Investigadores portugueses
Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação Biomédica (CBR) da Faculdade de Medicina da Universidade Católica...

A equipa liderada pela investigadora Maria João Amorim descobriu que o vírus que causa a gripe A – influenza A (VIA ou IAV) – utiliza compartimentos celulares específicos, designados inclusões virais, para montar o seu genoma composto por oito segmentos de ácido ribonucleico (ARN) por um processo seletivo, envolvendo interações inter-segmento RNA-RNA, e de elevadíssima complexidade que, até à data, não é inteiramente claro.

O grupo deu um passo em frente a desvendar este processo ao descobrir que estes compartimentos têm propriedades semelhantes às dos líquidos. Tais propriedades permitem que as moléculas se movam livremente e, desta forma, cada parte do genoma pode encontrar os seus outros 7 interatores - um processo essencial para que o vírus se torne infecioso. A partir desta descoberta, os investigadores identificaram que dissolver ou endurecer estes condensados pode impedir a replicação viral.

Os antivirais que venham a ser desenvolvidos poderão proteger pessoas não vacinadas, reduzir a gravidade da doença em infetados e controlar a propagação de vírus respiratórios e emergentes, reforçando a resposta da saúde pública perante futuros surtos,” explica a também docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica.

Numa altura  em que decorre a vacinação contra a gripe - Portugal foi o terceiro país da União Europeia com a maior cobertura de vacinação contra a gripe no último inverno, atingindo uma taxa de 71%, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) - os antivirais podem representar uma segunda linha de defesa indispensável: protegem quem não está vacinado, reduzem a gravidade da infeção em pessoas que desenvolvem doença grave e ajudam a controlar a propagação de vírus que evoluem rapidamente ou que escapam à imunidade conferida pela vacinação.

Universidade de Coimbra
Um projeto de investigação, liderado pela Universidade de Coimbra (UC), está a estudar o papel de uma proteína, chamada TDP-43,...

A TDP-43 é uma proteína de ligação ao RNA que afeta muitos alvos sinápticos (os destinatários da comunicação neuronal), e os defeitos sinápticos são uma via central da doença de Alzheimer. Nesta doença, esses alvos podem ser afetados, perdendo a capacidade de responder de forma correta, o que contribui para o declínio cognitivo”, explica a investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), Ana Rita Quadros.

Ana Rita Quadros, que coordena a investigação na UC, elucida que “a doença de Alzheimer é uma perturbação caracterizada por perda neuronal progressiva e disfunção sináptica, conduzindo a um declínio cognitivo severo”. “A proteína TDP-43 tem sido identificada em 20 a 50% dos pacientes com Alzheimer, estando associada a maior probabilidade de declínio cognitivo e a uma atrofia cerebral mais rápida”, revela. 

Para estudar o papel desta proteína na doença, o projeto de SynTDP: Decoding the contribution of TDP-43 for synaptic failure in Alzheimer's Disease (Descodificando a contribuição da TDP-43 para a falha sináptica na doença de Alzheimer, em português) vai estar em curso até agosto de 2027. É financiado com mais de 207 mil euros (207 183,12 euros, mais precisamente) no âmbito das Ações Marie Skłodowska-Curie Post-doctoral European Fellowships, promovidas pela Comissão Europeia. Tem como supervisora a docente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e investigadora do CNC-UC e do CiBB, Ana Luísa Carvalho, especialista em biologia sináptica das doenças.

Perante a hipótese de a perda de função da TDP-43 na doença de Alzheimer conduzir a defeitos nos alvos sinápticos de RNA, que por sua vez contribuem para disfunção sináptica e défices cognitivos, Ana Rita Quadros vai estudar “tecidos post-mortem de pessoas com Alzheimer, células estaminais pluripotentes induzidas (células que podem dar origem a qualquer célula do corpo humano) e modelos animais para caracterizar o impacto da perda de TDP-43 na função e composição sinápticas, cruzando estes resultados com as alterações de RNA decorrentes dessa perda de função”, partilha a investigadora.

“Estudar a possibilidade de a perda de função da proteína TDP-43 em pessoas diagnosticadas com Alzheimer conduzir a defeitos nos seus alvos sinápticos de RNA – que, por sua vez contribuem para a disfunção sináptica e, consequentemente, para os défices cognitivos será fundamental para melhor conhecer a progressão da doença e identificar alvos terapêuticos para a restauração funcional de neurónios”, sublinha Ana Rita Quadros.

Para o desenvolvimento do projeto, Ana Rita Quadros vai contar também com o apoio do Hospital Geral de Massachusetts (Massachusetts General Hospital) e da Escola de Medicina de Harvard (Harvard Medical School).

 

Congresso mundial de apicultura
Sandra Barbosa, do doutoramento Agrichains das universidades do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), conquistou...

O seu trabalho mostrou como Portugal passou de uma produção quase inexistente de própolis à criação de uma rede nacional com mais de 200 produtores e que exporta duas toneladas por ano para a Alemanha, Coreia do Sul, Croácia, Espanha e França, entre outros países.

“Esta distinção deve-se a muitos anos de trabalho com os apicultores, para mostrar que é possível produzir própolis de qualidade e criar valor no território, este reconhecimento também é deles”, diz Sandra Barbosa, que é orientada no doutoramento pela professora Cristina Aguiar, da Escola de Ciências da UMinho.

“Temos trabalhado com um consórcio que junta as universidades do Minho, Aveiro e UTAD, centros de investigação e empresas do setor, o que permite por exemplo produzir produtos cosméticos à base de própolis do Parque Natural de Montesinho, em Bragança”, acrescenta aquela investigadora vimaranense e também fundadora da empresa apícola “Montesino”.

O própolis ou “cola das abelhas” é uma resina natural criada pelas abelhas para proteger as suas colmeias, sendo cada vez mais aplicada na farmacêutica, cosmética, higiene, saúde oral e em suplementos alimentares, devido ao seu perfil antimicrobiano, antioxidante e anti-inflamatório. A composição química do própolis varia consoante a sua origem botânica e geográfica, o que lhe confere diferentes cores, aromas e potenciais terapêuticos.

Apesar do interesse crescente por produtos naturais, as propriedades de produtos secundários da colmeia eram desconsideradas pelos apicultores, sendo o própolis descartado e sem valor comercial. Ações recentes de sensibilização e valorização pelo país têm atraído cada vez mais interessados em recolher e vender aquele produto com qualidade, contribuindo também para a sustentabilidade do mundo rural, a biodiversidade e a redução de pesticidas e do desperdício.

 

EUnetCCC
Com os pacientes no centro da sua visão, a EUnetCCC visa reduzir as desigualdades no diagnóstico, tratamento e investigação em...

A luta da Europa contra o cancro está a dar um passo decisivo com a criação da Rede Europeia de Centros Compreensivos de Cancro (EUnetCCC). A Europa representa cerca de 25% dos casos globais de cancro, apesar da população do continente corresponder a menos de 10% da população mundial. Todos os anos, 2,7 milhões de europeus são diagnosticados e 1,3 milhões morrem devido à doença.

Reunindo 163 parceiros em 31 países, esta iniciativa foi criada para certificar centros de excelência em oncologia até 2028 e garantir que, até 2030, 90% dos doentes oncológicos tenham acesso a cuidados integrados de alta qualidade, independentemente do local onde vivam na Europa.

Em muitas regiões do continente, os atrasos e desigualdades continuam a resultar em diferenças evitáveis na sobrevivência. Enquanto alguns Estados-Membros alcançam alguns dos melhores resultados de sobrevivência do mundo, outros ainda enfrentam atrasos no diagnóstico e acesso limitado a terapias avançadas.

 

A EUnetCCC aborda esta realidade através de um sistema de certificação europeu que irá:

  • Harmonizar os padrões de qualidade nos cuidados e investigação;
  • Ligar centros além-fronteiras, impulsionando a colaboração e a partilha de conhecimentos;
  • Elevar os padrões em todos os países, para que a excelência não se concentre apenas nas regiões mais desenvolvidas.

 

Para os pacientes, isto significa melhorias tangíveis:

  • Diagnóstico mais rápido e preciso;
  • Acesso equitativo a terapias inovadoras e ensaios clínicos;
  • Caminhos de cuidados integrados e centrados no paciente;
  • Apoio multidisciplinar físico, mental e social ao longo de toda a jornada da doença.

