“Minutos Rosa”
Ao longo do mês de novembro, vão ser abordados temas como prevenção, diagnóstico, tratamento e bem-estar no cancro da mama....

O NorteShopping juntou-se ao Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto) para lançar uma série especial de conversas curtas, pensadas para informar e sensibilizar o público sobre o cancro da mama. Com o nome “Minutos Rosa”, esta iniciativa traz especialistas de diferentes áreas médicas para falar, de forma clara e direta, sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e bem-estar durante todo o percurso da doença.

Cada episódio tem entre dois a três minutos de duração e ficará disponível nas redes sociais do NorteShopping (Instagram, TikTok e Facebook). Os dois primeiros episódios, já lançados, contam com a participação da especialista em medicina geral e familiar, Dra. Maria de Sousa Miranda e com a médica oncologista Dra. Ana Ferreira, respetivamente, abordando mitos, sinais de alerta, tipos de tratamento e opções de apoio às pacientes.

Nos próximos episódios, que continuam até ao final do mês, serão abordados temas essenciais como diagnóstico por imagiologia com a Dra. Cláudia Carneiro Bilber, cirurgia oncológica com o Dr. Pedro Antunes, cirurgia plástica com a Dra. Matilde Ribeiro, saúde mental e acompanhamento psicológico com Dra. Sónia Castro e a experiência de uma paciente do IPO Porto.  

“Esta parceria com o IPO do Porto reflete o papel que o NorteShopping é capaz de assumir em temas relevantes para a sociedade, como é o caso da literacia em saúde. Acreditamos que um centro comercial pode – e deve – ser um espaço de partilha e de informação útil, quando se alia a parceiros de referência capazes de gerar um impacto positivo. E este projeto é uma prova disso”, afirma Paulo Valentim, diretor do NorteShopping.

Os episódios são gravados no espaço Galleria do NorteShopping, reforçando o compromisso do Centro com a informação, a saúde e o bem-estar da comunidade, unindo conhecimento, ciência e sensibilidade, desde a prevenção até à experiência do tratamento.

 

Agenda

Episódio 3 | O papel da imagiologia no diagnóstico precoce do cancro da mama e a importância dos rastreios regulares

Data: 13 de novembro, quinta-feira

Convidado: Dra. Cláudia Carneiro Bilber | Imagiologista

 

Episódio 4 | Cirurgia oncológica: quando é necessária, opções disponíveis e recuperação pós-operatória

Data: 16 de novembro, domingo

Convidado: Dr. Pedro Antunes | Cirurgião Oncológico

 

Episódio 5 | Reconstrução mamária: técnicas, momento ideal do procedimento e recuperação da autoestima

Data: 20 de novembro, quinta-feira

Convidado: Dra. Matilde Ribeiro | Cirurgiã Plástica

 

Episódio 6 | Impacto emocional do diagnóstico e estratégias de apoio ao longo do tratamento

Data: 24 de novembro, segunda-feira

Convidado: Dra. Sónia Castro | Psicóloga Clínica

 

Episódio 7 | Testemunho pessoal: coragem, esperança e superação do cancro da mama

Data: 28 de novembro, sexta-feira

Convidado: Sofia Neves | Paciente do IPO do Porto

 

Universidade de Coimbra
O investigador principal do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento da Universidade de Coimbra (MIA-Portugal) e do King’s...

Este galardão, atribuído pela Associação para Avaliação e Acreditação do Cuidado de Animais de Laboratório (Association for Assessment and Accreditation of Laboratory Animal Care International, em inglês), distingue anualmente contribuições inovadoras para a substituição, a redução e o refinamento (os chamados 3Rs) do uso de animais na ciência, tanto na academia como na indústria, apoiando o avanço ético da investigação. É atribuído em três categorias: Europa, África e Médio Oriente; América do Norte, América Central e América do Sul; e Ásia-Pacífico.

O prémio reconhece o trabalho desenvolvido por Alessio Vagnoni no MIA-Portugal, onde lidera o Grupo de Biologia Celular do Envelhecimento Neuronal, que investiga de que forma o tráfego intracelular influência a função neuronal e contribui para o envelhecimento saudável e a neurodegeneração.

Em particular, distingue a utilização da mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) que tem um papel essencial na investigação em biologia. O investigador explica que “embora o contributo fundamental dos organismos modelo invertebrados, como a mosca-da-fruta, para o avanço do conhecimento científico básico seja amplamente reconhecido, o seu papel essencial na substituição e redução da utilização de espécies animais protegidas na investigação permanece menos valorizado, embora seja igualmente vital”.

Um dos exemplos concretos desta utilização ética da mosca-da-fruta pode ser observado no artigo científico Tracking spatiotemporal distribution of organelle contacts in vivo with SPLICS reporters, publicado na revista Cell Death & Disease, editada pela Nature. Neste trabalho, a mosca-da-fruta foi usada para “rastrear, pela primeira vez, o movimento de compartimentos subcelulares específicos no sistema nervoso de um animal adulto vivo. Focámo-nos no comportamento ‘social’ das mitocôndrias – as fábricas de energia especializadas da célula – estudando como estabelecem ligações físicas com outros compartimentos celulares”, contextualiza Alessio Vagnoni.

“Refletir sobre o impacto ético da investigação é fundamental para uma ciência de qualidade. Essa reflexão influencia a perceção pública da experimentação animal e apoia a criação de políticas que promovam os princípios dos 3Rs”, sublinha o investigador.

O galardão foi entregue ontem, dia 12, numa cerimónia que decorreu em Long Beach, na Califórnia, durante o 76.º Encontro Nacional da Associação Americana de Ciência de Animais de Laboratório (American Association for Laboratory Animal Science).

Alessio Vagnoni vai receber 10 mil dólares para prosseguir com investigações orientadas para a substituição, a redução e o refinamento do uso de animais na ciência.

 

Dia Mundial da Diabetes, 14 de novembro
– António Guerra nasceu em 1964 e aos 11 anos foi diagnosticado diabetes tipo 1, tendo os médicos na altura dito que teria uma...

Atualmente com 61 anos, para além de se ter tornado fotógrafo, António também dá aulas de fotografia na Lisbon School of Desing. Engenheiro agrónomo de formação, a fotografia tronou-se a sua paixão e representa também um percurso de superação. “Disseram-me que em 7 anos poderia ficar cego e hoje estou aqui, consigo conduzir, sou mais do que independente e descobri a fotografia”, aponta, acrescentando que “não podemos deixar que a doença nos vença, temos que ter sempre uma atitude positiva”.

António sabe, por experiência própria, que “esta é uma doença silenciosa que nos pode tirar a vida e a visão”, mas apesar da sua gravidade, o que recomenda é “muito cuidado e, em termos de prevenção para os diabéticos, muitas visitas ao oftalmologista para despistes e controlo”. “Não devemos deixar de viver, mas temos que viver com cuidado e sempre alerta”, acrescenta.

Num cenário em que, só em Portugal, a diabetes é uma das principais causas de morte e incapacidade, sendo que a prevalência da doença continua a crescer, especialmente entre adultos com mais de 45 anos, a prevenção da Retinopatia Diabética é de extrema importância para controlar a doença oftalmológica que afeta aproximadamente um terço dos diabéticos, sendo que quase metade das pessoas com diabetes desconhece que tem a doença porque não vai ao oftalmologista com regularidade.

Por isso, e a propósito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no dia 14 de novembro, António Guerra decidiu juntar-se ao Grupo de Estudos da Retina, à Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, à Sociedade Portuguesa de Diabetologia, e à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal na campanha “Se vive com diabetes, vigie os seus olhos, proteja a sua visão, alertando para a importância da educação em saúde, da deteção precoce e da adoção de estilos de vida saudáveis.

A campanha já está disponível nas redes sociais e, em breve, terá mais abrangência. O protagonista da campanha é António Guerra, doente com retinopatia diabética que deixa o alerta: “Não podemos deixar que esta doença silenciosa nos vença. Quem tem diabetes deve ir regularmente ao oftalmologista”.

A campanha utiliza um medidor de glicémia “especial” que, para além de dar os valores de glicose no sangue, alerta para a importância do exame oftalmológico.

João Figueira, presidente do Grupo de Estudos da Retina-Portugal, aponta que “desenvolvemos esta campanha à volta deste medidor - que não existe na realidade - mas que recorda que todos os  diabéticos devem fazer um controle oftalmológico regular”. Para maior impacto, “a campanha em video utiliza, em vez de atores, um paciente com retinopatia diabética e uma médica oftalmologista” sublinha.

Pedro Menéres, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, salienta que “esta é uma das complicações mais graves e silenciosas da diabetes em Portugal. Dados do Programa Nacional para a Diabetes (DGS) indicam que entre 20% e 25% das pessoas com diabetes apresentam sinais de retinopatia, sendo esta a principal causa de cegueira evitável em idade ativa e um problema premente de saúde pública em Portugal.” afirma.

Daí ser fundamental alertar todos os doentes para que não basta medir a glicémia todos os dias. É fundamental que “todos os doentes com diabetes façam anualmente um exame ocular para rastreio de retinopatia diabética. Os doentes com diabetes tipo 1 devem começar o rastreio anual 5 anos depois do diagnóstico. Doentes com diabetes tipo 2 devem começar os exames anuais logo após o diagnóstico", acrescenta João Figueira.

