"SOS- Focus on Syrian Medical Students & Doctors"
Jorge Sampaio comprometeu-se, durante a reunião anual da Clinton Global Initiative, em Nova Iorque, com a atribuição de 200...

"Esta iniciativa consolida a noção de que a comunidade internacional precisa de apoiar a comunidade médica local para que se inicie um planeamento estratégico de reconstrução mesmo que a guerra não termine em breve", explica uma nota.

Desde o início da guerra na Síria, segundo um relatório de 2015, morreram mais de 700 médicos, cerca de 50% destes profissionais fugiram do país e muitos estudantes de medicina abandonaram os estudos.

O projeto de Jorge Sampaio, que se chama "SOS- Focus on Syrian Medical Students & Doctors", está integrado na Plataforma Global de Assistência a Estudantes Sírios, que o ex-presidente lançou em 2013 e já permitiu a cerca de 135 estudantes universitários sírios prosseguirem os seus estudos.

O projeto arranca ainda durante o ano letivo 2016-2017, com 20 estudantes em universidades portuguesas, 35 na Jordânia, e até 10 no Iraque e o mesmo número no Líbano.

Estes números aumentarão progressivamente até 2019-2020, ano em que o projeto de três anos terminará.

A iniciativa vai criar três postos de trabalho a tempo inteiro em Lisboa e 12 empregos a tempo parcial na Jordânia, Líbano e Iraque.

A organização diz que "candidaturas de mulheres serão fortemente encorajadas" e tem o objetivo de que pelo menos 30% dos seus participantes sejam mulheres.

Durante esta semana, Jorge Sampaio terá vários encontros com parceiros em Nova Iorque para conseguir apoios para o projeto, que tem um custo estimado de 18,7 milhões de dólares (16,8 milhões de euros).

Jorge Sampaio, que é membro fundador da fundação de Bill e Hillary Clinton, foi no ano passado um dos agraciados na primeira edição do Prémio Nelson Mandela, criado pela Assembleia Geral da ONU para homenagear personalidades que se tenham dedicado a promover os ideais das Nações Unidas.

Em Portugal
As autoridades de saúde estão preocupadas com o elevado consumo em Portugal de sedativos por parte dos jovens, estando já a...

Segundo o “European School Survey Project a on Alcohol and other Drugs (ESPAD)”, Portugal é um dos países da Europa onde os jovens com idades até aos 16 anos mais consomem medicamentos sedativos ou tranquilizantes com receita médica.

Portugal apresenta níveis mais elevados de consumo de tranquilizantes com receita médica do que o resto da Europa, respetivamente 13% e 8%, sendo o segundo país com maior percentagem destes consumos.

“Este é um resultado que para nós acaba por ser algo que nos motiva preocupação. Temos a noção clara de que é uma área em que temos que melhorar”, disse o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, aos jornalistas, à margem da apresentação do relatório.

O governante adiantou que está a já a ser estudado, em conjugação com os médicos de família e todos os profissionais dos cuidados de saúde primários, este novo fenómeno e soluções possíveis para o problema.

“Temos que perceber que tipo de jovens são estes que estão a obter estes sedativos através de receitas medicas, para que patologias, e encontrar mecanismos diferentes para responder às suas necessidades”, afirmou.

Citando os “bons exemplos” de países do norte da Europa, Fernando Araújo adiantou que “há formas alternativas de encontrar boas respostas para a depressão e ansiedade” e que a tutela está “empenhada em encontrar um plano para esse fim”.

Afastando a possibilidade de haver ligeireza por parte dos médicos na prescrição dos medicamentos, Fernando Araújo afirmou ter “a certeza absoluta que quando um médico prescreve é conhecendo esses doentes e achando que essa é a melhor alternativa para aquela situação”.

“Temos que discutir com os médicos alternativas não farmacológicas que conseguem obter resultados iguais ou melhores, que outros países estão a usar, como encontrar e integrar psicólogos e nutricionistas nos cuidados de saúde primários”, acrescentou.

No mesmo sentido, João Goulão, diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), considerou que o “abuso da medicação prescrita exige atenção redobrada, um outro olhar para a questão, perceber que mecanismos subjazem a esse abusos, perceber se há alternativas e se os médicos prescritores poderão deitar mão a alternativas terapêuticas que não passem necessariamente pelo uso de substâncias psicoativas”.

Quanto aos outros resultados do estudo, que apontam para uma melhoria da situação nacional a nível de consumo de álcool, tabaco e drogas, João Goulão defendeu que “as coisas têm corrido de uma forma geral bastante bem”, salvaguardando que não é um problema resolvido, mas uma tendência positiva.

O estudo revela que nos últimos quatro anos o consumo de álcool e tabaco entre jovens até aos 16 anos tem vindo a diminuir na Europa, com Portugal a situar-se abaixo da média europeia, mas ainda assim com consumos elevados de bebidas alcoólicas e perceção de fácil acesso ao tabaco mas sobretudo ao álcool.

Sobre esta matéria, Fernando Araújo mostrou-se aberto para, se for necessário, discutir alternativas e introduzir alterações à lei do álcool, embora para já o caminho aponte mais para medidas preventivas do que proibicionistas.

Isso mesmo foi deixado claro pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, que pretende introduzir já no próximo ano letivo o tema no currículo escolar precoce, para moldar a mentalidade dos mais jovens de forma a não procurarem os consumos quando forem mais velhos.

“Estamos a tentar introduzir no currículo a educação para a cidadania e desenvolvimento. Temos os grupos de trabalho a funcionar na expectativa de que em 2017/2018 o currículo passe a ser gerido com flexibilidade de forma a integrar dimensões de projeto de educação para a cidadania em articulação com as áreas curriculares”, afirmou.

João Costa sublinhou que hoje existem “bons resultados na educação para a saúde, porque se começou no primeiro ciclo”.

Nessa idade “não há uma preocupação de consumo, não há preocupação de acesso, mas há uma preocupação de tomada de consciência, que leva a que na idade em que o acesso existiria, não recorrem”, acrescentou.

Estudo Europeu
Portugal é um dos países da Europa onde os jovens com idades até aos 16 anos mais consomem medicamentos sedativos ou...

Segundo o estudo, que apresenta as grandes tendências de consumo de álcool e drogas por alunos com idades até aos 16 anos, entre 2011 e 2015 na Europa, a percentagem de consumidores de medicamentos sem receita médica está estabilizada nos 6%, sendo mais baixa em Portugal (5%).