 

“A Europa não carece de excelência, mas a excelência ainda não é acessível a todos.

Ao ajudar os países a organizar e interligar os seus Centros Compreensivos de Cancro, estamos a construir uma verdadeira infraestrutura europeia para o tratamento do cancro. Uma infraestrutura que torna a inovação acessível aos doentes, independentemente do local onde vivem.

A europa tem excelência. A EUnetCCC trabalha para torná-la acessível. Ao conectar centros de tratamento, investigação e inovação além-fronteiras, reduzimos atrados, melhoramos os resultados e garantimos que o local onde o paciente vive já não define os cuidados que recebe”, afirma Nicolas Scotté, Diretor Geral do Instituto Nacional do Cancro Francês (INCa), coordenado da EUnetCCC.

 

Lançamento do White Paper e Reunião Anunal

Na Reunião Anual da EUnetCCC, que terá lugar nos dias 6 e 7 de novembro de 2025 em Paris La Défense (CNIT FOREST), será lançado oficialmente o White Paper da EUnetCCC.

Este documento apresenta recomendações estratégicas para estabelecer a rede como uma infraestrutura europeia permanente, incluindo:

  • Governação conjunta entre a EU e os Estados-Membros;
  • Financiamento estrutural a longo prazo;
  • Apoio específico para reduzir as desigualdades;
  • Envolvimento contínuo dos doentes na definição de prioridades.

 

Coimbra recebe
A 17 de novembro, Coimbra vai acolher a ATMP Summit, cimeira organizada pela Infraestrutura Europeia de Investigação Médica...

Sob o tema A importância de terapias avançadas no contexto atual, o encontro vai receber 16 oradores nacionais e internacionais do meio académico e regulamentar das áreas da saúde e indústria, como o vice-presidente do INFARMED, Carlos Lima Alves, ou os investigadores Sheila Mikhail e Jude Samulski, ligados à terapia génica.

As sessões incidem sobre os últimos avanços científicos em Portugal na investigação translacional, inovação, fabrico, regulamentação e orientações futuras para medicamentos de terapias avançadas. A par com o debate sobre os principais desafios e oportunidades na área, uma mostra de empresas vai dar destaque à indústria portuguesa ativa neste campo, com a presença de várias empresas.

A ATMP Summit vai reunir investigadores, empresas de biotecnologia, reguladores, médicos, representantes de pacientes e público. O evento pretende promover a troca de conhecimentos, a colaboração e o impacto no mundo real, reforçando o papel de Portugal no ecossistema europeu das terapias inovadoras. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia até 10 de novembro em https://ls.uc.pt/index.php/575513.

O presidente do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC) e do GeneT: Centro de Excelência em Terapia Génica, Luís Pereira de Almeida; o diretor de Inovação do IPN, Jorge Pimenta; o investigador do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET), Ricardo Silva; a Diretora Científica da AccelBio, Sílvia Almeida; e a coordenadora do Centro de Ensaios Clínicos da Unidade Local de Saúde de Coimbra, Patrícia Dias, são outros oradores presentes no evento, em representação de organizações que integram o consórcio europeu EATRIS.

A ATMP Summit é realizada no contexto do EATRIS Spotlight, programa de um ano dedicado a mostrar o que de melhor é feito em medicina translacional em Portugal, após a adesão do país à entidade europeia EATRIS, em julho de 2019.  O evento em Coimbra é coorganizado pelo CNC-UC e pelas entidades nacionais do consórcio.

O programa está disponível em https://eatris.eu/events/eatris-portugal-spotlight-atmp-summit-the-importance-of-advanced-therapies-in-todays-context/.

 

XXVII Congresso Português de Reumatologia
A Sociedade Portuguesa de Reumatologia vai organizar, de 5 a 8 de novembro, o XXVII Congresso Português de Reumatologia, que...

A sessão de abertura marcará o tom inspirador deste encontro, com três intervenções que vão refletir sobre o passado, presente e futuro da saúde e da especialidade. António Correia de Campos abordará “50 anos de Estado Social na Saúde”, Pedro Pita Barros trará “A perspetiva do Economista em Saúde” e Sofia Ramiro partilhará uma visão abrangente sobre “A Reumatologia em Portugal e na Europa”. De forma complementar, o encerramento do Congresso projetará o futuro da especialidade com reflexões sobre “O Colégio de Reumatologia e a Especialidade: Alinhamento, Cooperação e Futuro” por Luís Cunha Miranda, e “Investigação e Inovação em Portugal: Desafios e Perspetivas para a Reumatologia”, pela Secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão

Ao longo dos dias, o programa científico vai permitir uma viagem abrangente pelos temas mais atuais da Reumatologia: desde a ecografia para além das articulações, explorando o papel das glândulas salivares, pele e músculo, até à osteoartrose da mão, debatendo a importância de uma abordagem interdisciplinar com o envolvimento de Reumatologistas, Fisiatras e Ortopedistas. Outros momentos de grande interesse incluirão as sessões dedicadas às doenças difusas do tecido conjuntivo, às espondilartrites e às novas perspetivas terapêuticas nas doenças reumáticas sistémicas, onde se destacará a palestra sobre a aplicabilidade das células CAR-T, proferida por Hans Ulrich Scherer.

A Comissão Científica destaca ainda duas mesas luso-brasileiras: “uma sobre Doença de Behçet, com o colega Alexandre Wagner, e outra sobre saúde óssea e osteoimunologia, com Marcelo Pinheiro”.

O Congresso vai ainda contar com um programa específico dirigido à Medicina Geral e Familiar, sublinhando o papel central desta especialidade na referenciação e monitorização dos doentes reumáticos. Esta formação é promovida pelos Grupos de Trabalho da SPR e reforça o compromisso da Reumatologia com a prática integrada e multidisciplinar.

No último dia, que apela ao envolvimento das Associações de Doentes e seus Sócios, a inteligência artificial nas doenças reumáticas será debatida numa mesa redonda centrada na sua efetividade, viabilidade e ética, refletindo o compromisso da especialidade com a inovação e a prática clínica do futuro.

Contando já com mais de 500 inscritos, entre os quais especialistas brasileiros, angolanos e cabo-verdianos, as expetativas para este Congresso “são elevadas. Esperamos que o CPR 2025 promova a criação de um espaço científico e cultural comum que una a Reumatologia dos países de língua portuguesa”.

A investigação nacional ocupará um lugar de destaque, com mais de 200 trabalhos submetidos, 20 comunicações orais e 98 posteres. “Os quatro melhores casos clínicos serão apresentados no auditório principal e muitos posteres terão discussão oral com júri, uma forma justa de envolver os internos da especialidade”, acrescenta a Comissão Científica.”Esta aposta reforça o papel crescente de Portugal na produção científica em Reumatologia, com contributos cada vez mais relevantes em projetos colaborativos europeus e na utilização de ferramentas, como o Reuma.pt, instrumento essencial para investigação clínica e observacional”.

Olhando para o futuro da especialidade, a Comissão Científica considera que a Reumatologia enfrenta simultaneamente desafios e oportunidades, definindo o futuro como promissor, mas sendo necessária uma adaptação contínua. “O envelhecimento populacional aumentará a prevalência das doenças reumáticas, exigindo mais reumatologistas e serviços especializados. As terapias avançadas, como os biotecnológicos e a medicina de precisão, estão a transformar o controlo das patologias. A digitalização é outro pilar essencial, a telemedicina, a inteligência artificial e sistemas de apoio à decisão clínica, podem melhorar o diagnóstico e o seguimento dos doentes”. No entanto, para alcançar esse futuro, é fundamental fomentar a investigação, garantir um acesso equitativo às inovações terapêuticas e investir na formação, motivo pelo qual a Comissão Científica do XXVII Congresso Português de Reumatologia apela à participação neste evento.

“A Reumatologia portuguesa está dinâmica, coesa e em expansão. Tem apostado na multidisciplinaridade e no diálogo com outras especialidades e sociedades científicas, nacionais e internacionais. O programa deste ano reflete esse espírito, uma especialidade que continua a surfar na crista da onda da inovação e do conhecimento”, concluem. “Este XXVII Congresso Português de Reumatologia será, assim, mais do que um encontro científico: será uma celebração do que nos une enquanto comunidade, e uma afirmação de compromisso com a ciência, com os doentes e com o futuro da Reumatologia”.

