Procriação Medicamente Assistida
Quase 21 mil embriões estavam, no final do ano passado, criopreservados como resultado dos tratamentos contra a infertilidade...

Segundo o registo dos embriões criopreservados do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), a que a agência Lusa teve acesso, encontravam-se criopreservados 20.875 embriões.

O maior número (9.392) são embriões que resultaram de ciclos com recurso a Microinjeção Intracitoplasmática (ICSI) intraconjugais, seguindo-se os provenientes de ciclos de Fertilização In Vitro (FIV) intraconjugais (6.844).

Os embriões criopreservados no âmbito de ciclos de ICSI com ovócitos de dadora atingiram os 2.955, seguindo-se os resultantes de ciclos de FIV com ovócitos de dadora (980).

No âmbito de ciclos de FIV com espermatozoides de dador foram criopreservados 488 embriões e 216 provenientes de ciclos de ICSI com espermatozoides de dador.

Em 2015, foram doados a outros casais 44 embriões e 331 foram descongelados e eliminados.

Tal como nos anos anteriores, nenhum embrião foi doado para fins de investigação.

De acordo com a lei em vigor, os embriões que não tiverem sido transferidos devem ser criopreservados, comprometendo-se os beneficiários a utilizá-los em novo processo de transferência embrionária no prazo máximo de três anos.

Em 2013, último ano com os dados disponíveis, houve um total de 2.091 crianças nascidas em resultado de todas as técnicas de procriação medicamente assistida.

Estado da Saúde
As melhorias de vários indicadores de saúde, que se registaram até 2008, desaceleraram a partir dessa data e até 2012,...

De acordo com o coordenador do Plano Nacional de Saúde, Rui Portugal, a partir de 2008, estas melhorias aconteceram a um ritmo muito mais lento, esperando-se agora a sua recuperação.

A propósito da Conferência Plano Nacional de Saúde – Desafios presentes, que decorre hoje em Lisboa, Rui Portugal deu o exemplo da qualidade de vida em pessoas com mais de 65 anos.

O objetivo é aumentar em 30 por cento a esperança de vida saudável e com qualidade aos 65 anos, bem como reduzir as diferenças entre géneros, uma vez que as mulheres têm uma pior qualidade de vida nesta idade.

“A partir de 2008 houve um desaceleramento da melhoria deste indicador”, adiantou, o que foi “coincidente com a crise”.

Relativamente a outra meta prevista no Plano Nacional de Saúde, de reduzir a mortalidade abaixo dos 70 anos a 20 por cento do total da mortalidade, registam-se “melhorias”, embora ainda seja necessário “algum esforço para evitar esta mortalidade”.

O objetivo passa por intervenções ao nível do comportamento (alimentação, tabaco, sal) e na melhoria do acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

João Portugal disse esperar que a melhoria dos indicadores de saúde retome o seu ritmo de crescimento anterior à crise e foca o investimento em fatores que possam melhorar a vida das pessoas: “A responsabilidade de cada um pela sua saúde”.

Fertilidade e doença oncológica
O aumento de casos de cancro em idade reprodutiva têm vindo a pôr a risco a função reprodutiva de mu

Apesar do crescente número de novos casos de cancro registado todos os anos, nas últimas décadas tem-se assistido ao aumento das taxas de sobrevivência dos doentes oncológicos.

O diagnóstico precoce e as novas técnicas de tratamento têm contribuido, e muito, para o aumento da esperança média de vida destes doentes, assegurando ainda a promoção da qualidade de vida após a doença.

Neste contexto, e uma vez que se tem assistido ainda ao aumento de casos de cancro em idades mais jovens, a doença pode constituir uma ameaça quanto ao futuro reprodutivo dos doentes.

Embora a doença possa não afetar diretamente a função reprodutiva, excepto em casos muito particulares, alguns tratamentos oncológicos acabam por ter efeitos negativos sobre esta função.

“Os tratamentos quimioterápicos e, menos frequentemente, os radioterápicos ou cirúrgicos podem agredir as gónadas (ovários e testículos) e comprometer a produção dos gâmetas (ovócitos e espermatozóides). Em situações específicas, como os tumores testiculares ou os linfomas, a própria doença base pode comprometer a função gonodal”, começa por explicar Sérgio Soares, diretor da Clínica IVI Lisboa.

Por outro lado, tal como indica ainda o especialista, em algumas ocasiões, como é o caso do cancro de mama, os doentes “têm também, antes dos tratamentos, a reserva ovárica já mais baixa que o habitual para a idade”.

Deste modo, o principal recurso para a preservação do potencial reprodutivo é a criopreservação (‘congelação’) de ovócitos e do material seminal antes do início do tratamento oncológico.

De acordo com o diretor do IVI Lisboa, “é fundamental que as pessoas envolvidas na condução do problema oncológico, desde o seu primeiro momento, tenham a consciência da importância do tema da preservação do potencial reprodutivo e, nos casos indicados, façam a referenciação precoce do doente a um centro de procriação medicamente assistida”.

Não interferindo com o tratamento da doença oncológica, as técnicas de preservação de fertilidade devem ser iniciadas tão cedo quanto possível, sem nunca ser necessário adiar os tratamentos de combate à doença. “No caso masculino o procedimento é uma simples recolha seminal. No caso feminino, os protocolos da estimulação ovárica são específicos para pacientes oncológicos, e os níveis hormonais no final da estimulação são equivalentes àqueles que uma mulher em no seu ciclo natural”, justifica o especialista.

Quanto ao momento ideal para engravidar, Sérgio Soares revela que este deve ser “definido caso a caso e deve ser ponderado com o colega da oncologia que faz o seguimento do doente”.

A criopreservação de esperma

“A criopreservação de esperma consiste no armazenamento de uma amostra seminal a temperaturas de 196 graus negativos”, podendo ser mantida congelada por tempo indeterminado.

De acordo com Susana Alves, diretora do Laboratório de Andrologia do IVI Lisboa, “as recolhas de sémen são feitas através de masturbação e recomenda-se que sejam feitas pelo menos duas recolhas, uma vez que, durante o procedimento de criopreservação das amostras, existe uma queda na mobilidade dos espermatozóides que se mantém estável durante todo o tempo de armazenamento”.

É recomendado ainda um período de abstinência sexual e de ejaculação de dois a cinco dias, antes do procedimento.

Para segurança dos pacientes são solicitados alguns exames sorológicos, nomeadamente para despiste de doenças como o HIV, Hepatite ou Sífilis.

Antes de criopreservado, o produto seminal é alvo de uma avaliação. “Após cada recolha, o sémen será avaliado antes de congelação para verificar volume, pH, concentração de espermatozóides, mobilidade e morfologia espermática”, explica Susana Alves acrescentando que, depois do processo de congelação “uma pequena parte será descongelada para verificar a sobrevivência dos espermatozóides”.

Estima-se que cerca de 50 por cento do material seminal sobrevive ao procedimento e a sua capacidade de fertilização não sofre qualquer alteração.

A criopreservação de ovócitos

De acordo com Sofia Nunes, diretora do Laboratório de Fecundação in vitro do IVI Lisboa, “a congelação de óvulos consiste em preservar óvulos em nitrogénio líquido a 196 graus, usando uma técnica de esfriamento, podendo ficar armazenado por muitos anos”.

