Estudo revela
A incapacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde é um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento do setor...

O documento, desenvolvido pela consultora Augusto Mateus & Associados, considera que o "setor privado da saúde é cada vez mais relevante para a saúde dos portugueses, para a sustentabilidade do sistema de saúde e para o tecido empresarial nacional".

"Para lá do caráter supletivo face ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), o setor privado da saúde em Portugal assume também um papel complementar", pode ler-se no estudo apresentado na conferência "Saúde Privada em Portugal", organizada pelo Millennium bcp.

Os autores do trabalho concluem que, no primeiro caso, o setor privado proporciona uma maior rapidez no acesso a cuidados, maiores níveis de conforto, a possibilidade de escolha de médico, simpatia dos colaboradores, notoriedade, localização e entidade prestadora dos cuidados.

No segundo caso, "o setor privado é procurado especificamente para preencher lacunas ou contornar fragilidades da oferta pública, tais como a fraca cobertura [medicina dentária], as listas de utentes sem médico de família ou tempos de espera para marcação de consulta programada nos centros de saúde ou as listas de espera para cirurgia".

A atividade privada da saúde encontra-se bastante concentrada nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sendo secundada por alguns polos na região Centro, sobretudo, Coimbra.

As regiões de Lisboa e Porto "são responsáveis por 68,2% das empresas, 79,3% do volume de negócios e por 72,7% do resultado líquido".

O estudo revela que 40% da população portuguesa está coberta por um subsistema de saúde público (ADM, Ministério da Justiça, ADSE), privado ou um seguro de saúde, além de ser beneficiária do SNS.

"Atendendo a que este financiamento está tendencialmente direcionado para prestadores privados, sinaliza a relevância expressiva que o setor privado assume no quadro nacional da saúde", lê-se no documento.

O setor privado da saúde é atualmente responsável por 79 mil empresas, 130 mil empregos e 5,7 mil milhões de euros de faturação anual.

Segundo os autores do estudo, o setor privado da saúde apresenta bons índices competitivos "mais favoráveis do que a generalidade das atividades económicas do país" e prossegue a sua expansão para o interior do território nacional.

Saiba como os eliminar
Os piolhos surgem sobretudo na infância e não são sinónimo de falta de higiene.
Desenho de um piolho

O piolho é um parasita que provoca uma infestação, de contágio muito fácil e desenvolvimento muito rápido, provocando dermatoses. Esta é provocada pela picada que o parasita faz para se alimentar do sangue. Ou seja, Os piolhos ligam-se aos pêlos para picar a pele e alimentar-se de sangue humano.

Os piolhos têm um voraz apetite e alimentam-se cada três horas do sangue do couro cabeludo, depois de injectar uma substância anestésica na pele. Rapidamente os piolhos atingem o estado adulto (cerca de 3mm) e as fêmeas começam a por os ovos. As lêndeas são os ovos postos pela fêmea piolho e que ficam coladas ao cabelo com uma saliva produzida. Cada fêmea põe aproximadamente 10 lêndeas por dia, e 160 ao longo da vida.

A esta infestação de piolhos é dado o nome de pediculose. Não se trata de uma situação grave, apesar de desagradável quer pelo aspecto, quer pela comichão que provoca. Deve, contudo, tratar-se imediatamente.

Transmissão dos piolhos

Os piolhos transmitem-se por contágio directo (cabelo, barba, sobrancelhas), ou através de objectos pessoais: pentes, chapéus, almofadas, camisolas, barretes, cachecóis, etc.. A transmissão é mais fácil em escolas, infantários, colónias de férias ou entre familiares.

Por isso, deve vigiar e lavar com frequência a cabeça das crianças. Não deve usar roupa nem objectos de outras pessoas, que possam estar contaminados (os piolhos podem sobreviver 36h sem se alimentarem). Se sabe que está em contacto com pessoas infestadas deverá usar um repelente de piolhos.

Sinais de alerta dos piolhos

A comichão na cabeça, principalmente na nuca e atrás das orelhas, e, por vezes, na fronte é o principal alerta para a possibilidade de existir uma pediculose. Para além disso, podem surgir crostas na cabeça e atrás das orelhas, provocadas pela picada do piolho e consequente coceira. Por outro lado, será visível a presença de lêndeas esbranquiçadas presas ao cabelo.

Como acabar com os piolhos

Deve iniciar o tratamento logo que se detecte a infestação. Deve utilizar o produto adequado, de acordo com as informações do seu farmacêutico e do folheto informativo. Elimine as lêndeas com um pente fino próprio, lave muito bem todos os objectos e roupa em contacto com o cabelo.

O tratamento deve ser feito na mesma altura por todas as pessoas que tenham piolhos ou que vivem com quem está infestado.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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Os ministros da Saúde de Portugal e Espanha lançaram hoje em Madrid uma iniciativa considerada “histórica” para aumentar a...

“Os doentes e os cidadãos portugueses e espanhóis podem, têm a possibilidade, de adquirir medicamentos mais baratos de igual qualidade”, resumiu o ministro da Saúde de Portugal, Adalberto Campos Fernandes, em conferência de imprensa ao lado da ministra espanhola.

Os dois responsáveis governamentais assinaram uma “declaração de intenções” que pretende “marcar o início de negociações centralizadas de medicamentos” entre os dois países.

“Vamos selecionar um medicamento como prova piloto para desenvolver um procedimento comum de compra para os dois países”, explicou a ministra da Saúde, Serviços sociais e Igualdade de Espanha, Dolors Montserrat Montserrat.

Adalberto Campos Fernandes assegurou que “não se trata apenas de um objetivo de poupança [sustentabilidade do sistema], trata-se de libertar recursos que são escassos para que com essas poupanças” os dois países possam aceder a “mais fármacos, mais inovação terapêutica, repartindo esse benefício com o consumidor”.

O documento assinado incide no financiamento e na fixação de preços de medicamentos e outras tecnologias de saúde, na partilha de informações e na elaboração de documentos técnicos nestas áreas.

“A partir de agora vamos trabalhar numa cooperação estruturada que será uma oportunidade para realizar melhorias na saúde de 60 milhões de habitantes” portugueses e espanhóis, disse o ministro português.

Adalberto Campos Fernandes constatou que Portugal e Espanha são uma região com continuidade territorial e epistemológica, o que vai levar a que técnicos dos dois países também aumentem a cooperação no estudo de “doenças que não têm fronteira”.

Os especialistas ibéricos vão assim identificar métodos comuns de vigilância e partilha de dados para a deteção precoce da presença de mosquitos e, em seguida, adotar medidas conjuntas para reduzir e controlar as populações vetores nas zonas fronteiriças.