 

Aceda AQUI ao programa completo do evento. 

Investigações em saúde
Os investigadores da Universidade de Coimbra (UC), Diogo Reis Carneiro e Neuza Domingues, vão receber o Prémio Maria de Sousa,...

O Prémio Maria de Sousa, uma homenagem à médica e investigadora Maria de Sousa, é promovido pela Ordem dos Médicos e pela Fundação Bial e visa galardoar jovens investigadores portugueses, até aos 35 anos de idade, através do apoio a projetos de investigação na área das ciências da saúde, que inclui um estágio num centro internacional de excelência.

Diogo Reis Carneiro, médico neurologista e investigador do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB) e estudante de doutoramento e assistente convidado da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), vai desenvolver o projeto CaInPark - Interocepção cardiovascular: dos fundamentos neuroanatómicos à disrupção na doença de Parkinson. Esta investigação centra-se no estudo da interocepção (a representação fisiológica e psicológica dos estados internos do corpo, incluindo a perceção do funcionamento dos seus órgãos, como o bater do coração ou o enchimento da bexiga) na doença de Parkinson.

“A interocepção cardiovascular poderá ser um marcador fisiológico e neural promissor da interação corpo-cérebro, por isso, neste projeto pretendemos aprofundar a compreensão da interocepção cardiovascular, caracterizando a sua base neurofuncional em indivíduos saudáveis e investigando as suas alterações em indivíduos com doença de Parkinson, aspetos que continuam a ser pouco conhecidos”, explica Diogo Reis Carneiro.

Sobre os impactos desta investigação, o investigador explica que “por um lado, pretendemos alargar o conhecimento sobre a disfunção interoceptiva na doença de Parkinson e relacioná-la à disfunção autonómica, mas também antevemos a possibilidade de lançar bases de conhecimento para que, no futuro, tratamentos de modulação interoceptiva (que ajudam a perceber melhor as sensações do corpo) possam ser utilizados, com substrato científico, numa população para a qual existem ainda muitas lacunas terapêuticas”.

O projeto CaInPark vai ser financiado com 25 mil euros e uma parte da investigação vai ser desenvolvida na Universidade Médica de Innsbruck (Medical University of Innsbruck), na Áustria.

Neuza Domingues, investigadora do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA Portugal) e do CiBB, vai conduzir o projeto Lisossomas nucleares: desvendar a comunicação entre lisossomas e o núcleo. Este projeto vai investigar o sistema de comunicação entre os lisossomas e o núcleo (compartimento celular de armazenamento de informação genética) procurando identificar as proteínas envolvidas neste contacto e compreender como influenciam a função destes dois organelos em condições de stress ou doença.

“Um dos organelos mais afetados durante o processo de envelhecimento celular é o lisossoma, que é essencial para a digestão de outros organelos e moléculas danificadas. Além desta capacidade de libertar as células de elementos tóxicos, o lisossoma modula vias de sinalização celulares, assim como a função e dinâmica de outros organelos”, explica Neuza Domingues. “No entanto, apesar da comunicação de lisossomas com organelos como mitocôndrias e retículo endoplasmático estar bem estudada, pouco se sabe sobre a sua comunicação com o núcleo. Neste contexto, este projeto tem como objetivo investigar os mecanismos moleculares que regulam os contactos entre a membrana do lisossoma e a membrana do núcleo, a nível molecular e funcional”, esclarece.

Com esta investigação, Neuza Domingues espera “demonstrar que a disfunção concomitante de lisossomas e núcleo está associada à perda de comunicação entre estes dois organelos, resultando em alterações moleculares de membrana e maior instabilidade genómica. No futuro, a caracterização destas interações abrirá oportunidades terapêuticas para doenças do envelhecimento, desde a modulação da homeostasia até a entrega nuclear de agentes terapêuticos”.

O projeto de Neuza Domingues vai ser financiado com 30 mil euros e parte da investigação vai decorrer na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

A cerimónia de apresentação dos vencedores da 5.ª edição do Prémio Maria de Sousa vai decorrer esta tarde, a partir das 15h30, em Lisboa, e pode ser acompanhada em direto nas redes sociais da Fundação Bial.

Mais informações sobre o Prémio Maria de Sousa estão disponíveis em www.fundacaobial.com/premios/premio-maria-de-sousa.

Abóbora, uvas ou cogumelos
O teor de triptofano, magnésio e antioxidantes presentes nestes alimentos contribui para processos bioquímicos essenciais à...

O estado de espírito está estritamente ligado à alimentação e fatores como o stress, a falta de sono ou as mudanças sazonais, que podem alterar o equilíbrio emocional. No entanto, uma dieta equilibrada, que inclua determinados nutrientes pode tornar-se uma grande aliada para recuperar a energia e a vitalidade.

Neste sentido, os alimentos ricos em triptofano, magnésio e antioxidantes ajudam o organismo a produzir serotonina e dopamina, que são neurotransmissores essenciais para promover a sensação de calma, motivação e bem-estar.

“A alimentação tem um papel muito mais importante no estado de espírito do que muitas vezes se pensa. O triptofano atua como matéria-prima para a produção de serotonina, um neurotransmissor essencial na regulação do bem-estar emocional. Por sua vez, o magnésio contribui para reduzir a tensão física e mental, enquanto os antioxidantes ajudam a proteger as nossas células dos danos causados pelo stress oxidativo. Incluir estes nutrientes regularmente na dieta dá ao organismo o apoio necessário para se sentir melhor e manter um equilíbrio emocional”, afirma Ingrid Daniele, nutricionista da Blua de Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora BUPA.

 

Assim, com a chegada do outono, alguns alimentos sazonais destacam-se pela sua capacidade de promover a saúde física e mental. Neste contexto, Ingrid Daniele elaborou uma lista com alguns dos mais relevantes:

  • Abóbora e batata-doce: ambas são ricas em betacarotenos (precursores da vitamina A), antioxidantes e hidratos de carbono complexos, que fornecem energia de forma sustentada e ajudam a evitar flutuações nos níveis de glicose e a fadiga associada. Incluí-las em cremes, assados ou como acompanhamentos é uma opção recomendável para combater o cansaço típico das mudanças de estação.
  • Uvas e romãs: o seu elevado teor em polifenóis, resveratrol e vitamina C confere-lhes propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Estes compostos contribuem para melhorar a circulação sanguínea e proteger as células contra o dano oxidativo, favorecendo uma maior vitalidade e ajudando prevenir o cansaço físico e mental frequente no outono.
  • Cogumelos: destacam-se pelo seu teor em vitamina D, uma vitamina essencial para o funcionamento do sistema imunitário e a síntese de serotonina, um neurotransmissor associado ao estado de espírito. Assim, incorporá-los em guisados ou salteados é uma forma simples e saborosa de cuidar do bem-estar emocional nos meses de menor exposição solar.
  • Frutos secos: as nozes, amêndoas ou avelãs são uma fonte natural de magnésio, ácidos gordos, ómega-3 e antioxidantes (como a vitamina E). Estes nutrientes contribuem para o bom funcionamento do sistema nervoso e têm sido associados a melhorias na memória, concentração e regulação emocional. Para beneficiar das suas propriedades, recomenda-se consumir uma mão cheia por dia (cerca de 20-30 g), seja como lanche ou incorporadas em saladas e pratos.
  • Legumes: lentilhas, grão-de-bico e feijões destacam-se pelo seu teor em triptofano, proteínas vegetais de boa qualidade e fibra solúvel e insolúvel. Estes componentes favorecem a produção de serotonina e promovem um trânsito intestinal adequado, o que é fundamental para o equilíbrio emocional através do eixo intestino-cérebro. A sua versatilidade torna-os uma base ideal para pratos de colher, salteados e até saladas completas.
  • Chocolate negro: com um elevado teor de cacau (70% ou mais), fornece flavonoides, magnésio e pequenas doses de cafeína. Tudo isso estimula a produção de endorfinas, associadas à sensação de prazer e bem-estar. Consumir uma pequena porção diária (cerca de 10 g) ou adicionar cacau puro sem açúcar ao pequeno-almoço ou a receitas saudáveis é uma forma simples de usufruir dos seus benefícios de forma equilibrada.