A situação inverte-se quando se trata de medicamentos com receita médica, pois embora este consumo esteja também estabilizado, Portugal apresenta níveis mais elevados do que o resto da Europa, respetivamente 13% e 8%.

De acordo com o estudo, em 2015, os países com maiores percentagens de consumos de medicamentos com receita médica foram a Letónia (16%) e Portugal (13%).

Quanto ao consumo do mesmo tipo de medicamentos sem receita médica, destacaram-se a Polónia (17%) e a República Checa (16%).

Globalmente há mais raparigas do que rapazes a consumir medicamentos.

Também o “Estudo sobre os Consumos de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências-2015”, do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), apresentado em março, já tinha dado conta desta tendência “preocupante” em Portugal.

Na altura foi revelado que uma em cada cinco raparigas com idades entre os 13 e os 18 anos tomava tranquilizantes ou sedativos, a maioria com prescrição médica.

Fernanda Feijão, autora daquele estudo, considerou na altura que era importante perceber “como é que há uma percentagem tão elevada de raparigas a precisar de medicamentos”.

A responsável indicou que este é um indicador em que “costumamos estar acima da média europeia”.

Portugal abaixo da média europeia
Nos últimos quatro anos o consumo de álcool e tabaco entre jovens até aos 16 anos tem vindo a diminuir na Europa, com Portugal...

As conclusões constam do “European School Survey Project on Alcohol and other Drugs (ESPAD)” entre 2011 e 2015, feito junto de alunos que completaram 16 anos no ano da recolha de dados.

Relativamente a “grandes tendências”, nesse período os resultados a nível europeu apontam para descidas no consumo de álcool e tabaco e para uma estabilização no consumo de drogas, na maioria dos países.

“Os resultados de Portugal estão para a maioria dos indicadores abaixo ou dentro da média europeia, com exceção das ‘novas substancias psicoativas’, com níveis de consumo muito baixos, e dos tranquilizantes/sedativos com receita médica, com níveis muito elevados.

No que respeita ao álcool, a percentagem de alunos europeus que já experimentaram estas bebidas ronda os 81%, os que beberam no último ano situam-se nos 71% e os que declaram um consumo corrente (últimos 30 dias) andam pelos 47%.

Estes valores traduzem maioritariamente uma diminuição, sendo que em Portugal os valores são mais baixos: 71% tinham experimentado bebidas alcoólicas, 66% tinham-nas consumido no último ano e 42% beberam no último mês.

Quanto a bebedeiras apanhadas por alunos portugueses, os números baixam consideravelmente para 22% nos últimos 12 meses (28% na Europa) e para 9% nos últimos 30 dias (13% na média europeia).

Na maioria dos países diminuiu a percentagem de alunos que tiveram consumos intensivos esporádicos nos últimos 30 dias (binge drinking), traduzindo uma média de 35%, embora seja alta em alguns países e bem mais baixa em Portugal (20%).

A perceção da facilidade de acesso ao álcool está a diminuir, mas mesmo assim continua alta: 78% na Europa e 79% em Portugal.

Em 2015, a Dinamarca e a Áustria encabeçavam os países com maiores prevalências de embriaguez e binge drinking. Portugal estava entre os países com menos consumos intensivos.

Relativamente às drogas, a percentagem de alunos que até aos 16 anos já tinham experimentado está a estabilizar: 16% em Portugal (18% média europeia), sendo a cannabis a mais experimentada (17% na Europa e 15% em Portugal), a mais consumida no último ano (13% na Europa e em Portugal) e no último mês (7% na Europa e em Portugal).

As “outras drogas” (sem cannabis, nem novas substancias psicoativas) têm níveis de consumo mais baixos (5% de média europeia e 4% em Portugal), mas as novas substancias psicoativas em alguns países são mais consumidas do que “outras drogas”, sendo a média europeia de experimentação de 4% e em Portugal apenas 1%.

A perceção da facilidade de acesso às drogas estável, com uma média de perceção de acesso fácil ou muito fácil a rondar os 32%.

Em 2015, o país com maiores percentagens de experimentação e com maiores percentagens de consumos correntes de cannabis foi a França.

Globalmente, os rapazes consomem mais cannabis e bebem mais álcool do que as raparigas.

No que respeita ao tabaco, o seu consumo está a diminuir globalmente, com 47% dos jovens europeus a assumirem terem experimentado, bastante mais do que a média portuguesa (37%).

Os que declararam consumos correntes (22% na Europa e 19% em Portugal) diminuíram, assim como os que declararam consumos diários (13%, contra 9% portugueses).

A perceção da facilidade de acesso ao tabaco está a diminuir, mas continua alta (a rondar os 60%), e a percentagem dos que começaram a fumar antes dos 13 anos também está em queda (cerca de 24%).

Globalmente já há mais raparigas do que rapazes a consumir tabaco.

Relativamente a outros comportamentos aditivos, os jogos na internet são praticados por cerca de 23% dos alunos, 4 ou mais dias por semana, sendo que em Portugal essa percentagem situa-se nos 20%

Trata-se de uma atividade maioritariamente masculina, praticada em Portugal por 39% de rapazes e 5% de raparigas.

Já o jogo a dinheiro, foi declarado nos últimos 12 meses por 6% dos jovens portugueses, menos de metade do registado na Europa (14%), sendo igualmente uma atividade mais masculina (14% de rapazes e 4% de raparigas em Portugal).

Balanço de Verão
No verão passaram pelos postos de saúde de praia e pela consulta do turista no Algarve aproximadamente 13.000 pessoas, das...

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve adianta que, entre os meses de julho e setembro, foram efetuadas 4.507 consultas médicas na Consulta do Turista, tendo sido registados 8.433 atendimentos de enfermagem nos postos de praia espalhados pelo litoral algarvio, até ao final de agosto.

Segundo a ARS/Algarve, foram realizados 3.908 tratamentos, 2.808 atendimentos devido a picadas de peixe-aranha e insetos, 1.031 medições de pressão arterial, 294 para administrar injeções e 279 para realizar testes de glicemia, tendo sido registados durante este período 113 encaminhamentos para outras unidades de saúde.

Os postos de praia com maior número de atendimentos registados durante este verão foram os de Monte Gordo (681) e Manta Rota (660), no concelho de Vila Real de Santo António, Armação de Pêra (543), em Silves, e da Ilha da Armona (424), em Olhão.

Os centros de saúde e extensões de saúde de Tavira (971) e Armação de Pêra (844) foram os locais com maior número de atendimentos durante este período, seguidos por Quarteira (594), concelho de Loulé, Vila Real de Santo António (533) e Altura (450), concelho de Castro Marim.

