Estudo
Componentes da levedura do pão podem ser a solução para evitar os efeitos tóxicos dos poluentes nas plantas e vegetais que...

A investigação, publicada na revista Scientific Reports, centrou-se em dois genes da levedura do pão que permitem às plantas e vegetais crescer rodeadas por poluentes que normalmente afetariam o seu crescimento, como metais pesados e elementos orgânicos libertados pela indústria, e restos de herbicidas e pesticidas agrícolas.

"As estratégias atuais para descontaminar os solos são muito dispendiosas e nem sempre muito eficazes. Uma solução pode estar na ‘Saccharomyces cerevisiae’, a espécie de levedura usada para fermentar o pão, a cerveja e o vinho", afirma Paula Duque, do Instituto Gulbenkian de Ciência.

Usando uma planta herbácea chamada ‘Arabidopsis thaliana’ em que inseriram cada um dos dois genes estudados, os investigadores verificaram que se tornou mais resistente a herbicidas, fungicidas e metais pesados, escreve o Sapo.

"Estes dois genes de leveduras produzem proteínas capazes de expelir moléculas das células. Assim, formulámos a hipótese de que poderiam desempenhar um papel semelhante em plantas, eliminando as moléculas tóxicas e permitindo um crescimento vegetal normal", afirmou a investigadora do Instituto Gulbenkian, que colaborou com colegas do Instituto Superior Técnico.

O próximo passo é repetir a experiência para compreender melhor como estas plantas desenvolvem resistência, para descobrir se os resultados se repetem em plantas de interesse agrícola. "Mas os resultados obtidos com genes da espécie de levedura utilizada na produção do pão ou da cerveja são verdadeiramente promissores para a resolução de um problema ambiental sério", de acordo com Paula Duque.

DECO
O alerta é da DECO, Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor. Há portugueses a comprar, através da internet,...

Só em 2016 mais de 460 mil unidades de medicamentos foram retidas, devolvidas ou destruídas no âmbito de um protocolo entre o Infarmed e a Autoridade Tributária e Aduaneira.

Os analgésicos são a classe de medicamentos mais comprada, alerta a DECO. "Os Estados Unidos é de onde vem a maior parte dos medicamentos. No caso dos medicamentos para a disfunção erétil, escreve o Sapo, as encomendas vêm sobretudo da Índia ou de Singapura. Os principais remetentes dos medicamentos para emagrecer são o Brasil, a Índia e a China", explica a Associação de Defesa do Consumidor.

Segundo este organismo, comprar medicamentos pela internet em sites não autorizados pode ser perigoso, porque "podem ser falsos, ter a composição alterada (outra substância ativa ou em quantidade insuficiente), conter ingredientes tóxicos, estar fora do prazo ou ter sido transportados sem precauções o que pode afetar a qualidade". "Como consequência, é possível que não produzam o efeito pretendido ou causem efeitos secundários inesperado", explica.

A DECO faz parte do projeto Fakeshare, que consiste em identificar e denunciar as páginas de internet que vendem medicamentos ilegais ou falsos. A página www.fakeshare.eu/pt/ está aberta a qualquer cidadão para consulta e para denúncias.

Em 2008, foi aprovada uma nova diretiva europeia sobre medicamentos contrafeitos que endureceu as medidas contra o tráfico de fármacos, ao aprovar mais controlo e inspeção sobre os produtores de princípios ativos, assim como mais exigências aos distribuidores para um registo mais apertado das suas atividades.

A partir deste mês
A origem do leite, queijo, requeijão, iogurte, manteiga ou nata passou a ser obrigatória nos rótulos a partir deste mês,...

O novo regime da composição, rotulagem e comercialização do leite e derivados, publicado em Diário da República em 09 de junho, especifica ainda que o leite com origem nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, “opcionalmente”, a seguir à menção do nome do país, pode ter também o nome da região autónoma.

Em finais de abril, segundo o Sapo, quando o diploma foi aprovado pelo Conselho de Ministros, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, salientou o duplo objetivo do novo regime: “Dar mais informação aos consumidores para poderem fazer as suas escolhas com base em informação que não mereça dúvidas de legalidade e de credibilidade e, por outro lado, garantir com isso que os produtos portugueses possam ser reconhecidos como tal em qualquer parte do mundo".

Novas regras no caso do leite para lactentes
A rotulagem das fórmulas para lactentes (de substituição do leite humano, quando as mães não podem ou optam por não amamentar) não pode incluir imagens de lactentes (bebés que mamam), segundo o diploma, “nem de outras imagens ou textos suscetíveis de criar uma impressão falsamente positiva da utilização do produto, podendo conter representações gráficas que permitam a identificação fácil do produto e ilustrem o modo de preparação”.

O diploma proíbe também, nessas fórmulas de leite infantil, a utilização dos termos “adaptado”, “maternizado” ou “humanizado”, e exige no rótulo a afirmação da superioridade do aleitamento materno.

“Nos locais de venda direta ou indireta não pode haver publicidade, ofertas de amostras, nem qualquer outra prática de promoção de venda direta aos consumidores de fórmulas para lactentes no retalhista, como expositores especiais, cupões de desconto, bónus, campanhas especiais, venda a baixo preço ou vendas conjuntas”, lê-se no decreto-lei.

Quanto ao leite em pó e ao leite condensado, o diploma permite que ainda seja rotulado de acordo com as regras atuais até 31 de dezembro próximo, podendo continuar a ser comercializados com esse rótulo, mas os operadores podem adotar as novas regras de rotulagem.

Pedrógão Grande
Diversas instituições nacionais ligadas à saúde reúnem-se na terça-feira, em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, para ajudar a...

