Posição
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, defendeu hoje que a utilização da canábis para outros fins sem ser...

Adalberto Campos lembrou o passo que foi dado pela Assembleia da República com a aprovação da regulação da canábis para fins terapêuticos, num “quadro de forte regulação e de supervisão pelas autoridades de saúde pública e pela autoridade nacional de medicamento”.

“Esse passo foi dado, agora há muito trabalho para fazer no plano da regulamentação, no plano legal”, disse o ministro da Saúde aos jornalistas, à margem do III congresso do SICAD - Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, que decorre até quarta-feira em Lisboa.

Mas outro tipo de abordagem, nomeadamente a futura utilização ou a abertura à utilização da canábis para outros fins que não os terapêuticos, “é uma matéria que carece de ponderação e de avaliação de experiências em curso”, disse, considerando que “a pior coisa que pode haver é voluntarismo, é precipitação”.

“Uma coisa é sermos ousados quando temos por detrás de nós a evidência e o conhecimento científico a apoiar-nos, outra coisa é darmos passos relativamente aos quais as consequências não conhecemos”, sublinhou o ministro.

Mas “felizmente neste domínio”, Portugal um papel de ‘pole position’ em termos mundiais. “Os nossos técnicos são reconhecidos, a nossa experiência é reconhecida e, portanto, seguramente Portugal vai estar, como tem estado até aqui, também num processo de liderança em relação a essas situações novas com as quais nos estamos a confrontar, rematou.

No dia em que se assinala o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e Tráfico Ilícito, Adalberto Campos Fernandes destacou o trabalho realizado nos últimos anos na área da toxicodependência, “uma das áreas que mais orgulha o país, de maior sucesso”, e que “fez de Portugal uma referência no mundo”.

“É preciso haver pioneirismo, é preciso haver coragem”, para avançar mesmo quando as soluções encontradas são criticadas e consideradas perigosas.

Sobre a criação de um novo modelo organizacional para a intervenção nesta área, o ministro disse que “os trabalhos de análise e ponderação estão concluídos” e que “dentro de breves dias” haverá trabalho específico com a equipa do SICAD.

“Temos de conjugar duas coisas: fazer com que o SICAD e o seu trabalho prossigam de uma forma ainda mais positiva, mais eficaz, mais competente, que o interesse público seja prosseguido e a capacidade que o país tem de regular esse mesmo interesse público, e que os profissionais ganhem um novo impulso, um novo ciclo de motivação”, adiantou.

Adalberto Campos Fernandes salientou o papel dos profissionais que “nunca deixaram de estar motivados, mesmo em condições difíceis”.

“Mesmo aquando das alterações estruturais por altura do programa de assistência externa financeira, fizeram, como diz o povo, das ‘tripas coração, e agarraram-se ao trabalho”, disse, acrescentando que “está na altura” de olhar para “esse esforço e reconstruir um caminho sobretudo de motivação e de ânimos para os desafios novos que há pela frente”.

INE
A despesa com Saúde aumentou 3% em 2017, o que significa uma redução em relação aos dois anos anteriores, tendo atingido os 17...

De acordo com o INE, no ano passado a despesa corrente da Saúde teve um crescimento estimado de 3%, sendo inferior ao ritmo do aumento do Produto Interno Bruto (PIB), situado nos 4,1%.

Os 17,3 milhões de euros estimados representam 9% do PIB e 1.683,9 euros per capita.

Em 2016, a despesa corrente em Saúde tinha crescido mais 1,2 pontos percentuais do que o PIB.

Os dados hoje divulgados avançam que a despesa corrente pública em Saúde cresceu, no triénio 2015-2017, mais do que a despesa corrente privada, “reforçando a sua importância relativa no financiamento do sistema de saúde português”.

 

Investigadores do Porto
O projeto científico “ProREGEN”, desenvolvido por Mónica Sousa, Sara Sousa e Ana Rita Pinto Costa, do Instituto de Investigação...

O “ProREGEN” apresenta-se como uma terapia para potenciar a regeneração do sistema nervoso, onde é necessária a reparação da medula, atuando em lesões do sistema nervoso e em doenças neurodegenerativas, através da proteína Profilin-1 (Pfn1) que regula o esqueleto celular. O júri destacou a sua originalidade, inovação, viabilidade de mercado e potencial criação de valor para a sociedade, razão pela qual lhe atribuiu o primeiro lugar entre os 23 projetos concorrentes.

A cerimónia de entrega do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2017 realiza-se esta quinta-feira, dia 28 de junho, pelas 12 horas, na Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Coimbra (UC).

Presidida pelo Reitor da UC, João Gabriel Silva, a cerimónia conta com a presença de Paulo Barradas, Presidente do Conselho de Administração da Bluepharma, empresa promotora do Prémio, e de Seabra Santos, Presidente do Júri, entre outras individualidades.

O projeto vencedor vai receber um prémio monetário de 20 mil euros para avaliar ‘in vivo’ (em ratos com lesão do nervo ciático ou com lesão medular) o potencial regenerativo da Profilin-1 (Pfn1), uma proteína que regula a dinâmica do esqueleto celular, ativa após lesão.

De acordo com os investigadores, resultados ‘in vitro’ demonstram já que a Pfn1 é promotora do crescimento do axónio, com efeitos «robustos e surpreendentes». Caso seja bem-sucedida ‘in vivo’, esta terapia poderá ainda ter aplicações em outras doenças, nas quais a regeneração é necessária. O apoio monetário poderá ainda traduzir-se num investimento suplementar de 30 mil euros, uma vez provada a sua viabilidade de mercado.

Os responsáveis pelo ProREGEN notam que, apesar do «progresso considerável» no que respeita aos procedimentos médicos, cirúrgicos e de reabilitação, «não existem tratamentos eficazes para a recuperação neurológica». Consideram, por isso, essencial, a identificação de terapias que promovam recrescimento do axónio (prolongamento do neurónio que estabelece a sua ligação a uma célula-alvo) e a reparação da medula, atuando em lesões do sistema nervoso e em doenças neurodegenerativas.

Com periodicidade bienal, o Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra visa distinguir projetos científicos de excelência ao nível internacional na área das Ciências da Saúde, que apresentem elevado potencial de transformação em produtos ou serviços, com real interesse para a sociedade.

O júri deste concurso, formado por alguns dos melhores investigadores do país, Carlos Faro (Biocant), Luís Almeida (Universidade do Porto e Blueclinical), Miguel Botto (Portugal Ventures), Sérgio Simões (Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e Bluepharma) e Fernando Seabra Santos (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra), considerou ser este o melhor projeto, tendo em conta critérios de avaliação como o mérito, a originalidade, a inovação, o potencial contributo e impacto do projeto científico, e a sua diferenciação face à concorrência.

Universidade Federal de São Paulo alerta
Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo, no Brasil, aponta para uma relação entre o consumo de adoçante e...

O adoçante é visto como uma opção mais saudável, substituindo o açúcar, mas uma pesquisa conduzida por vários investigadores do Brasil revela que o uso deste impõe barreiras às mulheres que tentam engravidar. A investigação ainda não chegou a conclusões muito elaboradas, mas até agora tudo aponta para a relação entre o adoçante e a má qualidade dos óvulos.

Os detalhes do estudo brasileiro ainda não foram totalmente revelados, tendo sido apenas  estudada uma amostra pequena da população feminina brasileira. Neste país, a probabilidade de uma gravidez ser bem-sucedida por conceção natural é de 30%.

 

 

 

Ficaram por realizar 638 consultas por dia
Mais de 233 mil consultas de oftalmologia ficaram por fazer em 2017, segundo dados do relatório Estratégia Nacional para a...