Finalmente, os dois governos decidiram avançar na facilitação da repatriação de cadáveres entre os dois países e pôr fim a uma série de atrasos provocados por procedimentos administrativos inúteis.

SNS +Proximidade
Projeto-piloto arrancou na região Norte e contempla outras medidas, como dotar os centros com material para análises. O...

Os médicos de família vão saber quantas vezes os seus utentes foram às urgências de um hospital, a que horas, se se tratava de uma situação grave ou não e se antes procuraram assistência no centro de saúde e se este foi capaz de lhes dar resposta. A medida já está em teste na região Norte e faz parte do projeto SNS +Proximidade, que envolve outras iniciativas como centros de saúde capazes de fazer análises ou vias diretas com os hospitais para cuidados especializados sem que os utentes encaminhados tenham de passar pelas urgências.

Chama-se SNS +Monitor e está em vigor desde 22 de junho, com o início do projeto SNS +Proximidade na região Norte, escreve o Diário de Notícias. A iniciativa abrange 660 mil utentes inscritos nos agrupamentos de centros de saúde (ACES) de Gondomar, Porto Ocidental, Matosinhos e Barcelos. Pessoas com doenças crónicas, com mais de um problema de saúde, com planos individuais de cuidados desenhados em parceria com os médicos de família de forma a estabelecer os objetivos que permitam melhorar a sua saúde.

"O projeto vai permitir ao médico de família saber quais os utentes que vão mais vezes às urgências, a que horas foi, a cor da pulseira atribuída na triagem, se no mesmo dia foi ao centro de saúde para se perceber se é um sobreutilizador. Entre as primeiras coisas a avaliar é se conseguiu uma consulta aberta no centro de saúde e quanto tempo esperou após o pedido da mesma. Interessa saber se está a seguir o plano individual de cuidados, se foi ou não às consultas da especialidade. O que se pretende é ter toda a informação do percurso do doente", explica Constantino Sakellarides, consultor do Ministério da Saúde e responsável pelo projeto SNS +Proximidade.

No final de 2018 pretende-se que exista um retrato completo destes utentes. Para já o trabalho parte do retrato colhido em maio, que mostrava que nessa altura os 660 mil utentes estavam distribuídos por 433 médicos de família dos quatro ACES e foram responsáveis por 7803 episódios de urgências. No mesmo período realizaram-se 118 547 consultas de medicina geral e familiar nestes centros de saúde.

O projeto piloto tem uma outra componente que começou a ser testada na mesma altura e que envolve os quatro ACES e os hospitais de Santo António, Pedro Hispano e Barcelos, as unidades de referência geográfica. O que se pretende, explica Sakellarides, "é aumentar a capacidade dos centros de saúde para darem resposta e conforto aos utentes e proteger as urgências" de situações que não precisam de cuidados diferenciados. Casos das pulseiras verdes e azuis, que no ano passado representaram 40,7% dos 6,4 milhões de episódios de urgências. "O importante é permitir que o doente vá à consulta aberta no centro de saúde perante uma situação aguda. Existem várias modalidades a serem experimentadas. Se precisar de análises, o sangue é colhido no centro de saúde que o envia ao laboratório do hospital ou a laboratório convencionado se este for mais perto. O objetivo é que a pessoa tenha resposta no mesmo período de tempo que teria se tivesse ido ao hospital. Pode aguardar no centro de saúde pelos resultados ou ir para casa e o médico entra posteriormente em contacto para dar os resultados e seguimento, se for caso disso", explica.

No início do próximo ano serão lançados projetos semelhantes nas restantes administrações regionais de saúde: Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. "A previsão é que sejam abrangidos 1,5 milhões de utentes. A região Norte foi a primeira a ser escolhida porque é onde a cobertura de médicos de família está praticamente completa. Sem a base dos cuidados de saúde primários não é possível testar o projeto", salienta Constantino Sakellarides.

Apifarma
Candidatura de Lisboa para acolher Agência Europeia do Medicamento tem apoio da Apifarma. Comissão deverá escolher cidade,...

"Porquê Lisboa?" São 60 páginas de argumentos para tentar convencer o governo a escolher a capital, em detrimento da do Porto, para sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA), organismo que tem de ser relocalizado na sequência da saída do Reino Unido da União Europeia. O dossiê da candidatura, a que o Diário de Notícias teve acesso, está pronto e já foi entregue aos ministérios da Saúde e dos Negócios Estrangeiros e à Comissão de Candidatura Nacional (CNN), que hoje decide qual a cidade portuguesa que vai tentar acolher a sede da EMA.

E, para já, a capital conta com um apoio de peso. "Com Lisboa, Portugal tem uma possibilidade grande" de se tornar a sede da EMA, comentou ao Diário de Notícias Almeida Lopes, presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, Apifarma. Este responsável recusou alongar--se em comentários que justificassem a preferência por Lisboa, relembrando, porém, que a Apifarma elogiou, há uns meses, o voto de louvor do Parlamento à candidatura nacional, a de Lisboa.

A Alta de Lisboa, Parque das Nações, frente Ribeirinha de Lisboa, Lagoas Park (Porto Salvo), Taguspark (Oeiras) e as antigas sedes do Banco Nacional Ultramarino, do BANIF e do Instituto Nacional da Água (as três no centro de Lisboa) são os oito locais propostos com possibilidade para acolher a sede da EMA.

A localização, nomeadamente a distância para o aeroporto, é um dos principais argumentos que esta candidatura utiliza, considerando-o uma vantagem relativa à candidatura da cidade do Porto (ver quadro ao lado).

Os critérios exigidos às cidades candidatas vão desde a capacidade de acolhimento para os 890 funcionários da agência, escolas internacionais para mais de 600 crianças, ligações aéreas às principais capitais europeias, capacidade hoteleira para 30 mil dormidas anuais, um edifício pronto a funcionar em 2019, altura em que o brexit fica concluído. E Lisboa considera que em todos estes requisitos ganha vantagem sobre o Porto. E para isso recorre-se de um relatório de fevereiro, feito antes de Portugal anunciar a candidatura nacional que concluiu que a capital oferecia "maiores possibilidades de sucesso" e mais hipóteses de competir com candidaturas como a de Barcelona e Milão.

A localização e as infraestruturas de Lisboa iniciam o dossiê da candidatura, que desfila com um enorme rol de benefícios : "Lisboa é a porta de entrada para a Europa, de empresas e cidadãos da América do Norte, América Latina e África"; "Regista em média 2400 voos por semana e serve 53 companhias aéreas de todo o mundo"; "A partir de Lisboa é possível voar diretamente para 118 destinos"; "O aeroporto fica apenas a 7 km do centro da cidade".