 

“Seguir uma dieta variada e rica em produtos frescos e sazonais, além de ajudar o organismo a funcionar melhor, influencia diretamente como nos sentimos. Na verdade, uma alimentação equilibrada é, em muitos casos, a primeira medida para prevenir problemas emocionais, como cansaço crónico ou alterações de humor”, acrescenta Ingrid Daniele.

Por fim, Miriam Piqueras, diretora médica da Sanitas Mayores, sublinha que “estes alimentos são ainda mais importantes para os idosos, uma vez que são mais sensíveis à falta de nutrientes e às alterações emocionais decorrentes do stress oxidativo. Perante esta situação, é recomendável optar por uma dieta rica em triptofano, magnésio e antioxidantes, juntamente com a prática regular de exercício físico e um bom descanso para garantir um envelhecimento mais saudável, ativo e equilibrado”.

 

7º Congresso Nacional da APDP
Evento foca-se nos recentes avanços na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da diabetes em Portugal.

A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) realiza entre os dias 6 e 7 de novembro, no Centro Ismaili de Lisboa, o seu 7º Congresso Nacional, que reúne especialistas, profissionais de saúde e pessoas com diabetes para dois dias de debate, formação e partilha de conhecimento. No dia 7 de novembro, pelas 9 horas, serão apresentados os resultados do projeto “O seu filho tem um dedo que adivinha”, inserido no projeto europeu EDENTIF1, um estudo de rastreio da diabetes tipo 1 na população pediátrica.

O programa científico do congresso abrange uma ampla variedade de temas, desde insulinoterapia e monitorização contínua da glicose, cuidados com o pé diabético, uso de bombas de insulina e novas tecnologias aplicadas à gestão da diabetes, até questões mais abrangentes como a abordagem social da doença, motivação e autogestão, e os desafios da transformação digital na saúde.

“Este ano, o Congresso Nacional chega com novas temáticas, novos ângulos, para encontrar respostas com o fim de sempre. Os números relacionados com a diabetes em Portugal continuam a ser preocupantes e é nosso dever explorar todas as frentes, da clínica à social, para melhorar a vida de mais de um milhão de pessoas em Portugal.”, explica José Manuel Boavida, presidente da APDP.

O evento será marcado pela sessão “Além-Fronteiras”, com a participação da especialista Asma Ahmed, que vai abordar a importância da prevenção da diabetes em contexto comunitário, com a sessão “Diabetes prevention in community setting”. A abordagem social da diabetes também será discutida na mesa-redonda “Abordagem social da Diabetes: que rumo?”.

Serão ainda discutidos o “Percurso do pé diabético”, que analisará o trajeto da pessoa com pé diabético desde o diagnóstico, processo de referenciação e tratamento, e o “Futuro da Saúde Digital”, que explorará o papel da inteligência artificial e da transformação tecnológica na melhoria do acompanhamento clínico. As novidades sobre obesidade, diabetes e risco cardiovascular, bem como a relação entre “Diabetes e Fígado” estarão também em destaque.

Com uma programação que alia rigor científico, inovação tecnológica e humanização dos cuidados, o 7º Congresso Nacional da APDP reforça o compromisso da Associação em promover a literacia em saúde e a qualidade de vida das pessoas com diabetes. Para mais informações sobre o evento consulte o site oficial, aqui.

 

I Congresso de Psicologia e Ciências da Saúde da Universidade Europeia
A inteligência artificial (IA) tem potencial para elevar o padrão de qualidade dos cuidados de saúde, desde que usada de forma...

Os especialistas defenderam que a IA deve servir para otimizar tarefas, aumentar a capacidade de resposta e apoiar a decisão clínica, sem comprometer a transparência, a supervisão humana ou a dimensão ética. Enquadrada desta forma, a tecnologia é vista como um instrumento capaz de melhorar a eficiência e a qualidade dos cuidados, preservando o carácter humano que define a relação terapêutica.

A mesa-redonda “Novas Tecnologias e Inteligência Artificial: Impacto na Saúde e Mudança Comportamental”, moderada por André Silva, da Universidade Europeia, contou com a participação de Rita Veloso e Marta Marques, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Alberto Alves, diretor-adjunto do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física da Universidade da Maia, e Belén Rando, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Centro de Administração e Políticas Públicas.

Ética, automação e eficiência: o equilíbrio possível na era digital da saúde

O debate explorou o papel crescente da inteligência artificial na transformação do setor e nas mudanças comportamentais que daí resultam. Os oradores sublinharam que a automação só cria valor quando liberta tempo para o acompanhamento próximo e para a decisão clínica, sem afastar o contacto humano que caracteriza a prática da saúde.

Foram apresentados exemplos que ilustram uma integração bem-sucedida da tecnologia sem perda de empatia. No IPO do Porto, a introdução de quiosques de check-in reorganizou equipas e permitiu dedicar mais tempo ao apoio direto aos doentes. Já no Hospital de Santo António, no Porto, um sistema automatizado de chamadas para o circuito de cirurgia de ambulatório aumentou a eficiência e melhorou a experiência do utente, mantendo a personalização do atendimento.

Os especialistas alertaram, contudo, para os dilemas éticos associados à utilização da IA em contextos clínicos. A delegação de decisões a algoritmos baseados em probabilidades levanta questões sobre responsabilidade, justiça e valores. Defenderam, por isso, o desenvolvimento de modelos de IA transparentes, auditáveis e orientados por princípios éticos sólidos.

O painel incluiu ainda uma reflexão histórica sobre a evolução da IA: desde as primeiras experiências de simulação cognitiva, nos anos 50, até à atual era das redes neurais e dos sistemas generativos, o que demonstrou que a IA não é apenas uma inovação tecnológica, mas também um desafio social e filosófico que redefine o papel dos profissionais e das instituições.

Por fim, foi destacada a importância de investir em formação, literacia digital e ética aplicada, preparando as equipas para uma integração plena e responsável das novas tecnologias. A reorganização dos serviços e a criação de competências transversais surgem como passos decisivos para que a IA se afirme como um verdadeiro instrumento de apoio, capaz de ampliar a qualidade e a capacidade dos cuidados de saúde, sem perder o essencial: o olhar humano.

O I Congresso de Psicologia e Ciências da Saúde, promovido pela Universidade Europeia, decorreu nos dias 31 de outubro e 1 de novembro sob o mote “Novas Tecnologias e Inteligência Artificial: Desafios e Oportunidades na Saúde e Desenvolvimento Humano”. Organizado pela Faculdade de Ciências da Saúde e pelo Pólo de Investigação CIDESD-UEuropeia, o congresso reuniu investigadores, docentes, estudantes e profissionais das áreas da Psicologia e da Saúde para debater o papel das novas tecnologias e da IA na promoção do bem-estar e do desenvolvimento humano.

 

Apoiar a saúde mental infantil em Portugal
A CAPITI - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Infantil angariou mais de 68 mil euros na 9.ª edição do leilão...

Todas as obras integrantes do leilão solidário foram doadas pelos seus autores e o valor obtido reverterá, na totalidade, para garantir o acompanhamento médico e terapêutico de crianças e jovens de famílias carenciadas, com perturbações do desenvolvimento e do comportamento. O montante angariado permitirá assegurar o acompanhamento, durante um ano, de 68 crianças e jovens, através da rede de 13 clínicas parceiras da associação.

Este ano, a iniciativa contou com a participação de 40 artistas contemporâneos, consagrados e emergentes, que, pela primeira vez, foram desafiados a criaram obras inspiradas no mundo e na missão da CAPITI, aproximando a criação artística da realidade das crianças acompanhadas. Entre as peças que atingiram valores mais elevados no leilão, destacam-se os trabalhos da autoria de Maísa Champalimaud, Rui Sanches e Pedro Barateiro, com valores desde os 3.400 euros, até aos 8.000 euros.

A edição deste ano destacou-se pela cocriação de duas obras, entre os artistas Diogo Muñoz e Mariana Horgan e duas crianças acompanhadas pela CAPITI, um gesto simbólico que transformou cada obra num encontro de expressão artística em prol da saúde mental.