No entanto, sempre que surja alguma alteração da visão, deve procurar-se um médico oftalmologista o mais rapidamente possível, para evitar a progressão da doença já que, como acrescenta João Filipe Raposo, diretor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, “mais de 1 milhão de pessoas vivem com diabetes em Portugal, mas com a doença bem controlada, com a tensão arterial e o colesterol dentro dos valores recomendados, e com um estilo de vida saudável, pode reduzir-se significativamente o risco de desenvolver complicações oculares”.

A campanha pode ser vista aqui: https://youtu.be/60ZSH7jxpNs

As fotografias do António Guerra podem ser vistas no Instagram: @toguerra0364

Recorde-se que, em 2024, a prevalência estimada da Diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (8,1 milhões de indivíduos) foi de 14,2%, isto é, cerca de 1,2 milhões de portugueses neste grupo etário tem diabetes. No mesmo ano, observou-se a existência de 781,8 novos casos da doença por cada 100 000 habitantes, assistindo-se a um aumento significativo da incidência da diabetes nos últimos 3 anos.

 

Universidade de Coimbra
A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), acaba de...

A equipa premiada é composta por Filipe Mira, investigador principal, e pelos investigadores colaboradores Ilda Ribeiro, Bárbara Oliveiros, Isabel Carreira e Rui Alves.

Segundo Filipe Mira, “este projeto propõe a identificação de variantes genéticas associadas à progressão para doença renal crónica terminal em doentes portugueses sem causa conhecida, tendo como propósito o desenvolvimento de um modelo de risco genético com aplicabilidade real na prática nefrológica nacional. Ao identificar assinaturas genéticas específicas da nossa população, poderá contribuir para um acompanhamento mais eficaz, equitativo e custo-efetivo dos doentes renais crónicos.”

Este ano, o prémio de investigação “ANADIAL-SPN” atribuiu também uma menção honrosa ao trabalho intitulado “The Neptune Study”, desenvolvido na Nova Medical School, pela equipa composta por David Navarro, investigador principal, e pelas investigadoras supervisoras Ana Carina Ferreira e Sofia Azeredo Pereira.

Segundo David Navarro, “em Portugal, a prevenção da DRC e a melhoria dos resultados clínicos com impacto real na progressão até ao estadio terminal são prioridades explícitas. Este estudo ataca precisamente este elo, antecipando o diagnóstico de envolvimento renal nos doentes com lúpus eritematoso sistémico, permitindo a monitorização não invasiva da resposta terapêutica com potencial para reduzir biópsias, internamentos e, em última análise, a progressão da DRC.”

O júri foi composto por Pedro Ponce, Artur Mendes, Ana Paiva e José Diogo Barata, indigitados pela Anadial, e ainda Manuela Almeida, Maria Guedes Marques e Ana Azevedo indigitados pela SPN.

O Prémio “ANADIAL-SPN”, de atribuição anual, visa promover a realização de estudos clínicos e avaliações epidemiológicas na área da Investigação em Insuficiência Renal Crónica, com particular relevância para a identificação de fatores de risco e intervenções preventivas da evolução da doença renal crónica. Informação adicional: www.anadial.pt

 

Dia Mundial da Diabetes, 14 de novembro
No dia 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes. A diabetes é uma doença crónica frequentemente associada aos seres...

A diabetes é uma condição em que o organismo não consegue produzir ou utilizar adequadamente a insulina, hormona responsável por regular a glicose no sangue. Nos animais, a doença pode surgir tanto em cães como em gatos, sendo mais comum em animais adultos e idosos. Alguns fatores de risco incluem obesidade, predisposição genética, doenças pancreáticas e determinados medicamentos.

Identificar a diabetes nos animais pode ser desafiante, pois os sintomas nem sempre são óbvios. Alguns sinais a observar incluem:

  • Sede e urina em excesso (polidipsia e poliúria)
  • Perda de peso apesar do apetite normal ou aumentado
  • Letargia ou cansaço
  • Mudanças de comportamento, como maior irritabilidade ou isolamento
  • Infeções recorrentes na pele ou no trato urinário

Detetar a doença precocemente faz a diferença para iniciar o tratamento adequado e evitar complicações.

História real: Um olhar sobre a prática clínica

Em maio de 2025, um gato adulto de oito anos foi internado no AniCura +Ani+ Hospital Veterinário com dificuldade respiratória severa e excesso de peso. Após estabilização respiratória, exames revelaram um quadro compatível com asma felina e valores consistentemente elevados de glicose e corpos cetónicos, levando ao diagnóstico de diabetes mellitus.

Tratava-se, portanto, de um caso de diabetes com a agravante de coexistir uma doença respiratória, cuja gestão clínica pode comprometer o controlo da diabetes: crises asmáticas exigem frequentemente o uso de corticoides, medicamentos essenciais para evitar episódios respiratórios, mas que aumentam a glicemia e dificultam a estabilização da diabetes.

Para equilibrar estes dois desafios, a equipa recorreu a uma abordagem personalizada, combinando terapêutica inalatória, redução gradual da corticoterapia oral, administração de insulina, dieta específica e controlo de peso. Após cinco dias de internamento e monitorização contínua, o animal teve alta e evoluiu positivamente, alcançando estabilidade respiratória e um melhor controlo da glicemia.

Este caso demonstra como o acompanhamento veterinário especializado permite gerir com sucesso doenças crónicas que se influenciam mutuamente, garantindo qualidade de vida ao animal.

“Com um plano de tratamento personalizado, monitorização constante e adaptação da alimentação, conseguimos que o animal mantenha uma vida ativa e feliz. A diabetes não precisa ser sinónimo de sofrimento”, afirma a Dra. Paula Couto, médica veterinária do AniCura +Ani+ Hospital Veterinário.

Administração correta de insulina, monitorização regular da glicemia, alimentação adequada e consultas regulares no veterinário são essenciais para controlar a doença e manter o bem-estar do animal. Além disso, a colaboração do cuidador é crucial para observar alterações no comportamento ou nos hábitos do animal e para ajustar o plano de cuidados conforme necessário.

12 de novembro | Dia Mundial da Pneumonia
Assinala-se a 12 de novembro o Dia Mundial da Pneumonia, doença que continua a ser a principal causa de mortalidade...

A taxa de mortalidade por pneumonia em Portugal é uma das mais elevadas da Europa, com valores superiores a 57 mortes por 100 mil habitantes, sendo responsável por, aproximadamente, 4,2% da mortalidade total no país. Em 2023, registaram-se cerca de 5042 óbitos por pneumonia, o que representa um aumento face ao ano anterior. “Esta mortalidade elevada está relacionada com o envelhecimento da população, o elevado número de comorbilidades e fatores de risco, como o tabagismo e a imunossupressão”, explica a médica pneumologista.

A pneumonia é ainda responsável por cerca de 80 internamentos hospitalares diários e, de acordo com Pilar Azevedo, apesar de os dados mostrarem “uma ligeira diminuição recente nas taxas de internamento, a prevalência continua elevada devido ao envelhecimento populacional e à persistência dos fatores de risco”. A idade média dos doentes internados por pneumonia é de 76,8 anos, sendo que a maioria apresenta pelo menos uma comorbilidade e 8,9% têm três ou mais comorbilidades associadas.

Idosos com idade igual ou superior a 65 anos (devido ao envelhecimento do sistema imunitário e comorbilidades frequentemente associadas), crianças (especialmente com idade inferior a dois anos), pessoas com doenças crónicas (como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crónica, diabetes e insuficiência renal, imunocomprometidos, incluindo portadores de HIV), pessoas com doença oncológica em tratamento, fumadores e doentes com história de alcoolismo são as populações mais suscetíveis. Estes grupos “têm também maior probabilidade de desenvolver complicações graves, como insuficiência respiratória, sepsis e consequente morte, caso a pneumonia não seja tratada precocemente”, alerta a médica pneumologista.

Quanto aos principais sintomas aos quais a população deve estar alerta, por indicarem “a necessidade de avaliação clínica para diagnóstico e tratamento adequado”, Pilar Azevedo destaca: febre alta persistente e calafrios, tosse produtiva (especialmente com expetoração purulenta, amarelada, esverdeada ou com sangue), dificuldade respiratória com sensação de falta de ar, dor no peito ao respirar fundo ou tossir, cansaço extremo, sudorese intensa, perda do apetite, confusão mental (particularmente em idosos que pode ser um sinal precoce de gravidade), incapacidade de permanecer ativo ou pioria rápida dos sintomas.

 

Em nome da SPP, a coordenadora da Comissão de Trabalho de Infecciologia Respiratória deixa ainda a recomendação de algumas medidas preventivas que podem ser adotadas para minimizar o impacto epidemiológico da pneumonia no nosso país:

- Vacinação antipneumocócica - cuja adesão nacional é alta nas crianças, mas em adultos ainda insuficiente para alcançar proteção de grupo ideal;

- Vacinação contra gripe anual: reduz o risco de pneumonia secundária após infecção viral;

- Promoção da higiene respiratória e das mãos para diminuir a transmissão;

- Combate ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool, fortalecendo a imunidade respiratória;

- Educação pública sobre o reconhecimento dos sintomas da pneumonia e a necessidade de recorrer ao médico.

 

Universidade de Coimbra
Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver o projeto BLINC – Melhores espaços verdes e azuis...

“Sabemos que os espaços verdes e azuis urbanos – como os parques – podem ser elementos centrais das paisagens urbanas, com um papel crucial na promoção do bem-estar e da saúde das populações. No entanto, não sabemos em que medida este impacto varia entre espaços e esse é um aspeto que pretendemos estudar neste projeto: ou seja, perceber quais os lugares que mais contribuem para o bem-estar da população”, revela o docente da Faculdade de Letras da UC (FLUC) e investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento (CEGOT) da UC, Ricardo Almendra.