Para se proceder à recolha de ovócitos é necessária a estimulação ovárica “com recurso a injeções hormonais” para estimular a ovulação. “Este procedimento tem a duração de cerca de duas semanas. No caso das pacientes oncológicas os protocolos de estimulação são específicos”, explica a especialista acrescentando, no entanto, que “os níveis hormonais no final da estimulação são equivalentes àqueles que uma mulher tem no seu ciclo menstrual natural”.

“Quando os folículos atingem a quantidade e o tamanho adequados programa-se a punção folicular”, que consiste, tal como explica Sofia Nunes, “na aspiração dos folículos através da punção transvaginal guiada por ecografia, ligada a um sistema de aspiração com pressão controlada”.

Sendo realizado sob efeito de  anestesia, este procedimento tem a duração de 15 minutos.

Após a recolha segue-se a congelação propriamente dita, sendo a vitrificação a “técnica mais adequada  e com maior índice de sucesso”.

Calcula-se que a taxa de sobrevivência dos ovócitos ultrapasse os 80 por cento.

No caso de doentes hormono dependentes não existem dados que demonstrem que a estimulação ovárica traga qualquer prejuízo para a sua saúde. “Os estudos corroboram a ausência de impacto negativo dos tratamentos de preservação do potencial reprodutivo nos resultados dos tratamentos oncológicos que foram realizados exatamente nesse universo de doentes”, afirma a especialista. 

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Morte Assistida
A eutanásia foi praticada pela primeira a um menor na Bélgica no âmbito da lei adotada no país em 2014, noticiou este fim de...

A Bélgica é o único país no mundo que autoriza, sem limite de idade, menores "com capacidade de discernimento" e que sofram de uma doença incurável a optar por abreviar o sofrimento na sequência de uma modificação da lei sobre a eutanásia adotada em fevereiro de 2014.

O presidente da comissão federal de controlo e de avaliação da eutanásia, Wim Distelmans, confirmou este caso do menor ao Het Nieuwsblad, sublinhando que este continuava a ser um caso excecional e que a eutanásia estava reservada aos casos desesperados.

"Felizmente há muito poucas crianças a considerar a possibilidade da eutanásia, mas isso não significa que lhes devamos recusar o direito a uma morte digna", declarou Wim Distelmans ao jornal.

Deste caso, a idade do menor não foi especificada e só foi dito que a pessoa sofria de uma doença em fase terminal.

A lei belga - que não impõe limite de idade, contrariamente à Holanda, que fixou a idade limite de 12 anos para que uma pessoa possa pedir para lhe ser praticada a eutanásia - indica que o menor deve estar "numa situação médica desesperada, resultando em morte em breve", estar confrontada com um "sofrimento físico constante e insuportável que não pode ser atenuado e que resulta de uma doença acidental ou patológica grave e incurável".

A criança ou adolescente tem de assumir a iniciativa do pedido, estudado por uma equipa médica e psiquiátrica ou psicológica independente. Os pais também devem dar o seu consentimento.

A votação da lei em 2014 causou uma viva controvérsia na Bélgica, país de tradição católica, mas a lei passou apesar da oposição de alguns pediatras e da hierarquia da Igreja católica.

Na época, o autor da lei, o senador socialista Philippe Mahoux, explicou que também era preciso responder ao desejo de pediatras e enfermeiros que se confrontam com o "sofrimento insuportável" das crianças, ao qual só podiam dar resposta ilegalmente.

 

 

Prémios Grünenthal
Um grupo de investigadores portugueses foi distinguido com dois prémios no valor de 15 mil euros, atribuídos pela Fundação...

“A injeção intra-articular de colagenase no joelho de ratos como modelo alternativo para o estudo da nocicepção associada à osteoartrose” venceu o Prémio de Investigação Básica, avaliado em 7.500 euros.

Este trabalho é da autoria de Sara Adães, Marcelo Mendonça, Lígia Almeida, José M. Castro-Lopes, Joana Ferreira-Gomes, Fani L. Neto, do Departamento de Biologia Experimental, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e do grupo de Morfofisiologia do Sistema Somato-sensitivo (Grupo de Dor), do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S).

Sara Adães, investigadora principal do estudo vencedor, explicou que “os modelos animais usados na investigação da dor associada à osteoartrose centravam-se predominantemente no desenvolvimento de alterações que desencadeiam a dor, falhando na capacidade de reproduzir os mecanismos patogénicos e as características estruturais da doença”.

“Nós quisemos avaliar se o modelo da injeção de colagenase, até então utilizado apenas para o estudo das características estruturais da doença, reproduziria também as características da dor associada à osteoartrose. De seguida, utilizámos o mesmo modelo para estudar mecanismos patológicos subjacentes ao desenvolvimento da dor”.

Os investigadores verificaram que “o modelo animal apresenta um perfil de desenvolvimento de dor semelhante ao observado na osteoartrose humana, pelo que poderá reproduzir mais eficazmente as características da doença e, consequentemente, permitir uma melhor translação dos resultados experimentais para a prática clínica”.

“Observámos ainda que, numa primeira fase de desenvolvimento da doença, a dor associada à osteoartrose tem características predominantemente inflamatórias. No entanto, numa fase mais avançada, a progressão das alterações estruturais articulares cria condições que favorecem a lesão dos neurónios sensitivos que inervam essas articulações e o desenvolvimento de alterações com características neuropáticas, isto é, derivadas da disfunção do tecido nervoso”, adiantou.

Também com o valor de 7.500 euros, o Prémio de Investigação Clínica foi atribuído a uma equipa da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, composta pelos investigadores Nélia Gouveia, Ana Rodrigues, Sofia Ramiro, Mónica Eusébio, Pedro Machado, Helena Canhão e Jaime da Cunha Branco pelo trabalho “O encargo da lombalgia crónica na população adulta portuguesa: resultados de um estudo de base populacional (EpiReumaPt)”.

“Até à data, a prevalência e o encargo social da lombalgia crónica eram desconhecidos e o nosso Grupo de Investigação decidiu explorar esta questão tendo em conta os seguintes tópicos: prevalência, «peso» social da lombalgia crónica e análise do encargo adicional dos sintomas psicológicos (ansiedade e depressão) em indivíduos com esta patologia”, disse Nélia Gouveia, investigadora principal do estudo premiado.

A investigação apurou que “a lombalgia crónica é um problema de saúde muito comum em Portugal, afetando 10,4 por cento da população adulta (o que corresponde a mais de um milhão de Portugueses)”.

“Verificámos ainda que a lombalgia crónica contribui para uma grande incapacidade por parte dos doentes e pior qualidade de vida, com efeitos consideráveis no desempenho laboral e bem-estar dos indivíduos, estando ainda associada a um grande consumo de recursos de saúde”, acrescentou.

O júri do Prémio Grünenthal Dor foi constituído por sete elementos: um representante da Fundação Grünenthal e seis personalidades médicas da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.

Os prémios serão entregues no dia 23 de setembro, às 17h, na Fundação Calouste Gulbenkian, numa cerimónia que vai ser precedida de um colóquio dedicado ao tema “Cognição e Dor”.

Parlamento
A Assembleia da República aprovou hoje, por unanimidade, dois projetos de resolução apresentados pelo Bloco de Esquerda e PCP...

O diploma da autoria do Bloco de Esquerda recomenda ao Governo a divulgação de um relatório sobre a implementação de rastreios de base populacional de cancro da mama, cancro de colo do útero, retinopatia diabética e cancros do colon e retal.