À semelhança das duas últimas edições, a CAPITI desafiou artistas emergentes a doarem uma obra, através de uma campanha lançada no Instagram, avaliada posteriormente por um júri, que resultou na seleção de onze obras que integraram a 9.ª edição da exposição e leilão solidário “CAPITI Art Mind”, garantindo espaço para novos talentos.

No balanço desta edição, Mariana Saraiva, presidente da CAPITI, sublinha que “a CAPITI Art Mind tem vindo a crescer a cada edição, reforçando o crescente compromisso com a solidariedade, por parte de artistas, parceiros, empresas e particulares, em torno da saúde mental infantil. Este ano, quisemos desafiar alguns artistas a irem mais longe, quer na inspiração das suas obras, quer na integração das próprias crianças no processo criativo, permitindo que a sua voz e imaginação se refletissem nos seus trabalhos, trazendo um significado ainda mais profundo ao evento. O valor angariado nesta edição será fundamental para garantirmos que cada vez mais crianças tenham acesso ao acompanhamento médico e terapêutico de que necessitam, mas representa também um sinal de esperança e confiança para todas as famílias que encontram apoio na CAPITI. É graças a esta rede de solidariedade que conseguimos continuar a crescer e a transformar vidas.”

Imagens das obras leiloadas identificadas pelos seus autores disponíveis aqui

 

Abordagem Sistémica à Família
A família é central para a saúde e bem-estar dos seus membros, sendo um sistema dinâmico cujo entend

Conceitos Fundamentais da Abordagem Sistémica em Enfermagem

A visão sistémica compreende a família como um sistema complexo e interrelacionado, onde as mudanças ou crises em um membro repercutem-se em todo o grupo. A avaliação da família abrange dinâmicas, padrões de comunicação e funcionamento adaptativo, entrando além do quadro clínico individual para considerar fatores externos, ciclo evolutivo familiar e redes de apoio. Essa abordagem permite ao enfermeiro identificar pontos-chave para intervenção que promovam a autonomia, o autocuidado e a resiliência da família, reconhecendo sua singularidade e potencialidades.

 

Padrões de Qualidade dos Cuidados em Enfermagem de Saúde Familiar

Os Padrões de Qualidade da Ordem dos Enfermeiros são baseados em seis dimensões que envolvem a satisfação do cliente, a prevenção e promoção da saúde, o bem-estar, a readaptação funcional e a organização dos cuidados. Eles garantem uma prática clínica estruturada, orientada por evidências e centrada nas reais necessidades familiares, promovendo cuidados especializados, contínuos e adaptados às fases do ciclo de vida da família. A formação especializada e a utilização de modelos como o de avaliação familiar de Calgary são fundamentais para aplicar estes padrões com rigor e eficácia.

 

Impacto da Abordagem Sistémica na Prática Clínica em Saúde Familiar

A incorporação da visão sistémica transforma profundamente a atuação do enfermeiro. Em primeiro lugar, permite uma avaliação mais abrangente e apurada das necessidades, indo para além dos sinais e sintomas individuais para considerar as influências inter-relacionais e contextuais. O reconhecimento da família como agente ativo no processo de cuidado fortalece a parceria entre profissionais e familiares, aumentando a adesão aos planos terapêuticos e gerando melhores resultados em saúde.

O desenvolvimento de competências específicas através de programas de formação voltados para a abordagem sistémica melhora a capacidade técnica e relacional dos enfermeiros, aumentando sua confiança e eficácia nas intervenções. Essa capacitação é essencial para implementar estratégias que promovem o empowerment familiar, a comunicação assertiva, e o suporte emocional durante processos complexos, como hospitalizações, gestão de doenças crónicas e transições ao longo do ciclo vital.

Além disso, a visão sistémica facilita a antecipação e a prevenção de problemas, ao considerar fatores de risco sistêmicos e mobilizar recursos internos e externos da família e da comunidade. Isso prolonga o impacto dos cuidados, reduz recorrentemente a hospitalização e favorece a sustentabilidade dos sistemas de saúde, promovendo uma melhor qualidade de vida para as famílias.

 

Como a Visão Sistémica Muda a Prática da Saúde Familiar

A mudança fundamental consiste em deslocar o foco do cuidado do indivíduo para o sistema familiar integral, reconhecendo as relações e o contexto como parte inseparável da saúde. Isto conduz o enfermeiro a desenvolver uma prática mais reflexiva, adaptativa e centrada na promoção da autonomia e equilíbrio familiar.

Esta mudança implica a adoção da família como parceira na tomada de decisões, valorizando seu conhecimento e experiências, o que cria um ambiente de confiança e corresponsabilidade. A prática passa a ser menos prescritiva e mais negociada, integrando as necessidades e recursos reais da família, promovendo uma atenção contextualizada, humanizada e eficaz.

Adotar esta visão sistémica promove ainda um paradigma de cuidados contínuos, integrados e preventivos, reforçando a gestão dos recursos e o suporte às famílias na sua comunidade, num modelo que alia ciência, ética e empatia para a promoção da saúde familiar.

 

Conclusão

A abordagem sistémica à família, guiada e estruturada pelos Padrões de Qualidade da Ordem dos Enfermeiros, é um vetor crucial para a inovação e excelência em enfermagem de saúde familiar. A prática baseada nessa perspetiva amplia o campo de intervenção do enfermeiro, promove cuidados integrados e sustentáveis e mobiliza a família no centro do cuidado, resultando em ganhos significativos para a saúde pública e o bem-estar social. Investir em formação e processos reflexivos sobre esta abordagem é essencial para consolidar a qualidade e a humanização dos cuidados em saúde familiar.

 

Referências

Bastos, F. (2022). Representação do conhecimento em enfermagem – a família. RIIS – Revista de Investigação e Inovação em Saúde, 6(29). https://riis.essnortecvp.pt/index.php/RIIS/article/view/213

Frade, J. M. da G. (2021). A integração da família nos cuidados de enfermagem. Revista Referência, 5(2). https://revistas.rcaap.pt/referencia/article/view/26377

Figueiredo, M. (2009). Enfermagem de Família: Um Contexto do Cuidar [Tese de Doutoramento]. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto.

Henriques, C. M. G., & Santos, S. M. (2019). Avaliação familiar e processo de enfermagem: programa de desenvolvimento de competências. Revista de Enfermagem Referência, 4(23), 31–40. https://doi.org/10.12707/RIV19077

Instituto CRIAP. (2022). Intervenção Familiar Sistémica: uma resposta integradora. https://www.institutocriap.com/blog/psicologia/intervencao-familiar-sistemica

Ordem dos Enfermeiros. (2011). Regulamento dos Padrões de Qualidade dos Cuidados Especializados em Enfermagem de Saúde Familiar. https://www.ordemenfermeiros.pt/arquivo/colegios/Documents/PQCEESaudeFamiliar.pdf

Ordem dos Enfermeiros. (2012). Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem. https://www.ordemenfermeiros.pt/media/8903/divulgar-padroes-de-qualidade-dos-cuidados.pdf

A Família Parceira no Cuidar: Intervenção do Enfermeiro. (2013). https://web.esenfc.pt/pav02/include/download.php?id_ficheiro=27078&codigo=743

A sistémica familiar no cuidado de enfermagem centrado na família: impacto de um programa de formação. (2019). BVS Enfermagem. https://bvsenfermeria.bvsalud.org/biblio/resource/?id=biblioref.referencesource.1379641

Organização Mundial da Saúde. (1998). Glosário de Promoção da Saúde. https://www.who.int/healthpromotion/about/HPR Glossary 1998.pdf

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
"Parque do Peso da Mudança"
Iniciativa imersiva chega ao Amoreiras Shopping Center, em Lisboa, entre 7 e 9 de novembro, para educar o público sobre a...

E se uma viagem de poucos minutos pudesse mudar a sua perceção sobre uma doença que afeta 68% da população adulta em Portugal? De 7 a 9 de novembro, o Amoreiras Shopping Center, em Lisboa, será o anfitrião do “Parque do Peso da Mudança”, uma inovadora experiência de realidade virtual, que promete transformar a compreensão sobre a obesidade, oferecendo uma visão profunda e desmistificando o estigma associado.