"Destinadas essencialmente a turistas (…), estas consultas contribuíram para garantir uma maior e mais rápida acessibilidade aos cuidados de saúde de proximidade no período do verão, evitando uma maior afluência de pessoas às urgências hospitalares, por vezes desnecessárias", lê-se no comunicado.

A Consulta do Turista funcionou entre 04 de julho e 18 de setembro através do alargamento de horário de atendimento e reforço das consultas de atendimento complementar nos concelhos do litoral algarvio, onde se regista habitualmente a maior afluência de turistas.

Os postos de praia, geridos pela ARS/Algarve em colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa, funcionaram ao abrigo do Plano de Verão 2016.

 

 

Cancro
O investigador Nuno Rodrigues dos Santos, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde do Porto (i3S), anunciou hoje que a...

As leucemias agudas de linfócitos T são doenças malignas que afetam maioritariamente crianças e adolescentes, mas também adultos. A maioria dos casos infantis são curados por quimioterapia, mas uma percentagem significativa destes e a maioria dos pacientes adultos não responde ao tratamento, sofre recidiva e, eventualmente, sucumbe à doença.

Esta nova descoberta, realizada com a colaboração de equipas de investigação francesas e já publicada na revista científica internacional Cancer Discovery, permite que quando este tipo de leucemia não responde aos tratamentos convencionais "possa ser atingida por esta nova terapia, com anticorpo monoclonal, de forma complementar", como explicou à Lusa Nuno Rodrigues dos Santos.

O trabalho dos investigadores incidiu sobre o recetor TCR (proteína existente na membrana de células), que se encontra em todos os linfócitos T (células) e é essencial para estes reconhecerem organismos invasores e desencadear uma resposta imunitária.

A equipa de Nuno Rodrigues dos Santos verificou que “a estimulação do TCR através de um antigénio ou da inoculação de um anticorpo específico curava ou prolongava o tempo de vida dos murganhos (ratinhos) com leucemia”.

“As experiências nos ratinhos foram bastante convincentes, tanto em leucemias no ratinho como em leucemias humanas transplantadas no animal funcionaram de forma bastante eficaz. Em todos os casos há uma regressão e alguns ficaram curados”, afirmou o investigador.

Nuno Rodrigues dos Santos frisou que esta descoberta “poderá ser útil para certo tipo de leucemias, nomeadamente para grupos de doentes que não respondem a certas terapias convencionais, como a quimioterapia”.

Numa situação normal, quando o TCR é estimulado, o linfócito T reage multiplicando-se, iniciando a resposta imunológica. No entanto, verificaram os investigadores que “quando se estimula o TCR num linfócito leucémico a resposta é diferente, em vez de se multiplicarem, os linfócitos T estimulados morrem”.

Salientou, contudo, que antes de passar à fase de ensaios clínicos “devem ser feitos mais ensaios pré-clínicos, precisamente para demonstrar que este composto pode eliminar completamente este tipo de leucemias, em combinação com agentes quimioterápicos”.

Os investigadores começaram por estudar ratinhos de laboratório com leucemia, tendo assim descoberto que “a estimulação do TCR, seja através de um antigénio, seja inoculando um anticorpo monoclonal específico, curava ou prolongava” o tempo de vida dos animais.

“Verificámos que a estimulação do TCR, através da administração de um anticorpo específico, levava à morte de células leucémicas humanas em experiências de cultura celular e à regressão da leucemia em ratinhos imunodeficientes transplantados com leucemias humanas”, sustentou.

Agora que o artigo foi publicado, o biólogo investigador pretende avançar para a fase seguinte, que visa “perceber como é que as células morrem, saber qual é o mecanismo exato”, antevendo “o possível desenvolvimento de resistência”.

“A resistência é um dos fenómenos mais frequentes na resposta ao tratamento do cancro, queremos descobrir como é que as células podem escapar a isso e, desse modo, pensar já noutras alternativas para o tratamento da leucemia”, disse.

Para o investigador, “o interessante deste trabalho foi precisamente mostrar que o recetor TCR tinha uma função inesperada”.

“Os investigadores tinham indícios de que a estimulação deste recetor até favorecia a leucemia, ou seja, ela proliferava ainda mais. Mas não é o caso, nós demonstramos aqui que tem uma função precisamente antagónica. O aspeto mais inovador foi determinarmos que o TCR é o chamado ‘ponto fraco’ ou o ‘Calcanhar de Aquiles’ desta leucemia e que pode ser explorado como terapia”.

Nuno Rodrigues dos Santos é investigador principal no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) desde Março de 2016. Em 2008 iniciou o seu laboratório no Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) na Universidade do Algarve, onde foram realizadas as experiências agora publicadas.

Iniciativa APCOI
Aumentar consumo de fruta é a meta da iniciativa "Heróis da Fruta" que registou subida de 42% em edição anterior.

A ingestão diária de pelo menos três porções de fruta é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), porque a fruta contém vitaminas e minerais insubstituíveis por outros alimentos. Contudo, a realidade nacional é bem diferente, 7 em cada 10 crianças portuguesas não comem essa quantidade por dia. O consumo de fruta abaixo destas recomendações provoca carências nutricionais com efeitos muito negativos para a saúde: diminui os níveis de energia, de concentração, de aprendizagem e das defesas do organismo, tornando as crianças mais sujeitas a doenças como a obesidade ou a diabetes tipo 2, logo desde a infância. As conclusões são do estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) que analisou uma amostra de 18 mil crianças, em idade escolar, entre os 2 e os 12 anos, representativa das sete unidades territoriais portuguesas (NUTS II).

Os resultados do estudo da APCOI por região são ainda mais alarmantes: as crianças dos Açores foram as que apresentaram a maior percentagem de consumo de fruta abaixo das recomendações com 83,6%, comparativamente às restantes regiões portuguesas. No ranking regional dos alunos que comem menos fruta na dose certa seguem-se a Madeira com 79,9%, o Alentejo com 77,4%, a região Centro e a região Norte, ambas com 74,2% e o Algarve com 73,6%. Lisboa e Vale do Tejo foi a região que registou a menor percentagem de crianças que ingerem fruta abaixo das recomendações, apesar de ainda assim ser um valor demasiado elevado: 72,4%.

Foi precisamente para lutar contra este grave problema de saúde pública que a APCOI lançou às escolas uma iniciativa que promove o combate à má nutrição das crianças a que chamou projeto «Heróis da Fruta - Lanche Escolar Saudável».