A vantagem competitiva de Lisboa é também salientada na qualidade de vida e pela economia em crescimento - "ocupa a 5.ª posição no ranking das "Cidades e Regiões Europeias do Futuro 2016-2017, do Financial Times"; "foi eleita, em 2014, como a 2.ª melhor cidade do mundo para investir"; "é uma das capitais mais baratas da Europa para viver, ocupando a 137.ª posição no ranking das cidades mais caras do mundo".

Os argumentos abrangem todas as áreas, com destaque para o turismo - onde não foi esquecida a nomeação da CNN que considerou a cidade mais cool da Europa - para a capacidade hoteleira e para o facto de ter uma "população altamente instruída, multilingue e que abraça a mudança e a inovação".

No Porto
Investigadores do Porto desenvolveram conservas de peixe e moluscos com macroalgas da costa portuguesa, recurso que contém...

"Num país onde se estima que mais de um terço da população tenha deficiência de iodo e mais de 70% consuma sal em excesso, os resultados do projeto permitem antever uma revolução no mercado das conservas", disse Simone Morais, docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), uma das entidades envolvidas no Porto.

Com a inclusão de macroalgas, as conservas passam a conter manganês, zinco e iodo, "um micronutriente essencial e cujo défice na dieta alimentar" é um dos "principais problemas socioeconómicos e de saúde pública na Europa", indicou a investigadora do Grupo de Reação e Análises Químicas (GRAQ) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE) do ISEP.

Essas macroalgas, que podem ser de origem selvagem ou de aquicultura, são colhidas e secas de seguida, de forma a manter a conservação, voltando a ser hidratadas antes da preparação das conservas, que também podem ser produzidas com algas frescas, explicou.

Durante o projeto, escreve o Sapo, as macroalgas foram também utilizadas como potenciadoras de sabor salgado e umami (um dos cinco gostos básicos do paladar humano), estando a ser agora estudada a possibilidade de diminuição do sal nas conservas.

"Portugal possui uma das mais extensas costas europeias" e "um enorme potencial de aproveitamento dos recursos marinhos", indicou a docente, acrescentando que o país tem, no entanto, "uma das mais elevadas taxas de subaproveitamento desses recursos", em comparação com os principais parceiros europeus.

Para Simone Morais, os resultados comprovam o potencial diferenciador da utilização das algas nos produtos de conserva, visto trazerem benefícios ao nível sensorial, possibilitando uma maior diversidade aos consumidores, e ao nível nutricional, permitindo colmatar algumas das "mais preocupantes" deficiências alimentares.

A investigadora acredita que, devido ao valo nutricional das algas, em particular pelo seu conteúdo em micronutrientes essenciais e em proteínas de elevado valor biológico, a integração destas na alimentação pode assumir grande relevância, respondendo também à "intensa e crescente" procura dos consumidores por alimentos mais saudáveis e naturais.

O "iCanSea" resulta de uma consórcio formado pelo ISEP, pela fábrica de conservas La Gondola e pela empresa de consultoria de enfoque tecnológico WeDoTech, sendo uma iniciativa do programa Portugal 2020, financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) em 213 mil euros, através do COMPETE2020.

Questionado pela Lusa, Sérgio Real, representante da empresa La Gondola informou que as conversas serão produzidas e comercializadas, em princípio, a partir de setembro.

"Já temos interessados nacionais e internacionais e estamos a ultimar o projeto, procurando a melhor forma de ter uma produção contínua", indicou.

Com um investimento total de 403 mil euros, o projeto teve início em julho de 2015 e finalizou em junho de 2017, contando com a participação de oito investigadores do ISEP, dois do WeDoTech e sete elementos da La Gondola.

OMS alerta
Infeção por gonorreia está a ganhar cada vez mais resistência aos antibióticos e já há relatos de casos de tratamento...

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um alerta sobre a resistência crescente da gonorreia, apontando mesmo alguns casos em que esta doença sexualmente transmissível se tornou intratável, devido à sua resistência aos antibióticos. A doença está cada mais forte e os medicamentos estão a ficar cada vez menos eficazes para a combater.

A conclusão foi tirada a partir da observação de 77 países, entre os quais a Organização encontrou mesmo alguns (países mais ricos e desenvolvidos estão incluídos neste grupo) onde foram identificadas infeções por gonorreia que resistiram aos antibióticos, escreve o Observador. “As bactérias que causam a gonorreia são particularmente inteligentes. Cada vez que usamos uma nova espécie de medicamento para tratar a infeção, elas evoluem para lhe resistirem”, explicou a médica da OMS, Teodora Wi, num comunicado divulgado no site da Organização.

A médica explica que mesmo nos países mais ricos, onde a vigilância funciona melhor, estão a ser encontrados casos de infeções impossíveis de tratar, devido à resistência a medicamentos. “Estes casos podem ser apenas a ponta do iceberg, já que a gonorreia é mais comum nos países mais pobres e onde faltam meios de diagnóstico e de tratamento”.

A infeções por gonorreia atingem todos os anos, de acordo com as estimativas mais recentes, 78 milhões de pessoas, com a doença a ser transmitida através de relações sexuais, podendo infetar os órgãos genitais, o reto e a garganta. A OMS está especialmente preocupada com esta última forma de infeção — e a propagação da doença através de sexo oral — já que há muitos diagnósticos errados, e os medicamentos normalmente usados para uma dor de garganta podem aumentar a resistência da bactéria. “Há uma mistura com a espécie Neisseria gonorrhoeae [o nome científico da doença] na garganta e isso resulta em resistência” aos medicamentos, detalhou a médica, citada pela BBC.

De acordo com a OMS, “o declínio do uso do preservativo, o aumento das viagens, os baixos níveis de deteção da doença e o tratamento errado estão a contribuir para este aumento” da gonorreia. Em muitos casos, a infeção não tem sintomas associados e pode provocar problemas mais tarde, como doenças pélvicas, gravidezes ectópicas e infertilidade.

A pesquisa por um novo fármaco, que possa combater a doença de forma mais eficaz e alargada, existe mas a OMS explica que o desenvolvimento de antibióticos “não é muito atrativo do ponto de vista comercial para as farmacêuticas”, já que os tratamentos são curtos e são também menos eficazes à medida que a doença se vai tornando resistente, o que significa a necessidade recorrente de se desenvolverem novos medicamentos.