Na reunião que vai decorrer na terça-feira, às 10:00, na Câmara Municipal de Pedrógão Grande, será feito um diagnóstico "da situação para todas as entidades" com que a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) tem colaborado, "no sentido de verificar o apoio que cada uma das unidades nacionais possa dar à região", havendo também a perspetiva de se reforçarem "os meios já existentes no terreno", disse o presidente da administração regional, José Tereso.

Na reunião, vão estar representados a ARSC, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a Direção-Geral da Saúde, a Administração Central de Serviços de Saúde, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), o Infarmed, o Instituto Português do Sangue, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e o responsável pela reforma dos cuidados continuados integrados, acrescentou José Tereso.

Da reunião, deverá sair uma resposta reforçada no plano da saúde e que se prevê que esteja definida "para dois anos", afirmou o presidente da ARSC.

Segundo o responsável, a resposta "já está mais ou menos desenhada", sendo que vai contar com o contributo de diversas instituições ligadas à saúde para uma resposta "mais ao pormenor".

"Todas as estruturas superiores, dos vários setores, vão dar respostas mais rápidas", considerou José Tereso, sublinhando que se pretende, "mediante aquilo que está no terreno", que toda a população afetada "tenha uma resposta".

"Vamos tentar que não haja nenhuma pessoa que deixe de ser vista ou esclarecida", vincou o responsável, referindo que o SPMS já mostrou disponibilidade para reforçar a telemedicina e que o INSA vai avançar "com um programa específico de saúde ambiental" desenhado para estes casos.

José Tereso frisou ainda que todo o trabalho vai continuar a ser feito "em articulação permanente com as autarquias", com quem também contam para dar indicação de casos que vão detetando no terreno.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios na região Centro corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.

Ordem dos Médicos Dentistas
Um em cada cinco estudantes de medicina dentária nos cursos universitários em Portugal é estrangeiro, sobretudo de...

De acordo com o mais recente relatório “Números da Ordem”, relativo em 2016, de todas as faculdades, públicas e privadas, com cursos de medicina dentária são quase 20% os alunos estrangeiros.

São as faculdades privadas que têm maior volume de estrangeiros e, segundo o bastonário da Ordem dos Dentistas, este fenómeno deve-se muito à dificuldade que estudantes de algumas nacionalidades têm de entrar nos cursos nos seus países de origem, por haver maior restrição de vagas.

Dos 3.200 alunos inscritos em mestrado integrado de medicina dentária em Portugal, 20% são estrangeiros e, dessa fatia, 39% são franceses, 25% espanhóis e 23% italianos.

“Nesses países é mais difícil, devido à existência de ‘numerus clausus’ entrar em medicina dentária e muitos jovens dirigem-se para estudar em Portugal, onde a qualidade do ensino é reconhecido, o que é positivo. Estas pessoas voltam depois aos países de origem pela questão da empregabilidade, porque em Portugal não há as oportunidades em termos de trabalho que têm nos seus países”, comenta o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva.

Considerando este como num fenómeno relativamente novo, o representante dos médicos dentistas diz que é uma realidade que traz prestígio ao ensino superior e que ajuda a mitigar os médicos formados e que entram no mercado de trabalho português, uma vez que estes estudantes se dirigem aos países de origem no fim dos seus cursos.

“Esta é sem dúvida uma oportunidade a explorar pelas faculdades em Portugal, porque permite reduzir o número de alunos portugueses sem perda de receita. Seria uma forma de as instituições contribuírem para minimizar o problema flagrante de excesso de médicos dentistas”, refere a Ordem.

Os médicos dentistas têm alertado consecutivamente para o aumento anual de profissionais além do necessário ao país, defendendo que a Ordem seja consultada no processo de definição do número de vagas nas faculdades.

Só em 2016 entraram no mercado de trabalho 660 novos médicos dentistas.

Em dez anos
O número de médicos dentistas portugueses a emigrar e que não pretendem regressar quase duplicou em dez anos e continuam a sair...

O documento “Número da Ordem” relativo a 2016, mostra que só num ano aumentou em 19% o número de dentistas com inscrição suspensa na Ordem, sendo a emigração o principal motivo desta suspensão.

O número de dentistas com inscrição suspensa e anulada, portanto inativos, quase duplicou, passando de 689 em 2007 para 1.300 ano passado.

“Continua a aumentar a emigração de médicos dentistas. Verificamos que cada vez está mais consolidado este fenómeno da emigração. Colegas que se dirigiam para outros países, como França e Inglaterra, têm vindo a anular essa inscrição mostrando que não fazem tenções de voltar a exercer em Portugal pelo menos nos próximos tempos”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas.

Orlando Monteiro da Silva sublinha que a par destes profissionais há “muitos outros” que estão a exercer fora de Portugal mas que continuam por enquanto com inscrição ativa na Ordem.

“No surto emigratório que na medicina dentária se acentuou com a crise em 2007, 2008, 2009, o que verificamos é que este surto não teve retorno e as pessoas estão a ficar nos países por razões diversas, mas a empregabilidade atual da profissão em Portugal é uma questão crucial”, comentou.

Reino Unido e França são os principais países de destino dos médicos dentistas que emigram, com a Ordem a destacar que ainda é uma incógnita o que irá acontecer após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Dos dados do documento “Números da Ordem”, constata-se ainda que o número de inscritos na Ordem continua a aumentar, estando nos 10.688 em 2016, um crescimento de 660 em relação ao ano anterior.

É um aumento acima das necessidades do país, sublinha o Orlando Monteiro da Silva.

“A emigração atingiu valores nunca vistos, mas não tem sido suficiente para diminuir o número de médicos a exercer em Portugal. Das universidades continuam a sair anualmente centenas de profissionais sem qualquer perspetiva de trabalho estável. Um problema que tem de ser resolvido pelos ministérios da Saúde e do Ensino Superior quanto à limitação de vagas”, afirmou o bastonário.

Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Seis distritos de Portugal continental estão hoje sob ‘aviso amarelo’, o terceiro mais grave de uma escala de quatro, devido ao...