Para Mário Silva, presidente e fundador da APCOI «O projeto heróis da fruta foi criado para ser uma ferramenta de reeducação alimentar e de educação para a saúde para intervir no contexto escolar e incentivar a ingestão de fruta e outros alimentos saudáveis nas refeições das crianças. Trata-se de um modelo pedagógico chave-na-mão que qualquer estabelecimento de ensino poderá colocar em prática de forma muito simples e gratuita».

Após efetuar a inscrição, as escolas recebem acesso aos materiais pedagógicos, sem qualquer custo. Mário Silva afirmou ainda que «os resultados das edições anteriores comprovam que a aplicação do modelo pedagógico dos heróis da fruta aumenta o consumo de fruta no lanche escolar das crianças que nele participam».

Segundo os resultados do estudo, os investigadores da APCOI, verificaram que 1 em cada 4 crianças que integraram o programa motivacional «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» aumentaram o seu consumo diário de fruta, em apenas 12 semanas. As conclusões a nível regional colocam a Madeira no topo do ranking com 62,3% de aumento de consumo de fruta nos alunos participantes. As regiões seguintes que registaram maior aumento de ingestão diária de fruta foram o Alentejo com 47,5%, seguido da região Norte e dos Açores ambos com 43,1%, a região Centro com 42,4%, Lisboa e Vale do tejo com 41,5% e em último lugar a região do Algarve com 39,5%.

Depois do sucesso das edições anteriores, a APCOI pretende estender no ano letivo 2016/2017, a adesão ao projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» a todos os jardins de infância e escolas de 1º ciclo, de todas as regiões do país. As inscrições para a 6ª edição desta que é já considerada a maior iniciativa gratuita de educação para a saúde em Portugal já estão abertas e prolongam-se até 14 de outubro de 2016. 

Demência
A estabilização do número de casos de Alzheimer e a queda no número de novos doentes nos países desenvolvidos lançam luzes de...

A tendência, inesperada num contexto de previsões alarmistas, é observada particularmente para a taxa de novos casos na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, segundo estudos recentes.

A baixa incidência (taxa de novos casos) da doença de Alzheimer e de tipos de demências semelhantes em pessoas maiores de 65 anos é "uma tendência nítida", afirma o epidemiologista Philippe Amouyel, do Instituto Pasteur-CHRU, em Lille, no norte da França.

A notícia é avançada pela agência de notícias France Presse. A quantidade total de casos deverá aumentar, mas tendo em conta a quantidade maior de pessoas que vivem mais tempo graças ao aumento da esperança média de vida. "Limitámos o fluxo, mas sem conseguir detê-lo", afirma David Reynolds, da associação britânica Alzheimer's Research UK (Aruk).

Os custos económicos e sociais das demências atingem os 818 mil milhões de dólares e é um valor que não está a diminuir, segundo o relatório de 2015 dos especialistas da federação Alzheimer Disease International (ADI).

Vinculado ao envelhecimento, a Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, sendo responsável por 60% a 70% dos casos. A demência vascular é a segunda causa. No entanto, a associação entre as duas doenças é comum, de acordo com especialistas.

A doença de Alzheimer leva a uma deterioração da memória e de outras faculdades intelectuais e, progressivamente, a uma perda de autonomia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há cerca de 47,5 milhões de pessoas com demências em todo o mundo e 7,7 milhões de novos casos todos os anos, ou seja um a cada quatro segundos.

O Reino Unido, um dos países analisados no estudo (que também incluiu Espanha, Suécia, Holanda, entre outros), registou uma queda de 20% na taxa de incidência global da demência nas últimas duas décadas. Segundo um estudo publicado em abril na revista científica Nature Communications, o país contava com 209.000 casos novos em 2015, muito abaixo dos 251.000 apontados em previsões de 1991.

Mais de 100 anos depois da identificação da Doença de Alzheimer, ainda não existe um tratamento que permita curá-lo ou travar a sua evolução.

As causas da doença, que implica o aparecimento de proteínas anormais no cérebro, continuam a ser objeto de debate. Estudos recentes sugeriram que a poluição pode ser um dos responsáveis pela doença. Entre as hipóteses que podem explicar a estabilização da taxa de novos casos de demência está uma melhoria no índice de qualidade de vida e educação, assim como uma redução dos riscos cardiovasculares devido ao avanço de tratamentos para a hipertensão e colesterol alto.

"Qualquer coisa que ajuda a reduzir o risco cardiovascular parece ser benéfica, como a atividade física, uma alimentação saudável nos moldes da dieta mediterrânea e não fumar", resume Amouyel.

Além disso, de acordo com alguns estudos, tudo o que faz o cérebro trabalhar, como estudos superiores ou atividades como palavras cruzadas, sudoku, leitura, jardinagem, trabalhos manuais, assim como o facto de não viver isolado contribuem para reduzir o risco de demência.

Por outro lado, outras doenças podem inverter a tendência, como a progressão da diabetes, a obesidade e o sedentarismo, alertam especialistas dias antes do Dia Mundial do Alzheimer, esta quarta-feira (21/09).

O número de casos de demência pode atingir os 75,6 milhões em 2030 e os 135 milhões em 2050.

 

Estudo
A expansão das chamadas superbactérias, resistentes a todos os tratamentos médicos existentes, pode desencadear uma crise...

A resistência antimicrobiana está a aumentar e, no futuro, muitas doenças infecciosas poderão não ser tratadas, o que implicará custos avultados para os Estados e o aumento do número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Esse problema, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pode representar um custo de até 100 mil biliões de doláres em 2050.

"Devemos saber que, a não ser que seja enfrentado rapidamente e com seriedade, o problema da resistência aos antibióticos terá consequências desastrosas para a saúde humana e animal, para a produção de alimentos e para a economia global", adverte a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Intitulado "Doenças resistentes aos medicamentos: uma ameaça para nosso futuro económico", o relatório analisa o que pode acontecer caso os antibióticos e outros remédios antimicrobianos deixarem de surtir efeito. A propagação das doenças levaria cerca de 28 milhões de pessoas à pobreza extrema até 2050, especialmente nos países em desenvolvimento, indica o relatório.

"O mundo mostra uma tendência de redução da pobreza extrema até 2030, aproximando-se da meta de menos de 3% da população nessa situação. Mas a resistência aos antibióticos põe em risco esse objetivo", acrescenta.

Por outro lado, os países de menor rendimento podem perder mais de 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2050.

Esta questão será abordada esta semana numa sessão especial na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. "A dimensão e a natureza desta ameaça poderia levar-nos a um retrocesso nos êxitos alcançados no desenvolvimento e poderiam afastar-nos dos nossos objetivos de erradicar a pobreza extrema", ressaltou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

Relatório
As interrupções de gravidez por opção da mulher continuaram a diminuir em 2015, que registou o número mais baixo desde 2008,...