“Não sabemos também quão conhecida é a biodiversidade que compõe os espaços verdes e azuis e de que modo a sua perceção influencia um usufruto regular e se esse usufruto se traduz em saúde e bem-estar”, refere a investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC), Anabela Marisa Azul.

A investigação centra-se na cidade de Coimbra e pretende “contribuir para o planeamento integrado de infraestruturas e espaços naturalizados em ambiente urbano que promovam melhor qualidade de vida e estilos de vida mais sustentáveis”, avança Ricardo Almendra. De forma a compreender como é que os cidadãos se relacionam com os espaços verdes urbanos em Coimbra, a equipa de investigação está a desenvolver diversas atividades com a população.

Durante o mês de novembro, vão ter lugar duas iniciativas. No dia 18 de novembro, vai decorrer um BioBlitz de Cogumelos, evento durante o qual “os participantes terão oportunidade de identificar cogumelos, abordar aspetos ecológicos, culturais, científicos sobre os fungos, e relacionar essas perceções com o modo como habitualmente desfrutam do espaço em que estarão a desenvolver esta atividade”, explica Anabela Marisa Azul. A atividade vai decorrer no Jardim da Sereia, a partir das 9h30. É dirigida a toda comunidade, sendo necessária inscrição prévia em https://arcg.is/0vbbPi0.

A segunda atividade vai decorrer ao longo do mês de novembro e “pretende medir os impactos da utilização de espaços verdes nos níveis de stress da população jovem que os utiliza”, adianta Ricardo Almendra. Para tal, em colaboração com a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC (FCDEFUC), vai ser realizada a medição de padrões de movimento e stress, através de amostras de saliva de pessoas que utilizem espaços verdes e azuis em Coimbra, como a Mata Nacional do Choupal e o Parque Verde do Mondego. Podem participar na atividade pessoas com entre 18 e 30 anos de idade, sem diagnóstico prévio de doenças cardiovasculares, respiratórias, metabólicas ou neuropsiquiátricas, e com capacidade para realizar uma caminhada. As inscrições para participação são feitas em https://forms.gle/wbkpnxjaoTuAzbF29.

A equipa de investigação do BLINC integra especialistas da Universidade de Coimbra das áreas de geografia, ecologia, arquitetura paisagística, biologia, bioquímica, medicina, políticas públicas e ciências do desporto.

O projeto BLINC é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios em Todos os Domínios Científicos.

 

Dia Mundial da Diabetes
A propósito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no dia 14 de novembro, pela primeira vez, 4 entidades da sociedade...

Pela primeira vez, o Grupo de Estudos da Retina, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, a Sociedade Portuguesa de Diabetologia, e a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal decidiram juntar-se na campanha “Se vive com diabetes, vigie os seus olhos, proteja a sua visão, alertando para a importância da educação em saúde, da deteção precoce e da adoção de estilos de vida saudáveis.

A campanha já está disponível nas redes sociais e, em breve, terá mais abrangência. O protagonista da campanha, António Guerra, tem retinopatia diabética e esteve quase a ficar cego. Por isso, deixa o alerta: “Não podemos deixar que esta doença silenciosa nos vença. Quem tem diabetes deve ir regularmente ao oftalmologista”.

A campanha utiliza um medidor de glicémia “especial” que, para além de dar os valores de glicose no sangue, alerta para a importância do exame oftalmológico.

João Figueira, presidente do Grupo de Estudos da Retina-Portugal, aponta que “desenvolvemos esta campanha à volta deste medidor - que não existe na realidade - mas que recorda que todos os  diabéticos devem fazer um controle oftalmológico regular”. Para maior impacto, “a campanha em video utiliza, em vez de atores, um paciente com retinopatia diabética e uma médica oftalmologista” sublinha.

A diabetes é uma das principais causas de morte e incapacidade no país, sendo que a prevalência da doença continua a crescer, especialmente entre adultos com mais de 45 anos. Por isso, as 4 entidades aliaram-se na prevenção da Retinopatia Diabética promovendo a importância de controlar a doença oftalmológica que afeta aproximadamente um terço dos diabéticos, sendo que quase metade das pessoas com diabetes desconhece que tem a doença.

De facto, apesar dos avanços recentes em relação ao diagnóstico e tratamento da doença ocular associada à diabetes, esta continua a ser a principal causa de cegueira na população ativa do mundo ocidental.

Pedro Menéres, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, salienta que “esta é uma das complicações mais graves e silenciosas da diabetes em Portugal. Dados do Programa Nacional para a Diabetes (DGS) indicam que entre 20% e 25% das pessoas com diabetes apresentam sinais de retinopatia, sendo esta a principal causa de cegueira evitável em idade ativa e um problema premente de saúde pública em Portugal.” afirma.

Daí ser fundamental alertar todos os doentes para que não basta medir a glicémia todos os dias. É fundamental que “todos os doentes com diabetes façam anualmente um exame ocular para rastreio de retinopatia diabética. Os doentes com diabetes tipo 1 devem começar o rastreio anual 5 anos depois do diagnóstico. Doentes com diabetes tipo 2 devem começar os exames anuais logo após o diagnóstico", acrescenta João Figueira.

No entanto, sempre que surja alguma alteração da visão, deve procurar-se um médico oftalmologista o mais rapidamente possível, para evitar a progressão da doença já que, como acrescenta João Filipe Raposo, diretor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, “mais de 1 milhão de pessoas vivem com diabetes em Portugal, mas com a doença bem controlada, com a tensão arterial e o colesterol dentro dos valores recomendados, e com um estilo de vida saudável, pode reduzir-se significativamente o risco de desenvolver complicações oculares”.

A campanha pode ser vista aqui: https://youtu.be/60ZSH7jxpNs

Recorde-se que, em 2024, a prevalência estimada da Diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (8,1 milhões de indivíduos) foi de 14,2%, isto é, cerca de 1,2 milhões de portugueses neste grupo etário tem diabetes. No mesmo ano, observou-se a existência de 781,8 novos casos da doença por cada 100 000 habitantes, assistindo-se a um aumento significativo da incidência da diabetes nos últimos 3 anos.

 

Dia Mundial do Queratocone
Diagnóstico precoce permite travar a progressão da doença e preservar a visão.

No dia 10 de novembro assinala-se o Dia Mundial do Queratocone, uma doença progressiva da córnea que afeta sobretudo jovens e que, se não for diagnosticada e tratada precocemente, pode comprometer gravemente a visão.
 
A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia associa-se a esta data para alertar para a importância do diagnóstico precoce, da realização de exames oftalmológicos regulares e da divulgação das opções terapêuticas atualmente disponíveis, como o crosslinking corneano, os anéis intracorneanos e o transplante de córnea em casos mais avançados.
 
O diagnóstico e tratamento atempados são essenciais, uma vez que existem atualmente terapêuticas eficazes que permitem travar a progressão da doença.
 
Estima-se que o queratocone afete entre 1 em cada 500 a 1.000 pessoas, embora estudos mais recentes, com recurso a tecnologias de diagnóstico mais sensíveis, sugiram uma prevalência até dez vezes superior. A doença tende a surgir na adolescência ou no início da idade adulta e apresenta uma evolução variável, podendo estabilizar espontaneamente ou progredir rapidamente, comprometendo gravemente a visão.
 
É fundamental aumentar a consciencialização sobre esta patologia, que pode afetar significativamente a qualidade de vida dos doentes, e reforçar o papel da Oftalmologia na prevenção, diagnóstico e tratamento do queratocone em Portugal.
 

 

A Europa tem de agir já
O cancro é a segunda principal causa de morte no continente Europeu, com 2,7 milhões de pessoas diagnosticadas e 1,3 milhões de...

A Rede Europeia de Centros Compreensivos de Cancro (EUnetCCC) divulgou hoje o White Paper: Libertar o Potencial da Futura Rede de Centros Compreensivos de Cancro, na 1ª Reunião Anual da EUnetCCC, em Paris, um documento histórico que apresenta uma visão concreta de como a Europa pode ofercer cuidados oncológicos equitativos e de alta qualidade para todos os seus cidadãos, independentemente da sua localização geográfica.

O cancro é a segunda principal causa de morte na Europa, responsável pela morte de 1,3 milhões de pessoas por ano e afetando 2,7 milhões de pessoas. O relatório apresenta um conjunto de recomendações que se traduz num cenário alarmante: se não forem tomadas medidas ousadas e coordenadas, as desigualdades entre países e regiões no que toca a prevenção, diagnóstico, tratamento e acesso a um sistema capaz de satisfazer as ambições europeias continuarão a aumentar.

Da ambição à permanência: garantindo o futuro da rede

O White Paper salienta que a atual Ação Conjunta da EUnetCCC terminará em 2028 e que o seu sucesso depende da transformação da rede numa infraestrutura europeia permanente e bem consolidada. O relatório adverte que, sem uma ação política decisiva, a Europa corre o risco de perder a mobilização sem precedentes alcançada até agora.

Para garantir o futuro da Rede, o White Paper estabelece as principais prioridades em matéria de políticas e investimentos:

•          Reconhecer a rede CCC da EU como uma prioridade estratégica e instrumento fundamental para implementar o Plano Europeu de Luta Contra o Cancro, a Missão Contra o Cancro, e criar efetivamente um Sistema de Saúde Europeu.

