Estudo português avalia custos diretos e indiretos
Doentes gastam por ano 84 milhões de euros com EA enquanto o SNS tem custos de 118 milhões de euros.

A Espondilite Anquilosante (EA) tem um impacto económico total anual de 639 milhões de euros em Portugal. O valor, apurado pela Nova IMS no âmbito do projeto arEA - avaliação de resultados em Espondilite Anquilosante, inclui os custos para os doentes e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a patologia, assim como o impacto económico dos dias de trabalho perdidos devido à EA. Os resultados do estudo, uma parceria da universidade com a Novartis, e que contou com o apoio da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, Associação Nacional de Espondilite Anquilosante, Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Unidade de Saúde Familiar – Associação Nacional revelam ainda que a Espondilite Anquilosante leva cada um dos doentes portugueses a perder um total de 110 dias de trabalho, todos os anos.

Para Luís Cunha Miranda, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o elevado impacto económico da EA é extensível às restantes doenças reumáticas e está diretamente relacionada com a acessibilidade dos doentes ao reumatologista. “Assistimos a um impacto de 639 milhões de euros apenas de uma única  doença reumática, com um impacto importante a nível económico para o país. Para preencher as vagas de reumatologia no SNS e aumentar exponencialmente o acesso dos doentes à especialidade seriam precisos 4 Milhões de euros”, adianta.

O especialista sublinha ainda os dados referentes aos custos da EA para o SNS, salientando que são demonstrativos da falta de planeamento na gestão da doença. “Os custos da EA para o SNS incluem 12 milhões de euros em internamentos e 3 milhões de euros em urgências. São 15 milhões de euros que poderiam ser poupados, dado que esta é uma doença que não tem que ter recurso à urgência e não tem que ter internamento se os doentes estiverem a ser corretamente referenciados e seguidos na reumatologia”.

A EA é uma doença reumática inflamatória que afecta as articulações da coluna vertebral e em alguns casos também as articulações periféricas. Estima-se que afete 56 mil pessoas em Portugal. Normalmente os primeiros sinais aparecem entre os 20 e os 30 anos e afeta sobretudo os homens, caracterizando-se a evolução da doença por perda de mobilidade.

De acordo com o estudo apresentado na Conferência Doença Crónica – Saúde, Trabalho e Sociedade, da Nova IMS, Novartis e Expresso, a patologia tem um impacto importante nos doentes, não só no que respeita à sua qualidade de vida, mas também, e sobretudo, na sua capacidade para se manterem profissionais ativos. Este impacto demonstrou ser tanto maior quanto maior foi a demora na referenciação para seguimento na especialidade – Reumatologia – e no acesso a medicação adequada ao estadio da doença.

Em média, cada doente com EA perdeu 37 dias de trabalho no último ano, em dias de dispensa de trabalho ou de baixa relacionados com doença. A estes somam-se, em média, 73 dias perdidos por falta de produtividade – dias de trabalho perdidos que representam um impacto económico anual de 437 milhões de euros.  Relativamente à perspectiva dos inquiridos, 37% refere que a doença representou um problema razoável no local de trabalho enquanto que 34% referiu que a doença teve um grande impacto no trabalho. Quando ao impacto reportado, 48% refere que a doença contribuiu para reduzir a produtividade e 36% faltou ao trabalho para ir às consultas. Quase um quarto dos doentes, 24%, refere que teve dificuldade em cumprir o horário de trabalho.

Em consequência, 46% dos inquiridos perdeu o emprego ou deixou de trabalhar devido à doença. Para 69%, o impacto da EA traduz-se mesmo numa situação de baixa de trabalho permanente ou pré-reforma, em média, há 9 meses.

Também as relações sociais são fortemente afectadas. 32% considera que a doença teve grande impacto na sua vida social e 35% considera que teve um impacto razoável. São as relações com os colegas de trabalho as mais afectadas (23% dos casos), mas também as com os amigos (21%) e as com os cônjuges (20%).

Não admira portanto que, no caso dos 49% de inquiridos que referem terem comorbilidades associadas à EA, 27% refira ansiedade e 25%, depressão.

“As pessoas com doenças reumáticas sofrem uma enorme pressão e não é sem razão que a estas estão associadas patologias como ansiedade e depressão. A incerteza em relação à situação no trabalho é enorme pela dificuldade em manter a atividade profissional e pelas consequências desta dificuldade, dado porque os dias de baixa representam uma enorme perda de rendimento para estes doentes. Se juntarmos a isto o impacto na vida social e familiar, vemos que o impacto na saúde mental é também importante”, considera Elsa Frazão Mateus, presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

Tanto como os custos indiretos causados pela EA, os custos diretos, para os doentes e para o SNS, são também elevados. Cada doente tem custos anuais com  EA na ordem de 1.786€, com consultas, exames, deslocações e medicamentos. Tendo em conta o universo estimado de 56 mil doentes no país, este valor representa um gasto de 84 milhões de euros em Portugal. Para o SNS, o impacto com consultas, meios complementares de diagnóstico, internamentos e episódios de urgência atinge 118 milhões de euros.

O estudo revelou ainda a relação entre o impacto da EA e o tempo decorrido entre os primeiros sintomas e o diagnóstico. Em média, os doentes apresentaram os primeiros sinais da EA aos 27 anos, mas apenas tiveram diagnóstico aos 34 anos, 7 anos depois das primeiras manifestações.

“O atraso no diagnóstico tem diversos factores e um impacto importante nos resultados que assistimos. Desde logo, os primeiros sintomas da EA são desvalorizados, confundidos com simples dores nas costas, o que leva a um atraso na procura do doente por uma primeira consulta. Depois, quando o doente chega ao médico nos cuidados primários, há uma demora em perceber que não se trata de uma dor nas costas normal, é específica, o que atrasa a referenciação. E soma-se a isto a deficientíssima cobertura de reumatologistas a nível nacional o que faz com que uma primeira consulta de reumatologia demore em média 9 meses. O facto é que este atraso no diagnóstico vai ter as consequências que assistimos no estudo”, refere Filipe Araújo, reumatologista.

O tempo para diagnóstico foi, de resto, uma das variáveis com mais impacto nos principais outcomes da EA, nomeadamente o estado de saúde dos doentes, o custo para o SNS e o impacto na economia. Além do tempo que intermedeia sintomas e o diagnóstico, foram testadas variáveis como o tipo de medicamento com que o o doente está a fazer tratamento, o sistema de saúde utilizado (público, privado, misto ou nenhum) e o género. Fica patente que doentes que tiveram um tempo de diagnóstico superior a um ano apresentaram resultados mais conservadores.