O aborto por opção da mulher até às dez semanas representa a esmagadora maioria (96,5%) de todas as interrupções de gravidez feitas no ano passado.

O relatório com os registos de interrupção da gravidez está disponibilizado no micro site “Saúde Sexual e Reprodutiva” da Direção-geral da Saúde e os dados tinham sido hoje avançados pelo Jornal de Notícias.

Quanto ao aborto por opção da mulher, diminuiu 1,9% entre 2014 e 2015, tendo sido feitas 15.873 interrupções por decisão da grávida.

Trata-se do número mais baixo desde 2008, primeiro ano completo desde que entrou em vigor a lei que despenalizou o aborto até 10 semanas de gravidez.

Entre 2008 e 2011 houve uma tendência de subida das interrupções, que começaram a descer a partir de 2012, com um decréscimo acentuado de 6,6% nesse ano. Também de 2013 para 2014 se verificou outra descida significativa, de 8,7%.

Em relação aos dados do ano passado, o relatório mostra que metade das mulheres que abortaram por opção referiram ter um ou dois filhos, sendo que 42,3% ainda não era mãe, dados semelhantes aos verificados em anos anteriores.

Quanto a interrupções de gravidez anteriores, 70% das mulheres que decidiram abortar em 2015 nunca tinha realizado qualquer outro aborto, 21% já tinham feito uma intervenção, quase 6% tinha feito duas e 2,5% já tinham realizado três ou mais.

O documento da DGS exibe ainda que mais de sete em cada 10 abortos foram feitos em unidades oficias do Serviço Nacional de Saúde.

Açores
Uma análise de rotina ao sistema de águas do hospital da Horta, na ilha do Faial, Açores, detetou a presença de ‘legionella’ na...

Fátima Pinto disse à agência Lusa que “não se trata de um surto” de ‘legionella’, na medida em que “nenhum doente foi infetado”, adiantando terem já sido realizadas desinfeções ao sistema de água, para evitar que pacientes ou profissionais de saúde possam vir a ser infetados.

“Não é um surto de ‘legionella’. Um surto tem a ver com a infeção de vários doentes, coisa que não tivemos. É apenas e só uma contaminação das águas do hospital da Horta, no edifício velho”, esclareceu a profissional de saúde.

A ‘legionella’ é uma bactéria que, quando inalada, pode provocar infeções respiratórias graves, e até mesmo a morte, como aconteceu, em novembro de 2014, em Vila Franca de Xira, onde foram infetadas 400 pessoas, 12 das quais acabaram por morrer.

A diretora clínica em funções do hospital da Horta considerou que o caso agora detetado “não é grave” e garantiu que já foram tomadas “as medidas de precaução adequadas”, para evitar que os doentes estejam expostos à bactéria.

“Evitaram-se os banhos. Os doentes passaram a tomar banho no bloco novo e houve uma preocupação no sentido de evitar que os doentes estejam expostos a vapores ou a nebulizações que possam ter água das torneiras”, declarou Fátima Pinto.

O conselho de administração do hospital da Horta tem estado em contacto com a Direção-Geral da Saúde e divulgou, entretanto, um comunicado interno a alertar para os procedimentos a adotar nestes casos.

Para hoje está prevista a chegada à ilha de uma equipa de técnicos para proceder à recolha de amostras na canalização do hospital para posterior análise em laboratório.

Só dentro de 12 dias, quando os resultados forem conhecidos, é que a administração da unidade de saúde saberá se o problema está ou não ultrapassado.

DGS autoriza sob condições
A dádiva de sangue por parte de homossexuais e bissexuais vai passar a ser permitida, embora condicionada a um período de...

Estas novas regras vêm pôr fim à proibição total de homens que têm sexo com homens (HSH) - homossexuais e bissexuais - poderem dar sangue, passando aquilo que é hoje considerado como “critério de suspensão definitiva” para “critério de suspensão temporária”.

Na prática, os HSH passam a poder ser dadores de sangue, estando sujeitos à aplicação de um período de suspensão temporária de 12 meses após o último contacto sexual, com avaliação analítica posterior.

O mesmo período de suspensão (um ano) é aplicado a todos os dadores que tenham tido relações sexuais com trabalhadores do sexo e utilizadores de droga.

Estes grupos são descritos como “subpopulações com risco infeccioso acrescido para agentes transmissíveis pelo sangue”, precisamente por serem considerados “subpopulações com elevada prevalência de infeção”.

A norma, publicada na página da DGS, vem também estabelecer um período de suspensão de 12 meses após o último contacto sexual para pessoas que tenham tido parceiros portadores de infeção por VIH, hepatite B e hepatite C.

Na mesma situação estão todos aqueles que tenham tido contacto sexual (em Portugal ou no estrangeiro) com pessoas originárias de países com epidemia generalizada de infeção por VIH, de que são exemplo vários países africanos, entre os quais os lusófonos Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Já os homens e mulheres que tenham um novo parceiro sexual têm que esperar seis meses para serem avaliados quanto à possibilidade de darem sangue.

Mantêm-se “suspensos definitivamente”, ou seja, proibidos de dar sangue, todos os trabalhadores do sexo e utilizadores de drogas, por estarem “expostos a um elevado risco infeccioso”.

O documento sustenta que sendo os períodos de suspensão determinados pelo risco de transmissão associado aos comportamentos e havendo “poucos dados disponíveis sobre o risco infeccioso nos indivíduos que descontinuam” aqueles comportamentos, “a eliminação da suspensão não é suportada pela evidência científica e poderia introduzir um risco inaceitável”.

A NOC sobre “Comportamentos de Risco com Impacte na Segurança do Sangue e na Gestão de Dadores: Critérios de Inclusão e Exclusão de Dadores por Comportamento Sexual” foi emitida pela DGS sob proposta conjunta do Departamento da Qualidade na Saúde, do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA, do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e da Ordem dos Médicos.

O fim da proibição da dádiva de sangue por homossexuais e bissexuais já havia sido recomendada por um grupo de trabalho do IPST e aceite pelo Ministério da Saúde, em agosto de 2015.

Na altura, as recomendações apontavam para a possibilidade de os HSH poderem dar sangue ficando sujeitos à aplicação de um período de suspensão temporária que poderia ser de seis ou 12 meses.

O documento considerava que deveria “ser garantida a não discriminação dos dadores”, assumindo também como prioritário a garantia da segurança da transfusão.