No total foram 233.228 consultas da especialidade de oftalmologia que ficaram por realizar, o que corresponde a um aumento de 29% em comparação com o ano de 2016. O valor dá uma média de 638 consultas por dia, por realizar.

O relatório Estratégia Nacional para a Saúde da Visão é apresentado esta terça-feira em Lisboa. Para minimizar os efeitos de uma consulta por realizar, o documento propõe uma estratégia de criação de pontos de realização de primeiras consultas para cuidados de saúde primários (vulgo centros de saúde), para libertar os hospitais, e recomenda o alargamento e uniformização dos rastreios de saúde visual infantil e da retinopatia diabética.

 

Fármaco alivia sintomas graves e muito graves
As autoridades norte-americanas aprovaram o primeiro medicamento derivado da canábis, o Epidiolex, que será usado para tratar...

O Epidiolex contém canabidiol purificado, o CBD, que é um dos mais de 80 componentes ativos da planta de canábis. "Este é um importante avanço médico", anunciou o comissário Scott Gottlieb, da agência americana de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês).

"Mas também é importante notar que esta não é uma aprovação da maconha ou de todos os seus componentes. É a aprovação de um medicamento específico de CBD para um uso específico", acrescentou.

O medicamento foi aprovado para tratar as síndromes de Lennox-Gastaut (LGS) e de Dravet, tipos de epilepsia que causam convulsões graves em pacientes de dois ou mais anos de idade, aponta a FDA.

Fármaco alivia sintomas graves e muito graves

A síndrome de Dravet é uma rara condição genética que causa convulsões frequentes relacionadas com a febre, espasmos musculares involuntários e contínuas convulsões potencialmente mortais, que requerem atenção médica de emergência.

As crianças que padecem da doença "tipicamente experimentam um desenvolvimento deficiente da linguagem e das habilidades motoras, uma hiperatividade e dificuldades para relacionar-se com outras pessoas", disse a FDA.

Assim como a síndrome de Dravet, a de Lennox-Gastaut também começa na infância e causa múltiplos tipos de convulsões. A maioria das crianças afetadas têm problemas de aprendizagem, deficiência intelectual e precisam de ajuda com suas atividades diárias.

"Para aqueles que vivem com convulsões intratáveis causadas pelas síndromes LGS e Dravet, o Epidiolex representa um verdadeiro avanço médico", disse Philip Gattone, presidente e CEO da Fundação para a Epilepsia.

Antes de o medicamento ser comercializado, a FDA deve reclassificar o CBD, que é considerado uma droga com alto risco de abuso e sem valor médico porque deriva da maconha.

Espera-se que este procedimento seja realizado em 90 dias, segundo o GW Pharmaceuticals, que comercializará o medicamento através de sua subsidiária Greenwich Biosciences.

A Agência Europeia de Medicamentos atualmente revisa o uso do Epidiolex para tratar convulsões vinculadas às síndromes LGS e Dravet e sua decisão está prevista para o ano que vem.

A efetividade do Epidiolex foi estudada em três testes aleatórios com 516 pacientes com uma das síndromes, a fim de comparar o uso do medicamento com o de um placebo.

Bactérias
Investigadores do Porto estão a desenvolver um produto para incorporar em rações de aquacultura, composto por bactérias que...

"A aquacultura é a indústria de produção animal com maior crescimento a nível mundial, representando cerca de 50% do pescado destinado ao consumo humano. Contudo, a ocorrência frequente de doenças bacterianas nestes animais representa perdas económicas globais superiores a 3,5 milhões de euros", disse à agência Lusa a investigadora Rafaela Santos, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR).

Essas doenças bacterianas, referiu, estão associadas ao uso inadequado de antibióticos, podendo resultar na acumulação de bactérias em produtos para consumo humano, provocando, assim, problemas de saúde pública.

"Aproveitando a coleção bacteriana do CIIMAR, composta por organismos potencialmente probióticos, de diferentes espécies de peixes de aquacultura", os responsáveis pelo projeto SNACk descobriram "novas bactérias probióticas, capazes de antagonizar os mais importantes organismos patogénicos causadores de doenças de peixes".

Compostos naturais capazes de combater bactérias

As bactérias probióticas são, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), "organismos vivos que, quando adicionados à dieta, em quantidades adequadas, fornecem benefício para a saúde do hospedeiro", indicou a também investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Essas bactérias produzem compostos naturais antimicrobianos capazes de combater as doenças bacterianas "mais importantes dos peixes de aquacultura, como a vibriose, a furunculose ou a pseudo-tuberculose, entre outras, e são facilmente incorporáveis em rações para peixe", contou.

Além disso, originam estruturas de elevada resistência, denominadas de esporos, permitindo que as mesmas "consigam sobreviver às elevadas temperaturas e pressões aplicadas nos processos de produção de ração para peixes, bem como atravessar todo o trato gastrointestinal, até ao intestino, sem perder as suas características".

Segundo a responsável, estes resultados, "em consonância com a investigação internacional mais atual", podem ter "um forte impacto económico e ambiental" na indústria da aquacultura, diminuindo a carga de surtos bacterianos e o uso de antibióticos.

As moléculas produzidas por estas bactérias, continuou, poderão ser também aplicadas em agentes de biocontrolo da água.

Com este projeto, a equipa espera então criar um produto que aliviará a carga de doenças bacterianas e aumentará as opções dos aquacultores europeus, "atualmente limitados a um probiótico aprovado para uso em aquacultura de peixes, que não visa resolver os problemas das doenças bacterianas".

Rafaela Santos disse ainda que, para que estes probiótocos sejam incorporados nas rações, será necessário realizar testes ‘in vivo' em três espécies de peixes diferentes e em condições de cultivo também diferentes, nomeadamente no que diz respeito à salinidade e temperatura da água da aquacultura.

"Só depois será possível elaborar um dossiê para submeter à aprovação pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), permitindo a sua incorporação em dietas comerciais", acrescentou.

O SNACk é um projeto do grupo NUTRIMU, do CIIMAR, liderado pelo professor Aires Oliva-Teles, estando na base do doutoramento de Rafaela Santos e do pós-doutoramento das investigadoras Paula Enes e Cláudia Serra.

Em Diário da República
O documento, publicado em Diário da República, vem estabelecer as condições de acesso, os direitos e deveres das entidades...

Foi publicado esta terça-feira o Decreto Regulamentar Regional sobre o regime de celebração de acordos de facturação de prestação de cuidados de saúde dos beneficiários do Serviço Regional de Saúde (SESARAM) em Diário da República.

O Decreto Regulamentar Regional, agora publicado em Diário da República, refere a importância de se instituir no SESARAM um quadro legal “que presida à consagração normativa dos acordos de faturação” dotando-os de  “estruturas e elementos técnicos e dos instrumentos jurídicos indispensáveis” na Região.

Neste decreto está consagrado entre outras coisas “as condições de adesão, os direitos e deveres das entidades contratualizadas e o respetivo acompanhamento e controlo” de maneira a trazer “maior equidade e melhor qualidade no acesso dos utentes aos cuidados de saúde”, refere o documento.

O documento consagra como princípios a “liberdade de escolha dos prestadores pelos beneficiários”, a “equidade no acesso aos cuidados de saúde, a “complementaridade na garantia das prestações de cuidados de saúde” e a “garantia de adequados padrões de qualidade na prestação de cuidados de saúde”.

 

Polémica
António Alvim denunciou que os médicos das USF de modelo B recebem mais quase 1.800 euros para atenderem mais doentes, mas...