“Foram identificados os principais fatores que influenciam os resultados da EA em Portugal – o estado de saúde dos doentes, custos para o SNS e impacto na economia. E aquilo que concluímos foi que factores como a rapidez do diagnóstico, o tipo de medicamento a que o doente tem acesso, e o recurso ao SNS em simultâneo com os serviços privados de saúde têm um impacto substancial. Só no caso da economia nacional, por exemplo, o impacto da EA pode ir de um máximo de 471 milhões de euros para um mínimo de 129 milhões de euros, em doentes diagnosticados em menos de um ano, tratados com medicamentos biológicos e que complementem o recurso ao SNS com serviços privados de saúde”, explica Pedro Simões Coelho, professor da NOVA-IMS e coordenador do estudo.

Opinião
O Cancro da Cabeça e Pescoço é o 8º cancro mais comum em Portugal.

Os fatores de risco são maioritariamente comportamentais, o que torna esta doença evitável numa elevada percentagem de casos. O tabaco é o principal fator de risco: 90% dos doentes têm história de tabagismo e, comparativamente com os não fumadores, têm um risco 4 a 5 vezes superior de cancro na cavidade oral, orofaringe e hipofaringe e, no caso da laringe, 10 vezes. Este risco relaciona-se com a carga tabágica e reduz-se com a evicção.

A ingestão crónica de bebidas alcoólicas aumenta, de forma independente, o risco de cancro de cabeça e pescoço, com 1 a 4% de casos atribuídos, isoladamente, a este hábito. No entanto, a importância do seu consumo reside na atuação sinérgica com o tabaco, o que resulta num risco 35 vezes superior nos fumadores e bebedores pesados (mais de 2 maços de tabaco e de 4 bebidas por dia).

A infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV) é a causa de um subtipo específico de cancro da orofaringe. Comparativamente com os tumores HPV negativos, a mediana de idade de diagnóstico é mais jovem (50 anos). O principal fator de risco é o número de parceiros sexuais, em particular sexo oral.

A infeção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) é o fator de risco mais importante do carcinoma da nasofaringe, mais comum nas áreas endémicas (Sul da China e Norte de África).

Outros fatores de risco são: mal adaptação crónica de próteses dentárias, má higiene oral e a imunossupressão, por exemplo nos indivíduos submetidos a transplante de órgão e nos doentes com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Os sintomas são muito variados e frequentemente negligenciados pelo doente o que está relacionado com o facto desta doença ocorrer, muitas vezes, em indivíduos debilitados e com pouco suporte social. O cancro da cavidade oral manifesta-se, habitualmente, por lesões (como ulcerações ou tumefações) que não curam durante semanas, dor e dificuldade na deglutição e ingestão de alimentos (disfagia). A disfagia é um sintoma comum dos vários tipos de cancro da cabeça em pescoço. Outros sintomas são a rouquidão (disfonia), dor de garganta (odinofagia) e/ou de ouvido persistente, tosse, dispneia e aparecimento de uma tumefação cervical.

O prognóstico depende do estadio da doença ao diagnóstico. O cancro da cabeça e pescoço geralmente inicia-se na mucosa e cresce por infiltração local. Com o tempo, ocorre invasão local, primeiro para o músculo e, depois, para o osso e estruturas nervosas, bem como disseminação linfática (invasão dos gânglios linfáticos). A metastização à distância ocorre tardiamente (10 a 12%), mais frequentemente para o pulmão e, em segundo lugar, para o osso.

A complexidade e variabilidade das opções terapêuticas exigem que a abordagem seja delineada, desde o início, por equipas multidisciplinares dedicadas e especializadas em centros com elevado número de casos. Nos estadios precoces (tumores pequenos, sem invasão de estruturas adjacentes e com nenhum ou pouco envolvimento ganglionar), com tratamento unimodal (seja cirúrgico ou radioterapia), é possível obter elevadas taxas de cura.

No que diz respeito à doença avançada, os progressos na terapêutica multimodal (radioterapia, cirurgia, quimioterapia, agentes biológicos e imunoterapia) também permitiram aumentar a sobrevivência. Com efeito, na última década a sobrevivência global aos 5 anos aumentou de 40 para 56%, quando analisados todas as localizações e estadios da doença. No entanto, sabemos que apenas 30% a 50% dos casos são diagnosticados em fase precoce, e que o aspeto morfológico e as várias funções vitais, como a respiração, a alimentação e a comunicação, são afetados com maior impacto nos casos avançados.

Torna-se, assim, premente a insistência da cessação dos hábitos nocivos e a implementação de programas de diagnóstico precoce, sobretudo nos doentes de maior risco.

Dra. Ana Joaquim - Oncologista no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Substâncias proibidas em Portugal
A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) alertou para a existência de três produtos para disfunção erétil que contêm...

Segundo uma nota do Infarmed, os produtos, que foram detetados na Alfândega, contêm substâncias que só podem ser usadas em medicamentos e a sua utilização é proibida em Portugal.

Na nota disponível hoje na página da Internet da Autoridade do Medicamento, o Infarmed alerta para a ilegalidade do produto Hapenis, em cápsulas, que contém substâncias destinadas ao tratamento da disfunção erétil.

Após análise no laboratório do Infarmed, verificou-se que o produto contém a substância ativa nortadalafil, um análogo da substância ativa tadalafil, que se destina à melhoria do desempenho sexual.

A Autoridade do Medicamento salienta que não está garantida a qualidade, segurança e eficácia do produto, pelo que a sua utilização é proibida em Portugal.

De acordo com o Infarmed, foram também detetados na Alfândega os produtos Yohimbe extract, solução oral, e Venom Dragon Pharma, em pó, que contêm substâncias destinadas ao tratamento da disfunção erétil.

O Infarmed informa ainda que foi detetado na Alfândega o produto DHEA Hormone Balance Swanson, em cápsulas, que contém uma substância com atividade hormonal.

Após análise no laboratório do Infarmed, foi detetada no produto a substância ativa prasterona (dihidroepiandrosterona - DHEA), que se converte no organismo em hormonas sexuais (estrogénios e androgénios).

“Os produtos têm, provavelmente, origem em vendas através da Internet, não tendo sido detetados no circuito legal de venda de medicamentos (por exemplo, farmácias)”, é referido.

Na nota, o Infarmed alerta as entidades que dispõem destes produtos que não os podem “vender, dispensar ou administrar” e que devem comunicar de imediato com a autoridade do medicamento.

“Os utentes que disponham destes produtos não os devem utilizar, devendo entregar as embalagens em causa na farmácia para posterior destruição, através da Valormed”, adianta o Infarmed.

Os produtos foram detetados na Alfândega, no âmbito do protocolo de colaboração entre o Infarmed e a Autoridade Tributária e Aduaneira, destinado ao combate à falsificação de medicamentos.