Idade é o principal fator de risco
Cinquenta a setenta por cento dos portugueses com demência sofrem de Alzheimer, disse à agência Lusa a responsável pela...

"O número de portugueses [cerca de 160 mil] com demência é uma estimativa adaptada às características da nossa população, com base em estudos efetuados para os países da Europa do sul", precisou a médica Isabel Santana.

A neurologista coordena a exposição científica sobre aquela patologia que é inaugurada na quarta-feira em Coimbra, no Museu Machado de Castro, intitulada "Desenhar o tempo", que se insere nas comemorações do Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

A mostra, que vai estar patente até 31 de outubro, retrata a forma como "se desenha o tempo na demência" e pretende, segundo Isabel Santana, "apenas sensibilizar as pessoas para a doença e nada mais".

Trata-se de uma experiência cognitiva e gráfica que permite compreender o funcionamento do cérebro humano e conhecer as suas fragilidades, de forma a sensibilizar para a importância do diagnóstico precoce da demência e da doença de Alzheimer.

"Esta exposição é dedicada ao Teste do Desenho do Relógio (TDR), um dos testes cognitivos mais populares tanto na deteção como no acompanhamento da evolução de doentes de Alzheimer", explica a neurologista do CHUC.

Os avanços alcançados no diagnóstico cada vez mais precoce têm sido acompanhados pela inovação em fármacos com potencial de prevenção, que podem retardar o aparecimento de sintomas e a progressão da doença.

A exposição "Desenhar o tempo" é promovida pelo Museu Machado de Castro em colaboração com a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer.

Em comunicado, os organizadores explicam que a "representação do tempo através de um relógio envolve a ativação de várias regiões cerebrais e a colaboração de múltiplas funções cognitivas (visuais, abstração, conhecimento dos números, capacidades de organização e de execução...), que se vão perdendo progressivamente nas demências".

O teste do desenho do relógio é um instrumento neuropsicológico breve e ecológico que reflete a evolução da doença, mas que também tem sensibilidade para revelar os benefícios e reconquistas das novas estratégias de intervenção.

"A utilização desta prova na prática clínica implicou a realização de estudos na comunidade que permitiram definir objetivamente os padrões de normalidade de acordo com a idade e a escolaridade e caracterizar os erros mais frequentes nas diversas formas de demência", lê-se no documento.

Os promotores da exposição consideram que o envelhecimento ativo, baseado em programas que associam atividade física e estimulação cognitiva, é uma estratégia preventiva "com eficácia comprovada, que deve ser implementada na comunidade".

Segundo a neurologista Isabel Santana, a idade é o principal fator de risco da doença de Alzheimer, cuja prevalência em Portugal é semelhante à dos restantes países europeus.

Dados DGS
Metade das causas de doença e de morte em Portugal têm relação direta com a alimentação, segundo a Direção-geral da Saúde, que...

Na conferência sobre o Plano Nacional da Saúde que hoje decorreu em Loures, o diretor-geral da Saúde avisou que quase metade dos portugueses adultos tem hipertensão, sendo o consumo de sal uma das principais causas para aquela doença crónica.

“Pelo menos metade das causas de doença e de morte têm relação direta com a alimentação, sobretudo com o excesso de sal, mas também o excesso de calorias, as gorduras de fabrico industrial e o açúcar”, afirmou Francisco George em declarações aos jornalistas.

Um dos objetivos centrais do atual Plano Nacional de Saúde é diminuição da mortalidade precoce (antes dos 70).

Portugal quer ainda aumentar em 30% a esperança de vida saudável aos 65 anos em 2020, assumindo como fundamental ter programas que intervenham no grupo etário dos 50 a 60 anos.

Traçada como uma das metas do atual Plano Nacional de Saúde, o aumento da esperança de vida saudável aos 65 anos passaria nos homens a ser de 12,9 anos e de 11,7 anos nas mulheres.

Atualmente, embora as mulheres tenham maior esperança média de vida, registam valores inferiores no que respeita à esperança de vida saudável. Ou seja, vivem mais que os homens, mas com menos qualidade a partir da terceira idade.

O aumento da esperança média de vida saudável e a diminuição da mortalidade precoce (antes dos 70) são duas das quatro grandes metades definidas no Plano, que contempla ainda objetivos mais dirigidos às gerações mais jovens.

Um deles é a redução da prevalência do consumo de tabaco na população com mais de 15 anos e a eliminação ao fumo ambiental, enquanto o outro é o controlo da obesidade na população infantil para que não aumente em relação aos valores atuais.

Segundo a Direção-geral da Saúde (DGS), as melhorias de vários indicadores de saúde, que se registaram até 2008, desaceleraram a partir dessa data e até 2012, coincidindo com o período de crise, o que pode dificultar algumas metas previstas no Plano Nacional de Saúde.

O coordenador do Plano, Rui Portugal, explicou aos jornalistas que, no período de crise e de assistência financeira, os indicadores foram evoluindo, mas o ritmo de melhoria foi menor do que nos anos anteriores.

Direção-Geral de Saúde alerta
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu oficialmente a eliminação do sarampo e da rubéola em Portugal, mas o diretor...

“A OMS certificou a eliminação do sarampo e da rubéola em Portugal. São grandes vitórias, grandes conquistas, feitos muito importantes, resultado do Programa de Vacinação, que conseguiu acabar com este risco”, afirmou hoje Francisco George aos jornalistas, lembrando que o sarampo é uma doença especialmente grave em crianças.

O diretor-geral da Saúde admite que a vacinação pode ser o “maior inimigo” da própria vacinação. Não "se vendo a doença", que foi eliminada pelas vacinas, corre-se o risco de não continuar a imunizar as crianças.

“As mães não sabem hoje em dia o que é o sarampo. Ele não existe, não circula. É fundamental continuar a vacinar, garantir a imunização de grupo”.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma cerimónia em Loures, Francisco George salientou a importância de assegurar que há uma barreira de proteção se um caso de sarampo vier eventualmente a ser importado (através de viajantes, de migrantes ou turistas).

“É preciso continuar a vacinar contra o sarampo e a rubéola apesar de não termos em Portugal a circulação dos vírus”, insistiu.

Pesquisa
Investigadores britânicos acreditam ter encontrado a solução para esta ‘epidemia’ mundial. A conclusão foi finalmente publicada...

A obesidade é um das doenças do estilo de vida que mais coloca a saúde em risco. Diabetes tipo 2, problemas nas articulações e nos ossos, sedentarismo, depressão e cancro são algumas das consequências mais diretas daquela que é uma das ‘epidemias’ mais penosas da atualidade.