•          Posicionar a rede como uma plataforma unificadora e estruturada para implementar e ampliar as iniciativas da UE em matéria de cancro, para melhorar a competitividade da UE no setor da saúde e da inovação;

•          Assegurar uma base institucional e jurídica clara para a rede no âmbito da UE, a fim de garantir a sua sustentabilidade e elegibilidade para o apoio a longo prazo.

•          Estabelecer um mecanismo de governação de alto-nível, envolvendo a Comissão Europeia, os Estados-Membros e as principais partes interessadas para supervisionar a orientação estratégica e a coordenação da rede.

•          Assegurar um financiamento específico e a longo prazo da UE no futuro Fundo de Competitividade para apoiar a coordenação, manutenção e desenvolvimento da rede.

•          Estabelecer regimes de subvenções específicas da UE para apoiar o desenvolvimento de certificação e o reforço das capacidades dos CCC em desenvolvimento ou transição.

•          Garantir financiamento específico para o envolvimento dos doentes e Associações de Doentes a nível da rede e dos centros (incluindo remuneração, custos de participação, reforço das capacidades, ect.)

Ao centralizar conhecimentos especializados e reunir recursos além-fronteiras, a rede reduzirá a fragmentação, otimizará o investimento e acelerará a disponibilização de novos tratamentos. Proporcionará também uma plataforma fiável para iniciativas de saúde à escala da UE, incluindo medicina personalizada, inteligência artificial e ensaios clínicos transfronteiriços

O White Paper está disponível em: https://eunetccc.eu/files/pressKit/2025/November/eunetccc-white-paper.pdf

 

Estudo histórico quebra barreiras
Investigação internacional revela que a supervisão de exercício aumenta a massa muscular e é essencial para o tratamento.

O exercício aeróbico e de resistência pode melhorar significativamente o desempenho físico em doentes a viver com cancro da mama metastático, de acordo com novos resultados apresentados hoje (sexta-feira) na Oitava Conferência Internacional de Consenso sobre Cancro da Mama Avançado (ABC8).

Anne May, Professora de Epidemiologia Clínica da Sobrevivência ao Cancro no Centro Médico Universitário de Utrecht e no Instituto Holandês do Cancro, Países Baixos, apresentou novos resultados [1] do estudo PREFERABLE-EFFECT [2] que mostraram que um programa de exercício supervisionado de nove meses melhorou a massa muscular e a força muscular, particularmente nos braços e pernas, e o desempenho físico em doentes com cancro da mama que se tinha espalhado para outras partes do corpo (metastizado).

“Até agora, havia poucas evidências de que o exercício físico melhora a massa e força muscular em doentes com cancro metastático, em parte por serem frequentemente excluídos dos estudos”, explicou a Professora May. “A doença, os tratamentos e a inatividade contribuem para a perda de massa muscular esquelética, afetando negativamente a composição corporal e o desempenho funcional.”

“A baixa massa muscular, causada pela quimioterapia ou pela hormonoterapia, está associada a maior toxicidade dos tratamentos, reduções de dose e pior prognóstico. O exercício já demonstrou benefícios em doentes com doença não metastática. O PREFERABLE-EFFECT é o maior estudo a avaliar a viabilidade e eficácia do exercício em doentes com cancro da mama avançado.”

Este ensaio clínico internacional, randomizado e controlado, decorreu em seis países (cinco europeus e Austrália), com 357 doentes com cancro da mama metastático em estado IV recrutados entre 2019 e 2022, a maioria a receber tratamento de 1ª ou 2ª linha e 74% com metástases nos ossos. Metade recebeu cuidados padrão; a outra metade participou num programa de exercício supervisionado durante nove meses, com treino aeróbico, de força e equilíbrio. Todos os participantes usaram um activity tracker [3] e receberam aconselhamento para manterem 30 minutos diários de atividade física.

Após seis meses, o grupo de exercício registou melhorias significativas no desempenho físico, equilíbrio e força muscular. A massa magra corporal e a massa muscular nos membros aumentaram, ao contrário do grupo de controlo. Aos três meses, a massa muscular era, em média, 0,79 kg superior no grupo de exercício. O índice de massa muscular esquelética também melhorou. Não houve diferenças relevantes na gordura corporal total.

 

A Prof. May destacou que o equilíbrio melhorou, fator crucial para prevenir quedas, especialmente em doentes com metástases ósseas. “A baixa massa muscular e a neuropatia induzida pela terapia aumentam o risco de quedas e fraturas.” “Uma das nossas doentes, antes de iniciar o estudo, tinha problemas de equilíbrio e não conseguia entrar e sair de um autocarro; após ter realizado o exercício supervisionado, o problema desapareceu; agora é de novo capaz de utilizar o autocarro, o que para ela significa autonomia para ir à biblioteca. Estes resultados reforçam a importância de integrar o exercício supervisionado, com componente de resistência, nos cuidados oncológicos de doentes com cancro da mama metastático”, concluiu.

A ABC Global Alliance lançará em 2026 um Centro de Recursos de Atividade Física, com vídeos, guias e links adaptados a diferentes tipos de metástases, sintomas e níveis de aptidão. É destinado a doentes, cuidadores e profissionais de saúde e de exercício.

Isabelle Aloi-Timeus, fisioterapeuta oncológica e presidente da Salvati AC (México), coordena o grupo de trabalho responsável pelo projecto. “Como Fisioterapeuta tenho visto como o exercício traz benefícios comprovados, mas deve ser personalizado, supervisionado e seguro”, afirmou.

Eva Schumacher-Wulf, doente com ABC metastático e editora da revista Mamma Mia!, reforçou: “Todos sabemos como o exercício é importante – para a qualidade de vida mas provavelmente também para o prognóstico. No entanto, nem todos os programas são adequados para quem vive com cancro avançado. Precisamos de abordagens direcionadas.”

A Professora Fátima Cardoso, Presidente da ABC Global Alliance, concluiu: “No tratamento do cancro da mama avançado, o difícil equilíbrio entre qualidade e duração de vida é fundamental. Melhorar a qualidade de vida é tão essencial quanto desenvolver novos tratamentos. Esta investigação liderada pela Professora Anne May, é um avanço importante e capacita os doentes a recuperar algum controlo sobre a sua vida.”

 

[1] Apresentação convidada, ‘Exercício e composição corporal’, por Anne May, na sessão ‘Melhorar a qualidade de vida de doentes a viver com ABC’, Auditório 1, 09:35-10:40 GMT, Sexta-feira, 7 de Novembro. 

[2] “PREFERABLE” é um Projeto sobre Exercício para a Erradicação da Fadiga no Cancro da Mama Avançado para melhorar a Qualidade de Vida (Project on Exercise for Fatigue Eradication in Advanced Breast to improve quality of Life). “EFFECT” são os Efeitos do exercício em doentes com cancro da mama metastático (Effects of exercise in patients with metastatic breast cancer). 

[3] Fitbit.

 

Opinião
A malnutrição associada à doença é um problema de saúde pública grave que afeta milhares de portugue

O que é a Malnutrição

A malnutrição, caracteriza-se por um desequilíbrio entre as necessidades nutricionais do organismo e a ingestão ou absorção de nutrientes. No contexto hospitalar, esta condição manifesta-se frequentemente como malnutrição associada à doença, onde o processo patológico aumenta as necessidades nutricionais, que associado a um processo inflamatório, compromete a capacidade do doente se alimentar adequadamente.​

A malnutrição não afeta apenas o peso corporal. As suas manifestações incluem perda de massa muscular (sarcopenia), diminuição da força física, compromisso do sistema imunitário, cicatrização mais lenta de feridas, e deterioração da função cognitiva. Estes sinais são frequentemente interpretados erroneamente como consequências normais do envelhecimento ou da doença subjacente, quando na realidade representam uma condição tratável e reversível.

 

Incidência em Portugal

Em Portugal, a prevalência de risco nutricional em adultos internados nos hospitais atinge cerca de 28% a 42%, sendo que pode ser ainda mais elevado em especialidades de risco, com as enfermarias de Medicina Interna (chegando a 51%), com fatores como admissões prévias e comorbilidades múltiplas a aumentarem o risco.

Estes valores são particularmente preocupantes quando consideramos que Portugal possui uma das populações mais envelhecidas da Europa. A população idosa, especialmente aqueles com fragilidade ou múltiplas doenças crónicas, constitui o grupo de maior risco para o desenvolvimento de malnutrição. Estudos nacionais demonstram que entre idosos institucionalizados, 63,6% apresentam sinais de malnutrição ou risco de malnutrição

Estima-se que existam cerca de 115 mil doentes em risco ou malnutridos que necessitam de suporte nutricional, com dois em cada quatro adultos hospitalizados afetados – o dobro da média europeia.

 

Consequências Clínicas e Económicas

As consequências da malnutrição não tratada são devastadoras tanto para os doentes como para o sistema de saúde. Dados do estudo realizado na ULS Santo António demonstram que os doentes com risco nutricional que não receberam suplementação nutricional apresentaram um risco de morte intra-hospitalar 3 vezes superior comparativamente aos doentes sem risco nutricional.

As consequências não se limitam ao período de internamento. A malnutrição aumenta significativamente o risco de quedas e fraturas devido à perda de massa e força muscular, promove maior suscetibilidade a infeções com maior duração e gravidade devido ao compromisso do sistema imunitário, contribui para o declínio cognitivo e perda de autonomia, aumenta as taxas de reinternamento hospitalar, e prolonga significativamente o tempo de recuperação.