A iniciativa, promovida pela Lilly em parceria com a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), a Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólica (SPCO) e a Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO), convida os lisboetas a sentarem-se num banco de jardim virtual para uma viagem imersiva e emocional pela realidade de quem vive com obesidade, desde as dificuldades do dia a dia até ao peso do estigma social.

Além de Lisboa, esta experiência chega também a outros pontos do país, com o objetivo de transportar os portugueses para a realidade de quem vive com obesidade. Ao longo da experiência, os participantes são guiados por um percurso que explora três dimensões fundamentais da doença: o impacto nas tarefas simples do dia a dia, a base biológica e genética que a define como uma condição médica complexa, e o doloroso estigma social, representado por uma "gruta escura" onde ecoam os preconceitos e julgamentos que estas pessoas enfrentam diariamente.

"Na Lilly, o nosso compromisso em ajudar as pessoas com obesidade é inabalável. Com o “Parque do Peso da Mudança”, damos um passo em frente, utilizando a tecnologia de realidade virtual para criar uma experiência profundamente humana e educativa", afirma Alicia de Castro, Diretora Geral da Lilly Portugal. "Em parceria com a SPEDM, a SPEO, a SPCO e a ADEXO, queremos transportar as pessoas para a realidade de quem vive com a doença, abordando não só as dificuldades físicas, mas também o peso do estigma social. Acreditamos que, ao promover esta experiência, podemos acelerar a mudança de mentalidades, levando a sociedade a compreender a obesidade como uma doença e sua complexidade.”

A experiência visa desmistificar a ideia de que a obesidade é resultado de falta de força de vontade, sublinhando a sua natureza de doença crónica. "A obesidade é uma doença crónica com uma forte componente biológica, algo que a experiência “Parque do Peso da Mudança” ilustra de uma forma realista", explica Paula Freitas, presidente da SPEDM. "Ver esta realidade traduzida numa experiência acessível ao grande público é um passo vital para que os doentes se sintam confortáveis para procurar ajuda médica”.

Para José Silva Nunes, presidente da SPEO, a iniciativa é uma ferramenta pedagógica de excelência. "Ao levar as pessoas numa viagem que passa pelas dificuldades do dia a dia, pela ciência por trás da doença e pelo doloroso estigma social, esta iniciativa consegue, em poucos minutos, transformar a perceção sobre o que significa viver com obesidade. É uma forma poderosa de substituir o julgamento pelo conhecimento."

Segundo John Preto, presidente da SPCO, “a ‘viagem’ ao “Parque do Peso da Mudança” é uma metáfora impactante e uma chamada de atenção para o estigma e o isolamento que muitos doentes sentem. Esta iniciativa reforça a mensagem de que a obesidade é uma condição médica séria que exige empatia, respeito e acesso ao tratamento.”

O impacto do preconceito é um dos focos centrais da experiência, um aspeto validado por quem lida diretamente com a doença. "Quem vive com obesidade conhece bem as vozes que ecoam nesta experiência. São os julgamentos que ouvimos todos os dias", partilha Carlos Oliveira, presidente da ADEXO. "Esta iniciativa ajuda a construir a mensagem de que 'a culpa não é sua', mostrando a nossa luta diária não como uma falha, mas como uma prova de resiliência."

Informações “Parque do Peso da Mudança”:

  • Local: Amoreiras Shopping Center
  • Datas: 7 a 9 de novembro
  • Custo: Gratuito

 

A iniciativa termina com um apelo à ação, incentivando quem se preocupa com a obesidade, por si ou por alguém próximo, a procurar aconselhamento junto de um profissional de saúde e a encontrar mais informação em obesidadeumadoenca.pt.

 

Saiba como reconhecer e evitar
No âmbito do Dia de Consciencialização do Stress, que se assinala no próximo dia 5 de novembro, a AniCura alerta para uma...

A ida ao veterinário, ainda que essencial para a saúde e bem-estar animal, pode ser uma experiência desafiante para muitos animais. O ruído, os cheiros desconhecidos, o contacto com outros animais e a interação com estranhos são fatores que frequentemente desencadeiam medo e ansiedade.

Tal como nós, os animais de companhia também sentem stress, e este pode ter um impacto significativo tanto no comportamento como na saúde física”, explica a Dra. Rita Rodrigues, médica veterinária no AniCura Arco do Cego Hospital Veterinário. “Reconhecer os sinais de ansiedade – como tremores, vocalizações excessivas, salivação, tentativas de fuga ou agressividade – é o primeiro passo para um atendimento mais tranquilo e seguro”, acrescenta.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Cães: respiração ofegante, lamber os lábios, postura encolhida, cauda entre as pernas.
  • Gatos: pupilas dilatadas, orelhas baixas, esconder-se, vocalizações intensas, respiração acelerada.

Para lidar com estes comportamentos, a AniCura aposta em abordagens baseadas em técnicas de baixo stress, criando um ambiente mais calmo e positivo para os animais.

Um exemplo deste compromisso é o alto nível de certificação Cat Friendly Clinic atribuído a vários hospitais da AniCura pela Sociedade Internacional de Medicina Felina (ISFM), incluindo o AniCura Arco do Cego. Este reconhecimento confirma que os hospitais estão preparados para proporcionar ambientes sem stress, com equipas especializadas e procedimentos concebidos para o conforto e bem-estar dos gatos.

Na AniCura procuramos sempre adaptar o ritmo da consulta a cada paciente, respeitando o seu espaço e oferecendo pausas sempre que necessário”, acrescenta. “Cada detalhe — desde a receção ao internamento — foi pensado para minimizar o stress e promover o bem-estar, o que se traduz também em diagnósticos mais precisos e recuperações mais rápidas”.

Estratégias para reduzir o stress

Para minimizar o stress, os cuidadores podem adotar várias práticas antes e durante a consulta veterinária:

  • Familiarizar o animal com o transporte e a transportadora, deixando-a acessível em casa dias antes da visita.
  • Evitar associar o veterinário apenas a situações negativas, realizando visitas breves e sem procedimentos dolorosos sempre que possível.
  • Levar mantas, brinquedos ou os snacks preferidos para proporcionar conforto e distração.
  • Permanecer calmo: os animais percebem o estado emocional dos seus cuidadores e reagem de acordo.

Tudo isto traz benefícios para o animal, mas também para o cuidador. Desde tranquilidade, por saber que o animal está a receber cuidados especializados num ambiente concebido exclusivamente para o seu conforto e segurança, melhor diagnóstico e tratamento com cuidados personalizados e a experiência sem stress por ambos desfrutarem de uma visita mais calma e agradável, melhorando a sua relação com a clínica.

“O stress pode ser mitigado com pequenas ações e uma abordagem empática. Cuidar do bem-estar emocional dos nossos animais é tão importante quanto cuidar da sua saúde física”, finaliza.

 

Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários
No dia em que se celebra o One Health Day, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários ...

A associação entre a saúde humana e a saúde animal é inegável: estima-se que mais de 60% das doenças infecciosas conhecidas nas pessoas provenham de animais (zoonoses), sendo que, durante as últimas três décadas, aproximadamente 75% das novas doenças infecciosas humanas emergentes têm sido zoonóticas. As zoonoses incluem exemplos como a raiva, a gripe aviária, a toxoplasmose e a COVID-19. A crise da COVID-19 demonstrou inequivocamente o impacto global das zoonoses, realçando o papel crítico da Indústria Farmacêutica Veterinária no seu controlo.

A APIFVET sublinha que populações animais saudáveis têm um papel crucial numa Sociedade Humana mais saudável. É fundamental pôr o foco na prevenção, através de planos de vacinação e desparasitação adequados, de consultas de rotina, que são as principais formas de prevenção contra infeções, e do uso de kits de diagnóstico rápido na identificação de doenças.

“A vacinação animal é vital, pois impede o surgimento e desenvolvimento de zoonoses. Animais vacinados têm menos probabilidade de adoecer, reduzindo a necessidade de tratamentos com antibióticos e contribuindo para a luta contra a resistência aos antibióticos (AMR). Cuidar da saúde dos animais significa cuidar da nossa saúde e da do ambiente que nos rodeia”, refere Jorge Moreira da Silva, presidente da APIFVET. “O conceito One Health é relativamente recente em Portugal, o que resulta em lacunas de informação na população portuguesa acerca das zoonoses e do seu impacto”, acrescenta. 