Aplicação facilita vida dos doentes
Os médicos passam a partir de hoje a poder passar receitas através do telemóvel, deixando de ter de o fazer só em computadores...

O presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Henrique Martins, explicou à agência Lusa que esta nova funcionalidade será especialmente útil nos casos de consultas ao domicílio ou quando o médico se encontra longe do doente.

“Até aqui o médico tinha de usar computador com leitor de cartão, para o cartão da Ordem dos Médicos ou cartão do cidadão”, indicou, acrescentando que a partir de hoje passa a poder usar a chave móvel digital com valor de assinatura.

Isso permite que as receitas médicas sejam passadas pelo médico através do telemóvel, sendo a receita eletrónica enviada diretamente para um número de telemóvel ou e-mail do utente.

“A vida fica muito facilitada quando os doentes precisem de telefonar aos seus médicos ou em deslocações ao domicílio”, considera Henrique Martins.

Dados dos SPMS indicam que só no ano passado foram prescritas mais de meio milhão de receitas manuais e no domicílio, com os antigos modelos de receita A5 em papel.

Através desta nova funcionalidade, Henrique Martins espera uma “diminuição muito grande” das receitas em papel passadas nos casos em que os médicos se deslocam a casa do doente.

Também no setor privado há ainda cerca de três milhões de receitas prescritas manualmente, que resultam por vezes de contactos telefónicos que os doentes têm com os médicos ou de pedidos de prescrição posteriores a uma consulta presencial.

“O médico pode até estar noutro país e passar uma receita ao seu doente através do telemóvel”, indica o presidente dos SPMS, realçando que se trata do primeiro serviço do Estado a usar a chave móvel na capacidade de assinatura digital.

Mas para conseguir aceder a esta aplicação e função, o médico deve ativar a sua chave móvel e assinatura digital no balcão do Instituto dos Registos e Notariado ou através do site da Agência para a Modernização Administrativa, além de pedir o registo em www.pem.spms.min-saude.pt .

Depois de descarregar a aplicação, o médico tem de ativar a prescrição eletrónica médica móvel, com o objetivo de associar o aparelho móvel ao clínico prescritor.

Segundo os SPMS, a aplicação “cumpre todos os requisitos de segurança” e é fácil de usar.

Antes do lançamento oficial, que hoje decorre, foram convidados alguns médicos para usar a aplicação e identificarem propostas de melhoria, tendo sido depois realizados testes para “garantir a qualidade da aplicação”.

Secretário de Estado
O Governo apresentou na terça-feira, no Supremo Tribunal Administrativo (STA), "fundamentos comprovados" de cirurgias...

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado Tiago Antunes explicou que o Governo entregou na terça-feira ao Supremo Tribunal Administrativo uma resposta de defesa à intimação apresentada pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor), que contesta a requisição civil decretada por causa da greve dos enfermeiros.

O Sindepor entregou no dia 11 naquele tribunal uma intimação para a proteção de direitos, liberdades e garantias da classe, contestando a requisição civil decretada pelo Governo.

A atual greve dos enfermeiros em blocos operatórios decorre em dez hospitais até ao fim deste mês, sendo que em quatro unidades está decretada pelo Governo a requisição civil por alegado incumprimento dos serviços mínimos.

Segundo Tiago Antunes, na resposta entregue ao tribunal, assinada em conjunto pelo Ministério da Saúde e pela Presidência do Conselho de Ministros, são justificados, "de forma concreta e documentada" os dois fundamentos que levaram o Governo a decretar a requisição civil.

"O Governo não teve outra alternativa senão recorrer à figura da requisição civil, que está prevista para casos excecionais em que se verifica a afetação grave de um serviço público essencial. (...) Houve vários casos verificados de adiamento de cirurgias que constituíam serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral", elencou o secretário de Estado.

Os quatro hospitais em causa são o Centro Hospitalar São João, Centro Hospitalar do Porto, o Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga e o Centro Hospitalar de Tondela-Viseu.

"O Governo não tem dúvidas de que atuou de forma lícita na utilização da requisição civil. Fizemo-lo em último recurso atendendo à situação grave" naqueles quatro hospitais, disse.

Tiago Antunes sublinhou que "os enfermeiros têm direito a fazer reivindicações", mas apelou "a alguma serenidade e bom senso da estrutura sindical [Sindepor] que tem tido uma posição mais irredutível e extremada".

O Sindepor garantiu que vai manter a greve em blocos operatórios e o seu presidente, Carlos Ramalho, anunciou que vai entrar em greve de fome hoje, quarta-feira, até o Governo voltar à mesa das negociações.

A primeira greve dos enfermeiros em blocos operatórios decorreu entre 22 de novembro e 31 de dezembro de 2018. Na terça-feira, a Procuradoria-Geral da República considerou esta greve ilegal, por não corresponder ao pré-aviso e porque o fundo usado para compensar a perda de salário não foi constituído nem gerido pelos sindicatos que decretaram a paralisação.

Os enfermeiros iniciaram uma segunda greve em blocos operatórios em 31 de janeiro e com término previsto para 28 de fevereiro.

Marta Temido
A ministra da Saúde garantiu ontem que os beneficiários da ADSE podem estar tranquilos, sublinhando que “não haverá qualquer...

“É inequívoco o apoio do Governo ao funcionamento da ADSE”, começou por sublinhar aos jornalistas a ministra da Saúde, Marta Temido, à saída de uma reunião, esta tarde, em Lisboa, com os membros do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da ADSE.

“Não subsiste qualquer dúvida sobre a tranquilidade para os beneficiários da ADSE de que, da parte das tutelas, do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças, não haverá qualquer condescendência relativamente a quem por ventura esteja interessado em diminuir ou atacar este subsistema público de saúde”, acrescentou a governante.

Em causa está a intenção anunciada por alguns grupos privados de saúde, entre os quais a José de Mello Saúde, a Luz Saúde ou Os Lusíadas, de denunciarem as convenções com a ADSE, após o instituto público ter exigido o pagamento de 38 milhões de euros por excesso de faturação relativa a 2015 e 2016.

Marta Temido salientou que o Governo quer deixar uma mensagem “bem sublinhada” de que apoia a negociação entre o Conselho Diretivo da ADSE e os prestadores privados, mas “sempre numa lógica de boas contas, de respeito pelas regras e pela legalidade”.

Questionada sobre se é possível legalmente suspender as convenções, como ameaçam alguns privados, e se o Governo vai contestar a denúncia caso avance, a ministra considerou que esta não é altura para se pronunciar sobre a questão.