“No curto prazo, pretendemos acelerar o desenvolvimento e a introdução de, pelo menos, um dos medicamentos em estudo, e avaliaremos o possível desenvolvimento de tratamentos combinados para uso em saúde pública”, explica a médica Manica Balasegaram, que pertence à organização sem fins lucrativos, criada pela OMS, para a pesquisa global de antibióticos e desenvolvimento de parcerias nesta matéria.

No mesmo comunicado onde detalha o estado da doença no Mundo, a OMS ainda alerta para os cuidados a ter para a sua prevenção, apontando “um comportamento sexual mais seguro”, concretamente pelo “uso consistente e correto do preservativo”. Isto além da divulgação de informação não só sobre esta matéria, como também sobre os sintomas da doença, para que possa ser diagnosticada mais cedo, bem como outras doenças sexualmente transmissíveis.

Em 2016
Portugal registou no ano passado a segunda taxa de natalidade mais baixa entre os 28 Estados-membros da União Europeia e foi um...

De acordo com os dados do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE), Portugal teve em 2016 cerca de 87 mil nascimentos — o que representa uma taxa de 8,4 nascimentos por cada 1.000 habitantes, a segunda mais fraca da UE, apenas à frente de Itália, com 7,8), contra 110 mil óbitos (uma taxa de 10,7 mortes por cada milhar de habitantes), tendo visto a sua população total recuar de 10,341 milhões em 1 de janeiro de 2016 para 10,309 milhões em 1 de janeiro de 2017, o que representa exatamente 2% da população comunitária.

O Eurostat sublinha que se registou um aumento da população da UE, de 510,3 milhões em 1 de janeiro de 2016 para 511,8 milhões em 1 de janeiro de 2017, mas registou-se sensivelmente o mesmo número de nascimentos e de óbitos (5,1 milhões), o que significa que a variação natural da população da União foi neutra e a variação demográfica positiva, de mais 1,5 milhões de habitantes, se deve ao saldo migratório.

Com 82,8 milhões de habitantes, o que representa 16,2% da população total da UE, a Alemanha é o Estado-membro mais populoso, seguida da França, 67 milhões), Reino Unido (65,8), Itália, (60,6), Espanha (46,5) e Polónia (38), escreve o Observador.

Em termos globais, a população aumento ao longo de 2016 em 18 Estados-membros e desceu em 10, tendo as taxas de natalidade mais elevadas sido observadas na Irlanda (13,5 por 1.000 habitantes), Suécia e Reino Unido (ambos com 11,8) e as mais baixas nos países do sul: depois de Itália e Portugal seguem-se Grécia (8,6) e Espanha (8,7).

“CANCRO 2020: RePensar para Fazer Melhor. Humanização e Partilha”
As associações de doentes que participaram num fórum sobre cancro defendem a criação de um provedor do doente, oriundo da...

Estas são duas das conclusões da 4ª edição do fórum “CANCRO 2020: RePensar para Fazer Melhor. Humanização e Partilha”, que quarta-feira serão apresentadas numa cerimónia na Assembleia da República.

Um dos objetivos desta iniciativa foi que “os principais prestadores de cuidados nestas patologias reunissem consenso sobre uma Agenda Comum para a Prestação de Cuidados no Cancro”.

Essa agenda deve ter por base “informação recolhida sobre key performance indicators (KPI), em contexto nacional e internacional, para o tratamento do cancro da mama e do cancro colo-retal (ainda que abarque questões referentes a todas as doenças oncológicas), tendo em conta as experiências e expectativas dos doentes”.

As associações de doentes que participaram na iniciativa, defendem a existência de um provedor do doente, oriundo da sociedade civil.

“As associações de doentes devem comunicar melhor, com os doentes e com o sistema”, segundo outra das recomendações, tal como uma partilha de recursos entre os hospitais e as associações de doentes.

Na visão do doente, este “deve ser envolvido na decisão sobre o seu tratamento, depois de ser bem informado pelos profissionais de saúde”.

“O doente deve também poder ter acesso à informação sobre ensaios clínicos” e “quer ser ouvido na definição do seu percurso”.

“No que se refere à personalização do doente pelos profissionais, os doentes querem ter profissionais próximos de si, que comuniquem com eles de forma adequada ao seu estado de saúde”, lê-se nas conclusões do estudo.

Exercício de 2014
Um resultado líquido pior que o registado, contas inscritas inapropriadamente, dívidas para pagar e por cobrar foram algumas...

O relatório da auditoria ao CHLN (Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente) foi hoje publicado e revela que as “demonstrações financeiras do centro hospitalar estão afetadas por distorções materialmente relevantes”.

Por esta razão, o Tribunal de Contas (TdC) emitiu “um juízo desfavorável sobre as contas” do CHLN.

Segundo o relatório, o resultado líquido do exercício de 2014 do CHLN, após ajustamentos de auditoria, é de -27,9 milhões de euros, ao invés dos -2,3 milhões de euros, constantes das demonstrações financeiras elaboradas e apresentadas pelo conselho de administração.

“Nesse ano, apesar de ter beneficiado de subsídios à exploração no total de 44,2 milhões de euros, atribuídos a título de verba de convergência, o centro hospitalar tinha capitais próprios negativos de -21 milhões de euros, ou seja, estava em falência técnica”, lê-se no documento.

Em fevereiro de 2013, quanto a atual administração do CHLN assumiu funções, a mesma reconheceu as dificuldades que a instituição atravessava e que contabilizavas 300 milhões de euros de dívidas.

O administrador Carlos Martins, entretanto reconduzido nas funções, assumiu mesmo que o hospital estava em “falência técnica”.

Da auditoria do TdC às contas do CHLN ressalva ainda que a instituição “apresenta um desequilíbrio económico-financeiro estrutural acentuado, em resultado de não produzir cuidados de saúde suficientes para a sua estrutura de custos, que tem vindo a ser coberto pelo Estado através da injeção periódica de meios líquidos, designadamente através de aumentos de capital estatutário ou da atribuição de verbas de convergência que são subsídios à exploração”.

Entre 2012 e 2014, o CHLN recebeu, segundo o TdC, cerca de 69,1 milhões de euros a título de verbas de convergência e 87,5 milhões de euros através de aumentos de capital.

“As verbas de convergência e os aumentos de capital estão a ser atribuídos para cobrir os custos de ineficiência resultantes da ausência de decisão do conselho de administração de reestruturar o centro hospitalar”, lê-se no relatório.

Em 2014, e de acordo com a auditoria, “o prazo médio de pagamento a fornecedores de bens e serviços foi de 504 dias, mais 26 dias do que em 2013, constituindo o sétimo maior prazo médio de pagamento das unidades de saúde do setor empresarial do Estado”.

