolução tecnológica na medicina.

Além das 56 sessões práticas à disposição dos participantes, está também associada ao "In4Med" a atividade "Ready. Set. Go!", um conjunto de pré-cursos com grande aplicabilidade prática, representando uma oportunidade extracurricular para que os estudantes possam desenvolver a suas capacidades com recurso à simulação.

Assembleia da República
A Associação de Proteção e Socorro questionou hoje a Assembleia da República sobre quais as escolas e recintos desportivos que...

No pedido de informação que a Associação de Proteção e Socorro (APROSOC) enviou aos diversos grupos parlamentares, a que a Lusa teve acesso, a associação questiona também os deputados sobre quantos e quais as escolas e recintos desportivos que estão dotados de pessoal formado em suporte básico de vida e desfibrilhação automática externa.

O pedido de informação da APROSOC surge na sequência da morte, na quarta-feira, de um aluno durante uma aula de ginástica numa escola do concelho de Espinho, após ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória.

Segundo escreve hoje o Correio das Manhã, o aluno ainda foi assistido por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que realizou manobras de reanimação durante 20 minutos, transportando depois o jovem para o Hospital de S. João, onde foi declarado o óbito.

A APROSOC pergunta ainda aos deputados onde pode ser consultada a lista de escolas que têm equipamentos de desfibrilhação automática externa, “de modo a que os encarregados de educação e os jovens possam escolher os estabelecimentos de ensino e desporto que lhes oferecem proteção e segurança”.

“A continuidade da morte de jovens em ambiente escolar ou desportivo deve, em nosso entendimento, gerar ações consequentes de fiscalização dos grupos parlamentares ao cumprimento das boas práticas contemporâneas para tentar travar o crescente número de mortes súbitas”, escreve a associação, que pede aos grupos parlamentares para questionarem os ministros da Educação, Saúde e Juventude e Desporto.

A APROSOC enviou ainda um pedido de esclarecimento ao ministro da Educação, perguntando a Tiago Brandão Rodrigues se a escola onde ocorreu o incidente (Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Laranjeira) está equipada com desfibrilhador e se, até à chegada da ambulância, foi ou não assegurado por funcionário ou docente o suporte básico de vida e desfibrilhação automática externa.

A instalação de desfibrilhadores automáticos externos (DAE) em locais públicos, segundo a lei (de 2012), é obrigatória em zonas que, pela elevada concentração de pessoas ou pelo risco elevado da população envolvida, a ocorrência de casos de paragem cardiorrespiratória é mais provável.

Entre estes espaços estão os conjuntos comerciais com área bruta locável igual ou superior a 8.000 m2, aeroportos e portos comerciais, estabelecimentos de comércio a retalho (dentro ou fora de coentros comerciais) que tenham uma área de venda igual ou superior a 2.000m2, estações ferroviárias, de metro e camionagem com fluxo médio diário superior a 10.000 passageiros e recintos desportivos de lazer e recreio com lotação superior a 5.000 pessoas.

Contudo, no ano passado, foi criado pelo Ministério da Saúde um Grupo de Trabalho para analisar e fazer propostas para melhorar o Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa que recomendou uma série de alterações.

No relatório final divulgado em agosto de 2018, o grupo de trabalho recomendava um reforço de desfibrilhadores em locais onde passam em média mil pessoas por dia, como escolas, centros comerciais, unidades hoteleiras, monumentos, áreas de diversão, ginásios e complexos desportivos e unidades de saúde, entre outros.

Recomendava ainda a obrigatoriedade de formação no uso de desfibrilhadores para quem vai tirar a carta de condução, alunos do ensino superior das áreas das Ciências da Saúde e do Desporto.

A proposta visava ainda grupos profissionais específicos, como os profissionais de saúde, todos os nadadores-salvadores do Instituto de Socorros a Náufragos, agentes da GNR integrados no Grupo de Intervenção Proteção e Socorro (GIPS) e novos elementos incorporados nas forças de segurança (PSP, Polícia Municipal, GNR e polícia marítima).

"SNS in Black"
O médico e fundador do movimento “SNS in Black” António Diniz afirma que em 40 anos nunca viu tantos exames a serem feitos nos...

“A fatia dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica [a pedido do SNS] que é feita fora dos hospitais públicos tem vindo progressivamente a aumentar. É preciso perceber o que tem sido e é transferido para o privado, até para o Governo programar recursos”, afirmou à agência Lusa António Diniz.