Já o projeto de resolução apresentado pelo PCP incide especificamente sobre a necessidade de o Governo adotar medidas de reforço da prevenção, diagnóstico, tratamento e apoio aos doentes de cancro de mama.

Na mesma série de votações da atual segunda sessão legislativa, em plenário, foi também aprovado por unanimidade um requerimento no sentido de fazer baixar diretamente à comissão parlamentar um projeto do PAN (Pessoas Animais e Natureza) para assegurar igualdade de acesso ao mercado arrendamento em relação a quem possui animais de companhia.

Prós e contras
Sabia que as primeiras chupetas consistiam num pedaço de pano, amarrado em forma de chumaço, que se

Revisão histórica
Os primeiros textos sobre “bicos” diziam respeito a “bicos” mamários e foram encontrados no papiro médico de Ebers (Séc. XIV aC) e representavam vasos antropomórficos que mostravam a eventual prática de aleitamento artificial no Egipto1. Posteriormente, escavações arqueológicas na Grécia, na Itália (4000 aC) e no Egipto (888 aC), encontraram utensílios semelhantes a biberões2.

Contudo, a primeira referência à chupeta surgiu no fim do século XV, por Metlinger (1473)3. Mas foi Albrecht Durer que em 1506 representou pela primeira vez uma espécie de chupeta na tela Madonna with a Siskin, que consistia num pedaço de pano (linho trançado) amarrado em forma de chumaço onde se podia colocar no seu interior alimentos (pão, grão, gordura, carne ou peixe) ou era embebido em liquido doce (mel), alcoólico (brandy) ou em opiáceos, utilizada para acalmar e nutrir as crianças “fazendo-as dormir”3. Estas eram bastante grandes para que as crianças não as pudessem engolir e possuíam uma ponta para serem atadas à roupa da cama ou ao berço e não como actualmente à roupa do recém-nascido (RN)3.

                

Com o decorrer do tempo estas chupetas foram muito contestadas por serem anti-higiénicas e produzirem lábios grossos e bocas grandes. Mas foi muito mais tarde, em 1845, que surgiu a primeira patente de bico de borracha, nos Estados Unidos por Ellijah Pratt, fazendo lembrar a chupeta actual4. Esta demorou muito até ser aceite, devido ao mau sabor e cheiro que possuía. Inicialmente as chupetas eram constituídas por materiais primitivos e em várias peças, que facilmente se desagregavam, colocando em risco a saúde da criança. Estas foram evoluindo, com o intuito de proporcionar maior conforto e segurança. A borracha deu lugar ao latex, potencialmente tóxico, que não permitia a esterilização repetida e rompia facilmente. Actualmente é sobretudo o silicone que predomina, em peça única e com menor potencial alergénico. Existem em diferentes tamanhos e formas e os bicos podem ser longos/curtos e de formato redondo ou achatado. Mais recentemente, meados do século passado, surgiram as chupetas ortodônticas, mais fisiológicas e teoricamente (pois mesmo isto é controverso) mais adaptáveis ao palato, reduzindo o seu efeito sobre a estrutura dentária, permitindo ainda uma respiração correcta (nasal).

O uso da chupeta
O uso da chupeta está largamente difundido na nossa população, pelos aparentes benefícios que produz e pelo seu baixo custo e facilidade de compra. Esta prática depende de hábitos culturais e de práticas sociais, sendo poucas as crianças que não fizeram ou fazem o seu uso. A motivação para os pais é sobretudo a sensação de conforto e calma que transmite à criança, associada à insegurança e inexperiência dos mesmos no acto de cuidar e amamentar o filho. Outros aspectos referidos pelos pais para o uso da chupeta são o facto de evitar a sucção dos dedos, o aspecto de “beleza” pela sua utilização, a influência dos media e a conduta de alguns profissionais, com orientações inadequadas, por desconhecimento dos benefícios/malefícios do seu uso.

As vantagens/desvantagens do uso da chupeta

Para muitos autores as vantagens do uso da chupeta são indiscutíveis, referindo sempre o efeito calmante/analgésico, o auxilio na indução do sono e o efeito protector contra a morte súbita. Para muitos outros os contras são igualmente importantes, alguns afirmam mesmo que o seu uso deve ser o último recurso. Das desvantagens salientam-se:  

  • O desmame precoce e dificuldade na amamentação, pela “confusão do mamilo”, traduzido pela técnica de sucção ser totalmente diferente quando é feita no seio da mãe e na chupeta;
  • O facto do eventual efeito calmante da chupeta poder/dever ser substituído pelos pais por carinho, colo, falar/cantar, amamentar, entre outros;
  • Má oclusão dentária, com deformação na arcada dentária e alterações na mastigação, além de atraso na fala, dado que a chupeta ocupa a cavidade oral, limitando o balbucio, a imitação de sons e a emissão de palavras, levando a uma vocalização distorcida e alterações emocionais;
  • Alteração da postura e tonicidade dos músculos da boca, com o lábio superior encurtado, o inferior flácido e evertido, bochechas híper/hipotonificadas e caídas e língua hipotónica;
  • Alterações respiratórias, com uma expiração prolongada, podendo reduzir a oxigenação e frequência respiratória;
  • Maior frequência de candidíase oral, pela falta de higiene;
  • Está associada a maior número de episódios de otites médias agudas;
  • Está associada à cárie dentária quando o seu uso é feito com a colocação de produtos açucarados.

Faz sentido o uso da chupeta actualmente?
O uso da chupeta começou a ser questionado nos anos setenta do passado século quando começou o movimento de incentivo ao aleitamento materno. Sendo desaconselhado sobretudo em crianças amamentadas, enquanto a lactação não estiver bem estabelecida.

Isto parece dever-se ao facto da sucção para o RN ter apenas dois tipos de significados, a obtenção das necessidades nutricionais e alimentares (sucção nutritiva) e o consolo (sucção não nutritiva). Dado que o RN que usa a chupeta tem mais dificuldade para extrair o leite da mama por poder fazer “confusão de sucção” provocada pelas diferenças fisiológica de sucção da chupeta (sucção negativa) e do seio (movimento de ordenha), pode levar à diminuição do número de mamadas diárias, levando a uma menor estimulação e produção de leite e, por inerência, a necessidade de eventual introdução de suplemento. A diminuição de estimulação parece advir do facto de a sucção da chupeta activar a salivação e a deglutição, enviando informações erradas ao sistema funcional da alimentação, produzindo a sensação de saciedade, disfarçando assim uma possível fome ou sede.

Instituições como a OMS e a UNICEF, são peremptórias ao desaconselharem o uso da chupeta, quando no ponto nove das medidas para o sucesso da amamentação e para atribuição de centros de reconhecimento de apoio ao aleitamento materno afirmam isso mesmo: “não dar tetinas ou chupetas a crianças amamentadas ao peito”5. Outras entidades, como a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) partilham da mesma opinião, mas admitem a sua introdução quando o aleitamento estiver bem estabelecido. Assim, a AAP desaconselha o seu uso no primeiro mês de vida, enquanto a SPP diz que “não deve ser oferecida nas primeiras semanas de vida”. Contudo, ambas estão de acordo da importância do seu uso no início do sono numa fase posterior, por reduzir o risco de morte súbita, apesar de se desconhecer os mecanismos envolvidos nesse processo.