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém e Setúbal estão sob ‘aviso amarelo’ devido à persistência de valores elevados das temperaturas máximas.

Os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa, Santarém e Setúbal estão sob ‘aviso amarelo’ desde as 23:50 de domingo e até às 21:00 de hoje.

O distrito de Aveiro vai estar sob ‘aviso amarelo’ por causa do tempo quente entre as 09:00 de hoje e as 21:00 de terça-feira.

O ‘aviso amarelo’ é emitido sempre que há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

O IPMA prevê para hoje no continente tempo quente com céu limpo, vento em geral fraco do quadrante leste, sendo moderado a forte nas terras altas até ao meio da manhã e a partir do final da tarde, soprando moderado de noroeste no litoral oeste durante a tarde e rodando para o quadrante sul a partir do final da tarde na região Sul.

Está ainda prevista uma subida de temperatura, em especial nas regiões Norte e Centro.

Quanto às temperaturas, em Lisboa vão variar entre 20 e 36 graus Celsius, no Porto entre 19 e 35, em Vila Real entre 17 e 33, em Viseu entre 18 e 31, em Bragança entre 14 e 32, na Guarda entre 16 e 31, em Coimbra entre 20 e 36, em Castelo Branco entre 19 e 35, em Santarém entre 18 e 40, em Leiria entre 15 e 37, em Portalegre entre 23 e 35, em Évora entre 17 e 38, em Beja entre 17 e 38 e em Faro entre 20 e 32.

Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Dez regiões do continente apresentam hoje risco ‘extremo’ de exposição à radiação ultravioleta, enquanto o resto do país está...

De acordo com o Instituto, em risco ‘extremo’ estão as regiões de Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Guarda, Penhas Douradas, Portalegre, Porto, Vila Real e Viseu.

Para as regiões com risco ‘extremo’, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) recomenda que se evite o mais possível a exposição ao sol.

As regiões de Aveiro, Beja, Castelo Branco, Faro, Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal, Sines, Viana do Castelo, Funchal e Porto Santo (Madeira) e Ponta Delgada (ilha de São Miguel, Açores) estão com níveis ‘muito elevados’.

Angra do Heroísmo (Terceira) e Santa Cruz das Flores (ilha das Flores) estão com níveis ‘elevados’ e Horta (Faial) está com risco ‘baixo’.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e 'elevado', o Instituto recomenda o uso de óculos de sol com filtro ultravioleta (UV), chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor do que 2, em que o UV é 'baixo', 3 a 5 ('moderado'), 6 a 7 ('elevado'), 8 a 10 ('muito elevado') e superior a 11 ('extremo').

O IPMA prevê para hoje no continente tempo quente com céu limpo, vento em geral fraco do quadrante leste, sendo moderado a forte nas terras altas até ao meio da manhã e a partir do final da tarde, soprando moderado de noroeste no litoral oeste durante a tarde e rodando para o quadrante sul a partir do final da tarde na região Sul.

Está ainda prevista uma subida de temperatura, em especial nas regiões Norte e Centro.

Na Madeira prevê-se períodos de céu muito nublado, apresentando-se em geral pouco nublado nas vertentes sul da ilha e vento fraco a moderado do quadrante norte.

Para os Açores, o IPMA prevê céu muito nublado, com abertas para o fim do dia, períodos de chuva, passando a aguaceiros e vento fraco a moderado.

Quanto às temperaturas, em Lisboa vão variar entre 20 e 36 graus Celsius, no Porto entre 19 e 35, em Vila Real entre 17 e 33, em Viseu entre 18 e 31, em Bragança entre 14 e 32, na Guarda entre 16 e 31, em Coimbra entre 20 e 36, em Castelo Branco entre 19 e 35, em Santarém entre 18 e 40, em Leiria entre 15 e 37, em Portalegre entre 23 e 35, em Évora entre 17 e 38, em Beja entre 17 e 38 e em Faro entre 20 e 32.

Incêndios
A Ordem dos Médicos Veterinários pede que a ajuda às populações das localidades afetadas pelos incêndios da região centro se...

“Esta ajuda aos animais de criação tem que se manter até à próxima primavera, que é quando volta a haver novamente pasto para eles comerem. Aquelas pessoas não têm capacidade económica para comprar alimentos para dar todos os dias aos animais até à próxima primavera”, alertou o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), Jorge Cid.

O bastonário recordou que para muitos dos habitantes a sobrevivência passa pelos animais de criação, e que se não houver continuidade nas ajudas “o problema começa a ser outro”: o de os animais passarem fome e o de as pessoas não terem como se sustentar.

No decurso dos grandes incêndios das localidades de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, a OMV abriu uma conta solidária para ajudar os animais afetados pela catástrofe, e que esteve aberta a donativos até ao último dia de junho.

Jorge Cid disse ainda não ter números concretos sobre as verbas angariadas, mas parte será usada para pagar contas agora que a OMV entra também ela “no rescaldo” do incêndio.

Muitas das ajudas recebidas chegaram em forma de donativo, mas algumas empresas só tiveram capacidade financeira para oferecer metade do valor do material disponibilizado, outras nem isso.

Tudo isso são contas que a Ordem terá agora para pagar, “o problema seguinte”, como o referiu Jorge Cid, que frisou que a prioridade foi sempre fazer chegar a ajuda onde ela precisava.

Num esforço conjunto dos médicos veterinários, com “resultados históricos” em termos de solidariedade, Jorge Cid diz que, elogiando a disponibilidade de laboratórios e empresas, disse que “não faltou praticamente nenhum tratamento a qualquer animal”, nem alimentação.

“Com aquele aparato todo da fuga os animais ficaram todos para trás e a seguir não havia resposta nenhuma no terreno para dar, nomeadamente tratar os animais queimados e feridos, reunir os que tinham fugido, enterrar os mortos e alimentar os que estavam vivos”, resumiu o bastonário.