Embora a ciência faça os possíveis e impossíveis para travar o crescimento do número de casos de pessoas obesas, a solução parece ser mais complexa do que o pensado. Mas não é por isso que deixa de ser possível.

Como já lhe contámos, uma equipa de investigadores do Imperial College London começou a desconfiar que travar a obesidade não depende, apenas, das bandas gástricas nem tão pouco das cirurgias de remoção de gordura. O final do excesso de peso pode estar numa simples injeção hormonal que atue não só na pessoa em si como também nas bactérias que se encontram no seu intestino.

Segundo os investigadores, que viram finalmente o seu estudo publicado há dias na Nature, é possível travar a obesidade em menos dez anos e, para tal, basta usar uma injeção para afetar as hormonas relacionadas com o apetite, uma vez que é a solução mais eficaz para aumentar os níveis de saciedade e a consciência mental disso (seja da pessoa ou das bactérias que habitam no seu intestino).

As conclusões exatas fora agora conseguidas e divulgadas  e provam que a injeção com as hormonas intestinais OXM, PYY e GLP1 é capaz de reduzir a ingestão de comida em 30% pelo simples facto de deixar a pessoa sem apetite.

“Vários componentes e metabolitos bacterianos foram mostrados para estimular as vias de saciedade intestinal; ao mesmo tempo, a sua produção depende de ciclos de crescimento bacteriano. Esta modulação ligada ao crescimento bacteriano de curto prazo da saciedade intestinal pode ser acoplado com a regulação a longo prazo do apetite, controlado pelo circuito de neuropeptidérgicas no hipotálamo. De facto, vários produtos bacterianos são detetados na circulação sistémica, a qual pode atuar diretamente sobre os neurónios do hipotálamo”, lê-se na revista Nature, que salienta que esta revisão “analisa os dados relevantes para o possível envolvimento das bactérias do intestino na regulação do apetite e propõe um modelo homeostático integrador de controlo do apetite, que inclui as necessidades energéticas de ambos, a da pessoa e das suas bactérias intestinais”.

Novo estudo
O vírus do Zika pode provocar lesões neurológicas em bebés mesmo quando a infeção ocorre dias antes do nascimento e não apenas...

Publicado na revista Clinical Infectious Diseases e hoje citado pela agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no estudo apresentam-se novos dados sobre os efeitos do vírus do Zika no feto.

“Predominava, até então, o paradigma de que a infeção seria preocupante somente se ocorresse no primeiro trimestre da gestação. No entanto, observamos danos cerebrais em quatro crianças cujas mães foram infetadas faltando entre duas e uma semana para o parto”, afirmou Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e integrante da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika).

Os cientistas têm acompanhado um grupo de 55 mulheres com diagnóstico confirmado de Zika durante a gestação, no Hospital de Base de São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

À medida que os bebés vão nascendo, também são submetidos a exames detalhados.

Em quatro das crianças expostas ao vírus no último trimestre de gravidez, exames imagiológicos revelaram a presença de lesões no sistema nervoso central características de infeções congénitas.

Além disso, no momento do nascimento, foi possível detetar o Zika ainda ativo na urina e no sangue dos bebés, o que confirma a transmissão vertical (da mãe para o feto) do vírus.

Dois desses casos são relatados no artigo.

“Esses bebés nasceram com peso e altura normal, não tinham microcefalia ou qualquer outro sintoma da doença. As lesões teriam passado despercebidas pelos profissionais de saúde se as mães não fizessem parte de um grupo de estudo”, comentou Nogueira, citado pela agência FAPESP.

Segundo o investigador, o tipo de lesão observada não está associado a manifestações graves em outras situações previamente estudadas, mas as implicações no desenvolvimento neuro cognitivo das crianças infetadas pelo Zika ainda são desconhecidas.

“Agora, pretendemos acompanhar o desenvolvimento dos bebés durante alguns anos e observar se haverá algum prejuízo. Essa descoberta revela mais um espectro da doença e torna-a ainda mais complexa. Não existem apenas os casos dramáticos de microcefalia, mas também outras manifestações menos graves, que precisam ainda ser melhor compreendidas”, disse Nogueira.

O Brasil é o país mais afetado pela atual epidemia de zika, vírus que está associado a complicações neurológicas, sobretudo anomalias no desenvolvimento cerebral (microcefalia) em fetos de mães infetadas.

Segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde sobre o vírus, datado de quinta-feira passada, o Brasil já registou um total de 1888 casos de microcefalia ou malformações do sistema nervoso central potencialmente associadas à infeção pelo Zika.

A epidemia foi declarada em 2015 e desde então 55 países registaram casos da doença, a maioria importados, e 20 países já registaram microcefalia ou outras malformações do sistema nervoso central potencialmente associadas ao Zika.

Concurso Europeu
Projeto de alunos da Azambuja interessou à Cruz Vermelha. Outra equipa nacional estuda efeitos do omeprazol na memória.

Três estudantes portugueses estão perto de revolucionar o combate a doenças provocadas pela falta de cálcio, como o raquitismo, aproveitando um dos resíduos mais comuns em casa: a casca de ovo. Desta querem criar uma pastilha que pode ser dissolvida na comida sem alterar o seu sabor, adicionando-lhe um alto valor nutricional. A Cruz Vermelha Portuguesa já se mostrou interessada neste suplemento alimentar desenvolvido pelos estudantes da Escola Secundária da Azambuja, Henrique Gonçalves, Margarida Sousa e Nelya Kril. Trio que hoje saberá em Bruxelas se esta ideia é uma das premiadas no European Union Contest for Young Scientists (EUCYS).

Uma tese de mestrado do Instituto Universitário de Lisboa que apontava a falta de cálcio como a terceira causa de morte em Moçambique levou os três alunos, apresentados como jovens cientistas, a desenvolverem um suplemento alimentar para combater, por exemplo, o raquitismo e a osteoporose. Este trabalho, na área da Química, acabou por ser um dos dois projetos nacionais que se destacaram na 10.ª Mostra Nacional de Ciência, promovida pela Fundação da Juventude, conquistando o passaporte para concorrer ao EUCYS.

O outro projeto que hoje saberá se foi distinguido juntou Carlota Andrade, 17 anos, e Vasco Pereira, 18, alunos da Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar, garantindo os jovens que realizaram o primeiro estudo, recorrendo a moscas, sobre os efeitos do omeprazol em organismos invertebrados.