Em 2017, segundo o último relatório do acesso ao SNS que está publicado, foram pagos mais de 450 milhões de euros a unidades privadas ou sociais com convenções com o Estado, tendo havido um aumento de 2,37% em relação ao ano anterior.

Só ao nível das análises clínicas, o SNS pagou a outros prestadores mais de 170 milhões de euros em 2017.

Entre 2013 e 2017 os encargos com entidades convencionadas foram sempre crescendo em cada ano.

Também o médico Filipe Froes, igualmente fundador do “SNS in Black”, dá conta deste aumento de exames feitos fora dos hospitais públicos.

“É raro ver um doente que traz um exame feito no SNS, sobretudo na área da imagiologia”, referiu em entrevista à Lusa.

Os fundadores do “SNS in Black” ou “SNS: o lado B”, que surgiu há um ano, defendem ainda que é urgente esclarecer o significado aumento do investimento no SNS que tem sido defendido pelo Governo.

“Onde foi gasto, o quanto foi gasto e quanto foi transferido para o setor privado por perda de capacidade de resposta do SNS”, especifica Filipe Froes, defendendo que não basta dizer “que se gasta mais”, sendo antes necessário explicar e provar que se gasta melhor, com planeamento.

Governo
Os fundadores do movimento “SNS in Black” consideram uma falácia o saldo positivo de 9.000 profissionais no Serviço Nacional de...

Um ano depois da constituição deste movimento, também conhecido como “SNS: o lado B”, os três médicos fundadores entendem que o Serviço Nacional de Saúde está agora “estagnado ou até pior” do que estava há um ano.

Ana Paiva Nunes, António Diniz e Filipe Froes pretendem que este movimento se constitua como um grupo multiprofissional que dá voz a quem trabalha diariamente no SNS e conhece a realidade, prescindindo de dados de tabelas Excel.

Em entrevista, o pneumologista e intensivista Filipe Froes afirma que se tem verificado “uma sangria de profissionais diferenciados e qualificados” e não acredita no acréscimo de 9.000 profissionais a trabalhar no SNS.

“Ninguém notou este saldo positivo de nove mil profissionais. Todos os colegas, unidades e hospitais com quem falamos dizem o mesmo, que não sentem este acréscimo”, indica.

Na mesma linha, António Diniz, que chegou a ser coordenador do programa nacional para o VIH/sida, diz que duvida deste acréscimo de profissionais, face à informação de vários hospitais.

“Que nos expliquem quem são, o que é que fazem e onde estão estes profissionais. Porque consideramos que é legítimo duvidar. Além disso, recordamos que é o Governo que envia os seus próprios dados às instâncias internacionais para posteriores estudos e comparações”, declara à Lusa António Diniz.

Filipe Froes alerta ainda para o “total desconhecimento” do número de profissionais especializados que terminaram funções no SNS, lembrando que não se pode comparar diretamente a saída de médicos especialistas com a entrada de médicos em formação.

“Se um hospital perder 30 especialistas e receber 40 médicos recém-licenciados para internato, não há um saldo positivo de 10 médicos. Há uma perda irreparável de 30 especialistas que tem repercussões nos serviços e na qualidade da assistência e da segurança aos doentes”, argumenta.

Para os fundadores do “SNS in Black”, que promove as “sextas-feiras negras” no SNS, nas quais os profissionais trajam de preto, o SNS vive sem estratégia definida, sem visão para o futuro, com “grave subfinanciamento”, com carência de pessoal e défice de estruturas e de equipamentos.

Sendo um movimento muito vivido nas redes sociais, com cerca de 25 mil seguidores nomeadamente na página do Facebook “SNS: o Lado B”, os fundadores assumem que pretendem ser uma espécie de “’fact-check’ da realidade do SNS”.

Além da “falácia” do acréscimo de profissionais, Filipe Froes salienta também o argumento do Governo sobre o investimento sem precedentes no SNS.

“Não basta dizer que se investiu mais. É preciso explicar em quê e onde. O SNS gastou por ano 100 milhões em médicos tarefeiros. Isso não é investimento e pode equivaler a deitar dinheiro pela janela”, argumenta.

Surgido em fevereiro de 2018, o movimento lançou a primeira “sexta-feira negra” no dia 23 de fevereiro do ano passado. Começou por ser uma iniciativa mensal que depois, com a crescente adesão, se tornou semanal.