A intervenção multidisciplinar e o contributo sinérgico dos profissionais de saúde humana e veterinária são essenciais. É necessário utilizar a credibilidade dos Médicos Veterinários, Médicos, Farmacêuticos e Enfermeiros para partilhar informações relevantes e estimular a formação de qualidade, com linguagem simples e acessível.

Jorge Moreira da Silva reforça que, “mais do que conhecer este conceito, é importante implementá-lo através da criação de soluções que permitam tirar partido da conexão entre humanos, animais e o ambiente”. Acrescenta que é "fundamental passar a mensagem de que, tal como nos humanos, é necessário agir preventivamente no que diz respeito aos animais, sejam de companhia ou de produção, para prevenir as zoonoses em prol de uma saúde humana, animal e ambiental sustentáveis”.

Para além da saúde física, a abordagem One Health tem também implicações diretas na saúde mental das populações. A convivência saudável com animais, bem como a preservação de ecossistemas equilibrados, contribuem para reduzir fatores de stress e promover o bem-estar emocional das comunidades. 

 

Em Lisboa
Conferência internacional destaca desafios e prioridades para a próxima década. Dados inéditos sobre sobrevivência e impacto...

De 6 a 8 de novembro de 2025, Lisboa será palco da maior conferência alguma vez realizada em Portugal sobre cancro da mama avançado - a Advanced Breast Cancer Eighth International Consensus Conference - que reunirá especialistas, investigadores e pacientes de todo o mundo para debater os mais recentes avanços científicos, terapêuticos e sociais numa das formas mais desafiantes da doença, ainda incurável e uma das principais causas de morte por cancro entre mulheres. 

Organizada pela ABC Global Alliance, e presidida pela Dra. Fátima Cardoso, oncologista reconhecida internacionalmente, que será a keynote speaker na sessão de abertura, a conferência decorre no Centro de Congressos de Lisboa e reúne cerca de 1.300 participantes de mais de 90 países, incluindo especialistas clínicos, investigadores, decisores políticos e pacientes.

Uma doença invisível que exige atenção urgente

Apesar dos avanços na medicina, o cancro da mama avançado - também conhecido como metastático - continua a afetar profundamente a qualidade de vida das pacientes, exigindo cuidados contínuos e personalizados.

Durante a conferência, serão apresentados novos dados internacionais que prometem lançar luz sobre temas críticos como:

  • A evolução da sobrevivência média de pacientes com cancro da mama avançado ao longo da última década
  • Os desafios enfrentados por mulheres jovens, muitas com filhos pequenos, que vivem com esta doença
  • As desigualdades no acesso a terapias inovadoras e cuidados de apoio

A agenda inclui ainda a apresentação de dois documentos estratégicos de referência: o ABC Global Decade Report 2015–2025, que analisa os progressos e lacunas da última década, e o novo ABC Global Charter 2025–2035, que define prioridades para os próximos dez anos, com recomendações concretas para melhorar o acesso a cuidados, acelerar a investigação e garantir uma abordagem mais equitativa e centrada na paciente.

 

Estudo
Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revelou uma...

Os resultados deste estudo apontam para a presença de 16 fármacos pertencentes a seis grupos terapêuticos, detetados em 91% dos locais de amostragem. Misturas de fármacos foram encontradas em 79% dos pontos analisados.

«Entre os compostos mais frequentes destacam-se os irbesartan e bisoprolol (anti-hipertensores), bem como carbamazepina (anticonvulsivo), identificado em mais de metade das ribeiras urbanas. O paracetamol apresentou maiores concentrações, enquanto irbesartan, bisoprolol e fluoxetina atingiram níveis recorde face ao reportado anteriormente na literatura científica», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento da FCTUC.

Em Coimbra, foram detetados 14 fármacos nas ribeiras urbanas, com destaque para carbamazepina, irbesartan, losartan, atenolol e venlafaxina. «Um dos locais de amostragem da cidade apresentou 70% dos compostos analisados. As concentrações mais elevadas correspondem aos anti-hipertensores irbesartan e atenolol. Embora menos frequentes, quatro dos sete antibióticos testados também foram encontrados nas águas coimbrãs, um dado particularmente preocupante face à crescente resistência antimicrobiana, considerada uma das mais graves ameaças à saúde pública global», alerta Maria João Feio, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC.

O estudo identificou diferenças estatísticas significativas entre os padrões de contaminação das cidades, com Coimbra e Oslo a apresentarem níveis mais baixos. No caso português, a presença de fármacos foi estatisticamente associada à condição morfológica e ecológica das ribeiras e ao grau de impermeabilização urbana. Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que a poluição não depende apenas do consumo de medicamentos, mas também da qualidade ecológica e do estado de conservação dos ecossistemas ribeirinhos.

«Esta investigação evidencia a necessidade urgente de restaurar os ecossistemas de água doce e de implementar novas tecnologias de remoção de fármacos nas estações de tratamento de águas residuais. Estas medidas são essenciais para reduzir o impacto destes contaminantes nos rios e ribeiras urbanos e alinhar a gestão da água com os princípios da Saúde Única (One Health) uma abordagem integrada que liga a saúde humana, animal e ambiental», concluem os especialistas.

O trabalho foi liderado por Fernanda Rodrigues e Maria João Feio, coordenadora do projeto OneAquaHealth, e contou com a participação de Ana R. Calapez, André Pereira, Liliana Silva, Janine Silva, Luísa Durães e Nuno Simões, com o envolvimento dos departamentos de Ciências da Vida, Engenharia Civil e Engenharia Química da FCTUC e da Faculdade de Farmácia.

O artigo científico “Patterns of pharmaceutical contamination in streams of European cities across urbanisation gradients: Potential impacts on One Health” está disponível aqui

 

Opinião
Laser eutérmico é a mais recente tecnologia que permite tratar hérnias de disco sem recurso a cirurg

Esta técnica, é para muitos casos uma alternativa à cirurgia tradicional que é mais dispendiosa, requer internamento e tem um período de recuperação bastante mais longo.

A mais recente inovação tecnológica 

O tratamento de hérnias discais com recurso a Laser, teve o seu inicio em 1984 e foi estudado o seu sucesso  em mais de  750 intervenções ao longo de 12 anos, este estudo teve uma taxa de sucesso entre os 75% e os 89% e uma taxa de complicações inferior a 1%. Graças à tecnologia de última geração usada, nos pacientes com indicação clara para este tratamento, a taxa de sucesso é superior a 90%, trata-se do laser eutérmico, em que a grande diferença para outros tratamentos Laser, é que faz uma indução do Laser a baixa temperatura e que mantém a temperatura do disco, sendo assim mais seguro.

O procedimento chama-se Nucleoplastia Percutânea por Laser Eutérmico, sendo uma técnica minimamente invasiva para tratamento de hérnias dos discos, na região cervical e lombar.

Baseia-se na introdução de uma fibra ótica através de uma agulha no centro do disco intervertebral, cervical ou lombar sob controlo de um aparelho de Rx especifico para estes procedimentos, essa fibra ótica vai emitir um Laser de baixa temperatura, sem lesão das estruturas adjacentes como os músculos e outras estruturas,, não havendo risco de fibrose periradicular.

O laser reduz a pressão do disco intervertebral levando a que a hérnia recue e volte a sua posição inicial, deixando de comprimir e inflamar a raiz nervosa. Também permite a regeneração do anel fibroso, reduzindo a possibilidade de recidiva, até agora não possível por nenhuma outra técnica minimamente invasiva, inclusive a cirurgia convencional.

Este tratamento é feito com uma sedação leve e com anestesia local numa sala preparada para o efeito com controlo de Rx em ambulatório. Os resultados podem ser praticamente imediatos e o retorno á atividade profissional poder ser feita de forma rápida.

 

Hérnia Discal

A dor lombar ou “dor de costas” é um dos sintomas com maior prevalência na população. Estima-se que cerca de 80% da população mundial, pelo menos uma vez na vida, apresente queixas de dores relacionadas com a coluna. Por vezes, é suficientemente intensa e incapacitante, com importante interferência na capacidade de trabalho e qualidade de vida.