Em situação de catástrofe
A Ordem dos Médicos Veterinários quer que a Proteção Civil passe a integrar veterinários no âmbito de um plano de contingência...

As reuniões com o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e com o Ministério da Administração Interna já estão pedidas e a expectativa do bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), Jorge Cid, é a de que aconteçam entre esta semana e a próxima.

A proposta surge na sequência dos grandes incêndios da região centro do território continental, que queimaram milhares de hectares em Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e outras localidades vizinhas, e que mataram também milhares de animais, de companhia e de agropecuária.

A resposta da OMV foi imediata, mas voluntária e baseada na boa-vontade dos profissionais, e das empresas por este contactadas, que deram resposta no meio de um cenário de “catástrofe e de pânico”. Jorge Cid, que espera que não haja “uma próxima vez”, quer que, se houver, haja também um plano.

“Fomos confrontados com uma falta de um plano que desse resposta imediata a estas situações. Vamos propor à tutela, ao Ministério da Agricultura e ao da Administração Interna, para além de haver uma petição em que os médicos veterinários pedem para integrar a Proteção Civil, para criar um plano para poder resposta”, disse o bastonário dos veterinários.

Jorge Cid disse ainda perceber que para a Autoridade Nacional de Proteção Civil, “a prioridade são as pessoas” mas defendeu que “tem que haver um plano paralelo, que inclua não só veterinários mas também engenheiros zootécnicos e outros profissionais, que possam ocupar-se da parte animal”.

“A Proteção Civil, que está preparada para acorrer a situações de catástrofe a nível humano, na parte animal não estava, sobretudo nesta zona, de minifúndio”, em que foi preciso acorrer a pequenas propriedades muito espalhadas, com poucos animais em cada uma, o que só foi possível devido ao conhecimento que os veterinários locais – municipais e dos serviços de saneamento – tinham da região, dos proprietários, e dos próprios animais, legalmente obrigados a um registo.

A resposta governamental chegou três dias depois do início dos fogos, consequência da “pouca agilidade” de uma “máquina burocrática” que respondeu “demasiado tarde” para permitir salvar todos os animais que, ainda assim, os veterinários conseguiram salvar no terreno, onde estiveram praticamente desde o início.

“Sentimos que não havia nada preparado. Se a OMV não tem avançado de imediato, logo no domingo, esses animais teriam morrido todos”, disse o bastonário.

Jorge Cid afirmou que, mais do que o sustento de muitas pessoas daquelas localidades, estes animais são, para a maioria, “uma espécie de complemento de vida”, e a sua razão de viver, alertando as autoridades para a necessidade de olharem para estes casos “para além dos números” e das questões financeiras.

“Aquela gente olhava para os seus animais com um carinho diferente das de zonas de grande densidade animal. São os seus animais, as suas ovelhas, as suas cabras, eram a maneira de as pessoas se sentirem úteis, vivas e de terem uma razão para viver. Isso é que as pessoas têm que pensar e é para isso que temos alertado as autoridades”, disse.

O primeiro passo que a OMV pretende dar é o da criação de um grupo de trabalho que defina aquilo que venha a ser o plano de contingência animal, mas este terá necessariamente que prever, segundo Jorge Cid, a disponibilização imediata de ajuda para animais e a definição de zonas de resgate e acolhimento, onde estes possam permanecer em segurança até haver condições para regressarem a casa.

É preciso também que se pense o transporte de animais – não só de companhia, mas também os de exploração e, eventualmente, de grande porte, supondo que um parque ou zoológico possa ser atingido por uma catástrofe – e, igualmente importante para os veterinários, um plano de recuperação e salvamento da fauna selvagem.

“Uma das coisas que tentámos fazer no terreno foi, depois de contactar uma empresa que nos forneceu cereais, pôr junto às orlas queimadas cereais para a fauna selvagem poder sobreviver, uma vez que ficou com a alimentação muito reduzida”, referiu Jorge Cid sobre o caso do incêndio de Pedrógão Grande.

Nestes incêndios, e em “tempo recorde”, disse Jorge Cid, os veterinários conseguiram reunir, contactando laboratórios e empresas de alimentação, não só os medicamentos e material necessário para tratar os animais feridos, como a alimentação que precisavam no imediato.

Foram reunidos e imediatamente deslocados para a região, depois de as empresas garantirem o transporte, uma tonelada de alimentação composta para animais de companhia, 60 toneladas de feno e 40 toneladas de ração para animais de exploração.

Sem isto, teriam morrido muitos mais, disse o bastonário, que estima que cerca de 1.500 animais de exploração tenham morrido nos incêndios, num universo de cerca de 4.000.

Sobre o plano de contingência, Jorge Cid diz não ter estimativas de custos, mas garante que sai mais caro não o ter.

“Não vamos pensar que somos um país rico e que vamos ter um plano altamente sofisticado, mas também não podemos estar completamente desfalcados. No meio-termo estará a virtude. É evidente que custará dinheiro, mas pouparia muito dinheiro”, disse.

Pedrógão Grande
Vários habitantes de aldeias afetadas pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, pediram mais...

"Os psicólogos estiveram lá a fazer consulta na primeira semana, mas, depois disso, nunca mais voltaram", disse José Esteves, de 52 anos, a viver em Pobrais, concelho de Pedrógão Grande, concelho que assistiu no dia 17 de junho ao início do incêndio que provocou a morte a 64 pessoas e mais de 200 feridos.

Na freguesia da Graça, também no mesmo concelho, José Alcides sublinha que a sua mãe, Lucinda Gonçalves, de 84 anos, anda "sempre a chorar, com as mãos na cabeça".

"Parte da casa ardeu e ela não anda bem da cabeça. Até agora, não teve apoio de ninguém", realça José Alcides.