“Não gostaria, neste momento, de me pronunciar sobre a suspensão de convenções, pois temos boa expectativa de que, em resultado desta negociação que irá ser feita, esse processo não seja necessário e, portanto, é prematuro estar a inquinar a possibilidade de diálogo”, defendeu a governante.

Também o presidente do CGS da ADSE, João Proença, disse ter saído da reunião no Ministério da Saúde com a “plena convicção” de que em breve serão marcadas reuniões entre a ADSE e os prestadores de saúde no sentido de se encontrar uma solução.

Para João Proença, “a solução tem de passar claramente pelo respeito pela lei e pelas convenções”, pelo que a ADSE não abdicará do pagamento dos 38 milhões de euros em causa, defendeu.

“Há coisas que não são negociáveis, que é o facto de haver preços justos, preços regulados, de haver uma atuação sem discriminações”, acrescentou o presidente do CGS, órgão onde estão representados os beneficiários, sindicatos e membros do Governo.

João Proença adiantou que o que está em causa é a fixação de preços máximos, regular os preços dos medicamentos e das próteses “e regular uma prática sistemática de autorizações prévias, como acontece nas companhias seguradoras”.

Na reunião foi ainda abordado o tema do alargamento da ADSE a outros beneficiários.

Sobre este tema, a ministra frisou que o alargamento “corresponde à expectativa de muitas pessoas que trabalham na administração pública, nomeadamente em regime de contrato individual de trabalho”, acrescentando que é uma matéria a analisar “em breve”.

Em nome dos direitos dos trabalhadores
O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) vai manter a greve em blocos operatórios e o seu presidente...

Carlos Ramalho disse que vai iniciar a greve de fome, na hoje, às 12:00, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, residência oficial do Presidente da República, em “nome dos direitos dos trabalhadores e da dignidade desta profissão”.

“Se era necessário um mártir, ele está aqui. Vou ficar a aguardar o tempo que for necessário, dia e noite, até que se reiniciem as negociações”, afirmou o dirigente sindical, em conferência de imprensa, na sede de Évora da UGT.

O presidente do Sindepor indicou que o sindicato “não vai suspender a greve, antes pelo contrário, vai manter a luta e levá-la até às últimas consequências”, considerando que está a ser posto em causa “o próprio direito à greve”.

“Os enfermeiros vão trabalhar coagidos e obrigados, porque está a ser posto em causa o direito à greve. Estão a ser ameaçados e coagidos a desistir daquilo que é um direito que têm”, acusou o responsável.

Carlos Ramalho considerou que o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) está “condicionado” dado que só foi ouvida “uma das partes”, nomeadamente “os argumentos do Governo e não foram ouvidos os dos enfermeiros”.

No parecer publicado em Diário da República, a PGR considera a greve ilícita e sublinha que os trabalhadores que aderem a uma greve ilícita devem ter faltas injustificadas, sendo as ausências consideradas como infração disciplinar.

Carlos Ramalho disse que “tudo o que o Governo fez foi homologar um parecer da PGR e isto não tem força de lei, é apenas o Governo a dizer que torna oficial aquilo que é um parecer”.

Insistindo que “a greve é legalíssima”, Carlos Ramalho indicou que vai “aconselhar os enfermeiros a fazerem aquilo que entenderem por justo”.

“Cada um agora tem de tomar a sua posição individual, eu já tomei a minha em nome dos enfermeiros”, exclamou.

O Ministério da Saúde esclareceu que a aplicação de faltas aos enfermeiros em greve será feita caso a caso até ao dia de hoje e que a partir de hoje devem ser atribuídas faltas injustificadas a todos os que aderirem à greve.

O esclarecimento da tutela surge na sequência do parecer da PGR que considera a primeira “greve cirúrgica” dos enfermeiros como ilícita, por ter decorrido de um modo diferente do que constava no pré-aviso e devido à forma como foi feita a recolha de fundos para compensar os grevistas.

Depois de conhecer o conteúdo do parecer, que se refere à primeira greve dos enfermeiros nos blocos operatórios, que decorreu entre 22 de novembro e 31 de dezembro, a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) pediu que a greve fosse suspensa de imediato, face às ameaças de marcação de faltas injustificadas a quem adere à paralisação.

Situação no terreno preocupa organização
As Nações Unidas defenderam ontem a “despolitização” do fornecimento de ajuda humanitária na Venezuela, solicitando que se...

“Estamos claramente inquietos e preocupados com a situação no terreno”, disse o porta-voz da organização, Stephane Dujarric, quando questionado sobre as últimas advertências dos Estados Unidos e as divergências sobre a entrada de ajuda humanitária organizada por Washington e por outros países.

O líder do Parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino do país, disse que a ajuda pode entrar no dia 23 de fevereiro, apesar da rejeição do Governo de Nicolás Maduro, que considera um pretexto para lançar uma invasão armada.

"A despolitização da ajuda aplica-se a todos", afirmou Dujarric.

O porta-voz reiterou que a posição do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, continua a ser a de promover uma solução negociada para a crise.

"Estamos a pedir a todas as partes que avancem em direção a negociações políticas sérias e a uma redução nas tensões", salientou.

De acordo com Dujarric, Guterres e outros altos funcionários da ONU, permanecem em contacto com vários interlocutores e governos e a organização mantém sobre a mesa a sua oferta para mediar o conflito entre o governo e a oposição.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou mais de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

Mas precisa de regras
O presidente do PSD, Rui Rio, reafirmou que a ADSE é “absolutamente vital” e tem de continuar, mas com regras e sem que haja...

“A ADSE é uma organização, um sistema, absolutamente vital neste momento em Portugal. Vital porque presta um excelente serviço aos funcionários públicos, mas também porque se deixasse de existir atirava com mais de um milhão de pessoas para cima do Serviço Nacional de Saúde que está como está”, afirmou o líder social-democrata, que falava aos jornalistas após uma visita ao Hospital de Bragança.

Para Rui Rio, a “ADSE [subsistema de saúde dos funcionários públicos] é absolutamente vital, tem de continuar, agora tem que continuar com regras, em que os preços baixem para que os utentes estejam a pagar aquilo que é justo e não a haver lucros absolutamente desmesurados”.

“Nós sabemos que de hospital para hospital determinados produtos iguais são faturados a valores completamente distintos à ADSE e isso não pode ser, tem de ter uma organização, até à data não teve”, referiu.

Rio mostrou-se “completamente contra” acabar ou fragilizar a ADSE, reforçando ideia de que seria “um suicídio completo”.

O presidente do PSD referiu que o “Governo tem todas as condições de fazer uma negociação” que deve passar por manter o “serviço, com a mesma qualidade, a mesma capacidade de resposta, mas a preços que sejam corretos, que sejam justos e que não levem a que os privados possam ter lucros exagerados e injustos à custa de uma desorganização por parte da forma como a ADSE trabalha”.