As causas potenciais desta dor são diversas, tendo em consideração os elementos ósseos (as vértebras), os discos, os nervos, os ligamentos e as articulações vertebrais

Nas hérnias discais, a dor é secundária à doença dos discos (classificada na nomenclatura médica por “protrusões”, “procidências” ou “hérnias” discais), sobretudo nos segmentos lombar e cervical da coluna vertebral.

Os discos intervertebrais são estruturas flexíveis, localizados entre os corpos das vértebras que servem como “amortecedores”, permitindo movimentos da coluna, ao mesmo tempo que ajudam a absorver os impactos mecânicos e o peso do corpo.

Os discos intervertebrais podem deformar-se saindo parcialmente comprimindo e/ou provocando inflamações nas raízes nervosas e, originar para além de dor na coluna, dor nos segmentos dependentes das estruturas nervosas, traduzidos por dor, dormência ou fraqueza muscular no braço ou na perna (vulgo dor “ciática”). Nos casos mais graves, uma hérnia do disco pode comprimir os nervos que controlam a bexiga e o intestino, resultando em incontinência urinária e perda de controlo do intestino.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em Albufeira
A Sociedade Portuguesa de Reumatologia vai organizar, de 5 a 8 de novembro, o XXVII Congresso Português de Reumatologia, que...

A sessão de abertura vai marcar o tom inspirador deste encontro, com três intervenções que vão refletir sobre o passado, presente e futuro da saúde e da especialidade. António Correia de Campos abordará “50 anos de Estado Social na Saúde”, Pedro Pita Barros trará “A perspetiva do Economista em Saúde” e Sofia Ramiro partilhará uma visão abrangente sobre “A Reumatologia em Portugal e na Europa”. De forma complementar, o encerramento do Congresso projetará o futuro da especialidade com reflexões sobre “O Colégio de Reumatologia e a Especialidade: Alinhamento, Cooperação e Futuro” por Luís Cunha Miranda, e “Investigação e Inovação em Portugal: Desafios e Perspetivas para a Reumatologia”, pela Secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão

Ao longo dos dias, o programa científico vai permitir uma viagem abrangente pelos temas mais atuais da Reumatologia: desde a ecografia para além das articulações, explorando o papel das glândulas salivares, pele e músculo, até à osteoartrose da mão, debatendo a importância de uma abordagem interdisciplinar com o envolvimento de Reumatologistas, Fisiatras e Ortopedistas. Outros momentos de grande interesse incluirão as sessões dedicadas às doenças difusas do tecido conjuntivo, às espondilartrites e às novas perspetivas terapêuticas nas doenças reumáticas sistémicas, onde se destacará a palestra sobre a aplicabilidade das células CAR-T, proferida por Hans Ulrich Scherer. A Comissão Científica destaca ainda duas mesas luso-brasileiras: “uma sobre Doença de Behçet, com o colega Alexandre Wagner, e outra sobre saúde óssea e osteoimunologia, com Marcelo Pinheiro”.

O Congresso vai ainda contar com um programa específico dirigido à Medicina Geral e Familiar, sublinhando o papel central desta especialidade na referenciação e monitorização dos doentes reumáticos. Esta formação é promovida pelos Grupos de Trabalho da SPR e reforça o compromisso da Reumatologia com a prática integrada e multidisciplinar.

No último dia, que apela ao envolvimento das Associações de Doentes e seus Sócios, a inteligência artificial nas doenças reumáticas será debatida numa mesa redonda centrada na sua efetividade, viabilidade e ética, refletindo o compromisso da especialidade com a inovação e a prática clínica do futuro.

Contando já com mais de 500 inscritos, entre os quais especialistas brasileiros, angolanos e cabo-verdianos, as expetativas para este Congresso “são elevadas. Esperamos que o CPR 2025 promova a criação de um espaço científico e cultural comum que una a Reumatologia dos países de língua portuguesa”.

A investigação nacional ocupará um lugar de destaque, com mais de 200 trabalhos submetidos, 20 comunicações orais e 98 posteres. “Os quatro melhores casos clínicos serão apresentados no auditório principal e muitos posteres terão discussão oral com júri, uma forma justa de envolver os internos da especialidade”, acrescenta a Comissão Científica. ”Esta aposta reforça o papel crescente de Portugal na produção científica em Reumatologia, com contributos cada vez mais relevantes em projetos colaborativos europeus e na utilização de ferramentas, como o Reuma.pt, instrumento essencial para investigação clínica e observacional”.

Olhando para o futuro da especialidade, a Comissão Científica considera que a Reumatologia enfrenta, simultaneamente, desafios e oportunidades, definindo o futuro como promissor, mas sendo necessária uma adaptação contínua. “O envelhecimento populacional aumentará a prevalência das doenças reumáticas, exigindo mais reumatologistas e serviços especializados. As terapias avançadas, como os biotecnológicos e a medicina de precisão, estão a transformar o controlo das patologias. A digitalização é outro pilar essencial, a telemedicina, a inteligência artificial e sistemas de apoio à decisão clínica, podem melhorar o diagnóstico e o seguimento dos doentes”. No entanto, para alcançar esse futuro, é fundamental fomentar a investigação, garantir um acesso equitativo às inovações terapêuticas e investir na formação, motivo pelo qual a Comissão Científica do XXVII Congresso Português de Reumatologia apela à participação neste evento.

“A Reumatologia portuguesa está dinâmica, coesa e em expansão. Tem apostado na multidisciplinaridade e no diálogo com outras especialidades e sociedades científicas, nacionais e internacionais. O programa deste ano reflete esse espírito, uma especialidade que continua a surfar na crista da onda da inovação e do conhecimento”, concluem. “Este XXVII Congresso Português de Reumatologia será, assim, mais do que um encontro científico: será uma celebração do que nos une enquanto comunidade, e uma afirmação de compromisso com a ciência, com os doentes e com o futuro da Reumatologia”.

Aceda AQUI ao programa completo do evento.

 

Cantanhede Innovation Days 2025
O UriTrack, um dispositivo para monitorizar alterações na bexiga e prevenir situações de retenção urinária, é o projeto...

A proposta premiada, desenvolvida pelas estudantes Anilza Cynthia Nhanala, Matilde Godinho e Pietra Martinez, vem responder à pergunta “Como podem os doentes com retenção urinária [uma situação comum em algumas condições, como lesões na medula espinal e problemas da próstata] monitorizar o volume de urina na sua bexiga de forma fácil e acessível?”. A ideia do UriTrack passa por um dispositivo com um sensor (sem bateria e de tamanho reduzido) colocado na parede do urotélio (que reveste a bexiga), que envia dados para uma app, permitindo monitorar mudanças nos parâmetros da bexiga.

A equipa vencedora vai receber um prémio de 1200 euros (que inclui bolsas de 500 euros da Basinnov Life Sciences/FHC Group e de 200 euros da Critical Software) e representar a Universidade de Coimbra, em novembro, em Paris (França), no evento final em que vão ser apresentadas as melhores propostas desenvolvidas em cada uma das instituições que participam na iniciativa i-Days (que decorre em simultâneo em 16 países europeus, no âmbito da rede EIT Health).

O evento final de quarta-feira, 29, com a apresentação dos projetos das 14 equipas e o anúncio da ideia vencedora – pela Pró-Reitora da UC para o Empreendedorismo, Gabriela Fernandes, que presidiu ao júri –, foi o culminar de uma semana de trabalho árduo, em que os participantes do Cantanhede Innovation Days, trabalharam na resolução de desafios propostos por entidades do sector da saúde, participando, ao mesmo tempo, em ações de formação em áreas como inovação, empreendedorismo, pitching e design thinking.

A iniciativa Cantanhede i-Days é organizada pela Unidade R&D International Networks da Universidade de Coimbra, em colaboração com o Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, o Biocant - Associação de Transferência de Tecnologia e a Unidade Local de Saúde de Coimbra (Hospital Arcebispo João Crisóstomo e Hospital Rovisco Pais).

Mais informações sobre o evento Cantanhede Innovation Days estão disponíveis em www.uc.pt/go/cantanhedeidays. Sobre a iniciativa global, os dados estão no endereço https://eithealth.eu/programmes/i-days/.

 

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