Neste concurso o primeiro lugar rende 7500 euros, o segundo 5000 e o terceiro 3500, havendo prémios para três categorias. Nesta segunda-feira serão revelados os vencedores da iniciativa da Comissão Europeia que reúne cerca de 150 jovens cientistas de 38 países com projetos das mais variadas áreas da ciência.

A importância do ovo

O trio português que vai apresentar o projeto de produzir pastilhas ricas em cálcio tem 18 anos e o acesso à universidade confirmado para este ano letivo.

"Temos a prova de que os ovos têm um valor incontestável em países onde a malnutrição tem um impacto massivo", explicou ao DN Nelya Kril, acrescentando que as experiências realizadas na secundária da Azambuja desde o início do último ano letivo, apoiados pela professora de Química, Margarida Duarte, foram deixando claro que há "muitas vantagens" no consumo de ovos biológicos, a partir de galinhas criadas ao ar livre, comparativamente com os ovos de aviário. "As cascas destes ovos têm maior quantidade de cálcio biodisponível e podem ser transformadas num bem precioso", sublinhou a jovem cientista, acrescentando que é possível calcular a quantidade de cálcio que cada corpo pode absorver, em função da idade, e suprir as necessidades das pessoas através das cascas de ovos.

"A Cruz Vermelha deu-nos uma apreciação positiva e reforçou que esta medida pode ser aplicada em países com malnutrição, como Moçambique. Quer dizer que podemos ajudar", congratula-se a porta-voz da equipa, revelando que também o Hospital da Luz está a tentar perceber se a pastilha poderá traduzir-se numa alternativa aos fármacos convencionais.

E quanto às expectativas para o concurso? "Aqui [em Bruxelas] há projetos muito bons e de muitas áreas", reconhece Nelya Kril, adiantando que independentemente do resultado os três jovens gostavam de poder continuar a desenvolver investigação e projetos em conjunto. Apesar de irem para cursos e universidades diferentes: Henrique aposta em Gestão, Margarida em Engenharia de Materiais e Nely em Engenharia Civil.

O omeprazol e a falta de memória

O segundo projeto de portugueses que foi apresentado em Bruxelas juntou três alunos da Escola Secundária Júlio Dinis (Ovar), garantindo os jovens que realizaram o primeiro estudo sobre os efeitos do omeprazol em organismos invertebrados, recorrendo a moscas. Uma investigação em Biologia que apurou diferenças significativas na reprodução dos géneros e na memória, o que já atraiu dois centros de investigação do Porto.

"Uma boa classificação em Bruxelas [hoje] seria muito importante para o currículo, mas o facto de estarmos aqui a discutir estes temas com professores, quase de igual para igual, já é bom para nós", assegura Carlota que acaba de entrar na Universidade de Aveiro, tal como Vasco. Ela em Ciências do Mar e ele em Engenharia Física.

O omeprazol pertence a um grupo de medicamentos chamados inibidores da bomba de protões, tendo sido publicados estudos que atribuem à ingestão prolongada deste fármaco uma carência da vitamina B12 necessária para o desenvolvimento e a manutenção das funções do sistema nervoso.

Carlota explicou ao DN que uma mosca fêmea contaminada com omeprazol que acasale com um macho sem efeito do medicamento vai reproduzir muito menos ovos, mas se for o macho o afetado não terá impacto nesse número.

A investigação, que obteve resultados em um mês, por se tratar de uma espécie com um tempo curto de vida - em humanos poderia demorar 20 a 40 anos para se chegar a alguma conclusão -, sujeitou ainda as moscas a testes de memória, com diferentes gamas de concentração de omeprazol na forma pura e na forma comercial (Omeprazol Omezolan) durante 24 horas antes do início de cada teste. Os resultados obtidos demonstram possíveis efeitos de letargia ou confusão induzidos pelo consumo deste fármaco.

OMS revela
Além das duas doenças contagiosas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) certificou ainda a eliminação de outras cinco doenças:...

O sarampo e a rubéola estão erradicados em Portugal, avançou o Diário de Notícias no domingo (19/09), que escreve que a notificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), a dar conta do facto, chegou esta semana.

Ouvido pela TSF, o diretor-geral de Saúde, Francisco George, diz que este é um prémio que distingue o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas recorda que a vacinação tem de continuar enquanto o vírus circular a nível mundial.

O diploma da Organização Mundial da Saúde (OMS), que oficializa a eliminação, foi entregue na Direção-Geral da Saúde, sendo cinco os certificados que o principal organismo da saúde mundial já deu ao país.

Portugal, onde os casos recentes dos últimos anos foram consequência de infeções de outros países, tem sete doenças eliminadas, colocando-o na lista dos melhores a nível mundial.

"Este é o resultado de um grande trabalho conduzido ao longo dos anos. É um prémio que distingue o Serviço Nacional de Saúde. As mães que agora não lidam com o sarampo devem saber que é uma doença muito grave, com febre muito alta e que era adquirida por todas as crianças. Podia provocar a morte ou estar na origem de pneumonias provocadas pelo próprio vírus. A eliminação do sarampo tem reflexo imediato nas doenças e mortalidade infantil. No caso da rubéola, provocava mal formações nos fetos e por isso os efeitos fizeram-se sentir aí", salientou o diretor-geral da Saúde, Francisco George, ao Diário de Notícias.

O termo erradicação usa-se quando as doenças deixam de circular a nível mundial, mas que "como os vírus não se encontram em Portugal pode dizer-se que houve erradicação" no nosso país.

29 de Setembro – Dia Mundial da Retina
No dia 29 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Retina e a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta a população...

Das doenças da retina com maior impacto na acuidade visual salientamos a degenerescência macular relacionada com a idade (DMI) e a retinopatia diabética.

A Dra. Rita Flores, oftalmologista e secretária geral da SPO, refere que “a degenerescência macular relacionada com a idade resulta numa afeção degenerativa da mácula, área da retina responsável pela visão central (visão de leitura, reconhecimento de faces, pequenos objetos, etc). Não tratada, a degenerescência macular resulta numa perda progressiva de visão central, sendo que, de uma forma geral, é poupada a visão ambulatória. Os sintomas iniciais desta doença são a deformação da imagem (metamorfopsia) e a dificuldade na leitura”.

Sendo a causa mais frequente de baixa de visão em doentes acima dos 50 anos nos países desenvolvidos, a DMI é uma doença silenciosa e muitas vezes, só é percetível pelo doente, depois de envolver o outro olho.

Já a retinopatia diabética é uma outra entidade muito importante no contexto das doenças da retina, sendo a causa mais frequente de cegueira de origem vascular e surge nos doentes diabéticos secundários à lesão dos pequenos vasos da retina.

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