Também em Nodeirinho, há vários casos de pessoas que criticam a falta de presença de psicólogos nas aldeias afetadas, referindo que a resposta não pode estar concentrada em centros de saúde, por muitas das pessoas que precisam de apoio não terem forma de se deslocar às vilas de Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera ou Pedrógão Grande.

O presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), José Tereso, vincou que "continua a haver equipas multidisciplinares da unidade de saúde mental comunitária", bem como as unidades de cuidados na comunidade, constituídas por enfermeiros e por outros profissionais.

"Não se pode fazer tudo no mesmo dia. As equipas vão continuar no terreno para dar apoio e encaminhar, se for necessário", explicou, afirmando que se está a tentar "arranjar um sistema de mobilidade", para dar resposta a todas as necessidades já identificadas ou que sejam apontadas pelas câmaras ou juntas de freguesia.

Na casa de Dina Duarte, no Nodeirinho, já se abriu a porta a quatro levantamentos, mas apoio psicológico, até agora, "nada", assegura, referindo que a última equipa que esteve no terreno era uma enfermeira e uma psiquiatra "a fazer um levantamento e a ajustar a medicação de casos já analisados".

"Ainda não há psicólogos no terreno. O psicólogo não pode estar no centro de saúde, à espera, porque há muitas pessoas sem possibilidade de se deslocar até à vila", explicou Dina Duarte.

Esta habitante de Nodeirinho sublinha que não é só nesta aldeia onde morreram 11 pessoas - cinco das quais residentes - que é necessário apoio psicológico, apontando também para Pobrais, Várzeas, Moita, Sarzedas ou Balsa.

"Todas as aldeias precisam de alguém no terreno. Todas as pessoas têm de ser verdadeiramente ouvidas. Houve pessoas que, mesmo não perdendo um familiar, ouviram os gritos e os berros. Lidar com esta situação não é fácil", salientou Dina Duarte.

Também Eugénio Santos, de 60 anos, a morar desde 2006 em Nodeirinho, aclara que levantamentos já foram feitos, mas que não houve nenhuma consulta de psicologia na aldeia.

"Há uma família aí que perdeu a filha e ainda não foram lá a casa psicólogos", depois da primeira semana do início do incêndio, realça, frisando que o que vai valendo às populações é "a amizade" dos vizinhos.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios na região Centro corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.

Pedrógão Grande
O presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, José Tereso, alertou para a possibilidade de aumento de &quot...

"É previsível que haja um aumento de doenças. Por isso, lançamos um apelo para que todos os utentes passem pelo médico de família para fazerem a sua revisão", disse o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), na sequência do incêndio que começou em Pedrógão Grande e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.

Segundo José Tereso, poderá haver um aumento de doenças respiratórias, cardíacas e "descompensações". O responsável sublinhou que chegou no sábado, a Pedrógão Grande, distrito de Leiria, uma unidade móvel de saúde pública, que também vai alertar as populações para se deslocarem ao centro de saúde.

A unidade móvel, que está no Centro de Saúde de Pedrógão Grande, vai começar a deslocar-se, "de local a local", a partir de hoje.

A equipa conta com "médicos de saúde pública, técnicos de saúde ambiental e outros profissionais", que vão fazer um estudo "para prevenção de doenças das populações" e identificar situações de insalubridade, informou o responsável da ARSC.

"Vão verificar se alguém se abastece de água que não seja tratada, se os alimentos vêm de zonas contaminadas, entre outras situações", contou.

De acordo com José Tereso, na segunda-feira passada, a administração regional coordena uma reunião em Pedrógão Grande, "com vários participantes das estruturas que têm atuado no terreno, bem como algumas estruturas de apoio e de coordenação de nível nacional", para ser feita uma programação "da próxima fase" de apoio à região afetada.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios na região Centro corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.

Exame de equivalência
Médicos que chegam a Portugal oriundos de países fora da União Europeia queixam-se de dificuldades que lhes são impostas para...

Vários profissionais disseram que, no exame, que este ano se realizou no início de junho, os médicos são confrontados com perguntas relativas a especialidades médicas, que lhes obrigam a ter um conhecimento mais profundo de problemas que, enquanto médicos de clínica geral e familiar, não têm a obrigação de ter.

"No ano passado, apareceram-me muitas perguntas de oncologia e não consegui responder, apesar de ter formação nessa área, porque não são para o nível de um médico de clínica geral e familiar", contou Vivian Cabral, uma cubana a residir há um ano e meio e a tentar exercer em Portugal.

"A mim saíram-me perguntas de cirurgia que só um cirurgião sabe responder", exemplificou por sua vez o cubano Ernesto Tase Hart.

A mesma opinião é partilhada também pela angolana Engrácia Costa e pelo guineense Rui Sambu.

Apesar das várias tentativas pela Lusa, o Ministério da Ciência e do Ensino Superior não deu quaisquer esclarecimentos.

Os médicos ouvidos apontam ainda como dificuldades a falta de estágios e de um programa de estudo de orientação para o exame, assim como a não uniformidade de critérios na avaliação da prova por parte das universidades.

"Existe falta de transparência porque as universidades não fizeram todas o exame ao mesmo tempo", como estipula o regulamento, acrescenta Engrácia Costa.

Vivian Cabral já se submeteu duas vezes ao exame, a última das quais este ano na Universidade Nova de Lisboa e conta que, dos 80 examinandos, "mais de metade chumbou" e ela foi um dos casos.

"Portugal tem falta de médicos e fecham-nos as portas. Alguma coisa está a acontecer para mais de metade [dos candidatos] chumbarem", afirma Vivian Cabral, que vai trabalhando como cuidadora de pessoas com cancro.