“Na comparação com outros hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de dimensão semelhante o Centro Hospitalar Lisboa Norte, EPE, apresenta, em 2014, os piores resultados em termos de custos com produtos farmacêuticos e custos com fornecimentos e serviços externos por doente padrão, 931 euros e 456 euros, respetivamente”.

Segundo o TdC, as dívidas a receber de entidades públicas totalizaram 31,9 milhões de euros, das quais 18,2 milhões de euros (57%) permaneciam por cobrar há mais de dois anos.

Cerca de 68,6% (21,9 milhões de euros) do total das dívidas a receber destas entidades eram dívidas de entidades do Ministério da Saúde, destacando-se a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, IP, com 18,3 milhões de euros, incluindo faturas cuja antiguidade remonta até ao ano de 1995.

Do relatório consta que “também se encontram registadas dívidas das Administrações Regionais de Saúde do Norte, do Centro, do Alentejo e do Algarve que, no seu conjunto, ascendem a 700 mil de euros e cuja antiguidade remonta também até ao ano de 1995 e dívidas de hospitais, centros hospitalares, unidades locais de saúde e outras entidades do Serviço Nacional de Saúde com uma antiguidade que remonta até ao ano de 1991 e que, no seu conjunto, no final de 2014, ascendiam a 2,2 milhões de euros”.

No mesmo ano, as dívidas das regiões autónomas dos Açores e da Madeira ascendiam a 5,7 milhões de euros e 4,2 milhões de euros, respetivamente.

A dívida da Região Autónoma da Madeira foi regularizada em 2015, na sequência da celebração do Memorando de Entendimento entre o Ministério das Finanças, o Ministério da Saúde e a Direção-Geral de Proteção Social aos Funcionários e agentes da Administração Pública e a Região Autónoma da Madeira.

A dívida da Região Autónoma dos Açores, no montante de 5,7 milhões de euros, que representa cerca de 11,5% das dívidas de terceiros, continua por regularizar.

As dívidas de embaixadas, maioritariamente de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, totalizam 1,3 milhões de euros, das quais 60,6% respeitam a registos anteriores a 2013.

“Não obstante as diligências realizadas para a cobrança dos montantes em dívida e do pedido de colaboração efetuado junto da Administração Central do Sistema de Saúde, IP, para o efeito, a dívida continua a aumentar”, escrevem os auditores.

O TdC refere que, no final de 2014, “as taxas moderadoras por cobrar ascendiam a 14,1 milhões de euros, respeitantes ao período de 2007 a 2014, montante que se afigura de difícil cobrança dado que parte já se encontrava prescrito”.

No seguimento desta auditoria, o TdC emitiu um conjunto de recomendações, nomeadamente aos ministros das Finanças e da Saúde, entre as quais a de “considerar a possibilidade de retenção das transferências para a Região Autónoma dos Açores, prevista no artigo 12.º da Lei do Orçamento do Estado para 2017, para cobrança das dívidas vencidas desta Região Autónoma para com o CHLN, bem como para com outras unidades de saúde do SNS”.

Ao ministro da Saúde, o TdC recomenda que ajuste o contrato-programa do CHLN, “subordinando-o à oferta de cuidados de saúde das restantes unidades hospitalares da região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo”.

À administração do CHLN, a recomendação vai no sentido desta promover, “no final de cada trimestre, encontros de contas e regularização contabilística de saldos e transações não conciliados entre entidades que integram o Ministério da Saúde, garantindo que as entidades não acumulam dívidas entre elas e a fiabilidade da conta consolidada do Ministério da Saúde”.

Transplante em idade pediátrica
“A doença crónica rouba-lhes a saúde e sobretudo apaga-lhes a infância.

A doença crónica rouba-lhes a saúde e sobretudo apaga-lhes a infância. A casa passa a chamar-se hospital, e a família passa a incluir batas azuis e brancas. Os olhitos movem-se inquietos, como um radar, perscrutando todos os nossos gestos, potencialmente ameaçadores. Os sorrisos rasgam-se quando trazemos prendas ou boas notícias.

A capacidade que eles têm de decifrar a nossa mímica obriga-nos tantas vezes a deixar à entrada do quarto, não só a bata, mas nós mesmos como pessoas.

As mães (qual Pietà) estendem braços enormes, que crescem como o cansaço. Tentam manter a distância e semear afectos entrelaçando os dias numa malha tecida de resiliência.

Com o tempo chega também o «hospitalismo», termo indecifrável, descrito em 1946 por René Spitz. Para ele, designava um conjunto de perturbações físicas e psíquicas que as crianças podem apresentar em consequência de um internamento prolongado, se privadas do afecto materno.

Eu não sei ao certo o que é, mas sei que existe, com ou sem afecto materno. Está presente no olhar baço, nas brincadeiras e discursos que só falam de seringas, picas, drenos e cateteres. Nas birras porque sim e porque não. Nas longas horas de imobilidade, retorcendo cabelos ou destacando com precisão cirúrgica as películas dos lábios ressequidos.

A Princesa Algodão -Doce: hospitalismo*

A Princesa Algodão-Doce teve, com apenas 3 anos de idade, uma falência aguda do fígado e precisou de um transplante urgente. Na semana seguinte, com vida renovada, falava sem cessar da sua casa numa aldeia beirã, onde ratos, patos e galinhas eram companheiros de brincadeira. A família, muito carenciada, pouco a podia acompanhar (tantos irmãos e tanta terra para amanhar). A pequenita parecia aceitar a situação sem sobressaltos. No hospital, as educadoras liam-lhe histórias, que ela questionava constantemente. As enfermeiras cantavam-lhe músicas ou pintavam -lhe as unhas, que ela exibia graciosamente.

Ainda que rodeada de mimos, cateteres, pensos e perfusores, continuava a ser a Princesa Algodão-Doce. Mas, em poucas semanas, a situação complicou-se com aplasia medular (isto é, a falência da medula óssea na produção de glóbulos, vermelhos, brancos e plaquetas) e, em vez de lhe tirarem os «fios», estes cresceram… e a casa era um lugar cada vez mais longínquo.

De repente, o seu pequeno mundo ficou muito cinzento e todos nós, actores e actrizes no mesmo filme, éramos pessoas muito pouco confiáveis! Deixou de querer contar histórias, muito menos de as ouvir, e já não podia pintar as unhas, porque «estragava os monitores» e os doutores não deixavam. Nem sequer podia falar ou sorrir, porque sangrava das «engivas» e depois tinha de fazer plaquetas... Estava tudo errado, e ela não percebia nada.