Do ponto de vista económico, o impacto é igualmente substancial. Estima-se que os custos associados à malnutrição para o Serviço Nacional de Saúde ultrapassem os 225 milhões de euros anuais. Os doentes com risco nutricional apresentam custos hospitalares 79% superiores, sendo que os custos de hospitalização diária representam o principal contributo para este aumento. Estes custos adicionais decorrem não apenas do tratamento direto da malnutrição, mas principalmente do aumento do tempo de internamento, da maior incidência de complicações, da necessidade de mais medicamentos (especialmente antibacterianos), e das readmissões hospitalares frequentes.

 

A Importância da Intervenção Nutricional

A boa notícia é que a malnutrição é uma condição reversível quando identificada e tratada adequadamente. O estudo da ULS Santo António demonstrou de forma inequívoca que a suplementação nutricional adequada neutralizou eficazmente o risco elevado de morte associado à malnutrição. Os doentes com risco nutricional que receberam suplementação apresentaram taxas de mortalidade comparáveis aos doentes sem risco nutricional, evidenciando o enorme potencial da intervenção nutricional.

A evidência económica internacional e as orientações de organização da nutrição hospitalar reforçam que estratégias sistemáticas de rastreio e suporte nutricional são custo‑efetivas e prioritárias para sistemas de saúde.

Estudos demonstram que a suplementação nutricional oral precoce melhora o risco de mortalidade, sendo que basta tratar 37 pessoas para evitar uma morte. Contudo dado a dificuldade que existe em os doentes arranjarem uma cama hospitalar, sendo que em muitos hospitais podem passar vários dias internados no serviço de urgência, essa janela de oportunidade perde-se, agravando ainda mais o estado nutricional.

 

A Baixa Codificação do Diagnóstico Hospitalar

Apesar da elevada prevalência, menos de 10% dos casos de risco nutricional são codificados com ICD-10 nas altas hospitalares, contrastando com os 28-42% detetados por rastreio sistemático. Esta subcodificação reflete a falta de implementação efetiva do rastreio obrigatório desde 2019, subestimando o problema e limitando a alocação de recursos e políticas públicas.

Estudos internacionais confirmam que esta não é uma realidade exclusivamente portuguesa, demonstrando que a codificação de malnutrição baseada apenas na impressão clínica dos médicos apresenta concordância muito baixa com ferramentas de rastreio validadas.

 

Rastreio e Avaliação Nutricional

Desde 2019, o rastreio da malnutrição está implementado eletronicamente a nível hospitalar em Portugal, através de ferramentas validadas como o Nutritional Risk Screening 2002 (NRS-2002). Este instrumento permite identificar precocemente os doentes em risco nutricional nas primeiras 48 horas de internamento, possibilitando uma intervenção atempada.​

Contudo, urge a implementação efetiva do rastreio nutricional nos Cuidados de Saúde Primários, conforme já legislado pelo Despacho n.º 9984/2023. A deteção precoce da malnutrição no ambulatório permitiria prevenir complicações e evitar internamentos hospitalares, representando uma estratégia mais custo-efetiva.

 

O Problema da Acessibilidade

Um dos maiores obstáculos ao tratamento adequado da malnutrição em Portugal é a falta de acessibilidade equitativa à terapêutica nutricional. As diretrizes europeias da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) recomendam claramente que o suporte nutricional iniciado durante o internamento hospitalar deve ser continuado durante pelo menos um mês após a alta, no contexto de ambulatório, para garantir a recuperação nutricional completa e prevenir o reinternamento.

 

Em Portugal, e ao contrário da maioria dos restantes países europeus, a acessibilidade aos suplementos nutricionais orais - primeira linha terapêutica efetiva e não invasiva para reverter a malnutrição - só existe gratuitamente a nível hospitalar.​

No ambulatório e domicílio, os suplementos nutricionais orais são produtos de venda livre sem qualquer comparticipação associada, o que promove uma grave iniquidade no acesso à terapêutica nutricional. Esta situação é particularmente dramática para idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconómica, que enfrentam dificuldades para manter uma nutrição adequada após a alta hospitalar devido a limitações financeiras.​

Esta descontinuidade entre o ambiente hospitalar e o ambulatório cria uma barreira crítica à recuperação nutricional dos doentes. Quando um doente recebe alta hospitalar após ter iniciado suplementação nutricional durante o internamento, deveria manter essa terapêutica por pelo menos um mês para consolidar os ganhos obtidos. Contudo, muitos doentes, especialmente idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconómica, não conseguem suportar os custos elevados destes produtos, interrompendo precocemente o tratamento e comprometendo a sua recuperação.

Recentemente, no dia 4 de março de 2025, o Ministério da Saúde criou o regime excecional de comparticipação para a nutrição entérica (Portaria n.º 82/2025/1), sendo um primeiro passo importante, embora chegado a Novembro, esta medida ainda não foi aplicada na prática. Além disso, a exclusão numa primeira fase dos suplementos nutricionais orais no regime de comparticipação representa oportunidade desperdiçada, uma vez que são a primeira linha terapêutica. A sua não inclusão apenas irá prolongar e agravar estados de malnutrição, não permitindo a otimização dos cuidados nutricionais.​

 

O Caminho a Seguir

A luta contra a malnutrição exige uma ação concertada e multidisciplinar. São necessárias várias medidas urgentes: implementação efetiva do rastreio nutricional sistemático em todos os níveis de cuidados de saúde, formação adequada dos profissionais de saúde para reconhecimento e codificação da malnutrição, garantia de acesso equitativo à terapêutica nutricional através da comparticipação de suplementos nutricionais orais, desenvolvimento de equipas multidisciplinares de nutrição clínica em todos os hospitais, e sensibilização da população para os sinais de alerta da malnutrição.​

A 7ª edição da Semana da Sensibilização para a Malnutrição, que decorrerá de 10 a 16 de novembro de 2025, com o mote "Acessibilidade equitativa à nutrição clínica", representa um momento crucial para unir esforços em torno destas questões fundamentais. Esta iniciativa, promovida pela Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP) e integrada na campanha internacional ONCA (Optimal Nutritional Care for All), pretende consciencializar profissionais de saúde, doentes, cuidadores e decisores políticos para a importância da malnutrição e das suas implicações.​

A malnutrição não é uma consequência inevitável da doença ou do envelhecimento - é uma condição clínica tratável e reversível que merece a nossa atenção urgente. Ao investir na nutrição dos grupos mais vulneráveis, estaremos não só a promover a sua saúde e bem-estar, mas também a reduzir custos associados a complicações e reinternamento, criando uma sociedade mais justa e saudável.​

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
5.ª edição do Prémio Maria de Sousa
Neuza Domingues, Bruna Meira, Ângela Fernandes, Diogo Carneiro e Catarina Lopes são os vencedores da 5.ª edição do Prémio Maria...

Já são conhecidos os cinco vencedores da 5.ª edição do Prémio Maria de Sousa, atribuído pela Ordem dos Médicos e pela Fundação Bial. Criado em homenagem à imunologista e grande investigadora Maria de Sousa, o Prémio pretende distinguir e apoiar jovens investigadores portugueses, com idade igual ou inferior a 35 anos, em projetos na área das ciências da saúde.

O Prémio representa um valor total de até 150 mil euros, a ser distribuído por um máximo de cinco projetos de investigação. Cada projeto selecionado pode receber até 30 mil euros.

Neuza Domingues, investigadora do MIA-Portugal – Multidisciplinary Institute of Ageing da Universidade de Coimbra, foi distinguida pelo projeto “Lisossomas nucleares: desvendar a comunicação entre lisossomas e o núcleo”, que incluirá um estágio na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Este projeto pretende investigar os mecanismos moleculares que regulam os contactos entre a membrana do lisossoma e a do núcleo, identificando as proteínas envolvidas e compreendendo como influenciam a função celular em condições de stress ou doença. O lisossoma é um organelo essencial para a digestão de outros organelos e moléculas danificadas e um dos mais afetados durante o envelhecimento celular. Para além de libertar as células de elementos tóxicos, modula vias de sinalização e a função de outros organelos.

Recorrendo a modelos de disfunção lisossomal e nuclear e a células humanas “jovens” e “envelhecidas”, este projeto vai explorar de que forma a comunicação lisossoma–núcleo contribui para a manutenção da homeostase celular e poderá abrir novas perspetivas terapêuticas em doenças relacionadas com o envelhecimento, como as neurodegenerativas e as distrofias musculares.

O projeto de Bruna Meira, do Champalimaud Centre for the Unknown / Champalimaud Research and Clinical Centre / Neuropsychiatry Unit, intitulado “FOSI: Compreender os mecanismos de freezing da marcha usando a estimulação cerebral profunda”, vai estudar por que motivo algumas pessoas com doença de Parkinson, de repente, não conseguem dar um passo em frente mesmo quando querem andar - um fenómeno conhecido como freezing da marcha.

O estudo procura compreender melhor o que acontece no cérebro nesses momentos, testando diferentes formas de estimulação cerebral profunda - um tratamento com recurso a um aparelho que funciona como um “marcapasso” para o cérebro e ajuda a controlar muitos dos sintomas da doença - e analisando como estas influenciam a forma de andar e a atividade elétrica cerebral.

Com este trabalho, que inclui um estágio na Neurological Clinic and Polyclinic do Würzburg University Hospital, na Alemanha, pretende-se perceber por que razão este tratamento melhora a marcha em alguns casos e noutros pode agravá-la, contribuindo para tornar as terapias mais eficazes e adaptadas a cada pessoa. Os resultados poderão ajudar as pessoas com doença de Parkinson a manter a mobilidade, reduzir quedas e viver com mais confiança e qualidade de vida.