Ernesto Tase Hart, médico há dez anos e a viver desde há quatro em Portugal, e Engrácia Costa, médica há quatro anos e desde há um ano a residir no país, foram dois dos 50 profissionais a realizar este ano o exame na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Ambos se mostram "intrigados" pelo facto de mais de metade ter também reprovado.

Enquanto não consegue exercer medicina em Portugal, Ernesto Tase Hart vive do trabalho como auxiliar em lares de idosos e do negócio de venda e aluguer de imóveis.

Engrácia Costa depende economicamente do marido, que ficou em Angola.

Rui Sambu, que está desde 2007 em Portugal, chumbou duas vezes no exame, a primeira das quais em 2009 na Universidade de Coimbra e a segunda em 2014 na Universidade Nova de Lisboa.

O guineense trabalha como auxiliar de apoio domiciliário e como vigilante, enquanto não consegue ser médico em Portugal. Também a esposa é médica e reprovou no exame.

Confrontado, o Ministério da Saúde remeteu as respostas para a Administração Central do Sistema de Saúde, que apenas se limitou a esclarecer que, em dezembro de 2016, existiam 1300 médicos estrangeiros a exercer em Portugal no Serviço Nacional de Saúde (SNS), cerca de 4,71% do total dos médicos.

Destes, 626 eram oriundos de países fora da União Europeia.

Além destes, existem 23 médicos cubanos que se encontram a exercer funções no SNS, ao abrigo de um Acordo com o Estado cubano.

Para exercerem em Portugal, os médicos oriundos de países fora da União Europeia são obrigados a ter residência em Portugal e a submeter um processo de reconhecimento de competências, em que têm de obter em Portugal equivalência aos seus cursos e prestarem provas antes de se escreverem na Ordem dos Médicos.

Pedrógão Grande
Um grupo de fisioterapeutas voluntários está em Pedrógão Grande a realizar triagens e intervenções na área cardiorrespiratória,...

Ana Margarida Ferreira é uma das voluntárias que respondeu ao apelo lançado no dia 22 de junho pela Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFISIO) nas redes sociais, a pedir voluntários para atuarem em Pedrógão Grande.

A jovem de Felgueiras explicou que o número de fisioterapeutas presentes nas instalações do quartel dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, onde têm uma sala para atendimento às pessoas, depende da disponibilidade, mas adiantou que "fica ali sempre alguém para fazer o atendimento".

Até agora, estima que foram já atendidas mais de 150 pessoas pelos profissionais: "Vão surgindo pessoas com problemas respiratórios, alguns que já os tinham e que foram agravados com esta situação".

A fisioterapeuta adiantou ainda que, apesar de estarem a atender todas as pessoas que ali chegam, estão a incidir, ao nível da área preventiva, nas crianças e idosos, onde o enfoque é maior.

"Inicialmente, fazemos uma ficha para a pessoa, para perceber se já tinha problemas e se esteve exposta ou não, ao fumo e ao fogo. Após isso, é feito um exame mais objetivo, onde verificamos a saturação de oxigénio, tensão arterial e auscultação pulmonar. Com estes testes, tentamos definir se existe alguma sintomatologia relacionada com o incidente [fogo]", disse.

No final, caso seja necessário tratamento, este é começado no local e é feito um novo agendamento ao paciente para se fazer o respetivo acompanhamento.

Ana Margarida Ferreira adiantou ainda que, do material que estão a utilizar para trabalhar, parte foi doado e o restante foram os próprios fisioterapeutas que o trouxeram dos locais onde trabalham.

Estes voluntários, durante o tempo de permanência em Pedrógão Grande, estão alojados nas instalações da Santa Casa da Misericórdia local, onde são tomadas também as principais refeições do dia.

O trabalho de triagem e acompanhamento dos pacientes é feito nas instalações dos bombeiros de Pedrógão Grande, diariamente, entre as 09:00 e as 18:00.

"As triagens são sempre feitas por ordem de chegada. Caso seja necessário acompanhamento durante alguns dias é feito um agendamento ao paciente", explica.

Quanto ao tempo de permanência, a fisioterapeuta de Felgueiras disse que vão estar em Pedrógão Grande por tempo indeterminado.

A APFISIO lançou um apelo nas redes sociais a pedir voluntários para Pedrógão Grande, no dia 22 de junho, visto existirem várias pessoas na região a necessitarem de tratamento urgente devido à inalação de fumo proveniente do incêndio.

A Santa Casa da Misericórdia preparou uma sala com marquesas e algum material básico de forma a possibilitar o tratamento destas pessoas.

Contudo, não dispunha de número suficiente de fisioterapeutas qualificados para realizar intervenção, nem mesmo triagem, pelo que a APFISIO, através do seu Grupo Interesse Fisioterapia Cardio-Respiratoria, apelou à colaboração destes profissionais para a prestação de cuidados em fisioterapia, com especial enfoque na área cardiorrespiratória, de forma voluntária.

“Parlamento da Saúde”
A Comissão de Ética do "Parlamento da Saúde" demarcou-se de uma proposta sobre "venda de dados em saúde, com o...

A recomendação de compra e venda de dados em saúde, com o consentimento informado dos doentes, para que possam ser utilizados em respostas a necessidades concretas, foi divulgada em comunicado pelos promotores da iniciativa e comentada pela presidente do ‘Health Parliament Portugal' (HPP), Ana Castro

Numa declaração escrita, a Comissão de Ética, uma das seis comissões que integram o HPP, "demarca-se totalmente desta visão" e divulga as recomendações apresentadas, em que sugeriu, sobre este assunto, "salvaguardar, em legislação, a exigência clara e transparente da finalidade do uso dos dados em saúde e a retribuição ao cidadão".

"A retribuição justa do cidadão assenta no direito a conhecer a utilidade benéfica da sua dádiva para o bem-comum. É esta, e não outra", defendem.