Alguns meses (de sofrimento) depois, fez um transplante de medula que correu muito bem, mas a Princesa Algodão-Doce nunca mais foi a mesma. Regressou curada de corpo mas entorpecida de sentimentos. Passava horas na cama a olhar para a única parede branca onde a cama encostava e ninguém podia espreitar ou perturbar o seu estado de silêncio. Vieram os pediatras, os psicólogos e os pedopsiquiatras.

Chegaram também os sedantes, os antidepressivos e até a alimentação artificial. Mas ela só definhava, e não havia explicação técnica. Recusava-se a comer, com excepção de uma única refeição, sempre a mesma, impermeável a qualquer tentativa de persuasão ou argumento: um ovo estrelado e duas salsichas. Não a comia por prazer mas pelo prazer de nos provocar!

Tinha de ir para casa. Era hospitalismo, murmuravam os técnicos, embaraçados pelo termo e pela falta de conhecimento.

Mas a casa estava em obras, com o apoio da Segurança Social: era preciso uma casa de banho. Afinal, a pequena tinha dois transplantes, ia usar máscara, era preciso criar condições…

Temíamos pelo tempo de espera. A continuar assim, talvez a Princesa não chegasse ao dia da inauguração. Foi então que alguém sugeriu a transferência para o lar de idosos próximo da sua casa. Era novinho em folha e conseguia-se uma suíte para a mãe e para a criança. Havia também uma sala grande onde podia rever os irmãos, primos e tios. Maravilha! Ficou eufórica com a notícia, com a ideia de partir, mesmo sem saber para onde. Sair do hospital, sair, sair, era só o que importava.

Voltou à consulta uma semana depois, com mais três quilos de peso e faces coradas (ainda hoje lhe chamo carinhosamente Besuga, pela parecença com o quadro de José Malhoa Besuga e Irmão). Vinha de língua desatada e a saber de cor os nomes de todos os companheiros de 60 anos que lhe devolveram a importância de ser menina e princesa: a Princesa Algodão-Doce.

O menino Sorriso Fácil: lágrimas*

Quando o menino Sorriso Fácil atravessava os seus piores 12 dias, a mãe dividia-se entre o quarto dele e a sala de espera da Unidade. Nesta sala estava o pai, a tristeza espelhada no rosto, embalando carinhosamente o segundo filho, de apenas 3 semanas. De três em três horas, o bebé precisava de ser saciado, e a mãe amamentava. Admirável a coragem expressa no rosto desta mulher e na firmeza dos

gestos ao cuidar de um e outro filho.

Nestes 12 dias, a médica de serviço também circulava entre a preocupação com o paciente e o turbilhão de emoções que a situação familiar despertava. Entre o cansaço e a incerteza acerca do que poderia melhorar, revia tabelas, «decorava» os monitores e limpava uma ou outra lágrima que, teimosamente, por ali se instalava. Foi num

desses estados de alma, e com voz sumida, que teve de ir comunicar à mãe a necessidade de um terceiro transplante. Na sala sem cor (como todas as salas de hospital), a mãe amamentava, tranquila. Olhava embevecida o seu bebé e acariciava -lhe os deditos, um a um, como se desfiasse um rosário.

Percebeu que deveria haver uma boa razão para a médica ir até ali.

Ouviu com uma serenidade que emudecia qualquer um. Tinha muita fé, dizia, em Deus e na equipa. A médica esperava lágrimas ou a pergunta habitual (e tão temida): «Diga -me que vai correr tudo bem?» Ficou baralhada. Vinha preparada para dar explicações técnicas ou para a confortar, mas inverteram -se os papéis… Era ela quem, de nó na garganta, estava à beira das lágrimas. Que vergonha, lá estavam elas, as teimosas, irremediavelmente «cascatando».

Aflita, a mãe fitou -a, um braço segurando o recém -nascido ao peito, o outro erguido para ajudar a médica a secar o rosto. E disse: «Tenha calma, doutora, ele é rijo, vai sobreviver.»

E sobreviveu – pela fé da mãe, pelas mãos hábeis do professor que o operou e pela lição de vida que a jovem médica precisava de aprender.

É hoje um jovem universitário, saudável, activo, com um fígado doado, o presente mais importante que alguma vez recebeu.

*esta e outras estórias são relatadas no livro “Uma Vida, Duas Vidas...”, da Bertrand Editora. Um livro inédito e inspirador que retrata na primeira pessoa a relação dos médicos com o seus doentes. Os direitos de autor desta obra revertem para a Sociedade Portuguesa de Transplantação

 

Dra. Isabel Gonçalves, membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria e atual presidente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia Hepatologia e Nutrição Pediátrica. 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Todas as regiões do continente e arquipélagos da Madeira e Açores apresentam hoje risco ‘muito elevado’ de exposição à radiação...

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) recomenda para as regiões com risco ‘muito elevado’ o uso de óculos de sol com filtro ultravioleta (UV), chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor do que 2, em que o UV é 'Baixo', 3 a 5 ('moderado'), 6 a 7 ('elevado'), 8 a 10 ('muito elevado') e superior a 11 ('extremo').

O IPMA prevê para hoje no continente períodos de céu muito nublado, tornando-se gradualmente pouco nublado ou limpo na região Sul a partir do meio da manhã e nas regiões Norte e Centro a partir do início da tarde e possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca no litoral das regiões Norte e Centro até ao início da manhã.

A previsão aponta ainda para vento fraco a moderado de noroeste, soprando moderado a forte com rajadas até 65 quilómetros por hora no litoral oeste, a partir do final da manhã, e nas terras altas, neblina ou nevoeiro matinal e pequena descida da temperatura mínima.

Para a Madeira prevê-se períodos de céu muito nublado, possibilidade de ocorrência de aguaceiros, em geral fracos, nas vertentes norte e terras altas, vento moderado do quadrante norte, tornando-se forte de nordeste nas terras altas a partir do fim da tarde.

O Instituto prevê para os Açores, céu geralmente pouco nublado e vento fraco a bonançoso.

Quanto às temperaturas, em Lisboa vão oscilar entre 17 e 25 graus Celsius, no Porto entre 16 e 24, em Vila Real entre 13 e 29, em Viseu entre 11 e 27, em Bragança entre 13 e 30, em Coimbra entre 15 e 25, em Castelo Branco entre 14 e 31, em Santarém entre 16 e 27, em Portalegre entre 12 e 30, em Évora entre 14 e 31, em Beja entre 13 e 31 e em Faro entre 17 e 31.

Infarmed
Os ministros da Saúde de Portugal e Espanha assinam hoje, em Madrid, uma declaração de intenções para iniciar negociações sobre...