Um médico da Unidade de Saúde Familiar (USF) Rodrigues Miguéis, em Benfica, foi alvo de uma tentativa de expulsão por ter denunciado que o Estado está a pagar suplementos remuneratórios a médicos de família por 40 horas de trabalho e pelo atendimento de mais doentes, mas sem que estes cumpram as contrapartidas previstas.

O caso foi denunciado pelo Jornal Económico e, em consequência, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) garantiu que iria fazer uma auditoria. Só que, entretanto, o médico António Alvim, que protagonizou a denúncia, foi alvo de um conselho geral convocado pelo coordenador da unidade da USF onde exerce com vista à sua expulsão.

Numa nota enviada aos médicos da USF Rodrigues Miguéis, a que o Jornal Económico teve acesso, o coordenador da USF, o médico Paulo Eiras, justifica a intenção de expulsão com prejuízos para a imagem e bom nome da unidade e dos médicos que nele exercem, resultantes, depois da notícia do Jornal Económico, de uma entrevista concedida por António Alvim, que é militante do PSD, à Rádio Renascença.

Na nota, Paulo Eiras elenca os “danos” causados pela entrevista de António Alvim, relacionando-os com “a imagem da USF a nível local e do país, ao identificá-la fotograficamente; a imagem da USF a nível local e do país, ao expô-la na comunicação social e no Facebook; a imagem da USF, enquanto organização para a prestação de cuidados de saúde; a utilização não autorizada das instalações da USF para fins alheios à sua atividade normal (entrevista concedida à RR); a idoneidade dos profissionais médicos, seus pares dentro da USF, ao afirmar que trabalham menos do que deviam trabalhar e que ganham mais do que deviam ganhar; a imagem que deixa dos seus colegas, junto da população ao proferir declarações graves e falsas, devidamente publicitadas na comunicação social e nas redes sociais; a prestação de informações falsas sobre o desempenho dos seus colegas médicos; as eventuais consequências/problemas que as prestações de informações falsas podem determinar junto dos utentes, pondo em causa a relação destes com a USF e respetivos profissionais; a perturbação no normal funcionamento da USF e; o mau ambiente por si criado no seio da equipa e que se considera inultrapassável”.

O conselho geral, que reúne representantes de todos os grupos profissionais que exercem atividade na USF Rodrigues Miguéis decorreu a 22 de junho, tendo a maioria dos conselheiros aprovado a exclusão de Alvim. Foram contabilizados 12 votos a favor da expulsão, 8 contra, e a abstenção do visado. A decisão não é vinculativa, porque tal só seria possível com uma maioria qualificada de dois terços, o que não aconteceu.

Mais utentes, mais dinheiro, as mesmas horas

Em causa, na denúncia de António Alvim, está o pagamento aos médicos das USF de modelo B de uma contrapartida de 1.794 euros para que passem a atender uma lista de 1.750 utentes, em vez de 1.550 euros regulares, o que implicaria uma adaptação do horário de base de 35 horas semanais. Só que, na prática, o que está a acontecer é que os médicos mantêm o horário de 35 horas semanais, mesmo com o acréscimo das suas listas de utentes. De acordo com António Alvim, quando aceitam aumentar o número de utentes das suas listas, os médicos deveriam também aumentar o número de horas de trabalho, que no caso foram fixadas em mais 9 horas.

Refira-se que, além do acréscimo salarial resultante do aumento das listas de utentes, os médicos que exercem em USF B, recebem, entre outros, incentivos de desempenho, retribuição pela orientação de internato médico e realização de domicílios. Acresce um subsídio de exclusividade que a própria lei atribui, mas sem a exigir.

Alvim aponta que, tudo somado, estes médicos auferem, em média, cerca de 7.000 euros mensais ilíquidos, bastante mais do dobro do que os seus colegas que com a mesma categoria e o mesmo número de utentes também acumulam as funções de orientadores de internato e fazem domicílios, mas que estão em USF do Modelo A ou em Unidades de Cuidados de Saúde Primários, no regime de 40 horas semanais. E ganham três vezes mais do que os médicos que estão em regime de 35 horas simples.

Segundo os dados apurados pelo Jornal Económico, neste modelo privilegiado, sem paralelo em toda a função pública, encontram-se neste momento certa de 1.700 médicos, todos os que exercem um USF de modelo B.

Os demais profissionais das USF – enfermeiros e secretários clínicos – também auferem cerca do dobro do salário que ganhariam se exercessem noutras unidades dos cuidados de saúde primários, que não as USF do modelo B. Beneficiam atualmente desta situação cerca de 1.700 enfermeiros e 1.300 secretários clínicos.

Suplemento remuneratório para 28 horas de consultas

No caso específico da USF Rodrigues Miguéis, a situação tem ainda o exemplo do próprio coordenador da unidade, Paulo Eiras, que, segundo António Alvim, tem no seu horário “três tardes livres, em que os seus utentes a ele não podem aceder” e apenas 28 horas de agenda para consultas, a que se juntam três horas não assistenciais (Gestão Clinica). “No total, trata-se de um horário de 35 horas por semana, sendo que duas delas estão alocados a domicílios que o Estado – utentes/contribuintes – pagam à parte, pelo que estão a ser pagas duas vezes”, aponta. “Este médico, com este horário, ganha ilíquido mais do que 7.000 euros, ganha mais do que o primeiro-ministro, incluindo neste as ajudas de custo, sem ter que fazer noites nem fins de semana, sem levar preocupações para casa, sem uma atividade médica stressante como se fosse neurocirurgião ou cirurgião cardíaco”, afirma Alvim.

O primeiro-ministro, António Costa, recebe 75% do salário do Presidente da República, o que representa cerca de 4.900 euros brutos mensais, a que acrescem 40% em despesas de representação. No total, são cerca de 6.860 euros brutos.

O Jornal Económico pediu ao Ministério da Saúde um esclarecimento sobre este caso, tendo o gabinete do ministro Adalberto Campos Fernandes remetido para a ARSLVT. A administração regional informou que após a publicação, pelo Jornal Económico, de uma notícia denunciando a situação, decidiu avançar com uma auditoria para averiguar a existência de eventuais irregularidades nos horários dos médicos de família que exercem em USF de modelo B. “Para que não haja dúvidas, a ARSLVT decidiu avançar com uma auditoria, facto que transmitiu ao Ministério da Saúde”, disse fonte oficial.

Proposta
A Estratégia Nacional para a Saúde da Visão, que hoje entra em discussão pública, define como prioritárias as crianças...

Segundo o documento, divulgado no ‘site’ da Direção-Geral da Saúde (DGS), é proposta a definição como prioritários dos doentes que têm distúrbios visuais neurológicos, que inclui os que têm paralisia cerebral (portadores de défice visual em mais de metade dos casos), e das crianças prematuras com alto risco de desenvolver retinopatia da prematuridade, com consequências drásticas e risco de cegueira irreversível.

É proposta a reformulação, até final de 2019, da urgência metropolitana de Lisboa, replicando o modelo do Porto, e a criação de um polo de urgência oftalmológica no Algarve “que funcione de forma continua”.

A Comissão responsável pela Estratégia Nacional para a Saúde da Visão sugere a também criação de uma plataforma de cuidados primários para a saúde visual e defende um forte investimento e um alargamento estruturado da oferta a este nível.

“O alargamento e a estruturação da base de oferta de cuidados de saúde visual ao nível dos cuidados de saúde primários terão de ser um alicerce de toda a rede oftalmológica nacional”, refere.

Os especialistas defendem que, apesar do crescimento do número de consultas, a rede nacional de cuidados de saúde da visão, assente nos serviços de oftalmologia da estrutura hospitalar do Serviço Nacional de Saúde, tem “importantes insuficiências e constrangimentos”.