O projeto de Ângela Fernandes, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, intitulado “Adoçar o ataque tumoral: glicoengenharia de neoantigénios para potenciar a resposta de células T CD8+ contra o cancro colorretal”, pretende estudar de que forma a presença ou ausência de açúcares complexos (glicanos) à superfície das células tumorais pode influenciar a resposta imunológica.

Com uma componente de estágio no Centro de Investigação Científica Isla de la Cartuja – Instituto de Investigação Química do CSIC-Universidade de Sevilha, em Espanha, o objetivo do projeto é desenvolver uma nova terapia ou vacina em que os glicanos alterados serão usados como elemento-chave para educar uma melhor resposta das células T, potenciando a destruição das células do cancro colorretal (CCR).

Um dos maiores desafios no CCR é a sua heterogeneidade e capacidade de escapar ao sistema imunitário, tornando muitas terapias pouco eficazes. Este projeto irá explorar se o perfil de glicanos presentes nas células tumorais é capaz de modular a resposta imunitária. Irá também avaliar os benefícios da reprogramação desses glicanos e perspetivar a criação de uma nova vacina que possa melhorar a resposta imunitária e combater a progressão tumoral.

Diogo Reis Carneiro, investigador do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, com o projeto “CaInPark – Interocepção cardiovascular: dos fundamentos neuroanatómicos à disrupção na doença de Parkinson”, pretende estudar como a ligação entre o cérebro e os órgãos do corpo que sentimos a funcionar - designada interocepção - fica afetada na doença de Parkinson.

A investigação, que inclui um estágio no Dysautonomia Center, Division of Neurobiology, Medical University of Innsbruck, na Áustria, vai avaliar participantes com a doença através de escalas que medem aspetos interoceptivos, emocionais e sintomas de vários sistemas do corpo, recolhendo dados de imagem, atividade elétrica cerebral e sinais corporais que indiciam modificação da resposta cardíaca, respiratória e termorregulatória.

Baseando-se na hipótese de que esta comunicação entre cérebro e corpo é disfuncional na doença de Parkinson, o projeto visa caracterizar essa alteração através de uma abordagem neuroanatómica multimodal.  Este estudo poderá também abrir caminho a novas terapias de modulação interoceptiva não farmacológicas, como o mindfulness ou o biofeedback respiratório, com potencial para melhorar o bem-estar e reduzir sintomas numa população com poucas opções terapêuticas.

O projeto de Catarina Lopes, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, intitulado “SNIFF: Compostos orgânicos voláteis em saliva para deteção não invasiva de cancro gástrico”, procura desenvolver um método simples e rápido para detetar precocemente o cancro do estômago, através da análise de pequenas moléculas libertadas pelo corpo, designadas por “compostos voláteis”.

Estas moléculas podem ser encontradas em amostras fáceis de recolher, como a saliva ou a urina, e poderão permitir a criação de um “nariz eletrónico” capaz de identificar pessoas com maior risco de cancro gástrico, encaminhando-as para diagnóstico atempado.

O trabalho, que inclui um estágio na Medical University of Gdańsk, na Polónia, visa criar uma ferramenta não invasiva, de baixo custo e escalável, que permita identificar quem deve ser encaminhado para o rastreio precoce do cancro do estômago - uma doença ainda muitas vezes detetada tardiamente -, contribuindo para aumentar o diagnóstico precoce em Portugal e abrindo caminho a novos métodos de rastreio adaptáveis a outras doenças gastrointestinais e crónicas.

A cerimónia de entrega do Prémio Maria de Sousa, na sua 5ª edição, ocorreu ontem, pelas 15:30, na Ordem dos Médicos, em Lisboa.

Os trabalhos vencedores foram escolhidos por um Júri presidido pelo neurocientista Rui Costa, presidente e diretor executivo do Allen Institute, nos Estados Unidos, que estará presente na cerimónia de entrega.

 

 

Estudo da ESTeSC-IPC
Um estudo realizado pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC) revelou que 29% das...

O estudo “Preschool Hearing Screening: Nineteen Years of the Coração Delta Project in Campo Maior, Portugal”, publicado na revista Audiology Research, analisa os resultados de dezanove anos de rastreios audiológicos realizados por docentes e estudantes da ESTeSC-IPC em Campo Maior, ao abrigo de um protocolo com a associação Coração Delta. Durante este período, foram realizados rastreios a 1068 crianças, com idades entre os cinco e os seis anos. Dessas, 310 (29 por cento) apresentaram algum tipo de problema audiológico. As ocorrências mais frequentemente registadas foram alterações no timpanograma, manifestadas unilateralmente em 104 crianças (9,7%) e bilateralmente em 81 crianças (7,6%).

“Embora os rastreios auditivos neonatais estejam largamente implementados em Portugal, a prevalência de alterações auditivas quase duplica em idade pré-escolar”, explica Margarida Serrano, docente da ESTeSC-IPC e coordenadora do estudo (que conta também com a participação da docente da ESTeSC-IPC, Cláudia Reis, e dos estudantes de licenciatura em Audiologia, Joana Pereira, Joana Teixeira, João Mendes e Mariana Pereira). A investigadora explica que estas alterações podem manifestar-se através de perda de audição (que se revela tardiamente) ou de uma sensação de “som abafado” e longínquo, provocada pela presença de secreções no ouvido médio.

Estas disfunções dificilmente são detetadas por pais e professores, mas podem ter um impacto negativo na aprendizagem escolar. “No processo de aprendizagem da leitura, é essencial ter uma audição clara”, frisa Margarida Serrano, acrescentando que “a deteção precoce destes problemas é essencial para um desempenho académico de sucesso”.

Cerca de 91% das crianças observadas pelo otorrinolaringologista no local do rastreio foram encaminhadas para uma avaliação hospitalar formal, uma vez que foram confirmadas patologias ou necessidades de saúde que exigiam intervenção médica.

“Estes dados demonstram, uma vez mais, a importância da realização de rastreios audiológicos em cuidados de proximidade”, frisa Margarida Serrano, lembrando o impacto que as dificuldades audiológicas não detetadas podem representar a longo prazo. “Um estudo recentemente publicado na revista Lancet mostra que a baixa literacia é o principal fator de risco de declínio cognitivo em idade jovem”, aponta. “O papel do audiologista é fundamental para despistar eventuais problemas audiológicos, que comprometem a aprendizagem à entrada no ensino básico e, consequentemente, a capacidade cognitiva no futuro”, defende.

Desde 2007 que, anualmente, a ESTeSC-IPC colabora com a associação Coração Delta, realizando rastreios audiológicos a todas as crianças que ingressam no 1º ano de escolaridade no concelho de Campo Maior. O protocolo prevê a realização de três avaliações: otoscopia (para analisar a presença de cerúmen), timpanograma (para avaliar a membrana timpânica e o ouvido médio) e rastreio de audição. Todas as crianças que apresentam algum tipo de desvio são, imediatamente, observadas por um otorrinolaringologista, presente no local.

 

Fique a saber
Durante este mês, tem-se verificado um aumento de vírus como rinovírus, adenovírus ou vírus sincicia

“Antecipar a vacinação é uma estratégia fundamental. O sistema imunitário demora entre duas a quatro semanas a desenvolver uma resposta protetora após a administração da vacina. Esta antecipação permite que a população de risco chegue ao pico epidémico da gripe com as defesas consolidadas, o que diminui a incidência de complicações respiratórias, reduz os internamentos hospitalares e contribui para evitar a sobrecarga dos serviços de urgência”, explica Pablo Turrión, diretor médico do Hospital Universitário Sanitas La Moraleja.

O impacto destas infeções vai muito além da dimensão clínica. Em pessoas idosas, sintomas como a febre, a fadiga e a dificuldade respiratória tendem a provocar a perda de autonomia, diminuição da atividade física e limitação da vida social.

“Em muitos casos, estas infeções atuam como elementos desencadeadores de outros problemas de saúde já presentes, como a descompensação de doenças cardiovasculares ou respiratórias crónicas. Além disso, a hospitalização por uma infeção respiratória aumenta o risco de deterioração cognitiva e perda de massa muscular”, afirma Miriam Piqueras, diretora médica da Sanitas Mayores, empresa ibérica pertencente à seguradora BUPA.

Perante esta situação, os especialistas recomendam:

  • Manter hábitos que reforcem o sistema imunitário. Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, cereais integrais e proteínas de qualidade, fornece os micronutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo. A isto soma-se a importância de um sono reparador, essencial a regeneração celular, e da prática regular de exercício físico moderado, que ajuda a manter o corpo ativo e resistente às infeções;
  • Ventilar e humidificar os espaços fechados (mantendo os dispositivos limpos para evitar fungos ou bactérias). No outono, aumenta o tempo que se passa em ambientes fechados, o que aumenta a exposição a agentes patogénicos em ambientes pouco ventilados. Abrir as janelas pelo menos dez minutos por dia, usar humidificadores e evitar a acumulação de pó melhora a qualidade do ar e dificulta a propagação de vírus respiratórios;
  • Reforçar a higiene das mãos e o uso de máscara em espaços com muita afluência. Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou recorrer a soluções à base de álcool, continua a ser um dos métodos mais eficazes para travar a transmissão de infeções. Em contextos de elevada concentração de pessoas – como transportes públicos, centros de saúde ou eventos sociais –, o uso de máscara acrescenta uma camada adicional de proteção, especialmente relevante para pessoas imunodeprimidas ou com doenças respiratórias crónicas;
  • Consultar um especialista no caso de sintomas persistentes. Febre persistente, tosse intensa ou dificuldade respiratória não devem ser desvalorizados. A avaliação médica permite também detetar coinfecções ou complicações, como pneumonia ou exacerbações de DPOC e asma, que podem alterar a resposta do sistema imunitário.