Segundo um comunicado do Parlamento da Saúde, as recomendações preveem a criação de “um modelo que permita aos cidadãos partilharem os seus dados em saúde através de um consentimento informado para que os mesmos possam ser utilizados em resposta a necessidades concretas” e uma proposta para “legislar a cedência ou venda de dados em saúde e investir as receitas” no SNS.

Em declarações, a presidente do HPP adiantou que há propostas relacionadas "com a partilha, a proteção dos dados e a valorização dos dados em saúde" que são transversais aos grupos das tecnologias de informação, da ética e do doente no centro da decisão

"Dentro desta área há várias recomendações que têm algumas implicações, não só a nível do Serviço Nacional de Saúde, mas também a nível social, porque as pessoas estando mais informadas podem participar melhor nestas decisões, e nos dados que vamos obter em saúde", disse a médica Ana Castro.

Para os “deputados” da Comissão de Ética, as posições da presidente do HPP acerca de venda de dados "refletem somente e apenas a sua opinião pessoal ou um equívoco de interpretação".

Os sete membros da Comissão de Ética, proveniente das áreas de economia, finanças, ética, medicina, farmácia e investigação científica, são contra a posição da presidente do HPP de que "teria de ser feito um contrato entre o doente e a empresa, como um outro qualquer contrato de compra de um bem. O doente ou recebe ou abdica do dinheiro para o SNS ou para a instituição que for".

A Comissão entende ainda que "o consentimento do cidadão, na decisão de partilhar os seus dados, deverá respeitar os seus interesses, quando legítimos", defendendo ainda que "deverá ser respeitada a autonomia, dignidade e privacidade, devendo existir como pressupostos gerais dos dados em saúde a ocultação da identidade e limites à reidentificação".

"Assim, é evidente que não foi, de forma alguma, sugerido que o consentimento deva estar associado a uma finalidade de transação económica dos dados em saúde", sublinha.

A comissão lamenta ainda "profundamente a forma ligeira e irresponsável com que foram veiculadas as recentes afirmações que, a serem verdade, não correspondem às recomendações da iniciativa e são contrárias aos princípios e valores éticos da partilha de dados em saúde, nomeadamente o respeito, a solidariedade intergeracional, o altruísmo e o direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover".

O Parlamento da Saúde divulgou as 58 recomendações para "melhorar o futuro da saúde em Portugal" e que traduzem o trabalho desenvolvido nos últimos seis meses pelos 60 “deputados” do ‘Health Parliament Portugal'.

O ‘Health Parliament Portugal’ é composto por 60 pessoas, entre os 21 e os 40 anos, de origens geográficas e percursos curriculares variados, que têm como objetivo refletir sobre o futuro da saúde em Portugal e produzir recomendações.

Os "deputados" - entre os quais médicos, farmacêuticos, investigadores, economistas, psicólogos - estão divididos por seis comissões.

O encerramento do encontro foi realizado pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Projetos científicos
Portugal defende, tal como a Alemanha e a França, a criação de um conselho europeu para a investigação em saúde, que financie...

A posição portuguesa consta num relatório de avaliação intermédia do Horizonte 2020 - programa comunitário de apoio à ciência e inovação - e de projeção do novo quadro de financiamento europeu para o setor.

Segundo o ministro, "há um défice na utilização do conhecimento na assistência médica".

Manuel Heitor falava aos jornalistas, em Lisboa, na apresentação do programa do encontro nacional de ciência de 2017, que se realiza entre hoje e quarta-feira, no Centro de Congressos de Lisboa, e onde é esperada a presença do comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.

Para o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, a Europa "deve ter um quadro de financiamento que estimule a investigação clínica", feita em hospitais, escolas de tecnologia de saúde e enfermagem, faculdades de medicina e centros científicos.

Atualmente, existe um Conselho Europeu para a Investigação, que financia projetos em todos os domínios científicos considerados de excelência.

Maputo
Foi em Portugal que arrancou em 2015 a ARELP - Associação Respiratória de Língua Portuguesa, mas é em Maputo que se realiza no...

Temas como Asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), Tuberculose e Pneumonias em doentes com VIH e no imunocompetente estarão durante dois dias no centro de um debate multidisciplinar que não esquece questões como a importância dos rastreios, da imagem no diagnóstico de problemas respiratórios e até o impacto do meio ambiente na saúde respiratória.

Apesar das diferenças geográficas, político-sociais, culturais e de desenvolvimento, esta é uma boa oportunidade para os países signatários da ARELP, discutirem em português, as principais patologias pulmonares atualizando conceitos, abordagens terapêuticas e estratégias que poderão vir a ser harmonizadas com base nos diferentes contextos, mas na perspetiva da universalização da ciência e da inovação em termos de investigação.

Considerado o primeiro fórum de discussão de países de Língua Portuguesa, esta é uma iniciativa que reúne profissionais de saúde para participar num programa que inclui ainda workshops de formação na área da espirometria, leitura de artigos científicos e uso do Excel na investigação científica, palestras, mesas redondas e simpósios sobre as temáticas pulmonares predominantes.

A organização do primeiro Congresso ARELP está a ser desenvolvida com o apoio da 2Logical, uma empresa portuguesa com presença em Moçambique e que atua na área da consultadoria com vista ao desenvolvimento da área do medicamento e da saúde neste país, contribuindo para o conhecimento e um desenvolvimento mais rápido e sustentável.

Toda a informação disponível em http://congressoarelp.com/.

Bolsa de Investigação 2017 em Mieloma Múltiplo
Da equipa liderada pelo Dr. Rui Bergantim, especialista em Hematologia Clínica, no Hospital de São João, no Porto, fazem ainda...