“O número crescente de pendências em termos de consultas e o não cumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantida (TMRG) são dois exemplos da necessidade de intervenção estratégica ao nível dos cuidados de saúde visual em Portugal”, refere o documento.

 

Artigo de Opinião
Bactérias resistentes aos antibióticos habitualmente usados, causadoras de infeções graves, difíceis

Infelizmente, embora haja diversas formas de lidar com esta situação, os principais responsáveis pela sua implementação parecem tardar em acordar verdadeiramente para o problema, cuja gravidade aumenta diariamente. É uma epidemia silenciosa, que deverá estar a matar perto de três portugueses todos os dias, 1100 por ano, longe das primeiras páginas dos jornais.

A resistência dos micróbios é um fenómeno natural de adaptação. Já o aumento e disseminação global de estirpes resistentes aos antibióticos habitualmente usados na terapêutica das infeções, deve-se à utilização, principalmente se inapropriada, destes fármacos.

Na segunda metade do século XX foram descobertos, e utilizados com êxito, um elevado número de antibióticos. Infeções fatais passaram a ser tratadas, gerando uma enorme confiança neste tipo de medicamentos. À medida que novos antibióticos foram descobertos, mais potentes e seguros, mais frequente e incorreta se tornou a sua utilização.

Esta tendência gerou o aparecimento de novos mecanismos de resistência bacteriana, contra os quais novas classes de antibióticos foram descobertas e utilizadas, numa perigosa espiral de aumento de resistências e utilização de antibióticos.

Nos primeiros anos deste século, profundas alterações nas regras de comercialização de medicamentos e na epidemiologia global das infeções levaram a que a investigação e desenvolvimento de novos antibióticos conhecesse um acentuadíssimo abrandamento. Compreensivelmente, as resistências aos antibióticos existentes continuaram a aumentar, conduzindo a uma situação na qual dispomos de poucos ou nenhuns antibióticos para tratar algumas das bactérias mais resistentes. 

Em Portugal, o fenómeno apresenta contornos semelhantes, embora com algumas particularidades justificando preocupação. Como em todo o mundo, pode afetar crianças e adultos, pessoas doentes mas também saudáveis, incidindo nos hospitais mas também na comunidade.

Na maior parte das bactérias habitualmente estudadas, Portugal integra o grupo dos países europeus com maior percentagem de estirpes resistentes. Ainda que em algumas destas bactérias a situação tenha melhorado nos últimos anos, o quadro continua a ser muito preocupante.

Merece particular cuidado a evolução que se regista na bactéria Klebsiella pneumoniae, cujas estirpes mais perigosas podem ser resistentes a quase todos ou todos os antibióticos habitualmente disponíveis. Embora não integre o grupo de países europeus mais afetados, Portugal integrava já, em 2016, um grupo intermédio, mercê do nítido aumento desta estirpe verificado nos últimos anos. Tudo leva a crer que os números continuem a aumentar, aguardando-se com expetativa a divulgação dos números de 2017, prevista para novembro.

Uma das principais formas de atacar o problema é reduzir a pressão geradora de resistências, utilizando os antibióticos menos e melhor, principalmente os de mais largo espetro.

Também neste ponto a situação em Portugal justifica preocupação. Depois de uma nítida redução em 2013, o consumo de antibióticos tem vindo a subir, com particular expressão nos cuidados primários de saúde. Embora o consumo hospitalar dos antibióticos de mais largo espetro tenha vindo a diminuir, continuávamos, em 2016, a ser o segundo país da europa que mais consumia este grupo de antibióticos.

Outra das estratégias fundamentais para reduzir a prevalência de microrganismos resistentes é o cumprimento de boas práticas de prevenção e controlo da transmissão da infeção nas unidades de saúde. Também nesta área persistem importantes carências, quer a nível das estruturas, insuficientemente dotadas de meios e empoderadas, quer dos processos, com obstáculos a todos os níveis à ação dos profissionais que exercem funções nesta área.

A resistência aos antibióticos não está a ter a atenção que necessita por parte dos setores mais afetados e dos decisores aos vários níveis. A continuar assim, não só as infeções serão muito mais difíceis de tratar, como perderemos doentes que frequentemente sofrem infeções, como os grandes prematuros, os submetidos a grandes cirurgias, a terapêuticas imunodepressoras como quimioterapia, e os internados em cuidados intensivos, entre outros. Toda a Medicina moderna, um dos pilares da civilização, será posta em causa.

Estudos recentes permitem calcular que cerca de três pessoas morrem em Portugal, todos os dias, por infeções provocadas por microrganismos multiresistentes. São 1100 mortos por ano. E ninguém, em posição de fazer a diferença, se preocupa verdadeiramente. Como é possível?       

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Angra do Heroismo
A presidente do conselho de administração da Saudaçor (Sociedade Gestora de Equipamentos e Recursos de Saúde nos Açores), Luísa...

“Foram reestruturados financiamentos, nomeadamente em termos de alargamento de prazos, melhores ‘spreads’ e obtenção de aval nalgumas operações onde não havia, e as contas de 2016 evidenciam uma redução de gastos financeiros de 7 milhões, o que permitiu libertar esta verba para hospitais e unidades de saúde de ilha”, adiantou, em declarações aos jornalistas.

Luísa Melo Alves falava à margem de uma audição na Comissão Eventual de Inquérito ao Setor Público Empresarial Regional e Associações Sem Fins Lucrativos do Parlamento açoriano, que demorou cerca de três horas, em Angra do Heroísmo.

No final de 2017, a dívida da Saudaçor rondava os 647 milhões de euros, o que segundo a presidente do conselho de administração se justifica pela transformação da dívida comercial vencida dos hospitais em dívida financeira, com o objetivo de ser “negociada com condições centralizadas pela Saudaçor”.

“Todos os anos a Saudaçor tem vindo a recorrer à banca no sentido de que temos vindo sempre a reestruturar os financiamentos existentes, a maior parte em que não há aumento de capital em dívida”, salientou, alegando que em 2018 foi possível reduzir o ‘spread’ de 4,4% para 1,7%, o que permitirá uma poupança na ordem dos “1,8 milhões de euros”.

O deputado Carlos Silva, do PS, perguntou pelas mais-valias da centralização da dívida e sobre a sua evolução, mas o deputado Artur Lima, do CDS-PP, defendeu que a Saudaçor foi criada para “pagar a dívida dos hospitais e transformar o Sistema Regional de Saúde numa coisa gerível”.

Também o deputado António Vasco Viveiros, do PSD, perguntou se a empresa pública foi utilizada como um “instrumento financeiro” para assumir o passivo de “instituições subfinanciadas”, enquanto o deputado Paulo Mendes, do BE, perguntou se um dos objetivos da criação da Saudaçor foi a possibilidade de a dívida dos hospitais deixar de ser direta, apesar de continuar a integrar o perímetro consolidado da dívida da região.

Luísa Melo Alves destacou ainda o papel da Saudaçor na criação de uma central de compras de medicamentos para as unidades de saúde da região, alegando que entre 2010 e 2017 foram obtidas “poupanças estimadas de 13 milhões de euros”.

Entre as principais críticas ao desempenho da empresa pública, esteve o processo de informatização das unidades de saúde da região, que decorre há mais de uma década e previa o acesso a informação única a partir de qualquer centro de saúde e hospital.

Segundo a presidente do conselho de administração, inicialmente estava prevista a aquisição de um sistema próprio, mas entretanto a empresa optou pela melhoria dos sistemas existentes, sendo já possível aceder a uma informação única nos centros de saúde, mas não nos hospitais.