 

As infeções precoces são também relevantes porque podem influenciar a forma como o sistema imunitário responde à gripe e a outros vírus sazonais. Em alguns casos, a exposição prévia a determinados vírus respiratórios pode intensificar a inflamação ou agravar a severidade dos sintomas posteriores, tornando o acompanhamento clínico e o atendimento individualizado fundamentais”, conclui Pablo Turrión.

 

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Opinião
O cancro do pâncreas surge quando as células desta glândula abdominal crescem de forma descontrolada

Números que Exigem Ação Urgente

As estatísticas são alarmantes. Ao contrário de outros tumores, a sua incidência e mortalidade têm vindo a aumentar, sendo já a quarta causa de morte por cancro. Em Portugal, em 2021, foram diagnosticados 1378 novos casos, com um número de mortes praticamente sobreponível. As projeções indicam que, até 2035, se tornará a segunda principal causa de morte por cancro no nosso país e no resto do mundo, traduzindo um aumento de 51%.

A elevada mortalidade está ligada ao diagnóstico tardio: cerca de 80% dos doentes são diagnosticados em fases avançadas, quando a cirurgia — o único tratamento com intenção curativa — já não é viável. Consequentemente, a taxa de sobrevivência global a 5 anos é cerca de 13%, mas varia significativamente com o estadio da doença no momento do diagnóstico; pode chegar a 44% na doença localizada, mas cai drasticamente para 3% na doença metastizada.

 

Fatores de Risco e Sinais de Alerta

Embora a idade e a genética sejam fatores de risco que não podemos alterar, muitos outros estão ligados ao estilo de vida e podem ser modificados por cada um de nós:

  • Tabagismo: É o principal fator, duplicando a probabilidade de desenvolver a doença.
  • Obesidade e Excesso de Peso: Aumentam o risco em cerca de 20%.
  • Diabetes: Duplica o risco deste tumor, especialmente se surgir de forma súbita após os 50 anos, e pode ser um sinal precoce da doença.
  • Dieta rica em açúcares refinados, gorduras, carnes vermelhas e produtos processados.
  • Pancreatite crónica: muitas vezes associada ao consumo excessivo de álcool e tabaco.

 

A história familiar de vários casos de cancro do pâncreas e certas doenças genéticas podem constituir um grupo de alto risco com indicação para rastreio em centros de referência, com o objetivo de diagnosticar a doença mais precocemente.

Infelizmente, os sintomas são muitas vezes tardios e vagos, incluindo dor abdominal que pode irradiar para as costas, perda de peso inexplicável, alterações digestivas – indigestão, vómitos e diarreia, aparecimento súbito ou descompensação de diabetes e icterícia (pele e olhos amarelados).

 

Diagnóstico, Tratamento e Esperança

O diagnóstico é feito por exames de imagem, como a Tomografia Computorizada (TC) ou a Ressonância Magnética (RM), e confirmado por biópsia. O tratamento é multidisciplinar e depende da fase da doença. A cirurgia curativa é possível em apenas 15-20% dos casos, quando a doença está confinada ao pâncreas. Para a maioria, a quimioterapia é o tratamento principal, complementada com radioterapia em alguns casos, visando controlar a doença e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

A esperança reside na prevenção, através do controlo dos fatores de risco, e nos contínuos avanços da investigação, com o desenvolvimento de regimes de quimioterapia mais eficazes e técnicas cirúrgicas cada vez mais seguras.

Conhecer o inimigo é o primeiro passo para o vencer. O tempo para agir é agora.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
22 de novembro | 08h30 – 18h | Formato híbrido
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) realiza a 6ª. edição das Jornadas APCL no próximo dia 22 de novembro de 2025,...

O evento, que decorrerá em formato híbrido, reúne doentes, cuidadores, profissionais de saúde, investigadores e representantes institucionais para um dia de diálogo e reflexão sobre os desafios e o futuro da hemato-oncologia no país. As participações (presenciais e online) requerem uma inscrição obrigatória através do link e podem ser feitas até dia 15 de novembro, às 18h00.  

A primeira sessão, realizada durante o período da manhã, foca-se no lançamento da APP APCL “O meu sangue”. Segue-se o painel dedicado à transformação digital do Serviço Nacional da Saúde (SNS) e uma conversa sobre o papel dos doentes e das associações na evolução das políticas oncológicas, seguindo-se um exercício de relaxamento. O programa da manhã termina com um painel focado no tratamento com células CAR-T, assim como na realidade atual e perspetivas de inovação da Medicina de Precisão em Portugal.  

A sessão da tarde arranca com o painel interativo “Hematologia em Rede: Colaboração, Referenciação e Equidade no Acesso”, seguida de um momento dedicado ao testemunho e à troca de experiências entre doentes de hemato-oncologia e cuidadores. Há ainda lugar para um painel protagonizado por profissionais de saúde que acompanham doentes e sobreviventes, para abordar as respostas integradas aos desafios de enfrenta esta doença. As jornadas terminam com partilha de uma visão esperançosa e positiva de uma sobrevivente oncológica, exemplo de uma força transformadora na jornada hemato-oncológica.  

A participação presencial tem um valor simbólico de 10€, que reverte na totalidade como donativo para a APCL. Esta modalidade inclui almoço, coffee breaks e a participação num sorteio de prémios no final do dia. Para os participantes online, será disponibilizado um link para assistirem a todos os painéis em direto.  

As Jornadas APCL foram desenhadas com o objetivo de construir, em conjunto, respostas mais eficazes e integradas para os desafios que a comunidade da hemato-oncologia enfrenta, ao mesmo tempo que contribuem para uma causa vital na saúde em Portugal. Consolidaram-se assim como um espaço crucial de encontro, focado na partilha de experiências, na apresentação de inovações e no reforço do compromisso coletivo com os doentes. 

A sexta edição das Jornadas Nacionais da APCL conta com o apoio da SPH, Fundação Champalimaud, Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP), Grupo de Estudos de Hematologia, Gilead Sciences, Kite, Jonhson& Jonhson, Lilly, Sanofi, Abbvie, Astrazeneca, BeOne Medicines, Takeda, AOP Health, Bristol Myers Squibb (BMS), Daiichi Sankyo, Glaxo Smith Kline (GSK), Kyowa Kirin, Pfizer, Sebia, Servier e Roche.

Para mais informações sobre o evento e para rever os melhores momentos da edição anterior, a APCL convida os interessados a visitarem o seu canal de Youtube.  

 

Riscos e oportunidades para Portugal
A indústria farmacêutica europeia e portuguesa enfrenta um possível aumento de custos - com a consequente pressão sobre o preço...

Apesar dos riscos, o estudo identifica também oportunidades-chave que podem redefinir a posição de Portugal se existir uma atuação coordenada. O novo contexto pode servir de catalisador para a reindustrialização do setor em toda a Europa e reforço da autonomia estratégica na produção de medicamentos. Além disso, pode favorecer a atração de I&D e ensaios clínicos, bem como o avanço para uma política comum de preços e acesso a nível continental.

O setor farmacêutico em Portugal encontra-se em expansão e com forte orientação internacional. As exportações para os Estados Unidos atingiram 1.390 milhões de dólares em 2023. As tarifas podem afetar a viabilidade de unidades especializadas em biotecnologia e medicamentos de elevado valor acrescentado.

“Nestes momentos de grande tensão geopolítica e transformação regulatória, se queremos que a indústria farmacêutica continue a inovar, e que essa inovação chegue efetivamente aos doentes, precisamos de quadros legislativos que ofereçam incentivos reais. Só desta forma garantimos que o setor continue a gerar investimento, emprego e crescimento económico, e que mantenha a aposta nos nossos países como plataformas de desenvolvimento”, afirma Carlos Parry, líder de Healthcare da LLYC na Europa.

Em suma, a indústria farmacêutica europeia enfrenta uma fase de incerteza estrutural. Embora as tarifas norte-americanas representem um desafio importante para o setor, também podem funcionar como um catalisador para impulsionar a competitividade, a inovação e a colaboração dentro da indústria, reforçando a sua posição face a futuras mudanças no mercado global. Apenas uma resposta unificada permitirá manter a competitividade da indústria farmacêutica europeia, conclui o estudo.

 

Dia Mundial da Osteoporose
Após a celebração do Dia Mundial da Osteoporose, a OralMED volta a recordar a importância de cuidar da saúde óssea e destaca a...

A osteoporose é uma doença com impactos da cavidade oral por afetar diretamente os maxilares, necessitando de uma anamnese (consulta inicial com o profissional de saúde para recolher informação sobre o paciente) aprofundada antes de qualquer procedimento clínico, acrescido pelo tratamento medicamentoso que pode estar intrinsecamente ligado

Osteoporose: quando os ossos perdem força

Os nossos ossos são estruturas vivas que se renovam constantemente. No entanto, com o avançar da idade, e conjugado com outros fatores, este processo pode ser comprometido. A Osteoporose é uma doença sistémica que enfraquece os ossos em todo o corpo, tornando-os mais frágeis e suscetíveis a fraturas, mesmo com pequenos impactos.

No contexto da saúde oral, a Osteoporose pode ter um impacto significativo. A perda óssea e a falta de osso nos maxilares podem condicionar a vida de vários pacientes com dentes em falta, impedindo-os, até há pouco tempo, de colocar dentes fixos com tratamentos de Implantologia.