Além de se vestirem de negro às sextas-feiras, os profissionais aderentes usam um crachá alusivo ao movimento, que já distribuiu 10 mil a 12 mil crachás por vários trabalhadores do SNS de todo o país.

“Conquistámos um espaço no debate e na crítica construtiva em torno do SNS e colaboramos para um debate mais alargado, participativo e esclarecido sobre a realidade”, resume Filipe Froes.

Serviço Nacional de Saúde
A Assembleia da República vota hoje um projeto de Lei resultante de uma iniciativa legislativa de cidadãos sobre a manutenção e...

Em 2009 foi publicado um decreto-lei que estabeleceu o regime de instalação, abertura e funcionamento de farmácias de dispensa ao público em hospitais do Serviço Nacional de Saúde que foi revogado pelo atual Governo em 2016, por entender que “os princípios do interesse público e da acessibilidade não se demonstraram”.

Hoje, os deputados vão debater e votar em plenário uma iniciativa legislativa de cidadãos e um projeto de lei do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) – que defendem a “repristinação do regime referente à manutenção e abertura de farmácias nas instalações dos hospitais do SNS”.

Vai também ser debatido um projeto de lei do Bloco de Esquerda (BE) que se opõe à abertura de farmácias em hospitais públicos e defende “a dispensa de medicamentos ao público pelas farmácias hospitalares do Serviço Nacional de Saúde”.

Seis farmácias de venda ao público instaladas nos hospitais fecharam, ficando apenas aberta a Farmácia HBA, que funciona no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, mas que terá de encerrar portas em 01 de abril, quando termina o contrato, se a iniciativa dos cidadãos não for aprovada.

Por esta razão, “fizemos uma iniciativa legislativa de cidadãos, juntamente com os utentes, a farmácia, a comissão de utentes que visa voltar à lei anterior de permitir que haja este tipo de farmácias nos hospitais do SNS”, disse à agência Lusa Eunice Barata, farmacêutica e proprietária da concessão da farmácia,

A petição, que reuniu mais de 23.000 assinaturas, contou ainda com o apoio das quatro autarquias abrangidas pelo hospital (Loures, Mafra, Odivelas e Sobral de Monte Agraço) e da entidade gestora do edifício do hospital.

O PAN diz que a sua iniciativa se prende “única e exclusivamente com a proteção dos doentes/utentes, havendo sido bastante refletida a respetiva apresentação, em virtude da oposição de algumas farmácias que consideraram existir uma realidade predatória onde a farmácia presente em ambiente hospitalar ‘sugaria’ todos os doentes/clientes”.

Contudo, o “estudo do impacto nacional da existência de farmácias em hospitais do SNS”, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística e pela Pordata, concluiu que a existência de uma farmácia localizada no hospital não exerce qualquer impacto negativo, quer na variação do número de farmácias nas áreas de influência dos hospitais, quer nas respetivas cidades, sublinha o PAN.

Considerando que “não existe qualquer impacto negativo advindo da existência de farmácias em meio hospitalar”, o PAN defende que deve ser permitida a presença deste tipo de farmácia nos hospitais.

Para o Bloco de Esquerda, o Governo “revogou, e bem, o anterior decreto-lei” face “ao falhanço da ideia de abrir farmácias privadas dentro das instalações dos hospitais públicos”.

“Mesmo relativamente a esta farmácia, foi aprovada uma moção por maioria na Assembleia Municipal de Loures onde se insta a que se encontre uma alternativa pública que permita a dispensa de medicamentos de ambulatório do hospital Beatriz Ângelo, considerando que este hospital ‘fica situado num local de difícil acesso, mal servido de transportes públicos, o que leva muitos dos utentes a deslocarem-se àquela unidade de saúde de táxi, transportados pelos bombeiros ou por outras vias, sendo difícil deslocarem-se numa segunda viagem em busca de uma farmácia de serviço”, refere o BE.

Por estas razões, o Bloco de Esquerda defende um regime de dispensa de medicamentos ao público pelas farmácias hospitalares do SNS.

Propõe que o Ministério da Saúde possa, “a pedido do órgão de gestão hospitalar respetivo, autorizar farmácias hospitalares do SNS a dispensar medicamentos a utentes do hospital que se encontrem em regime de ambulatório, quer seja consulta externa, hospital de dia, urgência ou outro serviço equivalente”.