O deputado do CDS-PP questionou ainda Luísa Melo Alves sobre a aquisição de serviços de benchmarking (análise comparativa), num investimento de cerca de 200 mil euros, em quatro anos, mas a gestora realçou as suas vantagens.

“Nesta fase, é a única ferramenta que nos dá informação uniformizada para os hospitais, com o mesmo bilhete de identidade para cada indicador, com o mesmo modo de ir à fonte e ler os dados que foram codificados pelos médicos no âmbito de toda a sua atividade”, frisou, acrescentando que foi o hospital de Ponta Delgada que recorreu primeiro a estes serviços nos Açores.

Esta foi a primeira audição da Comissão Eventual de Inquérito ao Setor Público Empresarial Regional e Associações Sem Fins Lucrativos, requerida por CDS-PP, PSD e PPM e criada em fevereiro de 2018.

A Saudaçor é uma das empresas que o Governo Regional pretende extinguir até 2019.

Questionada pelo deputado do PPM, Paulo Estêvão, sobre o processo de extinção e sobre os pareceres dados pela empresa, a presidente do conselho de administração disse que haverá internalização das funções, dos trabalhadores e da dívida, acrescentando que o processo será liderado pelo Governo Regional e que não foram pedidos pareceres à Saudaçor, apesar de essa possibilidade ter sido anteriormente debatida.

O diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, defende que o...

Regular o uso da canábis para uso social e recreativo é “uma discussão que está a ocorrer um pouco por todo o mundo” e que deve acontecer num curto prazo em Portugal, tendo já havido algumas tentativas tímidas de discutir esta questão a par do seu uso para fins terapêuticos, disse João Goulão à agência Lusa, considerando que foi “um ganho significativo” ter-se separado essa discussão.

Para o especialista, essa discussão deve englobar todas as substâncias ilícitas.

“Quando fomos pioneiros e tomámos a opção de alterar o quadro legal de uso de substâncias em Portugal, fizemo-lo para todas as substâncias e foi com uma inspiração humanista de restituir aos utilizadores de substâncias ilícitas a mesma dignidade que têm pessoas com outras doenças", afirmou João Goulão, à margem do III Congresso do SICAD, que decorre até quarta-feira em Lisboa.

Agora devia haver “o mesmo tipo de abrangência”, disse, explicando que “se a lógica que presidiu à descriminalização de todas as substâncias foi de considerar que aquilo que verdadeiramente importa é a relação que o cidadão estabelece com a substância e não a substância ela própria, não vejo porque motivos havemos de conferir aos produtos de canábis um estatuto diferente dos das outras substâncias e isto porque não acredito, e cada vez mais a evidência científica aponta para isso, que a designação de drogas leves e drogas duras não faz sentido”.

Para João Goulão, trata-se de “uma questão filosófica”, mas também de discutir o papel que o Estado deve assumir na limitação do acesso a determinadas substâncias ou se deve deixar “ao arbítrio do cidadão supostamente informado essa capacidade”.

“É para esse tipo de discussão que este tema nos remete”, disse o médico, sublinhando que não tem “uma posição fechada” sobre o assunto.

“Não tenho uma posição fechada, longe de mim, acredito na bondade da regulação em alguns aspetos, nomeadamente no controlo da qualidade, mas também receio que venhamos a incluir na panóplia de substâncias disponíveis mais uma ou mais várias sem sabermos exatamente que impactos isso venha a ter”, frisou.

O médico aconselhou uma “atitude de prudência” e de acompanhamento das experiências que estão a acontecer noutros países, como no Uruguai ou no Canadá, e ter prova científica acerca dos impactos ao nível da saúde individual e coletiva.

“Hoje não estamos pressionados para mudar a todo o custo, temos de ter tempo para criar alguma distância e acompanhar essas experiências”, disse, salientando que quando o consumo de drogas foi despenalizado em 2000, Portugal estava “perante uma situação catastrófica, não é o caso hoje”.

O que está em discussão é perceber se é mais eficaz um quadro de regulação ou um quadro de liberalização como o que existe agora em que “a compra e a venda de canábis só dependem das leis do mercado sem que haja qualquer interferência a regular essa relação”, salientou.

Trata-se de perceber se conferir à canábis, ou a outras substâncias, um estatuto semelhante àquele que tem o tabaco ou o álcool, em que “o Estado interfere, controla a qualidade, regula os pontos de venda, as idades, as formas de acesso às substâncias”, tem um impacto positivo ou negativo no seu uso.

Previsão IPMA
Catorze distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e dos Açores apresentam hoje um risco muito elevado de exposição à...

Em risco muito elevado de exposição à radiação UV estão os distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Santarém, Leiria, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro e os arquipélagos da Madeira e dos Açores.

O distrito de Aveiro apresenta um risco elevado, Viana do Castelo moderado e Braga e Porto estão com níveis baixos.

Para as regiões com risco muito elevado e elevado, o IPMA recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando-se muito nublado nas regiões Norte e Centro e no litoral da região Sul até meio da manhã, nebulosidade que deverá persistir durante a tarde em alguns locais a norte do Cabo Raso, onde há possibilidade de ocorrência de precipitação fraca até ao meio da manhã.

De acordo com o Instituto, durante a tarde, está previsto um aumento de nebulosidade no interior Norte, onde há condições favoráveis à ocorrência de aguaceiros e trovoada.

A previsão aponta ainda para vento em geral fraco do quadrante oeste, tornando-se moderado no litoral e nas terras altas a partir da tarde, neblina ou nevoeiro matinal, em especial no interior, pequena descida da temperatura mínima e subida da máxima.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 12 graus (na Guarda e em Viseu) e os 17 (em Aveiro e Faro) e as máximas entre os 20 (no Porto e em Viana do Castelo) e os 32 (em Bragança).

Para a Madeira prevê-se céu pouco nublado, aumentando gradualmente de nebulosidade a partir da tarde, possibilidade de ocorrência de aguaceiros fracos a partir do meio da tarde, em especial nas vertentes norte e terras altas da ilha e vento em geral fraco do quadrante oeste.

No Funchal, as temperaturas vão variar entre os 19 e os 23 graus Celsius.

No grupo ocidental dos Açores (Flores e Corvo) prevê-se céu muito nublado, com boas abertas a partir da tarde e vento norte bonançoso a moderado, rodando para oeste.

Para o grupo central (Graciosa, S. Jorge, Faial, Pico e Terceira) prevê-se céu muito nublado, com boas abertas a partir da tarde, possibilidade de aguaceiros fracos e vento fraco, tornando-se bonançoso de oeste.

No grupo oriental (S. Miguel e Santa Maria) estão previstos períodos de céu muito nublado com abertas, possibilidade de aguaceiros fracos na tarde e vento fraco.

Em Santa Cruz das Flores as temperaturas vão oscilar entre os 18 e os 24 graus, na Horta entre os 19 e os 26, em Angra do Heroísmo entre os 19 e os 25 e em Ponta Delgada entre os 18 e os 25.

Benefícios
A dieta do jejum intermitente, que implica um período de 16 horas sem comer, demonstrou ser eficaz na redução do peso e no...

Muitas celebridades ajudaram a popularizar a dieta do jejum intermitente, como Beyoncé, Gwyneth Paltrow ou Jennifer Lopez. Apesar de criticada por alguns nutricionistas - mas não por todos - novos estudos têm apontado para os benefícios deste regime alimentar.

Habituados a investigar este método, os cientistas da Universidade de Illinois em Chicago, nos Estados Unidos, estudaram o efeito da restrição alimentar durante 16 horas na perda de peso em indivíduos obesos.