O documento vai incidir no financiamento e na fixação de preços de medicamentos e outras tecnologias de saúde, na partilha de informações e na elaboração de documentos nesta área, especifica uma nota divulgada pelo Infarmed, entidade reguladora do medicamento em Portugal.

“Esta declaração surge no seguimento de um trabalho intenso de colaboração entre os dois países, desenvolvido no último ano, e que tem vindo a ser adotado recentemente” por outros estados europeus, segundo a mesma fonte.

Em maio, à margem da mesa-redonda de ministros da saúde, nove países europeus assinaram a Declaração de La Valletta, “um consenso multilateral que traçou objetivos semelhantes de defesa do acesso à inovação” na área do medicamento, garantindo a “sustentabilidade dos sistemas de saúde”, justiça-se no documento.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, um dos subscritores da Declaração de La Valletta, irá agora assinar esta declaração bilateral juntamente com a ministra da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade de Espanha, Dolors Montserrat.

Amostra de sangue
Investigadores da Universidade de Valência, em Espanha, estão a liderar um projeto europeu que visa o desenvolvimento de um...

Segundo a agência de notícias espanhola EFE, o resultado é revelado em menos de 30 minutos.

O atual método de diagnóstico baseia-se em testes de pele, os quais consistem em aplicar uma pequena quantidade de fármacos e observar o efeito, sendo este um teste desconfortável para os pacientes, com uma elevada probabilidade de diagnóstico falso, demora várias horas e pode atingir os 500 euros por fármaco.

Em contrapartida, esta investigação, desenvolvida no âmbito do projeto europeu Cobiophad, financiado pelo programa Horizonte 2020, desenvolveu este novo sistema para diagnosticar a alergia "de forma eficiente, rápida, simples e barato - menos de dois euros - apenas com a análise de uma pequena amostra de sangue".

O investigador do Instituto Interuniversitário de Investigação de Reconhecimento Molecular e Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Valência Luís Tortajada explicou à EFE que a “estratégia desenvolvida baseia-se num teste ‘in vitro', a partir de uma pequena quantidade de sangue, para detetar um biomarcador de alergias a medicamentos, que são as imunoglobulinas específicas”.

ASAE
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica apreendeu 1.200 quilos de alimentos e três balanças, num valor de mais de três...

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) precisou ter fiscalizado cerca de 200 vendedores em mercados municipais, onde instaurou 23 processos de contraordenação e apreendeu cerca de “1.200 kg de géneros alimentícios, resultante do incumprimento das regras de rotulagem em pescado fresco e produtos hortofrutícolas”.

Foram ainda apreendidos “três instrumentos de pesagem por falta de controlo metrológico, tudo num valor global que ascendeu a cerca de 3.300 euros”.

Entre as principais infrações detetadas estavam a falta de indicações obrigatórias em géneros alimentícios, de controlo metrológico de pesos, de preços em bens, a ausência de rastreabilidade dos produtos e a falta de requisitos gerais e específicos de higiene, segundo a ASAE.

Investigador diz
O consumo de pornografia na internet perfila-se como um novo fator que pode causar disfunção erétil, a partir de uma alteração...

A dopamina é uma neuro hormona libertada pelo cérebro quando se recebe uma série de estímulos, entre os quais a novidade e a sexualidade.

“A pornografia da internet tem mais formas de aumentar a dopamina do que a novidade sexual simples”, explicou o investigador, que advertiu que hoje em dia o utilizador de internet chega ao orgasmo após ver dezenas de vídeos”, reformulando-se a experiência sexual e hedonista.

Além do mais, a internet oferece ao utilizador a visão de diferentes experiências sexuais, desde fetiches a estranhas fantasias perturbadoras que, “além de poderem provocar ansiedade, aumentam os níveis de excitação sexual”, sublinhou numa conferência sobre sexualidade na capital mexicana.

Os níveis de dopamina elevam-se de forma mais rápida do que no sexo tradicional, pois a pornografia pode ser considerada como um estímulo “supernormal”.

“Estes estímulos são aqueles que duplicam as causas que consideramos muitos atrativas”, afirmou.

Mas não apenas isso, acrescentou Wilson, “a pornografia de alta velocidade também permite controlar a dopamina com o rato do computador”.

“Isto não o podíamos fazer nem com as revistas, nem com os encontros reais”, indicou.

O cérebro experimenta assim dois processos gémeos, a sensibilização e a dessensibilização.

O primeiro permite elevar os níveis de dopamina, enquanto o segundo aumenta a tolerância, fazendo as pessoas dependentes de cada vez mais estímulos para obter prazer.

Estudo
Investigadores querem desenvolver uma injeção anual para combater o colesterol mau e as doenças cardíacas associadas, criando...

A eficácia da vacina foi demonstrada em ratos alterados geneticamente para terem um metabolismo parecido ao do ser humano e desenvolverem aterosclerose, a acumulação de placas que entopem as artérias devido a uma alimentação com muito teor de gorduras.

O sucesso da experiência foi publicado no European Heart Journal, o jornal oficial da Sociedade Europeia de Cardiologia, no qual se indica que a injeção, denominada AT04A, conseguiu reduzir em 53% a quantidade total de colesterol e em 63% os danos provocados pela aterosclerose nos vasos sanguíneos dos ratos tratados, em comparação com os que não foram injetados.

“A ideia subjacente ao nosso produto é estimular o sistema imunitário humano para que desenvolva uma resposta de anticorpos contra uma proteína chamada PCSK9, envolvida no desenvolvimento de um elevado LDL, o colesterol mau”, disse Gunther Staffler, diretor de tecnologia da empresa que está a desenvolver o produto, citado pela agência de notícias Efe.

O problema, disse o responsável, é que essa proteína é produzida pelo organismo humano e por isso tolerada pelo sistema imunitário, ao contrário do que acontece com os agentes patogénicos contra os quais normalmente atuam as vacinas.

Por isso, o que a AT04A faz, explicou Staffler, é “enganar” o sistema imunitário, dando-lhe um antigénio suficientemente parecido com a PCSK9 para que o corpo desenvolva anticorpos que ataquem tanto a proteína como essa substancia estranha.

Gunther Staffer explicou que se trata na verdade mais de um tratamento por imunoterapia do que uma vacina propriamente dita.

A empresa salienta que bastaria uma injeção por ano, o que será uma vantagem em relação aos atuais tratamentos contra o colesterol à base de estatinas, que têm de ser tomadas diariamente.

A vacina, disse Staffler, em princípio não se aplicará a alguns tipos de colesterol alto de origem genética.

Segundo o responsável até final do ano terminará a fase inicial do teste, em 72 pessoas sãs, em colaboração com a Universidade de Medicina de Viena. E o medicamento pode estar no mercado entre 2023 e 2025.