Em síntese, cabe aos profissionais de saúde, em particular aos enfermeiros, esclarecerem os pais de todos os benefícios/malefícios do uso da chupeta para que estes possam decidir de forma livre e consciente do uso ou não da chupeta. Quando optarem pelo uso, ter em conta que este é recomendado quando a amamentação estiver bem estabelecida. Este facto depende de criança para criança, mas nunca acontece antes dos quinze dias de idade e deve iniciar-se de forma progressiva a retirada para terminar antes dos dois anos de idade, porque o crescimento ósseo está concluído sensivelmente nesta idade e é importante que o seu uso já esteja terminado para evitar uma arcada dentária indesejável e má oclusão dentária no final da fase de dentição primária.

 

Referências
1FERRAZ, AR; GUIMARÃES, H (2007). História da neonatologia no mundo. Revista da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Secção de neonatologia.
2ICHISATO, SMT; SHIMO, AKK (2002). Revisitando o desmame precoce através de recortes da história. Revista Latino-americana de enfermagem. 10: 578-385
3TOSATO, JP; BIASOTTO-GONZALEZ, DA & GONZALEZ, TO (2005). Presença de desconforto na articulação temporomandibular relacionada com o uso da chupeta. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 71:3. P. 365-368
4REA, MF (1990). Substitutos do leite materno: passado e presente. Revista de Saúde Pública. 24(3): 241-49
5LEVY, L; BÉRTOLO, H (2012). Manual do aleitamento materno. Comité Português para a UNICEF, Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés.

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Acesso a medicamentos
As parcerias representam um reforço do envolvimento do setor social no Programa Abem, o primeiro projeto de impacto nacional...

Na próxima segunda-feira, dia 19 de setembro, a Associação Dignitude irá assinar dois protocolos de colaboração com a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e a União das Misericórdias Portuguesas. Trata-se de duas parcerias de extrema relevância para a Dignitude, que representam um reforço significativo da rede social do Programa Abem.

Para o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, padre Lino Maia, “a Dignitude é uma iniciativa solidária e paradigmática de que cada vez mais nos devemos responsabilizar uns pelos outros. Há pessoas com enormes dificuldades para adquirir os medicamentos que lhes são essenciais e esta parceria vai-nos permitir, entre outras coisas, aumentar a consciencialização da sociedade para esse facto”.

Para o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, “a assinatura deste protocolo com a Associação Dignitude representa uma possibilidade muito séria de trabalharmos em rede, que é uma coisa de que se fala muito, mas a que, em Portugal, estamos muito pouco habituados». Manuel de Lemos está convicto de que «seremos capazes de o fazer, assim como de desenvolver parcerias que acrescentarão valor àquilo em que já estamos a trabalhar”.

 

Paulo Cleto Duarte, presidente da Associação Dignitude, sublinha a importância destes compromissos. “A união de instituições de referência do sector social e do sector da saúde dá-nos força para iniciar este combate à discriminação no acesso ao medicamento”.

No próximo domingo
Onze cidades do país vão acolher no domingo o Passeio da Memória, uma caminhada solidária promovida pela associação Alzheimer...

A iniciativa, que assinala o Dia Mundial da Doença de Alzheimer (21 de setembro), realiza-se também em Pombal, no dia 21, e em Penafiel, no dia 25, disse Tânia Nunes, coordenadora do Departamento de Relações Públicas da associação.

Os “grandes objetivos” da caminhada são “informar e consciencializar a população para a importância de reduzir o risco de vir a desenvolver demência”, através da adoção de um estilo de vida saudável, chamar a atenção para os sinais de alerta da doença e principais sintomas e para a importância de um diagnóstico atempado, explicou Tânia Neves

No fundo, sustentou, “queremos chamar a atenção para este problema que afeta em Portugal mais de 182 mil pessoas e que ainda não tem, infelizmente, respostas” e equipamentos adequados.

A Alzheimer Portugal tem um lar com capacidade para 36 pessoas, uma “gotinha no oceano” em que a associação procura dar ”um exemplo daquilo que são boas práticas.

“A maior parte das pessoas com demência está em casa com os seus familiares ou em unidades em que os profissionais não sabem como cuidar deles”, disse Tânia Nunes, alertando para a necessidade de haver mais formação especializada para estes profissionais.

“Cuidar de uma pessoa com Alzheimer ou outra forma de demência não é igual a cuidar de um idoso que não tenha esta doença. É necessário todo um cuidado especial e terapêuticas especiais para estimulação cognitiva”, frisou.

Outro “grande problema”, apontou Tânia Nunes, é a sobrecarga dos cuidadores, que têm de cuidar de alguém que precisa de apoio 24 horas por dia, uma “situação muito desgastante” em termos físicos, emocionais e financeiros.

“As pessoas com demência vão perdendo as suas capacidades e vão progressivamente precisando de mais apoio, de uma supervisão e de um acompanhamento constante, porque chega a um ponto que perdem todas as capacidades”, sublinhou

Um dos trabalhos da Alzheimer Portugal é apoiar os cuidadores, dar-lhes formação e informação sobre as estratégias que existem para lidar melhor com determinadas situações.

“É uma situação muito complexa e nós não nascemos ensinados. Temos que aprender e ter alguém que nos apoie, porque nunca estamos preparados para ver aquela pessoa de quem gostamos tanto deixar de ser quem é, e a perder as suas capacidades”, sublinhou Tânia Nunes.

O Passeio da Memória, cujos fundos das inscrições revertem para a associação, chegou a Portugal em 2011 e decorreu apenas numa cidade (Oeiras). Desde então, há cada vez mais cidades a aderir à iniciativa

Este ano, vai decorrer em 13 cidades: Aveiro, Barreiro, Braga, Campo Maior, Fafe, Funchal, Matosinhos, Oeiras, Portimão, Viana do Castelo, Viseu, Pombal e Penafiel.

Estudos revelam
A mortalidade materna caiu 44% desde 1990 no mundo, mas a discrepância entre os países com maiores e menores taxas duplicou e...

As conclusões são de uma série de seis estudos publicada pela revista científica The Lancet, que atualiza dados de há dez anos e revela que há atualmente 210 milhões de gravidezes por ano e 140 milhões de nascimentos.

"O progresso ao nível global mascara grandes variações entre países e dentro dos países. (…) Parece uma história boa, mas é uma faca de dois gumes: há boas notícias e não tão boas notícias", disse a coautora da série Wendy J. Graham, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Com a mensagem "Cada mulher, cada recém-nascido, em qualquer lugar, tem o direito a cuidados de saúde de qualidade", o estudo conclui que, em termos gerais, o panorama da saúde materna melhorou nas últimas décadas: a mortalidade materna caiu 44% desde 1990 e o acesso aos serviços de saúde materna aumentou significativamente.

No entanto, estas melhorias não chegaram para se alcançar o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio, que previa reduzir em 75% a mortalidade materna e, pior do que isso, agravaram-se as desigualdades.

Em 1990, a taxa de mortalidade materna dos 10 países com piores níveis era 100 vezes mais elevada do que nos 10 países com melhores resultados. Em 2013, a diferença duplicou para 200 vezes mais.

Na África subsaariana, por exemplo, o risco de uma mulher morrer na gravidez ou no parto é de uma em cada 36, enquanto nos países ricos esse risco desce para uma em cada 4.900.