A equipa recrutou 23 pessoas obesas, com um índice de massa corporal (IMC) de 35 e, em média, 45 anos.

Durante 12 semanas, os participantes do estudo comeram o que quiseram entre as 10 horas da manhã e as seis horas da tarde. Durante as 16 horas seguintes, ou seja, até às 10 horas da manhã do dia seguinte, os mesmos voluntários mantivessem-se em jejum, ingerindo apenas água ou outras bebidas não-calóricas, como café e chá.

As conclusões

Ao compararem os resultados daquele tipo de dieta com os de um ensaio clínico em que os participantes tinham seguido outro tipo de jejum, foi verificado que os voluntários que seguiram o jejum intermitente consumiram menos calorias, perderam peso - embora pouco - e apresentaram melhores níveis de tensão arterial.

O estudo em causa conclui que os participantes do estudo atual consumiram 350 calorias a menos, perderam cerca de 3% do peso corporal e tiveram um decréscimo de cerca de 7 mm Hg na tensão arterial sistólica.

No que toca ao voluma de massa gorda, colesterol e resistência à insulina, os resultados foram semelhantes em ambos os grupos.

 

 

Patologia benigna mas sem cura
Atinge apenas 1% da população mundial e é mais frequente no adulto jovem.
Mãos com vitiligo

Embora possa surgir em qualquer idade, o vitiligo é mais frequente no adulto jovem, sendo raro na primeira infância ou terceira idade. De causa desconhecida, sabe-se apenas que esta “é uma doença não contagiosa, com predisposição genética, que resulta da perda local de melanócitos” (das células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele).

De acordo com a dermatologista, Helena Toda Brito, o mecanismo responsável pela destruição dos melanócitos não está ainda completamente esclarecido. “Mas pensa-se que tenha uma origem autoimune” sendo que o sistema imunitário identifica a melanina como um elemento estranho ao organismo, atacando e eliminando as células responsáveis pela sua produção.

Doenças da tiroide, diabetes, anemia perniciosa, doença de Addison ou alopecia areata são algumas das patologias às quais o vitiligo pode estar associado.

“O vitiligo caracteriza-se pelo aparecimento de manchas despigmentadas, com formas e dimensões variadas, dispersas pelo tegumento. Estas são tipicamente brancas, mas podem por vezes ter tonalidades intermédias”, descreve a especialista adiantado que, embora geralmente assintomáticas, as manchas podem cursar com prurido numa fase inicial.

Face, pescoço, dorso das mãos, extremidades dos dedos e contornos dos lábios, genitais ou mamilos são às áreas mais afetadas.

“Nas zonas pilosas, como o couro cabeludo ou sobrancelhas, pode ocorrer perda da cor dos pelos, com o aparecimento de pelos brancos”, refere a especialista. E para além das lesões na pele, “o vitiligo pode estar associado a alterações oculares e auditivas”. No entanto, estes casos são bastante raros.

Habitualmente, o seu diagnóstico é feito pela observação clínica das lesões pelo médico dermatologista. “Em alguns casos, pode ser necessária confirmação do diagnóstico por biopsia cutânea”, adverte Helena Toda Brito.

Quanto ao tratamento, uma vez que não existe cura para a doença, este apenas serve para minimizar o seu aspeto, podendo ajudar a restaurar a cor da pele.  

Entre as opções terapêuticas está o uso de medicamentos que induzem a repigmentação das regiões afetadas.

Podem ser ainda utilizadas tecnologias como o laser ou fototerapia, bem como técnicas de cirúrgicas com micro-enxertos de pele.  

“Adicionalmente salienta-se a importância da proteção solar adequada, que tem um duplo objetivo nos doentes com vitiligo: proteger as manchas brancas das queimaduras solares (a falta de melanina torna a pele mais vulnerável aos efeitos nocivos da radiação solar, aumentando o risco de queimaduras solares e cancro de pele) e evitar que a pele em redor se bronzeie e torne as manchas de vitiligo mais óbvias”, acrescenta a especialista em Dermatologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

Apesar de se tratar de uma doença benigna não transmissível, o vitiligo pode ter um grande impacto na autoestima e qualidade de vida do doente, uma vez que ainda é encarada com algum preconceito. Ansiedade e depressão são a face menos visível de uma patologia que pode atingir qualquer pessoa, independentemente do seu sexo ou cor de pele.

 “O melhor tratamento é aproveitar a vida a sorrir”

Ângelo Pereira tinha 13 anos quando foi diagnosticado com vitiligo, uma doença à qual nunca deu importância. “Continuo igual a mim próprio, sem medos e sem receios”, afirma explicando que esta sempre foi a sua forma de encarar a vida.

No seu caso, foi o aparecimento de pequenas manchas de tom esbranquiçado na parte interior dos pés que deu o alerta.

“Estas manchas surgiram, curiosamente, duas ou três semanas após ter sofrido um efeito secundário de um relaxante muscular que tomei na altura para um pubalgia na perna direita”, começa por explicar acrescentando que a pele dos pés e mãos começou a saltar. “Parecia uma cobra em mudança de pele e até hoje associo isso ao aparecimento do Vitiligo”, confessa.

O diagnóstico foi bastante claro e bastou a observação médica. “O médico foi muito atencioso e tenho pena de já não me lembrar do nome dele”, refere Ângelo explicando que o especialista lhe terá dito de forma muito gentil e humana que sofria da mesma doença que o cantor Michael Jackson. “Não sentes dor, não tens qualquer tipo de problema. Só quando fores à praia é que tens de colocar bastante protetor solar de fator 50, pois a tua pele é mais sensível”, recorda as palavras do médico acrescentando que ainda dentro do consultório só pensava em ir jogar à bola com os amigos.

“Com 13 anos, via o mundo sem maldade e só queria brincar e fazer «asneiras» ”, justifica.

“Recebi desta forma a notícia que poderia mudar, e muito, a minha maneira de ser. Mas continuo igual a mim próprio sem medos e receios. Aliás, a parte pior disto tudo é que continuo sem saber fazer o Moonwalk (a eterna dança do Michael Jackson) ”, diz entre risos.


Para Ângelo Pereira o Vitiligo nunca foi um problema. No entanto, admite que muitos sofrem com a doença

No entanto, apesar da ligeireza com que encara o problema, Ângelo admite que muitos pacientes sofrem com o diagnóstico de uma doença que afeta a sua aparência.

“Existirá certamente casos em que as pessoas têm dificuldade em assumir a doença, sentindo-se rejeitadas pela sociedade e que esta possa levar inclusive ao suicídio”, afirma considerando que deveria existir um maior cuidado na abordagem do tema. E por isso, reforça a importância da existência de Associações como a Vitipor, constituída por doentes com vitiligo, que ajuda na divulgação desta patologia.

“Seria importante figuras públicas falarem deste tema, ou até o tema entrar numa novela… É que o olhar magoa e muito! Pelo menos é o tenho sentido em relação ao grupo do Facebook, onde a maioria está presa aos olhares. Eu como sou uma pessoa que meto sempre os outros à vontade, até me perguntam o que é e tento sempre informar o mais possível. Lá vem sempre o coitado do Michael Jackson à baila”, diz com humor.

O jovem mecânico afirma que o melhor tratamento para a doença é aproveitar a vida a sorrir.

“Não dou grande importância ao que me os outros me dizem. Respeito a opinião de cada um mas prefiro raciocinar sempre à minha maneira. Se tiver de ir à praia vou, se tiver de ir à piscina, vou. Basicamente faço o que me apetece”, afiança.