“Portanto organizar a ADSE, melhorar e jamais acabar com a ADSE”, salientou.

Grupos de saúde privada, entre os quais a José Mello Saúde (que gere os hospitais CUF), a Luz Saúde e os Lusíadas, têm mostrado intenção de suspenderem as convenções com a ADSE a partir de abril.

A ADSE exige o pagamento de 38 milhões de euros aos privados por excesso de faturação referente a 2015 e 2016, uma exigência que é contestada pelos hospitais.

 

Custos de assistência na doença
As associações profissionais de militares das Forças Armadas, oficiais, sargentos e praças, exigiram ao ministério da Defesa...

Em comunicado conjunto, as associações de militares exigiram o fim do modelo instituído em 2005 pelo então governo PS de José Sócrates, em que passaram a ser os militares a “suportar os custos de assistência na doença que até à data tinham sido financiados pelo Estado”, através dos descontos para o subsistema de saúde, ADM.

Os descontos dos militares, obrigatórios, para a ADM passaram a financiar a saúde operacional, necessária para “garantir o grau de prontidão exigido aos efetivos das Forças Armadas”.

“Em 2015 o ministro da Defesa Aguiar-Branco, do Governo PSD/CDS, aprofundou ainda mais o financiamento do Serviço de Saúde Militar com base nos descontos aplicados aos Militares e suas famílias”, criticaram.

Catorze anos depois, um relatório de auditoria do Tribunal de Contas ao Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), que gere a ADM, conclui que os descontos dos militares se aproximam de “um imposto ou tributo” utilizado para financiar despesas que cabem ao Estado suportar.

No relatório, divulgado na semana passada, o TdC recomenda ao Governo que adote medidas para que os descontos dos militares para o subsistema de saúde deixem de financiar cuidados que devem ser assumidos pelo Estado, como as despesas com a saúde operacional e as despesas com os cuidados de saúde dos deficientes das Forças Armadas.

Para as associações profissionais de militares, as recomendações do Tribunal de Contas quanto ao modelo de financiamento “são pertinentes” e vêm “corroborar e dar suporte” às posições que têm assumido desde 2005.

“Face às conclusões apresentadas pelo Tribunal de Contas, impõe-se que o Governo, através dos Ministérios da Saúde, das Finanças e da Defesa, tome medidas urgentes e imediatas para repor a legalidade no que concerne ao financiamento quer do IASFA quer, de forma muito particular, da ADM”, defendem.

A Associação de Oficiais das Forças Armadas, a Associação Nacional de Sargentos, a Associação de Praças e a Associação de Militares na Reserva e na Reforma anunciaram ainda que vão pedir uma audiência urgente ao ministro da Defesa Nacional.

Dados Eurostat
Portugal é um dos dez Estados-membros onde um maior número de famílias classificou os gastos com cuidados médicos, dentários e...

De acordo com a notícia avançada por este jornal, os portugueses estão entre os que mais sentem e se queixam do peso que os cuidados médicos representam nas suas despesas mensais. O mesmo se aplica aos cuidados dentários e aos gastos com os medicamentos. No entanto, ainda há quem considere que as despesas médicas não sobrecarregam o orçamento.

Segundo os dados do Eurostat relativos a 2017, cerca de 34% dos portugueses disseram que os cuidados médicos tinham algum peso no orçamento, e metade apontou que não tinha influência nos gastos.

Também no que toca aos cuidados dentários, aproximadamente um quinto dos portugueses sente o peso dos gastos na carteira. Nesta área já não chegam a metade aqueles que classificam como não sendo um fardo, fixando-se nos 43,9%.

O gabinete de estatísticas da UE realça que aqueles que vivem em agregados familiares de duas pessoas que incluem pelo menos uma pessoa com 65 anos ou mais são os que sentem mais o peso dos cuidados. Também as famílias sem filhos dependentes e os agregados de dois adultos relataram que os cuidados de saúde representam uma pressão para o orçamento.

 

Solução
O grupo José de Mello Saúde, que integra a CUF, comunicou aos beneficiários da ADSE que, tendo em conta a suspensão da...

"Continuamos disponíveis para trabalhar com a ADSE, no entanto, não tendo sido possível, até à data, alcançar uma solução de equilíbrio, disponibilizamos uma tabela de preços que minimiza o esforço dos beneficiários e permite as melhores condições para a utilização do regime livre, nos hospitais e clínicas da rede CUF", diz a mensagem enviada aos beneficiários da ADSE, a que a Lusa teve acesso.

Na missiva, salienta-se que, apesar da suspensão da convenção existente com a ADSE com efeitos a 12 de abril, o grupo José de Mello Saúde, "consciente dos constrangimentos" que tal situação pode causar a todos aqueles que ao longo de anos lhe confiaram a sua saúde, esclarece que permanecem asseguradas as marcações existentes, nomeadamente para todos os tratamentos prolongados, bem como para partos, mesmo que agendados para data posterior a 12 de abril.

Assim, para as marcações para data posterior a 12 de abril foi criada uma tabela especial que teve por base um conjunto de princípios estabelecidos pelo grupo José de Mello Saúde.

Um dos princípios é a criação de preços especiais face a clientes particulares em linha com as principais seguradoras, ou seja, aplicar aos beneficiários "uma tabela de preços equilibrada", em linha com as condições existentes com as principais seguradoras.

A outra regra prende-se com a tabela da Ordem dos Médicos, com a aplicação da tabela de atos médicos.

Pretende-se ainda o reequilíbrio de preços entre rubricas de faturação, ou seja reequilibrar a tabela de preços suprindo desequilíbrios existentes entre as várias áreas clínicas.

"A tabela especial para beneficiários mantém valores na oncologia, imagiologia, fármacos, entre outros, atualiza valores de consultas que se mantinham inalterados há 20 anos, reduz o valor em algumas áreas, nomeadamente nas diárias de internamento", precisa o grupo José de Mello Saúde.

A tabela especial de preços é aplicável a todos os beneficiários da ADSE, sem restrições, o "mais ajustada possível ao regime livre", para posterior pedido de reembolso, esclarece ainda o grupo que detém as clínicas e hospitais CUF.

A José de Mello Saúde explica na mensagem aos beneficiários da ADSE que tentou, durante muito tempo, e "até ao limite do possível", evitar a suspensão da convenção com a ADSE, e manifesta-se "sempre disponível" para encontrar "um entendimento equilibrado e justo" para as partes, que tenha em consideração os superiores interesses dos beneficiários da ADSE.

Opinião
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia juntamente com a Sociedade Portuguesa de Hematologia e com

Os linfócitos são uma das 5 variedades de glóbulos brancos que circulam no sangue e que se encontram igualmente na medula óssea e nos gânglios linfáticos.