ONU
As autoridades da Coreia do Norte pediram ajuda às Nações Unidas e a outras organizações humanitárias devido à falta de...

“O Governo solicitou assistência das organizações humanitárias internacionais presentes no país para responder ao impacto da situação de segurança alimentar”, disse Stéphane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas.

O porta-voz referiu que as Nações Unidas estão em contacto com as autoridades norte-coreanas para analisar o impacto que a falta de alimentos pode ter sobre a população mais vulnerável e agir cedo para suprimir as necessidades humanitárias.

Stéphane Dujarric explicou que, de acordo com dados fornecidos por Pyongyang, é esperado que em 2019 o país tenha uma escassez de cerca de 1,4 milhões de toneladas de alimentos básicos, como trigo, arroz, batata ou soja.

“As Nações Unidas estão preocupadas com a deterioração da situação de segurança alimentar na Coreia do Norte e estão a analisar com governo”, defendeu.

O país asiático foi o cenário nos anos 1990 de uma fome severa que, de acordo com diferentes estimativas, custou a vida de entre 250 mil e mais de três milhões de pessoas.

A Coreia do Norte está sujeita a sanções internacionais significativas como resultado do seu programa nuclear e de mísseis e, embora haja isenções humanitárias, muitos especialistas reconhecem que as punições contra o regime também afetam a população.

Países como a Rússia pediram o levantamento de algumas dessas sanções para encorajar Pyongyang a avançar nas negociações de desnuclearização com os Estados Unidos, que querem ver resultados concretos antes de dar esse passo.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, vão realizar na próxima semana a segunda cimeira em Hanói, no Vietname, com o objetivo de chegar a acordo sobre uma "definição compartilhada" do que significa desnuclearização, depois de meses de impasse nas negociações.

Trump e Kim realizaram uma primeira reunião histórica em Singapura em junho passado para dar os primeiros passos neste processo.

Ministro da Defesa
O ministro da Defesa Nacional disse ontem que o diálogo entre o Instituto de Ação Social das Forças Armadas e os prestadores de...

João Gomes Cravinho, que falava na tomada de posse do novo presidente do Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), abordou a questão das “denúncias dos protocolos com a ADM [Assistência na Doença aos Militares] que foram feitas no início de fevereiro por alguns dos grupos privados de prestação de cuidados de saúde”.

“De forma alinhada com a ADSE, eu considero que há espaço para que o IASFA encontre caminhos para a resolução desta situação, procurando garantir os direitos dos beneficiários, sem descurar a necessária racionalidade financeira nas decisões que venham a ser tomadas”, disse o ministro na cerimónia que decorreu no Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa.

Sobre este assunto, Gomes Cravinho apontou também que “o processo de diálogo já teve início", e que "fará naturalmente parte desse processo de estabelecimento de novas bases de entendimento um plano para a regularização das dívidas”.

Na quarta-feira, ouvido numa audição regimental sobre a política de Defesa, na Assembleia da República, o ministro afirmou que a saúde militar é uma prioridade nos meses que faltam até terminar o mandato, esperando ver aprovada até lá legislação para "lançar as bases para um sistema de saúde militar mais coeso e integrado", envolvendo o IASFA, a ADM (Assistência na Doença aos Militares), o Hospital das Forças Armadas, as unidades de saúde dos ramos e o Laboratório Militar.

"Ao longo dos últimos 15 anos houve tentativas incompletas para reformas e hoje estamos numa situação de crise no sistema de saúde militar", disse, adiantando que pretende manter o IASFA a gerir as diferentes componentes, "mas com uma separação clara".

João Gomes Cravinho referiu que dará instruções ao novo presidente do IASFA, que tomou hoje posse, para “fazer uma separação clara das diferentes componentes", ação social, ADM e gestão do património.

Nessa ocasião, o ministro lamentou a denúncia unilateral, por parte de dois grupos privados de saúde, dos protocolos com o IASFA, e adiantou que a nova direção do Instituto “tem como incumbência reatar o diálogo” com aquelas entidades.

'Biodiversidade para Alimentação e Nutrição'
Um projeto internacional selecionou 195 plantações indígenas devido às suas capacidades de melhorar a nutrição no Brasil,...

A iniciativa 'Biodiversidade para Alimentação e Nutrição' recolheu, nos últimos sete anos, informações sobre o potencial que as espécies nativas ricas em nutrientes e pouco consumidas possuem, informou ontem a especialista Teresa Borelli, do centro de pesquisa da Bioversity International.