“Haverá sempre alguém a apontar o dedo, seja ao vitiligo, seja enquanto profissional, seja enquanto amigo. Nunca poderemos agradar a todos. Nós somos únicos…”, acrescenta afirmando que o vitiligo nem deveria ser considerado doença. “São apenas umas manchas (…) quantas pessoas estão acamadas em hospitais? No outro dia soube que o meu vizinho tinha cancro, e nós andamos preocupados com manchas?”, justifica.

Mas se a sua postura em relação a uma doença que ainda continua envolta em preconceito revela confiança e otimismo, a verdade é que nem todos os doentes conseguem aceitar a sua condição com a mesma facilidade.

Outros há que se escondem e que não aceitam a sua imagem quando se olham ao espelho. Marta Neto é o exemplo que contrasta com a alegria de viver de Ângelo. “Odeio ver-me ao espelho e possuo uma baixa autoestima”, revela.

Com um diagnóstico feito há mais de 20 anos (tinha 23 quando surgiram as primeiras manchas na mão esquerda), Marta revela que ficou abismada com a notícia. “Eu não sabia bem do que se tratava”.

Atualmente, garante que psicologicamente a doença mexe muito consigo e que tenta escondê-la o mais que pode. “Sinto-me diferente de tudo e todos. Não visto qualquer coisa com que não me sinta tapada”, admite. “Visto roupas para esconder e no verão uso autobronzeador”, revela admitindo que, tendo em conta que a extensão de pele afetada tem vindo a aumentar, esta tarefa é cada vez mais difícil. “Como agora tenho muitas manchas já fica difícil e além disso fico toda suja…”, lamenta.

Apesar de lidar pessimamente com a doença, Marta nunca procurou ajuda psicológica e admite já ter recorrido a diferentes opções terapêuticas sem que nenhuma surtisse efeito.

Sobre o impacto que a doença pode ter na vida de quem dele sofre, Marta reforça a necessidade de “de que a cada dia a diferença de peles deixe de fazer diferença" nas suas vidas. 

E Ângelo relembra que “a vida é sempre mais engraçada a cores e nós temos duas!” Viver, sorrir e amar são o principal conselho.

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Albinismo

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Associação
A Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar considerou hoje "escandaloso" o ritmo de abertura de 20 USF por...

“Atualmente, estamos com 505 USF para uma necessidade estimada de cerca de 820 a 850. Só 60% do país está coberto por USF”, afirma a Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), a propósito das conclusões do Relatório de Primavera 2018, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, divulgado na semana passada.

Dos resultados obtidos, concluiu-se que os cuidados de saúde primários (CSP) revelam carências estruturais e de decisão política (recursos humanos, materiais e evolução das USF), revelando uma “paralisação” na reforma dos CSP, sublinha a associação em comunicado.

Pelo relatório, “constata-se que os CSP estão longe de serem a prioridade política do atual Governo, sendo altamente preocupante que o ministro da Saúde continue a afirmar que no ano de 2018 estamos melhor do que em 2015, sabendo todos nós que em 2017 (e 2018 continua, ainda só abriram 4 novas USF) foi o pior ano da reforma dos cuidados de saúde primários, relativamente à criação de novas USF, como, aliás, temos reiteradamente demonstrado”, sustenta.

A associação lamenta as “grandes iniquidades” que ainda persistem no acesso a CSP de qualidade entre pessoas, famílias e comunidades, consoante a região do país.

Segundo a USF-AN, se o país estivesse todo em USF mais 93.000 diabéticos estariam controlados, mais 112 mil hipertensos teriam tensões arteriais normalizadas, mais 1.900 grávidas teriam tido a sua consulta de vigilância no primeiro trimestre, mais 4.596 recém-nascidos com consulta de vigilância antes do 28º dia, mais 153.000 idosos teriam tido uma consulta de enfermagem no seu domicílio e mais 33.000 idosos teriam tido uma consulta em casa.

A nível da prevenção, também haveria um “melhor desempenho na avaliação dos indicadores de vigilância oncológica, de rastreio, e de vacinação”: mais 320.000 adultos maiores de 50 anos teriam feito rastreio do cancro do cólon, mais 300.000 mulheres teriam feito rastreio do cancro da mama, mais 510 mil mulheres teriam tido uma consulta de planeamento familiar, mais 300 mil mulheres com citologia cervico-vaginal realizada e mais 30.000 idosos teriam feito a vacina da Gripe.

Uma menor taxa de internamentos hospitalares evitáveis e menor idas às urgências hospitalares, e uma poupança potencial com medicação em cerca de 105 milhões de euros e de 16 milhões com meios complementares de diagnostico por ano são outras vantagens apontadas pela associação.

“Mesmo com esta evidência, comprovada por estudos do próprio Ministério da Saúde (CNCSP), o ritmo concretizado por este Governo na abertura de USF – abertura de 20 novas USF por ano – é escandaloso. Se assim continuarmos, só em 2030-2035 seria atingida a equidade no acesso às USF”, salienta.

Perante esta situação, a associação desafia o Governo “a acabar com as cotas para USF e a criar condições para aumentar as candidaturas, podendo assim acabar-se com um país a duas velocidades em quatro anos em vez de 12 anos”.

Estudo
A relação entre a obesidade e o cancro da próstata, bem como a prevenção e tratamento desta doença, vão ser objeto de estudo...

"A investigação tem início oficial em julho e será desenvolvida no âmbito do projeto ProMETAB, que procurará clarificar de que forma a alimentação e os estilos de vida, nomeadamente a exposição a desreguladores endócrinos, contribuem para a alteração do metabolismo das células afetadas", aponta esta instituição de ensino superior sediada na Covilhã, distrito de Castelo Branco, em nota de imprensa enviada à agência Lusa.

Com o nome "ProMETAB - Fatores extrínsecos na modulação do metabolismo da próstata: aplicações na prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro", o projeto será realizado no Centro de Investigação em Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (CICS-UBI) e vai centrar-se nas causas da doença e formas de prevenção.

Segundo a informação, na prevenção "serão estudados alguns fatores que podem atuar como agentes protetores, averiguando qual o efeito da dieta mediterrânica, considerada uma das mais saudáveis do mundo, na manutenção do ‘metabolismo saudável’ das células da próstata”.

Desenvolvida na Cova da Beira, esta investigação também terá particular atenção ao eventual impacto que a fruta produzida na região pode ter para contrariar o desenvolvimento da doença.

"Iremos clarificar de que modo alguns componentes da dieta mediterrânica, nomeadamente frutos da região da Cova da Beira e plantas aromáticas usadas como condimentos, poderão ter um impacto decisivo, contrariando os efeitos da obesidade e da disrupção endócrina no desenvolvimento do cancro da próstata", explica a investigadora responsável pelo ProMETAB, Sílvia Socorro, que é citada na nota de imprensa.

De acordo com a investigadora, "o projeto produzirá igualmente informação consubstancial para a sua exploração como alimentos saudáveis e com impacto na definição das estratégias de educação para a saúde, visando a promoção de uma alimentação saudável, contribuindo igualmente para a valorização de recursos naturais endógenos da Cova da Beira na economia regional e nacional".

Outro dos objetivos será identificar um conjunto de moléculas que se espera poderem vir a ser exploradas como novos medicamentos.

"Prevê-se a síntese de novas moléculas com capacidade de inibir o metabolismo das células do cancro da próstata em pontos-chave para a progressão dos tumores, assim como o teste funcional da sua ação terapêutica em modelo animal. Com esta estratégia, reunir-se-á um conjunto de informação pré-clínica que, posteriormente, poderá ser aplicada em redes de investigação translacional", acrescenta Sílvia Socorro.