Há 3 tipos principais de linfócitos: B, T e NK. Todos eles fazem parte do sistema imunitário do nosso organismo e, como tal, desempenham um papel importante nos mecanismos de defesa do organismo.

As neoplasias de linfócitos B resultam da transformação maligna dessas células e classificam-se em leucemias e linfomas de células B.

As leucemias por linfócitos B podem surgir de uma forma aguda com um quadro clínico exuberante e necessitando da rápida instituição de um tratamento de quimioterapia intensiva.

Por outro lado, as leucemias crónicas por linfócitos B, das quais a mais frequente é a leucemia linfática crónica, têm uma apresentação indolente. São muitas vezes detectadas em análises de rotina e podem não necessitar de tratamento durante muito tempo. Tal como tem acontecido em outras formas de leucemia, também nas leucemias linfáticas crónicas o tratamento tem conhecido evoluções significativas.

Se até há poucos anos a quimioterapia era a única alternativa para os doentes que necessitavam de tratamento atualmente não é sempre assim. Graças ao desenvolvimento de conhecimentos baseados na biologia molecular e genética, que permitiram conhecer as alterações moleculares associadas ao desenvolvimento da doença, foi possível desenvolver outras abordagens utilizando medicamentos inovadores. Assim, surgiram medicamentos como o idelalisib e o ibrutinib que bloqueiam as vias intracelulares associadas à proliferação descontrolada das células, e o venetoclax que restabelece os mecanismos que permitem ás células serem eliminadas quando cumprido o seu ciclo de vida.

São medicamentos muito potentes, com efeitos secundários relevantes, mas que permitem controlar a doença quando outras alternativas de tratamento, como a quimioterapia ou a quimio-imunoterapia falharam.

No sentido de promover a investigação neste grupo de doenças, a Associação Portuguesa contra a Leucemia (APCL) e a Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH), com o apoio da Gilead, disponibilizam uma bolsa para investigação, no valor de 15.000€. Destina-se esta bolsa a apoiar um projecto a ser desenvolvido em instituições nacionais, na área das doenças por linfócitos B maduros, com a duração de 1 ano e cujo regulamento pode ser consultado no site da APCL ou da SPH.

Em resumo, o tratamento destas doenças está a travessar uma fase em que situações anteriormente sem alternativa encontram hoje uma possibilidade de tratamento por vezes com resultados verdadeiramente extraordinários.

Prof. Manuel Abecasis - médico hematologista e Presidente da APCL

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ordem
A Ordem dos Enfermeiros estranha que uma greve com serviços mínimos decretados por um tribunal arbitral seja considerada...

Numa primeira reação ao facto de o conselho consultivo da Procuradoria-geral da República (PGR) ter considerado ilícita a primeira greve cirúrgica dos enfermeiros, a bastonária Ana Rita Cavaco lembra ainda que seria importante divulgar o resultado da investigação ao fundo que recolheu donativos para ajudar os grevistas.

“Durante semanas os enfermeiros foram fustigados com essas suspeitas e era importa agora divulgar essa informação”, afirma à agência Lusa a bastonária, indicando que o resultado dessa investigação mostra que não há participação de grupos económicos nem da Ordem dos Enfermeiros na recolha de fundos para compensar os enfermeiros em greve.

A forma de financiamento da greve foi um dos motivos que levou a PGR a entender a greve como ilícita. Segundo o parecer, “não é admissível” que os trabalhadores vejam compensados os salários que perderam como resultado dessa adesão, através de um fundo que não foi constituído nem gerido pelos sindicatos que decretaram a paralisação.

O parecer refere ainda que a primeira greve cirúrgica foi ilícita porque a paralisação teve uma modalidade que não constava do aviso prévio emitido pelos sindicatos que a decretaram.

A bastonária afirma que vê com estranheza que “haja uma greve com serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral e que vem a ser considerada ilícita”.

“Há muito ruído à volta do protesto dos enfermeiros e uma coisa sabemos, e é o mais importante, é que o que os enfermeiros pedem é legítimo”, declarou Ana Rita Cavaco.

A Ordem repete ainda palavras do Presidente da República, indicando que importa mais aguardar a decisão do Supremo Tribunal Administrativo sobre a intimação apresentada por um dos sindicatos que contesta a requisição civil determinada pelo Governo em relação à segunda greve cirúrgica, que ainda decorre em 10 blocos operatórios.

Sobre a eventualidade de serem marcadas faltas injustificadas aos enfermeiros em greve, a bastonária recorda que a questão não é nova e que chegou a concretizar-se num protesto que ocorreu há dois anos nos blocos de parto, motivado pelos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica.

“Na altura foram efetivamente marcadas faltas e inclusive com perda de vencimento e esses processos ainda decorrem”, indica.

O protesto dos enfermeiros especialistas em blocos de parto também foi alvo de um parecer do conselho consultivo da PGR, tendo a Ordem atacado juridicamente esse parecer, porque era “uma questão que lhe competia”.

O protesto em blocos de parto não era uma greve, não tendo tido o envolvimento de sindicatos. Os enfermeiros s recusavam-se a prestar cuidados especializados enquanto não recebesse enquanto enfermeiros especialistas.

Em sinal de protesto
A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) anunciou hoje que vai colocar uma bandeira preta nas receções das...

O diferendo com o Governo devido às verbas que a associação reclama tem sido alvo de vários comunicados e tomadas de posição de ambas as partes nos últimos meses.

A associação diz que o Governo está a deixar as Unidades de Cuidados Continuados “numa situação verdadeiramente negra, condenando-as à morte”, ou seja, à falência “pelo facto de pagar abaixo do preço de custo”.

Além da colocação da bandeira, está também a ser solicitado aos trabalhadores das Unidades de Cuidados Continuados que usem uma braçadeira negra, como protesto pelo “desgaste de tratar doentes cada vez mais complexos”, por não auferirem uma melhor remuneração e pelos casos de salários em atraso.

“Muitos já disseram [que vão] aderir”, afirmou a associação em comunicado.

A 13 de fevereiro, o Tribunal Administrativo declarou extinta uma providência cautelar interposta pela ANCC, segundo o Ministério da Saúde.

A ANCC anunciou em 27 de dezembro a providência cautelar contra o Estado português, acusando os ministérios da Saúde e da Segurança Social de não cumprirem com os acordos de cooperação e de colocarem o setor em risco.

A associação promete agora colocar uma ação em tribunal contra o Estado português, que “oportunamente será comunicada” à comunicação social.