Outra conclusão do estudo é que o acesso das mulheres aos serviços de saúde materna aumentou consideravelmente e hoje 75% das parturientes do mundo já têm os filhos com a assistência de profissionais qualificados.

No entanto, alertam os autores, isto significa que um quarto - quase 53 milhões de mulheres, sobretudo nos países mais pobres ou entre as comunidades mais pobres de outros países - não têm qualquer assistência qualificada no parto.

Mesmo entre as que usam os serviços de saúde, muitas não têm acesso a cuidados de saúde de qualidade.

Para Wendy J. Graham, "o mais dececionante [no estudo] é a questão da qualidade dos cuidados que as mulheres estão a receber. As mulheres aceitaram a ideia de recorrer às unidades de saúde - três quartos têm partos em unidades - mas em muitas partes do mundo, a qualidade não é boa, não é o que elas merecem".

Segundo o estudo, muitas mulheres experimentam, nas unidades de saúde, um de dois extremos: demasiado pouco e demasiado tarde, por um lado, e demasiado ou demasiado cedo, por outro.

Nos países de alto e médio rendimento, assim como nos grupos mais bem-sucedidos dos países pobres, há um risco crescente de sobremedicalização da gravidez e do parto, com utilização rotineira de intervenções não apoiadas em evidência, concluem os autores do estudo.

"Cuidados de saúde que são demasiado, demasiado cedo, podem provocar danos, aumentar os custos da saúde e contribuir para uma cultura de desrespeito e abuso", escrevem os investigadores.

A episiotomia de rotina é um exemplo desses cuidados, assim como a administração profilática de antibióticos no parto, que além de não ter benefícios comprovados pode mascarar uma infeção e contribui para a resistência aos antibióticos, disse Wendy J. Graham.

No outro extremo, cuidados maternos que são demasiado poucos ou chegam demasiado tarde põem em causa a saúde da mulher e do recém-nascido.

"Uma coisa que demonstrámos é que, em muitos locais, os serviços não conseguem fornecer cuidados em partos não complicados e alguns nem sequer têm serviços básicos, como água ou saneamento. É perturbante pensar que há hospitais que não têm água e saneamento", disse outra coautora do estudo, Oona Campbell, em entrevista à The Lancet.

Segundo o estudo, em quatro dos sete países da África subsaariana estudados, mais de dois terços dos nascimentos em unidades de saúde ocorreram em locais que não tinham infraestruturas básicas, como água, e mais de metade ocorreram em unidades sem uma urgência obstétrica básica.

Outra conclusão é que, a par da redução da mortalidade materna, está a tornar-se mais evidente a morbilidade materna, estimando-se um total de 27 milhões de episódios em 2015, apenas contabilizando as cinco principais causas obstétricas (hemorragia pós-parto, eclampsia, pre-eclampsia, complicações graves resultantes de aborto e sepsis puerperal).

Wendy J. Graham lembra que a morbilidade materna está também associada à transição das doenças infeciosas para as doenças não transmissíveis, como a diabetes e as doenças cardiovasculares.

"O que isso significa é que há mais mulheres com esses problemas indiretos (...). No passado, algumas dessas mulheres (…) morriam na infância ou não conseguiam engravidar".

Para a especialista, a aposta tem de ser na qualidade dos serviços de saúde: "Se nos focarmos na qualidade dos serviços, mais mães e crianças serão salvas, mais morbilidade será tratada antes de se tornar grave e ameaçadora para a vida e haverá mais prevenção. A qualidade dos cuidados é crucial para fazer uma grande diferença na era pós-2015".

António Arnaut
O antigo ministro socialista António Arnaut disse, em Coimbra, que a “verdadeira sustentabilidade” do Serviço Nacional de Saúde...

“São eles que têm feito o Serviço Nacional de Saúde (SNS) todos os dias” desde a sua criação, afirmou o escritor e advogado, principal impulsionador do Serviço Nacional de Saúde enquanto deputado e governante, em 1979, homenageado em Coimbra, onde o Conselho de Ministros esteve reunido com uma agenda dedicada à saúde.

Trinta e sete anos depois, segundo o antigo ministro dos Assuntos Sociais, do segundo Governo liderado por Mário Soares, importa “dar estabilidade e dignidade” às carreiras médicas.

António Arnaut intervinha no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), nas celebrações do Dia Nacional do SNS, em cujo programa participou o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e que incluiu a inauguração de um monumento com um busto em bronze do homenageado, à entrada do auditório do complexo hospitalar.

“Sou partidário da criação de condições para que o médico se sinta motivado para a dedicação exclusiva”, defendeu, frisando que deveria caber ao profissional “aceitar facultativamente” essa possibilidade.

O seu empenho na promoção do SNS, em 1978 e 1979, “foi a última oportunidade para concretizar” o artigo da Constituição da República que consagrou essa conquista da Revolução do 25 de Abril, recordou.

António Arnaut congratulou-se com a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde, “apesar de muitas amputações e desvios à sua matriz” fundadora, realçando especialmente o facto de ter conseguido, nestas décadas, "converter os descrentes e os agnósticos" do Estado Social.

Perante centenas de pessoas, o antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) - Maçonaria Portuguesa evocou o pensador francês Rousseau, mas também os portugueses Antero de Quental e António Sérgio, entre outros, tendo justificado a colocação de “mais uma pedra na construção da fraternidade universal” – o próprio SNS – com a inspiração que foi buscar a homens como Jesus Cristo e ao revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, que integrou a Revolução Cubana ao lado de Fidel Castro e Camilo Cienfuegos.

O SNS foi constituído para serem “os que podem a pagar para os que precisam” de cuidados de saúde, enfatizou, para admitir, com ironia, que a homenagem de ontem e outras dos últimos anos lhe dão “a sensação de ser póstumo, metálico e hirto”, como um dia escreveu o escritor Miguel Torga, seu amigo.

António Arnaut enalteceu ainda o grupo de trabalho que, sob a sua coordenação, concebeu o projeto de lei que fundou o SNS: Mário Mendes, António Gonçalves Ferreira (ambos falecidos), José Miguel Bezerra e António Leal Lopes.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse, em Coimbra, que, no final deste ano, o número de portugueses sem médico...

Nos últimos meses foi feita "a maior colocação de médicos de família de que há memória em Portugal", afirmou o governante, sublinhando que "fecharemos este ano com pouco menos de 500 mil portugueses sem médico de família".

Quando "chegámos [ao Governo], em novembro, havia um milhão e 100 mil portugueses sem médico de família", salientou o ministro da Saúde, que falava na sessão de homenagem ao SNS, que ontem comemorou o 37.º aniversário, e ao seu criador António Arnaut.

Além desta, outras importantes medidas, como a instalação (em curso) de 684 camas de cuidados continuados, têm sido adotadas pelo Governo, exemplificou Adalberto Campos Fernandes.

Ainda "foi aprovado um documento importantíssimo" pelo Governo, durante a reunião de Conselho de Ministros dedicada exclusivamente à saúde, que decorreu em Coimbra, sobre a regulamentação dos atos de saúde por parte dos diferentes profissionais ligados ao setor.

O documento, cuja validação pelas diversas ordens profissionais foi sublinhada pelo governante, procura garantir a sinergia entre os grupos profissionais envolvidos, simultaneamente ou de forma articulada, na prestação de cuidados de saúde, valorizando o trabalho em equipa e a interdependência.