Os quatro países escolhidos têm em comum o facto de serem "lugares muito ricos em biodiversidade, mas que dependem muito de cultivos básicos" e que "as suas dietas são homogéneas e sofrem de degradação e perda de diversidade biológica", apontou.

Uma equipa de especialistas encarregou-se de procurar espécies que foram localmente adaptadas e capazes de resistir a pragas e condições climáticas extremas, como a seca, além de serem comercializadas a preços razoáveis e fazerem parte de uma dieta tradicional.

No Brasil, goiaba, camu camu, coyol ou caju foram algumas das 78 espécies que foram adicionadas ao banco de dados nacional e o seu consumo foi promovido em festivais gastronómicos, feiras, livros de receitas, programas de televisão e escolas.

Teresa Borelli observou que no Quénia foi dada especial ênfase a vegetais com folhas, como o espinafre de Malabar, a mostarda etíope ou a moringa, ao mesmo tempo que se desenvolviam escolas de negócios para agricultores interessados nesse tipo de culturas e programas de alimentação escolar que passaram a incluir essa classe de produtos locais.

Na Turquia, realizaram-se concursos e festivais com a intenção de promover o consumo de espécies selvagens comestíveis que integram a cultura tradicional, enquanto que no Sri Lanka uma conhecida cadeia de restaurantes uniu esforços para usar culturas menos conhecidas.

O projeto, financiado pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial, foi coordenado pelo projeto Bioversidade Internacional, com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) e da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO).

A diretora de nutrição da FAO, Anna Lartey, destacou que a iniciativa, que termina este ano, tem servido de exemplo sobre a importância de investigar os benefícios de "diferentes espécies que não são mais vistos nos pratos" e de procurar maneiras para vincular a sua produção aos mercados.

Boletim
A gripe baixou de intensidade e encontra-se em tendência decrescente, de acordo com o Boletim de Vigilância Epidemiológica...

A taxa de incidência de síndroma gripal foi de 37,6 por cada 100.000 habitantes, indica o documento divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

"Na semana 7/2019 (de 11 a 17 de fevereiro) foram predominantemente detetados em circulação os vírus da gripe dos subtipos A(H1)pdm09 e A(H3). Foi observada uma diminuição dos casos positivos para gripe, confirmados laboratorialmente, nas últimas duas semanas", refere o INSA.

Foram reportados 16 casos de gripe pelas 27 Unidades de Cuidados Intensivos que enviaram informação, tendo sido identificado o vírus Influenza A em todos os doentes: quatro A(H1)pdm09, quatro A(H3) e oito não subtipados. Foram ainda reportados sete casos de gripe por uma enfermaria, tendo sido identificado o vírus Influenza A(H1)pdm09 em três doentes e o A(H3) em quatro.

Segundo o IPMA, a "mortalidade registou valores de acordo com o esperado".

Na semana 7/2019 o valor médio da temperatura mínima do ar foi de 4,52ºC, a que correspondeu uma anomalia de -1,05°C relativamente ao valor normal (1971-2000) para o mês de fevereiro

O boletim refere ainda que a atividade gripal disseminada na Europa na semana 6/2019, apresentou uma co-circulação dos vírus A(H1N1)pdm09 e A(H3) e com uma mortalidade acima do esperado.

Investigadores japoneses
O Governo japonês aprovou a realização de um estudo clínico em humanos para avaliar o uso de células estaminais pluripotentes...

Este estudo clínico é anunciado na sequência de outros estudos pré-clínicos e clínicos já realizados para testar o uso de células estaminais no tratamento de lesões da espinal medula.

“Neste estudo em particular recorre-se às células estaminais pluripotentes induzidas, que mais não são do que uma reprogramação das células adultas, para que se diferenciem em células estaminais com potencial de diferenciação quando injetadas nas células e tecidos que se pretende recuperar”, explica João Sousa.

Vários grupos de investigação em todo o mundo têm dado atenção a esta área, numa tentativa de encontrar nas terapias celulares soluções para tratar lesões de espinal medula.

João Sousa conclui que “este estudo reforça que as células estaminais podem vir a ser usadas no tratamento de doenças que, à data de hoje, ainda não têm tratamento, daí ser importante considerar a criopreservação durante a gravidez”.

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