O projeto vencedor, terá a duração de 1 ano, tem como principais objetivos identificar um conjunto de biomarcadores da resistência/ sensibilidade aos inibidores de proteossomas e imunomoduladores, medicamentos para o tratamento do Mieloma Múltiplo; estabelecer padrões de associação entre os biomarcadores identificados, principais alterações citogenéticas relacionadas com esta doença e outras características clínicas; explorar novas metodologias como as biópsias líquidas, de modo a evitar a realização de biópsias ósseas invasivas e dolorosas e, estabelecer correlações entre os resultados obtidos neste projeto com a resposta dos doentes com Mieloma Múltiplo aos medicamentos e o desfecho do tratamento em termos de tempos de sobrevivência sem doença e global, contribuindo deste modo para a estratificação dos pacientes e terapêutica individualizada.

Esta 1ª edição da Bolsa de Investigação em Mieloma Múltiplo é uma iniciativa da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH) e da Amgen Biofarmacêutica e a cerimónia de entrega do Prémio à equipa vencedora (no valor de 15.000 Euros) decorreu hoje, pelas 18h00, na Fundação Calouste Gulbenkian e contou com a presença do Sr. Ministro da Saúde, Prof. Dr. Adalberto Campos Fernandes.

Nas palavras do Dr. Rui Bergantim, “A introdução de novos fármacos no tratamento de Mieloma Múltiplo (MM), tem proporcionado uma melhoria significativa na sobrevivência global dos doentes, de 2 para 5 anos. No entanto, o MM é uma doença oncológica rara e ainda considerada incurável. Enquanto alguns doentes reagem bem aos tratamentos, outros mostram uma grande resistência à terapêutica. Assim, impõe-se a necessidade de encontrar formas de estratificar os doentes para orientar as decisões terapêuticas. Estamos convictos que receber esta Bolsa muito nos irá ajudar a prosseguir a investigação de forma mais célere.”

SRNOM e Banco Carregosa
A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos e o Banco Carregosa, dando continuidade à parceria de sucesso iniciada em 2016,...

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM) e o Banco Carregosa incentivam os investigadores a apresentar os seus projetos a este prémio. As duas entidades criaram esta distinção como um estímulo a uma atividade em clara expansão e que é uma das maiores oportunidades de desenvolvimento na área das ciências e tecnologias da saúde em Portugal.

A 1ª edição do Prémio distinguiu Liane Costa, jovem médica e investigadora do Centro Hospitalar de São João (Porto), com uma investigação sobre «o impacto do excesso de peso e da obesidade no funcionamento dos rins e na saúde dos vasos sanguíneos de crianças de 8-9 anos». Eduardo Rodrigues Pinto, médico gastroenterologista no Centro Hospitalar de São João, e Mário Sousa, professor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) foram distinguidos com as Menções Honrosas.

O Prémio Banco Carregosa/SRNOM é uma distinção de âmbito nacional destinada a pessoas singulares ou coletivas com projetos relevantes na área da investigação clínica e tem um valor total de 25 mil euros, distribuídos da seguinte forma: 20 mil para o projeto vencedor e cinco mil para duas menções honrosas.

As candidaturas estão abertas até 6 de Outubro e devem ser formalizadas através do preenchimento do formulário de candidatura, que se indica abaixo, e enviadas para [email protected] e por correio registado para Prémio Carregosa / SRNOM Rua Delfim Maia, 405 4200-256 Porto.

A cerimónia de atribuição do Prémio Carregosa/SRNOM - 2017 terá lugar em data a anunciar.

As informações sobre o regulamento do prémio bem como o formulário de candidatura podem ser consultados em http://bit.ly/2BCSRNOM .

Desde 2009
O programa de rastreio do cancro da mama, que está a ser implementado na região Norte desde 2009, estendeu-se a 75 concelhos e...

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte) iniciou em 2009 um programa de rastreio do cancro da mama, que se estende agora aos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real, e Torre do Moncorvo, distrito Bragança.

Até meados de julho, serão convidadas, por carta, a fazer uma mamografia cerca de 2.600 mulheres elegíveis com idades compreendidas entre os 45 e os 69 anos, inscritas no centro de saúde de Vila Pouca de Aguiar.

O local de realização é a unidade móvel de rastreio estacionada junto àquele centro de saúde.

Em Torre de Moncorvo, o convite é dirigido a cerca de 1.300 utentes e o rastreio será feito também numa unidade móvel.

De acordo com dados fornecidos à agência Lusa pela ARS Norte, nestes oito anos o programa abrangeu quase 25% da população feminina da região norte, com idades compreendidas entre os 45 e 69 anos, e foi gradualmente alargando a sua cobertura, abarcando, no final do ano passado, 75 concelhos (87%) e 20 agrupamentos de centros de saúde (83%).

Segundo a ARS, entre 01 janeiro e 31 maio de 2017, foram rastreadas 84.513 mulheres, realizadas 4.778 consultas de aferição e referenciadas para os hospitais 528 mulheres com resultado positivo.

Em 2016, foram convidadas 268.412 mulheres e rastreadas 155.057, foram ainda realizadas 6.961 consultas de aferição e o número de casos positivos referenciados para o hospital foi 766.

Desde o final do ano passado que todos os ACES da região estão abrangidos e as unidades de rastreio são já 19 (quatro fixas e 15 móveis).

A ARS Norte contratou os serviços da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), para a realização de mamografias, consultas e exames complementares, sempre que estes forem necessários, bem como para o envio das cartas convite.

O exame de rastreio é a mamografia, que todas as mulheres elegíveis (isto é sem motivos de exclusão) com idades compreendidas entre os 45 e os 69 anos, inscritas nas unidades de saúde dos cuidados de saúde primários de toda a região Norte, são convidadas a fazer a cada dois anos.

Atualmente, segundo dados da LPCC, em Portugal, com uma população feminina de cinco milhões, surgem 6.000 novos casos de cancro da mama por ano, ou seja 11 novos casos por dia, morrendo por dia quatro mulheres com esta doença.

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