"Eu sei que hoje as notícias são mais saber se é proibido fumar à porta" de escolas ou unidades de saúde "porque isso é que é a espuma da comunicação social", pois é "mais interessante e mais apelativo".

Mas "nós assumimos que no SNS está muita coisa por fazer e há muita coisa que está mal", reconheceu Adalberto Campos Fernandes.

"A escassez de recursos implica que em cada momento o país faça escolhas criteriosas, objetivas, onde não será possível em cada momento dar tudo a todos em iguais condições", sublinhou.

O ministro frisou que a obrigação da tutela "é começar por definir prioridades e dar àqueles que mais precisam aquilo que ‘emergentemente’ necessitam".

As comemorações do 37.º aniversário do SNS realizaram-se ontem em Coimbra, promovidas pelos CHUC e a Administração Regional de Saúde do Centro, tendo como tema "O Serviço Nacional de Saúde e o resgate da dignidade".

Incluíram uma homenagem ao advogado António Arnaut, que foi o autor da lei que criou o SNS em 1978, com a inauguração de um busto do advogado de Coimbra, que ficou localizado no centro de uma rotunda que dá acesso ao auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Na sessão, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a melhor forma de defender o SNS é desenvolver mais políticas de saúde na rede pública.

Assistência Médica Internacional
As futuras alterações climáticas e a deslocação em massa de populações vão trazer “momentos complicados” e “novas epidemias”,...

“Todos nós temos a perfeita noção de que aí veem momentos complicados e que temos de trabalhar em equipas, multidisciplinares, desde organizações não-governamentais às governamentais”, disse Fernando Nobre, presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), à margem da 11.ª edição do Young European Scientist Meeting (YES Meeting), evento que está a acontecer na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto até ao próximo domingo, dia 18.

Em entrevista, o presidente da AMI frisou que o “nível dos desafios” que se prepara para o futuro, seja a nível ambiental com as alterações climáticas, seja a nível de epidemias com a deslocação em massa de populações é de tal ordem que “não há nenhuma organização neste mundo”, nem “nenhum país neste mundo capaz de resolver a questão ‘per si’”, e, por isso, é preciso trabalhar em equipa, considerou, recordando o que aconteceu nos EUA, em Nova Orleães, com o furação Katrina e que é a “primeira potência económica e militar mundial”.

“Quando a natureza espirra, todos nós apanhamos uma pneumonia e das valentes”, reconheceu Fernando Nobre, sublinhando que para fazer face a “esse espirro da natureza” tem de haver “boa vontade”, “conhecimento”, “preparação”, mas também, pelo lado dos médicos, há que haver “critérios” para não haver “alarmismos desnecessários”.

Segundo o médico e presidente da AMI, as alterações climáticas vão nos “interpelar de forma violenta”, porque a saúde é uma situação de “bem-estar global”, ou seja bem-estar físico, psíquico, social, económico e ambiental.

“Estamos todos conscientes de que novas epidemias vão surgir” com a deslocação em massa de populações, adiantou Fernando Nobre, informando que se prevê, por exemplo, que só nos próximos 20 a 30 anos “um terço do Bangladesh estará submerso” e que um país que já tem 170 milhões de habitantes, isso significa que vai haver uma deslocação aproximativamente “de 40 milhões de pessoas” só daquele país.

Fernando Nobre participou hoje numa mesa-redonda sobre Saúde Global com elementos da Organização Mundial de Saúde (OMS), designadamente Cristopher Dye e Shoaib Hassan, onde se discutiu a relação entre médicos, cientistas e investigadores e os ‘mass media’.

Fernando Nobre apelou que “cada um” dos intervenientes falasse verdade” e que se tinha de saber entender que da outra parte, do lado da comunicação social, nem há sempre os mesmos conhecimentos científicos que os médicos têm, aconselhando a que tem de haver um compromisso de reciprocidade entre todos.

Numa plateia com estudantes de medicina vindos da Roménia, Bósnia, Turquia, Portugal, entre outros países, que participaram na mesa-redonda houve uma das ideias que se destacou na conclusão do debate e que foi a da foi que de futuro, tanto do lado do jornalistas, como médicos, terá de haver um aumento de conhecimento, tanto na área da especialização em saúde por parte dos jornalistas, como haver também conhecimentos na área da comunicação da parte dos médicos.

“Para comunicar aspetos de ciência e medicina é preciso confiar em alguns jornalistas, porque a Internet está fora de controlo com algumas páginas que não são credíveis”, referiu um dos convidados da OMS.

Ébola, Malária, Zika, gripe, fontes credíveis, sistemas de saúde, como se passa a informação de saúde pública à sociedade, foram outros dos temas discutidos na mesa-redonda sob o tema ‘Media approach to Medicine and New global Challenges (Aproximação dos Media à Medicina e novos desafios globais).

Lei do tabaco
O Governo aprovou hoje alterações à ‘lei do tabaco’, designadamente em relação ao conceito de fumar novos produtos do tabaco...

A proposta de lei hoje aprovada pelo Conselho de Ministros, que foi exclusivamente dedicado à saúde e decorreu em Coimbra, prevê a “proibição de fumar nos parques infantis e nas áreas situadas junto das portas e janelas” dos estabelecimentos de cuidados de saúde e de ensino.

As normas hoje aprovadas visam “proteger os cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco, assim como contribuir para a prevenção e controlo do consumo”, sublinha, no comunicado distribuído após a reunião, o Conselho de Ministros.

Estas proibições, que procuram contribuir para beneficiar “a qualidade de vida dos cidadãos”, não preveem, no entanto, medidas punitivas.

“As atitudes e comportamentos não se resolvem, nem se devem regular por aspetos de natureza legal, mas podem ser sinalizados e a lei, mais do que um caráter punitivo, pode ter um caráter de mensagem de sinalização e de alerta”, sustentou, durante a conferência de imprensa após a reunião, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

“Ninguém aceita como positivo que exista uma concentração de pessoas a fumar junto de unidades de saúde frequentadas por doentes ou em escolas frequentadas por jovens”, acrescentou.

Esta medida pretende ser “um sinal, um incentivo à mudança de comportamentos”, sublinhou Adalberto Campos Fernandes.

O Conselho de Ministros aprovou também uma proposta de lei para regular o Registo Oncológico Nacional, que “agrega numa única plataforma informática os diversos registos regionais”, garantindo “a uniformidade dos dados e da informação tratada” e permitindo a sua utilização para avaliação epidemiológica e análise da efetividade dos rastreios e terapêuticas”.

O Registo, que permitirá “conhecer melhor a realidade oncológica nacional”, garante a proteção de dados pessoais, respeitando as recomendações feitas, nesse sentido, pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD, assegurou o ministro da Saúde.

Para “aumentar a eficácia e eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, o Governo aprovou medidas sobre a gestão dos hospitais e da “circulação de informação clínica” e de “melhoria da governação do SNS”.

Entres essas medidas, de referir as que se relacionam com o regime jurídico e os estatutos aplicáveis às unidades do SNS com natureza de entidades públicas empresariais e as integradas no setor público administrativo.

O objetivo é “melhorar a articulação entre diferentes níveis de cuidados de saúde”, designadamente hospitalares, primários, continuados integrados e paliativos” e permitir, simultaneamente, “maior transparência, nos processos de recrutamento e formação de equipas mais profissionalizadas, afirma o Governo.