Na providência cautelar, a Associação Nacional de Cuidados Continuados reclamava o pagamento de um valor superior a um milhão de euros, tendo por base a não emissão de uma portaria de atualização de preços no âmbito dos cuidados continuados.

PR pede entendimento
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou hoje que a ADSE não pode acabar porque é importante para Portugal e...

“Eu acho que estamos todos de acordo quanto ao facto de a ADSE não poder acabar, não vai acabar e, para não acabar, é preciso que haja naturalmente bom senso e capacidade de entendimento para que se resolva aquilo que, neste momento, surgiu como um problema”, sustentou.

O chefe de Estado falava à entrada da 20.ª edição do Correntes d´Escritas, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, há uma meta clara que assenta no facto de a ADSE ser importante para Portugal e para os portugueses e, por esse motivo, não poder acabar.

O Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da ADSE reúne-se hoje com a ministra da Saúde, Marta Temido, após o apelo deste órgão ao "diálogo urgente" entre os prestadores privados e o instituto público.

O encontro, que contará também com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, foi pedido pelo CGS após a última reunião deste órgão consultivo onde têm assento representantes dos beneficiários e do Governo.

Nestes últimos dias tem vindo a público a intenção de grupos de saúde privada, entre os quais a José Mello Saúde (que gere os hospitais CUF), a Luz Saúde e os Lusíadas, suspenderem as convenções com a ADSE a partir de abril.

A ADSE exige o pagamento de 38 milhões de euros aos privados por excesso de faturação referente a 2015 e 2016, uma exigência que é contestada pelos hospitais.

 

Esclarecimento da tutela
O Ministério da Saúde esclareceu hoje que a aplicação de faltas aos enfermeiros em greve será feita caso a caso até ao dia de...

“As faltas relativas ao exercício da greve até à publicação do parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República serão consideradas mediante uma análise que terá em conta a forma como cada enfermeiro exerceu a greve”, indica um esclarecimento do Ministério da Saúde.

Fonte oficial do gabinete da ministra explicou que esta análise mediante a forma de adesão se aplica até ao dia de hoje, sendo que a partir de quarta-feira serão atribuídas faltas por adesão à greve a todos os grevistas que cumpram a paralisação dos enfermeiros em curso até ao fim do mês.

“A partir de amanhã [quarta-feira], tendo em conta que este parecer da PGR representa uma interpretação oficial, serão atribuídas faltas por adesão à greve”, diz o esclarecimento.

Numa primeira resposta enviada à agência Lusa, o Ministério da Saúde tinha dito que “as faltas serão atribuídas mediante uma análise caso a caso, contemplando a forma como cada enfermeiro exerceu a greve”. “Tendo em conta que este parecer da PGR representa uma interpretação oficial, as faltas motivadas por adesão a uma greve ilícita serão consideradas a partir de amanhã”.

Contudo, nesta primeira resposta, o Ministério não esclarecia que a análise à forma como cada enfermeiro exerceu a greve valia apenas até quarta-feira.

"A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) irá emitir uma circular informativa aos hospitais ainda hoje, com orientações relativas aos procedimentos a adotar para cumprimento do parecer, competindo aos hospitais afetados pela greve a posterior operacionalização", acrescenta a tutela.

O esclarecimento do Ministério da Saúde surge na sequência do parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-geral da República, que considera a primeira “greve cirúrgica” dos enfermeiros como ilícita, por ter decorrido de um modo diferente do que constava no pré-aviso e devido à forma como foi feita a recolha de fundos para compensar os grevistas.

No comunicado, a tutela sublinha que o parecer da PGR representa uma interpretação oficial, diz acreditar que os enfermeiros "respeitarão o que está estabelecido no parecer" e considera positiva a suspensão da greve anunciada por uma das estruturas sindicais.

Depois de conhecer o conteúdo do parecer, que se refere à primeira greve dos enfermeiros nos blocos operatórios, que decorreu entre 22 de novembro e 31 de dezembro, a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) pediu hoje de manhã que a greve fosse suspensa de imediato, face às ameaças de marcação de faltas injustificadas a quem adere à paralisação.

Num vídeo em direto no Facebook, a presidente da ASPE, Lúcia Leite, pediu aos enfermeiros que têm aderido à greve cirúrgica que “suspendam imediatamente a greve”, mas que “não abandonem a luta”.

“Entendemos que não é o caminho para os enfermeiros entrarem em batalhas judiciais desta natureza”, afirmou Lúcia Leite.

Posição diferente teve a outra estrutura sindical que convocou a paralisação - o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) -, que disse não abdicar do direito à greve e acrescentou que, se os enfermeiros forem notificados para prescindir desse direito, trabalharão sob protesto e vão apresentar uma queixa-crime contra o Governo.

“Se os enfermeiros forem notificados, por escrito, pelos conselhos de administração, para o facto de terem de prescindir desse direito e serem obrigados a trabalhar, irão trabalhar, mas vão preencher um documento a dizer que estão a ser coagidos e obrigados a trabalhar e a abdicar de um direito como é o direito a greve”, disse à Lusa Carlos ramalho, do Sindepor.

O sindicalista afirmou ainda: “Se formos obrigados, vamos trabalhar, sob protesto, e apresentar uma queixa-crime contra aqueles que nos estão a coagir e ameaçar ilegitimamente”.

No parecer publicado em Diário da República, a PGR considera a greve ilícita e sublinha que os trabalhadores que aderem a uma greve ilícita devem ter faltas injustificadas, sendo as ausências consideradas como infração disciplinar.

Reação do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal
O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) diz que não abdica do direito à greve e que, se os enfermeiros...

“O Sindepor não vai prescindir daquilo que é um direito legítimo que é o direito à greve. Vamos manter a nossa posição e vamos dizer aos enfermeiros que temos de nos manter em greve”, disse à agência Lusa Carlos Ramalho, do Sindepor.

O responsável acrescentou ainda que, “se os enfermeiros forem notificados, por escrito, pelos conselhos de administração, para o facto de terem de prescindir desse direito e serem obrigados a trabalhar, irão trabalhar, mas vão preencher um documento a dizer que estão a ser coagidos e obrigados a trabalhar e a abdicar de um direito como é o direito a greve”.

“Se formos obrigados, vamos trabalhar, sob protesto, e apresentar uma queixa crime contra aqueles que nos estão a coagir e ameaçar ilegitimamente”, disse Carlos Ramalho, acrescentando: “Lembro que a homologação do parecer da Procuradoria-Geral da República apenas torna oficial aquilo que é uma posição do Governo. Não é uma decisão jurídica”.

Carlos Ramalho falava depois de a outra estrutura sindical que convocou a greve dos enfermeiros aos blocos operatórios – a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) – ter pedido para que a paralisação seja suspensa de imediato, dadas as ameaças de marcação de faltas injustificadas a quem faz greve.