Os efeitos da osteoporose na cavidade oral são representados pela redução do rebordo alveolar, diminuição densidade óssea maxilar e mandibular, decréscimo da espessura óssea cortical, diminuição da vascularização e redução da capacidade de cicatrização. Os exames complementares imagiológicos são fundamentais para o planeamento cirúrgico, particularmente em casos de atrofia óssea.

Com a evolução da Medicina Dentária têm surgido soluções que possibilitam criar novas realidades para a maioria das pessoas, nomeadamente através da tecnologia All-on-4®. Esta técnica cirúrgica e protética consiste na colocação de quatro implantes na zona mais anterior dos maxilares, o que permite fugir a zonas onde já não existe osso, como é o caso do seio maxilar. Esta tecnologia reabilita casos mais difíceis de resolver por métodos convencionais e atuar em pacientes com muita perda óssea.

Investir na prevenção da Osteoporose é essencial para garantir não só a saúde física, mas também o bem-estar emocional e a liberdade de escolha.

Dicas práticas para cuidar dos seus ossos a partir de hoje

A juventude é o momento ideal para adotar hábitos positivos que terão impacto ao longo da vida, mas nunca é tarde para começar. Aqui ficam algumas sugestões para proteger os seus ossos:

  • Estabelecer prioridades: Identificar fatores de risco (histórico familiar, menopausa, uso de certos medicamentos) e conversar com o médico sobre a necessidade de exames de densidade óssea.
  • Controlar a alimentação: Assegurar uma ingestão adequada de cálcio (leite e derivados, vegetais de folha verde escura) e vitamina D (exposição solar controlada e alimentos fortificados).
  • Priorizar a mobilidade: Praticar exercício físico regularmente (caminhada, corrida, musculação), uma vez que estimula a formação óssea.
  • Evitar hábitos prejudiciais: Reduzir ou eliminar o consumo de tabaco e álcool, que são fatores de risco conhecidos para a perda óssea.
  • Procurar apoio profissional: Consultar o médico de família para um plano de prevenção e, no caso de preocupações com a saúde oral e a densidade óssea dos maxilares, procurar o apoio de especialistas em clínicas como a OralMED, que podem oferecer soluções para a perda óssea e a colocação de implantes.

Através de hábitos simples, decisões ponderadas e apoio de profissionais de saúde, a prevenção da Osteoporose pode tornar-se a chave para uma vida longa, ativa e com autonomia.

 

Estudo Internacional alerta
Quase metade das mulheres com menos de 40 anos que vivem com cancro da mama avançado (ABC, do inglês Advanced Breast Cancer)...

Os resultados deste estudo estão a ser apresentados na Oitava Conferência Internacional de Consenso sobre Cancro da Mama Avançado (ABC8), que está a decorrer em Lisboa até ao próximo dia 8 de Novembro. [1]

Jennifer Merschdorf, CEO da Young Survival Coalition, que conduziu o inquérito Projeto 528, salienta: “Lançámos o Projeto 528 para dar voz às mulheres jovens que vivem com cancro da mama avançado, que estão frequentemente sub-representadas nas discussões clínicas e diálogos políticos. Temos agora dados globais que evidenciam que é importante compreender os seus desafios e garantir que a investigação, os serviços e as políticas são moldados pelas suas experiências e não por suposições.”

Das 3.881 mulheres, espalhadas por 67 países de todo o mundo, que responderam ao inquérito, 385 tinham menos de 40 anos e viviam com cancro da mama avançado. Os resultados apresentados hoje na conferência focam-se nestas mulheres mais jovens.

Os resultados mostram que, além dos 48% das mulheres terem filhos pequenos, 64% disseram que o seu emprego foi interrompido após o diagnóstico, 40% contraíram dívidas médicas e a sua segurança financeira caiu de 51% antes do diagnóstico para apenas 3% após o tratamento.

Apesar de 84% se terem sentido capazes de fazer perguntas no momento do diagnóstico, 40% atrasaram a procura de cuidados, muitas vezes porque os seus médicos de cuidados primários desvalorizaram as suas preocupações, por falta de consciencialização ou por medo. Apenas 14% foram diagnosticadas através de rastreio clínico ou exames de rotina, enquanto 85% foram diagnosticadas após autodetecção de sintomas, algo que “realça lacunas na detecção precoce para adultas mais jovens”, refere Jennifer Merschdorf.

O peso do diagnóstico de cancro da mama avançado  estende-se a todas as áreas da vida das mulheres. 80% indicou sofrimento psicológico; preocupações com a imagem corporal, fertilidade e saúde sexual são generalizadas, mas raramente abordadas; desafios práticos, incluindo cuidados infantis, tarefas domésticas e transporte, são comuns, com muitas pacientes a relatar necessidades não satisfeitas.

O acesso a diagnósticos de precisão varia: 90% fizeram testes genéticos para despistar mutações herdadas, mas apenas 59% efectuaram testes genómicos ao tumor para detecção de mutações genéticas no cancro em si, quão ativo se encontra e qual a probabilidade de recorrência. Estes testes fornecem aos médicos informações extra para orientar os tratamentos, tais como quimioterapia, radioterapia ou terapia endócrina.

Enquanto que 77% compreendem as razões do tratamento, 25% sentem falta de clareza e a apenas 46% das mulheres jovens foi proposto mais do que uma opção de tratamento. As terapias biológicas ou dirigidas  estão associadas aos níveis mais baixos de compreensão por parte das pacientes. As comunidades online de mulheres com cancro da mama avançado foram uma fonte vital de informação e capacitação, mas apenas 43% das pacientes foram encaminhadas para estas pelas suas equipas de cuidados.

“A nossa análise de mulheres jovens com ABC sublinha que o atual padrão de cuidados, embora medicamente avançado, permanece profundamente fragmentado no que toca às realidades vividas pelas pacientes jovens. Desde atrasos no diagnóstico a necessidades psicológicas não atendidas, as mulheres jovens enfrentam um sistema que lhes exige auto-defesa face à fadiga, ao medo e à pressão financeira., disse a Jennifer Merschdorf

A Young Survival Coalition está a planear desenvolver estudos futuros para investigar as necessidades únicas das pacientes com ABC.

Jennifer Merschdorf conclui: “O cancro da mama avançado coloca um conjunto de desafios às mulheres jovens com esta doença incurável que se cruzam com fases críticas da carreira, parentalidade e desenvolvimento da identidade. O Projeto 528 dá um roteiro para os investigadores explorarem os problemas identificados como os mais urgentes pelas mulheres inquiridas e, ao mesmo tempo, dá orientações aos serviços de apoio e às organizações de doente  para alinharem os seus programas com essas necessidades.”

“Para além da investigação e dos serviços, estes resultados podem informar o desenvolvimento de políticas que apoiem melhor as experiências das jovens que enfrentam o cancro da mama. O objetivo é que estes dados impulsionem melhorias significativas que realmente sirvam esta comunidade.”

A Professora Fátima Cardoso, Oncologista e Presidente da ABC Global Alliance, sublinha: “Este é um estudo importante que mostra, pela primeira vez, as experiências de pacientes jovens a viver com cancro da mama avançado e os desafios que enfrentam diariamente. É preocupante que nem todas as mulheres neste estudo tiveram acesso a testes para analisar mutações herdadas, e compreender a biologia do tumor em si mesmo. Numa era da medicina de precisão, todas as pacientes com cancro da mama devem ter acesso a estes testes, porque têm um papel crucial na tomada de decisões de tratamento e ,portanto, impactam a sobrevivência e a qualidade de vida.” Acrescentou que “Espero que os decisores políticos tomem nota dos resultados deste estudo e abordem as muitas lacunas que ele destaca em termos de diagnóstico, tratamento e cuidados de apoio, mas também de apoio psicológico, social e financeiro.”

O cancro da mama avançado é o cancro que se espalhou do local do primeiro tumor para outras partes do corpo. Atualmente, é incurável, embora os tratamentos possam abrandar a sua progressão, muitas vezes durante anos. A prevalência de pessoas a viver com cancro da mama avançado é desconhecida (ver nota abaixo) e nunca foi quantificada em jovens.

 

A história de Christina Thammasen

Christina, 45, vive na Califórnia com o marido e três filhos. Foi diagnosticada com cancro da mama aos 38 anos. Vive com cancro da mama metastático há mais de sete anos e está bem com o seu tratamento atual. Lê, faz exercício, passa tempo com a família e é voluntária na sua comunidade local. É também Assistente Social Clínica Licenciada e co-facilita o YSC Virtual Hangout. Christina é especialmente apaixonada pela consciencialização e apoio à saúde mental para pacientes com cancro e refere: “Existe uma linha distinta entre a minha vida antes e depois de ser diagnosticada com cancro da mama avançado. Trabalhei muito para reclamar a minha identidade como uma sobrevivente, de alguém que não está só a manter “a cabeça acima da água”, mas que tenta saborear cada momento da vida. Quero ensinar aos meus filhos que, mesmo quando a vida é injusta, porque o é, não se deve desistir; é preciso continuar a lutar, é preciso continuar a avançar, é preciso continuar a viver!”

 

[1] Abstract no: OR36, ‘Living with Advanced/Metastatic Breast Cancer under 40: global insights into diagnostic delays, treatment gaps, psychosocial burdens, and policy solutions from the project 528 patient experience survey’, por Jennifer Merschdorf and Mary Ajango, apresentado na sesssão ‘Best abstracts’, 15.10-15.55 hrs GMT, Auditorium 1, Quinta-feira 6 Novembro.

 

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