Cerca de 2,6 milhões de pessoas morrem em cada ano devido a problemas relacionados com o alto colesterol.

Autoridade da Concorrência
O grupo Luz Saúde recebeu ‘luz verde’ da Autoridade da Concorrência para comprar o grupo British Hospital, segundo informação...

A compra pela Luz Saúde (pertencente aos chineses da Fosun) do grupo British Hospital inclui o hospital das Torres de Lisboa, que é a unidade de maior dimensão, com 46 camas, três salas de bloco e 34 gabinetes de consulta, que realizou em 2016 cerca de 75 mil consultas e 4.400 cirurgias.

No negócio inclui-se ainda o British Hospital Saldanha Microcular, unidade em Lisboa de cuidados de saúde sobretudo da área oftalmológica, especializada em cirurgia laser, e 90,41% do capital social do British Hospital Management Care, também integrado no campus das Torres de Lisboa, que presta cuidados na área da sinistralidade, caso de acidentes de trabalho, e serviços de fisioterapia.

O negócio deverá estar concluído no prazo que seja acordado entre as partes e no espaço de 20 dias úteis.

A Luz Saúde (antiga Espírito Santo Saúde, do Grupo Espírito Santo) foi comprada pela seguradora Fidelidade, que pertence aos chineses da Fosun, em outubro de 2014.

A empresa é dona Hospital da Luz, em Lisboa, entre outras unidades hospitalares.

Especialista defende
O homem moderno precisa cada vez menos de comida, porque não tem a mesma exigência em termos físicos do que os antigos, disse o...

"O homem moderno precisa cada vez menos de comida, porque não tem a mesma exigência em termos físicos do que os antigos. Tornámo-nos tecnologicamente demasiado dependentes, porque já não temos o mesmo nível de consumo de calorias que antes, mas ainda assim continuamos a consumi-las", argumentou Raja Kandaswamy.

O especialista, líder do maior centro de transplante do pâncreas do mundo, na University of Minnesota Medical Center, em Mineapolis, nos Estados Unidos da América, foi convidado para falar sobre a sua área no HEBIPA Meeting 2017, um encontro que decorreu no Porto e organizado pela Unidade Hepatobiliar e Pancreática do Centro Hospitalar do Porto.

Sobre a evolução da doença no planeta, explicou-o de forma simples: "há quem chame à diabetes a doença dos ricos e como o mundo está a tornar-se cada vez mais rico, a doença acompanha-o, porque cada vez se faz mais exercício em frente à televisão".

Pioneiro dos transplantes do pâncreas nos Estados Unidos da América, este especialista indiano considerou "encorajador verificar que as transplantações do pâncreas têm vindo a aumentar fora dos Estados Unidos nos últimos 15 anos".

"Os países líderes nesse particular são o Reino Unido e o Brasil, depois a Coreia do Sul e a Itália, com Portugal a surgir no Top 7 dos países com o melhor registo por número de habitantes, o que é impressionante", elogiou Raja Kandaswamy.

Numa curta viagem pelos últimos 51 anos na história dos transplantes, Kandaswamy lembrou que quando em 1966 começaram os transplantes do pâncreas "nos primeiros 30 anos a taxa de sucesso foi muito baixa".

"Depois disso, a cada cinco anos surgiram melhoramentos e, aqui chegados, temos um registo superior a 90% de casos de sucesso nos Estados Unidos", revelou.

E prosseguiu: "não há razões para pensar que nos outros países os números sejam muito mais baixos. Veja-se o caso da Itália, onde essa percentagem é ainda melhor, ainda que feita num só centro. E embora no que concerne ao resto do mundo eu não tenha números reais, a verdade é que quem se interessa pelo problema do pâncreas tem tido muito bons resultados".

Das inovações verificadas ao nível das cirurgias destacou "o uso do robô para os transplantes", uma técnica já praticada em Itália e nos EUA e que, "apesar de ser uma inovação recente, os registos são muito encorajadores, até porque se trata de uma técnica pouco invasiva, tipo uma laparoscopia".

Lamentando a "falta de tempo para visitar o Centro Hospitalar do Porto", a conversa com a responsável pelo serviço Donzília Silva fê-lo perceber que "o programa de transplantes do pâncreas parece ser de grande nível".

"Até à data fizeram entre 200 e 300 transplantes e com uma alta percentagem de sucesso. Trata-se, sem dúvida, de um dos melhores centros hospitalares da Europa", disse o pioneiro na área.

E com a diabete tipo 2 a "aumentar muito nos Estados Unidos, em comparação com outros países", é na China que encontra o próximo grande foco de preocupação.

"A China é a última vítima da indústria da ‘fast food’ e há cada vez mais obesos no país", denunciou.

Infarmed
O consumo de antibióticos em Portugal decresceu nos primeiros quatro meses do ano, uma tendência que se verifica desde o ano...

De acordo com os dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), nos primeiros quatro meses foram dispensadas menos 4,8% de embalagens de antibióticos em ambulatório e nos hospitais o número de doses diminuiu 3,75%, comparando com igual período do ano passado.

Em números, foram dispensadas de janeiro a abril 2.847.560 embalagens, menos 143.663.

“No caso das quinolonas, que são antibióticos que estão associados a um elevado número de resistências, os dados são ainda mais favoráveis, uma vez que houve uma redução de 17.569 embalagens no mesmo período, com um consumo de 282.742”, pode ler-se no documento.

Quanto os hospitais, e nos mesmos meses de referência, os carbapenemes (antibióticos para infeções de elevada gravidade) tiveram uma redução de consumo de 13,4%, para 108.267 doses.

A Comissão Europeia (CE) adotou no final do mês passado um plano para combater a resistência aos antibióticos, uma ‘ameaça’ que mata anualmente 25 mil pessoas na União Europeia (UE) e custa 1,5 mil milhões de euros.

Em paralelo ao plano, Bruxelas apresentou ainda regras para um “uso prudente de antibióticos”.

Por outro lado, a CE vai investir na inovação e investigação contra a resistência aos antibióticos.

Segundo dados de Bruxelas, em Portugal foram prescritos em 2014 cerca de 20 doses de antibióticos por mil habitantes por dia, sendo a média da UE de 25.

A Holanda (10,6 doses diárias por mil habitantes) é o país da UE com menos prescrições e a Grécia com mais (quase 45).

Poucos dias antes o Observatório Português dos Sistemas de Saúde tinha anunciado querer medidas concretas para reduzir o consumo de antibióticos, sugerindo que, nalguns casos, o médico só os possa prescrever após identificar a causa da infeção.

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