Num vídeo em direto no Facebook, a presidente da ASPE, Lúcia Leite, pede que os enfermeiros que têm aderido à greve cirúrgica “suspendam imediatamente a greve”, mas que “não abandonem a luta”.

“Entendemos que não é o caminho para os enfermeiros entrarem em batalhas judiciais desta natureza”, afirmou Lúcia Leite, depois de ser conhecido o parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) que considerou a greve ilícita.

No parecer, que se refere à primeira greve dos enfermeiros em blocos operatórios, que decorreu entre 22 de novembro e 31 de dezembro de 2018, a PGR considerou a greve dos enfermeiros ilegal por não corresponder ao pré-aviso e porque o fundo usado para compensar a perda de salário não foi constituído nem gerido pelos sindicatos que decretaram a paralisação.

O documento diz ainda que os enfermeiros, apesar de terem paralisado de forma intercalada, devem perder o salário referente a todo o período da greve.

Quanto ao financiamento colaborativo (crowdfunding) usado pelos enfermeiros, o parecer considera que "não é admissível que os trabalhadores aderentes a uma greve vejam compensados os salários que perderam como resultado dessa adesão através da utilização de um fundo de greve que não seja constituído, nem gerido pelos sindicatos que decretaram a greve".

A segunda e atual greve em blocos operatórios decorre em 10 hospitais até ao fim deste mês, sendo que em quatro unidades está decretada pelo Governo a requisição civil por alegado incumprimento dos serviços mínimos.

Estudo propõe melhoria no acesso aos cuidados de saúde da visão em Portugal
Um estudo realizado pela Nova Healthcare Initiative – Research, da Universidade Nova de Lisboa, revela que 25 por cento dos...

Esta é uma das resoluções apresentadas por este trabalho de investigação, e que visa “a generalização dos programas de rastreio e a redução ou mesmo eliminação dos tempos de espera para consulta de oftalmologia”.

Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas cerca de 53 por cento das consultas de oftalmologia são realizadas em conformidade com o tempo máximo de resposta garantida. No entanto, os números apontam para um tempo de espera de cerca de seis meses com máximos de aproximadamente três anos, os segundos piores resultados para uma especialidade do SNS.

Para Raúl de Sousa, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), “esta é uma realidade que poderia ser retificada através da regulamentação e integração de optometristas no SNS, uma vez que que esta especialidade está preparada para fornecer cuidados extensivos em visão e sistema visual, que incluem refração e prescrição, deteção e acompanhamento de doenças oculares e o tratamento de condições do sistema visual. Esta capacidade dos optometristas é fundamentada na sua formação específica e distinta das outras profissões de saúde da visão, enquadrada na área de saúde pela Direção-Geral de Ensino Superior, e realizada na Faculdade de Ciência de Saúde da Universidade da Beira Interior e na Escola de Ciências com a cooperação da Escola de Medicina da Universidade do Minho”.

Com isto, acrescenta o especialista, “se considerarmos que um optometrista pode realizar em média 6.000 consultas por ano, a implementação desta classe profissional no SNS conseguiria minimizar as listas de espera, através da triagem de casos que seriam posteriormente encaminhados para os cuidados de saúde diferenciados de oftalmologia”.

“Tomamos estas recomendações em muito boa conta e concordamos com a abordagem multidisciplinar proposta de cooperação entre os optometristas e oftalmologistas, a qual beneficiará, e muito, o utente. As conclusões e recomendações do referido estudo são de tal importância e preveem tal impacto na saúde dos portugueses, que não podem deixar de ser analisadas e considerada no atual processo de elaboração da Estratégia Nacional para a Saúde da Visão”.

Mais de dois milhões de pessoas apresentam dificuldades de visão em Portugal, sendo os erros refrativos a principal causa de disfunção da visão, atingindo, segundo as estimativas, mais de 50 por cento dos portugueses. De seguida surgem a ambliopia, a diabetes ocular, a catarata, entre outros. O número de pessoas com problemas de visão tende a aumentar conforme a idade, alcançando entre 30 a 32 por cento no grupo etário entre os 45 e os 74 anos.

Este estudo, conduzido pela Nova Healthcare Initiative – Research, teve como objetivo analisar o acesso dos doentes aos cuidados de saúde da visão em Portugal e propor recomendações de melhoria do SNS. O documento pode ser consultado em: http://healthcare.novasbe.unl.pt/our-research/other-publications/29-relatorio-sobre-cuidados-de-saude-da-visao

Procurada tanto por mulheres como por homens
Técnica inovadora permite eliminar de forma segura a gordura abdominal ou dos flancos.

Cada vez mais os homens e as mulheres têm um maior interesse na sua aparência e na sua saúde e bem-estar. Apesar da prática do exercício físico e dos esforços por uma dieta alimentar equilibrada e correta, muitas vezes surge a necessidade de corrigir pequenas imperfeições do corpo, como alguma gordura abdominal ou localizada na zona dos flancos.

Para David Rasteiro, cirurgião plástico, “é nestas situações e nestes casos clínicos que se deve procurar a lipoaspiração de alta definição como uma alternativa, segura e eficaz”.

Esta técnica cirúrgica pode variar entre 1 a 4 horas, dependendo do volume de gordura a aspirar. A lipoaspiração de alta definição realiza-se sob anestesia geral com anestesia local. Trata-se de um procedimento cirúrgico onde é removida a gordura em excesso de modo a delinear os músculos e os seus contornos, respeitando a anatomia da parede abdominal. Em determinados casos a lipoaspiração de alta resolução é a única forma de esculpir o corpo à imagem que o paciente pretende atingir.

Uma das recomendações assinaladas pelo especialista prende-se com a recuperação desta cirurgia. De acordo com David Rasteiro, “é importante que um paciente perceba que o internamento após uma lipoaspiração de alta definição depende sempre do volume de gordura aspirado. Pode variar entre ambulatório ou até 1 noites de internamento”. Importa saber que uma das vantagens da realização da lipoaspiração de alta definição é a definição dos músculos abdominais nomeadamente dos rectos abdominais.

Atualmente são utilizadas técnicas como a vibrolipoaspiracao e a Vaser para ter os melhores resultados possíveis.

Cuidados pós-operatórios a não esquecer:

Os cuidados pós-operatórios de uma lipoaspiração de alta definição são essenciais para a plena recuperação de um paciente e alcance de melhores resultados. O paciente terá sempre de utilizar uma cinta de compressão elástica e realizar drenagens linfáticas manuais ou outras técnicas reafirmantes. Um paciente sujeito a esta cirurgia poder retomar a atividade laboral ao fim de 3 a 4 dias e praticar desporto ao fim de 1 mês.

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