A UBI frisa ainda que o "ProMETAB" reforça o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no CICS-UBI em torno do cancro da próstata, nomeadamente em investigações anteriores lideradas pela mesma investigadora, e tem em consideração que o cancro é cada vez mais visto como uma doença que pode ser evitada pela adoção de estilos de vida saudáveis e pela minimização da exposição a fatores de risco.

"No caso da próstata, um trabalho publicado em 2016 na Revista Nature estima que corresponda a mais de 90% dos casos", destaca a coordenadora do projeto.

Os trabalhos serão levados a cabo nos laboratórios do CICS-UBI, com um financiamento superior a 235 mil euros pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, pelos investigadores do CICS-UBI e da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS).

Além de Sílvia Socorro, conta com o contributo de Ana Paula Duarte (co-investigadora responsável), Cátia Vaz, Cláudio Maia, José Eduardo Cavaco, Paulo Almeida, Samuel Silvestre e Sara Correia.

O projeto tem ainda a colaboração de Bruno Pereira, médico urologista do Centro Hospitalar Cova da Beira, e que também é docente da FCS, "para assim se aumentar o impacto translacional, ou seja, de aplicação prática dos resultados obtidos", conclui a responsável pelo ProMETAB.

Estudo
Um estudo desenvolvido na Faculdade de Farmácia de Coimbra concluiu que os métodos utilizados nas estações de tratamento de...

Uma investigação realizada por especialistas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) concluiu que “os atuais métodos utilizados” nas ETAR “não são eficazes na remoção dos vírus mais resistentes”, afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

“Análises realizadas em amostras colhidas em 15 ETAR, de norte a sul do país”, no âmbito daquele estudo, revelaram “a presença de quantidades elevadas de material genético de alguns vírus, tais como poliomavírus JC e Norovírus”, sublinha a mesma nota.

O poliomavírus JC é “muito pouco conhecido", mas "muito comum entre a população humana”, refere a UC, adiantando que, no entanto, “este vírus apenas causa doença em indivíduos que tenham o sistema imunitário bastante comprometido, o que pode acontecer devido a diversas patologias”.

Nestes doentes, o vírus JC pode causar Leucoencefalopatia Progressiva Multifocal (PML, na sigla inglesa), “uma doença desmielinizante do sistema nervoso central que pode ser fatal”. Já o grupo dos Norovírus é um dos principais responsáveis por gastroenterites e pode ser transmitido através da ingestão de água ou alimentos contaminados.

Como não existe legislação, nem a nível nacional, nem europeu, que regule a presença de vírus nas águas residuais tratadas, o estudo focou-se em detetar e quantificar a existência dos vírus mais resistentes “com o objetivo de chamar a atenção das entidades competentes e dos decisores políticos para a necessidade de incluir esta avaliação nas ETAR por forma a evitar riscos para a saúde humana”, frisa Ana Miguel Matos, coordenadora do estudo e docente da FFUC.

“Os efluentes das ETAR são lançados nos recursos hídricos para reutilização, podendo ser uma via de transporte destes vírus para população”, salienta ainda a investigadora, citada pela UC.

“Não pretendemos causar alarmismo, mas sim produzir informação que leve à implementação de novas práticas de avaliação da qualidade da água que sai das ETAR para prevenir a dispersão de vírus”, reitera Ana Miguel Matos.

Para avaliar em que medida os atuais métodos de tratamento de águas residuais praticados pelas diferentes ETAR são eficazes na destruição de vírus, as análises foram realizadas em esgotos não tratados (influentes colhidos à entrada das ETAR) e nos respetivos efluentes (à saída das ETAR).

À entrada das ETAR, o vírus JC surgiu em 14 das 15 estudadas, com níveis de concentração de 538 mil vírus por litro. Após o tratamento, o genoma do vírus JC permaneceu detetável em oito ETAR, embora em concentrações inferiores (213 mil vírus por litro), explicita a UC.

No caso dos Norovírus, foi detetada a sua presença (antes de qualquer tratamento) também em 14 ETAR mas em concentrações superiores (um milhão de vírus por litro). À saída, o vírus permanecia em 10 ETAR, em concentrações de 266 mil vírus por litro.

Os investigadores verificaram ainda que a permanência destes vírus à saída das ETAR é independente dos métodos de tratamento aplicados por cada uma delas.

A próxima fase do estudo será verificar se estes dois vírus resistem a um método inovador de tratamento de águas residuais que está a ser desenvolvido por uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

O método em causa combina a utilização de ozono fotocatalítico e biofiltros com uma amêijoa de água doce conhecida como amêijoa asiática (Corbicula fluminea) para remoção de vírus e bactérias das águas residuais.

Relatório
A deslocalização do Infarmed para o Porto pode melhorar funcionamento do instituto ao nível da produtividade, segundo o...

De acordo com o relatório do grupo de trabalho criado pelo Ministério da Saúde para avaliar o impacto da mudança do Infarmed de Lisboa para o Porto, a que o Jornal de Notícias (JN) teve acesso, a deslocalização “trará maior produtividade e eficiência, nomeadamente com a construção de instalações mais adequadas do que as atuais, no Parque de Saúde, em Lisboa”.

“É um investimento de cerca de 17 milhões de euros, mas que, ao fim de 15 anos, poderá gerar uma poupança de 8,4 milhões”, é referido no documento, que já foi entregue ao Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

O grupo concluiu também, segundo o JN de hoje, que “não se verificam impedimentos absolutos para a deslocalização do Infarmed para o Porto”, mas alerta para a necessidade de se criar uma estratégia que proteja os recursos humanos por forma a garantir a continuidade da missão da agência do medicamento”.

Contudo, a recusa dos trabalhadores na deslocalização para o Porto é um dos principais constrangimentos para a mudança.

De acordo com um inquérito da comissão de trabalhadores do Infarmed, a que agência Lusa teve acesso, 99% dos trabalhadores discorda da deslocalização para o Porto. Apenas sete por cento estariam disponíveis para se mudar.

No documento a que o jornal teve acesso, o grupo admite que a recusa pode comprometer a missão, mas, com medidas de compensação, os riscos “são negligenciáveis”.

“Contemplar em legislação excecional compensações aos funcionários em deslocação ou alterar a natureza jurídica do Infarmed, de instituto público para entidade reguladora independente” são algumas das soluções apontadas.

No relatório é explicado que “caso os trabalhadores não adiram voluntariamente à transferência, poderá “verificar-se a situação típica de mobilidade geográfica/territorial a que se refere o artigo 24.º da lei número 25/2017”, ou seja, podem beneficiar de subsídio de fixação, de deslocamento e de residência, bem como de garantia de transferência escolar dos filhos e de preferência de colocação do cônjuge”.

No que diz respeito à natureza jurídica (passar o Infarmed a Entidade Reguladora Independente), o grupo sublinha que “com este estatuto, aos trabalhadores seria aplicado o regime de contrato individual de trabalho”.

Como tal, teria ao dispor “autonomia regulamentar própria para estabelecer o regime de carreiras e categorias, assim como as inerentes posições remuneratórias e ouras justificadas com compensações”, é indicado.

O grupo destaca contudo que qualquer uma das soluções terá de ser acompanhada, em paralelo, por um processo de formação de novos recursos humanos “como garante da continuidade do Infarmed”.

A deslocalização do Infarmed de Lisboa para o Porto foi anunciada em novembro do ano passado pelo ministro da Saúde, tendo sido recebida com surpresa e desagrado pelos trabalhadores do instituto.

O anúncio foi feito depois de se saber que a candidatura do Porto a receber a sede da Agência Europeia do Medicamento não tinha sido vencedora.

Em dezembro de 2017, o ministro da Saúde criou um grupo de trabalho para avaliar esta deslocalização.

 

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