O Governo também aprovou, entre outras decisões, a nomeação de Jorge Simões e de Maria do Céu Machado para presidente e vice-presidente, respetivamente, do Conselho Nacional de Saúde.

Este órgão independente visa "garantir a procura de consensos alargados relativamente à política de saúde".

Na área de saúde
O Instituto de Investigação e Inovação da Universidade do Porto (i3S) vai financiar projetos iniciais na área da saúde que...

De acordo com um dos responsáveis pelo programa, João Cortez, a iniciativa destina-se a apoiar pelo menos dez tecnologias na área da saúde, com potencial interesse de mercado.

O Resolve, financiado pelo programa Norte2020, visa criar as condições necessárias para que aqueles projetos consigam dar "rapidamente o salto para uma fase que desperte o interesse de investidores e assim ganharem autonomia", explicou.

Para além do apoio financeiro, vão ser fornecidas às equipas selecionadas uma série de ferramentas que podem, por exemplo, proporcionar e facilitar os contactos com os utilizadores finais das tecnologias desenvolvidas, bem como os contactos para licenciamento das mesmas.

O número de projetos financiados pode ser superior a dez, "dependendo da qualidade das propostas que surjam", sendo 20 mil euros o valor mínimo atribuído a cada um.

No final, o júri irá atribuir prémios ao melhor projeto e ao melhor ‘business case’, no valor mínimo de cinco mil euros.

As candidaturas para concorrer ao Resolve acontecem em duas fases, sendo a primeira a 02 de novembro, com resultados divulgados a 15 do mesmo mês, e a segunda em maio de 2017.

 

Segundo João Cortez, o objetivo do Resolve é "servir como um caso de estudo, mostrando que o modelo de apoio adotado e implementado é bom para os investigadores e permite alavancar tecnologias que vêm das instituições portuguesas de investigação e desenvolvimento".

60 mil M€
O grupo químico e farmacêutico alemão Bayer anunciou o acordo para comprar a empresa norte-americana Monsanto, num negócio que...

"A Bayer e a Monsanto assinaram esta quarta-feira um acordo de fusão", ao preço de 128 dólares (114 euros) por ação, em dinheiro, anunciou a Bayer em comunicado.

"A transação associa duas atividades diferentes, mas fortemente complementares", relacionadas com a área agrícola, sementes e pesticidas, acrescenta o comunicado.

A empresa norte-americana Monsanto tinha rejeitado, no passado mês de maio, a oferta apresentada pelo grupo alemão Bayer para a adquirir por 55,2 mil milhões de euros (62 mil milhões de dólares), mas mostrou-se disponível para negociações, escreve a SIC Notícias.

"Acreditamos nas vantagens substanciais de uma estratégia integrada (...) e sempre respeitámos a atividade da Bayer", afirmou na altura o presidente da Monsanto, Hugh Grant, acrescentando que a empresa estava a ser subavaliada na proposta apresentada e que também não oferecia garantias necessárias para o financiamento da operação.

Desconhecem-se os desenvolvimentos das negociações, mas o certo é que a compra foi hoje anunciada, sendo também avançado o valor de aquisição, cerca de 60 mil milhões de euros, superior em quase 5 mil milhões de euros em relação à oferta anterior.

O objetivo da Bayer é criar um gigante mundial de produtos químicos e sementes geneticamente modificadas.

A Monsanto tem sido alvo de várias ações de contestação, especialmente contra os organismos geneticamente modificados, pesticidas e outros produtos químicos, que a empresa produz.

Cimeira Mundial da Saúde
O presidente da Cimeira Mundial de Saúde, Detlev Ganten, alertou hoje em Coimbra para o "fosso" entre a biologia e a...

O fosso entre biologia e civilização "é uma causa" para as doenças da civilização, nomeadamente cardiovasculares, nos músculos e ossos, doenças mentais ou depressões, sublinhou Detlev Ganten, na comunicação que apresentou hoje no Centro de Congressos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), no âmbito das comemorações dos 37 anos do Serviço Nacional de Saúde.

Para o também líder da Aliança M8, a "civilização é nova" e o desenvolvimento rápido, mas a biologia "é velha" e a evolução demorada, o que cria uma lacuna que acaba por criar problemas do ponto de vista da saúde, recordando também o excesso de consumo de açúcar, gorduras e sal.

De acordo com Detlev Ganten, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos numa cimeira das Nações Unidas (ONU), apenas poderão ser atingidos se houver "mudanças fundamentais" na forma como as pessoas vivem no mundo.

Para o especialista, a ciência "providencia a base para novas abordagens, soluções e tecnologias" para se alcançarem os objetivos.

Neste sentido, as instituições científicas têm um contributo importante, seja na produção do conhecimento, na cooperação, na monitorização dos resultados ou na criação de inovação para "o benefício de sistemas de saúde nacionais e global".

Na sua apresentação, Detlev Ganten realça também o papel da Aliança M8 - o G8 da Saúde - para ajudar a alcançar os "nobres e ambiciosos" Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos numa cimeira das Nações Unidas (ONU).

Portugal está representado na Aliança M8 pelo consórcio CHUC e Universidade de Coimbra (UC), que foi admitido em 2015.

As comemorações dos 37 anos do Serviço Nacional de Saúde realizam-se hoje no Centro de Congressos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

As comemorações do CHUC e da Administração Regional de Saúde do Centro têm como tema "O Serviço Nacional de Saúde e o resgate da dignidade", evento que inclui uma homenagem ao advogado António Arnaut, que foi o autor da lei que criou o SNS.

Após morte em Espanha com febre hemorrágica
Portugal reforçou a vigilância às carraças na região de saúde do centro, dada a proximidade com Espanha, onde um homem morreu...

Um sexagenário morreu a 25 de agosto num hospital madrileno, com febre hemorrágica da Crimeia-Congo, tendo infetado uma enfermeira que o tratou.

Segundo Cristina Santos, da Unidade de Apoio à Autoridade de Saúde Nacional e à Gestão de Emergências em Saúde Pública da Direção-Geral da Saúde (DGS), não foram registados quaisquer casos de febre hemorrágica Crimeia-Congo em Portugal, mas foi dada orientação à Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro para reforçar a vigilância aos vetores, neste caso as carraças.

“A existência destes casos humanos em Espanha leva-nos a estar mais atentos às análises”, disse Cristina Santos, acrescentando que foi igualmente reforçada a informação para as autoridades de saúde estarem “mais atentas a eventuais casos”.

Em Portugal, a Rede de Vigilância de Vetores (Revive), da responsabilidade do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), monitoriza a introdução de novos vetores em novas regiões geográficas e determina a atividade dos agentes infeciosos.

Maria João Alves, especialista em febre hemorrágica e coordenadora da Revive, disse que o vírus nunca tinha sido identificado em Portugal, nem em Espanha, onde agora se registaram estas duas infeções e dezenas de pessoas estão a ser monitorizadas por terem estado em contacto com estes doentes.

“A transmissão do vírus da febre hemorrágica é feita pela carraça, através da picada”, adiantou, afirmando que em Portugal são recolhidas carraças em todo o território para posterior pesquiza de agentes, como o vírus da febre hemorrágica Crimeia-Congo.

 

No caso de alguma pessoa apresentar sintomas da doença – que são exuberantes, uma vez que incluem a hemorragia – o INSA disponibiliza diagnóstico.

Governo quer
O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, defendeu hoje a necessidade de manter na esfera pública a gestão de “áreas...

Tem sido possível “equilibrar os interesses” em torno da prestação de cuidados de saúde aos portugueses, disse Manuel Delgado, ao intervir no auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), na abertura das comemorações do aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O SNS foi, provavelmente, nas políticas públicas, o modelo mais consequente e com melhores resultados” ao longo do processo de democratização do país, desde a revolução do 25 de Abril, acrescentou.

O secretário de Estado recordou que houve “momentos de tensão” destes 37 anos de Serviço Nacional de Saúde, designadamente entre oferta e procura de cuidados, além de “tensões provocadas por sensibilidades ideológicas diferentes”.

“Temos, felizmente, conseguido equilibrar estes interesses”, afirmou.

Manuel Delegado enumerou vários índices da saúde em Portugal antes e depois da criação do SNS, em 1979, uma medida política que teve como principal impulsionador o advogado e escritor António Arnaut, do PS, então ministro dos Assuntos Sociais do segundo Governo liderado por Mário Soares.

Há 40 anos, por cada 1.000 crianças nascidas em Portugal, 70 morriam nos primeiros tempos de vida, enquanto atualmente verifica-se uma relação de três mortes por cada 1.000 nados vivos.

Trata-se de “uma das melhores” taxas a nível mundial no domínio da mortalidade infantil, referiu.

Para ilustrar os avanços do país na saúde, na sequência da criação do SNS, o governante salientou ainda, por exemplo, que o Estado investe atualmente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na saúde, contra apenas 2% do PIB antes de 1979.

Por seu turno, o reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, disse que os médicos do SNS enfrentam, 37 anos depois, um desafio “cada vez mais pesado”.

Na sua opinião, “o desafio principal é saber se também se quer transformar” a saúde e o SNS “num produto de conhecimento” que possa contribuir para dinamizar a economia nacional.

João Gabriel Silva defendeu que hospitais e outras instituições do setor poderão produzir “um conhecimento depurado” que possa ser aplicado em Portugal e noutros países, o que passaria por uma “decisão estratégica”.

“O conhecimento em sentido lato deve passar a fazer parte do Serviço Nacional de Saúde”, preconizou, ressalvando que existem já “algumas ilhas de produção de conhecimento científico” neste campo.

Para o reitor da UC, o SNS deverá constitui-se como “uma fator de atração de doentes, médicos e outros profissionais de saúde” de fora do país.

“Gostaríamos de ter uma colaboração muito mais intensa com todas as estruturas de saúde, partilhando esse objetivo”, acentuou.

João Gabriel Silva defendeu ainda que o SNS “é para Portugal e para o mundo”, apesar das dificuldades financeiras.

“Nunca tivemos recurso infinitos, nem nos tempos gloriosos dos Descobrimentos”, concluiu.

Estudo
Análise à poeira acumulada dentro de casa encontra substâncias perigosas em móveis e até frigideiras. Crianças são mais...

Móveis, cortinas para as banheiras, pequenos eletrodomésticos como computadores, televisores e videojogos, carpetes, cosméticos, purificadores de ar, sabonetes, brinquedos para os mais pequenos e materiais de construção entram, direta ou indiretamente, no quotidiano de todos - também nas escolas, escritórios, ginásios, automóveis e até unidades hospitalares -, mas podem estar a matar-nos silenciosamente. A conclusão, segundo o Diário de Notícias, é de um estudo multidisciplinar que mostra que há substâncias perigosas que são libertadas pelos produtos que temos em casa, tornando-se parte do ar que respiramos e poeira doméstica. Essas toxinas, dentro das habitações, acarretam perigos endócrinos, imunológicos, reprodutivos e neurológicos, podendo mesmo causar cancro.

Muitas pessoas estão longe de imaginar que alguns dos aparentes aliados para o bem-estar nas suas habitações podem ser os maiores inimigos para a saúde. Há muito se sabe que os plásticos e produtos químicos em nada contribuem para uma vida saudável, mas agora há a certeza de que alguns são mesmo muito perigosos. Ao todo, a equipa de cientistas - composta por sete investigadores de três universidades diferentes e dois grupos ambientalistas, que agora publicou as suas conclusões na Environmental Science and Technology - analisou dados científicos e identificou as 45 substâncias - ftalatos, fenóis, retardadores de chamas, produtos químicos fluorados e fragrâncias - que mais são libertadas pelos produtos, tornando-se parte do ar que respiramos e poeira doméstica. Toxinas que, no limite, podem causar doenças oncológicas. Isto porque, em forma de poeira, "podem entrar no nosso corpo", resumiu, como alerta, Ami Zota.

A professora assistente da Faculdade de Saúde Pública do Instituto Milken da Universidade George Washington e coautora do estudo, acrescentou ainda a certeza de que "esses produtos químicos, mesmo em baixos níveis, podem provocar efeitos negativos à saúde": "As descobertas sugerem que as pessoas, especialmente as crianças, são expostas diariamente a vários produtos químicos em pó, que estão ligados a problemas graves de saúde."

Mais expostos ao risco estão os mais novos pois, como é próprio da idade, são os que mais contactam com o pó e com tudo o que é sujidade, enquanto gatinham, brincam no chão e levam as mãos à boca. E, porque os cérebros e os corpos ainda estão em desenvolvimento, podem ser mesmo as crianças as mais vulneráveis aos efeitos negativos dos produtos químicos.

Para os resultados agora divulgados contribuíram informações recolhidas em estudos publicados desde 2000, com base em amostras de poeiras retiradas de casas em 14 estados norte-americanos. A partir desses dados foi calculada a média de níveis de produtos químicos e a estimativa da quantidade que entra no corpo humano, medindo os pressupostos perigos.

Perigo sempre à mão
O termo "produtos químicos" já soa a perigo, mas ninguém sabe bem onde eles estão e quais os mais prejudiciais. Por exemplo, o monóxido de di-hidrogénio é uma forma pouco comum de chamar água, sendo a substância que mata milhares de pessoas todos os anos, a maioria por a ter inalado acidentalmente. É usado como supressor ou retardador de chama e a sua ingestão pode provocar náuseas e vómitos, enquanto a exposição prolongada à sua forma sólida pode danificar, muitas vezes irreversivelmente, tecidos vivos.

Mas, nas residências particulares, não faltam outros inimigos e o melhor é prestar atenção às etiquetas e à composição do que nos rodeia, conhecendo as siglas que os identificam. Aliás, uma pesquisa publicada em março provou que a leitura dos rótulos de ingredientes dos cosméticos leva a uma aquisição mais inteligente e a uma redução da exposição.

Trocando por miúdos e como exemplo, o TCEP ou tris (2-cloroetil) fosfato é um retardador de chama comum nos móveis e nos colchões para crianças. Já o DEHP ou di (2-etilhexil) ftalato é a toxina que mais nos ameaça, podendo estar nos fios e cabos, pisos em PVC (vinil), persianas e estores e até em dispositivos médicos. Segundo Ami Zota, o HHCP ou galaxolide, muito usado em fragrâncias, é um provável disruptor endócrino, ou seja, uma substância exógena que age como hormonas no sistema endócrino, podendo causar infertilidade, entre outros problemas.

O Spring Institute, que participou da pesquisa, oferece um aplicativo gratuito - Detox Me - para ajudar as pessoas a saberem como desintoxicar as suas casas em prol de uma vida saudável.

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